terça-feira, 19 de agosto de 2014
Enquanto a luz não vem
Nunca gostou de livros. É um fato. “Ler dá um sono danado”,
sempre disse. Em seu benefício, nunca mentiu, pelo menos no que se tratava de
seu desprezo natural, quase patológico, pelos livros.
O destino, sendo irônico e talvez carecendo de bom gosto,
quis que a vida lhe entregasse o poder. Caminho difícil, possivelmente admirável,
durante o qual teve o apoio justamente daqueles que tiveram na leitura a razão
do seu sucesso. Coisas da vida.
No poder, revelou seu desapreço também pelos jornais.
Causavam, segundo ele, desarranjos estomacais. “Dá azia”, diagnosticou. Havia
alguma controvérsia sobre a veracidade do diagnóstico.
Os aliados, talvez atribuíssem a sensibilidade
gastrointestinal a uma possível alergia a tinta ou ao papel. Hipótese
eventualmente desmentida quando a palavra impressa passou a chegar por meios
digitais.
Na inexistência de explicações clinicas, restou o fato de
que a causa da azia eram as ideias. Ou melhor, o horror a sua diversidade.
Ficou evidente o asco que lhe causava ver impressas, expostas e lidas, as
ideias, opiniões e fatos que pudessem de alguma maneira, contraria-lo.
A inteligência e o espirito prático, mais uma vez não lhe
faltaram. Para combater diversidade de ideias, concluiu ele, a melhor
estratégia seria desestimular o pensamento. Iniciou o culto à ignorância.
Ignorância, não seria obstáculo a ser superado. Ao
contrário, seria característica ou virtude a ser preservada ou mesmo cultivada.
Desestimulou a leitura, o estudo e a cultura como ferramentas necessárias ao
sucesso individual ou coletivo.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
O sistema
Os funcionários não funcionam.
Os políticos falam mas não dizem.
Os votantes votam mas não escolhem.
Os meios de informação desinformam.
Os centros de ensino ensinam a ignorar.
Os juízes condenam as vítimas.
Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.
Os policiais não combatem os crimes, porque estão ocupados
cometendo-os.
As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.
O dinheiro é mais livre que as pessoas.
As pessoas estão a serviço das coisas.
Eduardo Galeano
Tema para Genoino
Os réus do mensalão receberam, aos olhos da opinião pública,
penas adequadas à gravidade do mais sério escândalo político da História
recente do país
O sistema penal brasileiro reserva aos réus do precioso
colarinho branco — ou seja, fazem parte de algum setor da chamada elite
nacional — vantagens e benesses que ficam longe das normas impostas aos
condenados que pertencem, digamos assim, à grande massa dos colarinhos sujos.
São considerados sujos, não se deve esquecer, porque quem os usa simplesmente
não tem recursos para lavá-los.
Há menos de um ano — nove meses — o ex-deputado José Genoino
e um pequeno bando de outros réus começaram a cumprir penas razoavelmente
severas por suas participações no chamado “processo do mensalão”, um dos
escândalos políticos mais sérios da História da política brasileira. As penas
decididas pelo Judiciário mereceram o aplauso da opinião pública. Seria
interessante saber se a plateia continua batendo palmas, em face do episódio
mais recente dessa triste novela.
Favoritismo do mau humor
A consultoria Rosenberg Associados considerou que Dilma ainda é a
favorita, mas emendou: “O cenário mais provável é a continuidade da
mediocridade, do descompromisso com a lógica, do mau humor prepotente do poste
que se transformou em porrete contra o senso comum”.
FT aponta liderança de Marina
A ex-senadora Marina Silva poderá liderar o voto de
"todos contra a presidente Dilma Rousseff" em um eventual segundo
turno da eleição presidencial, disse o jornal britânico Financial Times em
editorial nesta segunda-feira.
"A popularidade de Marina diminui a esperança de Dilma
de conquistar a eleição (no primeiro turno)", diz o jornal. "No
segundo turno, Marina poderá, então, liderar um voto de 'todos contra
Dilma'", avaliou o jornal britânico.
"Se Marina concorrer, a bandeira de 'renovação
política' e de 'terceira via' terá um grande apelo em um país marcado pela
insatisfação com o status quo, como os grandes protestos de rua do ano passado
mostraram", disse o editorial.
Segundo o jornal britânico, "a morte trágica de Campos
tornou a eleição em uma corrida de três cavalos" ao alçar Marina como
potencial kingmaker, termo em inglês que se refere à pessoa que escolhe o
próximo rei.
domingo, 17 de agosto de 2014
Tragédia fortalece gana para mudar
O episódio dramático pode levar a um fechamento desse 'gap' entre a sociedade e a classe política
A violenta e inesperada saída de cena de Eduardo
Campos, candidato do PSB à presidência que morreu na última quarta-feira num
acidente aéreo, foi penosa e chocante não só para a sua família e seus
correligionários mais próximos. Eleitores e não eleitores do presidenciável se
sentiram consternados e obrigados a refletir sobre a processo eleitoral e sobre
quem era o político que vinha persistindo em terceiro lugar nas pesquisas com
uma mensagem de mudar o modo de fazer política no país.
Por isso, a morte de Campos pode ter um alcance maior do que
se supõe para o eleitor brasileiro, acredita a socióloga Fátima Pacheco Jordão.
“A morte trágica de Campos reduz a distância entre a sociedade e a classe
política”, avalia ela, que é diretora da D'Fatto pesquisa em Jornalismo. A
última mensagem do presidenciável, numa entrevista ao Jornal Nacional, da rede
Globo, um dia antes, “Não desistam do Brasil”, poderia ter um efeito importante
para a juventude brasileira que anda tão refratária à política. “A ideia
de renovação está escrita na sociedade. É uma mensagem que Eduardo Campos
encampou”, afirma. A sua morte, explica, fortalece a gana de mudança do eleitor.
Com amor...
Tantas pessoas votaram na Dilma e se frustraram, pois viram agora um governo que valoriza no seu centro a velha política, deixou a inflação voltar, derreter os empregos. (...) Nós vínhamos nos afastando do governo, porque esse governo é o único que vai entregar o país pior do que recebeu, seja na economia, na segurança, na logística, na política externa
Eduardo Campos
Não desistam do Brasil
Eduardo teria sido eleito? Como teria governado? Silêncio. O que não quer dizer que a esperança que despertava morra com ele
Quando um acidente fatal acontece instala-se um sentimento
de absurdo. Aconteceu como poderia não ter acontecido. E, entre essas duas
possibilidades, seja para uma família ou para um país, cava-se um abismo. A
vida que poderia ter sido e a que, doravante, será. E, contra todas as
expectativas, um aprendizado: o acaso tem sempre a ultima palavra.
A desgraça que se abateu sobre Renata Campos e seus cinco
filhos é difícil de aceitar. O Brasil perde com a morte de Eduardo um dos raros
homens públicos que despertavam entusiasmo em tempos em que políticos têm
merecido da população indiferença, quando não asco. Sua última entrevista ao
“Jornal Nacional” na véspera da tragédia mostrou, sob duro questionamento,
alguém capaz de olhar nos olhos de seus eleitores. “Não vamos desistir do
Brasil” foi sua última mensagem, que calou fundo mesmo em almas gastas pelos
dissabores.
Eduardo teria sido eleito? Como teria governado? Silêncio. O
que não quer dizer que a esperança que tinha e que despertava morra com ele.
Renata, uma mulher forte, há de saber, com o poeta Drummond, que “as coisas
findas, muito mais que lindas, essas ficarão”. Os filhos de Eduardo vão crescer
— o mais velho, João, já se manifestou nas redes pró-candidatura de Marina
Silva com um límpido argumento: não teria sentido apoiar Dilma, que era sua
adversária, em detrimento de Marina, que seria sua vice. O que se lhes pode
desejar é que não percam o gosto da política que trazem no sangue e o olhar
atento sobre as injustiças.
Na recusa visceral aos políticos e à politica partidária há uma mensagem a ser decifrada. Essa juventude não diz, como diziam seus pais, que “um outro mundo é possível”. Acredita que “outra vida é possível”. Vivencia a política no cotidiano, ancorada em escolhas existenciais. Seu espaço e tempo são aqui e agora. A experiência vivida é o seu horizonte.
sábado, 16 de agosto de 2014
Unidos, sempre, pra rachar
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| Reunião de rumos de campanha do partido dentro do Planalto. Esqueceram? |
Dilma, a condoída presidente na morte do candidato Eduardo
Campos, e o ex Lula, que lamentou a morte do "companheiro e amigo",
com quem não falava há mais de seis meses, em dois dias já esqueceram o
respeito aos mortos e começaram a tratar de impedir qualquer crescimento do PSB
como adversário do PT.
Para rachar ou minguar a força peessedebista,
telefonaram para o vice Amaral, ex-ministro lulista, a fim de dar condolências
(sic). O termo pretende esconder a realidade de mais uma tramoia petista para
limpar os caminhos da reeleição, uma vez que os dois deveriam dar condolências
à família, como amigos que disseram ser do falecido, não ao vice-presidente do
partido.
Mais uma mascarada petista que só tem objetivo de fortalecer
a caminhada para o continuísmo.
Um arrastão de desiludidos e indecisos às urnas
Analistas profetizam que esta poderia ser uma das eleições com maior participação
Um dia antes da tragédia aérea, a imprensa destacava a
“apatia” existente no Brasil em relação às eleições. Um desânimo que pressagiava
uma das maiores abstenções na história política do país. As pesquisas previam
40% de votos nulos, brancos e abstenções.
Hoje, ao contrário, analistas políticos profetizam que esta
poderia ser uma das eleições com maior comparecimento às urnas.
Às vezes, o destino, quando revestido de tragédia, como foi
a morte inesperada de Campos, um personagem descoberto de repente pelos
cidadãos como um político que sonhava em produzir uma reviravolta na cansada e
desprestigiada política partidária, pode mudar em questão de minutos o destino
de um país.
A reeleição e a Petrobras
Voltas que o mundo dá. A presidente Dilma agora acha que a
Petrobras deve ser preservada da campanha eleitoral. “Se tem uma coisa que tem
que se preservar, porque tem que ter sentido de Estado, sentido de nação e
sentido de país, é não misturar eleição com a maior empresa de petróleo do
país. Não é correto, não mostra qualquer maturidade."
Quem agora diz isso é a mesma candidata que, a partir de
2009, transformou a partidarização do papel da Petrobras no pré-sal em
plataforma de lançamento de sua candidatura à Presidência. É difícil que alguém
já tenha se esquecido da sua campanha eleitoral em 2010, saturada por cenas em
que a candidata aparecia, em sondas, plataformas e navios, com mãos lambuzadas
de petróleo, envergando indefectíveis capacetes e macacões da Petrobras.
O problema é que, desde então, a Petrobras converteu-se em
inesgotável poço de temas espinhosos, que a presidente preferiria não ter de
tratar na campanha da reeleição. O Planalto tem boas razões para estar
preocupado. O potencial de desgaste político é, de fato, grande.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Até de morto se aproveita
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| Casal "dono de Maricá" em Nice, numa de suas viagens internacionais à Europa |
A cretinice, no Brasil, não tem medidas. Nem luto se
respeita, mas se aproveita para, quem sabe, abiscoitar uns votinhos a mais para campanha de madame.
Assim fez o prefeito de Maricá e presidente regional do PT, conhecido por se
achar mais do que é. E num gesto “presidencial”, com o ego inflado, decretou
luto de três dias pela morte do ex-candidato do PSB, o mesmo que se pudesse
achincalharia durante as eleições. Afinal, quem não está com o PT ou aliados,
como pensa o inquisidor, está com o diabo e deve ser excomungado.
O decreto é outra farofada do prefeitinho, que também
decretou luto oficial pela morte do próprio irmão, numa consagração da família.
E o morto, alcunhado de “Rato”, nunca fez nada pelo município, mas saiu no
lucro pós-morte dando nome a duas “obras”, com recursos dos governos estadual e
federal. Para orgulho mafioso e aplausos dos puxa-sacos, quem era um zero à
esquerda ganhou placa.
Agora o “prefeitalha” resolve, do alto das sapatilhas de
reizinho da pocilga, “homenagear” político respeitável como se esse precisasse
da homenagem de gentinha para ser maior do que foi.
O filho adotivo?
Pouco antes das eleições municipais de 2012, Sigmaringa
Seixas, ex-vice-governador do Distrito Federal pelo PT, foi despachado por Lula
ao Recife com uma tarefa que o ex-presidente considerava difícil, mas não
impossível: convencer Eduardo Campos, então governador de Pernambuco pela
segunda vez, a desistir da ideia de se lançar candidato à sucessão de Dilma
dali a dois anos.
Até então ainda não se falava de público na candidatura de
Eduardo pelo partido que ele presidia – o PSB. Eduardo recebeu Sigmaringa no
Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Conversaram
sozinhos durante mais de duas horas. Sigmaringa retornou a Brasília no mesmo
dia. Orientado por Lula, acenara para Eduardo com a hipótese de ele compor como
vice a chapa de Dilma à reeleição.
Eduardo recusou a proposta. Alegou que não deixaria o
governo para ser vice. Os pernambucanos não entenderiam seu gesto. Então
Sigmaringa jogou na mesa o que imaginou que fosse um trunfo: Lula estava
disposto a apoiar Eduardo para presidente em 2018. Em troca, Eduardo fecharia
com a reeleição de Dilma.
- Obrigado, mas não topo – descartou Eduardo.
- Mas por quê? – insistiu Sigmaringa.
- Confio na palavra de Lula, mas não confio na palavra do PT
– respondeu.
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Um drible do destino
O destino driblou as eleições brasileiras e a esperanças de
muitos, mais do que se imagina. A morte do candidato Eduardo Campos enlutou
politicamente uma região inteira – só em Pernambuco tinha uma aprovação recorde
superior a 90%. Não era pouca coisa a que se destinava em sua corrida
presidencial.
Articulador nato e perito em compor aliados, Campos foi o
diferencial na campanha, que agora volta ao cotidiano exaustivo do dilema entre
PT e PSDB. O brasileiro perdeu uma grande chance, por culpa de um
acidente aéreo, de contar com uma grande influência, mesmo perdendo as
eleições, para agitar uma renovação política indispensável, quando é grande o
desinteresse popular pelos rumos políticos.
Resta-nos retomar a bandalha politiqueira, que já era
grande, monstruosa, com a incógnita da performance de Marina Silva. A saída de
cena de Campos deixou o cenário eleitoral mais pobre do que parecia.
Infelizmente o país ainda terá de conviver com essa miserabilidade política por
mais tempo. Miserabilidade que já se vê com canalhas costumeiros se aproveitando do momento para crescer diante da morte do candidato. Um sinal de quanto há de podridão, crescida nos últimos anos, na política brasileira.
Agora o eleitor vai tentar acertar, quase às cegas, em meio ao analfabetismo eleitoral e a sujeira politiqueira,
os caminhos de renovação. Que o destino, desta vez, ajude.
O crime é o mesmo
A Opinião em Palácio
O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública.
― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais.
Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de frequentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse:
― Preciso de ti.
A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não exercitá-lo. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, se acreditava em discos voadores, horóscopos, correção monetária, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião.
― Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável.
E virando-se para os serviçais:
― Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais. E que ela só volte aqui depois de decorar bem as apostilas.
Carlos Drummond de Andrade, "Contos plausíveis"
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
A força de muitos
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| Charge do Amarildo |
Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores. Vamos votar, está combinado?
Eles são 24%, quase um quarto do eleitorado brasileiro.
Tenho simpatia por esse exército de deserdados, órfãos, ou qualquer nome que se
queira dar aos 34 milhões de brasileiros aptos a votar, mas dispostos a abrir
mão de escolher o próximo presidente. Os dados são da última pesquisa do Ibope,
divulgada na quinta-feira.
Tenho simpatia, mas, diante da encruzilhada em que se encontra o Brasil, sinto vontade de dizer: escolham um candidato, mesmo que não estejam totalmente convictos, mesmo que tenham de cobrar depois. Sou contra o voto obrigatório, por considerar o voto um direito e não um dever. Mas, se assim é a lei em nosso país, vamos votar em alguém, está combinado?
Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores, não se apoiem na falsa comodidade de pensar que nada têm a ver com isso que está aí. Numa democracia, somos todos responsáveis, em algum grau, pelos rumos da cidade, do Estado e do país.
São vários os sentimentos por trás da vontade de anular ou deixar branco o voto, cara a cara com a urna. Desencanto, revolta, indiferença, impotência, desinformação, desconfiança. Vontade de não se misturar à corja de políticos que só sabem aumentar os impostos e roubar a educação, a saúde, a habitação, o transporte, a segurança. Mentem com desfaçatez. E roubam até dos pobres.
Tenho simpatia, mas, diante da encruzilhada em que se encontra o Brasil, sinto vontade de dizer: escolham um candidato, mesmo que não estejam totalmente convictos, mesmo que tenham de cobrar depois. Sou contra o voto obrigatório, por considerar o voto um direito e não um dever. Mas, se assim é a lei em nosso país, vamos votar em alguém, está combinado?
Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores, não se apoiem na falsa comodidade de pensar que nada têm a ver com isso que está aí. Numa democracia, somos todos responsáveis, em algum grau, pelos rumos da cidade, do Estado e do país.
São vários os sentimentos por trás da vontade de anular ou deixar branco o voto, cara a cara com a urna. Desencanto, revolta, indiferença, impotência, desinformação, desconfiança. Vontade de não se misturar à corja de políticos que só sabem aumentar os impostos e roubar a educação, a saúde, a habitação, o transporte, a segurança. Mentem com desfaçatez. E roubam até dos pobres.
Uma ferida na esperança
O Brasil deveria
estar alarmado com uma notícia do Tribunal Superior Eleitoral: só um de cada
quatro jovens entre 16 e 17 anos com direito a voto nas próximas eleições se
preocupou este ano em tirar o título eleitoral, o que pressupõe um desinteresse
que beira o desprezo pela política.
O fato é
duplamente grave, porque esses jovens não sofreram as garras da ditadura, da
falta de liberdade, da miséria e da ausência de oportunidades, nem conheceram o
horror das guerras. Seria demasiado fácil, no entanto, criticar esses meninos
por sua falta de “sensibilidade política”, como escreveu um deputado federal. A
crítica deve ser feita ao atual sistema político, que toda manhã espalha por todo
o país montanhas de notícias sobre corrupção, violações à liberdade, feios
exemplos éticos de quem deveria ser guia e mestre dos jovens em uma sociedade
que se vangloria de ser democrática e liberal.
Uma das primeiras
coisas que leio todo dia nos jornais são as cartas dos leitores, geralmente
sérias, agudas, sóbrias, atuais e bem escritas. Na manhã de 10 de agosto,
domingo, interrompi a redação desta coluna para dar uma olhada no jornal O
Globo, que chega à minha porta às cinco e meia da manhã.
Entre as cartas
dos leitores, impressionou-me a de Paulo Henrique Coimbra de Oliveira, do Rio.
Não o conheço, mas sua carta intitulada “Desesperança” me confirmou o que tinha
começado a escrever aqui. Diz Coimbra que, nos últimos dez anos, ele colecionou
em um armário de quatro metros quadrados recortes de jornais que ilustravam
escândalos políticos distribuídos pelos três poderes do Estado. Fez alguns
cálculos: cinco escândalos por dia e uma corrupção que, segundo ele, é
“superior ao PIB da maioria dos países do G-7”. Sua última frase é dura e
obriga a refletir: “Depois não sabem (os políticos)”, escreve, “porque a
sociedade não acredita neles. Dias atrás resolvi queimar tudo, inclusive o
armário. E minha esperança de dias melhores foi queimada junto com ele”.
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Não se meta, Dilma!
O que essa gente do governo Dilma Rousseff, ela incluída,
imagina mesmo que somos? Um bando de idiotas? Ou de ignorantes? Incapazes de
distinguir entre o falso e o verdadeiro?
Vai ver parecemos dispostos a ser enganados desde que não
nos apertem os bolsos. Nem revoguem direitos e benefícios obtidos a duras
penas. Ou que nos foram concedidos em troca de votos.
Pois é...
Os aloprados estão de volta!
Perdão. Os aloprados não estão de volta. Estão de volta
aqueles que a cada eleição tentam por meios escusos influenciar seus
resultados.
Lula chamou de aloprados os membros de sua campanha à
reeleição que montaram um falso dossiê para enlamear a imagem dos candidatos do
PSDB a presidente da República (Geraldo Alckmin) e ao governo de São Paulo
(José Serra).
Aloprado é um tipo inquieto. Ou amalucado. Sem juízo. Apenas
isso.
Na época, ninguém contestou o uso impróprio do inocente
adjetivo para identificar, de fato, manipuladores da vontade popular. Sinto
muito, mas era disso que se tratava.
Agora será diferente?
Mal feitores e aloprados
Diferentes jornais colocam entre aspas frase da presidenta
Dilma que diz: "Eu repudio integralmente esse tipo de ação ( manipular
biografias na Wikipédia ), como fiz diante de todos os vazamentos. Nesse caso
específico, é algo que quem quiser fazer individualmente que faça, mas não
coloque o governo no meio."
Com essá frase, vinda do alto do máximo cargo do país, vem a
idéia de que não há problema em cometer-se crime, desde que não se deixe
impressão digital envolvendo outras pessoas.
A presidenta está errada, porque ao dizer isso deseduca a
população, especialmente os jovens, e ainda incentiva ou mesmo insufla
militantes a continuarem fazendo manipulações de biografias, desde que não usem
computadores vinculados ao Planalto, nem outros órgãos públicos. Que sejam mal
feitores, mas não aloprados.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
A reciclagem política
A grande mídia custou a descobrir a mascarada que os
políticos brasileiros vem aplicando para cima dos eleitores. Apesar de ser uma velha estratégia,
principalmente utilizada pelo petismo, quando está em jogo a reeleição, os
jornais deram novo nome para a prática de propaganda enganosa depois que o PT
reabilitou e deu nova formatação a velhos projetos, praticamente arquivados.
Quem vive fora dos grandes centros e sob o jugo petista,
conhece há tempos a palhaçada de apresentar “novidades” que nada mais são que a
ressurreição de antigas promessas que nunca saíram do papel. Essas nem foram
postas em prática porque eram e ainda são apenas um recheio de campanha, uma
cobertura adoçada, para regalar os incautos, sempre dispostos a ficar de joelho
e de mãos postas a qualquer anúncio dos meliantes partidários.
Ninguém que se engane que vale tudo na política para se
manterem cargos e poderes. Então não é de se espantar que apareçam agora, na
boquinha da urna, uma enxurrada de promessas, sempre elas, para cima do eleitor
desavisado ou, digamos, “encantado” pela varinha mágica de um troquinho à
frente.
Em meio a tal reciclagem política, continua a proliferar a
propaganda factóide, que agrada demais aos correligionários, sempre dispostos a
divulgar a boa nova. Não importam os dados, as cifras, tempo de conclusão ou
viabilidade das obras e projetos. Para esses pobres coitados, que estão
ajudando na manutenção de um caos político, nada importa que não seja manter
seus santos do pau-oco nos altares de câmaras e prefeituras.
De tanto rezarem para obter uma dádiva, esperam que sejam
atendidos um dia para infelicidade geral. É que o egoísmo da pilantragem tem
repercutido mais no bolso do honesto, que não tem onde se socorrer em bolsas de
caridade duvidosa ou comissões que secam o Erário.
Testes para saídas no ensino
De um lado, adolescentes pouco estimulados pelos estudos,
muitas vezes cursando séries atrasadas. Do outro, um currículo escolar extenso
porém desconectado da realidade, em aulas excessivamente teóricas e incapazes
de suprir deficiências anteriores dos alunos.
Esses são, segundo especialistas, alguns dos ingredientes
que levam a altos índices de evasão no ensino médio brasileiro, ciclo que é
considerado hoje o principal gargalo da educação no país.
O tema voltou a entrar em evidência neste mês com um
relatório do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) apontando que, entre
os jovens mais pobres, menos de um terço conclui o ensino médio no Brasil.
"É no ensino médio que desembocam todos os problemas
anteriores da formação", explica à BBC Brasil Andrea Bergamaschi, gerente
de projetos da ONG Todos Pela Educação.
Números do ensino médio brasileiro
*O número de matrículas no ciclo aumentou 120% em 21 anos,
para 8,37 milhões de matrículas em 2012, segundo o Ministério da Educação
*Apenas 51,8% dos jovens de 19 anos haviam concluído o ensino
médio em 2012, segundo o Anuário da Educação (da ONG Todos Pela Educação, com
informações do IBGE)
*31,1% dos alunos do ensino médio estavam cursando série não
ideal para sua idade em 2012
domingo, 10 de agosto de 2014
Sonhos
O filme “Sonhos”(Yume), de 1990, um dos últimos do japonês Akira Horosawa (1910-1998) é baseado em sonhos do cineasta em momentos diferentes. Com base em imagens mais do que no diálogo, divide-se em oito histórias distintas de sonho. Na história “O vilarejo dos moinhos”, jovem mochileiro chega a um pacato vilarejo cercado por correntezas. O viajante encontra um velho ancião da vila, muito sábio, que está consertando a roda quebrada de um moinho. O ancião explica que as pessoas do seu vilarejo decidiram há muito tempo atrás abrir mão da influência poluidora da tecnologia moderna e retornar para uma sociedade mais feliz e limpa. Escolheram a saúde espiritual a despeito da conveniência, e o mochileiro fica surpreso e intrigado com esta noção. No final da sequência que é também o final do filme, a procissão de um funeral de uma mulher ocorre no vilarejo, que ao invés de estar de luto, celebra contente o fim de uma boa vida. O ancião, que até então conversava com o jovem viajante, resolve acompanhar a procissão, não sem antes contar-lhe sobre algo que o jovem presenciou ao entrar na vila - crianças colhendo flores e colocando-as sobre uma pedra ao lado da trilha. O ancião diz que há muito tempo um homem havia morrido ali depois de muito sofrer, e desde então o ato de colocar flores sobre a pedra debaixo da qual foi sepultado se faz uma tradição do vilarejo. O viajante se despede do lugar repetindo o gesto das crianças.
Tem quem pague
Gasto do Planalto com comunicação cresceu 30% no primeiro semestre. A Secom teve uma despesa de R$ 109,3 milhões com propaganda no semestre passado 29,7% do que o mesmo período de 2013 que foi de R$ 84,3 millhões
Nossa Casa da Mãe Joana
“A falta de honradez no governo é problema de todos os cidadãos. Não é suficiente para fazer seu próprio trabalho. Não há nenhuma virtude nela. A democracia não é um prazer. É uma responsabilidade"Dalton Trumbo (1905-1976)
Não é de hoje que o Planalto vem revelando que deixou de ser
uma das representações máximas da República para se tornar a central
sindicalista do PT, que gere a pelegada instalada por todo canto do país.
O escândalo das alterações nas informações de jornalistas
dentro do Wikipédia, feitas de dentro do palácio governamental, são tão
escandalosas como os casos do tiro no pé de Carlos Lacerda, quando de dentro do
Catete, saiu a ordem para o atentado, ou aquele do edifício Watergate, com a
invasão de escritório democrata. Parece exagero, mas em todos a ordem foi de
dentro do governo, independente de quem fez ou quem ordenou. E os casos citados
geraram enormes consequências para os governos envolvidos.
A denúncia de que
agora nova alteração foi feita através de um computador do Serpro, órgão
governamental, só vem enfatizar que estamos sob o comando de uma ditadura de
fachada “democrática”, que promove a perseguição política e desrespeita
direitos civis.
A alteração mostra que o PT, no governo, está disposto a
fazer de tudo, e isso inclui qualquer ilegalidade, para assegurar o comando do
país, não bastando a famigerada “regulamentação da mídia”. Embora possa parecer
um excesso de algum funcionário “mais dedicado”, ou conhecidos aloprados, não
passa de um crime contra a individualidade. E em qualquer nível, por menor que
seja – mesmo uma calúnia ou difamação, como qualificam o ocorrido -, contra o
indivíduo por um agente do governo, é crime de ditadura.
Espanta é que o atual caso não mereça a mesma revolta de
outros tempos. Uma atrocidade dessas, que pode acometer qualquer cidadão em
qualquer canto do país, só merece repúdio que não se está vendo, na devida
medida. Estaremos já silenciosos ante as atrocidades petistas, acostumados ao
crime como os que vemos diariamente no noticiário, que nem já reclamamos mais?
Uma atitude perigosa é o silêncio conivente ou complacente diante da injustiça.
Quem cala pode estar tornando mais negro o próprio futuro e dos seus,
prostituindo seus direitos, em favor de uma gentalha autoritária, fascista, com
nítidas intenções de manobrar dados que favoreçam companheiros e achincalhem
adversários como é costume dos governos ditatoriais.
" Ao longo dos três anos
e meio do governo Dilma, o IP da Presidência foi usado para realizar cerca de
170 alterações na Wikipédia. Muitas modificaram verbetes relativos a órgãos
ligados à Presidência e de ministros e ex-ministros como Moreira Franco, Antonio
Palocci, Thomas Traumann, Ideli Salvatti e Alexandre Padilha, além do assessor
especial da presidente, Marco Aurélio Garcia, e do vice-presidente, Michel
Temer". Leia mais sobre o assunto sábado, 9 de agosto de 2014
Semelhanças há
Que fim pode esperar um reino que premia delatores, alimenta quadrilhas de ladrões, desterra vassalos, destrói bens, exalta libelos, não ouve as partes, cala as testemunhas, paralisa a população, ama arbítrios, rouba os povoados, vende nobrezas, condena inocentes, alenta gabelas (*tributo pago ao senhor feudal) e arruína o direito de muitas pessoas?”
Juan Eslava Galán
Congresso de ouro
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| Nani Humor |
O Brasil, com sua imensidão continental, também dá show na
estatística dos super-ricos. Eles hoje são 172 mil. Entraram para a categoria,
no último ano, 7 mil abençoados. Para ocupar a categoria, é necessária uma
carteira mínima de R$ 1 milhão apenas para aplicação, independente de
patrimônio. E isso acontece num país em que o governo se vangloria de enfim ter
reduzido, com certas maquiagens, que não admite, as desigualdades sociais. Esse
é mais um queijo furado que oferecem de bandeja seus ratos de sempre. Famintos
por uma lasquinha do suíço, o melhor do mercado.
Assim, neste país em que os miseráveis já não existem, para
o governo, esses super-ricos proliferam assustadoramente, ainda mais na
chocadeira que se tornou a política. Tanto que os suplentes de candidatos ao
Senado são os mais ricos desta eleição. Quase todos estão na categoria
super-rico de lambuja. Na média, os primeiros-suplentes declararam ter fortuna
de R$ 7,3 milhões - mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil candidatos
registrados para concorrer neste ano. São esses super-ricos, a elite milionária, que vão discutir
as leis para reger o país já solapado por tanto interesse monetário.
Ah, os tempos em que, como na época de Machado de Assis, os senadores tinham no máximo um tílburi ou pegavam o bonde puxado a burro para ir ao Senado, na praça da República.
O golpe municipal dos condomínios
Enquanto áreas verdes são desmatadas para os condomínios, projeto Minha Casa Minha Vida, saudado pelo governo petista, é construído em solo inadequado para edificações, sem sistema de esgoto, pois não há na região, em meio ao mato e isolado de qualquer serviço
Município que deveria investir em educação, saneamento,
atração de indústrias, empregos, prefere reforço de caixa eterno com os
impostos prediais através de condomínios. Quando não sabe encontrar saída para
desenvolver o município, governos adotam a jogatina do “Banco Imobiliário”. Uma
solução prática para angariar impostos ad eternum, gerar umas divisas extras
quando da implantação e mostrar à população o “desenvolvimento” com a vinda de
novos moradores. É uma varinha mágica que atende perfeitamente os desonestos
governos incapazes, pois dá dinheiro e visibilidade. De quebra, ainda pode
render uma “doação” para campanha bem adequada.
O PT não criou a fórmula, mas se tornou um usuário contumaz
quando os seus governos não têm qualidade administrativa. E a jogatina começa
mesmo antes das eleições, quando os maiores patrocinadores de campanha são
imobiliárias. Como aconteceu em 2008, em Maricá. A invasão dos condomínios foi
inclusive anunciada pela revista oficiosa do próprio prefeito como um grande
passo no progresso municipal. De lá para cá, emergiram condomínios por todo
canto num município que não tem rede de esgoto – apenas uns 4% com o in natura
jogado nas lagoas – e sem abastecimento de água na maior parte da região.
Os problemas não foram empecilho para o surgimento de
condomínios, a maior parte de médio para alto luxo, num município ainda mais com
sérios problemas na saúde, na educação, na geração de empregos, no comércio. E
com grave problema de, no futuro, contar com um aumento assustador da população
de baixa renda, criando bolsões de favelização.
O gestor municipal tão bem se saiu em capitalizar as
imobiliárias que até trouxe investidores estrangeiros também enganados pelo
desenvolvimento da região (?). Gastou fortunas, que poderiam ser aproveitadas
em melhorias municipais, nas feiras imobiliárias na Itália e na França para
conquistar os estrangeiros através de vídeos promocionais do “grande avanço”
municipal. E saiu no lucro, das doações e de uma falsa média de renda no
município dormitório, pois a maioria dos novos habitantes trabalha fora daqui.
Enfim, uma jogada de mestre da esculhambação que se acha
magnânimo ao lotear até áreas naturais, que logicamente estão fora da seu
espaço verde, ao troco de um dinheirinho como contrapartida para a
administração, a fim de criar novos ilusionismos. Assim forma a base de uma
futura cidade com massa populacional acima de suas posses, de seus serviços
básicos, de seu atendimento social, sem educação e geração de empregos. A Nova
Maricá cresce como um monstrengo para glória de comissionados e os eternos
come-e-dorme correligionários. PT, saudações.
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Limites de presidente-candidata
Se a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff gastar
tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais
cara campanha da história: R$ 298 milhões. O montante previsto para as
despesas, estabelecido como teto – portanto, não necessariamente precisa ser
gasto em sua totalidade –, não é uma exclusividade da campanha do PT, mas,
transcorrido o primeiro mês da corrida eleitoral, chama a atenção justamente
por se tratar de uma candidata que faz uso do aparato público em todas as suas
agendas políticas.
O futuro com aumento de desigualdades
“Se as elites políticas não reagirem, as coisas ficarão muito feias”
Nancy Fraser é esse tipo de mulher que parece avançar na
idade sem mudar, acumulando sabedoria. Ao mesmo tempo entre a serenidade
reflexiva e a paixão intelectual, analisa a crise do presente, sua
complexidade, com um foco de grande alcance. Seus trabalhos no campo da
filosofia política se centraram nos problemas da justiça social. Em seu livro “Escalas
da Justiça” (Herder, 2008) ela aborda as três dimensões que considera
essenciais, todas elas definidas por palavras que começam pela letra 'r': os
problemas de redistribuição da riqueza no plano econômico; os de reconhecimento
no âmbito dos direitos individuais e coletivos; e os problemas de
representação, na esfera política.
A americana de 67 anos viveu e analisou o avanço do
capitalismo de Estado organizado, a partir do qual surgiu o modelo social
europeu que propiciou as maiores cotas de justiça social, e capitalismo
neoliberal, que minou o Estado de bem-estar e nos levou à grave crise de 2008..
Nancy Fraser alerta sobre as
consequências do aumento das desigualdades e sobre a obsolescência das formas
atuais de participação política. Ela considera urgente encontrar novos
mecanismos para a tomada democrática de decisões, também, em escala
transnacional.
Leia mais sobre alerta das consequências doaumento das desigualdades
Mentir ou enganar? Tanto faz
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| Governo reforma prédio escolar para ser a sede de reserva ecológica |
O príncipe europeu tinha uma só questão. Era ser ou não ser.
O consorte da nobreza petista, em Maricá, sempre está apenas com uma dúvida:
Mentir ou enganar? Qualquer que seja a opção, estará felicíssimo com seu ego.
Ambas são o único caminho para não mais voltar à miséria física, pois da
miserabilidade moral nunca saiu.
É dessa maneira que saem os projetos mirabolantes da ratatuia,
que sempre vêm embrulhados em grandeza social. Como da criação da área de
reserva ambiental, da qual excluiu um costão em Ponta Negra por interesse na
criação de um estaleiro. Um agrado comum para os poderosos endinheirados que
possam contribuir para campanhas eleitoreiras. As mesmas que entronizam e
eternizam o partidão aqui e em outras terras.
Em outra compensação de um condomínio fechado, em distrito
sem escola, se destrói parte da área nativa e paga-se o contributo de R$120 mil
para o educador transformar a escola antiga e abandonada pelos poderes numa
sede de parque mais prestigiosa e de maior visibilidade. Uma merreca em termos
de criminalidade ambiental, mas está em jogo a campanha da própria mulher ao
legislativo estadual e um reforço no imposto predial. É mais um dinheiro que
entra para a poupança eleitoreira do casal. E por um desses paradoxos, a candidata
aparece como defensora da educação, mas vê com alegria o sepultamento de uma
escola.
Assim vai para o espaço o atendimento escolar em detrimento
de ambições políticas e interesses econômicos privados. Em troca, o município
ganha mais um, o enésimo, factoide com que o governo municipal possa espalhar
nas redes e jornais associados ou comparsas bem pagos.
Essa mesma escola, a qual prometeu, em 2009, revitalizar e
inclusive doaria “uma estante velha”, que tinha em casa, para formação de
biblioteca, será reformada enfim para sede de uma reserva municipal. O que
deveria atender à educação será agora um prédio com quiosques, videoteca e
biblioteca com até 5 mil volumes (!!) bem mais do que a própria biblioteca
municipal entregue hoje às baratas e que sequer sonha com videoteca. É muita
cretinice esbanjada em uma só propaganda enganosa.
Troca-se assim área nativa e escola para a população próxima
por um projeto para encher páginas de jornais com publicidade de um governo que
sempre fará mais, muito mais do que se imagina, para si do que para o
contribuinte.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Os invisíveis
Campanha ou champanha
Segundo a Advocacia Geral da União, os gastos da campanha
são arcados pelo Partido dos Trabalhadores ou pela coligação. No caso do uso do
avião presidencial, caberá à Secretaria de Controle Interno da Presidência da
República calcular o valor a ser ressarcido. (Que mal se pergunte: Alguém jura
de mãos postas que o PT, partido do governo, vai ressarcir a dinheirama
pública, quando acha que todo o cofre é dele e inclusive a presidente em
campanha? Nasceu morto o crédulo.)
Se a campanha da presidente-candidata Dilma gastar tudo o
que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara
campanha da história: R$ 298 milhões. Dá para fazer uma farra, e farra haverá,
porque dinheiro vai ter de sobra.
Olha quem fala
Quem aponta para uma próxima recessão é nada menos do que o
conselheiro de Lula e agora de Dilma, Luiz Gonzaga Belluzo. Acredita que os
próximos dois anos serão difíceis para quem for eleito, sendo difícil impedir
uma recessão. “A ideia de que vai colocar a inflação a todo o custo na meta, à
custa do desemprego, não vai encontrar acolhida, sobretudo entre aqueles que
ascenderam na escola social nos últimos anos”.
É preciso educar os políticos
Os políticos brasileiros, antes mesmo de se candidatarem,
deveriam ser cidadãos. E não são. O pecado capital que levam para as tribunas é
a mentira. Negam desavergonhadamente suas diatribes. Não têm sequer
conhecimento do que é cidadania. Para eles, é qualquer coisa como ter uma
carteira de identidade, e chega. Muito longe disso, é respeitar deveres e
direitos do outro. Algo para o que se lixam com escárnio.
Não são nem serão dignos de serem chamados cidadãos. Fazem
ainda mais para nunca merecerem tal título, pois suas ações mais parecem de
bandidos.
Podem fazer as campanhas que forem para incentivar o uso do
voto, ressaltar a sua importância na construção de uma democracia. Os próprios
políticos não ajudam nem assim querem. É uma falta de educação generalizada
entre eles. São os mais deseducados. Não só por falha domiciliar, mas porque
nunca se educaram para os cargos que almejam ou dizem merecer.
Acreditam que saber ler e escrever – coisa que muito sabem
bem mal – é o suficiente. Não é, nem será. É preciso educação que negam também
às futuras gerações, que acharão ser a política o caminho mais fácil para a
fama e o dinheiro. Uma perda lamentável de consciências jogadas ao lixo para
satisfação de meros meliantes.
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