sábado, 27 de setembro de 2014
O valor da resistência
A mentira como método
Vaidosos, nós nos cremos os únicos capazes de lavrar, caminhar e gravar os nossos traços de Narciso; e, quando ouvimos a voz tácita das coisas, a sufocamos rapidamente sob a imundície das nossas insensatas disputas sem valor.
Michel Serres
Mentir, engambelar, imputar aos adversários o que não
falaram, citar dados errados, esconder outros. De tudo praticar, mesmo
eticamente incorreto, vale quando se trata de garantir mais uma gestão de
permanência no governo para manter a meta de 20 anos no poder, como determina a
cartilha ditatorial do PT.
O corolário de atitudes descreve bem o caráter de uma
candidata que se diz do povo, quando na verdade é o maior exemplo de que a dominação
a qualquer meio, mesmos ilegais, é válida e deve ser incluída na agenda da
corrida eleitoral.
Nunca uma candidata ou candidato conseguiu reunir numa
campanha tantas mentiras e factoides como Dilma, que só não consegue mesmo
superar a própria arrogância de querer ser o que nunca será. Aquela que foi
estrelada pelo poder hoje se acha acima do bem e do mal, imaculada a receber
beijos como santa. Dilma trafega incólume, como vestal, em meio ao lodaçal
criado pelos próprios companheiros com um nada vi, um nada sei.
É patética a figura presidencial maquinando dados a favor,
quando tudo indica a péssima administração, e o conluio com um comissariado e
uma politicalha cretina, medíocre. Em palanques apregoa sua luta pelos pobres e
famintos, quando no trono arquiteta as maracutaias que possam favorecer
empresas muy amigas, os conglomerados bancários, os cofres partidários.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Por que será?
Ricardo Noblat
A semana do homem
O homem vem a este mundo para lutar:O escravo pela sua liberdade, o livre pela sua perfeição Yane Sandanski
O primeiro dia é para nascer e crescer lutando,
o segundo para trabalhar e sofrer lutando,
o terceiro para amar e odiar lutando
o quarto para acreditar e duvidar lutando,
o quinto para destruir e construir lutando,
o sexto para escrever e suar lutando,
o sétimo para cantar e cair lutando,
o oitavo para levantar-se e avançar lutando,
o novo para viver e morrer livre
Rumen
Stoyanov
Dilma sabia de irregularidade desde 2009
Denúncia foi repassada à CGU, que alegou falta de pessoal para investigar
A CGU apenas requereu informações da Petrobras sobre os
indícios de superfaturamento apontados em auditorias do Tribunal de Contas da
União (TCU) e mandou o processo ao arquivo em janeiro de 2014, sem qualquer
avanço. Outro processo havia sido arquivado pela CGU em 2012. Ontem, o Palácio
do Planalto afirmou que a CGU “acompanha” as deliberações do TCU e as
providências adotadas pela Petrobras.
A CGU deu duas justificativas para arquivar o processo que
tem como origem informações levadas a Dilma. A primeira foi o “avanço físico”
das obras em Pernambuco, com 80% da refinaria construída até o dia do
arquivamento. A outra foi uma nota informativa elaborada pela área técnica da
CGU responsável por acompanhar os processos da Petrobras.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Lembrou algum país?
Formalmente, Cingapura é uma democracia. Na prática, nem um
pouco. Qualquer crítico do governo se arrisca a um processo criminal, pesadas
multas, processos por calúnia, ameaças e cadeia. O líder do partido
oposicionista certa vez disse eufemisticamente que o governo estava metido em
negócios escusos. Foi processado. (...) Críticos ou políticos iniciantes em
Cingapura são perseguidos nos tribunais com zelo fanático, processados com uma
severidade que os leva à falência. Os juízes são nomeados pelo governo e o
obedecem cegamente. Destruídos financeiramente, os políticos de oposição não
conseguem disputar eleições – mal conseguem viver.
Paul Theroux
Você viu Lula por aí?
Localizar Edison Lobão, ministro das Minas e Energia,
desaparecido desde que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, há mais de
um mês, citou seu nome como envolvido no escândalo que abala a empresa e o
governo?
Ou localizar Lula, que mora em São Bernardo do Campo, São
Paulo, e tem sido visto com frequência em compromissos das campanhas de Dilma
Rousseff, candidata à reeleição, e de Alexandre Padilha, candidato ao governo
paulista?
Depende de quem esteja à caça de Lobão e de Lula. À caça de
Lobão ninguém está – a não ser, talvez, algum jornalista curioso. E ainda assim
por sua conta e risco – não por encomenda da empresa onde trabalha.
À caça de Lula deveria estar a Polícia Federal. Segundo o
jornal O Estado de S. Paulo, ela tenta ouvir Lula há sete meses sobre
confissões feitas por Marcos Valério, um dos operadores do esquema do mensalão,
preso e condenado a mais de 40 anos de cadeiaa.
Valério acusa Lula de juntamente com o ex-ministro José
Dirceu ter tramado a doação ilegal de dinheiro ao PT pela Portugal Telecom. O
ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, já foi ouvido a respeito pela Polícia
Federal. Negou tudo, naturalmente. E Lula?
Ora, pois sim. Lula sabe que a Polícia Federal quer ouvi-lo. A Polícia Federal
sabe que Lula sabe. Mas não o intima – como faria com qualquer mortal comum.
Espera que Lula, um dia, admita depor. E a procure.
Isso tem nome. Para dizer o mínimo, negligência, da parte da
Polícia Federal. Ou cumplicidade.
Ricardo Noblat
***
Segundo o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve falar com a Polícia Federal após o término da eleição na avaliação da cúpula do PT. Desde fevereiro, Lula é convidado pela Polícia Federal (PF) para colaborar nas novas investigações instauradas sobre o esquema do mensalão. O medo dos petistas é de que o interrogatório seja vazado à imprensa e prejudique a tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Dilma destaca avanço e esconde aumento
Em discurso na Cúpula do Clima da ONU, a presidenta Dilma
Rousseff disse que o Brasil é um exemplo de que é possível aliar
desenvolvimento industrial com respeito ao meio ambiente. “Nós, países em
desenvolvimento, temos igual direito ao bem-estar. E estamos provando que um
modelo socialmente justo e ambientalmente sustentável é possível”, afirmou.
A mandatária brasileira destacou que em dez anos (2003 e
2013) o desmatamento do país foi reduzido em 79%. Rousseff, contudo, escondeu o
fato de que entre 2012 e 2013 a taxa de destruição da floresta amazônica
cresceu 29%. No ano passado, 5.891 quilômetros quadrados da região foram
devastados, segundo dados obtidos no Projeto de Monitoramento do Desmatamento
na Amazônia Legal por Satélite. A área desmatada equivale a quase quatro vezes
o município de São Paulo, o mais populoso do Brasil. No ano retrasado, o
desmatamento tinha atingido a menor taxa desde o ano de 1988, quando os dados
passaram a ser monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Na
ocasião, a devastação atingiu a marca de 4.571 quilômetros quadrados.
Por quê?
Somos perdulários
Com tanto estímulo desde criancinha, o brasileiro é um
gastador nato. Chavões como país do futuro, gigante Brasil, terra abençoada por
Deus, em se plantando tudo dá, país que vai pra frente, fizeram a cabeça das
massas no país. A maioria ainda acredita que são infindáveis os recursos e que
pode, sem qualquer trabalho, colher frutos gigantescos.
É essa visão de grandeza que faz dos governos eternos
aproveitadores da crendice popular. Acredita-se que sempre se vai sair de uma
enrascada com um jeitinho.
Os políticos se fartam da ignorância. Em plena ditadura, com
a crise mundial do petróleo, se falava que tínhamos petróleo para dar e vender.
Pagamos muito caro pelo abuso interno dos cretinos. Recentemente, com a bolha
estourando nos Estados Unidos, nosso máximo guru prometia que só sentiríamos
uma marolinha, que nem daria para molhar a canela, e prometeu que tinha no
bolso a receita para conter crises de fora. Continuamos a pagar a conta que
cada vez aumenta mais. Como da outra vez perdemos tempo para crescer,
acreditando piamente nos profetas governamentais.
Depois do pibinho, estamos frente a um mini-pib e saudamos
as maquiagens governamentais com que vão nos tirar do poço. As perspectivas
internacionais já apontam em crescimento no próximo ano de 1,4%, com tendência
de queda, sem incluir aí as turbulências econômicas e os problemas ambientais.
No entanto, o governo insiste, como na fala do vice-presidente, que estamos
crescendo fantasticamente. Só se for em estatísticas de corrupção, em que somos
quase imbatíveis.
Gastamos absurdamente até a rapa do tacho para que os
governos saiam bem na foto em eleição, camuflando o nepotismo, os ganhos
escusos, o desperdício em obras inacabadas ou o superfaturamento, a altíssima
taxa de desocupados, conhecidos na era petista como comissionados (nunca se viu
tanto desses comes-e-dormes). Enfim, esbanjamos com mediocridade o futuro de
gerações para que a marginalidade se locuplete. E ainda por cima saímos às
ruas, com militância de aluguel, infringindo leis eleitorais, para que ainda se
gaste mais absurdamente a fim de manter o continuísmo.
Somos perdulários até a raiz dos cabelos até quando
escolhemos políticos que nada mais fazem do que gastar o dinheiro público com o
sorriso dos hipócritas. E ainda adoram apertar a mão dessa cambada, ou por ser
sem vergonha de berço ou imbecil de nascença.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Faltará brejo
“Não há dúvida de
que a vaca está indo para o brejo. A questão
é saber a distância do brejo e a
velocidade da vaca”
A mancha do petróleo
A principal vítima do escândalo causado pelas confissões
explosivas de Paulo Roberto Costa é o Partido dos Trabalhadores. Sempre que
sentiu um perigo eleitoral, o PT escudou-se na Petrobras.
O Governo do Brasil está ferido por uma novidade que
percorre a região: a bonança internacional, que permitiu a distribuição das
receitas extraordinárias, começou a diminuir. Na última década, os que exerciam
o poder pareciam imbatíveis. Hoje estão vulneráveis. Também estão em risco a
Frente Ampla no Uruguai e o kirchnerismo na Argentina. O declínio vem sempre
acompanhado de escândalos de corrupção. Nada surpreendente. Quando os recursos
escasseiam, as sociedades se tornam mais sensíveis à ética.
O Brasil está emperrado
A economia brasileira, exemplo de estímulo durante uma década, começa a ficar paralisada devido ao cansaço do consumo interno, bem quando acontecem as eleições gerais
Muitos especialistas previam isso já faz algum tempo e por
fim aconteceu há duas semanas: a economia brasileira, a sétima do mundo,
enfrentava o segundo trimestre consecutivo de retrocesso do PIB e entrava no
que, no jargão dos economistas, é chamado de “recessão técnica”.
Paralelamente, a agência classificadora Moody’s baixou, na semana passada, a
nota do país em um ponto, passando de “estável” a “negativa”. Nem as cifras,
nem a chamada de atenção da agência são alarmantes, mas são significativas: de
janeiro a março, o PIB brasileiro recuou 0,2%. Nos últimos três meses o recuo
foi de 0,6%. Mais que o alcance, o importante é a novidade. Nos últimos anos, o
Brasil só tinha registrado números vermelhos no último trimestre de 2008 e no
primeiro de 2009, quer dizer, nos piores dias do turbilhão da crise planetária
que sacudiu o mundo financeiro.
Outros países ficaram aí, no buraco, mas o Brasil, animado
por um consumo interno vigoroso, pelas exportações à China e um ciclo econômico
em alta, se recuperou em seguida. Até agora. Hoje, sem fôlego, o país parece
condenado a parar a fim de conseguir recuperar suas forças. A maioria dos
especialistas coincide que é uma parada quase técnica, um tipo de tempo morto
para recompor suas linhas antes de recomeçar. Mas, no meio de uma disputada
campanha eleitoral entre três candidatos cujo primeiro assalto será resolvido
no próximo dia 5 de outubro, a notícia da recessão teve o efeito de um tijolo
jogado no meio de um tanque. Os candidatos Marina Silva, pelo Partido Socialista
Brasileiro (PSB) e Aécio Neves, do mais conservador Partido
Social-Democrata Brasileiro (PSDB) se apressaram a acusar a presidenta Dilma
Rousseff de não reconhecer seus erros e de ter levado o país a um beco sem
saída. Neves foi explícito: “A senhora vai entregar um Brasil pior do que
encontrou e isso acontece pela primeira vez em nossa história moderna.”
Gestão sem ética é indigestão
A ferramenta de monitoramento das redes da Fundação Getulio
Vargas tem mostrado com eloquência que os temas da transparência e do combate à
corrupção vieram para ficar.
Assim, análises que atribuíam a ascensão de Marina Silva à
sua superexposição de mídia ficaram prejudicadas. O buraco é mais embaixo.
Além de uma demanda histórica por ética na política, há a
figura da própria Marina. Sua biografia é mais eloquente que qualquer discurso
ou marquetagem eleitoral. Querem um teste? Suprimam o som dos debates
televisivos e perguntem a um popular quem lhe parece mais confiável entre os
candidatos.
Assim como qualquer cidadão brasileiro que vive de sua
profissão, Marina foi seringueira, doméstica e professora antes de ser
política. Como qualquer um de nós, que vive de seu trabalho e tem um nome a
zelar, ao contrário do “caçador de marajás” ou do que denunciou “os 300
picaretas” antes de se juntar a eles. Como diz o ditado popular, “diz-me com
quem andas, e eu te direi quem és!"
O eleitor resolveu cobrar o que fizeram Lula, Collor, Dilma
e até mesmo Aécio Neves, noves fora a vida de políticos profissionais. Já
buscaram o pão com o suor do rosto ou sempre viveram às custas do poder público?
Quanto mais os analistas criticam a candidata por não ter
jogo de cintura e não abrir mão de seus princípios e valores, mais a sua figura
ascética ganha adesão. Não consideram que talvez o país esteja cansado de
indistinção moral, da geleia geral das coalizões espúrias e das alianças de
bordel.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
O papel de Dilma
Petrobras, Correios, IBGE. Maltratadas pela ingerência do
governo, instituições que até pouco tempo eram sinônimos de orgulho, confiança
e credibilidade, foram postas na berlinda. Roubadas, abusadas e desrespeitadas,
elas sofrem as consequências do perverso modus operandi do PT que, em seu
benefício, se apossa do patrimônio do país.
A mancha do petróleo
A principal vítima do escândalo causado pelas confissões
explosivas de Paulo Roberto Costa é o Partido dos Trabalhadores. Sempre que
sentiu um perigo eleitoral, o PT escudou-se na Petrobras.
O Governo do Brasil está ferido por uma novidade que
percorre a região: a bonança internacional, que permitiu a distribuição das
receitas extraordinárias, começou a diminuir. Na última década, os que exerciam
o poder pareciam imbatíveis. Hoje estão vulneráveis. Também estão em risco a
Frente Ampla no Uruguai e o kirchnerismo na Argentina. O declínio vem sempre
acompanhado de escândalos de corrupção. Nada surpreendente. Quando os recursos
escasseiam, as sociedades se tornam mais sensíveis à ética.
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