terça-feira, 8 de julho de 2014

Lance a lance, tudo igual


O futebol toma o país, e com ele toda nossa hipocrisia. Vibramos em estádios superfaturados, torcemos por vitórias que não levam a nada em nossa melhoria social, mas nos esbaldamos com o orgulho de ser brasileiros. Ufanistas desde criancinhas com a mentirinha de que aqui é o país do futebol, quando já deixou há muito de ser. O último grande futebol apresentado em Copas, aplaudido de pé como maravilhoso, aconteceu há 30 anos, e ainda assim foi derrotado.

Também já não detemos mais nenhuma liderança em estádios, que mesmos sem padrão Fifa não conseguem ser enchidos pela paixão nacional. Perdemos longe para os Estados Unidos, que estão lotando seus estádios com o “soccer”. Aqui ainda há apenas 1% de mulheres registradas como jogadoras, mas lá elas já são 40% das registradas.

Vivemos de clichês alimentados pela mídia, que “joga pra cima” como bem conhece quem labutou nas redações esportivas. Sobra farofa no que servem. E o brasileiro fica entupido de misturar a farinha ao chope da festa que se esparrama como se vivêssemos num país dos paraísos. Enche a boca e bate no peito de melhor do mundo, que deixou de ser e não sabe, porque não interessa a seu egocentrismo. Mais vale a fantasia, que esconde tudo de todos e a cara de uma realidade de desastres, de infortúnios.  

As explicações, ou o que se entende como desculpas pelo pouco jogo apresentado, ou o ufanismo da última vitória, são ingredientes muito usados também no campo político. Tudo é o óbvio, mas que os jogadores e comissão técnica da seleção brasileira defendem como observações inteligentes. Tal no campo como no Planalto. Pareceram nas coletivas de imprensa estar jogando para uma plateia de eleitores como no jogo político.

O espetáculo das coletivas mostra o quão vazios, ou cretinos, somos em futebol como em política quando temos que dar explicações. Dessas fugimos como o diabo da cruz para não nos embananar nas respostas e perder o eleitorado.

À exaustão, falam do ídolo, contundido, pedem a cabeça do adversário “criminoso”, quiçá querem até sua extradição para julgamento popular em praça pública. Pois somos ridículos, e até racistas, quando defendemos o que apelidaram de país, ou os “ídolos” nacionais, mas não nos mexemos para salvar a Pátria e a pele dos compatriotas quando os políticos esculhambam tudo até as empresas criadas com o suor do trabalhador, se lixam para a saúde, brincam de oferecer educação.

Como no futebol, tentam de todas as formas driblar o público em arenas políticas espalhadas pelo país a custos exorbitantes como os estádios modelitos Fifa, que refletem muito bem os gigantes espalhados pela ditadura para exaltar o futebol pós-Copa de 1970. Ou já se esqueceram dos Geraldões e Castelões construídos na época para exaltar o famigerado Pra frente, Brasil?

Embora muitos defendam que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, aqui se misturam as coisas. A Copa, fora de torneio de futebol, tem servido, e muito bem, para escusos interesses eleitoreiros. Ou o governo não já está tirando seus lucros para investir nas eleições? E pode ser a competição o fiel da balança para assegurar o continuísmo. 

A Copa não é dela

"Mas nada – nem o desejado hexa – será capaz de esconder a orgia de gastos que por antecipação assegurou ao Brasil o título da Copa mais cara já realizada. Só as 12 arenas custaram R$ 8 bilhões, 285% acima dos R$ 2,8 bilhões fixados em 2007. Mais do que o dobro dos R$ 3,2 bilhões da África do Sul e dos R$ 3,6 bilhões da Alemanha. Sem computar o legado muito aquém do prometido: das 100 obras previstas, mais da metade não estão prontas e 20% ficaram para as calendas"

Ataque à mídia

"Agora, com o Estado aparelhado, o Congresso ameaçado pelo decreto de Dilma que inaugura a governança via conselhos, obviamente controlados pelo governo, e a imprensa fustigada, o lulismo mostra sua verdadeira cara: o rosto do caudilhismo"
Leia mais o artigo Ataque à mídia, de Carlos Alberto Di Franco 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Diferença fundamental



Não basta
que os pobres te conheçam
e te saibam o nome:
É importante
que tu os conheças
e lhes saibas a história
e lhes saibas o nome


D. Hélder Câmara (1909-1999)

A periferia na televisão brasileira


A quase ausência de negros e mestiços nas arquibancadas dos estádios reproduz um fenômeno muito antigo: a invisibilidade dos pobres

A imprensa internacional já se deu conta da discrepância entre a composição racial brasileira e os rostos que vemos pela TV nas arquibancadas dos estádios, durante os jogos da Copa. A julgar por essas imagens, os desavisados poderiam até pensar que o Brasil é um país de brancos.

Na verdade, a quase ausência de negros e mestiços nas arquibancadas dos estádios reproduz um fenômeno muito antigo: a invisibilidade dos pobres na televisão brasileira.

Até a década de 1970, a TV se voltava a um público quase exclusivamente composto pelas elites e classes médias altas. As tramas e ambientes da telenovela, por exemplo, tinham uma clara função pedagógica: dizer como deviam se comportar e consumir os membros daquelas classes, tanto os mais antigos quanto aqueles que ascendiam socialmente aproveitando-se dos postos de trabalho e oportunidades de negócio abertos pela intensa modernização capitalista do período.

Elites vermelhas


Lula inventou uma bizarra luta de classes, em que não são os pobres que odeiam os ricos por sua opressão, exploração e privilégios, são os ricos que não suportam que os pobres comam, tenham um teto e, suprema afronta, viajem de avião pagando em dez vezes.

E não se contentam em explorá-los e desprezá-los, amam odiá-los, logo eles, que vão consumir os bens e serviços que os ricos produzem para ficarem ainda mais ricos. Isso não é coisa de rico, é de burro, e Lula, rico, de burro não tem nada.

Com o país vivendo uma era de prosperidade desde o Plano Real, os três governos petistas não só tiraram milhões da miséria e alçaram milhões da pobreza à classe média, como criaram uma nova classe de ricos, ocupando milhares de cargos no governo, nas estatais, nos estados e nas prefeituras. É o pleno emprego, partidário.

A taça é deles (e a conta é nossa)

"A Copa no Brasil tem tido jogos realmente emocionantes. É o triunfo do único inocente nessa história — o futebol. Viva ele. Os zumbis que ficavam gemendo pelas ruas que “não vai ter Copa” sumiram na paisagem do congraçamento das torcidas.
Mas é claro que isso será entendido pela geleia geral brasileira como... gol da Dilma! É a virada dos companheiros, a vitória dos oprimidos palacianos sobre as elites impatrióticas etc. A taça é deles. E a conta é nossa.
Se você não suporta mais essa alquimia macabra, que faz qualquer sucata populista virar ouro eleitoral, faça como os atletas do Felipão: chore.
A taça é deles (e a conta é nossa)"

sábado, 5 de julho de 2014

Legado da Copa


Depois do tiro se desenha o alvo

   

 Nos velhos alfarrábios sempre há parábolas que nos ensinam mais do que se pensa. Pequenas pérolas podem nos fazer pensar muito até sobre certos gestos de chamados grandes homens, ou como são adjetivados na mídia de hoje. E mesmo tanto tempo passado estão elas a nos advertir sobre as aparências que podem enganar.
     Conta uma velha história que o imperador do Japão, em visita às províncias, encontrava em cada cidade um alvo com uma flecha cravada bem no meio. Intrigado e curioso por conhecer o emérito arqueiro, soube pelas autoridades locais que esse era apenas um idiota.
- Idiota? Mas como um imbecil pode disparar com essa habilidade um arco?
    E qual não foi sua surpresa ao descobrir o “segredo” do extraordinário arqueiro:
- Primeiro ele dispara a flecha. Depois desenha o alvo.
(Qualquer semelhança não é mera coincidência em se tratando de Brasil)

'Depósito humano' de mendigos acumula denúncias no Rio

     

Um verdadeiro "depósito de seres humanos". É como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro se refere ao Abrigo Rio Acolhedor (Paciência) – cujas funções seriam o acolhimento e reinserção social da população em situação de rua – após o local acumular ações judiciais e denúncias de falta de higiene, transmissão de doenças, superlotação e negligência.
     Em funcionamento há três anos, o abrigo pode estar prestes a ser alvo de nova petição do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que insiste no fechamento total após uma polêmica visita às instalações no início de junho que verificou uma série de irregularidades.
     Entre elas estariam a presença de percevejos nos colchões - responsáveis por lesões de pele -, insalubridade, falta de encaminhamento dos abrigados para programas de trabalho, banheiros sem portas, falta de protocolos de atendimento ambulatorial e mau estado das instalações de forma geral, além da presença de insetos e baratas.

Haja máscara para se tirar

     Aos poucos, voltamos a tirar a máscara. A Copa vai-se esfumaçando e deixa a reluzir novamente nossa cretinice. Os focos da mídia já não são tantos para jogadores e torcida e assim afloram aqui e ali esses sinais de sem-vergonhice padrão Brasil. Ainda pequenos em espaço, mas sem dúvida bem significativos dessa cultura sempre babosa pelo poder.
     O governo solta foguetório para um país livre de mazelas, que é só festa, onde tudo funciona bem e cretinos são os que querem lembrar que a realidade do desprezo com a população não muda. Faltam remédios, inclusive para tuberculose, com graves riscos para os doentes. Mas que problema tão reles para uma presidente que inaugura casa por videoconferência, a R$ 2 milhões pela publicidade e mais R$ 1 milhão para espalhar sete ministros em aviões da FAB para os locais de inauguração?
     A mesma ladainha não voltou, apenas esteve em pausa com as doses cavalares de um futebol a trocar as pernas em campo. Se faltou mais garra no gramado, a “segurança” esbanjou e até se esmerou internamente no ataque contra “revoltados” sentindo o peso do cassetete – ah, os velhos tempos de volta! Nem faltou uma agressão desmedida a jovem universitária no metrô, que de vítima virou ré. “Parece que vivemos em um estado de exceção”, declarou a estudante “Joana”, sem nome para não ser identificada. Voltamos ao tempo do codinome para não sofrer com o tacão das botas?

     O país é o mesmo de sempre, apesar da cantoria de que mudou para melhor, porque “eles” assim quiseram e fizeram. Pois sim! Aos poucos tudo retoma à normalidade no quartel de Abrantes. Os políticos presos e condenados já não são tão perigosos à sociedade e bem podem desfrutar das regalias que o poder oferece. Como reocupar cargos, trabalhar (sic), serem cidadãos honestos e cumpridores da lei, mesmo que seja com o requinte de carro de luxo com chofer para levá-los ao trabalho (?), onde continuarão a comandar, mandar e desmandar, sobre a sujeira política de sempre para infelicidade geral da nação. Como assim já fizeram bem protegidos pelas grades do xadrez de onde comandaram mexidas políticas no melhor estilo dos chefões do tráfico.      

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Será?


Estupidez sagrada


Leve para longe de mim essa inteligência perigosa, porque minha estupidez é sagrada
(De um pequeno conto árabe sobre a inteligência e a burrice)


Deveriam os corruptos devolver o que roubaram?


Se o Brasil levasse a cabo essa revolução, estou certo de que sua imagem mundial sairia muito mais engrandecida do que se ganhasse várias Copas juntas
     O Papa Francisco introduziu um novo elemento, revolucionário, eu diria, na luta contra a corrupção, ao dizer que não basta "aos políticos, empresários e religiosos corruptos" pedir perdão: eles devem "devolver" à comunidade o que roubaram.
     O papa fala aos cristãos e diz aos corruptos que já não é suficiente pedir perdão a Deus, precisam devolver o fruto da corrupção. A Igreja antes de Francisco absolvia esses pecadores, mas não lhes impunha, como penitência para poderem ser absolvidos, devolver o fruto de seu pecado.
     Se, de acordo com Francisco, os cristãos que se apossam do dinheiro público em qualquer das esferas do poder têm agora a obrigação de devolver o roubado, não poderia e deveria a justiça civil exigir o mesmo dos condenados por corrupção? Hoje, em quase todo o mundo, basta os condenados por corrupção passarem, no melhor dos casos, meses ou anos na prisão para, depois, saírem e continuarem tão ricos como entraram.
Leia mais o artigo de Juan Arias 

Brasil ainda demora para alcançar os ricos

Aumentar a produtividade é um dos desafios para países em desenvolvimento

     Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 dos países mais industrializados do mundo, afirma que o Brasil não conseguirá atingir o nível de renda média dos países desenvolvidos até 2050 caso sejam mantidas as taxas de crescimento atuais.
     A previsão distancia o Brasil de outros países cujo crescimento chamou atenção nos últimos anos, como a China. Segundo o relatório, China, Panamá e Cazaquistão estão no caminho certo para equiparar sua renda à de países desenvolvidos nos próximos 35 anos.
    Assim como o Brasil, ficaram para trás o México, Colômbia e a África do Sul, entre outros.
"Muitos dos países que esperávamos que se aproximariam das economias avançadas até a metade do século não vão conseguir com as taxas de crescimento de hoje", disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A construção

JK construiu Brasília

os candangos ficaram olhando

Nicolas Behr (Nikolaus von Behr) nasceu em Cuiabá, em 1958 

Dilma manda recado: inaugura obras inacabadas

Região próxima às casas do Minha Casa Minha Vida tem esgoto a céu aberto 
Em clima de campanha no Espírito Santo, presidente anuncia novos investimentos para o estado, incluindo expansão de aeroporto

    A quatro dias para o início oficial da campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, continua a maratona de inaugurações pelo país. Nesta quarta-feira, Dima entregou 496 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Vila Velha, a 15 quilômetros de Vitória, no Espirito Santo. No entanto, as obras do condomínio estão inacabadas: 992 apartamentos só serão entregues em dezembro.
    Ao lado de dois ministros (Cidades e Educação), de deputados estaduais e federais, além da senadora Ana Rita (PT-ES), Dilma inaugurou somente o Residencial Vila Velha 1, que teve um investimento de R$ 22,8 milhões. Segundo a Caixa Econômica Federal, o Residencial Vila Velha 2 (com 496 unidades) só terá as chaves entregues em 90 dias. Já o Residencial Vila Velha 2 (também com 496 unidades) ficará pronta no fim do ano. O total do projeto é de R$ 68,1 milhões.
     Os três complexos ficam em um mesmo terreno, localizado no bairro Jabaeté. No local, há ruas sem asfalto e o esgoto corre a céu aberto, apesar de haver placas da prefeitura e do governo do estado com anúncio de obras de infraestrutura. Os dois condomínios inacabados foram isolados com tapumes pela equipe da Presidência, sem acesso dos moradores e dos jornalistas.

Ousar ...

"Quem fala em revolução, mas não a pratica cotidianamente, tem na boca um cadáver"
 Grafite de maio de 1968 em Paris 

Política com selo XXX

Nani Humor
 ‘Bacanal’ e ‘suruba’ fazem da política brasileira um antro digno de vergonha até para os astros dos pornôs XXX

     A política brasileira está apresentando cenas impróprias em todo o tipo de mídia e de telinha. Há não só uma orgia de mentiras e traições dignas de romances vulgares, mas mesmo até aberrações com selo XXX. Segundo alguns, o que se vê está mais para uma pornopolítica com todos os ingredientes do gênero.
    A safadeza corre solta com ampla cobertura sem que as famílias afastem as crianças da telinha. E pior, emporcalha cada vez mais o que chama aqui de democracia. Os próprios políticos admitem que tudo virou uma bacanal ou uma suruba com tanto troca-troca, que os xingamentos em estádio ficam no chinelo. Há cenas explícitas em convenções com tanta cafetinagem que a política brasileira parece mais promover um festival de bordel com direito a desfile de suas “eleitas”.
     George Orwell afirmava que a política é “uma atividade degradante e sórdida”. Ponha-se degradação nisso que se vê. E haja sordidez em doses cavalares. A mistura de 29 partidos em briga de galo para ver quem abocanha mais deu nisso que vemos. É um espetáculo com decrépitas cafetinas propalando as vantagens das “meninas” em troca de um dinheirinho para angariar mais, que satisfaça ao gigolô Poder. E tamanha falta de vergonha é paga ainda com o dinheiro do fundo partidário, que nada mais é do que o suor de quem trabalha.
     Ainda há quem defenda tanta coligação, que não passa de cooptação ou prostituição explícita de interesses, que não os do povo. Mas esse nosso jeito de fazer política se tornou um pornô de grau XXX para nenhum astro do gênero botar defeito.        

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A bola da ordem

A bola que precisamos segurar

Por onde começar


Não devemos começar do fim para o começo, isto é, pela reforma dos governos e métodos políticos. Devemos, sim, partir do começo para o fim, vale dizer, pela construção de nossa personalidade, se queremos ter novamente grandes homens e verdadeiros gênios que nos assegurem algum futuro

Hermann Hesse

Anoitecer

Oswaldo Goeldi (1895 –1961) foi desenhista, ilustrador, gravador e professor brasileiro.

Publicidade de 'Minha Casa' sobe para 800%


No orçamento da publicidade do governo federal, valores empenhados até o fim de setembro já superam o total de 2012
          O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para fazer propaganda dele.

     Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MT), mostram a repentina elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado 15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 823% na comparação com todos os gastos de 2012 – e de 5.900% em relação a 2011.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa: O poder também está em jogo


Enquanto os brasileiros estão nos estádios, os partidos oficializam as candidaturas
     No dia 27 de maio, quando Enrique Peña Nieto despediu-se da seleção mexicana que iria ao Rio de Janeiro, ele fez com que os jogadores jurassem à bandeira em um ritual de Estado. O fato inusitado confirma que o futebol é um dos fatores mais eficientes para agrupar uma identidade coletiva. Por isso, os técnicos criam metáforas com a nacionalidade. Os político buscam servir-se desta empatia para ganhar votos. Mas, como está demonstrando a Copa do Mundo no Brasil, nem sempre essa tática funciona.
     Quando conquistou para seu país o direito de receber a Copa e a Olimpíada de 2016, Luiz Inácio Lula da Silva pensou em dar uma dimensão esportiva a um protagonismo universal. Era 2007. A bonança brasileira fascinava os investidores. E a chancelaria ensaiava diálogos com o Irã, com o sonho de conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
     A história foi outra. Para a presidenta Dilma Rousseff, a Copa do Mundo tornou-se um jogo de lágrimas. O barulho das obras misturou-se ao dos protestos. No jogo de abertura, a presidenta, que é candidata à reeleição, foi submetida a insultos ensurdecedores vindos das arquibancadas. “Foi um ataque das elites brancas”, indignou-se Lula. Mas ele não convenceu. Segundo o Ibope, depois deste episódio, a confiança na presidenta Dilma caiu 5 pontos percentuais. O Governo temeu que a festa esportiva fosse o enterro de seu programa eleitoral.

Os ‘recados’ de Barbosa


É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição 



Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao deixar o cargo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Legenda


No princípio
Houve treva bastante para o espírito
Mover-se livremente à flor do sol
Oculto em pleno dia
No princípio
Houve silêncio até para escutar-se
O germinar atroz de uma desgraça
Maquinada no horror do meio-dia.
E havia, no princípio,
Tão vegetal quietude, tão severa
Que se entendia a queda de uma lágrima
Das frondes dos heróis de cada dia.
Havia então mais sombra em nossa via.
Menos fragor na farsa da agonia,
Mais êxtase no mito da alegria.
Agora o bandoleiro brada e atira
Jorros de luz na fuga de meu dia -
E mudo sou para cantar-te, amigo,
O reino, a lenda, a glória desse dia
.

 Mário Faustino dos Santos e Silva (1930 -1962), foi poeta, crítico, tradutor e jornalista

Estupidez e ingenuidade

"Felizes dos ingênuos que conseguem amar-se a si mesmo e odiar a seus inimigos! Felizes dos patriotas que jamais precisam duvidar de si próprios, pois nunca sentiram a menor culpa da desgraça e da ruína de suas pátrias! (...) Talvez até vivam invejavelmente satisfeitos e tranquilos dentro da couraça de sua estupidez ou de sua extrema e nojenta periculosidade"

Hermann Hesse

Sobre mordidas e legados

O mago Lula estava certo quando apostou as fichas para sediar a Copa. Já o estadista que atende pelo mesmo nome, elegeu um poste, porém não cuidou para que ficasse firme e ligado à rede
Em matéria de repercussão, sem dúvida, é a Copa das Copas. Obama, o cestinha, acendeu a luz verde ao posar para fotos a bordo do Air Force One assistindo ao embate da sua seleção com a Alemanha e a porta-voz do Departamento de Estado compareceu ao briefing matinal com a imprensa com o agasalho da seleção ianque.
Também no âmbito da geopolítica o resultado é superlativo: despachados de volta três gigantes (Inglaterra, Itália e Espanha), a Europa futebolística assemelha-se à Europa política, amarrada a velhos vícios, desfibrada. A esta altura do campeonato, Américas e África consolidam-se como as grandes reservas para o futebol do futuro. O que não impedirá que o Velho Mundo através da Alemanha, Holanda e França ainda venham a empalmar a Jules Rimet na final da 20a edição do Mundial de Futebol.
Submetidos às aflições de prazos rígidos e padrões impecáveis, saímos pela tangente oferecendo ao mundo a ideia da precariedade feliz, da transitoriedade permanente, do relaxar e gozar, do vai levando e deixa rolar.

sábado, 28 de junho de 2014

E aos que mordem a alma, o quê?


     O castigo dado ao jogador do Uruguai, Luis Suárez, por ter dado uma dentada no ombro de um colega de trabalho italiano foi rápido, exemplar, severo e sem direito a apelação. Um castigo que atinge toda a seleção, que fica fragilizada para seguir disputando a Copa.
     Não entro na polêmica sobre o possível excesso da Fifa. Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas já analisaram ativa e passivamente essa mania feia de Suárez por morder seus companheiros de profissão. É uma disfunção de comportamento da qual Suárez deverá se tratar. A justiça esportiva estava, no entanto, obrigada tomar uma atitude. E o fez com rapidez.
    O que eu gostaria é sentenças igualmente severas e fulminantes fossem aplicadas em nossa sociedade a todos aqueles, sejam pessoas ou instituições, que mordem nossa alma, nossos legítimos direitos e até nossos sentimentos mais íntimos. 
"Nossa sociedade melhoraria se a justiça fosse severa e inapelável, como foi com o jogador, com todas as mordidas morais, que não fazem sangrar, mas doem e humilham mais que as da boca"
Leia mais o artigo de Juan Arias 

Euforia com os juros


     O governo anda eufórico mesmo que a Copa das Copas, a grande jogada marqueteira, tenha se transformado na futebolística Copa dos Gols, bem mais adequada e nada política. Ainda assim saúdam os arautos governamentais que os prognósticos pessimistas não se confirmaram. Faz parte do jogo, quando uns se arvoram em profetas e até fazem, como no caso da mídia, um alerta. Mas é certo que, apesar da dedicação em pintar uma grande Copa em realizações para o povo, só se viu mesmo as arenas superfaturadas com dinheiro público envolvido.
     De resto, a mobilidade urbana acabou mesmo imóvel. Como bem disse a presidente, a Copa é para os brasileiros e como tal as obras que ficaram para depois serão concluídas no velho jeitinho, nas calendas ou ficarão de vez como promessas em ruínas.
    Tudo como dantes. As obras sairão um dia, quem sabe. Até lá é aproveitar os juros eleitorais do que não se fez para se reeleger. Velha manobra de raposas que a urubuzada aproveita para fazer revoada.

Desafiando as mudanças climáticas


A América Latina e o Caribe são zonas climáticas altamente vulneráveis aos impactos das mudanças no clima e, embora na atualidade sua emissão de gases de efeito estufa se mantenha baixa em relação aos níveis globais, suas demandas de energia crescem à medida que se industrializam e se urbanizam.
     É por isso que ambas as regiões decidiram tomar posição no assunto e apostar em projetos sustentáveis que garantam um desenvolvimento que respeite o meio ambiente e uma transformação econômica para o uso de energias limpas e programas de baixa emissão de gases de efeito estufa. Através de fundos provenientes do CIF, Climate Investment Funds (fundos constituídos por numerosos países europeus e os EUA para financiar projetos eco-sustentáveis), estão sendo desenvolvidos 39 projetos em treze países da América Latina e do Caribe. Juntos somam um investimento de 686 milhões de dólares (1,52 bilhão de reais), o que representa 8,5% dos 8 bilhões de dólares que o CIF destina aos países em vias de desenvolvimento.

 "O objetivo é impulsionar programas que promovam energias limpas, reflorestamento, práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente, restauração e preservação de ecossistemas degradados (como a barreira de coral na Jamaica e no Haiti) e o acesso à água, entre outros"

Túnel do Tempo


Versão completa da grande interpretação de Lena Horne
no filme homônimo "Stormy Weather" de 1943

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sempre pode piorar

Quem diria, hein?

Alerta para as muitas festas saudando a maquiagem de um grito de guerra que assolou o país e engessou a cidadania

     Há um vozerio pelas redes sociais bem interessante para o momento político do Brasil e, quem diria, promovido pelas fontes petistas, que sempre deram as caras como esquerdistas. Bastou uma empresária destacar o progresso do país nos últimos anos sob a gestão petista, com índices sempre de leves pinceladas dos marqueteiros, para se ouvir muitos vivas. E surpreendentemente quando anunciou a mesma que os “envergonhados” deveriam se mudar, aí muita gente aplaudiu de pé na plateia.
    Talvez seja o esquecimento que sempre circula nos ares brasileiros que gerou tanta festa. Os petistas sentiram–se mais patriotas do que todo mundo depois das declarações da empresária que até nem notaram a proposta embutida nas declarações. A empresária, curiosamente, ressuscitou o Ame-o ou Deixe-o dos tempos ditatoriais sem que um petista se levantasse contra. O que está acontecendo no país que a retomada de velhos gritos de guerra da repressão sejam retocados pelo PT sem receber um gesto de repúdio?
     O país, neste ano eleitoral, se tornou uma arena de vale-tudo. Inclusive como está fazendo o PT acenando até bandeiras que tanto defendeu no passado, esquecidas pela necessidade de manter o poder.  E fazendo retornar o passado acaba por ressuscitar os lemas da ditadura, até porque mesmo alguns de seus programas têm raízes bem lá atrás. E como qualquer coisa está servindo para garantir o continuísmo de um partido que quer se manter no Planalto por 20 anos, coincidentemente o tempo ditatorial, até vale um Ame-o ou Deixe-o com outras cores e em outras alegorias. Falta gritarem pra frente Brasil, pois não admitem em nenhum momento que o progresso de um país só se revigora com a renovação de ares. Se continuar sem aeração, o ar poluído faz estagnar qualquer democracia, ou desejo dela. Acaba um estado bolivariano de bananas podres sob o comando de títeres inqualificáveis.     

Preocupação com 'eles'


A presidenta Dilma deveria voltar aos estádios?


     Alguns jornalistas estrangeiros amigos meus não entendem por que a presidenta Dilma, mesmo com as vaias recebidas em São Paulo na abertura da Alguns jornalistas estrangeiros amigos meus não entendem por que a presidenta Dilma, mesmo com as vaias recebidas em São Paulo na abertura da Copa do Mundo brasileira, não voltou aos estádios.
     Em resposta aos insultos de mau gosto recebidos na abertura da Copa, Dilma afirmou, brava: "Não odeio, mas não me dobro". Houve quem tenha interpretado aquelas palavras como um desafio que levaria a presidenta, na segunda passada, a estar presente no simbólico estádio de Brasília, onde a seleção brasileira decidia sua classificação nesta Copa e no qual estavam virados os olhos e o coração da grande maioria do país e meio mundo.
    Dilma não apareceu. Por medo? Impossível acreditar nisso. Talvez por conselho da FIFA? Seria imaginável que a dura ex-guerrilheira pudesse se dobrar às opiniões de uma FIFA tão desprestigiada internacionalmente.
"A publicidade, em nossa era da comunicação global pode ser importante para vender melhor um produto mesmo sem valor, mas não para vender pessoas, cuja melhor riqueza e propaganda deveria ser sua autenticidade"


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um leve desvio


Solta no ar


Empregos em marcha lenta

Os números divulgados pelo Ministério do Trabalho nesta terça foram os piores em 22 anos e atingem um dos maiores cartões de visitas das gestões petistas 
      Um dos grandes trunfos dos Governos petistas foi a generosa geração de empregos. Foram mais de 20 milhões de vagas com carteira assinada, criadas sob as duas administrações de Lula e na atual, de Dilma Rousseff. Esse diferencial competitivo, porém, entrou em marcha lenta, com uma redução significativa no número de vagas criadas no mês de maio. Foram gerados 58.836 postos de trabalho, quase metade do total gerado no mês anterior, e 18,3% a menos do que no mesmo mês do ano passado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho. Trata-se do pior desempenho mensal desde 1992, quando o país vivia um processo de instabilidade política, que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
     A notícia era esperada, uma vez que todos os indicadores já vinham demonstrando um desempenho pífio, a começar pelo baixo crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre, quando fechou em 0,2%, em relação ao trimestre anterior. “A balança comercial, a produção industrial e a intenção de consumo das famílias, por exemplo, apontam para a mesma tendência de queda”, diz Guilherme Dietze, economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. “Diante desse cenário, as empresas assumem uma postura mais defensiva”, explica.

Turbinando os gastos


     No ano em que a presidente Dilma Rousseff disputa a reeleição, o Palácio do Planalto acelerou seus gastos com autopromoção: de janeiro a maio, a Presidência da República desembolsou 92,3 milhões de reais em publicidade institucional.
    O montante representa um salto de 61,84% em relação ao mesmo período em 2013, quando mais de 57 milhões de reais foram pagos, segundo levantamento feito pela ONG Contas Abertas a pedido do site de VEJA. Em relação a 2011, quando 39,7 milhões de reais foram usados de janeiro a maio para promover ações da Presidência, o aumento foi de 132,51%.
     No ano em que a presidente Dilma Rousseff disputa a reeleição, o Palácio do Planalto acelerou seus gastos com autopromoção: de janeiro a maio, a Presidência da República desembolsou 92,3 milhões de reais em publicidade institucional. O montante representa um salto de 61,84% em relação ao mesmo período em 2013, quando mais de 57 milhões de reais foram pagos, segundo levantamento feito pela ONG Contas Abertas a pedido do site de VEJA. Em relação a 2011, quando 39,7 milhões de reais foram usados de janeiro a maio para promover ações da Presidência, o aumento foi de 132,51%.
     O valor planejado pelo Planalto para a publicidade institucional é ainda maior: 201,2 milhões de reais. A cifra se refere ao montante empenhado (jargão orçamentário para um compromisso de gasto) até maio. Os 92,3 milhões de reais referem-se, portanto, àquilo que foi realmente pago pela Presidência. O levantamento do Contas Abertas leva em conta apenas os gastos da Presidência, excluindo-se ministérios.

Democracia Usurpada



     Foram constatadas fraudes nas eleições presidenciais norte-americanas em 2000 e 2004, amplamente divulgadas por todas as mídias internacionais. Tais constatações são relevantes para a discussão do sistema brasileiro, significativamente declarado, por diversos especialistas, como frágil, manipulável e pouco confiável.
    Filmado durante três anos, o documentário "Democracia usurpada" ("Hacking Democracy" ), produzido pela HBO, trata as anomalias e irregularidades com os sistemas de voto eletrônico que ocorreram durante os anos acima mencionados nas eleições americanas, especialmente no condado de Volusia, na Flórida. O documentário investiga possíveis violações à integridade das máquinas da empresa Diebold usadas nas votações usadas no Brasil, entre diversos outros incidentes, discussões e testes.