terça-feira, 7 de outubro de 2014

Prefeito ganhou, o povo perdeu


Nós não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um certo efeito
Joseph Goebbels

Eleito para revolucionar o município nada fazia em nome de estar arrumando a casa. Anunciava, no entanto, uma chuva torrencial de verbas parlamentares para alavancar inúmeros projetos. Não choveu na horta como esperava, os projetos mofaram nas gavetas. Colocava aloprados por todo canto e aí esperando engordar o caixa, tentando colocar a mulher na Alerj. Não deu.

Para a reeleição prometeu, com a casa arrumada, mundo e fundos. Ficou no fundo. Traria desenvolvimento e mais melhorias (sic) que nunca surgiam. Com os royalties jorrando grosso, perambulou pelo mundo: Itália, Cauba, França, Espanha, Bahia, Maranhão, chegou até a China! E com ele um bonde a tiracolo.

Passou “asfalso” em entrada de ruas, cantou loas a empreendimentos que não saíram do papel, fez o Erário abrir as bicas para promoção de um governo de descalabro. Criou até empresa de ônibus com veículos há mais de seis meses estacionados em pátio de aeroporto interditado.

A demagogia não parou. Muito menos o tanque de promessas que sempre tem de estar cheio para levar no gogó os incautos e os comissionados. Fez o diabo a gosto dos petistas e de sua cambada de bem pagos. Levou todos na mentira como é do seu gosto.    

Em campanha pela mulher e pelo presidente da Câmara aos legislativos estadual e federal, manteve a lenga-lenga. “Já foi feito muito e precisamos fazer mais. A mudança não pode parar”. Às custas do dinheiro público de Maricá, sustentou campanhas dos dois pela Baixada e Rio de Janeiro. Prometeu que agora chegarão os tão esperados recursos que prometia há seis anos só por colocar enfim gente dele nas Câmaras.

A mudança realmente não parou, vai continuar com a mesma demagogia de coronel dono de um curral de eleitores, ainda fiéis acreditando que enfim virão recursos das Câmaras. Mas o quanto virão se ainda resta pagar aos eleitores da Baixada? Ou esses não serão gratificados?


Maricá pagou com o dinheiro dos royalties, que seria para saúde, saneamento e educação, a campanha milionária. No jargão da bandidagem, o prefeito agora pode dizer: “Perdeu”. E o povo vai sustentar mais um bonde e pagar caro a campanha de 2016, porque está sustentando um monopólio político dos mais corruptos do país.   

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O pecado

O pecado é um homem pisar brutalmente na vida de outro homem e não levar absolutamente em conta as feridas que deixou atrás de si
Shusaku Endo 

O novo governo terá de usar o gogó


O modelo simplista de expansão da demanda de consumo que vem sendo adotado desde 2003 está esgotado. A estagnação da produção industrial e da taxa de investimento, e, por último, a queda da taxa de crescimento potencial do PIB brasileiro de cerca de 4,5% ao ano, para algo entre 0 e 1% ao ano, são os principais sinais de que o modelo precisa mudar radicalmente. Agora, é preciso o País se voltar completamente para o crescimento do investimento,  especialmente em infraestrutura e especialmente privado (pois o setor público, além de ineficiente, está virtualmente quebrado), o que levaria ainda ao aumento da produtividade geral da economia, seja qual for o próximo governo.
Não adianta o governo dizer que a taxa de desemprego é baixa. Nas difíceis condições atuais, para o desemprego começar a aumentar seguidamente, é só um passo.

Outro problema ignorado pelo governo é a iminente crise fiscal em que suas políticas nos colocaram, depois de termos conquistado vários degraus de credibilidade nessa área, sem falar na inflação descontrolada. Como no Brasil o gasto público é muito rígido e sua expansão é parte fundamental do modelo econômico atual, tudo depende do que acontece com a receita.

Que campanha feia


A campanha eleitoral do primeiro turno chega ao final deixando a sensação de que a máxima de Shakespeare, por meio da fala de Marco Antônio no túmulo de Júlio Cesar, vítima de traição dos senadores romanos, fustigará por bom tempo a consciência dos nossos atores políticos: “A maldade que os homens são capazes de fazer sobrevivem a eles, e as coisas boas são muitas vezes enterradas com seus ossos”. Os resíduos de sangue que respingam da contenda entre candidatos deixarão marcas indeléveis nos muros da política, devendo ganhar dimensão histórica. Estarão coladas à história dos personagens. Já vimos situações mais degradantes, como o bombástico depoimento de Miriam Cordeiro, em 1989, que dizia ter se separado de Lula, em 1974, após este tomar conhecimento de sua gravidez e ter sugerido um aborto. Fernando Collor acabou ganhando a campanha. Mas a disputa em curso não deixa a desejar em matéria de vulgaridade, mesmo sabendo que o “negócio” em que se transformou a política é um dos mais afeitos aos jogos desleais.

Não se pode dizer que a campanha se dedicou exclusivamente ao exercício de tiro ao alvo. Não. Viram-se ideias, programas, propostas e feitos de candidatos, tanto na esfera federal quanto no âmbito de Estados. E, também, perorações genéricas, cheias de boa intenção. Mas pouco ficou da substância dos programas eleitorais, particularmente em áreas de alta prioridade como saúde, segurança pública, educação e reformas fundamentais (política, fiscal-tributária, previdenciária, trabalhista etc). Menção rápida sobre esses assuntos não foi suficiente para a devida compreensão pela maioria do eleitorado, agravada pela modelagem de autoglorificação das mensagens televisivas. Pergunte-se ao cidadão comum se consegue distinguir diferenças de pontos de vista entre as três principais candidaturas sobre questões sociais, por exemplo. O que teria sobrado, então, da verborragia eleitoreira? Infelizmente, os aspectos negativos prevaleceram sobre os pontos positivos.

Leia mais o artigo de Gaudêncio Torquato

'A pobreza me incomoda'


É lógico que não estou me referindo à pobreza dos desvalidos, dos desafortunados e dos desassistidos. Falo dessa pobreza elevada ao estado de arte, cacarejada em prosa e verso por um bando de encostados na grande teta pública e defendida por uma ideologia rombuda e decapitada, que insiste em eternizar suas causas e efeitos na sociedade escorchada de sempre. Para aqueles que pensam, a charada do discurso de campanha proferido no plenário errado em si só já é espantosa. Dona Dilma não vê limites no uso do público, da privada e de outras louças diversas para fazer seus proselitismos e adular sua corja de militantes antiimperialistas pagos em mortadela. E já passou em muito dos limites de ser enquadrada pela lei, não é mesmo?

Aqui ninguém chia. A confraria de pilantras finge que não vê o que está acontecendo. Os confrades de sempre não conseguem olhar além da cartilha picareta do socialismo rastaquera para ver que a decência conspurcada por aqui gera nossos próprios decapitadores. O Estado Islâmico não é muito longe daqui, meus caros. Já há uma primeira filial dele no Complexo de Pedrinhas, com extensões diversas pelo Jardim Ângela e adjacências. É o resultado de doze anos de militantismo rombudo sobre nosso capitalismo infame e infante. O resultado de vinte anos trilhando o caminho errado sob o aplauso de uma galera que ainda tenta ver no socialismo assistencialista a fórmula do sucesso.

domingo, 5 de outubro de 2014

Vamos lá!

Nani Humor

É preciso mudar.Pelo voto


Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
 Não basta ajoelhar, tem de rezar. Não basta se alfabetizar, tem de ler até o fim. Não basta ler, tem de analisar. Não basta analisar, tem de lembrar. Não basta papaguear slogans, tem de criticar. Não basta crer em marketing, tem de construir um pensamento crítico. Não basta votar, tem de cobrar.

Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.

Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa nacional com as múmias e os ladrões, vivinhos e populares.

Exterminadores da razão


O desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender.

No Brasil, como ensina o professor Pedro Malan, até o passado é incerto. Há três meses, 75% dos brasileiros se diziam insatisfeitos com o país e exigiam mudanças urgentes, mas hoje, quando todos os indicadores econômicos, que já eram ruins, pioraram ainda mais, o desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender. Será que eles mentiram aos pesquisadores? Ou eram felizes e não sabiam? Ou gostavam de sofrer? Ou o medo do desconhecido é maior que a esperança no futuro?

Mas como mudar, se nenhum governante municipal, estadual ou federal jamais reconhece seus erros, atribuindo-os sempre a outros, a conspirações políticas ou a circunstâncias adversas? Sem reconhecê-los, como corrigi-los?

Quem está na chuva é para se queimar, dizia o folclórico presidente corintiano Vicente Matheus, mas na fogueira eleitoral, além de sonhos e reputações, a razão é a primeira a arder. Mentiras, golpes baixos e jogo sujo são o motor das campanhas, um vale-tudo sem limites na luta pelo poder que deve envergonhar a todos que não acreditam, como Lula, que vergonha é perder eleição.
Leia mais o artigo de Nelson Motta 

Em quem voto e por quê

 Poucas vezes o refrão de estarmos em uma encruzilhada terá sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública, boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o país está.

Em uma das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos, a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que Aécio acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio PSDB!) e Marina seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos, com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do estalinista para definir os “inimigos”), elas fizeram estragos no campo opositor.

A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando arrogantemente que tudo que fez foi certo; se algo deu errado foi, como diria Brizola, por conta das “perdas internacionais”. Mais ainda, disse com convicção espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que fazer-lhes a guerra, coisa que só os “bárbaros” ocidentais pensam ser necessária.

E o que é isso: socialismo? populismo? Não: capitalismo de estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião pública (“não é função da imprensa investigar”, outra pérola dita recentemente por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários “campeões nacionais” até partidos sedentos de um lugar no coração do governo. Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos. Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.

Pega na (enésima) mentira

Ônibus da empresa municipal que virou autarquia estão acautelados
para não serem usados neste domingo gratuitamente para levar eleitores
Em discurso de campanha para eleger a mulher e o companheiro presidente da Câmara, Quaquá apelou para nova mentira a fim de enganar e aparecer como o grande administrador coisa que nunca foi nem será. O prefeito de Maricá em mais uma farofada anunciou que o município será o primeiro do país a contar com transporte gratuito nos ônibus, através da autarquia de transportes que criou e 13 veículos estacionados e mofando no aeroporto interditado.

Como é um costumeiro mentiroso, sempre se passando por melhor prefeito, quando lidera a lista do mais desastrado e corrupto, esqueceu que a lista de cidades brasileiras com transporte gratuito já existe desde 2011, entre elas, Silva Jardim, Mount Carmel, Potirendaba, Paulínia, Muzambinho, Pitanga e Ivaiporã.

Águas de São Pedro, em São Paulo, com o segundo IDH do país, é uma estância hidromineral, que não recebe um pingo de royalties, mas vivendo apenas do turismo consegue índices fabulosos, inclusive com transporte gratuito.


Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o município. Outra cidade brasileira a adotar o sistema é Agudos, no interior de São Paulo, próxima a Bauru. A gratuidade também foi implantada em 2011, quando se extinguiu a tarifa de R$ 2,40 e, desde então, o uso dos ônibus aumentou em mais de 60%.

Os brasileiros,entre a esperança e o medo


Basta sair por estes dias na rua e falar com as pessoas –algo muito simples entre os brasileiros, sempre dispostos a contar sua vida– para perceber que o Brasil se movimenta nestas eleições entre dois sentimentos contrapostos: a esperança e o medo. Esperança de melhorar a vida, como ficou claro na última pesquisa do Datafolha, que revela que 74% dos brasileiros desejam que as coisas mudem. Não se conformam com o que têm.

Esse sentimento traz implícito um forte desejo de melhoria em todos os níveis, não só material, mas, por exemplo, também a ampliação da democracia. É como se dissessem que "é possível melhorar nossa qualidade de vida". Significa também que os brasileiros se tornaram mais exigentes com seus governantes. Já não aceitam tudo passivamente, como no passado, aprisionados por uma atávica resignação, triste herança da escravidão.

A esse sentimento, a esse grito por melhorias e de esperança em um futuro imediato –que os pais de milhões de brasileiros desejam para os filhos– se opõe uma sensação de amargura e desencanto, como se perguntassem: "Quem nos oferece hoje essa esperança de algo melhor?" Ou o terrível e não verdadeiro "todos são iguais".

Até agora o debate eleitoral estava mais centrado justamente no que os brasileiros não queriam: a briga entre os candidatos; aquilo do "e você é mais" (ou seja, mais corrupto, mais mentiroso), que dava uma sensação mais de medo do que de esperança.


Não é nenhum segredo que os brasileiros –incluindo os milhões de famílias que saíram da miséria e não só não passam mais fome, mas têm até televisão de plasma– estão insatisfeitos com seus governantes. Não que sejam ingratos, que não reconheçam que o Brasil melhorou nos últimos 20 anos, mas não são bobos e sabem que neste país rico se desperdiçam bilhões que são diluídos nos rios sujos da corrupção; que as pessoas ganham mais do que ontem, mas que a inflação galopante chegou até elas como um autêntico assaltante que lhes exige voltar a repensar a compra ao ir ao mercado; que lhes dá medo de pedir um novo empréstimo por medo dos juros, que estão entre os mais altos do mundo e que já endividaram 50% das famílias.

sábado, 4 de outubro de 2014

Campanha


Não dar vez a cretinos


Dizer não



Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros.

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade. 


Vergílio Ferreira

Dilma e o voto que vem pelo Correio


  “Isso é um absurdo, pô”. Você pensa que a presidente da República está indignada com o aparelhamento e uso de uma empresa estatal para trabalhar na campanha de sua reeleição?

Nem que a vaca tussa. A presidente não está indignada com o fato, mas com a divulgação do fato, que ela atribui à “proximidade da eleição”. Mas nem é uma denúncia da oposição nem de seus adversários. É a exibição pura e simples de um vídeo onde um deputado petista se vangloria do “dedo forte dos petistas dos Correios” na  virada das intenções de voto dos candidatos do partido a presidente e a governador.

No centro da mesa do evento filmado, impávido e colosso, o presidente da estatal, Wagner Pinheiro, que mais tarde divulgaria sua indefectível nota oficial desmentindo que os Correios estejam favorecendo alguém.

O PT costuma alegar “falta de provas” em qualquer caso de denúncia de malfeitos do partido, e pelo que se vê, o partido nao aceita nem as provas que ele mesmo produz.

Assim realmente fica difícil cumprir uma das tarefas fundadoras do PT, que é a de empunhar a bandeira da ética na política. Nao importa que a bandeira esteja um tanto esgarçada pelo mau uso que foi feito dela, desde que algumas  pessoas ainda acreditem nela-ou pelo menos deixem de considerá-la importante, já que “todo mundo faz a mesma coisa, nao é mesmo?”.

Mas se ninguém se incomoda em nivelar a prática política por baixo, nem mesmo o PT, que supostamente nasceu para nivelar por cima, será preciso acreditar em outra coisa, para diferenciar o partido dos outros.

A temporada festejada de inclusão social não teria começado sem a estabilidade econômica, e isso é consenso entre todos as pessoas sérias, e embora o PT tenha votado contra ela, se assenhorou de todos os frutos da árvore, que ele não só não ajudou a plantar, como apedrejou o quanto pôde.

Lula, o palanqueiro, disse em um comício recente, ao comentar as oscilações da Bolsa em função das pesquisas eleitorais, que ele “nunca pediu votos ao mercado”. Claro que a platéia que o ouvia pode ter ido ao delírio, porque a excitação coletiva com frases de efeito faz parte da prática populista, e ninguém naquele ambiente teria o mau gosto de lembrar que ele só ganhou as eleições de 2002 depois de acalmar o mercado com a “Carta ao Povo Brasileiro”, onde o programa do PT foi sepultado para descansar em paz.

Na propaganda eleitoral muito pouco fraterna, o PT destruiu a ex-companheira Marina, dedicando-lhe a acusação de “neoliberal”, que no dialeto das esquerdas pós-modernas é algo pior do que “lacaio do imperialismo” na segunda metade do século passado.


 Não importa que não haja nenhuma semelhança entre o que o PT diz e o que ele faz. Afinal, a alma daquele partido que muitos idealistas adotaram por ser “diferente de tudo que está aí” já morreu e o corpo espera uma extrema unção digna.
Sandro Vaia

O silêncio dos 'inocentes'


Em meio ao foguetório eleitoral, num berço esplêndido, há quem se finge de morto, mas está mais vivo do que nunca. Passa despercebido nessa corrida um partido do qual pouco se fala, mas pode vir a ser novamente coadjuvante mesmo que o PT diga adeus à presidência.

Os dados já sinalizam quem será o grande vitorioso das urnas e o maior derrotado. O Oscar irá mesmo para o PMDB, que deve praticamente governar a maior parte do país com nove governadores e a maior bancada na Câmara. É quase um replay de 1974, quando o então MDB, em plena ditadura, humilhou a Arena.

Se em 2010 o PT elegeu cinco governadores inclusive de colégios eleitorais de peso. Não repete o feito e sua para não passar vergonha. Com 17 candidatos aos governos e só aparece com chances de vitória no Piauí, Acre e Minas Gerais. Também não conseguirá manter os 88 deputados, podendo ficar até um terço menor.


O PT realmente não é o mesmo motivador de massas. Não é à toa que candidatos de coligações estejam escondendo a cor e os símbolos do companheiro. Está virando um sapo indigesto.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

‘Não tem Coronel aqui. Quem manda é o povo!’



Candidato Luis Fernando Pezão, em Maricá, quando o prefeito Quaquá, presidente regional do PT, ordenou que sua “maré vermelha” atrapalhasse a caminhada do governador na cidade, respondeu ao coronelismo petista.

Gesto deselegante, para dizer pouco, e nada democrático, como costuma ser a atitude petista que atropela tudo para ser o vencedor. No caso, eleger a mulher do prefeito à Alerj, o que está sendo repudiado pela população. E assim o PT vai engolindo o país com suas safadezas e pilantragens.


Licença para enganar


Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica.

Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais desinformadas?

Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.

Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem, não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos emocional.

E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal. Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.

Arremedo de democracia


Nem a Folha de S. Paulo, que publicou a entrevista na última segunda-feira, nem os demais veículos de comunicação deram importância ao que disse Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo e dono da Companhia Siderúrgica Nacional, sobre a eleição presidencial do próximo domingo.

A certa altura da entrevista, o repórter Fernando Rodrigues perguntou em quem Steinbruch votaria. O poderoso industrial respondeu:

- Não sinto necessidade de revelar. Meu voto é a favor das mudanças. Se a presidente Dilma propuser mudanças com relação ao futuro do Brasil, ela tem chance de ter o meu voto. Se a candidata Marina propuser mudanças, ela tem a possibilidade de ter o meu voto. Assim como o Aécio.

Rodrigues insistiu:

- Se um empresário como o senhor revelar o voto no Brasil, pode sofrer perseguição?

A resposta foi espantosa, a se levar em conta que vivemos numa democracia e que as pessoas são livres para votar em quem quiser:

- Com certeza. Pode.

Rodrigues foi adiante:

- Se disser que vota em Marina e ela perder a eleição, o senhor acha que poderia ser perseguido?

- Acho que sim. O empresário brasileiro e o banqueiro são tremendamente dependentes do governo. Lá fora você não tem essa necessidade de ter a boa vontade do governo. Aqui, só o BNDES te dá financiamento de longo prazo com carência.

Quer dizer: se o presidente da República não for com a sua cara, o BNDES lhe fechará as portas.

Temos um arremedo de democracia – a verdade é essa. E a democracia entre nós é tanto mais fraca quanto maior é a determinação dos donos do poder de não abrir mão do poder.


Chantagem de prefeito


Já asfaltei muito. Mas vou asfaltar toda Maricá. Vou fazer ainda mais pela cultura, pela educação, pela segurança. Vou construir o novo hospital. Mas para isso preciso de seu voto para eleger Zeidan para a Câmara estadual e Fabiano Horta para federal.

(Gravação do prefeito Quaquá em carro de som circulando há dois dias pela cidade. Embutida a chantagem de que se não forem eleitos seus candidatos petistas não serão cumpridas as promessas. Aliás, que sequer foram cumpridas ainda)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

É preciso acertar o botão


Mercado sinaliza temporada difícil para Dilma


Ações da Petrobras caíram 11% nesta segunda, num recado claro de que os agentes financeiros esperam muito de um eventual Governo “Dilma 2.0”, que precisará ser mais pragmático
 Se Dilma Rousseff vier a ser reeleita nas eleições deste ano, ela terá de promover não só as mudanças esperadas por 80% dos eleitores, mas também atender às expectativas do mercado financeiro, que nesta segunda-feira mandou um recado duro para a presidenta. A Bolsa de Valores teve uma queda abrupta ao longo do dia, fechando com queda de quase 5% em relação a sexta-feira, com destaque para os papéis da Petrobras, que caíram 11%. Ao mesmo tempo, o dólar subiu aos níveis de dezembro de 2008, com alta de 1,53%, fechando a 2,4510 reais.


O comportamento de cavalo selvagem desta segunda lembrou o período pré eleitoral de 2002, quando o ex-presidente Lula liderava as pesquisas, e a bolsa de valores oscilava de modo descontrolado, assim como o câmbio, que chegou a 4 reais quando seu nome foi confirmado nas urnas. Embora alguns indicadores fundamentais sejam até melhores do que há 12 anos, o cenário para uma repetição de Dilma Rousseff é muito mais desafiador do que naquela eleição, acredita a economista Zeina Latif. “Naquele ano havia o medo do que havia por vir. Agora, a história é outra, pois a credibilidade do Governo está muito abalada, dizendo inclusive que tudo está muito bem”, diz Latif. “Pois se está tudo bem é como se achassem que não há ajustes a serem feitos”, completa.

Vale a pena votar domingo?


É preocupante e assustador o desleixo com que tratamos a nosso passado recente – e essa incapacidade de refletir sobre a história. A mudança depende somente de nós, de nosso engajamento.
Por uma dessas coincidências, as eleições de domingo ocorrem no exato dia em que comemoramos 26 anos de promulgação da Constituição vigente, cujo ordenamento jurídico pôs fim efetivo à nunca por demais execrada ditadura militar brasileira, que até hoje permanece assombrando a nossa frágil e débil democracia. Das oito da manhã às cinco da tarde, parte expressiva dos 140 milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 70% do total da população, deverá se apresentar às urnas eletrônicas, exercendo o direito de escolher seus representantes no Poder Executivo e Legislativo estadual e federal (se o voto deve ser facultativo ou continuar obrigatório é uma discussão que não cabe aqui e agora).

O quadro que se pinta não é dos mais animadores, certamente. Em São Paulo, que, concentrando um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, é tido como o estado mais parecido com o modelo econômico-social que desejamos aperfeiçoar e exportar para o resto da Federação, encontramos candidatos cujo deboche pela política aparece no próprio nome com que se apresentam ao eleitor. Eis algumas bizarrices, pinçadas ao acaso, entre postulantes a deputado federal: Obama Brasil, Toninho do Diabo, Carlão do Doce, Macaco Tião Cláudia, Rique O Tchê-Tchê, Doutor Verme, Meu Querido, Mick Jagger do Brasil, Valmir Olho de Lobo, Newton – O Homem do Chapéu, e outros, e muitos.

Neste ano, em que completam-se 50 anos do golpe que instalou os militares no poder, temos assistido a uma profusão de manifestações autoritárias a nos lembrar que estamos longe ainda de constituirmos um sólido estado de direito. Apesar de realizarmos a sétima eleição direta consecutiva para a Presidência da República – o maior período de democracia de toda a história política do Brasil –, superando traumas (como o impeachment de Fernando Collor) e preconceitos (como a investidura de um ex-metalúrgico e de uma ex-guerrilheira), o pensamento prepotente cavalga pelas ruas e avenidas e, principalmente, pelas redes sociais.


Cospe no prato que paga com fortunas


“A gente agora vai mostrar pra essa elite, dessa Rede Globo, pra essa cambada de elite arrogante, que o povo brasileiro sabe o que quer!"
Companheira de Quaquá, prefeito de Maricá, em fiasco de comício com militância de aluguel, repete a costumeira petista lengua-lengua contra a Rede Globo, só esquecendo que o próprio governo municipal paga fortunas para a mesma rede de televisão, através da propaganda “Direto de Maricá”, em horário nobre da mesma emissora, divulga as "maravilhas' em que transformou o município.


Assim são os petistas, pagam fortunas para apresentar grandes obras e depois atacam a mesma mídia de que se utilizam com farto dinheiro público. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Adoro horário eleitoral


Frase cretina


Desvio de dinheiro é natural e intrínseco ao serviço público.

Cid Gomes, governador do Ceará

A lista dos perigos


Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para depois mostrar aos eleitores da Dilma

O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?

Aqui vai a lista:

A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela, Argentina e outros.

Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”

As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para “controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população, disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stalin.

A solidez fiscal se desmancha no ar


O que está acontecendo nas contas públicas é gravíssimo. A solidez fiscal necessária para sustentar a estabilização da economia está se desfazendo. Se alguém tinha alguma dúvida, o dado que acaba de ser divulgado pelo Banco Central eliminou todas elas: quatro meses de déficit primário! É um déficit gigante, o maior de que se tem registro. Quando a conta é feita em 12 meses, o superávit primário é menor do que o necessário, mas ainda é apresentável. Mas o dado do ano é lamentável, de apenas 0,3%, mesmo com os truques como os dividendos maiores de empresas estatais, que desconsidera a necessidade de investimento delas.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dá para acreditar?


A sociedade foi a grande ausente do debate


Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?
Por incrível que pareça, a palavra “educação” não foi pronunciada nem uma vez em todo o debate.

Será que os candidatos pensam que o Brasil poderá um dia sair de seu atraso, que os filhos da nova classe média vinda da pobreza poderão construir um país melhor, mais moderno do que aqueles em que seus pais viveram – muitos deles ainda hoje vítimas do analfabetismo –, sem uma mudança radical no ensino?

Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?

E, no entanto, os países cujas sociedades hoje desfrutam de melhores condições de vida, e que se desenvolveram economicamente e socialmente com rapidez, foram os que souberam colocar a educação no centro nervoso do interesse público.

Será que os candidatos à Presidência não sabem que o Brasil, que aspira ser líder no continente, ainda aparece entre os últimos na lista mundial de qualidade de ensino?

A fantasia da vez

Em meio à tempestade de corrupção que flagela o país, com a revelação de que os integrantes das quadrilhas frequentavam livremente os poderes da República, eis que como um relâmpago surge uma nova personagem de HQ em pleno Planalto. Ninguém esperava que em um passe de mágica a presidente se transformasse rapidamente na SuperDilma, a justiceira contra a corrupção.

Só mesmo como uma gozação se pode encarar a palhaçada marqueteira que a presidente virou uma justiceira. Isso depois de conviver durante anos com os criminosos e até mesmo convidar alguns para festa de aniversário, receber em palácio, etc.


Dilma se presta para qualquer fantasia que a campanha exija. Tudo em nome da enorme fome de poder. Não será nada para o bem do povo e felicidade geral da nação que quer repetir o “Fico”.   

Engavetou de novo


Em país sério, os candidatos apresentam suas propostas para serem debatidas, discutidas.

No Brasil, quando apenas uma candidata faz o correto, o que se espera de seriedade, chovem abutres para distorcer cada item em proveito próprio. Longe de mostrarem ao eleitor suas metas, indicarem mesmo possíveis assessores, vê-se gente em palco como se comportando como se estivesse numa rinha. O importante é bater. No caso, esculhambar o máximo possível com o adversário, mentir, mentir, mentir.

Os marqueteiros, com aval de candidatos gananciosos de poder - aplaudindo - destroem o debate democrático em prol das artimanhas publicitárias. É o conluio da arte de enganar.

Os políticos até se acham num picadeiro. Deixam de lado o debate, pois não interessa que mostrem suas ideias, base de uma política de Estado, que verdadeiramente está em discussão. Preferem os tais programas de governo que nada são do que meros papeluchos rasgados e enfurnados no lixo na primeira oportunidade.

É por temer ataques arrasadores, que despencariam sua escalada eleitoral, e também por não ter política de Estado sequer esboçada que Dilma resolveu engavetar todas as propostas preparados pelo próprio partido como em 2010. E repete o feito preferindo levar os eleitores no bico.


A engavetadora foge ao debate a que nunca foi afeita, inclusive por seu viés ditatorial, para contar com a mãozinha salvadora do guru João Santana, mestre em ilusionismo. Assim terá mais quatro anos para fazer o diabo no governo com toda a arrogância de santinha do pau oco - onde não por acaso se escondem todos os escândalos - acobertando com propaganda seus malfeitos.   

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Pobre país

Meu pobre país pacóvio que só te babas para o imbecil ou o charlatão; mas porque um está à tua medida e o outro àquela que queres ter e julgas que ele tem
Vergílio Ferreira

Dilma e o pacto com o diabo

 
Campanhas eleitorais costumam ser mais emoção do que razão. São sempre criticadas por não se aprofundar em temas urgentes, por abusar dos ataques e contra-ataques. Mas nunca antes na história deste país uma campanha foi tão infame e deseducadora. O retorno da presidente Dilma Rousseff à liderança isolada da disputa depois de artilharia intensa – tendo a mentira como principal arma – não deixa dúvidas. Corrobora com a maquiavélica tese do vale tudo, de se fazer o diabo.

Marina Silva foi bombardeada por Dilma e Aécio Neves. Mas até o capeta se assustou com a tática usada pelos petistas para desconstruí-la.

De uma hora para outra, a ex-ministra de Lula virou defensora do capital e dos banqueiros, companheira de tucanos neoliberais que querem aniquilar com as estatais, acabar com o Bolsa Família e com a CLT.

Vencida a primeira batalha, a campanha de Dilma tratou de proteger o flanco que poderia sangrá-la: a roubalheira na Petrobrás, que começou a ganhar forma e endereço com a delação premiada de Paulo Roberto Costa.

Especialistas em transformar os males que os afligem em virtudes, os petistas rapidamente produziram uma nova Dilma contra a corrupção. Não aquela Dilma-faxineira que chegou a fazer sucesso no primeiro ano de mandato e que sucumbiu. Outra personagem, desta vez encarnando a líder no combate à impunidade.


Há duas semanas, em todas as entrevistas e discursos – incluindo a fala eleitoral na abertura da Assembleia da ONU –, Dilma empunha a bandeira anticorrupção. Na sexta-feira, prometeu endurecer contra agentes públicos que prevaricam, além de reformar a Justiça e criar leis para facilitar a perda de bens adquiridos de forma ilícita.

Medo de perder conquistas favorece Dilma


Apesar de 70% dos brasileiros afirmarem que querem “mudar”, na hora de votar, o conhecido inspira mais confiança
Nem sempre a História se repete. Nessas eleições, por exemplo, está acontecendo o oposto do que ocorreu em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva conquistou a Presidência da República.

Naquela época, os brasileiros tinham medo de Lula. Era a esquerda que chegava ao poder e o sindicalista havia ganhado com a estratégia de “vencer o medo com a esperança”.

Hoje, o PT trouxe de volta às eleições aquele medo que tinha impedido Lula de vencer três vezes a disputa pelo cargo. E, ao contrário do que houve antes, a arma de difundir entre os eleitores de classe baixa o medo em relação à candidata rival, a ambientalista Marina Silva, apresentada como a amiga dos banqueiros, a preferida pelos ricos e aquela que poderia retirar dos mais pobres o que já conquistaram, está dando resultados positivos para Dilma Rousseff.

A já mítica classe C, formada por esses mais de 30 milhões de brasileirosque conseguiram saltar a linha da pobreza e passar para o mundo do consumo, aparece ainda, de maneira geral, sensível ao medo de perder o que já conquistaram.

Apesar disso, os filhos dessas famílias, que já estudaram, são mais críticos que seus pais e já demonstraram, durante as manifestações de 2013, que querem não só programas assistenciais, mas melhorias estruturais para poderem dar um verdadeiro salto social.

Esse medo de perder as conquistas sociais está, efetivamente, dando resultados entre os eleitores dos estados mais pobres como os do Nordeste, para os quais a maioria dos debates eleitorais teóricos, como os da independência do Banco Central, o maior ou menor crescimento do PIB e a flutuação cambial do dólar têm muito menos importância do que a vida real das famílias.

domingo, 28 de setembro de 2014

Imbatíveis


Petrolão para todos


Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar
 Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa despenca, e lá vêm os gigolôs da bondade denunciar a trama capitalista contra o governo do povo. Mas o que dizer então da bolsa eleitoral? Quanto mais apodrece o escândalo da Petrobras, mais Dilma se recupera nas pesquisas. Será que o eleitor está querendo virar sócio do petrolão?

Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em cana. E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os comparsas.

Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas.

Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as relações certas).

Debate de propostas se perde em ataques e escândalos

Debates se tornaram ringues de dois contra uma, a única a fazer certo
Com tom da campanha cada vez mais agressivo e centrado em ataques mútuos entre os candidatos, discussão sobre o conteúdo dos programas de governo é deixada de lado. Quem perde é o eleitor.

Com as pesquisas de intenção de voto indicando uma disputa acirrada, a campanha eleitoral deve ficar ainda mais agressiva nos próximos dias, à medida que se aproxima o primeiro turno. Esse foco nos ataques pessoais e na tentativa de desconstruir adversários ofusca, porém, o debate construtivo de propostas para solucionar os problemas do país.

Especialistas avaliam que o conteúdo programático foi pouco debatido até aqui e alertam: essa situação não deve mudar – ao contrário, a agressividade vai aumentar ainda mais no segundo turno.

"A campanha tem ficado em acusações. Se discute o medo, a incompetência ou a experiência, mas não os projetos para o Brasil: política econômica, questão trabalhista e previdenciária, a retomada do crescimento, os programas sociais. É um debate cifrado, pobre e incompleto", diz o cientista político Antonio Carlos Mazzeo, da Unesp e da PUC-SP.

"A disputa será mais acirrada, e os ataques vão piorar. Isso é ruim para a democracia e para o eleitor", opina o historiador e sociólogo Marco Antonio Villa.

Um fator até mesmo curioso e que dificulta a possibilidade de debate de propostas entre os candidatos é a falta de programas de governo disponíveis para consulta do eleitor.

Até agora, Marina Silva (PSB) foi a única dos três principais candidatos a apresentar uma versão final do seu programa de governo. Entretanto, enfrentou graves críticas por ter recuado em alguns pontos do documento, como os direitos LGBT e a política energética.


Já Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) entregaram documentos genéricos no início de julho, com a promessa de divulgar a versão detalhada e consolidada até as eleições, o que ainda não ocorreu.

sábado, 27 de setembro de 2014

Terror dos corruptos


O valor da resistência


Filme de 1957, dirigido por David Lean, "A ponte do rio Kwai" ganhou 7 Oscar. É baseado no romance de Pierre Boulle “Le pont de la rivière Kwai”, de 1952. Filme também popularizou a "Colonel Bogey March", escrita em 1914 pelo major dos Royal Marines, F. J. Ricketts (1881-1945)

A mentira como método


Vaidosos, nós nos cremos os únicos capazes de lavrar, caminhar e gravar os nossos traços de Narciso; e, quando ouvimos a voz tácita das coisas, a sufocamos rapidamente sob a imundície das nossas insensatas disputas sem valor.
Michel Serres
Mentir, engambelar, imputar aos adversários o que não falaram, citar dados errados, esconder outros. De tudo praticar, mesmo eticamente incorreto, vale quando se trata de garantir mais uma gestão de permanência no governo para manter a meta de 20 anos no poder, como determina a cartilha ditatorial do PT.

O corolário de atitudes descreve bem o caráter de uma candidata que se diz do povo, quando na verdade é o maior exemplo de que a dominação a qualquer meio, mesmos ilegais, é válida e deve ser incluída na agenda da corrida eleitoral.

Nunca uma candidata ou candidato conseguiu reunir numa campanha tantas mentiras e factoides como Dilma, que só não consegue mesmo superar a própria arrogância de querer ser o que nunca será. Aquela que foi estrelada pelo poder hoje se acha acima do bem e do mal, imaculada a receber beijos como santa. Dilma trafega incólume, como vestal, em meio ao lodaçal criado pelos próprios companheiros com um nada vi, um nada sei.

É patética a figura presidencial maquinando dados a favor, quando tudo indica a péssima administração, e o conluio com um comissariado e uma politicalha cretina, medíocre. Em palanques apregoa sua luta pelos pobres e famintos, quando no trono arquiteta as maracutaias que possam favorecer empresas muy amigas, os conglomerados bancários, os cofres partidários.