quarta-feira, 11 de junho de 2014

Algo de podre no ar


Os dissidentes distribuíram dois documentos críticos ao governo federal na convenção. “A Petrobras foi totalmente aparelhada. Deixou de ser um orgulho nacional para se transformar em um balcão de negócios destinado a tenebrosas transações. Seu valor de mercado caiu pela metade e sua dívida duplicou nos últimos três anos”,
Trecho de um dos documentos dos dissidentes (41%) na convenção nacional do PMDB. Se o partido de base do governo diz isso, mesmo indicando diretores da Petrobras nos governos Lula e Dilma, é que a coisa está feia. Aliado de 12 anos agora vem revelar os podres?

Dica pra Copa


Abismo na educação entre Brasil e países ricos


O brasileiro trabalha mais do que a média dos habitantes dos países ricos, mas é mais pobre do que todos.
A explicação:o brasileiro trabalha, trabalha e no final produz pouco, pois é pouco instruído. Ou seja, seu suor não agrega muito à economia.
Um novo estudo da OCDE, espécie de clube dos países ricos, mostra que, apesar do zunzunzum "Brasil potência” da última década, o Brasil ainda tem muito chão a percorrer antes de comparar-se ao primeiro mundo.
Aqui, apenas 43% dos adultos entre 25 e 64 anos possuem o equivalente ao diploma de ensino médio. É muito menos do que a média da OCDE (75%) e bem menos do que o nosso vizinho Chile (72%).

Conta outra, presidenta


É piada pra rir ou lamentar, presidenta? De repente, não mais do que de repente, a senhora descobre a pólvora. com ares doutorais, com beca e capelo, estabelece que a distribuição de renda será estratégica na educação. Eureka! Eureka! E sai ela da banheira do Planalto em altos brados como uma Arquimedes em véspera de eleição, quando todas as bobagens são permitidas para arrancar um votinho do eleitor panaca. Com um dos piores índices de educação no mundo, a inteligência governamental descobre que aí está a saída para o progresso. Seria mais uma bobagem se não fosse tão calhorda a afirmação da presidenta. Não precisa ter os dotes presidenciais para se saber muito bem que a educação é estratégica para a distribuição de renda, em suma, para a economia.

Apesar das demagógicas medidas anunciadas, de um destrambelhada administração da dupla aloprada, Mercadante e Haddad, incapazes de qualquer medida realmente educacional no país, o tema está novamente em foco. Mas que foco será esse que continua a ser uma piada educacional? Qualquer néscio em educação sabe que a mínima medida adotada hoje no setor só terá resultados em 20 anos! E as erradas, eleitoreiras medidas, não têm qualquer sentido, ainda prorrogando indefinidamente o prazo para maiores conquistas no setor. O Brasil está rendido para mais três décadas, no mínimo, de falta de educação com o que os petistas organizaram o setor. E ainda fazem de tudo para aparecer bem na foto até inaugurando iniciativas privadas, alegando parceria entre empreendedores e universidades, como se isso fosse ação de governo.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Protesto das ruas






"Não importa o quão bem-sucedido seja o evento, e quão mágica será a atmosfera entre 12 de junho e 13 de julho, duas crenças básicas provavelmente não serão abaladas: uma significante parcela da população brasileira seguirá com a opinião de que a Copa do Mundo custou demais, e deu muito pouco retorno."
 Tim Vickery em O 'clima' de Copa está chegando, mas e os protestos?

Países sem excelências e mordomias



A série de reportagens para a televisão feitas por Cláudia Wallin agora se torna livro. "Um país sem excelências e mordomias" foi lançado pela Geração Editorial


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cobrança

"Depois da Copa, a gente volta a cobrar os políticos"
Daniel Alves, lateral direito da Seleção Brasileira

Governo nega projeto 'marxista'

Um projeto de pesquisa envolvendo três universidades públicas foi negado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), por utilizar o marxismo “cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa” como metodologia, segundo parecer da instituição.
O projeto intitulado “Crise do Capital e Fundo Público: Implicações para o Trabalho, os Direitos e as Políticas Sociais” foi apresentado para um edital da Capes por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduados da Universidade de Brasília (Unb), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
 "As ciências humanas vêm perdendo espaços nas agências de fomento em função da predominância da técnica em detrimento da crítica. O problema é ideológico. Ao negar o marxismo, estão negando pesquisadores como Florestan Fernandes, Octavio Ianni e Marilena Chauí"
  Elaine Behring, uma das coordenadoras

Leia mais Governo nega projeto por ser marxista e revolta pesquisadores da UnB, Uerj e UFRN

sábado, 7 de junho de 2014

O mito caiu







"Quando Lula trouxe a Copa para o Brasil, seria o coroamento de um ciclo dourado do governo Lula, mas o eleitor está percebendo agora que foi o fim de um mito, que o mito ruiu."



Dilma perde pontos


Vamos de valsa



Valsa-choro #1 (1950) de Francisco Mignone (1897/1986)

Austeridade, orgulho dos políticos uruguaios

O presidente Mujica sai de casa para mais um dia de trabalho

Com a substituição de José Mujica no comando da presidência do Uruguai, haverá, sem dúvidas, uma mudança em um estilo único de governar. Mas todos os candidatos eleitos no último domingo deverão manter a austeridade que tanto chamou a atenção do mundo. Sem dúvida alguma, o ex-guerrilheiro tupamaro levou até a última instância o perfil discreto característico da política uruguaia. Mas passando em revista os presidenciáveis, da esquerda à direita, nenhum se projeta fora do campo da igualdade social, tão apreciada pelos uruguaios.
“Ninguém é melhor do que ninguém” é um dito popular que os uruguaios levam gravado em seu DNA e que Mujica colocou novamente na moda.Políticos e eleitores se projetam como parte de uma democracia social.

Nesse contexto, as declarações de bens dos candidatos, publicadas recentemente pelo jornal El Observador, indicam a modéstia com que os políticos enfrentam o acesso à liderança de seus partidos ou a chegada às instâncias máximas do poder. O líder da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, principal favorito para as eleições presidenciais de 26 de outubro, tem uma das melhores situações financeiras no grupo de presidenciáveis. Médico especialista em oncologia, recebe uma pensão como ex-presidente (cargo que ocupou de 2005 a 2010) que não passa dos 1.900 euros mensais (cerca de R$ 5.875), além de continuar exercendo a medicina, com uma renda média de 1.800 euros. Seu patrimônio total não chega a meio milhão de euros.





"Eu não sou pobre, pobres são os que crêem que eu sou pobre. Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas só para poder ser rico. Quero ter tempo para dedicá-lo às coisas que me motivam. Pois se temos tempo para o que realmente nos entusiasma, não somos pobres"
José Mujica, presidente do Uruguai

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Transposição só em 2016


Um representante do Ministério da Integração Nacional admitiu à BBC Brasil que existe a possibilidade que a obra de transposição do rio São Francisco, cuja previsão de conclusão é de até 2015, só termine em 2016.
Frederico Meira, Coordenador Geral de Acompanhamento e Fiscalização de Obras do Ministério da Integração Nacional, fez a afirmação em Salgueiro, cidade no sertão pernambucano, durante a realização de uma série de reportagens sobre a obra.
Meira disse que o prazo de conclusão para dezembro de 2015 é "factível e real", mas admite que pode haver mais atrasos.
"Vamos dizer que a gente tenha um nível de chuva, como que a gente teve neste ano, no próximo ano. Se a gente mantiver, certamente compromete o ritmo da obra", disse.
Questionado se as obras poderiam então se arrastar para 2016, reconheceu o risco.
"Pode acontecer, mas num intervalo pequeno de um, dois ou três meses, não mais do que isso. Mas infelizmente pode acontecer", afirmou.

Oitava maravilha

'O consumo não é um "remédio" universal'

Aos 88 anos, Zygmunt Bauman viu alguns dos maiores horrores da história recente. Como polonês de origem judaica, sofreu com o nazismo. Depois, sob o regime comunista, suportou a repressão da Primavera de 1968 e, de novo, o antissemitismo soviético. E, já instalado na Inglaterra, suas lúcidas reflexões sobre a “modernidade líquida” chocaram o thatcherismo e outras manifestações da realidade contemporânea. O pensador, Prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades em 2010, todavia não pensa em calar a voz e acaba de publicar um ensaio intitulado com uma pergunta retórica( "A riqueza de uns poucos beneficia a todos?”) em que tenta desvendar as chaves de por que essa ideia se instalou na sociedade moderna.

“Cada vez que há uma crise econômica, sempre há um político que sai a dizer que os consumidores mostrarão o caminho para sair da depressão, que quando as pessoas voltam às lojas, tudo retomará a normalidade. É uma questão difícil, porque cada vez somos mais conscientes de que as assertivas em que se baseia essa afirmação são incorretas” 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

TSE evita novos testes em urnas


O Tribunal Superior Eleitoral não vai realizar novos testes públicos na urna eletrônica nesta véspera de eleições, como vinha sendo uma tradição desde o pleito de 2010. Por uma incrível coincidência, a decisão vem depois que uma equipe da UnB quebrou o sigilo da urna nos últimos testes, há dois anos.
Segundo o tribunal, “o objetivo do TSE é a realização periódica destes testes, porém não há um calendário fixado para tanto”. Além disso, “considerando tratar-se de um ano eleitoral, não haverá teste de segurança neste ano” – curiosamente isso não impediu a realização de testes em 2012.
No lugar dos testes públicos, o TSE decidiu criar um grupo de trabalho sobre a segurança da urna eletrônica. O grupo é constituído essencialmente por integrantes da Justiça Eleitoral, além do professor Mamede Lima Marques, da Universidade de Brasília.
Marques, no entanto, não fez parte do grupo da UnB que teve sucesso em violar o sigilo dos votos nos últimos testes – ele integrava o grupo responsável pela avaliação dos testes e entende que a urna brasileira é suficientemente segura, sendo desnecessária, inclusive, a reintrodução da impressão do voto.

Por que eu não quero a Copa no Brasil


Excelentíssima Presidenta Dilma. Em julho de 2011 eu lhe enviei uma carta onde pedia para cancelar a Copa do Mundo e passasse para a História como uma estadista e heroína do nosso povo. A diferença entre um estadista e um político comum é que o estadista se preocupa com a próxima geração e um político só se preocupa com a próxima eleição.
A senhora deveria ter utilizado todo dinheiro dessa Copa para a saúde, a segurança, a educação, estradas e outras centenas de obras que fazem falta para o nosso povo. Infelizmente, a senhora preferiu esbanjar o dinheiro de nossos impostos em estádios e obras superfaturadas e entregar o nosso país para a FIFA.
Eu gosto de futebol, mas eu não quero essa Copa da FIFA, por esse preço. Ela está custando vidas, pois o povo continua morrendo nos hospitais por falta de médicos, leitos, remédios, mas os estádios estão aí, como uma afronta ao bom senso. Na verdade, o nosso dinheiro foi para o ralo e nós continuamos sem o essencial. Pior, também estamos perdendo a dignidade, no meio de tanta corrupção.
Curiosamente, no auge dessa discussão, vimos o ex-presidente Lula, um dos autores desta infame Copa do Mundo, falar que é “babaquice” de brasileiro querer chegar de metrô até os estádios, uma vez que as linhas não ficaram prontas. Disse ainda que nós nunca tivemos problemas de andar a pé. Que o brasileiro vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa.
Já no próprio Portal da Copa, órgão do Governo Federal, o discurso é diferente e o governo ressalta as obras de Mobilidade Urbana, entre elas os metrôs nas cidades-sedes.Voltando ao tema principal, eu não quero a Copa, assim como milhares de manifestantes nas ruas também não a querem, pelo simples fato de constatarem que faltam coisas muito mais importantes.
Perguntem para quem está morrendo numa fila de espera aguardando uma cirurgia que nunca chega, se ele prefere a Copa. Perguntem para um pai que vê seu filho sem escolas se ele prefere a Copa. Essa Copa seria bem vinda se não faltasse nada para o povo, se estivesse tudo funcionando muito bem, desde um hospital decente até uma linha de metrô que vai até os estádios, e não precisássemos de jumentos como solução de transporte público.
No passado víamos o povo decorar as ruas com as cores da nossa bandeira, nos dias de jogos; agora, vemos passeatas plenamente justificáveis, querendo mais brasilidade e menos circo com nosso dinheiro.
 Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço 

Notas sobre a Copa do Mundo


Aumentou consideravelmente o fluxo de prostitutas para a cidade de São Paulo. De garotas de programa que estipulam seu preço em até 800 reais por encontro até as que cobram 50 reais por cliente, muitas estudaram inglês ou espanhol para melhor desempenhar seu papel. O turismo sexual, que contou sempre com o aval oficial nas propagandas do Brasil no exterior, por meio da venda da imagem do país relacionada a mulheres seminuas, deve se constituir no principal legado desta Copa do Mundo. Triste legado.
Mais de um mês antes do inicio dos jogos, inúmeros sites já estavam colocando à venda, com descontos de até 70%, camisas e bonés da seleção brasileira. Em outros tempos, essa seria uma noticia inimaginável. Estampar o orgulho exibindo a bandeira nacional nas janelas ou pintando-a no chão de asfalto ou colando-a no vidro dos carros era quase uma obrigação. Torcer pelo uniforme canarinho, um privilégio. Já existem, no entanto, muitas pessoas que questionam nas ruas, em conversas privadas, ou publicamente, em entrevistas, se vale a pena toda essa dedicação. O que ganhamos com isso, perguntam?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Produto pirata


Reescrevendo a história

Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo Os Sertões, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. Deve ser porque, de fato, não leram, senão a grita ia poder começar até mesmo por Itaparica, onde somos todos, de acordo com a visão dele, mestiços neurastênicos do litoral. A antropologia da época tinha convicções que pode hoje ser qualificadas de racistas, mas era a ciência de então e no mesmo barco estão outros cuja obra haverá de merecer ser reescrita ou banida, como Oliveira Vianna ou Sílvio Romero. Imagino que devemos até nos surpreender por ainda não terem começado uma reavaliação da figura de Machado de Assis, sob a acusação de ele ter sido um mulato alienado metido a branco, ou uma condenação da crítica, por não o haver qualificado de maior escritor negro do Brasil.

"...Continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento                                    da língua e a manutenção do atraso e do privilégio"
Mas, no caso de Machado, dizem as novidades, não se trata de racismo, trata-se da elaboração, com a chancela e o apoio do estado, de versões populares, ou acessíveis à maioria de obras dele. Segundo o que saiu nos jornais, concluíram que os jovens e pessoas menos cultas não leem Machado porque não entendem as palavras e não percebem o que querem dizer certos arranjos sintáticos. Ou seja, o problema é com Machado, cujos textos obsoletos são preservados supersticiosamente e já não têm serventia para as gerações presentes. Urge, portanto, que nos livremos dessa tralha inútil e elitista, corrigindo o muito que clama por atualização.