No dia 14 de novembro de 1985, véspera da votação, o senador participava de um ensaio fotográfico para a revista Veja. Induzido pelos fotógrafos e confiante no resultado, ele aceitou posar no Palácio Anhangabaú (antiga sede da prefeitura), sentado na cadeira do então prefeito Mário Covas. A foto foi publicada naquela semana e interpretada pelos eleitores como um ato de soberba e salto alto.
Contrariando as pesquisas, Jânio venceu a disputa com 37,5% dos votos, enquanto Fernando Henrique ficou com 34,1%. Na época, a eleição era decidida em turno único. No dia 1º de janeiro de 1986, ao assumir o cargo, Jânio imortalizou a gafe: convocou a imprensa, sacou um tubo de inseticida e borrifou a cadeira, declarando que “nádegas indevidas” haviam se sentado ali antes da hora.
Embora o episódio da cadeira tenha ficado marcado no imaginário popular, o próprio Fernando Henrique aponta que outro fator pesado na reta final foi uma entrevista dada ao jornalista Boris Casoy. Questionado se acreditava em Deus, o senador hesitou e preferiu não responder. A hesitação foi amplamente explorada por Jânio, que panfletou a cidade chamando o rival de “ateu e maconheiro”.
Anos mais tarde, Fernando Henrique reconheceu o erro histórico e disse que a icônica foto na cadeira provava que ele “havia merecido perder por ingenuidade”. No fim das contas, a derrota pavimentou o caminho que o levaria a se eleger presidente da República duas vezes – uma em 1994 e a outra em 1998 –, em ambas voando nas asas do Plano Real, que domaria para sempre a inflação.
Na maioria das ocasiões, pelo menos na política, usar salto alto pode ser mortal. É exatamente assim que se comporta Flávio Bolsonaro a 11 dias do segundo turno. No primeiro turno, ele venceu Lula com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. A nova pesquisa da Quaest, a ser divulgada hoje, mostrará se sua vantagem aumentou, diminuiu ou permanece a mesma. Amanhã, o Datafolha divulgará a sua.
Convencido de que está praticamente eleito, Flávio diminuiu o ritmo de sua campanha para se dedicar à negociação com partidos visando à montagem de seu eventual governo. Entregou as ruas a Lula e ao PT. E não parece se preocupar ao vê-las ocupadas por multidões vestidas de vermelho, que gritam com um entusiasmo crescente: “votem no 13”. Acredita piamente que uma virada será impossível.
Conta para isso com o apoio dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambos devem sua nomeação a Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, e atuam de forma alinhada aos interesses da candidatura do filho do ex-presidente, enquanto defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
A confiança de Flávio em seu taco é tamanha que ele já anunciou que não comparecerá ao debate com Lula na Rede Bandeirantes de Televisão, marcado para o próximo domingo. Quanto ao último debate, na quinta-feira, promovido pela Rede Globo, ele ainda não garantiu presença. Se de fato faltar a ambos, os púlpitos com seu nome ficarão vazios, e Lula será entrevistado sozinho.
Talvez Flávio ignore que a soberba é um dos sete pecados capitais. Inclusive, dentro da tradição teológica cristã (formalizada por São Tomás de Aquino e pelo Papa Gregório I), ela não é apenas mais um pecado, mas sim considerada a raiz e o princípio de todas as outras falhas humanas.
Na maioria das ocasiões, pelo menos na política, usar salto alto pode ser mortal. É exatamente assim que se comporta Flávio Bolsonaro a 11 dias do segundo turno. No primeiro turno, ele venceu Lula com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. A nova pesquisa da Quaest, a ser divulgada hoje, mostrará se sua vantagem aumentou, diminuiu ou permanece a mesma. Amanhã, o Datafolha divulgará a sua.
Convencido de que está praticamente eleito, Flávio diminuiu o ritmo de sua campanha para se dedicar à negociação com partidos visando à montagem de seu eventual governo. Entregou as ruas a Lula e ao PT. E não parece se preocupar ao vê-las ocupadas por multidões vestidas de vermelho, que gritam com um entusiasmo crescente: “votem no 13”. Acredita piamente que uma virada será impossível.
Conta para isso com o apoio dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, respectivamente presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambos devem sua nomeação a Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, e atuam de forma alinhada aos interesses da candidatura do filho do ex-presidente, enquanto defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
A confiança de Flávio em seu taco é tamanha que ele já anunciou que não comparecerá ao debate com Lula na Rede Bandeirantes de Televisão, marcado para o próximo domingo. Quanto ao último debate, na quinta-feira, promovido pela Rede Globo, ele ainda não garantiu presença. Se de fato faltar a ambos, os púlpitos com seu nome ficarão vazios, e Lula será entrevistado sozinho.
Talvez Flávio ignore que a soberba é um dos sete pecados capitais. Inclusive, dentro da tradição teológica cristã (formalizada por São Tomás de Aquino e pelo Papa Gregório I), ela não é apenas mais um pecado, mas sim considerada a raiz e o princípio de todas as outras falhas humanas.

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