quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os invisíveis

O crime: Diante da foto, silêncio
Exércitos de silêncio
Sob frio e sol
Sem protesto
Agitam as bandeiras
De quem lhe mata a fome
E quem mais poderia ser senão políticos?

Campanha ou champanha


Segundo a Advocacia Geral da União, os gastos da campanha são arcados pelo Partido dos Trabalhadores ou pela coligação. No caso do uso do avião presidencial, caberá à Secretaria de Controle Interno da Presidência da República calcular o valor a ser ressarcido. (Que mal se pergunte: Alguém jura de mãos postas que o PT, partido do governo, vai ressarcir a dinheirama pública, quando acha que todo o cofre é dele e inclusive a presidente em campanha? Nasceu morto o crédulo.)

Se a campanha da presidente-candidata Dilma gastar tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara campanha da história: R$ 298 milhões. Dá para fazer uma farra, e farra haverá, porque dinheiro vai ter de sobra.

Olha quem fala


Quem aponta para uma próxima recessão é nada menos do que o conselheiro de Lula e agora de Dilma, Luiz Gonzaga Belluzo. Acredita que os próximos dois anos serão difíceis para quem for eleito, sendo difícil impedir uma recessão. “A ideia de que vai colocar a inflação a todo o custo na meta, à custa do desemprego, não vai encontrar acolhida, sobretudo entre aqueles que ascenderam na escola social nos últimos anos”.

É preciso educar os políticos


Os políticos brasileiros, antes mesmo de se candidatarem, deveriam ser cidadãos. E não são. O pecado capital que levam para as tribunas é a mentira. Negam desavergonhadamente suas diatribes. Não têm sequer conhecimento do que é cidadania. Para eles, é qualquer coisa como ter uma carteira de identidade, e chega. Muito longe disso, é respeitar deveres e direitos do outro. Algo para o que se lixam com escárnio.

Não são nem serão dignos de serem chamados cidadãos. Fazem ainda mais para nunca merecerem tal título, pois suas ações mais parecem de bandidos.

Podem fazer as campanhas que forem para incentivar o uso do voto, ressaltar a sua importância na construção de uma democracia. Os próprios políticos não ajudam nem assim querem. É uma falta de educação generalizada entre eles. São os mais deseducados. Não só por falha domiciliar, mas porque nunca se educaram para os cargos que almejam ou dizem merecer.

Acreditam que saber ler e escrever – coisa que muito sabem bem mal – é o suficiente. Não é, nem será. É preciso educação que negam também às futuras gerações, que acharão ser a política o caminho mais fácil para a fama e o dinheiro. Uma perda lamentável de consciências jogadas ao lixo para satisfação de meros meliantes.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mulher ao luar

 Ismael Nery (1900-1934) 

Por que aqui é obrigatório?

Se o Brasil, sétima potência econômica do mundo, com uma democracia reconhecida por todos, onde existe a separação dos três poderes, continua entre os 24 países que ainda obrigam a votar, significa, no mínimo, uma clara anomalia democrática
Nos países mais desenvolvidos do mundo, nos mais modernos e nas democracias mais sólidas, o voto político é facultativo.

Entre os 10 países mais ricos do planeta, em todos, menos no Brasil, ir às urnas deixou de se obrigatório ou nunca foi.

Hoje o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório.

Seria preciso deduzir disso que esses países, começando pelo Brasil, não são nem modernos nem contam ainda com uma democracia consolidada? Talvez não, mas segundo vários analistas políticos, se fosse realizada a tão anunciada e nunca realizada reforma política, deveria começar por admitir o voto facultativo, já que uma das características de uma democracia real e não apenas virtual é a proteção dos maiores espaços de liberdade dos cidadãos.

É possível que um direito se converta em um dever? Que alguém possa ser castigado com sanções em uma democracia por não querer exercer um direito?

Leia mais o artigo de Juan Arias, "Por que no Brasil é obrigatório votar?"

A loucura é preferível


Retrato de autoridade

O que tem a ver o caso da analista do banco Santander demitida na semana passada por exercer direito o seu ofício, com o caso do correspondente do The New York Times ameaçado de expulsão do Brasil em maio de 2004?

Os dois aconteceram no começo e no que poderá ser o fim do período de 12 anos de governos do PT. Foram protagonizados por Lula. E são casos exemplares da prepotência dele e de sua turma.

De volta ao futuro... Na época, pensei: o cara pirou. Só pode ser. Ou está de porre. Compreensível que tenha se sentido ofendido pela reportagem do The New York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas.

Mas daí a determinar a expulsão do país de Larry Rother, correspondente do jornal mais importante do mundo? Sinto muito, era um flagrante exagero. Uma escandalosa arbitrariedade.

Foi isso o que Lula ouviu dos poucos assessores com coragem para confrontá-lo.

Um deles, durante reunião no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e apontara o artigo que garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.
Então Lula cometeu a frase que postei em meu blog às 15h16 do dia 12 de maio de 2004, poucas horas depois de ela ter sido pronunciada.


Ele disse: “Fod.... a Constituição”.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sai uma, entra outra

No Brasil, substituiu-se a ditadura militar por uma ditadura midiática
Bernardo Kucinski, ex-militante da Aliança Libertadora Nacional

A cada dia, os "passarinhos"


O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, recentemente revelou que o passarinho, em que se transformou o defunto Hugo Chavez, voltou a falar com ele por ocasião dos 60 anos do ex-presidente. A avezinha teria dito que "estava feliz e cheia de amor". Logicamente que brasileiro sabe bem que essa história não passa de invencionice de tiranete. Aqui se ri a bandeiras despregadas da canalhice do venezuelano, ridicularizado até mesmo em seu próprio país, que vive uma situação lamentável por causa do destrambelhado “bolivarianismo” algo similar ao lulopetismo brasileiro.

O brasileiro ri de Maduro, mas continua a acreditar em “passarinhos” noticiados a cada manhã pelos jornais. Estamos rindo do sujo quando somos mal lavados, e nossas aves nem estão cheias de amor, mas estão mais para urubu do que aves do paraíso. Querem mais é se livrar de vez das teias ou grades em que se envolveram.

Um desses “passarinhos” é a redução de pena em 34 dias para Genoíno Mensalão. Se alguém debocha de Maduro como pode engolir o jaburu daqui? Para alguém que estava em risco de morte se ficasse na cadeia, ainda encontrar forças para trabalhar e fazer cursos na penitenciária não é um passarinho, mas um enxame de gozação.

E quando daquela história de que se morresse o culpado seria o presidente do Supremo e relator do caso? Pois é, não morreu, trabalhou (?) até muito para um cardiopata, fez cursos com fôlego de um doente crônico, e agora está com redução da pena de 6 anos e 11 meses, que parece ser apenas para privilegiados e não para os outros meros mortais enfurnados nas condições medievais das cadeias brasileiras.

Conseguiu com esforço sobre-humano reduzir em mais de um mês o tempo prisional, inimaginável para quem estava à beira da morte se ficasse preso. Meta também incrível para quem passou apenas quatro meses no xilindró. Se todos os presidiários assim pudessem ter a mesma disposição gigantesca, estariam soltinhos há muito.

Então não ria do passarinho venezuelano, quando você tem um jaburu por dia, no barato, em noticiário brasileiro, que passa batido. 

Falta sentimento democrático

 


Ainda é cedo, mas há fortes indícios de que o PT perderá as próximas eleições. Em que Estado com muitos eleitores seus candidatos a governador se mostram competitivos? Talvez em um. No total os petistas aparecem bem situados apenas em quatro Estados, se tanto, três deles com não muitos eleitores. Quanto aos aliados, especialmente o principal, o PMDB, parece que andam em franca debandada em vários Estados. Também, pudera, como pedir fidelidade no apoio à reeleição quando, além do pouco embalo da chapa presidencial, os candidatos da oposição e do próprio PMDB aos governos estaduais aparecem bem à frente dos candidatos do PT?

As taxas de rejeição da presidenta estão nas nuvens, não só em São Paulo, onde nem o céu é o limite. Também crescem nos pequenos municípios do Norte e do Nordeste para onde, nas asas das bolsas-família, migraram os apoios do partido que nasceu com os trabalhadores urbanos. As raízes deste quadro se abeberam em vários mananciais: o das dificuldades econômicas, da tragédia das políticas energéticas (vale prêmio Nobel derrubar ao mesmo tempo o valor de bolsa da Petrobras e as chances do etanol e ainda encalacrar as empresas de energia elétrica), da confusão administrativa, do pântano das corrupções e assim por diante. Culpa da presidenta? Não necessariamente.

A democracia entre nós, já disseram melhor outros personagens, é como uma planta tenra que tem que ser cuidada e regada com exemplos, pensamentos, palavras e ações todos os dias. Cuidemos dela, pois.


Leia mais o artigo de Fernando Henrique Cardoso

domingo, 3 de agosto de 2014

Censura à vista


Nada disso é gratuito. O que se quer é inibir o debate de ideias e rumos para o país, fora da agenda socialista. Mas não parece suficiente. Tanto assim que o PT persiste na ideia de “regulamentar” a mídia e tê-la sob “controle social”.


Em 1985, primeiro ano da redemocratização, o então ministro da Justiça do governo Sarney, Fernando Lyra, anunciava, em tom triunfal, a cerca de 700 artistas e intelectuais, reunidos no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, o fim da censura.

Ela vigorara oficialmente ao longo do regime militar, exercida de forma prévia, por meio de censores nas redações, e a posteriori, pelo recolhimento de publicações que escapavam à sagacidade (sempre escassa) daqueles.

A censura prévia fora derrubada ainda no governo Geisel, mas a censura a posteriori prosseguiu até o fim do regime. Sua abolição total se deu apenas com o anúncio de Fernando Lyra, na sequência da proibição e posterior liberação de um filme medíocre de Jean-Luc Godard, “Je Vos Salue Marie”, a que os censores deram visibilidade e cujo imbróglio marcou o fim oficial da censura.

A Constituição de 1988 foi enfática em condená-la, em nada menos que seis incisos ao artigo 5º (do nono ao décimo-quarto). Mesmo assim, seu fantasma jamais deixou de pairar sobre a vida jornalística e intelectual brasileira. Adquiriu outras formas, sofisticadas, sub-reptícias, tão ou mais eficazes, dando origem ao termo, ainda vigente, de “patrulhas ideológicas”.
Leia mais o artigo de Ruy Fabiano, Censura à vista

Tá feia a coisa

A campanha não está correndo às mil maravilhas para a candidata Dilma, ao menos, em Maricá, reduto petista comandado pelo prefeito e presidente regional da legenda. Nos cartazes fincados em casas de correligionários, e são muitos esses companheiros solícito$, sequer o nome da presidente é citado. Nenhum dos três - “Lindinho” para governador, a companheira do prefeito para a Alerj, e o presidente da Câmara para o Legislativo estadual -, tá botando fé na presidente como puxadora de votos ou merecedora dos mesmos. É que, nesses cartazes, os três se apresentam como os “candidatos do Lula”. Que mal se pergunte: Esse sujeito está concorrendo a quê? 

Um clássico de todos os tempos



O filme “Sete homens e um destino” (“The Magnificent Seven”), de John Sturges, se tornou um clássico em seu lançamento em 1960 com música de Elmer Berstein. No elenco, as interpretações de Yul Brynner, Steve McQueen, Brad Dexter, Charles Bronson, Robert Vaughn, Horst Buchholz,James Coburn e Eli Wallach

sábado, 2 de agosto de 2014

Maricá ajuda campanha de 'Lindinho'


Doadora da campanha de Lindbergh venceu licitações de R$ 3 milhões em prefeitura do PT
O candidato ao governo do Rio pelo PT, senador Lindbergh Farias, vai declarar à Justiça Eleitoral neste sábado que arrecadou até o momento R$ 525 mil para a sua campanha eleitoral. Deste total, R$ 475 mil foram repassados pelo diretório nacional do PT. Apenas duas empresas aparecem na lista de doadores: a AVM Digital Comércio de Aparelhos Telegônicos Ltda e a E Digital Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda, com doações de R$ 25 mil cada uma. As duas têm sede em Niterói.

Pelo menos uma das empresas, a AVM Digital, já ganhou licitações quase R$ 3 milhões para prestar serviços à prefeitura de Maricá, cidade da Região Metropolitana. O município tem como prefeito Washington Quaquá (PT), um dos coordenadores de campanha de Lindbergh.

Segundo o Diário Oficial, a AVM Digital venceu uma licitação, em 2011, de R$ 1.194.619,61, para "fornecimento de equipamento de telefonia com manutenção, afim de permitir a integração da rede de internet à rede de telefonia da prefeitura de Maricá e suas secretarias". A outra concorrência ganha pela empresa ocorreu em 2012, de R$ 1.495.540,50, para "locação de plotters e scanners, incluindo assistência técnica, manutenção preventiva e corretiva, para atender a prefeitura Municipal de Maricá e todas as suas secretarias".

No dia 19 de junho de 2013, a prefeitura de Maricá também publicou no Diário Oficial um extrato de contrato com a AVM Digital de R$ 450,5 mil para "aquisição e instalação de material para criação de infraestrutura da rede lógica". À época, o prazo para prestar o serviço era de um ano e 22 dias.

Leia mais

Silêncio dos bons


O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons

Martin Luther King

Que parece, parece

“O nazismo não é realmente uma filosofia política, mas uma atitude mental - a expressão, na vida política, de um certo temperamento muito desagradável – do homem que odeia a Democracia, os argumentos sensatos, a tolerância, a paciência e a igualdade bem-humorada - o homem que ama a fanfarronada e a insolência, uniformes e capangas e carros velozes, a conspiração nas salas dos fundos, gritos e violência, que quer espoliar aqueles que o fizeram sentir-se inferior” 
J. B. Priestley

***
Descrição de um inglês adaptável a qualquer “ismo” por aí. Para quem observar bem, não faltarão indicações de que é um pouco a cara de alguns.

Governar


Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.

- Pois não - aceitou Martim. - Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.

- Com que dinheiro? - atalhou Januário.

- Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.

- E que é que nós lucramos com isso? - perguntaram em coro.

- Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.

- Assim não vale. O Presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.

- Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.

Foi deposto, e dissolvida a República.
Carlos Drummond de Andrade, em "Contos Plausíveis" 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Auxílio mútuo


A funda de Davi

Era uma vez um menino chamado Davi N., cuja pontaria e habilidade no manejo da atiradeira despertavam tanta inveja e admiração entre seus amigos da vizinhança e da escola, que viam nele — e assim comentavam entre si quando os pais não podiam escutar — um novo Davi.

O tempo passou.

Cansado do tedioso tiro ao alvo que praticava disparando pedrouços contra latas vazias e pedaços de garrafa, Davi descobriu um dia que era muito mais divertido exercer contra os pássaros a habilidade com que Deus o tinha dotado, de modo que dali em diante a exercitou contra todos os que se punham ao seu alcance, em especial contra Pardais, Cotovias, Rouxinóis e Pintassilgos, cujos corpinhos sangrentos caíam suavemente sobre a grama, com o coração ainda agitado pelo susto e a violência da pedrada.

Davi corria alegre até eles e os enterrava cristãmente.

Quando os pais de Davi se aperceberam desse costume do seu bom filho se alarmaram muito, lhe perguntaram o que é que era aquilo, e denegriram a sua conduta com termos tão ásperos e convincentes que, com lágrimas nos olhos, ele reconheceu sua culpa, se arrependeu sincero, e durante muito tempo se aplicou em disparar apenas sobre os outros meninos.

Dedicado anos depois às Forças Armadas, na Segunda Guerra Mundial Davi foi promovido até general e condecorado com as cruzes mais altas por matar sozinho trinta e seis homens, e mais tarde degradado e fuzilado por deixar escapar com vida um Pombo mensageiro do inimigo.
 Augusto Monterroso



Tempos modernos


Trecho de dança do filme "Tempos modernos" (1935), de Charlie Chaplin

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Voto facultativo?


A população brasileira vem se convencendo ao longo do tempo de que o voto facultativo é melhor que o obrigatório. Começamos a perceber o que a grande maioria dos países do mundo já entendeu.
Segundo a Agência Central de Inteligência dos EUA, dos 236 lugares do mundo onde há eleições, em apenas 24 o voto é obrigatório. Desses 24, só quatro — Áustria, Bélgica, Chile e Cingapura — estão incluídos entre os chamados países desenvolvidos, de acordo com o critério do Índice de Desenvolvimento Humano.
Leia mais o artigo de Paulo Paim, Sim ao voto facultativo 

Candidatos 'Pinóquio'

As eleições, tão bagunçadas, são uma vergonhosa corrida nada democrática ao poder, em que se pode tudo e vale tudo. Qual seria a seriedade de candidatos que se dizem isso ou aquilo sem a menor comprovação, em site da seriedade que se admite deve ter um tribunal? Há que se explicar como a Receita Federal exige comprovações até de um corte de calo e em outro site, também federal, os candidatos esbanjam em ser o que não são. Mais uma vez aproveitam para fazer com dinheiro público um caminho para a autopromoção, declaram gastos de campanha exorbitantes e incompatíveis com a declaração de renda. Se fizessem as mesmas declarações de gastos e renda, seriam apanhados rapidamente pelo leão e nunca passariam nem de longe numa malha grossa.

O Estado, portanto, trabalha com dois pesos e duas medidas. Quando é preciso arrecadar impostos, usa da melhor tecnologia e não deixa escapar um centavo furado. Ainda mais que mentir para o leão é crime. No entanto, quando está em jogo a eleição, a mentira é moeda circulante no meio político, nem se faz uma checagem entre renda e gastos do candidato como se isso não interferisse, como a mentira, na sua transparência antes e mais ainda depois de eleito.

Uma rápida investigação nas fichas divulgadas pelo TRE basta para comprovar que fede longe a transparência e ainda mais a honestidade de candidatos que mentem com a maior desfaçatez. Como pode alguém se declarar de nível superior, quando não tem esse diploma, inventar ter uma profissão e não saber distinguir entre profissão e cargo? Pois isso fica claro para qualquer vivente que tenha olhos para ver e cabeça para pensar.

Mas os mentirosos ainda continuam seu esbanjamento, nas barbas do Tribunal. São capazes de anunciarem gastos de campanha assombrosos até mesmo sem demonstrar nenhuma fonte de renda, se já não bastassem os rombos no dinheiro público para alimentar por estes anos todos uma malta de asseclas. Tanto dinheiro virá de onde? E como será restituído? Para tais questões, o tribunal se restringe a lavar as mãos, pois isso é para se resolver depois em outro tribunal. No entanto, na justiça eleitoral se poderia fazer uma triagem dos futuros corruptos, que já indicam nas fichas que não estão ali para brincar de democracia, mas se sujar com corrupção.


Exemplo dessa orgia eleitoreira pode ser vista na ficha da candidata a deputada federal por Maricá, a mulher do prefeito Quaquá. Em sua segunda corrida ao Legislativo – a anterior foi ao municipal -, mesmo sem ter fonte de renda, anuncia uma previsão de R$ 2,5 milhões de gastos com campanha e ainda mais se diz jornalista e redator (sic) num claro desconhecimento entre a profissão e cargo, dando os dois como uma coisa só, o que vem insistindo em ser quando não é nenhuma coisa nem outra.   

Políticos


Os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento
Philip Dormer Stanhope, conde de Chesterfield (1694 / 1773), político e escritor inglês

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Novos ativistas na praça

Nani Humor

Perguntas de um operário letrado


Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

Bertold Brecht

A caminho do novo?

Apegar-se ao passado é começar a morrer. Abrir caminhos novos é se deixar dominar pela esperança
Os brasileiros estão perdendo o medo de ter medo? Esse temor de mudar que os torturou durante tanto tempo por medo de enfrentar os poderosos ou para não perder os privilégios fornecidos pelos caciques da vez, ao mesmo tempo que impediu que abrissem as portas para a modernidade?
 
A derrota da seleção na Copa não produziu nenhum cataclismo no país que acabou aplaudindo a técnica dos alemães que humilhou com aqueles 7 a 1. Estará amadurecendo este país que começa a entender que é mais que o país do futebol?

Se hoje 73% dos cidadãos afirmam que desejam mudanças, é porque se trata de uma sociedade viva, que não se resigna com o já conseguido e que se revela cada mais exigente com as instituições governantes. "Mastigamos, mas não engolimos mais as mentiras", é um refrão que percorre as redes sociais do Brasil.

Se o país parece mais inconformista é porque enfrentou o fantasma do medo e isso começa a liberá-los de atrasos ancestrais.

Nenhuma sociedade muda e evolui se estiver presa pelo medo.

Leia mais o artigo de Juan Arias, O Brasil está caminhando para o novo?

terça-feira, 29 de julho de 2014

O varredor

O varredor de rua, Georges Seurat

Entra ano
sai ano
e eu?
varrendo sempre
as mesmas folhas secas
das mesmas velhas árvores
nesta mesma cidade fantasma
Dalton Trevisan


Intervencionista e parasita


O candidato à presidência pelo PV assume a fragilidade política do movimento ambientalista e critica o racha entre o grupo de Marina Silva e o PV. Defende, no entanto, uma reaproximação.

O médico sanitarista Eduardo Jorge, que concorre à presidência da República pelo Partido Verde (PV), credencia-se para ocupar o lugar de candidato incômodo desta eleição. Pretende discutir temas áridos, como reforma política, implementação do parlamentarismo, e tabus, a exemplo da legalização do aborto e da maconha.

Fundador do Partido dos Trabalhadores, em que ficou 20 anos, e ex-secretário municipal do tucano José Serra, Jorge vê um modelo de Estado desgastado. “O nosso Estado, além de intervencionista ao extremo, é parasita, com uma estrutura de presidencialismo imperial”, diz ele, que defende as consultas públicas e plebiscitos.


Autor da lei dos genéricos, o ex-deputado federal pelo PT sabe que tem “zero ou alguma chance” de vencer o pleito deste ano. Também é ciente que será difícil repetir o sucesso da ex-correligionária Marina Silva. A ambientalista, vice de Eduardo Campos (PSB), obteve 20 milhões de votos em 2010. A saída dela do PV para tentar criar a Rede foi nefasta, segundo Jorge, para a causa ambiental. “A organização do movimento político ambiental é frágil no país e aí ainda se dividiu. A gente devia ter se mantido unido e ampliado o PV”, analisa o candidato, que deixa a porta aberta para a volta de Marina.

Inchaço no Estado


Excesso de ministérios e cargos comissionados só servem para abrigar a base aliada e revelam a urgência de uma reforma administrativa, afirmam analistas. Brasil tem mais ministérios que Estados Unidos e Argentina juntos.
 A presidente Dilma Rousseff anunciou em 24 de junho um pacto com cinco medidas para atender às principais reivindicações da onda de protestos que recentemente tomou as ruas no Brasil. Entre elas está a responsabilidade fiscal nas contas públicas das esferas federal, estadual e municipal.
Mas especialistas ouvidos pela DW Brasil defendem que o governo federal pode começar "cortando na própria carne", ou seja, fazendo uma reforma administrativa que simplifique a estrutura do Executivo.

O número de ministérios e secretarias com status de ministério no Brasil – ao todo são 39 – é muito maior do que em países como Alemanha (14) e Estados Unidos (15), ou mesmo vizinhos como a Argentina (14) e o Chile (22).

"Essa forma de gestão caminha na contramão da história e de tudo aquilo que seria o ideal para a administração pública, não só no Brasil, mas em qualquer país. A criação desses ministérios é uma forma de abrigar a base aliada do governo e acelera ainda mais as distorções dentro da máquina pública", afirma José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília (UnB).

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A Esquerda e a Direita





Os políticos que se dizem de esquerda, por ser o bom sítio de se ser político, estão sempre a afirmar que são de esquerda, não vá a gente esquecer-se ou julgar que mudaram de poiso. Mas dito isso, não é preciso ter de explicar de que sítio são os atos que a necessidade política os vai obrigando a praticar. Como os de direita, aliás, que é um lugar mais espinhoso. O que importa é dizerem onde instalaram a sua reputação, na ideia de que o nome é que dá a realidade às coisas. E se antes disso nos explicassem o que é isso de ser de esquerda ou de direita? Nós trabalhamos com papéis que não sabemos se têm cobertura, como no faz-de-conta infantil. Mas o que é curioso é que o comércio político funciona à mesma com os cheques sem cobertura. E ninguém tira a limpo esse abuso de confiança, para as cadeias existirem. Mas o homem é um ser fictício em todo o seu ser. E é precisa a morte para ele enfim ser verdadeiro. 
Vergílio Ferreira (1916/1996) 

Quando outubro chegar...


"Desinformados, raramente conseguimos destacar o raro do medíocre"                                                                                                                 Martha Medeiros
Foi-se o tempo da dentadura, do saco de cimento, do caixão doados por políticos para a compra de votos. Não que deixaram de existir, estão aí para qualquer tribunal disposto a punir se tiver vontade. Pode isso soar antiquado, mas é que os políticos se requintaram e hoje maqueiam como realizações aquilo que nunca vai sair do papel só para comprar votos com promessas. Como os tribunais não podem punir promessas vãs, ficam os criminosos soltos apontando para o cidadão a bazuca das promessas. Diante de pesado armamento, subsidiado pelo erário, fica difícil não conseguir o almejado voto. Garantido esse, gritam os políticos para o povão: “Perdeu!”

Em plena temporada eleitoreira, os discursos e promessas são as mais bizarras se não as mais escrachadas, mas imbecis e mais infames. Tudo despejado sobre a cabeça dos cidadãos como balde de estrume mesmo que nem todos tenham em vez de cabeças privadas como acontece com os correligionários desses cretinos.

Exemplo do maior escracho é Maricá. Com o tempo passando para tentar pela segunda vez eleger a primeira dona do município, o prefeito fogueteia por todo o canto as mais mirabolantes realizações, e até estipula tempo recorde que nem um super heroi conseguiria cumprir. Segundo ele, cerca de 40 km de ruas serão asfaltadas e as obras começam já daqui a 15 dias. Também incluiu no discurso a construção de seis novas escolas e 40 pistas de skate como se houvesse mais necessidade do skate do que da instrução. "Tudo ficará pronto antes de outubro", garantiu, mas sem esquecer que para o futuro virá um trem VLT, promessa antiga.

Como o tempo é curto para muita maravilha, há muito dinheiro injetado para eleger a amásia para a Câmara estadual - uma garantira de foro privilegiado. E não falta dinheiro com os royalties jorrando dia e noite nas maquiagens eleitoreiras. Mesmo sem cumprir em seis anos um terço dos 30 itens prometidos, agora o prefeitinho anuncia que os ônibus de uma empresa governamental, MaricaTrans S/A, entocados no aeroporto fechado, sairão às ruas em agosto para um período experimental com passagens gratuitas e chapa branca, tudo pago pelo Erário, para dar “gratuidade” às passagens, sem garagem, funcionários, ou qualquer estrutura. Qual será o intuito descarado senão o de garantir votos para madame com tudo pago pelo incauto cidadão? 


Mas promessas não faltarão. O governo petista de Maricá é pródigo em criar factoides, mentir, enganar como também em surrupiar os cofres públicos. Sem qualquer pingo de vergonha na cara, até já anunciaram a vinda de um trem ligando Itaipuaçu a Ponta Negra, atravessando todo município e até para orgulho dos cidadãos uma estátua de 10 metros do santo padre Anchieta, canonizado recentemente para lembrar também o “trabalho e dedicação em prol da educação e da inclusão assim como nosso governo de políticas públicas voltadas para os menos favorecidos”. 

domingo, 27 de julho de 2014

Rua do Horto

Elder Rocha Lima (Brasil, 1928)

Queijo para dois

A Situação comia o queijo sozinha, a Oposição tinha fome e também lhe apetecia comer do queijo.
- Negativo – respondeu a Situação. – O queijo não dá para todos. Mesmo que desse, o queijo nunca é para todos.
- Então eu vou aí e tiro o queijo todo para mim – ameaçou a Oposição.
E a Situação continuava comendo queijo, comendo queijo. Até que ele acabou. Vendo que tinha acabado, ela se queixou da Oposição:
- Viu o que você me arrumou? De tanto reclamar uma fatia de queijo, ele foi minguando, minguando, e me deixou com fome. Você botou olho-grande. Quando eu arranjar outro queijo, vou comê-lo escondido.
(Contos plausíveis Carlos Drummond de Andrade)
***

De uma atualidade quase profética

Deixai os doidos governar


Deixai os doidos governar entre comparsas!
Deixai-os declamar dos seus balcões
Sobre as praças desertas!
Deixai as frases odiosas que eles disserem,
Como morcegos à luz do Sol,
Atónitas baterem de parede em parede,
Até morrerem no ar
Que as não ouviu
Nem percutiu
À distância da multidão que partiu!
Deixai-os gritar pelos salões vazios,
Eles, os portentosos mais que os mares,
Eles, os caudalosos mais que os rios,
O medo de estar sós
Entre os milhares
De esgares
Reflectidos nos colossais
Cristais
Hílares
Que a sua grandeza lhes sonhou!
Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira (1922-1959) 

Desculpe David Luiz


Os EUA tiveram uma guerra civil que custou cerca de 600 mil vidas. A Alemanha foi derrotada duas vezes no período de 27 anos e a França foi ocupada pelos alemães. Outros países tiveram grandes traumas por terremotos e maremotos.

Nossos traumas foram derrotas no futebol: para o Uruguai, em 16/7/1950, e Alemanha, em 8/7/2014. Sofremos por causa dos 7 a 1 no futebol, mas esquecemos dos 103 a Zero para a Alemanha em Prêmios Nobel.

A realidade social não nos traumatiza porque nossos grandes problemas foram banalizados. Consideramos tragédia ter o quarto melhor time de futebol do mundo, mas não nos traumatiza quando, no dia 1/3/11, a UNESCO divulgou que estamos em 88º lugar em educação; nem quando, em 15/3/13, o PNUD divulgou que estamos em 85º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano; ou quando o Banco Mundial nos coloca como o 8º pior país em concentração de renda; ou ainda quando soubemos que somos o 54º país em competitividade no mercado mundial; ou quando o IBGE divulgou, em 27/9/13, o aumento no número de adultos analfabetos entre 2011 e 2012.

sábado, 26 de julho de 2014

Aviso

Nani Humor

Melhora de vida esbarra na educação


Indicador foi o único que se manteve estável dentro do Índice de Desenvolvimento Humano

A educação ainda trava o avanço do país no ranking dos países com maior nível de desenvolvimento. Nas três dimensões que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a educação está estagnada, enquanto avançam os indicadores de renda e saúde.

A expectativa de anos de estudo (que significa quanto tempo se espera que uma criança ficará na escola) se manteve em 15,2 anos, e a média de anos de estudo, em 7,2 anos. Já a Renda Nacional Bruta (RNB) per capita do país subiu de US$ 14.081 em 2012 para US$ 14.275 em 2013, enquanto a expectativa de vida aumentou de 73,7 anos para 73,9 anos no mesmo período.

— O que está puxando o Brasil para baixo em desenvolvimento humano é a educação. Avançamos em expectativa de vida e a renda é condizente com os demais países do grupo de alto desenvolvimento humano, mas a média de anos de estudo é a terceira pior do grupo e se aproxima dos grupos inferiores — explica a professora da UFPE Tatiane de Menezes.

No grupo de alto desenvolvimento humano, apenas Omã (6,8 anos) e Colômbia (7,1 anos) têm média de anos de estudo inferior à brasileira. Vizinhos da América Latina, como Argentina (9,8 anos), Chile (9,8 anos) e Cuba (10,2 anos), exibem números bem maiores.

Saiu uma; entra outra


No último quartel de século, contudo, apesar das sucessivas eleições, a cultura democrática pouco avançou, principalmente nos últimos 12 anos. As presidências petistas reforçaram o autoritarismo. A transformação da luta armada em ícone nacional é um bom (e triste) exemplo. Em vez de recordar a luta democrática contra o arbítrio, o governo optou pela santificação daqueles que desejavam substituir a ditadura militar por outra, a do “proletariado".

Marco Antônio Villa

Política de investimentos S/A


Levantamento traz os dez parlamentares mais votados em 2010; montante representa 8,4% do valor total

Deputados federais não são só capital político: eles também representam a garantia de engorda dos cofres das legendas, que, com grandes bancadas e votações expressivas, acabam recebendo mais dinheiro na distribuição do fundo partidário. Um levantamento feito pelo GLOBO com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) revela que os 10 deputados federais mais votados em 2010 renderam R$ 111 milhões no último mandato, entre 2011 e 2014.

O montante equivale a 8,4% do R$ 1,32 bilhão repartido entre todas as siglas registradas no TSE no período. Tiririca, que tem mais votos entre eles, conseguiu sozinho R$ 29,9 milhões para o PR na divisão do fundo. Já Garotinho, o segundo lugar, foi responsável por R$ 15,3 milhões do dinheiro destinado ao PR. O repasse do fundo partidário é constituído por recursos públicos e particulares. De seu total, 5% é distribuído igualmente entre as siglas e 95% de forma proporcional à votação dos deputados federais na última eleição.

A cara do Brasil



Este filme é a cara do Brasil, segundo Cacá Diegues, com Salomé, Lorde Cigano e Andorinha, os mambembes que cruzam o país na Caravana Rolidei. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

'Emprego' para miseráveis

O “partido que mudou o Brasil” espalha por Maricá os “zeidanetes” ou “fabianetes”, os miseráveis pagos com uma quentinha, vale-transporte e R$ 50 por dia para ficarem exibindo bandeiras dos figurões candidatos. No Brasil desses, ainda se continua a explorar os mais pobres sem que lhes dê trabalho, educação, saúde, mas as migalhas das campanhas. Tudo sob a égide do vale tudo do voto 

Ladrão dá voto!


O crime virou de vez uma vaquinha eleitoreira. É mais uma área de governo que se tornou máquina para eleger, ou mesmo reeleger, os alcunhados bandidos diplomados em eleição, os políticos de conchavo e outros mais meliantes. O país, e em particular cada cidadão, fica à sanha da criminalidade - até mesmo as instituições policiais e seus integrantes - para que os políticos possam demagogicamente fazer firula, aparecer na mídia solicitando providências de segurança e outras mumunhas mais. Fazem pose de que estão providenciando o que nunca providenciaram, nem lhes interessa resolver, apenas para dar ibope na mídia e receberem a claque dos seus "soldados" correligionários, meros perus emplumados.

Todos sabem de longe que as tais medidas propostas são pirotecnia da politicanalha que impera há anos no troninho. Fingem que batalham pela segurança quando são os primeiros a usar o dinheiro público para garantir sua própria segurança. Preferem armar um exército de proteção até para evitar qualquer confronto com adversários ou encontros indesejáveis.

Essa vaquinha eleitoreira, uma das muitas implantadas nos últimos anos pelo país, foi incrementada com a falta de empenho que os desgovernos trataram e tratam o problema. Criam medidas, acenam com factóides pela mídia, falam da proteção do cidadão, mas o que mais fazem é não fazer nada. Quando muito se esforçam em casos de repercussão, e olhe lá. Mas blindam a si e aos amigos.

Esquecem esses mentores da vaquinha a falta de empenho em aplicar o máximo de esforços em liquidar de vez com as drogas. Quando o país é assolado por uma epidemia de crack - segundo país em consumo no mundo e primeiro em crack - , o que se vê é o silêncio pré-eleitoral. O problema será base da campanha para que possam render votos seguros dos incautos com os anunciados projetos mirabolantes. E a droga continuará a rolar solta, os drogados virando ladrões, quiçá assassinos, para na roda-viva manter em seus cargos aqueles mesmos que bolaram as maravilhas de combate ao crime, e não resolveram nada. Porque não é mesmo para resolver, mas só para render o continuísmo de poder.

Maricá trilha há bom tempo essa carreira criminal. A começar pela inauguração dos "atentados" eleitoreiros trombeteados em 2008. Cresceu tanto a violência na região que na grande mídia Maricá só dá as caras com destaques negativos. Ou são as matérias pagas do governo de Quaquá para anunciar suas mentiras sem pé nem cabeça – verdadeiros atentados à cidadania e à democracia -, ou os casos policiais de repercussão como a morte de turista russo, sequestro de empresário ou prisão de fugitivos de favelas cariocas. O próprio governo municipal chegou a providenciar um abaixo-assinado junto à população para pedir mais policiamento militar ao Estado, incapaz que é de gerir com os outros poderes medidas eficazes. Tudo para se eximir e jogar a batata quente para terceiros.

É assim que o povo se vê rendido ao crime, a polícia exposta ao criminoso. Tudo em bom nome da maracutaia política que assegura uma e única coisa: o sacrifício do cidadão e mesmo dos policiais imolados nas urnas.

Prêmio para Viva Rio


"Violência urbana às vezes mata mais do que guerra"

Rubem Fernandes, diretor-executivo e um dos fundadores da ONG Viva Rio, recebeu nesta quinta-feira em Wiesbaden, na Alemanha, o Prêmio da Paz de 2014 pelo reconhecimento ao trabalho da organização contra a violência e na área de desenvolvimento social.

Conclamação

“(...) Não repousemos, trabalhemos, velemos sobre nós e sobre os outros, entreguemo-nos por inteiro à probidade, prodigalizemo-nos para a justiça, arruinemo-nos pela verdade, sem contar o que perdemos, porquanto o que perdemos o ganhamos. Nada de frouxidão. Façamos segundo as nossas forças e além de nossa forças. Onde existe um dever? Onde existe uma luta? Onde há um exílio? Onde há uma dor? Corramos para aí”

Victor Hugo (1802-1885) em "Pós-escrito de minha vida"