quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Roubaram até a chuva


Espetaram na Petrobras uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização por chuvas no agreste pernambucano, mesmo quando o tempo estava seco e sereno

Em 1992, o escritor Otto Lara Resende caminhava por uma rua do Rio quando choveu dinheiro sobre sua cabeça. O caso foi contado com a suavidade de um clássico da bossa nova por Ruy Castro, autor de “O poder de mau humor” (1993), onde se aprende como o poder é cruel: “Antes de nos arruinar, quer primeiro nos enlouquecer.”

Aconteceu durante a desordem político-econômica do governo Fernando Collor. Apeado da Presidência no impeachment decantado por um coro petista, Collor renasceu na década seguinte aliado a Lula e, desde então, tem assento garantido na bancada governista, sob liderança do PT.
Otto recebeu um monte de moedas na cabeça. Não se machucou. Viu que nem mendigos se davam ao trabalho de recolher aquele dinheiro sem valor espalhado no chão, e escreveu: “Nem peso ou consistência material essa droga tem.”

Mantendo-se na inércia, Dilma Rousseff corre o risco de começar o segundo mandato presidencial sob uma simbólica chuva de títulos da Petrobras, que perdeu quase 55% do valor de mercado nos últimos dois anos.

Por trás da corrosão das moedas sob Collor e das ações da Petrobras sob Dilma, podem-se vislumbrar laivos da “fase 1”, para usar o jargão da burocracia, da crueldade do poder de enlouquecer, antes de arruinar.

A balbúrdia na estatal petroleira possibilitou, entre outras coisas, que fosse roubada a chuva no agreste nordestino. Aconteceu durante a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, negócio público que começou custando US$ 2,5 bilhões e já ultrapassa US$ 20 bilhões — mais de um terço acima de similares e contemporâneas da Índia (quatro), na China (três) e na Arábia Saudita (duas).

Em geral, uma obra de construção civil para quando chove e o custo dessa interrupção é normalmente absorvido pelo empreiteiro.

Em Abreu e Lima, a conta da paralisação por chuvas (raios, também) ficou com a petroleira estatal. As empreiteiras do “cartel de leniência” espetaram uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização pelas chuvas no agreste. O cálculo do tribunal de contas é preliminar.

Paisagens Brasileiras

Cláudio Vinícius, Rio Mambucaba (Angra dos Reis)

O monólogo vermelho

“ Eu sou de esquerda. E tenho muito orgulho disso. Eu sou bom, minha consciência é limpa. Eu sou tão superior a esta população de idiotas, alienados, que inflo o peito com alegria ao me ver pairando acima da massa de babacas tanto da pequena burguesia quanto da elite branca, que deve ser arrasada para que impere a verdadeira elite vermelha, que sou eu, somos nós. Como será maravilhoso o fim da propriedade privada, mesmo que para isso seja necessário enquadrar, prender, até matar reacionários como fizeram nossos chefes tão criticados pelos socialdemocratas, os maiores inimigos da Revolução. Lembro sempre as palavras de Trotsky: ‘quem foi que disse que a vida humana é sagrada?’

Claro que os dirigentes terão direito a apartamentos duplex ou triplex, automóveis oficiais, porque, afinal, ter o controle dos meios de produção, limitação da mídia, dá muito trabalho – e não são privilégios, não; são direitos nossos de comandantes na construção do futuro. Desde que entrei no Partido, sou parte de um olimpo do pessoas extraordinárias. Nos olhamos com o doce sentimento de pairar acima das multidões. Ai, que bom... participar de comitês revolucionários com discussões ideológicas que se estendem até o cu da madrugada, sair ao amanhecer e ver a multidão de operários indo para o trabalho, enquanto nós decidíamos seu futuro. Mesmo as brigas internas me emocionavam, aquela luta pela fome de subir no Partido, a vigilância do outro, o silêncio sobre os erros, as falsas autocríticas, até mesmo a alegria de injustiças feitas em nome do bem.

Eu sou um elo da cadeia que vai desde a revolução soviética, em 1917, até hoje na grande reconstrução da Venezuela feita pelos nossos irmãos bolivarianos. Ainda bem que o Putin está refazendo tudo que a URSS perdeu por obra dos agentes do imperialismo ianque, pois todos sabemos que o canalha do Gorbatchov foi treinado na CIA. Depois que eu virei um revolucionário do Partido, faço sucesso com as companheiras e mesmo as reacionárias, o que me dá, ao comê-las, uma mistura de prazer com vingança. Mas, o grande prazer é sentir-se na ‘linha justa’, é saber que nada é culpa nossa, mas do imperialismo norte-americano, esse dragão do mal que até instilou câncer no corpo do comandante Chavez, como ele próprio denunciou, na forma de um passarinho no ouvido do comandante Maduro.

Aí, ficam os neoliberais nos acusando de roubo das companhias estatais, como a Petrobras. Mas nós temos o direito de desapropriar instituições para financiar nosso futuro. A Petrobras sempre foi nossa, sempre foi um tesouro dos amantes do povo, sempre esteve ali como um motor para mover a revolução nacionalista. Armar grandes fontes de propinas que caem em nosso partido é um gesto revolucionário. Tudo bem que o valor da Petrobras tenha caído de 700 bilhões para 150 bilhões por causa dos escândalos, dos roubos, mas nos consola saber que esse dinheiro desviado foi para o bem do povo que professamos, pois não há bem sem verba.

Aliás, nem só a Petrobras, mas qualquer companhia pública do país nos favoreceu: aeroportos, portos, fundos de pensão (oh...maravilha!) podem ser desapropriados (ou predados, como dizem os neoliberais), pois estamos a criar num novo país. Ainda não sabemos como será, mas certamente queremos que o Estado seja dono de tudo, inclusive do desejo das pessoas, livres da sociedade alienada onde se acoitam os inimigos do povo.

Esse papo de democracia é muito sem ‘design’, muito falatório, muitas opiniões, muita liberdade e uma insuportável multiplicidade de desejos. Bom é o ‘um’, em vez do burburinho de opiniões diversas. Por isso eu amo a Coreia do Norte. Tudo bem que eles sejam um pouco radicais, mas há que reconhecer que vibro com o universo controlado que o Kim armou para organizar tudo. Os passos de ganso dos desfiles patrióticos, toda a população chorando e fingindo teatralmente quando morreu o pai do Kim. Como é belo tudo isso; parece haver só um homem, todos iguais como o próprio presidente Kim, com seu cabelinho cortado que todos devem copiar...

Ah.. que saudades dos velhos tempos de 1963... Agora estamos voltando a essa época. Por isso desenterramos o Jango para revigorar a boa ‘teoria da conspiração’ afirmando que ele foi envenenado pelo imperialismo. Minha fé no Partido me deixa muito feliz, porque o comunista não morre nunca; somos seres sociais como as formigas, e por isso, a morte individual pequeno-burguesa não me atingirá – sinto-me eterno.

Agora estamos sob ataque das forças da elite conservadora. Muitos supostos crimes foram delatados, e nos chamam de organização criminosa. Nada disso. Não temos medo das consequências jurídicas, porque sei que essas revelações são tantas que cairão na vala comum do Poder Judiciário, que não tem como julgar tanta coisa. Com chicanas e recursos e ministros petistas vai se criar um congestionamento de processos que vão virar uma massa informe que tem como aliada o esquecimento.

E mesmo que isso tudo signifique o desprestígio total do Brasil no mundo, me consola a certeza de que mudamos o Brasil, mesmo transformando-o num lixo porque, afinal, não acreditamos no conceito de ‘país’ – somos um sistema.

E tem muita gente que me pergunta como vejo o futuro do país.

Bem, eu imagino Brasília tomada de uma vez por todas. As praças e prédios do poder invadidos e aparelhados, com multidões na praça dos Três Poderes aclamando os líderes do nosso futuro, protegidos pelas milícias do MST e pela guarda pretoriana dos intelectuais orgânicos das universidades e pelos pelotões do Bolsa Família.

Já vejo com emoção a brancura dos monumentos e dos palácios cobertos de milhares de bandeiras vermelhas ao vento e o grande pendão da esperança vermelha tremulando no mastro central.

E mais: onde era o monumento do JK estará o grande caixão de cristal onde jazerá o Lula, embalsamado para toda a eternidade!”

Em dez anos, Brasil perde 217 bilhões em fuga de ilícito

Entre 2003 e 2012, expatriação de divisas oriundas de corrupção, fraude e outros crimes equivale a 10% do PIB nacional. Leis são rígidas, mas execução é dificultada pela morosidade da Justiça, dizem especialistas.
O resultado coloca o Brasil na sétima posição se for considerado o total de capital ilegal expatriado entre 2003 e 2012. China (1,25 trilhões de dólares), Rússia (973 bilhões), México (514 bilhões) e Índia (439 bilhões) são os primeiros colocados no ranking elaborado pelo instituto sediado em Washington, nos EUA. Em 2012, o Brasil ficou na oitava posição, com cerca de 34 bilhões de dólares.

"Os fluxos ilícitos são, em parte, relacionados com o valor do PIB. Como o país é a sétima economia mundial, quanto maior for ela, maior será a capacidade de gerar fundos ilícitos", comenta Dev Kar, economista-chefe do GFI. "O tamanho da economia informal do país, estimada entre 2010 e 2012 em 21,79% do PIB, também influencia. Quanto maior a economia paralela, maior é a capacidade de financiar fluxos ilícitos."

Para Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, a má posição do Brasil é explicada por uma combinação de dois fatores. O primeiro é a alta carga tributária interna, que faz com que muitos empresários busquem a evasão fiscal e a retirada de recursos do Brasil para países de menor tributação. O segundo é a corrupção e a consequente necessidade de esconder recursos em paraísos fiscais, que normalmente oferecerem anonimato e tributação mais baixa.
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Procura-se o refundador

'Faxinaço' na sede da Petrobras nesta terça-feira, em São Paulo
O nó da substituição de Graça só será desatado de vez quando Dilma encontrar um executivo de primeira linha que aceite o desafio de refundar a Petrobras.
Sim, porque a Petrobras precisa ser refundada.
Lula e o PT operaram o prodígio de desvalorizá-la em 80% nos últimos 10 anos. A empresa jamais voltará a ser forte e admirada no mundo como foi.

Ricardo Noblat, "Descanse em paz, Graça"

O Brasil ainda é o Brasil?


Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério. Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério. Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério. Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério.

Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-presidente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério. Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério. Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.

Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias!

Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.

Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir “un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico”. Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das “lições caducas com que se formavam nossos militares”, as quais seriam “quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos”? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.

Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Vai sobrar pra alguém


Os filhos da nova esperança


Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”

O velho Brasil da corrupção e da impunidade pode felizmente terminar sepultado pelos chamados “filhos da esperança de um novo Brasil”, compostos por uma geração de jovens juízes, promotores, advogados, jornalistas e oxalá também de novos políticos, que não aguentam ver o país com a imagem que se forma dele dentro e fora de suas fronteiras. Essa imagem forjada por uma corrupção de cunho mafioso que, segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, “envergonha” a nação.

São os filhos de uma geração de pais e mães espantados com o atropelamento da legalidade, com o assalto sistemático e programado do dinheiro público com a conivência de políticos e empresários.

Esses pais, muitos dos quais viram nestes anos passar aos seus olhos bilhões subtraídos do suor de seu trabalho por corruptos sem escrúpulos, parecem hoje querer se vingar por meio de seus filhos.

É emblemática, por exemplo, a reação da mãe do promotor Deltan Dallagnol, que com seus 34 anos encabeça a equipe de trabalho do escândalo das empresas coniventes com a corrupção da Petrobras. No Facebook, feliz com o trabalho de seu filho, a mãe escreve: “Sua postura ética nos enche de orgulho”. No plural, como que para indicar que esse orgulho é de toda a família.

Em outros momentos, por vezes tomados pelo medo de represálias ou pela incapacidade, muitos pais aconselhavam seus filhos a “não se meterem em encrencas”.

Hoje, ao contrário, incentivam-nos a ser corajosos e a enfrentar a fera da ilegalidade, que começa a se tornar insuportável mesmo para os mais acostumados à atávica impunidade brasileira.

Uma das frases mais lidas por estes dias sobre o que está acontecendo no Brasil é que o país precisa “ser passado a limpo”.

Parece cada vez mais claro que nem os velhos conchavos políticos nem as velhas ideologias nem talvez muitos dos desgastados partidos de hoje são capazes de passar a limpo, por mais esforços que façam para criar uma nova cara, em que cada vez acreditam menos os cidadãos.

A esperança de regeneração deve vir desses jovens ainda não comprometidos com as velhas práticas de corrupção e até enojados com elas. Eles ainda podem levar levá-la a cabo antes que a onda do conformismo ou da cumplicidade os contamine e os arraste também ao abismo.

Muito se tem falado nos últimos anos sobre a mítica classe média saída da miséria, hoje ameaçada pela crise econômica, em especial pela inflação e pelo fantasma do desemprego, que começa a rondar.

Serão provavelmente os filhos dessa nova classe, metade dos quais já navegam pela Internet, que ao contrário de seus pais agora estudam, conhecem melhor a semântica da linguagem, são menos ideologizados, são mais pragmáticos e por enquanto mais limpos eticamente, a esperança desse Brasil, nascido dos escombros do passado.

Por falar em pobreza

"Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia"
Nelson Mandela

O estranho caso de uma empresa que quebrou um país


O lulopetismo conseguiu outra proeza sem comparativos históricos: usar uma empresa estatal para quebrar um país. A Petrobras seria privatizada por tucanos irresponsáveis, diziam os companheiros. Foi privatizada pela quadrilha do PT. Antes da descoberta do pré-sal, tinha um valor de mercado superior ao atual. Chegou a valer 737 bilhões de reais. Agora, vale 127 bilhões.

A Petrobras hoje não tem crédito em nenhuma birosca financeira. E é a petrolífera mais endividada do mundo. Não terá com honrar encomendas e empréstimos. Os papéis da estatal na Bolsa de Nova York estão sendo “derretidos” por vendas de bilhões, às pressas, pelos investidores. Melhor do que ficar com o mico na gaveta.

Mais: prevê-se que, nos próximos dois anos, a cotação do barril no mercado internacional permaneça na faixa dos U$ 50. O patamar anterior era de U$ 120. (A causa principal é a guerra de preços entre o petróleo dos sheiks e o petróleo do xisto, mas isto é assunto para outro comentário). Só a extração do barril do pré-sal custa U$ 90.

A Petrobras também terá de pagar algumas centenas de milhões de dólares aos investidores americanos que foram enganados. Eles desconheciam o que o PT fez na empresa (e com a empresa).

E nós com isso? Simples. Quebramos juntos.

Qual empresa brasileira (privada ou estatal) terá acesso a financiamentos para a produção depois da descoberta dessa parte podre do país? Se a maior entre todas está falida, se deu garantias eque não cumpriu, se não consegue sequer apresentar um balanço (algo obrigatório no mundo inteiro), o que dizer das outras? Os recursos públicos (infindáveis, na lógica distorcida da seita petista) serão usados para salvar a Petrobras, como sempre aconteceu e continua acontecendo, via BB, CEF e BNDES?

Sinto informar: nossas reservas, que Dilma apresentava como uma prova de sucesso fenomenal, são menores que os buracos. Só conseguirão cobrir o rombo da Petrobras. Os bancos brasileiros estão expostos a riscos ,medidos em bilhões, decorrentes do Petrolão. Se a conta vai ficar no prejuízo do banco, ele tratará de transferir o espeto para quem? É óbvio que não haverá crédito para nenhuma empresa, seja qual for seu tamanho.

O mal dos tempos


A ignorância é a enfermidade de nosso tempo. Observo isso em determinados políticos. É como se o poder lhes tirasse a faculdade de fazer e dizer qualquer coisa, ainda sem ter a menor ideia do que estão dizendo. Creio que a ignorância é uma desgraça como é a indecência. O problema é que o indecente e o ignorante nos governam.

Há que ter claro que a política é fundamental. Como escreveu Aristóteles, é a mais arquitetônica das ciências, pois organiza o público e o coletivo, os estados e a justiça, e permite a luta pela igualdade
Emillio Lledó, que se considera um operário da filosofia aos 88 anos 

Dilma confunde autoridade com autoritarismo


É isso o que ela tem em comum com seus antigos carrascos
Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.

Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.

Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.

Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.

A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.

Quem quer sair - ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta - simplesmente sai, ora.

O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.

Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.

A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.

Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.

E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.

Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.

Falta de recursos ameaça medição de terremotos


Poucos meses após lançamento de uma plataforma que reúne dados sobre abalos sísmicos no país, projeto que consumiu 25 milhões de reais em recursos públicos pode acabar sucateado por falta de verba para manutenção.
 O recém inaugurado site da Rede Sismográfica Brasileira corre o risco de ficar desatualizado já no próximo ano, por falta de recursos. O financiamento do projeto que monitora e mapeia terremotos no Brasil termina este ano. Para manter o monitoramento, integrantes da iniciativa buscam novas parcerias.

O projeto iniciado em 2008, do qual fazem parte o Observatório Nacional, a Universidade de São Paulo, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, custou cerca de 25 milhões de reais, financiados pela Petrobras, e contou com a integração e instalação de estações sismográficas em todo o Brasil.

"A sismologia no país era fragmentada. Agora a rede permite fazer um monitoramento mais extensivo do Brasil, temos uma cobertura mais homogênea de estações que possibilitam entender aonde ocorrem os sismos", conta o geofísico da USP Marcelo Bianchi.

Os dados recolhidos por cerca de 80 estações espalhadas pelo país são disponibilizados, quase em tempo real, no site da rede, que foi inaugurado no final de novembro. Mas todo esse esforço para monitorar tremores de terra em território brasileiro pode acabar sucateado, caso o projeto não receba mais recursos.

"Os equipamentos estão comprados, mas precisam de manutenção. Além disso, é necessário dinheiro para pagar a transmissão de dados. À medida que não temos mais financiamento, o projeto vai começar a parar. Os sismos não acontecem sempre, mas de tempos em tempos. Por isso, precisamos ter um monitoramento constante para entender melhor esses eventos", conta Bianchi. 

Jogo da verdade


A verdade é um labirinto.

Se digo a verdade inteira,
se digo tudo o que penso,
se digo com todas as letras,
com todos os pingos nos is,
seria um deus-nos-acuda,
entraria um sudoeste
pela janela da sala.
Então eu digo
a verdade possível,
e o resto guardo
a sete chaves
no meu cofre de silêncios.

Roseana Murray

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Turma da faxina


A chantagem da petrorroubalheira


A doutora está jogando na defesa com as petrorroubalheiras. Falta-lhe iniciativa, mesmo que seja para reconhecer o que se fez de errado, para evitar que se faça pior.
Outro dia, a doutora Dilma recebeu dirigentes sindicais preocupados com milhares de trabalhadores de empreiteiras que correm o risco de perder seus empregos se obras da Petrobras forem paralisadas. No fim dessa linha está uma chantagem das grandes empresas: se a limpeza avançar, cria o risco de se “parar o país”. Já há milhares de demissões e greves em estaleiros na Bahia e no Rio.

A doutora está jogando na defesa com as petrorroubalheiras. Falta-lhe iniciativa, mesmo que seja para reconhecer o que se fez de errado, para evitar que se faça pior. Está na fila das encrencas o caso da contratação de navios-sondas para perfurações.

Depois da descoberta das reserva do Pré-Sal, a Petrobras precisava contratar navios-sonda de perfuração. Podia ir ao mercado, mas os comissários, com Pedro Barusco no lance (US$ 100 milhões na Suíça), tiveram a ideia de formar uma empresa brasileira e em 2011 criaram a Sete Brasil na qual a Petrobras tinha 10% e punha seu selo. Entre 2014 e 2018, a Sete Brasil forneceria 28 plataformas. Coisa de US$ 30 bilhões.

Um projeto desse tamanho poderia atrair investidores de todo o mundo. Entraram três bancos (BTG, Bradesco e Santander) e mais os suspeitos de sempre: os fundos Petros, Previ Funcef, Valia e o FGTS. A Viúva ficou com cerca de 45% do negócio. Passou o tempo, entregaram um casco e cinco estão atrasados. A Sete já desembolsou US$ 8,9 bilhões, com uma parte em adiantamentos. Num caso, com um desembolso de US$ 2 bilhões, não há metade disso em obras. Só há uma sonda dentro do cronograma. No mercado surgiu a figura do “estaleiro Powerpoint”.
Se tudo desse certo cada sonda sairia por algo em torno de US$ 1 bilhão. No mercado internacional, custavam US$ 750 milhões. Depois, seriam alugadas para operadoras, pagando-se US$ 600 mil por dia. Lá fora, esse serviço valia no máximo US$ 500 mil. Os prazos foram para o espaço e hoje pode-se torcer para que as sondas fiquem prontas entre 2016 e 2022, se ficarem.

Cretinice não é de hoje

Já teve presidente que falava que a Petrobras era uma caixa preta, que ninguém sabia o que acontecia lá dentro. No nosso governo ela é uma caixa branca, e transparente. Nem tão assim, mas é transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide muitas das coisas que ela vai fazer.
Lula, entre o primeiro e o segundo turno da eleição de 2010 

'Brasileiros e brasileiras'


O brasileiro é um idiota. Para não parecer uma ofensa, é claro que me incluo nessa fauna. Ofensa mesmo é assistir todos os telejornais do sábado e ver até cansar a falência anunciada da maior estatal deste país de bananas. Se justiça houvesse neste país, ela teria essa carinha de cachorro escondido atrás de alguma criancinha? Tenha paciência. Não sei quantos barris de provas uma investigação tem que produzir dessa lama fétida para configurar um crime deste tamanho.

Não basta que o mensalão tenha virado um crime organizado sem criminosos e com os culpados todos soltos. Temos agora de aturar no lombo os presidentes que nada presidem, a dupla de velcros colada em nossa folha de pagamentos – fossinha e russefinha. É o preço a pagar por uma eleição visivelmente fraudada. Confesso que temo pela sanidade do país quando cada brasileirinho ou brasileirinha finalmente entender as dimensões e o significado dessa roubalheira impune.

A pétubrais vai quebrar; vocês já se deram conta disso? Capaz até de melhorar sensivelmente a vida do cidadão urbano, dispensado de pagar a gasolina mais cara e indecorosa do mundo só para carregar nas costas essa verdadeira camorra que ora nos rapina com tanta intensidade e volúpia. Se vocês querem saber mesmo, até o momento eu só temo pelo pior.

Talvez este seja o mote da maior investigação já levada à cabo nesta terrinha bananeira, que não viu um político preso com a barafunda, até o momento. Soma-se a isto o agachar pusilânime de gente cuja teoria na prática é outra coisa, mandando soltar só os bandidos mais próximos do grupelho. Só aqueles que tenham título de nobreza, como Duques e Arqueduques. Só os que tem grana na cueca e o que contar para incriminar seus comparsas de crime.

E assim vamos ficando, com aquela sensação de que o dia do macarrão não foi instituído por acaso. Ele é parte integrante do show de empulhação e vigarismo explícito a que somos expostos diariamente por aqui, para nos iludir. Para dissimular. Para riscar a superfície sem perfurar o centro da coisa podre. Um escárnio. A cada nova denúncia, eu me lembro bem daquela seita que orava para as coisas piorarem, pois é quando elas pioram que eles recebem mais dízimos e donativos.

A rejeição


Presidente que flutua


Como se nada estivesse acontecendo, a presidente da República continua brincando de montar Ministério e até hoje não demitiu a presidente Graça Foster. A presidente não está amarrada pelo PT, ela está é flutuando, fora da realidade.

Paisagens Brasileiras

Wilson Vicente, Início de tarde, Tiradentes 

Corrupção, impunidade e pobreza


Corrupção sempre prejudica os mais pobres de maneira desproporcional
Continuando o que se tornou um costume, o Governo argentino redobrou sua pressão sobre os juízes. No enésimo episódio desse tipo, atacou o Juiz Federal Claudio Bonadío, responsável por um dos casos que mais interessa à família presidencial: os hotéis do Sul. Com uma desculpa fraca, usou todo seu poder no Conselho da Magistratura para exumar velhos casos polêmicos e, na falta de votos para destituí-lo, cortou 30% de seu salário.

As provas sobra a corrupção sistêmica do Governo kirchnerista são indubitáveis e prometem tempos duros para seus funcionários. Mas a questão tem muitos outros lados, além dos morais e institucionais. Um dos mais condenáveis é o prejuízo direto que a corrupção causa na vida dos pobres. O caso emblemático é do ex-secretário de Transporte, Ricardo Jaime, que por sua conivência direta com empresários os quais devia controlar, aparece como responsável por 52 mortes no acidente da Estação de Once. Trens desconjuntados – apesar de subsídios milionários – causaram esse e outros acidentes mortais.

Mas até esse terrível episódio, os mais pobres que usam esses serviços perderam milhões de horas de sua vida viajando em condições inumanas. Basta pensar quantas horas de convivência com os filhos evaporaram por andar em um sistema injusto no qual um Governo pseudo-progressista não investiu dinheiro ou poder para assegurar condições mais humanas de deslocamento.

Existem inúmeras evidências que demonstram qual é o impacto do transporte ruim sobre a vida das famílias e, portanto, sobre as necessidades de afeto cotidiano de seus filhos. No lugar de escutar essas evidências, o apetite pelo dinheiro sujo levou Jaime e seus ainda desconhecidos parceiros políticos a permitir que tudo fosse piorando. As periferias das grandes cidades estão cheias de moradias inabitáveis, ruas intransitáveis e serviços públicos que não funcionam, nas quais não é difícil ver a mão da corrupção prejudicando os excluídos.

Mas a outra dimensão desse absurdo, é a impossibilidade absoluta de exercer controles judiciais sobre a forma como os bens públicos são administrados. Na Argentina não existe nenhum programa social cujo impacto seja avaliado com métodos rigorosos; as prestações de contas ao Congresso são inexistentes e o esbanjamento é a norma. Um caso que passará para a história e o das Aerolíneas Argentinas, a empresa nacional que bate todos os recordes de má administração e consequente esbanjamento de recursos escassos. Um comunicado recente da Auditoria Geral da Nação mostrou perdas anuais próximas de 100 milhões de dólares (259,5 milhões de reais). Com essa cifra poderiam ser construídas 250 escolas de última geração ou hospitais nas zonas nas quais a mortalidade infantil triplica a média nacional. São dilapidados fundos que mudariam a vida dos pobres para que os setores de classe média e alta sejam beneficiados. Esse é o “progressismo” do governo Kirchner.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Aula


Armas


- Qual a mais forte das armas,
a mais firme, a mais certeira?
A lança, a espada, a clavina,
ou a funda aventureira?
A pistola? O bacamarte?
A espingarda, ou a flecha?
O canhão que em praça forte
faz em dez minutos brecha?
– Qual a mais firme das armas? –
O terçado, a fisga, o chuço,
o dardo, a maça, o virote?
A faca, o florete, o laço,
o punhal, ou o chifarote?
A mais tremenda das armas,
pior que a durindana,
atendei, meus bons amigos:
se apelida: – a língua humana.
Fagundes Varela

Como seria o país do PT sem oposição

Graça Foster, presidente da Petrobras, tenta se manter com a cabeça fora d’água. Se conseguir, pior para a estatal. As ações voltaram a despencar nesta sexta-feira. Sim, caiu o preço do barril do petróleo, como é sabido. É a razão da hora. A questão é saber onde estava a empresa brasileira quando veio esse fator conjuntural. Resposta: no fundo do poço. A agonia parece não ter fim, e Dilma, a nefelibata, finge que não é com ela. Só que é.

Nesta sexta, o comando da estatal resolveu agir como de costume. Diante das evidências — e evidências são — de que fora advertida das lambanças como diretora e como presidente da empresa, Graça mobilizou a sua turma para desqualificar a acusadora, Venina Velosa da Fonseca — que teria até ameaçado seus chefes porque perdeu um posto importante.

A questão aí não é “de quem”, mas “do quê”. Sim, é sempre bom saber o nome do autor de uma denúncia. A pessoa pode ter interesse objetivo quando faz uma acusação. Se uma grave ilegalidade está sendo apontada, no entanto, é ainda mais relevante saber se estamos diante de uma verdade ou de uma mentira.
Fato 1: a roubalheira na Petrobras aconteceu.
Fato 2: Venina advertiu Graça (pouco importam as suas intenções).
Fato 3: Graça não tomou nenhuma providência.

Nem ela nem o presidente que a antecedeu, José Sérgio Gabrielli, que vai se agigantando, a cada dia, como o chefe de uma casa de horrores. Que ironia! A Petrobras serviu de cavalo de batalha dos petistas nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Lá vinha, invariavelmente, a mentira em tom de ameaça: “Os tucanos querem privatizar a Petrobras…”. Eis aí: essa Petrobras que temos é aquela privatizada pelo PT. O que lhes parece?

Se o preço do barril do petróleo cair mais um pouco — ou, vá lá, se vier a se estabilizar no atual patamar, a Petrobras estará ainda mais encalacrada do que hoje. Todo o chamado “Plano de Negócios” do pré-sal vai para a cucuia. Os males que o PT causou ao setor de energia no Brasil não serão corrigidos num tempo curto. O partido errou no diagnóstico, errou no prognóstico, errou na operação. E coroa a falta de competência com a evidência de que comandou, com certeza, a gestão mais corrupta da história da empresa. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato esperam ouvir Venina nos próximos dias.

Geleia geral brasileira


Hegemonia pressupõe o contrário do que será o ministério de Dilma – e o que foi o ministério de Lula.
 A reeleição, por motivos óbvios, dispensa os ritos de transição, em que um presidente passa a faixa a outro e equipes dos dois governos trocam informações para a sequência administrativa. Dilma, claro, não passará a faixa a Dilma.

Não obstante, o que se anuncia para seu próximo mandato, dada a mudança radical em postos-chaves do ministério – Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento Industrial e Agricultura, já anunciados -, é como se outro partido o assumisse.

Sai o, digamos assim, heterodoxo Guido Mantega e entra o ortodoxo Joaquim Levy, discípulo de Armínio Fraga, o mesmo que a candidata Dilma satanizou, como inimigo dos pobres. Não se trata de cobrar coerência entre o que a candidata prometeu e o que a governante fará. Isso é inútil – e já foi feito.

Trata-se de saber como governará em tal ambiente, visto que as bases do PT já demonstraram que não aceitam a novidade.

A presidente, que não é exatamente um gênio político – nem sequer gosta da atividade -, terá que administrar um quadro esquizofrênico que exigiria uma habilidade Talleyrand, que não tem.

De um lado, estão o mercado e a opinião conservadora, cuja expressão estatística já deu mostras de que não é pequena. De outra, a base ruidosa da militância de esquerda, que faz crer que é maior do que é. Essa base, a que faz coro o presidente do PT, Rui Falcão, empenhou-se em trocar a candidata por Lula no início da campanha. Não conseguindo, engoliu-a a força.

Ela quer de Dilma o que não está politicamente em condições de entregar. A censura à imprensa, por exemplo. E o plebiscito pela Constituinte exclusiva (como será isso?) para, nos termos da proposta do PT, tornar a “sociedade hegemônica”.

Hegemonia pressupõe o contrário do que será o ministério de Dilma – e o que foi o ministério de Lula. Supõe um governo uniforme, com discurso único, sob a égide uma mesma ideologia. O ministério Dilma é plural, vai da direita à esquerda, passando pelo centro, subsolo e sobreloja. É o que, em política, se chama de saco de gatos, de que o PMDB é símbolo.

Há dias, o ministro Gilberto Carvalho, indagado sobre a presença da senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, no futuro Ministério da Agricultura, disse não estar preocupado com quem comandará aquela pasta, mas com quem comandará o Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Aquela, sim, é importante, na visão dele, pois é lá que se agregam o MST e os ativistas de esquerda que combatem o agronegócio. Uma pasta neutraliza a outra, é o que ficou implícito. Essa simples formulação vale um tratado a respeito do que têm sido os governos do PT, que, sob a mesma estrela vermelha, reúnem invasores e invadidos.

Funcionou até aqui, argumentam os petistas, mas (se é que funcionou) a pergunta é: até quando? A economia vai mal, os escândalos atingem níveis estratosféricos, a presidente tem dificuldades em completar a escalação do ministério, receosa de que algum escolhido seja citado na Operação Lava-Jato.

Impunidade, seu nome é Brasil

Na iminência da divulgação pelo procurador-geral da República da nova lista de envolvidos no escândalo da Petrobras, agora referente a deputados e senadores, emerge o fantasma da impunidade. Ninguém garante que os possíveis acusados já não se tenham blindado através de competentes advogados, prontos para apresentar uma só defesa. No caso, o reconhecimento de terem recebido das empreiteiras e de seus asseclas vultosas quantias, mas para ajudá-los nas campanhas eleitorais. Ignoravam sua origem e, em especial, que provinham de desvio de recursos públicos, do superfaturamento e de aditivos de contratos celebrados com a estatal petrolífera.

O argumento, apesar de falso, faz sentido e poderá ser admitido pelo relator do processo, ministro Teori Savaski, e os demais ministros do Supremo Tribunal Federal. Nessa hipótese, as denúncias assinadas por Rodrigo Janot não seriam aceitas, a menos que o procurador-geral dispusesse de provas concretas sobre a participação de parlamentares na lambança. Afinal, doações eleitorais feitas por empresas privadas são permitidas por lei. Até as campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves foram aquinhoadas com milhões de reais por parte das empreiteiras. Evidenciar que parlamentares e partidos ajudaram na concessão de contratos fajutos não parece fácil. Será a palavra dos delatores contra a suposta indignação dos parlamentares.

Esse nó precisa ser desatado, pois apesar das expectativas, vem impedindo a divulgação da lista. Provas testemunhais, como a dos dois bandidos beneficiados pela delação premiada, não substituem provas documentais. E essas não se resumem a anotações em folhas sem timbre nem assinaturas, como as apreendidas nas sedes de algumas empreiteiras. Uma folha de papel, já se disse, aceita tudo, desde a poesia mais bonita até a mais execrável das mentiras, bastando que se disponha de um lápis.

Não deixa de ser vergonhosa essa argumentação, superada pela evidência dos fatos e pela indignação nacional, mas, infelizmente, é o cenário que se desenha. Os corruptos estão temerosos, por certo, mas também confiantes em que escaparão das condenações, das cassações e da prisão. Impunidade, seu nome é Brasil! A menos que a Providência Divina e o Supremo Tribunal Federal venham em nosso socorro.

sábado, 13 de dezembro de 2014

É a lama, é a lama


Brasil precisa dar resposta rápida para escândalos

Para Transparência Internacional, economia do país sofrerá impactos negativos caso não haja uma reação adequada. "Sob suspeita", empresas brasileiras podem ter dificuldades para fazer negócios.
 O Brasil vive um momento histórico na luta contra a corrupção, considera o diretor da organização Transparência Internacional, Cobus de Swardt. Mas o país pode ter sua economia gravemente afetada caso não dê uma resposta rápida para os recentes escândalos na Petrobras, aponta.

"Os empresários e o governo devem mudar a forma como se fazem negócios no Brasil. Se não agarrarem a oportunidade de fazer essa limpeza, a economia brasileira vai sofrer muito nos próximos anos", disse o diretor nesta quinta-feira (11/12), numa coletiva de imprensa da ONG em São Paulo.
Segundo De Swardt, as empresas brasileiras terão dificuldades para fazer negócios no exterior, caso permaneçam "sob suspeita".

Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lançado em dezembro, indica que os casos de corrupção levam em média sete anos para serem concluídos. Em 1999, demoravam apenas dois anos.

De Swardt afirma que agora a rapidez será crucial no Brasil. "Se o caso da Petrobras se alongar por sete anos, será um desastre para a economia. Além disso, há um risco real de que a impaciência da população brasileira chegue a um limite. O que seria muito difícil de reverter."

Estrela no paredão


O PT, hoje, é um quadro velho pendurado na parede, uma estrelinha guardada no fundo de uma gaveta, uma camiseta descolorida pela ação do tempo, uma bandeira vermelha coberta de vergonha. Foi Lula que o afundou. Não será Lula que irá refundá-lo estrela

Chororô da presidente tem que ser para todos



A Justiça brasileira não é apenas cega. É surda às apelações dos pobres, e muda para as elites e os políticos.
 “Sobretudo merecem a verdade aqueles que perderam familiares e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”. 

Correto, presidente. Respeita-se o choro na entrega do relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Mas cá entre nós, presidente, em 12 anos do petismo no Planalto, o que se fez de concreto para se respeitar os direitos humanos com mão forte do governo em casos como a mortandade em Pedrinhas, no Maranhão, os assassinatos diários e bárbaros em todo o país, a violência tomando todos os rincões, o crack invadindo famílias minando inclusive crianças, a droga entrando livremente no país, os jovens caindo na mão dos traficantes e patati-patatá?

Se o pau bateu ontem em Francisco, bate hoje nos Chicos, nos Zés, nos Joões, nas Marias, nas Zefas. E aí ninguém rola uma lágrima; o governo deixa rolar o sarrafo. Eles também perdem diariamente "familiares e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”. Como de costume, é gente que morre na guerrilha urbana que tomou as cidades brasileiras pelo seu desgoverno.

No entanto, não há uma manifestação do governo. O ministro da Justiça, que em outros tempos era o segundo mais importante cargo do país, agora não passa de advogado do petismo e guarda-costas presidencial para garantir a toga no STF. Sai na defesa das elites e silencia com o destino da população entregue às prisões desumanas, à violência policial e marginal, às drogas, aos desaparecimentos, às balas perdidas. Para o povo, é uma nulidade em justiça.

Não é à toa que o país se tornou o mais violento, do mundo entre 133 nações avaliadas, e quando o número de homicídios está em queda no mundo. Em números absolutos, é o país com o maior índice de assassinatos no mundo: 64.357, o que equivale a 32,4 mortes para cada 100 mil pessoas, revela relatório global para prevenção de violência preparado pelas agências das Nações Unidas. O Brasil ultrapassa até a Índia (52 mil), o segundo país mais populoso do planeta!


Se há tanto empenho em revelar e condenar os crimes da ditadura, o que dá ibope e entra na agenda positiva presidencial, com alta promoção da presidente, também deveria haver mais empenho contra a criminalidade de hoje. Isso, sim, poria a presidência nas alturas. Mostraria, enfim, que não só governa para mensaleiros, corruptos, políticos e elites, mas como reza a Constituição todos os brasileiros, inclusive aqueles sem voz e representantes, “que perderam familiares e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia”.  

E põe organizado


"Nada é mais organizado do que o crime no Brasil"
Nelson Motta

Corrupções comparadas

Muitos argentinos grafam korrupção. E nos jornais brasileiros fala-se de corruPTos. Como se o kirchnerismo e o Partido dos Trabalhadores não fossem organizações partidárias, mas um modus operandi.
 Em “O Enigma Belgrano”, o livro que publicou antes de morrer, o historiador Tulio Halperin Donghi transcreveu uma carta de Manuel Belgrano datada de 10 de fevereiro de 1790 em Madri. Aquele que 20 anos depois seria um dos líderes da independência argentina, informava seu pai que nessa capital “a prata pode muito se bem dirigida, tendo algum conhecimento das coisas da Corte”. A observação de Belgrano foi feita durante o reinado de Carlos IV. Na América Latina, a corrupção parece crônica.

Às voltas com a tragédia de Iguala, Peña Nieto teve que arranjar tempo para explicar a mansão comprada por sua esposa de uma empreiteira que teria sido beneficiada pelo Estado. O juiz da Suprema Corte paraguaia, Víctor Núñez, renunciou acusado de dar cobertura ao tráfico de drogas. No entanto, os Governos mais afetados pela contaminação entre política e negócios são os do Brasil e da Argentina. Os subornos de milhares de dólares pagos à Petrobras envolvem Dilma Rousseff em um pesadelo. Cristina Kirchner tampouco dorme bem. No ano passado, dois consultores financeiros detalharam como negociavam com os bolsos repletos de dólares que saíam da Austral Construcciones, a empresa de Lázaro Báez, uma empreiteira de obras públicas. Batizaram sua financeira de La Rosadita, uma sarcástica homenagem à Casa Rosada, o palácio de Governo.

Báez alugou durante anos os 935 quartos do hotel Alto Calafate, que pertence aos Kirchner. A estatal Aerolíneas Argentinas também aluga quartos nos hotéis da chefa de Estado. A crise foi agravada há duas semanas quando o juiz Claudio Bonadio ordenou uma operação de busca na empresa da presidenta.

Os corruptos brasileiros e argentinos foram clássicos no modo de se apropriar do orçamento nacional: contratos de obras públicas. Na Petrobras, um clube de construtoras fazia acordos para as licitações. Até escreveram um manual de estilo. Na Argentina, a distribuição dos ganhos foi menos sofisticada. Báez ficou com 90% das obras públicas de Santa Cruz, a província dos Kirchner. E só alugava quartos nos hotéis dos Kichner. Os estereótipos nacionais se reforçam: o espírito de equipe brasileiro contra o pobre individualismo argentino.


Há outra diferença relevante. Os recursos da Petrobras eram distribuídos entre o PT, o PMDB e o PP, as forças que sustentam Dilma no poder. Um financiamento multipartidário que repete o mensalão e lembra a Tangentopoli italiana. Segundo o arrependido Paulo Roberto Costa, o método também é usado em ferrovias, portos e aeroportos. É o lado B do presidencialismo de coalizão explicado pela ciência política.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Sempre longe


Inocente!


Agora a bola da vez somos nós. O PT não pode continuar crescendo, tem que ser atacado de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer guerra eletrônica contra o PT, não importa se é verdade ou mentira. Vamos tentar difamar, destruir esse partido. No processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, o que a gente está vendo é que quando chegar na Suprema Corte, quando o Teori (Zavascki) for analisar a delação premiada, instrumento criado por nós, a imprensa já vai ter condenado. Todo o vazamento é contra o PT