segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A rua e o voto

Corte de gastos, mesmo, só na empresa privada, com demissões em massa. No governo, apenas migalhas, como a redução do número de ministérios, anunciada para quarta-feira. No Legislativo, paliativos. No Judiciário, nem isso. A exceção poderia ser, mas não é, a iniciativa da Petrobras em sua febre privatizante de alienar patrimônio público para pagar dívidas, coisa que resulta em nada, sequer cobrir a roubalheira lá verificada.

Enquanto isso aumentam-se impostos, taxas e tarifas de serviços públicos, com a redução de direitos trabalhistas e de programas sociais. Numa palavra, o país continua em queda livre no rumo do fundo do poço. Fica mais do que clara a rejeição da sociedade ao governo, assim como a importância de sua substituição.

Inexiste um plano diretor, sequer um roteiro de ação, muito menos um desenho para o futuro, aquilo que no passado chamava-se de plataforma. Os detentores do poder não cuidam de evitar o pior, muito menos dispõem de alternativas para propor o melhor, que seria a retomada do desenvolvimento.

Essa talvez a grande falha da administração Dilma: a ausência de um programa de afirmação e agora de reconstrução nacional. O ministério do Planejamento não planeja outra coisa senão empurrar para a população o ônus de uma recuperação impossível de acontecer sem metas fundamentais.

Todo esse preâmbulo se faz por conta do óbvio, ou seja, a imperiosa necessidade da imediata substituição do governo para, em seguida, um outro elaborar as definições sobre o que pretende o Brasil para continuar existindo como nação.

Sendo assim... Sendo assim, quanto antes se promova a substituição, mais rápida se dará a recuperação. A Constituição não apresenta remédios para o fracasso de um governo, a menos que seu chefe incorra em crimes de responsabilidade. Trata-se de uma solução incompleta, pois se Madame não tiver praticado nenhum crime, estará garantida para permanecer até o final de seu mandato, mesmo sem definições, projetos ou plataformas. Só que não vai dar. Faltam três anos, três meses e dez dias. Conclui-se pela inexistência de tempo e de condições. Afastada a hipótese da renúncia, tanto faz se por soberba, orgulho ou preconceito, sobram o vazio e o problema.

A rua é mais importante do que o voto, dizia o dr. Ulysses. Torna-se urgente que ela se manifeste, mesmo com os riscos inerentes às manifestações extemporâneas. Mas existe fórmula pacífica e avançada, numa equação capaz de permitir à rua promover a rejeição, através de um plebiscito para saber se o governo fica ou sai. Em seguida ao óbvio resultado, o voto, em eleições livres e diretas, determinaria a substituição. Legislativo e Judiciário bem que poderiam debruçar-se para ordenar esse inusitado mecanismo institucional. Mas tem que ser depressa
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Imposto em cascata


Joaquim José da Silva Xavier. Foi traído e não traiu jamais a inconfidência de Minas Gerais. Dentro e fora do Brasil, impostos sempre geram conflitos. Tiradentes que o diga. Pagou em parcelas de carne e osso a ousadia de combatê-los no Brasil Colônia. Vivi quase uma década na Suécia, país de impostos altos. Algumas pessoas reclamavam de tarifas progressivas. Argumento: trava o estímulo para produzir mais. Nunca vi, entretanto, alguém negando a qualidade dos serviços que o governo prestava. Era uma evidência cotidiana.

Em 2013, milhões de pessoas foram às ruas no Brasil exatamente pedindo melhores serviços públicos. De lá para cá nada mudou, exceto a descoberta do maior escândalo do século na Petrobras. Com ele surgiram também outros escândalos menores. E a conclusão expressa até por ministros do Supremo: o sistema de poder que dominou o Brasil é na verdade uma organização criminosa. Hoje, as pessoas têm muitas razões para achar que seus impostos são tragados pela incompetência e pela corrupção.

O governo quer que elas se esforcem mais. Se as consultasse sobre a proposta, receberia um maciço “não”. Ainda assim, as pessoas perguntam na rua: vai passar? Em termos puramente teóricos seria rejeitada pelo Congresso. Afinal, os representantes devem expressar a vontade de seus eleitores. Mas todos sabemos que o buraco é mais embaixo.

O governo, no momento, não domina a maioria dos votos. Mesmo entre seus aliados, o instinto de sobrevivência política costuma falar mais alto. O que um governo decadente pode oferecer em troca da execração dos próprios eleitores?

Creio que muitas decisões vão depender desse cálculo. No Brasil de hoje é possível difundir com muita rapidez a lista com o voto de cada deputado.

Perto da CPMF, os outros improváveis cortes do pacote do governo são secundários. É este imposto que vai ser o centro da batalha nas próximas semanas. De um lado, Dilma Rousseff já nas cordas, de outro a grande rejeição ao novo imposto. Ouso dizer que a sociedade é a favorita nessa luta.
No debate, vai aparecer muita gente dizendo como o imposto é importante para fazer o bem. No passado, o bem da saúde, agora o bem dos velhinhos. Por convicção, não tenho resistência a impostos. Pagaria tudo sorrindo se soubesse que o dinheiro está sendo bem aplicado. Não é o caso.

Então o que fazer? O CPMF é um imposto em cascata cobrado automaticamente nas transações financeiras. Podemos protestar, mas lembro que já se protestou contra a incompetência, em 2013, e mais especificamente contra a corrupção em 2015.

Não creio apenas em grandes manifestações. Alguns jornalistas as medem com avidez e podemos ter menos de 300 pessoas: vão concluir que a CPMF triunfou. O governo trata as grandes manifestações como populações de risco tratam as tempestades. Se a casa não caiu, o dia seguinte é de alívio.

Agora será preciso também uma pressão cotidiana sobre os deputados. Pelo menos em tese, dificilmente uma sociedade que tenha passado por um governo incapaz e um pesado esquema de corrupção será obrigada a pagar a conta sozinha.

Dilma decreta o aumento zero para o funcionalismo. Semanas atrás foi aos Estados Unidos e gastou cerca de US$ 100 mil só com aluguel de carros, e, naturalmente, uma limusine.

É toda uma cultura do próprio governo que precisa mudar. Além da incompetência e da corrupção, os governantes se comportam como nababos.

Mesmo na Suécia, onde se prestam serviços eficazes, as pessoas cairiam de susto se vissem uma conta de US$ 100 mil em aluguel de carro por um passeio oficial na Califórnia. Pode-se argumentar: o dinheiro não foi gasto, o governo deu o cano. Então vamos adiante: se os suecos soubessem que o governo contratou os serviços por US$ 100 mil e ainda por cima deu o cano, o próprio gabinete cairia.

Já vivo no Brasil há muitos anos, para não confundir realidades diferentes. Mas existem aspirações universais numa democracia. Uma delas é receber serviços decentes em troca dos impostos. A outra é exigir competência dos que se dispõem a dirigir o país. A ideia de que os governantes devam imitar o padrão de vida dos milionários é uma ilusão, embora a cena política tanto aqui como nos EUA seja povoada de celebridades e fortunas.

Quando me perguntam se a CPMF vai passar, respondo que pela lógica não. Mas não devemos apenas confiar na lógica. A CPMF é apenas um imposto. É toda uma visão de mundo que está em jogo.

Instale-se um governo confiável, eficaz e austero, aí então podemos conversar. O estrago foi muito grande. Se temos de pagar alguma coisa, é razoável que não seja pago exatamente aos responsáveis pelo prejuízo.

A CPMF é um processo kafkiano que se abre contra uma sociedade que não cometeu nenhum crime. Apenas escolheu mal numa eleição que, no fundo, era um tecido de mentiras.

Fernando Gabeira

A Perestroika

Gilmar Mendes está falando sozinho. O juiz Sérgio Moro está falando sozinho. Joaquim Barbosa falava sozinho. Ainda fala. O procurador Dalton Dallagnol está falando sozinho. Todos estes ilustres senhores estão escancarando a verdade na cara dos pagantes e nem isto é razão para uma tal de “imprensa” sair de sua confortável saleta com ar condicionado, onde dão um verniz nos press-releases picaretas de um governo idem, e conferir o que está sendo dito por todos estes ilustres senhores sobre a sofisticada organização criminosa.

É estarrecedor. De golpe em golpe, o que podemos ver claramente é uma manada de meliantes tentando desesperadamente esconder, com uma peneirinha rala, o solão que iluminou todos esses vampiros do elefante público que nos rapinam impunemente. O cheiro de cadáver queimado é insuportável, mas mesmo assim temos que ouvir um Chico Buraco entoando um patético “o petróleo é nosso” para ninguém menos que o bolivariano Stédile e seus exércitos de boquinhas amestradas, monstruosamente endeusadas pela parcimoniosa “mídia” de enganar incauto.

De onde surgiram esses cadáveres? Onde estavam nossos políticos, quando a “perestroika do avesso” se deu em nossas terras indefesas? Nenhum comunista gosta de lembrar da derrocada da União Soviética, não é mesmo? É do que se trata aquela bandeirona vermelha safadamente colocada diante da bandeira brasileira, nos comerciais calhordas do partido da estrelinha na cueca. Aquele “sonho de consumo dos outros” não passa de um embuste de proporções continentais.


Bastou acabar a grana e a pressão social subir dentro da Rússia da época para detonar uma ribanceira de proporções avassaladoras na sofisticada organização criminosa de lá. Imediatamente os países retomaram suas identidades nativas, acobertadas pela mão de ferro, a cortina de ferro e a cabeça de lata de seus governantes e lambedores de latrinas oficiais. Deu no que deu. Defrontar-se com a própria natureza calhorda de suas aspirações políticas, isso ninguém quer fazer por aqui.

Há um desfile aterrador de “Controlares”, sacolinhas de lixo, baldes de tinta vermelha na rua, salsichas superfaturadas, grana que os meliantes querem “repatriadas” para turbinar seus exércitos de saliva, stédiles, estiletes e outras armas brancas de matar em silêncio, que essa gente brande por aí em indecorosa ameaça, perfiladas contra a nossa cidadania. Só temos a palavra em nosso favor. Pois ela nos basta. Com ela sabemos que um Ministro do Supremo escancarou a sofisticada organização criminosa em detalhes estarrecedores.

O texto vai ficar para a história, como uma lápide a reclamar seus ocupantes. Eu pergunto: algum petista por aí consegue rebater essas conclusões inquestionáveis, de que não passam de um bando de batedores de carteira, agraciados com crachás, cargos públicos e cartões corporativos, depois que resolveram cacarejar uma ideologia que não passa da esquina? As semelhanças dessa seita e aquelas outras, graciosamente espalhadas por aí para rapinar o cidadão comum pela fé vendida em suaves prestações é gritante.


Sabemos quem está com a razão. E não é a grande mídia, no momento. Como eles farão para consertar o estrago causado pela feudalização de suas redações, pelo aparelhamento calhorda, pelo silêncio pusilânime que perpetraram contra a nação, pela recusa de levar a verdade aos seus leitores e espectadores é que são elas. Pegaram os “veículos de comunicação” e os jogaram ribanceira abaixo.

Tarefa fácil, levando-se em consideração o tipo de motorista necessário para a missão. Tirá-los do brejo agora, para dizer a verdade entalada na garganta da nação, não me parece coisa simples, nem digna de confiança, por parte da plateia desencantada com a natureza do show protagonizado até aqui. No momento, só mereceram um solene ostracismo.

Quando começarem os gritos de “Pega Ladrão” é que veremos quem se esconde debaixo dessas bancadas elegantes, tentando bater nossa carteira. Vai ser imperdível. Petista é vermelho e tem chifres. Só não vê quem não quer.

O Plano D de deseducação

Então tá. O governo não tem mais onde cortar. Quem explicou, com todas as letras, foi Edinho Silva. Ah, 90% dos brasileiros não sabem quem é Edinho Silva? É o ministro da Comunicação. O governo não tem Plano B para o ajuste. Faz sentido. Nunca teve Plano A, nem Plano X Y Z. Sempre teve o Plano D, de Dilma. E foi o que levou à falência nosso sonho de desenvolvimento responsável. Nem me refiro hoje a falência econômica. Passo a palavra a outro ministro, o da Educação, Renato Janine Ribeiro.


“Queremos que todos saibam do drama. É inaceitável em termos sociais”, disse Janine. Drama social? Depois de quase 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores, com o pai dos pobres e a mãe do PAC? O drama da deseducação não foi criado ontem. Não foi provocado pelos Estados Unidos, pela Europa ou pela China. Na “pátria educadora” de Dilma, alunos do ensino fundamental público vão mal nas três habilidades, leitura, escrita e matemática. É o que mostra um estudo oficial com 2,5 milhões de estudantes.

Os números são implacáveis. Um em cada cinco alunos (22,2%) do 3º ano não entende o que lê. Outros 34% encontram algum sentido, desde que a informação mais importante esteja na primeira linha do texto. Na escrita, o mesmo cenário. Mais de um quarto dos alunos do 3º ano não aprendeu a escrever direito. Ou não sabe escrever palavras (11,64%) ou troca e omite letras, sem conseguir produzir frases legíveis (mais 15,03%). Em matemática, um quarto (24,29%) não soma, com três algarismos, e não subtrai, com dois algarismos. O ministro Janine afirmou que o cenário da má alfabetização é “assustador”.

O Maranhão do clã Sarney e o Alagoas de Collor são dois líderes no mau desempenho. Mais de 40% das crianças do Maranhão estão no pior nível de leitura. Não conseguem ler nem uma sentença. É o resultado do slogan “tudo pelo social” criado pelo ex-presidente da República José Sarney e perpetuado por sua filha Roseana. Não entendo como um político que deixa uma herança tão maldita em seu Estado, com a ajuda prestimosa da filha, faz questão de batizar avenidas, pontes, hospitais e prédios públicos com seu nome.


É a vaidade cega. Ao ser eleito em 2002, Lula dizia que sua prioridade número 1 seria resgatar a dívida social, principalmente na educação e na saúde. Podia falhar em tudo, menos nisso. Cientistas políticos que vestiram a estrela diziam que seria até irônico o PT fracassar no investimento social e na geração de empregos. Agora, na crise provocada pela má gestão populista e pela irresponsabilidade, os que sofrerão mais serão a educação, a saúde e os empregos. Ninguém sabe fazer conta?

Nosso Estado inchado não fez e não faz as reformas necessárias, não mexe nos interesses sagrados dos partidos e não entrega os serviços merecidos pela população. Falha em todas as habilidades. Viola a Constituição ao não garantir os direitos básicos de cidadania. Ministro Janine, tem jeito de ensinar leitura, escrita e matemática ao Planalto?

Quem defende maior carga tributária no Brasil com o argumento de que os europeus descontam mais Imposto de Renda fecha os olhos para a realidade brasileira. Em primeiro lugar, europeu matricula filho em escola pública, se interna em hospital público e usa transporte público. Tudo com dignidade. O brasileiro sabe que o buraco aqui é mais embaixo: a arrecadação dos impostos não ajuda a si próprio nem aos mais carentes.

Já que estamos no abecedário da crise, vejamos o que o brasileiro paga. IPI, IOF, ISS, Cofins, IPVA, IPTU, DPVAT, Darf, Simples, Supersimples, DAE, Cide, ICMS, INSS, Rais, imposto sindical, taxa de incêndio, taxa do lixo, sobretaxa de água, bandeira vermelha para energia elétrica, taxa de estacionamento urbano, tributação rural. E agora a CPMF.

Peço desculpas por não expandir cada sigla. Mas não teríamos espaço numa página impressa. Fora o que pagamos para a máfia dos cartórios no Brasil, em dinheiro, tempo e estresse. Não podemos dar um passo sem “reconhecer firma”, sem provar que somos quem somos. Para enriquecer quem exatamente?

O Plano D, de Dilma em Desespero, pede o maior esforço ao contribuinte. Ressuscita o fantasma da CPMF, com o objetivo nobre de “ajudar os aposentados”. Se você é contra a CPMF, então é “contra os velhinhos”. As chantagens sucessivas de Dilma a tornam impopular com todos os setores da população.

É curioso. Ninguém hoje fala mais em “golpe” ou em “veredicto das urnas” que a presidente. Uma obsessão típica de quem se sente acuada. As contas de Dilma podem até ser aprovadas com ressalva pelo TCU, mas ela foi reprovada com louvor no ofício de “presidenta”. Eduque as crianças, Dilma, se ainda tiver tempo. É o mínimo.

domingo, 20 de setembro de 2015

Dilma Equilibra Prato CPMF Impeachment Congresso

O Brasil está deixando de ser esquerda?

Em meio ao redemoinho da crise que o país atravessa, é possível vislumbrar algo que parece ser novo e poderia marcar as próximas décadas: o Brasil está começando a deixar de caminhar para a esquerda e sente uma certa fascinação por valores mais liberais e conservadores, de centro, menos populistas ou nacionalistas e, paradoxalmente, mais modernos e globalizados.

Até antes da crise, ou das crises que se amontoam, ninguém no mundo político queria ser de direita aqui. Tanto é assim que entre o mar de partidos oficiais nenhum leva em seu nome as palavras direita ou conservador. Até o mais conservador deles, e um dos mais envolvidos no escândalo na Petrobras, o PP, se chama Partido Progressista.

O Partido dos Trabalhadores (PT), que já foi considerado o maior partido de esquerda da América Latina, marcava o passo como príncipe dos partidos, abraçado pelos movimentos sociais, os sindicatos, os operários e boa parte dos artistas e intelectuais. As ruas também eram do PT. E isso apesar de seu mentor e guia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se esforçar em dizer que ele não era “nem de direita nem de esquerda”, mas apenas um “sindicalista”. Em seus oito anos de Governo foi também aplaudido, mimado e defendido pelos bancos, as empresas e as oligarquias que foram amplamente recompensados por seu apoio. Ele mesmo repetia aos banqueiros que nunca tinham ganhado tanto como com ele. E era verdade.

O Brasil é visto fora de suas fronteiras com uma política de centro-esquerda, uma vez que o PT se aliou, para poder governar, com os partidos conservadores.

Essa roupagem de esquerda, com a qual era vista a política dos governos brasileiros, fazia parecer normal a preferência por países do socialismo bolivariano do continente. A direita neoliberal não tinha carta de cidadania no Brasil.

As coisas, dizem não poucos analistas, estão mudando, porque mudaram a rua e a sociedade, que começou a abandonar o PT ao mesmo tempo em que se perdeu o complexo, principalmente na classe média pensante, de defender valores como o liberalismo, que leva junto o desejo pela eficiência e o afã de criar sua própria empresa. E isso não só entre os filhos das classes mais abastadas, mas também com os da nova classe média oriunda da pobreza, que já não sonham como ontem com um trabalho fixo sob as ordens de um patrão para o resto da vida.

É essa mesma classe que, sem distinções ideológicas excessivas, defende hoje valores que são bem mais de políticas de centro, como a livre iniciativa, a eficiência dos serviços públicos, uma maior segurança pública, menos corrupção e um Estado menos gastador e onipresente.

Não basta a eles que o Estado ofereça esses serviços para todos, querem que sejam dignos de primeiro mundo, porque o Brasil tem um potencial de riqueza que possibilitaria isso.

Vejo até mais críticas na classe C com relação a certas bondades do Estado, como bolsas e ajudas sociais, do que em classes mais altas. Criticam que muitas dessas ajudas podem acabar acomodando as pessoas e as tornar preguiçosas para trabalhar e melhorar sua capacitação profissional.

Poucos brasileiros duvidam que o país está às vésperas de uma mudança que pode ser de época. Ninguém sabe ainda profetizar no que consistirá essa mudança e em que direção irá, nem qual partido e líder político serão capazes de expressar e reunir o que está sendo gerado de novo nessa sociedade.

O que parece cada dia mais provável é que a seta não aponta mais preferencialmente para os caminhos da esquerda, que foram necessários e criadores da prosperidade social, mas hoje estão perdendo o interesse e a credibilidade.

É verdade que os termos esquerda e direita hoje já não possuem mais a força que possuíam no passado, mas o que a sociedade brasileira parece estar buscando se assemelha mais com as políticas dos países hoje mais igualitários, com democracias mais consolidadas, com menores taxas de corrupção política, com moedas fortes e com liberdade de empreender economicamente.

Tudo isso, junto com uma política de bem-estar social.

O que tenho escutado de muitos trabalhadores neste país é o desejo e a esperança de que, assim como no trabalho profissional, um brasileiro possa gozar do nível de vida e dos serviços públicos que hoje desfrutam os cidadãos de países considerados conservadores, onde as diferenças sociais não são tão evidentes e tão brutais como nos países embalados pelas sirenes de um populismo que, com muito Estado e pouca cidadania, acaba reproduzindo pobreza, como hojeestão sofrendo em parte nossos vizinhos argentinos.

O Brasil quer mais e melhor. E quer isso com políticas mais próximas do centro, com maior liberdade de ação, sem tutores que desejem guiar seus passos e dizer o que é melhor para as pessoas. Os brasileiros querem que sua palavra, seus projetos e suas ideias tenham também valor e peso nas decisões que forjam o destino do país.

Essa é a verdadeira subversão que hoje começa a viver essa sociedade viva e rica, que está aprendendo a dizer “não”. E, como defendia o escritor e ganhador do Nobel de Literatura José Saramago, às vezes o “não” da rebelião é muito mais construtivo do que o “sim, senhor” da resignação ou da apatia.

A rebelião não tem cor política.

Saramago era de esquerda, comunista.
Juan Arias

Desta água não beberei

Desta água não beberei 
é um dito mui comum; 
mas de vós não diz nenhum 
deste pão não comerei, 
porque muito certo sei 
que quem pão alheio achou 
que dele muito gostou, 
seja de trigo ou centeio, 
porque comer pão alheio 
a ninguém enfastiou. 
António Serrão de Castro (1610 - 1685)

É bom melhorar

Com todo o respeito, peço desculpas por discordar da senhora presidente. Não consigo mais ouvir calada essa história de que quem sofre com a situação atual, quem se aflige com os rumos do país, perde o sono e se angustia a cada instante com o descalabro que estamos vivendo, enfim, quem ama nossa terra faz parte do “pessoal do quanto pior melhor”, como reiteradamente ela nos acusa.

Para quase todos nós, se continuar piorando só fica mais doloroso mesmo, e tudo o que queremos é que as coisas melhorem. De verdade e para valer, sem ilha de fantasia, sem slogan, sem mentirada de marqueteiro em programa eleitoral.

Considerando que a rejeição à presidente anda nas nuvens, e sua aprovação está no fundo do poço, não é exagero afirmar que para a grande maioria da população brasileira, quem está fazendo tudo a seu alcance para que as coisas piorem cada vez mais é o governo. Se é que tamanho desgoverno pode assim ser chamado.

Quem perdeu a credibilidade e produz instabilidade é o comportamento errático e randômico, imprevisível e ilógico dos que deviam governar o país, e com essa obrigação foram eleitos. Para isso, ganharam nas urnas, embora atestassem sua cegueira para a realidade ao recusar o que mostravam todos os índices, os inúmeros jornalistas agredidos por isso, qualquer economista que não fosse de suas hostes e até mesmo o singelo relatório da pobre analista do Santander — cuja cabeça teve de ser sacrificada às certezas descoladas dos fatos, sempre prontas a xingar a matemática, acusando-a de neoliberal ou rudimentar.

Quem piora a situação quando cala ou quando fala é o descontrole nascido da irresponsabilidade, da falta de transparência e da teimosia em fingir que sabe tudo para esconder a incompetência, juntando tudo isso num jogo de improviso permanente, que a cada instante volta atrás e desdiz o que disse, partindo para outra.

Basta ver quem foi que há pouco enviou ao Congresso uma proposta de orçamento deficitário, num movimento a meio caminho entre a chantagem aos parlamentares e o alerta às agências de classificação de risco para o tamanho da paralisia oficial. Consumada a perda do grau de investimento, consequência lógica, quem lançou o balão de ensaio da volta da CPMF com a desculpa de financiar a saúde?

Quem recuou em seguida? Quem daí a pouco voltou a trazer à mesa essa carta, dizendo então que era para a Previdência, em alíquota de 0,2%? Quem, horas depois, já falava em 0,38%, agora para dividir com os governadores, comprar sua eventual influência junto aos congressistas e estimular a irresponsabilidade fiscal nos estados?

Quem no meio de tudo isso autoriza que o palácio renove sua prataria enquanto desautoriza o ministro da Fazenda, deixando-o ser atacado pelas bases do partido? Quem, do nada, a esta altura, deixa um quadro ligado ao MST interferir para reduzir a autonomia dos militares ou lhes tirar o controle sobre a formação de seus oficiais?

Quem só sabe negociar com o Congresso lhe oferecendo mais do mesmo: prometer o que não vai cumprir e acenar com vantagens e verbas? Quem, em quase 13 anos no poder, não se mexeu para fazer qualquer reforma profunda num orçamento engessado, com gastos vinculados aos reajustes do salário-mínimo e uma previdência que só tinha alguma chance graças ao gatilho do demonizado fator previdenciário?

Quem sempre acusou os outros de arrogantes, metidos a sabichões que podiam explicar tudo, mas jamais se deu ao trabalho de pedagogicamente explicar à população a situação da Previdência nem mostrar que acabar com privilégios, pensões imerecidas e outros abusos não pode ser confundido com perda de direitos trabalhistas?

Quem não convence mais nem consegue explicar nada (e por respeito não menciono a mandioca e outras gracinhas) pelo simples fato de que não consegue entender? Quem não percebe que o problema está na dívida pública crescente, nas despesas obrigatórias irreais, na política de estímulos de gastos, em nossos índices ínfimos de produtividade?

Mesmo discordando quanto aos remédios e tratamento deste pobre Brasil, não dá mais para ignorar os resultados dos exames nem se recusar a ver que pode ser correto o diagnóstico que eles apontam. Se o governo quer se suicidar, não pode exigir nossa cumplicidade nessa maluquice.

Sabemos que a democracia foi conquistada a duras penas. A estabilidade da moeda também. Custa reconhecer? Contestar as trapalhadas dos governantes que nos levaram a este atual estado é uma forma de amar o Brasil: não é se identificar ao golpe de 64, nem servir à ditadura ou não ter história democrática, como ofensivamente quer fazer crer o líder do governo, nessa conversa de que a oposição quer cutucar a onça com vara curta. Isso não dá para admitir. É uma provocação.

Bicho por bicho, já que a vaca foi pro brejo e estamos dando com os burros n’água, é bom se perguntar quem é a barata tonta, quem parece cabra-cega e quem é mesmo que está cutucando a onça desta nação com vara cada vez mais curta.

Ana Maria Machado

Apertem os cintos, o governo acabou e ainda não percebeu

A situação é terrível, já se passaram nove meses e ainda não existe ajuste fiscal. A presidente Dilma Rousseff apenas finge que está administrando o país, parece não se importar com os prejuízos que vem causando aos brasileiros da classe média para baixo, porque os da classe mais alta são rentistas e conseguem obter lucros financeiros em plena crise.


Os economistas têm advertido para a gravidade da crise, mas o governo se faz de desentendido. O professor Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, já advertiu que a Grécia quebrou quando venceu 13% de sua dívida e no Brasil já estão vencendo 17%.

Há grandes diferenças entre um caso e outro, mas acumular dívidas que não se consegue pagar é uma espécie de haraquiri administrativo. A solução é rediscutir a dívida, através de uma auditoria, declarar moratória ou obter superávits fiscais. O resto é folclore.

No caso brasileiro, a moratória é proibida pela Constituição, por obra e graça do ex-deputado Nelson Jobim, um traidor da pátria, que deveria estar preso, mas vive sendo nomeado ministro, como se fosse insubstituível um homem de bem.

Quanto à auditoria da dívida, que também é norma constitucional, não teve um Jobim para defendê-lo, jamais foi realizada, virou letra morta.

Resta o superávit, que depende de um ajuste fiscal mais rigoroso, porque a proposta apresentada semana passada é uma espécie de remendo, com objetivo de apenas empatar receita e despesa, e isso não é superávit. Não servirá para amortizar um centavo da dívida, que continuará cada vez mais fora de controle.

Dilma Rousseff é uma farsante. Alardeava ter Doutorado em Economia, mas nem Mestrado fez. Se julga uma sumidade, a gerentona do Lula, mas está destruindo a economia nacional, a arrecadação despenca, o desemprego aumenta, o clima é de pessimismo e apreensão. Mesmo assim, ela diz que nada fez de errado, coloca a culpa no Congresso e nos golpistas que identifica a cada esquina.

Enquanto Dilma Rousseff e sua trupe estiverem no poder, o país não sairá do estado terminal. No dia em que ela sair, a Bolsa de Valores subirá 10 pontos, as pessoas vão se abraçar nas ruas, nascerá um novo país, não importa quem seja o presidente que a substituir. Como diz o Tiririca, pior não fica.

Portanto, a salvação do país está nas mãos dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral e do presidente da Câmara, Eduardo Coutinho. Não faltam motivos para cassação e impeachment. O que falta é que eles lembrem o que disse o Almirante Barroso e cumpram seu dever. É isso que esperamos.

Curitiba, a capital federal

Dilma desesperada

Mesmo com apoio popular, cercado por alianças fortes, gente competente e confiável, governar é um ato solitário, difícil, não raro angustiante. Sem nada disso é desesperador. Para o governante e, em especial, para os governados. No caso da presidente Dilma Rousseff, uma agonia que agudiza os efeitos da crise que já fez o país retroceder quase duas décadas.

Sem plano B, como assegurou o ministro Edinho Silva, A ou qualquer outro, Dilma transformou o improviso em método de governo. A cada dia anuncia algo que no dia seguinte será desanunciado para ser reanunciado em seguida.

Fez um escarcéu com o envio inédito de um orçamento com déficit para defender superávit dias depois. Refez tudo em um único final de semana. Anunciou cortes e novos impostos - e nem mesmo os mandou para o Congresso. Vai, volta, vai de novo, volta de novo.

Mas não é a única.

O ex Lula também tem vibrado como biruta em vendaval. Muda de ideia todas as vezes que desembarca em Brasília.

O mesmo Lula que passou a não esconder a insatisfação com a afilhada, que criticava abertamente o jeito desajeitado de Dilma fazer política, com declarações mais duras do que as da oposição quanto ao pacote fiscal, de repente dá demonstrações de não querer mais desapear sua pupila.

Dedicou a quinta e a sexta-feiras a uma agenda frenética de reuniões com petistas e aliados. Surpreendeu ao defender a permanência de Aloizio Mercadante no Ministério e com um inesperado encontro com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a quem caberá o primeiro de muitos passos que um processo de impedimento da presidente terá de percorrer.

Desafeto e opositor declarado da presidente, Cunha só seria procurado por Lula em situação extrema.

Os movimentos erráticos do ex, ora pró, ora contra a presidente - para ter tempo de salvar o PT e a si -, exprimem o tamanho da aflição. Permitem imaginar que o patrocinador teme o volume de informações que Dilma detém e o que ela pode fazer com isso caso seja destituída.

Aqui, é a operação Lava-Jato que fala mais alto.

Mais do que as pedaladas em julgamento no TCU. Ou a possibilidade de que o TSE aprove a procedência da ação do PSDB contra o uso pela chapa Dilma-Temer de recursos provenientes de corrupção, tema que pode ser colocado em pauta na terça-feira, 22, e já conta com maioria em favor de sua admissão.

É o andamento das investigações da roubalheira na Petrobrás e seus anexos que alucina Lula, Dilma e cia. É o que vai ditar o ritmo da apresentação, do aceite ou não do requerimento de impeachment. Que vai definir o passo do PMDB de Cunha, Renan Calheiros e do vice Michel Temer, e a velocidade da corrida da oposição.

Não é por Brasília. É por Curitiba que o país passa.
Mary Zaidan

Pássaros voando

“São pássaros voando”, costuma dizer a pessoa que mais amo nesta vida, quando desando a enumerar motivos para sustentar um discurso prematuramente vitorioso. Sugere cautela, e via de regra não dá a menor pelota para as razões que justificariam meu otimismo. O conselho nunca é bem recebido, admito, mas no fundo lamento até hoje ainda não ter aprendido a segui-lo.

E foi assim, desgraçadamente abraçado à minha própria natureza, que dia desses me peguei já imaginando um Brasil sem o PT no poder. Pássaros voando? Obviamente, responderia meu anjo da guarda, afinal de contas, ainda faltam mais de três anos para 2018. De todo modo não resisti, e conforme prosseguia no devaneio, perguntas e respostas subdividindo-se em outras tantas, cheguei mesmo a questionar se não tenho alguma predisposição para o sadomasoquismo. 


Que a premissa é ótima, a melhor possível, eu nem mesmo discuto. Digo, se alternância no poder é saudável, que dirá quando o partido hegemônico desconhece escrúpulos, rouba bilhões, sucateia estatais e manipula o povo. Entretanto, noves fora este aspecto, passei a me perguntar se teríamos outras desculpas para soltar fogos de artifício.

Tomemos justamente o próximo pleito presidencial como exemplo; não seria bacana se finalmente surgisse a tão propalada terceira via? E não apenas um ótimo candidato, mas também um ótimo partido, capaz de romper com este eterno cancro chamado peemedebismo, sem falar na falsa dicotomia entre PT e PSDB? Seria, mas sequer consigo vislumbrá-la. E enquanto as opções forem Marina, Genro, Bolsonaro, mil vezes andar em círculos no picadeiro centro-esquerdóide em que se transformou a nossa cena política.

Mas então, se as perspectivas políticas não são das melhores, o que de fato mudará a partir de 2018? Deixaremos de ser provincianos? Passaremos a ser mais honestos? Menos hipócritas? A dar mais importância para o comportamento diário, quem sabe, até mesmo a primar pela gentileza?

Também não me parece uma previsão sensata. Muito pelo contrário, acho impossível viver para testemunhar um Brasil livre dessa classe média modorrenta, crente e hábil em ginásticas argumentativas quando o que está em jogo é sua pretensa moral superior.

Idem para os mais pobres. Continuarão sendo tutelados, domesticados, bionicamente alçados a falsos patamares sociais, em outras palavras tratados como putas, pois é assim que funciona no país do toma lá, dá cá.

Se teremos alguma mudança no chamado andar de cima? Não, é claro. Ser da elite continuará significando ter dinheiro, mas não garantirá educação, valores verdadeiros ou compaixão sincera.

O grande problema do Brasil, meus caros, sempre foi, é e continuará sendo o brasileiro. Assim como eu, todos por aqui são afeitos a hábitos autodestrutivos. Quando erramos, achamos o máximo, pois o erro nos dá livre entrada no reino da auto-piedade. E tem coisa que melhor sabemos fazer, com gosto, do que sentir pena de nós mesmos?

Sim, o PT precisa deixar o poder, mas não me iludo. Por mais doloroso e vexatório que seja o processo, capaz de envergonhar, não apenas a seus eleitores, mas a todos nós, como brasileiros, nosso futuro continuará negro.

Enquanto continuarmos a ser essa massa egocêntrica, metida a fazer de conta que a vida é uma grande brincadeira, e que talvez, quem sabe, sejamos todos imortais.
Estamos numa situação dramática. Estamos vendo o esgotamento de duas agendas: da sociedade e do pensamento petista. O problema é que quando a gente percebeu o problema, o buraco já era bem profundo
Samuel Pessôa, Instituto Millenium

Como os bancos latino-americanos continuam lucrando apesar da crise


Os bancos na América Latina parecem ter encontrado a fórmula dos sonhos no mundo dos negócios: ganhar cada vez mais dinheiro, mesmo em tempos de vacas magras.

No Brasil, o lucro conjunto dos quatro maiores bancos cresceu 46% no primeiro semestre deste ano ante o mesmo período de 2014, apesar de o país enfrentar uma recessão e um escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e o governo federal.

No México, os lucros do setor bancário aumentaram quase 14% entre janeiro e junho deste ano na comparação com a primeira metade de 2014 - ou seja, cinco vezes mais que a taxa de expansão do PIB (Produto Interno Bruto) local.

Algo parecido ocorre em outras nações latino-americanas com economias em desaceleração.

Bancos de países como Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai registraram mais ganhos nos primeiros seis ou sete meses de 2015 do que em períodos iguais do ano passado.

A tendência se estende a países que passam por estagnação econômica desde 2014 e onde os governos adotam bandeiras de esquerda.

Bancos da Argentina e da Venezuela ocuparam os 10 primeiros lugares de um ranking regional de retorno sobre capital, divulgado pela publicação especializadaThe Banker em novembro.

Ainda que em geral a bonança tenha começado há tempo para a banca latino-americana, quando a economia regional avançava a pleno vapor, os resultados atuais chamam a atenção de especialistas.

"O lucro, devo dizer, é um pouco surpreendente", reconhece Claudio Loser, ex-diretor para a América Latina do Fundo Monetário Internacional (FMI), em conversa com a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

A despeito das características de cada sistema financeiro, que variam por tamanho e regulação, os latino-americanos têm pontos em comum, apontam analistas.

Um deles é que costumam cobrar juros altos pelo crédito ao consumo (no Brasil, por exemplo, a taxa anual para cartões de crédito acaba de atingir 350,79%).

"Você pode observar taxas de lucros muito altas (dos bancos latino-americanos) porque eles tiveram acesso a fundos muito baratos e emprestaram a taxas altas" diz Loser, diretor da consultoria Centennial Latin America, em Washington.

Os créditos ao consumo chegaram a crescer cerca de 20% por ano na região durante a última década, devido à expansão histórica da classe média, que atingiu 181 milhões de pessoas ou 34% da população total.

A quantidade de latino-americanos adultos com conta bancária passou de 39% do total de 2011 a 51% no ano passado, de acordo com o Banco Mundial.

Uma era de incertezas

Sei que o problema não é só nosso, e que a Europa, por exemplo, não descobriu ainda uma solução para os milhares de refugiados que buscam o continente, fugindo da miséria e das guerras. As nossas incertezas não atingem essa dimensão trágica, nem a de países que estão sujeitos a terremotos, como o Chile; são dúvidas menores que se apresentam sob a forma de crise em várias frentes, que não deixam de afetar nossa vida cotidiana.

A mais frequente delas, mas não a mais grave, é a temperatura, cada vez mais incerta. Fui a São Paulo outro dia levando os agasalhos que a meteorologia recomendava, e achei que estava desembarcando no Santos Dumont, nesse nosso verão de 39 graus em pleno inverno (antigamente, os jornais chamavam o calor carioca de “senegalês”; hoje, parece que a imprensa de lá chama o verão deles de “carioquês”).

Para essas mudanças bruscas, porém, basta trocar de roupa e tomar remédio contra o resfriado ou a gripe. Mas e contra a incerteza econômica, o que fazer? A CPMF vai mesmo voltar? Ela passa no Congresso? E a inflação vai ser de quanto? E o desemprego? E o custo de vida? O pacto de ajuste vai resolver a crise fiscal, a recessão e a perda do selo de bom pagador? O ministro Edinho Silva disse que o governo não tem plano B. E se nada do plano A der certo?

Como se todas essas questões não fossem suficientes, há a incerteza política de um país na dúvida se a presidente vai conseguir terminar o mandato, seja por renúncia ou por impeachment. A julgar por sua preocupação, o risco é grande. Esta semana mesmo ela discursou umas três vezes defendendo a sua administração e acusando de golpismo os que querem interrompê-la. Segundo ela, seria uma “versão moderna de golpe de Estado”.

Deve haver os que agem assim por motivos mesquinhos, mas generalizar é no mínimo uma ofensa a personalidades como os respeitáveis juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo, que já protocolaram pedido de impeachment na Câmara dos Deputados. Bicudo, petista histórico, um dos fundadores do partido, não deixou a presidente sem resposta: “Impeachment não é golpismo, é um remédio prescrito na Constituição; golpismo é de quem fala que é golpe”. Sem o mesmo peso político, mas com o mesmo objetivo, há mais uns 16 pedidos para serem avaliados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Não se sabe o que é pior, se a incerteza em relação ao presente ou se, no caso de afastamento da presidente, a insegurança com o que viria depois. Não é em toda ruptura de governos que surge um Itamar Franco.
Zuenir Vedntura

Brasílio e a dieta do dr. Bellezza

Nunca fora um grande atleta, mas Brasílio se sentia ainda mais fraco. Não conseguia sustentar o ritmo das passadas e seus tempos na corrida começaram a subir visivelmente. Preocupado, foi procurar a nova médica, que recentemente se instalara nas vizinhanças, em busca de diagnóstico e tratamento.

Dra. Vilma chamou uma junta de especialistas de sua confiança, em especial o Dr. Bellezza, e decretaram que a queda de desempenho de Brasílio tinha uma causa simples: desnutrição.

O remédio era a dieta do Dr. Bellezza: sete refeições ao dia, ricas em carboidratos e gordura, regadas a doses generosas de refrigerantes e finalizadas com sobremesas variadas.


Não era uma opinião compartilhada por todos os especialistas. Boa parte deles considerava que Brasílio já andava meio gordinho e que o problema, na verdade, resultava de insuficiência cardíaca.

Brasílio, porém, nunca gostara de dietas muito rígidas e lembrava bem como, uns anos antes, havia sofrido de desnutrição por conta de uma piora na qualidade da comida importada, que lhe causara fraqueza considerável.

Não havia, é bom que se diga, nenhuma indicação que a comida importada tivesse sofrido qualquer deterioração visível nesta ocasião, apesar dos alertas estridentes do Dr. Pombini a respeito.

Seja como for, Brasílio embarcou na onda. Com as sete refeições do Dr. Bellezza passou a se sentir muito feliz. Sempre gostara de massas, churrascos, doces, refrigerantes e a sensação de consumi-los por ordem médica, sem culpa, era inigualável.

Não houve, porém, qualquer melhora em sua performance. Pelo contrário, os tempos continuaram a piorar, agora acompanhados de fortes dores musculares.

Voltou à Dra. Vilma que, aconselhada pela junta, não apenas manteve o diagnóstico, como reforçou a dose: agora eram nove refeições e os refrigerantes, antes opcionais, passaram a ser obrigatórios.

O desempenho piorou ainda mais e Brasílio chegou a cogitar consultar outro médico, mas a perspectiva de perder a feijoada de quartas e sábados, a picanha nossa de cada dia, os doces à vontade, assim como a alegria advinda da sensação da barriga permanentemente cheia falaram mais alto e ele manteve a Dra. Vilma.


Até que, certo dia, sofreu um colapso. Já não se tratava sequer dos seus tempos na corrida: sua temperatura havia subido, seu peso havia ultrapassado todas as medidas razoáveis (apesar das tentativas da equipe da Dra. Vilma de alterar o funcionamento da balança e do termômetro) e o seguro-saúde passou a cobrar prêmios elevadíssimos.

Veio o novo diagnóstico: era mesmo insuficiência cardíaca.

Dra. Vilma colocou a culpa na comida importada (!), mas, mesmo assim, mudou sua equipe, agora chefiada pelo Dr. Manoel Cohen, que tentou enquadrar Brasílio numa dieta severa. Cortaram o refrigerante, mas não conseguiram fazê-lo largar dos carboidratos, nem da gordura.

Brasílio segue prostrado e os prêmios da seguradora explodiram. Ainda assim, Dr. Bellezza e seus asseclas culpam a dieta, mal-e-mal adotada desde o começo do ano, pelos problemas do paciente, aferrados ao diagnóstico de desnutrição, apesar da barriga saliente, e a Dra. Vilma ainda resiste aos conselhos do Dr. Cohen.

Enquanto os charlatões vociferam, Brasílio agoniza, numa maca imunda do Sistema Único de Saúde.

Quem paga a conta

Desenvolveu-se no Brasil a cultura de baixar pacotes e planos ditos milagrosos sempre que alguma engrenagem da máquina pública deixa de funcionar ou quando as instituições se mostram incapazes de cumprir seu papel social e suas obrigações financeiras.

Quando, por exemplo, uma nova modalidade de violência choca a opinião pública, editam-se leis com vistas a endurecer a punição. Em outro extremo, quando as contas não fecham, busca-se modificar o sistema de tributos.

Geralmente acabam se revelando paliativos, quando não se prestam a abarrotar o Judiciário de ações com vistas a reparar os danos que invariavelmente causam aos cidadãos, de injustos que são.

Neste momento, diante de uma sucessão de desacertos na condução dos negócios públicos, trazendo de volta ao imaginário e vocabulário populares expressões que andavam sumidas, como recessão, inflação e desemprego, o governo federal finalmente desceu do palanque para admitir a crise. Mas a criatividade que mostrou durante a campanha, onde se pintava um céu colorido e um horizonte de maravilhas, não teve na hora de enfrentar a realidade.

Ao contrário. O mundo agora é em branco e preto e o horizonte, sombrio. Sem ideias novas, recorre-se à velha fórmula do remédio amargo. A malsinada CPMF, conhecida como imposto do cheque, é o mais comentado do momento. O objetivo é fazer com quem tem emprego e renda – ou seja, quem trabalha – engula sem reclamar a dose prescrita pela equipe econômica e aprovada pelo Congresso Nacional, se é que haverá condições para tanto.

O contribuinte brasileiro já sofre com uma das mais pesadas cargas tributárias do planeta. E o que é pior, uma carga injusta, pois simplesmente não há contraprestação que se possa chamar de decente entre o que se paga de impostos e o que o Estado oferece em troca. Vide saúde e educação como rápidos exemplos.

O filme é velho, o roteiro é o mesmo, só mudaram os personagens. Quem não se lembra dos planos Bresser, Collor, Cruzado, Real, Verão? Todos tratavam de regras de transição em períodos de inflação alta, ajuste de preços, poupança etc. De milagrosos passaram a ser mirabolantes e seus nomes ainda hoje ecoam nos corredores da Justiça país afora.

Os milhões gastos com publicidade nas últimas eleições deviam ter ensinado alguma coisa ao governo, mas ao que tudo indica só serviram para rechear a conta do marqueteiro da ocasião, que a essa altura, se for esperto, deve estar bem longe da crise.

No âmbito do Distrito Federal não é diferente. Para fechar as contas até o final do ano, o governo local anunciou uma série de medidas, entre elas a suspensão do reajuste do funcionalismo público, na prática empurrando uma fatura que será cobrada, mais na frente, com juros e correção monetária. Está previsto também aumento de IPTU, ICMS, além da elevação das tarifas de transporte público. Haja sacrifício – do povo, claro.

Mas nada chama mais a atenção do que o incrível percentual de 400% para reajustar a entrada do Zoológico, um dos poucos espaços públicos da capital do país onde o dito cidadão respeitável tem condições de ir aos domingos com a família dar pipoca aos macacos, como lembra a velha canção do Raul. Tinha, porque o preço ficou salgado, pulando de R$ 2 para R$ 10! Por essa, nem o Maluco Beleza esperava.
Ibaneis Rocha

sábado, 19 de setembro de 2015

DIlma Levy sofa criando impostos sobre corrupcao brincadeirinha

Vade retro!

O PT é uma empresa de demolição – a melhor que o país já conheceu - a quem se incumbiu a tarefa de edificar. O resultado não poderia ser outro: a desconstrução do país. E não apenas na economia, mas em todos os demais campos da cena pública.

Diante dos destroços, com o pedido de impeachment já na Câmara, prepara-se para fazer o que sempre soube: demolição – isto é, oposição. A base petista não quer a saída de Dilma, mas condena o que ela vê como tábua de salvação: seu pacote fiscal.

Satanás  (Foto: Arquivo Google)
Põe em cena, então, um modo singular de apoio: a favor do governo e contra seus projetos; a favor do moribundo, mas contra a medicação. No que isso vai dar, não se sabe, mas se imagina. Mais destruição. O presidente da CUT, Vagner Freitas, prometeu pegar em armas contra os que querem a saída da presidente, mas usou de igual veemência para condenar as armas que ela própria concebeu para livrar-se do impedimento, o pacote fiscal.

Cabe aí o chavão: com aliados assim, pra quê oposição? Lula et caterva sustentam que é possível continuar a crescer, manter benefícios, crédito e consumo a rodo, sem submeter a economia a remédios amargos. Não explicam como, até porque não sabem – e até porque não há como.

Mas são detalhes. Importa manter a massa inflamada, supondo que algum vilão a quer surrupiar. As elites, claro.

O partido se especializou em propaganda enganosa. Com ela, e subsidiado com propinas extorquidas da Petrobras, venceu as eleições, mas não entregou a mercadoria. Nem entregará.

Considera, mesmo assim, que o partido e sua eleita são detentores de um mandato intocável, não obstante as previsões legais e constitucionais para situações como essa.

O país está economicamente arruinado. Ainda que o pacote de Joaquim Levy fosse um achado genial – e, óbvio, não é -, não teria o governo meios de implementá-lo, por não dispor de credibilidade. Sem ela, nada feito. Economia não é ciência exata; tem forte e decisivo conteúdo psicossocial.

Se hoje Dilma dispusesse de outro Plano Real – ou de um ainda melhor -, fracassaria. Ninguém o levaria a sério. A credibilidade do governante e de seu entorno é fundamental. As pesquisas mostram que algo em torno de 7% é o que restou à presidente de apoio na sociedade. Menos que a taxa de inflação.

Se tivesse juízo, pediria o boné e voltaria para casa. Mas não tem – e isso é um dos componentes da tragédia. A presidente, no desespero de sua aridez mental, topa tudo, até a estatização do jogo do bicho e da roleta. “Não descarto nenhuma fonte de receita”, avisou semana passada. Até cobrança de IPTU para as sepulturas está em curso – parece piada, mas não é. Demolições S.A.

Antes de sair, há ainda alguns estragos à vista. A OAB, a CUT de gravata, conseguiu emplacar no STF a proibição de doações eleitorais por parte das empresas. O PT, como lembrou o ministro Gilmar Mendes, não tem com o que se preocupar: já tem doações suficientes para muitas eleições, como o demonstra o Petrolão.


O aparelhamento das instituições é de tal ordem que, antes das votações – não só no STF, mas no STJ, TCU e TSE -, a imprensa ocupa-se, com a maior naturalidade, em antecipar os resultados: tantos ministros votam com o PT, tantos são independentes. Costuma funcionar.

Poucos se deram conta da gravidade das palavras do ministro Gilmar Mendes, ao acusar o PT de ganhar as eleições com dinheiro público roubado. Do lado avesso de suas argumentações, o ministro Marco Aurélio Mello considerou ilegítimo receber dinheiro de empresas privadas, ainda que declarado. Ou seja, considerou todo o espectro político derivado das urnas ilegítimo, já que assim funcionaram as eleições passadas – e as que as precederam.

Nem tudo é como parece. A proibição soa como medida moralista, cuja ausência teria gerado a corrupção em curso. Mas não é. A proibição não suprirá a necessidade de as eleições serem financiadas, sobretudo num país-continente. O dinheiro virá agora do caixa dois e do Estado. Como este está vazio, resta o dinheiro clandestino. O STF legalizou o caixa dois – exceto, talvez, para o PT, que está abastecido para umas dez campanhas.

Tudo o que se sabe até aqui circunscreve-se à Petrobras e a uma pontinha da Eletrobras. Mas há bem mais: BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil, fundos de pensão etc. Onde haja um cofre, há um arrombamento. Dos generosos empréstimos externos do BNDES, quanto retorna como caixa dois ao PT para os embates eleitorais futuros? Não se sabe. Ainda.

Ao final de 13 anos do PT, legenda de número 13, seu espólio está sendo julgado na 13ª vara federal de Curitiba, enquanto na Câmara dos Deputados 13 pedidos de impeachment foram reunidos em um só para dar início à reconstrução do país.

É uma numerologia macabra, em que o 13, mais que nunca, consolida sua reputação mítica de número do azar. Vade retro!

Dilma, o futuro a absolverá


Quando Dilma Rousseff foi eleita presidente da República, em 2010, o ex-presidente Lula imaginava que a reprodução do seu modelo de Governo estava apenas começando. O lulismo, como o batizaram, estava dando o primeiro passo sem a presença do seu criador. Dilma seria a porta-bandeiras por quatro ou oito anos, outro, senão o próprio Lula, assumiria, e o lulismo persistiria no poder por décadas, assim como o peronismo persiste na Argentina.


Logo na primeira troca de faixas, esse projeto que duraria “mil anos” começou a encontrar dificuldades estruturais marcantes. Dilma não seguiu à risca a cartilha do lulista. O incentivo à busca do consenso, o meio termo, os passos calculados e a eterna ampliação da base aliada não era o que Dilma tinha em mente. O início fulminante do Governo, com aprovação nas alturas e com Dilma, mãe do povo, na verdade era o fim do lulismo. O fim de um projeto que funcionou bem por oito anos, mas não tinha fôlego para ser eterno.

O dilmismo entrou em cena no fim de 2012, início de 2013, embora o povo só tenha tomado conhecimento desse novo modelo de Governo em junho de 2013, quando as manifestações explodiram país afora. A partir daí o dilmismo enraizou-se sem se alterar, sem abrir o mínimo espaço para o lulismo nos anos seguintes.

Esse conflito de pseudo-ideologias viveu uma trégua durante as eleições de 2014. Afinal, ainda havia para o ex-presidente Lula a chance de mudar a forma de atuar de sua pupila, enquanto para Dilma havia a esperança de convencer o mentor de que, no momento, o seu modelo é mais moderno e adequado para o Brasil.



Não foi o que ocorreu. Desde sua vitória apertada nas urnas, o dilmismo morreu, e em um ato imprecedente, arrastou junto o lulismo. Dilma, sem saber, está sendo a Margaret Thatcher brasileira.

Por meio de seus erros, seus equívocos, o Brasil está adotando uma mentalidade diferente da que reinou nos últimos anos. O desejo de diminuir o Estado, seja por meio do corte de ministérios ou demissão de cargos comissionados, não existe só entre a elite empresarial de São Paulo. Já se tornou um desejo nacional, onde brasileiros estão entendendo que eficiência é o que garante comida na mesa. Desburocratização, menos impostos e excelência são demandas que se ampliam entre várias camadas sociais.

Dilma está promovendo uma mudança de mentalidade na imprensa, em formadores de opinião e no meio político sem precedentes. Por conta dela e do PT, o maior partido de esquerda do país irá encolher nas próximas eleições. O Congresso tornou-se mais conservador do que foi em muitas décadas. À beira do abismo, o PT pode abrir espaço para o PMDB e o PSDB se transformem em dois gigantes, e o possível herói que pode salvar o Governo dito de esquerda ser um economista da Escola de Chicago. Não esqueçamos de que um mamute, como a Petrobras, que sairá magra, eficiente, bonita e ágil quando tudo isso passar e seus parasitas forem eliminados.

Ora, nem que quisesse, Dilma promoveria tantas mudanças que empurrariam o Brasil para um ambiente tão liberal quanto o que está se formando. Seus erros e os do PT chegaram a tal ponto que a criação do Partido Novo, de orientação liberal, está sendo saudada por várias fatias da sociedade como um sopro de novidade em um ambiente político débil e repetitivo.

Certos heróis nascem de incríveis atos de coragem em momentos de extrema dificuldade. Outros só são reconhecidos anos, décadas depois de sua existência, simplesmente por terem sido catalisadoras de grandes e inesperadas mudanças. Dilma pode muito bem ser a heroína do país no futuro, não pela forma consciente com a qual governou, mas pela revolução que seus erros terão gerado. Não vaiem agora. No futuro, poderemos estar aplaudindo.

Quase quebrado


Tem de ser um ajuste bem-feito (…) ou vamos mergulhar no abismo de todo regime populista que exite no planeta.
É um Estado agigantado para um país de renda média. Um Estado capturado, que defende interesses partidários. Ineficaz em entregar os serviços que a sociedade precisa. É um estado que está semiquebrado.
Não sou defensor do Estado mínimo e nem máximo. Tem de ser um Estado bem administrado.

'Deixem a presidente trabalhar'

genildo
Já havia começado a escrever a crônica “Lula, o canalha” quando recebi o manifesto “Deixem a presidente trabalhar”. Assinado por escritores, jornalistas, professores, lideranças cívico-políticas e religiosas, militantes sindicais, sociais e estudantis de diversas formações ideológicas, o e-mail pede que eu divulgue a preocupação deles com “...as manifestações e articulações de natureza antidemocrática, francamente golpistas, vistas no Congresso, na mídia e em movimentos de rua”. Diz o manifesto que “...o caminho urgente e único para enfrentarmos a crise e vencê-la passa por acatar-se, de vez, sem mais sofismas nem tergiversações, o resultado das urnas de 2014, calando os perdedores sua frustração e levantando o cerco de feição golpista à Presidente, a fim de que possam ela e o seu governo trabalhar e levar a Nação a retomar, em curto prazo, sua rota de crescimento e gradual...”.

E mais “...Consideramos lesiva ao povo e à Pátria a não aceitação dos resultados eleitorais com a intenção de tumultuar o processo político e favorecer os candidatos derrotados nas últimas eleições. Recusamos e condenamos o ‘culto da crise’, a prática de tentativas de acirramento das dificuldades na economia e na política, com o objetivo de intranquilizar a população e torpedear a marcha dos projetos do Governo Federal, recém-eleito e ainda no primeiro ano de exercício do seu mandato...”. O que mais me deixou espantado foram os nomes dos que já o assinaram, são membros da Academia Mineira de Letras, jornalistas, escritores, cientistas políticos, professores eméritos e titulares da UFMG etc.

Estes membros da intelligentsia falam em “culto da crise”? Quer dizer então que ela não existe? É tudo invenção da mídia golpista? E os milhões de desempregados nas filas por trabalho? São todos atores pagos pela rancorosa oposição? Então, a presidente nunca mentiu sobre a real situação econômica do país apenas para ganhar as eleições? Quer dizer que vocês é que estão certos ao elegerem-na como “símbolo de bravura republicana e dos melhores predicados da mulher brasileira”? Então, os tais mensalão e petrolão não passam de invencionices criadas apenas para instigar o povo contra os governos petistas, que de corruptos não têm nada? Ora, convenhamos, com todo o respeito que tenho pelas opiniões alheias, preciso dizer que esta turma deve morar em algum universo paralelo.

Felizmente,estamos deixando de ser uma nação de idiotas, influenciada por idiotas empedernidos que não entendem a divergência de pensamentos e não esforçam um único neurônio para entender a realidade. Será que essa turma ainda não percebeu a natureza corruptiva do governo petista? Aliás, não só do PT, mas de todos aqueles que defendem a concentração de poder pelas garras do Estado e de alguns empresários parasitas. Agora, se a questão não passa de simples ignorância ideológica, então, não há muito o que fazer, a não ser torcer pelo clareamento de suas ideias. Finalizando, o nome do criminoso guerrilheiro, João Stédile, não deveria estar no manifesto, pega mal. E por favor, esqueçam este tal ódio golpista e deixem o Brasil trabalhar.

STF, os que não vão morrer te saúdam

O escândalo do Mensalão, que pensávamos ter sido um caso único e exemplar de crime político em larga escala, foi apenas o “primo piatto” que foi servido nos tenebrosos quase 13 anos de governo do PT. Ninguém imaginava que tendo sido denunciada a compra de votos no atacado, que tendo ocorrido prisões de próceres petistas de primeiro escalão, que tendo sido um processo traumático para o país inteiro, com ênfase para os milhões de simpatizantes petistas, que ainda poderiam ocorrer casos semelhantes ou até mais dramáticos.


O petismo virou sinônimo de atividade criminal intensa e recidiva, superando com folga as façanhas de outros notáveis brasileiros como Paulo Maluf e o Juiz Nicolau dos Santos Neto, o famoso Juiz Lalau. Nem chego mais a elencar Collor de Mello nesta galeria, pois mesmo levando-se em conta o irmão doidivanas, o amigo trapalhão e os montantes supostamente envolvidos, ele ainda assim foi um sujeito que peitou corporações e lideranças que deveriam, estes sim, ter sucumbido. Ao invés disto, patrocinaram um impeachment que virou renúncia que fez mais mal do que bem para o Brasil. Peço vênia aos que discordam, mas é história pura.

Já o PT foi com furor atrás de muito dinheiro, de tudo que pudesse amealhar, não deixando de desviar qualquer coisa, em qualquer lugar. Há os que ainda acreditam que essa roubalheira tinha um objetivo nobre, que era fazer perdurar o petismo e seu projeto socialista de favorecimento às classes sociais menos favorecidas. Os anos passam e sabemos que grande parte do dinheiro foi para os bolsos da companheirada, seus filhos, noras, genros e, se nada for feito, para os netos. O PT acabou com uma Petrobras para se eleger e para poder continuar sugando as tetas públicas, mas não sem locupletarem-se com muito dinheiro de povo pobre e maltratado do país que eles mentem que respeitam.

Até aqui, todos sabemos e, não fosse Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, estaríamos em lençóis ainda bem mais puídos do que estamos. Se dependêssemos de Barroso, Tóffoli, Lewandowski e da grandessíssima maioria dos juízes do país, estaríamos iguais à Venezuela ou à Argentina. É claro que José Dirceu, Genoíno, Delúbio, João Paulo e outros discordam de mim. Lula e Dilma discordam de mim e a empresa SmartMatic discorda de mim. Eu tenho certeza de que Gilmar Mendes e o decano Celso de Mello são meus parceiros na turma dos 93% que não aprovam a cleptocracia petista.

Eis que, surpreendendo a todos, o STF instaurou a proibição de doações empresariais a políticos, partidos e campanhas. Por incrível que pareça, em pleno início de desvendamento dos danos da Operação Lava-Jato e dos fatos nebulosos envolvendo os empréstimos do BNDES, diante de suspeitas de crimes eleitorais milionários envolvendo a última campanha de Dilma, diante de tudo que ainda iremos ficar sabendo, os ilustres ministros decidiram que o PT irá reinar para toda a eternidade em Pindorama, que o PT, partido que mais se parece com uma organização criminosa de alta sofisticação (roubam até estando presos!) será dono do Palácio do Planalto enquanto quiser.

Só que...o maior resultado deste julgamento estapafúrdio que o STF promoveu, por mais surpreendente que possa parecer, deverá apressar ainda mais o afastamento do PT do poder! Agora que sabemos que o risco desta gente se apossar do que restou do Brasil chegou ao cúmulo de ter sido chancelada pela Suprema Corte do país, mais do que imperativa é a necessidade de que Dilma seja afastada pela prática de pedaladas fiscais e impedida urgentemente, que Lula seja investigado já por sua afluência sem precedentes e que o PT seja tornado legenda “non grata”, de imediato, no cenário político nacional.

Agradecemos aos senhores membros do STF por sua douta sabedoria. Quem é que poderia imaginar que eles estariam apenas, por meios intrincados, nos dando a pista final da solução para dar cabo ao perigo que ronda o país com o PT o governando? Quem teria sido capaz de perceber que os oito ministros contrários às doações privadas estavam, na verdade, a sugerir a precipitação de todas as decisões possíveis que visem o afastamento do PT do Poder Executivo na República Federativa do Brasil?

Agora sim, estamos salvos. Foi difícil de compreender de imediato, mas já “sacamos”.

Muito obrigado, STF. “Non morituri te salutant”.

Sobre o fim das doações

A decisão do STF de proibir a doação de empresas para as campanhas eleitorais significou um grande passo no sentido de dificultar a influência de poderosos grupos econômicos e empresariais no resultado das eleições. Porém, não sejamos ingênuos, a medida pouco pode interferir nas relações entre corruptos e corruptores.

Claro, será um pouco mais complicado arrecadar para as campanhas. Mas é só isso. O caixa 2, usado para a compra de partidos e apoios, nunca precisou de uma relação formal.



Apesar de o “petrolão” revelar que as propinas nas últimas duas eleições presidenciais se deram por dentro, as relações oficiosas sempre foram mais “eficientes”. Com o fim das doações, então, elas voltam com mais força no submundo da política. Enfim, a corrupção não acabará ou tampouco diminuirá apenas por essa proibição.

As empresas, especialmente as empreiteiras, continuarão sendo peças indispensáveis para as engrenagens da máquina pública e, certamente, encontrarão as formas mais adequadas e sedutoras para conquistar a simpatia dos líderes eleitos ou por se elegerem.

Portanto, com a decisão do STF, além de aumentar a fiscalização nos gastos de campanha, a necessidade maior é a de definir, urgentemente, parâmetros mais objetivos que barateiem os processos eleitorais, inclusive estabelecendo um teto de gastos por candidato. A ausência desses mecanismos de controle será a institucionalização do caixa 2.

Se sonharmos longe e imaginarmos que tudo isso irá funcionar, ou seja, se a Justiça conseguir impedir mesmo as doações, baratear as campanhas, estabelecer limites de investimento e aperfeiçoar o acompanhamento das prestações de contas, poderemos ter eleições mais justas e menos dependentes do poder financeiro. Em tese, parte do problema estaria mais ou menos resolvida.

Mas todos sabem que não é bem assim. A outra ponta, formada pelos acertos de gabinetes e pela manipulação de licitações, permanecerá solta. Não há quem acredite que a troca de favores terá um fim, até porque, depois de eleito, o prefeito, o governador, ou o presidente continuará tendo a prerrogativa de escolher quem vai prestar o serviço, mantendo o antigo sistema que se baseia no suborno e na chantagem.

A única forma de aparar as arestas em busca de um país mais justo é insistir na intolerância à prática da corrupção.

O caminho é longo demais. Ainda mais quando nos deparamos com Ricardo Pessoa, um dos delatores do petrolão, gozando de todo o luxo que o crime lhe concedeu. O dono da UTC esteve em Brasília nesta semana. Para ir até lá, ele usou o jato particular e depois entrou em um carro executivo que o aguardava do lado de fora do aeroporto.

Mesmo assumindo ser um dos responsáveis pela maior fraude contra o dinheiro público já descoberta no país, ele mantém sua vida de mordomias. Seria um típico exemplo de que o crime, no Brasil, compensa? Diminuir essa sensação que está incrustada na mente dos brasileiros é um passo ainda mais importante do que a proibição das doações privadas. Duro é saber que ainda temos quilômetros para serem percorridos.

Uma dieta para o Brasil


Como Dilma, o Brasil precisa urgentemente de uma dieta. Uma mudança radical dos hábitos alimentares do Estado glutão e obeso

A única vitória pessoal de Dilma no seu segundo mandato foi emagrecer, melhorar a aparência e aumentar sua autoestima, no fundo do poço desde que foi julgada mentirosa e incompetente por 93% da população.

O Brasil também está precisando de uma dieta. Uma mudança radical dos hábitos alimentares do Estado glutão e obeso.

Mas primeiro é necessário um detox radical, já iniciado com a eficientíssima dieta Lava-Jato, no Spa de Curitiba, começando a descontaminação do organismo estatal inchado de gorduras, parasitas, subsídios e privilégios, que criam dependência cada vez maior de drogas fiscais.

Controlar a gula arrecadadora. Perder gordura de custos e diminuir o peso das dívidas para melhorar a saúde dos órgãos vitais. Fazer exercícios diários de eficiência para desenvolver músculos produtivos e perder banha burocrática, que gera incompetência e corrupção. Cortar projetos megalomaníacos anabolizantes que aumentam despesas para ganhar eleições. Trocar charlatãos e marqueteiros por médicos e nutricionistas ou políticos e administradores, honestos e competentes.

Na dieta brasileira não entram drogas como a velha CPMF, que funcionam como anfetamina, moderando o apetite de arrecadação do Estado, mas a médio prazo só conseguem criar mais fome, por mais impostos. A opção à dieta seria a redução cirúrgica do estômago do Estado, um impeachment da gordura e das toxinas.

O pior seria a dieta Lula: “Em vez de cortar despesas, devemos estimular investimentos e aumentar o crédito”, como se houvesse dinheiro para isso, e não fosse essa uma das origens da atual crise que, como Dilma dizia de Marina na campanha, está tirando comida da mesa do pobre.

Tanto sofrimento, tanto sacrifício, mas, sem reformas estruturais dos hábitos alimentares e dos gastos de calorias do Estado, será só uma travessia para voltar aos velhos vícios, em um efeito sanfona que logo levará de novo à obesidade, celeiro da corrupção.

A receita de Dilma para o Brasil tem tudo para repetir, de forma trágica, a piada de Tim Maia: “Fiz uma dieta rigorosa, cortei gorduras, açúcar e álcool. Em duas semanas perdi 14 dias.”

Nelson Motta 

Depois das eleições

Depois de uma campanha eleitoral animada, a grande vantagem de qualquer eleição democrática é a de o povo sair, finalmente, da sala de estar dos políticos. É uma sensação de alívio que alguns eleitos descrevem como semelhante ao momento em que uma dor intensa, por qualquer razão obscura, termina.

(...) Depois de qualquer eleição a sensação dos políticos - quer tenham perdido quer tenham ganho - é a de que o povo mais profundo acaba de entrar todo num comboio, dirigindo-se, compactamente, para uma terra distante. Esse povo voltará apenas, no mesmo comboio, nas semanas que antecedem a eleição seguinte.

Esse intervalo temporal é indispensável para que o político tenha tempo para transformar, delicadamente, o ódio ou a indiferença em nova paixão genuína.

Gonçalo M. Tavares

Dilma precisa de tratamento psiquiátrico. É caso de urgência


Já comentamos aqui o estado de saúde mental da presidente Dilma Rousseff, que inspira cuidados e exige tratamento intensivo. De fato, ela parece ter perdido o juízo. Não há outra explicação para a decisão de usar R$ 4,8 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a faixa de renda mais baixa do programa Minha Casa Minha Vida, em que a moradia é praticamente doada.

A medida, obviamente, encontra forte resistência no Conselho Curador do FGTS, porque se trata de um fundo privado, pertencente aos trabalhadores, e esse dinheiro vai ser transferido a fundo perdido, sem retorno.

Segundo reportagem de Geralda Doca, em O Globo, um dos conselheiros já advertiu que o governo não pode fazer doação de casa com dinheiro do FGTS.

Mas a presidente Dilma, como sempre, age da maneira falsa e ardilosa. Ao anunciar o pacote de medidas de ajuste fiscal, na segunda-feira, informou que iria cortar R$ 4,8 bilhões da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida. Dois dias depois, ficou-se sabendo a verdade. O governo não vai cortar nada e decidiu repassar essa conta para o FGTS, de forma totalmente irregular.

Os recursos virão da multa adicional de 10% nas demissões sem justa causa, e os R$ 4,8 bilhões correspondem exatamente ao valor arrecadado por ano. Acontece que essa receita não pode ser usada para uma finalidade específica, como pretende fazer o governo. Isso é ilegal e ilegítimo, equivale a mais uma pedalada, intencional e premeditada.

É uma maluquice. O governo não tem dinheiro para nada, não corta seus custos e ainda quer doar recursos do trabalhador. Ao mesmo tempo, já fala até em taxar o jogo-do-bicho, vejam a que ponto chegou a esculhambação.

O fato é que Dilma se demonstra mal intencionada. Reluta em diminuir o número de ministérios, não corta um só cargo em comissão, mantém as mordomias e o cartão corporativo, não admite reduzir os repasses às ONGs e nem rever os programas sociais, para evitar que pessoas de classe média, vereadores e até animais domésticos recebam o Bolsa Família, como já foi denunciado e comprovado.

Se o Executivo desse o exemplo, talvez o Legislativo e o Judiciário se mancassem e também fizessem cortes em suas despesas. Mas isto é sonho impossível. No Brasil os três Poderes estão apodrecidos. O cheiro nauseabundo já pode ser sentido a quilômetros de distância.

Rumo ao abismo

A irresponsabilidade dos atores com poder no Brasil, da presidente da República aos líderes no Congresso, da oposição ao PT a parte do empresariado, nos arrasta a um abismo desconhecido entre os mais jovens. E que os mais velhos, essas lideranças, conhecem bem.

O Brasil caminha para um choque contra um muro sem que a maioria tenha cintos de segurança. O país é pobre. Mas os condutores do processo, suficientemente informados, ricos ou corruptos, querem que se danem uns aos outros. E para o muro vamos.

Dilma demorou dez meses desde que (segundo disse) tomou conhecimento da crise para agir mais incisivamente. Não fosse a perda do grau de investimento há uma semana, é certo que o país continuaria em banho-maria, adiando.

O pacote apresentado agora para economizar R$ 65 bilhões a fim de pagar juros da dívida pública e conter seu aumento é de um improviso pueril. É algo assustador para o nono mês de um governo em xeque-mate desde o seu início.

A reação do líder do Congresso Eduardo Cunha não é menos infantil. Se o novo imposto sobre transações financeiras não passa, o que passaria? Uma reforma ampla da Previdência e das regras do funcionalismo? Isso demandaria meses. Mas nem isso o governo apresentou.

Já os empresários, que se imiscuíram com a “nova matriz econômica” e seus privilégios, lavam as mãos e dizem não a impostos. Querem cortes antes, que dependem do Congresso, que depende de um projeto crível do Executivo, que depende de apoio político.

O Brasil emergente volta ao Terceiro Mundo e vai se tornando irrelevante e um bananal para quem nos vê de fora. Se vier o impeachment, passaremos a algo pitoresco.

O natimorto “plano de ajuste” de Dilma e a infantilidade de nosso comando político vai deixando poucas opções.

Se não puder aumentar impostos ou mudar pontos sensíveis da Constituição, restará ao governo cortar mais fundo programas sociais como Fies, Pronatec, ProUni, Minha Casa Minha Vida e outros benefícios não-constitucionais (Bolsa Família? R$ 25 bi/ano) e os investimentos em infraestrutura/PAC.

Seria uma tragédia, com grande rebuliço social. No caso dos investimentos, adiaria ainda mais a recuperação.

Mas resolveria parte do problema fiscal no curto prazo, até que as crianças briguentas se entendam e aprovem medidas constitucionais para o médio e longo prazos. É isso o que queremos?

Sem uma trajetória de aumento de receitas (via impostos) ou corte de gastos (via aprovação no Congresso), o grande risco é a inflação correr solta mais à frente.

Segundo projeções do FMI, nosso deficit nominal neste ano (8% do PIB) só será menor do que o de países como Iraque, Eritreia e República do Djibuti. A história mostra que há uma relação inexorável entre o aumento do deficit e o descontrole inflacionário.