Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem
Bertold Brecht
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| O prefeito, a mulher Zeidan, agora deputada, e Lurian Silva, filha de Lula no desfile na Sapucaí |
Sonhei que o Brasil estava sendo comido por uma gigantesca vara de porcos do mato e que eles, conversando entre si, diziam (confirmando Lima Barreto) que a nossa carne tinha a forma e o gosto de um presunto.Naquela noite, tive um sonho.
Meio século e pouco depois, vejo que cometi uma transgressão matando demais e descobri ter tido um sonho premonitório. Pois o que é essa imensa corrupção governamental senão um incesto? Um abominável autocanibalismo?
Leia mais o artigo de Roberto DaMatta
Há momentos históricos em que o melhor é que cada força política ou social se esqueça por um momento de ser Governo ou oposiçãoSeria interessante saber o que o carismático ex-presidente Lula da Silva pensa sobre o momento crítico vivido pelo Brasil e como está disposto a agir. O melhor para ele seria tentar voltar ao Governo? Com ele, especialmente em seu primeiro mandato, o país se tornou objeto da inveja mundial. O Brasil era um sonho atingível.
O objetivo dos eleitores deveria ser defender a Petrobras, protegê-la da mera instrumentalização políticaA popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) despencou nos últimos dois meses: o número dos que consideram seu governo ruim ou péssimo saltou de 24% para 44%, revelou a mais recente pesquisa do Instituto Datafolha.
Os governos agora, só agora, vão tomar medidas contra a escassez hídrica, popularmente conhecida como seca. Anuncia-se um festival de obras e consequentemente dinheiro saindo pelo ladrão no superfaturamento. Com a torneira fechada na Petrobras, eis aí uma boa cisterna para se recolher uns milhõezinhos de trocado como compensação. Enquanto não armam os canteiros de obras, se vire o mundo que nenhum deles é Raimundo.
O que sentem neste momento os trabalhadores decentes e sacrificados ao ver desfilar esta procissão de políticos emplumados saqueando o país?Em menos de dois meses os brasileiros parecem ter passado da euforia ao desengano. É o que revelam os números de pesquisa do Datafolha, que mostram uma tomada de consciência nova e surpreendente do momento político e econômico vivido pelo país. Os cidadãos negam sua confiança na presidenta da República, Dilma Rousseff, e em seu Governo, reduzindo-a a 23%, meses apenas depois de a terem reeleito. Cerca de 70% já não se sentem próximos a nenhum partido.
Lula diz que há um golpe em marcha para depor Dilma. Bobagem!
O golpe já foi dado. Por ele, Dilma e o PT ao encenarem a farsa eleitoral do ano passado.
5 de maio de 1945
Qualquer partido pode realizar qualquer programa, se as circunstâncias o permitem. Se não, não. Nenhum faz a felicidade do povo. Qualquer permite realizar o “progresso” social, se tal for possível, independente da colaboração partidária. A sociedade continua a mesma: uma caverna de ladrões, ou por outra, uma minoria privilegiada vivendo a expensas de uma maioria espoliada.
A espoliação da maioria, levada livremente a cabo, favorecida até pelos poderes públicos e em grande parte realizada por esses mesmo poderes, toca ao auge no Brasil deste momento. O afã de lucro, a ânsia de enriquecer de um dia para o outro, não deixa o mínimo escrúpulo na consciência dos industriais, açambarcadores, câmbio-negristas, advogados administrativos, capitalistas em geral e toda a caterva desumana da minoria gatuna que medra sob a proteção das leis. É com verdadeiro sadismo que essa corja espolia e rouba a pobre, a paupérrima população brasileira, talvez a de mais baixo padrão de vida em todas as civilizações.Eduardo Frieiro (1889-1982)