quarta-feira, 2 de março de 2016

Dilma patrocina mais uma trapalhada

Apesar de fraca, sem base política que a sustente confortavelmente no Congresso, sem um partido, mesmo o PT, para chamar de seu, mal avaliada por 60% dos brasileiros que consideram seu governo ruim ou péssimo, e ameaçada pelo impeachment, Dilma decidiu patrocinar mais uma trapalhada: a troca do ministro da Justiça.

José Eduardo Cardozo passou à condição de inimigo de parte do PT quando as investigações da Lava-Jato começaram a incomodar Lula, suspeito de ocultar patrimônio, e de ligações espúrias com empreiteiras envolvidas na roubalheira da Petrobras. Mais de uma vez ele disse a Dilma que estava disposto a deixar o cargo.

Dilma contemporizou o que pôde, mas jamais saiu publicamente em sua defesa, apesar de gostar dele e de prestigiá-lo. No último fim de semana, depois de ser criticado por Lula na festa de aniversário do PT, Cardozo procurou a presidente e disse que iria embora. Se quisesse, ela poderia tê-lo convencido a ficar, mas não o fez.

Arranjou para ele o cargo de ministro da Advocacia-Geral da União, e aceitou de pronto o nome indicado por Jaques Wagner, chefe da Casa Civil, para o lugar de Cardoso – o inexpressivo procurador da Justiça baiana Wellington César Lima e Silva. Entre 2010 e 2014, ele comandou o Ministério Público da Bahia por escolha de Wagner.

Seu nome foi o terceiro mais votado na lista encaminhada pelo Ministério Público para decisão de Wagner, então governador da Bahia. A lista era formada por Norma Angélica (287 votos) e Olímpio Campinho (229 votos). Wellington teve 140 votos. Wagner viu nele a pessoa mais confiável para o cargo – e o promoveu.

A oposição estrila ante o risco de o Ministério da Justiça, a quem está ligada a Polícia Federal, ser comandado doravante por um pau mandato de Wagner, auxiliar de Dilma, mas queridinho de Lula. O PT ficou insatisfeita com a escolha de Wellington porque duvida que ele tenha pulso para controlar a Polícia Federal.

Lula e o PT sugeriram a Dilma quatro ou cinco nomes, alguns do próprio partido, outros de fora e com um perfil mais moderado, mas todos comprometidos de uma maneira ou de outra em usar a força do cargo para manietar a Polícia Federal. E para proteger Lula da Lava-Jato, naturalmente.

Os ânimos estão quentes dentro da Polícia Federal. Delegados e agentes temem que seu trabalho de investigação passe a ser cerceado. De resto, a escolha de Wellington será contestada na Justiça. A Constituição veda que um membro do Ministério Público exerça “qualquer outra função pública, salvo uma de magistério”.

Caberá ao Supremo Tribunal Federal resolver a parada.

Não precisamos importar tragédias

O caos na saúde no Brasil é conhecido. A ausência de uma gestão adequada levou ao absurdo, só visto há 100 anos, com um pequeno mosquito virando nosso principal problema de saúde.

Diante da irresponsabilidade cometida, surgem bravatas sobre vacinação. Empurram o problema para o futuro, quando o que precisamos de imediato é de saneamento e menos corrupção. Não há espaço para marketing desonesto, um mal que afeta a saúde mundial, um dos mais lucrativos negócios globais.

Como exemplo, cito três publicações sobre o tema, só nesse fevereiro.

A American Society for Quality alerta sobre a preocupação dos EUA e da União Europeia com a questionável qualidade dos produtos fabricados na Índia, um mercado de 15 bilhões de dólares, que supre 33% dos medicamentos vendidos nos EUA e 25% no Reino Unido. Temendo pela higiene e pela falsificação de testes sobre a eficiência desses produtos, ouvem o de sempre: “Estamos trabalhando para melhorar, certificados por auditorias externas.”

Segundo o British Medical Journal, os 51 maiores centros de pesquisa dos EUA, divulgaram apenas 29℅ dos seus trabalhos experimentais com seres humanos passados dois anos de sua conclusão, apesar das obrigações morais e legais em divulgar esses resultados ao mundo científico. Não há desculpa para não se divulgarem esses dados, como ocorreu com o companhia farmacêutica multinacional Merck Sharp and Done, que apenas em 2004 retirou do mercado seu anti-inflamatório Vioxx, apesar dos graves efeitos colaterais dessa droga para o sistema cardiovascular serem conhecidos desde 2000.

Saúde pública (Foto: Arquivo Google)
A Nature, uma das mais importantes revistas científicas do mundo, detalhou uma tragédia que ocorreu na França. Numa pesquisa, um grupo de pacientes voluntários recebeu uma droga experimental (BIA 10-2474) para tratar a dor crônica de pacientes com câncer e a ansiedade e os distúrbios motores ocasionados pela doença de Parkinson; outro grupo recebeu uma substância inócua ‒ um placebo.

Esse estudo em pacientes, após a fase de teste em animais, precisava ser feito para atestar a segurança da droga e verificar seus efeitos colaterais antes de ela ser comercializada. Porém a estratégia de aplicar o tratamento num intervalo muito curto pode ter contribuído para que não tenham sido observados sintomas severos e hemorragia cerebral em seis voluntários, que acabaram sendo hospitalizados, e um deles morreu.

Agora, a farmacêutica francesa Sanofi Pasteur, aproveitando-se do nosso caos sanitário, quer nos vender sua vacina contra dengue, que protege apenas 66% dos pacientes e jamais foi testada em grande escala. Segundo a agência Reuters trata-se de um mercado global de um bilhão de dólares ao ano. Quem vai ganhar: o laboratório ou os brasileiros?

A Fiocruz e o Instituto Butantã, com seus ciosos cientistas, trabalham compromissados com a verdade. Não precisamos importar tragédias.

Impeachment. Sim? Não? Por quê?

Gostemos ou não, o tema persiste. O governo padece de rejeição generalizada e irreversível, suficiente para aconselhar respeitosa renúncia. Seria um glorioso, histórico e democrático "Dia do Não Fico". Fosse o governo atento à soberania popular, à voz das ruas e ao som das panelas, não insistiria em permanecer sabendo-se reprovado, há 12 meses, por imensa maioria dos eleitores. Quanto ao impeachment, as opiniões se dividem sobre os motivos e a conveniência. O que segue é uma resenha do que considero principal sobre o tema.


Há os que desejam o impeachment por motivos ligados ao mau desempenho do governo, que acumula inédita galeria de fracassos éticos e técnicos. Até seus feitos foram malfeitos. "Subtraída em tenebrosas transações", a nação descobre que perdeu 13 anos em 13. Muitos indicadores regridem aos anos 1990. Todos os setores de atividade naturalmente afetos ou usurpados pelo Estado brasileiro estão em visível decadência. Há um grupo governante responsável por tudo isso. Perante seus descomunais escândalos e desacertos, são insustentáveis as teses dos companheiros. Para eles, o governo é bom. Ruins seriam os fatos da vida, as agências de risco, os ianques, as forças da direita, o neoliberalismo, sem os quais o Brasil estaria bombando.

Há os que querem o impeachment em virtude do caos social. Ser brasileiro tornou-se cansativo e perigoso. O governo perdeu feio todas as guerras que pretendeu travar. Perdeu para o crime, para as drogas, para as epidemias. A queda do PIB, a recessão, a inflação, o desemprego, tendem a compor um ambiente favorável ao agravamento do caos social. Arrecadando 36% de tudo o que a nação produz, o Estado brasileiro cobra passagem de primeira classe e embarca seus passageiros em carro de boi.

Há os que querem o impeachment por motivos ideológicos. Nossos governantes abraçaram uma ideologia que nunca deu certo. O ufanismo de Lula com o Foro de São Paulo e seus parceiros da esquerda bananeira travou na garganta. O neocomunismo bolivariano foi mais um Muro de Berlim que caiu em desgraça. Além disso, o petismo transformou as diferenças existentes na sociedade brasileira em tema de casa, para serem aprofundadas e convertidas em conflito.

Há, finalmente, os que não querem o impeachment por considerar preferível que o governo carregue sozinho os próprios fardos e culpas até 2018. Concordo com todos esses fundamentos e posições. Mas acrescento: quero o impeachment por imposição moral. Como questão de saneamento básico. É vergonhoso ser cidadão de um país que tolere, bovinamente, saber o que sabemos, ver o que vemos, passar pelo que passamos.

Percival Puggina

Lava Jato realiza todos os pesadelos de Dilma

“A hipótese de o mandato da presidenta Dilma ser cassado pela Justiça Eleitoral é inexistente”, disse um auxiliar da presidente ao blog no início da noite desta terça-feira. “O TSE não se atreveria a ir tão longe sem dispor de elementos que justifiquem uma medida dessa gravidade.”

Dilma pode ou não continuar na Presidência até 2018. Mas os devotos que a chamam de “presidenta” estão superestimando a invulnerabilidade da caixa registradora de sua campanha. Difícil saber até onde vai o atrevimento do TSE. Mas está cada vez mais difícil ignorar os elementos colecionados pela Lava Jato.

Em acordo de delação premiada, executivos da Andrade Gutierrez confessaram ter firmado um contrato fictício para repassar cerca de R$ 5 milhões a uma agência de comunicação que prestou serviços à campanha de Dilma em 2010. E a coisa pode não parar por aí. Otávio Azevedo, presidente afastado da Andrade, acena com a possibilidade de abrir o baú das doações espúrias feitas ao comitê da reeleição, em 2014.

João Santana, o marqueteiro de Dilma, encontra-se na cadeia. Mônica Moura, sua mulher e sócia, também presa, já fez revelações estonteantes. Admitiu, por exemplo, que a Odebrecht borrifou US$ 3 milhões por baixo da mesa numa conta do mago do marketing petista na Suíça. Coisa relacionada à campanha venezuelana de Hugo Chávez, alegou Mônica. Nada a ver com a campanha de Dilma.

Por mal dos pecados, a força-tarefa da Lava Jato reuniu evidências que ameaçam o cordão sanitário que João Santana e Mônica tentam acomodar ao redor das arcas de Dilma. Segundo os investigadores, a Odebrecht serviu acarajé$ ao marqueteiro também no Brasil, no ano reeleitoral de 2014. Coisa de R$ 4 milhões. Executivos da empreiteira coçam a língua.

Juntos, esses elementos potencializam o estrago produzido por outro delator premiado: Ricardo Pessoa. Dono da construtora UTC, Pessoa é apontado como coordenador do cartel que assaltou a Petrobras. Ele já havia contado às autoridades que o ministro Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência), tesoureiro do comitê Dilma-2014, arrancou-lhe R$ 7,5 milhões em verbas sujas da Petrobras. Se não doasse à campanha de Dilma, perderia contratos na estatal. Edinho nega o achaque.

Dilma já afirmou: “Eu não respeito delator”. É uma pena que a presidente desmereça algo previsto na lei anticorrupção, que ela própria sancionou. Com o auxílio das delações, inaugurou-se em Curitiba uma nova fase no combate à corrupção no Brasil. Uma fase em que a perversão passou a dar cadeia. O medo das grades destrava a língua dos delatores. E as revelações dão densidade aos processos.

A ruína econômica e a paralisia política indicam que Dilma não realizará o sonho de passar à posteridade como uma gerente impecável. Mas a Lava Jato, com seus delatores, vai realizando aos poucos todos os pesadelos de Dilma. A frase ouvida pelo blog de um bambambã do Planalto —“a hipótese de o mandato da presidenta Dilma ser cassado pela Justiça Eleitoral é inexistente”— conduz a uma interrogação: Será?

Roque ou pontapé no traseiro

A demissão de José Eduardo Cardoso do Ministério da Justiça demonstrou outra vez que a presidente Dilma, se nunca mandou, manda menos ainda. Madame não provocou aquilo que em xadrez se chama “roque”, a troca de uma peça pela outra em pleno tabuleiro. Pareceu mais uma simples briga de moleques, ou melhor, um chute no traseiro. Do mais forte no mais fraco, é claro. A dispensa quis levar à conclusão de que o mais antigo ministro do segundo governo do PT saiu vitorioso ao trocar a Justiça pela Advocacia Geral da União. Mentira. Não aguentou a pressão do Lula e do PT, que queriam vê-lo pelas costas por conta da vontade de afastar a Polícia Federal da Operação Lava Jato.

Há um ano, pelo menos, forçavam sua defenestração. Queriam, Lula, PT e a torcida do Flamengo, que calasse a Polícia Federal, impedindo a abertura de sucessivos inquéritos contra os ladrões da Petrobras, do partido e das empreiteiras. Quando as investigações avançaram sobre ministros e chegaram a ameaçar o próprio Lula, deram o xeque-mate na presidente: ou afastava José Eduardo Cardoso ou romperiam com ela.

Mais uma vez, Dilma cedeu. Assim como no caso de Aloizio Marcadante, preferiu sacrificá-lo, tirando-o da chefia da Casa Civil e comprando-lhe bilhete para o Ministério da Educação.

Lembra-se uma história em que Milton Campos era ministro da Justiça do marechal Castello Branco. Os militares agitavam-se para impor mais virulência e radicalismo. O velho professor de Democracia resistiu o quanto pode, mas em dado momento entregou ao presidente sua carta de demissão irrevogável. E justificou: “Posso adotar a única iniciativa que V. Excia não pode…”

José Eduardo Cardoso levou mais de um ano para decidir-se. Saiu mal, mas como em situações análogas, também acabou saindo…

A pergunta que se faz é até quando Lula e seu bando resistirão tentando livrar-se dos processos de tanta sujeira praticada à sombra dos negócios da Petrobrás, do PT, dos empreiteiros e do próprio Lula. Botar a culpa na Polícia Federal apenas aumentará a culpa de cada um. Trocar de ministro somente irá estimular os federais a investigarem mais.

Santo batiza outro chope de Quaquá


São Pedro está mesmo brigado com Washington Quaquá, prefeito de Maricá e presidente regional do PT. Em uma semana estragou duas alegorias eleitoreiras.

Primeiro acabou com a festa de inauguração das obras que já começaram do novo hospital Che Guevara, sem qualquer indicativo de autorização e regularização, apesar dos R$ 44 milhões de custo.

E na segunda-feira, inundou o conjunto do Minha Casa Minha Vida, inaugurado com pompa e a presença de Dilma, numa área de charco desde os tempos do Descobrimento. Foi a tragédia pré-anunciada.

O charco indicado por Quaquá para a obra faraônica do "seu" governo teve milhões injetados do governo federal para atender aos desabrigados e carentes do município. Mas foi recheado de contemplados cabos eleitorais e incautos, que agora sofrem com o alagamento. Se eram carentes e desabrigados, agora são desalojados em obra do PT e por culpa do PT, mais disposto a promover marketing do que melhorar a vida da população.

Como já acostumado a fazer caipirinha de limão, Quaquá está anunciando um kit para compensar os estragos. Vai promover agora o Bolsa Desabrigado, fornecendo, com dinheiro público, geladeira, colchão, cama, sofá e fogão a cada família atingida pela inundação no conjunto residencial. Será a forma de pagar para que continuem a eleger, através da propina do voto, os candidatos do PT em outubro.

Mais uma bolsa em ano de eleição esfregada na casa do TSE, surdo, mudo e calado. Ou seria manobrado?

Corrupção

Existe um fato que precisamos reconhecer: os governos de Lula e Dilma fizeram com que a corrupção se tornasse tão popular e visível que hoje todos sabem o significado dessa palavra. Como o governo costuma dizer, ‘nunca antes na história desse país’ se viu tanta corrupção. Também criaram uma série de “mantras”, como ‘eu não sei de nada’, ‘tudo foi feito dentro da lei’, ‘acabamos com a pobreza no país’, e outros.

A cidade de Mariana e o rio Doce mergulharam na lama da Samarco e o Brasil mergulhou na lama da corrupção. Graças ao Ministério Público e a Polícia Federal, essa lama toda está sendo remexida, e a cada dia mais empresários e políticos corruptos estão aparecendo. Começou com a Petrobras e se espalhou por praticamente todas as instituições ligadas ao governo.


O cerco está se apertando e dia virá em que o ex-presidente Lula estará no banco dos réus, com seus amigos de partido. Ele sabe disso e usa de toda sua influência para transferir a culpa para outros, já que ele não sabe de nada e é uma alma pura.

A última tentativa foi a de afastar o promotor Cássio Roberto Conserino do caso do polêmico tríplex reformado pela empreiteira OAS. A justiça prevaleceu e o Conselho Nacional do Ministério Público decidiu que o promotor de justiça, Cássio Conserino, vai permanecer à frente da investigação que apura suposta ocultação de patrimônio por parte de Lula.

Existem muitas outras investigações em andamento e a teia está se fechando em volta de Lula e outros políticos de peso. O presidente do PT, Rui Falcão, diz que essas ações do Ministério Público são uma ‘perseguição inominável ao partido’ e Lula se julga acima da lei. Ainda por cima, ameaçam a democracia brasileira com seus fiéis soldados do MST. Eles se esquecem de que a democracia tem responsabilidades de quem exerce ou exerceu o poder e as funções de fiscalização e controle estão nas mãos da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal. Eles não são acima da lei, embora se julguem dessa forma.

Agora, João Santana, marqueteiro do PT, também será ouvido pelo Ministério Público sobre a origem irregular do dinheiro gasto em campanhas do PT. Só para lembrar, o uso de dinheiro ilícito na campanha é motivo para impeachment, dentro da democracia. Simplesmente por acreditar nesses órgãos e nesses promotores, tenho esperança de que o Brasil ainda possa desarticular esse plano criminoso de poder, acabar com essa máquina de corrupção e mandar todos os bandidos para a cadeia.

Poderiam até ser enviados para a prisão de Guantánamo, já que o presidente Barack Obama, dos EUA, pretende desativá-la. Lembro que essa prisão fica em Cuba, local muito querido de alguns de nossos governantes.

Célio Pezza

O chororô dos desesperados

O desespero petista está cada vez maior. Dilma, a presidente que não governa desde que venceu as eleições, tenta, inutilmente, obter apoio no Congresso. O PT, insatisfeito com os rumos da política econômica, distancia-se cada vez mais do governo. A prisão de João Santana e a união da oposição para apoiar as manifestações do dia 13 de março aumentaram substancialmente a possibilidade do impeachment.

Todo esse cenário faz com que militantes petistas e defensores do governo utilizem sem descanso as suas armas preferidas: a mentira e o cinismo. Por isso, resolvi dedicar a coluna de hoje para responder aos mais frequentes esperneios daqueles que adotam o discurso do adesismo.

Os outros partidos também roubam! O PT não inventou a corrupção!
Engraçada essa lógica que prega que se o outro é sujo, você automaticamente deixa de ser mal lavado. É fato que o PT não inventou a corrupção. Mas a utilizou para inventar algo muito pior: o golpismo institucionalizado. Os escândalos do mensalão e do petróleo não se resumiram ao roubo. Os petistas não se limitaram a gastar nosso dinheiro em tríplex. Eles saquearam sistematicamente o Estado e compraram deputados e senadores para governar sem que precisassem dialogar com o Congresso. Acabaram com a tripartição do poder. Submeteram o Legislativo ao Executivo. Transformaram a propina em método de governo.

A corrupção só aparece agora porque o governo investiga

Outro raciocínio bastante interessante. Seguindo-o, chegamos à conclusão de que os governos da Dinamarca, da Suíça, de Singapura e da Suécia, alguns dos países considerados menos corruptos do mundo, só não têm escândalos de corrupção bilionários estampando a capa de seus jornais porque impedem investigações. Muito plausível, não?

Você está com raiva porque, com o PT, pobre anda de avião e entra em universidade!
Não conheço ninguém que seja contra pobre andar de avião, mas, se conhecesse, aconselharia a lacrar no 13. A demanda doméstica por viagens aéreas registra queda há seis meses consecutivos. A falta de infraestrutura, o preço da gasolina, os impostos e a burocracia fazem com que os pobres tenham dificuldades até para pagar a passagem de ônibus.

Educação para as classes mais baixas também está longe de ser prioridade do governo petista. Só em 2015, o corte no setor foi de R$ 10,5 bilhões. Os cortes no FIES obrigaram inúmeros alunos a largar seus cursos ou a contraírem dívidas impagáveis. Sim, o pobre entrou na universidade no governo do PT. Entrou, saiu no meio do curso para procurar emprego e não encontrou. Haja amor aos pobres!

As pedaladas fiscais foram para pagar o Bolsa família
Bom, pelo menos a afirmação admite que a Dilma cometeu fraude fiscal, que, vale lembrar, é crime de responsabilidade e motivo para impeachment. De resto, é baboseira. A maior parcela dos recursos das pedaladas foi destinada a subsídios para grandes empresas e empréstimos para o agronegócio. Ou seja, o crime que derrubará o governo "para os pobres" foi cometido para beneficiar uma elite econômica.

Só quem não gosta da Dilma é a elite branca de olho azul

Na última pesquisa Datafolha, 60% dos entrevistados se posicionaram a favor do impeachment. No ano passado, milhões de pessoas foram às ruas contra o governo. Se toda essa gente fosse da elite, não teríamos motivo para protestar.

O fato é que não há mais como defender o governo. Apesar de a propaganda oficial discursar em nome dos mais pobres, tudo o que a gestão dilmista fez foi beneficiar a elite econômica que financiou seu projeto de poder. Hoje, a maioria esmagadora da população enxerga o desastre causado pelo governo. A histeria da militância petista e governista só reflete o desespero de Dilma. E o desespero é o sentimento que antecede a queda.

A caminho do fim, o confronto final com os inimigos de Lula

A decisão de radicalizar o discurso político em defesa do governo e de Lula foi comunicada aos ministros Jaques Wagner e Miguel Rossetto, que estiveram em São Paulo, na semana passada, com a direção da legenda. Viajaram em avião de carreira para não caracterizar uso de aeronave oficial para um compromisso partidário.

A radicalização veio acompanhada de decisões objetivas, como quando o PT se posicionou contra o projeto de lei que flexibiliza as regras do pré-sal. Em um discurso mofado e cheio de contradições frente ao momento do setor petroleiro e à situação crítica da Petrobras, o partido optou pelo discurso a favor dos interesses corporativos dos empregados e da empresa contra os interesses do país.

No fim de semana, na festa de 36 anos do PT, Lula disse que o “Lulinha paz e amor” acabou e que estava de “saco cheio de inimigos”. Além de acusar objetivamente as organizações Globo de manipuladoras do noticiário contra ele. E advertiu que poderia ser candidato em 2018.

Mesmo reconhecendo que Lula é um mestre da comunicação, esse discurso não alivia sua situação. Salvo negar que o triplex do Guarujá seja seu, apesar da montanha de evidências em contrário, não trouxe algo novo, capaz de enfrentar o constrangimento.

Pelo contrário, sua condição pode ter piorado, já que atacou frontalmente o Ministério Público no momento em que questiona as investigações a seu respeito no STF. Não é prudente criticar institucionalmente organismos do Judiciário em um clima tão conturbado.

Segundo pesquisa Datafolha, 62% dos entrevistados acreditam que Lula lucrou com as obras do triplex, e 58% avaliam que a construtora OAS, responsável pela reforma, obteve vantagens do governo. No caso do sítio em Atibaia, 58% acham que o ex-presidente saiu ganhando com as obras na propriedade, e 55% pensam que as construtoras responsáveis pela reforma ganharam prêmios da administração petista.

O que pode acontecer? A primeira consequência será a tentativa de Lula e do PT de enquadrar a política econômica do governo em seus discursos. Essa decisão será comunicada ao governo no encontro que Lula terá com Dilma Rousseff nesta semana, no qual ele também vai lhe entregar as propostas econômicas do partido. Não deve acontecer, apesar das tentativas – que vão ocorrer –, conciliação de posições.

A segunda consequência é o aumento da instabilidade nas relações entre Dilma e Lula, já agravada pela incapacidade de o governo controlar as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público contra o ex-presidente.

A terceira é a possibilidade de ocorrerem mobilizações estimuladas pelo PT e por seus setores mais aguerridos para atacar oposicionistas. Lula fez claramente um chamamento para o confronto. Até onde vai e com que intensidade?

O discurso de Lula no aniversário do PT é uma tentativa de restabelecer a unidade que ele mesmo criou de várias facções de esquerda em torno de seu projeto de poder. Projeto que a princípio deu certo, mas fracassou em seguida por seus erros e contradições, e agora ameaça não apenas o presente do governo Dilma, como também o futuro da esquerda como força eleitoral.

A radicalização do discurso de Lula era esperada e é indesejável para o momento de dificuldades do país. Lula toma o caminho errado ao apontar o confronto como saída, quando seu sucesso foi baseado na fórmula “Lulinha paz e amor”, que era a conciliação entre diferentes. Não vai dar certo e pode tumultuar, ainda mais, o país.

Têm alma os verdugos?

Habituados como estamos pela linguagem a considerar vontade e liberdade como conceitos em si mesmos positivos, apercebemo-nos de súbito, com um instintivo temor, que as cintilantes medalhas a que chamamos liberdade e vontade podem exibir do outro lado a sua absoluta e total negação. Foi usando da sua liberdade (por mais chocante que nos pareça a utilização da palavra neste contexto) que o general Videla viria a tornar-se, por vontade própria, insisto, por vontade própria, num dos mais detestáveis protagonistas da sangrenta e pelos vistos infinita história da tortura e do assassinato no mundo. Foi igualmente usando da sua vontade e da sua liberdade que os verdugos argentinos cometeram o seu infame trabalho. Quiseram fazê-lo e fizeram-no. Nenhum perdão é portanto possível. Nenhuma reconciliação nacional ou particular.Importa pouco saber se têm alma
José Saramago

A viva alma mais honesta do país foi substituída pela alma penada mais aflita do Brasil

Os gemidos, uivos e lamentos ouvidos na festa de aniversário do PT informam: a viva alma mais honesta do país, que assombrou a missa negra celebrada em 20 de janeiro no Instituto Lula, bateu em retirada para escapar do tribunal. Foi substituída pela alma penada mais aflita do Brasil. Ou desta e de outras galáxias, diria Dilma Rousseff.

Lula está justificadamente atormentado com o avanço das investigações sobre as bandalheiras que infestam o sítio em Atibaia e o triplex do Guarujá. Como não pode provar que é inocente, tenta fugir de depoimentos no tribunal inventando culpados na imprensa, no Ministério Público, no Judiciário, na oposição e até no Ministério da Justiça.

Os velhos filmes de terror ensinam que almas penadas não aceitam a danação imposta pelo destino cruel. Coerentemente, a alma penada de Lula se nega a enxergar as mudanças operadas pela Lava Jato na paisagem brasileira. Como constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, hoje nenhum fora da lei está acima da lei

Governo 'está chutando' sobre Zika e pode protagonizar 'escândalo global'

Apesar de o ministro da Saúde, Marcelo Castro, dizer que não há mais dúvidas de que o zika causa microcefalia em recém-nascidos, há quem questione a afirmação e critique o tom de certeza do governo.

"É questão superada", disse recentemente Castro, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. "A causa da epidemia de microcefalia é o vírus Zika. O que não tem resposta ainda é se o vírus é causa suficiente para provocar microcefalia ou se precisa de alguns fatores contribuintes."


Para o professor de epidemiologia da USP Alexandre Chiavegatto, porém, qualquer cientista que analisar com rigor as evidências que vêm sendo enumeradas pelo ministro para provar essa relação causal se dará conta de que elas são insuficientes.

"Se formos analisar isso com rigor científico, o governo está chutando, tem quase que um palpite de que o Zika causa microcefalia. E o problema é que se estiver errado poderá ser responsabilizado pelas consequências do pânico que causou. Seria o maior escândalo global da área de saúde dos últimos anos. Tema de tese, de livro", disse ele à BBC Brasil.

O professor da USP faz a ressalva de que não está dizendo que o vírus Zika não causa microcefalia.

"É possível que sim", completa. "Hoje, se eu tivesse de apostar, ainda colocaria minhas fichas na existência dessa relação (de causa), mas ciência não é aposta e temos de admitir que estão surgindo evidências que mostram que precisamos de mais pesquisas."

No momento, a comunidade científica parece estar dividida sobre o tema.

Parte diz acreditar que os estudos sejam suficientes para fazer essa relação causal entre zika e microcefalia.

Entre as pesquisas citadas por essa parcela estão um trabalho publicado no mês passado na revista científica The New England Journal of Medicine, que relatou o caso de uma jovem da Eslovênia, infectada por zika em Natal (RN), no primeiro trimestre da gestação.

O estudo está sendo considerado o mais completo já realizado por contar com imagens do feto, análises patológicas do cérebro danificado pelo vírus e o sequenciamento completo do vírus da zika encontrado nas estruturas cerebrais do bebê.

"Para mim, é evidência definitiva. Não se fala em outra coisa entre os cientistas", disse em uma entrevista recente o infectologista Esper Kallas, também professor da USP.

Do outro lado, porém, também vem crescendo o número de cientistas que, como Chiavegatto, pedem mais estudos para que seja estabelecida uma relação causal.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, por exemplo, parece ter endossado esse coro na semana passada, defendendo que deve ser uma prioridade o investimento em estudos sobre a associação da infecção com a anomalia neurológica.

"É preciso chegar a fundo dessa questão que é inusitada. Vejo que estudos [sobre a associação do vírus da zika com a microcefalia] estão sendo feitos no Brasil e em outros países e eles são muito importantes", afirmou Margaret à imprensa durante uma visita a um hospital no Recife.

Em dezembro, um comunicado da organização reconheceu pela primeira vez oficialmente a relação entre o zika e os casos de microcefalia ao mencionar um estudo brasileiro do Instituto Evandro Chagas, que revelou a presença do vírus em um bebê microcéfalo.

"Há uma conexão entre as duas coisas, mas causalidade é uma outra história. Não podemos dizer 100% que é só o zika vírus a causa da microcefalia, ela pode ser atribuída a diversas questões. Há uma conexão porque há um evidente aumento nos casos de microcefalia no Brasil ao mesmo tempo em que há um surto de zika no país", afirmou na época à BBC Brasil o especialista da OMS Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças comunicáveis da Organização Pan-Americana de Saúde.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que a relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia "foi confirmada após analise de exame realizado em um bebê, nascido no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas". De acordo com o ministério, a análise foi feita em amostras de sangue e tecidos, onde foi identificada a presença do vírus Zika pelo Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA).

"A partir desse achado do bebê que veio a óbito, o Ministério da Saúde considerou confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial."

terça-feira, 1 de março de 2016

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Será Dilma o bode expiatório da crise brasileira?

Os analistas políticos concordam cada vez mais sobre a necessidade da sociedade brasileira de resolver a crise através de uma catarse coletiva, que implicaria, segundo a psicologia e a antropologia, a escolha de um bode expiatório no qual descarregar todas as frustrações. Seria a presidenta Dilma Rousseff a possível escolhida? Ou seria o ex-presidente Lula, para citar as duas personalidades mais emblemáticas da política brasileira?

“Se há uma palavra que o Brasil necessita é catarse”,escreveu Juan Onís neste jornal. Uma catarse capaz de expulsar seu mal-estar social e aliviar as tensões do grupo.

Analistas políticos afirmam que a crescente irritação produzida pelo aumento dos casos de corrupção que salpicam as mais altas esferas da política, do Governo e do empresariado poderia gerar a necessidade de recorrer a um bode expiatório com seu mecanismo de “culpa deslocada”, transferida por meio de um rito de expiação.

O mecanismo de transferência de tensões e culpas de uma família ou coletividade, através da escolha de alguém que é feito responsável por elas, não supõe a total inocência do grupo. O bode expiatório tampouco é sempre merecedor de arcar com o peso de todas as culpas.

Com esse rito de expiação, a sociedade pode desencadear sentimentos narcisistas de superioridade moral. A culpa seria apenas do sacrificado no altar das vítimas.

No caso concreto do Brasil, essa mesma sociedade que, segundo os especialistas, estaria buscando um bode expiatório, poderia se perguntar se ela também não é culpada por seus silêncios do passado frente à corrupção e sua condescendência com os piores políticos a quem sempre reelege.

Lembram-se da pergunta inquietante de anos atrás (“Por que não há indignados no Brasil?”), enquanto as praças de outros países se enchiam de manifestantes exigindo a renovação da velha política.

A vítima escolhida como bode expiatório costuma ser a pessoa mais vulnerável do grupo, que acaba aceitando sua missão salvadora, mas também pode ser escolhido um sujeito ativo e até mesmo altaneiro, que nunca aceitaria sua condição de vítima. Nesse caso, a condição seria imposta pela comunidade.

Se os analistas estão certos, parece evidente que esse rito expiatório, que atenuaria a tensão e produziria uma catarse, seria a saída da presidenta Dilma.

Neste momento, é a pessoa que apresenta, de fato, maior tendência de solidão e isolamento. Sua aprovação popular é das mais baixas na história dos presidentes; boa parte dos que votaram na reeleição hoje se diz arrependida. Existe a crença de que ela mentiu para poder se reeleger, ocultando os problemas que o país já sofria. Está a ponto de ser abandonada por seu partido, como ficou claro quando não quis comparecer à comemoração do trigésimo sexto aniversário de sua fundação. O PT, que a elegeu, apresentou um programa econômico oposto ao do Governo.

Talvez seja a primeira vez que um presidente da República se vê estigmatizado por seu próprio partido, enquanto a maior formação da coalizão governista, o PMDB, exibiu ao país um programa de propaganda eleitoral de oposição e quase de ruptura com o Governo. Quem restou para apoiá-la?

Dilma é consciente de que tudo caminha para que ela seja o bode expiatório que deveria ser sacrificado para apaziguar a sociedade irritada e descontente. Daí suas repetidas frases apelando à sua inocência, à sua retidão ética, ao “não tenho contas na Suíça”, embora hoje essa afirmação venha manchada pela detenção de seu marqueteiro e assessor de todas as horas, João Santana, e de sua esposa, que tinham contas ocultas na Suíça que talvez serviram, com ou sem conhecimento de Dilma, para ajudá-la a se reeleger.

O “se”, o “como” e o “quando” a presidenta poderia se ver obrigada a deixar o poder é um longo caminho, político e judicial, que poderá ser melhor conhecido com a adesão ou não da sociedade ao protesto convocado para o dia 13, com a participação de partidos da oposição, para pedir sua saída da Presidência.

A espada de Dâmocles continua ameaçadora sobre a cabeça de Dilma. Será ela capaz de sair ilesa da batalha, como já fez outras vezes? O problema é que não depende só de sua tenacidade, nem sequer de sua suposta inocência, e sim da constatação coletiva de que, com ela, o país poderá seguir ingovernável e cada vez mais empobrecido.

Os que ainda a defendem chamam isso de “golpe”. Para a psicologia, é “uma transferência de culpa por meio de um rito expiatório”.

Onde ficaram os velhos sonhos de um Brasil que acreditava ter alcançado o futuro, mas que ainda se vê preso num presente cada vez mais incerto e obscuro?

O que o Príapo da república pixuleca teme é a nossa liberdade

“Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. 
Como Hilda Hilst, quero brincar de ver beleza nas coisas, numa resistência ao vício do jeca em enfear tudo com esse priapismo vigarista.

“Vocês” se refere à escumalha militante no aniversário flácido do PT; o caudilho não se importa com o tesão da nação, se ela está no clima ou não. E ela não está. Ou está sim, mas não com o fauno grotesco. O “não” que ela tem lhe dito, traduzido em pesquisas e que temos de reafirmar no dia 13 de março, soa como charminho golpista para o macho mais incivilizado da história da política brasileira. Claro, ele só satisfaz as deformações da libido autoritária no primitivismo, pois dar no couro como democrata que é bom, esqueça.

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Julga o estado de direito democrático uma preliminar dispensável, de tal modo que a tentativa de bolinar a Polícia Federal via Ministério da Justiça, as espertezas para não encarar o procurador Cassio Conserino e as ameaças transmitidas por eunucos morais de convulsionar o país se a Justiça cumprir o dever evidenciam não só a impossibilidade de atestar uma honestidade fictícia, mas sobretudo a percepção do jeca como alguém cuja conduta não há parâmetro ou ser terrenos ou divinos dignos de avaliar.

É mais do que estar acima da lei, nessa condição se pretendem Cunha, Calheiros, o casal marqueteiro – ao Priapo da república pixuleca sequer ocorreu que um dia seria necessário invocar o status que acredita inerente. Não sei que parte do “não” ele ainda não entendeu, mas a nação pode deixar ainda mais claras a consoante e as duas vogais no dia 13.

Não é só pelo fim de um governo cuja remoção é indispensável para o Brasil se reconstruir, ter a si como assunto e projeto, é também pela defesa das investigações, da Política Federal, do Ministério Público, contra o qual Lula tenta um estupro bolivariano enquanto mente que “lutamos” para tê-lo forte, “e não fazendo o jogo da Veja”. Ora, o jogo da revista é o do país que presta, como no fundo sabem ressentidos que apregoam, nas redes sociais, uma súbita sedução da revista pelo PT e convencem gente chegada a uma conspiração de boteco virtual.

Pesquisas mostram que Eduardo Cunha na presidência da Câmara desanima muitos brasileiros a irem para as ruas defender o impeachment, numa lógica desossada determinando que, por não se remover um patife menor, preserva-se o maior; além do tal não-adianta-nada. Por favor, não há mais território para esses medos e, conforme ensinou Nietzsche, do outro lado do medo está a liberdade. O que o jeca teme é nossa liberdade, é descobrirmo-nos livres – apesar de Cunha e do que mais for – para brincar de ver a beleza em mandar para a cadeia um garanhão tosco de alma senil porque para ele (parafraseando Roberto Freire), com ou sem tesão, não há solução. Um beijo

Lula, o mais honesto do mundo, deveria erguer as mãos para o céu

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está por aí, a derrubar ministros, pintando e bordando, mas deveria, por enquanto ao menos, ser grato à Força Tarefa e a Rodrigo Janot em particular. No que lhe diz respeito, a coisa está saindo é muito barata, não é mesmo?

Lula é, por enquanto, um quase-investigado. E, para ficar nos termos de sua turma, há uma apuração, chamemos a coisa assim, envolvendo seu nome em razão de um apartamento “fubango” — que foi como Marco Aurélio Garcia classificou o tríplex — e um sítio até modesto, quando a gente leva em consideração o tamanho do gigante.

Na madrugada desta terça-feira, a estrada que dá acesso ao sítio Santa Bárbara, em Atibaia — aquele que Lula diz ter ganhado “de presente” de Jacó Bittar — amanheceu pichada. Com se vê na foto acima, de Avener Prado (Folhapress), os manifestantes escreveram “SÍTIO DO LULA LADRÃO” e, segundo informa reportagem da Folha, também “LULA NA CADEIA”. Tempos difíceis para o companheiro.
A estrada que dá acesso ao sítio Santa Bárbara, em Atibaia — aquele que Lula diz ter ganhado “de presente” de Jacó Bittar —, amanheceu pichada. Os manifestantes escreveram “SÍTIO DO LULA LADRÃO” e, segundo informa reportagem da Folha, também “LULA NA CADEIA”.

Em manifestação ao STF, afirmaram os procuradores da Lava Jato:
“No que tange ao PIC [Procedimento Investigatório Criminal] conduzido pelo MPF, as provas em cognição sumária são no sentido de que os fatos sob apuração, além de reproduzirem tipologia criminosa de lavagem de capitais já denunciada no âmbito da Operação Lava Jato, envolvem José Carlos Bumlai, executivos da construtora Odebrecht e executivos da construtora OAS, todos investigados e muitos dos quais já denunciados no esquema de corrupção que assolou a Petrobras”.
E se informa, então, que se apura se parte de vantagens indevidas foi recebida por Lula no exercício do mandato.

Lula nega que o apartamento seja seu. Para o sítio, ele arranjou a mais exótica de todas as justificativas: teria sido um “presente” de seu amigo e ex-sindicalista Jacó Bittar, embora a propriedade esteja no nome de Fernando Bittar (filho de Jacó) e Jonas Suassuna, ambos sócios de Fábio Luís da Silva, o Lulinha. Os demais presentes, das empreiteiras, vieram depois. Até uma antena 3G foi posta no local pela Oi. Presentes.

O ex-presidente deveria é dar graças a Deus. Eu até hoje não entendi por que não existe um inquérito para investigar a sua atuação no empréstimo de dinheiro que o grupo Schahin fez ao PT, que teve José Carlos Bumlai como laranja. Quando a dívida estava em R$ 60 milhões, o grupo assinou um contrato de US$ 1,6 bilhão para a operação do navio-sonda “Vitória 10.000”, da Petrobras. E o passivo com o partido foi perdoado. Duas delações premiadas — a de Nestor Cerveró e a de Fernando Baiano — asseguram que Lula sabia de tudo. Salim Shahin, um dos diretores do grupo, admite a relação de troca. Bumlai assume que foi laranja — o mesmo Bumlai que, segundo Lula, resolveu por conta própria reformar o tal sítio que pertenceria aos amigos de Lulinha… Tenham a santa paciência.

Lula sabe que a história não cola. A pesquisa Datafolha deixou isso muito claro. Mas ele também não tem alternativa. Mais uma vez, ele já avisou que não vai depor ao Ministério Público Estadual. Quando se chegou a pensar que poderia haver condução coercitiva, seus advogados decidiram até entrar com pedido de habeas corpus preventivo.

Ora, ele tem consciência de que se negar a depor prejudica um pouco mais a sua reputação. Mas, nesse caso, meus caros, trata-se de escolher, do seu ponto de vista, o mal menor.

A cabeça de Lula deve estar presa a uma espécie de nó. Depois de tudo, como é que ele se tornou referem de um apartamento “fubango” e de um sítio que, se fosse seu também não papel, não geraria estranhamento nenhum — desde, é claro, que não houvesse os favores de duas empreiteiras e de uma empresa de telefonia?

Lula deve supor que o homem mais honesto do mundo, que é o que diz de si mesmo, não precisaria ter receio de falar aos promotores de São Paulo. E por que ele não fala, então?

PT ataca a ruína que ajudou a produzir

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Hoje, reduzido à condição de organização partidária com fins lucrativos, o Partido dos Trabalhadores, 100% financiado pelo déficit público, virou a principal evidência de que o poder longevo pode levar qualquer agremiação a atingir a perfeição da ineficiência impudente. Com os ideais dissolvidos em corrupção, o PT dedica-se a desfazer o que ele mesmo fez. É um caso raro de autodissolução 
Josias de Souza

Entrevista comigo mesmo

Oi, Arnaldo, tudo bem?

– Tudo bem, Arnaldo....

– Por que esta entrevista consigo mesmo?

– É que eu não estou entendendo mais nada do país nem de mim mesmo. É a crise na alma. Preciso saber quem eu sou. Ando numa recessão mental.

– Por quê?

– Porque recessão causa recessão mental. Esses caras, além de arrasarem nossa infraestrutura econômica, acabam também com nossa infraestrutura psíquica.

– Você lembra como era o Brasil?

– Sim. Era uma merda. Sempre foi, mas havia um doce panorama de ilusões que nos mantinha vivos. Eram ilusões ingênuas, mas simpáticas; havia uma precariedade poética, havia um sonho de futuro, mesmo bobo. Um dia, eles chegaram – como uma porcada magra que invade o batatal –, acabaram com nossas esperanças e não puseram nada no lugar. A catástrofe do governo do PT, ironicamente, acabou com nosso sonho de futuro em nome de um “futuro” inventado por eles, chupado das cartilhas leninistas que mal leram. Transformaram Marx em bolivariano. 


A minha tristeza é que minha geração sempre teve um “fim”. Não conseguíamos raciocinar sem alguma finalidade histórica ou política, sempre em busca de uma felicidade romântica, que acenava para um futuro de paz e harmonia.

– Você é um babaca, Arnaldo...

– Sou sim, xará, nós dois somos babacas românticos finalistas, sem dúvida, mas, veja um exemplo da loucura dessa gangue: os comunas que entraram no poder eram radicalmente contra o chamado “imperialismo norte-americano”. Aí, nos trancaram num nacionalismo burro, bolivo-brizolista e estatizante. Falimos. Resultado: o imperialismo norte-americano agora chegou, comprando nossa indústria sucateada por preço de banana. Dilma e PT sempre quiseram acabar com o capitalismo. Pois é... Conseguiram! O PT nos trouxe o imperialismo!

– Para de sofrer, Arnaldo...

– Não consigo. Não posso ver o país sendo destruído, nem por guerra, nem por catástrofes naturais inesperadas, mas pela estupidez. O Brasil está sendo destruído pelos delírios primitivos de um bando de idiotas. Suas neuroses pautam o país. Nem falo da roubalheira, mas da bobagem. Vejam a cara do Rui Falcão, por exemplo. Vejam ali a insistência no erro, querendo refazer a política que nos ferrou. E não nos deixam fazer nada, nem reformas, nada. Os petistas, cutistas e petrolistas não deixam. Ou seja, f*&#ram com tudo e não deixam consertar. É uma cag*da com perda total. 

Agora sou obrigado a pensar o insolúvel, a escrever sobre o que fazer com o país e ainda ter de ouvir de intelectuais idiotas que “Lula nos trouxe inegáveis avanços sociais”. Que avanços? O Bolsa Família, agora com correção monetária? Avançaram na Petrobras e fundos de pensão, isso sim. Os avanços sociais foram só para os milhares de petistas aparelhados nas frestas do Estado.

– Você também está muito pessimista...

– Já passei por inúmeros sintomas, para ver se me salvava a cuca.

Já fui obsessivo (“tenho de ajudar a salvar esse país com meus artigos!”). Passei pelo masoquismo... (“tenho mais é de sofrer mesmo, a culpa é de todos nós”).

Cheguei ao narcisismo assumido... (“quer saber? F&*dam-se; vou cultivar meu jardim”). Fiquei ansioso, tive arritmia, pensamentos invasivos e até com a namorada na cama fico pensando no PMDB. Pode?

– Como foi mesmo seu pesadelo outro dia? Conte para os leitores.

– Eu fugia de um enorme urubu que me perseguia em voos rasantes; quase me bicava e era a cara do Cunha, mas depois mudava para a cara do Temer, usando a linda cabeleira branca do Delcídio. Eu corria e me via diante das cúpulas do Congresso que tinham virado umas bolhas de gelatina verde e amarela que tremiam e afundavam para os plenários sob uma chuva de perucas acaju e bigodes nordestinos, e um grande pixuleco do Lula rodopiando ali na praça dos 3 Poderes. Acordei entre o medo e um alívio vingativo.

– E aí?

– Aí, continuou o pesadelo acordado. Vi programas políticos com as horrendas carantonhas dos candidatos mentindo, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo nos sinais de trânsito, enquanto cariocas de porre falam de política, e paulistas de porre falam de mercado, com o Estado loteado por pelegos.

Deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, balas perdidas acertando crianças, imagens do rio São Francisco com obras paradas e secas sem fim, o trem bala de bilhões atropelando escolas e hospitais falidos, caixas de banco abertas à dinamite, declarações de pobres conformados com sua desgraça na TV.

– E aí? – repito para mim mesmo.

– Eu só consigo pensar em fantasias de vingança. Fantasio que sou do “esquadrão da morte aos políticos”. Já imaginei que invadia o Congresso, vestido de homem-bomba, e explodia o Conselho de Ética. Mas, como bom bipolar, vario para baixo e tenho vontade de entrar num grande buraco e ficar sem os cinco sentidos: não ouvir as negaças dos advogados, não ver a cara do Lula fingindo tranquilidade, não sentir o tato na mão ansiando para dar bofetadas, não quero sentir gosto de merda na boca, não quero ter olfato para o cheiro da lama que escorre em Brasília. Isso – eu quero o nada, nessas horas: os cinco sentidos apagados, e eu vagando no espaço sideral de minha mente. Ando na rua em busca de brasilidade e vejo que há algo muito inquietante nas multidões deprimidas.

– Como assim? – pergunto-me como nos diálogos de maus filmes.

– É que antes havia uma naturalidade mínima na vontade popular. Hoje só vemos projetos desencontrados, sonhos impossíveis, desejos sem rumo, entusiasmos banais.

A crise atinge a todos, menos a duas camadas da sociedade: os muito ricos e os muito pobres. Uns pairam em Miami de bermudas, enquanto os miseráveis nem sabem de crise alguma, pois já vivem no alívio da desesperança.

– Afinal, o que descobriu sobre você, xará?

– Estou de saco cheio de mim mesmo, dessa minha esperançazinha “démodé” e iluminista de articulista do “bem”, impotente diante do cinismo vencedor de criminosos políticos. A única solução é o PT sair. É impossível, é insuportável isso durar mais três anos.

– Em suma, você quer o impeachment?

– Sim.

A hora é agora

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Vivemos uma quadra histórica decisiva. Retirar Dilma Rousseff do Palácio do Planalto é um imperativo de sobrevivência para o nosso país. E esta é a hora. Afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara é o primeiro passo para viabilizar o impeachment. Sua permanência é um elemento que enfraquece a legitimidade de todo o processo. É absurdo um réu no Supremo Tribunal Federal conduzir uma ação de moralização da coisa pública. Sem esquecer que ele desmoraliza também a ação que corre no Tribunal Superior Eleitoral, que pode anular o pleito de 2014 e convocar novas eleições em 90 dias. Quem assume, neste caso, a Presidência da República? Eduardo Cunha. Diria Bussunda: “Fala sério!”

Depois de hibernar por um decênio, a oposição acordou. Criou um comitê pró-impeachment suprapartidário com participação da sociedade civil. Mobilizou seus parlamentares e as estruturas partidárias. Assumiu o compromisso de ir — finalmente! — às ruas. E serão as manifestações populares que vão dar a temperatura para a luta parlamentar. A ponte entre o Parlamento e as ruas é essencial para o sucesso do impeachment: é a conexão da cidadania com seus representantes. Daí a importância de cada brasileiro acompanhar como votará o seu deputado no momento da autorização da abertura do processo do impeachment.

Já o empresariado continua em silêncio. Registre-se a honrosa exceção da Fiesp, que, em dezembro do ano passado, se manifestou em defesa do impeachment. As outras federações estaduais ficaram caladas. A CNI fez cara de paisagem. As entidades vinculadas ao agronegócio, os banqueiros e representantes do setor terciário da economia, até agora, se omitiram. Isto em plena recessão de -4% em 2015 e, provavelmente, também em 2016, podendo se aproximar de -5%. Em meio à depressão, os dirigentes empresariais optaram por coonestar, através do silêncio, a “macrodelinquência governamental,” tão bem definida pelo ministro Celso de Mello. Estão descolados de suas bases, pois os reclamos são diários. Agem como os velhos pelegos, usufruem das benesses dos sindicatos e das associações — aguardam a solução da crise de braços cruzados e de costas para seus representados.

O brilhante trabalho da 13ª Vara Federal do Paraná não pode ser o principal — e quase único — instrumento de moralização da coisa pública. A Justiça está fazendo o seu papel. Agora cabe aos políticos tomarem a liderança do processo, rompendo com a inércia e não ficar esperando — oportunisticamente — o desgaste do governo, pois, assim como o hábito não faz o monge, a crise, por si só, não levará a queda do petismo.

O governo não governa. Está paralisado — assim como o país. Dilma Rousseff não tem mais qualquer capacidade permanente de interlocução com o Congresso e nem com os setores empresariais. Com a sociedade em geral, nem se fala. É um zumbi. O isolamento é tão patente que inclui o seu próprio partido, o PT. Seus principais ministros — como o da Fazenda ou da Casa Civil — desapareceram do noticiário.

A presidente se sustenta no vazio e aprofunda o desastre econômico. Perdeu a capacidade de governar. Quanto mais cedo sair, melhor para o Brasil. Não há mais qualquer possibilidade de que possa politicamente se recuperar. A agonia do PT não pode ser a agonia do Brasil.

Desde já é fundamental construir as condições de governabilidade, dar previsibilidade ao Brasil pós-PT. Esta é uma tarefa muito importante. Apesar de ser tão evidente, cabe demonstrar, especialmente aos agentes econômicos, que a manutenção de Dilma Rousseff à frente da Presidência da República significa a permanência do caos econômico-financeiro e, mais ainda, sem perspectiva, a médio prazo, de saída para a crise que vivemos, a mais grave da história republicana.

A busca de um consenso, abrindo condições para um curto mandato presidencial, aproxima-se do cenário de 1992, quando da crise que levou à renúncia de Fernando Collor. Porém, hoje, a conjuntura é mais complexa. Michel Temer não é Itamar Franco — inclusive, Temer, pode ser cassado pelo TSE. Projeto pessoais — mais que partidários — obstaculizam a construção de um governo de transição. A necessidade de que o novo governo adote medidas econômicas urgentes — e, nem sempre populares — é mais um complicador. O receio — exagerado — de que o PT na oposição saia fortalecido não passa de uma falácia. Hoje, o problema central do PT é com a Justiça e não com a política — e só não teve cancelado o seu registro partidário, como dispõe a lei 9.096/95, artigo 28, inciso III, porque o TSE é leniente com o crime eleitoral.

A solução política da crise não pode — novamente — frustrar os brasileiros. É essencial que as instituições efetivamente funcionem. E para isso a punição dos responsáveis pelo petrolão é fundamental — mesmo que, entre eles, possa ter um ex-presidente da República. Não é mais possível aceitar uma conciliação que ignore os valores republicanos, que rasgue a Constituição.

O processo iniciado com a redemocratização, em 1985, está incompleto. São absolutamente incompatíveis democracia e petrolão. O estado democrático de direito não pode ser o apanágio dos corruptos, como nos últimos 30 anos. Identificar as mazelas brasileiras é somente um momento neste movimento. Cabe construir as condições para que a administração da coisa pública saia do noticiário policial e volte às páginas de política. O primeiro passo é retirar Dilma Rousseff e o projeto criminoso do poder. E quanto mais rápido, melhor. Só há um grande interessado em postergar a solução da crise: é o PT.

Marco Antonio Villa