sexta-feira, 2 de maio de 2014

E tá correndo o tempo!


“Temos uma corrupção desenfreada. O governo que deveria dar exemplo está atolado na corrupção. É o governo que, se fizer o que a presidente Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela”.

Paulinho da Força, deputado federal, nas comemorações do 1º de Maio, em São Paulo

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Os corruptos sentem alguma coisa?


Os políticos são capazes de ter sentimentos? E os corruptos? A política deveria ser uma das artes mais nobres, já que sua finalidade é a busca da felicidade dos cidadãos que depositam sua confiança em seus representantes. É assim? Existe nela sentimentos ou só é feita de negociações frias, compromissos, intrigas e corrupções?
Em razão das últimas denúncias contra a empresa brasileira Petrobras, que foi orgulho mundial, temos visto nos meios de comunicação uma verdadeira dança de cifras de milhões de dólares que em boa parte poderiam ter acabado no bolso de quem deveria ter protegido uma empresa criada com o esforço de milhares de cidadãos.
É uma dança de zeros que se repete a cada vez nas já rotineiras acusações de corrupção política. Uma dança que revela o pouco apreço que existe pelo dinheiro público, fruto do esforço cotidiano de tantos trabalhadores e de pequenos empresários que trabalham quatro meses de graça para o Estado para pagar impostos. Para receber o quê em troca?

Rede Pau nos Ratos

As comemorações Dia do Trabalho, tão gratas aos políticos e governos brasileiros que transformam o feriado num bundalelê, praticamente apagam outra data que deveria ser lembrada: o Dia da Literatura Brasileira, que homenageia o aniversário de José Martiniano de Alencar (1829/1877). O romancista, jornalista, advogado, cronista, dramaturgo também foi político aguerrido e sabia bem o que dizia: “Queremos acabar com a impunidade, por isso devemos encorajar as instituições que combatem o crime dentro da lei.” 


Trabalho!? 

A grande mídia, em colunas, noticiou que Lurian Lula da Silva, a filha de Lula, conseguiu trabalho na “Maricá Já”, empresa de comunicação e eventos de Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), e sua mulher, Rosângela Zeidan. É interessante esse “trabalho” numa empresa que não tem sede, endereço, registro funcional ou CNPJ, igualzinho a camelô. Será que Lurian estaria trabalhando na informalidade ? Quem diria, filha de ex-presidente operária informal de prefeitinho, a mais de 800km de casa!

Pouso do urubu

Depois do badalado vídeo promocional, prefeito de Maricá aproveita para visitar os locais das “grandes realizações” anunciadas. Posou mesmo no alto de Ponta Negra, local para o teleférico. Segundo promessas, tudo estará pronto até o final do ano. Quem não pode (fazer), trapaceia, já dizia o ditado velho.


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Que falta faz!


“Parece que a tendência dos políticos é para desprezar as verdadeiras necessidades do povo, desbaratando os dinheiros públicos em gastos desnecessários e obras de injustificada realização. O bom senso parecer ser a faculdade que mais falta faz ao país!”

Antonio da Silva Mello  (1886/1973), médico e ensaísta brasileiro

Derretimento de uma campanha

O êxodo por um governo

Dá mesmo o que pensar o êxodo haitiano do Acre. O governador petista, aproveitando a desgraça da cheia, humanitariamente, resolveu oferecer melhor destino aos refugiados. E escolheu logo São Paulo, maior capital do país, com grande oferta de empregos. Pergunta-se porque a escolha daquela cidade e não de enviar gente para outras também capacitadas a receber refugiados?
O gesto pareceria despercebido se não fosse a estranha coincidência de que com a enxurrada de refugiados se criaria um problemão para o governo paulista, adversário, e daria chance para que o candidato petista, envolvido em suspeita de transação mal resolvida, pudesse deslanchar e aparecer como salvador dos haitianos. Seria assim um defensor intransigente dos direitos humanos como é o governo federal, que vem empurrando o problema com a barriga. Mais um caso de direitos humanos que passa longe de qualquer tratamento pelos petistas, que criam um rosário de cargos e funções no setor, mas tudo de fachada.
Como o governo acreano não recebeu qualquer apoio federal, do próprio partido - a presidência levou mais de 40 dias para visitar o local da calamidade -, parece ter decidido em causa própria ajudar o companheiro na candidatura próxima. Nada melhor para um defensor dos direitos humanos do que despachar gente como gado para criar um abacaxi de presente aos paulistas. Com a bomba na mão, o candidato Alkmim se veria enredado em resolver o problema para não ficar com a pecha de um governante mal qualificado ao dar soluções humanitárias.
A solução acreana é digna de página maquiavélica como só é capaz a mente petista do qualquer crime por um governo. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pensamentos (in)diferentes

A notícia é bem clara: 20% da população brasileira atual nasceu antes de 1964. É um orgulho pertencer a uma elite, que pela idade deve estar lá por volta dos 1o%. Somos os sobreviventes de um outro país que do alto das suas dezenas de anos podem apreciar o antes, com o sonho, lembrar tristes o durante do sofrimento, e o agora vivenciar uma sabedoria. Pequena e particular mas de cada um de nós.
Claude Louis Sangáde 

Roda de samba


Carybé, pseudônimo do argentino Hector Julio Páride Bernabó (1911/1997)
 foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, 
muralista, pesquisador, historiador e jornalista brasileiro naturalizado

O boom do encalhe

Os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobras não só afetam a imagem e os negócios da empresa. Muita gente de fora se vê num dilema com a série de notícias envolvendo a estatal. Um dos setores atingidos é o imobiliário, principalmente em cidades próximas a projetos da Petrobras. Não adianta nem mais a enxurrada de promessas de governinhos petistas sobre o petróleo como alavanca do progresso de suas cidadezinhas dominadas. A compra e venda de imóveis, por exemplo, em cidades como Itaboraí e Maricá, ambas no Rio de Janeiro, praticamente estancou. Se teme um encalhe ainda maior no negócio se persistir (e parece que ainda vai durar muito) a crise na Petrobras.
Depois do boom com a descoberta dos poços do pré-sal e com o anúncio dos governos municipais de grandes investimentos imobiliários estrangeiros, os corretores estão em polvorosa com o número de negociações no setor que beiram a zero. Os preços dos imóveis até subiram além da conta, em comparação a outros municípios bem mais saudáveis sócio-economicamente, mas não mais se vende.
Os empresários alertam para o excesso de promessas governamentais que estão indo pelo ralo como outro grande motivo para a queda. Isso sem contar com as revelações das farsas municipais sobre investimentos, o que tende a piorar o panorama imobiliário. 
Maricá, por exemplo, que tem anunciado investimentos estrangeiros no setor, em parte devido às viagens de negócios do prefeitinho, com dinheiro público, bancando agente imobiliário de negócios privados, está com as empresas do setor praticamente às moscas. E ainda há outros voos da dupla governamental na agenda para “vender” mais negócios da China sem qualquer contrapartida para o município.

Recado do poder


“(...) Estamos convictos de que são culpados*. Culpados de serem governados, é claro. Mas é preciso que vocês mesmos se sintam culpados. E não se culparão enquanto não se sentirem cansados. A gente está cansando vocês, é tudo. Quando estiveram exaustos, o resto vai por si”
Alberto Camus, em “Estado de sítio”
* “Preciso de culpados”, dizia o imperador em "Calígula", do mesmo autor

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bertold Brecht

Quem me defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar
ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
o mesmo parágrafo silencia
quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
não lhe é permitido se defender.

Arquitetura e o poder

Aquário municipal lembra o Congresso, outro símbolo do Poder

A recente divulgação de vídeo promocional de Maricá (RJ), essa Vila dos Patos, é um pequeno exemplo de como, através da arquitetura, o poder resolve se implantar de vez. A apresentação de obras como teleférico, com vista panorâmica, e aquário municipal não passam de mais uma aplicação da arquitetura que pode estar intimamente ligada ao poder para atender aos interesses de governo, e só dele. Bem esclarecedora sobre essa relação é a reportagem de El País, “A arquitetura e o poder”:
 “Há anos, Rem Koolhaas declarou estar convencido de que sua sede para a televisão chinesa em Pequim, um enorme arranha céu espetacularmente fotogênico, contribuiria para levar o progresso e a democracia à China. Não ocorreu a ele que se já se tem o símbolo não há necessidade de mudança. Pela mesma época, Normal Foster concluía em Astaná, a atual capital do Kazaquistão, sua primeira interferência urbanística na cidade: a imensa pirâmide do Palácio da Paz e Reconciliação. Bem mais do que Nursultan Nazarbaiev – o presidente do país que, em 1997, fez coincidir a fundação da nova cidade com o dia de seu aniversário -, Foster é o grande protagonista da operação urbanística que quer transformar o antigo país da estepe na primeira capital do século XXI. O último exemplo de como a melhor arquitetura está servindo a regimes totalitários para enviar uma mensagem de progresso adquire as formas curvas do novo edifício assinado por Zaha Hadid: o Centro Cultural Heydar Aliyev. Construído em Bak (Azerbaijão), quer contribuir para a modernização e, portanto, democratização, da antiga república soviética. (...) É difícil querer vender progresso em um país governado, há 40 anos, por uma mesma dinastia”.

A habilidade (deles)


"A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objetivos mais nobres será expulso, exceto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do “ruído e da fúria, que nada significam”. Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe". 
Bertrand Russell (1872/1970)

domingo, 27 de abril de 2014

Jornal da Dilma

Pra quem gosta ...


“O PT só engana mesmo quem quer ser enganado”

Ferreira Gullar

O alto risco Brasil, segundo a Alemanha


Quando faltam apenas seis semanas para o começo da grande festa esportiva que representa o campeonato mundial de futebol no Brasil, o ministério de Assuntos Exteriores alemão divulgou um novo relatório sobre um tema muito sensível: a segurança que o país oferece aos milhares de turistas que chegarão à nação para aproveitar a grande festa e, ao mesmo tempo, torcer pelos seus times.
O relatório do ministério, em sua seção “serviços ao cidadão”, que é lida com atenção por todas as grandes agências de turismo do país e pelos turistas que compram pacotes de férias, oferece uma imagem desoladora do Brasil: uma nação onde não as leis não são respeitadas e onde o turista corre o risco de ser vítima de ladrões, sequestradores ou simplesmente de se envolver em confrontos entre a polícia e grupos criminosos, como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.
Leia na íntegra

Dez anos em queda


O Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu competitividade na última década, segundo um estudo da consultoria Boston Consulting Group (BCG) divulgado na sexta-feira. O estudo analisa a competitividade de 25 economias exportadoras e tem como base um novo indicador criado pela BCG para medir os custos de produção da indústria em cada país.
Ele mostra que enquanto em 2004 os custos da indústria brasileira eram 3% menores que os da indústria americana, hoje são 23% maiores. Com isso, estariam hoje no mesmo patamar da indústria italiana e belga e só seriam mais baixos que os de fabricantes australianos, suíços e franceses.
Leia na íntegra

sábado, 26 de abril de 2014

Assim será o futuro?


Mentirinhas em promoção


A prefeitura de Vila dos Patos armou mais uma arapuca – de muito custo e bem feita profissionalmente – para enganar os trouxas de sempre e servir para alarde na carteira dos comissionados. São 9 minutos de vídeo divulgado no site do governo sobre uma maravilhosa cidade, riquíssima com o dinheiro do pré-sal, a ponto de dedicar 1 minuto da peça ao desfile da Grande Rio, no sambódromo, falando da cidade. Mas a beleza é um saco de mentiras das mais cabeludas, quando não de engambelações politiqueiras das mais escandalosas.
A fantasia de estilo Second Life está à solta no vídeo promocional para dar a sensação de um futuro mais maravilhoso do que se pode ter em grandes cidades pelo mundo, que respeitam o cidadão. Mais ainda, a realidade da tela sugere que tudo aquilo será feito no tempo recorde, digno de registro do Guiness, de dois anos e meio. O infeliz que diz sim ao que vê só pode mesmo pastar em meio à lama e ao lodaçal, porque adora engolir mentiras.
Uma que está sendo propalada inclusive é da ligação de monotrilho, com “trens japoneses que já estão aí”, - segundo uns mais afoitos propalam para a grandeza do prefeito - com mais de 120 km como se tal obra pudesse ser feita nas coxas, a toque de caixa de um dia para o outro. Mais ainda, estariam os apressadinhos em vangloriar o “trabalho” do alcunhado prefeito divulgando mesmo os trabalhos da obra que só está mesmo na internet. 
O vídeo encanta os boçais com um toque de que tudo está sendo feito e em pouco tempo o município sairá da lama para o primeiro mundo. São amostras de encher os olhos: teleférico, ligação aquaviária e a urbanização de 46 km de costa, inclusive com um campo de golfe aberto ao público e um aquário municipal. Tudo aparece no melhor estilo virtual sem qualquer obra começada ou sequer estar no papel. Um vídeo, que custou os olhos da cara, para continuar a empulhação. 
Como anuncia o vídeo, esse “futuro já começou”, pois não há qualquer referência a construção de hospitais - ao menos um, digno – nem se fala em melhoria do fornecimento de água, tratamento das lagoas efetivo, ou instalação de usinas de tratamento de lixo e esgotos. Afinal, a maravilha de cidade, segundo o vídeo, não produz lixo nem cocô.
A apresentação é um corolário de engana que eu gosto. Há referência de investimentos de R$ 500 milhões para saneamento e distribuição de água quando ambos inexistem na cidade. Para ser ver o engabelamento dos números, a mesma quantia foi aplicada há mais de 25 anos, em recursos privados e públicos, no saneamento das lagoas de Araruama, que ainda continuam poluídas. No entanto, em Vila dos Patos, a quantia é considerada fabulosa e está resolvendo o problema. Chegam a anunciar crescimento sustentável e planejado! Quá-quá-rá-quá-quá.
São os investimentos virtuais que tapam os olhos. O tal saneamento não passa de instalação de canos para recolher água pluvial e esgotos que seguirão in natura para as lagoas, o que um bom cidadão sabe que é crime recolher as duas espécies de água num mesmo cano. E o abastecimento de água continuará por anos ainda muito precário. Talvez se torne ainda mais crítico com a instalação da cidade maravilha proposta na internet, uma vez que há propaganda de criação de inúmeros condomínios residenciais.
O que o vídeo não mostra são os asfaltos recém colocados, finos e aguados, que se rompem a qualquer chuva; as drenagens solucionadoras de enchentes que alagam tudo em segundos de chuvisco; o péssimo recolhimento de lixo e a falta de um aterro sanitário prometido; as servidões espalhadas no entorno das lagoas com tubulações secas por falta de ligações; dois grandes rios da cidade sem dragagem; a falta de calçadas dignas. Isso sem contar com as promessas que só serviram à campanha passada como o hospital, o centro cultural – já vai para dois anos em construção, e a escola técnica entre um colar de outras pérolas inventadas para continuar no poder.