quarta-feira, 16 de julho de 2014

Arraial do Cabo

Giuseppe Giannini Pancetti (José Pancetti)  1902-1958

Vozes em silêncio

No tempo da ditadura, se fazia calar o indivíduo, taxado de subversivo. Na democracia popular do PT, o indivíduo pode falar, mas dele se tiram todos os microfones e passam a tocar o samba de uma nota só. A cada regime totalitário, seu modelo de trabalho. 

‘Contas’ prestadas às pressas


A presidente Dilma ligeiramente reuniu 16 dos 39 ministros para fazer o seu balanço da Copa das Copas. Em mais um espetaculoso encontro para uso interno de campanha, com ampla cobertura, e os dizeres mais desbaratados, a presidente e asseclas enfatizaram que tudo correu bem mesmo que menos de um terço das obras tenham sido concluídas, com sete anos para serem feitas, dentro do acertado com a Fifa, e o que restou vai mesmo ficar para o futuro.

O evento se prestou para mais um rasga-seda dos puxa-sacos bem aplicados. Todos escondendo o que não se realizou nem sequer se discutiu como se pode manter o que deu certo. Foi mais um balanço para servir durante a campanha no horário eleitoral. Mais um palanque eleitoreiro divulgado pelo canal oficial do governo, com dinheiro público, nas barbas do TSE.

Famoso frasista desastrado do governo, o ministro Mercadante, da Casa Civil até ensaiou um brado: “Perdemos a taça, mas o Brasil ganhou”. Bem claro fica que a perda da taça é de somenos importância diante da vitória do Brasil (deles). Afinal, assumiram que tudo foi construído, incorporaram mesmo a hospitalidade do brasileiro como coisa vitória deles. Ou seja, saíram anunciando que o país (deles) venceu o pessimismo, mas nunca a desorganização e a falta de empenho nas obras. Em outras palavras, mais certas, o brasileiro ganhou a taça do anfitrião, mas perdeu a Copa das conquistas na saúde, educação, mobilidade urbana, que não foram contabilizadas nem sequer discutidas.

Confirma com a nova reunião que a Copa nada mais foi do que um desejo de um partido para promover sua hegemonia no poder. Ou alguém ainda acredita que Hitler promoveu os Jogos Olímpicos de 1936 só porque eram bons para a Alemanha? Serviram, e muito bem, aos interesses do partido nazista de garantir ampla maioria na população, satisfeita em grandes feitos. Lá como aqui, apenas não deu para vibrar no esporte como queriam os governos. Hitler viu a supremacia alemã ser derrotada pelo atleta negro James Cleveland "Jesse" Owens (1913-1980), quando desejava que só festejasse vitórias alemãs. A presidente também ficou frustrada por ter de entregar a taça a outra seleção que não a brasileira, o que seria o coroamento majestoso para uma largada retumbante à campanha eleitoral.

Acabou mesmo




Terminada a Copa do Mundo, o setor de serviços pode dispensar até 37 mil trabalhadores temporários que permaneciam empregados desde o último verão, à espera do aumento na demanda durante o evento.

Esse é o número de contratados em regime temporário que permaneciam trabalhando em junho e julho nos hotéis, bares e restaurantes das cidades que receberam jogos do Mundial, segundo estimativas da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).

terça-feira, 15 de julho de 2014

As lições da Alemanha


A hoje tetracampeã Alemanha deixou no Brasil, durante a Copa, lições   que os brasileiros, cidadãos, devem meditar e solicitar logo sua aplicação dentro e fora dos gramados. Nos campos de futebol, mostrou que é preciso mais do que falar, fazer.  O que não se faz, mas se promete sempre que o Brasil perde uma Copa, ou  outra competição de futebol: criar a base. O regime ditatorial sempre incensou essa mudança, mas nunca implementou. Nem a era petista foi capaz de pensar no problema, mais envolvida em assegurar o próprio poder. Se lixou para os campinhos de várzea, tão raros hoje, que precisariam de se transformar em escolas de esporte, todos e não só o futebol, para construir cidadãos, e não obrar craques de exportação.

Mas foi fora do gramado que a Alemanha deu suas maiores lições ao país, onde pouco se liga verdadeiramente para a construção de uma cidadania, que não se faz com oba-oba de palanque. Ao instalar um centro de treinamento, construído com fundos privados, para a sua seleção, os alemães mostraram claramente ao esbanjador de fundos públicos como a iniciativa privada pode colaborar com o país sem um centavo do Erário. O mesmo centro agora vai gerar os lucros dos empresários e não se tornará nenhum elefante branco em plena Santa Cruz Cabrália. Isso além de ser um centro de turismo de alta qualidade, gerando no futuro divisas para a população local, que só terá a lucrar com a vinda dos alemães, o que nunca lucrou ou lucraria se dependesse dos governos brasileiros.

Seria já uma grande lição alemã, se não fossem outras iniciativas que a própria seleção, leia-se aí também os jogadores, proporcionou aos habitantes locais, os índios Pataxós. Para marcar de vez sua estadia em terras baianas, os alemães ainda doaram verbas para a compra de uma ambulância, que os governos estadual e federal nunca se dignaram a dar ao povo, além de dinheiro para construção de um campo de futebol e ampliação da escola.  É que na Alemanha, como qualquer país civilizado, que não sobrevive às custas de promessas politiqueiras, esporte, educação e saúde são indispensáveis para o progresso, formação de novas gerações melhores e mais bem preparadas.

Os alemães, aqui, nunca ficaram no discurso, obrando material para encher páginas de jornais. Trabalharam para conquistar a Copa como sempre trabalharam para fazer da Alemanha o país com que sonham, e até melhor, se possível. Tudo com aplicação, organização. Em nenhum momento, por já saberem da sua inutilidade, aplicaram o jeitinho brasileiro, que conta mais com a sorte e o milagre do que com o trabalho, nem mesmo se socorreram de promessas de governo.

Vieram, fizeram, conquistaram o tetra e por isso tudo mereceram a torcida e a vibração da chanceler Angela Merkel. E, sem medo de ser feliz, deu show de como se comporta com naturalidade um governante, bem ao lado de quem sempre se mostra incomodada em estar onde está com aquele bico de muxoxo.

O brado retumbante


O povo que pôs fim à ditadura, que depôs um presidente na lei e na ordem e que venceu a inflação, convivendo com duas moedas, merece uma Seleção melhor, um governo melhor, uma oposição melhor, uma classe política melhor e um futuro melhor.

Já chegou a hora de aposentar a tese de que “todo povo tem o governo que merece”. A população brasileira já passou, e passa ainda, poucas e boas. Ainda assim, acredita no futuro, recebe bem quem vem de fora, luta — a esmagadora maioria ao menos — para ganhar a vida honestamente. Merece ser governado por uma classe política mais decente.

Esse povo está cansado, sim, de empulhação, de roubalheira, de um estado que não funciona. Quando pede “escola e saúde padrão Fifa”, está despertando para o fato de que é um dos maiores pagadores de impostos diretos e indiretos do mundo, sem que o Poder Público lhe dê o devido retorno.

No escurinho dos bastidores


 Para fugir de vaias, houve uma parte do cerimonial de encerramento da chamada Copa das Copas, que ocorreu nos bastidores e não foi transmitida ao vivo. Foi quando Dilma passou o evento a Vladimir Putin, presidente da Rússia, que vai sediar a Copa de 2018. Ainda ressabiada com as vaias, que podem se refletir nas eleições, a candidata à reeleição optou pela semiclandestinidade e, mesmo longe dos olhos da multidão, não conseguiu passar naturalidade, mas mostrou grande nervosismo, com pronúncias equivocadas, pausas atônitas e reticências. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Acabou mesmo?

A "santa" protetora  dos pobres que dá ricos estádios para as elites

A Copa acabou no campo. Mas será quer acabou mesmo? Ao menos para os brasileiros, os anfitriões que tanto empenharam o otimismo e imensamente os próprios bolsos, a Copa vai render muita coisa para pagar e ainda mais para se discutir fora dos gramados, que dentro deles quem deve cuidar são os que vivem do esporte.

O governo precisa agora prestar as contas, na ponta do lápis, sobre os gastos exorbitantes, a propaganda enganosa de vender o que seria um espetáculo e um lucro para o futebol brasileiro. O desperdício foi muito maior, imensamente maior do que despejaram na mídia como conquistas.

Se não presta aquelas, o governo aproveita para despistar novamente para evitar que as derrotas em campo não façam a bola cair no colo da presidente, que vem dando cabeçada para evitar gols, até contras, em outubro. Há uma investida em se livrar da bola quente que revelaria que o time em frangalhos dos campos também se repete na administração pública.

Como uma perna de pau de time de várzea, derrotado até pelo famoso Íbis, o pior time do mundo, Dilma tem dado sinais de que tropeça a cada investida ao ataque. Escorregou, quando anunciou a necessidade de ingerência governamental no esporte como se não bastassem as bicas sempre abertas para verbas quando do interesse político. Pior ainda foi catar cavaco quando, com sua autoridade técnica, defendeu maiores oportunidades para assegurar a permanência dos craques no país. Lembrou, como sempre, falas dos tempos ditatoriais, reformas do esporte que nunca levaram a nada ou nem sequer passaram de blábláblá. E a presidenta ainda cometeu falta grave ao defender o Estado como gestor do futebol privado.

A craque dos tropeções foi mais longe ao denunciar que as vaias da abertura da Copa partiram de 90% da “elite branca” que lá estavam. A furada de bola colocou em pauta o dualismo na sociedade, algo bem ao gosto dos petistas, que defendem com unhas e dentes um trabalho contra o racismo, mas se esquecem, às vezes, e estimulam o choque racista.

Nas entrelinhas, quer dizer que o governo que defende os pobres, os negros, os miseráveis, gastou fortunas para construir estádios onde a “elite branca” poderia confortavelmente, no padrão Fifa de qualidade, assistir aos jogos? E por que não usou os bilhões para promover maior assistência aos pobres, negros, miseráveis que tanto defende? Está aí uma questão em que Dilma trocou as pernas e deu sua maior furada. Confessou a presença em massa de uma elite branca para quem fez a festança, e de quem esperava aplausos, mas recebeu o troco devido por deixar os brasileiros desfavorecidos, e negros, fora do espetáculo. 

Custo da bagunça


A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia), quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade desta bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado e o aparelho do Estado caótico.

Esta bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito Eduardo Paes e pelo deputado Alfredo Sirkis, tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para 100 mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro, os professores tão pouco, e os candidatos precisam ser ricos ou comprometidos com ricos financiadores de suas campanhas ou as duas coisas.

O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à presidência propondo reforma eleitoral que reduza este custo.

Você sabia?


Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição,  como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral. O volume de publicidade é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular. 

domingo, 13 de julho de 2014

A máscara do gigante


Não houve nenhum milagre nos anos de Lula, e sim uma miragem que agora começa a se dissipar

Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.

Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.

Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.
(...) não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento.

Sobre a nova 'Futebras'

Nani Humor

'Elefantes brancos' só para show


O planejamento de construções da Copa, principalmente os estádios, foi bastante específico para o futebol. Cem por cento dos estádios foram única e exclusivamente para uma única atividade esportiva, afirma Paulo Roberto Masseran, especialista em arquitetura para espetáculos da Unesp em Bauru. Masseran, em entrevista ao Minuto Unesp, dá como exemplo o Mané Garrincha, ainda incompleto, que foi demolido, mas apresentava características de porte olímpico, podendo abrigar outros esportes no espaço. Segundo o especialista, restará às “arenas”, em particular nas cidades onde há pouca atividade futebolística, receberem apenas futebol e shows.

Masseran ainda comenta o caso do estádio do Pan-Americano, no Rio, outro elefante branco, inadequado para as Olimpíadas, determinando outro gasto para a construção de um outro estádio para essa competição de 2016. 


sábado, 12 de julho de 2014

O des-milagre brasileiro


O 7-1 não será assumido como uma anomalia futebolística, mas como a confirmação de um estado de coisas, de um fim de ciclo

(...) A aposta política no futebol foi de alto risco, mas ao final foi a única coisa que Rousseff podia se comprometer. Os cerca de 25 bilhões de reais investidos na festa, tão duramente criticados, teriam sido legitimados no ânimo popular com uma vitória da seleção. Como em toda aposta de alto risco, os dividendos do triunfo eram tão categóricos como as consequências que a derrota acarreta. O problema é que as autoridades nunca imaginaram um desastre esportivo de tal magnitude. O futebol é uma religião no Brasil; agora se transformará em política. Uma variável de consequências imponderáveis que não se encontra nos manuais de teoria política. Se o des-milagre econômico era mal recebido pelos brasileiros, o des-milagre futebolístico pode ser letal para a presidenta Dilma. Veremos.

Quando pagaremos?


A festa acabou, E agora, Josés? Vocês já calcularam o prejuízo? Essa conta não se pagará em crediário.
Durante um mês os aeroportos funcionaram mesmo inacabados, houve mobilidade urbana apesar de nem 10% das obras estarem prontas. O país se esmerou e empenhou tudo dentro do governo . E deu certo. Ou quase. Mas existe uma conta que não fecha.

Até vilarejos a léguas das sedes fecharam portas, deram feriado e ponto facultativo a seus comissionados. A farra foi tanta que esbanjaram em telões e shows para exibir jogos do Brasil ao populacho nessas vilas. Tudo com o financiamento popular, dinheiro que serviria para obras públicas fundamentais, educação e saúde. Quem vai pagar a esbórnia que políticos promoveram de olho em outubro?

O governo de d.Dilma se aplicou em divulgar lucros exorbitantes, empregos em penca e melhorias com o padrão Fifa. O Centro Aberto de Mídia foi uma verdadeira máquina com produção diária de releases divulgando os grandes sucessos da Copa. Foi o show dos milhões e bilhões como anunciou até uma geração de R$ 30 bilhões à economia. No entanto, não há livro-caixa para conferir o que o país lucrou.

Certeza é que a Copa foi um milagre brasileiro, mais um. De ser o único país até hoje a lucrar com grandes eventos esportivos, fato que não aconteceu, com o perdão da palavra, nem com a Alemanha. O que acontece só mesmo no Brasil, aquele deitado em berço esplêndido, de onde jorram os mananciais da dinheirama pública para regalo dos políticos, ainda mais em véspera de reeleição.

Podem agora os especialistas até afirmarem que não haverá um efeito Copa em outubro. Analisam outras Copas, outras derrotas, mas se esquecem de quanto foi especialíssimo este evento para o país, que gastou fortunas e durante um mês envolveu o governo de tal forma que se esqueceu até de governar. No embalo, aproveitou para distribuir benesses eleitoreiras. O país ficou inteiramente em recesso como os parlamentares, mas precisou trabalhar para pagar as contas, o que não aconteceu com os meliantes das casas legislativas.

A derrota na Copa em casa pode pesar mais do que calculam, porque o país também perdeu dinheiro que será o contribuinte a recolocar tudo em caixa. Algo que os marqueteiros governamentais querem afastar da imagem santa da presidente. Afinal Copa e Olimpíadas, no Brasil, foram ideia de alguém muito esperto e louco para usufruir de juros eleitorais com sua tacada. Como surgiu uma Alemanha no meio do caminho, o jeito é tirar da reta o governo e deixar a contar se pagar por si mesma. Ou seja, o débito fica para aquelas crianças que choraram a derrota e, quando forem cidadãos produtivos, começarão a pagar o choro de hoje.          

Comensais


'Vencedores e perdedores' na economia


Quando a última bola rolar em campo, neste domingo, a Copa do Mundo terá deixado vencedores e perdedores também na economia.
Apesar das promessas do governo de que o evento geraria milhares de empregos e ajudaria a impulsionar a economia, ainda não está claro qual será seu impacto geral nesta área. Consultorias sondadas pela BBC Brasil, como a Tendência e a Capital Economics, preveem um efeito nulo ou insignificante sobre o PIB.

Mas se o saldo total do torneio ainda é incerto, está cada vez mais evidente que alguns setores devem comemorar a "taça" das vendas, enquanto outros amargarão resultados mais fracos.

Entre os mais beneficiados, segundo o economista Juan Jensen, da Tendências, estão negócios ligados a segmentos de lazer e turismo, como bares e os hotéis das cidades-sede. Produtores de cerveja e fabricantes de televisores também saíram ganhando. E ainda na fase de preparação para os Jogos, grandes empreiteiras lucraram com as obras ligadas ao Mundial.

Do lado dos perdedores parecem estar a indústria em geral e o varejo não ligado ao torneio - que sofreram com os feriados e paralisações provocados pelos Jogos.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

As frases

Nani Humor

Ser ou não ser

"Ser contra a maioria. Ter uma opinião própria e aguentar. O conforto e a defesa do grupo, do bando, do correligionário. Estar só, privado do suporte para a nossa opinião e a nossa glória durante uma vida inteira. Porque uma reputação é feita pelos outros. E os outros fazem-na enquanto existe o motivo dela, ou seja o reputado"
Vergílio Ferreira 

Querem também aparelhar o futebol

Os homens de governo, os que têm a responsabilidade dos destinos
dos povos, devem abster-se de proteger os clubes esportivos, sobretudo os nossos
Lima Barreto, Feiras e Mafuás

Numa corrida em defesa da presidente, dentro do esquema tático de retranca em torno da candidata, Aldo Rebelo (PCdoB), agora conclama que o governo “não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”. Grande financiador da Copa com quase R$ 10 bilhões públicos investidos para uma competição de financiamento inteiramente privado, como foi anunciado, o governo agora tenta outra jogada nesta prorrogação da derrota para os alemães.

O ministro sugere o aparelhamento do esporte que em boa parte, como admitiu, financia sem quase nenhuma ingerência na regulamentação e na gestão dos clubes. Para Aldo, apenas agora "o futebol e o esporte são matérias de interesse público", e o Estado deve "retomar algum tipo de protagonismo" nessa questão.
Mesmo sabendo de tal situação, o próprio governo, sob o comando de Aldo Rebelo literalmente abriu as pernas para a Fifa, que lucrou bilhões livres de impostos, e para suas “exigências”. Foi o porteiro comunista que escancarou as portas do país para a monopolista Fifa, em nome do povo, para o povo, pelo povo, que paga muito bem porteiros dessa laia.

Com que caráter o mesmo vai defender uma gerência maior sobre o futebol e outros esportes se escancara o país em nome de grandes eventos esportivos só para ter a primazia de capitalizar os juros eleitorais? É mais uma cortina de fumaça para esconder os interesses escusos que fizeram o PT, aliados e seu guru supremo defenderem essas competições como alavancadoras do progresso. Pílula dourada que os brasileiros terão de pagar agora a peso de ouro.

A coletiva do ministro só reforçou nas entrelinhas que a Copa foi um evento inteiramente dedicado a reforçar a administração petista e de aliados, como o PC do B do ministro, para assegurar com vantagens o continuísmo de poder. Ninguém é burro o suficiente para ignorar que esses eventos esportivos, que tanto serviram a ditaduras no passado, não seriam usados pela pseudo democracia do presente para louvar seus governantes. Ou ainda acham que Lula só trouxe a Copa para dar um Itaquerão de graça ao Coríntians, seu clube de coração que não tinha estádio?


A defesa do ministro de um aparelhamento do esporte - contrário à liberalização e privatização dos clubes como nos Estados Unidos, Alemanha e outras democracias – abre brecha para as aberrações que já são criadas pelos governos petistas. Como a daquele prefeito, torcedor do Vasco, que doou área pública na margem lagunar para seu clube do coração instalar um centro de treinamento. A doação, aprovada pelos vereadores, foi feita em nome de se oferecer uma escolinha à garotada local, quando se sabe que CT é um espaço particular. Em suma, o aparelhamento proposto pelo ministro bem pode ser mais um atalho para “iniciativas” dessa laia para privilegiar uns e outros dos governos.