domingo, 9 de novembro de 2014

O que foi escondido


Agora é oficial: o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro. Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013. Dilma já conhecia esses dados antes do segundo turno, mas adiou a divulgação. 

Dilma encampa projeto petista de regular imprensa


Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”, informa a versão on-line do jornal O Globo. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou.

Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.
(…)

sábado, 8 de novembro de 2014

A cada um segundo sua obra


Melhor um Brasil enfurecido do que deprimido



Melhor a irritação, o desabafo, a vontade de ser protagonistas do que o silêncio cúmplice 

Um perigo espreita o Brasil: o de cair em depressão, agoniado por tantas noticias negativas. Não é fácil, efetivamente, passar da euforia de um país encantado consigo mesmo, invejado no exterior, que havia deixado de ser o eterno país do futuro a descobrir-se de repente andando de marcha à ré.

É melhor a depressão ou a ira como remédio contra os demônios que parecem ter se apoderado do país e que as eleições em vez de apaziguar ressuscitaram com maior força?

Não é psicologicamente saudável para os brasileiros ler que, pela primeira vez em dez anos, cresce o número de miseráveis, que já atinge dez milhões, enquanto uma empresa como a Petrobras se vê supostamente saqueada em 10 bilhões de reais.

A fome volta ao Brasil enquanto a corrupção cresce, semeando de vítimas o mundo político e empresarial. Quanta miséria se poderia aliviar com o fruto de tantas ilegalidades perpetradas por quem deveria zelar pelas riquezas do país?

Se até ontem amigos espanhóis me escreviam, desejosos de vir para cá porque o Brasil estava se tornando a Meca da esperança e das oportunidades, dói ler hoje que há brasileiros com vontade de ir viver no exterior porque se sentem decepcionados e deprimidos.

Dói ver que nossas cidades são cada dia mais violentas. A Globo News apresentou dias atrás uma reportagem que me encheu de profunda tristeza. Filmou –no centro do Rio de Janeiro– cidadãos sendo assaltados por quadrilhas de 15 ou 20 adolescentes, com facas nas mãos, enquanto esperavam o ônibus para ir ou voltar do trabalho.

PT perdeu a ética e vive crise


Apesar de escândalos de corrupção, Lincoln Secco, autor do livro "História do PT", destaca marca social deixada pelos governos Lula e Dilma.
 Após vencer as eleições mais acirradas desde a redemocratização, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a presidente reeleita, Dilma Rousseff, têm o desafio de construir um governo de coalizão em meio a um cenário de crescente polarização social e oposição fortalecida.

Destaque Depois de reeleita, Dilma aumentou os juros e há rumores de que ela vai anunciar diminuições nos gastos públicos. Se ela for por esse caminho, vai frustrar a base que a elegeu e, ao mesmo tempo, não vai conquistar quem votou contra ela.

Para o historiador e professor da USP, Lincoln Secco, a tarefa não será fácil. A legenda vive, segundo ele, uma crise de identidade, desencadeada pelos primeiros escândalos de corrupção, em 2005. Entretanto, o estudioso ressalta a força política e social do PT, que deixou uma "marca social profunda" em seus 12 anos de governo.

Com o mensalão, "o partido perdeu a bandeira da ética", aponta. Entretanto, o estudioso ressalta a força política e social do PT, que deixou uma "profunda marca" em seus 12 anos de governo.

Em entrevista, Secco também fala sobre a possibilidade de Lula se candidatar à Presidência em 2018. O historiador acredita que interessa ao PT tê-lo como "coringa". Por outro lado, considera que a presença política do ex-presidente impede que outras lideranças cresçam dentro do partido.

 Depois de ter chegado ao poder e ter se transformado num partido de governo, embora tenha feito muitas concessões ao establishment, ele deixou uma marca social profunda. Se a gente fosse fazer uma comparação com reformas sociais de outros países, [a marca social do PT] nem seria muito significativa. Mas, devido ao atraso do Brasil nessa área, reformas mínimas transformaram o PT numa referência para a população mais pobre.


O outro golpe.Esse verdadeiro


As relações dos governos petistas sempre foram de certa forma coniventes com países que detêm gestões nada apreciadas pelo resto do mundo. Em nome da “independência” desses, a relação internacional do petismo foi de sempre estender a mão, mesmo quando abrigavam ou abrigam ditaduras reconhecidas. Aliás, foram os preferidos.

Assim foi com Venezuela, Cuba, Bolívia e outras menos cotadas. Lula, muy amigo de Cháves, viajou à África para apertar a mão de ditadores reconhecidos internacionalmente; fez afagos a Evo Morales, a quem deixou como “presente” instalações da Petrobras construídas com dinheiro do brasileiro. Dilma, num dos seus acessos de política internacional, chegou a defender o diálogo com integrantes terroristas do Estado Islâmico. Talvez, quem sabe, relembrando seus anos dourados na guerrilha quando não tinha diálogo com os militares.

Essa tendência do Brasil petista conviver amigavelmente com regimes ditatoriais enquanto faz um discurso democratizante para o público interno sempre foi estranha. Ou tenha fundo psicológico. E rendeu, inexplicavelmente, sempre lucros e dividendos para os outros às custas do Brasil.

Cuba, a privilegiadíssima, ganhou porto financiado pelo BNDES – dinheiro do trabalhador brasileiro – e abocanha uma parcela significativa de R$ 1,16 bilhão por ano alugando médicos ao Brasil para o programa petista Mais Médicos, cifra que é um terço do que o país aplicou em ampliação e reforma de UPAs em 2013.

A Venezuela não ficou atrás nos agrados petistas. A refinaria Abreu e Lima, que surgiria com um acordo bilateral, acabou bancada pelo Brasil e a corrupção se locupletou o quanto quis do projeto. Não deram um bolívar, mas ganharão, quando funcionar a refinaria, o refino a preço de banana?

Se não bastasse a dinheirama do povo brasileiro para financiar os projetos de governos amigos, o PT também se aplicou em programas para uso em movimentos de massa. Por que adestrar militantes para manifestações ditas sociais quando se fortalece uma democracia? Mistérios dos corredores do Serpentário do Ipiranga que assolam as salas do Esplanada.

Segundo o site Telesur, mantido pelo bolivarianismo venezuelano como página oficial do governo, o ministro de Comunas e Movimentos Sociais, sob os auspícios do Ministério do Exterior brasileiro, assinou acordo na área de formação e desenvolvimento comunitário com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que profetizou a paralisação do país se Dilma perdesse a reeleição.

Mas o governo da Venezuela, em nota, declarou que o acordo é para incrementar o intercâmbio de experiências na formação de organização popular. Afirma que a parceria visa “fortalecer o que é fundamental em uma revolução socialista, que é a formação, a consciência e a organização do povo, para defender o que conquistou e seguir avançando na construção de uma sociedade socialista”. Mas o Brasil não está à beira de uma “revolução socialista”. Ou estará à beira de um golpe petista? Bem mais certo.

Se o governo militar se preocupava com a importação de práticas de guerrilha através de Cuba, o governo petista na maior desfaçatez, através do mais forte movimento de massas no país, acata o treinamento de militantes através de cursos venezuelanos? Os trabalhadores sem terra do Brasil por que precisam tanto de treinamento de movimentação de massas para “a construção de uma sociedade socialista”?

A arregimentação de tais movimentos, mantidos com fundos públicos, muitas vezes desviados das propinas de mensalões e Petrolão, a serviço do PT, é das mais estranhas, suspeitas e com outras intenções. Lembra, nem pensar, na formação de mercenários para garantir o continuísmo ou minar qualquer tentativa de retomada do poder pela democracia do debate de propostas, não a forjada por marqueteiros.

Imagem de Dilma usada ilegalmente


O ilustrador mineiro Sattu Rodrigues levou um susto quando viu seu trabalho na televisão. Na tela, uma ilustração de sua autoria que ele havia feito em 2010, da presidenta Dilma Rousseff quando jovem. “Vi na TV, durante o horário eleitoral do PT”, conta o autor da imagem que rodou o país durante a campanha eleitoral deste ano sob o título 'Dilma coração valente'.

O trabalho em questão é uma ilustração da presidenta, feita com base em uma foto de quando ela fora presa pelo regime militar, aos 23 anos, em 1970. Sattu fez esse trabalho há quatro anos, a pedido da revista Época, para ilustrar a capa da publicação. “Era para passar uma ideia de cartazes de propaganda comunista”, conta. Depois disso, ninguém do PT ou da coordenação da campanha de Dilma Rousseff entrou em contato com o artista para pedir permissão para usar seu trabalho em peças publicitárias.

Por isso, o artista correu atrás para saber quais medidas legais tomar. “Quero ver o que pode ser feito em termos de indenização”, diz.

Sattu não autorizou o uso da imagem, até porque não foi procurado para fazê-lo. Seu advogado, André Marciglia, explica que o caso está sendo estudado e que muito possivelmente entrará com uma ação já na próxima semana. “Não sabemos se será um processo, mas tomaremos as medidas necessárias para que ele se sinta ressarcido e protegido do ponto de vista jurídico”, diz Marciglia, sem revelar exatamente quais serão essas medidas. Procurada, a assessoria de imprensa do PT afirmou que encaminhou a questão ao departamento jurídico do partido, mas até o fechamento dessa reportagem não havia recebido retorno.

'Fim do Brasil' até teve divulgação suspensa


O analista financeiro Felipe Miranda esteve nos holofotes nos últimos meses. Sócio da Empiricus Research, Miranda fez uma análise polêmica onde cravou: o fim do Brasil estará decretado caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. A afirmação não agradou e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a veiculação de dois vídeos promocionais criados pela consultoria que chamavam a atenção para um “iminente caos econômico”. Mais tarde, o TSE negou o pedido da coligação da presidente Dilma para multar a Empiricus Research,.

Felipe Miranda lançou recentemente o livro “O Fim do Brasil” (Escrituras), que é o mesmo de um vídeo que teve mais de 14 milhões de visualizações na internet.  Segundo Miranda, a história do Brasil, da forma como observamos hoje, tem início em julho de 1994, a partir da adoção do Plano Real, cujo resultado imediato foi a estabilização da economia. Assim, se nasce um novo Brasil a partir desse momento, cuja maturidade é atingida em 1999, esse mesmo país começa a sofrer com os resultados da nova matriz econômica.

A situação atual é preocupante: o crescimento econômico é o menor desde a Era Collor e a inflação foge do controle, mostrando que estamos prestes a voltar a condições anteriores a 1994. O atual governo erra em seu diagnóstico. Elogia a nova matriz econômica e atribui a estagflação (baixo crescimento econômico e alta inflação) ao cenário externo - tese refutada no estudo do analista. “Obviamente, sem o diagnóstico adequado, não poderemos contar com um bom prognóstico. Não bastassem os desafios em curso, o ano de 2015 sugere adversidades adicionais relevantes”.

A obra apresenta um profundo estudo sobre os últimos vinte anos do país, e foi escrito com objetivos explícitos:
• alertar para os riscos atrelados a possível endurecimento da heterodoxia na política econômica, com a nova matriz econômica levando-nos a um processo de “argentinização” do país;
• analisar a deterioração dos fundamentos macroeconômicos e o que está por vir, dedicando espaço em separado para os problemas da Petrobras e para o desarranjo do setor elétrico;
• avaliar a censura que a administração Dilma Rousseff tentou impor, às vésperas da eleição presidencial de 2014, aos analistas de mercado. Entre os maiores erros de política econômica, está certamente o esforço em prol do cerceamento de opiniões críticas, dedicando-se à tentativa de calar as vozes dissonantes;
• oferecer alternativas para o investidor e mesmo o cidadão comum protegerem seu patrimônio e de sua família diante da crise que está sendo formada - em sendo possível, não somente blindar a poupança até aqui acumulada, mas também incrementá-la;
• encerra-se com abordagem propositiva à política econômica, apresentando uma alternativa à nova matriz econômica, o caminho para a retomada da ortodoxia e, em especial, a estratégia para enfrentarmos a estagflação, retomando a via do crescimento alto com inflação baixa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Campanha antecipada


Temos 'primeiro-ministro'


Dilma ainda não anunciou um nome sequer para o ministério que será de um “governo novo”. Mas o brasileiro descobre que Lula já está atuando na surdina como “primeiro-ministro”, a sombra soturna de um governo. Esta semana, na escondida Granja do Torto, longe da bisbilhotice da imprensa e raramente utilizada, o ministro sem pasta se reuniu com a presidente, o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, numa verdadeira confabulação do submundo da política.


O encontro é a confirmação de que o primeiro-ministro estará por trás da presidente durante os próximos quatro anos. Será o conselheiro para garantir que não mais em 2018 se passe novamente pelo sufoco de perder a eleição, uma vez que naquele ano tentará a volta ao Planalto. E vai lutar estes anos todos, como tem feito, debaixo dos panos, para que o PT não perca o domínio do Brasil. E neste vale fazer o diabo, os destinos de um país são definidos inclusive por um presidente de partido, um aloprado, um ex-presidente, na mais clara ditadura partidária.      

PT terá que aprender a conviver com a nova oposição

A rua não tem dono nem ideologia. Todos têm direito de ocupá-la democraticamente
O Partido dos Trabalhadores (PT) que acaba de ganhar as eleições com sua candidata Dilma Rousseff deverá aprender desta vez a conviver com a oposição, algo que não estava acostumado. O Brasil viveu sem ela nos últimos 12 anos de Governo petista. O carisma de Lula e suas conquistas econômicas e sociais, principalmente em seu primeiro mandato, tinham emudecido a oposição.

Se a ausência de um partido opositor – como existe em todas as democracias maduras dos países desenvolvidos – trouxe vantagens aos três mandatos do PT, é possível que a história descubra que também pode ter tido seu lado negativo.

Nem as melhores democracias sobrevivem imunes à corrupção e às tentações autoritárias sem uma oposição democrática, real, concreta, capaz de exigir que o Governo exerça a função concedida pelos eleitores. Nem mais, nem menos.

Como em uma família cujos filhos acabariam perdendo a identidade sem uma ação vigilante dos pais, também os governos podem se esquecer de sua função se não possuem o ferrão de uma oposição que os faça lembrar do que prometeram ao se eleger e os estimule ao cumprimento. E que os façam prestar contas.

O Partido dos Trabalhadores foi mestre na arte da oposição antes que o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva o levasse ao poder. Sabiam como ninguém ocupar as ruas e exigir. Fizeram oposição até ao texto da Constituição. Ninguém melhor do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que sabe por experiência o que foi ter o PT como oposição, que gritava nas ruas e praças “Fora FHC!”. Aquela que, embora às vezes dura ao extremo, serviu de antídoto aos governos e até derrubou um deles do pedestal.

Ao chegar ao poder, o PT, que tinha até então vocação de dissidente e não de Governo federal, teve sorte não apenas de poder governar sem oposição, mas também de contar com um líder com grande força de atração nacional e internacional.

Nem sequer no momento crucial do escândalo de corrupção do mensalão, que foi o único momento dramático para Lula, a oposição quis endurecer e nunca pediu sua saída do Governo.

Agora, pela primeira vez, o PT pode começar a experimentar na própria carne o que significa uma oposição de verdade, que o novo líder Aécio Neves, forte com seus mais de 50 milhões de votos, afirmou que fará “sem adjetivos”, mas também com “total espírito democrático”.
Leia mais o artigo de Juan Arias

Miseráveis aumentam no Brasil


Após 10 anos de queda, número de miseráveis volta a subir no Brasil. Aumento de 3,7% é o primeiro desde 2003, quando miséria começou a cair. Em 2013, país passou a ter 10,45 milhões na extrema pobreza, mostra Ipea.

Após uma década de queda na miséria, o número de brasileiros em condição de extrema pobreza voltou a subir em 2013. O país tinha 10,08 milhões de miseráveis em 2012, contra 10,45 milhões um ano depois, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que escondeu os números, a pedido do TSE, que seriam liberados durante a campanha eleitoral. 


Dilma passou a campanha toda se aproveitando de ser a Redentora da Miséria, um posto de mérito para Nobel, mas que agora se revela ter sido mais uma das grandes mentiras petistas. Em seu governo, aumentou o número de miseráveis no país em que o petismo deu fim à miséria. Dá pena que uma presidente chegue ao cúmulo de se aproveitar dos miseráveis apenas por mero interesse em continuísmo governamental.  

PT convoca seus 'soldados'


O PT está convocando a militância virtual “às armas” para combater as crescentes manifestações nas redes sociais pedindo o impeachment da presidente reeleita Dilma e a intervenção militar. O partido pede que os militantes visitem as páginas oficiais do partido e “armem-se” com argumentos para rebater os ataques nas redes e nas ruas.

A mensagem postada com o título “Militância, às armas” no perfil oficial do Partidos dos Trabalhadores no Facebook afirma que a vitória da presidente Dilma Rousseff “revelou o desespero de setores que insistem em ignorar a vontade da população". E que os "representantes do atraso" estariam tentando manter o acirramento para desestabilizar o segundo mandato da presidente reeleita no último dia 26 de outubro com 51,64% dos votos.

"Representantes do atraso, verdadeiros fantasmas do passado, eles tentam criar um terceiro turno da disputa eleitoral ao suscitarem sandices como intervenção militar e até o impeachment da presidenta. Esqueceram que o povo não é bobo! Mantenha-se informado em nossos canais e arme-se com argumentos para rebater a ignorância nas redes e nas ruas."
Leia mais 

Um Frankenstein mulambento

Demorou muito pouco para o PT colocar nas redes a campanha “Medo, o Retorno” como resposta às manifestações de sábado, que foram um gatilho desejável pelo próprio partido. Agora se acham no direito de responder como a ressureição dos “fantasmas do passado”, como intervenção militar e outras bobagens mais, resultado do que apontam como ignorância.

A velha cantilena petista já ficou mais desgastada do que o paletó de Frankenstein. A ditadura e golpe de direita estão mais longe do Brasil de hoje do que Marte. A maioria dos eleitores sequer sabe o que foram os anos de chumbo, desconfia através de relatos. Mesmo grande parte dos petistas só conhece a história de ouvir falar. 

Os sobreviventes daqueles anos sabem que não estamos mais vivendo sob ameaças imbecis como essa, que só fazem gerar um medo sem sentido. Nem mesmo o mundo ou a América Latina são os daquela época.

A lenga-lenga petista só serve mesmo para esconder e blindar os próprios companheiros, a gangue corrupta que assola o país, enquanto os chefões petistas aproveitam para “governar”. É mais uma cortina de fumaça para esconder os desmandos, a desgovernança, e purificar os ideais de dominação do país, porque a falta de caráter dos petistas não tem medida. 

Como a reunião de quatro cavaleiros do apocalipse na calada, sob a cobertura da noite, para decidirem os destinos do país. O que não é nada democrático. 

Anestesiados pela violência


Vivemos hoje uma total indiferença em relação à violência: notícias já não nos sensibilizam
Estive algumas vezes no México, sendo a mais recente em setembro, quando percorri de carro os pouco mais de 300 quilômetros que separam a Cidade do México de Xalapa, uma rodovia ampla e segura que oferece-nos uma paisagem inacreditavelmente diversificada, incluindo os espetaculares vulcões Popocatépetl e Iztaccíhuatl, um ao lado do outro, a mais de 5.400 metros de altitude. Comentava com Paco, o motorista que me acompanhava, sobre as belezas naturais, a riqueza do passado e a simpatia do povo, quando veio à tona a notícia do desaparecimento de 43 estudantes no estado de Guerrero.

O que nos parecia, em princípio, um fato revoltante, com o passar dos dias revelou-se um entrecho de terror. Os normalistas voltavam para sua cidade, após participarem de um protesto contra a forma de distribuição de vagas na universidade local, quando foram surpreendidos pela polícia, que, atacando os ônibus em que viajavam, causou a morte de seis pessoas e o sumiço de outros 43 adolescentes. Entregues, pasmem!, a um cartel de narcotraficantes, eles ainda não foram encontrados, nem vivos, nem mortos... As investigações apontam para um obsceno conluio entre autoridades governamentais e bandidos...

Apesar do absurdo da situação, esse não é um acontecimento isolado na história contemporânea do México. O país tem hoje regiões inteiras dominadas por bandoleiros, estradas proibidas para o tráfego, cidades fantasmas e campos abandonados. E uma população amedrontada e impotente, acuada pela aliança entre delinquentes e policiais, dominada por políticos corruptos, cujos interesses se confundem com os dos chefões do narcotráfico.

Mas não é do México que quero falar. É do Brasil.

Os números relacionados à violência no Brasil são estarrecedores. Segundo dados reunidos pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, ligada à Unesco, tivemos 56 mil homicídios em 2012, ou 154 assassinatos por dia, o que nos coloca no vergonhoso sétimo lugar entre os países mais violentos do mundo. A morte de jovens, entre 15 e 29 anos, representa mais da metade de todos os homicídios – embora essa faixa etária corresponda a 27% do total da população. Todas as capitais apresentam níveis de violência considerados epidêmicos (mais de 10 homicídios para cada 100 mil habitantes), e as estatísticas mostram que não é muito diferente a situação nas cidades do interior.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O próximo!


Poema do Alegre Desespero


Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três
[impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado
[e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles,
[e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores
[de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam
[o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal? 
António Gedeão (1906-1997)

Fraudes e coincidências na reeleição


Uma das maiores surpresas dos brasileiros foi ligar a televisão no final da tarde e perceber que só estava ocorrendo apuração dos votos para governador nos Estados em que havia segundo turno. Nada de apuração da eleição presidencial.

Ninguém estava acostumado com isso. Nunca antes, na História deste país, isso tinha acontecido. Todos estavam acostumados àquela saudável e patriótica emoção de votos virem pingando de todo o país, até ocorrer o desenlace final.

Desta vez, não. As emissoras de TV ficaram embromando, fazendo debates entre intelectuais, enchendo linguiça e aguardando. E aguardando… Até que, depois da 20 horas, chegaram os primeiros resultados oficiais, que já vinham indicando a vitória de Dilma Rousseff, pois faltava apurar apenas 5% dos votos.

Como aconteceu isso? Ora, o estranho fenômeno eleitoral só ocorreu mediante uma série de “coincidências”.

1) O horário de verão, por decreto presidencial, começou dia 19 de outubro, às vésperas do segundo turno. Como atrapalhava a apuração (segundo o Tribunal Superior Eleitoral), bastava baixar um novo decreto adiando-o ou adiantando a hora no Acre, que só tem 500 mil eleitores e praticamente não influi nas eleições presidenciais. Mas por “coincidência”, o governo não fez uma coisa nem outra.

2) Sob esse ridículo argumento do horário da eleição no Acre, por “coincidência” o TSE do ministro petista Antonio Dias Toffoli criou a apuração secreta, que transcorreu numa sala reservada, à qual nem mesmo os ministros do TSE tiveram acesso, e sem fiscalização pelos partidos e pela Polícia Federal.

3) Nas eleições anteriores, os Tribunais Regionais Eleitorais iam transmitindo paulatinamente a apuração, diante da imprensa e sob fiscalização dos partidos e da Polícia local. Foi assim que em 1982 se descobriu a fraude do Proconsult para derrotar Brizola. O delegado Manoel Vidal, chefe da segurança da apuração, percebeu o golpe, simultaneamente denunciado também por nosso colega Pedro do Coutto, que cobria a apuração pelo Jornal do Brasil.

4) Mas nesta eleição estilo 2014, por “coincidência” (ou melhor, pelo efeito Acre), os TREs só divulgavam os votos para governador e iam enviando a apuração presidencial diretamente para a sala secreta do TSE.

5) Também por “coincidência” (digo, ainda pelo efeito Acre), os Estados onde não havia segundo turno para governador não divulgavam nada e também mandavam seus totais para a sala secreta do TSE.

6) E a grande “coincidência” foi saber que a vitória de Dilma Rousseff foi garantida pelos votos de Estados sem eleição para governador em segundo turno, onde não houve fiscalização dos partidos, nada, nada.

7) Foi também curioso e intrigante saber que Dilma estava perdendo para Aécio até 80% da apuração (às 19h32m) e de repente, no finalzinho, também por “coincidência”, ganhou por pequena margem, com base na votação em Estados sem segundo turno, cujos totais foram passados em bloco, diretamente para a sala secreta do TSE: Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Pernambuco e outros estados do Nordeste.

8) E por “coincidência”, foi instigante saber que Aécio perdeu até mesmo em Pernambuco, onde o mito Eduardo Campos conseguira fazer o governador no primeiro turno.

9) Ainda por “coincidência”, o dirigente petista Luiz Eduardo Greenhalg adiantou a “vitória”, alardeando-a em sua conta no Twitter e no Facebook às 19h26m,e não adianta dizer que foi erro por causa do horário de verão, porque ele escreveu “vamos aguardar o final da apuração”. Se estivesse escrevendo às 20h26m, jamais diria isso, pois Dima já estava “eleita”.

10) E na “coincidência”, o site do PT anunciou a vitória de Dilma às 19h35m, com precisão impressionante, dizendo que ela tivera (na verdade, teria) 51,57% dos votos. Um erro de apenas 0,7%, ou seja, precisão de fazer inveja a qualquer “instituto de pesquisa. E não dá para negar, está lá no site do PT.

'Sistema político brasileiro é convite à corrupção'

É um atraso a Câmara dos Deputados ser representada por cerca de 30 partidos, o que não acontece em democracias avançadas, onde predomina o bipartidarismo.
 O cientista político português João Pereira Coutinho define o sistema de coalizão brasileiro, que une partidos com ideologias tão diferentes, como um convite à corrupção.

É um atraso, segundo ele, a Câmara dos Deputados ser representada por cerca de 30 partidos, o que não acontece em democracias avançadas, onde predomina o bipartidarismo.

Nascido na cidade de Porto, Coutinho compara a elevada dívida pública brasileira com a portuguesa, que levou a economia dos patrícios à beira do colapso. “O verdadeiro sábio é aquele que aprende com os erros... dos outros”, diz.

A tradição “gelatinosa” do Brasil é uma originalidade – e um desastre.

Na opinião dele, o Brasil não compreendeu que a combinação entre descontrole dos gastos e baixo crescimento é a receita para o desastre.

Autor do livro “As ideias conservadoras”, Coutinho defende o combate à pobreza, mas alerta: o Estado não é babá dos cidadãos.

A urna segura e a totalização suspeita


O problema não é a urna, e sim a totalização dos votos, que supostamente pode ser adulterada por técnicos no TRE ou TSE no momento que em que recebe os discos.
O ano era de 2006. Eu era repórter político no Jornal do Brasil, no Rio, e fui procurado por um cidadão da Baixada Fluminense que tinha documentos nos quais mostrava boletins de urnas adulterados, e a cópia de um inquérito. Investiguei uma semana, acionei a assessoria da Polícia Federal, etc (ele mostrou, mas não deixou ficar com cópias). Havia indícios de fraude. No dia da eleição presidencial, o JB manchetou: 'PF investiga fraude na urna eletrônica'.

Por que digo que havia indícios de fraude?

Dois dias antes da manchete, fui chamado por três delegados à Superintendência da PF no Rio. Numa sala fechada, me disseram que a urna é segura. Mas confirmaram o inquérito e disseram que investigavam, sim, suspeita de fraude.

O problema não é a urna, e sim a totalização dos votos, que supostamente pode ser adulterada por técnicos no TRE ou TSE no momento que em que recebe os discos. Se souber trabalhar bem (evidente, isso significa não ultrapassar numa urna o nº de votantes, em caso de modificação).

Ou seja, eles concentravam as investigações nos técnicos do TRE Rio e do TSE. O disco com a totalização é o foco.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Nossa classe C


TCE-RJ faz auditoria em 91 Câmaras

O presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Jonas Lopes, determinou que, após a conclusão da auditoria destinada a examinar a legitimidade e a legalidade das despesas feitas pela Câmara dos Vereadores de São João de Meriti com passagens aéreas, hospedagem e traslados para a participação de 20 vereadores e dois suplentes no Curso de Capacitação para Agentes Públicos Municipais, entre 30 de outubro e 3 de novembro, em João Pessoa (PB), sejam realizadas inspeções especiais, com o mesmo objetivo, nas  demais 90 Câmaras de Vereadores do estado fiscalizadas pelo TCE-RJ.
Em todas as inspeções especiais que serão feitas nos 91 municípios, os auditores do TCE-RJ verificarão, além da legitimidade e legalidade das despesas, a pertinência dos cursos de capacitação para o exercício do mandato dos vereadores.

No primeiro levantamento relativo às investigações dos gastos pela Câmara de São João de Meriti, os técnicos do TCE-RJ descobriram que, nos últimos cinco anos, o órgão público gastou em torno de R$ 750 mil somente com inscrições de vereadores em cursos de capacitação.

A apuração dos gastos municipais com cursos de capacitação para vereadores, tanto na Câmara de São João de Meriti quanto nas outras 90, será retroativa a 2010. Em 2009, o TCE-RJ condenou o então presidente da Câmara de Mesquita, André Taffarel Inácio dos Santos, a pagar uma multa de 5 mil Ufir-RJ (correspondente à época a R$ 11.376,00) e a devolver 670 mil Ufir-RJ (equivalente a R$ 1,5 milhão) aos cofres públicos. A imputação do débito foi decidida pelo Tribunal de Contas após a constatação de irregularidades nas despesas com um curso para os vereadores daquele município.


Após a concessão do direito de defesa e a análise dos recursos apresentados por André Taffarel, o TCE-RJ manteve a condenação e encerrou o caso dia 5 de novembro de 2013, quando decidiu pela abertura de processo especial de cobrança da dívida e o encaminhou à Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a quem cabe exigir do ex-presidente da Câmara de Mesquita a devolução do dinheiro ao erário.

O risco de uma "corte bolivariana"


O Supremo Tribunal Federal corre o risco de tornar-se uma "corte bolivariana" com a possibilidade de governos do PT terem nomeado 10 de seus 11 membros a partir de 2016.

A afirmação é do único personagem desta conta hipotética a não ter sido indicado pelos presidentes petistas Lula e Dilma Rousseff: o ministro Gilmar Mendes, 58.

Indicado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 2002, ele teme que, a exemplo do que ocorre na Venezuela, o STF perca o papel de contrapeso institucional e passe a "cumprir e chancelar" vontades do Executivo.

A expressão bolivarianismo serve para designar as políticas intervencionistas em todas as esferas públicas preconizadas por Hugo Chávez (1954-2013) na Venezuela e por aliados seus, como Cristina Kirchner, na Argentina.

"Não tenho bola de cristal, é importante que [o STF] não se converta numa corte bolivariana", disse. "Isto tem de ser avisado e denunciado."

Sobre a eleição, Mendes fez críticas a Lula ao comentar representação do PSDB contra o uso, na propaganda do PT, de um discurso do petista em Belo Horizonte com ataques ao tucano Aécio Neves.

Lula questionou o que o Aécio fazia quando Dilma lutava pela democracia e o associou ao consumo de álcool. Ao lembrar do caso, Mendes disse: "Diante de tal absurdo, será que o autor da frase também passaria no teste do bafômetro? Porque nós sabemos, toda Brasília sabe, eu convivi com o presidente Lula, de que não se trata de um abstêmio", afirmou.

Lembra o filminho dos banqueiros?


Quando Neca Setúbal defendeu a autonomia do BC, o PT crucificou Marina Silva e produziu um filme mostrando uma família de trabalhadores de cuja mesa sumia a comida.

Segundo a repórter Claudia Safatle, Nosso Guia fez três sugestões à doutora Dilma para o lugar de Guido Mantega: Henrique Meirelles, Luiz Carlos Trabuco e Nelson Barbosa, ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda. Cada um é cada um, mas o simples fato de se colocar Meirelles na roda mostra como as campanhas eleitorais têm uma opção preferencial pela mistificação.

Quando a educadora Neca Setúbal defendeu a autonomia do Banco Central, o PT crucificou Marina Silva e produziu uma peça histórica: um filmezinho mostrava uma família de trabalhadores de cuja mesa sumia a comida, fazendo contraponto com uma reunião de banqueiros sorridentes.

Pudera. A família de Neca Setúbal é grande acionista do maior banco do país, o Itaú, e, nele, seu irmão Roberto é o principal executivo.

Lula deve ter seus motivos para sugerir o nome de Trabuco, presidente do Bradesco, que vem a ser o segundo maior banco. É na entrada de Meirelles na lista de Nosso Guia que a porca torce o rabo. Ex-presidente do Banco de Boston, ele dirigiu o Banco Central de 2003 a 2010, e sua administração foi vista como um dos fatores que mantiveram o barco petista à tona no mundo financeiro.

Neca defendeu a autonomia do Banco Central botando a cara na vitrine. Numa conversa protocolar com o embaixador americano Clifford Sobel, em agosto de 2006, Meirelles fez a mesma coisa, no escurinho do cinema.

Faça o que eu digo...


Sábado de gente nas ruas contra a reeleição, e até pedindo a saída de Dilma, deu mais ibope lá fora. Foi mais para inglês ver do que para uso interno. A imprensa dos jornalões, em particular, preferiu passar rapidamente sobre o assunto e, quando o fez, tratou a manifestação como “coisa da direita”, “bando de aloprados”.

Mas o caso não foi assim tratado pelo PT. Está atento ao que pode ser uma cópia de suas manifestações e se espalhar como epidemia. O ato pode ser um embrião do que aconteceu em 2013 e esse é o partido que não tolera ser contrariado. Vixe, nem pensar em copiar suas tramoias. É assim desde que nasceu. Está sempre com a verdade como Moisés com as Tábuas da Lei. Para os petistas, Lula também ouviu a Sarça ardente. Ai de quem diga o contrário. Herege!

Os petistas estão colhendo o que plantaram. Não há nenhum golpe à vista como já vislumbram do cesto da gávea instalado no Serpentário do Ipiranga. Sabem e vão fazer disso um escarcéu. Esperem e verão Lula e seus discípulos bradarem trovões e outros aumentativos contra o "golpismo", que entra desde já na lista de seus amaldiçoados para jogar como confete na galera.

Esquecem que foram os iniciadores dessa tática de tomar as ruas contra os adversários. Antes com a militância ideológica, hoje com a militância de aluguel. São velhos conhecidos os gritos de "Abaixo a Rede Globo", quem se lembra, que paradoxalmente foi até muito mais petista do que se imagina. Deu aquela mãozinha na primeira vitória e até aliviou a barra de Dilma na última campanha. E ainda agora silencia sobre qualquer manifestação.

Sempre se acostumaram a ser adeptos do faça o que eu digo, mas não façam o que eu faço. Quem se atrever estará cometendo crime. E aí vem o bato, prendo e arrebento, que sempre escondem por trás das bandeiras vermelhas.

Apenas os petistas têm direito autoral sobre os famosos golpismos que espalharam sempre contra os governos como donos da verdade indiscutíveis e mesmo as falsas, em que são especialistas. Vão bufar, espumar e soltar os cachorros, que dizer, fazer o que sempre fazem. Para depois sujarem a barra que não são de ferro, mas porcalhões.


Aquelas manifestações em São Paulo e Brasília ainda podem ter desdobramento, mas sem dúvida que terá troco de chumbo grosso do PT, que já se arma para a temporada.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Computa, computador


O poder do carro no país



Desde 2009, os incentivos ao carro somaram R$ 56,4 bilhões — mais de dois anos de Bolsa Família
O Brasil escolheu o carro. Governo após governo dedica parte de sua arrecadação para beneficiar essa indústria. A crise de 2008 provocou uma nova onda de incentivos. Somente no ano passado, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e o subsídio da gasolina, uma espécie de “bolsa carro”, somaram R$ 19,38 bilhões. O valor é quase o dobro do montante destinado a melhorar o transporte público nas cidades: R$ 10,2 bilhões em 2013. Enquanto isso, a população se espreme em metrôs, trens e ônibus superlotados. Em série de reportagens multimídia que começa a ser publicada hoje, O GLOBO percorre as maiores metrópoles do país para ver como anda a mobilidade urbana para milhões de brasileiros e mostra as consequências da opção por um Brasil motorizado e individualista.Leia mais
No BNDES, a indústria automotiva também foi privilegiada. De 2008 a 2013, os desembolsos para o setor foram de R$ 32 bilhões, enquanto os projetos de mobilidade urbana levaram R$ 9 bilhões.
 

Combate à corrupção? Dilma adia

Para quem insiste no chavão gasto de que combaterá a corrupção “doa a quem doer”, editar uma MP para adiar a vigência de uma lei moralizadora não é um bom remédio.
 Quatro dias depois de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff adiou por seis meses a entrada em vigor da lei das ONGs, que estabelece regras mais rígidas para a contratação de entidades sem fins lucrativos. Fora o absurdo de sustar a vigência de uma lei aprovada pelo Congresso com uma Medida Provisória, que constitucionalmente só poderia ser editada em casos de relevância e urgência, o ato é mais uma demonstração da distância abissal entre as palavras da presidente e suas ações. Incluso aí o combate à corrupção.

Estudo realizado pelo Ipea revela que, entre 2003 e 2011, a União repassou quase R$ 30 bilhões a 10 mil entidades sem fins lucrativos, 15% do total das transferências feitas no período. Atualmente, 3.500 contratos estão em execução, sendo que só neste ano o desembolso já bate em R$ 900 milhões.

O volume de recursos associado a leis frouxas estimula a corrupção e denigre a imagem das ONGs sérias.

A fartura é tanta que a ONG Articulação Semiárido Brasileiro custeou a ida de 99 ônibus para um comício de Dilma em Petrolina (PE).  Favor barato para quem recebeu repasses de R$ 587,3 milhões em quatro anos, R$ 172,8 milhões em 2014.

As relações entre o governo e as ONGs são uma caixa preta. Foram alvo de CPI inconclusa em 2009 e de dezenas de denúncias de corrupção. Também foram falcatruas envolvendo ONGs que deceparam as cabeças dos ministros Carlos Lupi (Trabalho), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte), no primeiro ano de Dilma, quando foi aconselhada a se travestir de faxineira.

Precisou denúncia para sair

João Vaccari Netto, tesoureiro do PT, que agora pediu demissão, ficou como conselheiro de Itaipu por 11 anos e 10 meses, desde janeiro de 2003. Seu "trabalho" tinha a remuneração de R$ 20.804,13 para pagar seis reuniões ordinárias por ano e, excepcionalmente, reuniões extraordinárias. Vaccari só saiu devido ao envolvimento com a gangue da Petrobras.

A democracia brasileira


Não há razão para temor em relação ao amanhã. A divisão das urnas é o mais eficaz antídoto contra o autoritarismo.
O Brasil que sai das urnas mostra ser um dos maiores laboratórios da democracia contemporânea. Os nossos 142 milhões de votantes posicionam o país no quarto degrau do ranking eleitoral, cujos três primeiros lugares são ocupados pela Índia, com 815 milhões de eleitores, os Estados Unidos, com cerca de 215 milhões,  e a Indonésia, com 187 milhões.

O termo laboratório aponta para um sistema democrático em fase de consolidação, não significando, portanto, uma democracia plena, nos termos do Índice Democrático, criado pela prestigiada revista The Economist por meio de pesquisa feita em 167 países.

Nessa planilha – que leva em consideração categorias como o processo eleitoral e o pluralismo, as liberdades civis, o funcionamento do governo, a participação popular e a cultura política – ocupamos a 45ª posição, ao lado de países de democracia imperfeita, dentre os quais,  pasmem, estão democracias de forte tradição como a francesa (29ª), a italiana (31ª) e a grega (32ª). A Índia, por exemplo, está na mesma faixa do Brasil, ocupando o 39º lugar. 

São visíveis os sinais de que temos dado vigorosos passos no caminho do aperfeiçoamento, bastando considerar que há 50 anos o país entrava na escuridão de um  golpe militar que durou  21 anos, tendo fixado as linhas mestras de sua democracia apenas a partir de 1988, com a chamada Constituição cidadã, que veio atender as demandas da sociedade organizada.

Sob uma pletora de liberdades, direitos e deveres, garantidos pela CF, realizou-se o pleito mais competitivo das últimas décadas. A animação da vida cívica que se viu constitui expressiva amostra da efervescência inerente às democracias incipientes. Não há motivo para assombro.

domingo, 2 de novembro de 2014

Foi dada a largada!


Diálogo ou novas imposturas?

A propaganda falaciosa, no caso, não está defendendo uma classe da exploração de outra, mas enganando uma parte do eleitorado em benefício dos seus autores. Isso não é política de esquerda nem de direita, é má-fé política para a manutenção do poder a qualquer custo.
Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas. Mas nem por isso devemos calar sobre o como se conseguiu vencer, nem sobre o por que se perdeu.

Os resultados eleitorais mostram que a aprovação ao atual governo apenas roçou um pouco acima da metade dos votos. Ainda que a vitória se desse por 80% ou 90% deles, embora o respeito à decisão devesse ser idêntico ao que se tem hoje com a escassa maioria obtida pelo lulopetismo, nem por isso os críticos deveriam calar-se.

É bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos. Para começar, não se pode aceitar passivamente que a “desconstrução” do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática.

Descanso dos 'coronés'



Dilma descansa da campanha ou batalha, como quiserem, na Bahia. Descanse em paz!

Chama a atenção da humildade dos presidentes brasileiros em comparação com a ralé política, que se diz revolucionária, “bolivariana” desde criancinha. Fernando Henrique e Lula, quando de férias, e mesmo a própria doutora nunca foram para o exterior se regalar com o mundo desenvolvido, as belezas lá de fora. Também nunca se ouviu falar que Barack Obama passe férias além do Havaí.

No entanto, os “coronés” petistas e de outros quilates adoram ir ao exterior. Alcaides desses baronatos até já aprontam as malas. Um desses, que já viajou meio mundo com o dinheiro público em poucos seis anos, deve antecipar o merecido descanso familiar com a mulher a tiracolo, já eleita, e logicamente levando novamente uma trupe de familiares, correligionários, amigos, quiçá vereadores, para mais um turnê de gastos. Eles se divertem, que o povo merece.

Inocente!


"Hoje, em cada quatro brasileiros, três estão na classe C e um nas classes B e A"
Dona Dilma confirma sua indicação para a canonização como Santa Rousseff pelo “milagre” de acabar com os pobres e miseráveis no país. Se depender da santa, há 150 milhões de pessoas na classe C e os demais nas outras classes.  

Mudou? Vai mudar?


Não tenho expectativas de que o governo agora vai ser um governo de esquerda. Acho que o PT já está absorvido por essa política de balcão de negócios. A tendência é que ceda aos interesses das figuras mais reacionárias. E só teremos avanços nessas questões por meio das mobilizações populares
 Luciana Genro, candidata pelo PSOL

Nem se completou uma semana do fim das eleições e o país andou no mesmo lugar. Ainda há foguetório pela vitória, mais arrefecimento dos ânimos aguerridos e continua o desânimo.

As manchetes de jornais só indicam que não será fácil, como o prometido, mudar, nem mesmo se houver disposição como se esbanjou na marquetagem. Os ares ainda são por demais poluídos, há uma seca quase geral de mãos estendidas.

Não há mais demonstração de que a quarta gestão petista será um salto de qualidade, ainda mais porque não estão com essa bola toda. Com o serenamento dos ânimos, em que pese da sempre arrogância de petistas desnaturados, volta o cotidiano para demonstrar que o continuísmo será completo com a mesma lenga-lenga.

Sem propaganda gratuita, não há mais demonstração de que a quarta gestão petista será um salto de qualidade, também porque não estão com essa bola toda. Em que pese a sempre arrogância de petistas desnaturados, volta o cotidiano para demonstrar que o continuísmo será completo com a mesma lenga-lenga.

Dilma ainda reina com o mesmo séquito de sempre, que não deve mudar. Para quê se ainda há tanto tempo para janeiro, fevereiro, março, abril etc ? Fiquemos no discurso de sempre.

Empurram-se com a barriga os mesmos casinhos pendentes. Cada dia se silencia um pouco mais sobre as promessas e assim a gente vai levando. O choque de mudança fica para 2015, quem sabe um presente natalino no Dia de Reis. Assim, vai mudar, só não se sabe quando e a que ponto num dois pra lá, dois pra cá.