quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A mesma cara de sempre


Quem conhece o petismo e convive há quatro anos sob o jugo da cafajestada bem sabe que o discurso de grandiosidade é o mesmo. Não se faz nada, mas se propala a sensação de que está tudo feito e caminhando para melhorar ainda mais.

Os clichês adotados na campanha de Dilma, às vezes em um só discurso da presidente, levam a marca indiscutível de Made in PT. São sempre os mesmos como um carimbo no talonário do jogo do bicho. Só que não vale o que está escrito. É mais um engodo institucionalizado pelo partido.

Na recente campanha, os discursos repetem a mesma lenga-lenga do que foi aplicado, por exemplo, em Maricá, hoje um feudo petista que é um 3x4 do Brasil.

Dilma se proclamou contra a "mentira" e a "desinformação". Quem vive numa pequena cidade vermelha de ódio pela cretinice imperante, já viu discurso igual, nem se arrepia. Sabe que tudo isso é apenas blá-blá-blá. Ainda se partir do cacique local do petismo, especialista em falar muito e nada dizer.   

Lula, grande cabo eleitoral de volta, quando a situação está periclitante, conclamou que a candidata "vai fazer os pobres subirem mais dois degraus na escala social", porque “o que vamos fazer no país apenas começou”. Nem começou, pois os níveis propalados de pobreza continuam altos e há muita maquiagem nos dados, publicados apenas os que interessam. Fala idêntica a de seu pupilo municipal, que proclama o fim do problema de habitação com programas Minha Casa, Minha Vida sequer entregues, mas enfurnados em áreas alagadas dos cafundós do Judas, sem água e esgoto, é claro. Em resumo, aos pobres a bosta como dádiva.

Em Maricá, também fazem a limpa nos cofres públicos para pagar shows, propaganda caríssimas na mídia, para anunciar que os pobres não mais existem no município, onde não há água, saneamento básico, atendimento de saúde, segurança e educação. Mas a publicidade oficial conclama que "O Havaí é em Maricá", reportagem a peso de ouro em jornalão da capital.

É essa balela aqui e lá. Quando Lula fala em fazer "essa mulher ser presidente por mais quatro anos, para fazer o país crescer mais, gerar mais emprego, mais salário", é o mesmo que o prefeitinho Quaquá prenuncia para a sua consorte, ex-funcionária do baixo escalão do partido, hoje pela segunda vez candidata à Alerj. Será a mãe dos pobres municipais, a educadora, o amparo da saúde, que não há nem está na lista da sua revistinha sobre um futuro trabalho na Câmara estadual.

Enfim chove no Planalto como em todo curral petista a mesma balela.


O governo acabou

 
Mantega sustentou a vaidade de ser recordista no comando da Fazenda. Agora, Dilma deseja que ele fique 112 dias arrastando correntes na Esplanada dos Ministérios

Governos têm prazo de validade constitucional. A presidência Dilma Rousseff tem mais 112 dias de duração, a partir de hoje. A novidade é que, daqui para a frente, ela pretende administrar o país com 39 ex-ministros.

Dilma, virtualmente, anunciou o fim do seu governo na semana passada, quando subtraiu do poder quem está ministro. “Alguns poderão ficar, outros eu irei trocar” — confirmou no domingo, em entrevista numa varanda do Palácio da Alvorada, em Brasília.
Leia mais o artigo de José Casado 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Duas versões pra mesma cara

Lula foi traído; Dilma tem telhado (blindado)
Duas versões presidenciáveis para a mesma falta de vergonha na cara em querer tapar os roubos do PT e aliados

'Quando o Brasil murcha, murcha uma parte de nós'

A dor dos brasileiros consiste em que creem que lhes estão roubando algo que lhes pertence
Li com uma mistura de admiração e dor a afirmação de Fernando Gabeira em sua coluna do Globo: "quando o Brasil murcha, murcha uma parte de nós". Admiração, porque evidencia que o Brasil constitui uma parte da identidade de cada um dos brasileiros.

Dor porque dá a entender que a vontade de mudança no país está ao mesmo tempo ameaçada por esse murchar. Algo que os brasileiros sentem como que lhes pertence por direito e lhes estão roubando.

Sempre me impressionou o fato de que, quando pergunto a alguém desse país como se sente, responde sem hesitar: "brasileiro".

Daí que eles gozem e sofram com essa identidade que lhes concede pertença ao país. Não é assim em outros povos do planeta? Não. Essa sensação de gozo de pertença e essa dor que se percebe quando o lugar de origem começa a se deteriorar é uma das características que nós, estrangeiros, notamos e admiramos nos brasileiros.

O silêncio de Lula


Ao escolher candidatos sem consulta à direção partidária, ele transformou o PT em instrumento de vontade pessoal

Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.

Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria.

A pobreza política brasileira deu um protagonismo a Lula que ele nunca mereceu. Importantes líderes políticos optaram pela subserviência ou discreta colaboração com ele, sem ter a coragem de enfrentá-lo. Seus aliados receberam generosas compensações. Seus opositores, a maioria deles, buscaram algum tipo de composição, evitando a todo custo o enfrentamento. Desta forma, foram diluindo as contradições e destruindo o mundo da política.
Leia mais o artigo de Marco Antonio Villa 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sem comentários


A encruzilhada da mudança


Não é a primeira vez que o Brasil se vê desafiado pelas encruzilhadas da História. Os eleitores escolherão caminhos de mudança, uns mais bem pavimentados, outros potencialmente acidentados. Manter as coisas como estão não é boa alternativa, como já está claro para a maioria.

Não é segredo para ninguém que a candidata Dilma Rousseff, independentemente das boas intenções que tenha – e as tem – embarcou num desvio que está custando caro a ela e ao país. A partir da crise de 2008, ainda no governo Lula, como ministra toda-poderosa, Dilma (e Mantega, ou sei lá quais outros ideólogos) definiram uma “nova matriz econômica” para o Brasil. Acontece que a nova matriz era velha e não produziu o feitiço esperado. Repetiu-seu erro de pensar que misturando ingredientes (gasto público solto, política monetária leniente, crédito público a mil, isenções fiscais aqui e acolá, microgerenciamento das decisões empresariais, etc) e agitando o caldeirão da política econômica, o governo asseguraria o milagre do crescimento contínuo e a felicidade geral do povo. As preocupações contrárias foram consideradas fórmulas velhas, “ortodoxas”, monetaristas, submissas ao FMI, propensas a fazer o ajuste fiscal à custa do povo.


Os resultados estão à vista e em mau momento: o das eleições. O PIB não cresce, antes se contrai e a inflação roça o teto da meta e só não o ultrapassa porque há preços artificialmente represados pelo governo; a indústria diminui de tamanho e perde competitividade e os investimentos despencam junto com a confiança das empresas no governo. Pudera, o superávit primário virou pó, apesar dos artifícios contábeis e das “pedaladas fiscais”; os bancos públicos, chamados a injetar anabolizantes creditícios na economia e a bancar o voluntarismo do governo no setor elétrico, encontram-se expostos a créditos de qualidade duvidosa, criando dúvidas adicionais sobre a situação fiscal do país; a Petrobras e a Eletrobras igualmente submetidas ao voluntarismo governamental perderam valor e capacidade de inversão; as reservas do Banco Central encontram-se comprometidas pelos swaps cambiais (quase cem bilhões de dólares) e por aí vai. Cáspite! como se dizia nas histórias em quadrinhos dos anos 1940, é encrenca para não botar defeito.

Na hora de votar


Politicagem é a nova libido. Dá grana, horário político eleitoral e foto fofa.

A todos esses senhores e senhoras de honra impoluta que têm aparecido aqui em casa, veementemente determinados em me convencer de que não querem outra coisa senão arregaçar as mangas e, telha por telha, obrar o hospital com médicos de última geração que me manterão o pâncreas em ordem por mais um século — a todos eles eu devoto o voto da minha mais profunda desconfiança.

Ponham-se daqui, digníssimos decididos em encher a boca para falar da nova política, dos projetos sociais que erradicarão a miséria nacional e até mesmo os gritos preconceituosos de “viado” nas arquibancadas. Ponham-se longe da minha audiência, senhoras e senhores sobre os quais nada consta até o momento, nada se provou nos autos, mas algo me diz que é bom ir com calma e esperar pela edição de amanhã dos jornais.

Eu sei que um dos senhores é cordeiro de Deus, o outro é obreiro da Palavra. Sobre todos eu esparjo meu turíbulo de fé e candomblé, pois ouço compungido como se sacrificarão, em muitos casos com o risco da própria vida, para livrar o povo brasileiro da criminalidade e do assédio das bundudas do BBB. A todos vocês, candidatos a excelências, eu lanço o contundente escrutínio de quem já viu Cacareco, Tiririca, Collor e mensalão. Só tenho a declarar que: “comigo não, violão”.
Leia mais o artigo de Joaquim Ferreira dos Santos 

Dilma apressa a faxina


"Quem ameaça o pré-sal é a corrupção que está assolando a Petrobras"
Marina Silva

Dilma, sem qualquer abalo no capacete, prometeu que vai tomar providências quando tiver as informações sobre o escândalo na Petrobras. Também admitiu que, por enquanto, não vai despedir ninguém, apesar de o caso não ser o de demissão, mas de admissão de culpa. Como pensar nessa inocência e prestante prontidão da presidente quando a mesma foi durante nove anos a mandona na empresa?

Dilma quer a todo custo afastar o escândalo de sua candidatura e, do alto de sua arrogância, proclama que o depoimento não lança suspeita sobre o governo. Alguém esqueceu que a Petrobras esteve sob seu comando como ministra das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração, chefe da Casa Civil de Lula e presidente da República? E ela nunca soube que a Diretoria de Abastecimento da Petrobras, dirigida por Paulo Roberto Costa, era autônoma assim transformada por Sérgio Gabrielli, o braço-forte de Lula? Não pode negar em momento algum que fez vista grossa, no mínimo, à corrupção desenfreada.

As questões estão colocadas e respostas não há. Dilma, como é de costume, acusa, fala mal dos outros, mas nunca explica o que deve, por obrigação do cargo, explicar. E ainda pinta e borda com a maior desfaçatez. Agora muda o comando de campanha tirando meia dúzia e colocando seis.

Colocou o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), que foi seu “chefe” quando era vice-governador do Rio Grande do Sul, e ela, secretária de Minas, Energia e Telecomunicações do estado. Até aí uma mudança tática se não fosse um pequeno detalhe no currículo do ministro com autonomia e carta branca. Rossetto não só ocupou o mesmo cargo no governo Lula e, por um desses acaso da vida, também foi presidente da Petrobras Biocombustível (???).

Ficaria tudo por aí se a candidata não fizesse uma confissão de que houve sim corrupção na empresa, e quando sob seu comando. “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas - vamos dizer assim - as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas”. Num dia fala que espera mais informações sobre o caso e em outro, admite que houve falcatrua. E ficamos todos por isso mesmo, presidente?

É muita cretinice de um governo admitir que lava as mãos, em virtude da campanha, para um rombo bilionário na maior empresa do país. Além de admitir o crime, para o qual desvia o rosto, Dilma parece achar uma normalidade sua existência e se lixa para o que ocorreu, não manifestando nenhum interesse em condenar os culpados. Segundo a candidata do PT, eles já estariam “condenados” pelo seu descaso, o que para ela, “divina”, já é o suficiente.


A presidente mais uma vez lança brioches para o país. Do alto do trono, como uma rainha imune, livra a cara dos companheiros para conseguir mais uma gestão de roubos e rombos. Só esquece que Antonieta, a dos brioches, teve seu dia de guilhotina. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sobre o fim de uma era



Não há mágicas para criar um novo mundo político. Mas há possibilidades de algo melhor. Por que não aceitar isto?
No livro de Milan Kundera “A festa da insignificância”, um personagem disse: “Ninguém em torno de Stálin sabia mais o que é uma brincadeira. É por isso, a meu ver, que um grande novo período da história se anunciava”. O personagem, chamado Charles, referia-se a uma piada que Stálin contava e nenhum dos seus ministros conseguia rir, com medo de que o ditador estivesse falando sério.

É muito difícil prever fins de era. Mas quando o país entra numa recessão econômica é razoável prever o fim de uma longa política que resultou num desastre: foi a pior performance da História, pior que a do Marechal Floriano, em tempo de guerra.

No Flamengo, um amigo me perguntou o que era recessão técnica. Repeti o que tenho lido: o país não cresceu nos dois últimos trimestres. É como um time que passasse meio ano sem vencer.

— Se é a recessão técnica, por que não demitir o técnico, como no futebol? — concluiu o amigo.

Aloprado como sempre

“Nós temos muito o que mostrar e nada a esconder”
ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante 

Querem matar Eduardo Campos outra vez

“É necessário ter toda a cautela possível com essa inclusão do nome de Eduardo Campos nesse novo escândalo na Petrobras promovido pelo Governo do PT. Eduardo não está mais aqui para se defender. Ele se afastou do Governo justamente por discordar desse tipo de prática.

O Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, vai fazer de tudo para escapar da prisão e escolher este ou aquele, visando poupar os principais responsáveis pela degradação ética e administrativa dentro da maior estatal brasileira: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.
A inclusão do nome de Eduardo nesse lamaçal do PT tem o único objetivo de atingir a candidatura de Marina Silva, que representa hoje a mais viável possibilidade de mudar tudo isso que o PT instalou no Brasil.


Não podemos aceitar que um réu confesso tente incluir nomes de inocentes nas falcatruas comandas pelo PT.”
Nota distribuída pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)

domingo, 7 de setembro de 2014

Profecia

"Queres conhecer o Inácio, coloca-o num palácio"

Assim escreveu o Barão de Itararé (Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly 1895-1971) bancando profeta. Não deu outra. Colocaram o Inácio e agora todos sabem quem ele é, e como manda debaixo dos panos.

Romance para piano e violino, Opus 11



Antonín Leopold Dvořák (1841 - 1904)

Rondó da Liberdade

 
Marighella em debate nos anos 1960

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que revoltam contra a escravidão.
Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir até quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.
É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.
  
Carlos Marighella (1911-1969) 

O conto do horário premiado


Cerca de 30 milhões de pessoas estão vendo o horário eleitoral na TV aberta, informa o Ibope. Mas quase metade diz que vê “sem nenhum interesse”, um terço diz que tem “um pouco” de interesse, e só 20%, cerca de seis milhões de eleitores, entre uma garfada e outra, estão prestando alguma atenção às pirotecnias e armadilhas publicitárias dos filmes que custam fortunas e são os maiores gastos das campanhas.

Mas, além das maiores despesas, os filmes para TV são sempre as maiores esperanças das campanhas, “vocês vão ver quando entrar o horário eleitoral, vamos poder mostrar o que fizemos” ou “com o horário eleitoral vão me conhecer melhor e saber minhas propostas de mudanças”.

A essas alturas, talvez os estrategistas dilmistas estejam questionando o tempo, dinheiro e cargos que gastaram para conseguir 12 minutos no horário eleitoral. Sem falar no que custa produzir esses 12 minutos por dia, embora dinheiro não seja o problema da campanha.

Tudo isso só para reiterar a esses seis milhões, nas faixas de menor escolaridade e renda, que o Bolsa Família vai continuar, que Dilma é sua pastora e nada lhes faltará?

Não é muito caro para chover no molhado? Não estão pagando cada vez mais e fazendo maiores bandalhas por um tempo que vale cada vez menos?

sábado, 6 de setembro de 2014

À deriva



A presidente está em constantes viagens de campanha; os ministros tiram “férias” para incrementar a candidatura da reeleição; os deputados e senadores estão em recesso branco por causa da eleição - ainda assim trabalhando apenas quatro meses este ano terão direito até a 14° salário integral. Com a cúpula dos poderes executivo e legislativo de fora, quem está governando o Brasil? Até 5 de outubro, estaremos navegando conforme as marés. E depois, seja lá o que Deus quiser e resta cantar: “Qual cisne branco em noite de lua/ Vai navegando num mar azul...”  

Brasil que político não vê


Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo, diz OMS
A cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida e 75% das mortes acontecem em países mais pobres ou de renda média

Brasil está em sexto lugar em taxa de homicídios de menores, diz Unicef
Em números absolutos, país está atrás somente da Nigéria, que registrou 13 mil mortes de crianças e adolescentes


E tome Brasil na rabeira de todo mundo. Mas culpa não tem pai, nem mãe 

Eleitor já não acredita no impossível

A propaganda eleitoral gratuita passou a ser um tema apetitoso para os humoristas, o que indica que perdeu sua antiga sacralidade
Às vezes, quando se diz que a maioria dos brasileiros deseja mudar, os políticos costumam ironizar dizendo que esses mesmos cidadãos, ao mesmo tempo, "não sabem o que querem mudar". Não é verdade. São eles que têm dificuldade de enumerar as coisas concretas que pretendem modificar e que os cidadãos conhecem muito bem porque, além do mais, sofrem na carne muitas de suas consequências.

Os brasileiros às vezes revelam o que querem que seja mudado demonstrando com fatos o que rejeitam por considerarem inútil, desgastado e até ridículo.

Um exemplo concreto estamos vivenciando nestas eleições. Já é tema de conversa nos bares, ônibus e supermercados –um conjunto de lugares que os realizadores de pesquisas eleitorais deveriam frequentar mais – que a chamada "propaganda eleitoral gratuita", que perdeu 50% da audiência de outras vezes, assim como a propaganda que cria a poluição visual e acústica de ruas e praças que está irritando as pessoas, não só não interessa mais, como ainda chega a ser contraproducente.


Sai listão do escândalo Petrobras

Desta vez não se disse traído
Alertado sobre depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que envolvem parlamentares no escândalo, o ex-presidente Lula disse: “Dentre nós, se alguém cometer erro, que pague”. Resta cobrar.

Segundo a edição da revista Veja que começou a circular este fim de semana, o nome dos seguintes políticos envolvidos com negócios sujos da Petrobras são:

Edison Lobão, ministro das Minas e Energia, PMDB
João Vaccari Neto, secretário nacional de finanças do PT
Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados, PMDB
Renan Calheiros, presidente do Senado, PMDB
Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do PP
Romero Jucá, senador do PMDB
Cândido Vaccarezza, deputado federal do PT
João Pizzolatti, deputado federal do PT
Mario Negromonte, ex-ministro das Cidades, PP
Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, PMDB
Roseana Sarney, governadora do Maranhão, PMDB
Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, PSB - morto no mês passado em um acidente aéreo


Na época em que era diretor da Petrobras Paulo Roberto conversava frequentemente com o então presidente Lula, segundo contou à Polícia Federal.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Vem aí!


Partidos indicavam os dirigentes no governo Lula


Envolvido no processo que investiga a polêmica compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer quebrou o silêncio e admitiu ao Broadcast que "o governo de coalizão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitia que partidos indicassem dirigentes para obter "ajuda".

Segundo ele, "o folclore" na Petrobrás era que Lula estava impressionado com a contribuição do ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa, atualmente preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

Lula, gigolô do passado


Em carreata ao lado de Dilma, em São Bernardo do Campo, São Paulo, Lula pregou enfático:

- [O eleitor] não tem duas escolhas nem uma e meia para fazer o país continuar avançando econômica... e socialmente, sem ser subordinado ao sistema financeiro.

E encaixou:

- Eu tenho fé nesse povo, em Deus, que no dia 5 de outubro valerá a razão, o coração e reconhecimento do povo brasileiro a uma mulher que apanhou, foi torturada, foi massacrada por um setor da imprensa desse país e nem assim essa mulher se curvou.

Lula é gigolô do seu passado de retirante nordestino que levou uma vida de pobreza em São Paulo enquanto era jovem. Sempre que pode ele lembra disso. Como se lhe devêssemos algo.

Hasta la vista


A turbulência provocada pelo tsunami Marina Silva está deixando baratinados muitos analistas. Sem falar no PT com um exército de “soldados’ nas redes sociais, a máquina pública a todo vapor, ministros se convertendo em cabo eleitoral de pracinha do interior e uma milionária indústria de marketing produzindo em linha de montagem as mais mirabolantes “armas” contra a candidata do PSB. É um gasto astronômico para ao menos manter a candidata governamental cabeça a cabeça com a ex-senadora, e ainda lucrando uma derrota no segundo turno.

A gerentona Dilma, que vende hoje a alma ao diabo pela reeleição, apela para qualquer santo a fim de garantir sua permanência no troninho. Retomou agora a bandeira do medo no futuro, do “salvador da pátria” que frustrou o país, pecha com que quer cimentar a imagem da adversária. Esquece que o “seu” PT se tornou amiguinho do ex-presidente afastado do poder e sua própria carreira política a aproxima mais da de Collor. O esquemão está segurando a queda, mas não assegura ainda a vitória.

O medo não está surgindo o efeito esperado e pode transformar uma presidente em uma candidata caricata, como vem se demonstrando nos debates. Em meio às caretices, fala o que quer e não responde diretamente às perguntas; despeja o que fez em borbotões, mas não explica o que deixou de fazer. Tudo fica para depois, para quando continuar, e aí fará mudanças. E isso o eleitor está acenando que não deseja.   

O eleitor ainda indica que quer apostar e ver pra crer. Não confia mais em “marquetadas” de encomenda,  sinal de que a “nova política” pode vir mesmo de um “novo eleitor” menos crédulo das palavras politiqueiras, com ojeriza de mentirosos e safados.

O noticiário dá conta que o próprio PT, diante de uma derrocada eminente, vem demonstrando que conta o tempo para a pá de cal das eleições. Se tudo correr como manda o figurino, também sabem que não haverá mais jeito e restará ao governo atual e aliados ouvirem a frase imortalizada no filme “O exterminador do futuro” pelo ator Arnold Schwarzenegger: “Hasta la vista, baby”. Eis o que esperam muitos para assistir ao final feliz de um pesadelo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Responda rápido


Entendeu?


Na boca de o eleitor ir às urnas, surge uma campanha do Tribunal Superior Eleitoral que faz bem pensar. Como quem muito explica deve ter algo a esconder, é sintomático que o nobre tribunal lance uma campanha sobre a excelência das eleições brasileiras, sua segurança, seu modelo exemplar, sua invulnerabilidade.

Como o Brasil é um dos raros países, e entre os grandes democráticos o único, a utilizar a urna eletrônica, o TSE acaba por colocar uma pulga atrás da orelha. Sem querer, é claro. 

Aparelhando a juventude


A cretinice não tem mesmo limites quando se trata de Quaquá, prefeito de Maricá, presidente regional do PT, coordenador de campanha de Lindbergh Lindinho a governador e articulador da campanha da própria companheira à Assembléia Legislativa e do seu presidente da Câmara a deputado federal. Se não bastasse o currículo político, o prefeitinho ainda acumula um prontuário judicial de fazer inveja aos grandes bandidos brasileiros.

Com tanto “sucesso” na carreira, ainda desperdiça dinheiro público em propagandas como essa em que alia gesto do mensaleiro-chefe aos estudantes sob a administração petista.


Depois Lula, que apadrinhou esses canalhas, fica sem saber por que estão rejeitando o PT. Não é por nada, Lula, é porque o país já está cansado de tanta bandidagem petista e aliada.       

Eleição

No fundo, todo radical quer o retorno da imobilidade aristocrática, escondida nas nomenclaturas

Sou fascinado pelo “período eleitoral”. Mudar é complicado em qualquer lugar, mas é um drama nas sociedades que combinaram escravidão africana com uma aristocracia branca eurocentrada e católica no campo da política e dos hábitos sociais. No Brasil, a hierarquia das boas maneiras impediu o civismo e derivou num esquerdismo salvacionista, curiosamente cristão.

Esse cenário talvez explique a ideia de que a política é o lugar do vale-tudo — exceto perder ou “cair”. Como se o poder fosse uma montanha onde sobem os eleitos, quando o que precisamos é de um estado a serviço da sociedade. É poder demandar mais responsabilidade e transparência do que arrogância e a familiar má-fé, cuja santidade não conhece erros.

Como instituir uma sociedade igualitária tendo como ponto de partida o legado desumano de uma escravidão abençoada? Dessa matriz vem a confusão entre o ator-candidato e o cargo público. A confusão entre pessoa e papel é o mecanismo fundamental tanto da dominação patrimonialista-familística (a lei é relativa aos amigos) quando da carismática (X ou Y é santo e talhado para o cargo), dificultando a dominação burocrática (a regra da lei para todos) porque, sem regras fixas, as instituições não funcionam e estados-nacionais não conseguem prover educação, saúde e segurança aos seus cidadãos.

Não é apenas uma questão de programa, mas de como administrar. De como passar de “governo” (que pode esbanjar e roubar) a gerenciamento público (que tem o dever de ser eficiente). Mas sem honrar as demandas éticas dos cargos públicos que não pertencem nem ao ator nem ao seu partido, jamais iremos controlar os aparelhamentos e as impunidades com as quais estamos entalados.

O jogo entre pessoas e papéis é a base da eleição como o ritual político mais importante nas democracias liberais e competitivas — esses sistemas abertos até mesmo a candidatos cuja proposta é liquidá-los. No fundo, todo radical quer o retorno da imobilidade aristocrática, escondida nas nomenclaturas. Esse é o paradoxo político do radicalismo moderno. Ele inventou a liberdade individual que empreende, mas rejeita a sua criatividade sem controle. E odeia discipliná-la por meio de consenso.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Arrogância de cara de pau



"Acho que o caminho da nova política passa pela nossa candidatura"
Lindbergh Farias, senador candidato ao governo do Rio

Você viu o Lula pelaí?


Em plena efervescência eleitoral, há uma figurinha que sumiu da mídia. Dizem até que estaria “doente”. Com certas dores que sempre o atormentaram quando a situação do partido está feia ou negra, como agora. Chá de sumiço é a receita caseira que mais usa, quando não as frases de efeitos para não dizer nada, parecendo que diz tudo.

Lula está fora de cena, com raras aparições para “vender” a imagem da sua eleita, e cada vez mais se torna um fantasma assombrado. Como aqueles ditadores que com o tempo são atacados por alucinações. Vagueia pelos corredores, em verdade, maquinando uma saída para si próprio quando o cataclismo estourar. Não terá nenhum escrúpulo em detonar mesmo os companheiros, sejam quais forem.

O importante é não ser atingida sua imagem de grande presidente como assim sonharam outros, tiranos e imbecis. Treme de ouvir uma revisão histórica dos seus mandatos para não passar no futuro a ser a sombra de FHC, em seu primeiro mandato. Porque a partir daí mostrou de vez que a única coisa que o diferenciava de ditadores de republiquetas era o fato de ter nascido no Brasil.

Um futuro de trevas para o partido pode colocar o ex-presidente, que se acha ainda o maior da República, mais assombrado por alucinações. Principalmente a de ser apenas pó como muitos outros, misturados numa vala comum de nomes comuns, quase como um ex-operário.

O pelego de ontem não se conforma com a História. E silencia para não ser envolvido e engolido pelo esquecimento de ter sido apenas mais um. Está convencido de que só ele poderia fazer um país, esquecido de que outros, menos cafajestes, cretinos e megalomaníacos, fariam muito mais do que fez e a custo bem menor.


Doente deve estar mesmo desde que mordido pela mosca azul, ainda no Planalto. Agora se agravou, porque não tem mais aquele poder de tudo mudar custando o que custasse, criando até a governança para reeleição, lançada em 2012, quando o governo se tornou máquina eleitoral com vistas a administrar a vitória em outubro. E o sonho agora fica cada vez mais distante e o pavor das assombrações aumenta.

Dilma foge de entrevista

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, apesar de passar o dia em São Paulo, sem qualquer explicação, não participou da série de entrevistas do Jornal da Globo com os principais candidatos à  Presidência. É a primeira vez que um candidato à Presidência não comparece à entrevista desde o início da série, em 2002.

Sem Dilma, os jornalistas William Waack e Christiane Pelajo leram no ar as perguntas que ficaram sem resposta da candidata.

1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?

2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

4. A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?


6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

O bicho vai pegar em quem?


Marina pode ser o olho de um furacão que, claro, jamais conseguirá renovar a velha política sólida; mas ela pode criar um 'caos' na vida politica

O Brasil se move por acaso. Os rumos da História, se é que tem rumos, tendem a se enrolar em si mesmos e só fatos, traumas inesperados disparam a mutação. Que quer dizer essa frase? Que não são apenas as “relações de produção” que explicam nossa marcha, mas os detalhes, as ínfimas causas, as bobagens casuais e tragédias intempestivas fazem o Brasil andar.

Getúlio deu um tiro no peito e adiou a ditadura por dez anos. Jânio tomou um porre e pediu o boné, um micróbio entrou na barriga do Tancredo e mudou nossa vida, encarando o Sarney por cinco anos, o Collor foi eleito por sua pinta de galã renovador e acabou “impichado” por suas maracutaias. Roberto Jefferson mostrou sua carteirinha de corrupto, se denunciou junto com os mensaleiros e mudou a paisagem política. E agora Marina Silva pode ser presidente, em vez da Presidenta.

Com a população mal-informada em sua maioria (não falo dos miseráveis e analfabetos, mas de gente de terno e gravata) sobre as complexas questões da política e da economia, a emoção e a catarse movem o país.

Agora, estamos na expectativa; somos o país do eterno suspense: Marina vai ser eleita ou não? Será que o efeito “tragédia” vai se evaporar? A grande mudança seria, claro, a social-democracia apta a desfazer as boquinhas e os pavorosos erros com que o PT nos brindou. Aécio, se eleito, pode trazer a agenda correta. Mas, se Marina ganhar, teremos um outro tipo de mudança, uma virada para um “novo” desconhecido, uma virada psicológica e cultural inesperada. Não adianta analisar Marina com os instrumentos de análise costumeiros.

Agora em vez dos óbvios vexames do PT, estamos diante do mistério Marina.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Surpresa!


Alternativas

A única alternativa para a velhice é a morte. Já as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra. É bom lembrá-las sempre
Luis Fernando Verissimo

Não houve Copa


Segundo o ministro da Economia, Guido Mantega, foi por culpa dessa Copa do Mundo que o país deixou de crescer

O ministro da Economia, Guido Mantega, revelou aos brasileiros um segredo: não houve Copa. Não é brincadeira. Nem se trata do fato de que o Brasil perder de 7 a 1 da Alemanha foi pior do que não ter havido Copa. É algo mais sério.

Segundo Mantega foi por culpa dessa Copa do Mundo que o país entrou em recessão técnica, ou seja, deixou de crescer. Se isso é verdade, quer dizer que não houve Copa. Ganharam os que saíram às ruas para impedir sua realização.

Por que não houve? Muito simples: a Copa do Mundo que o Brasil conseguiu realizar em seu território deveria ter servido, segundo o Governo, para "fazer a economia crescer". Costuma ser assim em todos os lugares onde acontece. A Copa movimenta uma série de engrenagens industriais, comerciais e de infraestrutura que estimula a economia do país.

Se o Brasil, pouco mais de um mês depois do evento, parou e não cresce é porque "não houve Copa". Não como tinha sido concebida.

Os Silva são diferentes

Lula e Marina, os dois fenômenos políticos mais fascinantes da história recente, são filhos de Brasis que se desconhecem
Há uma ideia no Brasil de que os pobres são todos iguais. É uma visão de senso comum, mas que assinala a análise também de intelectuais. Ela explica a afirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva e Marina Silva têm biografias parecidas – e a de que Marina teria sido a sucessora mais natural de Lula, não fossem as divergências que a levaram a deixar o Ministério do Meio Ambiente e depois o PT. Para chegar ao poder num país desigual como o Brasil, Lula e Marina fizeram uma travessia impressionante, uma espécie de jornada de herói. Mas as semelhanças acabam aí. Há enormes diferenças entre a trajetória de um filho de sertanejo que fez o caminho de São Paulo e se tornou operário e depois líder sindical, na região mais industrializada do país, e a trajetória de uma filha de seringueiro, seringueira ela também, na floresta amazônica, que iniciou sua carreira política em um estado como o Acre. Para alcançar a riqueza desse momento histórico do Brasil é preciso compreender que os Silva são diferentes.

Lula e Marina são ambos filhos do Brasil, mas de Brasis bem diversos. E é exatamente por causa de diferenças fundamentais de visões de mundo que, a certa altura, Marina não encontrou mais lugar no projeto do “lulismo”, usando a expressão do cientista político André Singer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Velha prática de tiranos


Nem o melhor marqueteiro do mundo poderia imaginar que houvesse algo acima dele. Mas há, e com força para silenciar qualquer canto de vitória antes do jogo acabar, até destronar quem já estava quase se sentando de novo no trono.

Há pouco mais de duas semanas, a morte de Eduardo Campos, o terceiro nome na lista da corrida presidencial, embaralhou todas as jogadas de marketing, acabou com as estratégicas políticas de 20 anos no país. Em seu lugar, a ex-ministra e ex-senadora, Marina Silva, passou a ocupar mais até as páginas da mídia, suplantando e muitas vezes apagando a super Dilma, que de trem bala da corrida eleitoral se transformou em um bonde sem jeito para andar nos trilhos, com sério risco de descarrilar de vez.

Uma política de arranjos por mais tempos de exposição no horário eleitoral, valendo alianças as mais descabíveis; trombetas anunciando maravilhas de realizações que nem saíram do papel; alianças que mostram o vale tudo pelo continuísmo; as mais mirabolantes jogadas de marketing. Nada conteve a alta inesperada.

A exposição da candidata não para e se acelera, porque os adversários, pegos de surpresa, põem mais lenha nas turbinas da ex-ministra do Meio Ambiente, defenestrada no governo Lula com a força de Dilma.

Ninguém mais desconhece Marina, que vem fazendo escola até entre os petistas, apropriando-se da sua terceira via, de uma “nova política” que não se sabe bem o que é, mas parece colocar tudo nos eixos. Todos querem se igualar ao meteoro que caiu nas eleições brasileiras, tirar uma casquinha dessa subida vertiginosa.

Para evitar mais estrago, os marqueteiros acertam os canhões. Está decretada a caça à Marina custe o que custar. Falam em “arrocho”, “desastre econômico”, “anti-política” para definir a ascensão. Especialistas e alguns jornalistas destacam as falhas da candidata. O cenário se confunde. Todos dando como favas contadas a vitória do PSB, se não pisarem na bola, claro.       

Marina não é um cataclisma como apontam os adversários, em especial os dilmistas loucos para tirar a candidata de cena. Alguns chegam a chamá-la "autoritária", mas será mais do que a atual presidente, gerentona, mandona, que aparelhou o Estado em prol do partido?

Também ameaçam e profetizam semelhanças da candidata do PSB com Jânio e Collor. São os magos da política viciada e corrupta dispostos a comparações às mais estapafúrdias sem base no tempo e realidade nacional. Trocam os pés pelas mãos.

Marina pode ser tudo, muito mais uma incógnita, mas nunca será o que os adversários apontam. Defeitos, ela os tem, mas bem menos do que o corolário de Dilma, sentada no poderio da máquina pública. E perde apenas em "virtudes" para Aécio, que estava preparado para outra corrida eleitoral que, no momento, ficou pelo caminho. 

Marina também não é nenhum bicho-papão que levaria o país ao fundo do poço por não saber administrar. Ainda mais porque no fundo já se está chegando agora com quem era maquiada como a magnífica administradora. E a saída, certamente, não é ficar como está para ver como é que fica.

O eleitor deve respeitar sua candidatura sem colocar penduricalhos onde não há. E mesmo que não seja lá o governo dos sonhos, é da democracia deixar livre a escolha. Assim foi com os fracassos do lulismo, impostos com a troca de cargos por votos. E “eles” não reclamaram, só falam no pé do ouvido agora do poste no Planalto, porque com o de São Paulo até jogaram a toalha.

Usar o medo e a insegurança de um próximo mandato sem o PT no comando é privilégio de ditaduras, que governos corruptos adotam, para fugir das explicações no futuro. Até mesmo mostrar uma ficha limpa na História, reescrevendo-a quando possível. Nada mais é o que se vem fazendo. Profetizar um cenário de catástrofe, de autoritarismo, contra Marina, no momento, é coisa de cafajeste, quando não de bandido. Foi o mesmo discurso que derrotou o PT na campanha de Collor. É uma cacetada na democracia de que tanto se gabam, quando os favorece.


Se jogarem sem ataques, como são contumazes, ganhará a eleição, mas estarão propensos a se arriscar a amargar um terceiro posto. É que se esqueceram do que é mudança, e só os adversários Marina e Aécio estão propondo o fim do jogo sujo, cada um a seu jeito. Bom ficar com as barbas de molho, de promessas o inferno está cheio e o país, esgotado. O eleitor está querendo propostas.

Frase ou farsa?

“Dilma consegue dialogar com todos os setores. Quem consegue fazer isso é a presidente Dilma, uma estadista. (…) Dilma continuará construindo o Brasil.”
Michel Temer

Manhattan




202,8 milhões: e agora?

"Manifestação", do argentino Antonio Berni
Alcançamos no Brasil a respeitável cifra de 202,8 milhões de habitantes. Quantos deles são cidadãos plenos com os direitos garantidos e cumpridores das obrigações cívicas e sociais?

Há 44 anos, em 1970, os míticos 90 milhões de brasileiros eram convocados por uma sanguinária ditadura militar para grandes empreitadas. Na geração seguinte, multiplicados por pouco mais do que dois, desfeito o milagre, alcançamos a respeitável cifra de 202,8 milhões de habitantes – quantos deles são cidadãos plenos com os direitos garantidos e cumpridores das obrigações cívicas e sociais?
Os censos começaram precariamente no Brasil-colônia, no século XVIII, a primeira contagem científica data de 1940, dois anos depois da criação do IBGE graças à presença no Brasil do eminente demógrafo italiano, Giorgio Mortara, um refugiado do fascismo. Éramos então cerca de 41 milhões de súditos de outra implacável ditadura, dita “modernizadora” – o Estado Novo.
Estamos sendo continuamente batidos pela demografia, não obstante a excelência do IBGE ao longo dos seus 74 anos de existência. Os saltos qualitativos acabam sempre neutralizados pela invencível parceria entre o crescimento populacional e a frouxidão com que as políticas públicas são implementadas e administradas. E continuam assim, mesmo com uma razoável taxa de crescimento populacional (0,86%).