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| Nani Humor |
domingo, 5 de outubro de 2014
É preciso mudar.Pelo voto
Não é só pelos 20 centavos. Não é só pela Petrobras. Quem vive um dia normal sabe do que o Brasil precisa
Falta educação política ao eleitor brasileiro. Faltam
consciência, razão, atitude. O programa partidário na televisão, que de
gratuito não tem nada, é uma idiossincrasia de país subdesenvolvido. Beneficia
quem está por cima. É nocivo, antidemocrático e enganador por dar mais tempo na
televisão a qualquer partido que esteja no poder. É um bombardeio de
telenovelas eleitorais com efeitos especiais e personagens montados.
Às vésperas do voto de 5 de outubro, o eleitor no Brasil
parece suscetível à influência das máquinas partidárias, das mentiras e da
hipocrisia de candidatos a todos os cargos. É só observar as tendências do mapa
nacional com as múmias e os
ladrões, vivinhos e populares.
Exterminadores da razão
O desejo de mudança se transformou na liderança folgada dos
situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB) e Pezão (PMDB). Vai entender.
No Brasil, como ensina o professor Pedro Malan, até o
passado é incerto. Há três meses, 75% dos brasileiros se diziam insatisfeitos
com o país e exigiam mudanças urgentes, mas hoje, quando todos os indicadores
econômicos, que já eram ruins, pioraram ainda mais, o desejo de mudança se
transformou na liderança folgada dos situacionistas Dilma (PT), Alckmin (PSDB)
e Pezão (PMDB). Vai entender. Será que eles mentiram aos pesquisadores? Ou eram
felizes e não sabiam? Ou gostavam de sofrer? Ou o medo do desconhecido é maior
que a esperança no futuro?
Mas como mudar, se nenhum governante municipal, estadual ou
federal jamais reconhece seus erros, atribuindo-os sempre a outros, a
conspirações políticas ou a circunstâncias adversas? Sem reconhecê-los, como
corrigi-los?
Quem está na chuva é para se queimar, dizia o folclórico
presidente corintiano Vicente Matheus, mas na fogueira eleitoral, além de
sonhos e reputações, a razão é a primeira a arder. Mentiras, golpes baixos e
jogo sujo são o motor das campanhas, um vale-tudo sem limites na luta pelo
poder que deve envergonhar a todos que não acreditam, como Lula, que vergonha é
perder eleição.
Leia mais o artigo de Nelson Motta
Em quem voto e por quê
Poucas vezes o refrão de estarmos em uma encruzilhada terá
sido tão verdadeiro. Neste domingo os eleitores carregam para a votação o peso
de uma responsabilidade histórica. E o mais grave é que, dadas as condições do
debate eleitoral e as formas prevalecentes de manipulação da opinião pública,
boa parte do eleitorado nem atina qual seja a bifurcação diante da qual o país
está.
Em uma das mais mistificadoras campanhas dos últimos tempos,
a máquina publicitária e corruptora do PT e aliados espalhou boatos de que
Aécio acabaria com os programas sociais (em grande parte criados pelo próprio
PSDB!) e Marina seria a expressão dos interesses dos banqueiros, tendo nas mãos,
com a independência do Banco Central, a bomba atômica para devastar os
interesses populares. Por mais ridículas, falsas e primárias que sejam as
imagens criadas (também eram simplificadoras as imagens do regime nazista ou do
estalinista para definir os “inimigos”), elas fizeram estragos no campo
opositor.
A guerra de acusações descabidas escondeu o tempo todo o que
a candidata à reeleição deixou claro nos últimos dias: suas distorções
ideológicas. Fugindo aos scripts dos marqueteiros, que a pintam como uma
risonha e bonachona mãe de família, e do PAC, a presidenta vem reafirmando
arrogantemente que tudo que fez foi certo; se algo deu errado foi, como diria
Brizola, por conta das “perdas internacionais”. Mais ainda, disse com convicção
espantosa ser melhor dialogar com os degoladores de cabeças inocentes do que
fazer-lhes a guerra, coisa que só os “bárbaros” ocidentais pensam ser
necessária.
E o que é isso: socialismo? populismo? Não: capitalismo de
estado, sob controle de um partido (ou do chefe do Estado). Um governo
regulamentador, soberbo diante da sociedade, descrente do papel da opinião
pública (“não é função da imprensa investigar”, outra pérola dita recentemente
por Dilma), com apetite para cooptar o que seja necessário, desde empresários
“campeões nacionais” até partidos sedentos de um lugar no coração do governo.
Algo parecido com o que o lema do velho PRI mexicano expressava: fora do
orçamento, não há salvação; nem para as empresas, nem para os partidos, nem
para os sindicatos, para ninguém. Crony capitalism, dizem os americanos.
Capitalismo para a companheirada, diríamos nós.
Pega na (enésima) mentira
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| Ônibus da empresa municipal que virou autarquia estão acautelados para não serem usados neste domingo gratuitamente para levar eleitores |
Em discurso de campanha para eleger a mulher e o companheiro
presidente da Câmara, Quaquá apelou para nova mentira a fim de enganar e
aparecer como o grande administrador coisa que nunca foi nem será. O prefeito
de Maricá em mais uma farofada anunciou que o município será o primeiro do país
a contar com transporte gratuito nos ônibus, através da autarquia de
transportes que criou e 13 veículos estacionados e mofando no aeroporto interditado.
Como é um costumeiro mentiroso, sempre se passando por
melhor prefeito, quando lidera a lista do mais desastrado e corrupto, esqueceu
que a lista de cidades brasileiras com transporte gratuito já existe desde
2011, entre elas, Silva Jardim, Mount Carmel, Potirendaba, Paulínia,
Muzambinho, Pitanga e Ivaiporã.
Águas de São Pedro, em São Paulo, com o segundo IDH do país,
é uma estância hidromineral, que não recebe um pingo de royalties, mas vivendo
apenas do turismo consegue índices fabulosos, inclusive com transporte
gratuito.
Porto Real, no Rio de Janeiro, não apenas aboliu a tarifa de
R$ 0,50 por trajeto, em 2011, como aumentou as linhas de ônibus que atendem o
município. Outra cidade brasileira a adotar o sistema é Agudos, no interior de
São Paulo, próxima a Bauru. A gratuidade também foi implantada em 2011, quando
se extinguiu a tarifa de R$ 2,40 e, desde então, o uso dos ônibus aumentou em
mais de 60%.
Os brasileiros,entre a esperança e o medo
Basta sair por estes dias na rua e falar com as pessoas –algo muito simples
entre os brasileiros, sempre dispostos a contar sua vida– para perceber que o
Brasil se movimenta nestas eleições entre dois sentimentos contrapostos: a
esperança e o medo. Esperança de melhorar a vida, como ficou claro na última
pesquisa do Datafolha, que revela que 74% dos brasileiros desejam que as coisas
mudem. Não se conformam com o que têm.
Esse sentimento traz implícito um forte desejo de melhoria
em todos os níveis, não só material, mas, por exemplo, também a ampliação da
democracia. É como se dissessem que "é possível melhorar nossa qualidade
de vida". Significa também que os brasileiros se tornaram mais exigentes
com seus governantes. Já não aceitam tudo passivamente, como no passado,
aprisionados por uma atávica resignação, triste herança da escravidão.
A esse sentimento, a esse grito por melhorias e de esperança
em um futuro imediato –que os pais de milhões de brasileiros desejam para os
filhos– se opõe uma sensação de amargura e desencanto, como se perguntassem:
"Quem nos oferece hoje essa esperança de algo melhor?" Ou o terrível
e não verdadeiro "todos são iguais".
Até agora o debate eleitoral estava
mais centrado justamente no que os brasileiros não queriam: a briga entre os
candidatos; aquilo do "e você é mais" (ou seja, mais corrupto, mais
mentiroso), que dava uma sensação mais de medo do que de esperança.
Não é nenhum segredo que os brasileiros –incluindo os
milhões de famílias que saíram da miséria e não só não passam mais fome, mas
têm até televisão de plasma– estão insatisfeitos com seus governantes. Não que
sejam ingratos, que não reconheçam que o Brasil melhorou nos últimos 20 anos,
mas não são bobos e sabem que neste país rico se desperdiçam bilhões que são
diluídos nos rios sujos da corrupção; que as pessoas ganham mais do que ontem,
mas que a inflação galopante chegou até elas como um autêntico assaltante que
lhes exige voltar a repensar a compra ao ir ao mercado; que lhes dá medo de
pedir um novo empréstimo por medo dos juros, que estão entre os mais altos do
mundo e que já endividaram 50% das famílias.
sábado, 4 de outubro de 2014
Dizer não
Diz NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade
dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto
arbitrário dos outros.
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.
Vergílio Ferreira
Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios.
Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de “elitismo”, mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude.
Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação.
Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo.
Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela.
Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos.
Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor.
Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue.
Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal.
E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade.
Vergílio Ferreira
Dilma e o voto que vem pelo Correio
“Isso é um absurdo,
pô”. Você pensa que a presidente da República está indignada com o
aparelhamento e uso de uma empresa estatal para trabalhar na campanha de sua
reeleição?
Nem que a vaca tussa. A presidente não está indignada com o
fato, mas com a divulgação do fato, que ela atribui à “proximidade da eleição”.
Mas nem é uma denúncia da oposição nem de seus adversários. É a exibição pura e
simples de um vídeo onde um deputado petista se vangloria do “dedo forte dos
petistas dos Correios” na virada das
intenções de voto dos candidatos do partido a presidente e a governador.
No centro da mesa do evento filmado, impávido e colosso, o
presidente da estatal, Wagner Pinheiro, que mais tarde divulgaria sua
indefectível nota oficial desmentindo que os Correios estejam favorecendo
alguém.
O PT costuma alegar “falta de provas” em qualquer caso de
denúncia de malfeitos do partido, e pelo que se vê, o partido nao aceita nem as
provas que ele mesmo produz.
Assim realmente fica difícil cumprir uma das tarefas
fundadoras do PT, que é a de empunhar a bandeira da ética na política. Nao
importa que a bandeira esteja um tanto esgarçada pelo mau uso que foi feito
dela, desde que algumas pessoas ainda acreditem
nela-ou pelo menos deixem de considerá-la importante, já que “todo mundo faz a
mesma coisa, nao é mesmo?”.
Mas se ninguém se incomoda em nivelar a prática política por
baixo, nem mesmo o PT, que supostamente nasceu para nivelar por cima, será preciso
acreditar em outra coisa, para diferenciar o partido dos outros.
A temporada festejada de inclusão social não teria começado
sem a estabilidade econômica, e isso é consenso entre todos as pessoas sérias,
e embora o PT tenha votado contra ela, se assenhorou de todos os frutos da
árvore, que ele não só não ajudou a plantar, como apedrejou o quanto pôde.
Lula, o palanqueiro, disse em um comício recente, ao
comentar as oscilações da Bolsa em função das pesquisas eleitorais, que ele
“nunca pediu votos ao mercado”. Claro que a platéia que o ouvia pode ter ido ao
delírio, porque a excitação coletiva com frases de efeito faz parte da prática
populista, e ninguém naquele ambiente teria o mau gosto de lembrar que ele só
ganhou as eleições de 2002 depois de acalmar o mercado com a “Carta ao Povo
Brasileiro”, onde o programa do PT foi sepultado para descansar em paz.
Na propaganda eleitoral muito pouco fraterna, o PT destruiu
a ex-companheira Marina, dedicando-lhe a acusação de “neoliberal”, que no
dialeto das esquerdas pós-modernas é algo pior do que “lacaio do imperialismo”
na segunda metade do século passado.
Não importa que não
haja nenhuma semelhança entre o que o PT diz e o que ele faz. Afinal, a alma
daquele partido que muitos idealistas adotaram por ser “diferente de tudo que
está aí” já morreu e o corpo espera uma extrema unção digna.
Sandro Vaia
O silêncio dos 'inocentes'
Em meio ao foguetório eleitoral, num berço esplêndido, há
quem se finge de morto, mas está mais vivo do que nunca. Passa despercebido
nessa corrida um partido do qual pouco se fala, mas pode vir a ser novamente
coadjuvante mesmo que o PT diga adeus à presidência.
Os dados já sinalizam quem será o grande vitorioso das urnas
e o maior derrotado. O Oscar irá mesmo para o PMDB, que deve praticamente
governar a maior parte do país com nove governadores e a maior bancada na
Câmara. É quase um replay de 1974, quando o então MDB, em plena ditadura,
humilhou a Arena.
Se em 2010 o PT elegeu cinco governadores inclusive de
colégios eleitorais de peso. Não repete o feito e sua para não passar vergonha.
Com 17 candidatos aos governos e só aparece com chances de vitória no Piauí,
Acre e Minas Gerais. Também não conseguirá manter os 88 deputados, podendo
ficar até um terço menor.
O PT realmente não é o mesmo motivador de massas. Não é à
toa que candidatos de coligações estejam escondendo a cor e os símbolos do
companheiro. Está virando um sapo indigesto.
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
‘Não tem Coronel aqui. Quem manda é o povo!’
Gesto deselegante, para dizer pouco, e nada democrático, como costuma ser a atitude petista que atropela tudo para ser o vencedor. No caso, eleger a mulher do prefeito à Alerj, o que está sendo repudiado pela população. E assim o PT vai engolindo o país com suas safadezas e pilantragens.
Licença para enganar
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um
vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica.
Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo
que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o
sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais
desinformadas?
Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas
afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o
Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o
pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de
setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.
Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a
campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem,
não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos
emocional.
E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal. Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.
Arremedo de democracia
Nem a Folha de S. Paulo, que publicou a entrevista na última
segunda-feira, nem os demais veículos de comunicação deram importância ao que
disse Benjamin Steinbruch, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo
e dono da Companhia Siderúrgica Nacional, sobre a eleição presidencial do
próximo domingo.
A certa altura da entrevista, o repórter Fernando Rodrigues
perguntou em quem Steinbruch votaria. O poderoso industrial respondeu:
- Não sinto necessidade de revelar. Meu voto é a favor das
mudanças. Se a presidente Dilma propuser mudanças com relação ao futuro do
Brasil, ela tem chance de ter o meu voto. Se a candidata Marina propuser
mudanças, ela tem a possibilidade de ter o meu voto. Assim como o Aécio.
Rodrigues insistiu:
- Se um empresário como o senhor revelar o voto no Brasil,
pode sofrer perseguição?
A resposta foi espantosa, a se levar em conta que vivemos
numa democracia e que as pessoas são livres para votar em quem quiser:
- Com certeza. Pode.
Rodrigues foi adiante:
- Se disser que vota em Marina e ela perder a eleição, o
senhor acha que poderia ser perseguido?
- Acho que sim. O empresário brasileiro e o banqueiro são
tremendamente dependentes do governo. Lá fora você não tem essa necessidade de
ter a boa vontade do governo. Aqui, só o BNDES te dá financiamento de longo
prazo com carência.
Quer dizer: se o presidente da República não for com a sua
cara, o BNDES lhe fechará as portas.
Temos um arremedo de democracia – a verdade é essa. E a democracia entre nós é tanto mais fraca quanto maior é a determinação dos donos do poder de não abrir mão do poder.
Chantagem de prefeito
Já asfaltei muito. Mas vou asfaltar toda Maricá. Vou fazer ainda mais pela cultura, pela educação, pela segurança. Vou construir o novo hospital. Mas para isso preciso de seu voto para eleger Zeidan para a Câmara estadual e Fabiano Horta para federal.
(Gravação do prefeito Quaquá em carro de som circulando há dois
dias pela cidade. Embutida a chantagem de que se não forem eleitos seus
candidatos petistas não serão cumpridas as promessas. Aliás, que sequer foram
cumpridas ainda)
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Mercado sinaliza temporada difícil para Dilma
Ações da Petrobras caíram 11% nesta segunda, num recado claro de que os agentes financeiros esperam muito de um eventual Governo “Dilma 2.0”, que precisará ser mais pragmático
O comportamento de cavalo selvagem desta segunda lembrou o
período pré eleitoral de 2002, quando o ex-presidente Lula liderava as
pesquisas, e a bolsa de valores oscilava de modo descontrolado, assim como o
câmbio, que chegou a 4 reais quando seu nome foi confirmado nas urnas. Embora
alguns indicadores fundamentais sejam até melhores do que há 12 anos, o cenário
para uma repetição de Dilma Rousseff é muito mais desafiador do que
naquela eleição, acredita a economista Zeina Latif. “Naquele ano havia o medo
do que havia por vir. Agora, a história é outra, pois a credibilidade do
Governo está muito abalada, dizendo inclusive que tudo está muito bem”, diz
Latif. “Pois se está tudo bem é como se achassem que não há ajustes a serem
feitos”, completa.
Vale a pena votar domingo?
É preocupante e assustador o desleixo com que tratamos a nosso passado recente – e essa incapacidade de refletir sobre a história. A mudança depende somente de nós, de nosso engajamento.
Por uma dessas coincidências, as eleições de domingo ocorrem
no exato dia em que comemoramos 26 anos de promulgação da Constituição vigente,
cujo ordenamento jurídico pôs fim efetivo à nunca por demais execrada ditadura
militar brasileira, que até hoje permanece assombrando a nossa frágil e débil
democracia. Das oito da manhã às cinco da tarde, parte expressiva dos 140
milhões de eleitores aptos a votar, cerca de 70% do total da população, deverá
se apresentar às urnas eletrônicas, exercendo o direito de escolher seus
representantes no Poder Executivo e Legislativo estadual e federal (se o voto
deve ser facultativo ou continuar obrigatório é uma discussão que não cabe aqui
e agora).
O quadro que se pinta não é dos mais animadores, certamente.
Em São Paulo, que, concentrando um terço do Produto Interno Bruto (PIB)
nacional, é tido como o estado mais parecido com o modelo econômico-social que
desejamos aperfeiçoar e exportar para o resto da Federação, encontramos
candidatos cujo deboche pela política aparece no próprio nome com que se
apresentam ao eleitor. Eis algumas bizarrices, pinçadas ao acaso, entre
postulantes a deputado federal: Obama Brasil, Toninho do Diabo, Carlão do Doce,
Macaco Tião Cláudia, Rique O Tchê-Tchê, Doutor Verme, Meu Querido, Mick Jagger
do Brasil, Valmir Olho de Lobo, Newton – O Homem do Chapéu, e outros, e muitos.
Neste ano, em que completam-se 50 anos do golpe que instalou os militares no poder, temos assistido a uma profusão de manifestações autoritárias a nos lembrar que estamos longe ainda de constituirmos um sólido estado de direito. Apesar de realizarmos a sétima eleição direta consecutiva para a Presidência da República – o maior período de democracia de toda a história política do Brasil –, superando traumas (como o impeachment de Fernando Collor) e preconceitos (como a investidura de um ex-metalúrgico e de uma ex-guerrilheira), o pensamento prepotente cavalga pelas ruas e avenidas e, principalmente, pelas redes sociais.
Cospe no prato que paga com fortunas
“A gente agora vai mostrar pra essa elite, dessa Rede Globo, pra essa cambada de elite arrogante, que o povo brasileiro sabe o que quer!"
Companheira de Quaquá, prefeito de Maricá, em fiasco de
comício com militância de aluguel, repete a costumeira petista lengua-lengua
contra a Rede Globo, só esquecendo que o próprio governo municipal paga
fortunas para a mesma rede de televisão, através da propaganda “Direto de
Maricá”, em horário nobre da mesma emissora, divulga as "maravilhas' em
que transformou o município.
Assim são os petistas, pagam fortunas para apresentar
grandes obras e depois atacam a mesma mídia de que se utilizam com farto
dinheiro público.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
A lista dos perigos
Tenho vontade de registrar este texto em cartório, para
depois mostrar aos eleitores da Dilma
O que acontecerá com o Brasil se a Dilma for eleita?
Aqui vai a lista:
A catástrofe anunciada vai chegar pelo desejo teimoso de
governar um país capitalista com métodos “socialistas”. Os “meios” errados nos
levarão a “fins” errados. Como não haverá outra “reeleição”, o PT no governo
vai adotar medidas bolivarianas tropicais, na “linha justa” de Venezuela,
Argentina e outros.
Dilma já diz que vai controlar a mídia, economicamente, como
faz a Cristina na Argentina. Quando o programa do PT diz: “Combater o monopólio
dos meios eletrônicos de informação, cultura e entretenimento”, leia-se, como
um velho petista deixou escapar: “Eliminar o esterco da cultura internacional e
a “irresponsabilidade “da mídia conservadora”. Poderão enfim pôr em prática a
velha frase de Stalin: “As ideias são mais poderosas do que as armas. Nós não
permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que
tenham ideias?”
As agências reguladoras serão mais esvaziadas do que já
foram para o governo PT ter mais controle sobre a vida do país. Também para
“controlar”, serão criados os “conselhos” de consulta direta à população,
disfarce de “sovietes” como na Rússia de Stalin.
A solidez fiscal se desmancha no ar
O que está acontecendo nas contas públicas é gravíssimo. A
solidez fiscal necessária para sustentar a estabilização da economia está se
desfazendo. Se alguém tinha alguma dúvida, o dado que acaba de ser divulgado
pelo Banco Central eliminou todas elas: quatro meses de déficit primário! É um
déficit gigante, o maior de que se tem registro. Quando a conta é feita em 12
meses, o superávit primário é menor do que o necessário, mas ainda é
apresentável. Mas o dado do ano é lamentável, de apenas 0,3%, mesmo com os
truques como os dividendos maiores de empresas estatais, que desconsidera a
necessidade de investimento delas.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
A sociedade foi a grande ausente do debate
Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?
Por incrível que pareça, a palavra “educação” não foi
pronunciada nem uma vez em todo o debate.
Será que os candidatos pensam que o Brasil poderá um dia
sair de seu atraso, que os filhos da nova classe média vinda da pobreza poderão
construir um país melhor, mais moderno do que aqueles em que seus pais viveram
– muitos deles ainda hoje vítimas do analfabetismo –, sem uma mudança radical
no ensino?
Será que os candidatos pensam que a educação é um assunto
que não dá votos e por isso não vale a pena perder tempo com ele nos debates?
E, no entanto, os países cujas sociedades hoje desfrutam de
melhores condições de vida, e que se desenvolveram economicamente e socialmente
com rapidez, foram os que souberam colocar a educação no centro nervoso do
interesse público.
Será que os candidatos à Presidência não sabem que o Brasil,
que aspira ser líder no continente, ainda aparece entre os últimos na lista
mundial de qualidade de ensino?
A fantasia da vez
Em meio à
tempestade de corrupção que flagela o país, com a revelação de que os
integrantes das quadrilhas frequentavam livremente os poderes da República, eis
que como um relâmpago surge uma nova personagem de HQ em pleno Planalto.
Ninguém esperava que em um passe de mágica a presidente se transformasse
rapidamente na SuperDilma, a justiceira contra a corrupção.
Só mesmo como
uma gozação se pode encarar a palhaçada marqueteira que a presidente virou uma
justiceira. Isso depois de conviver durante anos com os criminosos e até mesmo
convidar alguns para festa de aniversário, receber em palácio, etc.
Dilma se
presta para qualquer fantasia que a campanha exija. Tudo em nome da enorme fome
de poder. Não será nada para o bem do povo e felicidade geral da nação que quer
repetir o “Fico”.
Engavetou de novo
Em país sério, os candidatos apresentam suas propostas para
serem debatidas, discutidas.
No Brasil, quando apenas uma candidata faz o correto, o que
se espera de seriedade, chovem abutres para distorcer cada item em proveito
próprio. Longe de mostrarem ao eleitor suas metas, indicarem mesmo possíveis
assessores, vê-se gente em palco como se comportando como se estivesse numa
rinha. O importante é bater. No caso, esculhambar o máximo possível com o adversário, mentir,
mentir, mentir.
Os marqueteiros, com aval de candidatos gananciosos de poder
- aplaudindo - destroem o debate democrático em prol das artimanhas
publicitárias. É o conluio da arte de enganar.
Os políticos até se acham num picadeiro. Deixam de lado o
debate, pois não interessa que mostrem suas ideias, base de uma política de
Estado, que verdadeiramente está em discussão. Preferem os tais programas de
governo que nada são do que meros papeluchos rasgados e enfurnados no lixo na
primeira oportunidade.
É por temer ataques arrasadores, que despencariam sua
escalada eleitoral, e também por não ter política de Estado sequer esboçada que
Dilma resolveu engavetar todas as propostas preparados pelo próprio partido
como em 2010. E repete o feito preferindo levar os eleitores no bico.
A engavetadora foge ao debate a que nunca foi afeita,
inclusive por seu viés ditatorial, para contar com a mãozinha salvadora do guru
João Santana, mestre em ilusionismo. Assim terá mais quatro anos para fazer o
diabo no governo com toda a arrogância de santinha do pau oco - onde não por
acaso se escondem todos os escândalos - acobertando com propaganda seus
malfeitos.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Pobre país
Dilma e o pacto com o diabo
Campanhas eleitorais costumam ser mais emoção do que razão.
São sempre criticadas por não se aprofundar em temas urgentes, por abusar dos
ataques e contra-ataques. Mas nunca antes na história deste país uma campanha
foi tão infame e deseducadora. O retorno da presidente Dilma Rousseff à liderança
isolada da disputa depois de artilharia intensa – tendo a mentira como
principal arma – não deixa dúvidas. Corrobora com a maquiavélica tese do vale
tudo, de se fazer o diabo.
Marina Silva foi bombardeada por Dilma e Aécio Neves. Mas
até o capeta se assustou com a tática usada pelos petistas para desconstruí-la.
De uma hora para outra, a ex-ministra de Lula virou
defensora do capital e dos banqueiros, companheira de tucanos neoliberais que
querem aniquilar com as estatais, acabar com o Bolsa Família e com a CLT.
Vencida a primeira batalha, a campanha de Dilma tratou de
proteger o flanco que poderia sangrá-la: a roubalheira na Petrobrás, que
começou a ganhar forma e endereço com a delação premiada de Paulo Roberto
Costa.
Especialistas em transformar os males que os afligem em
virtudes, os petistas rapidamente produziram uma nova Dilma contra a corrupção.
Não aquela Dilma-faxineira que chegou a fazer sucesso no primeiro ano de
mandato e que sucumbiu. Outra personagem, desta vez encarnando a líder no combate
à impunidade.
Há duas semanas, em todas as entrevistas e discursos –
incluindo a fala eleitoral na abertura da Assembleia da ONU –, Dilma empunha a
bandeira anticorrupção. Na sexta-feira, prometeu endurecer contra agentes
públicos que prevaricam, além de reformar a Justiça e criar leis para facilitar
a perda de bens adquiridos de forma ilícita.
Medo de perder conquistas favorece Dilma
Apesar de 70% dos brasileiros afirmarem que querem “mudar”, na hora de votar, o conhecido inspira mais confiança
Nem sempre a História se repete. Nessas eleições, por
exemplo, está acontecendo o oposto do que ocorreu em 2002, quando Luiz Inácio
Lula da Silva conquistou a Presidência da República.
Naquela época, os brasileiros tinham medo de Lula. Era a
esquerda que chegava ao poder e o sindicalista havia ganhado com a estratégia
de “vencer o medo com a esperança”.
Hoje, o PT trouxe de volta às eleições aquele medo que tinha
impedido Lula de vencer três vezes a disputa pelo cargo. E, ao contrário do que
houve antes, a arma de difundir entre os eleitores de classe baixa o medo em
relação à candidata rival, a ambientalista Marina Silva, apresentada como a
amiga dos banqueiros, a preferida pelos ricos e aquela que poderia retirar dos
mais pobres o que já conquistaram, está dando resultados positivos para Dilma
Rousseff.
A já mítica classe C, formada por esses mais de 30
milhões de brasileirosque conseguiram saltar a linha da pobreza e passar para o
mundo do consumo, aparece ainda, de maneira geral, sensível ao medo de perder o
que já conquistaram.
Apesar disso, os filhos dessas famílias, que já estudaram,
são mais críticos que seus pais e já demonstraram, durante as manifestações de
2013, que querem não só programas assistenciais, mas melhorias estruturais para
poderem dar um verdadeiro salto social.
Esse medo de perder as conquistas sociais está,
efetivamente, dando resultados entre os eleitores dos estados mais pobres como
os do Nordeste, para os quais a maioria dos debates eleitorais teóricos, como
os da independência do Banco Central, o maior ou menor crescimento do PIB e a
flutuação cambial do dólar têm muito menos importância do que a vida real das
famílias.
domingo, 28 de setembro de 2014
Petrolão para todos
Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar
Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa
brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto
Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir
o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar
a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em
cana. E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do
mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os
comparsas.
Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da
tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela
cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista
está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor
marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas.
Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer
entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os
bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai
sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros
nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém
mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as
relações certas).
Debate de propostas se perde em ataques e escândalos
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| Debates se tornaram ringues de dois contra uma, a única a fazer certo |
Com tom da campanha cada vez mais agressivo e centrado em
ataques mútuos entre os candidatos, discussão sobre o conteúdo dos programas de
governo é deixada de lado. Quem perde é o eleitor.
Com as pesquisas de intenção de voto indicando uma disputa
acirrada, a campanha eleitoral deve ficar ainda mais agressiva nos próximos
dias, à medida que se aproxima o primeiro turno. Esse foco nos ataques pessoais
e na tentativa de desconstruir adversários ofusca, porém, o debate construtivo
de propostas para solucionar os problemas do país.
Especialistas avaliam que o conteúdo programático foi pouco
debatido até aqui e alertam: essa situação não deve mudar – ao contrário, a
agressividade vai aumentar ainda mais no segundo turno.
"A campanha tem ficado em acusações. Se discute o medo,
a incompetência ou a experiência, mas não os projetos para o Brasil: política
econômica, questão trabalhista e previdenciária, a retomada do crescimento, os
programas sociais. É um debate cifrado, pobre e incompleto", diz o
cientista político Antonio Carlos Mazzeo, da Unesp e da PUC-SP.
"A disputa será mais acirrada, e os ataques vão piorar.
Isso é ruim para a democracia e para o eleitor", opina o historiador e
sociólogo Marco Antonio Villa.
Um fator até mesmo curioso e que dificulta a possibilidade
de debate de propostas entre os candidatos é a falta de programas de governo
disponíveis para consulta do eleitor.
Até agora, Marina Silva (PSB) foi a única dos três
principais candidatos a apresentar uma versão final do seu programa de governo.
Entretanto, enfrentou graves críticas por ter recuado em alguns pontos do
documento, como os direitos LGBT e a política energética.
Já Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) entregaram documentos
genéricos no início de julho, com a promessa de divulgar a versão detalhada e
consolidada até as eleições, o que ainda não ocorreu.
sábado, 27 de setembro de 2014
O valor da resistência
A mentira como método
Vaidosos, nós nos cremos os únicos capazes de lavrar, caminhar e gravar os nossos traços de Narciso; e, quando ouvimos a voz tácita das coisas, a sufocamos rapidamente sob a imundície das nossas insensatas disputas sem valor.
Michel Serres
Mentir, engambelar, imputar aos adversários o que não
falaram, citar dados errados, esconder outros. De tudo praticar, mesmo
eticamente incorreto, vale quando se trata de garantir mais uma gestão de
permanência no governo para manter a meta de 20 anos no poder, como determina a
cartilha ditatorial do PT.
O corolário de atitudes descreve bem o caráter de uma
candidata que se diz do povo, quando na verdade é o maior exemplo de que a dominação
a qualquer meio, mesmos ilegais, é válida e deve ser incluída na agenda da
corrida eleitoral.
Nunca uma candidata ou candidato conseguiu reunir numa
campanha tantas mentiras e factoides como Dilma, que só não consegue mesmo
superar a própria arrogância de querer ser o que nunca será. Aquela que foi
estrelada pelo poder hoje se acha acima do bem e do mal, imaculada a receber
beijos como santa. Dilma trafega incólume, como vestal, em meio ao lodaçal
criado pelos próprios companheiros com um nada vi, um nada sei.
É patética a figura presidencial maquinando dados a favor,
quando tudo indica a péssima administração, e o conluio com um comissariado e
uma politicalha cretina, medíocre. Em palanques apregoa sua luta pelos pobres e
famintos, quando no trono arquiteta as maracutaias que possam favorecer
empresas muy amigas, os conglomerados bancários, os cofres partidários.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Por que será?
Ricardo Noblat
A semana do homem
O homem vem a este mundo para lutar:O escravo pela sua liberdade, o livre pela sua perfeição Yane Sandanski
O primeiro dia é para nascer e crescer lutando,
o segundo para trabalhar e sofrer lutando,
o terceiro para amar e odiar lutando
o quarto para acreditar e duvidar lutando,
o quinto para destruir e construir lutando,
o sexto para escrever e suar lutando,
o sétimo para cantar e cair lutando,
o oitavo para levantar-se e avançar lutando,
o novo para viver e morrer livre
Rumen
Stoyanov
Dilma sabia de irregularidade desde 2009
Denúncia foi repassada à CGU, que alegou falta de pessoal para investigar
A CGU apenas requereu informações da Petrobras sobre os
indícios de superfaturamento apontados em auditorias do Tribunal de Contas da
União (TCU) e mandou o processo ao arquivo em janeiro de 2014, sem qualquer
avanço. Outro processo havia sido arquivado pela CGU em 2012. Ontem, o Palácio
do Planalto afirmou que a CGU “acompanha” as deliberações do TCU e as
providências adotadas pela Petrobras.
A CGU deu duas justificativas para arquivar o processo que
tem como origem informações levadas a Dilma. A primeira foi o “avanço físico”
das obras em Pernambuco, com 80% da refinaria construída até o dia do
arquivamento. A outra foi uma nota informativa elaborada pela área técnica da
CGU responsável por acompanhar os processos da Petrobras.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Lembrou algum país?
Formalmente, Cingapura é uma democracia. Na prática, nem um
pouco. Qualquer crítico do governo se arrisca a um processo criminal, pesadas
multas, processos por calúnia, ameaças e cadeia. O líder do partido
oposicionista certa vez disse eufemisticamente que o governo estava metido em
negócios escusos. Foi processado. (...) Críticos ou políticos iniciantes em
Cingapura são perseguidos nos tribunais com zelo fanático, processados com uma
severidade que os leva à falência. Os juízes são nomeados pelo governo e o
obedecem cegamente. Destruídos financeiramente, os políticos de oposição não
conseguem disputar eleições – mal conseguem viver.
Paul Theroux
Você viu Lula por aí?
Localizar Edison Lobão, ministro das Minas e Energia,
desaparecido desde que Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, há mais de
um mês, citou seu nome como envolvido no escândalo que abala a empresa e o
governo?
Ou localizar Lula, que mora em São Bernardo do Campo, São
Paulo, e tem sido visto com frequência em compromissos das campanhas de Dilma
Rousseff, candidata à reeleição, e de Alexandre Padilha, candidato ao governo
paulista?
Depende de quem esteja à caça de Lobão e de Lula. À caça de
Lobão ninguém está – a não ser, talvez, algum jornalista curioso. E ainda assim
por sua conta e risco – não por encomenda da empresa onde trabalha.
À caça de Lula deveria estar a Polícia Federal. Segundo o
jornal O Estado de S. Paulo, ela tenta ouvir Lula há sete meses sobre
confissões feitas por Marcos Valério, um dos operadores do esquema do mensalão,
preso e condenado a mais de 40 anos de cadeiaa.
Valério acusa Lula de juntamente com o ex-ministro José
Dirceu ter tramado a doação ilegal de dinheiro ao PT pela Portugal Telecom. O
ex-ministro Antonio Palocci, da Fazenda, já foi ouvido a respeito pela Polícia
Federal. Negou tudo, naturalmente. E Lula?
Ora, pois sim. Lula sabe que a Polícia Federal quer ouvi-lo. A Polícia Federal
sabe que Lula sabe. Mas não o intima – como faria com qualquer mortal comum.
Espera que Lula, um dia, admita depor. E a procure.
Isso tem nome. Para dizer o mínimo, negligência, da parte da
Polícia Federal. Ou cumplicidade.
Ricardo Noblat
***
Segundo o PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve falar com a Polícia Federal após o término da eleição na avaliação da cúpula do PT. Desde fevereiro, Lula é convidado pela Polícia Federal (PF) para colaborar nas novas investigações instauradas sobre o esquema do mensalão. O medo dos petistas é de que o interrogatório seja vazado à imprensa e prejudique a tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).
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