quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vocação para o crime

O Lula lutou para que o antigo PFL desaparecesse do mapa político. O partido se reinventou e transformou-se no DEM. Hoje, preside a Câmara com Rodrigo Maia e tem uma bancada de 27 deputados. Maia é o presidente da república de plantão na ausência de Temer, o titular. O ex-presidente amaldiçoou os antigos pefelistas enfurecido com a oposição que eles faziam ao seu governo. Enquanto o DEM ascende ao poder, Lula assiste o PT definhar. Dos 69 deputados eleitos, restam 59 que evitam os lugares públicos para não serem hostilizados

Nessas eleições, os petistas, envergonhados, tentam alianças para formar chapas de prefeitos nas cidades, mas encontram dificuldades porque os partidos rejeitam coligação com os candidatos do Lula. A vitrine do PT, Fernando Haddad, em São Paulo, não consegue alcançar os dois dígitos nas pesquisas que viabilizem a sua reeleição. É o pior avaliado entre todos os prefeitos do país. Deve sentir inveja de ACM Neto em Salvador que vai encarar a reeleição com mais de 80% de aprovação. Pois é, o ACM é do então PFL, o partido que o Lula queria destruir por decreto como faziam os ditadores de plantão no regime militar.


O DEM sobreviveu, deu a volta por cima e, no momento, assiste de camarote o seu carrasco pedir ajuda da ONU para não cair nas garras do juiz Sérgio Moro. Anunciar o fim de um partido de oposição em um regime democrático é uma aberração, uma atitude arrogante de quem achava que podia tudo do alto do poder. Achava-se tão soberano que cometeu o maior erro da história política do país ao escolher a Dilma para sucedê-lo.

Lula escondeu dos brasileiros por muito tempo os seus dotes antidemocráticos, só revelados quando chegou à presidência. Ao tomar conhecimento do artigo “Ato de bebericar do líder brasileiro se torna preocupação nacional”, do correspondente do New York Time Larry Rohter, logo mostrou-se um déspota. Pediu que o ministério da Justiça providenciasse a expulsão do jornalista que ofendia a sua honra de chefe de estado. O tempo mostrou que o repórter estava certo ao escrever que ele se mantinha sob o efeito do álcool mesmo nos dias de trabalho. A matéria não inibiu que Lula continuasse saboreando uma cachacinha no seu dia a dia.

Outro atributo petista, que o Lula conseguiu disfarçar ao longo do tempo, foi a vocação para o crime. Lá atrás, com a morte de Celso Daniel, o Ministério Público investigou o envolvimento de militantes do PT na trama para assassinar o prefeito de Santo André. Mas Lula logo chegou ao poder e o caso foi abafado nos tribunais. Nem bem tomou posse, viu seu governo envolver-se no primeiro escândalo: o assessor do Zé Dirceu aparece em um vídeo sendo subornado pelo Cachoeira, o contraventor goiano que virou um próspero empresário graças ao seu relacionamento com a cúpula petista. Os primeiros experimentos com a gatunagem já apontavam para uma formação de quadrilha no futuro.

De lá pra cá, o Lula nunca mais deixou de se envolver em escândalos, negando-os todos quando era questionado, até virar réu. O mais grave até então foi o do mensalão que levou à cadeia os seus parceiros mais próximos, inclusive o Zé Dirceu, artífice da sua vitória eleitoral. Nem bem os petistas tinham cumprido parte da pena surgiu a Lava Jato que acabou por descobrir os tentáculos da organização criminosa que se instalou no país sob a coordenação da dupla Dilma e Lula.

O PT, que hoje está se desmilinguido, é aquele mesmo partido que começou a fazer política denunciando os “picaretas da Câmara” e defendendo intransigentemente a ética como princípio partidário. Dez anos depois, o povo brasileiro assiste a Polícia Federal rasgar o manto da honestidade que cobria muitos dos seus delinquentes hoje na cadeia. Os abutres petistas devoraram as empresas públicas e transformaram o Brasil em um país desacreditado, com a economia sucateada, só comparado aos mais corruptos e devassos do mundo.

O povo agora torce para que o PT chafurde e desapareça na lama e da história do Brasil. A futura geração deveria ser poupada de conhecer um grupo político tão nocivo à ética e aos bons costumes.

Previdência, esta velha senhora

É inescapável a análise de longo prazo quando se pensa em mudar regras de aposentadoria. Por se tratar de um sistema que transita por 30/40 anos, tempo em que o ser humano poupa enquanto trabalha para garantir renda na velhice, projeções e previsibilidades sobre o futuro precisam estar contempladas nas regras e nos números para a conta fechar equilibrada, sem rombos (e de rombo nossa Previdência entende: o déficit do INSS somou R$ 60,44 bilhões no primeiro semestre e pode chegar a R$ 147 bilhões até dezembro e a R$ 183 bilhões em 2017. Daí a urgência em buscar uma solução). O dilema surge quando se parte para definir dois itens: 1) com qual valor e por quanto tempo é necessário poupar; e 2) qual a idade de acesso à aposentadoria.

Barbosa anuncia projeto de reforma da Previdência em 2016 - http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/barbosa-anuncia-projeto-de-reforma-da-previdencia-em-2016/:

Embora pouco se saiba dos detalhes, é óbvio que a proposta de reforma em gestação no governo vai focar esses dois itens e (a parte mais difícil) o quebra-cabeça nele inserido: definir as regras de transição de acordo com a idade e o tempo de contribuição do candidato a se aposentar. O resto são penduricalhos e privilégios que se acumularam ao longo dos anos e que precisam ser removidos para garantir direitos iguais a todos, entre eles acabar com regimes especiais para professores, militares e policiais que se aposentam mais cedo e isenção fiscal para entidades que nada têm de filantrópicas. E, ainda, definir se o trabalhador rural passará ou não a contribuir para o INSS (hoje ele é isento) e se as novas regras serão ou não aplicadas ao funcionalismo público, o que deixaria governadores e prefeitos felizes.

Quem cuida do assunto no governo tem repetido à exaustão: não haverá ajuste fiscal sem reformar a Previdência. O presidente interino Michel Temer já acertou com as lideranças do Legislativo e, tão logo seja aprovado o impeachment, a reforma da Previdência vai tramitar em regime de urgência. Que a urgência é necessária não há dúvida, mas os responsáveis pela proposta precisam ter cuidado em suas projeções, análises e definição das novas regras para evitar erros e injustiças no futuro. Mais uma vez, a análise de longo prazo é fundamental no sentido de não permitir que a necessidade do momento atropele decisões que devem ser tomadas olhando anos à frente e seu reflexo no futuro – método próprio dos sistemas previdenciários.

Vou citar, aqui, dois erros desse tipo que serviram para cavar ainda mais fundo o buraco da Previdência.

O primeiro aconteceu na China. Pressionado por uma população que não parava de crescer e já ultrapassava 1 bilhão de habitantes, o governo chinês adotou a lei do filho único em 1979, punindo pais que se aventurassem a ter um segundo filho. Como freio da explosão demográfica a decisão teve resultado: 30 anos depois 400 milhões de nascimentos haviam sido evitados. Mas os chineses passaram a conviver com outro ameaçador problema: a população envelheceu, o padrão familiar migrou para a equação “4-2-1” (4 avós aposentados, apoiados por 2 pais trabalhadores, que serão sustentados por só 1 filho no futuro). Ruinoso para a Previdência.

Resultado: em outubro de 2015 a China permitiu o segundo filho, mas a crise econômica não animou as chinesas a engravidar e o déficit da Previdência só vai crescer nos próximos anos. Em Previdência é assim: decisões surtem efeitos 30 anos depois.

O segundo erro aconteceu entre nós, mais exatamente em 2011, primeiro mandato de Dilma Rousseff. No açodamento desarvorado e inconsequente de fazer a economia girar à força, Dilma decidiu substituir a contribuição previdenciária de 56 setores econômicos por um imposto sobre o faturamento das empresas. Trocou 100 por 10 e a arrecadação ao INSS desabou no precipício, enquanto despesas com aposentadorias e pensões dispararam e o rombo da Previdência foi à lua. Em setembro de 2015 o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy corrigiu a burrada em parte, elevando as alíquotas do imposto de 1% e 2% para 2,5% e 4,5%. O jeito, agora, é a reforma revogar a burrada. Novamente, decisões de conjuntura aplicadas à longeva Previdência só podem mesmo dar em fiasco.

Suely Caldas

Imagem do Dia

Alessandro Gottardo 

Ministro denuncia falência do Supremo, e ninguém diz nada

É certo que vivemos em um mundo virtual, em que as pessoas acima da faixa de pobreza passaram a viver acopladas a seus computadores ou celulares, em conexão a alguma rede e trocando informações incessantemente. À primeira vista, essa nova situação social poderia indicar que está a ocorrer um aprimoramento intelectual da sociedade. Afinal, se existe essa facilidade de comunicação e troca de informações, é claro que a transmissão do conhecimento também teria de se ampliar. Mas as aparências sempre enganam. Na verdade, é mais provável que esteja acontecendo um retrocesso intelectual, a partir da robotização e idiotização da sociedade automatizada, conforme anteviu o genial escritor inglês George Orwell (que nasceu na Índia e se chamava Eric Arthur Blair), em sua obra “1984”.


Vejam bem o que está ocorrendo no Brasil e tirem suas conclusões. Na terça-feira à noite, o ministro Luís Roberto Barroso, com total conhecimento de causa, anunciou publicamente a falência operacional do Supremo Tribunal Federal, mas os jornais publicaram a notícia sem maior destaque, nenhum deles abriu manchete e houve até sites e portais que preferiram dar mais importância ao possível aumento salarial dos ministros do STF, vejam a que ponto de esculhambação e omissão chegamos.

É como se a denúncia de Barroso não tivesse importância, fosse apenas mais um comentário despretensioso sobre assuntos internos do Judiciário, que interessam exclusivamente aos magistrados e não têm maior interesse para os demais brasileiros. Ou seja, a grande mídia não percebe que a falência do Supremo significa a própria derrocada da Justiça em nosso país.

Além da modesta cobertura da imprensa para tão grave notícia, a repercussão do fato nos três Poderes da República simplesmente não existiu. O presidente da República não fez qualquer comentário, porque a grande preocupação no Planalto nesta quarta-feira foi a presença da primeira-dama Marcela Temer em sua primeira cerimônia oficial em palácio.

No Congresso, também não houve repercussão. Foi como se nada tivesse acontecido. Tanto assim que o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes, preferiu tratar da questão do aumento salarial dos ministros do Supremo, ao invés de colocar em discussão a falência operacional da mais importante corte do país.

E no Supremo a denúncia de Luís Roberto Barroso também passou despercebida. Não houve nota oficial do presidente Ricardo Lewandowski e nenhum dos outros ministros se animou a comentar a gravidade da crise do tribunal.
O que se esperava, num país minimamente sério, é que as autoridades dessem importância à denúncia e passassem imediatamente a discutir um projeto de emergência, destinado a restabelecer as condições operacionais do Supremo, no mais curto espaço de tempo.

O ministro Barroso até adiantou o que precisa ser feito e que depende de emenda constitucional ou lei complementar: 1) acabar com o foro privilegiado; 2) atribuir ao Superior Tribunal de Justiça o julgamento final das ações penais, liberando o Supremo dessa obrigatoriedade.

Outras providências sugeridas por Barroso dependem do próprio Supremo, como a edição de “repercussões gerais” (orientações técnicas aos outros tribunais). Atualmente, há 320 repercussões gerais à espera de decisão do plenário do STF, que só conseguiu julgar 11 no primeiro semestre deste ano.

“Fiz a conta apressadamente: faltam 14 anos e meio para julgar todo o estoque. Jurisdição que é prestada em 14 anos é evidentemente negação de jurisdição. Não é possível que só eu esteja aflito com isso”, disse Barroso.
Não adianta alegar que a denúncia do ministro trata de questões já conhecidas. O fato concreto é que o Supremo entrou em colapso operacional. Para se ter uma ideia da situação, basta dizer que o decano Celso de Mello leva, em média, 679 dias para publicar os acórdãos que relata. Isso significa que o Supremo precisa urgentemente estabelecer prazo fatal de publicação dos acórdãos, para que enfim possam ser cumpridos. De que adianta julgar e não cumprir? Esta situação é inaceitável.

A denúncia do ministro Barroso tem a máxima importância, porque demonstra que está garantida a impunidade da maioria dos parlamentares envolvidos na Lava Jato. Como o Supremo não tem condições de conduzir o grande número de inquéritos e processos, a tendência é de que esses políticos corruptos continuem se elegendo, porque o Supremo não conseguirá julgá-los e seus crimes acabarão prescritos, como recentemente aconteceu com o senador Jader Barbalho.

Não há dúvida de que esse direito à impunidade, garantido pela letargia do Supremo, é um dos mais graves problemas do país. Barroso cumpriu seu dever, ao fazer a denúncia. Mas quem se interessa? Que país é esse, Francelino Pereira?

'Novo mundo', mas não para os pobres

O legado da Rio 2016 trará poucos benefícios para a população mais carente - esse é o tom de diversas reportagens críticas sobre a Rio 2016 que circulam na imprensa internacional nesta terça-feira.

Já um outro artigo sobre os "brasilionários" olha para um lado menos conhecido das obras realizadas no contexto dos Jogos: a relação entre as empreiteiras e as poderosas famílias que as controlam e os recentes escândalos de corrupção.

O britânico Guardian dedica a capa de seu caderno 2 a uma coletânea de diários escritos ao longo de um ano por três jovens moradores das favelas do Alemão, Rocinha e Maré. Uma das frases destacadas é: "Espero que os Jogos Olímpicos terminem logo, porque o único legado será a repressão, a militarização e a guerra."

Em seus textos, os jovens relatam um cotidiano de violência, mortes nas mãos de policiais e traficantes, negligência e abandono.

No site da rede de TV americana ABC, uma reportagem dá voz a ativistas de direitos humanos segundo os quais a proximidade dos Jogos trouxe um "aumento alarmante" no número de mortos pela polícia carioca.

Para a organização Anistia Internacional, os policiais estão fazendo uma "limpeza" antes do evento que colocará a capital fluminense sob os holofotes do mundo nas próximas semanas.

Citando uma reportagem da BBC no ano passado, a rede ABC observa que associações de policiais também apontam para o alto número de policiais mortos.

O também americano Washington Post traz uma reportagem sobre as 20 famílias que obtiveram o direito de permanecer no local da antiga Vila Autódromo, favela destruída para dar lugar ao Parque Olímpico na Barra da Tijuca.

"O slogan da Rio 2016 é Um Novo Mundo. Mas do lado de fora do Parque Olímpico, esse novo mundo não tem lugar para os pobres", escreve o correspondente do jornal, citando um morador.

Autoridades ouvidas em anonimato pelo repórter dizem que as 800 famílias relocadas tiveram opção de se mudar para moradias sociais, mas os entrevistados pela matéria alegam ter sido intimidados.
'Brasilionários'

Já os leitores do britânico Daily Telegraph foram apresentados a outro lado da Olímpiada pouco conhecido do público estrangeiro: os "ultrarricos" por trás de "escândalos olímpicos" e que "dominam o Rio".

A reportagem traça o histórico de famílias detentoras de empreiteiras, como Odebrecht e Camargo Corrêa, enfatizando seu papel nos atuais escândalos de corrupção e conectando os benefícios que obtiveram desde a ditadura militar até os dias atuais - inclusive durante o governo petista de esquerda.

"Assim como a Copa do Mundo de 2014, os Jogos Olímpicos se encaixam em uma abordagem pragmática de desenvolvimento", escreve o repórter Alex Cuadros, autor de um livro sobre os bilionários brasileiros.

"Os dois eventos tinham a cara de prêmios políticos, permitindo ao PT distribuir fundos entre seus aliados e ao mesmo tempo criar transporte público para o cidadão comum."

"À medida que a economia se deteriorava e o dinheiro se esgotava, porém, os bilhões de dólares gastos em infra-estrutura esportiva terminaram beneficiando empresários e líderes políticos bem-conectados acima de tudo."

Não vivemos sob o império da lei

Um dos ideais de um regime democrático é que o império da lei seja efetivamente exercido perante todos os cidadãos. A lei valendo para todos de forma igual e uma justiça efetiva é o que devemos almejar para o País. Não é o que ocorre no Brasil.

Vivemos sob o peso de mais de 150 mil leis e normas, intermediadas por mais de 800 mil advogados. Temos mais advogados que médicos em um sistema em que a lei vale mais, ou menos, de acordo com a capacidade de o cidadão enfrentar o sistema judiciário e se aproveitar de suas brechas e sua lentidão.

Gunduz Agayev 
Para sustentar todo o aparato judiciário, gastamos 1,8% do PIB. Juízes e promotores são muito bem pagos, até mesmo comparando-se com padrões internacionais. Temos a Justiça mais cara do planeta, mas a prestação do serviço para a cidadania está longe de ser adequada.

O emaranhado legal sufoca o País. Paralisa os negócios. Não valoriza as vontades nem os contratos.

A produtividade do sistema baixa frente ao quadro de regras e leis vigentes. Outras vezes, o ativismo judicial faz a subjetividade ou a preferência do juiz valer mais que a lei.

Acordos de vontade entre partes e empregados que poderiam vitalizar o emprego são sabotados por uma visão arcaica do trabalho. Por outro lado, a morosidade na prestação do serviço jurisdicional nos leva, erroneamente, a saudar decisões que atropelam direitos e garantias.

Temos ainda excesso de casos indo para as cortes superiores. O Supremo Tribunal Federal recebe mais de 60 mil processos por ano.

Nos Estados Unidos, a Suprema Corte recebe pouco mais de oito mil anualmente. Existe algo de muito errado em nosso sistema. Lamentavelmente, o debate sobre o Poder Judiciário ainda é inconsistente e obstruído pelo corporativismo, por nossa imaturidade cívica e pela crise da política. A Justiça, como um todo, precisa de um choque de gestão e de transparência.

Devemos ainda buscar reduzir, dramaticamente, o número de leis por meio de um amplo programa de revogação e de desburocratização. Acordos entre as partes e a arbitragem devem ser estimulados. Infelizmente, falta um longo caminho para vivermos sob o devido império da lei.

Lula discursa em meio ao caos em Natal pensando só no seu umbigo

Com Luiz Inácio Lula da Silva, a política atinge o seu estado de miséria. É impressionante!

Natal, a capital do Rio Grande do Norte, está vivendo sob o signo do terror, imposto pelo crime organizado. Ônibus são incendiados. Delegacias de Polícia estão sendo atacadas. A pedido do governador, Robinson Faria (PSD), o governo federal mandou à cidade homens da Força Nacional de Segurança.


Alheio a tudo, Lula resolveu fazer um, como dizer?, comício na cidade nesta terça-feira. Estava lá para defender o candidato do partido à Prefeitura da Capital, Fernando Mineiro. Era pretexto.

Na prática, já cuidava de sua campanha à Presidência da República.

Enquanto a população de Natal vive sob o signo do terror, Lula disse estar numa boa. Afirmou: “Eu estou aqui tranquilo. Se eles pensam que vão acabar com Lula, estão enganados”.

Que coisa!

Não parou por aí. Atacou Robinson Faria e seu filho, o deputado Fábio Faria, também do PSD, que votou em favor do envio da denúncia contra Dilma para o Senado. Disse: “O dia em que ele votou contra Dilma, eu tentei ligar para ele, ele não atendia. Eu pedi para o [Fernando] Mineiro ir no gabinete dele, ele não me atendeu. Eu queria falar com o filho dele, não me atendeu”.

Eis Lula!

A violência nas regiões Norte e Nordeste teve um crescimento brutal nos anos em que o PT esteve à frente do governo federal. O fato desafia o saber convencional das esquerdas, não é? Afinal, o Nordeste cresceu a taxas superiores ao resto do país.

O lulo-petismo ignorou solenemente o fato. Não se pensou uma única ação específica para entender e combater o fenômeno. Ao contrário: a companheirada preferia atacar a política de segurança pública de São Paulo, Estado governado pelos tucanos.

Que importa a Lula e ao PT o sofrimento objetivo da população quando algo muito mais importante está em pauta, que é a sua própria sorte e a do partido?

É por isso que, com exemplar desfaçatez, esse senhor escolhe discursar numa cidade que vive, na prática, sob o toque de recolher da bandidagem, submetida a ações que podem ser consideradas, sem favor, verdadeiramente terroristas.

Lula preferiu ignorar a onda de violência que atinge Natal e, na prática, se juntou ao crime organizado para atacar o governador.

Eis a moral profunda de Luiz Inácio Lula da Silva.

Demagogia no pódio


O legado olímpico é para os pobres
Eduardo Paes, prefeito "olímpico"

Legado olímpico é enganação contra o povo, que aceita, aplaude e sente orgulho

“Legado Olímpico” ou “Legado da Olimpíada” é uma expressão mentirosa mas que desperta um sentido, uma espécie de “presente”, que aqueles que estão no poder incutem na população do Rio, goela abaixo, e o povo acredita. E, por ingenuidade, chega a sentir orgulho. Quanta enganação! Torpe e maldosa ilusão. É muita patifaria! Legado Olímpico não existe. Legado é um bem ou conjunto de bens, materiais ou imateriais, certos e determinados, que integram o patrimônio de uma pessoa que os deixa, como herança e por testamento, para uma ou mais pessoas e constitui ato de liberalidade “causa mortis” (em razão do falecimento).

Quem lega chama-se legador. Quem recebe o bem, legatário. E o bem deixado denomina-se legado. Há, portanto, e necessariamente, três ou mais elementos: o legador, o legado e o(s) legatário(s).

Daí a pergunta: desde quando alguém pode constituir como legado um bem que foi construído ou obtido com o dinheiro do próprio legatário, ou seja, daquele designado para receber a herança? É o que acontece com esse mal falado “Legado Olímpico” ou “Legado da Olimpíada”.


Todas as obras, viadutos, túneis, estádios (agora chamados de “arenas”), dezenas de edificações residenciais, vias expressas, vila olímpica e tudo mais foi feito com o dinheiro do povo. Logo, ao povo pertence. Nunca foi, não é, nem jamais será legado.

Seria legado se o Comitê Olímpico Internacional (COI) junto com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) construíssem as obras e benfeitorias para receber os Jogos Olímpicos e, após, as deixassem para o povo do Rio. Aí, sim, seria um legado. Mas não é isso que acontece. E também não foi assim na Copa do Mundo de Futebol de 2014. Não foi com o dinheiro do COI e do COB, muito menos com o dinheiro da FIFA e da CBF, que os dois eventos mundiais tiveram o Brasil e têm a Cidade do Rio de Janeiro como palco.

Muito pelo contrário. O honorabilíssimo COI escolhe uma cidade e a honorabilíssima FIFA, um país. Depois, dizem, autoritariamente: “Arrumem a casa de vocês, façam embelezamentos e obras nos padrões que nós queremos, mandamos e determinamos que sejam feitos, porque vamos realizar a Olimpíada e a Copa do Mundo aí e depois pegamos todo o lucro com os eventos e caímos fora e as dívidas ficam por conta de vocês”. É isso. É assim. É a realidade.

Este “oba-oba” olímpico tem prazo curto. Há uma espécie de entorpecimento do povo que, empolgado e sem que os meios de comunicação alertem e mostrem a realidade, tudo aceita, aplaude e acha “excelente”. O pior virá depois: o endividamento monstruoso. Vai faltar dinheiro para tudo.

O município e o Estado do RJ (ou o governo federal) não têm receita, muito menos caixa suficiente para realizar tantas obras, de afogadilho, sem o posterior desfalque financeiro em prejuízo dos serviços que lhes cumprem prestar à população. A começar pelo pagamento do funcionalismo, dos ativos e inativos, atendimento médico-hospitalar, segurança pública, conservação e manutenção dos meios de mobilização urbana…

O povo do Rio só vai a sentir os efeitos desses danos a partir de setembro próximo e por longos anos.

Para quem acredita no senador Crivella, saibam o que disse ele anteontem na convenção do PRB que o lançou à prefeitura do Rio: “A prefeitura carioca desembolsou R$ 40 bilhões com obras executadas por empreiteiras envolvidas com a Lava-Jato. E após a Olimpíada do Rio, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, com a Carvalho Hosken, receberão sem ônus o terreno do antigo Autódromo de Jacarepaguá, para fazer um megaempreendimento” (O Globo, 1.8.2016, página 4).

É discurso de candidato, sabemos disso. Mas a denúncia é gravíssima. E não veio desmentido de parte alguma. A prefeitura não pode doar, permutar, vender, emprestar ou praticar qualquer ato de despojamento de bens públicos sem prévia autorização legislativa, seguida de prévia avaliação e licitação. A prefeitura também não pode enganar a população.

“Legado Olímpico” ou “Legado da Olimpíada” é mentira. Não existe. Ninguém pode legar a si próprio um bem que lhe pertence.

A barata e os ratos na retórica do impeachment

A Comissão do Impeachment encerra seus trabalhos nesta quinta-feira com a aprovação do relatório em que Antonio Anastasia (PSDB-MG) recomenda a deposição de Dilma Rousseff. A essa altura, a comissão acumula perto de 240 horas de debates. Há pouco por dizer. Na sessão da véspera, os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) esgotaram o repertório de provocações numa troca de farpas que injetou no debate o que faltava: uma barata, inseto ortóptero, da família dos batídeos; e os ratos, roedores da família dos murídeos.

Ex-líder de Dilma no Senado, Humberto Costa pressionou uma vez mais a tecla preferida do petismo. “Estamos vivendo um golpe”, ele reiterou. Insinuou que a eventual confirmação do afastamento de Dilma pelo plenário do Senado banalizará o instituto do impeachment. A pretexto de reforçar seu argumento, Humberto construiu uma analogia inusitada. Deixou Dilma em posição, digamos, kafkiana:

— Como era necessário tirar um governo do qual eles não gostavam, com o qual eles não concordavam, vale até incendiar o apartamento para matar a barata. Essa é a realidade que nós temos no nosso país hoje. Por que é golpe? A principal razão está aí, no que a gente vê no dia a dia. Eles não aceitam que o Brasil possa dar tratamento social diferente ao seu povo.

Líder do PSDB, Cássio Cunha Lima como que dobrou a meta, para utilizar expressão ao gosto de Dilma. Incluiu na prosa outras fúnebres criaturas.

— Não me venham falar em defesa dos pobres, porque quem defende os pobres não rouba os pobres. Quem defende os menos favorecidos não monta uma organização criminosa para assaltar um país em nome de um projeto de poder. […] Aqui não se tentou matar uma barata incendiando o edifício. O que se tenta aqui é afastar os ratos que danificaram o país no trato da coisa pública. Chega, basta! Ninguém aguenta mais o que o Brasil está vivendo.”

A certa altura, Cássio mencionou “as delações e mais delações que confirmam na Lava Jato que a campanha de Dilma Rousseff foi financiada com dinheiro do petrolão.” O petista Lindbergh Farias (RJ), destacado membro da infataria de Dilma, interveio:

— E o que falam do PSDB nas delações, senador Cássio, Vossa Excelência esqueceu?

Os jornais do dia traziam a notícia sobre o suborno de R$ 10 milhões que o ex-senador tucano Sérgio Guerra, já morto, recebera para sufocar uma CPI da Petrobras em 2009, época em que era presidente do PSDB federal. Cássio não se deu por achado:

— Aqueles que cometeram crimes nos partidos A, B ou C que paguem pelos seus crimes. Que possamos encerrar esse processo, que possamos dar cabo desse julgamento. Quanto mais esticarmos isso, mais o país vai ficar nessa situação de instabilidade.


Baratas e ratos não são privilégios feios do Brasil. São universais. A diferença é que, nessa terra de palmeiras, por muitos anos, os personagens que se comportavam como legítimos representantes das famílias dos batídeos e dos murídeos continuavam atuando na política como se nada tivesse sido descoberto sobre seus hábitos. De raro em raro, quando as luzes acendiam, essas criaturas ziguezagueavam e escapavam. Não havia vassourada que as alcançasse.

A Lava Jato interrompeu um ciclo. A despeito de suas sensíveis hastes e do seu couro cascudo, a oligarquia política e empresarial migra gradativamente dos gabinetes do poder, das colunas sociais e da editoria de política para a cadeia. Num futuro próximo, a força-tarefa de Curitiba pode figurar nos livros de história como um ponto fora da curva. Mas, por ora, o brasileiro está achando tudo o maior barato.

Embora Dilma e o PT abominem a expressão “conjunto da obra”, madame será enviada mais cedo para casa justamente porque, sob sua fama de gerente impecável, proliferaram a ruína econômica e a desfaçatez ética. Beneficiário direto da conjuntura, Michel Temer governa com a tranquilidade de quem dança um minueto à beira do precipício.

A Lava Jato já não permite que o PMDB e assemelhados sejam indultados por um surto qualquer de amnésia combinada. Enquanto prepara o “tchau” de Dilma, Brasília vive a neurose do que está por vir depois que os investigadores extraírem a derradeira gota de suor do último dedo da Odebrecht.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O mal-estar da globalização

Nos anos 80 do século 20 foi desencadeado um complexo e diversificado processo transformador que culminou com o ingresso do capitalismo numa nova fase, a globalização, expressa em mudanças como a reestruturação produtiva, a financeirização da economia, a revolução técnico-científica, as políticas socioeconômicas neoliberais, a internacionalização extensiva e impetuosa de todas as relações, a debilitação da soberania e da autonomia deliberativa dos Estados nacionais, etc.

O processo de globalização implicou alterações múltiplas e substanciais: 1) o movimento do capital ganhou velocidade excepcional e sua capacidade de reprodução foi potencializada; 2) o mercado financeiro foi tornado global e virtual e o fluxo de moedas e capitais alcançou agilidade exponencial; 3) a circulação de mercadorias e capitais, o deslocamento de pessoas e grupos, em todas as direções e regiões, criaram condições para a desterritorialização econômica e o desenraizamento cultural e identitário, desalinhando ou dissipando fronteiras, reais ou imaginárias; 4) as relações de trabalho, a sociabilidade e a representação, os meios de informação e comunicação viram-se drasticamente alterados e transtornados; 5) a redefinição das atribuições e soberania dos Estados nacionais levou à corrosão da autoridade e da jurisdição, à efemeridade das instituições e esferas de representação e deliberação, fragilizando a sociedade civil e política (Parlamento e Judiciário, partidos e sindicatos, etc.) – o alcance e o significado da democracia foram obstados ou mesmo constrangidos.

Arte sobre consumismo e globalização 8
Brusk
Nessas circunstâncias, houve o deslocamento abrangente da indústria e dos serviços para a periferia do capitalismo, transferindo-se empregos e capital, com diminutos custos tributários, poucas exigências de reposição ambiental e alta rentabilidade. No sentido inverso, os contínuos fluxos migratórios da Ásia, África e América Latina para a Europa e os Estados Unidos, permitiram a constituição de um exército de trabalhadores disponíveis, constituído de mão de obra barata. Concomitantemente, a introdução de novas tecnologias (informática, robótica, etc.) e métodos de gestão promoveu a reestruturação da produção e da circulação de mercadorias, eliminando, em larga escala, antigos postos de trabalho – a extinção de profissões tradicionais gerou uma população de trabalhadores excluídos por não se adequarem às exigências do mercado de trabalho, altamente competitivo. Podem-se juntar a esses fatos as sucessivas crises econômicas, como a de 2008, causada em grande medida pela financeirização da economia e pelas políticas de austeridade para combatê-la.

Em congruência com a globalização, desencadeou-se uma forte ofensiva contra o Estado de bem-estar social e a favor da desregulamentação das relações sociais e da supressão de quaisquer obstáculos à liberdade das mercadorias (inclusive a mão de obra) e à sua livre circulação. Movido pela lógica da economia política neoliberal, o processo de globalização, implementado nas últimas três ou quatro décadas, cobra agora seu preço. Mesmo nos países protagonistas na sua indução, parcela considerável da sociedade foi acometida por suas vicissitudes: crises econômicas, decréscimo da estatura e abrangência do Estado, subtração de direitos, aviltamento das condições de existência e aumento das desigualdades, contenção das políticas públicas, deslocamento de empregos e precarização das relações de trabalho, mercantilização brutal das relações sociais e humanas, esgarçamento de identidades coletivas, perturbação de sociabilidades, disseminação da insegurança e da instabilidade.

Ademais, se a globalização tem corroído e reordenado os poderes dos e nos Estados-nação, promovendo e intensificando o movimento de mercadorias e capitais, indivíduos e mão de obra em todos os países e continentes, não resolveu a contento o problema do exercício dos direitos de cidadania do adventício, que continuam sendo privilégio dos nacionais – ao mesmo tempo que criou um mercado mundial de produtos, capitais e mão de obra, não criou o cidadão do mundo.

Tomados em conjunto, esses fatores têm suscitado mal-estar e ressentimentos incomuns, particularmente nos países da Europa e nos Estados Unidos. Têm também despertado patriotismos, promovido o reavivamento de ideologias políticas e religiosas fundamentalistas e conservadoras, intolerantes e anti-humanistas, potencializando extremos: direita tradicionalista – Frente Nacional (França), Ukip (Inglaterra), Pegida e AfD (Alemanha), Liga do Norte (Itália), etc.; e esquerda negativa – Podemos (Espanha), Movimento Cinco Estrelas (Itália) e outras organizações.

Emblemáticos desse fenômeno são o plebiscito, recém-realizado, que determinou a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (Brexit) e a ascensão do candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump. Não por acaso, as plataformas de ambos são quase análogas: defesa da soberania e resgate de valores e identidade nacional, fortalecimento das fronteiras contra a imigração, pregação do chauvinismo e da xenofobia, proteção da moeda, repatriamento de empresas, capitais e empregos perdidos, prerrogativa de direitos para os nativos. Trump promete que, com sua eleição, “o povo americano vai declarar novamente a independência dos Estados Unidos”.

Tais movimentos e organizações têm procurado reativar velhas concepções e práticas fundadas na recessão política e no déficit democrático, que, embora de triste memória, ainda vagam erráticas e continuam assombrando – com a barbárie e o apocalipse – os que prezam a liberdade e a igualdade, a fraternidade e a justiça. Isto posto, cremos que não é demasiado lembrar a advertência feita pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht numa de suas peças, no pós-guerra, ao se referir ao nazi-fascismo: “Ainda está fecundo e procriando o ventre de onde isso veio engatinhando”.

José Antonio Segatto

Tempestade perfeita

Por conspiração dos astros, ou não, o Partido dos Trabalhadores enfrentará as eleições municipais deste ano em meio a uma tempestade perfeita. Não bastassem a proximidade entre a votação do impeachment de Dilma Rousseff no Senado, coisa já resolvida, e o envolvimento cada vez mais cabeludo de Lula na Lava-jato, não há sinais de que daqui até outubro o governo de Michel Temer cometa grandes deslizes.

Para infortúnio do PT, dificilmente as eleições municipais serão “paroquializadas”. Ao contrário, elas deverão assumir um caráter plebiscitário antipetista, particularmente nos grandes centros urbanos.

Arma-se um dilúvio à frente dos petistas e não há arca de Noé alguma à vista. A opção por fazer chapas próprias ou com “frentes de esquerda” minúsculas e de retorno ao enfrentamento aberto, quase que numa reedição da política de “classe contra classe”, são produtos mais do desespero do que de uma estratégia articulada para fazer frente à conjuntura extremamente adversa.

O Partido dos Trabalhadores ensaia um giro à “esquerda”, uma radicalização, exatamente em momento de refluxo, um contrassenso com potencial de ampliar mais ainda seu isolamento.

É como se o PT mergulhasse em busca do passado perdido. Só que a história não gira para trás.

Nestas eleições o partido vai enfrentar algo inimaginável até bem pouco tempo: a concorrência pela esquerda; segmento do eleitorado que foi durante bom par de décadas sua reserva de mercado.

A ameaça vem principalmente do PSOL, mas não exclusivamente dele. Em Porto Alegre, os petistas têm pela frente Luciana Genro (PSOL), em Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL), no Rio abriga-se na candidatura de Jandira Feghali (PC do B), e deve comer poeira atrás das candidaturas de Marcelo Freixo (PSOL) e Alexandre Molon (Rede). Em Salvador, não tendo como fazer frente à avalanche de ACM Neto (DEM), sequer lançará candidato. Vai de Alice Portugal, também do PC do B.

Vamos a São Paulo. Há um ano, onze entre dez analistas diziam que o segundo turno da eleição paulistana seria entre Fernando Haddad e mais outro nome.

Hoje, Haddad corre sérios riscos de ficar de fora do segundo turno. O eleitorado historicamente petista vem sendo comido a montante e a jusante, nas universidades e na periferia, por Luiza Erundina (PSOL) e por Marta Suplicy (PMDB). E Celso Russomano (PRB) – que lidera as pesquisas, mas está enrolado com a Justiça - e João Dória (PSDB).

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O estupor, o terror e o pesadelo tomam conta dos petistas só em pensar nessa hipótese, cada dia mais real. O futuro do PT está na razão direta do desempenho de Haddad. Uma derrota do atual prefeito de São Paulo levará seu partido a adiar, por anos a fio, qualquer veleidade de voltar ao poder em escala nacional.

Na hipótese bastante provável de Lula não ter condições políticas e jurídicas, ou as duas, para disputar 2018, Fernando Haddad seria o nome disponível na prateleira, seria a “cara nova” do PT.

O problema é combinar com os russos, com os paulistanos. A administração Haddad não criou marca e é uma das mais rejeitadas da história da capital. Ciclovias, limite de velocidade dos carros, utilização da Avenida Paulista para lazer, podem sensibilizar segmentos das camadas médias, mas são temas absolutamente distantes do cotidiano de quem vive fora do centro expandido.

A expressão concentrada da tragédia petista é exatamente essa: em 2012 Lula carregou Fernando Haddad a tiracolo, foi seu grande eleitor. Agora, o prefeito vai ter de esconder o morubixaba em seu programa de TV para não ser escorraçado pelos eleitores.

E quem disse que a tempestade passará em outubro? Para o PT, ela irá, no mínimo, até 2018.

Imagem do Dia

Dunas de laguna, Ilha da Magia, SC - Brasil:
Ilha da Magia, Santa Catarina

Maior parte dos benefícios olímpico vai para comitê e empreiteiras

De todas as cidades que sediaram Olimpíadas nas últimas décadas, só Los Angeles não teve prejuízos, diz à BBC Brasil o pesquisador americano Stanley Engerman.

Professor de economia e história da Universidade de Rochester (Nova York), Engerman estudou o impacto dos Jogos nas contas das cidades que abrigaram as últimas edições do evento. Segundo ele, os ganhos das sedes costumam ficar bem abaixo dos seus gastos com a construção dos estádios e o cumprimento de exigências dos organizadores.

Os comitês que organizam as Olimpíadas e a Copa do Mundo agem como monopólios. Eles impõem condições muito duras. O discurso é: "Se você quiser sediar a Olimpíada, precisará desses novos estádios; se quiser a Copa do Mundo, terá que ter jogos em diferentes cidades e prover transporte para essas cidades". Enquanto houver vários competidores buscando sediar os eventos, eles tirarão vantagem
Los Angeles só escapou da tendência, diz o professor, porque já tinha quase todos os estádios prontos e conseguiu atrair vários investidores privados quando abrigou os Jogos de 1984.

Em entrevista à BBC Brasil, ele afirma que a Olimpíada de 2016 deverá dar prejuízo ao Rio e que, conscientes dos altos custos, cada vez mais cidades se recusam a participar das disputas para receber o evento.

Engerman, de 80 anos, leciona sobre a economia do esporte e do entretenimento e é reconhecido como um dos maiores especialistas nos EUA sobre os aspectos econômicos da escravidão.

Uma grave omissão dos governos do PT

Em religião, peca-se por comissão ou omissão (por fazer ou deixar de fazer). Em minha longa lista de decepções com os dois governos Lula e o governo e pouco de Dilma Rousseff, sem dúvida se inscreve a omissão de ambos em relação ao inciso I do art. 7º da Constituição Federal de 1988.

Já relatei isto: na Constituinte, o deputado federal pelo PT de Minas, João Paulo Pires Vasconcelos, antigo líder sindical em João Monlevade, elaborou a mais importante emenda do ponto de vista trabalhista: a garantia contra dispensa imotivada ou demissão sem justa causa. Trocada em miúdos: a proibição de os empregadores mandarem o trabalhador para a rua sem razão alguma. Esse “turn over”, que se agravou desde o fim da estabilidade (ainda que precária, da antiga CLT, pois só adquirida depois de dez anos de serviço), é o pesadelo de quem fica de uma hora para a outra sem emprego. Ser desempregado, escrevi mil vezes, é perder a dignidade, é não ser ninguém, é nada ter. Tinha razão, não me canso de repetir, o saudoso Gonzaguinha com seu “Menino Guerreiro”, que retrata esse desastre. João Paulo fez a emenda na Constituinte e, num gesto de humildade, entregou sua defesa ao líder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

Quais os motivos para ser demitido?:
A emenda foi aprovada. Mas o assunto ficou pendente de regulamentação. Aquilo que tanto se repete na Lei Maior com a velha fórmula para boi dormir: “lei complementar disporá...” Quando você, leitor, ler isso na Constituição, assente-se e espere. Se for coisa do interesse dos donos do país, logo, logo sai a lei complementar (mais difícil de ser aprovada, pois depende do voto da maioria absoluta de deputados e senadores). Pois até hoje, passados dois governos de Lula e um inteiro mais um pedaço do de Dilma, nenhum dos dois se lembrou, nas horas de mais prestígio, de propor a tal lei complementar. Para avaliarem bem, com todo interesse de Lula, o Congresso tratou de eliminar a exigência de lei complementar para o tabelamento de juros, não para tabelá-los de imediato, mas para, no embalo, eliminar qualquer controle do poder público sobre os bancos, como queriam os banqueiros.

Sem a proibição da dispensa imotivada, o trabalhador brasileiro fica mais vulnerável, entregue à vontade dos patrões. Seu direito de greve já é cheio de amarras, cheio de exigências para vigorar, e agora... Agora Michel Temer quer precarizar ainda mais a relação de emprego! Pessoa que vira empregado de uma empresa, e essa empresa faz do empregado uma mercadoria para outro usar. Bem ao gosto de muita gente que hoje ocupa cadeira de deputado, senador ou ministro de Estado.

Para concluir, a Constituição Cidadã, tão festejada por Ulysses Guimarães e tão amada por muitos, registrou a existência de muitos direitos para crianças, jovens, negros e mulheres. Mas e o direito essencial ao emprego? E a dignidade de vida para todos?

Lula e Dilma ficaram nos devendo muito. O pior de tudo, porém, foi terem se omitido em relação ao fim da dispensa imotivada.

A esperteza de muitos

Pawel Kuczynski 
O segredo do demagogo é de se fazer passar por tão estúpido quanto a sua plateia, para que esta imagine ser tão esperta quanto ele
Karl Kraus

O país das hienas

Dada como certa a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff, no final do mês ou no começo de setembro, mais as eleições municipais de outubro, o ano de 2016 estará nos estertores, pronto para inscrever-se nos anais do século como o ano do desperdício. Poderá não ser bem assim, pois terá de ser chamado, também, de ano da hiena, dada a situação em que o país continua rindo sem saber por quê. Duvida-se de que desta vez o Congresso aprove a tão prometida reforma política. Pelo menos da forma como todos esperam, ou seja, profunda e verdadeira. As instituições continuarão as mesmas, isto é, acomodadas aos interesses das elites, favorecendo os mesmos de sempre.

Sobre a crise econômica, prevalece a impressão de que poderá declinar, se declinar, mas sem passes de mágica nem sacrifícios. Será lenta a recuperação, em especial com relação ao desemprego.

Sendo assim, é preciso prospectar atrás de uma fórmula para não deixar que o ano em curso transcorra entre dificuldades e lamentos. Melhor solução não haverá do que a tentativa de integração da sociedade na discussão de seus próprios problemas. Por que não uma reunião de todos os setores com voz em nosso futuro? Não se trata de requisitar o Maracanã com um microfone para cada participante. Mas de sensibilizar grupos representativos do conjunto para que opinem sobre como tirar o Brasil do sufoco e abrir perspectivas gerais de normalização.

Nas atuais condições, como obter contribuições de vulto e desinteressadas do egoísmo de cada segmento? Nada de recolher exigências deste ou daquele setor, mas de receber a contribuição das partes para o aprimoramento do todo. Bem que novembro e dezembro serviriam como um tempo nacional para a transformação do país das hienas.

Bolsa Atleta completa dez anos mas não consegue levar Brasil ao pódio

Em julho de 2005, 300 atletas olímpicos e paralímpicos brasileiros que viviam longe dos holofotes de patrocinadores, recebiam pela primeira vez um cartão magnético do Ministério dos Esportes para sacar um auxílio mensal do Governo, pelo período de 12 meses. A Bolsa Atleta, que variava de 300 reais a 2.500, tinha como objetivo incentivar potenciais campeões a se dedicarem só aos treinos e se aproximarem do pódio de competições nacionais e internacionais. Dez anos e meio se passaram, novas categorias de bolsas foram criadas, com valores que podem chegar a 15.000 para medalhistas, mas os frutos dessa iniciativa ainda não foram colhidos, na visão de Jorge Steinhilber, presidente do Conselho Federal de Educação Física (Confef) e da Academia Olímpica Brasileira (AOB).

Para Steinhilber, os investimentos que o país vem desembolsando para se tornar destaque em competições mundiais não foram acompanhados de uma política nacional de incentivo ao esporte, o que inutiliza muitos dos milhões gastos na construção de parques poliesportivos desde que o país passou a sediar jogos mundiais, como o Pan-americano, em 2007. "E daí se o Brasil chegar aos top 10 no quadro de medalhas olímpicas este ano? O que isso significa ou o que deixa de legado para o país? Virar potência olímpica não significa virar potência esportiva", afirma.

O especialista cita o ginasta Arthur Zanetti, campeão olímpico nos Jogos de Londres, como um exemplo de que é preciso fazer mais do que conceder auxílio financeiro aos atletas brasileiros para que o país evolua nos esportes em escala global. "Zanetti, que ganha uma bolsa do Governo para se dedicar à carreira, treina em um galpão em São Caetano, sem a menor infraestrutura. É inacreditável como nem ele pode dispor de um centro esportivo decente para treinamento".

Mas não é apenas no topo da pirâmide esportiva que o problema reside. É principalmente nos estágios iniciais de vida que muitos potenciais atletas nunca chegam a se desenvolver no esporte. "Em 40% das escolas não existe nem quadra para as crianças praticarem modalidades esportivas e serem descobertas por seus talentos. Também faltam professores de educação física. Hoje, são pedagogos que ocupam esses espaços vagos, e as horas destinadas à disciplina, que é obrigatória, acabam virando atividades meramente recreativas".

A forma como o programa Bolsa Atleta foi concebido também justifica, em partes, o insucesso da empreitada brasileira de angariar posições de destaque nas competições mundiais. "O foco do programa tem sido apenas o de aumentar o número de medalhas para subirmos no ranking olímpico. Para isso, são priorizadas modalidades de esporte individual. E o Brasil é um país cuja tradição está no esporte coletivo", analisa. Ainda assim, o especialista não descarta a importância do auxílio financeiro para os atletas, que muitas vezes é a única fonte de renda desses profissionais. "A bolsa dá oportunidades para o atleta se projetar no esporte, mas é uma medida meramente paliativa", complementa.

Ainda que desanimadora, principalmente para um país que tem como meta chegar ao 10º lugar no ranking de medalhas nas Olimpíadas de 2016, a análise de Steinhilber tem respaldo em dados históricos. Antes do Bolsa Atleta, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, o Brasil ocupava o 16º lugar no ranking de medalhas, com 10 no total, das quais 5 eram de ouro. Nos primeiros jogos que já contavam com o auxílio, em Pequim (2008), o país caiu para a 23ª colocação, ainda que tivesse mais medalhas, pois somente 3 eram de ouro. Já em Londres, quatro anos depois, o país subiu apenas um degrau, passando para o 22º lugar, repetindo o número de medalhas de ouro.

Neste ano, foram contemplados com o Bolsa Atleta 358 dos 465 esportistas que disputam as Olimpíadas do Rio de Janeiro, o que representa 77% do total. Os investimentos, contudo, não se limitam a atletas olímpicos e paralímpicos. O programa, cujo edital foi divulgado com um mês e meio de atraso no Diário Oficial, beneficia 6.152 atletas de todo país, incluindo modalidades não-olímpicas, e custará 80 milhões de reais aos cofres públicos nos próximos doze meses. De acordo com um balanço divulgado pelo Ministério dos Esportes em julho, o Bolsa Atleta, durante seus dez anos de atuação, já concedeu 43.000 benefícios, no valor de 600 milhões de reais para 17.000 atletas.

Além do Bolsa Atleta, em 2013 o Governo lançou o Bolsa Pódio, destinado a competidores medalhistas. Nessa categoria, que faz parte do Plano Brasil Medalhas, e conta com patrocínio de estatais, foram investidos 287,3 milhões de reais em 399 atletas, a maioria pertencente a modalidades individuais.

Precisamos enaltecer a internet por ter democratizado comunicação

E se não fosse pela internet, que deu voz aos pequenos e democratizou a comunicação, jamais teríamos todos esses debates nos sites e blogs alternativos, já que a imprensa sempre foi conivente e participante de toda essa corrupção. Basta cessar a verba da publicidade oficial (União, Estados, Municípios e estatais) e fecharão jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão, já que boa parte desses recursos está nas mãos dos mesmos ladrões…

Sempre foi assim. Sempre fomos roubados por uma aristocracia que loteia entre seus filhos, de forma vitalícia, os cargos mais importantes do Estado, dos quais se apossaram, enquanto mantêm o povo analfabeto, ignorante e alienado. São mercenários que, do alto de seus palácios e gabinetes, olham com desprezo aqueles que realmente trabalham…

O resultado é que, aqui no Brasil, discutimos no Século XXI questões que nos países sérios já foram definidas no Século XV.

Armandinho e a opinião pronta:

Bendita seja a Internet! Pelo menos nela podemos publicar opinião, coisa impensável de ser feita na imprensa de décadas atrás, quando até as cartas dos leitores eram “selecionadas”.

Infelizmente, a maioria dos eleitores brasileiros ainda usa o jornal para embrulhar peixe ou outros fins, assim como entram na internet apenas para ver mulher pelada e saber as notícias do futebol, entre uma garrafa de cerveja e/ou uma dose de pinga e outra!!!

A realidade e o conhecimento dos brasileiros não são estes que vemos, diariamente, neste espaço da Tribuna da Internet, onde todos são instruídos e bem alimentados (mesmo que apresentem pontos de vista diferentes).

A maior parte da população não passa de cega, surda e muda, são bois de arado arrastados pelo nariz, em relação à situação política atual do país. E não existe nada que nos diga que isso irá mudar, já que nos últimos trinta anos trataram de destruir a educação.
Só mesmo em um país governado por quadrilhas podemos nos defrontar com esta realidade:
  • Criminoso ameaça magistrado e fica impune…
  • Governo tira o revólver do cidadão, mas mantém os bandidos armados com fuzis…
  • Bandido faz manifestação para usar celular em presídio…
  • Cidadão é preso por reagir a assalto…
  • Quadrilhas perseguem viatura policial…
  • Presidiário protesta pelo direito de aceitar ou não o diretor do presídio…
  • Traficante com 720 quilos de drogas é solto por ser considerado usuário…
Em nenhum outro lugar do planeta existe uma “nação” tão importante e esculhambada quanto a nossa – quinto maior país em extensão territorial e número de habitantes, e nona economia do mundo. Eu, pelo menos, não conheço!

Rio 2016 expõe crise do modelo de Jogos Olímpicos

Uma tempestade era tudo de que o Rio de Janeiro não estava precisando. Na noite deste sábado (30/07), a ventania que passou pela cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 destruiu a rampa de acesso dos velejadores na Marina da Glória. O Comitê Organizador local só tem cinco dias para reparar os danos.

"São coisas que acontecem. Ninguém consegue evitar a natureza", disse Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Rio 2016, sobre a mais recente pane nos preparativos para os Jogos. Afinal de contas, "se esquece que as competições de vela às vezes não acontecem porque não tem vento. Então, é uma obra da natureza", concluiu.

Mas, quem paga o reparo dos danos? Às vésperas do torneio mundial, está de volta a briga em torno dos custos para sua realização, de 5 a 21 de agosto.


Maquete do Parque Olímpico mostra que praça 
central seria do  público e não dos estúdios Globo
O economista esportivo Wolfgang Maennig propõe uma flexibilização das exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), adaptando-as às circunstâncias no país anfitrião. "O COI vai ter que pensar num jeito de futuramente mudar sua concepção, de forma que em pelo menos três ou quatro cidades do mundo a maioria da população seja a favor das Olimpíadas."

A biografia de Maennig, hoje professor da Universidade de Hamburgo, está intimamente ligada aos Jogos. Em 1988, ele foi campeão olímpico de remo em Seul. Depois, apoiou as candidaturas a sede dos Jogos Olímpicos das cidades alemãs Munique, Leipzig e Berlim. No Rio, ele participará de diversos debates sobre o financiamento futuro do evento.

"A grande tarefa do COI será tornar-se muito mais flexível nos pré-requisitos para os locais esportivos", prossegue. Isso diz respeito tanto ao número de espectadores quanto aos padrões de segurança. "Tudo o que o COI exige segue as normas suíças ou alemãs, e não é assim que o resto do mundo quer construir."

A organização dos Jogos Olímpicos na metrópole brasileira custou cerca de 10 bilhões de euros. A discussão sobre os custos não se refere a essa soma total, mas sim à proporção entre verbas privadas e públicas. Segundo dados oficiais, 57% dos custos serão arcados por investidores privados.

Os críticos do movimento brasileiro Comitê Popular Copa e Olimpíadas, contudo, fazem uma conta diferente: os cofres públicos estariam participando com 63%, cabendo aos investidores privados apenas 37%. Tal discrepância se deveria ao fato de o Comitê Organizador Rio 2016 não ter levado em consideração nem os benefícios fiscais nem as vantagens recíprocas nas parcerias público-privadas.

Custos imprevisíveis, como o reparo de locais de competição ou o combate ao vírus zika, também não são levados em consideração nos orçamentos normais. Por isso, após desembarcar no Rio, o presidente do COI, Thomas Bach, invocou a coesão da família olímpica.

"Vamos ajudar o Comitê Organizador local nos problemas de liquidez", assegurou à imprensa reunida na metrópole. "Vamos fazer de tudo para garantir o êxito dos Jogos."
Segundo os termos do contrato, o COI financia um pouco mais da metade dos gastos do Comitê Organizador local. Como apoio financeiro ao presidente Nuzman, Bach anunciou agora que poderão ser adiados os depósitos, equivalentes a 500 milhões de euros, previstos para os dias da abertura e da cerimônia de encerramento.

Descartada fica a hipótese de os Jogos chegarem ao fim em déficit. Pois, exatamente como a Federação Internacional de Futebol (Fifa), também o COI recebe do governo em questão a garantia de que este arcará com todos os eventuais prejuízos.

Justamente aí algo precisa mudar, na opinião de Maennig. A fim de reativar o interesse das cidades em hospedar as Olimpíadas, o COI tem que não só reduzir suas exigências, mas também elevar as subvenções para o comitê local e a cidade-sede.

"Chegamos a um ponto em que poderíamos nos perguntar se não faria sentido o COI dizer: 'Esse estádio olímpico com 20 mil lugares, de que vocês precisam, financiamos nós. Esse é o nosso presente à cidade-sede.' A meu ver, isso deveria ser possível", considera o economista.

Pelo menos um pequeno presente os cariocas já receberam dos Jogos Olímpicos: um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a renda per capita da metrópole cresceu 30% entre 2008 e 2016, enquanto no resto do país a percentagem média foi de 19,6%.

"Os Jogos Olímpicos mantêm a economia do Rio em funcionamento", explica Marcelo Neri, economista docente na Fundação Getúlio Vargas. Enquanto nos 18 municípios vizinhos do Rio de Janeiro a renda ficou estagnada, devido à crise econômica brasileira, na metrópole o crescimento se mantém.

Seria esta uma motivação para Roma, Paris, Budapeste ou Los Angeles se candidatarem a sede dos Jogos de 2024? Para Hamburgo, cuja população rejeitou o evento em referendo, certamente não foi.