Minute Waltz Op. 64 No. 1 in D flat
sexta-feira, 2 de maio de 2014
E tá correndo o tempo!
“Temos uma corrupção desenfreada. O governo que deveria dar
exemplo está atolado na corrupção. É o governo que, se fizer o que a presidente
Dilma falou ontem, quem vai parar na Papuda é ela”.
Paulinho da Força, deputado federal, nas comemorações do 1º
de Maio, em São Paulo
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Os corruptos sentem alguma coisa?
Os políticos são capazes de ter sentimentos? E os corruptos?
A política deveria ser uma das artes mais nobres, já que sua finalidade é a
busca da felicidade dos cidadãos que depositam sua confiança em seus
representantes. É assim? Existe nela sentimentos ou só é feita de negociações
frias, compromissos, intrigas e corrupções?
Em razão das últimas denúncias contra a empresa brasileira
Petrobras, que foi orgulho mundial, temos visto nos meios de comunicação uma
verdadeira dança de cifras de milhões de dólares que em boa parte poderiam ter
acabado no bolso de quem deveria ter protegido uma empresa criada com o esforço
de milhares de cidadãos.
É uma dança de zeros que se repete a cada vez nas já
rotineiras acusações de corrupção política. Uma dança que revela o pouco apreço
que existe pelo dinheiro público, fruto do esforço cotidiano de tantos
trabalhadores e de pequenos empresários que trabalham quatro meses de graça
para o Estado para pagar impostos. Para receber o quê em troca?
Rede Pau nos Ratos
As comemorações Dia do Trabalho, tão gratas aos políticos e
governos brasileiros que transformam o feriado num bundalelê, praticamente
apagam outra data que deveria ser lembrada: o Dia da Literatura Brasileira, que
homenageia o aniversário de José Martiniano de Alencar (1829/1877). O
romancista, jornalista, advogado, cronista, dramaturgo também foi político
aguerrido e sabia bem o que dizia: “Queremos acabar com a impunidade, por isso
devemos encorajar as instituições que combatem o crime dentro da lei.”
Trabalho!?
A grande mídia, em colunas, noticiou que Lurian
Lula da Silva, a filha de Lula, conseguiu trabalho na “Maricá Já”, empresa de
comunicação e eventos de Washington Quaquá, prefeito de Maricá (RJ), e sua
mulher, Rosângela Zeidan. É interessante esse “trabalho” numa empresa que não
tem sede, endereço, registro funcional ou CNPJ, igualzinho a camelô. Será que
Lurian estaria trabalhando na informalidade ? Quem diria, filha de
ex-presidente operária informal de prefeitinho, a mais de 800km de casa!
Pouso do urubu
Depois do badalado vídeo promocional, prefeito de Maricá aproveita para visitar os locais das “grandes realizações” anunciadas. Posou mesmo no alto de Ponta Negra, local para o teleférico. Segundo promessas, tudo estará pronto até o final do ano. Quem não pode (fazer), trapaceia, já dizia o ditado velho.quarta-feira, 30 de abril de 2014
Que falta faz!
“Parece que a tendência dos políticos é para desprezar as
verdadeiras necessidades do povo, desbaratando os dinheiros públicos em gastos
desnecessários e obras de injustificada realização. O bom senso parecer ser a
faculdade que mais falta faz ao país!”
Antonio da Silva Mello (1886/1973), médico e
ensaísta brasileiro
O êxodo por um governo
Dá mesmo o que pensar o êxodo haitiano do Acre. O governador
petista, aproveitando a desgraça da cheia, humanitariamente, resolveu oferecer
melhor destino aos refugiados. E escolheu logo São Paulo, maior capital do
país, com grande oferta de empregos. Pergunta-se porque a escolha daquela
cidade e não de enviar gente para outras também capacitadas a receber
refugiados?
O gesto pareceria despercebido se não fosse a estranha
coincidência de que com a enxurrada de refugiados se criaria um problemão para
o governo paulista, adversário, e daria chance para que o candidato petista,
envolvido em suspeita de transação mal resolvida, pudesse deslanchar e aparecer
como salvador dos haitianos. Seria assim um defensor intransigente dos direitos
humanos como é o governo federal, que vem empurrando o problema com a barriga.
Mais um caso de direitos humanos que passa longe de qualquer tratamento pelos
petistas, que criam um rosário de cargos e funções no setor, mas tudo de
fachada.
Como o governo acreano não recebeu qualquer apoio federal,
do próprio partido - a presidência levou mais de 40 dias para visitar o local
da calamidade -, parece ter decidido em causa própria ajudar o companheiro na
candidatura próxima. Nada melhor para um defensor dos direitos humanos do que
despachar gente como gado para criar um abacaxi de presente aos paulistas. Com
a bomba na mão, o candidato Alkmim se veria enredado em resolver o problema
para não ficar com a pecha de um governante mal qualificado ao dar soluções
humanitárias.
A solução acreana é digna de página maquiavélica como só é
capaz a mente petista do qualquer crime por um governo.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Pensamentos (in)diferentes
A notícia é bem clara: 20% da população brasileira atual
nasceu antes de 1964. É um orgulho pertencer a uma elite, que pela idade deve
estar lá por volta dos 1o%. Somos os sobreviventes de um outro país que do alto
das suas dezenas de anos podem apreciar o antes, com o sonho, lembrar tristes o
durante do sofrimento, e o agora vivenciar uma sabedoria. Pequena e particular
mas de cada um de nós.
Claude
Louis Sangáde
Roda de samba
Carybé, pseudônimo do argentino Hector Julio Páride Bernabó
(1911/1997)
foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor,
muralista, pesquisador, historiador e jornalista brasileiro naturalizado
O boom do encalhe
Os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobras não só
afetam a imagem e os negócios da empresa. Muita gente de fora se vê num dilema
com a série de notícias envolvendo a estatal. Um dos setores atingidos é o
imobiliário, principalmente em cidades próximas a projetos da Petrobras. Não
adianta nem mais a enxurrada de promessas de governinhos petistas sobre o
petróleo como alavanca do progresso de suas cidadezinhas dominadas. A compra e
venda de imóveis, por exemplo, em cidades como Itaboraí e Maricá, ambas no Rio
de Janeiro, praticamente estancou. Se teme um encalhe ainda maior no negócio se
persistir (e parece que ainda vai durar muito) a crise na Petrobras.
Depois do boom com a descoberta dos poços do pré-sal e com o
anúncio dos governos municipais de grandes investimentos imobiliários
estrangeiros, os corretores estão em polvorosa com o número de negociações no
setor que beiram a zero. Os preços dos imóveis até subiram além da conta, em
comparação a outros municípios bem mais saudáveis sócio-economicamente, mas não
mais se vende.
Os empresários alertam para o excesso de promessas
governamentais que estão indo pelo ralo como outro grande motivo para a queda.
Isso sem contar com as revelações das farsas municipais sobre investimentos, o
que tende a piorar o panorama imobiliário.
Maricá, por exemplo, que tem anunciado investimentos
estrangeiros no setor, em parte devido às viagens de negócios do prefeitinho, com
dinheiro público, bancando agente imobiliário de negócios privados, está com as
empresas do setor praticamente às moscas. E ainda há outros voos da dupla
governamental na agenda para “vender” mais negócios da China sem qualquer
contrapartida para o município.
Recado do poder
“(...) Estamos convictos de que são culpados*. Culpados de
serem governados, é claro. Mas é preciso que vocês mesmos se sintam culpados. E
não se culparão enquanto não se sentirem cansados. A gente está cansando vocês,
é tudo. Quando estiveram exaustos, o resto vai por si”
Alberto Camus, em “Estado de sítio”
* “Preciso de culpados”, dizia o imperador em "Calígula", do mesmo autor
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Bertold Brecht
Quem me defende
Quem se defende porque lhe tiram o arao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
o mesmo parágrafo silencia
quando você se defende porque lhe tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
não lhe é permitido se defender.
Arquitetura e o poder
Aquário municipal lembra o Congresso, outro símbolo do Poder
A recente divulgação de vídeo promocional de Maricá (RJ),
essa Vila dos Patos, é um pequeno exemplo de como, através da arquitetura, o
poder resolve se implantar de vez. A apresentação de obras como teleférico, com
vista panorâmica, e aquário municipal não passam de mais uma aplicação da
arquitetura que pode estar intimamente ligada ao poder para atender aos
interesses de governo, e só dele. Bem esclarecedora sobre essa relação é a
reportagem de El País, “A arquitetura e o poder”:
“Há anos, Rem
Koolhaas declarou estar convencido de que sua sede para a televisão chinesa em
Pequim, um enorme arranha céu espetacularmente fotogênico, contribuiria para
levar o progresso e a democracia à China. Não ocorreu a ele que se já se
tem o símbolo não há necessidade de mudança. Pela mesma época, Normal Foster
concluía em Astaná, a atual capital do Kazaquistão, sua primeira interferência
urbanística na cidade: a imensa pirâmide do Palácio da Paz e Reconciliação. Bem
mais do que Nursultan Nazarbaiev – o presidente do país que, em 1997, fez
coincidir a fundação da nova cidade com o dia de seu aniversário -, Foster é o
grande protagonista da operação urbanística que quer transformar o antigo país
da estepe na primeira capital do século XXI. O último exemplo de como a melhor
arquitetura está servindo a regimes totalitários para enviar uma mensagem de
progresso adquire as formas curvas do novo edifício assinado por Zaha Hadid: o
Centro Cultural Heydar Aliyev. Construído em Bak (Azerbaijão), quer contribuir
para a modernização e, portanto, democratização, da antiga república soviética.
(...) É difícil querer vender progresso em um país governado, há 40 anos, por
uma mesma dinastia”.
A habilidade (deles)
"A habilidade específica do político consiste em saber
que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando
despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como
na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objetivos mais nobres será
expulso, exceto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o
idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além
disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a
nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à
custa do “ruído e da fúria, que nada significam”. Não podem prestar atenção a
nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja
entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos
políticos como classe".
Bertrand Russell (1872/1970)
domingo, 27 de abril de 2014
O alto risco Brasil, segundo a Alemanha
Quando faltam apenas seis semanas para o começo da grande
festa esportiva que representa o campeonato mundial de futebol no Brasil,
o ministério de Assuntos Exteriores alemão divulgou um novo relatório sobre um
tema muito sensível: a segurança que o país oferece aos milhares de turistas
que chegarão à nação para aproveitar a grande festa e, ao mesmo tempo, torcer
pelos seus times.
O relatório do ministério, em sua seção “serviços ao
cidadão”, que é lida com atenção por todas as grandes agências de turismo do
país e pelos turistas que compram pacotes de férias, oferece uma imagem
desoladora do Brasil: uma nação onde não as leis não são respeitadas e onde o
turista corre o risco de ser vítima de ladrões, sequestradores ou simplesmente
de se envolver em confrontos entre a polícia e grupos criminosos,
como aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.
Leia na íntegra
Leia na íntegra
Dez anos em queda
O Brasil é um dos países cuja indústria mais perdeu
competitividade na última década, segundo um estudo da consultoria Boston
Consulting Group (BCG) divulgado na sexta-feira. O estudo analisa a
competitividade de 25 economias exportadoras e tem como base um novo indicador
criado pela BCG para medir os custos de produção da indústria em cada país.
Ele mostra que enquanto em 2004 os custos da indústria
brasileira eram 3% menores que os da indústria americana, hoje são 23% maiores.
Com isso, estariam hoje no mesmo patamar da indústria italiana e belga e só
seriam mais baixos que os de fabricantes australianos, suíços e franceses.
Leia na íntegra
sábado, 26 de abril de 2014
Mentirinhas em promoção
A prefeitura de Vila dos Patos armou mais uma arapuca – de
muito custo e bem feita profissionalmente – para enganar os trouxas de sempre e
servir para alarde na carteira dos comissionados. São 9 minutos de vídeo
divulgado no site do governo sobre uma maravilhosa cidade, riquíssima com o
dinheiro do pré-sal, a ponto de dedicar 1 minuto da peça ao desfile da Grande
Rio, no sambódromo, falando da cidade. Mas a beleza é um saco de mentiras das
mais cabeludas, quando não de engambelações politiqueiras das mais
escandalosas.
A fantasia de estilo Second Life está à solta no vídeo
promocional para dar a sensação de um futuro mais maravilhoso do que se pode
ter em grandes cidades pelo mundo, que respeitam o cidadão. Mais ainda, a
realidade da tela sugere que tudo aquilo será feito no tempo recorde, digno de
registro do Guiness, de dois anos e meio. O infeliz que diz sim ao que vê só
pode mesmo pastar em meio à lama e ao lodaçal, porque adora engolir mentiras.
Uma que está sendo propalada inclusive é da ligação de
monotrilho, com “trens japoneses que já estão aí”, - segundo uns mais afoitos
propalam para a grandeza do prefeito - com mais de 120 km como se tal obra
pudesse ser feita nas coxas, a toque de caixa de um dia para o outro. Mais
ainda, estariam os apressadinhos em vangloriar o “trabalho” do alcunhado
prefeito divulgando mesmo os trabalhos da obra que só está mesmo na
internet.
O vídeo encanta os boçais com um toque de que tudo está
sendo feito e em pouco tempo o município sairá da lama para o primeiro mundo.
São amostras de encher os olhos: teleférico, ligação aquaviária e a urbanização
de 46 km
de costa, inclusive com um campo de golfe aberto ao público e um aquário
municipal. Tudo aparece no melhor estilo virtual sem qualquer obra começada ou
sequer estar no papel. Um vídeo, que custou os olhos da cara, para continuar a
empulhação.
Como anuncia o vídeo, esse “futuro já começou”, pois não há
qualquer referência a construção de hospitais - ao menos um, digno – nem se
fala em melhoria do fornecimento de água, tratamento das lagoas efetivo, ou
instalação de usinas de tratamento de lixo e esgotos. Afinal, a maravilha de
cidade, segundo o vídeo, não produz lixo nem cocô.
A apresentação é um corolário de engana que eu gosto. Há
referência de investimentos de R$ 500 milhões para saneamento e distribuição de
água quando ambos inexistem na cidade. Para ser ver o engabelamento dos
números, a mesma quantia foi aplicada há mais de 25 anos, em recursos privados
e públicos, no saneamento das lagoas de Araruama, que ainda continuam poluídas.
No entanto, em Vila dos Patos, a quantia é considerada fabulosa e está
resolvendo o problema. Chegam a anunciar crescimento sustentável e planejado!
Quá-quá-rá-quá-quá.
São os investimentos virtuais que tapam os olhos. O tal
saneamento não passa de instalação de canos para recolher água pluvial e
esgotos que seguirão in natura para as lagoas, o que um bom cidadão sabe que é
crime recolher as duas espécies de água num mesmo cano. E o abastecimento de
água continuará por anos ainda muito precário. Talvez se torne ainda mais
crítico com a instalação da cidade maravilha proposta na internet, uma vez que
há propaganda de criação de inúmeros condomínios residenciais.
O que o vídeo não mostra são os asfaltos recém colocados,
finos e aguados, que se rompem a qualquer chuva; as drenagens solucionadoras de
enchentes que alagam tudo em segundos de chuvisco; o péssimo recolhimento de
lixo e a falta de um aterro sanitário prometido; as servidões espalhadas no
entorno das lagoas com tubulações secas por falta de ligações; dois grandes
rios da cidade sem dragagem; a falta de calçadas dignas. Isso sem contar com as
promessas que só serviram à campanha passada como o hospital, o centro cultural
– já vai para dois anos em construção, e a escola técnica entre um colar de
outras pérolas inventadas para continuar no poder.
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