quinta-feira, 18 de junho de 2015
Nasa: mundo está ficando sem suas principais fontes de água
Informações de satélite mostram que 21 dos 37 maiores aquíferos apresentam redução alarmante
| Alter do Chão, maior aquífero do mundo em extensão de água, está localizado na região que compreende Amazonas, Pará e Amapá |
“A situação é muito crítica. Os aquíferos estão caindo em todo o mundo, não há reserva infinita de água” afirmou Jay Famiglietti, cientista da Nasa.
No Brasil, o satélite mostra três reservatórios: do Maranhão e da Amazônia, em boa situação, e, em posição um pouco menos confortável, o aquífero Guarani, o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, localizado entre Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.
Segundo os dados do Grace, os aquíferos em pior situação estão nas regiões mais pobres e populosas do globo, como o Noroeste da Índia, Paquistão, e o Norte da África. O satélite analisou ainda territórios como Estados Unidos, China e França.
A degradação dos reservatórios está relacionada ao crescimento da população mundial, assim como às atividades da agricultura, da indústria e da mineração. Estima-se que aproximadamente 35% de toda água utilizada no mundo seja proveniente dos lençóis freáticos.
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Pilatos revivido

Se não tínhamos até então um registro sonoro e de imagem de Pôncio Pilatos durante o lava-mão no caso de Cristo, conseguiu-se séculos e séculos depois o registro fiel do acontecimento histórico, encenado pelo ministro José Eduardo Cardoso. Diante de uma platéia no Congresso reviveu Pilatos: o governo de 13 anos do PT reconhece que as prisões brasileiras são escolas do crime e nada fez, faz ou fará para reverter a situação. Em resumo, dane-se a população, conviva com a criminalidade como puder. Lavamos as mãos e crucifixe-se o Cristo da vez!
Cardoso protagonizou a maior cretinice nunca antes vista no país de um ministro da Justiça se eximir da responsabilidade de melhorar o sistema prisional por mero descaso. E não é a primeira vez! Insiste em criticar um sistema que está sob sua própria gestão e isso na maior cara de pau sem nunca demonstrar qualquer iniciativa para revertar a situação. Muitas vezes, como nas seguidas revoltas em Pedrinhas, No Maranhão, não deu um pio como se não fosse um ministro da pasta, mas um mero títere petista que realmente é.
A questão foi mais uma vez desviada para que ninguém reclame do governo e Dilma e sua companheirada fiquem impunes de outros crimes deslavados: menosprezar a Justiça e se lixar para dotar o sistema carcerário de condições humanas. E para essa função foi escalado o pitbull Cardoso, que late muito, arreganha os dentes, mas nunca tomou as providências que deveria tomar para defender a população dos marginais e garantir os direitos humanos dos presidiários.
A "lógica" de Cardoso, vesga e marginal, só serve para proteger o desastre petista na administração judicial, nunca a Justiça que deveria ser para todos os brasileiros inclusive os presidiários e os jovens internos para a "salvadora" reeducação.

São as vítimas, estúpido!
Ao fazer, mais uma vez, uma minuciosa confissão do seu próprio fracasso como responsável último por ele que é, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, fez mais um emocionado apelo esta tarde ao Congresso Nacional para que “não se coloquem jovens brasileiros dentro das hedionadas prisões do sistema prisional brasileiro, verdadeiras escolas do crime” por meio da redução da maioridade penal, e blá, e blá e blá…
Entre as dezenas de vezes que repetiu essa cena ao longo desta tarde, pelo menos uma vez a Globonews apresentou, na sequência, o secretário de Segurança Publica do Rio de Janeiro, Jose Mariano Beltrame, repetindo o seu mantra para que não haja retrocesso na política das UPPs, qual seja, a de levar a polícia aos morros cariocas que ficaram abandonados por décadas à lei do cão dos traficantes desde que Leonel Brizola fez um acordo com eles para conseguir se eleger. É que depois que os “ingleses” da Copa deixaram o Rio, o interesse das autoridades por aqueles “pretos“, “pobres” e “putas” só vem diminuindo…
Não peguei o discurso inteiro de Beltrame com som, mas quando aumentei o volume, ele falava daquele bom “jovem brasileiro” que, apenas para se divertir, esfaqueou na virilha e chacoalhou a faca, olhando-o nos olhos, aquele cardiologista que foi trucidado e sangrou até à morte na Lagoa Rodrigo de Freitas no mes passado, apenas porque resolveu pedalar duas ou tres voltas por esse “cartão postal” do Rio de Janeiro num belo entardecer. E o que dizia Beltrame sobre esse “jovem brasileiro” em especial? Que ele já tinha sido preso 15 vezes antes por sua polícia – isso mesmo, 15 vezes! – mas foi devolvido 15 vezes às ruas, de faca em punho, pelo sistema Judiciário e pelos códigos penais que o ministro da Justiça quer manter intactos, porque não ha lei neste país que possa tirar “jovens” como esse de circulação.
É claro que ninguém pensou jamais em mandar “jovens brasileiros” para esses presídios de fato hediondos apenas por esporte ou mesmo por excesso de zelo. Mas é que “São as vítimas, estúpido”!, diria o famoso marqueteiro de Bill Clinton.
Se não temos presídios melhores para encerrá-los, temos de escolher entre manter esses jovens na rua, de faca em punho, correndo atrás de nossos filhos e mães, apenas porque são “jovens”, ou enfiá-los onde quer que seja para que pessoas como o cardilogista trucidado e os outros 55.999 brasileiros que são assassinados nas ruas deste país todos os anos tenham uma chance a mais de sobreviver.
Nós todos adoraríamos que o senhor ministro e seu partido deixassem barato 2 ou 3% do que nos roubam para por os presídios brasileiros no melhor “padrão Fifa”. Eu, pessoalmente, acho que eles só serão arrumados quando os chefes do partido do próprio ministro e outros bandidos “excelentes” deixarem de ser recolhidos, quando flagrados com a mão na massa, em alas especialmente construidas para eles passarem o seu semestre sabático na Papuda e começarem a ser presos nos hediondos presídios que temos pelo mesmo prazo “dosimetrado” para seus comparsas “civis” no mesmo crime. Só com essa perspectiva no horizonte – a de que todo brasileiro que mereça ser preso seja julgado pelo mesmo tribunal, condenado às mesmas penas e preso na mesma prisão – veremos os correligionários do ministro, mais os seus “aliados” e os seus “adversários” na farsa que se encena em Brasilia, darem um jeito nas prisões que possam vir a frequentar.
Não tendo essa opção hoje, o jeito é mandar “jovens” que andam por aí esfaqueando gente para as prisões que houver, porque a prioridade deve ser dos esfaqueados e não dos esfaqueadores.
É das vítimas que se trata. Entendeu agora, “excelência”?
Do ponto de vista político...
Eu vou-vos dizer o que eu penso realmente sobre os políticos. Outra noite vi uns políticos na televisão a falar sobre o Vietname. Eu gostaria muito de ter atravessado o ecrã da televisão com um lança-chamas, queimar-lhes os olhos, mutilar-lhes as partes baixas, e depois perguntar-lhes como é que eles analisavam esta situação de um ponto de vista político
Harold Pinter
Somos coniventes ou idiotas?
A discussão sobre a propriedade ou não das doações privadas às campanhas eleitorais, muito motivadas pelos últimos escândalos que envolveram empresas fornecedoras da Petrobras, estão se desenvolvendo como se o que agora fora revelado fosse coisa inimaginável, um sinal dos tempos. Há décadas que as eleições no Brasil são financiadas dessa mesma forma, com empreiteiras, bancos, laboratórios, empresas multinacionais de variados setores destacando em seus orçamentos verbas consideráveis para transferir a candidatos e a seus partidos para custear a farra eleitoral. No capítulo das doações oficiais, esse é mais ou menos o quadro. Há também, sabe-se, de candidatos financiados pelo jogo do bicho, pelo tráfico de drogas e outros fora da lei, cujos valores doados, por razões óbvias, ficam apenas nos caderninhos que vez ou outra a polícia apreende e divulga. As prestações de contas, junto à Justiça Eleitoral, ou revelam generosos aportes quase sempre das mesmas empresas feitos a candidatos muitas vezes concorrentes aos mesmos cargos ou apresentam mágicas, de candidatos que conseguiram sua eleição sem quase gastarem um tostão. Elegem-se, dizem e eu acredito, com suas ideias, levadas pelo apoio de cabos eleitorais (isso ainda existe) e a eficácia do papelório com retratos, frases de compromisso e textos de farto lero-lero.
O país não suporta mais o custo de eleições a cada dois anos. Não pode se manter mais o funcionamento, como se dá, de câmaras municipais, de assembleias legislativas, da Câmara Federal e do Senado com salários imorais, verbas de representação e cerimoniais, desperdício permanente, uma conjugação de gastos e investimentos que desrespeitam princípios elementares de moralidade pública. Não tem sentido a quantidade de assessores, secretárias, prédios, material de escritório, equipamentos que são disponibilizados para muito pouco resultado. Todos sabem desses absurdos e nem no momento das eleições isso vem à tona. Simplesmente elegemos ou reelegemos os mesmos, aqueles que se nutrem e aos seus grupos dessas manobras. Uma criminosa podridão.
Cessaram os debates sobre o voto obrigatório, sobre a coincidência das eleições, sobre a obrigatoriedade de destinação fixa do orçamento nacional, dos Estados e municípios para o funcionamento dos legislativos. Não se falou mais sobre o voto distrital, sobre a representatividade dos partidos organizados às dúzias, sobre os tempos de TV e rádio para a propaganda eleitoral que viraram moeda. Isso mesmo: monetizou-se o direito dos partidos ao tempo da propaganda gratuita e por isso temos quase quarenta partidos recebendo dinheiro público do Fundo Partidário e nada se faz para acabar com essa impropriedade. Nada. Em 2016 teremos eleições, em 2018 também e assim seguiremos. Pagando e votando. Jogando dinheiro fora e aplaudindo. Que idiotas somos!

Cessaram os debates sobre o voto obrigatório, sobre a coincidência das eleições, sobre a obrigatoriedade de destinação fixa do orçamento nacional, dos Estados e municípios para o funcionamento dos legislativos. Não se falou mais sobre o voto distrital, sobre a representatividade dos partidos organizados às dúzias, sobre os tempos de TV e rádio para a propaganda eleitoral que viraram moeda. Isso mesmo: monetizou-se o direito dos partidos ao tempo da propaganda gratuita e por isso temos quase quarenta partidos recebendo dinheiro público do Fundo Partidário e nada se faz para acabar com essa impropriedade. Nada. Em 2016 teremos eleições, em 2018 também e assim seguiremos. Pagando e votando. Jogando dinheiro fora e aplaudindo. Que idiotas somos!

Brasil cai em ranking da paz e eleva 'custo' mundial da violência
País gasta 255 bilhões de dólares por ano como consequência da violência

Os quatro países mais pacíficos do mundo, de acordo com o índice, seriam Islândia, Dinamarca, Áustria e Nova Zelândia, enquanto que no final da tabela estão Síria, Iraque, Afeganistão e Sudão do Sul. Na América do Sul, o Brasil só está à frente de Venezuela e Colômbia, que enfrentam, respectivamente, uma grave crise social e política e um conflito armado que já dura décadas entre o Exército e movimentos guerrilheiros ligados ao tráfico de drogas.

Para termos de comparação, em maio deste ano o ministro do Planejamento Nelson Barbosa anunciou um plano de austeridade que previa corte de 69 milhões no orçamento do Governo. Programas sociais como o Minha Casa Minha Vida e até obras do PAC tiveram verbas reduzidas. O valor gasto com a violência é mais de sete vezes maior do que orçamento da saúde, que é de 109 bilhões de reais. “A violência exige que investimentos sejam redirecionados de áreas produtivas como educação, infraestrutura e saúde para áreas de contenção da violência”, diz o texto, que cita grandes forças de segurança e encarceramento em massa como exemplos.
Em defesa do livro arbítrio (ou "Um grito de desabafo")
O maior exemplo é a sublimação legal do mais importante direito que Deus nos deu: o livre arbítrio. Afinal, no estado da natureza, e pela mais importante concessão divina, o ser humano nasce livre para ser o único senhor do seu destino, fadado a dar satisfações unicamente a sua consciência.
Há algum tempo, um colega confidenciou ter experimentado, por determinação do destino, o mais dramático desafio a que um homem pode ser submetido, num dilema entre o amor e a consciência jurídica; entre o justo e o legal; entre o espiritual e o material.
Contou-me que sua mulher, incapacitada no leito do hospital, sentindo dores insuportáveis, com um câncer terminal que já havia retirado a dignidade de viver, implorou-lhe para que pusesse fim a seu martírio, mas não propriamente pela prática da eutanásia que lhe garantisse o direito de morrer com um mínimo de amor próprio, mas, sobretudo, pelo respeito a seu bem mais precioso: o livre-arbítrio.
Era uma mulher intelectualizada, com plena consciência de que não poderia contar com o Estado, que no Brasil não foi concebido para servir ao cidadão e sim para ser servido por este, ao contrário de outras nações, como a Suíça, onde existem até clínicas especializadas em viabilizar o legítimo desejo de uma morte digna (algo que os brasileiros só fazem com total naturalidade e amor, quanto se trata de um simples animal de estimação).
Restou a esta mulher, portanto, apenas recorrer àquele que lhe jurou amor eterno, até que a morte os separasse. E o desejo dele era atender ao pedido. Mas havia tantas implicações, que ficou mergulhado em dúvidas, não conseguia superar a rigidez da legislação criminal e o pesadíssimo sentimento de culpa que a formação religiosa atira sobre nossos ombros. Ele foi vacilando, se acovardou.
Mas ela insistia e foi assim até o final, quando o marido ainda conseguiu ouvi-la sussurrar as últimas palavras: ‘”Eu te perdoo, apesar de tudo”. Mas ele jamais conseguiu se perdoar.
Talvez fosse preferível optar pela ameaça de prisão injusta por um ato de amor (mas ainda assim por um tempo determinado), do que se sujeitar a uma condenação eterna por um ato de covardia.
Diante desse comovente relato, fiquei pensando que sempre é possível perdoar alguém, mas talvez seja realmente impossível perdoar-nos por qualquer ação ou omissão que tenha resultado em consequências graves. Com toda certeza, o perdão mais difícil é aquele que tentamos conceder a nós mesmos.
De toda maneira, o mais importante é que o Estado e a sociedade brasileira possam enfim amadurecer democraticamente, para propiciar aos cidadãos uma necessária evolução normativa que contemple o sublime respeito ao livre-arbítrio, elevando a dignidade humana ao patamar das conquistas mais preciosas a serem protegidas pelo nosso Direito, para que nenhum ser humano (apenas por ostentar a condição de brasileiro e se encontrar em solo pátrio) tenha de passar por tanto sofrimento, traduzido por uma dor que se encerra para aqueles que já se foram, mas nega a alegria da vida aos que ficaram.
Reis Friede
O PT e sua mentalidade do sítio
Deve-se ao repórter Luiz Antonio Novaes o registro de dois episódios ilustrativos da mentalidade do sítio que tomou conta do PT. Primeiro, eles tinham como inimigos os adversários políticos. Depois, a imprensa oligopolizada. Em seguida, a freguesia dessa mesma imprensa. Aos poucos, quase todo mundo.
Novaes estava no Congresso do PT em Salvador, onde só havia petistas, e narrou duas cenas.
Quando o governador da Bahia, Rui Costa, começou a falar, ouviram-se alguns gritos: “Cabula! Cabula!”. Costa foi um dos fundadores do partido na Bahia e Cabula é um bairro de Salvador onde, em fevereiro, a PM matou 12 pessoas (todos negros) e feriu outras seis. A tropa diz que eram traficantes que reagiram à chegada dos soldados. (Apenas um dos 12 mortos tinha antecedentes criminais.) Falando a uma plateia de PMs, o governador construiu uma metáfora comparando a ação dos policiais diante de malfeitores à do artilheiro na boca do gol, quando tem poucos segundos para decidir o que fazer e bateu o martelo: “Não há indícios de que teve atuação fora da lei nesse caso”. Portanto, os artilheiros da PM baiana fizeram 12 gols.
Quando Rui Costa começou a discursar, os gritos de “Cabula” pouco significavam para quem viera de outros estados, mas a lembrança da chacina era suficiente para irritar o comissariado do governador. O problema surgiu quando alguém ouviu “Papuda” no lugar de “Cabula”. Haveria petistas gritando o nome da penitenciária para onde foram mandados dois ex-presidentes do PT e seu ex-tesoureiro. Nessa hora, os companheiros estranharam-se, trocaram gritos e alguns empurrões. A confusão durou uma meia hora, exaltando ânimos que tanto podiam estar reagindo aos gritos de “Cabula”, de “Papuda” ou a ambos.
Pouco depois, como faltassem assentos no salão, vieram gritos de “Cadeira! Cadeira!”. Novamente, uns pediam cadeiras e outros ouviam “cadeia”. Dessa vez o mal-estar foi meramente auditivo.
Quem já ouviu milhares de pessoas gritando “Papuda” e “cadeia” na Avenida Paulista não tem por que se impressionar com cenas desse tipo. O episódio de Salvador mostrou que há petistas prontos para ouvir “Papuda” em vez de “Cabula” e “cadeia” no lugar de “cadeira” dentro de um congresso do partido. O inimigo, poderoso, conspirador e manipulativo, estaria em todos os lugares, inclusive lá. Coisa de quem está mal dos nervos, como o presidente americano George W. Bush quando viu uma deputada na Casa Branca com um botão onde leu “Osama”. Era “Obama”.
Gritar “Cabula” num evento onde discursava Rui Costa seria uma atitude agressiva, mas razoável para um petista desaparelhado que passa a vida defendendo os direitos do andar de baixo. Ouvir “Papuda” é coisa diversa, reação de alguém capaz de pensar que, a qualquer momento, inclusive durante uma reunião de petistas, poderá ser atazanado pela lembrança do mensalão e das petrorroubalheiras. Vai daí, “cadeira” vira “cadeia”.
A mentalidade do sítio colocou o PT no cubo de Marcel Marceau. Ele era um grande mímico e seu melhor numero era o de um cubo imaginário. A cada movimento que fazia, o cubo encolhia até que, de tão pequeno, não permitia que se movesse. O fato de um sujeito ser paranoico não impede que esteja sendo seguido, mas também o fato de ele estar sendo seguido não impede que ele seja paranoico.
Elio Gaspari
Novaes estava no Congresso do PT em Salvador, onde só havia petistas, e narrou duas cenas.
Quando o governador da Bahia, Rui Costa, começou a falar, ouviram-se alguns gritos: “Cabula! Cabula!”. Costa foi um dos fundadores do partido na Bahia e Cabula é um bairro de Salvador onde, em fevereiro, a PM matou 12 pessoas (todos negros) e feriu outras seis. A tropa diz que eram traficantes que reagiram à chegada dos soldados. (Apenas um dos 12 mortos tinha antecedentes criminais.) Falando a uma plateia de PMs, o governador construiu uma metáfora comparando a ação dos policiais diante de malfeitores à do artilheiro na boca do gol, quando tem poucos segundos para decidir o que fazer e bateu o martelo: “Não há indícios de que teve atuação fora da lei nesse caso”. Portanto, os artilheiros da PM baiana fizeram 12 gols.
Quando Rui Costa começou a discursar, os gritos de “Cabula” pouco significavam para quem viera de outros estados, mas a lembrança da chacina era suficiente para irritar o comissariado do governador. O problema surgiu quando alguém ouviu “Papuda” no lugar de “Cabula”. Haveria petistas gritando o nome da penitenciária para onde foram mandados dois ex-presidentes do PT e seu ex-tesoureiro. Nessa hora, os companheiros estranharam-se, trocaram gritos e alguns empurrões. A confusão durou uma meia hora, exaltando ânimos que tanto podiam estar reagindo aos gritos de “Cabula”, de “Papuda” ou a ambos.
Pouco depois, como faltassem assentos no salão, vieram gritos de “Cadeira! Cadeira!”. Novamente, uns pediam cadeiras e outros ouviam “cadeia”. Dessa vez o mal-estar foi meramente auditivo.
Quem já ouviu milhares de pessoas gritando “Papuda” e “cadeia” na Avenida Paulista não tem por que se impressionar com cenas desse tipo. O episódio de Salvador mostrou que há petistas prontos para ouvir “Papuda” em vez de “Cabula” e “cadeia” no lugar de “cadeira” dentro de um congresso do partido. O inimigo, poderoso, conspirador e manipulativo, estaria em todos os lugares, inclusive lá. Coisa de quem está mal dos nervos, como o presidente americano George W. Bush quando viu uma deputada na Casa Branca com um botão onde leu “Osama”. Era “Obama”.
Gritar “Cabula” num evento onde discursava Rui Costa seria uma atitude agressiva, mas razoável para um petista desaparelhado que passa a vida defendendo os direitos do andar de baixo. Ouvir “Papuda” é coisa diversa, reação de alguém capaz de pensar que, a qualquer momento, inclusive durante uma reunião de petistas, poderá ser atazanado pela lembrança do mensalão e das petrorroubalheiras. Vai daí, “cadeira” vira “cadeia”.
A mentalidade do sítio colocou o PT no cubo de Marcel Marceau. Ele era um grande mímico e seu melhor numero era o de um cubo imaginário. A cada movimento que fazia, o cubo encolhia até que, de tão pequeno, não permitia que se movesse. O fato de um sujeito ser paranoico não impede que esteja sendo seguido, mas também o fato de ele estar sendo seguido não impede que ele seja paranoico.
Elio Gaspari
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Cortina de fumaça
Se tivéssemos uma legislação restritiva à propaganda de álcool, tal qual à relativa ao tabaco, talvez pudéssemos contribuir para reduzir os índices de violência no Brasil
Quando recordo cenas da minha juventude, vejo tudo envolto em fumaça de cigarro. Fumavam os galãs nas telas do cinema e da televisão. Fumavam os professores nas salas de aula. Fumavam amigos, conhecidos e parentes. Os craques de futebol fumavam. Até eu fumava! Quem não fumava encontrava-se numa espécie de limbo social. A primeira verificação sobre o número de fumantes no Brasil ocorreu apenas em 1989 – a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição apontou que 40% dos homens e 26% das mulheres acima de 15 anos faziam uso constante de cigarro.
Desde 1988, quando passou a ser obrigatória a inclusão nos maços da frase “Fumar é prejudicial à saúde”, até hoje, o Estado vem gradativamente ampliando o cerco à indústria tabagista. Os golpes mais decisivos vieram em 2000, com a proibição total de propaganda em revistas, jornais, outdoors, rádio e televisão e o patrocínio de eventos culturais e esportivos, e em 2011, com a proibição do fumo em lugares fechados. Também contribuiu o aumento do preço do produto, provocado pela ampliação da carga tributária, equivalente a cerca de 80% do valor final. O resultado desse esforço é visível nas ruas – quantificado em números, mostra que o percentual de fumantes desabou para 13% entre homens e 9% entre mulheres no ano passado, sendo que, na faixa dos 18 aos 24 anos, a média é ainda menor, 8%.
E exatamente por isso me pergunto porque não agimos da mesma maneira com relação ao álcool. A lei 9.294, de 1996, a primeira a tratar da proibição da propaganda de cigarro em veículos de comunicação, também incluía bebidas alcoólicas, mas restringindo-as àquelas com teor superior a 13 graus, deixando de fora, portanto, a cerveja e o chope, produtos que equivalem a 61% do total do consumo nacional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os brasileiros ingerem 8,7 litros de álcool puro por ano, 50% a mais que a média mundial, de 6,2 litros por ano.
As propagandas de bebidas alcoólicas reproduzem os mesmos estereótipos que antigamente promoviam a venda de cigarro: machismo e sucesso pessoal
A questão é que, enquanto a principal vítima do consumo de cigarro é o fumante ativo (embora o passivo também seja atingido, em menor grau), a ingestão de álcool, além de provocar doenças no próprio consumidor – está vinculado a diversos tipos de câncer, pancreatite, cirrose hepática e distúrbios cardíacos –, é também responsável por graves problemas sociais. Segundo dados do Ministério da Saúde, 12% da população brasileira acima de 15 anos é dependente de álcool. Estudo do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) mostra que uma pessoa embriagada tem duas vezes mais propensão à agressão física que alguém sóbrio, dez vezes mais inclinação ao uso de armas e quatro vezes mais disposição ao abuso sexual.
Se tivéssemos uma legislação restritiva à propaganda de álcool nos veículos de comunicação e ao patrocínio de eventos culturais e esportivos, tal qual à relativa à indústria do tabaco, talvez pudéssemos oferecer uma importante contribuição para reduzir os alarmantes índices de violência no Brasil. As propagandas de bebidas alcoólicas reproduzem os mesmos estereótipos que antigamente promoviam a venda de cigarro: machismo e sucesso pessoal. Assim, na contramão da diminuição do consumo de tabaco – 30% em nove anos – o mercado de álcool cresceu 20%.

Calcula-se que metade das 40 mil mortes anuais verificadas no trânsito tenham como causa o consumo de álcool – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar da lei seca, 24% dos brasileiros admitem que dirigem após beber. Por outro lado, pesquisa do Cebrid aponta que 52% dos problemas de violência doméstica estão diretamente ligados ao álcool e 30% dos homens com menos de 30 anos afirmam ter se envolvido em brigas com agressão física após se embriagarem. O Brasil perde algo em torno de 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em decorrência de problemas ligados ao álcool, ou seja R$ 372 bilhões, quase quatro vezes o orçamento destinado ao Ministério da Saúde...
A teoria do presunto
Toda semana leio nos jornais e assisto na TV meia dúzia de entrevistas ou debates com “especialistas” sobre o que fazer para reduzir a corrupção. São de uma falta de imaginação que, ora me põe pronto para dormir, ora me empurram para fora do limite das regras da civilidade.
A única exceção que tenho visto em todas essas entrevistas é o professor Modesto Carvalhosa, advogado de São Paulo que estudou profundamente o assunto em vários países diferentes e recomenda a medida óbvia do “performance bond”, já abordada várias vezes aqui no Vespeiro, de comprovada eficácia para impôr um distanciamento higiênico e profilático entre o governante que contrata obras e o empreiteiro que as executa.
Agora, a legião de “especialistas” que junto com os políticos e outros diletantes – aí incluídos os bem intencionados – que repetem infindavelmente que é preciso “aumentar a fiscalização”, esses despertam em mim os mais primitivos sentimentos adormecidos.
Aumentar a fiscalização é aumentar a doença. Aumentar o número de fiscais é aumentar o número de achaques. Renan Calheiros — veja lá! — e Eduardo Cunha estão propondo agora uma Lei de Responsabilidade das Estatais, com requisitos mínimos para se nomear seus diretores, coisa que passaria a ser atribuição deles próprios (Câmara e Senado) e outras perfumarias destinadas a transferir para as mãos das “excelências” as prerrogativas que são hoje do Poder Executivo nesse campo.
O que a História do Brasil nos diz é que criar mais um departamento no estado para fiscalizar empresas estatais não é uma cura, é uma metástese. Se insistirem em manter o presunto pendurado na janela – isto é, as estatais – deve-se contar como certa a permanente convivência com o enxame de moscas. Se colocarem o Exército Brasileiro inteiro em volta daquela carne gordurosa e fedorenta com a missão precípua de espantar as moscas, o que vai acabar não são as moscas mas o Exército Brasileiro; uma parte, menor, por cansaço, outra parte, maior, porque será corrompida por elas.
Criar uma instância político-administrativa para isso, então, é ainda pior. Surgirá um novo departamento recheado de funcionários indemissíveis pomovidos por tempo de serviço com sua descendência “pensionável” até a terceira geração; na sequência virão duas comissões de fiscalização do ente fiscalizador, na Câmara e no Senado; mais além surgirá um Tribunal Especial de Fiscalizações e adiante a comissão especial da CPI da Fiscalização e a comissão especial de reforma do sistema de fiscalização…
E, no entanto, é tudo tão simples. Não querem as moscas? Tirem o presunto da janela!
Acabe-se com as estatais, primeiro porque dinheiro com dono já nasce blindado. Ninguém jamais estará mais incentivado a impedir que seja roubado que quem suou para ganhá-lo. E, segundo, porque já é tarefa grande o suficiente para o Estado tratar de impedir o poder econômico de abusar do resto dos mortais. Pôr um contra o outro, sem misturar papéis nem de um lado nem do outro, é o resumo do que o mundo veio a conhecer como a revolução democrática, aquela, do século 18 que o Brasil pulou.
Haverá corrupção ainda, depois de feita essa separação de papeis? Haverá. Corrupção – o impulso de colher sem ter plantado – é uma força da natureza. Mas tendo, primeiro, sido suprimida 90% da “ocasião”, algo próximo disso será deduzido do numero de ladrões.
Para os que sobrarem ha sempre o resto dos mecanismos de desincentivo à corrupção “a posteriori”. Fazer seguir ao crime infalivelmente o castigo é coisa que todo hominídeo sabe que funciona desde o tempo das cavernas. Só os mentecaptos e os mal intencionados ainda insistem que o melhor remédio para reduzir a criminalidade é deixar os bandidos na rua caçando vítimas.
A China, por exemplo, pega o corrupto e o executa com um único tiro de pistola na nuca num estádio lotado, mandando a conta dessa única bala para a família do executado. É um modo talvez exagerado de enfatizar que com dinheiro público nem se brinca, nem se desperdiça. Não é preciso tanto. Basta trancar o sujeito numa jaula e jogar a chave fora, como se faz nas democracais mais avançadas.
A única exceção que tenho visto em todas essas entrevistas é o professor Modesto Carvalhosa, advogado de São Paulo que estudou profundamente o assunto em vários países diferentes e recomenda a medida óbvia do “performance bond”, já abordada várias vezes aqui no Vespeiro, de comprovada eficácia para impôr um distanciamento higiênico e profilático entre o governante que contrata obras e o empreiteiro que as executa.

Agora, a legião de “especialistas” que junto com os políticos e outros diletantes – aí incluídos os bem intencionados – que repetem infindavelmente que é preciso “aumentar a fiscalização”, esses despertam em mim os mais primitivos sentimentos adormecidos.
Aumentar a fiscalização é aumentar a doença. Aumentar o número de fiscais é aumentar o número de achaques. Renan Calheiros — veja lá! — e Eduardo Cunha estão propondo agora uma Lei de Responsabilidade das Estatais, com requisitos mínimos para se nomear seus diretores, coisa que passaria a ser atribuição deles próprios (Câmara e Senado) e outras perfumarias destinadas a transferir para as mãos das “excelências” as prerrogativas que são hoje do Poder Executivo nesse campo.

O que a História do Brasil nos diz é que criar mais um departamento no estado para fiscalizar empresas estatais não é uma cura, é uma metástese. Se insistirem em manter o presunto pendurado na janela – isto é, as estatais – deve-se contar como certa a permanente convivência com o enxame de moscas. Se colocarem o Exército Brasileiro inteiro em volta daquela carne gordurosa e fedorenta com a missão precípua de espantar as moscas, o que vai acabar não são as moscas mas o Exército Brasileiro; uma parte, menor, por cansaço, outra parte, maior, porque será corrompida por elas.
Criar uma instância político-administrativa para isso, então, é ainda pior. Surgirá um novo departamento recheado de funcionários indemissíveis pomovidos por tempo de serviço com sua descendência “pensionável” até a terceira geração; na sequência virão duas comissões de fiscalização do ente fiscalizador, na Câmara e no Senado; mais além surgirá um Tribunal Especial de Fiscalizações e adiante a comissão especial da CPI da Fiscalização e a comissão especial de reforma do sistema de fiscalização…
E, no entanto, é tudo tão simples. Não querem as moscas? Tirem o presunto da janela!
Acabe-se com as estatais, primeiro porque dinheiro com dono já nasce blindado. Ninguém jamais estará mais incentivado a impedir que seja roubado que quem suou para ganhá-lo. E, segundo, porque já é tarefa grande o suficiente para o Estado tratar de impedir o poder econômico de abusar do resto dos mortais. Pôr um contra o outro, sem misturar papéis nem de um lado nem do outro, é o resumo do que o mundo veio a conhecer como a revolução democrática, aquela, do século 18 que o Brasil pulou.
Haverá corrupção ainda, depois de feita essa separação de papeis? Haverá. Corrupção – o impulso de colher sem ter plantado – é uma força da natureza. Mas tendo, primeiro, sido suprimida 90% da “ocasião”, algo próximo disso será deduzido do numero de ladrões.
Para os que sobrarem ha sempre o resto dos mecanismos de desincentivo à corrupção “a posteriori”. Fazer seguir ao crime infalivelmente o castigo é coisa que todo hominídeo sabe que funciona desde o tempo das cavernas. Só os mentecaptos e os mal intencionados ainda insistem que o melhor remédio para reduzir a criminalidade é deixar os bandidos na rua caçando vítimas.
A China, por exemplo, pega o corrupto e o executa com um único tiro de pistola na nuca num estádio lotado, mandando a conta dessa única bala para a família do executado. É um modo talvez exagerado de enfatizar que com dinheiro público nem se brinca, nem se desperdiça. Não é preciso tanto. Basta trancar o sujeito numa jaula e jogar a chave fora, como se faz nas democracais mais avançadas.

Um zé dirceu pronto para ser exibido na TV a qualquer momento na sua devida jaula ano após ano, década após década, vale por 500 mil discursos contra a corrupção e uma legião inteira de fiscais. Inversamente, um único deles solto após seis meses é o bastante para anular de uma vez só todas as leis anticorrupção de um país e condená-lo à danação eterna. Como dizia Theodore Roosevelt, nada pode ser mais subversivo do que um corrupto exibindo impunemente o seu sucesso. Que argumento terá uma mãe da favela para convencer seu flho a pegar em livros e não em fuzis se os corruptos seguirem sendo ovacionados pelo governo e brilhando nas colunas sociais e os trabalhadores honestos continuarem pobres, humilhados e ofendidos, trancados em seus casebres porque as ruas estão ocupadas pela bandidagem?
Para juízes que, pelo mesmo crime, sentenciam os zés dirceus a seis meses e os Marcos Valérios a 40 anos de prisão, os Estados Unidos, por exemplo, têm o remédio das “retention elections”. Em toda eleição majoritária a cada quatro anos, aparece na sua cédula, conforme o distrito em que você vota, o nome do juíz encarregado daquela circunscrição por baixo da pergunta: “Deve o meritsíssimo Fulano de Tal permanecer intocável em suas prerrogativas de juiz por mais quatro anos”? “Sim”, ou “Não”. Em caso de “Não”, o sistema porá outro juiz intocável enquanto se comportar bem no lugar dele (aqui). Junto com o recall, que permite a quem votou nele cassar qualquer político que desrespeitar o mandato recebido a qualquer momento, isso é quanto basta para que ninguém que não presta vá longe, seja no Legislativo, seja no Judiciário, que dirá chegar a um Supremo Tribunal.
Os remédios estão, portanto, todos ao alcance da mão e não passam de uma meia dúzia. O resto é tapeação. De modo que o que precisa crescer e se tronar radical é só a intolerância dos eleitores, leitores e telespectadores para com os políticos e os jornalistas e seus especialistas amestrados que insistem em tratá-los como idiotas toda vez que esse assunto ressurge.
Para juízes que, pelo mesmo crime, sentenciam os zés dirceus a seis meses e os Marcos Valérios a 40 anos de prisão, os Estados Unidos, por exemplo, têm o remédio das “retention elections”. Em toda eleição majoritária a cada quatro anos, aparece na sua cédula, conforme o distrito em que você vota, o nome do juíz encarregado daquela circunscrição por baixo da pergunta: “Deve o meritsíssimo Fulano de Tal permanecer intocável em suas prerrogativas de juiz por mais quatro anos”? “Sim”, ou “Não”. Em caso de “Não”, o sistema porá outro juiz intocável enquanto se comportar bem no lugar dele (aqui). Junto com o recall, que permite a quem votou nele cassar qualquer político que desrespeitar o mandato recebido a qualquer momento, isso é quanto basta para que ninguém que não presta vá longe, seja no Legislativo, seja no Judiciário, que dirá chegar a um Supremo Tribunal.
Os remédios estão, portanto, todos ao alcance da mão e não passam de uma meia dúzia. O resto é tapeação. De modo que o que precisa crescer e se tronar radical é só a intolerância dos eleitores, leitores e telespectadores para com os políticos e os jornalistas e seus especialistas amestrados que insistem em tratá-los como idiotas toda vez que esse assunto ressurge.
Torre de Babel
De acordo com as Escrituras, a Torre de Babel foi uma construção idealizada pelo homem para alcançar o céu. Mas, a certa altura da empreitada, por ação de Deus, a linguagem dos homens se confundiu de tal forma que ninguém mais entendeu ninguém. E assim, por falta de entendimento, a construção foi interrompida. Essa tática de Deus parece se repetir agora com o PT...
Ninguém aguenta mais tanta mentira, tanta desonestidade e tanta falta de vergonha, de tanta gente que se acha importante. Preste atenção: qual é a pauta em discussão hoje no Brasil? Corrupção geral e futebol corrupto, além da questão da maioridade.
Há dez anos discutimos o mensalão, até quando isso irá? Antes de acabar um escândalo, aparece outro maior. Agora, o petrolão. Antes de acabar este, aparece o tal de Zelotes. E o país entretido com futebol e assuntos dispersivos, como maioridade, paradas gays, nome que acharam para viadagem, termo considerado homofóbico. Ou liberdade de expressão só existe para quem está de acordo com essa onda de bichismo?
Respeito é bom, e eu gosto, como gosto também do papa Francisco, só não entendo certas posições suas, tidas como liberais, mas que me confundem. Por exemplo: a ideia de que todos são filhos de Deus e não pode existir descriminação na Igreja de Pedro por causa de opção sexual. Sim, mas ele não aceitou as credenciais do embaixador da França junto ao Vaticano porque o cara é uma bicha...
Há poucos dias, tive de me retirar de um cinema porque reclamei de dois marmanjos que se enroscavam a meu lado. Reclamei e recebi a resposta: os incomodados que se retirem... Contei até dez e resolvi me mandar, mas me arrependi: tive dor de cabeça de raiva por não poder quebrar o pau, mas já não tenho condições físicas para isso... Condições físicas e direitos, é bom que se diga.
A Câmara Federal acaba de aprovar a manutenção da obrigatoriedade do voto, e, assim, quem tem 16 anos pode e deve votar. Por que, então, a incoerência? Aos 16 anos o adolescente já tem discernimento para escolher nossos governantes entre vivos e vivaldos, e não tem para não matar ou roubar?
Minha opinião é parecida com a legislação adotada por alguns dos Estados americanos: cada caso é um caso. O menor matou? Antes de ser julgado ou não, terá de passar por uma junta médica que atestará se ele, o criminoso, tem discernimento. Só menores de 12 anos estariam sujeitos à legislação especial. Aqui, um galalau de 17 anos e 10 meses mata, como foi o caso do assassinato do médico na Lagoa, no Rio, e não pode ser condenado por que é “di menor”...
Gente, o país está pegando fogo, e os responsáveis pelo incêndio continuam fazendo cara de paisagem para o problema, enquanto o ex-Luiz, solto, mentiroso confesso e analfabeto, fatura mais de R$ 1 milhão da Odebrecht por palestras proferidas, naturalmente, para autistas convenientes. Até quando o povo brasileiro suportará esse estelionato?
Há dez anos discutimos o mensalão, até quando isso irá? Antes de acabar um escândalo, aparece outro maior. Agora, o petrolão. Antes de acabar este, aparece o tal de Zelotes. E o país entretido com futebol e assuntos dispersivos, como maioridade, paradas gays, nome que acharam para viadagem, termo considerado homofóbico. Ou liberdade de expressão só existe para quem está de acordo com essa onda de bichismo?
Respeito é bom, e eu gosto, como gosto também do papa Francisco, só não entendo certas posições suas, tidas como liberais, mas que me confundem. Por exemplo: a ideia de que todos são filhos de Deus e não pode existir descriminação na Igreja de Pedro por causa de opção sexual. Sim, mas ele não aceitou as credenciais do embaixador da França junto ao Vaticano porque o cara é uma bicha...
Há poucos dias, tive de me retirar de um cinema porque reclamei de dois marmanjos que se enroscavam a meu lado. Reclamei e recebi a resposta: os incomodados que se retirem... Contei até dez e resolvi me mandar, mas me arrependi: tive dor de cabeça de raiva por não poder quebrar o pau, mas já não tenho condições físicas para isso... Condições físicas e direitos, é bom que se diga.
Minha opinião é parecida com a legislação adotada por alguns dos Estados americanos: cada caso é um caso. O menor matou? Antes de ser julgado ou não, terá de passar por uma junta médica que atestará se ele, o criminoso, tem discernimento. Só menores de 12 anos estariam sujeitos à legislação especial. Aqui, um galalau de 17 anos e 10 meses mata, como foi o caso do assassinato do médico na Lagoa, no Rio, e não pode ser condenado por que é “di menor”...
Brasil é o 70° em qualidade de vida entre 86 países
O Brasil ocupa o desprestigiado 70º lugar num ranking que avalia a qualidade de vida de 86 países. A lista foi elaborada pelo Numbeo, o maior centro de dados do mundo com conteúdo gerado pelos próprios usuários da web. Entre os critérios usados, estão poder de compra, segurança, relação entre tráfego e tempo de viagem, assistência médica e nível de poluição. O primeiro lugar foi abocanhado pela Suíça, seguida de Alemanha e Suécia. Já na lanterninha, ficou a Venezuela, atrás da Mongólia e do Vietnã.
A compilação de dados não utilizou relatórios do governo de cada nação, mas sim pesquisas online feitas por internautas. Nas categorias avaliadas, o índice de poluição do lugar foi o que teve maior peso para a nota final do país.
"Se o ambiente está poluído demais, nem segurança, nem a economia podem compensar", afirmou o Numbeo em seu relatório. "O segundo maior peso ficou com a segurança, já que é mais importante se sentir seguro do que rico, em nossa opinião".
Na América do Sul, o Brasil só ganhou da Bolívia, que ficou com a 78ª posição, e da Venezuela, em último. Os índices em que a nação verde-amarela obteve as menores notas foram no de preços dos imóveis em relação às suas taxas de valorização e, justamente, na segurança. Os únicos países do continente que não participaram da pesquisa foram Guiana e Guiana Francesa.
Falta tudo, então!?

Falta generosidade e grandeza ao PT. O rebaixamento do debate político deve muito a essas falsificações históricas, quando o partido tenta enlamear as conquistas da sociedade brasileira contra as quais se posicionou. Na berlinda, Dilma agora se vê obrigada a admitir que o país não começou com o PT. Do mesmo modo que não vai acabar, apesar dos desastres do lulopetismo.
Um convite ao debate
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está na boca do povo, mesmo que pouca gente conheça o que ele faz. Nas manifestações pelas ruas do Brasil, no Congresso Nacional, na selva amazônica do Peru ou nas terras baixas da Bolívia, em Buenos Aires ou nas reuniões das maiores empresas nacionais e estrangeiras, o dinheiro que sai dos cofres de um dos mais importantes financiadores do mundo está na pauta. Todos querem saber o destino desses recursos do contribuinte brasileiro.
De norte a sul, de leste a oeste, o BNDES impulsiona a construção de estradas, hidrelétricas e gasodutos no país. A política de financiamento do banco faz parte da política externa do Brasil. Habilita empresas brasileiras, conhecidas por sua capacitação técnica e gerencial, a “internacionalizar-se”, isto é, ganhar competitividade nos mercados além-fronteira.
O BNDES viabiliza linhas de crédito para essas empresas competirem com suas rivais mundo afora. Exportando bens e serviços nacionais, as construtoras e suas obras têm impacto sobre a geração de empregos, a captação de investimentos, o estímulo ao comércio e à modernização tecnológica e a melhoria das condições de vida da população brasileira.
Na crise financeira de 2008, injetando recursos em obras de grande envergadura econômica e impacto social, o BNDES ajudou a implementar medidas anticíclicas que permitiram ao Brasil sair rapidamente da recessão.
Mas o desenvolvimento do Brasil é inseparável da economia global e, em particular, de nossa vizinhança latino-americana. A América do Sul detém um terço da água potável do mundo; no entanto, regularmente falta água para uso doméstico e na lavoura. Armazena uma das maiores reservas de energia do mundo (hídrica, térmica, solar, eólica, nuclear etc.); mas apagões ainda são comuns. Detém a mais produtiva agropecuária do mundo e jazidas minerais riquíssimas; mesmo assim milhões ainda vivem na miséria.
Transformar as potencialidades do continente em desenvolvimento requer consolidar um espaço regional verdadeiramente integrado e competitivo. Esse é o papel pensado nos últimos anos para o banco, o segundo grande objetivo do BNDES. Desde 2007, já desembolsou 8,5 bilhões de dólares na América Latina em projetos para consolidar malha continental de conexões em setores cruciais: energia, transportes e comunicações.
O BNDES viabiliza linhas de crédito para essas empresas competirem com suas rivais mundo afora. Exportando bens e serviços nacionais, as construtoras e suas obras têm impacto sobre a geração de empregos, a captação de investimentos, o estímulo ao comércio e à modernização tecnológica e a melhoria das condições de vida da população brasileira.
Na crise financeira de 2008, injetando recursos em obras de grande envergadura econômica e impacto social, o BNDES ajudou a implementar medidas anticíclicas que permitiram ao Brasil sair rapidamente da recessão.
Mas o desenvolvimento do Brasil é inseparável da economia global e, em particular, de nossa vizinhança latino-americana. A América do Sul detém um terço da água potável do mundo; no entanto, regularmente falta água para uso doméstico e na lavoura. Armazena uma das maiores reservas de energia do mundo (hídrica, térmica, solar, eólica, nuclear etc.); mas apagões ainda são comuns. Detém a mais produtiva agropecuária do mundo e jazidas minerais riquíssimas; mesmo assim milhões ainda vivem na miséria.
Transformar as potencialidades do continente em desenvolvimento requer consolidar um espaço regional verdadeiramente integrado e competitivo. Esse é o papel pensado nos últimos anos para o banco, o segundo grande objetivo do BNDES. Desde 2007, já desembolsou 8,5 bilhões de dólares na América Latina em projetos para consolidar malha continental de conexões em setores cruciais: energia, transportes e comunicações.
Contrareforma
O falido modelo federativo brasileiro agoniza e sofre vários reveses decorrentes da crise sem precedentes causada principal e notoriamente pelo indevido esbanjamento do dinheiro público com programas sociais. Na última década trilhões foram depenados dos cofres e quando menos o governo se deu conta, estávamos num mato sem cachorro, precisando de um ajuste fiscal, e a quebra dos direitos e garantias aos trabalhadores, pensionistas e aposentados.
A bem da verdade, e com todo o respeito, a Constituição de 1988 se consubstancia no maior engodo do século, pois tudo ou quase tudo que se encontra nela escrito nada de concreto existe. A começar pela previsão da taxa de juros de 12% ano jamais regulamentada, enquanto há contratos de cheque especial e cartão de crédito, cujos juros superam 300% ano.
E assim caminha o Brasil entre a turbulência de uma economia que definha e a pouca exuberância daqueles que se utilizam do sistema para ganhos mais do que lucrativos, espúrios. Necessitamos de uma contrareforma. O parlamento interpretou o movimento das ruas e impôs voto obrigatório, reduzindo a idade, talvez no aceno da maioridade penal, a fim de que candidatos adolescentes e jovens possam ser vereadores, prefeitos, deputados e senadores, mais uma anomalia muito provavelmente para favorecer ao sistema da capitanias hereditárias de netos e bisnetos de um coronelismo rançoso e preguiçoso que se auto-alimenta para o insucesso da cidadania.
Cogitar sobre a volta da CPMF é puro retrocesso. O governo quer gastar muito mais e tem pela frente as eleições municipais em 2016 o grande teste para a sobrevivência do modelo e as expectativas de mudança. Bem correto afirmar que a nossa população não há de esperar nada do parlamento ou da classe política, a qual se apega ao poder. Aumenta o tempo do mandato e se refugia na impunidade do exercício para a prática mais pequena de ilicitudes, temos que, urgentemente, acabar com o foro privilegiado e criar foros para julgamentos de delitos contra a improbidade e lei anticorrupção.
O tempo não tardará a demonstrar que a paciência do povo está no limite, com alta da inflação, desemprego e salários achatados, que o voto obrigatório sirva ao menos para a contrareforma nas urnas em 2016 e mudanças substanciais nessa triste e capenga realidade que nos coloca num atraso sem igual e uma destruição acentuada do mercado financeiro, de capitais, e inaceitavelmente a leniência que acoberta as práticas manifestamente delinquenciais.
Sorte que os americanos já estão no nosso pé e não demorarão muito para saírem as sentenças de condenação e indenização, o que lavará a alma da sociedade civil agredida pela corrupção.
Carlos Henrique Abrão
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