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| Nani Humor |
domingo, 5 de outubro de 2014
É preciso mudar.Pelo voto
Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam
consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de
gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia
quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na
televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de
telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.
Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil
parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da
hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa
nacional com as múmias e os
ladrões, vivinhos e populares.
Exterminadores da razão
O desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos
situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender.
No Brasil, como ensina o professor Pedro Malan, até o
passado é incerto. Há três meses, 75% dos brasileiros se diziam insatisfeitos
com o país e exigiam mudanças urgentes, mas hoje, quando todos os indicadores
econômicos, que já eram ruins, pioraram ainda mais, o desejo de mudança se
transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB)
e Pezão (PMDB). Vai entender. Será que eles mentiram aos pesquisadores? Ou eram
felizes e não sabiam? Ou gostavam de sofrer? Ou o medo do desconhecido é maior
que a esperança no futuro?
Mas como mudar, se nenhum governante municipal, estadual ou
federal jamais reconhece seus erros, atribuindo-os sempre a outros, a
conspirações políticas ou a circunstâncias adversas? Sem reconhecê-los, como
corrigi-los?
Quem está na chuva é para se queimar, dizia o folclórico
presidente corintiano Vicente Matheus, mas na fogueira eleitoral, além de
sonhos e reputações, a razão é a primeira a arder. Mentiras, golpes baixos e
jogo sujo são o motor das campanhas, um vale-tudo sem limites na luta pelo
poder que deve envergonhar a todos que não acreditam, como Lula, que vergonha é
perder eleição.
Leia mais o artigo de Nelson Motta
Em quem voto e por quê
Poucas vezes o refrão de estarmos em uma encruzilhada terá
sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso
de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do
debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública,
boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o país
está.
Em uma das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos,
a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que
Aécio acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio
PSDB!) e Marina seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos,
com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os
interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as
imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do
estalinista para definir os “inimigos”), elas fizeram estragos no campo
opositor.
A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que
a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções
ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma
risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando
arrogantemente que tudo que fez foi certo; se algo deu errado foi, como diria
Brizola, por conta das “perdas internacionais”. Mais ainda, disse com convicção
espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que
fazer-lhes a guerra, coisa que só os “bárbaros” ocidentais pensam ser
necessária.
E o que é isso: socialismo? populismo? Não: capitalismo de
estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo
regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião
pública (“não é função da imprensa investigar”, outra pérola dita recentemente
por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários
“campeões nacionais” até partidos sedentos de um lugar no coração do governo.
Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do
orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem
para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos.
Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.
Pega na (enésima) mentira
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| Ônibus da empresa municipal que virou autarquia estão acautelados para não serem usados neste domingo gratuitamente para levar eleitores |
Em discurso de campanha para eleger a mulher e o companheiro
presidente da Câmara, Quaquá apelou para nova mentira a fim de enganar e
aparecer como o grande administrador coisa que nunca foi nem será. O prefeito
de Maricá em mais uma farofada anunciou que o município será o primeiro do país
a contar com transporte gratuito nos ônibus, através da autarquia de
transportes que criou e 13 veículos estacionados e mofando no aeroporto interditado.
Como é um costumeiro mentiroso, sempre se passando por
melhor prefeito, quando lidera a lista do mais desastrado e corrupto, esqueceu
que a lista de cidades brasileiras com transporte gratuito já existe desde
2011, entre elas, Silva Jardim, Mount Carmel, Potirendaba, Paulínia,
Muzambinho, Pitanga e Ivaiporã.
Águas de São Pedro, em São Paulo, com o segundo IDH do país,
é uma estância hidromineral, que não recebe um pingo de royalties, mas vivendo
apenas do turismo consegue índices fabulosos, inclusive com transporte
gratuito.
Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de
R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o
município. Outra cidade brasileira a adotar o sistema é Agudos, no interior de
São Paulo, próxima a Bauru. A gratuidade também foi implantada em 2011, quando
se extinguiu a tarifa de R$ 2,40 e, desde então, o uso dos ônibus aumentou em
mais de 60%.
Os brasileiros,entre a esperança e o medo
Basta sair por estes dias na rua e falar com as pessoas –algo muito simples
entre os brasileiros, sempre dispostos a contar sua vida– para perceber que o
Brasil se movimenta nestas eleições entre dois sentimentos contrapostos: a
esperança e o medo. Esperança de melhorar a vida, como ficou claro na última
pesquisa do Datafolha, que revela que 74% dos brasileiros desejam que as coisas
mudem. Não se conformam com o que têm.
Esse sentimento traz implícito um forte desejo de melhoria
em todos os níveis, não só material, mas, por exemplo, também a ampliação da
democracia. É como se dissessem que "é possível melhorar nossa qualidade
de vida". Significa também que os brasileiros se tornaram mais exigentes
com seus governantes. Já não aceitam tudo passivamente, como no passado,
aprisionados por uma atávica resignação, triste herança da escravidão.
A esse sentimento, a esse grito por melhorias e de esperança
em um futuro imediato –que os pais de milhões de brasileiros desejam para os
filhos– se opõe uma sensação de amargura e desencanto, como se perguntassem:
"Quem nos oferece hoje essa esperança de algo melhor?" Ou o terrível
e não verdadeiro "todos são iguais".
Até agora o debate eleitoral estava
mais centrado justamente no que os brasileiros não queriam: a briga entre os
candidatos; aquilo do "e você é mais" (ou seja, mais corrupto, mais
mentiroso), que dava uma sensação mais de medo do que de esperança.
Não é nenhum segredo que os brasileiros –incluindo os
milhões de famílias que saíram da miséria e não só não passam mais fome, mas
têm até televisão de plasma– estão insatisfeitos com seus governantes. Não que
sejam ingratos, que não reconheçam que o Brasil melhorou nos últimos 20 anos,
mas não são bobos e sabem que neste país rico se desperdiçam bilhões que são
diluídos nos rios sujos da corrupção; que as pessoas ganham mais do que ontem,
mas que a inflação galopante chegou até elas como um autêntico assaltante que
lhes exige voltar a repensar a compra ao ir ao mercado; que lhes dá medo de
pedir um novo empréstimo por medo dos juros, que estão entre os mais altos do
mundo e que já endividaram 50% das famílias.
sábado, 4 de outubro de 2014
Dizer não
Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade
dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto
arbitrário dos outros.
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.
Vergílio Ferreira
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.
Vergílio Ferreira
Dilma e o voto que vem pelo Correio
“Isso é um absurdo,
pô”. Você pensa que a presidente da República está indignada com o
aparelhamento e uso de uma empresa estatal para trabalhar na campanha de sua
reeleição?
Nem que a vaca tussa. A presidente não está indignada com o
fato, mas com a divulgação do fato, que ela atribui à “proximidade da eleição”.
Mas nem é uma denúncia da oposição nem de seus adversários. É a exibição pura e
simples de um vídeo onde um deputado petista se vangloria do “dedo forte dos
petistas dos Correios” na virada das
intenções de voto dos candidatos do partido a presidente e a governador.
No centro da mesa do evento filmado, impávido e colosso, o
presidente da estatal, Wagner Pinheiro, que mais tarde divulgaria sua
indefectível nota oficial desmentindo que os Correios estejam favorecendo
alguém.
O PT costuma alegar “falta de provas” em qualquer caso de
denúncia de malfeitos do partido, e pelo que se vê, o partido nao aceita nem as
provas que ele mesmo produz.
Assim realmente fica difícil cumprir uma das tarefas
fundadoras do PT, que é a de empunhar a bandeira da ética na política. Nao
importa que a bandeira esteja um tanto esgarçada pelo mau uso que foi feito
dela, desde que algumas pessoas ainda acreditem
nela-ou pelo menos deixem de considerá-la importante, já que “todo mundo faz a
mesma coisa, nao é mesmo?”.
Mas se ninguém se incomoda em nivelar a prática política por
baixo, nem mesmo o PT, que supostamente nasceu para nivelar por cima, será preciso
acreditar em outra coisa, para diferenciar o partido dos outros.
A temporada festejada de inclusão social não teria começado
sem a estabilidade econômica, e isso é consenso entre todos as pessoas sérias,
e embora o PT tenha votado contra ela, se assenhorou de todos os frutos da
árvore, que ele não só não ajudou a plantar, como apedrejou o quanto pôde.
Lula, o palanqueiro, disse em um comício recente, ao
comentar as oscilações da Bolsa em função das pesquisas eleitorais, que ele
“nunca pediu votos ao mercado”. Claro que a platéia que o ouvia pode ter ido ao
delírio, porque a excitação coletiva com frases de efeito faz parte da prática
populista, e ninguém naquele ambiente teria o mau gosto de lembrar que ele só
ganhou as eleições de 2002 depois de acalmar o mercado com a “Carta ao Povo
Brasileiro”, onde o programa do PT foi sepultado para descansar em paz.
Na propaganda eleitoral muito pouco fraterna, o PT destruiu
a ex-companheira Marina, dedicando-lhe a acusação de “neoliberal”, que no
dialeto das esquerdas pós-modernas é algo pior do que “lacaio do imperialismo”
na segunda metade do século passado.
Não importa que não
haja nenhuma semelhança entre o que o PT diz e o que ele faz. Afinal, a alma
daquele partido que muitos idealistas adotaram por ser “diferente de tudo que
está aí” já morreu e o corpo espera uma extrema unção digna.
Sandro Vaia
O silêncio dos 'inocentes'
Em meio ao foguetório eleitoral, num berço esplêndido, há
quem se finge de morto, mas está mais vivo do que nunca. Passa despercebido
nessa corrida um partido do qual pouco se fala, mas pode vir a ser novamente
coadjuvante mesmo que o PT diga adeus à presidência.
Os dados já sinalizam quem será o grande vitorioso das urnas
e o maior derrotado. O Oscar irá mesmo para o PMDB, que deve praticamente
governar a maior parte do país com nove governadores e a maior bancada na
Câmara. É quase um replay de 1974, quando o então MDB, em plena ditadura,
humilhou a Arena.
Se em 2010 o PT elegeu cinco governadores inclusive de
colégios eleitorais de peso. Não repete o feito e sua para não passar vergonha.
Com 17 candidatos aos governos e só aparece com chances de vitória no Piauí,
Acre e Minas Gerais. Também não conseguirá manter os 88 deputados, podendo
ficar até um terço menor.
O PT realmente não é o mesmo motivador de massas. Não é à
toa que candidatos de coligações estejam escondendo a cor e os símbolos do
companheiro. Está virando um sapo indigesto.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
‘Não tem Coronel aqui. Quem manda é o povo!’
Gesto deselegante, para dizer pouco, e nada democrático, como costuma ser a atitude petista que atropela tudo para ser o vencedor. No caso, eleger a mulher do prefeito à Alerj, o que está sendo repudiado pela população. E assim o PT vai engolindo o país com suas safadezas e pilantragens.
Licença para enganar
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um
vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica.
Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo
que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o
sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais
desinformadas?
Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas
afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o
Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o
pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de
setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.
Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a
campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem,
não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos
emocional.
E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal. Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.
Arremedo de democracia
Nem a Folha de S. Paulo, que publicou a entrevista na última
segunda-feira, nem os demais veículos de comunicação deram importância ao que
disse Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo
e dono da Companhia Siderúrgica Nacional, sobre a eleição presidencial do
próximo domingo.
A certa altura da entrevista, o repórter Fernando Rodrigues
perguntou em quem Steinbruch votaria. O poderoso industrial respondeu:
- Não sinto necessidade de revelar. Meu voto é a favor das
mudanças. Se a presidente Dilma propuser mudanças com relação ao futuro do
Brasil, ela tem chance de ter o meu voto. Se a candidata Marina propuser
mudanças, ela tem a possibilidade de ter o meu voto. Assim como o Aécio.
Rodrigues insistiu:
- Se um empresário como o senhor revelar o voto no Brasil,
pode sofrer perseguição?
A resposta foi espantosa, a se levar em conta que vivemos
numa democracia e que as pessoas são livres para votar em quem quiser:
- Com certeza. Pode.
Rodrigues foi adiante:
- Se disser que vota em Marina e ela perder a eleição, o
senhor acha que poderia ser perseguido?
- Acho que sim. O empresário brasileiro e o banqueiro são
tremendamente dependentes do governo. Lá fora você não tem essa necessidade de
ter a boa vontade do governo. Aqui, só o BNDES te dá financiamento de longo
prazo com carência.
Quer dizer: se o presidente da República não for com a sua
cara, o BNDES lhe fechará as portas.
Temos um arremedo de democracia – a verdade é essa. E a democracia entre nós é tanto mais fraca quanto maior é a determinação dos donos do poder de não abrir mão do poder.
Chantagem de prefeito
Já asfaltei muito. Mas vou asfaltar toda Maricá. Vou fazer ainda mais pela cultura, pela educação, pela segurança. Vou construir o novo hospital. Mas para isso preciso de seu voto para eleger Zeidan para a Câmara estadual e Fabiano Horta para federal.
(Gravação do prefeito Quaquá em carro de som circulando há dois
dias pela cidade. Embutida a chantagem de que se não forem eleitos seus
candidatos petistas não serão cumpridas as promessas. Aliás, que sequer foram
cumpridas ainda)
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Mercado sinaliza temporada difícil para Dilma
Ações da Petrobras caíram 11% nesta segunda, num recado claro de que os agentes financeiros esperam muito de um eventual Governo “Dilma 2.0”, que precisará ser mais pragmático
O comportamento de cavalo selvagem desta segunda lembrou o
período pré eleitoral de 2002, quando o ex-presidente Lula liderava as
pesquisas, e a bolsa de valores oscilava de modo descontrolado, assim como o
câmbio, que chegou a 4 reais quando seu nome foi confirmado nas urnas. Embora
alguns indicadores fundamentais sejam até melhores do que há 12 anos, o cenário
para uma repetição de Dilma Rousseff é muito mais desafiador do que
naquela eleição, acredita a economista Zeina Latif. “Naquele ano havia o medo
do que havia por vir. Agora, a história é outra, pois a credibilidade do
Governo está muito abalada, dizendo inclusive que tudo está muito bem”, diz
Latif. “Pois se está tudo bem é como se achassem que não há ajustes a serem
feitos”, completa.
Vale a pena votar domingo?
É preocupante e assustador o desleixo com que tratamos a nosso passado recente – e essa incapacidade de refletir sobre a história. A mudança depende somente de nós, de nosso engajamento.
Por uma dessas coincidências, as eleições de domingo ocorrem
no exato dia em que comemoramos 26 anos de promulgação da Constituição vigente,
cujo ordenamento jurídico pôs fim efetivo à nunca por demais execrada ditadura
militar brasileira, que até hoje permanece assombrando a nossa frágil e débil
democracia. Das oito da manhã às cinco da tarde, parte expressiva dos 140
milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 70% do total da população, deverá
se apresentar às urnas eletrônicas, exercendo o direito de escolher seus
representantes no Poder Executivo e Legislativo estadual e federal (se o voto
deve ser facultativo ou continuar obrigatório é uma discussão que não cabe aqui
e agora).
O quadro que se pinta não é dos mais animadores, certamente.
Em São Paulo, que, concentrando um terço do Produto Interno Bruto (PIB)
nacional, é tido como o estado mais parecido com o modelo econômico-social que
desejamos aperfeiçoar e exportar para o resto da Federação, encontramos
candidatos cujo deboche pela política aparece no próprio nome com que se
apresentam ao eleitor. Eis algumas bizarrices, pinçadas ao acaso, entre
postulantes a deputado federal: Obama Brasil, Toninho do Diabo, Carlão do Doce,
Macaco Tião Cláudia, Rique O Tchê-Tchê, Doutor Verme, Meu Querido, Mick Jagger
do Brasil, Valmir Olho de Lobo, Newton – O Homem do Chapéu, e outros, e muitos.
Neste ano, em que completam-se 50 anos do golpe que instalou os militares no poder, temos assistido a uma profusão de manifestações autoritárias a nos lembrar que estamos longe ainda de constituirmos um sólido estado de direito. Apesar de realizarmos a sétima eleição direta consecutiva para a Presidência da República – o maior período de democracia de toda a história política do Brasil –, superando traumas (como o impeachment de Fernando Collor) e preconceitos (como a investidura de um ex-metalúrgico e de uma ex-guerrilheira), o pensamento prepotente cavalga pelas ruas e avenidas e, principalmente, pelas redes sociais.
Cospe no prato que paga com fortunas
“A gente agora vai mostrar pra essa elite, dessa Rede Globo, pra essa cambada de elite arrogante, que o povo brasileiro sabe o que quer!"
Companheira de Quaquá, prefeito de Maricá, em fiasco de
comício com militância de aluguel, repete a costumeira petista lengua-lengua
contra a Rede Globo, só esquecendo que o próprio governo municipal paga
fortunas para a mesma rede de televisão, através da propaganda “Direto de
Maricá”, em horário nobre da mesma emissora, divulga as "maravilhas' em
que transformou o município.
Assim são os petistas, pagam fortunas para apresentar
grandes obras e depois atacam a mesma mídia de que se utilizam com farto
dinheiro público.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
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