domingo, 30 de agosto de 2015

Lula, o esvaziado

Boneco inflável de Lula ficou vazio após ser furado (Foto: Reprodução / TV Globo)

Luiz Inácio Lula da Silva escolheu a cidade de Montes Claros, sexto município mais populoso de Minas Gerais, para, mais uma vez, atrair holofotes sobre a possibilidade de ser candidato à sucessão de sua pupila Dilma Rousseff. Embora, seguramente, a intenção do ex seja a de se colocar como salvador da pátria, sua afirmação - “se for necessário eu vou para a disputa” – soa mais como ameaça ao país, visto que é inevitável separar Lula da agudez da crise. Muito menos dos escândalos da Lava-Jato, nos quais o PT, ele, Dilma e aliados são os principais beneficiários.

Ciclotímico quanto à sua afilhada, ora amigo fiel, ora crítico mordaz que a coloca abaixo do volume morto, Lula tem agido como quem não mais acredita na possibilidade de Dilma concluir o mandato.

Esbraveja, acusando de golpistas aqueles que trabalham com a hipótese de renúncia ou impedimento constitucional. Ao mesmo tempo, amplia sua presença em palcos-palanques, que, mesmo em ambientes fechados e audiência contada a dedo, ele chama de comícios.

Tenta manter alguns fios da esgarçada rede de apoio e sempre que pode cava um jeitinho de se dizer candidato, “se necessário for”.

E quem precisa de Lula? Fora o PT, alguns asseclas e velhos companheiros sindicalistas, não há qualquer clamor pelo volta Lula. Nem mesmo os viúvos da esquerda da primeira metade do século passado ele consegue arregimentar.

Longe da popularidade que gozava quando deixou o governo e sacou Dilma do colete – algo que ele tem confessado a muitos como seu maior erro -, Lula parece saber que até para ele, que se tinha como infalível, está difícil dar a volta por cima e se reinventar. Hoje, perderia eleição para qualquer um dos desafetos tucanos – Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra – e também para Marina Silva, segundo dados do Instituto Paraná de Pesquisas, divulgados na segunda-feira passada.

Suas plateias, até as convocadas pela CUT, como aconteceu na sexta-feira, em Belo Horizonte, estão cada vez menores, incapazes de lotar auditórios, quanto mais ambientes externos.

Nas ruas, o que tem feito sucesso é o Pixuleko ou Pixulula, boneco inflável de Lula vestido de presidiário.

Apresentado ao público pelos manifestantes de Brasília no último dia 16, o boneco virou símbolo dos atos contra a roubalheira, contra Dilma, Lula e o PT. E parece ter incomodado mais do que as centenas de milhares que foram às ruas em março, abril e agosto, ou os frequentes panelaços. A ponto de mobilizar gente para tentar destruí-lo, como ocorreu no Viaduto do Chá, em São Paulo, quando o boneco foi esvaziado a facadas.

Alvo de críticas severas do presidente do PT, Rui Falcão, e até da presidente, conseguiu algo que nem a recessão estampada no PIB negativo de 1,9%, nem a inflação ou o desemprego crescente, que de acordo com o Dieese-Seade bateu em 13,7% na Grande São Paulo, chegaram perto: provocar furiosa indignação em Dilma, para quem o boneco ultrapassou “todos os limites”.

Além das investigações que a cada dia se aproximam mais de Lula e dos seus, o ex, hoje esvaziado, paga o preço de ter inflado Dilma e a si próprio.

A letalidade da roubalheira do Carf

A Operação Zelotes, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, está comendo o pão que o Tinhoso amassou. Ela começou em março e explodiu uma quadrilha de ex-conselheiros, parentes e amigos de conselheiros que vendiam decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, um órgão do Ministério da Fazenda. Depois de dois anos de investigações sigilosas e 2.300 horas de escutas telefônicas, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão.

Passados na peneira, separaram-se 74 processos com cheiro de queimado, todos de peixes gordos. Num grampo autorizado pela Justiça, um ex-conselheiro disse o seguinte: "Aqui no Carf só os pequenos devedores pagam. Os grandes, não". Ou, noutra versão, mais crua: "Quem não pode fazer acordo, acerto –não é acordo, é negociata– se fode".

A coisa funcionava assim há muitos anos: uma grande empresa ou um grande banco era autuado em R$ 100 milhões pela Receita Federal, recorria ao Carf e liquidava a fatura reduzindo a autuação para algo como R$ 5 milhões.

Essa modalidade de corrupção é muito mais daninha do que tudo que se viu na Lava Jato. Num raciocínio cínico, a tia de um empreiteiro que cobrou R$ 100 milhões por uma obra que valia R$ 50 milhões, sempre poderá dizer que, apesar de tudo, a obra do seu sobrinho está lá. Já a tia de um magano que alugava por R$ 150 milhões um navio-sonda que o mercado oferece por R$ 100 milhões também dirá que o navio está no litoral de Campos, fazendo seu serviço.

No caso do Carf, a empresa que devia R$ 100 milhões pagou R$ 5 milhões à Receita e uns R$ 3 milhões à quadrilha. Só se produziu prejuízo e propina. Nem refinaria, muito menos navio-sonda.

Coisas estranhas aconteceram com a Operação Zelotes. Quando ela foi desencadeada, o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, julgou desnecessário prender pelo menos quatro acusados, contentando-se com os mandados de busca e apreensão. Jogo jogado. Em junho, o Ministério Público pediu e conseguiu seu afastamento.

Noutra ponta, saiu da Câmara dos Deputados um pedido de informações com algumas perguntas banais ao Ministério da Fazenda: Quais os valores de cada processo milionário julgado no Carf? Quais recursos foram aceitos? Em junho, o doutor Carlos Alberto Freitas Barreto, presidente do Conselho, informou que devido a uma mudança no sistema de armazenamento de dados esse detalhamento só poderia ser apresentado "em breve". Passaram-se três meses e nada.

Numa nova surpresa, o coordenador-geral de investigação da Receita Federal, Gerson Schaan, deu uma entrevista à repórter Andreza Matais na qual disse o seguinte: "O que a quadrilha fazia era direcionar o julgamento para uma Turma que tinha entendimento a favor do contribuinte. Trata-se de um caso de corrupção, não de sonegação". Em tese, tudo bem; na prática, a ver. O centro dessa questão só será mais bem entendido "em breve", quando o Carf fulanizar nomes e cifras.

Nos pixulecos do Carf podiam ocorrer três situações:

1) O contribuinte sabia que estava sonegando e dava a pedalada tributária porque esperava ganhar a parada no Carf. Nesse caso há corrupção e sonegação.

2) O contribuinte pode ter razão, mas comprou o "direcionamento". A Receita errou, mas falta explicar melhor como uma Turma entende uma coisa e outra vai na direção oposta, sobretudo sabendo-se, há anos, que uma quadrilha orientava o trânsito. Nesse caso, há um atravessador corrupto e um empresário corruptor.

3) No pior dos casos, o contribuinte tinha razão, mas foi informado de que iria para a lâmina se não pagasse o pedágio. Segundo um dos integrantes da quadrilha: "Se eu participar (...) eles têm mais ou menos 95% de chances de ganhar. Caso contrário, perderão, com certeza".

Essas diferenças poderão ser esclarecidas se a Operação Zelotes entrar no estilo da Lava Jato. Pelo andar da carruagem, apesar dos esforços da Polícia Federal e do Ministério Público, ela está devagar, quase parando.

Corre o risco de ficar parecida com a Castelo de Areia, aquela que livrou a empreiteira Camargo Corrêa de qualquer suspeita. Passaram-se seis anos e agora a empresa está colaborando com o juiz Sergio Moro.

Organizações Tabajara

Um ex-ministro de Dilma Rousseff costuma chamar seu governo de Organizações Tabajara. Assim como a empresa fictícia do "Casseta & Planeta", diz ele, o Planalto está sempre bolando alguma ideia mirabolante fadada ao fracasso.

A ressurreição da CPMF foi o novo produto dessa fábrica de trapalhadas. Ao propor o retorno de um novo imposto, o governo voltou a irritar a classe média e, ao mesmo tempo, afugentou empresários que se aventuravam a defender a presidente.

Na política, as reações também foram desastrosas. A oposição reforçou o discurso de que a sociedade paga a conta da crise, e o petismo se recolheu em silêncio envergonhado. O vice Michel Temer, cortejado por conspiradores, ganhou motivo para se afastar ainda mais de Dilma.

O tiro no pé poderia ter sido evitado com uma simples avaliação do cenário. Se a CPMF foi derrubada em 2007, quando Lula batia recordes de popularidade, a chance de aprová-la agora seria próxima de zero. Por que gerar tumulto com uma ideia que jamais sairia do papel?

Nunca antes um governo espalhou tantas cascas de banana na calçada em que pisa. No início da semana, Dilma já havia transformado uma boa notícia em armadilha ao anunciar os cortes na Esplanada. Como ela não informou os alvos da navalha, criou-se um novo terremoto na base aliada. Partidos que se estapeavam por cargos de segundo escalão agora estão em pânico com a ameaça de perder ministérios.

Na sexta-feira, um ministro petista lamentava a sucessão de trombadas: "Estávamos saindo da mira, mas terminamos a semana com todos os canhões apontados para nós".

Na noite de sábado, o governo se rendeu ao óbvio e desistiu da ideia funesta de retomar a CPMF. Mesmo assim, Dilma será criticada pelo recuo. Sua política econômica voltou à roleta do improviso, e o buraco nas contas públicas continua aberto. As Organizações Tabajara não fariam pior.

Um pelo outro sem querer volta

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Quando o Lula declara não poder dizer se será ou não candidato à presidência da República, em 2018, na realidade está dizendo que hoje, não seria. Amanhã, só se o vento virar. O ex-presidente tem consciência de que o PT, Dilma, e ele próprio perderam a confiança nacional. Fossem as eleições na próxima semana e nem o segundo lugar Lula conquistaria, tamanha a rejeição popular causada pela lambança encenada no governo. Lançar-se para perder, o primeiro-companheiro não admite.

Prefere ficar entre o triplex quase pronto no Guarujá, o sítio que frequenta bissextamente e uma ou outra viagem ao exterior que as empreiteiras se arrisquem a proporcionar-lhe. Aceitará convites de sindicatos e associações ligadas ao PT para sinalizar que está vivo, mas concorrer outra vez parece por enquanto fora de seus planos. Mesmo mantendo aberta uma fresta de janela, não arriscará. Três anos e picos são muito tempo.

Se porventura afastada a hipótese de o ex-presidente concorrer, obviamente para não perder, importa menos saber quem o PT convocará para o sacrifício, se Jacques Wagner, Aloysio Mercadante, Rui Falcão ou qualquer outro condenado ao papel de figurante. É para o lado de lá que as atenções devem voltar-se. Aécio Neves, Geraldo Alckmin ou José Serra compõem um elenco sem surpresas, ainda que preparando-se para embates violentos entre eles. Correndo por fora, Marina Silva e, outra vez posicionado, Ciro Gomes.

Do lado oposto da cerca, Joaquim Barbosa, Sergio Moro, Rodrigo Janot e que novos modelos pouco ortodoxos poderiam ser pinçados?

De todo esse raciocínio sem maior expressão, conclui-se pela ausência de um candidato capaz de despertar esperanças e expectativas, por razão muito simples: nenhum dos nomes referidos, a começar pelo Lula, dispõe de mensagem, programa ou contingente organizado capaz de empolgar os eleitores. Nada de novo no front, além de velhas trincheiras cavadas em árido terreno. Partidos capengas e carentes de personalidade misturam-se sem ensejar à sociedade um rumo alternativo. Nada que empolgue ou aponte um saída para a amorfa, insossa e inodora realidade. Equivalem-se os candidatos pela falta de opções. Ao eleitor, ao menos por enquanto, resta dar um pelo outro e não querer volta.

A CPMF que faltava

Charge O Tempo 24/08A perda de prestígio e de popularidade da presidente Dilma, em 2015, foi além do limite de segurança. O ambiente em volta está saturado de insatisfações. O ajuste fiscal se revelou ineficaz e, pior, perde apoio dos setores que representam os pilares da economia nacional. A credibilidade do governo está em nível mais do que morto e sem previsão de reabastecimento.

O vice Michel Temer se afastou da coordenação política. Como andorinha, o peemedebista está pronto para mudar de continente, à procura de outra primavera.

No horizonte ampliam-se as incertezas. A presidente não consegue explicar a que serve tanto sacrifício e desemprego provocados pelos apertos. Como e quando sairemos desta violenta tempestade? Sacrifício todos estão dispostos a fazer quando tem uma meta.

Isso Dilma não responde, não convence. Joaquim Levy provoca saudade de Guido Mantega.

Setores especulativos, e apenas esses, vêm tirando proveito do ajuste fiscal. Quem paga a conta é quem trabalha e emprega. O Brasil é um sistema cada vez mais injusto e demagogo? Quem especula se esbalda de lucros.

Na última semana a histórica Dedini, de Piracicaba, empresa líder mundial em equipamentos para a indústria sucroalcooleira, um dos raros casos de sucesso tecnológico brasileiro, demitiu 650 funcionários. Fechou as portas da fábrica e aguarda resposta ao pedido de recuperação judicial. Não perdem apenas Piracicaba e os acionistas. Empresa modelo em gestão sucumbiu aos desmandos dos governos.

A quebra da Dedini em proporções nacionais, para um país que é referência em biocombustíveis, está como a quebra da Volkswagen na Alemanha, referência mundial em produção de veículos. Ninguém se manifestou, ninguém chorou, uma perda catastrófica para o Brasil. Tecnologia que sai pelo ralo da incompetência oficial.

Mais que uma empresa, o Brasil perde um patrimônio tecnológico que importaremos em breve de um país asiático. Mais de cem usinas de açúcar quebradas e nenhum plano de enfrentamento, como se um setor que gera mais de 1 milhão de empregos fosse nada. É revoltante ver como os partidos se aglutinam apenas para desfrute do poder e para vampirizar a nação.

Nem a capacidade de compreender o valor estratégico para o planeta e para o Brasil de manter-se na dianteira de um setor que será uma das maiores demandas do futuro. Nem com as terras, o sol, a mão de obra, a tecnologia de ponta conseguimos evitar fracassos. Líderes apenas em corrupção mundial. Desmancha-se um esquema, surgem dois piores e mais graves. Mensalão, petrolão, eletrolão, aguardando o próximo.

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Como nunca, a presidente está na beira do abismo. O que a mantém do lado de cima é a desconfiança nos possíveis substitutos. Entre eles Michel Temer e o PMDB, partido de coadjuvante dos piores erros. O PMDB não tem apelo nem adesão popular.

Por mínima que fosse a representação de movimentos sindicais em contraposição aos desfiles de milhões de “classe média”, ainda manteve Dilma ancorada, evitando que o barco dela virasse. Mas até quando?

A oposição “tucana” mostra divisão interna. Como sempre. Os governadores do partido não são a favor de acelerar a queda de Dilma, as bancadas e os parlamentares pensam que caçar a presidente é agora ou nunca, mas junto com o vice dela, para ter nova e imediata eleição, quer dizer mais do que provável eleição do “aquecido” Aécio Neves.

O golpe de misericórdia para Dilma na capacidade dela de se autodestruir. A proposta de voltar com a CPMF, mais que uma gota em copo cheio, é chute no balde. A CPMF para os setores</CW> produtivos representa mais uma perda de competitividade e sustentabilidade (não é imposto recuperável e se soma em cascata) e penaliza o cidadão, não só no 0,38% alardeado, mas em todos os 0,38% das operações necessárias para que o bem chegue até o desfrute dele. Aí nada se salva, mais CPMF e menos comida, menos combustível, menores as condições de enfrentamento dos apertos. Mais perda de empregos.

A medida numa economia recessiva acelerará a recessão, poderia ser considerada um gesto demencial se não fossem seus propositores vinculados aos grandes bancos do país. A CPMF é uma taxa que é arrecadada pelos bancos e repassada para a União, amplia os caixas do sistema financeiro, entre outras perversidades.

Apenas o fundo partidário subiu neste ano mais de 300%, são mais R$ 2 bilhões para os partidos, entidades mais inúteis no quadro nacional, nada produzem, apenas gastam e são ineficazes a evitar os descalabros e a corrupção que devasta o país. Vale mais para o Brasil uma Dedini (tecnologia nacional) que 30 partidos. Mas isso não segue a prioridade de quem está no poder. Não se enxerga qualquer medida mitigadora, qualquer sinalização ou plano que preserve a estrutura produtiva do país. A proposta da CPMF colocará provavelmente a presidente em paredão e o pelotão do Congresso livre para atirar, assim como atirou no Collor. A sentença, em 1992, apontou um carro Elba, a questão será apenas encontrar ou inventar outro “Elba”?

Neste momento Michel Temer representa no Congresso o PMDB, o partido mais habilidoso a tirar proveito do cenário político. Ainda ocupando as presidências da Câmara e do Senado, pode determinar o encerramento de uma era de poder.

Os filhos da CUT e os filhos do Brasil

Há dois grupos em conflito: os filhos da CUT e os filhos do Brasil. Eles podem ser facilmente reconhecidos pelas cores que usam nas manifestações: os filhos do Brasil vão de verde-amarelo; os filhos da CUT preferem vermelho.


Os filhos do Brasil, mais numerosos, fazem seus protestos no domingo, porque precisam trabalhar na segunda-feira. Os filhos da CUT, em menor número, fazem seus protestos no meio da semana, porque têm estabilidade no emprego ou foram liberados pelos chefes. Sem contar o pão com mortadela, é claro.

Os filhos da CUT invadem propriedades (como fizeram com a Fazenda Figueira, em Londrina, uma das mais produtivas do Brasil). Os filhos do Brasil garantem uma safra recorde e carregam a economia do País nas costas. Mesmo assim, os filhos do Brasil são chamados de capitalistas, burgueses, exploradores e escravocratas. Enquanto isso, os filhos da CUT recebem polpudas verbas federais para continuar realizando suas marchas e invasões.

Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de golpistas. E, no entanto, é o presidente da CUT que incita seus correligionários a pegar em armas para defender a “presidenta”. Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de fascistas. E, no entanto, são os filhos de CUT que poderiam dizer, com Mussolini: “Tudo para o Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”. Os filhos da CUT chamam os filhos do Brasil de inimigos da democracia, mas quem defende a turma do mensalão e do petrolão são os filhos da CUT; e também são os filhos da CUT que querem censurar os filhos do Brasil nos jornais e nas redes sociais.


Os filhos do Brasil constituem a imensa maioria, algo como 91% da população. Mesmo em minoria, os filhos da CUT são muito perigosos, porque nada têm a perder, exceto o poder. E, vamos admitir, eles são muito mais experientes em estratégias e manipulações. Sem contar que os filhos do Brasil são amadores na política, não têm emprego estável nem ajuda oficial; precisam lutar pela sobrevivência, e isso consome tempo e energia. Só os filhos da CUT podem se dedicar à política em tempo integral.

Os filhos da CUT estão muito nervosos de um tempo para cá, principalmente depois de certas prisões efetuadas pela Operação Lava Jato. Ultimamente eles também não têm apreciado bonecos infláveis. Por falar em Lava Jato, há um teste infalível. Se você estiver em dúvida se alguém é filho da CUT ou filho do Brasil, pronuncie calmamente as palavras “Sérgio Moro”. Se o sujeito sorrir, é filho do Brasil. Se fizer careta ou sair correndo, é filho da CUT.

Os filhos da CUT também são filhos do Brasil, e merecem perdão. Mas ajudaria se eles parassem de mandar em nós. Misericórdia!

Coisa de batedor de carteira fantasiado de governante

A ideia de ressuscitar a CPMF com codinome trocado é mais que outra esperteza tramada pelos embusteiros acampados no poder há quase 13 anos. É uma bofetada no rosto do Brasil que pensa e presta, habitado por gente que paga todas as despesas do governo arruinado pela incompetência e pela corrupção. É também um insulto intolerável aos milhões de indignados que exigem nas ruas o imediato encerramento da era da canalhice.

A carga tributária é cada vez mais indecente, constata o comentário de 1 minuto para o site de VEJA. Mas cinismo e safadeza não têm cura. Enquanto programam nas sombras mais aumentos, os extorsionários federais planejam a exumação da CPMF. Não para melhorar a saúde, mas para reduzir as dimensões siderais do buraco escavado por Lula e ampliado pelo poste que instalou no Planalto.

De novo, os incapazes capazes de tudo querem transferir a conta da farra de que desfrutaram para os lesados de sempre ─ já crescentemente atormentados pela inflação sem controle e pela expansão do desemprego. Se a pilantragem não for sepultada no Congresso, a imensa maioria de inconformados precisa tomar o freio nos dentes e juntar-se num movimento de desobediência civil cuja bandeira principal será a suspensão do pagamento de todo tipo de tributo que não tenha como escapar da retaliação merecidíssima.

Esse calote superlativo, que se estenderia até a interdição dos perdulários irrecuperáveis, foi resgatado do terreno da fantasia pelas pesquisas de opinião e pelas portentosas manifestações de rua. Os brasileiros decididos a abreviar o mandato de Dilma vão chegando a 70%. São tratados pelo governo lulopetista como se fossem um bando de idiotas. Os que permanecem na seita agonizante nem chegam a 10%. É hora de mostrar-lhes como se deve tratar todo batedor de carteira fantasiado de governante.
Augusto Nunes

sábado, 29 de agosto de 2015

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Carta de um médico para a presidente da Repúbica

Não temos que agradecer nada que a senhora fez, pois não fez mais do que a obrigação. O dinheiro é nosso, a cidade é movida pelo nosso empenho. O povo é seu patrão!
Sra. Dilma Rousseff, tudo bem? Pelo que a senhora tem dito, está tudo bem, sim! Pude observar por fotos sua boa aparência enquanto visitava hoje pela manhã a cidade em que eu moro: Catanduva, aqui no interior de São Paulo. Porém, nós brasileiros não estamos tão bem quanto a senhora!

Desculpe-me não poder aplaudi-la hoje. Eu estava trabalhando, como sempre. A propósito, é isso que os brasileiros mais fazem para tentar consertar o seu desgoverno. Confesso, adoro trabalhar. Isso não é problema para mim. Porém, trabalhar sem perspectivas de mudança e melhoria, isso me incomoda. Cansamos de improvisar para resolver os desatinos do seu governo. Quem gosta de dar um jeitinho em tudo, são vocês aí de cima; nós, médicos, cansamos!

A senhora veio até a nossa cidade e “exigiu” um leito de UTI reservado apenas para atender um eventual problema. Senhora presidente, nossos pacientes que vivem à espera de um leito, às vezes até morrem aguardando, como ficam? A senhora deveria dar o exemplo: primeiro, como cidadã que se preocupa com seus pares, cedendo sua vaga para aqueles que realmente precisam; segundo, como autoridade, indicando a postura a ser seguida. Agindo como fez, reiterou o caos que se encontra a saúde pública desse país. Até a senhora precisa reservar leito, tamanha dificuldade de vagas!

Mas fique tranquila, caso sofresse algum mal súbito ou algum atentado contra sua saúde, atenderíamos a senhora com muito prazer. Porém, se precisasse de vaga de UTI, deveria aguardar na emergência até surgir um leito. Poderia demorar dias, até semanas. Aliás, é assim que funciona. A senhora não sabia? Passe uns dias aqui conosco para averiguar. Venha sentir o ambiente da emergência e das enfermarias. Quem sabe isso desperte compaixão perante o povo sofrido que cuidamos incessantemente.


Como se não bastasse, exigiu reserva de um leito na enfermaria. Precisamos muito do espaço que a senhora solicitou. No hospital de nossa cidade atendemos outras 19 cidades circunvizinhas que encaminham seus pacientes para cá. Nossa emergência vive lotada, os corredores contêm macas por todos os lados. Alguns pacientes aguardam dias até surgir uma vaga na enfermaria. Por que a senhora quer um leito reservado?

Convém recordar que a senhora é representante do povo, todos pagam impostos expressivos sobre o salário e todos os bens e serviços. Vale destacar que a senhora é o funcionário que mais dá prejuízo nesse país. Basta olhar os noticiários do Brasil e do mundo.

Notei barulho de vários helicópteros. Desculpe, não tive tempo de olhar pela janela para ver como eram. Cabe informar que seu transporte muito confortável poderia estar sendo utilizado para salvar vidas. Aqui em nossa região temos inúmeras estradas vicinais. Os acidentes são constantes e inúmeros óbitos são registrados. Já que melhorar as estradas não é possível, pelo menos nos dê condições de atender as vítimas com agilidade.

A cidade referência de nossa região, São José do Rio Preto, precisa ainda mais de um helicóptero como o seu. Faça um favor, ande de carro. Seja humilde, assim como seu povo é. Bem como o papa Francisco foi, quando visitou o Brasil. Assim conhecerá melhor as estradas do Brasil sob o seu desgoverno e dará exemplo de dignidade.

Como se não fosse suficiente toda a reserva no hospital tirando leito de quem precisa, ainda solicitou que três viaturas do SAMU estivessem ao seu dispor. Senhora presidente, trabalho no SAMU há seis anos. Conheço muito bem as necessidades e prioridades desse serviço. Cobrimos, 24 horas por dia, 19 cidades. Muitas vezes precisamos de suporte de mais viaturas para atender ocorrências com inúmeras vítimas, porém não temos disponível, nem profissionais

Observe, atendemos cerca de 500 mil habitantes em nossa região, com apenas um médico disponível do SAMU para socorrer! Agora, a senhora vem aqui nos visitar e exige um médico apenas para a senhora? Faça-me o favor, senhora presidente! Estamos sobrecarregados e ainda a senhora vem tumultuar nosso ambiente?

Além de tudo, veio acompanhada de três médicos, exaustivamente acompanhando a senhora, inclusive com desfibrilador a postos. Saiba que Catanduva, SP, tem médicos competentes o suficiente para atendê-la em caso de necessidade. Tenha certeza que será muito bem atendida, enfrentamos bem situações adversas.

Aliás, a senhora solicitou que uma sala cirúrgica estivesse livre e desocupada, ao seu dispor. Não sei se a senhora não sabe, mas precisamos de mais salas cirúrgicas para atender toda a demanda de pacientes. Não raramente, precisamos priorizar quem operamos. Alguns precisam aguardar a sala cirúrgica ser desocupada para ser operados. Às vezes, não dá tempo… Ora, a senhora quer uma disponível exclusivamente para uma eventual cirurgia? Pergunto: e o José, a Maria e o João? A vida deles é menos importante que a sua?

E a segurança? Além dos seus inúmeros seguranças particulares, a senhora mobilizou nosso contingente para resguardar sua integridade. Cerca de 50 policiais à sua disposição, além de viaturas. Ora, e a segurança da nossa população? Somos 115 mil habitantes e precisamos de mais segurança. Atendemos baleados, esfaqueados e agredidos com frequência em nosso serviço. Muitos deles precisam do espaço que a senhora reservou para seu “eventual” atentado.




Enfim, senhora Dilma, desculpe-me alongar. São tantas as dores que guardamos no coração… Vê-la dissimuladamente festejar entrega de casas populares dá-nos náuseas. Não estamos de brincadeira, senhora, queremos respeito com nosso suor. Exigimos que nos represente com honestidade e cuide de nossa população, ainda mais dos que precisam de condições mínimas de saúde.

Não me venha dizer que não sabia de nada dos desvios do seu governo e que não tinha conhecimento do comportamento delituoso das pessoas com quem estava se envolvendo. Agora responda por suas ações (e pela ausência delas!), cumpra com seus deveres e ao menos conserte o estrago feito.

Não temos que agradecer nada que a senhora fez, pois não fez mais do que a obrigação. O dinheiro é nosso, a cidade é movida pelo nosso empenho. O povo é seu patrão! Portanto, da próxima vez, nem venha. Trabalhe! Busque soluções concretas para o poço sem fundo que o país está. Rápido, antes que nosso Brasil vire pó.

Agora, pergunto: Sra. Dilma, a que veio? Da próxima vez, peça licença. Chega, estamos cansados!


Dr. Roberto Cacciari

O país do amanhã


O Brasil é um país adiado. Perdeu no passado várias oportunidades de dar um salto qualitativo, em função de decisões erradas ou de manipulações eleitoreiras de iniciativas que poderiam ter dado certo, como o Plano Cruzado, concebido pelos mesmos mentores do Plano Real, mas profanado pelo governo Sarney.

O Plano Real, o mais bem sucedido da história, sofreu estupro na gestão PT – e o país, dizimado por uma organização criminosa, que o governa há 13 anos, volta à estaca zero: inflação, desemprego, recessão, descrédito popular (o dano mais significativo e mais difícil de reparar e do qual depende o resgate dos demais).

Costuma-se dizer que, no alfabeto chinês, o mesmo ideograma que designa crise designa também oportunidade. Essa duplicidade, que aponta a solução de um problema a partir de sua transmutação, não funciona entre nós.

Crise aqui é só crise mesmo, sem qualquer vontade política de aproveitar a oportunidade regenerativa.

A atual, que submete a conjuntura política a uma operação policial, poderia ser uma oportunidade de passar o país a limpo, entregando à Justiça, sem subterfúgios, os responsáveis pela rapina. O que se vê, no entanto, é algo bem distinto: as instituições – os três poderes -, em conluio recíproco, em busca de saídas indolores, que reduzam ao máximo o arco punitivo.

A palavra acordão rima como Mensalão, Petrolão e outros “ãos” que ainda virão. Rima, mas não traz solução.

Neste momento, três adiamentos impedem o desfecho da crise. O TCU concedeu o segundo adiamento de 15 dias para que Dilma explique as pedaladas fiscais, que configuram crime contra a Lei de Responsabilidade Fiscal e podem dar início ao processo de impeachment.

Para impedi-lo, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, deu sua contribuição: saiu-se com uma decisão (a ser avaliada pelo pleno) que retira da Câmara, presidida pelo indigesto Eduardo Cunha, a votação das contas da presidente.

Embora a Câmara tenha votado as contas dos governos anteriores – Itamar Franco, FHC e Lula –, Barroso decidiu, sem qualquer justificativa razoável, que, daqui para frente, essas contas têm que ser votadas pelo Congresso, sob o comando do confiável presidente do Senado, Renan Calheiros.



Para complementar o acordão, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu denunciar Eduardo Cunha, poupando Renan, que passou a exercer o papel de fiador da intocabilidade de Dilma. Renan, citado diversas vezes nas delações premiadas, foi preterido em favor de Cunha, citado apenas uma vez por um delator, Júlio Camargo, que antes, por seis vezes, havia negado sua participação nas falcatruas que relatava.

Na sequência, reverberando a manobra, deputados petistas e aliados publicaram manifesto pedindo a saída de Cunha da presidência da Câmara. É o chamado ato político perfeito.

Se Cunha sair, será sucedido por um deputado do inominável PP, Waldir Maranhão, que teria a responsabilidade de convocar novas eleições para o cargo, com prazo, no entanto, para comandar (e garantir) a votação das contas de Dilma.

Cunha pode até ser culpado – e ninguém está pedindo para que não seja investigado -, mas as circunstâncias em que foi denunciado são suspeitas e aprofundam o descrédito nas instituições. E Renan? E Dilma? E Lula? E Edinho, Mercadante et caterva? Só a iniciativa privada vai para a prisão?

O TSE, por sua vez, interrompeu a votação das contas da campanha de Dilma, nutridas, segundo as delações premiadas da operação Lava-Jato, com dinheiro roubado da Petrobras. O placar estava em 4 a 1, pelo aprofundamento das investigações, num colegiado de sete - ou seja, já vitoriosa a tese de que há irregularidades que podem levar à cassação da chapa Dilma-Temer.

Eis que a ministra Luciana Lóssio, que é ninguém menos que a ex-advogada da campanha de Dilma em 2010, igualmente contaminada por dinheiro sujo, pediu vistas do processo, sem que se saiba quando será recolocado a voto.

O simples fato de alguém que exerceu tais funções estar julgando ex-clientes já indica uma anomalia profunda, absurda. Mas como estranhá-la se, na presidência da Corte, está alguém que fez o mesmo, numa escala bem mais ampla?

O ministro Duas Toffoli, como se sabe, fez toda a sua carreira dentro do PT: depois de reprovado duas vezes em concurso para juiz, foi chefe de gabinete de José Dirceu quando este foi deputado estadual em São Paulo e federal em Brasília; foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, também na gestão Dirceu, além de advogado da campanha de Lula em 2006. Lula, agradecido, o fez advogado-geral da União.

Na campanha de 2006, tentou, junto ao mesmo TSE, impedir que os candidatos da oposição tratassem do Mensalão, argumentando que aquele escândalo “jamais existiu”. Seis anos depois, estava no STF julgando nada menos que o Mensalão.

Na oposição, o panorama é igualmente espantoso. Com a faca e o queijo na mão, tendo diante de si o maior escândalo jamais visto, exibe discurso desuniforme e vacilante.

Diz que não há elementos que justifiquem o impeachment (??!!), que a presidente é honesta e honrada (não obstante suas contas não o serem e nenhuma investigação tenha confirmado tal premissa) e que é preciso ir devagar com o andor.

Suas maiores lideranças brigam mais entre si que com os delinquentes. O governador paulista Geraldo Alckmin quer que Dilma fique até 2018, para que, nesse prazo, ele possa firmar sua candidatura presidencial. O senador José Serra quer o impeachment para que Michel temer assuma e o faça ministro da Fazenda, ocasião em que poderá produzir o seu Plano Real e tornar-se um candidato viável à presidência.

Aécio Neves, beneficiário do recall das últimas eleições, liderando as pesquisas, quer a cassação da chapa, para que se eleja. Sem diálogo interno e sem compromisso com o clamor das ruas, a oposição presta inestimável serviço ao caos.

Rui Falcão, presidente do PT, agradece. E constata: não há chance para o impeachment porque a oposição não se entende. Ele nem precisa sustentar a inocência do governo. Basta constatar que seus oponentes são aliados na missão de mais uma vez adiar o Brasil.

CPMF, o pixuleco oficial

Dilma foi barrada no Palácio. A presidente vinha andando pelos salões da sede do governo federal quando um funcionário abriu os braços e impediu a passagem dela. O episódio se deu no momento em que vazava o plano do governo petista de recriar a CPMF. Foi como se o funcionário do Palácio tomasse a frente de um país abobado, prestes a levar calado mais uma facada dos companheiros, e dissesse a Dilma: “Não, minha senhora. CPMF é demais. Daqui a senhora não vai passar”.


A expressão ultrajada da presidente foi captada pelo fotógrafo Orlando Brito — no momento em que o chefe interino do Cerimonial do Planalto, Fernando Igreja, se punha no caminho dela, deixando passar apenas os atletas dos Jogos Parapan-Americanos que visitavam o Planalto. Nenhuma explicação factual para o acontecimento patético será tão precisa quanto o grito simbólico da cena: Dilma foi barrada no Palácio porque não devia mais estar lá.

A representante legal do maior projeto de pilhagem da História do país ainda respira por aparelhos porque, no quesito aparelhagem, seu partido é bom. Não é para qualquer um ter advogados de estimação na Corte Suprema, nem um procurador-geral da República para chamar de seu. Nas listas de Janot, o petrolão parece um desastre natural, uma nevasca de propinas que se abateu sobre os políticos brasileiros. Olhando, ninguém diz que é um esquema montado pelo estado-maior petista para roubar a Petrobras em favor do partido governante. Sabatinado no Senado, Rodrigo Janot disse que pau que bate em Chico, bate em Francisco. Só não bate em Dilma — porque em mulher sapiens não se bate nem com uma franja.

A presidente já foi citada mais de uma dezena de vezes na Lava-Jato, que produziu uma nevasca de evidências do financiamento eleitoral dela com dinheiro sujo de petróleo. Os tesoureiros petistas, entre delatados, denunciados, condenados e presos, já entraram para o anedotário como a profissão mais perigosa do mundo — anedota que só tem graça para os milionários com estrelinha na lapela. Enquanto o crime de responsabilidade dormita no TCU, com a tropa do cheque pedalando as pedaladas fiscais, o bom entendedor, e também o nem tão bom, já viu que o governo do PT montou um sistema de assalto ao dinheiro do povo — o que talvez explique o seu título de governo popular. E o impeachment, misteriosamente, continua sendo pronunciado como palavrão em convento.

Os companheiros agradecem as boas maneiras, e partem desinibidos para novos saques. E bota desinibição nisso: no momento em que o país entra oficialmente em recessão, com um rombo recorde de R$ 10 bilhões nas contas públicas em julho — joias de uma década de pilhagem —, os oprimidos profissionais tiram da cartola a ressurreição da CPMF. Já que você não quer falar em impeachment, querido contribuinte, vai passar a pagar pixuleco também. Mas não se preocupe: é pixuleco oficial, contabilizado, tudo certinho. Você nem vai precisar apertar a mão do companheiro Vaccari.

Para um governo tão preocupado com o povo, que chega a destruir o setor elétrico para fingir que a conta de luz é barata, recriar a famigerada CPMF é o sinal definitivo do desespero. Estão raspando o tacho. Até Delfim Netto, o oráculo do Lula, resolveu fazer o boletim de ocorrência do desastre financeiro. E note-se que Delfim foi aquele amigo das horas difíceis, sempre com um malabarismo teórico na ponta da língua para dizer que a administração petista ia muito bem, obrigado. Para Delfim Netto, desembarcar do seu doce teatro progressista, o brejo realmente deve ter alcançado a vaca.


Mas, para um povo cordial e pacato, até o brejo é relativo. Daqui a pouco aparece um intelectual antenado para dizer que, se é para tombar no chão, melhor afundar... Ou então que o brejo já vinha se chegando há muito tempo, e a vaca só estava no lugar errado, na hora errada. Os respeitáveis economistas Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, por exemplo — que não são malabaristas — escreveram que o tombo fiscal brasileiro tem pouco a ver com a era petista. Sugeriram inclusive que este signatário é maniqueísta e só pensa no PT. Seja como for, após 12 anos de déficits escondidos com maquiagem contábil, reaquecimento da inflação, derrubada dos investimentos graças ao sequestro do Estado pelo partido e, finalmente, uma recessão genuinamente petista, as ponderações do trio de notáveis são pura poesia para João Santana.

Melhor mesmo parar de pensar no PT. Vamos concentrar só no brejo. Mas se você acha, ainda assim, que pagar CPMF para financiar pixuleco é um pouco demais, faça como o chefe do cerimonial do Palácio: tome posição e diga àquela senhora que daqui ela não passa.

O outro lado da lua

Neste país que parece de um planeta a gravitar fora do sistema solar, talvez seja de bom alvitre que esqueçamos de escrutinar o lado transparente do seu satélite natural. Afinal, a política não pode sobreviver sem o mistério, que está na raiz de toda arte. Minha proposta é que olhemos para o outro lado da lua, invisível, que ela esconde. Pois me parece que este é o lado verdadeiro da política. Sua coroa, não essa cara que estampa a figura de São Jorge montando um cavalo para matar o dragão. Mas a coroa, símbolo do poder. Poder que o PT já perdeu, mas ainda detém. Por quê?

Que perdeu é óbvio. O dinheiro - que nunca aceita desaforo - nomeou um banqueiro para tratar das finanças antes que não restasse mais nem uma moedinha de centavo no cofrinho. E o político? Aí já é preciso separar o joio do trigo. Numa democracia, esse poder pertence ao povo, vale dizer, ao conjunto dos cidadãos que elegem seus governantes. Este poder, ou melhor, a legitimidade desse poder, o PT governo perdeu em seu quarto mandato consecutivo. E perdeu por um placar igual ao da vitória do Alemanha sobre a seleção brasileira. Até pior: por 9 a 1.


Por que ainda estamos torcendo para o juiz apitar o final do jogo? É aí que entra o mistério. O outro lado da lua. Onde a democracia não é o governo do que promete ser do povo. É dos políticos e de seus patrocinadores. E sócios. Que tiram de sua misteriosa cartola ora um excêntrico Jânio Quadros, ora um desatinado Fernando Collor, e até um Fernando Henrique, o precursor de Luís Inácio Lula da Silva, o messias prometido por Fidel Castro para tirar Cuba da orfandade da União Soviética.

Agora,mais uma vez nós não sabemos que coelho vai sair dessa cartola. Como espectadores, nem sempre atentos na plateia desse teatro, chegamos a apostar: seria Michel Temer, o "articulador"? Ou seria Eduardo Cunha, o "insurgente"? Quem vai sair com mais uns trocados no bolso, dessa fila do "gargarejo"? Eu não me arrisco a apostar em ninguém. Porque o outro lado da lua é capaz de coisas que até o demônio duvida. Só sei que é impossível levar o andor de uma procissão com um santo em quem ninguém mais acredita. O PT virou Judas. E ninguém leva esse traidor para louvar no altar.

Então o que espera o circo para anuncia a nova atração do picadeiro?

Ora, espera aprontar nos bastidores, o outro lado da lua, um artista que não deixe o circo pegar fogo. Que mostre à plateia que a companhia tem nova direção. E se todos se unirem, o espetáculo vai continuar. Porque ele não pode parar. The show must go on.

Até lá, relaxem. Comam pipoca, tomem refrigerante, torçam pelo seu time no campeonato nacional. 

Ou saiam de casa, mostrem que não são palhaços, reclamem do preço do ingresso. Exijam o devido respeito.
A democracia precisa da nossa atitude para se iluminar.

A lorota venceu

É possível encher o espaço desta coluna com declarações da presidente Dilma Rousseff e seus aliados contra a ideia de cortar ministérios. A sugestão circulou em diversos momentos, mas sempre foi tratada com desprezo no Planalto.

Uma boa oportunidade surgiu depois dos protestos de junho de 2013, quando a popularidade presidencial sofreu o primeiro tombo. Pressionada pelas ruas, Dilma foi aconselhada a enxugar a máquina em sinal de austeridade. “Há um consenso hoje na questão do número exagerado de ministérios”, disse o então presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, sugerindo o fim de 14 pastas.

A presidente escalou Jaques Wagner, então governador da Bahia, para responder em seu nome. “Não é reduzindo ministério que se dá eficiência à máquina pública”, disse ele. Dois anos depois, o peemedebista e o petista esqueceram a divergência e foram premiados com a mesma moeda. Hoje, eles são dois dos 38 ministros do governo Dilma.

O tema voltou na campanha de 2014, quando Aécio Neves e Marina Silva prometeram passar a navalha na Esplanada. Como nenhum deles se encorajou a nomear as pastas que seriam sacrificadas, a presidente se sentiu à vontade para contra-atacar.

“Tem gente querendo reduzir ministérios. Um deles o da Igualdade Racial, outro o que luta em defesa das mulheres. Eu acho um verdadeiro escândalo querer acabar”, disse, em setembro. No mês anterior, ela definira a promessa dos adversários como uma “cegueira tecnocrática”.

Reeleita, Dilma teve nova chance de reduzir o time, mas bateu o pé. “Outra lorota”, disse em novembro, ao ser questionada sobre os rumores de que enxugaria o segundo escalão. Ela insistiu que a medida não geraria “economia real” para o governo.

Ao voltar atrás, Dilma deixou duas hipóteses em aberto. Ou mentiu antes, ao dizer que não precisava cortar ministérios, ou mente agora, ao agir contra suas convicções. Em qualquer dos casos, a lorota terá vencido.

Mujica no Brasil, lições à canalha

*O homem da rua existe. Ele pensa e sente. Quando é pisoteado, quando roubam dele, ele sente ódio.
*Que pague mais aquele que tem mais.
*Na vida temos que defender a liberdade. E ela não se vende, se conquista. Fazendo algo pelos outros. Isto se chama solidariedade. E sem solidariedade não há civilização.
*Se queremos mudar algo, não podemos fazer do mesmo.
*Os governantes devem viver como a maioria e não como a minoria endinheirada.

O legado do PT

Acontecerá o quê, caso Madame perca o mandato? Na hipótese de Michel Temer despencar com ela, se o Tribunal Superior Eleitoral anular as eleições do ano passado, teremos nova eleição para completar o período. No reverso da medalha, o vice assume se o Tribunal de Contas da União e o Congresso considerarem ter havido crime de responsabilidade nas contas do governo em 2014. Também fica em aberto a possibilidade de tudo continuar como está, ou seja, Dilma permanecer no governo até o fim.
E daí? Daí nada. É esse o destino que nos assola. O Brasil ficará igualzinho, pela falta de alternativas com relação ao futuro. Inexistem projetos no imaginário de nosso coletivo. Os políticos ficarão onde estão, buscando parcelas de poder para satisfazer-se e até para enriquecer. Os empresários correndo atrás do lucro. Os trabalhadores tentando sobreviver. A classe média equilibrando-se. Os religiosos imaginando uma outra vida.

Falta-nos um ideal comum. Um objetivo capaz de sobrepor-se à mesquinharia de todos os dias perseguindo a satisfação individual que nos separa. É o legado do PT que um dia propôs-se a construir uma nova sociedade. Doze anos no poder serviram para demolir esperanças e expectativas. Os companheiros não mudaram nada, apenas ocuparam espaços vazios.

Quando criado, o partido parecia pleno de entusiasmo. Tinha metas e objetivos. Os primeiros a cair fora foram os intelectuais. Depois a Igreja. Em seguida os líderes sindicais. Os trabalhadores. A juventude. Hoje, o PT resume-se a um aglomerado sem ideais. Carente de um programa em condições de sensibilizar e unir a massa à qual se dirigiu. Até o Lula perdeu sua razão de ser, transformado em pequeno burguês milionário a serviço dos que, no passado, imaginou extirpar. Por essas e outras, o PT começará derrotado nas eleições municipais do próximo ano. Depois, em 2018...

Enganou-se quem quis. Foi lamentável a performance do senador Fernando Collor na sabatina do procurador Rodrigo Janot. O máximo que conseguiu foi impor um acento agudo no “o” do sobrenome do desafeto. O ex-presidente caminhou para o cadafalso. Dificilmente escapará da cassação. 
Carlos Chagas

CPMF, a volta da múmia

O anúncio de que o governo da presidente Dilma Rousseff está considerando recriar, com maquiagem nova, a velha e enrugada CPMF, não tem como ser bem recebido pelos agentes econômicos e pela sociedade.

A simples admissão de que poderá retirar essa decrépita múmia do sarcófago, significa um contundente sinal de fraqueza e de incompetência econômica e política, emitido pelo governo.

Nove em cada dez economistas brasileiros não acreditam de que tal malfadada ideia tenha partido de Joaquim Levy, avesso que é nosso Ministro da Fazeda a ortodoxias, exotismos e a pedaladas, ainda que disfarçadas.

O Brasil e nós, brasileiros e brasileiras, já nos submetemos a uma carga tributária elevada, comparável somente à dos países escandinavos. Em troca, recebemos serviços (em todos os níveis - federal, estaduais e municipais –) da mais baixa qualidade.

As razões dessa distorção nós contribuintes as conhecemos bem: gigantismo do setor público, ineficiência generalizada, corrupção e falta de seriedade. Em resumo, nosso grande problema não é o da falta de dinheiro, é o da falta de vergonha, da incapacidade de gestão.

Ajuste fiscal não pode ser sinônimo de extorsão tributária. A regra fundamental para se lidar com tempos de vacas magras é bem conhecido de todos: O dinheiro torna-se escasso? Cortem-se os gastos. Faça-se o dinheiro disponível render mais!

Dizer que o dinheiro da CPMF se destina ao setor de saúde é uma balela; seu objetivo será mesmo o de reforçar o caixa de um Tesouro que se acostumou a gastar sem limites . No ano passado, ano eleitoral convém sempre lembrar, o governo gastou 80 bilhões de reais sem cobertura orçamentária, o que contribuiu para o sério desajuste das contas públicas.

Tudo o que se fizer daqui para frente, para retirar dinheiro das pessoas e das empresas, transferindo-o para o governo, é um atentado à lógica e ao bom senso. Desemprego, em última instância, é falta de consumo. E falta de consumo é falta de dinheiro. Dinheiro que saem dos já surrados bolsos das famílias para cobrir as mazelas do setor público.

Nossos juros básicos estão a 14% ao ano; no resto do mundo estão próximos a zero. Aqueles que produzem, no Brasil, são considerados meramente como tetas.

As invencionices, no passado, levaram o Brasil à hiperinflação e à inviabilidade financeira. Não é possível que não tenhamos nada aprendido.

Lula antecipa o Pixuleco 3


Dilma, Lula e o que resta dos petistas se acorrentam cada vez mais ao osso. Não para salvar o país, nem pensar. Só sonharam isso quando para fins de assumir o poder. O aferramento deles é manter o trono para 2018 num Pixuleco 3.

É claro o recado de Lula, em entrevista na rádio Itatiaia, quando antecipa sua candidatura à presidência da República. "Se a oposição acha que vai ganhar, que não vai ter disputa, e que o PT está acabado, ela pode ficar certa do seguinte: se for necessário, eu vou para a disputa e vou trabalhar para que a oposição não ganhe as eleições".

Remake de 2012, quando na época, antecipou a corrida eleitoral em dois anos ao garantir a candidatura de Dilma para outro mandato e evitar desgaste para 2014. Agora, numa crise nunca antes vista no Brasil, se lança pré-candidato oito meses após as eleições, quando as pesquisas indicam que ficaria em último lugar numa corrida eleitoral.

O Flagelo de Garanhuns repete a jogada política. Não por gostar de Dilma, mas por ter paixão enlouquecedora pelo poder. No último mês já deu mostra de que é um articulador para qualquer momento de olho em cobrar a candidatura em 2018.

Lula não prega prego sem estopa ainda mais quando se trata de política, espaço onde se acha o maior político de todos os tempos. Nunca se convencerá de que ainda é um pelego travestido. A politicanalha dele é de sindicato, não de Estado.

Governou o país como se estivesse entre os metalúrgicos do ABC. Em troca de uns ganhos sindicais cobrou a permanência dele e de seus asseclas no comando. Foi o mesmo sistema que aplicou no país com o esbanjamento do dinheiro público para "melhorar" a vida do povo em campanha publicitárias e cobrar com o continuísmo, agora se sabe, também com a roubalheira dos companbheiros;.

Quem ainda acredita em Lula pode retirar gratuitamente em qualquer centro psiquiátrico o atestado de retardado.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pixuleco toma ponte de Sampa

O Antagonista publica, em primeira mão, 
as apavorantes imagens da mutação atômica de Pixuleco

A culpa é da bola

Num acesso de modéstia e autocrítica, a presidente Dilma confessou a três jornais que seu grande erro foi ter “demorado muito para entender a gravidade da crise”.

Mas como costuma acontecer com pessoas tão seguras de si e imersas em suas certezas, a modéstia da presidente não é tão modesta e nem a autocrítica tão autocrítica assim.

Bola Brasil (Foto: Arquivo Google)

Vocês pensam que ela pediu desculpas? Ora…

Há de haver um culpado por ter induzido tão brilhante formuladora e gestora econômica a um equívoco tão lamentável.

Embora até o mais distraído dos analistas econômicos de qualquer banco- isso para não falar da pobre Sinara Polycarpo, demitida do Santander por “não entender porra nenhuma de Brasil” (segundo a elegante avaliação do ex-presidente Lula) - percebessem a gravidade da crise, a presidente, absorta em outras enormidades, não teve tempo de preparar-se para a - ôpa! - surpresa.

Todos se prepararam, menos ela e Mantega (que, timidamente balbuciou que sabia, sim, de alguma coisa, mas falou tão baixo que quase ninguém ouviu). Ela porque estava ocupada contando lorotas em palanques para poder se reeleger, ele porque é um burocrata obediente e disciplinado.

Claro que nessa autocrítica - ma-non-troppo - era infalível que sobrasse para alguém, algum inimigo externo, algum fator superveniente, algum ente estranho, alguma ameaça vinda do exterior, pois não há governo dito de esquerda- seja da autêntica, seja da falsificada- que prescinda de um fantasma exterior em quem jogar todas as culpas.

Dilma diria eu errei com minha política de incentivar o consumo com subsídios e desonerações escolhidas a dedo que aumentaram brutalmente o custo fiscal? Jamais. A culpa é da crise externa, do subprime, da voracidade do sistema financeiro, da crise de 29, da queda do preço das commodities, da crise da Bolsa de Xangai, da queda do preço do petróleo e de todos os abalos passados e futuros que o capitalismo sofreu e que ainda venha a sofrer.

Pois a presidente que na campanha eleitoral dizia que a proposta da oposição de reduzir os ministérios para cortar gastos era “uma grande cegueira tecnocrática”, mandou um ministro dar uma coletiva dizendo que o governo “está pensando em cortar 10 dos 39 ministérios”. Quais? Quando? Onde? Para economizar quanto?

Aí vocês estão querendo saber demais.

É verdade que enquanto os cortes de gastos vão sendo fantasiados em banho-maria, o maior déficit primário mensal da história era anunciado (7,22 bilhões de reais em julho) e os arautos da desgraça pouca é bobagem começavam a fazer circular, pela milionésima vez, a ideia de ressuscitar a CPMF, o eterno pronto socorro de governos na pindaíba.

Sabe-se que Lula e Dilma juntos aumentaram em 129 mil o número de servidores públicos, que chegou a 615 mil, e que criaram 32 mil novos cargos e funções de confiança, chegando a um total de 99 mil. O mesmo ministro que anunciou o hipotético fechamento de 10 ministérios, disse que poderiam ser cortados uns mil cargos de confiança- dos 32 mil novos que foram criados.

Ou seja: a penúria do Tesouro é concreta, os cortes de gastos são hipotéticos. E mesmo que se concretizem serão pífios. Os empregos vão se esvaindo, a perspectiva de recessão estende-se para 2016, a produção industrial continua capengando, a arrecadação caindo, os gastos crescendo e a senhora presidente vem dizer que seu único erro foi ter demorado a perceber a gravidade da crise?

No meio de todo esse cenário tenebroso, o governo não encontra a saída de seu labirinto, a popularidade da presidente anda ao rés do chão, mas os últimos bastiões do governismo delirante ainda são capazes de repetir que a culpa de tudo é de gente que não gosta que pobre ande de avião.

Não é de chorar?

A pior crise do governo Dilma é a de confiança!

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É evidente que o Brasil vive uma grave crise econômica, e os números de déficit primário divulgados nesta quinta não deixam a menor dúvida a respeito. Não é menos evidente que o país vive uma crise política, iniciada, sejamos precisos, com o desmoronamento do modelo supostamente distributivista do PT, que se ancorava no incentivo ao consumo, que era garantido por fatores alheios às virtudes do petismo. A Lava-Jato veio tornar tudo muito mais grave.

É certo que a recessão estaria aí mesmo sem a tal operação; é claro que o desemprego estaria em alta; é claro que os juros estariam nas estrelas; é claro que a inflação em 12 meses estaria roçando os 10%. E não seria menos clara a indignação das pessoas.

Ocorre que a Lava-Jato veio, digamos, arrematar esses sinais explícitos de incompetência com as safadezas explicitadas. Aí, meus caros, a mistura ficou mesmo explosiva.

Essa seria, então, a hora de testar um líder — ou uma líder. E, aí, como se diz em Dois Córregos, a porca torceu o rabo. Não havia liderança nenhuma no Palácio do Planalto. Longe de se mostrar um fator de estabilidade, Dilma resolveu ser uma alimentadora de problemas.

E eis que se plasmou, então, uma crise que é pior do que a econômica e a política: a crise de confiança. Não me refiro a aspectos subjetivos, de cunho existencial. Os agentes econômicos e políticos precisam olhar para quem está no poder e saber ao menos o que essa pessoa NÃO VAI FAZER.

O episódio da CPMF evidencia que não há clareza nem sobre isso.

Eis aí. Dilma merece ser deposta por todas as transgressões à Lei 1.079. Mas vai acabar caindo porque, no fim das contas, ninguém confia nela.

A cegueira da governança


Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: vedes a ruína dos vossos Reinos, vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar: vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes o abuso do costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta da doutrina sã, vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? Ou o vedes ou não o vedes. Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? Ou o vedes ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.
António Vieira (1608 - 1697) 

Pagando os excessos

CPMF mae filho castigo quatro palavrao dilma imposto

Que o Brasil estava quebrado, rumo à desintegração, era fácil de entender ao longo de 12 anos marcados por aumentos sistêmicos de custeio da máquina pública, muito acima do crescimento do Produto Interno Bruto.

Em qualquer época há quem ganha e quem perde.

Nos primeiros meses de 2015 todos os setores produtivos (menos a agricultura) sofreram, e continuam sofrendo, queda histórica de atividades, turbinada pelo denominado ajuste fiscal.

No comando das medidas que aumentam impostos e juros apenas se conseguiu diminuir a arrecadação da União, dos Estados e dos municípios ampliando absurdamente a dívida pública, das empresas e do cidadão. Nada do que estava nos anúncios iniciais vem se realizando, e as previsões do período de crise se dilatam a cada semana. Já se pensa em mais três ou quatro semestres. Quer dizer, a fórmula não deu certo. O conteúdo da panela não dá para ser servido.

Precisa recomeçar com novos ingredientes. Temos aí, assim, a recessão em nível estúpido.

Na condução disso tem um grupo de financistas emprestados pelos maiores bancos e chefiado por Joaquim Levy (Bradesco). Fecharam-se indústrias, lojas, vagas de trabalho em volume assombroso, os setores estruturantes da economia em agonia, criando-se uma camada glacial de desempregados. Em contrapartida, o sistema bancário nacional, especulativo, contabilizou o semestre mais rentável desde a época do Descobrimento.

A presidente, que no seu primeiro mandato abusou de medidas eleitoreiras e frívolas, tentou corrigir com outro excesso, em sentido contrário, de ortodoxia e apertos. Acreditou nos banqueiros. Mais, acreditou que a vara pode se dobrar indefinidamente sem quebrar.

Sabia-se (aqui escrevi centenas de vezes nos últimos dez anos) que a economia não aceita desaforos, que as contas econômicas precisam manter o norte da “sustentabilidade” e do equilíbrio. Sem ele, é a ruína. Amanhã, depois de amanhã, levará à ruína uma família, uma empresa, um país.

Doze anos de mágicas e pedaladas, represando rombos gerados por conta de desperdícios, corrupção e equívocos gigantescos. O comércio se expandiu com as importações, possibilitadas pela moeda artificialmente valorizada, que condenou a indústria nacional a encolher e zerar sua competitividade. Perder ainda possibilidade de renovação e de inovação.

Verbas bilionárias se vaporizaram no petrolão. O país não alcançou a autossuficiência energética de baixo custo. Investiu tudo que não podia na miragem de um petróleo que, ao contrário de aumentar de preço e chegar a US$ 200 por barril, despencou para um valor abaixo de US$ 40. A esbórnia do pré-sal arrebentou a Petrobras; a ressaca é dura, e, para manter as contas da estatal, continua-se importando grande volume de gasolina, mais barata que o petróleo que se extrai e se refina do pré-sal.

O ajuste nunca se deu atacando as ineficiências, tapando ralos e rachaduras do sistema. A galinha dos ovos de ouro, o setor produtivo, que mantém uma estrutura socioeconômica de pé, gerando empregos e arrecadação, foi a mais prejudicada.

A palavra para compreender a crise em que se afundou o governo Dilma: EXCESSO.

Excessos em todos os sentidos, nas previsões absurdamente deslumbradas, nas medidas perdulárias do primeiro mandato. Incapacidade de compreender o momento, de tomar medidas corretas. Depois outros excessos no ajuste econômico, uma overdose que está colocando o Brasil em agonia.

Os ministros escalados, se não forem incompetentes, são mal-intencionados, servem apenas aos bancos que os empregam.

No primeiro mandato a presidente abusou das “comadres da Alvorada”, Miriam Belchior (ex de Celso Daniel), Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann e Graça Foster. Esse grupo ditou a política que arruinou o sistema energético nacional, já debilitado pelo antecessor, Petrobras e Eletrobras estão quebradas, e as contas sendo pagas a caro preço em tarifas insuportáveis para a maioria da população e das empresas. Inventaram as comadres descontos mirabolantes nas tarifas de luz, confisco de hidrelétricas, escolhendo no menu de medidas mais desestruturadoras possíveis. Vários setores que dependem de energia elétrica foram levadas sumariamente a fechar as portas e milhares de vagas. Nenhuma medida compensatória foi proposta. Ainda a maioria dos empréstimos do BNDES financiou os larápios do petrolão e se perdeu na corrupção que deixou para trás um punhado de cinza.

Embora Dilma se encontre a enfrentar o pedido de impeachment que a classe média pede nas ruas das metrópoles, indignada com as roubalheiras, poderá ser atingida e atropelada apenas quando o desemprego e as dificuldades chegarem à mesa das classes menos abastadas. E já começou a chegar.

Acreditar que as medidas de Levy tenham capacidade de consertar a crise é pouco provável. Mas, tanto para Dilma como para quem possa sucedê-la, precisará manter claro que se aumenta arrecadação e o desenvolvimento não com torniquete e burocracia, mas preservando a capacidade de produção e de trabalho.

A forma de sair da desgraça em que precipitou está no plano de “conversão ambientalmente correta, do fóssil para o renovável”, ainda na limpeza do ar, das águas e do planeta Terra, do Brasil em especial. Exatamente o contrário do que representam pré-sal e escolhas que serviram de pretexto para o maior esquema de corrupção do planeta.

Uma enorme dificuldade também deriva da ocupação dos ministérios e das estatais por figuras sem expressão, à disposição de planos de poder partidários, sem compromisso com a nação.

O momento requer grandes lideranças, motivação patriótica, união e propostas de superação. Circunstâncias difíceis e complicadas tanto pelos atores no palco quanto pela visão voltada apenas ao poder, ao interesse de setores isolados.

A presidente vem perdendo credibilidade e, por consequência, autoridade para exercer o papel de mediadora da crise. Os excessos a fragilizaram, e corrigir-se está ficando cada dia mais árduo.

Diário de um brasileiro

O brasileiro convive bem com o escândalo moral.
Os ladrões infestam os salões de luxo,
os Bancos estouram, os banqueiros
são cumprimentados com reverência,
o Presidente do Congresso chama o senador
de bandido, sim senhor, vossa excelência.

O Presidente diz pela televisão
que “é preciso acabar com a roubalheira
nos dinheiros públicos”.
As pessoas das cidades grandes
vivem amedrontadas, qualquer
transeunte pode ser um assaltante.
As meninas cheiram cola. Depois
vão dar o que têm de mais precioso
ao preço de um soco na cara desdentada.

O brasileiro convive com o escândalo
como se fosse o seu pão de cada dia,
com uma indiferença letal.

Como se dormir na casa com um rinoceronte,
mas rinoceronte mesmo,
fosse a coisa mais natural do mundo,
chegando a cheirar a camélias.

O povo, um dia.
Do povo vai depender
a vida que vai viver,
quando um dia merecer.
Vai doer, vai aprender.
 Thiago de Mello

Demagogia generalizada

Quando Marx afirmou que a história da humanidade é a história da luta de classes, repetia a ideia maluca de Rousseau, formulada quase 100 anos antes, de que o homem era naturalmente bom, mas se corrompeu pela instituição da sociedade e da propriedade privada. Desde então, a doutrina marxista ganhou ares axiomáticos e praticamente todo formador de opinião concorda com ela. Esse pensamento é reproduzido não só na academia, mas também na cultura: literatura, cinema, novelas, programas de tevê.

Dias atrás, assistindo a um famoso programa dominical, fui surpreendido por um quadro interessante. Quatro artistas – desses que fazem novelas – convidaram quatro crianças beneficiadas por um projeto social da emissora em parceria com a Unesco para terem contato com a profissão que desejam seguir. Foi lindo ver o olhar daquelas crianças, vislumbrando a possibilidade de fazer aquilo com que sonham. Uma delas, com 7 anos e um desejo impetuoso de ser médica, vibrou ao presenciar a realização de um ultrassom. Possibilitar esse contato muitas vezes é decisivo para um indivíduo. Mostrar aonde seu esforço pode levá-lo é um exercício de motivação incomparável. Parabéns aos envolvidos.

Porém, na semana seguinte, o programa convidou quatro crianças de condição social elevada para visitar projetos sociais. E o maniqueísmo ideológico estava formado.

O problema não foi a ação em si, mas o discurso implícito. Da boca dos artistas, essas crianças foram convidadas a “viver uma experiência nova”. Uma delas ouviu: “eu tenho certeza de que esse lugar vai mudar a sua vida”. E a outra disseram que teria contato com crianças que, como ela (?), “sonham com um futuro melhor”. Pensei: que mundo é esse onde crianças ricas não sabem mais o que são crianças pobres? Na minha infância isso era a coisa mais normal do mundo. Tive amigos ricos e amigos favelados.

Antes da falência do ensino público – bingo! – e do isolamento dos ricos por causa da violência – bingo! –, era comum ricos e pobres estudarem e brincarem juntos. Fato é que, apesar de as crianças de condições sociais muito díspares estarem cada vez mais separadas hoje, essa não é a realidade absoluta. Qualquer família que melhora um pouco sua renda coloca os filhos em escolas particulares, onde eles têm contato com crianças mais ricas (e com melhor ensino, claro). Eu mesmo, que sou negro, professor de escola pública e no programa fui curiosamente representado pelas crianças assistidas pelo projeto social, tenho filho em escola particular. E grande parte da população está dentro dessa média que o discurso ignora. Por que reforçá-lo, então?

Em seu livro 'Os intelectuais e a sociedade', o economista americano Thomas Sowell lembra-nos de que, em geral, os formadores de opinião favorecem-se de “crenças abstratas que são comuns entre os intelectuais, os quais podem ter pouco ou nenhum conhecimento de primeira mão sobre os indivíduos, as organizações ou as circunstâncias concretas envolvidas”. E que, “além do mais, tais atitudes não são somente disseminadas para muito além das fileiras da intelligentsia, mas se tornam base de políticas, leis e decisões judiciais”. Bingo! Esse discurso favorece a própria intelligentsia e o governo, que dele se aproveita para criar seus programas sociais que, apesar de não resolverem os problemas, lhe geram o bom e velho capital eleitoral.

Paulo Cruz

Ninguém confia mais no governo Dilma Rousseff

Nas mesas de bar, nas filas de supermercados, nos consultórios médicos, na Esplanada dos Ministérios, em todos os lugares a que se vá, a sensação é uma só: ninguém confia mais no governo Dilma Rousseff. Mesmo os petistas mais aguerridos admitem que a atual administração criou um clima tão ruim que não se sabe se o país conseguirá suportar, por mais três anos, conviver com um cadáver insepulto.

A desconfiança não nasceu por acaso ou por implicância gratuita com a presidente. Ela é fruto exclusivo de um governo marcado pela incompetência e pela arrogância.

Dilma e vários de seus ministros desrespeitaram regras básicas da economia, plantaram e colheram inflação, destruíram as contas públicas, minaram a credibilidade do Banco Central, cederam a lobbies poderosos e, pior, detonaram uma crise política que paralisou o Brasil. Tudo, é claro, regado à corrupção que destruiu a Petrobras e foi desvendada pela Operação Lava-Jato.

Já em 2014, com Dilma candidata à reeleição, a desconfiança começava a fincar raízes no país. As empresas, mais conscientes dos problemas criados pelo governo, pisaram no freio e suspenderam os investimentos. Passaram a temer que o país mergulhasse em uma profunda recessão e fábricas que haviam sido ampliadas se tornassem um sorvedouro de dinheiro, devido à queda nas vendas. Estavam mais do que certas.

Do lado dos consumidores, porém, a sensação de bem-estar construída nos anos anteriores impedia que muitos percebessem que o governo estava levando o país para o atoleiro. A renda ainda cresceu forte em 2014, as negociações salariais garantiram bom reforço nos contracheques e o desemprego era apenas uma ameaça.

Muita dessa falsa visão de que tudo estava indo bem foi estimulada pelo Palácio do Planalto por meio de incentivos ao consumo que quebraram o Tesouro Nacional. Foi em cima desse quadro ilusório, que Dilma fez o diabo para se reeleger.

Quando 2015 chegou, o desastre estava consumado. A população se deu conta de que havia sido vítima de um estelionato eleitoral. Mas já era tarde. Restou aos consumidores a fatura da enganação: aumentos superiores a 50% na conta de luz, reajustes dos combustíveis, inflação de quase 10%, renda corroída, juros abusivos e desemprego nas alturas — somente nos primeiros sete meses deste ano, pelo menos 500 mil empregos com carteira assinada foram fechados.

Diante desse quadro, reconhece o economista Sílvio Campos Neto, da Consultoria Tendências, não há como se falar em retomada da confiança, que está nos níveis mais baixos da história, tanto entre as empresas quanto entre os consumidores. Não neste ano, nem em 2016. “A sociedade está muito pessimista. Sabe que a recessão na qual o país está mergulhado será pesada, com consequências ruins, como o aumento do desemprego”, explica.

Na avaliação dele, ainda que o nível da atividade volte a melhorar em meados do ano que vem, levará tempo para que o mercado de trabalho se recupere. “Com um índice de desocupação elevado, mesmo que a inflação caia um pouco, é difícil ver a população mais otimista. As pessoas não conseguem ficar felizes quando o bolso não vai bem”, acrescenta.

As bombas maiores: divórcio entre as urnas e as ruas

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As pessoas têm a tendência de ver apenas as bombas mais próximas e ignorar aquelas escondidas, que ameaçam o futuro. As bombas do momento são a corrupção, que joga estilhaços de vergonha sobre todos os políticos (especialmente dos partidos no governo), e o descrédito de um governo que errou na economia, faltou com a verdade na campanha e descumpriu promessas. Apesar disso, o governo vê apenas as bombas imediatistas que ameaçam o equilíbrio fiscal.

A crise política, econômica e moral que atravessamos parece impedir a percepção das bombas que ameaçam o futuro mais distante. Ficamos presos às bombas da corrupção, da inflação, do descrédito da presidente e dos políticos em geral, não vemos as outras bombas.

A dívida dos Estados e dos municípios, já em fase de explosão, mesmo assim ainda é relegada. A explosão de gastos públicos, face às limitações da já imensa carga fiscal, destroçará as contas públicas. Nossos entes federados estão atravessando a linha que separa dificuldades fiscais conjunturais da falência estrutural, com suas consequências sobre os serviços públicos e os salários dos servidores. A Previdência explodirá em algum momento não muito distante, trazendo sacrifícios devastadores sobre a população mais velha do país e penalizando os jovens.

A pobreza – sobretudo depois de ter sido escondida pelo marketing governamental dos últimos anos, afirmando que ela teria sido transformada em classe média porque, endividando-se, consegue comprar alguns equipamentos domésticos – está explodindo na miséria da falta de educação, saúde, segurança, mobilidade. A violência urbana é uma bomba que explode como uma guerra civil de proporções gigantescas, matando quase 60 mil brasileiros por ano.

Nossa má educação e o consequente atraso na ciência e na tecnologia, que nos deixam cada dia mais atrasados em relação ao resto do mundo, são a bomba que impedirá nosso ingresso no mundo do conhecimento que caracteriza a economia e a sociedade.

O endividamento das famílias pode explodir, inviabilizando nosso sistema financeiro aparentemente sólido e sacrificando a vida de nossa população. A incapacidade de gestão que caracteriza o Estado brasileiro dos últimos anos ameaça o crescimento de nossa economia e o bom funcionamento de nossa sociedade. A baixa poupança de nossas famílias, empresas e governo é uma bomba que impede os investimentos necessários à construção de uma infraestrutura eficiente, ao crescimento da economia e ao aumento da produtividade de nossa indústria. O desemprego é uma bomba trágica de grandes proporções. A bomba do consumo de drogas corrói famílias e anula o potencial de dezenas de milhares de jovens.

Mas a maior das bombas é a despolitização do debate entre grupos políticos sem visão nem propostas, presos às pequenas bombas do presente, sem a percepção das grandes em andamento: o divórcio entre as urnas e as ruas, entre os políticos e o povo, está explodindo no colo da democracia.