sábado, 15 de novembro de 2014

O seriado policial de mais sucesso no país


Clima econômico piora na América Latina


Enquanto indicadores da região mostram recuo, índice brasileiro melhora, segundo relatório Ifo-FGV. Porém, país não tem motivos para comemorar, já que economia se deteriora e não há sinais de melhora.
 O Indicador de Clima Econômico (ICE) da América Latina – que mede o sentimento de especialistas em relação à economia – recuou 4,8% entre julho e outubro e passou de 84 para 80 pontos. O índice mundial, que havia melhorado entre abril e julho, caiu 14% no mesmo período.

O estudo, elaborado em parceria entre o instituto de pesquisas econômicas Ifo, de Munique, e a FGV, mostrou que o Brasil seguiu na contramão e registrou uma pequena alta do ICE de 55 para 57 pontos. A melhora foi puxada pelo Índice de Expectativa (IE), que subiu de 68 para 84 pontos. A sondagem, divulgada na quinta-feira (13/11), foi realizada em outubro.

Para a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, Lia Valls Pereira, o Brasil, porém, continua ainda numa zona desfavorável desde janeiro de 2014. A alta, segundo ela, não significa uma tendência positiva, já que, em todos os indicadores avaliados, o Brasil permanece abaixo da marca de cem pontos.

"Somente dois pontos de alta num mês marcado pelas eleições presidenciais não é um sinal positivo. Essa melhora não significa muito", diz Valls Pereira. "É importante citar que houve a queda de 29%, de 42 para 30 pontos, do Indicador da Situação Atual (ISA), que é um dos componentes do ICE."

O economista Gernot Nerb, do Ifo, diz que a situação econômica brasileira continua se deteriorando no quarto trimestre. Para ele, a avaliação mais recente mostra que é a pior situação nos últimos 15 anos. E as expectativas para os próximos seis meses não sinalizam ainda melhora no clima econômico do país.

Apetite canino


É impressionante essa avidez dos petistas no desvio de recursos públicos. O partido é o que mais arrecada, independentemente de ser ano eleitoral. Aos seus candidatos, nada falta. Podem fazer dívidas de campanha à vontade, porque depois o caixa 1 ou o caixa 2 cobrem tudo. Mesmo assim, o PT tinha de pilhar os recursos públicos, destruindo a imagem da mais importante empresa do país.

Caso Lula/Rosemary, dois anos sem punição



Para poder se considerar um país civilizado, não adianta o Brasil proclamar que é o quinto maior em território, o sexto em população e o sétimo em economia. Na verdade, falta muito para atingirmos essa ambicionada condição. Até chegar lá, precisaremos cuidar melhor de nossa gente, propiciando melhores condições de vida, através de investimentos em saúde, educação, segurança e desenvolvimento.

O problema é que os políticos não têm espírito público nem se preocupam em efetivamente defender o país e sua gente. De uns tempos para cá, o nacionalismo se transformou num sentimento negativo, que é visto com preconceito e desdém. Cada um que cuide de si, o resto não interessa.
O chamado caso de Lula e Rosemary Noronha é um dos melhores exemplos do baixo grau de civilização do país, mostrando que continuamos em estágio de subdesenvolvimento social, cultural e político.

UM AMOR DURADOURO

Rose era uma bela jovem de classe média baixa, que não concluiu o ensino médio e trabalhava como auxiliar de escritório no Sindicato dos Bancários de São Paulo, onde conheceu em 1993 o sindicalista Luiz Inácio da Silva, que era casado mas se tornou seu amante e iria mudar a vida dela.

Vinte anos depois, Lula se tornou presidente da República e a estrela de Rose começou a brilhar mais intensamente, na condição de segunda-dama. Como todos sabem, Lula a nomeou chefe do escritório regional da Presidência da República em São Paulo e ela passou a ter forte influência no governo, empregando parentes e amigos em cargos de elevada remuneração.

O caso amoroso era bastante conhecido entre as autoridades mais ligadas a Lula, pois Rose fazia companhia a ele em todas as viagens internacionais nas quais a primeira-dama Marisa Letícia estava ausente. Em apenas dois anos, foram mais de 20 excursões ao exterior, a bordo do Aerolula, em visita a 31 países.

OPERAÇÃO PORTO SEGURO

Rosemary só perdeu o brilho quando a Polícia Federal a indiciou na Operação Porto Seguro, desencadeada no início de dezembro de 2012, acusada de enriquecimento ilícito por intermediar negócios escusos em agências reguladores e ministérios.

O processo foi aberto pela Justiça Federal, mas dois anos já se passaram e até hoje não houve julgamento. Assim, Rosemary continua na mesma vida de antes, porque seu companheiro Lula jamais a abandonou. Muito pelo contrário, Rosemary agora é sustentada pelo Instituto Lula, que também se encarrega de pagar os quatro escritórios de advocacia que a defendem, sob supervisão direta de Lula.

A única novidade no caso é a decisão do Superior Tribunal de Justiça, que mandou o Planalto revelar a movimentação do cartão corporativo de Rosemary, fato que representará mais um escândalo, porque ela fez gastos pessoais absurdos no Brasil e no exterior.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Único grande gesto


Antipetismo, imposição da racionalidade


Na recente campanha presidencial, o lado em que 51 milhões de brasileiros se arregimentaram foi apresentado por Lula como síntese de todas as perversões e maldades. Dando continuidade a isso, na última terça-feira, o Diretório Nacional do PT divulgou uma Resolução que reduz a pó a busca de entendimento sugerida pela presidente no dia 6.

A referida Resolução diz como deve ser a luta pela hegemonia, que é a supremacia do pensamento partidário sobre a sociedade. Para viabilizar isso, o partido insiste na sua reforma política, na imposição do controle social da mídia (agora com o nome bem bolivariano de “Lei da Mídia Democrática”), e na retomada da criação dos conselhos populares recentemente barrados pela Câmara dos Deputados. Assim é o petismo.

Sob vários aspectos, o documento é uma resoluta declaração de guerra. Lá pelas tantas diz assim, referindo-se à campanha recém finda: “A oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar”. Não importa que nada disso tenha acontecido. É da mera afirmação que os resultados são colhidos. Também assim é o petismo. E, mais adiante: “A oposição, ressentida, insiste na divisão do país”.

Claro que a nação resulta dividida! É uma divisão feia, fruto de retórica maligna, como a do vociferante Lula e como a que explodiu na Resolução mencionada acima. No entanto, se a divisão entre grupos sociais é indesejável, a divisão para o jogo político se faz necessária. A superação dos conflitos fantasiosos produzidos pelo marketing da tal hegemonia exige que se estruture e consolide o antipetismo.

Havendo o petismo, o antipetismo torna-se uma imposição da racionalidade política. As redes sociais servem à construção de uma oposição, mas não dispensam a oposição parlamentar, com representatividade, mandato, tribuna e voto. Por isso, a defesa da democracia clama por unidade suprapartidária oposicionista, compondo, nos parlamentos, frentes que restabeleçam o democrático e indispensável papel da oposição.

O fracionamento dos partidos pelo poder de compra do governo da República precisa ser vencido por uma força política organizada e coesa que expresse o que metade dos brasileiros manifestou com seus votos e prossegue reafirmando em sua mobilização nas redes sociais e nas ruas. Que haja, enfim, governo e oposição atuantes no país. E que nunca mais tenhamos que votar num sistema no qual poucos ainda insistem em confiar cegamente.

O Diabo veio para ficar


Parece que o diabo resolveu prolongar indefinidamente a sua estadia, saindo da campanha para instalar-se no mundo real.

Numa campanha eleitoral “a gente faz o diabo”, mas o que não contaram é que, depois da campanha, já eleitos, o diabo continuaria sendo feito.

Dois dias depois da apuração o Banco Central aumentou a taxa Selic, o que tiraria o pão da boca das crianças, segundo a propaganda eleitoral, os combustíveis aumentaram, a presidente reconheceu que a inflação que estava “sob controle” na campanha virou um problema no dia seguinte, e várias outras surpresas que podem ser resumidas assim: todo o saco de maldades que a oposição executaria se eleita foi aberta pela presidente reeleita.

Ou seja: se reeleito, faça tudo aquilo que você dizia que a oposição ia fazer. Não descansarei na luta contra a corrupção, dizia a candidata, mas a base governista da reeleita no parlamento opera os velhos truques regimentais para que a CPI da Petrobrás morra de senilidade precoce.

Da cartola do mágico saltaram notícias que estavam represadas para não sobressaltar as urnas: o desmatamento da Amazônia avançou 122% (na campanha a candidata insinuou que estava caindo), a miséria parou de cair, o desequilíbrio fiscal passou das medidas, as montadoras demitem mil por mês, e o crescimento do PIB de 2014 aproxima-se vertiginosamente do zero e o paradoxo do pleno emprego enquanto os gastos com seguro desemprego não param de crescer indica claramente que falta um parafuso estatístico para dar sentido a essa equação.

O truque dos truques, porém, estava reservado para alguns dias mais tarde: se a bola que você chuta contra o gol não entra de jeito nenhum, trate de aumentar o tamanho das traves, até a bola entrar, o governo mandou para o Congresso um projeto de lei que o autoriza a descumprir a Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO - e as metas de superávit primário que ele mesmo, governo, tinha fixado.

O Ocupe Estelita e a 'nova política'


Na última sexta, uma ação suspendeu a audiência na qual seria apresentado o novo projeto de ocupação do terreno em disputa
Nas últimas eleições, Pernambuco ganhou destaque depois da morte do ex-governador Eduardo Campos, candidato à presidência substituído por Marina Silva, ambos supostamente representantes de uma “nova política”. O Ocupe Estelita, movimento em defesa da ocupação pública de uma área nas margens do Rio Capibaribe, em Recife, arranhou a imagem de uma “nova política” associada ao grupo até então liderado por Campos. Como é de praxe no Brasil de hoje, também no caso Estelita, o poder público pavimenta o caminho para o privilégio de poucos em vez de defender o direito coletivo à cidade.

Passadas as eleições, a disputa entre o movimento Ocupe Estelita e o Consórcio Novo Recife parece se encaminhar para um desfecho. O caso começou quando uma grande área às margens do Rio Capibaribe foi arrematada em leilão pelo Consórcio a um preço muito camarada e destinada à construção de 12 torres de cerca de 40 andares de costas para o bairro de São José, um dos mais antigos do Recife. O projeto é um caso típico da arquitetura do medo que vemos se implantar em tantas cidades do Brasil, impermeável em relação ao entorno e privatista em sua concepção mais profunda.

Desde o início, a aprovação do projeto contou com inúmeras ilegalidades sustentadas pela Prefeitura, quer através de ação direta, quer pela simples omissão. Na sexta-feira dia 07 de novembro, uma ação do movimento Ocupe Estelita conseguiu suspender uma audiência prevista para acontecer no mesmo dia, na qual seria apresentado o dito novo projeto para ocupação do terreno em disputa, supostamente redesenhado em função das reivindicações. A convocação da audiência pela Prefeitura vinha dar um ar de participação democrática a um processo claramente corrompido pela cumplicidade entre poder público e o Consórcio Novo Recife, mas desrespeitava os prazos legais e as exigências mínimas de transparência, como a divulgação antecipada do projeto a ser discutido.

O caso do Ocupe Estelita diz muito do Brasil de hoje. Em primeiro lugar, como outros movimentos que lutam pela cidade, ele também está na vanguarda de uma mobilização social de esquerda, uma vez que canalizou uma parte daquela insatisfação difusa que alimentou as jornadas de junho para uma luta muito concreta pela cidade. No Cais José Estelita, o desejo de mudança encontrou um objeto palpável. Em torno dele, atores sociais antes dispersos se juntaram. Gente que lutava por moradia popular, pelos direitos LGBT, pelos trabalhadores do comércio informal, pelos direitos dos animais, mas sobretudo estudantes com coragem suficiente para permanecerem acampados no local e profissionais com muito conhecimento especializado em suas áreas de atuação: urbanistas, jornalistas, designers, advogados...

Indignados com a forma de condução do processo pelo poder público, plena de ilegalidades, tais atores criaram o grupo Direitos Urbanos que começou a promover jornadas de atividades culturais no Cais. Até que a demolição de um dos antigos armazéns de açúcar na calada da noite foi o estopim para a ocupação do espaço, sobretudo por estudantes que resistiram mais de um mês antes de serem expulsos violentamente pela polícia.

Enquanto durou a ocupação, o movimento alcançou uma visibilidade impressionante, muito pela atuação daqueles profissionais e pela presença de equipes da imprensa estrangeira na cidade durante a Copa. Matérias foram veiculadas neste mesmo El País, e em jornais e TVs da França, da Alemanha, da Inglaterra e da Itália. Até a Al Jazeera abriu espaço para o Estelita, o que virou piada diante do silêncio da mídia local, com raríssimas exceções.

A barreira foi quebrada de dentro para fora, a partir da mídia internacional, passando por jornais de São Paulo, até chegar à mídia local que, impossibilitada de fazer de conta que nada estava acontecendo, adotou um viés claramente desfavorável ao movimento. Exemplar, neste sentido, foi a matéria do jornal local da TV Globo sobre a expulsão dos ocupantes, em que uns poucos cavadores e uma enxada usados para o plantio da horta comunitária foram apresentados como “armas” em poder dos manifestantes.


Vale lembrar que o Consórcio Novo Recife comprou amplo espaço publicitário em horário nobre nesta TV e nos principais veículos locais, de modo que a determinação econômica do conteúdo midiático se pôs a nu, o que pode ser instrutivo na discussão atual sobre a necessidade de regular a mídia brasileira de modo a evitar este tipo de censura que já existe entre nós.

Estará sendo gestada uma oposição pós-moderna?

O Brasil contém hoje muitos Brasis ao mesmo tempo. Nele convivem o atraso e a novidade
No mundo da pós-modernidade, é fundamental saber intuir as tendências, tão presentes, por exemplo, na moda, no sexo e na arte. E na política? Poderia parecer um paradoxo, mas o Brasil talvez esteja intuindo um tipo de oposição inovadora, pós-moderna, diferente das oposições clássicas do passado.

Não digo que seja melhor ou pior, apenas diferente, e por isso difícil de entender, como qualquer outra tendência que aflora na superfície sem que se saiba bem como se estabilizará. E não será uma batalha fácil.

Mas alguns flashes dessa oposição, mais pós-moderna que tradicional, já começam a aparecer em comentários na imprensa e nas redes sociais. O que parece caracterizar esse novo tipo de oposição é, por exemplo, certo caráter lúdico, plural e festivo.

Como explicar então que o derrotado Aécio Neves, terminadas as eleições (que foram as mais duras dos últimos tempos e dividiram o país em dois, com dor e até com rompimentos entre pessoas), pudesse ser recebido em Brasília, coração do poder político, às portas do Congresso, como um vitorioso em meio a uma festa popular?

Em sua longa entrevista ao jornal O Globo, Neves, derrotado nas urnas, declarava-se “de bem com a vida” e demonstrava um tipo de oposição política diferente do que se via no passado.

Desenhou uma oposição que inclui uma novidade: será firme, sem adjetivos, mas não raivosa, nem se limitará só aos políticos no Congresso. Aécio deseja criar um “movimento” que “abrace a sociedade”

Desenhou uma oposição que inclui uma novidade: será firme, sem adjetivos, mas não raivosa, nem se limitará só aos políticos no Congresso. Aécio deseja criar um “movimento” que “abrace a sociedade”. E isso seria novo, pós-moderno.

Até agora a sociedade (que não deve ser confundida com os movimentos sociais institucionais) não era chamada pela oposição para opinar. Se por acaso tal chamado ocorria, era para a ira e a guerra. Era uma oposição só do contra. Desta vez, o líder do maior partido oposicionista quer que as pessoas participem da oposição e se sintam suas donas. Não se trata do “quanto pior, melhor”, nem que tenha como lema, como costuma acontecer nas oposições tradicionais, “estar contra tudo o que o Governo propuser”.

A oposição que está se formando parece anunciar alguns traços típicos da pós-modernidade, como o de poder ser plural e, ao mesmo tempo, real e pontual.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Grande monumento nacional


Um teste para a doutora

 

Se Dilma quisesse mesmo fazer o ‘dever de casa’, vetaria a reindexação das dívidas dos estados e municípios
 Pelo andar da carruagem, a doutora Dilma sancionará o projeto aprovado há poucas semanas pelo Senado alterando a maneira de calcular as dívidas dos estados e municípios com a Viúva. É coisa de R$ 500 bilhões que deveriam ser devolvidos à União nos próximos 25 anos. O que o Congresso aprovou é uma farra. Sancioná-la significará substituir a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma herança bendita do tucanato, pela prática maldita da irresponsabilidade fiscal.

No século passado estados e municípios quebrados transferiram suas dívidas para a bolsa da Viúva e aceitaram um indexador para quitá-las. Agora, querem mudá-lo, para pagar menos. Com a nova metodologia a União perderá R$ 59 bilhões de receita, R$ 1 bilhão em 2015. Isso num cenário em que, pela primeira vez desde que o Brasil voltou a ter moeda, o governo federal fechou um mês com deficit de R$ 15,7 bilhões. Mais: para melhorar sua contabilidade, o ex-ministro da Fazenda no exercício interino do cargo anuncia cortes nos programas de auxílio-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.

Se a questão central fosse dar folga aos governadores e prefeitos, a solução já seria condenável, mas não se trata apenas disso. O Congresso também elevou o teto de endividamento permitido aos estados e municípios. Era de 120% da receita líquida e passará a ser de 200%. Ou seja, quem deve e não quer cumprir o contratado fica autorizado a dever mais.

Aviso de Mahatma


Rasguem-se as leis. O PT manda

Quantos homicídios são perpetrados sem que haja a mínima intenção de matar!
Erasmo de Roterdã (1466 - 1536)
A inocente e beata ministra do Planejamento, Miriam Belchior, foi esta semana o anjo anunciador do Apocalipse. Defendeu a mudança da Lei de Diretrizes Orçamentárias como iria a um shopping para ver vitrines. Está claro para o governo petista que deve, não nega, mas prefere dar um jeitinho para burlar a lei. Em resumo, dane-se a lei, quereremos deixar o governo com liberdade para gastar o que, quanto e onde quiser, bradam os petralhas que assim fazem jus à alcunha.

A mudança na LDO, quando não seja para um caso cataclísmico, é simplesmente sonegação governamental. O precedente criminoso proposto por Dilma e seu coligados, sob as asas da beata Míriam, abre um leque para que as administrações petistas e afiliadas possam também apelar para o mesmo caminho. Será a fuzarca orçamentária.

Para o país, é a legalização do crime governamental e político com consequências por décadas.  No reinado do PT, o dinheiro do povo passa a ser administrado como e quando for necessário para os interesses politiqueiros, subsidiar campanhas, sustentar intermináveis obras, com lucros para o empresariado companheiro e corretores partidários, manutenção dos programas sociais eleitoreiros.

O paraíso da corrupção vai ter o governo que merece tão criminoso quanto ditador. Tudo sob a chancela da “democracia-popular” dos petistas que não têm qualquer respeito com contas públicas, que não são da sua conta partidária. 

Causas vão além do desmatamento na Amazônia

Floresta possui função importante de levar chuvas a outras regiões do continente. No entanto, cientistas são cautelosos com associação entre redução da mata e a pior estiagem em 80 anos no Sudeste.
 O Sudeste passa pela pior seca dos últimos 80 anos, com mais 130 municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais afetados. Um relatório recente, apoiado pela ONG WWF Brasil, apontou o desmatamento na Amazônia como uma possível causa para o fenômeno – e a conseguinte crise da água. Especialistas ouvidos pela DW, porém, dizem que os motivos vão além.

Ainda não há um estudo científico que comprove a relação direta entre desmatamento e seca. E estudiosos são céticos em fazer essa ligação, sobretudo porque a queda na precipitação em 2014 está fora da proporção na comparação com o aumento da área desmatada no último ano - em 2013 ela atingiu um total de 763 quilômetros quadrados.

Apesar de pesquisadores concordarem sobre a importância da Amazônia na regulação do clima para todo o país, a contribuição do desmatamento para a atual seca é controversa.

Devido à capacidade das árvores de absorver água do solo, a floresta amazônica possui um importante papel para a regulação do clima na América do Sul. Ela libera umidade para atmosfera, mantendo o ar em movimento e levando chuvas para o continente.

A umidade é exportada para regiões distantes pelos chamados "rios voadores" – sistemas aéreos de vapor – irrigando áreas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste do Brasil, além de Bolívia, Paraguai e Argentina.

Esse papel já foi comprovado por diversos estudos. E foi reforçado por um relatório que reuniu artigos sobre o potencial climático da floresta divulgado no final de outubro pela Articulação Regional Amazônica (ARA), como o apoio da WWF Brasil.

O documento, porém, vai além. E aponta que o desmatamento na região pode ter um impacto significativo sobre o clima próximo e também distante da Amazônia, ao reduzir a transpiração da floresta e modificar a dinâmica de nuvens e chuvas no continente.

"Não posso colocar toda a culpa na Amazônia, mas há uma combinação de efeitos, e o desmatamento é em parte responsável. Há também uma oscilação natural e as mudanças climáticas provocadas pelos homens", afirma Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da WWF. Maretti diz que os efeitos do aquecimento global pioram com o desmatamento na região, que aumenta as emissões de CO2 na atmosfera.

Para Pedro Telles, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, a destruição da floresta é um dos fatores que contribuiu para causar a atual seca, mas não é o principal.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

E vem o Natal!


Péssima notícia

Eis a péssima notícia: estamos perdidos, irremediavelmente perdidos.
Estamos perdidos, mas temos um teto, uma casa, uma pátria. É a nossa
pátria, o lugar de nossa comunidade de destino de vida e morte. O evangelho dos homens perdidos diz-nos que devemos ser irmãos, não porque seremos salvos, mas porque estamos perdidos

Edgar Morin, in "Terra-pátria",1995

Os Anos de Caca




A reeleição de Dilma está provocando cenas inéditas no filminho do PT, nunca antes projetadas por João Santana. Ninguém poderia imaginar que, além de manter um ministro demitido, e com ele a tiracolo participar de reunião internacional de economias, Dilma encenaria mais um caso inusitado dentro do seu ministério.

A presidente, que defendeu para a galera, na campanha, o bem-estar de uma economia em pandarecos, vive à beira do ostracismo. Não só os adversários, a quem anunciou, com onipotência, a mão estendida, reclamam do desastre. 

Passada a maré da reeleição, o barco de Dilma é atingido mesmo pelo fogo amigo num claro sinal de que nada está como antes no quartel de Abrantes.

A ministra senadora Martha Suplicy anunciou sua demissão do cargo com um violento ataque à gestão econômica. Detentora da pasta da Cultura, Martha saiu esbravejando pelo desastre econômico a ponto de dedicar na carta de demissão muito espaço para desejar que “nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país”.

Foi essa candidata, incompetente como administradora e desastrosa gerente, assim reconhecida por eles, para quem os próprios petistas fizeram o diabo. No entanto, só não a despediram porque não podiam. Vão se aguentar com o próprio poste, e o povo que pague as consequências de um partido que faz de tudo para continuar no poder, porque não tira um centavo do bolso nem liga a mínima aos problemas do país.O que importa para eles é ser governo, e basta. 

Pinóquio para presidente



Se não é estelionato eleitoral, é muita cara de pau o festival de notícias impopulares pós 26 de outubro
 É conhecida a fábula de Collodi e o seu personagem Pinóquio, simpático boneco de madeira cujo nariz aumentava quando mentia. Seria ótimo que o mesmo acontecesse com os políticos, especialmente nas campanhas eleitorais, porque é gritante a contradição entre as palavras e os fatos ocorridos após o pleito.

Bastaram duas semanas para Dilma transformar a sua carruagem em abóbora. A presidente reeleita deve ter se inspirado em Maquiavel, que no seu livro “O Príncipe” (1513) aconselhou:“É preciso fazer todo o mal de uma só vez a fim de que, provado em menos tempo, pareça menos amargo”.

A quinzena do mal foi intensa. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), elevou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), com o argumento de que precisava garantir cenário mais “benigno” para a inflação em 2015 e 2016. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou aumentos de tarifas em Roraima, Amazonas e no Rio de Janeiro. O Ministério da Fazenda anunciou déficit primário de R$ 20,4 bilhões nas contas do Tesouro, Previdência Social e BC em setembro, o pior resultado de todos os meses desde o início da série histórica, em janeiro de 2007. O ministro da Fazenda já demitido confessou que a meta fiscal não será alcançada este ano. Para que as autoridades econômicas não sejam enquadradas em crime de responsabilidade, a equipe econômica vai recorrer ao Congresso, que deve ajustar o primário para o limite menor.

A balança comercial brasileira registrou o maior rombo mensal desde 1998. A gasolina e o diesel já estão mais caros. O número de brasileiros em situação de extrema pobreza cresceu em 2013, conforme dados oficiais divulgados na página do Ipea, à surdina, após as eleições. O desmatamento da Amazônia em setembro e outubro deste ano cresceu 122% se comparado ao mesmo bimestre no ano passado, o que também só veio à tona depois do pleito.

Na terra de Macunaíma — obra surrealista do escritor Mário de Andrade repleta de aspectos fantasiosos e ilógicos — tão logo Aécio Neves ganhou as eleições, Armínio Fraga e Neca Setúbal subiram os juros e adotaram o receituário ortodoxo recomendado pelos banqueiros que fumam charutos e somem com o prato de comida da mesa das criancinhas. Até os subsídios ao BNDES a trinca já cogita reduzir! Dane-se a verdade.

No vale tudo das eleições brasileiras, se Jesus Cristo fosse candidato, o marqueteiro de Dilma, João Santana, demonstraria que o PT fez mais em 12 anos do que o filho de Deus em 33. O maior milagre de JC foi multiplicar peixes e pães dando de comer a cinco mil fiéis na Galileia, enquanto o Bolsa Família atende a 56 milhões de pessoas! A frase “Vinde a mim as criancinhas...” seria apresentada com conotação de pedofilia. Pobre Jesus Cristo. Antes morrer na cruz.

Dilma demitida


 Ainda no primeiro turno da eleição presidencial deste ano, Dilma anunciou que Guido Mantega, ministro da Fazenda, deixaria o governo mesmo que ela fosse reeleita. Mantega então virou um ministro demitido no exercício temporário do cargo. Original, por suposto.

E Dilma? O que virou depois que Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse em entrevista à BBC Brasil que ela “avançou pouco” no atendimento das demandas dos movimentos sociais e se afastou dos “principais atores na economia e na política”?

Gilberto disse mais: faltou também “competência e clareza” ao governo para avançar na questão indígena. A presidente que tinha prometido ampliar o diálogo com a sociedade deixou de fazê-lo “da maneira tão intensa como era feito no tempo de Lula”.

Ou Dilma demite Gilberto, embora possa mantê-lo no governo até o fim do atual mandato, ou se arriscará a ser conhecida como a presidente que foi demitida por um dos seus ministros. Onde já se viu um ministro criticar de público a presidente a quem deveria servir com lealdade? 

A derrota do óbvio


O pensamento da 'esquerda metafísica' tem de dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica

A vitória da Dilma começou há dez anos, quando o PSDB preferiu não se defender dos ataques de Lula e do PT. Nunca entenderei como um partido que, no governo, acabou com a inflação, criou leis modernizantes, reformas fundamentais, fechou-se, se “arregou, se encagaçou” diante das acusações mais infundadas, por preguiça e medo. Aí o PT deitou e rolou. E conseguiu transformar os social-democratas em “reacionários de direita”, pecha que os jovens imbecis e intelectuais de hoje engoliram.

Ou seja, o melhor projeto para o país foi desmoralizado como “neoliberal”, de “direita”.

Os intelectuais que legitimaram o Lula/Dilma nos últimos 12 anos repetem os diagnósticos óbvios sobre o mundo capitalista mas, na hora de traçar um programa para o Brasil, temos o “silêncio dos inocentes”. Rejeitam o capitalismo, mas não têm nada para botar no lugar. Assim, em vez de construir, avacalham. Estamos no início de um grave desastre. E esses “revolucionários” de galinheiro não se preocupam com o detalhe de dizer “como” fazer suas mudanças no país.

Dizem que querem mudar a realidade brasileira mas odeiam vê-la, como se a realidade fosse “reacionária”. Isso me faz lembrar (para um breve refresco cômico) a frase de Woody Allen: “A ‘realidade’ é enigmática, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife”.

No Brasil, a palavra “esquerda” continua a ser o ópio dos “pequenos burgueses” (para usar um termo tão caro a eles). Pressupõe uma especialidade que ninguém mais sabe qual é, mas que “fortalece”, enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres.

Nas rasas autocríticas que fazem, falam em “aventureirismo”, “vacilações”, “sectarismo” e outros vícios ideológicos; mas o que os define são conceitos como narcisismo, paranoia, onipotência, voracidade, ignorância. É impossível repensar uma “esquerda” mantendo velhas ideias como: democracia burguesa, fins justificam os meios, superioridade moral sobre os “outros”, luta de classes clássica. Uma “nova esquerda” teria de acabar com a fé e a esperança. Isso dói, eu sei; mas, contar com essas duas antigas virtudes não cabe mais neste mundo de bosta de hoje.





Estamos descobrindo que temos poucos instrumentos para modernizar o pais — tudo parece ter uma vocação para a marcha à ré em direção ao atraso. O óbvio está berrando à nossa frente, e os donos do poder fecham os olhos.