sexta-feira, 13 de março de 2015

Valdirene Aparecida

Os jornalistas, às vezes, chamam a atenção para os nomes estranhos que surgem nos escândalos políticos. Surgiu agora o de Valdirene Aparecida, que, apesar de inadimplente, teria recebido um empréstimo do Banco do Brasil, com dinheiro do BNDES. Os nomes parecem estranhos no noticiário, porque são nomes de batismo, de modo geral, como é comum na Bahia, uma fusão dos nomes do pai e da mãe.

Valdirene, por exemplo, muito provavelmente, é filha de Valdir com Irene. Tornou-se Val Marchiori, participou de um reality show, “Mulheres ricas”, e é apresentada como socialite. Vi alguns fragmentos do reality show. Valdirene não parecia apenas uma mulher rica, mas alguém fugindo intensamente dos hábitos da população mais humilde, marcados inclusive no seu nome composto: Valdirene, de Valdir e Irene, e Aparecida, talvez em homenagem à padroeira do Brasil.

Suas matérias de viagem eram custeadas por ela, que viaja em jatinho próprio. Val ofuscou Valdirene e conseguiu um espaço como apresentadora, repórter, blogueira e celebridade. Além disso, tinha grana para produzir as próprias matérias. Dizem os jornais que Valdirene e Aldemir eram amigos, viajavam juntos, e, juntos, decidiram pelo empréstimo no BB, onde Aldemir era presidente.

Ele é um dos executivos ligados ao PT. Chegou ao máximo da carreira ao ser indicado para a presidência de uma Petrobras em transe. E teve esse caso na vida, uma loira como cliente bancária.

A senadora Marta Suplicy já registrou o problema da cor do cabelo no PT, ao afirmar que havia três candidatas mulheres à presidência, Dilma, Marina e ela. Mas observou que não tinha nenhuma chance, pois era a única loira.

No auge da crise internacional, Lula acusou os loiros de olhos azuis de terem arruinado a economia mundial. Se falou isso é porque, em alguma camada de seu inconsciente, acredita na maldade intrínseca dessa gente branca.

Valdirene também é loira. Sua trajetória de fuga da pobreza e a adoção entusiástica de um consumo de luxo aparentemente são sinais de afastamento da galáxia petista. No entanto, no fundo, têm tanto ela como o PT o mesmo deslumbramento com a riqueza. A passagem de Lula pelo Copacabana Palace, no período eleitoral, mostra que ele tem os mesmos e talvez mais caros hábitos que a própria socialite.

A sensação que tenho é de que Lula gostaria de ter a mesma trajetória de Val Marchiori. Sua fúria contra os ricos e os loiros de olhos azuis esconde um grande desejo de imitá-los.

No Brasil, há quem ganhe Bolsa Família, há quem ganhe bolsa Louis Vuitton do BNDES. A diferença, como tenho acentuado, é o sigilo do BNDES.

Sinceramente, espero que ela não se ofenda, mas a bolsa de Val Marchiori é uma mixaria perto do que os outros ricos empresários estão levando. E revela algo característico da burguesia brasileira, sobretudo aquela que o PT considera a elite do B porque o apoia, incondicionalmente. Eles esbanjam dinheiro.

Val tem dinheiro para viajar no próprio jatinho e financiar suas aventuras jornalísticas. Mas, quando precisa de uma graninha extra, vai ao Banco do Brasil, que, por sua vez, aciona o crédito do BNDES. Os donos da Friboi buscam dinheiro no BNDES e, ao mesmo tempo, destinam R$ 250 milhões à campanha do PT.

A trajetória de Aldemir e Valdirene passaria em branco para mim. Não me importo com a vida dos outros nem me disponho a patrulhar gastos alheios quando não se originam em dinheiro público.

No entanto, há uma trajetória comum dos ricos que orbitam em torno dos governos petistas e bolivarianos. Prosperam num discurso de amor à pobreza, mas, no fundo, querem apenas mais dinheiro.

Valdirene é uma exceção. Nunca a vi elogiar a pobreza, nos poucos minutos em que a ouvi, jamais manifestou amor pelos pobres, algo que é muito comum nos nossos salvadores populistas.

Ao contrário, encarna apenas um espírito elitista, que quer se diferenciar através do consumo de luxo e escolhas sofisticadas.

O PT ama os pobres, tão falsamente como é possível amar os pobres, a Humanidade e outras grandes abstrações.

Mas Valdirene e Lula navegam no mesmo transatlântico de luxo que está se afundando e não nos deixam outra saída, exceto seguir tocando nosso piano, humildemente, enquanto a farsa não se revela em toda a sua amplitude.

O ideal seria tocar a sirene enquanto o drama se precipita sem as máscaras do carnaval. Mas isso é uma tarefa para se pensar na Quarta-feira de Cinzas.

As últimas pesquisas sobre Dilma confirmam minhas intuições de repórter de rua. A confiança está desabando, e o edifício pode cair. Só nos resta repetir em escala nacional o conselho do prefeito do Rio aos moradores de área de risco: acreditem na sirene quando ela tocar. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Já está fedendo

Justiça se acerta novamente com governo

Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve julgar processo de doação ilegal na campanha de Dilma, em 2010, agora dá mais um passo para envergonhar a justiça brasileira. O ex-advogado do PT solicitou sua transferência para a presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará as eventuais ações penais decorrentes da Operação Lava Jato contra deputados e senadores.

E para assinalar o maior escândalo judicial no país, um dia após o pedido de transferência se reuniu com Dilma no Palácio do Planalto, junto com o trapalhão Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e o aloprado Aloísio Mercadante, chefe da Casa Civil, em um encontro fora da agenda.

Depois da justiça armada, o Brasil está lançando a justiça articulada. Mas só para poderosos. À ralé, a Lei e o medieval xilindró.

Lula foi aluno de Eremildo, o idiota

Virou moda. Lula falou e a bem remunerada elite chapa-branca do jornalismo nacional passou a repetir: a zelite não quer que os pobres prosperem.


Qual o motivo de essa frase estar sendo reproduzida por tantos membros da mídia, como porta-vozes do alto comando petista? Nada que o PT repete à exaustão deixa de ter objetivo bem determinado. É o caso. Os petistas, naufragados na indecência de seu governo, numa sucessão de escândalos que envergonham o país e ruborizam a espécie humana em todas as latitudes, altitudes e longitudes, precisam atribuir motivação maldosa a seus adversários. E qual pode ser pior do que o sujeito ter raiva de quem alegadamente faz bem aos pobres? Poucos, muito poucos sentimentos humanos colocariam alguém tão às portas de uma condenação eterna do que desejar o mal do pobre, sentir-se incomodado quando ele prospera e ter raiva de quem supostamente o faça prosperar. Isso é tão inominável, tão fora da normalidade, que deixa de ser um impulso humano para ser o que de fato é: uma acusação maligna, concepção de mente enferma, que faz da política campo de provas de sua sordidez.

Essa injúria, proferida por Lula no ato da ABI, e repetida pelos papagaios do eldorado petista, não tem pé nem cabeça. É fruto de perversão moral. Está na linha de tudo mais que vêm fazendo. Como conceito, só pode ser produto de uma aula de sociologia do professor Eremildo, o idiota (personagem criado pelo jornalista Élio Gaspari). Repito o que escrevi há poucos dias: os países com melhor qualidade de vida são aqueles em que praticamente não existem pobres e a totalidade da população consegue viver com dignidade. A fome era endêmica na Europa Ocidental até meados do século passado. No entanto, com trabalho e uso judicioso dos recursos públicos, hoje, você atravessa o continente, entra e sai das cidades europeias e raramente se depara com habitações miseráveis. Nelas você se percebe infinitamente mais seguro do que no Brasil.

Só os alunos do professor Eremildo, o idiota, são capazes de crer em tamanha estupidez, contraditória com o racional interesse de todos os seres humanos, porque convém a todos, sem exceção, que todos tenham um padrão de vida melhor. Eremildo, o idiota, ensinaria essa besteira que Lula diz, por crença. Os jornalistas, os políticos, os marqueteiros e os militantes que repetem tamanho disparate, precisam dele como folhas de parreira para esconder as próprias vergonhas.  

Ameaça de várias faces

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A corrupção impõe hoje ao Brasil uma ameaça com várias faces: difusa, estrutural, cultural. Embora sempre presente na nossa história, a ameaça da corrupção talvez jamais tenha assumido uma dimensão tão extensa e profunda. Não conseguimos superá-la no passado. Talvez porque jamais tivemos as condições de que dispomos hoje. Não podemos de modo algum desperdiçar esta oportunidade.
Pensemos não tanto nas rixas políticas, nas divisões ideológicas, neste ou naquele partido, neste ou naquele líder político. Mas sim no país, na possibilidade única em nossa história de extirpar essa ameaça fatal a nossas instituições democráticas.
Não podemos justificar os erros do presente com as faltas do passado. Se agirmos agora poderemos assegurar nossa democracia e finalmente consolidá-la. Se não, voltaremos atrás e estaremos condenados como Sísifo a empurrar a pedra da corrupção até o alto da montanha, só para vê-la despencar a cada vez que estivermos perto de atingi-lo.
Luis Felipe de Seixas Corrêa

O alvo não foi a classe média

imageO pronunciamento da presidente Dilma Rousseff foi uma tentativa de sair do “corner político” em que o governo se encontra. Foi construído para dialogar com os segmentos sociais que continuam aprovando o governo e evitar uma perda ainda maior de densidade. O alvo não foi a classe média revoltada e que votou no Aécio, mas certamente foram os setores mais pobres.

A presidente, entretanto, perdeu uma bela oportunidade de anunciar mudanças de rumo em seu segundo mandato, que breve em termos de dias, parece um governo bastante envelhecido e sem rumo. O eixo foi a explicação do inexplicável, ou seja, justificar que defendeu um rumo no segundo turno da campanha e está fazendo outra coisa após a vitória apertada que teve.

Em primeiro lugar, não é verdade que não era possível prever que a crise iria durar tanto tempo. A presidenta disse que “não havia como prever que a crise internacional duraria tanto”. Não é verdade e o governo disse várias vezes que havíamos passado incólumes pela crise mundial, fato vendido como grande mérito do segundo mandato de Lula e primeiro de Dilma. É verdade que temos algo sazonal (crise climática), mas essa também poderia ter sido evitada ou pelo menos minimizada nos seus efeitos. E mesmo admitindo a gravidade da crise, a presidenta continuou querendo enrolar o povo, dizendo que “passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos”.

Em segundo lugar, não é verdade que os efeitos da crise estão sendo divididos igualitariamente, quando fala de “sacrifícios temporários para todos”. Os ajustes fiscais atingem de forma mais violenta os mais pobres, justamente os que não possuem meios para proteger seus recursos dos ataques governamentais. Os grandes empresários sempre conseguem se defender, mas aqueles que vivem do trabalho possuem poucos meios para isso. E existem setores diretamente beneficiados pelo ajuste, basta ver a situação dos bancos e dos credores de nossa dívida pública.

Em terceiro lugar, Dilma afirmou que “nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família”. É óbvio que isso também não é verdade. O aumento das tarifas públicas e dos serviços impacta os preços dos produtos e aumenta os gastos mensais das famílias brasileiras. A paralisia na economia torna mais difícil a correção dos salários dos trabalhadores e os cortes orçamentários afetam a expansão e a qualidade dos serviços públicos. Soa falso afirmar que fazendo os pacotes de austeridade o governo está “protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis”.

Em quarto lugar, em um dos pontos mais sensíveis das críticas ao seu governo, que é o escândalo da Petrobras, a presidente foi genérica, como se nada tivesse a ver com a forma de se governar, com as alianças, com o acobertamento do toma-lá-dá-cá vigente na política brasileira.
Ednei Freitas 

O governo, os políticos e o trem da agonia

A fase 1 do petrolão chegou ao Supremo Tribunal Federal, e, com ela, 47 políticos serão investigados. A divulgação oficial dos nomes dos envolvidos com a corrupção na Petrobras não gerou grandes surpresas no mundo político, e sim um imenso desconforto. Todos os apontados já estão politicamente afetados, e tal sombra os acompanhará até o resultado final da apuração.

Os efeitos da liberação dos nomes já são sentidos. Incluídos na lista, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, atacam a Procuradoria Geral da República e o governo. Os demais reclamam e protestam inocência, uma vez que o espernear ainda é permitido.

Em consequência, não apenas a CPI da Petrobras, mas também o andamento de matérias de interesse do ajuste fiscal, entre outras, podem ser afetados pelos humores da liderança da Câmara e do Senado. O agravamento do conflito entre o Executivo e o Congresso pode favorecer uma avaliação da crise de forma dicotômica (Palácio x Congresso): quem ganha e quem perde?


Na atual etapa do petrolão, nenhum dos lados está aliviado. Todos perdem. Do lado do Executivo, não existe a garantia de que o governo será poupado nas fases subsequentes à investigação. Nem de que o Congresso dará uma trégua na demonstração de independência e autonomia em outras questões em debate, desistindo de atrapalhar os planos do Executivo.

Haverá forte pressão por parte de outros parlamentares, da imprensa e da sociedade para que os que integram a lista deixem os cargos que ocupam na estrutura interna do Congresso ou se licenciem.

Para piorar, estão a caminho novas etapas do petrolão. Nesta semana, prosseguem as delações e, com elas, o adensamento de indícios e de provas de corrupção e o provável surgimento de mais nomes de políticos. O que, evidentemente, provoca mais tensão sobre o mundo político.


Alguns comentaristas avaliam que a extensão do problema poderia favorecer a formação de uma “pizza” generalizada. Mesmo que alguns nomes venham a ser poupados por falta de evidências, é difícil crer num “acordão” destinado a salvar a cara de todos.

Governo e políticos são passageiros do mesmo trem da agonia em que estão metidos. E nenhum deles controla o maquinista nem o trajeto. Tanto a mídia quanto os atores judiciais do petrolão tratarão de manter a fornalha bem acesa e quente. Com vazamentos cirúrgicos de informações aqui e ali.

No caso do governo, a situação é ainda mais desconfortável, pois, além do constrangimento com o escândalo, precisa convencer aliados a apoiarem um duro ajuste fiscal. Não é fácil, considerando o time que toca a coordenação política.

O Brasil de 2015 tende a andar de lado até que os efeitos desse ajuste sejam sentidos e os limites do petrolão estejam demarcados. Nenhum deles parece que vai acontecer no curtíssimo prazo.


O ambiente na CPI da Petrobras deve ficar ainda mais tenso. Deputados e senadores podem ser convocados a depor, e as investigações podem atingir diversos partidos, causando uma batalha pelo controle sobre o rumo das investigações.

Para o PSDB, um grande constrangimento. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) não só consta da lista, como o pedido de inquérito contra ele já foi autorizado. Ainda que não haja nenhuma ligação jurídica do processo que ele enfrenta com o senador tucano Aécio Neves, é impossível desconhecer a ligação política entre ambos.

Vamos dar um passeio?

Não é brincadeira

A crise provocada pelas denúncias de corrupção na Petrobras se estendem e agravam a situação de instabilidade política no país. Com suspeição sobre lideranças importantes, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, o impasse político ganha mais força e amplia a indignação da população.


À medida que os nomes que constam no relatório do procurador geral do Estado, Rodrigo Janot, vão aparecendo na mídia, é possível perceber que o esquema não estava restrito a um gueto político, como o governo federal tentou fazer parecer. A amplitude das irregularidades é grande, os partidos da base do governo e suas lideranças estão muito envolvidos.

A presidente Dilma Rousseff, que somente fica a repetir que os malfeitos serão investigados e seus responsáveis serão punidos, ainda não se deu conta de que não se trata de uma peraltice, uma travessura. A crise da Petrobras parou o país, está, a cada dia, derrubando a economia, destruindo uma imagem externa de confiança e credibilidade. E, como se tudo isso não bastasse, o patrimônio da empresa se esvai em uma velocidade que praticamente inviabiliza sua recuperação, pelo menos, em médio prazo.

A pergunta que fica diante desse quadro é: “E ninguém vai fazer nada?”. Certamente, os políticos não estão fazendo nada além de cuidar de sua proteção. Quem não tem essa preocupação tem o desejo de ver o adversário em situação embaraçosa. Em resumo, quem tem telhado de vidro procura uma cobertura rápida, e quem não, quer é usar o estilingue o mais rápido possível.

Em meio a essa disputa insana, estão o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário. Não são elementos políticos – não do ponto de vista partidário –, mas também têm suas posições ideológicas e interesses particulares. Onde é que fica, então, a isenção para uma apuração justa? Ao contrário do que anda circulando nas redes sociais, são essas instituições as únicas capazes de enfrentar o desafio de realmente passar a Petrobras a limpo. Elas têm a competência legal, a capacidade e os instrumentos necessários.

É preciso confiar e cobrar dessas instituições, que são as ferramentas que a democracia oferece. Qualquer tentativa diferente disso é golpe. Entretanto, a população tem o direito e até a obrigação de fazer um acompanhamento rigoroso. Assim, manifestações de rua são legítimos instrumentos de pressão e cobrança. Comissões parlamentares de inquérito também são legítimas. O governo federal e quem mais for alvo dessas investigações e cobranças precisam suportar a situação dentro, também, da legitimidade. Qualquer atitude diferente é contragolpe.

O teste é para valer. O Brasil tem a chance de fazer tudo pelas vias democráticas ou derrubar o pouco que construiu.

Carla Kreefft

Os lábios de Dilma e a falta de governo

Os amigos e assessores da presidente Dilma andam preocupados com a acelerada que a presidente deu nos seus costumeiros palavrões e despautérios. Ela sempre foi assim, mas não tanto. O hábito de xingar quem discorda dela ou aqueles de quem ela discorda vem de longe. Mas sempre teve um mínimo de limites. Agora, desandou. É palavrão aos borbotões.

Depois que a Operação Lava Jato subiu as escadarias do palácio do Planalto e cada dia ficam mais claras a omissão e conivência dela na roubalheira da Petrobras, mais ela sobe o tom e generaliza a gritaria;

Se as lânguidas colunas da curvilínea arquitetura de Niemeyer não fossem tão sólidas, algumas paredes palacianas já teriam esboroado ao sopro dos furiosos adjetivos nos turvos lábios presidenciais.


CUPIM PETISTA

Os números do governo petista cada dia mais corroem o país.

A administração federal tem 39 ministérios, 128 autarquias e 141 empresas estatais A prioridade de um governo responsável é canalizar recursos para o crescimento econômico, investindo na infraestrutura e estimulando os investimentos privados em uma economia cujas carências são abismáticas, e também no fortalecimento dos gastos com os programas sociais, a exemplo do Bolsa Família que tem um custo da ordem de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

Para comparar, só o pagamento de juros da dívida pública ao mercado financeiro, em 2014, fica acima de 6% do PIB. Não são os programas sociais os responsáveis pelos descontroles da economia. No ano, o Bolsa Família recebe o que os banqueiros ganham em um mês.


FALTA GOVERNO

A Presidente deveria buscar informações na Secretaria de Gestão Pública, órgão do Ministério do Planejamento, que registra: o Executivo tem 757.158 cargos de serviços efetivos, mais 113.869 cargos de confiança e comissionados, além de 20.922 contratos temporários de trabalho.

Só a presidência da República em dezembro de 2014 era responsável por 23.008 cargos de confiança e comissionados, Na Alemanha, a primeira-ministra Angela Merkel dispõe de 600 funções de confiança.

O que falta ao Brasil é governo.

Sebastião Nery

quarta-feira, 11 de março de 2015

Manifestação ou rebelião?

Não há somente organizações empenhadas em promover protestos pacíficos nas manifestações marcadas para sexta-feira e domingo em todo o país. Existem grupos, melhor dizendo, quadrilhas, em intensa preparação para transformar o movimento em baderna. Chamem-se ou não Black blocs, estejam ou não estimulados e subordinados a traficantes e a bandidos instalados dentro e fora de presídios, prepara-se a banda podre da sociedade para tirar proveito e transformar as ruas num campo de batalha. Haverá que relacionar, também, setores ligados ao PT, à CUT e ao MST mobilizando-se há dias para neutralizar, até pela força, os gritos de protesto contra a presidente Dilma e o governo.

São três, assim, as correntes que irão misturar-se, com amplo risco de explosão. A pergunta que se faz é sobre as atitudes do poder público diante dos fatos. A preservação da ordem cabe aos Estados, sabendo-se que as respectivas Polícias Militares e Civis já se preparam para a missão. Ocuparão as ruas das capitais e principais cidades com o ânimo de acompanhar as manifestações sem interferir nelas, apenas garantindo o direito dos cidadãos exprimirem seus sentimentos. Claro que essas intenções angelicais acabam esbarrando na necessidade de evitar excessos como invasões, depredações e similares. Para isso as forças policiais não estarão desarmadas, mas estarão preparadas?

Indaga-se sobre a hipótese de não conseguirem conter a baderna, mesmo promovida pelas minorias de sempre. Ousarão os governadores apelar a Brasília pedindo a intervenção das forças armadas? Tudo está previsto, até mesmo a prontidão de contingentes federais, que à sua maneira já terão examinado a situação. Se tiverem de sair dos quartéis, saberão para onde ir e, ao menos na teoria, como agir.

Em suma, impossível ignorar o potencial de confrontos e conflitos, ainda que votos se façam para tudo transcorrer pacificamente. A experiência de anteriores manifestações terá servido para o poder público reduzir os limites do inesperado. O resto será torcer os dedos para impedir a repetição de parte dos acontecimentos de julho de 2013. Em se tratando de Brasília, por exemplo, serão previamente impedidas invasões do Congresso, do Planalto e do Itamaraty, além de outros palácios, por conta de numerosas e ostensivas tropas de guarda. O difícil é saber como.

Os olhos da nação voltam-se para a expectativa maior, de que manifestações não venham transformar-se em rebeliões.

Um saco de cretinice

"Nós tiramos o tapete da sala" 
Lula

Chamem Lula de volta. Ele é o culpado de tudo

Se fosse o caso de cobrar responsabilidades pelo imbróglio em que meteram o país, que não se aponte o dedo para parte do eleitorado, destituído de noções básicas sobre o regime democrático e o processo eleitoral, pois o pronunciamento das urnas nas eleições de outubro dificilmente seria outro. Contudo, escolha houve, por mais que se possa criticá-la, no âmbito de uma série de fatos e circunstâncias que se juntaram para induzir uma consequência que se aproxima do desastre, repetida e movida por uma das maiores operações de engodo no segundo turno.

Apesar de longe estar da pretensão de fazer o papel de analista do pronunciamento popular, tenho comigo a convicção de que dois fatores pesaram na catástrofe que se abateu sobre o Brasil. A prova de um mandato inteiro ruinoso já se cumprira, mostrando um lastro de experiência que não deixara dúvidas para o corpo eleitoral. Disparada a bala no primeiro mandato, era mais do que conveniente que se evitasse cometer uma segunda tragédia.

Lula, de um lado, e o marquetismo político desvairado, de outro, cumpriram bem a operação sinistra a que se propuseram realizar. Lula pelo autoritarismo político, primário e ignorante. Falo da velha história do candidato do bolso do colete, invariavelmente danoso e, no campo político, antidemocrático e deseducador. O que me aprofunda a convicção do despreparo do ex-presidente é a incapacidade que deixa escapar de avaliador canhestro das pessoas e do comportamento humano.

De fato, chefe de governo por oito anos, teve a acompanhá-lo por esse longo período a doutora Dilma, como ministra de Estado. Na segunda vez, deslocou-a para uma pasta difícil, que exige do titular segura sensibilidade política e um mínimo de intimidade com o presidente da República que permita conhecer, com relativa profundidade, aspectos fundamentais da sua personalidade, da sua maneira de reagir diante de situações de preocupante gravidade, o que é quase o dia a dia do exercício das funções.

Exerci o cargo no governo Aureliano Chaves, claro que no âmbito de atribuições muito mais limitadas, e sei o que implica manter o equilíbrio, a ponderação, tendo em vista as especificidades do fato político vis-à-vis ao fato administrativo.

Reações destemperadas, temperamento irascível, impaciência, falta de educação, incontinência jamais são compensadas com eficiência ou com os atributos da “gerentona”, que, ao contrário do anunciado e proclamado pelo dono do colete, nunca chegaram sequer a ser percebidos pelos governados. A razão é simples: o ser enérgico, o saber exercer, sem perder a lhaneza, o princípio da autoridade, é inestimável característica dos estadistas. Churchill foi o maior deles no século XX. Não chegaria a essas alturas se não conseguisse diferenciar o tom e o comportamento para uma conversa reservada de uma declaração pública.

A presidente Dilma está numa encruzilhada da sua vida e do país que dirige. Tem de saber sempre fitar os Andes, mesmo pequena, em sua condição humana.

Márcio Garcia Vilela

Não sabem o que fazem



Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade
Nelson Rodrigues (1912-1980)

Panelaço é só a ponta do iceberg


Corremos sério risco de ter uma presidente, por quatro anos, aprisionada nas redomas do Palácio do Planalto. Que reina, mas não governa
O que foi dito pelo Palácio do Planalto logo após ser surpreendido pelo panelaço do último domingo não convence sequer o mais crédulo e fanático petista. Acusar a classe média, a burguesia e a oposição de querer um terceiro turno eleitoral, e desqualificar a barulhenta manifestação, é mero discurso para consumo interno. É a única e quase desesperada linha de defesa ao alcance das mãos de uma presidente isolada de tudo e todos.

Dilma PsIcanalista Freud panela panelaco vaiaDilma e seus estrategistas sabem muito bem que o panelaço foi a ponta do iceberg de um estado de espírito existente em diversos segmentos da sociedade.

A ira dos brasileiros vem crescendo desde as eleições e tende a se avolumar cada vez mais. Não é difícil entender as razões.

No mundo conectado de hoje, ninguém muda de discurso, da noite para o dia, impunemente. A transparência passou a ser um valor a partir do qual os brasileiros julgam seus políticos.

Ora, a presidente adotou durante a campanha o discurso de Alice no País das Maravilhas. Fez mais: acusou seu adversário, afirmando que, se vencesse, ele promoveria desemprego, recessão, aumento de juros e o diabo a quatro.

Pois bem, eleita Dilma deu um cavalo de pau na economia, e fez tudo o que disse que seu adversário faria. Legitimamente, os brasileiros, mesmo parte dos seus eleitores, se sentiram logrados, vítimas de grossas mentiras.

Perceberam que o país não vivia em um conto de fadas, como vendia a candidata Dilma, mas em um filme de terror, uma crise econômica gravíssima, na qual recessão e inflação andam de mãos juntas.

A ira do povo aumentou ao constatar que a presidente vinha com mais uma história da carochinha: a conversa de que a crise econômica era produto da situação externa e da seca, que ela repetiu no pronunciamento na TV no Dia da Mulher, na tentativa de transferir responsabilidades, de livrar a cara de seu governo.

Leia mais o artigo de Hubert Alquéres

Classe política não entende a raiva que está nas ruas

Nas últimas semanas, as autoridades brasileiras debocharam além dos limites. Cada dia a população tem nova surpresa. O presidente da Câmara oferece aos deputados o direito de custearem viagens de suas esposas com recursos públicos e apresenta o projeto para um novo edifício ao custo de R$ 1 bilhão; um juiz é fotografado dirigindo o carro de luxo de um réu; uma escola de samba ganha o título graças a financiamento de um ditador estrangeiro; a presidente da República coloca a culpa da degradação da Petrobras no antecessor que deixou o governo há 12 anos; outro ex-presidente ameaça colocar um exército na rua; o ministro da Justiça recebe advogados de réus do maior caso de corrupção da história; o ministro da Fazenda adota medidas totalmente opostas às promessas de campanha da candidata; o governo adota o slogan “Pátria educadora” mas corta parte importante do orçamento para a educação; as tarifas de eletricidade reduzidas no período eleitoral são substancialmente elevadas logo depois da eleição, o mesmo acontecendo com os preços dos combustíveis.

Como se esses deboches ativos não bastassem, a classe política se comporta com um generalizado deboche passivo: não reconhece a dimensão da crise, não debate suas causas nem aponta caminhos para reorientar o rumo do Brasil.

A sensação é de que a política está doente: não ouve, não vê, nem raciocina. Não ouve as vozes do futuro chamando o Brasil para um tempo radicalmente diferente, em que a economia deverá ser baseada no conhecimento, produzindo bens de alta tecnologia; em que a principal infraestrutura deverá ser educação, ciência e tecnologia.

Não ouve as vozes do exterior que mostram que não há futuro isolado e que precisamos agir para ingressar no mundo da competitividade internacional, na convivência econômica e cultural com o mundo global. E, pior, não ouve o clamor das ruas que indicam a necessidade de romper com os vícios do presente e reorientar o rumo para um futuro com economia dinâmica e integrada, e uma sociedade harmônica e sustentável.

A política tampouco vê as dívidas que os políticos têm com o país: com os pobres sem chance, com as crianças sem futuro e os jovens sem emprego; com a natureza depredada; a dívida decorrente da corrupção generalizada. Ao não reconhecer suas dívidas, a classe política não vê a raiva que está nas ruas.

Tudo isso leva a um comportamento esquizofrênico, pelo qual, de tanto vender ilusões, o governo e seus partidos passam a acreditar nelas. E os demais políticos se acostumam a elas.

Talvez esta seja a explicação para o deboche: não vemos, não ouvimos, nem pensamos. Até que o fim da paciência do povo nos desperte. Mas o custo poderá ser muito alto para a democracia, para a eficiência econômica, para a harmonia social e a sustentabilidade ecológica. Salvo se o despertar vier antes, com a descoberta de que o deboche é muito perigoso, como percebeu o presidente da Câmara, forçado a voltar atrás em sua decisão inicial.

Sob suspeição

Toffoli presidirá julgamento da Lava-Jato no STF
 (Chamada de capa de O Globo)
PS: Com Teori Zavascki na relatoria e Dias Toffoli 
na presidência, são dois votos chapa branca, na largada do julgamento 

Um discurso para outro país e outro povo

Será exagero afirmar que foi um fracasso o pronunciamento da presidente Dilma na noite de domingo. Houve quem o entendesse e até aplaudisse. Mesmo assim, não se convenceu a maioria dos que assistiram as explicações da chefe do governo. Nenhuma pesquisa de vulto havia sido divulgada até a redação final destas linhas, mas está no ar que a gente respira a rejeição aos argumentos expostos por Madame. Acima e além dos buzinaços e panelaços verificados em todas as capitais e principais cidades, tem-se a impressão de um discurso feito para um país distante.

De início, não faltou a tradicional agressão aos meios de comunicação, quando disse que o noticiário mais confunde do que esclarece. Confunde quem, cara pálida? Depois, a falta de sintonia com a realidade pela afirmação de não haver crise, mas problemas conjunturais, diferentes do passado, quando quebravam o Brasil. Quebrados estamos, pois as medidas de ajuste do ministro Joaquim Levy, pelo contrário do que se ouviu, comprometem as conquistas anteriores. Aí estão a redução de direitos trabalhistas e a desoneração das folhas de pagamento das empresas, sem falar na elevação de impostos e de preços.

Nunca se comprovou que aumentos de impostos fossem temporários. Paciência e compreensão constituem produtos em falta nas prateleiras do cidadão comum. União de governo, Congresso e povo, uma ilusão. Chamar maldades de esforços é um eufemismo mas sua adoção não favorece as classes trabalhadoras e médias. Se a crise afetou os Estados Unidos, a Europa e o Japão, realmente já passou por lá, mas países em desenvolvimento, como o nosso, amargam suas conseqüências. Difícil aceitar que não temos crise financeira e cambial com o dólar passando dos 3 reais e o crédito sendo restringido. Como preservamos empregos se os índices revelam o contrário e os gêneros de primeira necessidade ficaram mais caros?

A presidente anunciou mudança de métodos, precisamente a razão da queda de sua popularidade. O controle dos gastos públicos atinge a educação, a saúde e a segurança. Se cada um deve fazer a sua parte, precisaria começar reduzindo o número de ministérios e dispensando parte dos 32 mil companheiros incrustados em cargos em comissão, com ênfase para as empresas estatais. Prometeu a normalização para o final do segundo semestre, sem saber se chegaremos ou se ela mesmo chegará lá. Suportáveis para quem serão essas “medidas de esforço”? Para as elites, por certo, já que o imposto sobre grandes fortunas continua sonho de noite de verão e a elevação do preços dos combustíveis, das tarifas de água e luz e dos transportes públicos tornou-se uma realidade.

O país não vai parar, porque já parou, e se coisas continuam a acontecer, será através da revelação dos escândalos na Petrobrás e outras estatais. Grandes obras arrastam-se e atropelam as promessas, como o desvio das águas do rio São Francisco. Melhor qualidade não há nos serviços de saúde e transportes. É preciso provar com fatos que os corruptos serão punidos e que a corrupção se interrompeu. Por fim, com todo respeito ao feminismo e às feministas, crime hediondo é o assassinato de qualquer ser humano, independente de sexo, raça ou cor.

Em suma, o discurso da presidente parece ter sido feito para outro país e outro povo.

Carlos Chagas 


Atendendo a pedidos, Lula volta a controlar governo

Já que avião está desgovernado, é melhor deixar Lula no comando
O ex-presidente Lula tem uma sorte realmente invejável, não se pode negar. No início do ano passado, ele estava pronto para se candidatar à Presidência e achava que Dilma Rousseff gentilmente iria lhe ceder a vez. Mas a ingratidão falou mais alto, Dilma se esqueceu de que deve tudo a Lula, fincou pé, disse que sua popularidade estava em alta e tinha tudo para ganhar a reeleição.


Lula insistiu, Dilma então tirou as cartas da mangas e mandou que os assessores do Planalto começassem a plantar notícias desabonadoras sobre Rosemary Noronha, a favorita da corte. Nessa época, o escândalo da Petrobras já ocupava as manchetes, Lula estava enfraquecido e Dilma usou a bala de prata, ameaçando divulgar os gastos abusivos de Rosemary com o cartão corporativo da Presidência da República, em compras feitas no Brasil e no exterior, e Lula teve de jogar a toalha.

Dilma Rousseff se reelegeu com muita dificuldade, para dizermos o mínimo, e a crise política, econômica e social foi se agravando progressivamente. Na quinta-feira antes do carnaval, já entrando no desespero, a presidente deixou a arrogância de lado, embarcou no Aerolula e viajou a São Paulo para se desculpar e pedir ajuda a seu antecessor.

Lula disse-lhe poucas e boas, claro, e mandou que Dilma se reaproximasse do PMDB e prestigiasse Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, para tentar recompor a base aliada, fragmentada desde a malograda tentativa de eleger Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara.

Lula realmente tentou ajudar. Em nome da sobrevivência do PT, ele viajou para Brasília na primeira semana após o Carnaval e passou três dias fazendo contatos com o PMDB e outros partidos da coalizão.

O esforço de Lula foi em vão, porque Dilma é como o cavalo da Átila – por onde passa, destrói tudo, não nasce mais grama. Ao invés de se aproximar de Renan e Cunha, a presidente fez exatamente o contrário. Recebeu do procurador-geral Rodrigo Janot as informações secretas sobre a lista de políticos envolvidos no esquema da Petrobras e mandou que fosse “vazada” para a mídia a notícia de que o Planalto “avisara” Renan e Cunha de que eles estavam incluídos na reação.

Ao publicarem as reportagens, os jornalistas que cobrem a Presidência da República tiveram o cuidado de registrar que a informação havia sido passada por “assessores do Planalto”. Foi o que bastou para Renan Calheiros e Eduardo Cunha entrarem em rota de colisão com a presidente da República, criando uma das mais graves crises institucionais desde a redemocratização do país, em 1985.

Agora, o Planalto (leia-se: Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante) sonha em se reaproximar de Renan e Calheiros. Sonhar ainda não é proibido, mas não têm a menor condição de concretizar nada, tudo depende hoje de Lula, que, atendendo a pedidos, volta a controlar o governo.

Esta terça-feira, Dilma viaja novamente a São Paulo para pedir a benção ao padrinho. O encontro com Lula está previsto para a hora do almoço, após agenda oficial da presidente na capital paulista. Dilma, é claro, vai receber nova reprimenda, pela sucessivas trapalhadas que andou aprontando com ajuda de Mercadante.

Já está provado que a Sra. Dilma Rousseff não tem a menor condição de governar este país. Portanto, é melhor deixar Lula no comando, porque parece que o piloto sumiu e o avião está quase caindo.

Carlos Newton

terça-feira, 10 de março de 2015

A nova era

À era da hipocrisia sucedeu-se a da indiferença, e está é pior pois corrompe, adormece, mata antes de matar. Disseram, repetimos: o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença 
Elie Wiesel

Branco, rico e golpista

Lula (Foto: Divulgação)
Rico não pode se manifestar. A não ser por escrito. Ou dentro de casa. Ou em pequenas reuniões com amigos. Sem fazer alarde.

Caso resolva aderir a uma manifestação de massa, saiba que a desqualificará. Seu lugar não é na rua protestando.

Se for visto na rua protestando poderá ser acusado pelo PT de ser golpista. Certamente o será.

Não há nenhum dispositivo na Constituição que proíba o rico de pensar e de dizer o que pensa, mas ele que suporte as consequências.

Da mesma forma o branco. Pior ainda se ele for branco e rico.

É fato que a elite branca e rica lucrou uma enormidade com os governos de Lula e de Dilma. E que os mais ricos e brancos da elite pressionaram Lula para que ele voltasse a ser candidato no ano passado.

Não importa. A eles deve apenas ser assegurado o direito de apoiar o PT. De preferência sem condições. E de financiar o PT tirando dinheiro do seu próprio bolso ou desviando recursos públicos.

Quantos negros e pobres você vê no comando das maiores empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras?

Só vê ricos e brancos. E todos parceiros do PT. Deram mais dinheiro para o PT ganhar as eleições do ano passado do que para outros partidos.

Bem, se além de rico e de branco o cidadão morar em São Paulo, aí qualquer margem de tolerância com ele deve ser abolida.

Dilma e o PT perderam feio em São Paulo. O candidato de Lula ao governo colheu ali uma votação humilhante.

O que venha de lá, portanto, não deve ser levado em consideração. Antigamente foi a saúva. Agora, o paulista rico e branco é a praga que mais infelicita o Brasil.

Quem sabe o Congresso não aprova alguma lei que desconsidere o voto de São Paulo na hora de se contar os votos para presidente da República?

O radicalismo da proposta talvez possa ser suavizado com a restrição ao voto apenas nos bairros povoados por uma maioria branca, rica e golpista.

Burgueses!

Há quanto tempo eu não enchia a boca para chamar de “burgueses” os adversários das mudanças sociais, que só fazem enriquecer à custa dos miseráveis.

É verdade que a maior parte dos miseráveis ascendeu socialmente e compra o que os brancos e ricos lhe oferecem. E que quanto mais ascenderem e comprarem, mais os brancos e ricos se tornarão mais ricos.

Mas esse é um dilema que a esquerda corporativa, ávida por emprego público e órfã de ideologia, não sabe ainda como resolver.

Mais lenha

Um Nero no Planalto

Roma pegava fogo e Nero, péssimo cantor, se esgoelava observando gente torrando no incêndio. Culparia depois os cristãos pelo crime, quando teria sido o próprio mentor do fogaréu. Rezam alguns por essa história. Mas está aí uma bela imagem para ilustrar a fala de Dilma.

No Dia Internacional da Mulher, a Suprema baixava o Pai Santana em plena fogueira da crise nacional. Com o país descendo a ladeira devido ao fogo que ateou por quatro anos em todos os setores, a soprano Dilma (faltou a toga) acusou a crise internacional pelos dissabores brasileiros. Era descaradamente a imagem do imperador romano, acusando os outros pelo próprio crime. Aqui no caso, apenas o Cristo é a crise internacional, da qual mal ou bem os países estão saindo e só o Brasil entrando pelo cano.

Todo mundo está careca de saber que a presidente em competência administrativa é zero à esquerda. Pior ainda em política. Enfia os pés pelas mãos porque não é apenas um poste, mas imenso absorvente para estancar a sangria do PT, que pode (deve) respingar nela e em seus "Deus".

Acreditar na enxurrada de bobagens, baixadas por Pai Santana, é assinar um atestado de idiotice mórbida. E o pior que Dilma acredita piamente que reverteu a crise e está a salvo do maremoto que provocou. Ainda falta muita água para rolar, e não é marolinha. 

Fogo ex-amigo


 Em meio a gritos de protestos, buzinas e panelaço, São Paulo assistiu, atônita e perplexa, o pronunciamento da Presidenta Dilma nesta noite de 8 de março. Tentando se apoiar na ultrapassada justificativa da crise internacional, Dilma negou, mais uma vez, a gravidade e dimensão da atual crise econômica, as responsabilidades de seu governo e as consequências de seus desdobramentos para o povo brasileiro. O que mais me preocupa, neste momento, é que, a cada ação de seu governo, assistimos ao aumento do grau de seu isolamento e a ampliação de seu distanciamento da sociedade. Tão séria e grave quanto os problemas econômicos é a crise política e o consequente aprofundamento da falta de confiança e credibilidade

Senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-ministra da Cultura de Dilma, em mais uma investida 


Liderança de Dilma Rousseff desmorona

Rejeição a seu discurso se deve ao acúmulo de dados negativos em três frentes de seu Governo: a econômica, a política e a ética
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O primeiro discurso à nação da presidenta Dilma Rousseff, aos dois meses do início de seu segundo mandato, recebido na noite de domingo em uma dúzia de cidades, entre elas as emblemáticas São Paulo e Brasília, com vaias e um panelaço, pode ter sido uma prévia das manifestações de protesto contra ela anunciadas para o próximo domingo, dia 15.

A rejeição ao discurso da presidenta foi mais significativa por ter se dado no momento de começar a falar, antes de se saber o conteúdo de suas palavras. Era um sinal de que para uma parte da população, em especial a classe média mais bem informada, sua credibilidade está seriamente comprometida.

Mais que contra sua pessoa, já que ninguém a considera uma política corrupta, a rejeição a seu discurso se deve ao acúmulo de dados negativos em três frentes de seu Governo: a econômica, a política e a ética.

Desde a redemocratização do país o Brasil não vivia um momento tão crítico. O anúncio de cortes que afetam tanto a classe média quanto os mais pobres, com o país à beira da recessão, onde só crescem a inflação, o valor do dólar, o déficit público, os juros dos bancos e até o fantasma do desemprego, junto com os escândalos de corrupção política, criou um curto-circuito entre a opinião pública e a Presidência da República.

Dilma, bode expiatório ou talvez vítima? Pouca diferença faz para uma população desencantada e irritada. A ela se atribui falta de traquejo político, dificuldade de delegar, falta de tato e de vontade de lidar com um Congresso no qual acabou perseguida e encurralada inclusive por boa parte de sua ampla maioria de dez partidos.

A isso se junta o fato de a presidenta nunca ter contado, menos ainda neste momento, com o apoio pleno de seu partido (PT), e a sua relação com seu criador e tutor, o ex-presidente Lula da Silva, ter acabado por se deteriorar.

Se um dia se falava do dilmismo como continuação gloriosa do lulismo e dos anseios não confessos da presidenta de empreender um voo político próprio, sem a muleta do carismático Lula, hoje o escândalo da Petrobras, que viveu sua maior virulência nos governos Lula-Dilma, perpetrada pelas figuras por eles colocadas na empresa, que acabou saqueada para financiar fundamentalmente os partidos governistas, isso parece ter se tornado um sonho já apagado.

As ruas pedem a saída de Dilma do governo e gritam “fora PT”. Talvez ainda não saibam o que querem em seu lugar. Não sabem o que desejam para amanhã, mas sim o que exigem para hoje
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Leia mais o artigo de Juan Arias

Cairão os mais frágeis

Embora vamos conhecendo melhor a cada dia a cor dos responsáveis pela crise, o que ainda não sabemos é a das vítimas que deixará pelo caminho. Os primeiros a cair serão certamente os que têm pés mais frágeis. Como sempre na história.
Juan Arias 

Tudo bloqueado

Quaquá vai dar porrada em burgueses. Onde vai encontrá-los? Quem é classe média?
Um amigo no exterior me perguntou se no Brasil estava tudo dominado. Referia-se ao habeas corpus dado por Teori Zavascki a Renato Duque, indicado do PT na Petrobras. Dominado não sei, respondi. Mas, naquele momento, estava tudo bloqueado: as estradas, pelos caminhoneiros, as contas bancárias, pela Justiça. Tantos bloqueios que a conta do ex-governador petista de Brasília, Agnelo Queiroz, foram bloqueadas duas vezes na mesma semana. Há bloqueio na relação Dilma- Congresso, e bloquearam o juiz que bloqueou os bens de Eike Batista.

O bloqueio se estendeu às cabeças: Washington Quaquá, um dirigente do PT fluminense, afirmou que daria porradas nos burgueses. Lula disse que chamaria o exército dos sem-terra para as ruas.

Às vezes temo que minha visão também fique bloqueada. Mas encaro esse movimento como a busca do golpe perfeito. O governo do PT arruinou a Petrobras, quer que os empreiteiros fiquem presos e que os sem-terra levem e deem porrada para defendê-lo. Em ruas indignadas com a corrupção, será difícil evitar os conflitos.

Bloqueados os caminhos para entender o assalto à casa do procurador Janot nas vésperas de apresentar a denúncia. Ele se limitou a dizer que os assaltantes estiveram por oito minutos em sua casa. Nada levaram de valor, apenas o controle remoto do portão. Se um grupo entra na casa de um procurador e não rouba nada, está apenas querendo dizer que entra quando quiser. E se leva o controle remoto do portão é apenas para mostrar como é inútil, pois conseguiram entrar sem ele. Ou será que seriam tolos o suficiente para acreditar que o controle remoto continuaria a abrir o portão depois do assalto?

O bloqueio mental se estende a Dilma. Ela despachou o embaixador da Indonésia pela porta lateral, como se fosse o entregador de pizza. O homem estava vestido com roupas típicas de seu país e compareceu na data marcada para apresentar credenciais.

Ninguém do Itamaraty percebeu essa grosseria. Ninguém no Congresso foi à embaixada da Indonésia pedir desculpas. Apagão diplomático. A política foi conduzida, nesse caso, por reflexos de uma dona de casa estressada. E ainda temos um brasileiro no pelotão da morte na Indonésia, compras de avião da Embraer que podem ser suspensas.

O bloqueio maior é na convivência política. A filósofa Marilena Chaui disse uma vez que odiava a classe média. Quaquá vai dar porrada em burgueses. Onde vai encontrá-los? Nos restaurantes de luxo nas ilhas do litoral de Angra? Quem é classe média? Vão atacar as lojas de conveniência nas noites de sábado, as academias de pilates?

Tudo muito confuso. CGU e TCU, provavelmente mais alguma coisa terminada em u, preparam um acordo de leniência. Os empreiteiros pagam multa e voltam a realizar obras públicas.

Enquanto isso, o BNDES estuda um empréstimo de R$ 31 bilhões para as empreiteiras. Com essa grana, pagam a multa e ainda podem mandar um pouco para os partidos do governo. E essa grana vai para os marqueteiros, que inventarão outros heróis do povo brasileiro, corações valentes e outras babaquices eleitorais. É assim que a banda vai tocar? Desta vez não só há um grande volume de informações como também a reação externa.

Leia mais o artigo de Fernando Gabeira

Motivo: Dilma

Uma faixa fixada na avenida Raja Gabaglia, na altura do bairro Estoril, em Belo Horizonte, na semana passada, chamava a atenção. Um comerciante colocou à venda uma loja do bairro Buritis, na mesma área, e afirmou que o “motivo” seria a presidente Dilma Rousseff.
O anúncio oferece o espaço todo em granito, que tem 70 m², vidro blindex, painéis de madeira e duas vagas de garagem, por R$ 550 mil. A ideia do protesto é do empresário Eduardo Moura, de 44 anos, dono de uma imobiliária. “Pela alta dos preços e por tudo que o país está passando, no lugar de colocar 'urgente', preferi colocar que o motivo é a Dilma. Pra mim, ela é a culpada da situação enfrentada pelo Brasil”, disse.

Qualé, Cantalice?

Faltou falar em russo, porque a declaração de Alberto Cantalice, vice-presidente e coordenador das redes sociais do PT, fedeu como coisa velha dos tempos da extinta União Soviética. Seria glorioso, para ele, que estivesse falando para o Pravda (Verdade), jornal oficial do Partido Comunista da URSS até até 1991.

“Existe uma orquestração com viés golpista que parte principalmente dos setores da burguesia e da classe média alta”. Mas em Brazilândia, nos confins paulistanos vive a classe média criada pelo PT, serão eles também burgueses?

Qualé, Cantalice? A burguesia (êta palavra rançosa dos tempos da Guerra Fria) e a classe média alta não podem demonstrar sua insatisfação? Qual a autoridade inconteste de Cantalice para dizer a esses brasileiros que se falarem serão taxados de golpistas?

O empregado do PT, maior agência de empregos do país financiada com dinheiro público, deveria se dignar ao silêncio de sua insignificância. Não é ninguém para criticar os brasileiros que não sejam coniventes com a roubalheira sejam de que classe for. Mesmo que pertençam à burguesia ou classe média, trabalham e pagam impostos, não vivem às custas de partido político, sanguessuga dos cofres públicos ou estatais.

Como demonstrou o ex-presidente da regional fluminense do PT, manifestação só com o devido selo partidário. Caso contrário, é "reação de setores que pretendem um golpe contra a atual gestão". Cantalice, isso não é democracia é autoritarismo tão descarado como a ditadura militar. O exército de hoje, no poder, só mudou a cor da farda.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Governo Dilma se arrisca a acabar mais cedo

newtonsilva
Então fica combinado assim: em outubro último, mês da eleição presidencial em primeiro e segundo turno, havia crise econômica internacional, segundo Dilma Rousseff, mas crise no Brasil nunquinha.

No passado, quando um tsunami econômico varria o mundo, o então presidente Lula dizia que tudo não passava por aqui de uma “marolinha”. Nem “marolinha” havia no país da candidata à reeleição.

Inflação? Esqueça. Estava sob controle. E jamais deixaria de estar. Sem falar em pleno emprego. Lembra como Dilma enchia a boca para falar do paraíso do pleno emprego?

E do Pronatec! O Protanec viera para ficar, prometeu Dilma também de boca cheia. Como ela parecia se orgulhar do Pronatec!

Por falar nele, está suspenso. Trombou com o país da vida real.

E a obra de integração do rio São Francisco, concebida para acabar com a seca que aflige os nordestinos há tantos séculos?

Obra ambiciosa. Gigantesca. A ser entregue no final deste ano.

Pois sim. Está atrasadíssima. Somente em Pernambuco, no final do ano passado, foram demitidas 2.300 pessoas empregadas na obra. Uma tristeza. Outra mentira da propaganda.

Nada como morar no país da propaganda do PT. Na propaganda de qualquer partido.

Nem que a vaca tossisse, Dilma deixaria que mexessem nos direitos dos trabalhadores.

A vaca não tossiu. Não foi necessário. Mexeram nos direitos. Afinal, para manter o poder, Dilma disse que faria o diabo. E fez.

Agora, pede que tenhamos paciência. Porque os problemas são apenas conjunturais. Porque eles passarão em breve, muito em breve. E ao passarem deixarão um legado de soluções perenes.

Minha nossa senhora. É mentira em cima de mentira.

Minha Casa, Minha Vida era um programa estupendo. Complementado pelo programa Minha Casa Melhor, que financiava a compra do que fosse indispensável para se viver feliz dentro de casa.

Minha Casa Melhor foi interrompido. O governo culpa por isso quem se endividou além do que poderia pagar.

O calendário gregoriano não serve para balizar certas coisas. Por exemplo: este século de fato começou com os atentados do 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos. Antes deles nada de relevante aconteceu.

O segundo governo de Dilma deveria acabar no próximo dia 31 de dezembro de 2018. Pois bem: arrisca-se a acabar mais cedo.

Dilma, a incorrigível

Uma abordagem sobre a obstinação errática de Dilma Rousseff.
Ao vencer a eleição de 2014, Dilma Rousseff não percebeu que a “guerra poderia estar ganha, mas que sua paz fora irremediavelmente perdida”. A presidente comprometera-se com um mundo e uma economia que não mais existiam; armara para si uma cilada política: como satisfazer o eleitor a quem prometeu direitos e recursos sem fundos e, ao mesmo tempo, reparar a economia que degringolava, num processo de gastos insustentáveis e escolhas incorretas? O crescimento minguara e os bons ventos que conduziram grande parte dos mandatos de Lula se esgotaram; à Dilma restaria o difícil ajuste e a prova (de arte) do recomeçar.

Além disso, o processo eleitoral fora muito abrasivo, no mais agudo conflito e na mais renhida disputa da jovem e incompleta democracia do país. A eleição não somou, dividiu. Criou desconfianças não apenas no sistema partidário, mas, pior, na própria sociedade. O discurso se radicalizou e a polarização que já era um transtorno para o diálogo se afigurou como irreconciliável. A campanha de Dilma estimulou o “nós contra eles”, o que pode até ser um recurso de disputa, mas requereria saber construir caminhos de volta que a presidente não soube fazer.

O certo é que inúmeras as frentes de conflito brotaram ou se consolidaram naquele processo. Mas, a tensão da disputa e a vitória eleitoral, ao que parece, comprometeram o raciocínio e o diagnóstico da presidente que não admitiu que aquela eleição demarcava também uma derrota política que precisaria ser revertida: a presidente saíra, pessoalmente, alquebrada e o país dividido. Até mesmo com seu padrinho e fiador, Lula, as relações careciam de remendos. Seria hora de reforma, antes de tudo, de mentalidade.

Mas, isto é um prodígio que requer certo dom: juntar os cacos da política; construir uma nova governabilidade, apontar para um novo projeto, reinventar-se não é coisa à toa. Gênios não existem; estadistas são raros; políticos estão escassos. Seriam necessárias incomuns – mas não impossíveis – habilidades de articulação e capacidade de comunicação para explicar e convencer que se tratava de pisar no freio e rearrumar a bagagem para seguir viagem.

Um líder político de verdade sabe que seu caráter é sempre nacional: por isso, reúne, agrupa, concilia, recompõe o todo. E Dilma teve, para isso, várias oportunidades. Mas seus discursos de vitória e de posse – ocasiões clássicas para esse tipo de operação – foram solenemente desperdiçados com generalidades, colocações laterais, provocações e triunfalismo. Em nenhum momento mencionou a oposição como legítima, sequer se dispôs ao tradicional cumprimento do adversário; tudo foi mágoa e irreverência. A presidente faz política com o fígado (e os intestinos).

Em outras ocasiões, não olhou para frente; ocultou-se em sofismas. A propósito de se defender, buscou ferir o antecessor já longínquo, Fernando Henrique Cardoso – desprezando a possibilidade de um dia se ver forçada a procurar FHC. O que, de fato, ganhou com isso? Falou à sua tribo, apenas. E pavimentou caminhos sem volta. Se defender atirando tornou-se uma coisa tão chata e repetitiva quanto ineficaz. Há as tais “elites”, a “oposição”, a “mídia”… Os fantasmas de sempre? Dados de realidade. E daí? Para frente é que se deveria andar.

Mas se esse tratamento fosse exclusivo aos adversários seria apenas a negação da estadista que, de fato, não é; ressaltaria somente a inexistência de visão de longo prazo e um temperamento ressentido. Uma democracia deve estar preparada para, de tempos em tempos, suportar governantes assim. Todavia, esse comportamento se espalhou também para aliados e até inimigos íntimos: o PMDB, independente da má fama e da avaliação negativa que se lhe faça, foi tratado com ojeriza e humilhação. E mesmo Lula sentiu o distanciamento, o pouco-caso, a incapacidade de se fazer ouvir. De fato, como se imaginava, o “Volta Lula” deixou marcas, talvez, irreparáveis.

Dilma demonstra um péssimo defeito: desconhecer a força dos adversários e, ao mesmo tempo, não admitir a própria fraqueza. Fez enfrentamentos, como na Câmara do Deputados, tão desnecessários quanto desastrosos, não sabendo, após, admitir e assimilar derrotas e reconstruir vínculos. Política é também arte de engolir sapos. Ainda hoje, suspeita-se que tenha engolido Joaquim Levy apenas como concessão; não digerindo seu cardápio e não admitindo críticas ao passado. Desse modo, os sapos não descem goela abaixo. Entalam.

De cara pintada a cara de pau

Lindbergh Farias, de codinome Lindinho, quem diria, acaba junto com Fernando Collor de Mello na mesma lista de envolvidos no Petrolão entregue ao STF. O ex-líder dos Caras Pintadas, que ajudaram a derrubar o ex-presidente, passou a conviver com esse e agora estão unidos no assalto à Petrobras.
Mas de cara pintada agora o ex-prefeito de Nova Iguaçu, que desse cargo deixou um corolário de ações judiciais, agora virou cara de pau. Sempre negando qualquer envolvimento no esquemão político, em entrevista no fim de semana, admitiu que foi à Petrobras pedir doação de campanha ao ex-diretor Paulo Roberto Costa, depois de participar de inaugurações da empresa no Rio junto com o presidente Lula.

Ou o rapaz é de uma pureza virginal, ou é pilantragem na veia. Ir ao prédio da empresa, procurar Costa, íntimo da petizada, e pedir indicação de alguém da Andrade Gutierrez, é no mínimo uma confissão. "Você pode até dizer que é impróprio. Só que não é ilegal".

A confissão tem todas as digitais de intenção criminosa. O que parece desconhecer é que doação de campanha, segundo a legislação eleitoral, não é dedutível do Imposto de Renda. Portanto, é um agrado. Também como explicar legalmente que sabia da "boca do caixa" na empresa. E p
or que não bateu logo na Andrade Gutierrez, que poderia dar o dinheiro legalmente? Precisou de intermediação de agente conhecidíssimo de distribuição de propinas e ainda se declara o maior inocente.
"Pedi doação legal e entrei na lista de gente que fez atos bárbaros de corrupção. Isso pode estar destruindo minha carreira política"
Merece o nome na lista pela cretinice da frase. Quando o parafuso aperta e faz doer, os santos logo se mostram cara de bebê chorão.

Noticiário político de hoje é uma agressão a qualquer um

O noticiário político, em todos os seus formatos, é uma agressão ao estômago de qualquer um de nós. Não posso, porém, deixar de dizer algo sobre o ex-presidente Lula. Poderia ter tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente quando o ex-prefeito Pimenta da Veiga (cuja derrota para o governo de Minas foi uma perda para o Estado e para o país), já no segundo turno das eleições de 1990, o recebeu em casa da prefeitura na Pampulha (que não sei se ainda existe). Uma visita cordial, mas que teve significado político. Não foram poucos os tucanos que, com o insucesso de Mário Covas, optaram pelo voto no líder petista.

Não vai aqui, embutido no parêntesis supra, juízo de valor sobre o governador eleito, Fernando Pimentel, também ex-prefeito de Belo Horizonte, a quem desejo sucesso não só no governo, mas, principalmente, e por ser no Estado o seu chefe supremo, na condução em Minas do seu partido, que se distanciou da ética que sempre pregou.

Na época, aquele Lula se preparava para alcançar o maior e mais difícil cargo no país, mas perdeu a Presidência da República para Fernando Collor de Melo – um mal que desabou sobre nós e que tem reflexos até hoje. Voltei à era Collor não para trazê-la de volta, mas para fundamentar o que desejo dizer. Ou seja: Lula era um líder sindical que precisava ser lapidado. Comandava um partido recém-nascido, que teve incrível chance de iniciar um novo rumo para o país. E mais: poderia ter nascido, naquelas eleições, uma aliança entre PSDB e PT, se os seus principais líderes pensassem, juntos, no bem do país.

Nada do que imaginava, porém, aconteceu: primeiro, a vitória do tucano Mário Covas, e, depois, a de Lula, afinal abatido por quem acabou defenestrado da Presidência da República. Lula só foi aceito depois dos dois governos de Fernando Henrique Cardoso: por alguns poderosos porque viam nele “certo glamour”; por outros, como eu, porque viam nele mistério e esperança; pelo povo sofrido porque representava a certeza do resgate de uma dívida social que não foi paga até hoje. No primeiro mandato, no seu início, e antes do mensalão, reacendeu por pouco tempo o sonho de um governo voltado para as classes mais necessitadas. No segundo, já não era o mesmo e, no fim, não soube indicar o sucessor: tirou-o do bolso do colete. Esqueceu-se de que, quando isso ocorre, o candidato é sempre menor do que o bolso…

No início, sem influência de qualquer ideologia, Lula queria, apenas, promover os trabalhadores, mas, depois, o poder lhe subiu à cabeça. Por isso, não soube governar e não soube, repito, indicar o sucessor. Lula poderia ter sido um bem infungível, que não se desgasta com o tempo. Só melhora. Sua trajetória, na vida pública, se deu de modo inverso: em vez de se aprimorar, piorou. Senão, vejamos.

Dentre as inúmeras e toscas intervenções, trago à baila, leitor, somente estas três preciosas pérolas: a primeira quando, em defesa da candidatura de Dilma, afirmou que “eles não sabem do que seríamos capazes de fazer para elegê-la”; a segunda quando foi a Caracas para apoiar a candidatura do ditador Nicolás Maduro à Presidência da Venezuela; a terceira quando, em ato supostamente a favor da Petrobras, ameaçou chamar às ruas o “exército do Stédile”, líder do MST, para enfrentar os inimigos do seu partido e do atual governo.

Lula, possuído pela vertigem do poder, fragiliza ou ameaça agora, leitor, claramente, o que mais desejamos – a democracia.

Até quando?

Acílio Lara Resende 

Olho vivo


Cabe aos tribunais, em vez de se imaginarem acima e além da sujeira, extirpá-la. Para começar, agilizando as investigações e os processos. O Brasil não aguentará mais do que um ano assistindo revelarem-se a conta-gotas suas podridões. Torna-se necessário pular por cima de expedientes e filigranas jurídicos que em vez de aprimorar, só conspurcam a Lei e o Direito. Cultivar o contraditório e a prerrogativa de defesa não impedem a urgência. 
Carlos Chagas

Política desgosta até profissional do ramo

Por um Brasil otimista

“Bad news, good news”. É o que aprendemos na faculdade e na prática jornalística. Papel de jornalista é mesmo apontar o que está errado, criticar e atuar com altivez em defesa do interesse coletivo contra os desmandos do poder. Nestes dias, essa missão se pinta extremamente útil para o nosso país. Útil, mas delicada.

A nobre arte de reportar o desalinho público e amplificá-lo tem que se sobrepor à confortável pantomima de arauto das desgraças, à prática da rapinagem. E não se trata aqui de jornalismo policial. Para o ideal de sociedade e de condução política, cada um tem sua própria régua. O jornalismo reflete isso, por meio das preferências dos veículos, mas, ainda hoje, a forma mais indicada de se fazer política concreta no nosso país é como cidadão ilibado que se filia a um partido e disputa um cargo eletivo nas urnas.

Pois bem, hoje, no jornal, no rádio, na televisão, na internet, é só uma onda maciça de más notícias. Sem razão? Não mesmo. A crise existe e é uma hidra de sete cabeças, cada uma mais hedionda e de uma espécie distinta. Logo, motivos jornalísticos para noticiar a ruindade há de sobra, e ela deve ser noticiada. Entretanto, devemos ter a consciência da nossa responsabilidade na construção daquilo que, nas estranjas, é chamado de “national mood”. No nosso caso presente, “the mood is blue, deep blue”. Cada má notícia de abrangência nacional que pautamos, apuramos, redigimos, editamos e publicamos é um tijolinho a mais nessa muralha de profundo azul melancólico.

O que fazer? Jornalismo não existe para falar de coisa boa. Vá lá, mas precisamos ir além da última página ou da subida da ficha técnica, senão como jornalistas, como cidadãos.

O que constatamos no Brasil hoje é uma espécie de câncer, que, de fato, entristece, dói e traumatiza. Acontece que, diferentemente de qualquer tumor, por mais agressivo que seja, que acometa um ser humano, nosso país sobreviverá à doença: ele é mais antigo, mais forte e maior do que qualquer mal. O Brasil é maior do que a Petrobras, maior do que o Clube das Empreiteiras Unidas (CEU), maior do que o PT, a Dilma ou o Aécio. Todos eles passarão, e o país, passarinho.

Câncer existe mesmo é para purgar a alma dos pecados cometidos. E, se ele é incapaz de matar o paciente, vai fortalecê-lo. Não há razão para não crer que teremos, depois da tempestade, instituições mais sólidas, regras mais transparentes, cidadãos mais bem esclarecidos e, sim, empresários e homens públicos ao menos mais cautelosos.

Daremos um passo à frente no caminho da boa vocação confiada a nossa nação, um passo evolutivo, como deve ser, sem saltos. Saltos revolucionários não existem. Só há golpes, assim como impeachment sem dolo é golpe.

Trabalha e confia, como nos lembra a bandeira capixaba. O melhor virá amanhã? No ano que vem? Na próxima eleição? Quem pode ter certeza do quando? A certeza é que virá, a cada dia, como resultado do nosso trabalho coletivo erigido sobre essa convicção otimista, apesar da corrupção, do “blue mood” e da avalanche de más notícias de hoje.