Conta a história que Nero teria cantado, tocando harpa, enquanto Roma pegava fogo. A história se repete como farsa sobre o corpo de uma tragédia.
Com o país se desmilinguido em crises, Dilma se fantasia de imperatriz e promove uma churrascada para 320 parlamentares no Alvorada, quando entoará sua cantilena (sob o patrocínio dos grandes frigoríficos?).
Será que não há a mínima sensibilidade governamental da alcunhada presidenta ou de seus asseclas? Não há uma voz humanitária no Planalto ou em suas cercanias seja contra essa churrascada, que é mais um acinte com o brasileiro em plena crise?
Dilma, a Nero brasileira, ainda se acha uma governanta sobre as ruínas do que deixa de legado.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Quem é a elite perversa de Lula
Lula acha que os governos do PT são criticados e que a popularidade de Dilma é de apenas 7% porque graças a ele, Lula, os pobres agora viajam de avião e comem em restaurantes.
Sério, ele pensa isso.
Sua frase, durante um discurso para 200 pessoas no ABC paulista, no fim de semana, foi a seguinte:
"Eu ando de saco cheio. Tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa neste país".
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É estranho. Jurava que a elite amava Lula. Afinal, vejamos:
1. Nunca na história deste país, os banqueiros obtiveram tantos lucros como nos governos do PT;
2. A elite política, representada por Maluf, Sarney, Calheiros, Temer, entre outros, sempre esteve fechada com Lula. Um de seus aliados, Fernando Collor, inclusive, pôde montar uma linda coleção de carros de playboy durante as administrações petistas;
3. Empresários emergentes, como Eike Batista, emergiram de vez graças a generosos empréstimos do BNDES, mesmo que depois tenham submergido;
4. Há vários amigos próximos de Lula morando atualmente no Paraná, todos com sobrenomes famosos, como Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Um deles até o apelidou, carinhosamente, de "Brahma".
Esses é que são a elite do Brasil. A elite do Brasil mora em tríplex, como Lula. Roda em Maseratis, como Collor. Tem contas na Suíça, como Odebrecht. Assalariados, como eu e a maioria dos meus amigos, não pertencemos à elite. Mas Lula quer dizer que sim. Quer dizer que eu, filho de professora primária e neto de sapateiro, que sustento minha família com meu salário, amigo de aposentados que ganham mil reais por mês, de funcionários públicos que pagam aluguel, de jornalistas que andam de ônibus, Lula quer dizer que eu e toda essa gente que sofre com o desconto do Imposto de Renda, com a falta de água e de luz a cada chuva, com as ruas esburacadas, com os assaltos, com a educação deficiente, com os hospitais lotados e com o preço do tomate, Lula quer dizer que nós somos da elite?
Não somos, Lula. E tampouco nos importamos, eu e todas, absolutamente todas as pessoas que conheço, com pobres que frequentem restaurantes ou aeroportos. Nos importamos é com um país em que os assalariados pagam imposto para ter segurança, saúde e educação públicas e, ao mesmo tempo, pagam por segurança, saúde e educação privadas. Nos importamos é com um país que coloca presos em masmorras medievais, um país em que 60 mil pessoas são assassinadas e outras 50 mil morrem em acidentes de trânsito a cada ano, um país em que são gastos bilhões para construção de estádios em lugares onde praticamente não existe futebol, um país que tem sua principal estatal sangrada em bilhões de dólares pela navalha da corrupção. É com isso que nos importamos, nós, que você chama de elite perversa. Nós, elite perversa? Não. Elite perversa são seus amigos magnatas que o levam para passear de jato fretado, são seus intelectuais apaniguados, seus jornalistas financiados, seus donos de blogs comprados, seus parlamentares cooptados. Você, Lula, e os parasitas dos trabalhadores do Brasil, vocês são a elite perversa.
David Coimbra
quarta-feira, 29 de julho de 2015
O proibidão do Porto
O gigante está sambando. Num ataque crônico de sonambulismo, ele vem requebrando freneticamente -em formidáveis acrobacias para manter Dilma Rousseff no Planalto. A cada novo petardo da Lava Jato expondo a indústria de corrupção montada pelo PT no topo da República, o gigante mostra seu poder de esquiva, No melhor estilo Ronaldinho Gaúcho, ele olha sempre para o lado em que a bola do petrolão não está. E acaba de contrair um doloroso torcicolo, em sua guinada para não ver a literatura explosiva dos bilhetes de Marcelo Odebrecht na cadeia.
O Brasil já mostrara toda a sua ginga ao virar a cara, numa pirueta radical, para o encontro secreto de Dilma com Lewandowski em Portugal. A presidente da República e o presidente do Supremo Tribunal Federal, irmãos de credo, reúem-se às escondidas fora da capital portuguesa, no momento em que o maior escândalo de corrupção da história do país (envolvendo o governo dela) tem seu destino nas mãos da instância judiciária máxima (presidida por ele). Normal. No que o encontro vazou, a dupla explicou tudo: a reunião foi para discutir o reajuste dos servidores da Justiça.
Perfeitamente compreensível. Não há outra forma de discutir salário de funcionários públicos a não ser cruzando o Oceano Atlântico para um cafezinho clandestino. No Brasil, é mais fácil uma aberração dessas virar rap — o Proibidão do Porto — do que acordar a platéia para os riscos que rondam a Operação Lava Jato. Como os brasileiros se cansaram de ver no mensalão - ou pelo visto não se cansaram —, esse gato se esconde com o rabo de fora.
A inabalável posição de Lewandowski pró-mensaleiros, em harmonia com a inabalável lealdade de Dilma aos companheiros apanhados em situação de roubo, é a sinfonia que se repete no petrolão. Entre as cenas que se seguiram ao Proibidão do Porto está o cerco ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha - personagem venenoso que fustiga o governo. Surgiram oportunamente indícios, embalados por declarações providenciais do procurador Janot - um homem providencial - empurrando Cunha para o STF de Lewandowski. O presidente da Câmara respondeu que não vé problema em ser investigado no Supremo, desde que Dilma seja também.
É esse tipo de comentário que faz o gigante rebolar. Como assim, investigar Dilma? Por que investigar a presidenta mulher, mãe, avó e que até tem um cachorro? Que foi perseguida pela ditadura? (Embora hoje não se saiba ao certo quem persegue quem.) De sua cela, Marcelo Odebrecht mandou a resposta: porque ela recebeu dinheiro sujo do petrolão diretamente de uma conta na Suíça para sua campanha presidencial. Que tal? Essa informação foi captada pela Polícia Federal de um celular do empreiteiro preso, em forma cifrada, mas bastante clara. Como já vinha se desenhando com clareza nas delações premiadas, praticamente todas apontando para financiamento de Dilma e do PT com propinas do petrolão, através do ex-tesoureiro Vaccari.
Por uma enorme coincidência, a empreiteira é a mesma em favor da qual Lula é suspeito de fazer tráfico internacional de influência, conforme investigação em curso no Ministério Público. O instituto Lula diz que vários ex-presidentes viajam para defender interesses das empresas de seus países. Resta saber se algum deles recebe cachês estratosféricos das empresas que defendem ou se viaja com uma bolsa BNDES a tiracolo para fazer brotar instantaneamente qualquer obra em qualquer lugar.
O gigante se contorce inteiro para não ver que o petrolão, como o mensalão, é parte de um processo de pilhagem - aí incluídas outras táticas parasitárias como as pedaladas fiscais, tudo a serviço da transfusão de dinheiro público para um grupo político bonzinho se eternizar no poder. O Brasil está comendo o pão que o diabo amassou, mergulhando numa recessão que não segue o panorama mundial, nem continental - e ouve numa boa o companheiro Ricardo Lewandowski declarar, após o Proibidão do Porto, que a derrocada econômica nacional é decorrente da crise de 2008 nos Estados Unidos...
Claro que ninguém perguntou nada ao presidente do STF sobre a conjuntura econômica. Mas não precisa, porque eles estão ensaiadinhos e são desinibidos. A ópera-bufa não tem hora para acabar, enquanto a plateia estiver dormindo.
Guilherme Fiuza
De J.Figeiredo@com para Dilma@gov
Já lhe escrevi várias vezes, sem qualquer resultado. Pedi-lhe que parasse de distribuir mau humor porque sei que riem de nós. Quando as coisas iam mal, eu me deixava fotografar montando um dos meus cavalos, a senhora monta sua bicicleta. Presidentes fazendo coisas desse tipo rendem imagens, mas sabemos que isso é apenas teatro. Quem lhe disser que a senhora se parece comigo está frito. Lastimo dizer-lhe: somos parecidos. Eu não tinha como mudar. A senhora tem. Como? Não sei, nem poderia lhe dizer.
Eu governei o Brasil de 1979 a 1985. Depois veio o Sarney (a quem não passei a faixa). Juntos, levamos o país para o que hoje se chama de "Década Perdida". Ela teria acabado em 1993, quando aquele caipira do Itamar Franco botou o Fernando Henrique Cardoso no ministério da Fazenda. O SNI achava que ele era comunista. Hoje me dou bem com o Itamar e gosto de conversar com o Tancredo Neves. Ele promete me reaproximar do general Ernesto Geisel, mas não está fácil. Se a tal "Década Perdida" tivesse acabado em 1994, teria começado em 1984. Não creio. Ela começou antes, no meu governo.
A ruína de nosso país começou em 1982, quando fomos colocados diante de uma situação econômica adversa e resolvemos pedalar. Eu fazia uma coisa, desfazia, tentava outra, sempre anunciando que a crise era transitória e sairíamos das dificuldades. Vieram o Sarney e o Itamar e tocaram o mesmo realejo.
Escrevo-lhe para pedir-lhe que pense na coisa mais elementar: o buraco está muito mais embaixo. A crise econômica do país é mais grave do que a senhora diz, mas está no início. Talvez esse moço que a senhora pôs na Fazenda tenha acreditado que resolveria com saltos triplos. Aprendeu que não dá e o pior que pode acontecer à senhora é ter um ministro vendendo otimismo e produzindo descrédito. Para desgraça geral, eu, o Sarney e o Itamar jogamos esse jogo.
Toda vez que eu fazia uma besteira a senhora ficava feliz. Hoje, daqui, não me alegro com suas bobagens. Essa história de crise transitória levando ao crescimento depois da próxima esquina é ridícula. Aliás, essa imagem veio do presidente americano Herbert Hoover em 1930, um sujeito pernóstico que conversa muito com o Roberto Campos. O Franklin Roosevelt, que governou depois dele, não o cumprimenta.
Crise é crise e a senhora está no meio de uma. Reconheça-a. Assuma-a. Se o PT fizer cara feia, encare-o. O que arruinou a nossa economia foi a minha incapacidade, a do Sarney e a do Itamar até 1993 de reconhecer o tamanho do buraco e de enfrentar questões difíceis que pareciam insuperáveis. Sarney e o Itamar foram mais hábeis que eu, costurando uma base política. A minha, contudo, costurei-a abrindo espaço para Tancredo, livrando o país de um governo presidido por Paulo Maluf.
Outro dia a senhora disse que a Lava Jato influenciou na redução da atividade econômica em 1%. Eu sei quanto nos custam observações coloquiais. Tem gente que acredita que eu preferia o cheiro de cavalo ao do povo. Nossas derrapadas saem da alma, mas a senhora sabe que a Lava Jato não influenciou a atividade econômica. Foram as roubalheiras que provocaram a Lava Jato. Na dúvida, fique calada. Eu não conseguia.
Despeço-me porque os meu cavalos estão pedindo comida.
Atenciosamente,
João Baptista Figueiredo
Elio Gaspari
Nas praças
Nas praças vindouras — talvez as mesmas que as nossas
—
Que elixires serão apregoados?
Com rótulos diferentes, os mesmos do Egito dos Faraós;
Com outros processos de os fazer comprar, os que já são nossos.
E as metafísicas perdidas nos cantos dos cafés de toda a parte,
As filosofias solitárias de tanta trapeira de falhado,
As ideias casuais de tanto casual, as intuições de tanto ninguém —
Um dia talvez, em fluido abstrato, e substância implausível,
Formem um Deus, e ocupem o mundo.
Mas a mim, hoje, a mim
Não há sossego de pensar nas propriedades das coisas,
Nos destinos que não desvendo,
Na minha própria metafisica, que tenho porque penso e sinto.
Não há sossego,
E os grandes montes ao sol têm-no tão nitidamente!
Têm-no? Os montes ao sol não têm coisa nenhuma do espírito.
Não seriam montes, não estariam ao sol, se o tivessem.
O cansaço de pensar, indo até ao fundo de existir,
Faz-me velho desde antes de ontem com um frio até no corpo.
E por que é que há propósitos mortos e sonhos sem razão?
Nos dias de chuva lenta, contínua, monótona, uma,
Custa-me levantar-me da cadeira onde não dei por me ter sentado,
E o universo é absolutamente oco em torno de mim.
O tédio que chega a constituir nossos ossos encharcou-me o ser,
E a memória de qualquer coisa de que me não lembro esfria-me a alma.
Sem dúvida que as ilhas dos mares do sul têm possibilidades para o sonho,
E que os areais dos desertos todos compensam um pouco a imaginação;
Mas no meu coração sem mares nem desertos nem ilhas sinto eu,
Na minha alma vazia estou,
E narro-me prolixamente sem sentido, como se um parvo estivesse com febre.
Fúria fria do destino,
Interseção de tudo,
Confusão das coisas com as suas causas e os seus efeitos,
Consequência de ter corpo e alma,
E o som da chuva chega até eu ser, e é escuro.
Fernando Pessoa
Que elixires serão apregoados?
Com rótulos diferentes, os mesmos do Egito dos Faraós;
Com outros processos de os fazer comprar, os que já são nossos.
E as metafísicas perdidas nos cantos dos cafés de toda a parte,
As filosofias solitárias de tanta trapeira de falhado,
As ideias casuais de tanto casual, as intuições de tanto ninguém —
Um dia talvez, em fluido abstrato, e substância implausível,
Formem um Deus, e ocupem o mundo.
Mas a mim, hoje, a mim
Não há sossego de pensar nas propriedades das coisas,
Nos destinos que não desvendo,
Na minha própria metafisica, que tenho porque penso e sinto.
Não há sossego,
E os grandes montes ao sol têm-no tão nitidamente!
Têm-no? Os montes ao sol não têm coisa nenhuma do espírito.
Não seriam montes, não estariam ao sol, se o tivessem.
O cansaço de pensar, indo até ao fundo de existir,
Faz-me velho desde antes de ontem com um frio até no corpo.
E por que é que há propósitos mortos e sonhos sem razão?
Nos dias de chuva lenta, contínua, monótona, uma,
Custa-me levantar-me da cadeira onde não dei por me ter sentado,
E o universo é absolutamente oco em torno de mim.
O tédio que chega a constituir nossos ossos encharcou-me o ser,
E a memória de qualquer coisa de que me não lembro esfria-me a alma.
Sem dúvida que as ilhas dos mares do sul têm possibilidades para o sonho,
E que os areais dos desertos todos compensam um pouco a imaginação;
Mas no meu coração sem mares nem desertos nem ilhas sinto eu,
Na minha alma vazia estou,
E narro-me prolixamente sem sentido, como se um parvo estivesse com febre.
Fúria fria do destino,
Interseção de tudo,
Confusão das coisas com as suas causas e os seus efeitos,
Consequência de ter corpo e alma,
E o som da chuva chega até eu ser, e é escuro.
Fernando Pessoa
Os ares de agosto
Estamos chegando a agosto, mês de cachorro doido, de ventania e de maus presságios. Nunca fui cismado, apesar de ser um baianeiro ainda com resquícios da fala cantada. Não escuto minha voz e, não fosse o espelho, não me reconheceria... Coisas do meu Vale, coisas que me fizeram. Mas nem por isso deixo de ser cauteloso e fechado para as evidências.
Sei, assim, que não é por pouca coisa ou nada que o ex-Luiz está procurando o vaidoso ex-presidente Fernando Henrique para, juntos, acharem uma saída nesse túnel em que ele, ex-Luiz, e Dilma enfiaram o Brasil.
Semana passada, Dilma disse que foi a tecnologia moderna que descobriu o fogo... Ó Pai, por que me abandonaste? Numa análise simplista, eu diria que esse beco em que nos encontramos (que parece sem saída) é fruto da ignorância de um e do despreparo de outro. Ou, talvez, de preparo demais. Afinal, Dilma não disse que era mestra e doutora pela Unicamp?
Mas, se for pela coerência, o ex-Luiz não terá problema, haja vista a resposta do estadista molusco em entrevista ao jornalista Milton Neves, em 1993, por ocasião do impeachment de Collor: “Lula, você tem pena de Fernando Collor?”. “Tenho, eu... não é que eu tenha pena como ser humano, eu acho que uma pessoa que teve oportunidade, como aquele cidadão, de fazer alguma coisa para o bem do Brasil, um homem que tinha o respaldo da grande maioria do povo brasileiro, ou seja, em vez de construir um governo, construiu uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor. Efetivamente, eu fico com pena porque acho que o povo brasileiro esperava que essa pessoa pudesse conduzir a uma solução ou pelo menos iniciar soluções para os graves problemas que nós temos. Mas, lamentavelmente, a ganância, a vontade de roubar, a vontade de praticar a corrupção fizeram com que o Collor jogasse por terra todo um sonho e a esperança do povo brasileiro. Mas, de qualquer maneira, acho que ficou a lição para que o povo brasileiro em outras eleições possa pelo menos escolher um candidato que conheça seu passado político” (sic).
Falou e disse tudo, só que falou dele mesmo... Imagine, o ex-Luiz, já naquele tempo, falando de “quadrilha que toma de assalto o poder”... Lula, como é mais conhecido pelo lobismo internacional, escapou até agora de ser preso, me parece, por falta de tempo do juiz Sérgio Moro, que, se levar o ex-Luiz e sua gangue para a cadeia e também Dona Dilma, depois de cumprir seu mandato, certamente sairá de suas atuais funções para a Presidência da República. Aliás, que fique claro: sou contra o impeachment de Dona Dilma. Deixem-na no lugar de guardiã da limpeza do Palácio, enquanto o Levy organiza ou não o caos existente. E o Michel? Bem, esse continuará fazendo caras e bocas. Se eu estiver vivo, e hei de estar, pretendo votar para presidente só em Serra ou Sérgio Moro, o caça-rato. Melhor ainda: nos dois juntos numa mesma chapa.
Sylo Costa
Sei, assim, que não é por pouca coisa ou nada que o ex-Luiz está procurando o vaidoso ex-presidente Fernando Henrique para, juntos, acharem uma saída nesse túnel em que ele, ex-Luiz, e Dilma enfiaram o Brasil.
Semana passada, Dilma disse que foi a tecnologia moderna que descobriu o fogo... Ó Pai, por que me abandonaste? Numa análise simplista, eu diria que esse beco em que nos encontramos (que parece sem saída) é fruto da ignorância de um e do despreparo de outro. Ou, talvez, de preparo demais. Afinal, Dilma não disse que era mestra e doutora pela Unicamp?
Falou e disse tudo, só que falou dele mesmo... Imagine, o ex-Luiz, já naquele tempo, falando de “quadrilha que toma de assalto o poder”... Lula, como é mais conhecido pelo lobismo internacional, escapou até agora de ser preso, me parece, por falta de tempo do juiz Sérgio Moro, que, se levar o ex-Luiz e sua gangue para a cadeia e também Dona Dilma, depois de cumprir seu mandato, certamente sairá de suas atuais funções para a Presidência da República. Aliás, que fique claro: sou contra o impeachment de Dona Dilma. Deixem-na no lugar de guardiã da limpeza do Palácio, enquanto o Levy organiza ou não o caos existente. E o Michel? Bem, esse continuará fazendo caras e bocas. Se eu estiver vivo, e hei de estar, pretendo votar para presidente só em Serra ou Sérgio Moro, o caça-rato. Melhor ainda: nos dois juntos numa mesma chapa.
Sylo Costa
Para frente
Li um interessante artigo publicado no jornal “Valor” desta semana, de autoria do presidente de FCA, Cledorvino Belini, que chama atenção para a “inovação” como forma mais direta e valiosa de sobreviver ao atropelo da crise. Ainda mais neste momento de provações enfrentadas pelos setores econômicos que sustentam o sistema e alimentam diretamente o erário, o estômago das pessoas, e garantem “ordem e progresso”.
Para isso Belini chama a atenção para a “educação” como chave e panaceia da sociedade.
No jornal O TEMPO do último sábado, uma entrevista do instituidor do projeto Inhotim, Bernardo Paz, aponta “sua” saída pela quebra de paradigmas sociais, uma revisão plena do “modus vivendi” marcada pela volta ao “natural”, ao lado artístico da vida que a humanidade deixou fora da “urbis”. Um resgate da tribo deixada atraente pela tecnologia.
Os avanços, especialmente da comunicação, deixam em segundo plano a necessidade de se aglomerar entre as muralhas de concreto. Paz, provavelmente influenciado pelas teorias da Era de Aquário, pelo esoterismo insurgente, se lança no espaço inexplorado do “pós-moderno”, da superação do trivial, que, aliás, é o norte do próprio projeto “Inhotim”.
A sociedade chegará ao momento em que o desejo do consumo estará saturado, e a mola mestra de hoje terá que ser substituída por outras fórmulas. Quais? Aí na bola de cristal temos duas visões: aquela do homem de indústria, que movimenta as engrenagens da economia, e a do outro, o colecionador de arte, o mecenas, vislumbrando uma saída dos paradigmas. Da fórmula do progresso pelo crescimento econômico. Bernardo Paz, que sabe conviver com o apelido de “louco” que se aplica com facilidade ao “profeta que nunca será reconhecido em sua pátria”, enxerga o futuro distante, mas já insurgente numa minoria.
Os discursos, aparentemente distantes, se entrelaçam na preocupação do enfrentamento da situação desfavorável, social e econômica.
Meu guru escrevia na década de 60 que chegaríamos ao ponto em que os valores que movem a humanidade nos últimos milênios se exauririam por uma parte da sociedade, mas seriam ainda necessários para outra, por meio do apaziguamento das necessidades ancestrais provocado pelo acesso ao consumo em larga escala.
Dessa maneira, os instintos de sobrevivência mais grosseiros e animalescos, com sua rudez e ferocidade, deixariam superadas as lutas com unhas e dentes para encher o estômago.
Encontrando a fartura, deixará de disputar seu abastecimento como uma fera que se vale de tudo. A prole amenizaria os instintos, deixaria de caçar e passaria a ter disposição e tempo para procurar dentro de si valores que transcendem a cruel disputa. Isso se apercebe agora no despertar de pessoas que enxergam a vida não só como uma luta, mas como uma pacífica convivência.
O vidente teósofo Charles Leatbeater, no livro “O Homem, de Onde Vem e para Onde Vai”, profetizou, em 1900, a televisão e a internet, descreveu também formas de vidas para as épocas atuais e futuras que deixam para trás o modus vivendi dos últimos séculos. Haveria, assim, já uma sociedade mais sábia, moderada e feliz à procura da superação do mero materialismo. Mas, se uma parte evoluiu, outra tenderia a se extinguir na estreiteza de sua compreensão. Assim como o homem de Cro-Magnon sobreviveu ao Neandertal.
Belini enxerga na inovação a “via”, e esta se dará em sintonia com a procura de novos valores, auspicados por Paz. A inovação deve se dirigir a um norte, sinalizado pela necessidade de conversão de métodos impróprios para os sustentáveis e limpos.
A sociedade civil, tanto no mundo empresarial como no artístico-cultural, vem apresentando propostas muito valiosas. Acendendo luzes na escuridão que deveriam ser aproveitadas pelo mundo oficial.
Vittorio Medioli
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