sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Uma perigosa farsa

Há quem coloque a culpa na suposta juventude da nossa democracia, essa “plantinha tenra” como a chamam os que não fazem a menor cerimônia para pisá-la.

Mas ela já renasceu adulta, depois do vinteno da ditadura militar, tanto que o primeiro presidente escolhido em eleição direta foi obrigado a renunciar quando o Congresso aceitou abrir um processo de impeachment contra ele, atendendo a uma representação da sociedade civil, assinada pela OAB e a ABI.


Os tempos mudaram: a ABI hoje cede a sua casa para manifestações partidárias de quem está no poder, e o presidente da OAB se transformou em comensal do poder em jantares palacianos onde o establishment troca rapapés com a presidente da República, açoitada pela popularidade mais baixa da história e acossada pelo TCU e pelo TSE por contas mal explicadas.

Os que protestam, que ontem representavam a consciência cívica da Nação, hoje são os golpistas fascistas que não se conformam com o resultado das urnas.

A democracia retrocedeu ou retrocederam os “democratas”?

A negação nunca esteve ausente de sua agenda: desde o Plano Real, passando pela Lei de Responsabilidade Fiscal ou por qualquer coisa que não tivesse saído do embornal ideológico próprio, sem contar a chuva de pedidos de impeachment contra tudo e contra todos, a oposição “a tudo que aí está” agora se transformou em sustentação a tudo que aí está-desde trampas fiscais até assalto aos cofres públicos.

Tanto que os neo-democratas sequer esboçam um sorriso de constrangimento quando escolhem, ao sabor de seus interesses imediatos, o amigo e o inimigo do momento. Renan Calheiros, tão citado na Lava Jato quando Eduardo Cunha, atirou em direção ao governo à deriva, uma boia salva- vidas chamada Agenda Brasil. Renan virou o amigo e Cunha o inimigo, e isso não tem nada a ver com moralidade.

E o ex-presidente Lula, flagelado em sua dúvida existencial entre renegar a criatura que inventou e tentar tangê-la de volta ao seu rebanho, para que não atrapalhe os seus planos para 2018, não se envergonha de infantilizar a política com outra de suas pedestres metáforas, em defesa (?) de Dilma:

"É lógico que ela pode errar, como eu errei e como qualquer um erra enquanto mãe. Nem sempre a gente faz as coisas que são 100% aceitas pelos filhos. Mas quando ela errar, ela é nossa mãe e temos de ajudá-la a consertar”.

Nem nos momentos mais caricaturais do populismo explícito que assola o subcontinente desde sempre vai ser fácil achar uma frase tão estupidificante. A última “madre de los pobres” tratada de maneira tão mistificadora foi Eva Perón, com resultados de que a decadente Argentina padece até hoje.

Lula disse isso a uma plateia de “margaridas”, trabalhadoras rurais recrutadas com o patrocínio estatal da Caixa Econômica, do BNDES e da Itaipu Binacional, que investiram 855 mil reais no convescote “espontâneo” no estádio Mané Garrincha, elefante branco herdado da Copa de 2004.

As “margaridas”, que formam um movimento social devidamente instrumentalizado pelo PT, repetiram no estádio palavras de ordem contra o “golpe" e contra Eduardo Cunha, eleito inimigo público número um do governo pelo trabalho de trituramento da base aliada que vem promovendo dentro do Congresso Nacional. 


Dilma também esteve lá, e o governo quis, com esse ato, marcar a sua presença na batalha política que se trava nos espaços públicos.

Não importa se os métodos usados, como a manipulação grotesca das palavras e a instrumentalização descarada de um “movimento social”, signifiquem, no fundo, uma regressão à primeira infância da demagogia populista.

Quando a democracia deixa de ser um fim e passa a ser um meio de agarrar-se ao poder para desfrutá-lo sem medidas e sem limites, estamos diante de uma farsa. Uma perigosa farsa.

É o fim do caminho

Ditos só se tornam ditados porque contêm lições preciosas de correntes de situações já testadas. De onde convém levá-los em consideração na vida e também na prática da política.

“Quem tudo quer tudo perde” reza sobre o mau posicionamento da ganância desmedida como conselheira. “Não se pode enganar a todos o tempo todo” fala a respeito dos malefícios da prepotência e da cegueira soberba ante o discernimento alheio.

O menosprezo a tais preceitos é uma receita fadada ao desastre mais dia menos dia, conforme agora pode comprovar o Partido dos Trabalhadores nesse momento em que o partido se vê diante da cobrança dos equívocos cometidos ao longo de sua trajetória no governo e na oposiç&atil de;o.

A conta salgada hoje impõe ao PT a condição de ente em situação de inevitável falência. Perda Total parece ser a tradução atual para a legenda.

Nunca antes na história do Brasil se assistiu a uma derrocada dessas proporções, notadamente em se tratando de um partido na posse do poder formal. Os partidos ditos aliados se posicionam dizendo com todos os efes e os erres que nada querem com o governo.

Cansados de serem tratados como vendidos – o que alguns efetivamente são, mas que não gostam de ser tratados como tais –, agora dão o troco, como a dizer: tantas vocês fizeram que agora é a nossa vez de dizer chega.

Sentimento semelhante toma conta da sociedade, evidenciado na crescente rejeição ao governo e ao partido. Implicância? Nem de longe. O PT recebeu do eleitorado brasileiro tudo o qu e queria e muito mais. Foi conduzido à Presidência da República quatro vezes, mas não soube honrar essa delegação.

Entre outros motivos, por um pecado de origem: o partido jamais compreendeu as normas nem a ele se deu ao trabalho de seguir as normas da República e da democracia. Uma vez no poder o PT tomou como verdade a instituição da bandalheira e da impunidade como regra geral. Não viu que não era assim e sob a direção petista passou a ser. O partido mergulhou fundo no modelo da podridão, desprezando todas as chances de se engajar num programa de melhoria institucional.

Ao contrário. Optou por se manter alheio ao movimento pelo fim do regime militar escolhido pelas demais forças políticas – a eleição de Tancredo Neves no colégio eleitoral de 1985 –, bombardeou o plano de estabilidade econômica à r evelia da sociedade e depois, quando no poder, escolheu o populismo aliado ao fisiologismo de Estado para governar.

O partido, seus representantes e governantes mentiram de maneira afrontosa, estabeleceram um padrão de divisão entre brasileiros governistas e oposicionistas, entrou de cabeça no “modo gastança” em detrimento da poupança e agora está paralisado no beco sem saída aparente que ele mesmo construiu.

Os anteriormente aliados hoje deixam bem claro que querem os petistas fora do jogo. Razão? O exagero nos gestos e falas de outrora. Tivesse sido mais cordial com os aliados, talvez o PT não vivesse situação tão adversa. Na pior das hipóteses, teria ao menos alguém com motivação para defendê-lo.

Eduardo Cunha – disse algumas vezes e vou repetir – não é causa, é consequência. Foi eleito porque a maioria dos deputados queria que fizesse o que está fazendo. Um instrumento para expressar desagrados e urdir a vingança por anos de imposição da soberba sustentada em altos índices de popularidade.

Depois da virada a canoa, o cenário é o de um final melancólico, cuja escrita retrata um final melancólico. Não há mais a opção de mudar como preconizam os otimistas, pois o sonho transmudado em pesadelo já se acabou.

Brasil sem pai nem mãe

"É lógico que ela pode errar, como eu errei e como qualquer um erra enquanto mãe. Nem sempre a gente faz as coisas que são 100% aceitas pelos filhos", disse Lula na terça (11). "Mas quando ela errar, ela é nossa mãe e temos de ajudá-la a consertar".
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Há algo de mais atrasado vindo de uma pessoa que já foi o presidente mais popular de uma democracia de 200 milhões de habitantes?

A regressão política faz com que Lula parta agora para uma tentativa de regressão psíquica da sociedade.

Para que essa sociedade, assustada e perdendo empregos, os veja como papai e mamãe que só pisaram na bola. Que espere, suporte, se conforme e ajude o PT e a presidente mais impopular do Brasil a tirá-los dessa situação.

Lula acha que sabe o que faz e que conhece seu público: o país da "Pátria Educadora", de maioria pobre e educação ruim.

Mas nesse processo de regressão, Lula e Dilma estão sendo obrigados a se fechar só no que ainda resta: a base social do PT "hardcore"; agora financiada com dinheiro de toda uma sociedade que desaprova em massa o governo.

Como a tal Marcha das Margaridas em Brasília na quarta (12). Contraponto aos prováveis protestos de domingo e recebida por Dilma, teria reunido 30 mil pessoas, segundo a PM. Ao custo de R$ 855 mil da Caixa Econômica Federal, do BNDES e da Itaipu Binacional.

Apesar da grande popularidade de Lula e Dilma nos seus melhores momentos, eles pouco fizeram para transformar estruturalmente o Brasil que governam há 12 anos e meio.

Lula surfou na onda das commodities em alta e no maior ciclo de crescimento global (até 2007) do pós-Segunda Guerra. Não fez reformas que pudessem ajudar a melhorar as contas públicas no longo prazo. Só ampliou gastos.

Dilma pegou o bastão com o país crescendo 7,5% e com problemas à época relativamente fáceis de resolver. Inventou estratégias econômicas extravagantes e também nada produziu de novo para mudar o estrutural. Só ampliou gastos.

Vivemos um longo período sob gastos públicos, crédito e consumo em alta.

Enquanto a indústria perdia a metade de sua participação no PIB, investia-se pouco e importávamos para valer, criando empregos lá fora.

Só agora, pelas mãos de um ministro adotivo, mamãe impopular quer passar no Congresso, a toque de caixa, reformas que poderiam ter sido feitas em três longos mandatos populares. Como perdemos tempo
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Rebelião ou rendição das massas?

Em função de Renan Calheiros, o mandato da presidente Dilma pode estar momentaneamente preservado, ainda que não se tenha certeza do que poderá acontecer com as manifestações de protesto do próximo domingo. Ou também porque se desconhece todo o potencial do pacote de maldades do deputado Eduardo Cunha. Mesmo que Madame consiga superar o permanente inferno zodiacal fora de seu aniversário, ficarão cicatrizes difíceis de superar.

Como ela explicará, para seus biógrafos, haver renegado o ideário do PT para governar o país? Noves fora as mentiras da recente campanha presidencial, vale alinhar algumas iniciativas adotadas pela presidente desde o dia de sua segunda posse.

Prometendo não investir contra os direitos trabalhistas, mas até ampliá-los, Dilma reduziu o seguro desemprego, destroçou o abono salarial e as pensões das viúvas, estabeleceu que devem ser pagos os serviços prestados pelo SUS e vetou o aumento das aposentadorias de acordo com o reajuste do salário mínimo.

No reverso da medalha, também propôs revogar a desoneração da folha de pagamento das empresas, aumentou os juros e acabou com a isenção dos produtos da cesta básica. Engajou-se por inteiro na concessão de benesses ao sistema financeiro e não mexeu na escandalosa remessa de lucros para o exterior. Quase matou o FIES e cortou o sonho de milhares de estudantes pobres. Pior ainda, nenhuma solução apresentou para conter o desemprego em massa que assola o país. Tudo ao contrário do que havia sustentado ao pedir votos para sua reeleição. Também beneficiou os planos de saúde e não hesitou em cortar 10 bilhões da reais das dotações orçamentárias para a educação pública. E 40 bilhões da saúde.

Ainda que possa escapar da degola, expectativa ainda por ser demonstrada, Dilma carregará até o final de seu período de governo a mancha de haver-se tornado neoliberal, renegando o programa do PT. Coisa que o Lula fez no varejo, ela pratica no atacado. Talvez por isso ainda evite a defenestração, porque conta com o apoio das elites, às quais acaba de aderir por inteiro. Basta ver a súbita reviravolta no noticiário dos jornalões e penduricalhos da mídia, com algumas exceções. Querem preservá-la para preservar-se.

A conclusão surge lamentável: mais uma vez os anseios de mudança profunda nas estruturas sociais saem pelo ralo, permanecendo o mesmo modelo que predomina no planeta, do domínio dos poucos privilegiados sobre os ignorados. Cada vez mais revela-se a impossibilidade da pronta rebelião das massas, restando como consolo uma única saída: a rendição das massas. Exangues, algum poder precisará cuidar delas, caso venham a levantar os braços e render-se.

PNBE naufraga

Em julho passado, quando entidades do livro assinaram um manifesto em favor do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), o temor era que o programa – que em 2014 comprou 19.394.015 exemplares, totalizando investimento de R$ 92.362.863,86 – fosse cancelado em 2015, dado o período de turbulência enfrentado pela Economia brasileira nesse ano. O temor se concretizou. Na semana passada, em reunião em Brasília para entrega do manifesto ao ministro da Educação, Câmara Brasileira do Livro (CBL), Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), Associação Nacional de Livrarias (ANL) e Liga Brasileira de Editores (Libre) foram recebidos por Luiz Cláudio Costa, secretário-executivo do MEC, que foi categórico ao dizer que não haverá edital do PNBE em 2015, para compra em 2016. Além disso, anunciou que o PNBE Temático 2013, estimado em R$ 26 milhões, e o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) 2014 (R$ 100 milhões), ambos já contratados, mas ainda não executados, não deverão deslanchar na sua totalidade. O secretário deu a chance de que cerca de 30% dos programas poderia sair do papel. Na reunião, não se falou em cancelamento definitivo do programa, apenas a suspensão dele em 2015.


“Saímos da reunião percebendo que não há mesmo a menor chance de o PNBE sair em 2015 e que há uma possibilidade de salvar o PNBE Temático 2013 e o PNAIC 2014, mas isso só se sobrar dinheiro do PNLD”, contou ao PublishNews Luís Antonio Torelli, presidente da CBL. O impacto dessa decisão afeta fortemente o mercado editorial, na opinião de Torelli. “Esse pessoal que se especializou nesse segmento vai sofrer muito. Realmente vai ser complicado”, avaliou o presidente. Raquel Menezes, presidente da Libre vai além e aponta que o prejuízo não será apenas econômico. “O impacto é gigantesco nas editoras associadas à Libre, mas mais do que isso impacta na formação desses leitores que não terão mais acesso à literatura”, pontuou.

Torelli reafirmou a sua preocupação com a formação de novos mercados para a indústria do livro. “A gente precisa se desvincular disso. Temos que partir para outras, criar mais leitores para ficarmos menos dependentes das compras governamentais”, disse, reconhecendo que esse é um projeto em longo prazo. “No curto prazo, precisamos lutar pelo frete correio, o andamento do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) [emperrado na Casa Civil] e a isenção do IPTU das livrarias. São coisas que podemos avançar imediatamente”, disse.

Agora, as entidades se apegam às esperanças depositadas em uma nova viagem à Brasília. É que no dia 1º de setembro, o deputado Félix Mendonça Jr. (PDT/BA) convocou uma audiência pública, na Câmara dos Deputados, para discutir a “sobrevivência da cadeia do livro no Brasil”, com a presenta da CBL, SNEL, MEC e Ministério da Cultura (MinC). “Vamos aproveitar essa audiência para tentar uma agenda positiva em favor do mercado do livro e fazer desse limão uma limonada”, disse Torelli.
PublishNews 

Dilma não sabe governar e vai levar o Brasil a impasse

Já houve tempo em que a Economia podia ser considerada apenas uma Ciência Social, nem sonhar em se tornar uma Ciência Exata, tipo Matemática, Física ou Química, porque havia mais teorias econômicas do que psicanalíticas, ficava difícil chegar a uma conclusão, os governos atuavam mais no sistema diferencial do erro e acerto.

Mas a evolução do conhecimento e das práticas administrativas está praticamente colocando a Economia como Ciência Exata, porque já existem medidas cautelares capazes de fazer com que os administradores públicos evitem bizarrices, crendices e até burrices que possam provocar graves crises econômicas.

Não foi por mera coincidência que se criaram legislações como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei Anticorrupção, que não foram nenhuma invenção brasileira. Pelo contrário, nossos economistas só poderiam concorrer ao Nobel se existisse o Prêmio da Irresponsabilidade Econômica, que o professor Guido Mantega logo embolsaria com as pedaladas fiscais e as maquiagens contábeis.

Seria injustiça dizer que não há economistas preparados no país. Pelo contrário, existem aos borbotões. O problema é que os governantes não os escutam. Vejam o caso da Sra. Dilma Rousseff, que falsamente se dizia doutorada em Economia. Ela não sabe nada, é uma ignorante completa, mas pensa que sabe. Por isso seu governo é este desastre. Dilma não obedece a regras de controle de gastos, nem sabe o que é isso.

O plano de ajuste fiscal brasileiro é ridículo, patético, nenhum economista competente pode levá-lo a sério, porque não funciona, jamais funcionará. Joaquim Levy não é nenhum luminar, qualquer um que o conheça sabe disso. Foi colocado no cargo para defender os banqueiros, ou alguém acha que foi o contrário?

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, é diferente. Conhece bastante a moderna teoria econômica e não tem interesse em agradar banqueiro. Se presidente Dilma Rousseff o ouvisse, estaríamos em outra situação, mas ela prefere desenvolver teorias próprias, que Deus nos proteja.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Política é ofício do diabo

Não acredito em coincidências, creio em destinos. Ainda na semana passada, escrevi neste espaço sobre os “ares de agosto”, mês que, pela tradição do interior, é tempo de cachorro doido, ventanias e malquerenças. Não falei em renúncia, crise política e outras intemperanças.

Num país como o nosso, em que a democracia aparece sempre como sucedâneo de ditaduras, assim como o verão sucede à primavera, não é de estranhar que, chegado o mês fatídico, chegue junto o sobressalto político que ameaça o nosso regime, a forma e o sistema de governo.

O episódio dantesco do suicídio de Getúlio Vargas, a renúncia do presidente Jânio Quadros, com todas as suas implicações, o desastre que matou Juscelino Kubitschek, a morte de Miguel Arraes, ícone das esquerdas no país e principalmente no Nordeste, e, recentemente, o desastre que matou seu neto, o governador Eduardo Campos, no mesmo fatídico 13 de agosto (só faltou ser numa sexta-feira de ano bissexto), tudo isso reforça a crendice popular de que agosto é mês de mortes e assombrações. Agosto é mês comprido, e, com o desenrolar da operação Lava Jato e um governo que praticamente acabou antes do tempo, por ação e eiva de ladrões da “coisa pública”, não é de estranhar o sobressalto que estamos vivendo com as notícias e os boatos de uma possível e desejada renúncia de Dona Dilma, que está entendendo que essa confusão por que passa o país é fruto da operação Lava Jato...

Eu não penso assim, até porque “cachorro não corre atrás do rabo”... Dia desses, acordei pensando que escutava aquela música antiga de Nelson Gonçalves, na voz de Dona Dilma, que, chorosa, cantava em uma janela do Palácio: “A minha renúncia/ enche-me a alma e o coração de tédio/A tua renúncia/ dá-me um desgosto que não tem remédio/ Amar é viver/ é um doce prazer, embriagador e vulgar/ difícil no amor é saber renunciar...” Mas isso é coisa de gente sensível e, às vezes, patriota. Guerrilheiros e terroristas são mais é de quebrar o pau, né, Dona Dilma?

A renúncia nem sempre é um ato de covardia. Pelo contrário, pode ser ato de bravura e até de colaboração. Não, eu não estou sugerindo nada a ninguém, até porque não sei qual a vantagem de termos o atual vice-presidente, Michel Temer, como presidente. Macaco velho na política, tem aquela conversa mole de pessedista e não é suficientemente simpático para assumir tal responsabilidade. Talvez tivesse mais sucesso lá no Egito, pela parecença com o finado Anwar Al Sadat...

Em suma, já que estamos falando em renúncia, tenho medo do retardamento do último ato do juiz Sérgio Moro, que a nação espera ansiosa: o indiciamento do lobista-mor, que, com nove dedos, armou todo o esquema do petrolão, indicando empresas brasileiras para obras no exterior com financiamento do BNDES a fundo perdido. Com as CPIs do BNDES e os fundos de pensão ficaremos sabendo todo o enredo desse filme de terror. O ex-Luiz sabe que a fila anda...

Por isso, condenada

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O sentido das coisas

Sempre procurei, tantas vezes em vão, encontrar o significado de tudo. Por exemplo, por que há pessoas boas e más, por que as pessoas boas fazem coisas más e vice-versa, por que entre pessoas que se querem bem pode haver frieza ou até maldade, por que… lista infindável, ainda mais para quem tem um pouco de imaginação. A cada momento reinventamos o mundo, reinventamos a nós mesmos, reinventamos nossos afetos para que seja tudo menos doloroso.

Escrevendo sobre a situação do Brasil um pequeno livro que deve aparecer em breve, observo ainda mais intensamente o que acontece, tanta coisa inacreditável, mas real. Assim reflito quase constantemente sobre todas as loucuras, baixezas, perigos, sustos, desalentos atuais, aqui e ali uma luzinha minúscula que logo bruxuleia. Vai se apagar para sempre? Nada é para sempre. As coisas más, as fases ruins, também hão de passar. Mas, no momento, não sou otimista. Falsidade, mentiras, arzinho superior e palavras fantasiosas sobre questões fundamentais, apontar o dedo para o adversário, tudo é pior do que a dura verdade. Assustam-me discursos com que neste momento dramático alguns negam ou diminuem a gravidade da situação, revelando-se o desvio de inacreditáveis fortunas que deveriam atender o povo mais carente, a maior vítima desse desastre, um povo despossuído, sem as coisas essenciais que lhe têm sido negadas - não por uma fatalidade, mas por ganância de quem já tinha uma boa fortuna, mas queria mais, e mais.

Hoje, os acusados reagem com ironias, ameaças, invenções: mas fizeram de nós um dos piores países do mundo em quase tudo, sobretudo educação e segurança. Ninguém assume sua responsabilidade, antes critica adversários ou países mais adiantados, como se fôssemos todos uns pobres crédulos. Começamos a perceber o que se passa no nevoento território da política que fragilizou a economia, e é cenário de tão grave incompetência e irresponsabilidade. Na grande negociata nunca vista, quase todos tinham seu preço: não foi barato. Pouco sobrou para o brasileiro que ignorava esses fatos que atingiram seu bolso, sua esperança e suas possibilidades de uma vida decente.

A política influenciou e dominou nossa existência nos últimos anos, com gestão incompetente, péssimo planejamento, desorganização nas contas públicas, maquiagem do desastre que foi escondido de um povo mal informado porque mal escolarizado (não é por acaso que negligenciamos tanto a educação). A pátria-mãe desvia o rosto; nós, os filhos, largados na floresta como num conto de fadas sinistro. Os próprios investigadores das gigantescas fraudes, impressionados, admitem estar diante de tramas de dimensão e sofisticação nunca vistas.

A paisagem brasileira está de pernas para o ar: nada faz muito sentido, tamanho o escândalo. Para começar, os salários com que tentamos manter uma vida honrada são patéticos diante das cifras roubadas, apresentadas pelos competentes e corajosos investigadores. Irresponsabilidade e incompetência comandaram as façanhas que esfacelaram o país, agora rebatizadas de “malfeitos”. Espantoso: os desvios não eram efetuados por bandidos oficiais, mas por grandes empresários que admitem, talvez forçados pelo medo, que, se não tivessem entrado no esquema de corrupção e pagado as irreais propinas, suas companhias teriam ficado “de fora” da roda dos mafiosos, prejudicando seus acionistas e trabalhadores. Quase todos afirmam com veemência que de nada sabiam: viviam em outro planeta. Não saber de nada passou a ser um triste refrão.

Os investigados, denunciados e presos continuam protestando contra tamanha maldade: todos vítimas do lobo mau da Justiça. Seus defensores encenam uma ópera-bufa de delirantes explicações: roubalheira mascarada de comportamento legal, nos parâmetros da decência. Se essas ficções patéticas fizessem sentido, nunca teria havido tantos inocentes no mundo: as elites e os estrangeiros seriam os culpados. Essa farsa acabou: não há desculpa perante uma nação ferida. 

Não é fácil se posicionar em meio a subterfúgios e mentiras

A crise por que passam os brasileiros, que tem várias faces, vem se agravando cada vez mais. Assiste-se, dia após dia, ao desmoronamento da nossa economia. Para uns, a crise é econômica; para outros, é política. Na realidade, ambas são causas, mas também efeitos. E a deterioração desse circo mambembe (e sem palhaço) vem se acentuando desde o primeiro mandato da presidente Dilma, mas atingiu o clímax na sua reeleição. Com o apoio do submisso ex-ministro Guido Mantega (et caterva), desprovida das qualidades necessárias à liderança política e, ainda, com o desafio de provar – principalmente ao PT – que é mesmo a eficiente “gerentona” do ex-presidente Lula, Dilma se transformou na única condutora da nossa economia. Um horror!

Para mim, porém, leitor, o que há de mais perigoso é a crise política, que é (vale repetir uma vez mais) “a arte de bem governar os povos”. É ela que solapa a credibilidade de um país, interna e externamente. Mas, como qualquer crise, sempre se encontrou uma saída para ela, proposta, sobretudo, e independentemente dos partidos, por lideranças espertas ou conscientes do seu papel. O que ocorre é que, ao lado de outras crises, há, ainda, a pior e mais grave delas – a crise de lideranças. É devastadora, hoje, a ausência de representantes confiáveis, tanto no governo quanto na oposição. O que se vê são políticos de varejo, que apenas defendem os seus interesses, próximos ou longínquos, sem nenhuma preocupação com o país. Não é nada fácil, portanto, se posicionar politicamente em meio a subterfúgios e mentiras.

Veja bem, como diria um velho e educado amigo toda vez que pedia permissão para dar o seu palpite, não sem antes frisar os dois pontos: o país está nesse impasse, senhores, simplesmente porque o governo está sem rumo, e, em compensação, a oposição não consegue sequer escolher um rumo. A presidente delegou as suas atribuições a vários intermediários: Joaquim Levy, um bom sujeito (mas sem nenhuma preocupação com o seu emprego em grande banco no futuro), deveria conduzir a economia, e Michel Temer, a articulação política. Só que o primeiro não tem o apoio do PT, e o segundo já sucumbiu, não sem antes afirmar que o país precisa de alguém que o reúna e o defenda.

Na oposição, sobretudo no PSDB, em qual das correntes você acredita, leitor? Na do senador Aécio Neves, que quer a impugnação da chapa Dilma e Temer para ser candidato a presidente três meses depois da convocação das eleições? Ou você acredita na do governador Geraldo Alckmin, que deseja levar a presidente sangrando até 2018, quando, então, ele seria o candidato? Ou, enfim, você crê na do senador José Serra, que confia, piamente, que, no caso de impeachment via TCU, e com a consequente posse do vice-presidente, e com o apoio do PMDB, ele seria o futuro todo-poderoso da nossa economia? Mas essa última opção não provocaria um desastre, que seria a posse de Michel Temer, que, por ser passageiro do mesmo barco, fretado pela dona Dilma e que os acompanhou nas eleições, agravaria mais ainda a crise?

Os partidos de oposição poderiam entregar ao ex-presidente Fernando Henrique a missão sugerida por Michel Temer – a de reunir o país em favor de um rumo. Aos 84 anos, FHC tem plenas condições – mentais, morais, intelectuais e políticas, internas e externas – para encaminhar uma solução para o imbróglio. Só faltam duas condições para isso: ele querer e, depois, o PSDB o aceitar a missão…

Ou o que todos desejam é que a vaca vá para o brejo?

O pós-petismo

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A crise que vivemos é assombrosa, inédita em sua natureza e escopo e imprevisível em suas consequências. Precisa ser decifrada, pois são inúmeras as perguntas que nos inquietam. Entre elas, por exemplo, o que acontecerá com o governo do PT ou com o campo petista em geral. É pergunta urgente, pois a resposta indicará os caminhos futuros da política e dos processos decisórios públicos, mas, crucialmente, também as possibilidades da economia. Interpretar com exatidão o que vem adiante interessa não apenas aos mais ativos operadores do poder. Interessa aos brasileiros, pois ou iluminará a persistência da agonia decorrente do inacreditável despreparo da ação governamental ou, pelo contrário, apontará se observaremos iniciativas que abreviem o que atualmente é quase um martírio coletivo. A presidente será capaz de um ato de grandeza, como a renúncia, ou será escorraçada pelo calor das ruas ou, ainda, pelo Congresso Nacional?

Esta quadra histórica vai desenhando diversos contornos que emergem ameaçadores, sem paralelo com o passado. Um deles, de profunda consequência no estado de humor da sociedade, diz respeito à visceral perda de esperança pelos cidadãos, descrentes de tudo e de todos. Não existem mais elites políticas confiáveis à vista e, assim, como divisar o futuro próximo com serenidade? Encarcerando bilionários, caciques políticos e um almirante, o Ministério Público parecerá ser a tábua de salvação neste mar revolto, mas não está entre suas funções a administração do Estado. Por isso, o esvaziamento da esperança é a antessala do desespero social. Se a crise for arrastada para níveis ainda mais graves de desemprego e recrudescimento da inflação, como nos alertam os economistas, a perspectiva de convulsão social não pode ser descartada.

Outra faceta inesperada deste momento é a estratégia que o PMDB vai cerzindo na política brasileira, quando surge uma chance única nascida a partir do seu redivivo protagonismo. Exceto durante o deplorável governo Sarney, é um partido que se aquietara na posição de linha auxiliar, mas sente que a hora de dar o bote pode estar se aproximando.

Se a presidente for afastada no tempo preciso, o condestável vice-presidente reinará na parte restante, preparando o palco para o candidato do partido que emergirá, então, como o novo salvador da Pátria nas eleições seguintes. Provavelmente, será o atual prefeito do Rio de Janeiro, sobretudo se colher o saldo positivo e os holofotes da Olimpíada.

Já os petistas, por extensão incluindo boa parte da esquerda, intuem com alarmismo o tempestuoso cenário que se está armando. O legado de quatro mandatos, talvez o último deles interrompido ao meio, será funesto para o futuro do partido. Como é típico entre a esquerda, novas rupturas serão muitas e imediatas, levando o partido à marginalização.

Cada vez mais, seus defensores serão somente os filiados que detêm cargos, forçados a curvar-se até mesmo ao indefensável. Ao contrário de sua recente propaganda, o PT no poder, de fato, encheu as panelas dos brasileiros, mas foi de espanto e desesperança. Atônita ante a obscena apropriação dos fundos públicos, destinada, primeiro, a um projeto de hegemonia partidária e, depois, ao enriquecimento pessoal, a sociedade começa a se mexer. Já a desesperança prospera porque nunca em nossa história um partido foi depositário de tamanha generosidade oferecida pelos cidadãos, crédulos das promessas, sobretudo, de moralização das condutas daqueles que conduzem o Estado.


O campo petista no poder, para a surpresa de todos, empreendeu uma estratégia que quase produziu a falência da esquerda, o que já vem acarretando efeitos nocivos na qualidade da política em nosso país. Certa ou errada em sua visão de futuro, as tradições programáticas da esquerda sempre perseguiram o enfrentamento crítico dos donos do poder, contestando a volúpia do capital, os ímpetos conservadores de nossa história e o autoritarismo inerente às práticas sociais de um país que foi o último a abolir a escravidão, para não citar o combate às formas de violência e de discriminação. Nada disso sobrou, abrindo as portas, como sabemos, para a escória da política.

Não analisando aqui os erros cometidos na gestão macroeconômica, também a administração petista do Estado tem sido calamitosa, atiçando irrefletidamente uma linguagem de direitos que jamais foi tornada razoável pelo seu complemento lógico, que seria uma narrativa concomitante de deveres, transparência e responsabilização. Já no quarto mandato, o Estado praticamente parou, com um corpo de servidores em boa parte descomprometido com o bem comum, por sobre uma máquina absurdamente inchada e dirigida por gestores, quase sempre, guindados a tais posições em razão de suas lealdades partidárias. É, hoje, um Estado fortemente disfuncional e revirá-lo pelo avesso para novamente servir à população será tarefa quase impossível em prazo médio, pois os interesses partidários e sindicais incrustados em quase todas as suas partes reagirão com ferocidade ante as tentativas de racionalização que se fazem necessárias.

O futuro próximo, para o Partido dos Trabalhadores e os setores sociais a ele alinhados, incluindo a esquerda, poderá ser traumático. Seu líder principal vê minguar, a cada dia, a sua capacidade de aglutinar quadros e apoio popular. Os dirigentes do partido, por sua vez, presos à soberba, fingem não enxergar a gigantesca ira social endereçada ao campo petista que foi sendo formada em todas as paragens brasileiras, em face do descalabro da administração federal e dos infinitos desmandos petistas. Nesse contexto, a renúncia da presidente talvez seja o menor dos gestos esperados, pois a gestão do período seguinte, ante tal legado, será tarefa extremamente desafiadora.

Quanto maior o governo, menor o cidadão

Saídas manjadas, receitas vencidas

Sem margem de manobra e rejeitada pela ampla maioria dos brasileiros, a presidente Dilma Rousseff apela para fórmulas que já deram o que tinham de dar. Em uma ponta tenta salvar seu governo reaproximando-se dos chamados movimentos populares, uma espécie de reedição do caminho trilhado pelo governo Lula na época do escândalo do mensalão. Na outra, procura superar a balcanização de sua base parlamentar com o aprofundamento do presidencialismo de coalizão. É mais do mesmo.


O “diálogo” presidencial volta-se para esses dois atores da cena política e tem como objetivo se contrapor ao clamor das ruas. Com essas, não tem entendimento, não tem pedidos de desculpa. Qualquer manifestação contra o seu governo será acusada de crime de lesa-pátria, coisa da turma do quanto pior, melhor. Ou esse não foi o sentido das palavras da própria presidente no Maranhão?

À Dilma importa ganhar tempo, empurrar a crise com a barriga para conseguir levar o seu governo até o fim, mesmo que aos trancos e barrancos. Nesse sentido, assinará em baixo e concordará com todos os itens da Agenda Renan, mesmo tendo plena consciência de que seu partido e os ditos movimentos populares serão os primeiros a estrebuchar. Sabe ela que os itens dessa agenda são rubrica de longo prazo e dificilmente se materializarão na sua gestão.

A questão é saber se remédios tão antigos terão eficácia diante da maior crise da história do Brasil dos últimos tempos.

Há uma diferença da água para o vinho entre os primórdios do governo Lula e os dias de hoje. À época, planava-se em céu de brigadeiro, vivia-se o boom das commodities. Com gorduras para queimar, Lula pode fazer mimo aos movimentos sociais, em troca de seu bom-mocismo, de apoio incondicional. E com os endinheirados, parte deles encrencada na operação Lava-Jato.

Atualmente, as condições da economia impedem Dilma de acenar com qualquer bondade para esses movimentos, sem contar que o amancebamento levou ao esvaziamento de suas entidades, à perda de representatividade. No presente momento eles não têm poder de mobilizar amplas massas. O exército de Pedro Stédile é mera figura de retórica e a UNE tem peso pena na sociedade.

Junto aos bem-aventurados a presidente teve de suspender as benesses do BNDES e propor ao Congresso o fim das desonerações, que ela tanto prezava.

A estratégia de Dilma está minada por suas próprias contradições internas. Como manter no mesmo barco Joaquim Levy e os movimentos sociais que pedem sua cabeça? Ela pode seguir o conselho de Lula e dar um cavalo de pau na economia?

Evidentemente que não. Se abrir um pouquinho o cofre da União para aplacar os ânimos da base aliada, do PT e da CUT, a leitura do mercado, das agências de avaliação, dos especialistas e dos formadores de opinião será uma só: a presidente mandou às favas o ajuste fiscal.

O impacto negativo seria tremendo. A bola de neve se transformaria em avalanche, a Agenda Renan não teria serventia nem mesmo marqueteira.

Tampouco é fácil harmonizar interesses contraditórios no interior da base parlamentar do governo. Os partidos aliados querem ministérios de porteira fechada, com direito a nomear todos os cargos de segundo escalão. Ao mesmo tempo, não há hipótese de o PT largar o osso.

A margem de manobra de Dilma é estreitíssima, ou quase nula. E pelo menos dois fatores fogem de seu controle: a Lava-Jato - com novas delações em curso e Lula sendo puxado para o olho do furacão - e o próximo domingo.

Não há menor sinal de reconciliação entre a presidente e os brasileiros. Ao contrário, o sentimento de indignação aflorou mais ainda com as provocações grosseiras do PT, em seu programa de TV.

A probabilidade, portanto, é que no dia 16 de agosto multidões lotem as ruas das principais cidades do país, exercendo seu direito democrático de, pacificamente, protestar contra os descalabros do governo, contra a inflação, o desemprego e a corrupção.

Nas crises, conhece-se o grau de robustez das instituições e a determinação de um povo. Felizmente, o Brasil vai bem nesse teste. As instituições de Estado estão respondendo às exigências do momento e os brasileiros estão dando provas do seu amadurecimento. Já não se intimidam com o discurso do medo.

Hubert Alquéres