sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Dilma precisa oferecer algum tipo de esperança
Em momentos de ajuste na economia – de “saco de maldades”, como agora – Dilma precisa oferecer à população algum tipo de esperança. Alguma palavra de conforto. De que o sacrifício de hoje – o aumento de impostos, o reajuste da luz, da gasolina, de juros para casa própria, a restrição de acesso a benefícios como o seguro-desemprego – vai valer a pena mais para frente.
De otimista no Brasil, restou o “mercado” – aquelas instituições financeiras e bancos que lucram com a dívida pública brasileira. O “ajuste” é para isso, para manter a dívida pública administrável.
A pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou que o brasileiro, pela primeira vez em muitos meses, está francamente pessimista: 81% acham que a inflação vai aumentar, 62% acreditam na piora do desemprego, 57% acham que o poder de compra dos salários vai cair e 55% dizem que sua situação econômica pessoal vai piorar.
Todos esses números de pessimismo dispararam do início do ano para cá. De uma hora para outra, o brasileiro sentiu a piora da situação econômica, que já se anunciava há tempos, mas que o “saco de maldades” divulgado pelo governo desde dezembro parece ter tornado palpável. Acompanhado, é claro, de medidas que afetam diretamente o bolso, como o aumento das tarifas de ônibus.
A economia se tornou preocupação crucial para as famílias, o que não era três meses atrás, quando Dilma se reelegeu por um triz e o otimismo ainda prevalecia, segundo as pesquisas.
Seja como for, cabe a Dilma agora, como caberia a qualquer governante, dirigir-se ao país. Não vale aparecer cozinhando na propaganda eleitoral, como se íntima do eleitor fosse, para depois desaparecer da vida das pessoas.
Lula soube falar à população em seu primeiro mandato (2003-2006), quando também promoveu um ajuste forte na economia, mas de algum modo cultivou a esperança (de que o país mudaria, de que a situação melhoraria, em especial para os mais pobres). Lula teve a seu favor, é verdade, a conjuntura econômica internacional, basicamente a valorização nos preços das chamadas commodities, como minério de ferro e soja para exportação. Isso ficou no passado.
Dilma não conta com ventos econômicos favoráveis. Transmitir esperança diante desse horizonte é mais difícil ainda, mas necessário. Talvez a única coisa que Dilma tenha a fazer (e que não pesa no orçamento federal).
De otimista no Brasil, restou o “mercado” – aquelas instituições financeiras e bancos que lucram com a dívida pública brasileira. O “ajuste” é para isso, para manter a dívida pública administrável.
A pesquisa Datafolha divulgada recentemente apontou que o brasileiro, pela primeira vez em muitos meses, está francamente pessimista: 81% acham que a inflação vai aumentar, 62% acreditam na piora do desemprego, 57% acham que o poder de compra dos salários vai cair e 55% dizem que sua situação econômica pessoal vai piorar.
Todos esses números de pessimismo dispararam do início do ano para cá. De uma hora para outra, o brasileiro sentiu a piora da situação econômica, que já se anunciava há tempos, mas que o “saco de maldades” divulgado pelo governo desde dezembro parece ter tornado palpável. Acompanhado, é claro, de medidas que afetam diretamente o bolso, como o aumento das tarifas de ônibus.
A economia se tornou preocupação crucial para as famílias, o que não era três meses atrás, quando Dilma se reelegeu por um triz e o otimismo ainda prevalecia, segundo as pesquisas.
Seja como for, cabe a Dilma agora, como caberia a qualquer governante, dirigir-se ao país. Não vale aparecer cozinhando na propaganda eleitoral, como se íntima do eleitor fosse, para depois desaparecer da vida das pessoas.
Lula soube falar à população em seu primeiro mandato (2003-2006), quando também promoveu um ajuste forte na economia, mas de algum modo cultivou a esperança (de que o país mudaria, de que a situação melhoraria, em especial para os mais pobres). Lula teve a seu favor, é verdade, a conjuntura econômica internacional, basicamente a valorização nos preços das chamadas commodities, como minério de ferro e soja para exportação. Isso ficou no passado.
Dilma não conta com ventos econômicos favoráveis. Transmitir esperança diante desse horizonte é mais difícil ainda, mas necessário. Talvez a única coisa que Dilma tenha a fazer (e que não pesa no orçamento federal).
Prefeitos testam 'vacinas' contra violência
Crianças em centro recreativo em Cáli, na Colômbia
Três cidades com alta taxa de homicídio aplicam fórmulas que não passam pela linha duraÉ uma discussão que se repete nos meios de comunicação e nas campanhas políticas dos países mais afetados pela violência criminosa: é preciso aplicar em maior escala a linha dura, ser mais implacável e até considerar a possibilidade da pena de morte para os casos mais graves.
Mas alguns governantes locais da América Latina estão mostrando em seu território que nem sempre usar a violência para reduzir a violência é a melhor opção. E que às vezes, com medidas simples, práticas e de muito baixo custo, são obtidos resultados positivos.
Durante uma visita à sede do Banco Mundial, em Washington, três prefeitos de cidades consideradas entre as mais violentas da região compartilharam suas fórmulas pouco convencionais para resolver um problema que em muitos países afeta principalmente os jovens e é a principal preocupação da população.
Há muito tempo essa instituição considera a insegurança da população como um dos grandes temas do desenvolvimento no futuro e trabalha junto aos Governos dos países, mas também de Estados e municípios, para apoiar enfoques diferentes e soluções práticas e inovadoras para o tema da violência.
Um exemplo é Rodrigo Guerrero, prefeito de Cali (Colômbia), que em seus dois mandatos como governante local (1992-1994 e 2012-2015) aplicou seus conhecimentos de médico epidemiologista para tratar as altas taxas de homicídios em sua cidade da mesma forma que se faria com uma doença de origem desconhecida.
"É um método que chamo de 'Epidemiologia da Violência' e que já é aplicado em várias cidades da Colômbia e também em outros países."
Essa análise científica da realidade fez com que as autoridades tomassem medidas diferentes em regiões diferentes. Em alguns lugares foi melhorada a iluminação pública, em outros foi proibida a venda de álcool depois de determinado horário, em outros, foi aumentada a presença da polícia.
O desafio para Guerrero, quando aplicou esse método pela primeira vez, há mais de 20 anos, foi demonstrar que isso que ele pretendia tratar como se fosse uma epidemia poderia efetivamente ser erradicado.
O desafio para Guerrero, quando aplicou esse método pela primeira vez, há mais de 20 anos, foi demonstrar que isso que ele pretendia tratar como se fosse uma epidemia poderia efetivamente ser erradicado.
"Cali tinha um índice de 126 assassinatos por 100.000 habitantes, quando entrei estava em 83, agora está em 62. É uma taxa de homicídios que ainda consideramos inaceitável, mas continuaremos a baixá-la, porque já sabemos como atacar o problema criteriosamente", diz Guerrero.
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O PT não piorou, sempre foi assim
A estratégia, agora, é apresentar o PT que vemos como deturpação do PT de outrora, honrado defensor dos mais elevados valores morais. Que papo mais furado (desculpem a vulgaridade da expressão)! Trata-se de pura mistificação, para transmitir a ideia de que esse partido, no convívio de 35 anos com os demais alinhamentos políticos, descuidou-se e absorveu os maus exemplos que estes lhe transmitiram.
Quem comprar a tese, fica convencido de que o PT, ao contrário das outras siglas, teve um passado límpido, com cheirinho de talco Johnson para bebês, podendo voltar às suas boas raízes, como novo filho pródigo. Os outros estão eternamente condenados. A salvação para o Brasil, portanto, só poderia vir de um PT repaginado, saído do Photoshop. Dá-me forças para viver!
Mais uma vez, erro e falsidade. O PT sempre foi assim, como venho registrando desde 1988, quando comecei a escrever para as páginas grandes do velho Correio do Povo. Desde o início, o partido foi movido por um projeto de poder inspirado nas piores e mais fracassadas teses políticas que a humanidade experimentou no século passado.
Na origem de suas concepções e condutas está, também, a essência da perversão política: a regra de que os fins justificam os meios. Muitos de seus principais dirigentes, antes mesmo de o partido existir, sequestravam aviões, exigiam resgate, recebiam recursos de potências comunistas, viveram décadas às custas do produto de assaltos que praticaram em dezenas de empresas, joalherias e em mais de uma centena de agências bancárias.
Mesmo antes de o PT existir, esses mesmos dirigentes estavam comprometidos com uma visão perversa de Estado. Eram contra a democracia representativa, adversários da economia de mercado, organizavam movimentos fora da lei, que afrontavam a Justiça, a ordem pública e o direito de propriedade. Levaram à Constituinte de 1988 teses com o confessado e documentado objetivo de implantar no Brasil um Estado socialista com enorme ingerência nas atividades econômicas e na vida privada.
Em nenhum momento de sua história, seja como partido oposicionista dedicado a assassinar reputações, seja como condutor do governo, o Partido dos Trabalhadores mostrou qualquer apreço pelas nações democráticas, pelas economias livres, pelos países que prosperaram sob sólidas instituições liberais.
Todo o apreço do PT fluiu, sempre, para regimes totalitários, arautos do atraso e do subdesenvolvimento. Durante o regime militar, os que deixavam o país buscavam refúgio no Chile comunista de Allende, na Argélia de Boumédiènne, em Cuba de Fidel, e atrás da Cortina de Ferro. Mantiveram e mantêm estreitas relações com os movimentos de guerrilha e terrorismo comunista da América Latina, os quais foram convocados por Lula e Fidel para integrar o Foro de São Paulo. No poder, a atração pelas más companhias se voltou, também, para os piores líderes africanos, corruptos, ditadores e genocidas. Faz e distribui sorrisos a governos fundamentalistas islâmicos e jamais repreendeu um terrorista sequer.
A corrupção que arrasou a Petrobras e fez jorrar dinheiro do Tesouro aos amigos do rei e da rainha através do BNDES reproduz, em escala bilionária, o que acontecia em muitas das primeiras prefeituras do partido nos negócios com coleta de lixo.
Percival Puggina
Quem comprar a tese, fica convencido de que o PT, ao contrário das outras siglas, teve um passado límpido, com cheirinho de talco Johnson para bebês, podendo voltar às suas boas raízes, como novo filho pródigo. Os outros estão eternamente condenados. A salvação para o Brasil, portanto, só poderia vir de um PT repaginado, saído do Photoshop. Dá-me forças para viver!
Mais uma vez, erro e falsidade. O PT sempre foi assim, como venho registrando desde 1988, quando comecei a escrever para as páginas grandes do velho Correio do Povo. Desde o início, o partido foi movido por um projeto de poder inspirado nas piores e mais fracassadas teses políticas que a humanidade experimentou no século passado.
Na origem de suas concepções e condutas está, também, a essência da perversão política: a regra de que os fins justificam os meios. Muitos de seus principais dirigentes, antes mesmo de o partido existir, sequestravam aviões, exigiam resgate, recebiam recursos de potências comunistas, viveram décadas às custas do produto de assaltos que praticaram em dezenas de empresas, joalherias e em mais de uma centena de agências bancárias.
Mesmo antes de o PT existir, esses mesmos dirigentes estavam comprometidos com uma visão perversa de Estado. Eram contra a democracia representativa, adversários da economia de mercado, organizavam movimentos fora da lei, que afrontavam a Justiça, a ordem pública e o direito de propriedade. Levaram à Constituinte de 1988 teses com o confessado e documentado objetivo de implantar no Brasil um Estado socialista com enorme ingerência nas atividades econômicas e na vida privada.
Em nenhum momento de sua história, seja como partido oposicionista dedicado a assassinar reputações, seja como condutor do governo, o Partido dos Trabalhadores mostrou qualquer apreço pelas nações democráticas, pelas economias livres, pelos países que prosperaram sob sólidas instituições liberais.
Todo o apreço do PT fluiu, sempre, para regimes totalitários, arautos do atraso e do subdesenvolvimento. Durante o regime militar, os que deixavam o país buscavam refúgio no Chile comunista de Allende, na Argélia de Boumédiènne, em Cuba de Fidel, e atrás da Cortina de Ferro. Mantiveram e mantêm estreitas relações com os movimentos de guerrilha e terrorismo comunista da América Latina, os quais foram convocados por Lula e Fidel para integrar o Foro de São Paulo. No poder, a atração pelas más companhias se voltou, também, para os piores líderes africanos, corruptos, ditadores e genocidas. Faz e distribui sorrisos a governos fundamentalistas islâmicos e jamais repreendeu um terrorista sequer.
A corrupção que arrasou a Petrobras e fez jorrar dinheiro do Tesouro aos amigos do rei e da rainha através do BNDES reproduz, em escala bilionária, o que acontecia em muitas das primeiras prefeituras do partido nos negócios com coleta de lixo.
Percival Puggina
Democracia não se negocia
O perigo não são os artistas, mas os assassinos, eles é que devem ser encontrados e detidos. Não se negocia com conceitos como a democracia ou a liberdade de expressão. Não podemos deixar que as ameaças nos condicionem e nos levem a duvidar de nossas leis. Não podemos sucumbir. Não podemos mudar nossa ideia de democracia só porque alguns assassinos não gostam dela
Lars Vilks, o desenhista sueco queera alvo do atentado em Copenhague
Escolas de corrupção
É paradoxal que os políticos cometam o crime de alta traição, roubando o povo, e este siga votando nelesExistem termos, como bondade e justiça, que todos aspiramos a atingir, sem conseguir, e outros, como corrupção, que todos queremos combater, também sem conseguir. A corrupção se tornou a enfermidade incurável das democracias e está roendo, no Brasil, no México, na Espanha e em muitos outros países, as bases do sistema de convivência e a credibilidade política.
Ao se analisar sua origem —independentemente de sua justificativa histórica de herança da Espanha a suas colônias—, não é um problema que se esclareça ou se corrija apenas com leis, com iniciativas mais ou menos intermitentes da Justiça ou com grandes campanhas de denúncia na imprensa. Com ela acontece, geneticamente, como com o instinto democrático, o respeito às leis ou à vida: há coisas que não são aprendidas porque a lei obrigue, mas porque são mamadas desde o berço. Pois bem, o mundo latino não mamou o desprezo à corrupção.
Nesse contexto, caso se perguntasse a Lula da Silva por que durante seu mandato foi organizada a maior rede de corrupção da história, num sistema tão prostituído como o brasileiro, o ex-presidente e os membros de seu governo responderiam que o fim justificava os meios. Numa visão tática, a justificativa seria que, em vista de ser a primeira vez que a esquerda governava o Brasil, não se poderia deter o avanço da história em razão de pequenas considerações morais. Dessa maneira nasceu o caso do Mensalão (o escândalo das mensalidades, isso é, a compra de votos pura e simples no Congresso), e dele, o da Petrobras, e dali, a destruição do sistema.
Leia mais o artigo de Antonio Navalón
(...) A corrupção evidencia o que parecem esquecer os populares, de um lado, e os dirigentes, do outro: os políticos vêm do povo que traem, usando a corrupção como uma arma, ainda que aparente, de desenvolvimento social.
Ao final, parece que ninguém escapa da tradição da corrupção nos países latinos. Não é que essa não ocorra nos anglo-saxões, mas eles têm mais instinto de sobrevivência e um sentimento, não sei se de temor ou de convicção, inculcado desde o berço, de que a corrupção não fica impune, embora quando explode seja tão brutal quanto em nossa cultura, na qual nascemos obrigados ao direito de ser corruptos.
Dilma demarcou território com tratamento de 'presidenta'
A criação do Partido dos Trabalhadores (PT), que fez há dias 35 anos de vida, não foi uma tragédia que se abateu sobre o país. No início, suas ideias e sua pregação em favor da ética na política sensibilizaram alguns milhões de brasileiros bem-intencionados. Com sua chegada ao poder, porém, e obcecadas por um projeto autoritário (a cor pouco importa), suas principais lideranças o conspurcaram.
A decepção que manifesto em relação ao PT não é a de um brasileiro (como eu) sem nenhuma importância para o partido. Apenas repito o que já disseram muitos dos seus ex-filiados, imbuídos de belos sonhos e sinceros compromissos, mas que se desligaram dele faz tempo. O partido deixou a ética de lado para se fundir ao que há de pior na política brasileira. E, em relação a seus governos (dois do ex-presidente Lula e um de Dilma), a decepção só não é maior do que o medo causado pelo governo que se iniciou há pouco mais de um mês.
Na realidade, na (soberba) exigência do tratamento de “presidenta”, no início do seu primeiro mandato (uma bobagem, que depressa se transformou em chacota nas redes sociais), Dilma revelou sua personalidade autoritária. Que, aliás, já havia se revelado nas duas vezes em que foi ministra de Estado e, também, na Petrobras, ocasião em que atuou (ou deveria ter atuado), ainda como ministra de Minas e Energia, na condição de presidente do seu Conselho de Administração.
Não houve, naquele instante, um companheiro sequer para lhe dizer ao pé do ouvido que esse tratamento era forçado, inócuo, antipático e reforçava ainda mais o seu ímpeto voluntarista. Ao contrário, os puxa-sacos que a rodeiam não só a aplaudiram como insistiram em manter o tratamento castiço (para eles) do ponto de vista linguístico, pertinente e politicamente “personalizado”. Viu-se aí que Dilma demarcou com clareza seu território. A exigência, antes feita a seus auxiliares mais próximos, estendeu-se imediatamente aos demais, dos mais humildes aos mais graduados. Voluntariosa, governou de maneira autoritária e solitária e, por isso, colhe agora os frutos que semeou.
Depois de uma campanha raivosa, cheia de evasivas e mentiras, a presidente simplesmente se recolheu e desapareceu do mapa, sem dar satisfação, como se não tivesse a ver com o país que preside (preside?) pela segunda vez. O resultado não poderia ser outro: no dia seguinte à celebração dos 35 anos do PT, três meses após sua reeleição, sua popularidade simplesmente despencou, levando-a a córner, quase indefesa, segundo revela recente pesquisa do Datafolha.
O instituto registra, também, que 60% dos brasileiros consideram que ela mentiu na campanha e quase 70% a consideram desonesta. O imbróglio que envolve a presidente se agrava a cada dia. O termo “impeachment” – instrumento legítimo de autodefesa do regime democrático, mas que pode servir aos golpistas de ambos os lados – é feio, e mais feio é seu sentido, como disse Carlos Heitor Cony. Mas quem o acordou foi a presidente, que desdisse o que disse a candidata.
O economista André Lara Resende, no artigo “O choque de realidade”, no “Estadão” de 7.2.2015, propõe “uma coalizão suprapartidária para reconciliar o país, reconstruir o Estado e resgatar a capacidade de formular políticas para enfrentar a crise”. Isso impediria que “caminhemos no sentido da sua radicalização e da sua divisão”.
A outra opção é brincar com fogo, leitor…
Acílio Lara Resende
A decepção que manifesto em relação ao PT não é a de um brasileiro (como eu) sem nenhuma importância para o partido. Apenas repito o que já disseram muitos dos seus ex-filiados, imbuídos de belos sonhos e sinceros compromissos, mas que se desligaram dele faz tempo. O partido deixou a ética de lado para se fundir ao que há de pior na política brasileira. E, em relação a seus governos (dois do ex-presidente Lula e um de Dilma), a decepção só não é maior do que o medo causado pelo governo que se iniciou há pouco mais de um mês.
Na realidade, na (soberba) exigência do tratamento de “presidenta”, no início do seu primeiro mandato (uma bobagem, que depressa se transformou em chacota nas redes sociais), Dilma revelou sua personalidade autoritária. Que, aliás, já havia se revelado nas duas vezes em que foi ministra de Estado e, também, na Petrobras, ocasião em que atuou (ou deveria ter atuado), ainda como ministra de Minas e Energia, na condição de presidente do seu Conselho de Administração.
Não houve, naquele instante, um companheiro sequer para lhe dizer ao pé do ouvido que esse tratamento era forçado, inócuo, antipático e reforçava ainda mais o seu ímpeto voluntarista. Ao contrário, os puxa-sacos que a rodeiam não só a aplaudiram como insistiram em manter o tratamento castiço (para eles) do ponto de vista linguístico, pertinente e politicamente “personalizado”. Viu-se aí que Dilma demarcou com clareza seu território. A exigência, antes feita a seus auxiliares mais próximos, estendeu-se imediatamente aos demais, dos mais humildes aos mais graduados. Voluntariosa, governou de maneira autoritária e solitária e, por isso, colhe agora os frutos que semeou.
Depois de uma campanha raivosa, cheia de evasivas e mentiras, a presidente simplesmente se recolheu e desapareceu do mapa, sem dar satisfação, como se não tivesse a ver com o país que preside (preside?) pela segunda vez. O resultado não poderia ser outro: no dia seguinte à celebração dos 35 anos do PT, três meses após sua reeleição, sua popularidade simplesmente despencou, levando-a a córner, quase indefesa, segundo revela recente pesquisa do Datafolha.
O instituto registra, também, que 60% dos brasileiros consideram que ela mentiu na campanha e quase 70% a consideram desonesta. O imbróglio que envolve a presidente se agrava a cada dia. O termo “impeachment” – instrumento legítimo de autodefesa do regime democrático, mas que pode servir aos golpistas de ambos os lados – é feio, e mais feio é seu sentido, como disse Carlos Heitor Cony. Mas quem o acordou foi a presidente, que desdisse o que disse a candidata.
O economista André Lara Resende, no artigo “O choque de realidade”, no “Estadão” de 7.2.2015, propõe “uma coalizão suprapartidária para reconciliar o país, reconstruir o Estado e resgatar a capacidade de formular políticas para enfrentar a crise”. Isso impediria que “caminhemos no sentido da sua radicalização e da sua divisão”.
A outra opção é brincar com fogo, leitor…
Acílio Lara Resende
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
O 'companheiro' Obiang
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| PT abriu Planalto para receber ditador amigo |
A serviço da Odebrecht, uma das investigadas do Petrolão, o ex-presidente Lula já visitou o país africano duas vezes desde 2011. Numa delas, em missão oficial, pediu para ser acompanhado por um dos suspeitos de pagamento de propina para a Petrobras.
Lula já viajou para aquele país até em missão oficial para a presidente Dilma Rousseff. Desta vez, a controvérsia estava na companhia de Alexandrino Alencar, um diretor da Odebrechet que não constava na lista oficial enviada ao Itamaraty. (Leia mais)
Tanto os grandes veículos quanto as redes sociais não se acanharam em reconhecer que a Guiné Equatorial, país patrocinador do desfile da Beija Flor deste ano, é uma ditadura sangrenta. Teodoro Obiang é o ditador africano mais longevo no exercício do poder, há cerca de 35 anos mandando no país.
Pois esse regime facínora teve sua dívida perdoada por Dilma Rousseff, em 2013, numa anistia que incluiu outros países da África igualmente nada democráticos. (Leia mais)
Lula já viajou para aquele país até em missão oficial para a presidente Dilma Rousseff. Desta vez, a controvérsia estava na companhia de Alexandrino Alencar, um diretor da Odebrechet que não constava na lista oficial enviada ao Itamaraty. (Leia mais)
Tanto os grandes veículos quanto as redes sociais não se acanharam em reconhecer que a Guiné Equatorial, país patrocinador do desfile da Beija Flor deste ano, é uma ditadura sangrenta. Teodoro Obiang é o ditador africano mais longevo no exercício do poder, há cerca de 35 anos mandando no país.
Pois esse regime facínora teve sua dívida perdoada por Dilma Rousseff, em 2013, numa anistia que incluiu outros países da África igualmente nada democráticos. (Leia mais)
Falou e disse!
Pacote anticorrupção é só fantasia
Nunca antes, na História deste país, um governante (no caso, governanta) torceu tanto como Dilma Rousseff para que Carnaval chegasse logo e em Aratu ela pudesse mergulhar num provisório esquecimento, que lhe desse um mínimo de alívio. Mas acontece que a mídia é como o relógio, nunca deixa de funcionar. E já surgem más notícias sobre o chamado pacote anticorrupção, bolado pelo marqueteiro João Santana, que julga estar num circo e vai tentar convencer o respeitável público de que Dilma Rousseff se tornou a grande guardiã da ética e dos bons costumes, enfrentando até seu próprio partido, o PT.
Santana é um publicitário especializado em factóides. Ou seja, inventa pseudos fatos e os apresenta como se fossem verdadeiros. Assim, o marqueteiro agora quer nos convencer de que lutar contra a corrupção é o forte deste governo, no exato momento em que Dilma é atingida uma enxurrada de acusações de corrupção na Petrobras e nomeia para presidi-la justamente um executivo de notória ficha suja, que dirigiu o Banco do Brasil e fazia poupança no colchão, comprou apartamento em dinheiro vivo, foi denunciado pelo próprio motorista e ainda usou dinheiro público do próprio BB para patrocinar a carreira de uma bela amigona (digamos assim) na televisão.
O tal pacote anticorrupção é bem conhecido, porque já foi anunciado num longo e enfadonho discurso, escrito pelo marqueteiro e que a presidente leu na reunião de seu Ministério. No ardiloso pronunciamento, constaram como de autoria de Dilma Rousseff alguns projetos apresentados há anos ao Congresso por parlamentares de diversos partidos e que estão parados, porque o governo da própria Dilma jamais fez o menor esforço para aprová-los.
Agora, por obra e graça de João Santana, que é uma espécie de Rasputin do Planalto, Dilma Rousseff mais uma vez tentará assumir a autoria dessas propostas de parlamentares, cometendo uma usurpação política jamais vista na História deste país, registre-se.
Ao agir com tamanha deslealdade e falta de ética, tanto Santana quanto Dilma se utilizam de uma estratégia fantasiosa de fazer inveja a quem desfila no Sambódromo. Em seu carnavalesco delírio de Poder, Santana e Dilma agem como se todos os brasileiros estivessem vestidos de palhaços e impedidos de raciocinar. Mas é óbvio que a farsa será facilmente desmentida. Basta que se confiram os projetos e emendas apresentados ao Congresso, e logo surgirão os verdadeiros autores das propostas que Dilma tenta usurpar.
Ao contrário do que dizia Orson Welles em seu documentário filmado no Brasil, “é tudo mentira” no caso de Dilma e seu marqueteiro, incluindo o carro-chefe do pacote anticorrupção – a suposta criação de uma Secretaria de Controle das Empresas Estatais (SEST), que existe desde 1979 e foi substituída em 1990 pelo Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST), até hoje subordinado ao Ministério do Planejamento.
A única novidade que pode ser atribuída à criatividade de Santana, que tem tido preciosa ajuda do ministro Aloizio Mercadante nesse tipo de tarefa ilusória, é subordinar a nova SEST à Controladoria-Geral da União. Mas acontece que a CGU está à míngua, conforme denunciou recentemente o então ministro Jorge Hage, que se demitiu revelando que a Controladoria não tem recursos para desempenhar suas próprias funções, mas agora passará a suportar ainda mais despesas com falsa criação da SEST.
Do jeito que vai, a CGU se arrisca a ficar como as embaixadas e consulados, sem verbas para pagar nem mesmo as contas de água, energia, telefone e internet. Mas Dilma, Santana e Mercadante não estão nem aí, o único interesse deles é seguir enganando a opinião pública com factóides que propaguem a ilusão de que Dilma Rousseff não tem nada a ver com a corrupção do PT e que, pelo contrário, não faz outra coisa a não ser lutar contra os “malfeitos” do partido e da base aliada.
Para culminar, só falta Dilma nomear para a nova SEST o petista Sérgio Seabra, secretário-adjunto de Controle Interno da CGU. Ligado ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Seabra chegou a ser investigado por vazamento de informações, sua casa foi alvo de um mandado de busca e apreensão em 2013, mas estranhamente a investigadora da Controladoria responsável pelo caso acabou recuando. Segundo o repórter Gabriel Castro, da Veja, Seabra é braço-direito de Francisco Bessa na CGU e está cotado para assumir a SEST.
“Ambos trabalharam com Mercadante quando ele foi ministro da Educação. Bessa ainda esteve ao lado do ministro na Casa Civil. A dupla se junta a Valdir Simão, o ministro-chefe da CGU, outro nome de confiança do ministro. Para quem conhece Mercadante, não chega a ser novidade seu gosto pelo controle”, assinala o jornalista.
E ainda acham que impeachment é golpe?
Santana é um publicitário especializado em factóides. Ou seja, inventa pseudos fatos e os apresenta como se fossem verdadeiros. Assim, o marqueteiro agora quer nos convencer de que lutar contra a corrupção é o forte deste governo, no exato momento em que Dilma é atingida uma enxurrada de acusações de corrupção na Petrobras e nomeia para presidi-la justamente um executivo de notória ficha suja, que dirigiu o Banco do Brasil e fazia poupança no colchão, comprou apartamento em dinheiro vivo, foi denunciado pelo próprio motorista e ainda usou dinheiro público do próprio BB para patrocinar a carreira de uma bela amigona (digamos assim) na televisão.
O tal pacote anticorrupção é bem conhecido, porque já foi anunciado num longo e enfadonho discurso, escrito pelo marqueteiro e que a presidente leu na reunião de seu Ministério. No ardiloso pronunciamento, constaram como de autoria de Dilma Rousseff alguns projetos apresentados há anos ao Congresso por parlamentares de diversos partidos e que estão parados, porque o governo da própria Dilma jamais fez o menor esforço para aprová-los.
Agora, por obra e graça de João Santana, que é uma espécie de Rasputin do Planalto, Dilma Rousseff mais uma vez tentará assumir a autoria dessas propostas de parlamentares, cometendo uma usurpação política jamais vista na História deste país, registre-se.
Ao agir com tamanha deslealdade e falta de ética, tanto Santana quanto Dilma se utilizam de uma estratégia fantasiosa de fazer inveja a quem desfila no Sambódromo. Em seu carnavalesco delírio de Poder, Santana e Dilma agem como se todos os brasileiros estivessem vestidos de palhaços e impedidos de raciocinar. Mas é óbvio que a farsa será facilmente desmentida. Basta que se confiram os projetos e emendas apresentados ao Congresso, e logo surgirão os verdadeiros autores das propostas que Dilma tenta usurpar.
Ao contrário do que dizia Orson Welles em seu documentário filmado no Brasil, “é tudo mentira” no caso de Dilma e seu marqueteiro, incluindo o carro-chefe do pacote anticorrupção – a suposta criação de uma Secretaria de Controle das Empresas Estatais (SEST), que existe desde 1979 e foi substituída em 1990 pelo Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (DEST), até hoje subordinado ao Ministério do Planejamento.
A única novidade que pode ser atribuída à criatividade de Santana, que tem tido preciosa ajuda do ministro Aloizio Mercadante nesse tipo de tarefa ilusória, é subordinar a nova SEST à Controladoria-Geral da União. Mas acontece que a CGU está à míngua, conforme denunciou recentemente o então ministro Jorge Hage, que se demitiu revelando que a Controladoria não tem recursos para desempenhar suas próprias funções, mas agora passará a suportar ainda mais despesas com falsa criação da SEST.
Do jeito que vai, a CGU se arrisca a ficar como as embaixadas e consulados, sem verbas para pagar nem mesmo as contas de água, energia, telefone e internet. Mas Dilma, Santana e Mercadante não estão nem aí, o único interesse deles é seguir enganando a opinião pública com factóides que propaguem a ilusão de que Dilma Rousseff não tem nada a ver com a corrupção do PT e que, pelo contrário, não faz outra coisa a não ser lutar contra os “malfeitos” do partido e da base aliada.
Para culminar, só falta Dilma nomear para a nova SEST o petista Sérgio Seabra, secretário-adjunto de Controle Interno da CGU. Ligado ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, Seabra chegou a ser investigado por vazamento de informações, sua casa foi alvo de um mandado de busca e apreensão em 2013, mas estranhamente a investigadora da Controladoria responsável pelo caso acabou recuando. Segundo o repórter Gabriel Castro, da Veja, Seabra é braço-direito de Francisco Bessa na CGU e está cotado para assumir a SEST.
“Ambos trabalharam com Mercadante quando ele foi ministro da Educação. Bessa ainda esteve ao lado do ministro na Casa Civil. A dupla se junta a Valdir Simão, o ministro-chefe da CGU, outro nome de confiança do ministro. Para quem conhece Mercadante, não chega a ser novidade seu gosto pelo controle”, assinala o jornalista.
E ainda acham que impeachment é golpe?
Ainda há Carnaval?
Se o centro do carnaval era celebrar abertamente a malandragem e a esbórnia do igualitário, relativizando o luxo dos aristocratas e o poder de impunidade dos poderosos, teria isso algum valor festivo no Brasil de hoje?
Atualmente, falou o velho brasilianista um tanto serio, ocorre um escândalo carnavalesco todos os dias. O governo, mascarado, mente carnavalescamente. Acabou-se o riso alegre dos papéis invertidos. Hoje, o guardião dos recursos públicos é o primeiro a roubá-los. O dinheiro do povo é posto aos bilhões em bancos estrangeiros. Virou uma rotina a afinidade predatória do Estado para com a sociedade.Se não há mais ordem, como — pergunto eu — viver uma festa da desordem? O carnaval tornou-se banal, medíocre, trivial e diário.
Se o escândalo público e a ausência de punição são triviais, se os criminosos tornam-se heróis e, no máximo, transformam-se em máscaras carnavalescas, eu questiono: ainda há carnaval?Leia mais o artigo de Roberto DaMatta
Em busca da governabilidade perdida
Caso não aja uma correção de rumo, o envelhecimento precoce do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seguirá de forma inexorável
A agressividade dos tempos eleitorais recentes inviabilizou o diálogo do governo com a oposição. No pós-eleitoral, quando uma mão estendida seria o mais adequado, não houve comportamento adequado. O governo precisa então entender que ganhar eleição é uma coisa; já governar é outra completamente diferente.
Agora, o governo está sendo cozido dentro de uma panela de pressão. Por vontade própria, colocou-se dentro da panela e, gradualmente, foi aumentando a temperatura. No campo econômico, a solução implementada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vive em meio a dois desafios: resolver as questões econômicas e lidar, simultaneamente, com o fogo amigo.
No campo político, foram meses – já que o novo governo começou, de fato, após o segundo turno, em outubro passado – de confusão e desentendimento. Tal conjuntura demoliu a popularidade do governo e agregou mais pressão.
Onde vai parar tudo isso? Caso não aja uma correção de rumo, o envelhecimento precoce do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seguirá de forma inexorável. Não é, obviamente, o que ela deseja. O que fazer?
Leia mais o artigo de Murillo de Aragão
Penhora de prédio é mais uma façanha de Dirceu
Todos sabem que, na véspera do Carnaval, surgiu mais um constrangimento para a Petrobras, com a divulgação da notícia de que a Justiça determinou que seja hipotecado o edifício-sede da estatal, no centro do Rio de Janeiro, para garantir uma dívida de R$ 935 milhões. O valor é referente a uma indenização devida à refinaria de Manguinhos por supostos prejuízos causados, entre 2002 e 2008, pela política de preços de combustíveis praticada pela estatal.
O processo de Manguinhos contra a estatal foi iniciado em 2013 e pode durar mais de uma década. Na primeira instância, a Petrobras foi condenada a pagar a indenização em dezembro do ano passado. Com as dificuldades financeiras enfrentadas por causa da Operação Lava Jato, a refinaria Manguinhos entrou em janeiro com o pedido de hipoteca judicial, mas somente será executado caso se esgotem os recursos da Petrobras em todas as instâncias e a estatal seja definitivamente condenada a pagar a indenização.
A longeva e sucateada refinaria de Manguinhos, que pertencia à petroleira espanhola Repsol , já estava há anos à beira da falência quando foi arrendada pelo grupo Andrade Magro, do qual fazem parte as empresas Grandiflorum e a Ampar.
Em 2008, a família Magro assumiu o controle de Manguinhos e entregou a presidência da refinaria ao jornalista Marcelo Sereno, que tinha sido chefe de gabinete do ex-ministro José Dirceu na Casa Civil, era secretário nacional de Comunicação do PT e se tornara uma das principais testemunhas de defesa do deputado cassado no escândalo do mensalão. No PT, todos sabiam que Sereno era o braço-direito de Dirceu.
A família Magro era especialista em sonegação fiscal no setor de combustíveis e se aproximara de Sereno em 2002, quando ele era chefe de gabinete do governo da petista Benedita da Silva, uma gestão de apenas nove meses e que ficou conhecida por sua generosidade fiscal no trato com grandes sonegadores, digamos assim.
A quadrilha de Magro então passou a explorar uma modalidade de fraude possibilitada pelo uso, de forma irregular, de um regime especial de tributação concedido pela então governadora Benedita da Silva, que desobrigou as distribuidoras de recolher o imposto na origem (quando compravam o combustível na refinaria).
Para não pagar o ICMS também na venda aos postos, essas empresas trambiqueiras simulavam operações interestaduais de comércio de combustível. Era o golpe do chamado “passeio da nota”, no qual só as notas fiscais viajavam, enquanto o produto era vendido na rede de abastecimento do Rio de Janeiro.
Houve uma sucessão de liminares na Justiça do Rio, e a primeira empresa favorecida foi a Inca Combustíveis, de Hiroshi Abe Júnior, identificado pela Polícia como um dos “cabeças” da suposta quadrilha liderada por Magro.
Na Assembleia Legislativa do Rio, uma CPI apurou que, entre 2002 e 2006, o esquema teria produzido um rombo de pelo menos R$ 850 milhões na arrecadação. Embora o empresário Ricardo Magro insista em afirmar que só assumiu a refinaria em 2008, a Polícia e o Ministério Público estão convencidos de que, mesmo antes do negócio, empresas que já gravitavam em torno de Magro usavam a refinaria de Manguinhos como plataforma das ações de sonegação.
Em 2010, sempre por coincidência, Marcelo Sereno assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo de Maricá, município da Região dos Lagos, no Rio. Sua missão era administrar os R$ 20 milhões de royalties que Maricá passaria a receber por mês, pela extração do pré-sal no campo de Tupi, na Bacia de Santos.
Em nota oficial sobre a posse de Sereno, disse em mau português o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, que hoje é presidente regional do PT: “A expectativa é que o volume de recursos provenientes da exploração de petróleo possa ser ampliado, passando dos R$ 36 milhões atuais para R$ 240 milhões por ano e que Marcelo Sereno está pronto para assumir mais esse desafio e contribuir, trabalhando, pensando e executando para o desenvolvimento amplo de Maricá”.
É justamente essa quadrilha que conseguiu agora penhorar o edifício-sede da Petrobras, mostrando que o Brasil está de cabeça para baixo e por aqui o crime realmente compensa.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Alerta sobre a volta, reformada
Os escândalos se sucedem e não acontece nada
Os escândalos se sucedem a cada dia, é um nunca-acabar. E não acontece rigorosamente nada, a presidente da República reúne os parentes, usa o avião do governo e conduz a família para passar o Carnaval numa base da Marinha, algo impensável e inadmissível num país desenvolvido como a Alemanha, onde o marido da chanceler Angela Merkel só pode entrar no avião do governo se pagar passagem, que é caríssima, por ser calculada sobre o custo da viagem.
É realmente impressionante que nós brasileiros, homens e mulheres de bem, trabalhadores, honestos, profissionais retos, estejamos sendo governados por políticos destituídos de caráter, verdadeiros apedeutas e charlatões que dominam a cúpula administrativa do país. Por quanto tempo ainda vamos aceitar que governantes medíocres e enganadores, em conluio com políticos corruptos, acabem com o patrimônio público, a exemplo do mensalão e do petrolão, para citarmos apenas as duas mais recentes falcatruas?
Será que temos uma Justiça tão irresponsável, tão covarde a ponto de garantir a impunidade dessa choldra? Será que tais desmandos são suportados por pura inércia?
Desculpem pela forma tão rude de me expressar, fazendo essas indagações, mas será que estamos desprovidos do orgulho da dignidade, que deveria ser inerente a todo ser humano, que precisa se fazer respeitar e demonstrar a seus filhos o que é o joio e o trigo, ou seja, o que presta ou não presta? Infelizmente, não estamos praticando esta maneira altiva de proceder, e parece que jamais teremos coragem de colocá-la em prática. Isto é Brasil.
César Cavalcanti
É realmente impressionante que nós brasileiros, homens e mulheres de bem, trabalhadores, honestos, profissionais retos, estejamos sendo governados por políticos destituídos de caráter, verdadeiros apedeutas e charlatões que dominam a cúpula administrativa do país. Por quanto tempo ainda vamos aceitar que governantes medíocres e enganadores, em conluio com políticos corruptos, acabem com o patrimônio público, a exemplo do mensalão e do petrolão, para citarmos apenas as duas mais recentes falcatruas?
Será que temos uma Justiça tão irresponsável, tão covarde a ponto de garantir a impunidade dessa choldra? Será que tais desmandos são suportados por pura inércia?
Desculpem pela forma tão rude de me expressar, fazendo essas indagações, mas será que estamos desprovidos do orgulho da dignidade, que deveria ser inerente a todo ser humano, que precisa se fazer respeitar e demonstrar a seus filhos o que é o joio e o trigo, ou seja, o que presta ou não presta? Infelizmente, não estamos praticando esta maneira altiva de proceder, e parece que jamais teremos coragem de colocá-la em prática. Isto é Brasil.
César Cavalcanti
Na poeira da ruína
Corrupção e má gerência deixaram em agonia o projeto mais ambicioso dos governos Lula e Dilma. Na Sete Brasil há algo insólito: conseguiram desmoralizar o “conteúdo nacional”
Um legado de corrupção e má gerência deixou em agonia o projeto industrial mais ambicioso dos governos Lula e Dilma Rousseff: um empreendimento de US$ 89 bilhões (R$ 240,3 bilhões) para construção e operação de 23 navios-sonda e seis plataformas vitais à Petrobras na exploração da camada pré-sal.
Lula mobilizou empresários com o privilégio da reserva de mercado. Uniu a mão invisível do Estado à calculadora do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.
O presidente recebeu a confirmação do nascimento da Sete Brasil na quarta-feira 22 de dezembro de 2010, uma semana antes de passar a faixa presidencial a Dilma Rousseff.
A lenta agonia da Sete Brasil deixa transparecer algo insólito:
conseguiram desmoralizar até o “conteúdo nacional".
O que era construção dissipa-se na poeira da ruína. E uma nova conta vai
sobrar para os cofres públicos, via Petrobras e fundos de pensão estatais.
A reunião inaugural aconteceu no número 228 da Praia de Botafogo, no Rio, sob o comando de João Carlos de Medeiros Ferraz e Pedro José Barusco Filho, saídos da estatal de petróleo. Era um conglomerado com mais de três dezenas de subsidiárias e um só ativo (29 contratos) — tudo com um único cliente, a Petrobras.
Oficialmente, o grupo é privado, controlado pelo fundo FIP-Sondas (95%) e Petrobras (5%).
Na vida real não é bem assim. O governo determinou a fundos de pensão (Previ, Petros, Funcef e Valia) que comprassem metade do FIP-Sondas. Junto com a Petrobras têm 59% das cotas.
O BTG de Esteves lidera o bloco privado (com 20%), seguido pelo Bradesco e Santander (12%, somados). O restante (9%) está fracionado entre EIG Global , Lakeshore e Luce Venture Capital.
Antes de fechar seu primeiro balanço, em 2011, a Sete Brasil já acumulava US$ 75 bilhões (R$ 202,5 bilhões) em contratos com a Petrobras. Para cada um criou uma sociedade com grupos nacionais (Camargo Correa, Engevix, Queiroz Galvão, Odebrecht, UTC e OAS) e asiáticos (Keppel Fels, Jurong, Kawasaki e Cosco).
A Petrobras topou pagar US$ 720 milhões (R$ 1,4 bilhão) por cada sonda. E mais US$ 500 mil (R$ 1,3 milhão) por diária de operação.
Tudo acertado, no final de 2011 os principais executivos, João Carlos Ferraz (presidente) e Barusco Filho (diretor financeiro), desembarcaram em Milão para jantar com gerentes do Banco Cramer, de Lugano (Suíça). Com eles estava Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras.
Quem os ajudou foi Julio Camargo, que já intermediava-lhes propinas da OAS, Setal e Toyo Engeneering (Japão). Depois, uniu-se ao grupo Eduardo Musa, também diretor da Sete Brasil.
Leia mais o artigo de José Casado
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