terça-feira, 11 de novembro de 2014

Cobrança de Beattle


'Dilma deixou a desejar no diálogo com a sociedade'

Durante o Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Gilberto prometia ainda para este ano um marco legal que assegure os direitos dos atingidos

Chefe da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela ponte entre o Palácio do Planalto e os movimentos sociais, o ministro Gilberto Carvalho afirma que a presidente Dilma Rousseff se afastou dos "principais atores na economia e na política" nos últimos quatro anos.

"O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do (ex-presidente) Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisões. De ouvir com cuidado e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos", afirma Carvalho.

Em entrevista à BBC Brasil, na qual fez um balanço dos últimos quatro anos de governo, o ministro admite ainda que a atual gestão "avançou pouco" em demandas de movimentos sociais, sobretudo nas reformas agrária e urbana e na demarcação de terras indígenas.

Segundo ele, "faltou competência e clareza" ao governo para avançar na questão indígena, e em alguns episódios a gestão deu "tiros no pé".

Ele defendeu, no entanto, o envio da Força Nacional de Segurança para reprimir protestos de indígenas contra a construção da usina de Belo Monte e disse que, se necessário, a mesma postura será adotada no rio Tapajós, no Pará, onde há planos de erguer mais hidrelétricas nos próximos anos.
Leia a entrevista, concedida na quinta-feira no Palácio do Planalto, em Brasília

O Brasil e o bolivarismo


Nada temos com Simon Bolívar, que é herói de outro mundo, forjado numa mitologia política que não nos diz respeito.
 A inclusão do Brasil num projeto socialista bolivariano, que transformaria o continente numa pátria única – a “Grande Pátria”, de que falava Hugo Chávez -, subverte não apenas o princípio da soberania, mas sobretudo força uma unidade política artificial.

Nada temos com Simon Bolívar, que é herói de outro mundo, forjado numa mitologia política que não nos diz respeito. Vale tanto para nós quanto Tiradentes, por exemplo, para os bolivianos.

Sublimar personagens históricos para, a partir deles, criar símbolos de unidade nacional é recurso usual – e de certa forma legítimo -, vigente em todas as nações. Os norte-americanos têm seus Pais Fundadores, cultivados até hoje como fator de união cultural e política. Não há presidente que não os mencione. Idem os europeus – franceses, alemães, ingleses, italianos etc.

Temos também nossos Pais Fundadores, embora já há algumas décadas submetidos a um processo de depreciação ideológica. Mas figuras como José Bonifácio, Gonçalves Ledo, Pedro I e II, Tiradentes, Joaquim Nabuco, Duque de Caxias e Ruy Barbosa (para citar apenas alguns) estão na origem de nossa formação nacional - obra complexa e em curso, dadas as dimensões continentais e a índole multicultural do país.

Quando, porém, se afirma que “nunca antes neste país” se fez nada de relevante, e se busca anular todo o passado – dispensando-se inclusive de conhecê-lo -, empastelando seu meio milênio de história como um transe equivocado, conspira-se contra sua memória, o maior patrimônio civilizatório de qualquer nação.
Leia mais o artigo de Ruy Fabiano  


O Foro de São Paulo, entidade fundada em 1990 por Lula e Fidel Castro, intenta a unidade do continente a partir do elo ideológico – bolivarismo é sinônimo de socialismo -, o que é, em si, um fator beligerante, como se tem visto.

Sanear-se

O homem quer ser água corrente. Coisa maravilhosa, a liberdade é a saúde. Um murmúrio de riacho, uma encosta, um percurso, um fim, uma vontade, não vida sem isso. Senão, apodrecimento imediato. Sereis fétidos e transmitireis aos outros a vossa peste. O despotismo é miasmático. Libertar-se é desinfetar-se. Ir para a frente é um saneamento.

Victor Hugo 

A hora é de temperança



As massas aguardam apenas o momento adequado para disparar sua munição.
 Não há mais como esconder o sol com a peneira. A presidente reeleita, os novos governantes estaduais e a representação no Congresso Nacional terão de enfrentar, nos próximos tempos, o sol mais abrasador de verões que o país viveu nas últimas décadas.

Há razões de sobra para demonstrar a hipótese, mas fixemos a atenção apenas numa: a sociedade organizada está adiante do universo político. O que quer dizer que a comunidade nacional, abrigada em núcleos de interesse e em fortalezas de demandas, está um passo a frente dos mandatários; estes, infelizmente, não têm conseguido acompanhar as massas apressadas e estabelecer com elas pontes de acesso e diálogo.

É visível a distância entre a esfera política e a esfera social, principalmente quando se constata que a profusão de demandas reprimidas não consegue entrar nos ouvidos de representantes inertes e insensíveis.

As manifestações que despertaram a sociedade nos meados do ano passado e se estenderam por bom tempo refluíram, dando passagem à onda eleitoral, mas não significa que foram enterradas nas urnas. Ao contrário, a qualquer momento podem dar sinais de vida, senão de maneira estrondosa e impactante, pelo menos de modo pontual, atacando aqui e ali as carências nas áreas de mobilidade urbana, moradia, degradação ambiental, falta d’água, assentamentos, demarcação de terras etc.

A propósito, a Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz acaba de identificar 490 pontos de tensão no país, nas áreas urbanas e rurais de todos os Estados. Estas bombas-relógios deverão ser desarmadas pelos chefes de poder que governarão o país nos próximos quatro anos, sob pena de vermos vulcões jorrando larvas aqui e ali.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Contenção de gastos?


Diálogo pra quê se puder dar cacete?



Dilma tem se mostrado uma defensora intransigente da liberdade de imprensa. Há quem acredite nas boas intenções presidenciais como em Papai Noel. Impossível é ser uma paladina quando defende uma regulamentação “econômica” da mídia e o próprio partido, sob as ordens do chefão Lula, determina uma “guerrilha virtual”, já em curso. Liberdade para um país, nos moldes, petistas, como se vê, é o “faça o que eu mando”, para o bem partidário, claro.

Os ataques virtuais, apenas contra os críticos do governo e do PT – alguém já viu blog petista fora do ar? – são uma constante, e não de hoje. Quem tem o costume de criticar, heresia condenável pelo Olimpo petista, conhece bem a ferocidade com que soltam os cães das trevas, alimentados muito bem pelo dinheiro do povo.

A prática de manter canis virtuais, que não é de hoje e nem só praticada no âmbito federal - é uma das garantias com que contam para poder atacar sem que sejam acusados de perseguição aos adversários. Com isso, podem caluniar, injuriar, ofender, agredir, xingar, pintar o diabo, através do braço de seus hackers e das ações que impetram contra páginas na internet, aceitas beatificamente.

Uma perseguição digna dos lances antidemocráticos de qualquer ditadurazinha de bananas.
   

Tribuna da Internet de volta após novo ataque de hackers

Carlos Newton

Depois de quatro dias fora do ar, devido a um ataque de hackers, a Tribuna da Imprensa está de volta, graças aos esforços dos especialistas do servidor UOL, que desta vez tiveram muita dificuldade.

Não é a primeira vez que este espaço independente é retirado do ar. No início, julgávamos que se tratasse de problemas técnicos causados por excesso de acessos simultâneos, mas agora o próprio servidor UOL constatou a ação dos piratas virtuais.

Por coincidência, o ataque foi iniciado no início da madrugada de quarta-feira (dia 5), pouco depois de o PT ter convocado sua “militância virtual” para combater as manifestações de oposição na internet.

Como sempre, recorremos ao especialista em informática Márcio Lordelo, que conseguiu recuperar o blog e descobriu que ele não era mais acessável se fosse digitado www ou htpp// antes do título. Os especialistas do UOL passaram então a pesquisar a origem do problema e chegaram à conclusão que teriam de trabalhar no âmbito do próprio servidor. Ou seja, o ataque dos hackers desta vez não foi apenas no blog, mas no servidor, vejam a gravidade da situação. 

Plano de saúde investe mais que o governo

Embora sejam suplementares ao sistema público de saúde, os planos médicos no Brasil investem mais no setor do que o governo federal no SUS (Sistema Único de Saúde). Este é o único caso no mundo, segundo estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Por aqui, a parcela do orçamento federal destinada à saúde gira em torno 8,7%, diz o estudo. Esse número é menor do que a média dos países africanos (10,6%) e mundial (11,7%). Mesmo assim, a situação era ainda pior em 2001, quando apenas 4,7% dos gastos públicos eram destinados ao setor.


O relatório da organização chegou à conclusão de que, exceto pelo Brasil, em nenhum lugar em que a saúde pública é universal o sistema privado investe mais. Ele é público e gratuito no Brasil, Argentina, Reino Unido, Suécia, Canadá, Alemanha, França e Cuba. No Reino Unido, cujo modelo inspirou o SUS, 83% do dinheiro investido vêm do Estado. Mas até em países sem o sistema universal o gasto público supera o particular. Na Noruega essa proporção é de 86%, seguida por Luxemburgo (84%), Japão (80%), Turquia (75%), Colômbia (74%) e Uruguai (68%).

No Brasil, quando se compara os gastos federais com aqueles efetuados pelos planos de saúde, essa diferença fica evidente: os convênios investem quatro vezes mais do que a verba anual que o Ministério da Saúde destina ao SUS, per capita.

De acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), as operadoras desembolsaram R$ 90,5 bilhões em 2013 com pagamento de internações, consultas e exames de laboratórios para atender um total de 50 milhões de clientes. Este ano, o SUS recebeu da União R$ 91,6 bilhões para chegar a 200 milhões de pacientes.

Embora invista menos que os planos – autorizados para funcionar apenas como auxiliar ao SUS –, o Ministério da Saúde se defende afirmando que os recursos destinados a toda rede pública “mais que triplicaram nos últimos 11 anos”, uma vez que esse montante girava em torno de R$ 27,2 bilhões em 2003. Quando se corrige esse valor pela inflação do período, no entanto, o aumento equivale a 86%.



Partido cumprimenta Dilma três dias antes de eleita

A eleição de Dilma Roussef foi tão legítima quanto nota de 3 reais. Se estivéssemos em um país de democracia plena, a candidatura dessa sra. teria sido impugnada por injuriar, difamar e até caluniar adversários, além de por uso e abuso do Estado brasileiro, transformado em casa da mãe joana petista, a fim de fazer propaganda para ela e contra os oponentes, o que configura crime eleitoral.

A eleição de Dilma Roussef foi tão legítima quanto nota de 3 reais. Se estivéssemos em um país de democracia plena, a candidatura dessa sra. teria sido impugnada por injuriar, difamar e até caluniar adversários, além de por uso e abuso do Estado brasileiro, transformado em casa da mãe joana petista, a fim de fazer propaganda para ela e contra os oponentes, o que configura crime eleitoral.

A eleição de Dona Dilma foi tão legítima quanto nota de 3 reais também em razão de inúmeras suspeitas de fraude tanto na votação quanto na apuração dos votos. Vários eventos estranhos e problemas com as urnas foram relatados por eleitores de distintos pontos do país. Lembrando que essas urnas, neste ano, deveriam já ter implementado o registro impresso dos votos, o que não ocorreu porque o autocrático Tribunal Superior Eleitoral conseguiu vetar, em novembro do ano passado, o artigo 5 da lei Lei nº 12.034, que previa essa atualização. Destaque-se que essa lei foi aprovada em 2009. Isso sem falar na suspeita atitude dos cumpanheros petistas comemorando a "vitória" da megera quando Aécio ainda estava à frente dela na contagem de votos.

Como se não bastasse, agora começou a circular pelas redes sociais carta, datada de 22 de outubro, de um partido da Guatemala e membro do Foro de São Paulo (clube de viúvas do Muro de Berlim,) chamado Alternativa Nueva Nacción, cumprimentando Dilma pela "vitória" ocorrida nas eleições do dia 26 de outubro. E inclusive destacando que a vitória se deu por mais de 3 milhões de votos.

Poderíamos aventar a hipótese pouco provável de que a carta elogiosa à Dilma tenha sido escrita no dia 22, contando com a possibilidade de ela ser eleita, e, posteriormente, tenham esquecido de alterar a data quando da publicação do documento. Entretanto, como poderiam antecipar que a vitória se daria por mais de 3 milhões de votos, um valor tão preciso? Na página da entidade, no facebook, a carta foi publicada no dia 29 de outubro, mas com a data do dia 22.Videntes esses guatelmatecos, não?

Lula voltou?


Dilma vai aceitar desta vez ser João Batista, o precursor da chegada do novo Messias anunciado pelos profetas?
O slogan “Volta Lula” se apagou com as eleições. Não voltou. Seja porque ele não quis ou porque Dilma Rousseff não deixou que voltasse, não importa. Dilma voltou a ser presidente, mas Lula da Silva também voltou e está mais ativo do que nunca até na formação do novo Governo, pelo menos em seus ministérios chaves.

Com poucas coisas se especulou tanto na política quanto com as relações nos últimos quatro anos entre Dilma e seu criador. Uma coisa é certa: o ex-presidente não parece feliz, segundo seus colaboradores mais próximos, com tantas notícias negativas tanto na economia quanto nas relações entre o Governo e o Congresso; entre a presidenta e os empresários, entre ela e os aliados, sobretudo com o centrista PMDB. E com a imagem negativa que, justa ou injustamente, seu partido projeta para metade da sociedade.

O que me preocupa mais é o descontentamento dos jovens
Lula 

É conhecido o estilo de Lula de fazer política, pragmático, negociador e não ideológico, e sua capacidade de metamorfose para se adaptar às circunstâncias (como ele mesmo destacou de seu caráter), é lógico que às vezes choque com o estilo bem diferente de sua criatura, menos contemporizador, mais direto, às vezes até duro e exigente, e sem muito espaço nem vontade de negociar muito. E mais ideológico. Dilma é de esquerda. Lula é, simplesmente, sindicalista.


domingo, 9 de novembro de 2014

O antídoto


Vai doer em quem?

As dores virão aos magotes, disso podemos estar certos. Aumentos represados até as eleições começarão a espocar em breve e em cascata.
O leitor leu a íntegra da resolução aprovada pela Executiva do PT em 3 de novembro? Não leu? Então leia, mas cuidado, vai doer. A reunião do Diretório será nos dias 28 e 29 de novembro, mas ansiosos para continuar em sua caminhada em direção a um governo sempiterno, o PT propõe que certas resoluções sejam tomadas de imediato.

São seis as resoluções, sendo que a sexta é subdivida em dez itens. Copiei três:

a) a reforma política, precedida de um plebiscito, através de uma Constituinte exclusiva;

b) democracia na comunicação, com uma Lei da Mídia Democrática;

c) democracia representativa, democracia direta e democracia participativa, para que a mobilização e luta social influenciem a ação dos governos, das bancadas e dos partidos políticos. O governo precisa dar continuidade à participação social na definição e acompanhamento das políticas públicas e tomar as medidas para reverter a derrubada da Política Nacional de Participação Social, objeto de um decreto presidencial cancelado pela maioria conservadora da Câmara dos Deputados no dia 28 de outubro de 2014.

O partido ainda diz que deve ser “muito mais proativo no enfrentamento das acusações de corrupção, em especial no ambiente dos próximos meses, em que setores da direita vão continuar premiando delatores” (o grifo é meu).

O que foi escondido


Agora é oficial: o desmatamento na Amazônia disparou em agosto e setembro. Foram devastados 1.626 km² de florestas, um crescimento de 122% sobre os mesmos dois meses de 2013. Dilma já conhecia esses dados antes do segundo turno, mas adiou a divulgação. 

Dilma encampa projeto petista de regular imprensa


Na semana em que a Executiva do PT publicou resolução em que faz diversos ataques à oposição e prega a regulação dos meios de comunicação em prol da hegemonia do partido, a presidente Dilma Rousseff admitiu que pretende abrir um “processo de discussão” sobre a regulação econômica da imprensa. Disse que não sabe ainda como será esse processo, mas afirmou que “isso jamais poderá ser feito sem consultar a sociedade”. Sobre a resolução do partido, a presidente afirmou: “Eu não represento o PT, represento a Presidência da República”, informa a versão on-line do jornal O Globo. “A opinião do PT é a opinião do partido, não me influencia. Não sou presidente do PT, sou presidente dos brasileiros”, disse Dilma, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

“Liberdade de imprensa é uma pedra fundadora da democracia. E a liberdade de expressão talvez seja a maior coisa que emergiu da democracia”, disse. “Democracia é o direito de todo mundo ter uma opinião mesmo que não concorde com ela”, prosseguiu. Na sequência, Dilma afirmou que “outra coisa é confundir isso com a regulação econômica do setor”. “Essa é uma outra discussão. Diz respeito a monopólios. Em qualquer setor econômico, seja energia, petróleo, tem regulações e a mídia não pode ter?”, questionou.

Assim como o controle de conteúdo, o fim do que o PT classifica como “monopólio dos meios de comunicação” sempre foi bandeira defendida nos projetos do partido para regulação da imprensa. Ou seja, além de voltar sua artilharia contra os grandes grupos de comunicação, sempre alvo dos irados discursos petistas contra a imprensa, o partido busca golpear a receita publicitária dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle indireto do conteúdo pelo governo. Desde que assumiu o Planalto, a presidente vinha mantendo distância do projeto petista de controle da imprensa: sepultou, inclusive, o projeto de lei para “regulação das comunicações” elaborado pela legenda durante o governo Lula, e que trazia na raiz o embrião autoritário da censura.
(…)

sábado, 8 de novembro de 2014

A cada um segundo sua obra


Melhor um Brasil enfurecido do que deprimido



Melhor a irritação, o desabafo, a vontade de ser protagonistas do que o silêncio cúmplice 

Um perigo espreita o Brasil: o de cair em depressão, agoniado por tantas noticias negativas. Não é fácil, efetivamente, passar da euforia de um país encantado consigo mesmo, invejado no exterior, que havia deixado de ser o eterno país do futuro a descobrir-se de repente andando de marcha à ré.

É melhor a depressão ou a ira como remédio contra os demônios que parecem ter se apoderado do país e que as eleições em vez de apaziguar ressuscitaram com maior força?

Não é psicologicamente saudável para os brasileiros ler que, pela primeira vez em dez anos, cresce o número de miseráveis, que já atinge dez milhões, enquanto uma empresa como a Petrobras se vê supostamente saqueada em 10 bilhões de reais.

A fome volta ao Brasil enquanto a corrupção cresce, semeando de vítimas o mundo político e empresarial. Quanta miséria se poderia aliviar com o fruto de tantas ilegalidades perpetradas por quem deveria zelar pelas riquezas do país?

Se até ontem amigos espanhóis me escreviam, desejosos de vir para cá porque o Brasil estava se tornando a Meca da esperança e das oportunidades, dói ler hoje que há brasileiros com vontade de ir viver no exterior porque se sentem decepcionados e deprimidos.

Dói ver que nossas cidades são cada dia mais violentas. A Globo News apresentou dias atrás uma reportagem que me encheu de profunda tristeza. Filmou –no centro do Rio de Janeiro– cidadãos sendo assaltados por quadrilhas de 15 ou 20 adolescentes, com facas nas mãos, enquanto esperavam o ônibus para ir ou voltar do trabalho.

PT perdeu a ética e vive crise


Apesar de escândalos de corrupção, Lincoln Secco, autor do livro "História do PT", destaca marca social deixada pelos governos Lula e Dilma.
 Após vencer as eleições mais acirradas desde a redemocratização, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a presidente reeleita, Dilma Rousseff, têm o desafio de construir um governo de coalizão em meio a um cenário de crescente polarização social e oposição fortalecida.

Destaque Depois de reeleita, Dilma aumentou os juros e há rumores de que ela vai anunciar diminuições nos gastos públicos. Se ela for por esse caminho, vai frustrar a base que a elegeu e, ao mesmo tempo, não vai conquistar quem votou contra ela.

Para o historiador e professor da USP, Lincoln Secco, a tarefa não será fácil. A legenda vive, segundo ele, uma crise de identidade, desencadeada pelos primeiros escândalos de corrupção, em 2005. Entretanto, o estudioso ressalta a força política e social do PT, que deixou uma "marca social profunda" em seus 12 anos de governo.

Com o mensalão, "o partido perdeu a bandeira da ética", aponta. Entretanto, o estudioso ressalta a força política e social do PT, que deixou uma "profunda marca" em seus 12 anos de governo.

Em entrevista, Secco também fala sobre a possibilidade de Lula se candidatar à Presidência em 2018. O historiador acredita que interessa ao PT tê-lo como "coringa". Por outro lado, considera que a presença política do ex-presidente impede que outras lideranças cresçam dentro do partido.

 Depois de ter chegado ao poder e ter se transformado num partido de governo, embora tenha feito muitas concessões ao establishment, ele deixou uma marca social profunda. Se a gente fosse fazer uma comparação com reformas sociais de outros países, [a marca social do PT] nem seria muito significativa. Mas, devido ao atraso do Brasil nessa área, reformas mínimas transformaram o PT numa referência para a população mais pobre.


O outro golpe.Esse verdadeiro


As relações dos governos petistas sempre foram de certa forma coniventes com países que detêm gestões nada apreciadas pelo resto do mundo. Em nome da “independência” desses, a relação internacional do petismo foi de sempre estender a mão, mesmo quando abrigavam ou abrigam ditaduras reconhecidas. Aliás, foram os preferidos.

Assim foi com Venezuela, Cuba, Bolívia e outras menos cotadas. Lula, muy amigo de Cháves, viajou à África para apertar a mão de ditadores reconhecidos internacionalmente; fez afagos a Evo Morales, a quem deixou como “presente” instalações da Petrobras construídas com dinheiro do brasileiro. Dilma, num dos seus acessos de política internacional, chegou a defender o diálogo com integrantes terroristas do Estado Islâmico. Talvez, quem sabe, relembrando seus anos dourados na guerrilha quando não tinha diálogo com os militares.

Essa tendência do Brasil petista conviver amigavelmente com regimes ditatoriais enquanto faz um discurso democratizante para o público interno sempre foi estranha. Ou tenha fundo psicológico. E rendeu, inexplicavelmente, sempre lucros e dividendos para os outros às custas do Brasil.

Cuba, a privilegiadíssima, ganhou porto financiado pelo BNDES – dinheiro do trabalhador brasileiro – e abocanha uma parcela significativa de R$ 1,16 bilhão por ano alugando médicos ao Brasil para o programa petista Mais Médicos, cifra que é um terço do que o país aplicou em ampliação e reforma de UPAs em 2013.

A Venezuela não ficou atrás nos agrados petistas. A refinaria Abreu e Lima, que surgiria com um acordo bilateral, acabou bancada pelo Brasil e a corrupção se locupletou o quanto quis do projeto. Não deram um bolívar, mas ganharão, quando funcionar a refinaria, o refino a preço de banana?

Se não bastasse a dinheirama do povo brasileiro para financiar os projetos de governos amigos, o PT também se aplicou em programas para uso em movimentos de massa. Por que adestrar militantes para manifestações ditas sociais quando se fortalece uma democracia? Mistérios dos corredores do Serpentário do Ipiranga que assolam as salas do Esplanada.

Segundo o site Telesur, mantido pelo bolivarianismo venezuelano como página oficial do governo, o ministro de Comunas e Movimentos Sociais, sob os auspícios do Ministério do Exterior brasileiro, assinou acordo na área de formação e desenvolvimento comunitário com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que profetizou a paralisação do país se Dilma perdesse a reeleição.

Mas o governo da Venezuela, em nota, declarou que o acordo é para incrementar o intercâmbio de experiências na formação de organização popular. Afirma que a parceria visa “fortalecer o que é fundamental em uma revolução socialista, que é a formação, a consciência e a organização do povo, para defender o que conquistou e seguir avançando na construção de uma sociedade socialista”. Mas o Brasil não está à beira de uma “revolução socialista”. Ou estará à beira de um golpe petista? Bem mais certo.

Se o governo militar se preocupava com a importação de práticas de guerrilha através de Cuba, o governo petista na maior desfaçatez, através do mais forte movimento de massas no país, acata o treinamento de militantes através de cursos venezuelanos? Os trabalhadores sem terra do Brasil por que precisam tanto de treinamento de movimentação de massas para “a construção de uma sociedade socialista”?

A arregimentação de tais movimentos, mantidos com fundos públicos, muitas vezes desviados das propinas de mensalões e Petrolão, a serviço do PT, é das mais estranhas, suspeitas e com outras intenções. Lembra, nem pensar, na formação de mercenários para garantir o continuísmo ou minar qualquer tentativa de retomada do poder pela democracia do debate de propostas, não a forjada por marqueteiros.

Imagem de Dilma usada ilegalmente


O ilustrador mineiro Sattu Rodrigues levou um susto quando viu seu trabalho na televisão. Na tela, uma ilustração de sua autoria que ele havia feito em 2010, da presidenta Dilma Rousseff quando jovem. “Vi na TV, durante o horário eleitoral do PT”, conta o autor da imagem que rodou o país durante a campanha eleitoral deste ano sob o título 'Dilma coração valente'.

O trabalho em questão é uma ilustração da presidenta, feita com base em uma foto de quando ela fora presa pelo regime militar, aos 23 anos, em 1970. Sattu fez esse trabalho há quatro anos, a pedido da revista Época, para ilustrar a capa da publicação. “Era para passar uma ideia de cartazes de propaganda comunista”, conta. Depois disso, ninguém do PT ou da coordenação da campanha de Dilma Rousseff entrou em contato com o artista para pedir permissão para usar seu trabalho em peças publicitárias.

Por isso, o artista correu atrás para saber quais medidas legais tomar. “Quero ver o que pode ser feito em termos de indenização”, diz.

Sattu não autorizou o uso da imagem, até porque não foi procurado para fazê-lo. Seu advogado, André Marciglia, explica que o caso está sendo estudado e que muito possivelmente entrará com uma ação já na próxima semana. “Não sabemos se será um processo, mas tomaremos as medidas necessárias para que ele se sinta ressarcido e protegido do ponto de vista jurídico”, diz Marciglia, sem revelar exatamente quais serão essas medidas. Procurada, a assessoria de imprensa do PT afirmou que encaminhou a questão ao departamento jurídico do partido, mas até o fechamento dessa reportagem não havia recebido retorno.

'Fim do Brasil' até teve divulgação suspensa


O analista financeiro Felipe Miranda esteve nos holofotes nos últimos meses. Sócio da Empiricus Research, Miranda fez uma análise polêmica onde cravou: o fim do Brasil estará decretado caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. A afirmação não agradou e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a veiculação de dois vídeos promocionais criados pela consultoria que chamavam a atenção para um “iminente caos econômico”. Mais tarde, o TSE negou o pedido da coligação da presidente Dilma para multar a Empiricus Research,.

Felipe Miranda lançou recentemente o livro “O Fim do Brasil” (Escrituras), que é o mesmo de um vídeo que teve mais de 14 milhões de visualizações na internet.  Segundo Miranda, a história do Brasil, da forma como observamos hoje, tem início em julho de 1994, a partir da adoção do Plano Real, cujo resultado imediato foi a estabilização da economia. Assim, se nasce um novo Brasil a partir desse momento, cuja maturidade é atingida em 1999, esse mesmo país começa a sofrer com os resultados da nova matriz econômica.

A situação atual é preocupante: o crescimento econômico é o menor desde a Era Collor e a inflação foge do controle, mostrando que estamos prestes a voltar a condições anteriores a 1994. O atual governo erra em seu diagnóstico. Elogia a nova matriz econômica e atribui a estagflação (baixo crescimento econômico e alta inflação) ao cenário externo - tese refutada no estudo do analista. “Obviamente, sem o diagnóstico adequado, não poderemos contar com um bom prognóstico. Não bastassem os desafios em curso, o ano de 2015 sugere adversidades adicionais relevantes”.

A obra apresenta um profundo estudo sobre os últimos vinte anos do país, e foi escrito com objetivos explícitos:
• alertar para os riscos atrelados a possível endurecimento da heterodoxia na política econômica, com a nova matriz econômica levando-nos a um processo de “argentinização” do país;
• analisar a deterioração dos fundamentos macroeconômicos e o que está por vir, dedicando espaço em separado para os problemas da Petrobras e para o desarranjo do setor elétrico;
• avaliar a censura que a administração Dilma Rousseff tentou impor, às vésperas da eleição presidencial de 2014, aos analistas de mercado. Entre os maiores erros de política econômica, está certamente o esforço em prol do cerceamento de opiniões críticas, dedicando-se à tentativa de calar as vozes dissonantes;
• oferecer alternativas para o investidor e mesmo o cidadão comum protegerem seu patrimônio e de sua família diante da crise que está sendo formada - em sendo possível, não somente blindar a poupança até aqui acumulada, mas também incrementá-la;
• encerra-se com abordagem propositiva à política econômica, apresentando uma alternativa à nova matriz econômica, o caminho para a retomada da ortodoxia e, em especial, a estratégia para enfrentarmos a estagflação, retomando a via do crescimento alto com inflação baixa.