quinta-feira, 3 de julho de 2014

A construção

JK construiu Brasília

os candangos ficaram olhando

Nicolas Behr (Nikolaus von Behr) nasceu em Cuiabá, em 1958 

Dilma manda recado: inaugura obras inacabadas

Região próxima às casas do Minha Casa Minha Vida tem esgoto a céu aberto 
Em clima de campanha no Espírito Santo, presidente anuncia novos investimentos para o estado, incluindo expansão de aeroporto

    A quatro dias para o início oficial da campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, continua a maratona de inaugurações pelo país. Nesta quarta-feira, Dima entregou 496 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Vila Velha, a 15 quilômetros de Vitória, no Espirito Santo. No entanto, as obras do condomínio estão inacabadas: 992 apartamentos só serão entregues em dezembro.
    Ao lado de dois ministros (Cidades e Educação), de deputados estaduais e federais, além da senadora Ana Rita (PT-ES), Dilma inaugurou somente o Residencial Vila Velha 1, que teve um investimento de R$ 22,8 milhões. Segundo a Caixa Econômica Federal, o Residencial Vila Velha 2 (com 496 unidades) só terá as chaves entregues em 90 dias. Já o Residencial Vila Velha 2 (também com 496 unidades) ficará pronta no fim do ano. O total do projeto é de R$ 68,1 milhões.
     Os três complexos ficam em um mesmo terreno, localizado no bairro Jabaeté. No local, há ruas sem asfalto e o esgoto corre a céu aberto, apesar de haver placas da prefeitura e do governo do estado com anúncio de obras de infraestrutura. Os dois condomínios inacabados foram isolados com tapumes pela equipe da Presidência, sem acesso dos moradores e dos jornalistas.

Ousar ...

"Quem fala em revolução, mas não a pratica cotidianamente, tem na boca um cadáver"
 Grafite de maio de 1968 em Paris 

Política com selo XXX

Nani Humor
 ‘Bacanal’ e ‘suruba’ fazem da política brasileira um antro digno de vergonha até para os astros dos pornôs XXX

     A política brasileira está apresentando cenas impróprias em todo o tipo de mídia e de telinha. Há não só uma orgia de mentiras e traições dignas de romances vulgares, mas mesmo até aberrações com selo XXX. Segundo alguns, o que se vê está mais para uma pornopolítica com todos os ingredientes do gênero.
    A safadeza corre solta com ampla cobertura sem que as famílias afastem as crianças da telinha. E pior, emporcalha cada vez mais o que chama aqui de democracia. Os próprios políticos admitem que tudo virou uma bacanal ou uma suruba com tanto troca-troca, que os xingamentos em estádio ficam no chinelo. Há cenas explícitas em convenções com tanta cafetinagem que a política brasileira parece mais promover um festival de bordel com direito a desfile de suas “eleitas”.
     George Orwell afirmava que a política é “uma atividade degradante e sórdida”. Ponha-se degradação nisso que se vê. E haja sordidez em doses cavalares. A mistura de 29 partidos em briga de galo para ver quem abocanha mais deu nisso que vemos. É um espetáculo com decrépitas cafetinas propalando as vantagens das “meninas” em troca de um dinheirinho para angariar mais, que satisfaça ao gigolô Poder. E tamanha falta de vergonha é paga ainda com o dinheiro do fundo partidário, que nada mais é do que o suor de quem trabalha.
     Ainda há quem defenda tanta coligação, que não passa de cooptação ou prostituição explícita de interesses, que não os do povo. Mas esse nosso jeito de fazer política se tornou um pornô de grau XXX para nenhum astro do gênero botar defeito.        

quarta-feira, 2 de julho de 2014

A bola da ordem

A bola que precisamos segurar

Por onde começar


Não devemos começar do fim para o começo, isto é, pela reforma dos governos e métodos políticos. Devemos, sim, partir do começo para o fim, vale dizer, pela construção de nossa personalidade, se queremos ter novamente grandes homens e verdadeiros gênios que nos assegurem algum futuro

Hermann Hesse

Anoitecer

Oswaldo Goeldi (1895 –1961) foi desenhista, ilustrador, gravador e professor brasileiro.

Publicidade de 'Minha Casa' sobe para 800%


No orçamento da publicidade do governo federal, valores empenhados até o fim de setembro já superam o total de 2012
          O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para fazer propaganda dele.

     Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MT), mostram a repentina elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado 15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 823% na comparação com todos os gastos de 2012 – e de 5.900% em relação a 2011.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Copa: O poder também está em jogo


Enquanto os brasileiros estão nos estádios, os partidos oficializam as candidaturas
     No dia 27 de maio, quando Enrique Peña Nieto despediu-se da seleção mexicana que iria ao Rio de Janeiro, ele fez com que os jogadores jurassem à bandeira em um ritual de Estado. O fato inusitado confirma que o futebol é um dos fatores mais eficientes para agrupar uma identidade coletiva. Por isso, os técnicos criam metáforas com a nacionalidade. Os político buscam servir-se desta empatia para ganhar votos. Mas, como está demonstrando a Copa do Mundo no Brasil, nem sempre essa tática funciona.
     Quando conquistou para seu país o direito de receber a Copa e a Olimpíada de 2016, Luiz Inácio Lula da Silva pensou em dar uma dimensão esportiva a um protagonismo universal. Era 2007. A bonança brasileira fascinava os investidores. E a chancelaria ensaiava diálogos com o Irã, com o sonho de conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
     A história foi outra. Para a presidenta Dilma Rousseff, a Copa do Mundo tornou-se um jogo de lágrimas. O barulho das obras misturou-se ao dos protestos. No jogo de abertura, a presidenta, que é candidata à reeleição, foi submetida a insultos ensurdecedores vindos das arquibancadas. “Foi um ataque das elites brancas”, indignou-se Lula. Mas ele não convenceu. Segundo o Ibope, depois deste episódio, a confiança na presidenta Dilma caiu 5 pontos percentuais. O Governo temeu que a festa esportiva fosse o enterro de seu programa eleitoral.

Os ‘recados’ de Barbosa


É importante que o brasileiro se conscientize da importância, da fundamentalidade e da centralidade da obrigação de todos cumprirem as normas, a lei e a Constituição 



Aqui não é lugar para pessoas que chegam com vínculos com determinados grupos de pressão, não é lugar para se privilegiar determinadas orientações. A pessoa tem que chegar com abertura de espírito para, eventualmente, ter até que mudar seus pontos de vista anteriores, tomar as medidas e adotar as orientações que sejam do interesse da nação

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, ao deixar o cargo

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Legenda


No princípio
Houve treva bastante para o espírito
Mover-se livremente à flor do sol
Oculto em pleno dia
No princípio
Houve silêncio até para escutar-se
O germinar atroz de uma desgraça
Maquinada no horror do meio-dia.
E havia, no princípio,
Tão vegetal quietude, tão severa
Que se entendia a queda de uma lágrima
Das frondes dos heróis de cada dia.
Havia então mais sombra em nossa via.
Menos fragor na farsa da agonia,
Mais êxtase no mito da alegria.
Agora o bandoleiro brada e atira
Jorros de luz na fuga de meu dia -
E mudo sou para cantar-te, amigo,
O reino, a lenda, a glória desse dia
.

 Mário Faustino dos Santos e Silva (1930 -1962), foi poeta, crítico, tradutor e jornalista

Estupidez e ingenuidade

"Felizes dos ingênuos que conseguem amar-se a si mesmo e odiar a seus inimigos! Felizes dos patriotas que jamais precisam duvidar de si próprios, pois nunca sentiram a menor culpa da desgraça e da ruína de suas pátrias! (...) Talvez até vivam invejavelmente satisfeitos e tranquilos dentro da couraça de sua estupidez ou de sua extrema e nojenta periculosidade"

Hermann Hesse

Sobre mordidas e legados

O mago Lula estava certo quando apostou as fichas para sediar a Copa. Já o estadista que atende pelo mesmo nome, elegeu um poste, porém não cuidou para que ficasse firme e ligado à rede
Em matéria de repercussão, sem dúvida, é a Copa das Copas. Obama, o cestinha, acendeu a luz verde ao posar para fotos a bordo do Air Force One assistindo ao embate da sua seleção com a Alemanha e a porta-voz do Departamento de Estado compareceu ao briefing matinal com a imprensa com o agasalho da seleção ianque.
Também no âmbito da geopolítica o resultado é superlativo: despachados de volta três gigantes (Inglaterra, Itália e Espanha), a Europa futebolística assemelha-se à Europa política, amarrada a velhos vícios, desfibrada. A esta altura do campeonato, Américas e África consolidam-se como as grandes reservas para o futebol do futuro. O que não impedirá que o Velho Mundo através da Alemanha, Holanda e França ainda venham a empalmar a Jules Rimet na final da 20a edição do Mundial de Futebol.
Submetidos às aflições de prazos rígidos e padrões impecáveis, saímos pela tangente oferecendo ao mundo a ideia da precariedade feliz, da transitoriedade permanente, do relaxar e gozar, do vai levando e deixa rolar.

sábado, 28 de junho de 2014

E aos que mordem a alma, o quê?


     O castigo dado ao jogador do Uruguai, Luis Suárez, por ter dado uma dentada no ombro de um colega de trabalho italiano foi rápido, exemplar, severo e sem direito a apelação. Um castigo que atinge toda a seleção, que fica fragilizada para seguir disputando a Copa.
     Não entro na polêmica sobre o possível excesso da Fifa. Psicólogos, psiquiatras e psicanalistas já analisaram ativa e passivamente essa mania feia de Suárez por morder seus companheiros de profissão. É uma disfunção de comportamento da qual Suárez deverá se tratar. A justiça esportiva estava, no entanto, obrigada tomar uma atitude. E o fez com rapidez.
    O que eu gostaria é sentenças igualmente severas e fulminantes fossem aplicadas em nossa sociedade a todos aqueles, sejam pessoas ou instituições, que mordem nossa alma, nossos legítimos direitos e até nossos sentimentos mais íntimos. 
"Nossa sociedade melhoraria se a justiça fosse severa e inapelável, como foi com o jogador, com todas as mordidas morais, que não fazem sangrar, mas doem e humilham mais que as da boca"
Leia mais o artigo de Juan Arias 

Euforia com os juros


     O governo anda eufórico mesmo que a Copa das Copas, a grande jogada marqueteira, tenha se transformado na futebolística Copa dos Gols, bem mais adequada e nada política. Ainda assim saúdam os arautos governamentais que os prognósticos pessimistas não se confirmaram. Faz parte do jogo, quando uns se arvoram em profetas e até fazem, como no caso da mídia, um alerta. Mas é certo que, apesar da dedicação em pintar uma grande Copa em realizações para o povo, só se viu mesmo as arenas superfaturadas com dinheiro público envolvido.
     De resto, a mobilidade urbana acabou mesmo imóvel. Como bem disse a presidente, a Copa é para os brasileiros e como tal as obras que ficaram para depois serão concluídas no velho jeitinho, nas calendas ou ficarão de vez como promessas em ruínas.
    Tudo como dantes. As obras sairão um dia, quem sabe. Até lá é aproveitar os juros eleitorais do que não se fez para se reeleger. Velha manobra de raposas que a urubuzada aproveita para fazer revoada.

Desafiando as mudanças climáticas


A América Latina e o Caribe são zonas climáticas altamente vulneráveis aos impactos das mudanças no clima e, embora na atualidade sua emissão de gases de efeito estufa se mantenha baixa em relação aos níveis globais, suas demandas de energia crescem à medida que se industrializam e se urbanizam.
     É por isso que ambas as regiões decidiram tomar posição no assunto e apostar em projetos sustentáveis que garantam um desenvolvimento que respeite o meio ambiente e uma transformação econômica para o uso de energias limpas e programas de baixa emissão de gases de efeito estufa. Através de fundos provenientes do CIF, Climate Investment Funds (fundos constituídos por numerosos países europeus e os EUA para financiar projetos eco-sustentáveis), estão sendo desenvolvidos 39 projetos em treze países da América Latina e do Caribe. Juntos somam um investimento de 686 milhões de dólares (1,52 bilhão de reais), o que representa 8,5% dos 8 bilhões de dólares que o CIF destina aos países em vias de desenvolvimento.

 "O objetivo é impulsionar programas que promovam energias limpas, reflorestamento, práticas agrícolas que respeitem o meio ambiente, restauração e preservação de ecossistemas degradados (como a barreira de coral na Jamaica e no Haiti) e o acesso à água, entre outros"

Túnel do Tempo


Versão completa da grande interpretação de Lena Horne
no filme homônimo "Stormy Weather" de 1943

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Sempre pode piorar

Quem diria, hein?

Alerta para as muitas festas saudando a maquiagem de um grito de guerra que assolou o país e engessou a cidadania

     Há um vozerio pelas redes sociais bem interessante para o momento político do Brasil e, quem diria, promovido pelas fontes petistas, que sempre deram as caras como esquerdistas. Bastou uma empresária destacar o progresso do país nos últimos anos sob a gestão petista, com índices sempre de leves pinceladas dos marqueteiros, para se ouvir muitos vivas. E surpreendentemente quando anunciou a mesma que os “envergonhados” deveriam se mudar, aí muita gente aplaudiu de pé na plateia.
    Talvez seja o esquecimento que sempre circula nos ares brasileiros que gerou tanta festa. Os petistas sentiram–se mais patriotas do que todo mundo depois das declarações da empresária que até nem notaram a proposta embutida nas declarações. A empresária, curiosamente, ressuscitou o Ame-o ou Deixe-o dos tempos ditatoriais sem que um petista se levantasse contra. O que está acontecendo no país que a retomada de velhos gritos de guerra da repressão sejam retocados pelo PT sem receber um gesto de repúdio?
     O país, neste ano eleitoral, se tornou uma arena de vale-tudo. Inclusive como está fazendo o PT acenando até bandeiras que tanto defendeu no passado, esquecidas pela necessidade de manter o poder.  E fazendo retornar o passado acaba por ressuscitar os lemas da ditadura, até porque mesmo alguns de seus programas têm raízes bem lá atrás. E como qualquer coisa está servindo para garantir o continuísmo de um partido que quer se manter no Planalto por 20 anos, coincidentemente o tempo ditatorial, até vale um Ame-o ou Deixe-o com outras cores e em outras alegorias. Falta gritarem pra frente Brasil, pois não admitem em nenhum momento que o progresso de um país só se revigora com a renovação de ares. Se continuar sem aeração, o ar poluído faz estagnar qualquer democracia, ou desejo dela. Acaba um estado bolivariano de bananas podres sob o comando de títeres inqualificáveis.     

Preocupação com 'eles'