domingo, 23 de agosto de 2015
O governo Dilma e a síndrome de Estocolmo
Há alguns meses, uma dupla de vagabundos me encostou uma pistola na barriga e exigiu a chave do carro. Ainda sob o impacto do acontecido, fomos, minha mulher e eu, à delegacia mais próxima relatar a ocorrência. Era o que se impunha fazer naquele momento e esperávamos, ademais, que a notificação urgente possibilitasse - quem sabe? - recuperar o que nos haviam roubado. Mas isso não aconteceu.
Estou convicto de que tivemos um comportamento normal. É o que se faz em tais circunstâncias. Reage-se indo à polícia. Espera-se que os criminosos sejam apanhados. Exige-se que as quadrilhas sejam trancafiadas.
Diante do que acabo de descrever, impõem-se inquietante questão: por que, diabos, quando na condição de cidadãos que veem o país ir à gaita, tantos se recusam a admitir que estão sendo roubados? Por que, após serem ludibriados com mentiras, muitos se mantêm defendendo os mentirosos? Que síndrome de Estocolmo (1) social e economicamente sinistra é essa que ainda sai às ruas, assina colunas de jornais, esgrima comentários no rádio e na tevê e se entrincheira nas redes sociais para defender o governo? Agem como vítimas que, após o dano sofrido, saem conversando amavelmente, abraçadas com quem as prejudicou - "Bye, bye, voltem sempre!". (1) Essa síndrome designa o vínculo emocional com os sequestradores, desenvolvida pelos sequestrados durante um roubo a banco na capital da Suécia em 1973.
Recebi, ontem um levantamento segundo o qual, somando-se os filiados ao Partido dos Trabalhadores com os militantes do MST, Via Campesina, MTST, UNE e ONGs financiadas pelo governo federal, acrescidos dos blogueiros, MAVs pagos pelo partido e titulares de cargos de confiança, chega-se a umas 15 milhões de pessoas, ou seja a 7% do eleitorado. E esse seria, portanto, o piso da aprovação ao governo.
No entanto, os números parecem um pouco inflados. Há gente que não se enquadra em qualquer dessas categorias e se conta entre os tais 7%. Quando milhões saem às ruas em centenas de cidades do país, expressando a natural indignação de quem se percebe roubado, ludibriado e vítima de estelionato eleitoral, os protetores do governo tratam de desqualificar suas admiráveis manifestações. Afirmam que são mobilizações exclusivas da classe média, como se um governo que fez mais da metade dos votos e em poucos meses cai para 7% de aprovação, não tivesse perdido apoio de todas as classes sociais.
Nestes dias, o petismo busca salvação no andar mais elevado dos poderes de Estado, reunindo homens da estirpe de Lula, Sarney, Renan, Jucá, Barbalho. Janta com ministros do STF! Encontra-se secreta e casualmente com Lewandowsky na cidade do Porto. Usa e abusa dos nossos recursos, aumentando os gastos com a publicidade oficial para domar a mídia e distribuindo favores aos currais eleitorais do Norte e do Nordeste.
E tem buscado, inutilmente, arregimentar apoios, também, no andar térreo, convocando os "exércitos" de Stédile (MST) e de Vagner Freitas (CUT). Que fiasco! Para cada cem manifestantes do dia 16, o governo conseguiu, no dia 20, transportar e colocar nas ruas uns 4 ou 5 gatos pingados, que se moviam em visível constrangimento e com a animação de velório de monge budista. Não é humano, não é natural, não é normal, aplaudir corrupção, inflação, desemprego, carestia, recessão e incompetência. Quando isso acontece, ou há interesses em jogo, ou é síndrome de Estocolmo.
Percival Puggina
Estou convicto de que tivemos um comportamento normal. É o que se faz em tais circunstâncias. Reage-se indo à polícia. Espera-se que os criminosos sejam apanhados. Exige-se que as quadrilhas sejam trancafiadas.
Diante do que acabo de descrever, impõem-se inquietante questão: por que, diabos, quando na condição de cidadãos que veem o país ir à gaita, tantos se recusam a admitir que estão sendo roubados? Por que, após serem ludibriados com mentiras, muitos se mantêm defendendo os mentirosos? Que síndrome de Estocolmo (1) social e economicamente sinistra é essa que ainda sai às ruas, assina colunas de jornais, esgrima comentários no rádio e na tevê e se entrincheira nas redes sociais para defender o governo? Agem como vítimas que, após o dano sofrido, saem conversando amavelmente, abraçadas com quem as prejudicou - "Bye, bye, voltem sempre!". (1) Essa síndrome designa o vínculo emocional com os sequestradores, desenvolvida pelos sequestrados durante um roubo a banco na capital da Suécia em 1973.
Recebi, ontem um levantamento segundo o qual, somando-se os filiados ao Partido dos Trabalhadores com os militantes do MST, Via Campesina, MTST, UNE e ONGs financiadas pelo governo federal, acrescidos dos blogueiros, MAVs pagos pelo partido e titulares de cargos de confiança, chega-se a umas 15 milhões de pessoas, ou seja a 7% do eleitorado. E esse seria, portanto, o piso da aprovação ao governo.
No entanto, os números parecem um pouco inflados. Há gente que não se enquadra em qualquer dessas categorias e se conta entre os tais 7%. Quando milhões saem às ruas em centenas de cidades do país, expressando a natural indignação de quem se percebe roubado, ludibriado e vítima de estelionato eleitoral, os protetores do governo tratam de desqualificar suas admiráveis manifestações. Afirmam que são mobilizações exclusivas da classe média, como se um governo que fez mais da metade dos votos e em poucos meses cai para 7% de aprovação, não tivesse perdido apoio de todas as classes sociais.
Nestes dias, o petismo busca salvação no andar mais elevado dos poderes de Estado, reunindo homens da estirpe de Lula, Sarney, Renan, Jucá, Barbalho. Janta com ministros do STF! Encontra-se secreta e casualmente com Lewandowsky na cidade do Porto. Usa e abusa dos nossos recursos, aumentando os gastos com a publicidade oficial para domar a mídia e distribuindo favores aos currais eleitorais do Norte e do Nordeste.
E tem buscado, inutilmente, arregimentar apoios, também, no andar térreo, convocando os "exércitos" de Stédile (MST) e de Vagner Freitas (CUT). Que fiasco! Para cada cem manifestantes do dia 16, o governo conseguiu, no dia 20, transportar e colocar nas ruas uns 4 ou 5 gatos pingados, que se moviam em visível constrangimento e com a animação de velório de monge budista. Não é humano, não é natural, não é normal, aplaudir corrupção, inflação, desemprego, carestia, recessão e incompetência. Quando isso acontece, ou há interesses em jogo, ou é síndrome de Estocolmo.
Percival Puggina
Final à vista

O ex-presidente Lula não pratica literatura. Praticou a presidência de um país. E, desde que passou o cargo, o mundo tem se atropelado para saber como ele fez, qual o seu segredo e com que fórmulas mágicas pegou um país quebrado, segundo diz, e o tornou essa potência em que vivemos. Faz isso em palestras de 50 minutos em países da África, do Oriente Médio e da América do Norte, e não chega para os convites.
Sua empresa de palestras, sabe-se agora, arrecadou R$ 27 milhões nos últimos quatro anos. São R$ 6,75 milhões por ano. Quantas palestras serão necessárias para render esse cachê? E haverá assunto para tanta palestra? R$ 10 milhões desse dinheiro vieram dos empreiteiros que estão sendo investigadas pelos assaltos à Petrobras. De tanto ouvi-las, já não deviam saber as palestras de cor?
Sorte de Lula não ser escritor. E olhe que sua vida é uma fabulosa obra de ficção -uma saga com a qual nem as de Jorge Amado, Erico Verissimo e Guimarães Rosa se comparam. Contém intrigas, mentiras, traições, morte, dinheiro, lances de chanchada, reviravoltas -o protagonista aparenta ser uma coisa e se revela outra. E, como toda ficção, boa parte dela é verdade.
Nem toda ficção tem final feliz. Aliás, a melhor é a que não tem.
Ruy Castro
A denúncia de Gabrilli no plenário
A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), estava no bar do hotel onde Angela Merkel foi tomar uma saideira depois de jantar com Dilma.
“Ela chegou de repente e, muito simples, cumprimentou a todos do pub. Contei para ela que eu era a primeira deputada tetraplégica do país. Ela ficou interessada e, num gesto bonitinho, estendeu a mão para me cumprimentar”, contou a deputada.
Joaquim Silvério dos Reis perdeu o posto
Depois de reinar incólume por por mais de 200 anos como o maior traidor do país, apesar de controvérsias, enfim Silvério dos Reis pode descansar em paz e definitivamente será esquecida a pecha sobre o seu cadáver.
O posto, e parece definitivo, de grande traidor na História do Brasil agora será ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido há muito como Flagelo de Garanhuns. Para quem quis ser o Pai da Pátria, entrar nas páginas como herói, libertador do povo, um deus, é o rebaixamento definitivo para o que sempre foi: traíra.
Nunca antes neste país um gesto de traição foi tão explícito.
Depois de enganar boa parte do país com suas consecutivas mentiras, inventar-se como um Criador, Lula vai aos poucos assumindo sua verdadeira personalidade de fariseu.
— Se o Zé gosta tanto do PT, por que não ajuda e se desfilia? A frase foi de um petista, mas leva a assinatura do chefe.
Tentar convencer o ex-ministro José Dirceu, preso na Operação Lava-Jato, a se desfiliar do PT, para reduzir o desgaste do partido e do governo por eventual condenação no Petrolão, mostra o caráter de quem por oito anos governou o país.
Não é surpresa que quem vendeu a alma ao diabo e aos empresários e banqueiros agora peça a morte do companheiro para poder sobreviver a mais uma aventura eleitoreira.
Pior do que Silvério dos Reis, Lula chuta como cachorro morto quem com ele batalhou na fundação do PT, foi o poderoso chefe da Casa Civil e articulador do aparelhamento governamental para que pudesse reinar incólume sobre os súditos. Nem aos míseros tesoureiros petistas ou outros políticos, como Zé Genoíno, outro nome histórico do partido, se pediu tanto como o suicídio histórico, para que ele, o Grande Lula, possa escapar das grades e voltar vitorioso e heroico em 2018.
Pode-se condenar e criticar Zé Dirceu, mas nunca se poderá chutar pra rua como um meliante aquele que foi para o partido o Guerreiro do Povo Brasileiro. Que seja condenado por crimes, mas não execrado dentro do partido como joguete para salvar a pele de Lula Traíra.
O recado de Lula decreta sua própria condenação como o grande traidor e, pior ainda, o mais covarde dos brasileiros. Hoje desfrutando das regalias do poder econômico e político, se caga de voltar à prisão. É uma figura patética de um ex-líder se borrando, pedindo mortos para atapetar sua liberdade.
O posto, e parece definitivo, de grande traidor na História do Brasil agora será ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido há muito como Flagelo de Garanhuns. Para quem quis ser o Pai da Pátria, entrar nas páginas como herói, libertador do povo, um deus, é o rebaixamento definitivo para o que sempre foi: traíra.
Nunca antes neste país um gesto de traição foi tão explícito.
Depois de enganar boa parte do país com suas consecutivas mentiras, inventar-se como um Criador, Lula vai aos poucos assumindo sua verdadeira personalidade de fariseu.
— Se o Zé gosta tanto do PT, por que não ajuda e se desfilia? A frase foi de um petista, mas leva a assinatura do chefe.
Tentar convencer o ex-ministro José Dirceu, preso na Operação Lava-Jato, a se desfiliar do PT, para reduzir o desgaste do partido e do governo por eventual condenação no Petrolão, mostra o caráter de quem por oito anos governou o país.
Não é surpresa que quem vendeu a alma ao diabo e aos empresários e banqueiros agora peça a morte do companheiro para poder sobreviver a mais uma aventura eleitoreira.
Pior do que Silvério dos Reis, Lula chuta como cachorro morto quem com ele batalhou na fundação do PT, foi o poderoso chefe da Casa Civil e articulador do aparelhamento governamental para que pudesse reinar incólume sobre os súditos. Nem aos míseros tesoureiros petistas ou outros políticos, como Zé Genoíno, outro nome histórico do partido, se pediu tanto como o suicídio histórico, para que ele, o Grande Lula, possa escapar das grades e voltar vitorioso e heroico em 2018.
Pode-se condenar e criticar Zé Dirceu, mas nunca se poderá chutar pra rua como um meliante aquele que foi para o partido o Guerreiro do Povo Brasileiro. Que seja condenado por crimes, mas não execrado dentro do partido como joguete para salvar a pele de Lula Traíra.
O recado de Lula decreta sua própria condenação como o grande traidor e, pior ainda, o mais covarde dos brasileiros. Hoje desfrutando das regalias do poder econômico e político, se caga de voltar à prisão. É uma figura patética de um ex-líder se borrando, pedindo mortos para atapetar sua liberdade.
Partido ou profissão?
Amparados por ônibus, lanches e quem sabe um mísero jabá, os companheiros foram às ruas, quinta-feira. Entregaram-se às mesmas práticas de sempre: muito barulho, gestos de ginastas aposentados e cartazes ousados. A gente fica pensando se o PT é um partido ou é uma profissão…
Carlos Chagas
Desmando legalizados
Consta que, na reunião com aliados, logo depois de a manifestação popular tomar conta das ruas, a presidAnta Dilma Roussef (PT) afirmou:
“O Brasil tem alguma coisa em torno de 200 milhões de habitantes. Portanto, vamos considerar que dois milhões estavam ontem nas ruas. Isso significa que os cerca de 198 milhões que ficaram em casa estão me apoiando.” O pensamento de sua excelência é completamente enviesado.
A mulher mais despreparada de que se tem notícia nesta República de picaretas e calhordas só sairá da cadeira presidencial se o Palácio for invadido e ela se vir arrancada do assento. É inacreditável o descaso de nossas figuras públicas com o povo que os sustentam. Despreparada, inculta, semialfabetizada, e seriamente suspeita de ter o cérebro danificado, Dilma Roussef é a mesma que deu conselhos à chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a melhor maneira de conduzir a economia de sua nação.
Enquanto isso, o ex-presidente FHC, amavelmente chamado “Boca de Tuba”, aquele que quando era senador pavão transformou seu gabinete numa espécie de motel, já descobriu que o seu partido de salafrários deve pegar carona definitiva na onda popular e tentar se instalar novamente no poder para que a roubalheira continue a mesma. Boca de Tuba é aquele que comprou a reeleição presidencial, lembram?
A literatura existente sobre os assaltos praticados pelo PSDB no governo FHC faria sua ex-excelência meter a viola no saco e a língua no baú, não fosse também um desqualificado moral que não se preza e age como canalha. Quem começou a maior parte da bandalheira que hoje presenciamos foi Boca de Tuba com o seu PSDB. Basta pensar no tal “Foro Especial” e nos cartões corporativos, para início de conversa.
As quadrilhas que nos governam não enxergam um palmo adiante do nariz e só ouvem o tilintar de moedas. O país se encontra inteiramente desmontado e basta apenas ouvir parte do noticiário do dia, com os programas anunciando o fim do mundo e mostrando que o mais recomendado é não abrir a porta nem colocar o pé na rua. O desespero que faz parte do cotidiano das pessoas é relegado a segundo plano. Ele não é percebido nos tapetes macios por onde transitam assaltantes dos cofres públicos.
Mesmo na Rede Globo de Televisão, que transformou o Brasil num bordel de quinta categoria, já se abre espaço para denunciar misérias e absurdos inacreditáveis, nos intervalos de programação pornográfica que forjou gerações de párias desacreditados. A banalização de desmandos e maus costumes vêm sendo solidificados há anos pela Rede Globo de Televisão e as emissoras que a copiam.
Mas isso, os que detêm o poder de mando na emissora não se preocupam em considerar, porque têm certeza de que mais adiante é só pedir desculpas a um monte de anestesiados, como fizeram no episódio referente ao regime ditatorial (1964-85) que alegremente estimularam e apoiaram.
Regime que certamente terá de voltar, mais cedo ou mais tarde, porque ninguém vai conseguir colocar este país novamente nos eixos sem disciplina e sem uma tropa bem organizada.
A questão é saber se vai dar certo, porque, da última vez, não deu! O Brasil precisa, antes de tudo, de educação, e a primeira providência é mudar a grade de programação das emissoras de televisão, pois ninguém conseguirá governar com tanta pornografia e infâmia.
Ah, e é preciso, também, construir presídios e tratar de modificar a legislação penal, porque gatunos como Paulo Maluf, Lula da Silva, FHC e assemelhados não têm como ficar solto, oferecendo os piores exemplos às novas gerações, principalmente no que diz respeito à impunidade. Eles são a causa e princípio de nossa derrocada.
O ciclo imperfeito
Há um clima de fim de ciclo no País: o dos governos do PT e da “hegemonia” petista na política nacional. Fala-se disso na situação e na oposição e os diferentes partidos parecem convencidos de que o futuro nascerá de um movimento de superação. Gostaria de problematizar a ideia.
É melhor ver o esgotamento do ciclo petista - que é real - como parte do esgotamento de um ciclo maior, que deita raízes na redemocratização e no movimento que culminou na Constituição de 1988. Entre 1995 e os dias atuais, este ciclo ganhou força, produziu resultados importantes, chegou ao apogeu e está agora, ao que tudo indica, conhecendo sua desconstrução.
Tivemos no Brasil, durante esse período, um ciclo social-democrata imperfeito. Seu componente social-democrata associa-se à afirmação progressiva de uma grande democracia de massas, de caráter inclusivo e popular. Mas também à implantação do que se tem hoje no País de “Estado de bem-estar”, com políticas sociais importantes, reconhecimento explícito de direitos e uma orientação oficial largamente favorável à melhoria na distribuição de renda e à redução das desigualdades sociais. Associa-se tanto às políticas de estabilização monetária e responsabilização fiscal dos anos FHC quanto às políticas assistencialistas e de renda dos anos Lula; tanto ao esforço de redimensionamento e racionalização do Estado e da administração pública quanto à busca de novas formas de inserção internacional do País.
Tal ciclo, porém, não conseguiu atingir a “perfeição”, ou seja, tornar-se sustentável. Nem sequer chegou a ganhar plena coerência, a sintonizar seus termos e componentes ou a ser assimilado pela população e pela opinião pública a ponto de se converter em ideia-força, cultura política e convicção cívica.
A imperfeição do ciclo está estampada em algumas de suas características mais relevantes.
Antes de tudo, o ciclo não foi assumido como tal: jamais se fixou, na vida nacional, o reconhecimento explícito de que estávamos a conhecer, de modo tardio, uma “onda” social-democrata. A arena política não foi contagiada por essa ideia. Ora o vetor discursivo predominante se apoiou na tese de que se estava a viver a “continuidade da redemocratização”, ora que se tratava de trazer para o País o ideário “neoliberal” e ora que se iniciava entre nós uma fase de “redenção nacional”. Não se compreendeu que uma social-democracia estava em marcha.
Em decorrência, os partidos políticos e movimentos que protagonizaram o ciclo deixaram de cooperar entre si: optaram por abrir guerras e litígios uns com os outros, investindo energia irracional na disputa eleitoral. Preferiram processar suas diferenças às cegas, ou melhor, privilegiando tão somente a conquista de governos e posições de força no sistema político.
Uma terceira imperfeição deriva deste ponto. Convertidos em máquinas eleitorais, os partidos não se reproduziram de modo adequado, não funcionaram como “escolas de quadros” e não renovaram seus quadros de direção. Transmitiram assim, para o conjunto do Estado, um notável fracasso em termos de formação de lideranças e de oxigenação da elite política. Soterraram, sem pena nem glória, figuras políticas da estatura de Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Paulo Brossard, Miguel Arraes, Tancredo Neves, Itamar Franco, entre outros, que haviam definido o perfil da elite política que emergiu durante os anos de luta pela democracia. Mesmo lideranças como Fernando Henrique Cardoso e Lula não foram preservadas e engrandecidas da forma devida. A elite política, com isso, perdeu densidade e chega aos dias de hoje reduzida a níveis inimagináveis de ruindade e primitivismo: não há mais estadistas, os líderes nada lideram, o discurso político é tosco e grosseiro, falta cultura aos políticos.
Apoia-se no entrelaçamento destas três “imperfeições” o fator principal da imperfeição social-democrata a que me refiro: seus partidos principais, o PSDB e o PT, mas também parte do PMDB, o PSB, o PPS, o PSol e os movimentos sociais mais fortes, como o MST, nunca conseguiram erguer um projeto claro de sociedade. Jamais responderam à questão de saber quem somos e para onde queremos ir. Em decorrência, não educaram a cidadania, não promoveram reformas estruturais profundas e não construíram uma hegemonia digna do nome, ou seja, uma cultura capaz de cimentar e dar sentido às posições de força que se conquistavam no sistema político e no aparelho de Estado. Houve muita ocupação de espaços e muito uso dos mecanismos estatais, mas poucas ideias e pouca articulação. As próprias políticas públicas mais afeitas à social-democracia - saúde, educação, previdência, renda e trabalho - ficaram soltas, sem se completar.
A globalização, a revolução tecnológica, a conectividade em rede, a individualização foram reconfigurando a sociedade, mas o sistema político permaneceu parado, digerindo suas próprias entranhas.
O resultado disso está exposto à luz do dia: a bola de neve da corrupção, a miséria intelectual da política, uma sociedade civil exasperada e mal estruturada, a demonstração cabal de que cargos e vitórias eleitorais não dão sustentação confiável aos governantes e sobretudo uma estrondosa e profunda separação entre sociedade e Estado. A crise política atual reflete isso, ainda que também possa ser lida pela chave da inoperância presidencial. O povo distanciou-se dos governos, em especial do governo federal, principal peão de um sistema presidencialista. Não convidado, ao longo dos anos, a discutir seriamente a relação com os governos, o povo optou por romper relações com eles.
Deu no que deu. O que virá pela frente é uma incógnita, mas dá para dizer que um novo ciclo já está brotando e que avançará em diálogo com a social-democracia imperfeita do ciclo que hoje se esgota. Isso pode significar que a ideia social-democrata permanecerá a disputar hegemonia na vida nacional. Se conseguirá sucesso nisso é algo a ser respondido mais à frente.
É melhor ver o esgotamento do ciclo petista - que é real - como parte do esgotamento de um ciclo maior, que deita raízes na redemocratização e no movimento que culminou na Constituição de 1988. Entre 1995 e os dias atuais, este ciclo ganhou força, produziu resultados importantes, chegou ao apogeu e está agora, ao que tudo indica, conhecendo sua desconstrução.
Tivemos no Brasil, durante esse período, um ciclo social-democrata imperfeito. Seu componente social-democrata associa-se à afirmação progressiva de uma grande democracia de massas, de caráter inclusivo e popular. Mas também à implantação do que se tem hoje no País de “Estado de bem-estar”, com políticas sociais importantes, reconhecimento explícito de direitos e uma orientação oficial largamente favorável à melhoria na distribuição de renda e à redução das desigualdades sociais. Associa-se tanto às políticas de estabilização monetária e responsabilização fiscal dos anos FHC quanto às políticas assistencialistas e de renda dos anos Lula; tanto ao esforço de redimensionamento e racionalização do Estado e da administração pública quanto à busca de novas formas de inserção internacional do País.
Tal ciclo, porém, não conseguiu atingir a “perfeição”, ou seja, tornar-se sustentável. Nem sequer chegou a ganhar plena coerência, a sintonizar seus termos e componentes ou a ser assimilado pela população e pela opinião pública a ponto de se converter em ideia-força, cultura política e convicção cívica.
A imperfeição do ciclo está estampada em algumas de suas características mais relevantes.
Antes de tudo, o ciclo não foi assumido como tal: jamais se fixou, na vida nacional, o reconhecimento explícito de que estávamos a conhecer, de modo tardio, uma “onda” social-democrata. A arena política não foi contagiada por essa ideia. Ora o vetor discursivo predominante se apoiou na tese de que se estava a viver a “continuidade da redemocratização”, ora que se tratava de trazer para o País o ideário “neoliberal” e ora que se iniciava entre nós uma fase de “redenção nacional”. Não se compreendeu que uma social-democracia estava em marcha.
Em decorrência, os partidos políticos e movimentos que protagonizaram o ciclo deixaram de cooperar entre si: optaram por abrir guerras e litígios uns com os outros, investindo energia irracional na disputa eleitoral. Preferiram processar suas diferenças às cegas, ou melhor, privilegiando tão somente a conquista de governos e posições de força no sistema político.
Uma terceira imperfeição deriva deste ponto. Convertidos em máquinas eleitorais, os partidos não se reproduziram de modo adequado, não funcionaram como “escolas de quadros” e não renovaram seus quadros de direção. Transmitiram assim, para o conjunto do Estado, um notável fracasso em termos de formação de lideranças e de oxigenação da elite política. Soterraram, sem pena nem glória, figuras políticas da estatura de Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Paulo Brossard, Miguel Arraes, Tancredo Neves, Itamar Franco, entre outros, que haviam definido o perfil da elite política que emergiu durante os anos de luta pela democracia. Mesmo lideranças como Fernando Henrique Cardoso e Lula não foram preservadas e engrandecidas da forma devida. A elite política, com isso, perdeu densidade e chega aos dias de hoje reduzida a níveis inimagináveis de ruindade e primitivismo: não há mais estadistas, os líderes nada lideram, o discurso político é tosco e grosseiro, falta cultura aos políticos.
Apoia-se no entrelaçamento destas três “imperfeições” o fator principal da imperfeição social-democrata a que me refiro: seus partidos principais, o PSDB e o PT, mas também parte do PMDB, o PSB, o PPS, o PSol e os movimentos sociais mais fortes, como o MST, nunca conseguiram erguer um projeto claro de sociedade. Jamais responderam à questão de saber quem somos e para onde queremos ir. Em decorrência, não educaram a cidadania, não promoveram reformas estruturais profundas e não construíram uma hegemonia digna do nome, ou seja, uma cultura capaz de cimentar e dar sentido às posições de força que se conquistavam no sistema político e no aparelho de Estado. Houve muita ocupação de espaços e muito uso dos mecanismos estatais, mas poucas ideias e pouca articulação. As próprias políticas públicas mais afeitas à social-democracia - saúde, educação, previdência, renda e trabalho - ficaram soltas, sem se completar.
A globalização, a revolução tecnológica, a conectividade em rede, a individualização foram reconfigurando a sociedade, mas o sistema político permaneceu parado, digerindo suas próprias entranhas.
O resultado disso está exposto à luz do dia: a bola de neve da corrupção, a miséria intelectual da política, uma sociedade civil exasperada e mal estruturada, a demonstração cabal de que cargos e vitórias eleitorais não dão sustentação confiável aos governantes e sobretudo uma estrondosa e profunda separação entre sociedade e Estado. A crise política atual reflete isso, ainda que também possa ser lida pela chave da inoperância presidencial. O povo distanciou-se dos governos, em especial do governo federal, principal peão de um sistema presidencialista. Não convidado, ao longo dos anos, a discutir seriamente a relação com os governos, o povo optou por romper relações com eles.
Deu no que deu. O que virá pela frente é uma incógnita, mas dá para dizer que um novo ciclo já está brotando e que avançará em diálogo com a social-democracia imperfeita do ciclo que hoje se esgota. Isso pode significar que a ideia social-democrata permanecerá a disputar hegemonia na vida nacional. Se conseguirá sucesso nisso é algo a ser respondido mais à frente.
Saída à brasileira
Multiplicam-se os encontros a portas fechadas, em busca de um pacto de governabilidade que evite rupturas
Pelo jeito, vão acabar dando um jeitinho. Brasileiramente.
Nestes estranhos dias que vivemos, parece que há duas sensações aparentemente incompatíveis. Não deviam se mesclar. Mas estão em toda parte, ora opostas, ora lado a lado, ora em alternância: um certo alívio e uma certa desesperança. No lado do alívio, suspira-se um “ufa!”. Na banda da desesperança, geme-se um “ai!”
É como se o país oscilasse entre duas velhas piadas. Uma é a do sujeito que cai do octogésimo andar e, ao passar pelo vigésimo, suspira: “Até aqui tudo bem”. Outra é a dos amigos que caíram na vala de esgoto, com dejetos até o pescoço e se recomendam: “Não faz marola”.
Ufa! O pior não aconteceu, o Renan desarmou a bomba do Cunha, este foi denunciado pelo MP, o governo recuperou algum controle da situação. Parece que não estamos mais à deriva. A Agenda Brasil vem aí e vai mudar o cardápio de assuntos discutidos, sem o risco de trazer maiores novidades.
Ufa! A Moody’s rebaixou a nota do Brasil, é verdade. Mas, felizmente, não ao ponto de o país perder o grau de investimento. Nada que chegue a atrapalhar no momento — e isso é o que importa.
Ufa! Houve manifestações pelas ruas de mais de 200 cidades, em todos os estados, trouxeram até um balão inflável do Lula vestido de presidiário, mas dá para suspirar com alguma leveza, porque os números de manifestantes foram menores do que os de março.
Ufa! O governo não está mais tão sozinho e acuado. As ruas se encheram também de manifestantes de camisa vermelha. Os setores produtivos e a grande mídia dão mostras de juízo e de preocupação com a governabilidade. As novas denúncias não trouxeram surpresas.
Por outro lado, há os que se lamentam. Ai de nós! O país está desgovernado, a economia vai de mal a pior, as descobertas de roubalheira são espantosas, cada nova fase da Lava-Jato traz mais uma penca de revelações assustadoras.
A turma do alívio suspira: o pior já foi contornado. Desta vez, vai. Não chegamos ao fundo do poço. Quem sabe se lá não existe uma cama elástica? Não um alçapão, como alguns temem. Vamos dar um jeitinho.
Tudo se encaminha para uma bela saída à brasileira. Multiplicam-se os encontros de políticos a portas fechadas, em busca de um pacto de governabilidade que evite rupturas. É uma boa causa: não prejudicar o ajuste. Faz-se um acordão, capricha-se na maquiagem e, como sempre, elogia-se o conchavão e se vende ao eleitorado a sensação de que tudo melhora. Brasileiro, profissão esperança.
Os governantes se apresentam como algo entre heróis e santos. Vergam mas não se envergonham. Epa, perdão, citação errada! A frase foi outra: vergam mas não quebram.
Quem pode quebrar é o país. Mas aí é um detalhe, apenas uma questão matemática, e não política, como parecem crer os que recusam números, prazos, orçamentos, responsabilidade fiscal. Ainda outro dia, um deputado da base governista, defendendo seu voto a favor da gastança, argumentava que não dá para ser diferente, porque “o ajuste não está surtindo efeito” e não melhorou a situação. Como se o ajuste fiscal já tivesse sido aprovado e tivesse tido tempo de fazer efeito... Em que país vive esse parlamentar alagoano? A resposta é clara: vive no país que o elegeu. Como elegeu todo esse Congresso e essa governanta e lhes deu incontestável legitimidade para aprontarem o que quiserem, já que representam os eleitores. Com a indispensável ajuda marqueteira.
A crise que vivemos é, em parte, a da democracia representativa. Mas sabemos todos que não há regime melhor, por mais que este tenha problemas e possa ser aprimorado. Fora dela não há salvação. Sua qualidade vai melhorar aos poucos, com a experiência e a educação. Vamos em frente, sempre aprendendo.
Foi dessa democracia que surgiu a Constituição de 1988, que deu poderes ao Ministério Público, possibilitou o julgamento do mensalão e agora fortalece um juiz como Sérgio Moro e os procuradores de sua equipe. É dessa democracia que emanam a liberdade de imprensa e o sistema de pesos e contrapesos que estabelecem os limites de cada poder. Esse conjunto é que nos garante. Por mais que nos perguntemos se o TCU vai amarelar ou se alguém vai dar ouvidos aos espiroquetas alucinados que pululam aqui e ali. Um que em passeata defende a volta do Sarney, outro que pede intervenção militar. O que ameaça com os exércitos do Stédile, outro que fala em pegar em armas — no Planalto, diante da presidente.
Mas é na força dessa democracia que devemos confiar. Não desistir do Brasil, como exortou Eduardo Campos. Mesmo com essa saída à brasileira, lembrando o personagem cômico, que dava “passinho pra frente, passinho pra trás”.
Só convém não exagerar. Depende muito do que pretendam varrer para baixo do tapete. Com ou sem trauma, o que queremos é o fim da impunidade. Quem se sente representado por Moro concorda com Aldous Huxley: os fatos não deixam de existir só por serem ignorados. E são soberanos.
Ana Maria Machado
Pelo jeito, vão acabar dando um jeitinho. Brasileiramente.
Nestes estranhos dias que vivemos, parece que há duas sensações aparentemente incompatíveis. Não deviam se mesclar. Mas estão em toda parte, ora opostas, ora lado a lado, ora em alternância: um certo alívio e uma certa desesperança. No lado do alívio, suspira-se um “ufa!”. Na banda da desesperança, geme-se um “ai!”
É como se o país oscilasse entre duas velhas piadas. Uma é a do sujeito que cai do octogésimo andar e, ao passar pelo vigésimo, suspira: “Até aqui tudo bem”. Outra é a dos amigos que caíram na vala de esgoto, com dejetos até o pescoço e se recomendam: “Não faz marola”.
Ufa! O pior não aconteceu, o Renan desarmou a bomba do Cunha, este foi denunciado pelo MP, o governo recuperou algum controle da situação. Parece que não estamos mais à deriva. A Agenda Brasil vem aí e vai mudar o cardápio de assuntos discutidos, sem o risco de trazer maiores novidades.
Ufa! A Moody’s rebaixou a nota do Brasil, é verdade. Mas, felizmente, não ao ponto de o país perder o grau de investimento. Nada que chegue a atrapalhar no momento — e isso é o que importa.
Ufa! Houve manifestações pelas ruas de mais de 200 cidades, em todos os estados, trouxeram até um balão inflável do Lula vestido de presidiário, mas dá para suspirar com alguma leveza, porque os números de manifestantes foram menores do que os de março.
Ufa! O governo não está mais tão sozinho e acuado. As ruas se encheram também de manifestantes de camisa vermelha. Os setores produtivos e a grande mídia dão mostras de juízo e de preocupação com a governabilidade. As novas denúncias não trouxeram surpresas.
Por outro lado, há os que se lamentam. Ai de nós! O país está desgovernado, a economia vai de mal a pior, as descobertas de roubalheira são espantosas, cada nova fase da Lava-Jato traz mais uma penca de revelações assustadoras.
A turma do alívio suspira: o pior já foi contornado. Desta vez, vai. Não chegamos ao fundo do poço. Quem sabe se lá não existe uma cama elástica? Não um alçapão, como alguns temem. Vamos dar um jeitinho.
Tudo se encaminha para uma bela saída à brasileira. Multiplicam-se os encontros de políticos a portas fechadas, em busca de um pacto de governabilidade que evite rupturas. É uma boa causa: não prejudicar o ajuste. Faz-se um acordão, capricha-se na maquiagem e, como sempre, elogia-se o conchavão e se vende ao eleitorado a sensação de que tudo melhora. Brasileiro, profissão esperança.
Os governantes se apresentam como algo entre heróis e santos. Vergam mas não se envergonham. Epa, perdão, citação errada! A frase foi outra: vergam mas não quebram.
Quem pode quebrar é o país. Mas aí é um detalhe, apenas uma questão matemática, e não política, como parecem crer os que recusam números, prazos, orçamentos, responsabilidade fiscal. Ainda outro dia, um deputado da base governista, defendendo seu voto a favor da gastança, argumentava que não dá para ser diferente, porque “o ajuste não está surtindo efeito” e não melhorou a situação. Como se o ajuste fiscal já tivesse sido aprovado e tivesse tido tempo de fazer efeito... Em que país vive esse parlamentar alagoano? A resposta é clara: vive no país que o elegeu. Como elegeu todo esse Congresso e essa governanta e lhes deu incontestável legitimidade para aprontarem o que quiserem, já que representam os eleitores. Com a indispensável ajuda marqueteira.
A crise que vivemos é, em parte, a da democracia representativa. Mas sabemos todos que não há regime melhor, por mais que este tenha problemas e possa ser aprimorado. Fora dela não há salvação. Sua qualidade vai melhorar aos poucos, com a experiência e a educação. Vamos em frente, sempre aprendendo.
Foi dessa democracia que surgiu a Constituição de 1988, que deu poderes ao Ministério Público, possibilitou o julgamento do mensalão e agora fortalece um juiz como Sérgio Moro e os procuradores de sua equipe. É dessa democracia que emanam a liberdade de imprensa e o sistema de pesos e contrapesos que estabelecem os limites de cada poder. Esse conjunto é que nos garante. Por mais que nos perguntemos se o TCU vai amarelar ou se alguém vai dar ouvidos aos espiroquetas alucinados que pululam aqui e ali. Um que em passeata defende a volta do Sarney, outro que pede intervenção militar. O que ameaça com os exércitos do Stédile, outro que fala em pegar em armas — no Planalto, diante da presidente.
Mas é na força dessa democracia que devemos confiar. Não desistir do Brasil, como exortou Eduardo Campos. Mesmo com essa saída à brasileira, lembrando o personagem cômico, que dava “passinho pra frente, passinho pra trás”.
Só convém não exagerar. Depende muito do que pretendam varrer para baixo do tapete. Com ou sem trauma, o que queremos é o fim da impunidade. Quem se sente representado por Moro concorda com Aldous Huxley: os fatos não deixam de existir só por serem ignorados. E são soberanos.
Ana Maria Machado
Lei obriga presença de palhaços em hospitais infantis
Agora, os hospitais da província de Buenos Aires, a maior da Argentina, terão de contar com palhaços nos hospitais para humanizar o tratamento com crianças doentes, de acordo com uma nova lei promulgada na última quarta-feira.
Cada serviço de terapia pediátrica deverá oferecer 'palhaços hospitalares'.
"O palhaço de hospital será aquela pessoa especialista na arte de ser palhaço e que reúna as condições e requisitos para o desenvolvimento dessa tarefa em hospitais públicos provinciais e municipais", diz a lei, que não especifica se o palhaço precisa necessariamente ser um médico.
Segundo a ONG Payamédicos, existem cerca de 2 mil profissionais realizando essas tarefas em centros médicos da Argentina e do Chile com narizes laranjas – o vermelho lembra o sangue, dizem – e roupas que se assemelham aos jalecos dos médicos.
sábado, 22 de agosto de 2015
Elogiemos as pessoas decentes
“Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive”H. L. Mencken
Nunca antes na história deste País as pessoas decentes foram tão ultrajadas, depreciadas, caluniadas, desrespeitadas e atacadas justamente por causa do seu caráter.
O que explica os ataques verbais diários e as ameaças de violência física lançadas contra a parcela da população que protesta contra um governo corrupto que instrumentaliza o Estado em benefício de uma minoria de aliados e apadrinhados?
A Marcha das Margaridas foi financiada com dinheiro público, assim como o churrasco que reuniu meia dúzia de pelegos no Instituto Lula. Já os protestos dos “coxinhas” reuniram centenas de milhares de pessoas que protestaram de graça contra Dilma.
Detalhe: em São Paulo mais de 800 mil pessoas foram voluntariamente se manifestar contra o Dilma e o PT: não teve churrasco, pão com mortadela ou dinheiro público.
Penso que é justamente isso o que perturba os petistas: eles sempre usaram movimentos sociais, sindicatos e entidades compráveis e compradas para usar o povo mais pobre como gado, mas agora, visivelmente, perderam o controle das ruas.
Se o movimento contra Dilma fosse formado por sindicatos e entidades tradicionais, suas lideranças certamente estariam, neste momento, negociando benesses, verbas e cargos em Brasília em troca de mais flexibilidade e de um discurso moderado.
Mas nem toda a mortadela ou dinheiro do mundo pode comprar quem não se vende. É o que tira o sono dos mandatários e seus aliados: gente na rua com quem não se negocia.
São trabalhadores, estudantes e profissionais liberais, jovens, adultos, idosos, de todas as camadas sociais, que não dependem de esmolas do governo para viver – ao contrário da pilantragem organizada dos sindicatos e entidades que vivem às nossas custas.
O governo Dilma planeja aumentar impostos, ameaça direitos previdenciários e trabalhistas, e coloca seus papagaios no Senado para defender a proposta de uma “nova CPMF”.
Porém, para horror das pessoas que trabalham e pagam impostos, Dilma mantém os 39 ministérios que custam R$ 400 bilhões por ano, metade disso usado na folha de pagamento de cerca de 100 mil cargos de confiança – dos quais a gente sempre desconfia.
Tudo isso pago pelo povo e contra a vontade do povo. Apenas um mau caráter como o ministro Edinho Silva é capaz de afirmar publicamente que as pessoas que protestam contra toda essa podridão têm como objetivo defender o fim da democracia.
Apenas um governo flagrantemente indecente faz do seu porta-voz um deputado cujo assessor foi flagrado com dinheiro escondido na cueca (José Guimarães).
É hora de dizer claramente que o Brasil hoje se divide não entre tucanos e petistas, coxinhas e militantes, mas simplesmente entre pessoas decentes e aquelas sustentadas pelo governo.
Os que protestam nas ruas são atacados pela mídia, pelas autoridades públicas, sindicatos, artistas da TV e até por cardeais do PSDB. Mas não desanimam ou retrocedem da luta.
Não importa. A verdade é esta: as pessoas decentes sempre se envergonham do governo sob o qual vivem. E não há churrasco ideológico que dê jeito nisso.
O que explica os ataques verbais diários e as ameaças de violência física lançadas contra a parcela da população que protesta contra um governo corrupto que instrumentaliza o Estado em benefício de uma minoria de aliados e apadrinhados?
A Marcha das Margaridas foi financiada com dinheiro público, assim como o churrasco que reuniu meia dúzia de pelegos no Instituto Lula. Já os protestos dos “coxinhas” reuniram centenas de milhares de pessoas que protestaram de graça contra Dilma.
Detalhe: em São Paulo mais de 800 mil pessoas foram voluntariamente se manifestar contra o Dilma e o PT: não teve churrasco, pão com mortadela ou dinheiro público.
Penso que é justamente isso o que perturba os petistas: eles sempre usaram movimentos sociais, sindicatos e entidades compráveis e compradas para usar o povo mais pobre como gado, mas agora, visivelmente, perderam o controle das ruas.
Se o movimento contra Dilma fosse formado por sindicatos e entidades tradicionais, suas lideranças certamente estariam, neste momento, negociando benesses, verbas e cargos em Brasília em troca de mais flexibilidade e de um discurso moderado.
É este o modus operandi da vagabundagem sindical: atacar, negociar, assoprar.
Mas nem toda a mortadela ou dinheiro do mundo pode comprar quem não se vende. É o que tira o sono dos mandatários e seus aliados: gente na rua com quem não se negocia.
São trabalhadores, estudantes e profissionais liberais, jovens, adultos, idosos, de todas as camadas sociais, que não dependem de esmolas do governo para viver – ao contrário da pilantragem organizada dos sindicatos e entidades que vivem às nossas custas.
O governo Dilma planeja aumentar impostos, ameaça direitos previdenciários e trabalhistas, e coloca seus papagaios no Senado para defender a proposta de uma “nova CPMF”.
Porém, para horror das pessoas que trabalham e pagam impostos, Dilma mantém os 39 ministérios que custam R$ 400 bilhões por ano, metade disso usado na folha de pagamento de cerca de 100 mil cargos de confiança – dos quais a gente sempre desconfia.
Tudo isso pago pelo povo e contra a vontade do povo. Apenas um mau caráter como o ministro Edinho Silva é capaz de afirmar publicamente que as pessoas que protestam contra toda essa podridão têm como objetivo defender o fim da democracia.
Apenas um governo flagrantemente indecente faz do seu porta-voz um deputado cujo assessor foi flagrado com dinheiro escondido na cueca (José Guimarães).
É hora de dizer claramente que o Brasil hoje se divide não entre tucanos e petistas, coxinhas e militantes, mas simplesmente entre pessoas decentes e aquelas sustentadas pelo governo.
Os que protestam nas ruas são atacados pela mídia, pelas autoridades públicas, sindicatos, artistas da TV e até por cardeais do PSDB. Mas não desanimam ou retrocedem da luta.
Não importa. A verdade é esta: as pessoas decentes sempre se envergonham do governo sob o qual vivem. E não há churrasco ideológico que dê jeito nisso.
Alerta oportuno

A exortação aos brasileiros “de bem” para que tenham a ousadia dos “canalhas” para tirar o país da crise política, econômica e financeira é bastante oportuna e soa como alerta geral.
O recado partiu de uma das mais altas autoridades, a ministra Cármem Lúcia, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), daí sua importância e significado. A carapuça, com certeza, vai servir pra muita gente.
A tarefa de reconstrução do país não será nada fácil, pois a cada dia, quando muitos imaginam que as investigações da operação Lava Jato estão caminhando para o fim, novos escândalos se sucedem, alimentando a perplexidade geral.
Em meio ao interminável rosário de desvios de verbas em todos os níveis e em todos os cantos do país, uma espécie de bolsa de apostas parece estar instalada nos corações e nas mentes.
Não é raro, atualmente, ouvir gente fazendo prognósticos os mais variados possíveis e, às vezes, até tentando interferir por meio de recados nas redes sociais com avaliações nos campos da política e da economia.
Entre essas avaliações, a mais recente é sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, denunciado, juntamente com o ex-presidente Fernando Collor, ao Supremo por recebimento de propinas.
Há os que apostam na permanência de ambos no Congresso, bem como há os que acham que, se Cunha sair, a presidente Dilma poderá enfrentar até mais dificuldades no relacionamento com os congressistas.
Talvez seja melhor lidar com um Eduardo Cunha enfraquecido do que ver surgir na presidência da Câmara um oposicionista ferrenho e com autoridade preservada disposto a torpedear projetos.
Outra vertente das apostas diz respeito à própria Dilma, que poderia sofrer um processo de impeachment. Nesse caso, o recado de Cármem Lúcia tem endereço certo. O brasileiro de bem precisa posicionar-se ao largo da mera disputa ideológica e arregaçar as mangas visando à reconstrução do país.
Boneco inflado de Lula: signos de um estrago global
O boneco inflado representativo da figura do ex-presidente Lula, - balançando ao vento da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e o carimbo infamante "13-171" gravado no peito, - além, evidentemente, do detalhe da bola de ferro amarrada ao tornozelo por uma corrente. Eis as imagens e os símbolos históricos e definitivos dos protestos realizados contra o Governo Dilma, a corrupção e o PT, domingo, 16 de agosto.
Quase uma semana depois, a repercussão e o estrago não cessam. Ao contrário, aprofundam-se Brasil e mundo afora. Desde segunda-feira, quando as primeiras fotografias e vídeos do boneco já corriam o mundo – e o tema bombava nas redes sociais -, começou a chover convites na horta de seus idealizadores (integrantes do suprapartidário Movimento Brasil), para que o Lula inflável seja a atração em próximos atos de protestos que se anunciam.
Enquanto segue o vai-não-vai (o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o notório senador Fernando Collor de Mello, denunciados por Janot, são os nomes da hora) do combate a corruptos e corruptores. Faces indissociáveis do mesmo mal (definição firme e precisa o juiz Sérgio Moro, quinta-feira, durante palestra em São Paulo), na ação profilática contra a "corrupção endêmica, ponto frágil do país”, no dizer do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, no Seminário Internacional de Controle Externo, em Salvador.
Portanto, que ninguém se iluda ou tente mascarar a situação. É inútil e enganoso perder tempo fazendo cálculos de quantas pessoas participaram das manifestações, ou a intensidade de suas participações. "Nonadas", provavelmente escreveria o notável alagoano Graciliano Ramos, se vivo estivesse, em uma reedição de "Insônia", "Vidas Secas" ou de "Memórias do Cárcere".
A imagem do boneco inflado e sua força simbólica, principalmente, é um fato que grita e se propaga além das meias verdades e cumplicidades mal disfarçadas. Sobrepõe-se para além do tempo e do espaço dos protestos de domingo passado - ou dos lastimáveis arremedos de manifestações "de apoio ao governo Dilma e da Democracia", levados às ruas anteontem.
Neste caso, pelo PT e seu braço sindicalista, a CUT, além de forças auxiliares agregadas em torno da mesa das sobras do banquete do poder, que começou a ser servido no começo do primeiro mandato de Lula, em 2003. "De fazer chorar", para citar o famoso frevo do carnaval pernambucano, as cenas do ato petista, transmitidas pela televisão direto do Largo da Batata, em São Paulo, local do começo da concentração.
Daqui a muitos anos – um século, quem sabe? -, quando se falar ou escrever sobre 16 de Agosto de 2015 no Brasil, será o boneco, provavelmente, a principal referência. Indispensável para a contextualização dos fatos. Levado ao Planalto Central por seus idealizadores do MB, (o (a) criador (a) original é gênio da comunicação através dos símbolos. Maior e melhor que muitos dos nosso mais famosos e mais caros marqueteiros políticos em atividade, diga-se por verdade e justiça).
Balconistas da informação, militantes do partido no poder e alguns de seus acólitos – por questão de fé ou mero interesse no que resta do botim do grande saque aos cofres públicos, destampado pelo Mensalão, mas principalmente pela Lava Jato -, detestam ler ou ouvir sobre estas coisas. Mas quem estuda ou trabalha com atenção voltada para os signos da comunicação (jornalistas e publicitários, principalmente) não têm dúvidas:
O boneco inflado da Esplanada "é um achado”, para usar a expressão de um professor da Escola de Jornalismo da UFBA, Milton Cayres de Brito (saudoso ex-deputado constituinte ao lado de Jorge Amado, pelo Partidão, e ex-diretor da Tribuna da Bahia em seus tempos mais heróicos), meu mestre da matéria na Faculdade, ainda na Avenida Joana Angélica, bairro de Nazaré. A poucos metros (quase no fundo) da minha primeira morada na Cidade da Bahia.
Golpe certeiro e duríssimo, como se percebe pelos desdobramentos e suítes da mídia interna, mas, principalmente, pela repercussão nas paginas de sites, blogs e edições impressas de gigantes da imprensa mundial: New York Times, Financial Times, El Pais, Le Monde, BBC, Clarin, e por aí vai. Morteiro devastador na desconstrução da imagem interna e internacional de um dos maiores mitos políticos e governamentais brasileiros e da América Latina, forjados nos últimos mais de 40 anos. Ironicamente, a partir de multitudinários protestos de operários metalúrgicos sindicalistas da região do ABC paulista e suas linhas de apoio de classe média estudantil e de intelectuais, que desaguariam na fundação do Partido dos Trabalhadores.
Um mundo de promessas e esperanças que se abria e, agora, praticamente se espatifa como um balão furado que cai. Aliás, outra cena demolidora, é a da fotografia publicada no jornal O Globo. Depois do protesto, o boneco inflado de Lula esvaziado e deitado no gramado de Brasília, à espera de ser recolhido por seus criadores, antes dos convites para próximas apresentações pelo País. Pluuff!!!...
Quase uma semana depois, a repercussão e o estrago não cessam. Ao contrário, aprofundam-se Brasil e mundo afora. Desde segunda-feira, quando as primeiras fotografias e vídeos do boneco já corriam o mundo – e o tema bombava nas redes sociais -, começou a chover convites na horta de seus idealizadores (integrantes do suprapartidário Movimento Brasil), para que o Lula inflável seja a atração em próximos atos de protestos que se anunciam.
Enquanto segue o vai-não-vai (o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o notório senador Fernando Collor de Mello, denunciados por Janot, são os nomes da hora) do combate a corruptos e corruptores. Faces indissociáveis do mesmo mal (definição firme e precisa o juiz Sérgio Moro, quinta-feira, durante palestra em São Paulo), na ação profilática contra a "corrupção endêmica, ponto frágil do país”, no dizer do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Brito, no Seminário Internacional de Controle Externo, em Salvador.
Portanto, que ninguém se iluda ou tente mascarar a situação. É inútil e enganoso perder tempo fazendo cálculos de quantas pessoas participaram das manifestações, ou a intensidade de suas participações. "Nonadas", provavelmente escreveria o notável alagoano Graciliano Ramos, se vivo estivesse, em uma reedição de "Insônia", "Vidas Secas" ou de "Memórias do Cárcere".
A imagem do boneco inflado e sua força simbólica, principalmente, é um fato que grita e se propaga além das meias verdades e cumplicidades mal disfarçadas. Sobrepõe-se para além do tempo e do espaço dos protestos de domingo passado - ou dos lastimáveis arremedos de manifestações "de apoio ao governo Dilma e da Democracia", levados às ruas anteontem.
Neste caso, pelo PT e seu braço sindicalista, a CUT, além de forças auxiliares agregadas em torno da mesa das sobras do banquete do poder, que começou a ser servido no começo do primeiro mandato de Lula, em 2003. "De fazer chorar", para citar o famoso frevo do carnaval pernambucano, as cenas do ato petista, transmitidas pela televisão direto do Largo da Batata, em São Paulo, local do começo da concentração.
Daqui a muitos anos – um século, quem sabe? -, quando se falar ou escrever sobre 16 de Agosto de 2015 no Brasil, será o boneco, provavelmente, a principal referência. Indispensável para a contextualização dos fatos. Levado ao Planalto Central por seus idealizadores do MB, (o (a) criador (a) original é gênio da comunicação através dos símbolos. Maior e melhor que muitos dos nosso mais famosos e mais caros marqueteiros políticos em atividade, diga-se por verdade e justiça).
Balconistas da informação, militantes do partido no poder e alguns de seus acólitos – por questão de fé ou mero interesse no que resta do botim do grande saque aos cofres públicos, destampado pelo Mensalão, mas principalmente pela Lava Jato -, detestam ler ou ouvir sobre estas coisas. Mas quem estuda ou trabalha com atenção voltada para os signos da comunicação (jornalistas e publicitários, principalmente) não têm dúvidas:
O boneco inflado da Esplanada "é um achado”, para usar a expressão de um professor da Escola de Jornalismo da UFBA, Milton Cayres de Brito (saudoso ex-deputado constituinte ao lado de Jorge Amado, pelo Partidão, e ex-diretor da Tribuna da Bahia em seus tempos mais heróicos), meu mestre da matéria na Faculdade, ainda na Avenida Joana Angélica, bairro de Nazaré. A poucos metros (quase no fundo) da minha primeira morada na Cidade da Bahia.
Golpe certeiro e duríssimo, como se percebe pelos desdobramentos e suítes da mídia interna, mas, principalmente, pela repercussão nas paginas de sites, blogs e edições impressas de gigantes da imprensa mundial: New York Times, Financial Times, El Pais, Le Monde, BBC, Clarin, e por aí vai. Morteiro devastador na desconstrução da imagem interna e internacional de um dos maiores mitos políticos e governamentais brasileiros e da América Latina, forjados nos últimos mais de 40 anos. Ironicamente, a partir de multitudinários protestos de operários metalúrgicos sindicalistas da região do ABC paulista e suas linhas de apoio de classe média estudantil e de intelectuais, que desaguariam na fundação do Partido dos Trabalhadores.
Um mundo de promessas e esperanças que se abria e, agora, praticamente se espatifa como um balão furado que cai. Aliás, outra cena demolidora, é a da fotografia publicada no jornal O Globo. Depois do protesto, o boneco inflado de Lula esvaziado e deitado no gramado de Brasília, à espera de ser recolhido por seus criadores, antes dos convites para próximas apresentações pelo País. Pluuff!!!...

As bombas maiores
As pessoas têm a tendência de ver apenas as bombas mais próximas e ignorar aquelas escondidas, que ameaçam o futuro. As bombas do momento são a corrupção que joga estilhaços de vergonha sobre todos os políticos, especialmente dos partidos no governo; e o descrédito de um governo que errou na economia, faltou com a verdade na campanha e descumpriu promessas. Apesar disto, o governo vê apenas as bombas imediatistas que ameaçam o equilíbrio fiscal.
A crise política, econômica e moral que atravessamos parece impedir a percepção das bombas que ameaçam o futuro mais distante. Ficamos presos à bomba da corrupção, da inflação, do descrédito da presidente e dos políticos em geral, não vemos as outras bombas.
A dívida dos estados e municípios já em fase de explosão, mesmo assim ainda é relegada. A explosão de gastos públicos, face às limitações da já imensa carga fiscal, destroçará as contas públicas. Nossos entes federados estão atravessando a linha que separa dificuldades fiscais conjunturais da falência estrutural, com suas consequências sobre os serviços públicos e os salários dos servidores. A Previdência explodirá em algum momento não muito distante, trazendo sacrifícios devastadores sobre a população mais velha do país e penalizando os jovens.
A pobreza — sobretudo depois de ter sido escondida pelo marketing governamental dos últimos anos, afirmando que ela teria sido transformada em classe média porque, endividando-se, consegue comprar alguns equipamentos domésticos — está explodindo na miséria da falta de educação, saúde, segurança, mobilidade. A violência urbana é uma bomba que explode como uma guerra civil de proporções gigantescas, matando quase 60 mil brasileiros por ano.
Nossa má educação e o consequente atraso na ciência e na tecnologia, que nos deixam cada dia mais atrasados em relação ao resto do mundo, são a bomba que impedirá nosso ingresso no mundo do conhecimento que caracteriza a economia e a sociedade.
O endividamento das famílias pode explodir, inviabilizando nosso sistema financeiro aparentemente sólido e sacrificando a vida de nossa população. A incapacidade de gestão que caracteriza o Estado brasileiro dos últimos anos ameaça o crescimento de nossa economia e o bom funcionamento de nossa sociedade. A baixa poupança de nossas famílias, empresas e governo é uma bomba que impede os investimentos necessários à construção de uma infraestrutura eficiente, ao crescimento da economia e ao aumento da produtividade de nossa indústria. O desemprego é uma bomba trágica de grandes proporções. A bomba do consumo de drogas corrói famílias e anula o potencial de dezenas de milhares de jovens.
Mas, a maior das bombas é a despolitização do debate entre grupos políticos sem visão nem propostas, presos às pequenas bombas do presente, sem a percepção das grandes em andamento: o divórcio entre as urnas e as ruas, entre os políticos e o povo, está explodindo no colo da democracia.
A crise política, econômica e moral que atravessamos parece impedir a percepção das bombas que ameaçam o futuro mais distante. Ficamos presos à bomba da corrupção, da inflação, do descrédito da presidente e dos políticos em geral, não vemos as outras bombas.
A dívida dos estados e municípios já em fase de explosão, mesmo assim ainda é relegada. A explosão de gastos públicos, face às limitações da já imensa carga fiscal, destroçará as contas públicas. Nossos entes federados estão atravessando a linha que separa dificuldades fiscais conjunturais da falência estrutural, com suas consequências sobre os serviços públicos e os salários dos servidores. A Previdência explodirá em algum momento não muito distante, trazendo sacrifícios devastadores sobre a população mais velha do país e penalizando os jovens.

Nossa má educação e o consequente atraso na ciência e na tecnologia, que nos deixam cada dia mais atrasados em relação ao resto do mundo, são a bomba que impedirá nosso ingresso no mundo do conhecimento que caracteriza a economia e a sociedade.
O endividamento das famílias pode explodir, inviabilizando nosso sistema financeiro aparentemente sólido e sacrificando a vida de nossa população. A incapacidade de gestão que caracteriza o Estado brasileiro dos últimos anos ameaça o crescimento de nossa economia e o bom funcionamento de nossa sociedade. A baixa poupança de nossas famílias, empresas e governo é uma bomba que impede os investimentos necessários à construção de uma infraestrutura eficiente, ao crescimento da economia e ao aumento da produtividade de nossa indústria. O desemprego é uma bomba trágica de grandes proporções. A bomba do consumo de drogas corrói famílias e anula o potencial de dezenas de milhares de jovens.

Bode expiatório
Não se discute a consistência da denúncia a Eduardo Cunha, presidente da Câmara, mas as circunstâncias que a cercaram. Entre outras, o fato de estar dissociada da do presidente do Senado, Renan Calheiros, investigado como ele pela mesma Lava-Jato.
Renan, que, como Cunha, chegou a desafiar o procurador-geral Rodrigo Janot, e igualmente o Palácio do Planalto, tornou-se subitamente aliado de ambos, fator de estabilidade institucional.
Até programa de governo chegou a oferecer à presidente, o Agenda Brasil, que cumpre papel político-coreográfico.
Negociou sua isenção, valendo-se da circunstância de que Janot e Dilma precisam de seus préstimos imediatos. E aí viu-se o inusitado: o denunciante, Janot, sendo recebido, semana passada, em audiência pelo investigado Calheiros, na condição de pedinte.
A recondução do procurador-geral ao cargo depende do Senado – e lá Calheiros, em tese, reina. Fará o favor de conduzir as coisas de modo a que Janot não seja surpreendido. Favor, em política, como se sabe, é via de mão dupla, o que explica a preservação de Renan, pelo menos por enquanto.
Dilma, por sua vez, na mesma semana, jantou com metade dos ministros do STF. E obteve de um deles, Luís Roberto Barroso, uma providência que lhe é altamente benéfica.
Barroso, respondendo a uma indagação da senadora Rose de Freitas, peemedebista da bancada de Renan, manifestou-se contrário a que as contas de Dilma sejam votadas pela Câmara, sustentando que a apreciação cabe ao Congresso, cujo comando é do presidente do Senado.
Quanto ao fato de as contas dos governos anteriores – de Itamar, FHC e Lula - terem sido votadas pela Câmara, nada a obstar. Mas daqui para a frente, disse o ministro, só pelo Congresso. Como dessa votação, na hipótese de rejeição, pode surgir uma das vertentes do impeachment de Dilma, melhor deixar o comando com o confiável Renan, embora igualmente investigado pela Lava-Jato.
Cunha, como se sabe, não negociou coisa alguma. Manteve a postura crítica e ameaçadora aos interesses da presidente. Preparou o terreno para a votação das contas do governo, fazendo votar as anteriores, há anos pendentes. Mostrou-se, em suma, impermeável a acordos com o Planalto, ao qual já se disse na oposição.
A denúncia a Cunha, longe de atenuar, aprofunda a crise política. Haverá reação, que poderá ser mais ou menos eficaz na medida em que a Operação Lava-Jato trouxer mais novidades. Sabe-se, por exemplo, que Nestor Cerveró, prestes a fazer delação premiada, dispõe de informações importantes que conduzem a Lula.
O fator mais negativo em todo esse episódio é a suspeita que lança de politização judicial no âmbito do Ministério Público. Janot denunciou Cunha, citado uma vez na Lava Jato, mas não Renan, citado 16 vezes, pelos principais delatores – Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef -, ou mesmo Dilma, citada 13 vezes.
A impressão que se tem é que Cunha está sendo denunciado não por eventual delinquência, que obviamente precisa ser apurada, mas por representar ameaça à impunidade de delinquências ainda maiores. É o que, em circunstâncias similares, costuma se chamar de bode expiatório. Mas não basta punir um bode. É preciso chegar a todo o rebanho – sobretudo aos que o conduzem.
Até programa de governo chegou a oferecer à presidente, o Agenda Brasil, que cumpre papel político-coreográfico.
Negociou sua isenção, valendo-se da circunstância de que Janot e Dilma precisam de seus préstimos imediatos. E aí viu-se o inusitado: o denunciante, Janot, sendo recebido, semana passada, em audiência pelo investigado Calheiros, na condição de pedinte.
A recondução do procurador-geral ao cargo depende do Senado – e lá Calheiros, em tese, reina. Fará o favor de conduzir as coisas de modo a que Janot não seja surpreendido. Favor, em política, como se sabe, é via de mão dupla, o que explica a preservação de Renan, pelo menos por enquanto.
Dilma, por sua vez, na mesma semana, jantou com metade dos ministros do STF. E obteve de um deles, Luís Roberto Barroso, uma providência que lhe é altamente benéfica.
Barroso, respondendo a uma indagação da senadora Rose de Freitas, peemedebista da bancada de Renan, manifestou-se contrário a que as contas de Dilma sejam votadas pela Câmara, sustentando que a apreciação cabe ao Congresso, cujo comando é do presidente do Senado.
Quanto ao fato de as contas dos governos anteriores – de Itamar, FHC e Lula - terem sido votadas pela Câmara, nada a obstar. Mas daqui para a frente, disse o ministro, só pelo Congresso. Como dessa votação, na hipótese de rejeição, pode surgir uma das vertentes do impeachment de Dilma, melhor deixar o comando com o confiável Renan, embora igualmente investigado pela Lava-Jato.
Cunha, como se sabe, não negociou coisa alguma. Manteve a postura crítica e ameaçadora aos interesses da presidente. Preparou o terreno para a votação das contas do governo, fazendo votar as anteriores, há anos pendentes. Mostrou-se, em suma, impermeável a acordos com o Planalto, ao qual já se disse na oposição.
A denúncia a Cunha, longe de atenuar, aprofunda a crise política. Haverá reação, que poderá ser mais ou menos eficaz na medida em que a Operação Lava-Jato trouxer mais novidades. Sabe-se, por exemplo, que Nestor Cerveró, prestes a fazer delação premiada, dispõe de informações importantes que conduzem a Lula.
O fator mais negativo em todo esse episódio é a suspeita que lança de politização judicial no âmbito do Ministério Público. Janot denunciou Cunha, citado uma vez na Lava Jato, mas não Renan, citado 16 vezes, pelos principais delatores – Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef -, ou mesmo Dilma, citada 13 vezes.
A impressão que se tem é que Cunha está sendo denunciado não por eventual delinquência, que obviamente precisa ser apurada, mas por representar ameaça à impunidade de delinquências ainda maiores. É o que, em circunstâncias similares, costuma se chamar de bode expiatório. Mas não basta punir um bode. É preciso chegar a todo o rebanho – sobretudo aos que o conduzem.
Dificuldade de governar
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.
2.
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
Bertolt Brecht (1898 - 1956)
Era vidro e se quebrou
Não é uma questão de ódio ou de intolerância, é de confiança. Na primeira pesquisa de opinião depois das eleições, dois terços dos brasileiros diziam que Dilma tinha mentido na campanha. É duro e raro que um governante flagrado em mentiras sérias recupere a confiança dos eleitores. Pode até ser aceito como um bom administrador, mas a confiança não se restaura, porque não há ex-mentiroso. Uma vez mentiroso, sempre mentiroso, dizem a História, a lógica e a sabedoria popular. Não há obras, manobras, loteamento de cargos e campanhas publicitárias que nos façam voltar a acreditar em quem nos enganou.
Claro, mentir, em certa medida, todo mundo mente, faz parte da condição humana, alguma hipocrisia é indispensável para uma convivência civilizada. Já pensou se todo mundo fosse sincero todo o tempo e dissesse o que lhe vem à cabeça? O problema é quando o mentiroso começa a mentir a si mesmo, e acreditar, caso em que os psicanalistas dizem que não vale a pena continuar a terapia. Dilma começou mentindo para os outros — e agora mente para si mesma. Sim, ela não rouba, mas mente muito.
E para piorar, mente muito mal, ao contrário de Lula, que usou seu grande talento histriônico para fazer da mentira uma das suas melhores armas. Durante anos muitos acreditaram nele, hoje todo mundo sabe que ele sempre soube de tudo e mentiu o tempo todo. Pode até ter feito um bom governo, mas é mentiroso.
Sim, todo politico mente: uns para o bem, outros para o mal.
Nos países anglo-saxônicos, de ética protestante, a verdade é um valor básico. Para eles, mentir é ilegal, pode levar à execração social e até a cadeia, por falso testemunho. Bill Clinton, mesmo popularíssimo, foi impichado na Câmara (e salvo pelo Senado ), não porque teve um caso com Monica Lewinsky, mas porque mentiu ao país.
No tempo da luta armada, Dilma fez a escolha errada, achando que poderia derrotar a ditadura militar pela força e instaurar a ditadura proletária, mas acabou contribuindo para atrasar o processo de abertura política que levou à redemocratização. Por puro autoengano.
Mentiras sinceras interessavam a Cazuza, mas como poesia.
Claro, mentir, em certa medida, todo mundo mente, faz parte da condição humana, alguma hipocrisia é indispensável para uma convivência civilizada. Já pensou se todo mundo fosse sincero todo o tempo e dissesse o que lhe vem à cabeça? O problema é quando o mentiroso começa a mentir a si mesmo, e acreditar, caso em que os psicanalistas dizem que não vale a pena continuar a terapia. Dilma começou mentindo para os outros — e agora mente para si mesma. Sim, ela não rouba, mas mente muito.
E para piorar, mente muito mal, ao contrário de Lula, que usou seu grande talento histriônico para fazer da mentira uma das suas melhores armas. Durante anos muitos acreditaram nele, hoje todo mundo sabe que ele sempre soube de tudo e mentiu o tempo todo. Pode até ter feito um bom governo, mas é mentiroso.
Sim, todo politico mente: uns para o bem, outros para o mal.
Nos países anglo-saxônicos, de ética protestante, a verdade é um valor básico. Para eles, mentir é ilegal, pode levar à execração social e até a cadeia, por falso testemunho. Bill Clinton, mesmo popularíssimo, foi impichado na Câmara (e salvo pelo Senado ), não porque teve um caso com Monica Lewinsky, mas porque mentiu ao país.
No tempo da luta armada, Dilma fez a escolha errada, achando que poderia derrotar a ditadura militar pela força e instaurar a ditadura proletária, mas acabou contribuindo para atrasar o processo de abertura política que levou à redemocratização. Por puro autoengano.
Mentiras sinceras interessavam a Cazuza, mas como poesia.
Quem sabe faz a hora
Não tem qualquer sentido comparar numericamente as manifestações de domingo e as desta quinta-feira. Seria covardia. Pelos dados oficiais da PM, as de domingo superaram 870 mil e as de hoje, 72 mil. Na quantidade de cidades, os atos do dia 16 chegaram a 204; hoje, a 37.
O que chama atenção é a organização.
A ordem unida das entidades chapa-branca (todas elas, é sempre bom lembrar, com patrocínios oficiais), com farta distribuição de bandeiras e cartazes produzidos em série nos pontos de concentração, dá o ar de coisa ensaiada. Um mesmo cenário que acaba por pasteurizar as manifestações.
Nos atos de domingo, nem o sentido das passeatas pareciam pré-combinados. Na Avenida Paulista, enquanto alguns iam para um lado, outros iam para outro. Cartazes escritos à mão, bandeiras do Brasil de vários tamanhos; dezenas de camelôs vendendo bandanas, broches e todo tipo de adorno verde-amarelo.
Mais do que no tamanho e na capilaridade de uma e de outra, a maior diferença está naqueles que têm crença e apostam que podem fazer a História e nos que se deixam manipular pelos que se arvoram a ser - e acham que são - os únicos capazes de fazer a História.
Mary Zaidan
O que chama atenção é a organização.
A ordem unida das entidades chapa-branca (todas elas, é sempre bom lembrar, com patrocínios oficiais), com farta distribuição de bandeiras e cartazes produzidos em série nos pontos de concentração, dá o ar de coisa ensaiada. Um mesmo cenário que acaba por pasteurizar as manifestações.
Nos atos de domingo, nem o sentido das passeatas pareciam pré-combinados. Na Avenida Paulista, enquanto alguns iam para um lado, outros iam para outro. Cartazes escritos à mão, bandeiras do Brasil de vários tamanhos; dezenas de camelôs vendendo bandanas, broches e todo tipo de adorno verde-amarelo.
Mais do que no tamanho e na capilaridade de uma e de outra, a maior diferença está naqueles que têm crença e apostam que podem fazer a História e nos que se deixam manipular pelos que se arvoram a ser - e acham que são - os únicos capazes de fazer a História.
Mary Zaidan
A diferença
Existe uma brutal diferença entre a maioria silenciosa, de que os 700 mil eram a expressão sonora, e a minoria ruidosa de esquerda. Os que se manifestaram em defesa do governo exprimem hoje o tamanho do PT e do esquerdismo, mesmo dominando máquinas milionárias, fartamente alimentadas por dinheiro oficial, como é o caso da CUT, do MST, do MTST e da UNEReinaldo Azevedo
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