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| Nani Humor |
terça-feira, 24 de junho de 2014
Maus políticos são filhos dos maus eleitores
Limpar a imundície que criamos com nossos votos exige que arregacemos as mangas e comecemos a faxina por aqui e que nossos irmãos façam o mesmo em suas cidades
O Brasil foi tomado por gente
metida a esperta que acha que sabe tudo de política. As tribunas são os
botequins, praias no final de semana, fila do banco ou qualquer lugar onde haja
plateia. Deitam falação a chamar políticos de ladrões e que “é tudo igual” e
que o negócio é anular o voto e até deixar de comparecer às seções eleitorais.
Pobre Brasil! Enchem a boca para falar de democracia e querem anular a mais
universal forma de manifestação popular; o voto livre e secreto.
Quando chegar a hora lá estará boa parte dos “democratas” trocando o voto por
promessas de emprego, tijolo, telha, cesta básica e até dinheiro vivo. Qualquer
“cinquentinha” compra a consciência dos metidos a honestos. O mal está feito.
Os filhotes da corrupção fincaram raízes e tomaram Brasília, nossas capitais estaduais e nossos municípios e não querem sair. Deles vêm as leis que lhes garantem a impunidade, a riqueza, a continuidade quase eterna. Tratam de espalhar pelo sofrido Brasil suas garras transformando empresas públicas, Estados e Cidades em instrumentos da roubalheira. Só quem pode dar uma solução somos nós todos e, exatamente, usando o mesmo instrumento que transformou o Brasil num lamaçal.
Os filhotes da corrupção fincaram raízes e tomaram Brasília, nossas capitais estaduais e nossos municípios e não querem sair. Deles vêm as leis que lhes garantem a impunidade, a riqueza, a continuidade quase eterna. Tratam de espalhar pelo sofrido Brasil suas garras transformando empresas públicas, Estados e Cidades em instrumentos da roubalheira. Só quem pode dar uma solução somos nós todos e, exatamente, usando o mesmo instrumento que transformou o Brasil num lamaçal.
O nunca será hoje
Quando os
dominadores tiverem falado
Os dominados
falarão.
Quem ousa dizer:
Nunca?
De quem a
responsabilidade, se a opressão continuar? Nossa.
De quem a
responsabilidade, se ela for esmagada? Nossa.
Quem quer que seja
abatido, deixem-no levantar-se!
Quem quer que
esteja perdido, deixem-no lutar!
Quem quer que
conheça seu destino, como pode ser detido?
Pois os vencidos de
hoje são os vencedores de amanhã.
E o Nunca se
transformará em Hoje!
Bertold Brecht
(1898-1956)
Maricá se aparelha para a nova ordem
PT regional cria núcleos até de redes sociais para “aprimoramento das decisões que envolvam o Legislativo”, seguindo a ordem de uma “nova” democracia.
O novo
decreto defendido com unhas e dentes pelo PT de criação de conselhos, que vem
provocando polêmica, já tem paralelo em funcionamento nos municípios petistas.
Sem contar o inchaço administrativo com até um subsecretário municipal para
menos de mil habitantes, e um corpo de comissionados, oficial, que passa de 2
mil pessoas, a Prefeitura de Maricá agora se aplica em colocar em prática as
linhas gerais do famigerado Decreto 8.243, que cria uma Política Nacional de
Participação Social, ainda sequer sancionado pela presidência.
Em
plenária realizada na última semana, o PT municipal apresentou a criação, com
as devidas vagas no cabideiro, de 16 núcleos de bairro, sete núcleos
setoriais e um núcleo digital para estabelecer "debates e sugestões para
melhoria da qualidade de vida, assim como traçar novos rumos aprimorando mais a
participação dos filiados nas decisões que envolva (sic) o Legislativo”. Isso
sem contar os já existentes “conselhos” que são meras fachadas, abrigo de
companheiros e companheiras, às vezes presididos por analfabetos informais com
o 1º grau incompleto. Chega ou ainda é pouco do que são capazes?
A
decisão municipal é a aplicação do decreto nem sancionado, mas posto em prática
pelo partido com todas as letras para o devido aparelhamento do governo ainda
mais que os tais núcleos estarão sob o comando da presidente regional do
partido, que nada mais é do que a mulher do prefeito. A criação de uma tropa
mercenária para assessorar um governo dito democrático, sem qualquer aprovação
pelo Legislativo, extrapola qualquer legislação, e ainda é custeada por fundos
públicos.
A
atitude da plenária mostra que o PT local, como o nacional, pretende
aproveitar, entre as várias ações, a brecha do decreto para impulsionar as
candidaturas partidárias, além de solidificar o controle total da
governabilidade. No município, os dois candidatos à Câmara Federal e à
Assembleia são respectivamente o presidente da Câmara Municipal e a presidente
local do partido, também conhecida como a Prima Dona do município ou madame Z.
O reforço de “correligionários” não seria à toa.
Com
mais um latifúndio para abrigar outro lote de
comissionados com o dinheiro público (ou será que alguém pensa que o dinheiro é de fundo partidário?),
o partido faz uma grande jogada acrescentando novos batalhões de
“soldados”, sob o anonimato das redes sociais, com a prerrogativa de
“aprimoramento das decisões que envolvam o Legislativo”. Em letra miúda,
pressionar com força total o Legislativo em decisões que o Executivo ache
“importantes” e até mesmo “assessorando” com sua força a execução do que o
prefeito mandar. Tudo sob a chancela de que se defende a melhoria da qualidade
de vida e novos rumos no município. Mais aval para se instalar de forma
“democrática” uma ditadura de esquerda festiva custe o que custar em dinheiro,
porque o povo paga e o PT faz a farra.segunda-feira, 23 de junho de 2014
O Planalto é deles?
O encontro do ministro-chefe da
Secretaria-Geral da Presidência com blogueiros e chapas brancas na última
semana dentro do Palácio do Planalto não é o primeiro, mas outro de uma série
em que transformam o palácio presidencial em escritório petista, porque o
decreto que desejam aprovado é partidário e não de interesse nacional como
fazem supor. Esse abuso dentro do próprio Planalto vem se sucedendo há meses e
teve como destaque até a reunião, no ano passado, de ex-presidente e do
marqueteiro para discutir medidas contra as manifestações de rua.
O mais importante prédio da
República está servindo de escritório privilegiado para as reuniões de
interesse do PT, que ainda se servem de toda infraestrutura pública, paga com o
dinheiro do povo, para discutir seus planos eleitorais e de governança
ditatorial. O uso indevido do patrimônio nacional para meras reuniões de
partido com vistas às eleições é a demonstração de que os petistas se
consideram donos de tudo na República, inclusive das leis.
As reuniões também chamam a
atenção para um detalhe que é a presidente, eleita para defender todos os
brasileiros, aceitar coniventemente o abuso dentro do próprio palácio. Faz parecer que temos no cargo apenas uma
marionete que abre as portas do Palácio quando o senhor partido mandar. Ainda
mais que o local deveria ser palco para discussões com parlamentares,
representantes eleitos, mas não para meros escolhidos pelo partido para
desenvolverem táticas de guerrilha eleitoreiras.
O uso abusivo do Planalto revela
bem o objetivo partidário do novo decreto, uma vez que ali se instalará o
quartel-general do plano de Política Nacional de
Participação Social, casualmente presidido pelo ministro da Secretaria-Geral. A
democracia brasileira, segundo os petistas, vai assim instalar no prédio máximo
da República o quarto poder, gerido por um eleito do partido.
Vaias, xingamentos, rainhas
O assunto já parecia esgotado,
mas não: agora começo a receber pedidos de assinaturas em manifestos de
desagravo e de apoio à d. Dilma, como se os xingamentos que recebeu na abertura
da Copa fossem algo nunca ouvido. “Não porque ela é a presidente. Nem porque é
do PT. Nem precisa gostar dela ou do PT. É porque uma senhora deve ser
respeitada. Imagino que todos tenham mãe, irmãs, esposas ou mulheres próximas
que não gostariam que fossem xingadas” escreveu uma amiga ao me encaminhar o
terceiro pedido que recebi em menos de dois dias.
Ela está enganada. Como tanta
gente já observou, não há figuras mais desrespeitadas em estádios do que as
mães, e não é de ontem. Mas nunca, jamais, ninguém propôs um manifesto a favor
das mães dos juízes, todas, suponho, senhoras de certa idade. Os manifestos
estão surgindo exatamente porque Dilma é a presidente, porque é do PT (que
sempre foi especialista em agitprop) e, sobretudo, porque estamos em ano
eleitoral, e o partido ainda vai fazer o que puder para explorar politicamente
o episódio. Como, aliás, faria qualquer outro partido — embora, mais uma vez,
os petistas estejam forçando a mão na odiosa divisão de classes e raças que tem
sido a sua marca registrada, ricos versus pobres, eles contra nós, cronópios e
famas.
A Copa como metáfora do novo Brasil
Aquele futebol único que apenas o Brasil sabia criar no gramado, que fez de Pelé o mais brilhante embaixador do país, está mudando, se globalizou e se uniformizou
Deveria ter sido a Copa das
Copas. Não está sendo nos estádios, porque o time brasileiro já não entusiasma
o mundo como antes e nem sequer os de casa. O futebol já não se identifica com
o país de Pelé, Garrincha e Neymar. Outros estão jogando igual ou melhor do que
a família Scolari.
A situação que vive o futebol do
Brasil pode ser ao mesmo tempo paradoxal e metáfora positiva de algo mais
profundo que este país está vivendo.
É provável que o Brasil ganhe a
Copa, mas ele já não é, como no inexorável passado, indiscutível. Outros também
podem ganhá-la, ou melhor ele também pode ganhá-la. Virou normal.
Aquele futebol único que apenas o
Brasil sabia criar e imaginar no gramado dos estádios do planeta que fez de
Pelé o mais brilhante embaixador do país, está mudando, se globalizou e por
isso mesmo se uniformizou.
Em destaaque
Não estará chegando um Brasil
mais moderno, mais inconformista e pragmático, aonde se continue sofrendo
quando a equipe de coração joga mal, mas também aonde se possa chorar e lutar
por outras causas mais próximas de nossa vida real, as vezes feliz e as vezes
cruel?
sábado, 21 de junho de 2014
Você sabia?
O Brasil é o único país que eximiu a Fifa de pagar impostos por suas operações e lucros, algo que fará deste torneio um negócio “indecentemente rentável” para os organizadores.
Milagre brasileiro na Copa
Num passe de mágica, a primeira
semana da Copa fez desaparecer tudo de ruim que assola o país. Os congressistas
entraram em recesso, já não há mais bandidagem à solta nas ruas (só circula no
momento nos sempre obscuros meandros políticos), nem se fala de problemas de
trânsito ou de educação, com tanto feriado para tirar os carros das ruas e as
crianças das escolas.
As mazelas brasileiras foram
sanadas pelo manto sagrado da Fifa. Os brasileiros ficaram curados de qualquer
mal estar e nem mais precisam se socorrer em hospitais. Basta continuar de olho
na tevê.
O país parece ser outro daquele
antes da Copa, quando fervilhava o noticiário com crimes dos mais diversos
tipos, engarrafamentos astronômicos, e um quebra-pau sem fim na política,
problemas mil de prisões de corruptos. Nem a presidenta sai em romaria para
suas inaugurações de obras incompletas, ou sequer há uma operação da Polícia
Federal contra qualquer colarinho branco mesmo que seja um chinelinho.
Tudo e todos ficam em frente à
telinha ou acompanhando os jogos por suas mídias móveis. Em suma, o país parou
no tempo com a mídia deslocando seus integrantes para comentar as maiores
barbaridades futebolísticas, realizando reportagens as mais estrambóticas. Com
tanto trabalho insano para mostrar a banalidade do momento, não resta ninguém
nas redações para desvendar aquele país que continua a viver e sobreviver
apesar do futebol.
O Brasil assim vive o momento
supremo tão almejado pela ditadura: um país pra frente, sem problemas e com um
povo feliz com as dádivas governamentais. Dias róseos, em que até a doença e o
sofrimento parecem ter feito uma pausa para glória do governo, que tanto
empenhou e se empenhou para que o Brasil passasse a imagem de paraíso. Mas
esquecem todos que o outro Brasil está apenas anestesiado, sob as fortes doses
de um patriotismo barato e de um hipócrita amor ao esporte, que serve apenas
para se fazer festa. O milagre da Copa tem prazo de validade. E as mazelas
continuam as mesmas, sob um manto de enfumaçado noticiário, não se enganem os
descuidados. O país tem mais o que resolver do que discutir se uma bola entrou
ou não. E essa parada pode ter um custo inimaginável quando tudo acabar e o
circo da Fifa recolher as lonas para se mandar para a Rússia. Aí as contas
ficarão aqui exigindo serem pagas a qualquer custo.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Sombras de uma pesquisa
A pesquisa “O Descontentamento no Brasil antes da Copa do
Mundo”, publicada pelo Pew Research Center, conclui que “o clima nacional no
Brasil é sombrio”, depois de um ano em que mais de um milhão de pessoas saíram
às ruas em todo o país para protestar contra a corrupção, a inflação e os
enormes gastos do governo em obras públicas para a Copa, muitas das quais
permanecem inacabadas.Muitos manifestantes dizem que o Brasil deveria ter
gastado mais com educação de qualidade, saúde e transporte público, e menos com
futebol.
Alguns dos resultados da pesquisa são:
*72% dos brasileiros estão
insatisfeitos com o rumo das coisas em seu país, em comparação com 55% pouco
antes do início das manifestações contra a Copa em junho de 2013, e 49% em
2010.
*67% dos brasileiros acham que a economia
não vai bem, em comparação com 41% no ano passado e 36% em 2010.
*61% dos brasileiros acham que sediar a Copa
do Mundo é ruim, porque retira dinheiro da educação, da saúde e de outros
serviços públicos. Só 34% acham que a Copa ajudará a melhorar a economia.
*52% dos brasileiros acham que Dilma exerce uma má
influência sobre os assuntos do país, enquanto 48% pensam que a sua influência
é boa.
O elitismo da tropa
Um manifesto assinado por 300 parlamentares, artistas,
professores, jornalistas e advogados em defesa dos condenados no mensalão foi
protocolado no Supremo Tribunal de Justiça (STF). O documento, batizado
"apelo público ao STF, em defesa da Justiça e do Estado de direito",
foi iniciativa de um grupo de amigos do ex-ministro José Dirceu, fazendo duros
ataques ao presidente do tribunal, Joaquim Barbosa.
Eis aí mais um movimento da elite, petista de camiseta e
bandeira, desfilando como justiceira em favor dos seus. Aqueles que nunca se
manifestaram contra a calamitosa gestão das penitenciárias brasileiras, onde
negros e pobres são os mais escorraçados; aqueles que não defenderam bandeiras
contra a corrupção; aqueles que não assinam nenhum documento contra os nefastos
governos petistas; aqueles que sempre taxaram os outros partidos de elite,
estão aí para demonstrar o quanto são elite. Porque elite é apenas uma parcela
da população que defende com toda a blindagem possível interesses de grupo.
O manifesto dos 300 é mais uma pirotecnia petista que se
apropria da justiça para criticar e condenar a Justiça, uma vez que os presos
que defendem, todos sem distinção, nada mais são que condenados como milhares e
milhares que vegetam nas cadeias brasileiras, estejam com saúde ou precisando
de cuidados médicos. Estiveram, por privilégio, diante do mais importante
tribunal do país e receberam as devidas (ou indevidas) condenações. Agora
desejam os amigos que a Justiça reveja a legislação para privilegiar os companheiros no xilindró. Os benefícios que conseguirem com o manifesto será estendido aos
demais presos? Nem pensar, porque os outros não fazem parte da elite.
A hipocrisia dos 300 mostra bem o quanto são capazes para
defender da lei os infratores petistas. Não falta a eles um estoque de todo
tipo de máscara para cada situação, e não têm vergonha em se mascararem
conforme a ocasião.
Sobem em tamancas e se fantasiam de Justiça por estarem
blindados e nunca porem a cara a tapa nas grandes questões que o povo levou às
ruas. Ou alguém ainda acredita que algum deles iria à rua para se manifestar
contra os desmandos na saúde, educação, segurança pública? O documento que
assinaram é uma das maiores vergonhas dos últimos tempos, mas que piamente
consideram, por serem petistas de carteirinha, que é de grande importância,
como eles também se acham importantes. Pois o mal das elites é não reconhecerem
nunca que fedem tanto quanto os outros. E os petistas que restam até
ainda vivos exalam putrefação longe.
A lista do PT
Lula só pensa naquilo. Diante das vaias (normais no ambiente
dos estádios) e dos xingamentos (deploráveis em qualquer ambiente) a Dilma
Rousseff na abertura da Copa, o presidente de facto construiu uma narrativa
política balizada pela disputa eleitoral.
A “elite branca” e a “mídia”, explicou, difundem “o ódio”
contra a presidente-candidata. Os conteúdos dessa narrativa têm o potencial de
provocar ferimentos profundos numa convivência democrática que se esgarça desde
a campanha de ataques sistemáticos ao STF deflagrada pelo PT.
O partido que ocupa o governo decidiu, oficialmente,
produzir uma lista de “inimigos da pátria”. É um passo típico de tiranos — e
uma confissão de aversão pelo debate público inerente às democracias. Está lá,
no site do PT, com a data de 16 de junho (Leia "A desmoralização dos pitbulls da grande mídia").
O artigo assinado por Alberto Cantalice, vice-presidente do
partido, acusa “os setores elitistas albergados na grande mídia” de “desgastar
o governo federal e a imagem do Brasil no exterior” e enumera nove “inimigos da
pátria” — entre os quais, este colunista.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Manipulação das massas
“Lula antevê uma campanha eleitoral “violenta”, pois a elite “está conseguindo despertar o ódio de classes”. Manipulação astuciosa, recicla o ódio do PT, transformando-o no ódio ao PT”
Pão ou circo no Brasil
A Copa pode contribuir para reparar danos ou agravar o mal-estar entre os cidadãos
A narrativa nacional brasileira era cristalina até um ano
atrás. Mas o Mundial de futebol pode contribuir para reparar danos ou
agravar o mal-estar entre os cidadãos, especialmente tendo em vista as eleições
presidenciais de 5 de outubro.
Existe o risco de que a nação latino-americana fique como
uma “potência emergente congelada”
O presidente Lula afirmava que estava sendo criado um
novo país, no qual o progresso econômico e social assumiam o valor de uma
refundação. As taxas de crescimento superavam 4% até chegar a 7%; 40 milhões de
brasileiros tinham saído da pobreza para integrar-se nesse balaio de gato
chamado “classe média”; a política externa era muito ativa, com forte
investimento cultural e econômico na África; o Brasil era membro fundamental
dos BRICS, o grupo das grandes potências emergentes; reivindicava um assento no
Conselho de Segurança e entre suas pretensões mais intangíveis figurava a
hegemonia e direção de um vasto bloco latino-americano.
A segunda fase dessa investida teria de ser desenvolvida
pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff. Mas existe
uma antinarrativa das massas que desencadearam um irado protesto em
junho de 2013, inicialmente contra o aumento do preço do transporte, mas logo
depois contra o esbanjamento e a corrupção da Copa, que custou, oficialmente,
28 bilhões de reais, e que em sua inauguração tinha oito estádios sem terminar
e um rastro de acusações de desembolsos e reembolsos mal explicados.
Brasil piora em paz e segurança
O Índice Global da Paz divulgou nesta quarta-feira um novo
levantamento sobre os países mais seguros do mundo. Com estatísticas que
mesclam o impacto da violência na economia, e considerando ainda fatores como
índices de democracia, transparência, educação e bem-estar material, além do
nível de militarização e atividades criminosas ou terroristas, a organização
constatou que a Islândia segue como o país mais seguro para se morar. Em
contrapartida, a Síria apresentou uma drástica decaída em seus níveis de
segurança e tomou a última colocação do ranking, ocupada anteriormente pelo
Afeganistão. O Brasil caiu cinco posições no ranking em relação ao ano passado
e ocupa a 91ª posição entre os 162 países analisados. No total, o índice é
composto de 22 indicadores qualitativos e quantitativos.
Atrás de Bolívia e Guiana, por exemplo, a economia brasileira sofreu
um impacto de 117 bilhões de dólares causado pela violência, conforme
dados do estudo. Segundo Steve Killiliea, presidente executivo do Global
Peace Index (GPI), “na preparação para a Copa do Mundo, o Brasil viveu um
aumento de manifestações violentas”. Mas ele ressalta que “apesar da queda de
cinco lugares na classificação no índice, o Brasil continua a ser o melhor
entre os países do BRICS”.quarta-feira, 18 de junho de 2014
Tudo igual
"Hoje os jornalistas não fazem bem seu trabalho. Falta a eles imaginação e também olfato para saber onde estão as boas histórias. Dependem demasiado dos políticos e os políticos lhe oferecem uma versão manipulada da realidade. Os jornalistas estão aí para ajudar seus leitores a compreender melhor a realidade e não para deixarem-se leva pela propaganda do governo.(...) Hoje todos os jornalistas fazem o mesmo. Estão muito próximos do poder econômico, político ou militar. Não são suficientemente radicais, céticos ou independentes. Precisamos de mais jornalistas que desconfiem do poder"
Gay Talese
Na falta de política, militares
“O Conselho Sul-Americano de Defesa é o único organismo da Unasul a registrar alguma atividade. Quem o estimula é o Brasil, que pretende isolar sua vizinhança dos Estados Unidos – os antigos reflexos anti-imperialistas do PT”
Dilma Rousseff mobilizou os soldados brasileiros para
blindar as 12 sedes da Copa. Durante a campanha colombiana que culminou na
reeleição de Juan Manuel Santos, discutiu-se se a instituição militar estava
sendo traída pela paz com a guerrilha. Há um mês, a Assembleia Nacional do
Equador autorizou que os militares garantam a ordem pública. Desde 2011 o
Exército argentino combate o narcotráfico na fronteira com a Bolívia. Nada que
surpreenda colombianos ou mexicanos, acostumados a que essa luta seja um
objetivo militar. O fenômeno se generalizou: as Forças Armadas, cujo
recolhimento profissional foi decisivo para o processo de democratização,
voltam a gravitar na América Latina.
A passagem da ditadura ao Estado de Direito implicou para a
maioria dos países erguer um muro entre Segurança e Defesa. Essa delimitação
está se tornando cada dia mais imprecisa.
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