domingo, 3 de junho de 2018

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Coisa de doido!

Dia desses li que o Brasil importa óleo diesel lá dos EUA. Eis aí uma coisa difícil de entender, dado sermos um dos maiores produtores de petróleo do planeta – algo, aliás, fartamente trombeteado através dos instrumentos de propaganda oficial. Há ainda o etanol, que também importamos daquele país. É complicado compreender como um povo que há poucos anos detinha a liderança absoluta – e pioneira – na produção de álcool combustível tenha chegado a este ponto.

Somos, também, grandes importadores de chocolate da Alemanha. Tenho, igualmente, dificuldades de entender um quadro desses, na medida em que naquele país, até onde sei, não existe uma única plantação de cacau!

Nós importamos, ainda, robustas quantidades de café da Suíça. Uma vez mais, acho complicado entender o que se passa, pois, segundo apurei, eles não tem sequer um cafezal em todo o país.

Descobri, não faz muito tempo, que o Brasil, desde 1996, não produz trilhos de trem – importa-os, por exemplo, da França e da China. Devo ser mesmo uma pessoa de mente muito primária, pois não consigo entender como um país de dimensões continentais praticamente não tem ferrovias, e bem assim por qual motivo um dos maiores produtores de minério de ferro do planeta importa trilhos!

Nosso país tem andado a importar energia elétrica da Argentina e do Uruguai. Pessoa de peco bestunto que sou, ainda não alcancei os motivos que levaram aquele Brasil que criticava Itaipu como “obra faraônica” a este estado de penúria energética.

Tomei conhecimento, há algum tempo, que importamos um terço do pescado que consumimos. Devo ser mesmo uma pessoa de mente muito tosca, pois sequer imagino as razões que levam um país que conta com 8.500 km de litoral, além de ter o maior rio do planeta em volume de água, a importar tanto peixe!

Temos importado, quem diria, o bom e velho feijão! Ouvi falar que ele viria da Argentina, do Paraguai, da Bolívia, e talvez até do México e da China. É algo complexo demais para minha parca inteligência entender por quais razões importamos tanto feijão na terra em que, conforme Pero Vaz de Caminha, “em se plantando tudo dá”.

Eu teria muito mais a escrever, mas vejo-me forçado a encerrar agora este texto. Acabaram de me informar que um rabo está abanando um cachorro ali na rua, e tenho que ir lá ver isso!

No país do provisório

A demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras lança a crise no imponderável. O governo não possui um plano B para a gestão de preços de combustíveis. E os efeitos desse vazio gerencial, em torno da maior estatal do país – com ações nas bolsas internacionais –, não favorece a normalização institucional.

A empresa, que vinha se recuperando, despenca no mercado. E continua refém de pressões políticas de toda ordem. Não agradava à população, por óbvio, a política de reajustes quase diários dos combustíveis, sobretudo levando-se em conta que os salários há muito não têm reajustes. Também não agradava aos políticos.


Os motivos, evidentemente, não são os mesmos. As estatais são defendidas com ardor pelos políticos, sobretudo à esquerda, pelo manejo fisiológico que propiciam. A Petrobrás, que, com as gestões Lula-Dilma, chegara ao limite de sua capacidade de amamentar corruptos, estava num raro momento de gestão técnica. Acabou.

A greve dos caminhoneiros, que dela perderam o controle faz dias, está sob nova administração – política e radical: de um lado a esquerda, que quer melar as eleições por não ter candidato competitivo; de outro, a direita, que quer intervenção militar, por não confiar nas urnas eletrônicas e na Justiça eleitoral.

Ambas querem a cabeça do presidente da República. E talvez a queiram por não possuir uma. A saída do presidente, hipótese que não se descarta (aliás, nada se descarta, neste momento), gera, a quatro meses das eleições, mais males que os que evita.

Entre outros, torna as eleições uma incógnita.

Não por acaso, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado acaba de aprovar projeto que regulamenta a eleição indireta para presidente e vice-presidente da República, em caso de vacância de ambos os cargos nos dois últimos anos do mandato presidencial.

O projeto é do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que o apresentou em 2015, antes do impeachment e já o prevendo. Caiado queria, com a saída de Dilma, a antecipação das eleições de 2018. Talvez, se acolhida, sua proposta tivesse estancado a crise.

Agora, soa extemporânea. Será de valia para crises futuras, que nisso o país não falha. Se não houver recurso para análise em plenário, o projeto segue para a Câmara dos Deputados.

Pelo projeto, na hipótese de vacância, os partidos poderão apresentar candidato, que não precisam ser membros do Parlamento. Por hipótese, se Temer, renunciasse neste fim de semana, seu sucessor indireto governaria por cerca de cinco meses, descontado o período de lançamento da candidatura e do rito eleitoral.

De quebra, interferiria na campanha eleitoral ou mesmo poderia servir de pretexto para questioná-la. Um furdunço.

O Brasil, mais que nunca, confirma sua tradição de país do provisório e da interinidade.

Ruy Fabiano

O Ano da Crisálida

A greve de caminhoneiros autônomos e empresas de transporte muito rapidamente promoveu desabastecimento das metrópoles brasileiras, mas trouxe ao mesmo tempo paisagens raras nas cidades, que só não seriam totalmente belas porque eram criadas por tensões distantes. Inúmeras estradas bloqueadas em territórios semi-rurais ou semiurbanos na vastidão do país repercutiam imediatamente no silêncio das mangueiras de gasolina e nas gôndolas de hortaliças nos supermercados. E rios de asfalto apareceram. Sem embarcações, ou melhor, sem carros, um oceano de asfalto que consome grande parte do espaço livre das cidades brasileiras surgiu plácido, colossal, inerte.

E, de repente, as pessoas estavam andando pela cidade. Picos no transporte público. Bicicletas compartilhadas sendo intensamente utilizadas. Poluição caindo. Cidades lentas.

Se não soubéssemos dos problemas em hospitais, nos bancos de sangue e na interrupção de aulas em escolas, seria um espetáculo poético da abstinência da sociedade brasileira dos combustíveis fósseis.

A última semana foi só mais uma fase do longo Ano da Crisálida, o ano de 2013.


Desde as jornadas de junho de 2013, estamos experimentando a tensão da tentativa da metamorfose da sociedade dentro da imobilidade do casulo rígido, agora enrugado e podre, das formas tradicionais do Estado brasileiro. Naquela ocasião, as mesmas ruas vazias de carros foram ocupadas pela população em gritos ideologicamente esquizofrênicos de anseio por mais eficiência para serviços públicos, mas também por melhores práticas democráticas. Os preceitos de que gestão era escopo da direita e de que participação política era da esquerda se misturaram num amorfismo, cujas palavras de ordem balbuciadas como grunhidos de bebê eram ouvidas por universidades ou empresas pelas frequências sonoras que lhes apeteciam. E a classe politica ensurdeceu.

Veio depois disso: Lava-Jato; acidente ambiental em Mariana; meia tonelada de cocaína num helicóptero; eleições após campanhas milionárias; prefeitos medíocres nas principais capitais; explosão de violência no país inteiro, mesmo após longo período de inclusão social; insolvência dos estados da federação; insurreição parlamentar; impeachment; R$ 51 milhões num apartamento em Salvador; empresários, marqueteiros e tornozeleiras; intervenção federal na segurança no Rio de Janeiro; pico de audiência em sessão coruja na TV do Judiciário; prisão de um ex-presidente da República por corrupção; colapso de prédio ocupado por movimentos de luta por moradia em São Paulo e, finalmente, aparentemente, a greve dos caminhoneiros. E, mais uma vez, esquerda e direita escutam e enxergam o que lhes convêm.

Este ano, que já dura cinco, é a conclusão dolorosa de um modelo insustentável de organização do país dedicado integralmente e fervorosamente a um nacional-desenvolvimentismo alimentado pela dialética da Guerra Fria, assustado à noite por bichos-papões da América imperialista ou da Cuba revolucionária, esperando Dom Sebastião, ou como intelectual liberal ou como líder popular. Todos esses monumentos colapsam agora sobre nossas cabeças.

As eleições de outubro serão a chance de romper o casulo feito de pedaços duros de políticos mortos, que insistem em nos assombrar, mas a verdadeira metamorfose implicará em conseguirmos prestar atenção à falência da industrialização e do consumo de petróleo como desenvolvimento da sociedade brasileira, e situar esse modelo na condição de passado ainda presente, e começar de fato a considerar novos arranjos urbanos, tecnológicos, culturais e sociais, buscando trazer ao presente o que já sabemos que nem é tão futuro assim, como a energia solar e eólica, por exemplo

Uma oportunidade de ampliar conhecimento e contato com esses novos signos será a Velo-City 2018, uma conferência internacional dedicada à mobilidade sustentável e à qualidade de vida nas cidades, que ocorre no Rio a partir do próximo dia 12, no Pier Mauá. Especialistas do mundo inteiro virão à cidade participar deste congresso organizado em temas como “Aprenda a viver”, “Felicidade e Qualidade de Vida”, “Integrar a Vida e o Transporte”, “Economia Viva” e “Acesso à Vida”, como conceitos decisivos para boas sociedades urbanas.

Políticos, empresários, economistas e acadêmicos brasileiros ainda consideram estes temas como frívolos diante de um mundo com tantas injustiças e preferem uma vez mais as armas ideológicas. Contudo, não encontraremos novas respostas fazendo as mesmas perguntas.

A restauração do país passa mais por priorizarmos a sustentabilidade das pequenas decisões e dos pequenos gestos, pela humanidade da gestão e pela eficácia no combate às desigualdades, do que pelos gritos de torcida. Teremos mais chances de sucesso com soluções que caminham e evoluem, como bicicletas e transporte público, e novas tecnologias energéticas, do que com os modos antigos do motor, da gasolina, de pneus, de asfalto e da velocidade. Ruas calmas e serenas são mais próximas de um futuro melhor do que a fúria de um século que já passou e que não consegue mais conter a transformação do Brasil..

sábado, 2 de junho de 2018

Só descobrindo o Brasil outra vez

O general Charles De Gaulle, presidente da França nos anos 60 do século passado, jamais disse uma frase que lhe atribuíram e que ficou famosa: “O Brasil não é um país sério”. Mas se tivesse dito, não estaria de todo errado. Quem sabe não estaria certo?

Combustíveis são commodities. Assim sendo, como outra qualquer outra commodities, seu preço varia de acordo com o mercado internacional. Isso vale, por exemplo, para o aço, o trigo, o ferro e a soja. Por que não valeria para o petróleo?


O governo fraco, de um presidente encurralado por denúncias de corrupção, deu um subsídio de R$ 0,46 no litro do diesel para beneficiar caminhoneiros autônomos. Legal isso! Escondeu, porém, do distinto público que o subsídio beneficiará quem não precisa.

Beneficiará o poderoso e riquíssimo agronegócio que usa diesel nas suas máquinas. Beneficiará as riquíssimas empresas de transporte de cargas. Beneficiará as lucrativas empresas de ônibus que compram o diesel direto das distribuidoras.

(Por sinal, o “rei dos ônibus” do Rio de Janeiro, o empresário Jacob Barata Filho, transborda felicidade. Primeiro porque foi solto três vezes pelo ministro Gilmar Mendes. Segundo pelo subsídio. Terceiro porque o preço da passagem no Rio aumentou ontem.)

O subsídio beneficiará também os ricos e milionários que tem carro importado a diesel. Porque, aos caminhoneiros, não beneficiará, por mais que o governo diga que multará os postos que não reduzam o preço do diesel. Quer um exemplo disso?

Na semana que antecedeu a greve, um amigo meu, no Rio, comprou duas caixas de morangos por R$ 3,99 cada. Na semana passada, a caixa custava R$ 9,99. Ontem, R$ 7,99. E sabe o que é pior? As pessoas acham que tudo voltará à normalidade.

O economista Pedro Parente reconstruiu a Petrobras – ou pelo menos resgatou sua credibilidade e eficiência. E foi por isso que caiu. Sua queda deve-se a acertos, não a erros. O governo arrombou a porta da Petrobras e isso é um péssimo sinal.

A direita brucutu e a esquerda burra se uniram para exigir a cabeça de Parente, e levaram. Continuarão unidas, desta vez exigindo a cabeça de Temer. Foi isso o que ele conseguiu.

A greve dos caminhoneiros como catarse da insatisfação social?

Algo ficou claro depois da greve dos caminhoneiros que colocou o Governo de joelhos e paralisou o país como talvez nunca antes: perderam os que advogavam uma solução militar para a crise política e social do Brasil, já que puderam escutar, pela boca dos mais altos comandantes dos três corpos das Forças Armadas, que eles estão com a Constituição e que só atuarão no marco da democracia.

Os militares nem sequer se sentiram tentados pelo canto de sereia das adulações de uma sociedade que majoritariamente lhes pede que ponham ordem no país, e deixaram claro que os tempos mudaram e que hoje, no Brasil, todos devem ser fiéis à Constituição.


Isso representa um desafio ainda maior, já que os descontentes com o Governo sabem que não podem contar com soluções diferentes das que os próprios militares lhes ofereceram: mudar as coisas nas urnas, com o voto, como em todas as democracias. E o voto está batendo à porta. Se a sociedade acabar escolhendo os que sabidamente traíram a confiança de quem votou neles, insistindo no tosco e perigoso slogan de que “roubam, mas fazem”, terá sido perdida a última possibilidade de regeneração política.

A greve, afinal, revelou que não existem atalhos para a democracia e para o diálogo, e que nenhuma solução autoritária ou violenta tornará mais próspero um país ao qual não faltam recursos materiais nem espirituais para ressurgir das cinzas do seu desalento.

Os caminhoneiros conseguiram o paradoxo de obter o aplauso de 87% dos cidadãos prejudicados pela greve. Como explicar isso? Talvez porque foi mais do que uma greve. Foi uma catarse coletiva, uma válvula de escape para todas as críticas acumuladas pelos cidadãos contra os governantes, contra a corrupção crônica dos políticos, vista como uma peste nacional.

Uma catarse para tentar se livrar, no símbolo do caminhoneiro sacrificado, das insatisfações acumuladas, da agonia cotidiana sofrida com os péssimos serviços públicos, da teimosia do Governo em apertar cada vez mais a carga tributária dos que trabalham, enquanto é incapaz de enfrentar os privilégios dos intocáveis.

Que não se iludam os partidos. Que desistam de capitalizar a greve catalogando-a com velhas etiquetas políticas. Foi só o clamor de uma sociedade que se encontra órfã de líderes confiáveis, após assistir à queda de seus deuses do passado, descobrindo-os nus.

Se alguma conotação política teve esta greve apoiada maciçamente pela sociedade foi a tentação de cair na miragem de que a violência seria capaz de trazer os dias melhores de volta. Daí a atração pelos políticos duros, a paquera com os militares e a simpatia pelos extremistas. O que prevaleceu numa greve de contornos confusos e contraditórios foi o desejo de uma mão de ferro, seja branca, negra ou vermelha, capaz, como dizia um dos manifestantes, “de arrumar este caos de país”.

Que não esqueçam os políticos, às vésperas de eleições que se apresentam a cada dia mais sombrias e incertas. Que não se esqueçam da capacidade de raiva que uma sociedade pode concentrar quando se sente traída. Ainda haverá alguém neste país e neste momento com capacidade de mobilizar o melhor da sua gente, rica em sentimentos e generosidades, mas que exige reconhecimento do seu direito à justa ira social?

Democracia não é só ter eleição a cada quatro anos, democracia é viver sem medo

Velho, muito velho, terno sempre azul e cabeça toda branca, seu Manuel era uma figura querida e conhecida sobretudo em Teresópolis mas também em Petrópolis: revendedor há muitos anos da Loteria Federal. A sorte só chegava a Teresópolis e às vezes a Petrópolis pelas mãos já mirradas do seu Manuel.

Depois que o presidente Geisel deixou o governo, seu Manuel arranjou mais um freguês permanente para seus bilhetes: Geisel. Toda extração, ele levava um bilhete inteiro para o sítio dos Cinamomos, do ex-presidente. Era venda segura e a comissão certa.

De repente, Geisel passou a receber no Rio, toda semana, diretamente da Loteria, cinco bilhetes inteiros. Como essa era a cota mínima de um revendedor, o ex- presidente ganhava o desconto de revendedor e seu Manuel perdia sua comissão. Mas não se queixava:

– Quem pode, pode. E ele tem sorte. Uma vez ganhou.

Um cliente de Petrópolis lhe perguntou:

– Seu Manuel, por que o senhor não se queixa lá na Caixa?

– Porque tenho medo.

– Mas o homem já não é mais presidente.

– Eu sei. Ele saiu do governo, mas meu medo do governo ficou.

Na saudosa e histórica “Adega dos Frades”, um grupo de políticos, jornalistas, empresários, relembrava os tempos de medo da ditadura. Paulo Antonio Carneiro, diretor do “Diário de Petrópolis”, então jovem dirigente do MDB municipal, revendo seus papeis, encontrou umas laudas escritas à mão.

Candidato em 1974 a deputado federal pelo MDB do antigo Estado do Rio, em dobradinha com o vereador Carlos Portella, candidato a estadual, os dois então bem jovens, com menos de 30 anos, Paulo Antonio pediu sugestões para sua primeira aparição no horário do TRE na TV.

O SNI fazia uma pressão brutal, no Tribunal Regional Eleitoral, contra os candidatos do MDB, censurando-lhes os pronunciamentos, sobretudo dos mais jovens e aguerridos. Era preciso ser rápido no gatilho e aproveitar bem aqueles rápidos instantes, com declarações curtas e fortes.

Paulo Antonio foi para a TV com uma pequena lista delas no bolso. Na sua vez de falar, reviu,memorizou e começou exatamente pela primeira:

– “Democracia não é só ter eleição de quatro em quatro anos. Democracia é viver sem medo”.

Na mesma hora, saíram os três do ar: o programa, Paulo Antonio e a frase. Dias depois, também eram vetadas e saíram da lista eleitoral do MDB fluminense as candidaturas dele e de seu fiel companheiro Portella.
Sebastião Nery

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Ragusa (Itália)

Prioridade do Brasil é revogar a 'Lei de Murphy'

O Brasil enfrenta a crise dos ‘Três Ds’. Faltam ao país decência, direção e desenvolvimento. No dia 1º de janeiro de 2019, Michel Temer será apenas matéria-prima para a Polícia Federal. Haverá outro inquilino na Presidência da República. Nem por isso a corrupção desaparecerá, a luz surgirá no fim do túnel e 13 milhões de carteiras de trabalho serão assinadas. O Brasil ainda será um país por fazer.

O derretimento do atual governo tornou a satanização de Temer um passatempo inútil. A essa altura, os presidenciáveis deveriam demonstrar ao eleitorado que são capazes de inaugurar um espetáculo novo. Mas a maioria desperdiça a sua hora oferecendo raiva e indefinições. O vácuo conceitual é tão dramático que um pedaço da sociedade começa a considerar a própria democracia desnecessária. É como se o Brasil estivesse condenado a viver sob o domínio da Lei de Murphy.


Abre parêntese: o capitão Edward Murphy, da Força Aérea dos Estados Unidos, enxergou o DNA da urucubaca ao acompanhar os experimentos de seu chefe, o major John Paul Stapp. Cobaia de testes de resistência a grandes acelerações, Stapp desafiava a velocidade num trenó-foguete. Em 1949, bateu o recorde de aceleração. Mas não conseguiu celebrar o feito. Os acelerômetros do veículo não funcionaram.

Engenheiro, Murphy foi investigar o que havia ocorrido. Descobriu que um técnico ligara os circuitos dos aparelhos ao contrário. E concluiu: ''Se há mais de uma forma de fazer um trabalho e uma dessas formas redundará em desastre, então alguém fará o trabalho desta forma''. Em entrevista, Stapp se referiu à frase como ''Lei de Murphy''. Resumiu-a assim: ''Se alguma coisa pode dar errado, dará''. Fecha parêntese.

Quando FHC passou pelo poder, consolidou o Plano Real, um feito econômico notável. Na política, porém, entregou-se a realpolitik que o tornou aliado do rebotalho parlamentar. O PSDB desfigurou-se. Nunca mais retornou ao Planalto. Quando Lula chegou à Presidência, preservou os pilares da econômica e distribuiu renda. Mas comprou com moeda sonante o apoio da mesma banda arcaica que se aninhara sob FHC. Deu em mensalão e petrolão. A certa altura, a verba da arca eleitoral clandestina se confundia com o dinheiro que bancou os conforto$. Deu em cadeia.

Tomados pelo espírito da Lei de Murphy, tucanos e petistas jamais conseguiram se unir. Preferiram se juntar ao atraso. Deu no que está dando. Ao deixar a Presidência, Lula poderia ter levado seus 83% de popularidade para a câmara de descompressão de São Bernardo. Optou por continuar mandando por meio de Dilma Rousseff. E ainda enfiou Michel Temer na vice. Murphy em dose dupla.

Temer talvez não se reelegesse deputado. Mas foi convertido em presidente pelo destino e pelos traidores do petismo. Poderia ter compreendido seu papel histórico, compondo um ministério de notáveis. Preferiu entregar a maioria das pastas a dois tipos de aliados: os capazes de tudo e os incapazes de todo. Chega ao ocaso do seu mandato cercado de auxiliares fora da lei e com quatro fardos sobre os ombros: duas denúncias e dois inquéritos por corrupção. Murphy elevado à última potência.

A Lava Jato dividiu os políticos em dois grupos: os culpados e os cúmplices. Como não consegue enxergar inocentes, o eleitorado também se dividiu em duas alas: a dos pessimistas e dos desesperados. A primeira banda engrossa o bloco dos sem-candidato; a segunda, em vez de aproveitar os escândalos e a ladroagem para qualificar o próprio voto, sonha em resolver a bagunça com ditadura. É a Lei de Murphy em sua versão ''manu militari''.

O descrédito no sistema político é tão devastador que a liberdade democrática produz a fúria dos imbecis —gente que compreende a democracia como um regime em que o sujeito tem ampla e irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria —como trocar ofensas, defender corruptos e pregar a volta dos militares nas redes sociais. É a tecnologia a serviço do efeito Murphy.

A paralisação dos caminhoneiros, uma espécie de junho de 2013 com boleia, expôs o tamanho da indignação dos brasileiros: 87% dos entrevistados do Datafolha disseram apoiar um movimento que impôs à sociedade o desasbastecimento de combustíveis e mantimentos, que reteve medicamentos e retardou cirurgias, que apavorou pacientes dependentes de hemodiálise. É como se as pessoas quisessem produzir o caos que transformará o Brasil num lugar perfeito para a construção de algo inteiramente novo.

O problema é que a fome do “novo” esbarra numa legislação que privilegia a eleição de um Congresso Nacional velho. Muitos se perguntam quem será o próximo presidente da República. Convém formular uma segunda questão: como será governado o país a partir de 2019? Juntando-se o salvacionismo de certos presidenciáveis com o arcaísmo de sempre, perpetua-se o desastre. Ou o Brasil revoga a Lei de Murphy ou ficará mais próximo da Idade Média do que da Renascença.

Pedro Parente caiu porque tentou fazer o certo na Petrobras

Pedro Parente deixará o cargo da Petrobras pelo mesmo motivo que Maria Silvia Bastos saiu do BNDES. Ambos tentaram implementar uma gestão empresarial sem interferências políticas, em um país acostumado com o jeitinho e os subsídios setoriais não contabilizados no Orçamento.

A resposta do governo Temer à greve dos caminhoneiros deixou Parente em uma posição insustentável. De salvador da empresa, ele passou a ser o culpado pela alta dos combustíveis, e não é da natureza dele ser parte do problema. No auge da crise, ele não sairia, mas depois era previsível que deixasse o governo à vontade.

O especialista em energia Adriano Pires, do CBIE, lembra que o valor de mercado da Petrobras aumentou quatro vezes desde a chegada de Parente. Agora, acha que o futuro da companhia é incerto, porque será escolhido um nome tampão, para conduzir a empresa até dezembro, quando se encerra o governo Temer.

- O que vimos durante esta crise é que controle de preços no Brasil não é coisa do passado. Achávamos que esse tema estivesse superado depois de tudo que aconteceu no governo Dilma e os prejuízos de US$ 40 bilhões à Petrobras com esses subsídios. Pedro Parente salvou a Petrobras de sua maior crise, e agora está acusado de ser o culpado pela alta do diesel. Voltamos ao passado, é um retrocesso enorme - avalia Pires.

Pires considera inviável a proposta feita pelo governo Temer ao setor de diesel, com tabelamento de preços nos postos de gasolina e cálculos feitos pela ANP para definir a indenização à Petrobras. Por isso, avalia que o executivo foi coerente ao pedir para deixar a empresa.

Coração apertado

Aos poucos, a vidinha do País volta ao habitual. Mas o que ficou desses últimos dias, e as consequências que ainda virão, fruto da incapacidade, da fraqueza e da insensatez de quem ocupa os mais altos postos da Nação, essas irromperão no decorrer dos próximos meses, tornando mais difícil ainda esquecer as imagens que vimos na TV.

As que vimos, como aquele caminhoneiro de Betim sendo arrancado da boleia de seu caminhão por um bando de marginais, e as que não vimos, como a pedrada no parabrisa do caminhão de um senhor de 70 anos, José Batistela, que, atingido na cabeça, morreu na hora.

Vimos os pontos de bloqueio ocupados por alucinados com faixas que pediam aquilo que não lhes beneficiaria em nada e que só estavam ali na esperança estúpida de derrubar o governo. São pobres de espírito, isso são. A nossa sorte é que os militares, vacinados por uma triste odisseia que só os enfraqueceu e que nada lhes trouxe de bom, não querem mais saber do Poder, a não ser o conquistado nas urnas. E, pergunto, será que há militares bem preparados dispostos a manejar o leme desta nau à deriva?

A falta de visão vem de longe. Já houve um Brasil em busca de um progresso consistente. Aos 80 anos, posso testemunhar um bocadinho dessa busca. Costumava ir a São Paulo muitas vezes por ano e raramente ia de avião e mais raramente ainda, de carro. Viajávamos mesmo era de trem, uma viagem rápida e muito cômoda.


Tenho amigos que iam e vinham de trem de Porto Alegre ao Rio, ou de Belo Horizonte ao Rio. Em muitas cidades por esse Brasil a fora o trem era a melhor solução para viagens interestaduais. Cadê os trens?

O Brasil é um país extremamente favorecido para a navegação de cabotagem por suas condições naturais e distribuição demográfica. Trata-se de um país com uma costa navegável de 7.500 km de extensão, com mais de 30 portos organizados e inúmeros terminais de uso privativo. Além disso, o país possui uma forte concentração costeira dos setores produtivos e consumidor, com 80% da população vivendo entre as regiões litorâneas e a até 200 km da costa. (Link)

Mas somos modernos, não é mesmo? E temos pressa. Para chegar aonde? Onde estamos? Neste deserto de ideias? Não podemos nos espelhar na Europa, o continente que se pode cruzar de trem, de automóvel, de aviões, de barcos que navegam por seus rios? Na China, aquele gigante, as ferrovias e as hidrovias são muito utilizadas, com carga e passageiros. Na Índia, o trem é o meio de transporte mais usado pela população. No Canadá, na Austrália, nos Estados Unidos, o avião não chegou para matar os outros meios de transporte, como aqui, lá ele chegou para enriquecer o País.

Mas, aqui, no meio do caminho estava a frase terrível, à qual devemos muitos de nossos problemas: Governar é abrir estradas…

Pois é. Abriu estradas e construiu aeroportos e abandonou os trilhos, os rios, o mar e, com isso, travou o progresso.

Maria Helena RR de Sousa

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Os caminhoneiros e a dependência em rede

Para quem lê este país pela imprensa e pela televisão – e é assim, ainda, que todo país vê sua “persona” institucional porque não ha outra maneira de fazê-lo – nada parece fazer sentido. Essa perplexidade é que explica a balbúrdia das redes. Mas quando se põe o pano de fundo real em tela tudo se torna crua e perfeitamente lógico.

Há um pacto de silêncio em torno da reforma de emergência que se faz necessária no Brasil que atravessa os dois polos ideológicos e “irmana” todos os partidos. E a imprensa tem feito menos do que deveria para expô-lo. Faz todo sentido essa barreira de silêncio porque, situação ou oposição de turno, as chamadas “fontes” do debate nacional são os poderes estabelecidos e essa reforma, uma vez posta para andar, ou vai à questão de fato e muda definitivamente o poder de dono no Brasil, ou continua dando um passo para a frente e dois para trás como vem acontecendo desde o minuto seguinte à proclamação da república que nós nunca instituímos de fato.

Continuamos feudais. Um único grupo, graças “a el rei”, abocanha ano após ano, faça chuva ou faça sol, uma fatia maior de um PIB minguante. O resto é ladeira abaixo e em velocidade dobrada porque cada degrau que o PIB desce, a casta privilegiada precisa galgar um para voltar para onde estava e mais um para se colocar acima do ponto alcançado no ano anterior como manda a lei que ela mesmo escreveu para si.

Essa excepcionalidade ulula.


Partindo de um patamar de desigualdade já muito alto, o PT passou três mandatos inchando e mandando inchar morbidamente as folhas de pagamento do estado. E isso gerou a onda multiplicada que vem desaguando, com os salários inflados ao pico máximo, na conta das aposentadorias públicas. A necessidade de funcionários ativos – médicos, professores e principalmente policiais – redobra exponencialmente, porém, à medida que a miséria resultante do avanço da “privilegiatura” sobre a riqueza nacional minguante esgota a economia privada e aumenta as carências do povo.

Qualquer raciocínio sobre os movimentos no tabuleiro do Brasil que não considere esse dado no ponto de partida e no ponto de chegada aprofunda a confusão reinante. Só a visão do contexto pode dar um foco ao debate nacional e um horizonte de chegada para balizar tanto a ação dos governos quanto as escolhas dos eleitores. Os relatos do dia, no entanto, são invariavelmente feitos sem considerá-lo. Ha quem chegue a esvoaçar por cima da verdade mas ninguém pousa decididamente nela.

Com o país no limite, a mentira é o ultimo ponto de contato da “privilegiatura” com terra firme. O ultimo obstáculo periclitante que separa o Brasil de uma nova era. Mas sem esse horizonte bem definido, saltamos de casuísmo em casuísmo o que, em vez de unir, desalinha o país. Tira-lhe o foco. Apela ao pior lado do bicho homem que é o do salve-se-quem-puder.

Foi o que aconteceu com a greve dos caminhoneiros. Ela começou como um sucesso de público em função da exasperação geral com a velocidade com que dobrou a conta da “tanqueada” de todos nós. Mas sem um horizonte para nortear, fosse a reivindicação, fosse a satisfação oferecida, esta pôde, mais uma vez, excluir o Brasil … com a anuência do Brasil, este estranho país da “dependência em rede” onde tão poucas bocas abocanham o privilégio mas tantos rabos/cúmplices mantêm-se indiretamente presos por ele num silêncio cúmplice.

Vence quem grita mais alto? Desde sempre. Só que desta vez quem gritou mais alto não foi o gritão de sempre que, no entanto, é cínico o bastante para tomar carona no grito de quem quer que seja desde que contribua para empurrar o país para o desastre desejado. Mas aquela esquerda dos nossos Maradonas sem cocaína, que afirma que o problema da Venezuela é “haver uma oposição a Nicolas Maduro reacionária e vendida aos Estados Unidos” que, portanto, merece os tiros que leva, não é mais o problema. O país já lhe deu o que merece. Não nos salvará, tampouco, a mera ação policial contra a corrupção. Ela contribui para um futuro menos exposto mas só pesará decididamente a nosso favor se e quando o resto do que precisa acontecer acontecer. Quem quiser que se iluda com a “sede de justiça” dos que vazam para a imprensa os dossiês de financiamento de campanha de todo brasileiro eleito pela lei que elegeu todo brasileiro eleito, se ele não fechar posição a favor dos privilégios da “privilegiatura”. Quem quiser que compre as lágrimas de crocodilo dos que barraram todas as reformas que respeitam a aritimética e agora “denunciam” os aumentos de preços e impostos que isso necessariamente implica. Não podem durar mais que as marés de alta os monopólios estatais “regidos por regras de mercado” num país onde quem embarca uma vez no estado embarca para todo o sempre e a coluna de “custos” está constitucionalmente petrificada para cima, restando para os “ajustes” apenas e tão somente a que leva diretamente ao lombo dos miseráveis “acionistas involuntários” das “brases”. Não existe essa pretendida meia virgindade. Ou o estado é polícia só ou, mais cedo ou mais tarde, cai no crime.

O tratamento de choque na esbórnia das aposentadorias públicas onde o privilégio é lei e o abuso do privilégio é a regra não é mais uma questão de escolha, é um imperativo de sobrevivência. O requisito obrigatório de qualquer eleitor consciente deve ser, portanto, antes de mais nada, exigir do seu candidato uma tomada de posição formal em relação a ela. E todos entre esses que já foram traídos por seus representantes um dia, deveriam fazer mais que isso. Democracia é uma hierarquia na qual o povo manda e os governantes obedecem. E para que isso aconteça é preciso adotar um sistema que permita saber quem de fato, é o representante de quem em cada instância de governo, o que só o voto distrital puro pode proporcionar e, em seguida, armar a mão dos eleitores do poder efetivo de demitir seu representante sempre que se achar mal representado (recall) e desafiar suas leis se vierem enviesadas (referendo).

Todo o resto é isca pra pegar trouxa.

Fernão Lara Mesquita

Imagem do Dia


O bloqueio das ideias

Aos poucos volta a gasolina aos postos e os alimentos às prateleiras. É tempo também de reorganizar a cabeça, depois desse movimento dos caminhoneiros que parou o País.

Sim, é preciso reorganizar a cabeça. Não vai nisso nenhuma subestimação da inteligência. É que os fatos nos obrigam a uma constante revisão.

Esta semana, por exemplo, lembrei-me duma viagem a Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Isso foi na década dos 90. Rodávamos por estradas precárias e perguntei por que não as reparavam. Alguém me disse que as estradas ali estavam perto da fronteira com a Argentina. Eram tão ruins que desestimulavam uma invasão militar.


Achei bizarro. Afinal, estamos de bem com a Argentina, já havíamos resolvido a questão nuclear fraternalmente. Aquilo era uma desculpa esfarrapada.

Voltando atrás no tempo, sigo pensando que as estradas devem ser as melhores possíveis. Mas percebo, com a paralisação da semana, que num país como o nosso deveriam ser um tema dominante na defesa nacional.

Um país não pode ser tão vulnerável. As notícias de perdas se sucedem: portos, agricultura, comércio, indústria, quase todos os setores da economia nacional foram atingidos.

Isso não quer dizer que nunca mais haverá greve de caminhoneiros. Simplesmente não podem ser devastadoras como esta.

A segunda ideia: como as coisas acontecem sem que sejam detectadas no País. As manifestações de 2013 começaram por causa dos 20 centavos a mais no preços das passagens. E surpreendentemente evoluíram para um protesto geral.

Onde estávamos todos? Talvez mais concentrados no jogo político de Brasília do que propriamente nas tensões sociais. Onde estava o governo, que recebeu uma indicação clara da greve e a subestimou?

Se fosse um pouco mais franco e transparente, pelo menos avisaria à sociedade que algo de muito grave estava para acontecer. Se não quisesse nos defender, ao menos acionaria nossos instintos de autodefesa. Não são necessariamente negativos como uma corrida aos supermercados. Havia muito o que fazer para salvar vidas, garantindo oxigênio, material de hemodiálise, enfim, artigos decisivos para a saúde pública.

As refinarias foram bloqueadas. Como, assim, as refinarias podem ser bloqueadas simultaneamente? Os grevistas chegaram primeiro, embora tenham avisado que iriam desfechar o movimento.

Compreendo a revolta difusa contra políticos que vivem no mundo da lua. Creio que ela é inevitável no Brasil de hoje, em que a sociedade já esgotou sua cota de tolerância.

O governo Temer está preocupado em fugir da polícia e influenciar as eleições. Ele merece uma dose de caos para cair na real. Mas a sociedade, não. Ele já vem sofrendo ao longo desses anos de crise, corrupção, assalto às empresas públicas, como a Petrobrás.

Existe alguma fórmula para evitar que um governo fraco fique de joelhos sem que para isso o próprio País também tenha de se ajoelhar?

O que me ocorre, as ideias ainda não voltaram todas às prateleiras: é um instrumento de Estado, uma lei talvez, que defina que o País não pode parar, independentemente das hesitações do governo.

Ao governo caberia negociar, mas dentro de um quadro em que estradas e refinarias não poderiam ser bloqueadas. Isso subordinaria as próprias negociações.

Por mais rastejante que fosse o governo, por mais concessões que estivesse pronto a oferecer, não estaria ao seu alcance permitir que o País parasse.

Finalmente, uma ideia que me faz lembrar 2013: uma revolta política despojada de uma visão real do que fazer, para onde ir.

Não se deve ignorar a presença no movimento de grupos que defendem a intervenção militar. Mesmo ignorados, estão crescendo. É preciso encará-los. Eles estão vendo a mesma decadência política que nós. Só que propõem uma saída absurda, não só pelas condições internas, mas também pelo isolamento internacional que isso representaria para o Brasil.

Foi num precário processo democrático que chegamos até aqui. E por meio dele vamos encontrar uma saída.

Já vi caminhoneiros precipitarem a queda do governo de Salvador Allende, no Chile. Estava defronte ao Palácio de La Moneda quando os aviões o sobrevoavam, anunciando o golpe. Augusto Pinochet acabou como alguns políticos brasileiros, alquebrado, de bengala, sempre nos colocando o dilema: cadeia ou prisão domiciliar para morrer em casa?

Voltar ao passado não é uma solução. É uma espécie de morte viver a História como uma repetição mecânica.

Não deixa de ser estranho ver tanta gente usando a rede social, que ampliou o potencial humano de livre expressão, pedindo uma ditadura militar. É como usar uma boia para se afogar com ela. Já não é apenas viver a História como morte, mas como suicídio.

Estamos num ano eleitoral. O País em frangalhos, uma esfera política desmoralizada, é nessa aridez que teremos de plantar a flor da mudança.

Um poeta consegue plantá-la no asfalto. Nossa tarefa não é tão difícil: derrubar pelo voto a maioria dos picaretas, eleger gente nova e empurrá-la para uma aliança com alguns sobreviventes, para que a inexperiência não venha a pesar tanto nas suas decisões.

Conviver com este governo e com todo o universo político é bastante doloroso. Mas não há alternativa. Em outubro já haverá um novo presidente, um novo Parlamento. Podem não ser ideais. Mas a lição destes anos é de que as más escolhas podem levar o País à desintegração.

Os adeptos do voto nulo deveriam parar um minuto e refletir sobre isso. Não existe outro mundo. Você pode deixar os políticos de lado, mas eles têm o poder de arrasar seu cotidiano.

Por favor, nada de suicídios, como a intervenção, nem masoquismo, como o voto nulo. Pelo menos, vamos tentar sair dessa maré.

Sob Temer, até a sensibilidade humana vira pó

O governo incluiu projetos sociais nos cortes de despesas que teve de fazer para garantir o diesel mais barato a caminhoneiros e a empresas transportadoras. Pense só nisso por um instante. Esqueça todo o resto. Programas sociais com orçamentos ridículos vão virando um escárnio.

Foram passados na lâmina, por exemplo: R$ 4,1 milhões de prevenção contra drogas, R$ 55,1 milhões de universidades, R$ 135 milhões do SUS. Até o saneamento básico e a moradia popular perderam verba.

Experimente colocar os cortes sociais nas suas circunstâncias. Pense na reunião em que os técnicos discutiram as formas de garantir o desconto no diesel. Não ocorreu a ninguém dizer ‘quem sabe na educação e na saúde a gente não mexe!’. Nenhuma voz se levantou para ponderar: ‘gente, cortar no saneamento pode pegar mal.” Alga-se que os cortes foram pequenos. Mas o pouco de quase nada é sempre muito.

O mais trágico não é nem a crueldade. A tragédia está na percepção de que, sob Temer, até a sensibilidade humana vira poeira. Deus, como se sabe, está em toda parte, mas não dá expediente em tempo integral.

O Tesouro somos nós

A Petrobras perdeu mais de uma centena de bilhões de reais em valor de mercado ao não negociar o preço do óleo diesel, ignorando inúmeros sinais de estresse financeiro de um dos seus melhores clientes, os caminhoneiros, responsáveis por 70% do consumo. Afinal, que importância têm os clientes se a empresa estava agindo de modo eficiente, exatamente como manda o mercado, protegendo os interesses de seus acionistas? Os mesmos que agora micam com a desvalorização espetacular de suas ações.

O principal acionista da Petrobras, o que mais perdeu dinheiro com a eficiente gestão na empresa, atende pelo nome de Brasil. Fomos nós, leitor, eu e você, que ficamos com o mico. Sairá de nossa poupança mais da metade deste rombo bilionário. Mas isso não incomoda todo mundo. Muita gente que entende de economia e mercado aplaude a Petrobras e diz que ela apenas cumpriu sua obrigação. Aumentar os combustíveis 229 vezes em dois anos foi razoável, dizem os especialistas.

É verdade que a gestão da empresa foi boa, que a tirou do buraco gigante aberto pela administração anterior. Difícil é explicar como a colocou de volta lá. Como a Petrobras não viu o colapso que se avizinhava? Não foi por falta de sinais. O colunista José Casado mostrou na sua coluna de terça passada que oito avisos foram dados por caminhoneiros e transportadoras ao governo desde outubro de 2014. Só não viu quem não quis. E a Petrobras, que é governo, ficou cega e surda diante da agonia de seus clientes.

Qualquer outra empresa negociaria o quanto fosse necessário para evitar perda desse tamanho. Os especialistas dizem que a Petrobras não percebera que a coisa ficaria tão feia. Pode ser, apesar dos avisos repetidos de que a situação era de desespero do outro lado do balcão, pode ser. Mas, mesmo não enxergando muito longe, era claro que acordos prévios evitariam que a situação de penúria dos clientes chegasse ao ponto de ebulição. Um acerto de preços era recomendável até mesmo como forma de manter os clientes vivos, e consumindo.

As perdas geradas pela imprevidência da Petrobras ainda estão sendo contabilizadas pelos demais setores da economia atingidos com a paralisação do país. Passa dos R$ 32 bilhões o volume de recursos que deixaram de circular nesses últimos dez dias. A arrecadação de impostos caiu R$ 5 bi no período. As atividades industriais foram reduzidas gradativamente e chegaram a 60% da sua capacidade. Embora o setor não tenha a soma feita, o prejuízo deve estar na casa da dezena de bilhões. A agricultura perdeu R$ 6,6 bilhões; o comércio, em cinco estados apenas, perdeu R$ 3,1 bi; o setor de serviços ainda apresentará a sua conta. O Brasil parou, e o prejuízo é astronômico.

E vem mais por aí. Como a Petrobras não negociou, não foi soltando a pressão da panela aos poucos; afinal, a empresa estava fazendo apenas o que manda o mercado, a explosão ocorreu, e o socorro agora vem na forma de subsídios. Os caminhoneiros ganharam tudo o que pediram, de uma vez só. A pergunta é quem arcará com o custo de mais de R$ 13 bilhões? Ora, a conta sairá do Tesouro Nacional, explicou o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. E o que é o Tesouro, caro leitor? O Tesouro somos nós.

Foi Margaret Thatcher quem disse que não existe essa coisa chamada dinheiro público, o que existe é dinheiro arrecadado do bolso dos contribuintes. O Estado não tem nenhuma fonte de dinheiro, a não ser a dos cidadãos. O dinheiro que paga as contas do governo não é do Tesouro, é seu e é meu. Ele apenas é guardado pelo Tesouro para, teoricamente, ser aplicado na melhoria das condições de vida de todos os contribuintes. O dinheiro dos caminhoneiros sairá do Tesouro, nosso bolso, e será depois recomposto por mais impostos, nosso bolso de novo.

O governo, por sua vez, também esperou a explosão para agir. E pagou mais caro na redução de imposto sobre o diesel, na flexibilização do pedágio e com a criação de uma política de preços mínimos para fretes. Acuado, também não soube aplicar o rigor da lei e usar da força quando era flagrante a sua necessidade, como no momento em que a greve foi tomada por “infiltrados”. O ano está perdido, sucumbiu pela eficiente incompetência do governo federal e seu braço petrolífero. Os números do PIB do segundo semestre mostrarão o tamanho do buraco. Mas, tudo bem, temos o Tesouro para pagar a conta.

Ascânio Seleme

Brasil de hoje


A grande lição de maio de 1968

O mês de maio de 1968 continua presente na Europa. Escrevo de Berlim, na Alemanha, onde participo dos debates do Lateinamerika Forum em torno dos 50 anos do movimento que mudou a visão de mundo, ou que alertou para a grande mudança comportamental do século 20, que se estende até hoje.

Na época dividida por um muro em duas cidades – a “comunista” e a “capitalista” –, Berlim (junto com Paris) simbolizou o protesto que engendrou os sonhos dos jovens, meio século atrás. O lado oriental gritava por liberdade. O lado ocidental, por solidariedade.

Em 1968, os alemães já tinham superado os crimes do nazismo e o horror da 2.ª Guerra, mas (com a nação dividida) não se conheciam entre si. Protestavam de forma igual por reivindicações diferentes. Até a repressão era distinta. Ostensiva e dura na oriental República Democrática Alemã (cuja democracia se resumia à denominação), era menos visível e mais sofisticada na ocidental República Federal Alemã. Os porretes das duas polícias, porém, doíam igual...


As duas Alemanhas se reunificaram em 1990, após a “queda do Muro de Berlim” em 1989, buscando liberdade e democracia sem repudiar ou negar o genuinamente alemão, como o raciocínio e a disciplina. Próximo à avenida Karl Marx, o imenso monumento a Marx e Engels está a poucos metros da majestosa beleza da Dom Kirsche, a catedral luterana. Semidestruída na guerra, a reconstrução da igreja começou em pleno governo comunista, adepto do ateísmo. Os vestígios do “Muro” já não são uma ferida. Transformaram-se em curiosidade turística da guerra fria.

A cidade arrasada em 1945, logo reconstruída, hoje é uma só, mas as diferenças persistem. No lado oriental, os edifícios (ministérios, museus e igrejas, casas e apartamentos) foram reconstruídos seguindo as plantas originais, e a arquitetura alemã do tempo dos reis da Prússia ressurge modernizada, transplantada para o presente.

No lado ocidental, modernos prédios de vidros e luzes, compõem uma cidade que se exibia como transparente para – na transparência da democracia – se mostrar superior à outra metade. O exemplo é a a cúpula do Parlamento (projetada por um inglês), da qual se descortina a cidade inteira.

O lado ocidental resume a beleza noturna de Berlim. Cinemas, cafés e restaurantes iluminados, como na Postdamer Platz, núcleo da cidade fascinante dos anos 1920, que rivalizava com Paris. Foi “terra de ninguém” nos anos do muro e, agora, revive até no esquisito prédio da Filarmônica, com acústica perfeita.

O lado oriental resume a beleza diurna de Berlim. O fantástico Pergamon Museum e os demais ao seu redor trazem ao presente as civilizações da Babilônia, Grécia ou Roma, ou até o homem pré-histórico. Na Alexander Platz, a imensa torre de TV da antiga parte oriental ainda hoje é a mais alta construção da Europa. A soma faz de Berlim a capital cultural da Europa.

As avenidas e ruas (com poucos carros e muitas bicicletas) têm mão dupla. Dobra-se à esquerda ou à direita em ordem, sem congestionamentos nem buzinas. Os ônibus e trens do metrô (ou os modernos bondes do lado oriental) passam de 5 em 5 minutos. E para entrar ninguém se empurra. Cheia de jardins e parques, cuida-se de tudo em Berlim. Das árvores, da fuligem, da navegação no Rio Spree. Não há a ânsia brasileira por alimentos industrializados, com cor e sabor artificiais.

Por isso, já ao chegar percebi que minha vivência de cidadão brasileiro nada tinha a ensinar aos alemães, e que só podia aprender com eles.

No Brasil, somos uma sociedade em desconstrução, como se estivéssemos em busca de nossas ruínas. A corrupção dominante entre nós – dos grandes aos pequenos corruptos do cotidiano – é impensável para os alemães. As bicicletas são guardadas nas calçadas, às centenas. Os roubos são raríssimos. Os escândalos no setor público são apenas exceções confirmando o adágio de que “não há regra sem exceção”.

A capacidade de reconstruir a partir do zero, ou do quase nada, é o grande exemplo que brota da Berlim arrasada ao final da 2.ª Guerra. No Brasil, arrasou-se o comportamento dos governantes e seus sócios do setor privado e a reconstrução não será material, mas ética e comportamental. Mas também a Alemanha se reconstruiu moralmente e sepultou o velho fanatismo nazista do culto ao ditador supremo, o Führer.

Hitler via Berlim como “a capital ariana de mil anos”, mas, hoje, tudo recorda o horror do nazismo. Nas ruas, alemães negros, ou muçulmanas de véu, mostram um país multirracial. O passado é guia para não repetir o horror do preconceito. O imponente Portão de Brandenburgo (marca da Prússia Imperial) hoje leva ao Memorial do Holocausto, um labirinto de tumbas transformadas em arte que mostra o mais trágico crime do século 20. No bucólico bairro de Treptow, o cemitério-memorial dos 20 mil soldados soviéticos mortos na batalha da cidade, é um monumento à vida e à paz, não à guerra ou à morte.

Antes ainda da “queda do Muro”, o então presidente da Alemanha Ocidental, Richard Von Weizsäcker (filho da velha nobreza), cunhou uma frase fundamental: “Em maio de 1945 não fomos derrotados, mas libertados”.

A crise mundial e os desafios dos últimos anos, porém, desgastaram os dois grandes partidos que desde o pós-guerra se revezam no poder (conservadores e socialistas) e rebrota uma direita neonazista prometendo o paraíso como “alternativa” à democracia. E o pior de tudo (como adverte uma peça teatral que faz furor na cidade), um neonazismo financiado com os milhões do fundo partidário, dinheiro do povo.

Também nisso temos de aprender com o alerta dos alemães, de olho em nossos neonazistas nas eleições de 2018.

Parente perigoso

Todas as vezes que ouvir falar em “recurso estratégico”, ponha a mão no bolso e segure a carteira: alguém, com certeza, está querendo roubar você. Pode ser gente do governo — tanto faz que seja da situação ou da oposição. Podem ser sindicatos e CUTs. Podem ser, certamente, empreiteiros de obras públicas loucos para construir refinarias, “complexos industriais” e “plantas” disto ou daquilo. Podem ser todos os economistas do “campo progressista”, sem exceção. Podem ser intelectuais, professores de universidade, artistas de novela. Existe à vista alguma coisa que possa ter um valor qualquer? Então, dizem todos os nomeados acima, é “estratégico”. Se é estratégico ninguém pode mexer: a coisa tem de ser “do Estado”, ou do governo. Como tanto o “Estado” quanto o “governo” são uma ideia e não um ser humano, a exemplo do ex-presidente Lula, isso quer dizer, obrigatoriamente, que gente de muita carne e muito osso vai mandar nela. Também obrigatoriamente, essa gente vai criar empresas imensas para cuidar da riqueza da “população”, lotar cada uma delas com funcionários amigos e roubar o pobre do “recurso estratégico” até não sobrar um único osso.


A esquerda nacional, historicamente, é a mãe desnaturada dos gêmeos “bem estratégico” e “empresa estatal”, mas os beneficiários materiais de sua doutrina não são apenas os esquerdistas. Como acontece com tanta frequência na aplicação das ideias “progressistas”, entra na festa todo o tipo de safado que a elite brasileira tem a oferecer — com o tempo, na verdade, vai se descobrindo que é justamente esse bonde do capitalismo terceiro-mundista, tão selvagem quanto a selva no inferno de Dante, quem mais ganha dinheiro com a história de que “o Brasil tem de defender as suas riquezas da cobiça internacional” etc, etc,. Vale qualquer coisa, aí. Está na cara que temos de estatizar tudo o que passar pela frente, do trióxido de molibdênio à cachaça 51, pregam os arquiduques do “Brasil forte” — assim fica tudo só para nós. Simples demais? Pode ser simples, mas não é demais: é apenas a verdade estabelecida pela observação dos fatos, diante da roubalheira que chegou ao ponto de fissão nuclear a partir dos governos Lula-Dilma e que tanta gente está hoje desesperada para colocar de novo em operação.

Em nenhum espaço da vida brasileira a ação dos saqueadores se mostra tão desesperada quanto no petróleo e na Petrobras. Trata-se, possivelmente, da área em que o brasileiro é roubado há mais tempo — espantosamente, desde 1953. Depois da implosão do PT, a Petrobras tem passado com excelentes resultados por um processo de reconstrução. O governo Michel Temer desistiu de encher a empresa de políticos-bandidos, o que deixa absolutamente transtornados os presidentes do Senado, da Câmara e as gangues do Congresso, e permitiu que um executivo de talento, Pedro Parente, tocasse a máquina como ela deve ser tocada. Deu certo. Parente salvou a estatal da falência e criou ali uma cultura de competência, responsabilidade e resultados. É claro que os políticos, de Lula ao extremo anti-Lula, querem matar esse Parente.

O pano de fundo da greve dos caminhoneiros, que tanto barulho levantou, é a guerra entre a liberdade econômica e as forças que querem continuar controlando o petróleo e os combustíveis no Brasil. Na superfície é uma disputa por preços, eliminação de impostos dementes e questões financeiras imediatas — por sinal esses caminhoneiros, onde Lula e a esquerda são detestados, mostraram uma capacidade de juntar gente e mostrar força infinitamente maiores que a “mobilização social” em favor do “Lula Livre”. (A multidão que iria cercar a prisão “até Lula ser solto” nunca passou de 500 pessoas, e hoje está reduzida a nada. Virou uma palhaçada de artistas que agora usam Lula para promover seus shows.) Para além da greve, porém, está a discussão verdadeira: o fim da Petrobras e similares, o estabelecimento da livre concorrência e a construção de um Brasil com chances de progredir.

Do esgoto ao livro

Em setembro do ano passado, o Governo do Rio de Janeiro lançou um edital para pregão eletrônico através do qual contrataria uma “empresa especializada na prestação de serviços de apoio técnico-administrativo para atender as necessidades da Rede de Bibliotecas Parque”.

O resultado desse certame foi publicado no Diário Oficial do Estado do último dia 18. Por R$ 4,2 milhões, a empresa escolhida (e homologada) foi Liderança Limpeza e Conservação Ltda, empresa com sede em São José, no interior catarinense inscrita sob o CNPJ 00.482.840/0001-38. O curioso é que, como se vê no Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral desse CNPJ (na imagem abaixo), a empresa é especializada, dentre outras coisas, em “criação de animais de estimação”, “atividades relacionadas a esgoto”, “coleta de resíduos não-perigosos”, "comércio varejista de bebidas" etc... Mas, segundo consta no edital a empresa vai ser responsável pela contratação de 64 profissionais, entre eles bibliotecários, mediadores sociais e coordenador do Educativo, Programação e Conteúdo.

O período de vigência do contrato é de 12 meses e está embarcado nele as atividades das bibliotecas-parque Estadual, de Manguinhos e da Rocinha.

Especialistas ouvidos pelo PublishNews avaliaram a medida equivocada não só pela falta de especialização por parte da empresa, mas também pelo número de funcionários insuficiente. Quando operava a pleno vapor, a Biblioteca Parque Estadual sozinha mobilizava um contingente de 110 funcionários.

A rede de Bibliotecas Parque do Rio é composta por três unidades: a da Rocinha, a de Manguinhos e a Estadual, as duas últimas fechadas.. A Biblioteca Parque Estadual, localizada no centro da capital fluminense, está fechada desde dezembro de 2016. Com a realização lá do LER – Salão Carioca do Livro, renovou-se a esperança de reabertura da casa. Na cerimônia, o secretário Leandro Sampaio, da Cultura, chegou a dar uma data de reabertura da biblioteca: 28 de maio, ontem. De acordo com o site da própria secretaria, o equipamento encontra-se ainda temporariamente fechado, conforme imagem abaixo. Na mesma ocasião, o responsável pela pasta disse que para funcionar, o espaço seria preenchido com funcionários da própria secretaria.

Para conseguir reabrir a biblioteca da Avenida Presidente Vargas, o governo fluminense vem negociando com o Centro de Memória da Eletricidade no Brasil um acordo que poderá resultar na cessão do prédio ocupado pela biblioteca à entidade cultural mantida por empresas do setor elétrico. Em janeiro passado foi assinado um protocolo de intenções neste sentido, mas diferentemente do que o PublishNews publicou originalmente, os termos dessa cessão e suas contrapartidas ainda não foram estabelecidos, segundo informou à redação a assessoria de imprensa do Centro de Memória da Eletricidade.

Leonardo Neto