quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Encalacrados

“Como é que a gente sai dessa?”

Ninguém respondeu.

— Não é apenas uma questão de “tira e põe” — ele insistiu. — Tira a Dilma e põe quem?

No breve silêncio parecia que alguns na sala da livraria, quarta-feira passada, no Rio, recitavam mentalmente a linha sucessória da República. Na ordem constitucional, a primazia é do vice Michel Temer (PMDB). Alinham-se, em sequência, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (Ricardo Lewandowski, até setembro de 2016, quando será substituído pela ministra Cármen Lúcia).

Não se cogitou sobre coalizão partidária para apear Dilma e entregar o poder ao PMDB dos bons companheiros Temer, Cunha e Calheiros.

Tampouco mencionou-se que os presidentes da Câmara e do Senado estão sob investigação por suspeita de corrupção na Petrobras. E, assim, sequer se discutiu sobre a legitimidade de liderança de um processo de impeachment por alguém com imputações de maracutaias.

O Ministério Público pediu a abertura de processos criminais contra Cunha e Calheiros. Se o STF aceitar a denúncia, abre a porta para o afastamento de ambos do comando do Congresso.

Cunha, Renan e outros 30 envolvidos em supostos crimes contra a Petrobras integram a maior bancada legislativa brasileira: a dos denunciados em inquéritos e ações penais com risco de prescrição no Supremo. Representam mais de um terço dos 594 deputados e senadores.

— Estamos encalacrados — ele quebrou o silêncio. — Qual a saída? E para fazer o quê?

Quando antigas certezas perdem a validade, fazer perguntas certas já é avanço, porque respostas sobre a reconstrução do Estado parecem inviáveis em meio ao estupor com sua quebra.

Mas é na política que se resolvem crises como a que está aí, ele acrescentou:

— Para fazer o que tem de ser feito, da infraestrutura à garantia do pagamento das aposentadorias, você vai ter de convencer a sociedade. Precisamos de mais sociedade. Se quer mudança maior, você vai ter que falar ao país sobre as limitações das capacidades do Estado. Precisa ter liderança para poder explicar e ter apoio, confiança, do país para mudanças. Precisa de um bloco de poder, e não é só de partidos ou de alguns setores da sociedade. Alguém vai ter de fazer isso, senão o Brasil vai desandar...

Sugeriu-se o caminho da “Constituinte exclusiva”, com pessoas eleitas para votar uma nova Constituição, sem ser parlamentares.

— É um pouco artificial — retrucou. — Não há ruptura institucional. E aqueles que iriam lá não conhecem o jogo da máquina pública. Desenhar um novo futuro glorioso para o Brasil no gabinete é fácil, qualquer um faz... Você tem é que convencer o país do caminho. Não tem outro, a não ser pela via constitucional.

Lembrou-se das manifestações de rua em junho de 2013, quando Dilma foi à televisão propor Constituinte específica para a reforma política. Fernando Henrique Cardoso contou que assistiu ao discurso ao lado do ex-ministro do STF Ayres Britto.

— Ele me disse: “Presidente, é o seguinte: a Constituição não dispõe sobre o seu funeral.” Pois é, como a Constituição não prevê a sua morte, não tem outro jeito de fazer as reformas.

José Casado

Brasileiros na lanterna de habilidades digitais

Os alunos brasileiros estão nas últimas posições em um ranking de 31 países que avaliou a habilidade de navegar em sites e compreender leituras na internet elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O relatório Estudantes, Computadores e Aprendizado: Fazendo a Conexão,realizado no âmbito do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) da OCDE de 2012, resultou do primeiro estudo da organização que analisa as competências de alunos na área digital.

O Brasil ficou na antepenúltima posição no ranking, à frente apenas dos Emirados Árabes e da Colômbia.

Os melhores resultados foram obtidos pelos alunos de Cingapura, Coreia do Sul, Hong Kong, Japão, Canadá e Xangai.

Os resultados desses países (ou cidades) refletem os que foram obtidos no PISA de 2012 para avaliação de leitura em papel, "o que parece indicar que um bom número de habilidades úteis para navegar na internet pode também ser ensinada e adquirida por meio de técnicas de leitura clássicas", diz a OCDE.

O estudo sugere que o acesso e uso de computador importa menos no desenvolvimento da capacidade de navegação e leitura online do que um bom preparo básico. Sugere também que a habilidade para navegar na internet pode ser ensinada e adquirida com a ajuda de pedagogias e ferramentas tradicionais.

O rei e o súdito

Nossa sociedade é o que fazemos dela. Podemos moldar nossas instituições. As características físicas e humanas limitam as alternativas disponíveis a nós. Mas nenhuma nos impede, se quisermos, de construir uma sociedade que se fundamenta essencialmente na cooperação voluntária para organizar tanto a atividade econômica quanto as outras atividades, uma sociedade que preserva e amplia a liberdade humana, que mantém o governo em seu lugar, tornando-o nosso servo e não deixando que se torne nosso senhor
Milton Friedman

O Estado quebrou

Depois que o leite derrama sempre fica mais fácil identificar as causas da catástrofe; e os espíritos mais propensos a enxergar as coisas sem preconceito ou dogmatismo passam a apontar unanimemente os culpados (líderes, opções ideológicas, técnicas pouco eficientes de gestão, escolhas equivocadas na seleção de políticas de Estado, corrupção, circunstâncias adversas, etc.). No entanto, durante o processo que culminou com o derrame do leite, as opiniões são muito mais controversas e nem sempre o panorama é descortinado com clareza e objetividade.

Estamos exatamente nesse trecho da estrada, com uma aguda crise política e econômica, que lança trevas de incerteza no futuro imediato e atinge fortemente o bem-estar da sociedade. Em resumo: uma catástrofe para os que ficam desempregados, para os que perdem renda, para os desassistidos, para os inadimplentes e também para aqueles que se afligem com o recrudescimento inflacionário, com o sumiço dos investimentos ou com as ameaças de aumento descontrolado dos impostos. Nesse estágio, já se dissemina um diagnóstico predominante e mais compartilhado: o Estado cresceu descontroladamente; sua manutenção ficou caríssima; e esse monstro corporativo, que vê um fim em si mesmo, trata de avançar ainda mais sobre os salários e a renda dos cidadãos que o sustentam.

Mas, nem sempre as coisas foram vistas dessa forma, ainda que o hipertrofismo do Estado já viesse se exibindo há muito tempo. Para ser preciso, as coisas começaram a sair do controle ainda ao tempo da ditadura militar, na década de 1970. Esse crescimento anormal não era muito comentado e sequer observado pela maioria da sociedade. Pelo contrário, os brasileiros acostumaram-se a ver o Estado como um reservatório inesgotável de recursos abundantes e fartos, capaz de tudo prover e a todos distribuir benesses e agrados. Criou-se uma dependência das pessoas em relação a essa super-máquina, que não cria dinheiro e nem produz valor, e cuja manutenção custa cada vez mais à nação. Somente agora, com a apresentação da assustadora conta junto com os seus efeitos perversos na vida dos cidadãos, o panorama passou a ser visto com mais objetividade por uma parcela maior da sociedade. Mas nem por todos, apesar do elevado índice de rejeição dos governantes. Infelizmente, muitos dos que criticam e rejeitam não querem mudar o modelo fatídico: apenas julgam os governantes atuais incompetentes para continuar a distribuir as benesses com que já estavam acostumados e torcem para que apareçam outras fadas benfazejas capazes de restaurar e ampliar a gastança.

Nada como a análise de um exemplo histórico para ajudar na reflexão sobre o tamanho do buraco em que caímos. A cidade de Brasília é um símbolo perfeito do Estado brasileiro. Aliás, foi feita para que as nossas instituições públicas se exibissem em todo o seu esplendor, com palácios belíssimos, monumentos graciosos, sede de ministérios (naquela época eram apenas 17 prédios projetados para abrigar todos os ministérios e repartições importantes), além das outras estruturas funcionais que ainda não haviam sido acrescidas dos muitos e variados anexos e puxadinhos que vieram depois. Não quero aqui – e nem há espaço para isso – analisar os benefícios e os malefícios da construção da nossa bela Capital. Mesmo porque, muitos deles são intangíveis, como o estímulo à interiorização do desenvolvimento econômico e à ocupação territorial. O que interessa nesse exemplo é examinar o esforço financeiro do Estado para construir a cidade em menos de quatro anos, e cotejá-lo com a possibilidade de se reproduzir a aventura no presente.

Ninguém sabe direito quanto custou a construção de Brasília. E muito menos quanto custa atualmente a sua manutenção operacional. Os números que existem são muito controversos e chegaram a envolver, inclusive, estimativas do ex-Embaixador norte-americano, Lincoln Gordon. Aquele diplomata declarou ao Congresso do seu país que os investimentos na urbanização do plano-piloto, na construção dos prédios básicos, do lago e das amplas obras de terraplenagem teriam custado cerca de US$ 1,6 bilhão, em dólares da época. Em moeda de hoje, essa quantia astronômica estaria próxima de US$ 100 bilhões e, se convertida na moeda nacional, implicaria a estratosférica soma de R$ 345 bilhões, ou seja, mais de 6% do nosso enfraquecido PIB. Nunca é demais lembrar, para efeito de comparação, que o polêmico déficit apresentado pela proposta orçamentária enviada recentemente ao Congresso Nacional seria, apenas, da ordem de 0,5% do PIB.

Como conclusão: se quiséssemos ou precisássemos construir uma nova capital hoje, para acomodar o nosso avantajado Estado e suas repartições, não teríamos recursos para nos desincumbirmos da tarefa. A nação apequenou-se e o Estado se expandiu descontroladamente nestes últimos 55 anos.

Rubens Menin

Farra do boi: Lula e Dilma contrataram 240 mil novos servidores

É impressionante a resistência da presidente Dilma, que tenta de todas as formas impedir o enxugamento da máquina estatal. Assim como Lula, ela costuma culpar a herança maldita que o PT teria recebido dos governos de Fernando Henrique Cardoso. No caso dos servidores públicos federais, esta desculpa não procede, porque ocorreu justamente o contrário. Os tucanos reduziram expressivamente o número de funcionários, enquanto os petistas só fizeram inchar a máquina administrativa, ao implantar uma política fisiológica altamente danosa ao país.

As estatísticas falam por si. Mostram que o número de servidores públicos ativos, nos Três Poderes, recuou no governo FHC de 1.033.548, em 1997, para 912.192, em 2002. Ou seja, houve uma redução de 121.356 servidores, quase 12% dos quadros. Detalhe importante: só aconteceram cortes no Executivo e nas Forças Armadas, enquanto o Legislativo e o Judiciário prosseguiam na farra do boi. Nos governos de FHC, o Legislativo contratou 3.099 novos funcionários, e o Judiciário, outros 17.155.


Nos governos Lula e Dilma o Executivo se uniu ao Legislativo e ao Judiciário no incremento do inchaço da máquina administrativa, que se espalhou pelos tentáculos dos 39 ministérios.

O número de servidores federais ativos, nos Três Poderes, passou de 912.192, em 2002, para 1.152.080, em 2013, um aumento de 239.888 servidores. Esta expansão foi distribuída da seguinte forma: 131.798 novos funcionários civis do Executivo e 75.448 militares, enquanto o Legislativo contratava mais 4.883 e o Judiciário, outros 27.759 servidores.

Não por mera coincidência, um dos setores que mais contratou nos governos petistas foi a Presidência da República. Em 1997, FHC pegou o Planalto com 5.370 servidores e cortou 2.223. Portanto, Lula assumiu com apenas 3.147 funcionários na Presidência e foi contratando muitos outros, inclusive a segunda-dama Rosemary Noronha, que funcionava como primeira-dama na ausência de D. Marisa Letícia. A presidente Dilma Rousseff seguiu a mesma política fisiológica e desastrada. Hoje, o Planalto tem 9.113 funcionários, quase o triplo do número de servidores que serviam a FHC.

Há também a questão dos cargos de confiança. Lula havia herdado o governo de Fernando Henrique Cardoso com 18.374 cargos de confiança e, ao longo de seus oito anos, contratou 3.496 novos cargos. Em seu primeiro mandato, Dilma criou mais 456. Ou seja, nos últimos 12 anos em que o país foi governado pelo PT, foram criados 4.552 cargos comissionados.

Esta farra do boi do Planalto coincide com o festival dos cartões corporativos, que fizeram a alegria de Rosemary Noronha nas viagens internacionais. O Planalto colocou estes gastos sob sigilo, já derrubado pelo Superior Tribunal de Justiça, que demora meses (ou anos) para publicar as sentenças no Dário Oficial, fazendo com que elas, demorem demais para ser cumpridas.

Agora, a grande saída do governo para a crise é adiar de janeiro para agosto o pagamento do reajuste salarial dos servidores públicos e suspender novos concursos que estavam previstos. Ora, é óbvio que não se pode fazer novos concursos numa hora como esta, salvo os casos de extrema necessidade. Mas desrespeitar a Constituição e não dar reajuste salarial aos servidores é medida que, por si só, já seria motivos para derrubar esse governo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Dilma marchando tesouro corte nao asslto imposto mao levantada contribuinte

Ser pobre custa muito caro

Dia desses tive a oportunidade de ler uma interessante pesquisa sobre o quanto se rouba dos pobres lá nos Estados Unidos. Uma leitura fascinante, que sem dificuldades poderia ser aplicada ao nosso país em muitos aspectos.

O estudo começou pelo emprego. Algumas empresas norte-americanas, aproveitando o momento difícil da economia, começaram a estender a jornada de trabalho em alguns minutos diários, sem qualquer compensação. Quem não concordar é despedido. Outras empresas foram apanhadas desviando míseros centavos dos contracheques de seus funcionários - algo que sempre passa desapercebido. Isto pode parecer pouco, mas anualmente são surrupiados dos mais pobres, por conta de tais expedientes, nada menos que US$ 100 bilhões.

Esta conta fica ainda mais revoltante se considerarmos que o governo norte-americano distribui aos mais pobres recursos assistenciais da ordem de US$ 55 bilhões anuais - e os mais ricos roubam deles praticamente o dobro!

Se você tem recursos, basta ir a alguma loja e fazer suas compras em paz. Algum eventual crédito virá rapidamente, e quase sempre sob juros razoáveis. A realidade do “Zé-Povinho”, no entanto, é bastante diferente: haverá que se ir a alguma financeira implorar por um crédito qualquer, que normalmente virá acompanhado de juros extorsivos. É assim que, lá nos Estados Unidos, são abocanhados dos mais pobres nada menos que US$ 30 bilhões a cada ano.

Ser pobre, lá nos EUA, não é apenas penoso - é também perigoso. Recentemente, em um estudo realizado sobre 15 estados daquele país, descobriram que em 14 pobreza é crime. Quanto mais você descer na escala social, mais criminoso tenderá a ser.

Inicio pelo local de dormir. Se você tem dinheiro, dorme em casa. Se não tem, dorme na rua - e acaba preso. Se você tem dinheiro, vai ao banheiro. Se não tem, acaba descobrindo que banheiros públicos são raridade, alivia-se na rua e... acaba preso. Se você tem dinheiro, alimenta-se em um restaurante ou em casa. Se não tem, vira mendigo - e acaba preso. Se você tem dinheiro, compartilha alguma refeição em sua casa, com amigos. Se você não tem, divide um pão dormido na praça - e acaba preso. Registro que não estou exagerando: em Houston e na Philadelphia é crime dividir comida com indigentes. É isso aí: a lei, de forma majestosa, impõe a ricos e pobres o dever de ocultar a pobreza.

À primeira vista estes parecem ser problemas de menor gravidade - até quando constatamos que eles respondem por 90% da criminalidade de baixo potencial ofensivo dos EUA, e por nada menos que US$ 2 bilhões recolhidos a cada ano dos miseráveis, a título de multas ou penas alternativas.

Vamos a outro exemplo: se você tem um automóvel de luxo e comete alguma infração de trânsito, paga a multa e segue sua vida. Mas caso seja um indivíduo modesto, proprietário de alguma “lata-velha”, e não tenha dinheiro para arcar com o valor da multa, prepare-se para ter sua Carteira de Habilitação confiscada - isto acontece na maioria dos estados norte-americanos. Neste quesito, inclusive, o Estado do Novo México foi além: aos devedores de multas de trânsito corta-se o fornecimento de água e gás. Que fiquem sujos, sem aquecimento e sem poder cozinhar, pois somente assim aprenderão que ser pobre custa muito caro.

Diante desta realidade fico a pensar que, no final das contas, não precisamos nos preocupar em fazer algo pelos miseráveis. Na verdade, basta que nada façamos contra eles.

Pedro Valls Feu Rosa

Forma corrupta de governar


Os fatos revelados em relação à Petrobras são suficientes para contar uma história sobre uma forma de governar, um método de administração.Isso pouco tem a ver com financiamento do sistema eleitoral, mas com método de governança.
Contaminou-se todo o tecido político. Estruturamos um modo corrupto de fazer política
Gilmar Mendes, ministro do STF

Ajuste fiscal ou lavagem de Pixulecos?


Dentre as propostas que o governo Dilma listou para aumentar as receitas do governo no contexto da crise fiscal em que meteu o país está uma que possibilitaria a brasileiros que tenham remetido capitais ao exterior irregularmente, repatriar esses valores mediante pagamento de tributos em troca da anistia pela evasão de divisas e sonegação fiscal.

A proposta teria nascido na CPI do HSBC e sido convertida em projeto de lei. A ideia consiste de extinguir a punibilidade dos crimes contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro associados a ativos ilegalmente remetidos ao exterior. Para isso, os interessados em repatriar valores teriam que pagar à Receita Federal a alíquota de 17,5% e uma multa de mais 17,5%. O resultado da arrecadação da multa seria destinado a um fundo para compensar perdas de Estados em consequência da redução das alíquotas interestaduais do ICMS decorrente da virtual aprovação da equalização desse imposto entre todos os estados da federação.

A nova lei permitiria sanear os ativos irregularmente remetidos ao exterior e, em tese, geraria receita fiscal, hoje escassa em função da crise, sem criar privilégios em relação à situação vigente e sem extinguir eventuais punições aos crimes antecedentes à evasão.

Depois de desaparecer por um certo tempo, a proposta voltou à pauta, defendida pelo governo como medida necessária para responder ao rebaixamento da nota do Brasil pela agência Standard & Poor’s e evitar novos rebaixamentos pelas demais agências.

Segundo especialistas a evasão ilegal de capitais tem como principais origens a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, a corrupção, o contrabando, a extorsão e crimes conexos. Em todos esses casos, dizem os especialistas, a repatriação é improvável dado que os praticantes desse tipo de crimes não precisam, necessariamente, repatriar os capitais. Reza a lógica que, se já conseguiram lavar o dinheiro na transferência ao exterior, de modo a poder usá-lo em operações lícitas em outros países não teriam motivos para repatriá-lo.

Tendo isso em conta, e considerando a realidade brasileira presente, quem poderia se interessar, ou necessitar repatriar capitais hoje depositados no exterior?

Dado o cenário de recessão profunda e prolongada que se insinua, e a escassez de dinheiro, desvalorização do real e encarecimento do crédito em função da elevação da taxa de juros e perda do grau de investimento do país, é razoável supor que grandes empresas possam avaliar como interessante a possibilidade de pagar 35% (imposto de renda mais multa) ao leão para capitalizarem seus negócios com recursos próprios sem ter que recorrer a bancos.

Recorrendo à lógica apenas, tenho sérias dúvidas quanto à eficácia dessa medida. Afinal, se empresários desse quilate tem meios de evadir capitais do país sem pagar impostos e dispor desse dinheiro “limpinho” para investimentos no exterior, nada faz supor que, se assim o quiserem, não possam fazer o caminho inverso sem precisar arcar com a mordida de 35% do leão.

Sendo assim, quem mais poderia ter interesse na aprovação dessa lei?

Conforme os estudos antes referidos, recursos oriundos de corrupção estariam fora do espectro de possibilidades de repatriação de capitais. Mas, esses estudos, quero crer, dizem respeito a casos cujo objetivo seria o enriquecimento ilícito de quem pode se beneficiar da lavagem de dinheiro e sua aplicação no exterior sem a necessidade de sua repatriação.

Imaginemos, no entanto, o caso de um partido político envolvido num gigantesco esquema de corrupção, cuja máquina partidária, seus dirigentes e organizações satélites estejam viciadas no farto e prolongado financiamento ilícito com recursos roubados dos cofres públicos e que, flagrado com a mão na cumbuca vê secarem repentinamente as torneiras que irrigavam seus cofres.

Consideremos, além disso, que esse partido e seus dirigentes tenham estendido essa gigantesca teia de corrupção pelo exterior, através do desvio de dinheiro de um certo banco público de fomento; que tenha financiado obras públicas em países governados por ditadores amigos na África, América Central e Caribe, o que teria proporcionado o recebimento de pixulecos bem longe dos olhos e das garras do leão brasileiro.

Não seria essa nova lei uma excelente oportunidade de repatriar pixulecos “lavadinhos” para garantir o financiamento político de um partido-máfia em vias de extinção e desesperado pela sobrevivência? 

Ou então, de garantir a aposentadoria de seus dirigentes políticos decadentes, em vias de serem presos e precisando pagar caras bancas de advogados?

Os senhores governadores, senadores e deputados acreditam mesmo que a aprovação dessa lei vai compensar suas perdas com a equalização do ICMS?

Os senhores senadores e deputados estão dispostos a aprovar uma lei cuja finalidade real seria alimentar a sobrevivência de uma organização criminosa cujo único objetivo é eliminar todos os demais partidos para reinar sozinho?

O cúmulo da irresponsabilidade

A decisão de Dilma Rousseff de remeter proposta orçamentária deficitária ao Congresso Nacional, em meio a grave crise econômica, reflete o descompromisso dela e do seu partido, o PT, com os destinos da nação. É mesmo um comportamento infantil. A presidente, sabedora de que o Congresso Nacional não aprovaria proposituras de elevação (ou criação) de impostos, bateu o pezinho e manteve a colossal despesa, que não cabe no orçamento. Recusou-se a enfrentar sua clientela preferencial, os tais movimentos sociais.

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A reação do mercado foi imediata. O câmbio desvalorizou-se instantaneamente. Em seguida, veio a notícia que a agência avaliadora Standard and Poor’s retirou o precioso grau de investimento, fato que encarece a captação de recursos e impede que investidores institucionais façam do Brasil um destino de seus investimentos. Assim, o Brasil entrou no rol dos mercados especulativos de alto risco. Há algum tempo está havendo fuga de capitais por quebra da confiança.

A agência avaliadora funciona como uma Serasa para países, de certo forma fazendo a análise da “ficha cadastral”. Bancos também emprestam para quem não tenha uma ficha azul, mas os custos e as garantias exigidas serão mais severos. Assim será com o Brasil. O dinheiro ficará cada vez mais caro e escasso por pura incompetência da senhora governante.

Esse tem sido o modo do PT governar, em todas as esferas. Dá as costas para a realidade e praticando injustiças contra os brasileiros. A fantástica ideia de criar a CPMF e outros impostos em plena recessão é fazer pouco caso da capacidade contributiva dos brasileiros e empregar falsos argumentos desenvolvimentistas. Na crise, o certo é reduzir impostos e, mais ainda, as despesas.

Somando tudo, se apresenta no futuro imediato o encaminhamento do processo de impeachment, pois Dilma Rousseff demostrou não ter as condições psicológicas, morais e técnicas para seguir governando. Ela está destruindo o Brasil e os sonhos dos brasileiros. Precisa ser escorraçada do poder o quanto antes. Aliás, seu partido está definhando e deverá sofrer derrota devastadora no ano que vem. Muita gente está deixando o PT já agora. Ninguém quer ficar embarcado em um navio que afunda. Ninguém quer mais a estrela vermelha.

A tardança no processo de impeachment só prejudicará os brasileiros por mais tempo, pois é um fato inexorável. Percebo que a classe política e os empresários já se deram conta disso. Os jornais, todos os dias, dão sinais de que há articulações em andamento para retirar Dilma do poder. É um imperativo de sobrevivência.

Toda gente sabe que a superação da crise econômica terá de ser precedida da superação da crise política. Isso significa construir uma maioria para acabar com os privilégios dos petistas e sua corriola devoradora de orçamento. Será um parto, mas terá de ser feito. Sem acabar com os privilégios não há maneira de o orçamento caber dentro das possibilidades pagadoras dos brasileiros. Os parasitas ficaram mais numerosos do que os que trabalham. Uma iniquidade que precisa ser corrigida.

Quem viver verá.

Não é só pelos vinte centésimos

A CPMF paga mais de 48% da conta do pacote salva-vidas que o governo divulgou. Mas os vinte centésimos de porcentagem do imposto ressuscitado (0,20%) não devem ser a única pedra no caminho de salvação das aparências de equilíbrio nas contas do governo.

O plano parece resultado de uma tentativa desesperada de fazer o possível o quanto antes, pelo caminho da menor resistência política da sociedade e de Dilma Rousseff. Menor não quer dizer pequena.
Quanto mais ataque político ao pacote, maior o risco de que prossiga a degringolada financeira que vem desde o final de julho, quando o governo reduziu seus planos de poupança quase a zero. Foi então que começou a disparada mais recente de juros e dólar, que deram no famoso "rebaixamento da nota de crédito", a cereja do bolo podre. Foi então que se reabriu a temporada de caça ao mandato da presidente.

Os servidores federais ontem ainda estavam pasmos com o plano, mas ameaçam greve contra a redução do reajuste (adiamento, o que dá no mesmo). Embora o pacote não tenha avançado muito mais sobre "gastos sociais", na área política do governo temia-se ainda maior afastamento dos "movimentos sociais".

Os bancos deram apoio enfático ao pacote e à equipe econômica, como previsto, dadas as movimentações recentes de figuras importantes da banca.

Pelo menos parte da indústria vai fazer campanha feroz contra (Fiesp). A CNI preferiu não dizer nada além de que é "contra aumentos da carga tributária" e quer "reformas estruturais". A Firjan foi dura. As associações do comércio de São Paulo criticaram em tom de enorme desalento.

Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, diz que a CPMF não deve passar, bidu. Renan Calheiros (PMDB), presidente do Senado, diz que a coisa pode sair "melhorada" do Congresso, mas não detonou o imposto tido até outro dia como inaceitável. Ontem, dava o maior apoio ao plano.

Pelo menos duas lideranças relevantes do Congresso diziam que o pessoal de lá ainda "não tinha se inteirado bem das medidas"; que, de resto, quem havia chegado a Brasília estava "agitado" com os rumores sobre o "cronograma" da votação dos pedidos de impeachment.

A carta de intenções de cortar gastos e aumentar impostos soma R$ 66,2 bilhões. Quase 80% desse dinheiro viria de:

1) CPMF, R$ 32 bilhões; 2) Salário de servidores federais, R$ 7 bilhões; 3) Apropriação de 30% das contribuições para o sistema "S" (Sesc, Sesi, Senai etc), R$ 6 bilhões, facada nos empresários; 4) Cancelamento de 80% do valor das emendas parlamentares, R$ 7,6 bilhões.

Não teve aumento do "imposto da gasolina" (Cide), talvez por medo de mais inflação e da reação do BC.

A CPMF nova, 0,20% de cada movimentação de dinheiro, representaria apenas dois milésimos do preço da entrada do cinema ou do sanduíche, ajuda para a fechar o buraco da Previdência, como dizia ontem Joaquim Levy.

Talvez não seja apenas pelos vinte centésimos da CPMF que o plano desande ("Não é só pelos vinte centavos" era um mote das manifestações de junho de 2013 em São Paulo contra o aumento da passagem de ônibus). Derrubar o plano é um modo de puxar o tapetinho sobre o qual ainda caminha Dilma Rousseff.

No lixo


A presidente Dilma Rousseff tanto fez que conseguiu jogar no lixo todas as conquistas do país dos últimos anos. Ao levar o Brasil a perder o grau de investimentos, segundo a classificação da Standard & Poor’s (S&P), a petista acabou com as chances de recuperação da economia no próximo ano e comprometeu o futuro de muitos brasileiros. O quadro que está por vir é dramático. Agora, no clube das nações especulativas, o país mergulhará de vez na recessão. O desemprego poderá chegar a 12%. Com o dólar acima de R$ 4, a inflação voltará a subir, obrigando o Banco Central a elevar os juros. E mais: as empresas ficarão sem crédito para tocar investimentos e aquelas que devem no exterior podem enfrentar dificuldades para honrar os compromissos.

Daqui por diante, o Brasil voltará a registrar aumento da pobreza — a desigualdade entre ricos e pobres já aumenta desde 2013. Muitas das famílias que ascenderam socialmente retrocederão. A economia informal, que vinha encolhendo a passos largos, ganhará força. O país regredirá anos, confirmando o atraso que foram os quatro primeiros anos de mandato de Dilma.

A presidente não economizou na arte de destruir o país. Desde que tomou posse, ela se encantou pela ideia defendida pelo ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de que um pouco mais de inflação impulsionaria o Produto Interno Bruto (PIB). Equivocada, impôs como meta reduzir a taxa real de juros a 2% ao ano. Para isso, não se furtou em destruir a credibilidade do Banco Central, ao obrigar a instituição a derrubar a taxa básica (Selic) a 7,25%, o nível mais baixo da história, mesmo com a carestia em alta.

As estripulias se estenderam às contas públicas, destruídas sem dó nem piedade pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo então secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Irresponsáveis, eles saíram distribuindo dinheiro público por meio de desonerações a setores específicos, que, muito espertos, usaram os benefícios para engordar os lucros.

Essa farra fiscal foi encoberta, por um bom tempo, por pedaladas e maquiagens. A gastança foi tamanha que, mesmo com todos os artifícios usados por Mantega e Arno, o país registrou, em 2014, rombo de R$ 32,5 bilhões, o primeiro buraco desde 1997, quando o governo assumiu o compromisso com o equilíbrio fiscal. Muitos especialistas apontam crimes de responsabilidade nessas manobras e, a depender de uma posição do Tribunal de Contas da União (TCU), Dilma poderá perder o mandato.

Desnorteado, pois foi pego de surpresa pelo rebaixamento, o governo tentou difundir o discurso de que todas as dificuldades serão superadas. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que endossou, no primeiro mandato de Dilma, boa parte das medidas que levaram o país para o buraco, alegou que a economia está passando por um momento de transição, que resultará no ajuste fiscal.

Barbosa se esqueceu de dizer que a decisão da S&P foi apressada pela insistência dele de enviar ao Congresso uma proposta de Orçamento para 2016 com deficit de R$ 30,5 bilhões. O ministro alegou que o projeto era um sinal de transparência e as agências de classificação de risco entenderiam isso. Não entenderam, e ainda se assustaram com a disputa por poder travada entre Barbosa e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Seria, no mínimo, honesto que Dilma pedisse desculpas à Nação por impor tantos sacríficos à população, devido à incompetência e à arrogância que prevaleceram nos últimos quatro anos. Mas será difícil ver esse gesto de humildade, em se tratando da petista. Ao ser reeleita, ela mudou o discurso e indicou que adotaria uma política econômica mais responsável. Mas o tempo foi passando e ela voltou a ter recaída pela tal nova matriz, que está na raiz de todos os problemas enfrentados pelo país.

A presidente pode agora bater no peito e dizer que venceu a batalha de como destruir um país. O Brasil da responsabilidade, que fez um esforço enorme para conquistar a confiança dos investidores, ficou no passado. Desde ontem, voltamos ao grupo nas nações consideradas lixo pelo capital. Grande vitória, Dilma!

O dia seguinte

Chegou a hora da verdade para os políticos e governantes. A sociedade está farta da empulhação. Os culpados pela esbórnia com dinheiro público, independentemente dos partidos e da posição que ocupem na cadeia corruptora, devem ser exemplarmente punidos. E isso não significa, nem de longe, ruptura do processo democrático, golpismo ou incitamento à radicalização.
A sociedade não pode se limitar ao clamor pela saída da presidente. É preciso construir uma agenda de reconstrução nacional: reforma política profunda (com revisão do modelo de governança de coalizão), corte efetivo de gastos públicos, enxugamento do Estado, Ministério de alto nível técnico e ético. O governo Dilma acabou. É preciso pensar e focar no dia seguinte.
Carlos Alberto Di Franco

E agora, José?

Eu sei, eu sei. De repente a vida ficou pesarosa e irritante para quem viveu décadas surfando na utopia. Aquele discurso socialista tinha a leveza de um sonho erótico e excitava no contraste com a realidade, coitada - encardida, feia e banguela. Vendia-se utopia no vidro traseiro dos carros. Vendia-se em camisetas, bandeiras e alto-falantes. Nos microfones, púlpitos e salas de aula. Nas charges e colunas de jornal. Era fácil de anunciar e barata de comprar. Haveria, logo ali, um novo céu, uma nova terra e um homem novo. Onde? Como? Era tão simples! Tudo se resumia em Lula-lá!

Tenho bem presente a Constituinte de 1988, os anos 90 e, principalmente, os gozos cívicos que marcaram a chegada de Lula ao poder. Uns poucos, entre os quais eu, antevíamos o que estava por vir. Assim como era inevitável a vitória da utopia sobre a realidade, era inevitável o desastre que sobreveio devagar, incontornável. Desastre moral, institucional, fiscal, econômico, cultural. Desastre que atinge todos os objetivos permanentes de qualquer sociedade civilizada: ordem, justiça, liberdade, segurança e progresso. Nada simboliza melhor o colapso de um projeto impulsionado pela ingenuidade de uns e a vaidade de outros do que Lula assistindo a Copa de 2014 pela TV, e Dilma no Sete de Setembro de 2015, cercando-se com as autoridades numa espécie de campo de concentração às avessas. O governo se esconde do povo.

Então, eu sei, a vida arruinou para quem, nos meios de comunicação, inflou um projeto político que agora se veste de pixuleco. Os propagandistas recolhem seus realejos. Não há mais público para defensores do governo. Fica chato fazê-lo e assinar embaixo. Isso só por muito dinheiro e boa parte dos antigos propagandistas da utopia eram voluntários, rodavam sua manivela por devoção. Vem-me à mente, então, o grande Carlos Drummond de Andrade: "E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José?". Agora, quando o sonho erótico virou desvario masoquista, ainda com o poeta digo a José: "O dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo fugiu e tudo mofou. E agora, José?".

José, coitado, cuida como pode de proteger o indefensável. Ele não mais se aligeira com os porta-estandartes da utopia que não veio. Repare bem nele. Furioso, xinga e ofende quem faz oposição num país que precisa, urgentemente, de rumo e prumo. É feio, mal educado, mas - que remédio? - se a utopia mofou e deu nisso que está aí?

Percival Puggina.

A arrogância de Lula repele a lucidez e combate a realidade

Enquanto os brasileiros estão cansados desta morte que nunca acaba, Lula, mesmo já tornado cadáver, continua onipresente. A onipresença é constitutiva da tirania e Lula é figura tirânica, como todo ególatra. Para tentar entender o fenômeno pelo qual a Alemanha se submeteu por um homem ridículo e obtuso como Hitler, o brilhante filósofo alemão, Eric Voegelin, se vale do spoudaios estabelecido por Aristóteles.

Evitando o insustentável paralelo entre nazismo e lulopetismo, pois, além de outras razões, o lulopetismo não passa de uma esculhambação vigarista reprimível por alguns camburões, talvez seja interessante contemplar pelo spoudaios a figura obtusa do passarinho vigarista. O modelo de Aristóteles é o homem que, tendo desenvolvido suas potencialidades, aprendeu que para governar e comandar é necessário governar a si mesmo, principalmente dominar as paixões. Mas Lula sucumbe à paixão pelo poder e por si próprio, em dramático autodesconhecimento.

O spoudaios desceu ao inferno do autoconhecimento de onde voltou com o desvelamento da própria alma. Assim, é capaz de conhecer a alma de seus governados, compreendendo as necessidades deles. Mas o Lula que só pensa nos pobres jamais se pôs ao lado deles se comparando a homens simples, preferindo paralelos com Jesus ou estadistas como JK e outros porque só pensa nos pobres sim, mas como objeto do populismo truculento que enriquece e perpetua no poder o pai dos pobres que os traiu incansavelmente.

O spoudaios é lúcido e humilde perante o real. Mas a arrogância de Lula repele a lucidez e, com a ajuda da compulsão pela mentira, combate a realidade. O spoudaios não é um condutor de homens como um peão que tange gado; é um líder autêntico, mais do que institucional e político, à frente de homens preenchidos de consciência e alma, não de um rebanho acrítico que o segue por necessidade, conveniência ou convicção insana. Em Lula vê-se o oposto: o líder néscio de uma ralé que, com a autoridade da ignorância, é governante medíocre e cruel.

No réquiem prolongado cujo final será na cadeia, a cria parva do passarinho-jeca contribui declarando que “não faço essa renúncia porque não devo nada, não fiz nada de errado”. Certamente Dilma não deve nada ao projeto soterrado pelas ruínas da nação arruinada por ele; também não fez nada de errado além de mentir, fraudar, trapacear e trombar com as leis. Tudo contornado com a adesão um Brasil primitivo guiado pela figura imaginária de líder até que a matasse o ladrão miserável que a habita.

Na progressão do réquiem, o Lula que nunca foi esquerdista nem direitista para ser apenas oportunista e nem elite ou povo para ser apenas escória, faz o que sabe: vadiar enquanto mente jactando-se de vadiar enquanto mente. Agora de galho em galho, esperando interromper sua descida ao inferno. Descobrirá que, conforme Anaxágoras ensinou para quem pretende driblar a realidade – e no caso do passarinho vigarista, a cadeia –, a descida ao inferno é a mesma de qualquer lugar. http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/valentina-de-botas-a-arrogancia-de-lula-repele-a-lucidez-e-combate-a-realidade/

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

IMPOSTO marido mulher gasoru na boate e corta saude educacao

Nota de falecimento

Já não está mais entre os vivos “a mulher de Lula”, a “gestora” mais competente do que ele, apta a dar continuidade à nobre tarefa de melhorar a vida dos pobres sem esquecer-se de forrar os bolsos dos ricos.

Descansa em paz desde a semana passada quando o Brasil perdeu o título de país bom pagador. Ficam seus exemplos de fé, perseverança, dedicação e de certa dificuldade em se fazer entender.

O infausto acontecimento havia sido precedido de outro de igual natureza.

Refiro-me ao passamento, depois de longa agonia, da “faxineira ética”, que escolheu seguir convivendo com ministros investigados sob a suspeita de ferir a lei.


Um deles por omitir da Justiça dinheiro recebido por fora para pagar despesas de campanha. O outro por extorquir empresários com o mesmo objetivo.

“A faxineira ética” se tornara conhecida como tal ao demitir seis ministros de Estado no seu primeiro ano de governo. Nunca se viu nada parecido na centenária história da República brasileira.

Diante de reles indícios de que eles haviam aproveitado os cargos para roubar ou facilitar o roubo, ela não hesitou. Veloz como um raio, sacou da caneta e fuzilou-os sem piedade. ''Hasta la vista, baby”!

Estreia digna de um Oscar de efeitos especiais.

Pena que o resto do filme não tenha sido condizente com o seu início. Ministros demitidos indicaram seus substitutos ou foram contemplados com outras sinecuras.

Ao mensalão, sucedeu a roubalheira apurada pela Lava Jato. Lula jura que não sabia do mensalão. A “ex-faxineira”, que tampouco sabia do saque à Petrobras. Triste fim!

O que resta dos atributos agregados pelo marketing à imagem pública da chefona de maus bofes, detestada pelos seus subordinados, centralizadora em excesso por se julgar uma sábia, quando, na verdade, é uma mulher insegura e solitária?

Quis o destino, com a ajuda dela, que fosse assim. Quis Lula, com os votos que já teve, que ela se elegesse e se reelegesse.

É a criatura que costuma se rebelar contra o criador. Lula merece o rêmio de melhor roteiro por se insurgir como criador contra sua criatura. Quer distância dela. E torce em silêncio pela sua possível desgraça.

Assim poderá passar à oposição ao novo governo na esperança de voltar à presidência em 2018. “Aquela mulher”, ele repete, amargo, entre amigos.

Cada vez mais enfraquecida, ela se mantém no cargo graças ao fato de que foi eleita. Não é pouca coisa. Deveria bastar. Mas, não. Balança.

Não é crime de responsabilidade governar de maneira desastrosa. Nem ter mentido à farta para se eleger.

Também não é crime ser impopular, rejeitada por oito em dez brasileiros. Seis em dez querem seu impeachment. Se ocorrerá? E como? E em que data?

Certa vez, perguntaram a Louis Armstrong, cantor e trompetista, um dos ícones da música negra norte-americana: “O que é jazz?” Ele respondeu: “Quando ouvir você saberá”.

Você saberá quando estiver madura a ocasião para se abrir o processo de impeachment. Impeachment não depende só de desejo. Nem mesmo de maioria de votos no Congresso.

Haverá de acontecer se as circunstâncias o determinarem.

E se as contas do governo de 2014 forem rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União? E se a Câmara entender que as “pedaladas fiscais” do governo violaram a lei?

Por outro lado,e se Fernando Baiano, ex-operador de propinas do PMDB na Petrobras, fizer revelações que alcancem os caciques do partido?

Um fato novo revoga um fato consumado.

Presidente Dilma Rousseff, o Brasil já aguentou demais


A evolução de nossa vida e a sucessão dos acontecimentos que têm golpeado a sensibilidade nacional atingiram, de fato, um limite insuperável. Chegou-se, efetivamente, às fronteiras e ao ápice do inimaginável com os crimes que vêm abalando a Nação. Mas não me deterei em referências conhecidas, não insistirei no protesto, na condenação e na revolta contra as conhecidas pilantragens.

O que posso assegurar com absoluta certeza – o que, aliás, já é do conhecimento das altas autoridades do Judiciário e da Polícia Federal – é estar inteiramente provado, de acordo com documentos que estão vindo a público,que o País foi dominado por uma quadrilha de ladrões.

Na verdade, se todos os que se opõem a essa bandalheira tivessem a leviandade da Senhora Presidente da República, que os acusa de mentirosos, não haveria o menor futuro para este país.

Evidentemente, as mais graves ilações, as mais sérias conseqüências, as mais terríveis suspeitas podem ser tiradas de todas estas denúncias vindas a público. Fica a critério de cada cidadão e à consciência de cada brasileiro a incumbência de ficar meditando sobre as terríveis provações pelas quais a Nação passa, atualmente para a infelicidade de seu povo e para vergonha do País.

Não caíamos, absolutamente, nós que nos opomos a esta pouca vergonha, nessa armadilha infantil, nessa manobra ingênua que nos quer fazer de idiotas, nesse primarismo que é a de tentar colocar o problema, como se vem tentando, nos termos de polêmica entre oposição e governo, nos termos de uma controvérsia de ponto e contraponto, numa espécie de diálogo orquestrado entre o governo e população. Nós não nos prestamos a essa manobra simplória.

Nós queremos dizer face a face, frente a frente, em alto e bom tom, com a vista diretamente dirigida aos olhos do povo tudo aquilo que toda gente pensa, inclusive muitos membros da base governista. Temos o direito e principalmente o dever de dizer ao povo brasileiro que existe no governo deste país uma malta de criminosos e que os negócios da nossa República estão sendo conduzidos ou foram conduzidos até agora sob a guarda de celerados e pretendentes às cadeias.

É o que temos a obrigação de dizer, é o que nós todos diremos sob pena de grave omissão e de notória cumplicidade. Isso que denunciamos não é palavra da oposição, isso que dizemos é o clamor popular, isso que estamos falando não é desafio da ambição, isso que estamos propondo é o dever da humanidade, é o cumprimento inflexível da nossa obrigação.

Por isto, senhora presidente, eu falo a Dilma Rousseff. Eu lhe falo, como Presidente e, também, como mulher e lhe digo: lembre-se das incumbências e das responsabilidades que lhes foram outorgadas por mandato; lembre-se dos interesses nacionais que pesam, não sobre a sua ação somente, mas, sobretudo, sobre a sua reputação. Eu lhe asseguro: Presidente, houve um momento em que Vossa Excelência encarnou, de fato, as esperanças do povo; houve um momento em que Vossa Excelência, de fato, se irmanou com as aspirações populares.

Mas eu digo a Vossa Excelência: respeite o Brasil que repousa na sua autoridade; preserve a sua autoridade, sob a qual repousa o Brasil. Tenha a coragem de perceber que o seu governo é, hoje, um vazio imenso, observe que o seu palácio se tornou um reduto de uma sociedade em decomposição.

Erga os olhos para o seu destino e vislumbre as cores de nossa bandeira, e olhe para o céu, a cruz de estrelas, que nos protege, e veja se é possível restaurar a autoridade de um governo que se irmana com criminosos, como e possível restabelecer a força de um Executivo caindo nos últimos níveis de rejeição e desconfiança.

Senhora presidente Dilma Rousseff, eu lhe falo como chefe do governo. Reflita sobre sua responsabilidade político-administrativa e tome, afinal, aquela deliberação, que é a última que um presidente, na sua situação, pode tomar. E eu falo à mulher. E eu faloàa mulher Dilma Rousseff e lhe digo: lembre-se da glória de nossa Pátria, dos anseios de nossa gente. Lembre-se, mulher, de que em suas veias corre o sangue de um povo batalhador e não se acumplicie com os crimes dos covardes e dos traidores!

E digo à mulher, que é mãe, avó que tem uma filha, uma neta e uma mãe: pense nas famílias; lembre-se, se tem realmente o coração generoso, de estar sendo vista e rotulada pelos brasileiros como um ser indiferente ao sofrimento.

Presidente, é preciso levantar o coração de nossa gente, urge dar esperança aos homens e mulheres deste país. Eleve seu coração. E em nome do que há de mais puro e mais alto no coração deste povo tão generoso; lembre-se, pelas folhas e pelas flores que começam a brotar no princípio da primavera; e saiba que, ainda, é hora de mudar. Não se esqueça dos mais carentes, dos camponeses, dos operários e deste país, de todos seus homens e mulheres, e tenha a coragem de ser uma delas, não permanecendo no governo se não for capaz de exercê-lo em toda a sua plenitude!

Nós, os novos inconfidentes

Tenho arrepios severos cada vez que ouço falar em impostos, taxas, qualquer coisa parecida com "tungarem mais dinheiro ainda de nossa sofrida carteira". E nesses últimos dias essa forma de solução das bobagens que eles andaram fazendo arrancando do meu, do seu, do nosso, tem sido dita insistentemente. Tiveram a cara de pau até de chamar de investimentos, e dizendo que adoraremos contribuir.

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Acabei lembrando a derrama, a forçada e violenta forma de cobrança de tributos com que os colonizadores portugueses coletavam parte do que se obtinha na exploração dos minérios, aliada à "quinta", que ainda tirava o naco de 20% dos ganhos. Daí foi um passo para lembrar a revolta popular, de Tiradentes e dos Inconfidentes, de tudo o que a História do Brasil já registrou e que terminou de forma tão cruel e sangrenta. Você também deve ter ouvido muita gente aí do seu lado falar que, caso resolvam impor mais impostos, deveríamos nos unir, todos deixarem de pagar, que não está certo pagarmos ainda mais pelos erros que vêm cometendo, trapalhada após trapalhada.

Ouviu também, né? Não se fala outra coisa.

Pois eu ouvi de gente respeitada, de pessoas maduras, honestas e trabalhadoras, homens e mulheres sérios que vocês não imaginam nem engrossando passeatas em verde e amarelo, muito menos empinando balões de bonecos. Mas eles estão dispostos a reagir e mostram, como no passado, ter de fazer isso para não sucumbir à ganância dos governantes. Uma questão de sobrevivência, explicam. Já enxugaram o que podiam, dispensaram seus "escravos", temem não ter o que dar aos seus filhos. Não veem o que já pagaram até aqui revertido em benefícios - sem saúde, sem educação, sem infraestrutura. Estão insatisfeitos, indignados, sentem-se roubados, espoliados e enganados.

Achei nessa parte de nossa História - a Inconfidência Mineira - muita coisa parecida com a que estamos vivendo agora em pleno século XXI, incluindo até os delatores que, em troca de se livrarem, a si, aos seus bens, atiram mais gente ainda no fogo da caldeira, dando combustível para que essa fogueira esteja cada dia mais furiosa. Só não encontrei ainda os heróis.

Obviamente faço esse paralelo muito mais pensando no que aprendemos de melhor ali, na honra, na coragem dos insurretos, nos mitos que se criaram, do que na desgraça de uma solução militar, como a que fechou o tempo por longos 25 anos.

Não é de hoje que a ideia de conspiração ocorre nas horas mais tumultuadas da política nacional como a que vivemos nos últimos meses, e que alguns analistas já associaram até ao Titanic. O navio afundando e a ordem para que a orquestra continuasse. O problema é: com quem? Não há grupo coeso, mas miríades deles e fica difícil se encaixar em alguma conjuração. Pelo menos eu ainda não senti liga, e sigo apenas com alguns amigos aqui e ali com os quais tenho afinidade de pensamento. Não posso me juntar a quem defende liberdade pelo poder, quem perdeu por incompetência e vê na crise chance de emplacar, quem ainda acha que o mundo se divide em bons e maus, esquerda e direita, com quem usa a religião para constranger e proibir.

Procura-se um modelo de República, de ideias arejadas; uma nova e simples Constituição; ideias e filosofias que se coadunem com o tempo, com o chão que pisamos, com o futuro que acreditamos em poder erguer, com justiça social verdadeira. Algo integrado ao desenvolvimento global, progresso, sem esquecer o ar que respiramos, o chão que pisamos, os oceanos que se aproximam crescendo sobre a terra.

Quem sabe encontraremos juntos?

O custo da desordem

É possível, claro, argumentar que foi fatalidade. Imaginar que a culpa é dos outros. Que a crise é internacional. Que tudo vai passar rápido. Que após a travessia, brilha a terra prometida. Possível é. Mas não é verdadeiro. Muito menos verissímil.

Diante da monumental falha nos sistemas de governança da pátria amada, convém refletir. Vale a pena ser (ou tentar ser) objetivo. Entender que a chave é prevenir a repetição do desastre. Ou no, mínimo, desse tipo de desastre.


Surpreende, portanto, a falta de preocupação com a correção dos elementos que, afinal de contas, foram responsáveis pelo sofrimento presente e futuro. Que ninguém se engane. Este é somente o começo da crise. A duração e a extinção vão depender, em grande medida, da maneira como o país, suas instituições e suas empresas reformarem (ou não) seus sistemas de governança.

Prevenção é trabalho ingrato. Requer competência, desprendimento e determina cação. E, em troca, oferece benefícios intangíveis como credibilidade, estabilidade, e, por falta de palavra melhor, desenvolvimento.

Por isso, intelectuais, reguladores, investidores, empresários, políticos e, principalmente, a sociedade civil, deveriam estar debruçados sobre as reformas necessárias à prevenção de desastres futuros semelhantes aos atuais.

É preciso cobrir uma pletora de considerações, ações, estruturas, hierarquias, e processos para que se garanta o efetivo sucesso e qualidade da gestão publica e privada. Do trabalho, contraria interesses, e é coisa para muitos anos. Talvez seja essa a primeira razão para a indiferença com que o tema é tratado. Em um ambiente em que tudo o que importa parece ser os próximos dias, pensar em reforma de instituições, mudança de valores e melhorias no controle parece mesmo ser sonho destinado ao esquecimento.

Mas, mais forte do que a indisposição para o trabalho de longo prazo, talvez seja a teia de interesses envolvendo todos os aspectos da vida nacional. A ausência de lideres combinada com a inerente falta de credibilidade das instituições causa medo de perda. E medo paralisa.

Tudo isso torna a todos os autores involuntários de enredo pobre e trágico. Trágicos atores de tragédia que, olhada de longe, pareceria. Mas que, ao final, não vai resultar em aplausos. Apenas em lamentações. Novamente.

Famílias sofrem aperto duplo

A grande maioria da população brasileira é pobre e está sofrendo profundamente (e rapidamente) os efeitos da atual crise.

A pirâmide social é útil mais uma vez para contextualizar o tamanho do aperto pelo qual grande parte da população está passando. Ela mostra que 61% das famílias vivem com menos de R$ 2.364 ao mês, ou R$ 77,50 ao dia. E que quase 40% (a base da pirâmide), com até R$ 1.576, ou R$ 51,60 ao dia.

Lembrando que esses são totais por família, que tem em média 3,3 pessoas no Brasil. Na base da pirâmide, portanto, as pessoas vivem individualmente com R$ 15,60 por dia. Na faixa acima dela, com R$ 23,50/dia.


Dilma conseguiu a proeza de combinar inflação muito alta com recessão forte. Isso provoca um massacre, vindo de duas frentes, em cima da maioria da população.

A FGV-RJ calcula desde 2004 a inflação para famílias mais pobres, que ganham até 2,5 salários mínimos (R$ 1.970). No acumulado de 12 meses, nunca esse índice foi tão elevado: 10,37% de alta até agosto.

Essa inflação de dois dígitos corrói diariamente a renda dos que já vivem com pouco. Na outra ponta, há uma forte queda no poder de compra por causa do desemprego e do corte que os bancos vêm praticando no crédito concedido às famílias, principalmente às de menor renda.

Economistas da Tendências Consultoria projetam que a alta do desemprego, mais a informalização e a substituição de salários maiores por trabalhadores “mais baratos” levem a uma queda da renda real (já descontada a inflação) de 4,4% neste ano.

Soma-se a isso o fato de a concessão de crédito às famílias (imobiliário incluso) ter caído mais de 7% reais no primeiro semestre, sem perspectiva de aumento.

Assim, a projeção de queda do poder de compra das famílias chega a 8% neste ano. Como é difícil parar de gastar a maior parte da renda com itens essenciais como alimentos, transporte e energia, a redução no poder de compra para outros bens de consumo e serviços pode chegar a 12%.

No comércio como um todo, que vinha sendo o motor da economia, as vendas no primeiro semestre tiveram o pior desempenho em 12 anos (-2,2%). O grave agora é que os próprios supermercados passaram a registrar retração (por enquanto leve, de 0,2% até julho) nas vendas de alimentos e produtos de higiene e limpeza.

Esse aperto duplo (via inflação e queda no poder de compra) deve piorar e durar. Reduzindo o dia a dia das famílias à simples sobrevivência.

Nos últimos dias, ensaiou-se a volta da CPMF, do imposto sobre combustíveis e agora o aumento do IR para pessoas físicas. Todas medidas que agravariam ainda mais o aperto das famílias.

Nenhum centavo a mais

Sem eira nem beira, condenados à ignorância por um sistema educacional precário e, portanto, ao desemprego, subemprego ou emprego de baixa qualidade, os pobres são ouro em pó para políticos. Usados por todos. E abusados por populistas e inescrupulosos, como bem mostra o ex-presidente Lula.

O ex-pobre que migrou de Garanhuns (PE) e se tornou o primeiro operário a ocupar a Presidência da República não tem qualquer respeito com os que vivem na pobreza. Lambuza-se deles para coroar de êxito o seu governo, pouco se lixando para a velocidade com que a crise devolve à penúria quem achava que dela tinha escapado.

Em oposição explícita ao governo arrasado de sua pupila Dilma Rousseff, Lula tem sido cada vez mais enfático nas críticas ao ajuste fiscal que ele próprio aconselhou que a afilhada fizesse. Sem enxergar saída, tirou o corpo fora para pregar a mesma ladainha de sempre: ele – e só ele – cuidou dos pobres, gastou e propiciou consumo e comida aos pobres, tirou 35 milhões da miséria. Dilma fala em mais de 40 milhões ungidos à classe média.

Ainda que não se coloquem em dúvida os números – por mais exagerados que sejam -, veem-se hoje os resultados da superficialidade da ascensão ancorada única e exclusivamente no consumo e no crédito farto.

Ao crescimento de 56% no número de desocupados em apenas um ano, superando a casa de 8,5 milhões de pessoas, segundo a Pnad Contínua/IBGE, somam-se a inadimplência e a queda da qualidade de vida.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na quarta-feira, aponta que o desemprego afetou 44% dos entrevistados nos últimos 12 meses e que 48% dos brasileiros correram atrás de bicos para complementar a renda. E mais da metade – 54% - acredita que dias piores virão.

É evidente a falta de sentido do discurso bestial de Dilma, repetido sexta-feira, no Piauí, de que “uma minoria aposta no pior”. Por aí, ela não tem chance. Nem por outro lugar qualquer. Dilma, na verdade, já se condenou ao fracasso. Sua fala confusa, apelidada de dilmês, tinha até alguma graça. Conferia a ela lugar de destaque na galeria do folclore político. Hoje, é só patética.

Em entrevista ao Valor Econômico, Dilma chegou a alegar questão de gênero ao ser questionada sobre renúncia pela jornalista Cláudia Safatle. “Você já pensou que nunca perguntaram isso para nenhum homem? Por que mulher renuncia?” Um total contrassenso.

Até Lula, com toda a sua verve palanqueira, perdeu o charme. Na semana passada sentiu o gostinho de falar em praça pública. No Paraguai e na Argentina. Por aqui, só em ambientes fechados, com gente amiga. Seu discurso encontra travas em todas as frentes. Tem tido dificuldades para seduzir os pobres aos quais ele prometeu mundos e fundos e que se redescobrem pobres, a classe média, nova ou consolidada, e os ricos que nele viram chances de purgar culpas.


Hoje, tantos foram os engodos e aprontações de Lula, PT, Dilma e Cia – e aqui cabe destacar os sucessivos escândalos de corrupção, culminando com os da Petrobras –, que esses segmentos tidos como antagônicos se unem em repúdio. A rejeição recorde de Dilma, os milhares que vão às ruas em protesto contra ela, os mais de 500 mil que assinaram petição pró-impeachment em menos de 24 horas, o sucesso dos bonecos-pixulecos espelham isso.

O feitiço atacou o feiticeiro, o “nós” virou “eles” e vice-versa. Juntos e misturados para dizer não a tudo que aí está. Não há, portanto, a menor chance de arrancar mais dinheiro dessa maioria para tapar os buracos da gastança desenfreada dos governos Lula-Dilma.

Neles, disseminou-se a roubalheira como política de Estado. Encheram-se as burras de muitos asseclas. O país empobreceu e faliu.

Medo de cara feia

"As coisas estão indo bem e, no futuro, irão ainda melhor – não há com o que se preocupar." 

A frase acima, que resume bem o que a campanha presidencial de Dilma Rousseff dizia sobre o Brasil em 2014, é a fórmula utilizada por Cass Sunstein e Reid Hastie para definir "happy talk" (conversa feliz), que, segundo esses especialistas em teoria da decisão, é uma das principais e mais disseminadas fontes de fracassos coletivos.

Em "Wiser: Getting Beyond Groupthink to Make Groups Smarter" (mais sábio: ultrapassando o pensamento de grupo para tornar grupos mais inteligentes), Sunstein e Hastie não tratam do Brasil nem do governo Dilma, mas, ainda assim, explicam muito do que está ocorrendo por aqui.

É que os autores esmiúçam a literatura sobre a psicologia de grupos e, ao fazê-lo, revelam a incrível capacidade que conglomerados de gente, sejam eles organizacionais, governamentais ou mesmo nações têm de produzir erros e persegui-los com máximo afinco, sempre julgando que estão fazendo a coisa certa. Mostram também por que, nas condições certas, grupos se saem melhor do que indivíduos pensando e agindo isoladamente.

A "happy talk" aparece com destaque porque é um dos métodos mais eficazes de promover a complacência e calar dissensos que poderiam revelar informações capazes de corrigir o rumo. Ninguém, afinal, deseja ser o desmancha-prazeres que vai tirar todos de seu doce idílio –mesmo que ele não passe de uma ilusão.

Na segunda parte da obra, Sunstein e Hastie dão dicas do que fazer para aumentar as chances de sucesso de empreitadas coletivas. De novo, as coisas não ficam muito bem para Dilma. Segundo os autores, os melhores líderes costumam ser aqueles que estão ansiosos para descobrir o que está dando errado e conseguem fazer seus subordinados dizerem o que realmente pensam, sem medo de levar broncas ou enfrentar cara feia.
Hélio Schwartsman

Na curva decisiva

A presidente Dilma até admitiu que no primeiro mandato cometeu erros que agravaram a situação econômica do país. Entendeu que o rumo tinha que ser outro.

Apesar do arrependimento, persiste um grave equívoco na demora de enxugar despesas, ministérios e livrar-se do desnecessário, vender ativos fixos e acionários, ficando com o estritamente imprescindível.

O contribuinte não tem mais possibilidades de sacrificar suas rendas, nem as empresas de serem confiscadas de parcelas que se destinariam à renovação de seu parque, à tecnologia e à sobrevivência, gerando empregos.


Os governos, durante anos de farras, marcados por aumentos de despesas públicas desnecessárias e corrupção, muito acima do crescimento do PIB, deixaram os setores produtivos assoberbados de entraves tributários e burocráticos. Quem tem que se adaptar, numa democracia, à capacidade de contribuição da nação é exatamente o Estado, mas aqui se pretende o inverso. A nação é tributada para bancar uma gastança descabida, salários e aposentadorias especiais, exércitos de cargos em comissão que nem sequer têm lugar para bater cartão.

Embora o setor produtivo (a vaca que dá o leite à família) acumule perdas, o sistema bancário registra lucros exorbitantes, sem produzir uma batata, mas cobrando serviços financeiros e os juros mais absurdos do planeta. Nada produz, mas ganha muito.

No cheque especial cobram-se por 30 dias, na maior caradura, 7% ao mês, mais que a inflação de 365 dias.

Existe uma forte retração econômica, e o Banco Central continua com uma Selic de 14,25%, literalmente quebrando o Estado, que por essa taxa de juros tem sua dívida crescendo R$ 1 bilhão ao dia. Dá para entender?

Nota-se que a fatia confiscada pelo poder público gera o maior impedimento à comercialização e à competitividade, leva ao fechamento de indústrias, consequentemente do comércio. Ninguém, fora os bancos, escapa. Os políticos olham para o próprio umbigo quando não pensam no bolso.

Quanto mais se cobra, menos se vende, e menos o governo arrecada.
Vivemos um ciclo desagregador da integridade nacional.

A economia da China, que tirou do atraso 1,3 bilhão de pessoas, escalou o ranking das economias mundiais, crescendo a um ritmo de 10% ao ano nos últimos 20 anos, limitou sua carga tributária a 22% do PIB, concedendo estímulos à produção, a financiamentos em taxas justas, investindo corretamente o que arrecadava em infraestrutura. Isso mostra o caminho que um país em desenvolvimento poderia seguir.

No Brasil nem seria necessária a dose chinesa; já uma carga tributária de 30% e responsabilidade fiscal de verdade, abolindo-se as espertezas, podem dar avanços ao ritmo de 6% ao ano ou mais. Em dez anos o Brasil alcançaria outro patamar de renda por habitante e de cidadania.

Essa meta, entretanto, não é o que almejam as elites políticas do país, preferindo se digladiar em lutas pelo poder. A nação está em segundíssimo plano, primeiro vem o interesse pessoal, e os descalabros do petrolão escancararam para a população as indignidades que se passam nos bastidores.

Na equação impossível de Joaquim Levy, que bate a única tecla do aumento de impostos, ainda sem diferenciar o que grava a produção do que grava o consumo, se enxerga uma atitude economicamente desagregadora.

Neste grave momento seria necessário lembrar-se da curva de Laffer, teoria de um economista exímio, que explica com meridiana clareza os efeitos entre a carga de impostos arrecadados e o crescimento econômico, o PIB.

A curva, ou parábola, ilustra um conceito “natural”, que se resume nos “efeitos da dosagem”. O excesso de quantidade de qualquer substância pode transformá-la de remédio que cura em veneno que mata. Impostos não escapam à regra.

Laffer descobriu durante análises de diferentes momentos históricos em vários continentes que não adianta ultrapassar 33% do PIB de carga. Quanto menor que 33%, mais crescerão a economia e a receita para o erário, devido ao aumento da produção descomprimida. Qualquer ponto acima de 33% se revela ineficaz ao erário, podendo gerar até perda (na internet se encontram boas explicações de Laffer).

O Brasil passou do ponto crítico e não cresce. Equilibrava-se sobre as exportações de commodities, que despencaram no mercado internacional, tanto em valor como em quantidade.

O Brasil, contudo, mostra uma saída pelo notável potencial reprimido de crescimento interno, que pode, devidamente estimulado e direcionado, promover um crescimento com ganhos de competitividade, atraindo ainda capital externo e tecnologia de ponta.

Entretanto, deveria o governo fazer seu dever de casa, fomentar setores produtivos, possibilitar-lhe competitividade e determinar regras de longo prazo. O bendito marco regulatório que daria condição de segurança aos investimentos.

Tratei neste espaço na semana passada de um programa de Renovação de Frota, que poderia exemplarmente atender a diminuição da poluição e aumentar a segurança e o conforto no trânsito, via incentivo à troca de veículos obsoletos. E se Levy quer porque quer aumentar a arrecadação, apenas R$ 120 por veículo circulante cobrado como Tarifa Ambiental para Renovação de Frota possibilitaria um fundo para incentivar com R$ 8.000 a troca de cada um dos 950 mil carros de passeio e dos 80 mil caminhões, estes com R$ 40 mil por unidade a cada ano.
Tem uma forte razão ambiental, com 14 milhões de veículos de passeio e 1,3 milhão de caminhões com mais de 20 anos de uso transitando pelas ruas. O notável é que para cada carro trocado haveria a diminuição de 40% de emissões e, no caso de caminhões, a espetacular economia de 50 por 1. Quer dizer, um caminhão antigo joga na atmosfera 50 vezes mais CO² que um novo.

As metas de melhorias ambientais se fazem urgentes e nesse caso se associariam a retomadas da economia nacional com um impacto de 1,8% do PIB mais R$ 35 bilhões de arrecadação suplementar e virtuosa. Os empregos diretos e indiretos gerados chegariam perto de 1 milhão, e até a Seguridade Social aumentaria sua receita em alguns bilhões.

Para pôr em prática, precisa, além de competência, apenas de vontade política e firme determinação.

Tuberculose na Rocinha expõe o Brasil que estacionou no século XIX

Moradora da Rocinha com tuberculose. / Victor Moriyama
O sol forte que ilumina o Rio de Janeiro não chega na casa de Maria Irenice Silva, moradora da favela da Rocinha de 30 anos. Ela vive com a pequena Maria Victoria, sua filha de dois anos, em um cubículo no chamado “beco dos malucos”, onde a sombra é permanente e a única iluminação vem das lâmpadas automáticas instaladas do lado de fora —inclusive ao meio-dia de um sábado de agosto. Sua casa é térrea, embaixo de várias outras, e fica no final da descida dessa estreita passagem. O forte cheiro de mofo, que cobriu todas as paredes ao longo dos anos, talvez décadas, se mistura com o da vala de esgoto que corre do lado de fora. O teto é baixo. A única janela, minúscula, está fechada com uma toalha para que os ratos não entrem à noite, e um antiquíssimo ar-condicionado Consul ligado permanentemente dá conta da ventilação. Mas o oxigênio mal entra no pulmão.

“Nice”, como é conhecida entre as dezenas de vizinhos que vivem praticamente grudados lado a lado nesse beco, é uma das mais de três centenas de pessoas que têm tuberculose na Rocinha. Trata-se de uma doença infecciosa, transmitida pelo ar, causada por uma bactéria (bacilo) que afeta principalmente os pulmões —os ossos e o sistema nervoso também podem ser atacados. Perda de apetite, tosse por mais de três semanas, irritação e cansaço são alguns dos sintomas, que podem ser confundidos com uma pneumonia ou gripe comum. Ainda que seja tão antiga quanto a colonização portuguesa no Brasil e tão esquecida pela população e até por profissionais da saúde, a tuberculose está longe de ser eliminada porque se trata, principalmente, de um problema social, histórico e urbano. O tratamento é acessível e a cura é possível. O problema é a prevenção: ela se dissemina mais facilmente em áreas de grandes aglomerações de pessoas e de alta concentração de pobreza, onde os ambientes são fechados, sem entrada de luz solar ou circulação de ar. Como no beco onde vive Nice e em praticamente toda a Rocinha.

Esta favela, localizada na zona sul do Rio de Janeiro e com mais de 100.000 moradores, é normalmente apontada por especialistas como um dos principais focos de tuberculose de todo o país: a partir dos casos registrados pela Prefeitura do Rio, possui uma taxa de incidência de 372 casos por 100.000 habitantes, 11 vezes mais alta que a média nacional. Em 2014, o país registrou 68.467 casos (33,8 por 100.000 habitantes), o que o colocou na 17ª posição entre os 22 países que concentram 80% dos casos de tuberculose do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Na verdade, não é que a Rocinha tenha o mais alto índice do país, mas sim que esse mesmo perfil econômico, social e urbano se reproduz em outros lugares, como Cidade de Deus, Complexo do Alemão, Maré, Rio das Pedras…”, argumenta Carlos Basilio, psicólogo e ativista do Observatório de Tuberculose no Brasil. Para ele e outros especialistas, as demais áreas e grupos de pessoas vulneráveis do Rio de Janeiro e do país —favelas, presídios superlotados, população indígena, moradores de rua, entre outros— ainda não possuem dados suficientes, enquanto a Rocinha vem sendo estudada há vários anos. A alta taxa de incidência da doença em seu território expõe uma agenda social do século XIX no Brasil que ainda está longe de ser superada. Em países desenvolvidos —e até mesmo em Cuba—, a taxa de incidência é tão baixa que a OMS considera a doença já eliminada
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Leituras de crise 1

Em um sistema político como o nosso presidencialismo de “coalizão”, que se tornou de “cooptação” e, agora, na crise, converteu-se em presidencialismo de “ficção”, o fator de competitividade decisivo dentro dos partidos políticos e nos processos eleitorais é o dinheiro.

Com isso, a chance de a política produzir reflexões e ações mais profundas tornou-se muito baixa , senão impossível. Nos tempos de vacas gordas na economia global, a peça no palco conseguia distrair o distinto público. Nos tempos de vacas magras, justamente quando a política torna-se mais necessária porque os remédios são amargos, o sistema revela sua total incapacidade de oferecer à nação ideias, propostas e ação.

A crise que vivemos no Brasil é profunda e envolve diversas dimensões da nossa sociabilidade. É sempre grande a tentação de sugerir que a crise tem uma espécie de “elo mais fraco” da corrente que, se resolvido, encaminharia a solução de todos os problemas.

Para uns, seria a gigantesca perda de poder da Presidência da República após a “ruptura de contrato” com a população que, se resolvida de um jeito ou de outro , abriria os caminhos da redenção. Para outros, o indispensável e severo ajuste das contas públicas por si só já nos entregaria as chaves da saída do inferno. E seria a higiene ética. E assim por diante...

É certo que o “hegemonismo” a qualquer custo ( e bota custo nisso ) do PT é um dos fatores. É mais do que certo que a “nova política econômica” de 2009 a 2014 é uma causa central do abismo em que nos metemos.

Mas também é certo que cortar despesas e aumentar a arrecadação são indispensáveis, mas não o suficiente sozinhos, para retomarmos o crescimento. Assim como seria inconcebível discutir qualquer coisa em economia em 1936 a não ser à luz da crise de 1929, é no mínimo curioso fazer o mesmo em 2015 sem ter a grande recessão de 2008, na qual o mundo está e continuará submerso por muitos anos, como pano de fundo da análise.

Nesse sentido, os equívocos da gestão petista são ainda maiores do que a megalomania sem projeto, a carência ética e o desastre da nova política econômica provocando a quebra nas finanças e agravando enormemente o, já antes dela, roteiro insustentável de crescimento da dívida pública.

O maior equívoco foi não entender, ou entender errado, ou simplesmente mentir, sobre a crise de 2008. Foi dizer à população que um tsunami era uma marolinha. Também foi achar que os remédios para a crise de 1929 serviam para a de 2008, como se nada tivesse acontecido no mundo desde então.

As dimensões da crise são muitas, mas o conhecimento é a chave para todas as portas de saída. Se o processo político ocorre sem que o conhecimento e os argumentos em uma retórica consistente tenham um papel, ainda que subordinado à luta pelo poder, o custo para sair do labirinto aumenta bastante.

Sérgio Besserman Vianna

Hominídeos na caverna do Planalto

Como nos livrar dos fósseis que rebaixam nosso presente e ameaçam o futuro de nossos filhos e netos?

Hominídeos com um cérebro diminuto, do tamanho de uma laranja, foram descobertos nas cavernas luxuosas e atapetadas do Planalto. Para ser mais precisa, e não discriminar os homens, também foram encontradas mulherinídeas. Trata-se de uma espécie “prima” do ser humano normal, com mãos, pernas e pés idênticos aos de todos nós, mas com um cérebro atrofiado, dado a decisões incoerentes, mirabolantes, contraditórias, primitivas e suicidas. Uma espécie vivinha da silva em Brasília.

Pesquisadores e eleitores no Brasil acreditavam que essa espécie, batizada de Homo naledi, estaria extinta há milhões de anos. Muito antes, portanto, do Homo sapiens. Ou da “Mulher sapiens”, como bem lembrou recentemente a presidente Dilma Rousseff.

Mas o desastre descomunal que afundou a economia do Brasil e expôs as vísceras de uma política corrupta mostrou que os hominídeos se multiplicaram entre nós. O maior desafio para a população honesta e sofrida deste país é saber como se livrar dos fósseis que rebaixam nosso presente e ameaçam o futuro de nossos filhos e netos.

Precisamos de grandes homens e grandes mulheres que assumam sua responsabilidade e tomem decisões sábias para nos tirar do atoleiro. Nós, os contribuintes, estamos cheios de ser atingidos por balas perdidas no tiroteio insano entre os Poderes.

Essa história de morar num país tropical abençoado por Deus já era. O lado B do Brasil é o lado da bandalha, da bagunça, da balbúrdia. Poderia ser B de bonança. E ainda pode ser, mas não à custa de quem é inocente. Mais impostos? Mais contribuições? Mais aumentos nas contas? Em ambiente de inflação e desemprego?

O que fazem as castas sapiens no Executivo, no Legislativo e no Judiciário? Continuam com sua remuneração intocada pela crise. Ganham reajustes acima da inflação. Mantêm seus benefícios imorais, injustificáveis, e seu exército de assessores apadrinhados. Discutem sobre os “remédios amargos” que eles só receitam, nunca tomam. Conspiram nas sombras e em público, numa dança de alianças oportunistas.

A cada semana, Dilma elege um como bucha de canhão. Uma hora é o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, outra é o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e daqui a pouco será o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Só não dá para Dilma ir contra seu criador, Lula, porque esse está mais descontrolado do que a inflação, atira no que viu e no que não viu. Afetado pela perda da memória recente, Lula diz hoje o contrário do que disse em 2008. O selo de bom pagador era ótimo, uma prova de que o Brasil tinha se tornado “um país sério”. Agora, o selo de mau pagador “não significa nada”.

Com o Brasil rebaixado para a Série B, os “remédios amargos” anunciados por Dilma e pelos hominídeos do Planalto para equilibrar o orçamento nacional não passam pela goela dos seres humanos normais. Temos o cérebro maior que uma laranja, não vivemos em cima de árvores olhando a paisagem e nossos dedos não são curvados para pegar maços de milhões de dólares. Tampouco temos a quem delatar porque não participamos de nenhuma negociata entre hominídeos e mulherinídeas.

Hoje, Dilma contamina seus ministros com a arrogância e com o total descolamento da realidade. A declaração é de um senador da oposição e faz todo sentido. Só a contaminação presidencial explica que Levy diga, com a maior cara de pau, que os brasileiros não se negariam a pagar mais impostos para ajudar o país. E que todos nós devemos encarar esse aumento de impostos como “investimento”. Investir em que, Levy? Estamos comprando papéis do governo do PT?

No dia 24 de setembro, irá ao ar em rede nacional o programa do PMDB com o slogan “O Brasil está pronto a acertar as contas com a verdade”. Tenho dúvidas.

A verdade dói. Uma notícia discreta na sexta-feira me chamou a atenção: a atriz Myrian Rios, ex-mulher de Roberto Carlos e ex-deputada estadual, não reeleita no ano passado, acaba de ganhar um cargo de R$ 20 mil na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj. Foi nomeada subdiretora-geral de Cultura. O presidente da Alerj, Jorge Picciani, disse que Myrian Rios ajudará a Casa a ser um polo irradiador de cultura no Rio!!! Três exclamações.

Myrian é a mulherinídea que, além de ser contra o direito ao aborto até em casos de estupro, comparou o homossexualismo à pedofilia. Myrian defende, em tese, o direito de demitir uma babá lésbica pois ela pode “cometer pedofilia” contra suas filhas. Também defende o direito de demitir um motorista homossexual porque ele poderia “bolinar meu filho”. Essa senhora rebaixa a nota da Cultura no Rio. É um símbolo contemporâneo de nosso lado B.
Ruth de Aquino