sábado, 12 de março de 2016

Firmeza e serenidade

                "Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"
Fernando Pessoa, no "Livro do Desassossego"

Imperdoável, é o que penso, foi o que Lula fez consigo mesmo e com o país: teve todas as oportunidades para transformar verdadeiramente o Brasil e limitou-se a uma maquilagem, um arremedo de mudança.

Na década de 90 do século XX ganhei de um sobrinho uma estrelinha do PT, muito tosca, que ele comprou num dos comícios que assistia na Cinelândia, aqui no Rio, por ocasião das primeiras vezes que Lula se candidatou a presidente.

Passado um bom tempo, a imagem de Lula só crescia graças ao carinho da Imprensa e, sobretudo, com a adesão de intelectuais, artistas e acadêmicos, que louvavam o Lula.

Seu entusiasmo e sua argumentação eram de tal ordem que me convenceram a votar numa pessoa sem instrução, o que, para mim, era um anátema: um presidente da República sem instrução formal.

Assim, votei no Lula em 2002, e foi com muita fé que o fiz.

Logo a seguir, começo a ver, pelas notícias que a Imprensa dava, sempre com certa complacência para com Lula, que o grande líder do PT ainda não absorvera a grande lição que nasceu nos EUA nos idos das décadas de 30 e 40 do século passado: there’s no free lunch.

É quase que o 11º Mandamento, pois está mais do que provado que não há almoço grátis.

Mas Lula e o PT não acreditaram na lição.

São muitos os exemplos do uso do que é Público como se fosse Privado. O primeiro foi a estrela vermelha do PT transformada num canteiro no Palácio da Alvorada que, vale lembrar, é tombado. Foi o sinal dado: chegamos aqui, agora o Brasil é nosso.

E foi deles até agora.

Pintaram e bordaram.

Passamos pelo Mensalão e agora estamos no Petrolão. Quer dizer, de horror em horror.

Charge Tempo 11/03

Hoje temos um Brasil em frangalhos, economicamente julgado como trash pelas agências de classificação de risco. Com a maquilagem derretendo e deixando à mostra a pobreza que ainda fere a alma e o coração de milhões de brasileiros.

Lula perdeu muito de sua popularidade. Mas ainda é idolatrado pelos fieis militantes do PT. Como, por exemplo, o Sindicato dos Bancários que, mesmo depois de ver violentado o direito de milhares de seus filiados no escândalo dos imóveis que a Bancoop administrava, ainda assim abriu suas portas para que Lula se queixasse da Justiça brasileira. Foi quando ele se declarou uma jararaca viva e prestes a dar o bote. Como ele se conhece muito bem, nada a contestar.

Lula hoje é um homem muito rico. Só com o que ganhou em suas soi-disant palestras pelo mundo afora, já dava para ele comprar seus imóveis e bancar suas viagens. Não precisava depender de amigos e empreiteiras.

Um Brasil dividido entre nós e eles é tudo que menos precisamos. Mas é essa a oração do Lula e que dona Dilma, entusiasmada, adotou. A ponto da presidente abandonar Brasília, nesse momento tormentoso que atravessamos, para ir a São Paulo, no Aero-Lula, fazer uma visita de apoio ao Líder.

No meio de todas as notícias da semana passada (4 a 11 de Março) uma declaração de dona Dilma causou espécie. Ela concedeu à Oposição “o direito de divergir de modo absoluto, mas com limites”. Se não doesse muito, eu até riria!

Por último, ela convidou o ex-presidente a fazer parte de seu Ministério. Isso eu não acredito que Lula aceite. Seria uma covardia com sua mulher e seu filho.

A defesa de Lula alega que não é possível impedi-lo de fazer uso de seu direito de expressão. Claro que não. Mas o mínimo que Lula pode fazer é ter a grandeza de pedir firmeza e serenidade aos seus militantes, assim como esse é o mesmo apelo que os líderes da Oposição devem fazer aos seus seguidores. .

Mostrar mais amor ao Brasil que ao Poder, isso é o mais importante.

Mas Lula é o único que pode jogar água na fogueira que acendeu. E deve começar por exigir dos petistas respeito pela Imprensa e pelos jornalistas que cumprem seu dever para conosco, cidadãos.

Só há uma coisa que nós, pessoas comuns, podemos fazer: não admitir que nossas manifestações descambem para a violência. Exigimos respeito.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

sexta-feira, 11 de março de 2016

Nem o pior adversário do PT imaginaria fim tão melancólico

As versões variam pouco, com algumas coincidências. Segundo uma delas, Dilma convidou Lula para ocupar um ministério, mas ele teria recusado. Segundo a outra, ele vai usar este fim de semana para pensar. O que há de inequívoco nas duas? Aquilo que muitos tratavam de forma jocosa, como o limite rumo à impossibilidade, aconteceu: a ainda presidente realmente fez o convite. E ele até poderia escolher a pasta. Bem, faz sentido! Na prática, ele já escolheu a cadeira dela.

A coisa é escandalosa até para os padrões petistas. Mas não deixa de ter a sua graça: a presidente prestes a ser impichada formaliza a posição de Lula, que hoje já comanda o governo, entronizando-o como o rei do Brasil.

Se acontecer, nunca antes na historia “destepaiz” alguém terá se tornado ministro só por medo de ser mandado para a cadeia. E que se note: nem garantia é.


Dilma tem mais alguns bons pares de dias antes de cair. Até lá, imaginem a cena: numa reunião com ministros, quem vocês acham que daria as cartas? Quem seria ouvido? Quem definiria as diretrizes?

O mais patético de tudo é que há petistas graúdos contra a ideia, mas não porque se importem com o absurdo e o ridículo, mas porque, dizem, Lula corre o risco de se afundar junto com Dilma. Atenção! No próprio PT, são raros os companheiros que acreditam que ela chegue a 2018. Eu aposto que não chega ao segundo semestre deste ano.

Aliás, um dos esportes prediletos hoje em Brasília é montar o “Ministério do Michel”. Até o PMDB, que foi alvo de manobras divisionistas oriundas do Palácio do Planalto, passa por um reagrupamento. Renan Calheiros (PMDB-AL), por exemplo, presidente do Senado, recebeu Lula num café da manhã. Ouviu tudo e não prometeu nada.

Que desfecho, não? Para fugir da cadeia, os petistas agora pretendem se esconder nos palácios. Nem o adversário mais severo da legenda imaginaria fim tão melancólico.

Um governo condenado

A palavra “condenado” deve ser lida aqui com a acepção que lhe é dada em engenharia civil, para designar um edifício prestes a desabar, sem possibilidade de recuperação. É pouco provável que, fragilizado como já estava, o governo consiga se recuperar do desgaste adicional causado pela vertiginosa sequência de eventos adversos a que se viu submetido nas últimas semanas. Antes que os fatos se embaralhem no turbilhão da crise, é bom tê-los em perspectiva e nitidamente diferenciados, para entender com mais clareza as razões do dramático estreitamento de espaço de manobra com que hoje se debate o governo.

Não é preciso uma lista exaustiva. Basta ter em conta os eventos mais desgastantes, todos ocorridos nos 12 dias compreendidos entre 22 de fevereiro e 4 de março: a prisão de João Santana; as evidências de que, em meio à campanha presidencial de 2014, o marqueteiro teria recebido, em contas de empresas não declaradas no exterior, vultosos pagamentos feitos com recursos provenientes do petrolão; a divulgação do depoimento do senador Delcídio Amaral, no quadro de um acordo de delação premiada, em que acusa a presidente de tentativa de obstrução de Justiça e de ter tido pleno conhecimento prévio das implicações da decisão de aquisição da refinaria de Pasadena; e, para culminar, a condução coercitiva do ex-presidente Lula, para prestar depoimento à Polícia Federal, e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em seus apartamentos de São Bernardo, na casa de Atibaia e no Instituto Lula.


Para avaliar a extensão dos danos que essa saraivada de eventos adversos vem impondo ao governo, é importante ter em conta seus efeitos devastadores sobre narrativas cruciais a que o Planalto e o PT, a duras penas, vinham se agarrando.

Que nem um real de dinheiro desviado do petrolão havia sido canalizado para o financiamento da campanha presidencial de 2014. Que a presidente se orgulhava de sempre ter assegurado amplo espaço para as investigações da Lava-Jato, sem jamais ter tentado obstruir por qualquer meio o andamento da operação. Que, embora tivesse ocupado diligentemente, por mais de sete anos, a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, cinco deles como ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff jamais tivera conhecimento de qualquer malfeito ocorrido na Petrobras. Que, não obstante a escala impressionante da pilhagem de recursos públicos observada em seus dois governos, o ex-presidente Lula sempre esteve totalmente à margem desse processo, sem dele auferir qualquer espécie de ganho.

O pior, para o governo, é que tudo indica que esse desmoronamento das narrativas que lhe são caras deverá ser reforçado nos próximos meses, por uma onda adicional de acordos de delação premiada, no contexto da Operação Lava-Jato, estimulados pelas condenações em primeira instância e pela nova jurisprudência firmada pelo STF, em fevereiro, que permite que penas de prisão já sejam executadas a partir de decisões de segunda instância.

Da noite para o dia, um governo que se sabia fragilizado passou a ser visto como desenganado. E é natural que isso tenha deflagrado amplo reposicionamento de forças políticas. Partidos de oposição, que chegaram a alardear que o impeachment estava enterrado, passaram a ver com novo ânimo a possibilidade de abreviar o mandato da presidente Dilma. Já há até sinais de que as facções governistas do grande arquipélago peemedebista andam costeando o alambrado, prontas a abandonar a presidente à própria sorte. E rumores de que o resto da base governista pode saltar do barco a qualquer momento.

O que esperar da condução da política econômica nesse quadro conturbado, de fim de festa? Na melhor das hipóteses, que os tripulantes se empenhem para, na medida do possível, evitar que a deterioração da situação política se traduza em agravamento da brutal crise econômica que enfrenta o país. Mas não é bem isso que vem sendo esboçado.

Rogério Furquim Werneck

Vácuo no governo e na oposição

Em outro artigo, que será publicado na edição de Zero Hora deste próximo final de semana, escrevi sobre a anomia que acometeu o Brasil neste inicio de século, relegando a nação a uma condição selvagem em pleno ambiente urbano. Tal condição se caracteriza pela insegurança, pelo medo, pela decadência do respeito à lei e aos poderes constituídos, e pela quase inutilidade do setor público, incapaz de dar solução adequada às mais rudimentares de suas atribuições.


Na política, repete-se como axioma que ela não convive com vácuos. Em tese, todo vazio é rapidamente preenchido. Pois a anomia se instalou no Brasil muito gradualmente já no segundo mandato de Lula, quando o presidente, para efeitos públicos, assumiu-se como mito. E mitos não governam. Mitos são taumaturgos, anunciam quimeras. Governar é para os mortais. Depois, quando Dilma foi eleita e reeleita, o vazio do poder instalou-se de vez. A presidente da República é aquilo que a ciência define como perfeito e impossível - o vácuo absoluto, a total ausência de conteúdo. Quando se instala algo assim no espaço intergaláctico, forma-se o fenômeno conhecido como buraco negro, capaz de devorar galáxias inteiras. No Brasil, não. Fica vazio e pronto.

Não bastasse uma governança politicamente oca, verdadeiro infortúnio, produziu-se entre nós, simetricamente, um outro vazio tão ou mais surpreendente na oposição política. O tucanato, apresentado pelo petismo como seu arqui-inimigo, não corresponde à ideia comum que se tenha de um partido de oposição. Não é possível olhar para o PSDB e achar que ali está o Batman do Coringa petista. O PSDB é apenas o maior partido fora do governo. Não é sensato tomar como conduta de partido de oposição aquilo que, na ordem dos fatos, são apenas manifestações desconexas de divergência em relação ao governo.

Temos, portanto, dois fenômenos que, em tese, não poderiam existir. E que talvez só possam ocorrer exatamente por serem simétricos e equivalentes. Dois vácuos políticos aguardando provimento, no governo e na oposição. Não será difícil encontrar na situação descrita uma das causas determinantes da crise multiforme que, como nação, estamos enfrentando.

No dia 13 ocorrerá no Brasil a maior manifestação popular de nossa história. É diante desse cenário que ela vai acontecer. O povo irá às ruas não para substituir-se às instituições, mas para sacudi-las de sua letargia. Vai às ruas por uma questão de saneamento moral básico, de honra nacional, para recuperar valores que foram pisoteados pelos cavaleiros do Átila de Guarujá. Ainda assim continuaremos precisando de algo tão parecido quanto possível com um governo e uma oposição.

Percival Puggina

Lula, o preso político

Petistas têm denunciado que a condução coercitiva de Lula à Polícia Federal fez dele um preso político. Assim espero! Não dá para tratar Lula, mentor e beneficiário do Mensalão e agora do Petrolão, apenas como um criminoso comum.

O que ele e o PT têm feito ao tomar de assalto o governo com dinheiro roubado do povo e fraude eleitoral, é um crime político. Lula jamais seria um preso político como aqueles que sabemos existir em Cuba ou na Venezuela, cujos dirigentes são aliados do PT e encarceram qualquer um que ousarem criticá-los.

LULA ASSUMIR MINISTERIO mp de sao paulo pede prisao de lula telefone dilma perai

Lula nunca foi impedido de expressar sua opinião. Ninguém pretende prender “o cara” porque ele se opõe ao atual regime – semi-ditatorial – que ele mesmo ajudou a criar. Pelo contrário, ele foi convidado a comparecer à Polícia Federal, exatamente para esclarecer tudo aquilo do qual ele está sendo acusado de praticar.

Lula é um preso político de outra espécie. É o típico homem público que no exercício do poder governou de forma demagógica e populista, fazendo de tudo para conspirar contra as instituições estabelecidas, com o único propósito de enriquecer ilicitamente para se manter indefinidamente no poder.

O crime político de Lula ainda vai além, tentou implantar no Brasil um sistema social baseado na violação dos direitos à vida, à liberdade e à propriedade de cada um de nós, ricos, pobres e quem estiver ali pelo meio. Lula, como todo criminoso político, acabou incorrendo num crime menor, o de ser apenas mais um político criminoso.

Se for provado o que todo o Brasil já sabe, o petralha não será lembrado como herói. Ele fará parte da História, naquele capítulo que fala do “pixuleco” e será tratado como merece, um vulgar político preso.

PT submete Dilma a impeachment companheiro

Dilma Rousseff não só acredita em vida depois da morte como crê que é esta que ela está vivendo. Suposta presidente da República, Dilma já não tem capacidade nem para projetar as aparências do poder. Para evitar que outras forças políticas dêem um golpe, o PT decidiu implementar um impeachment companheiro. Articula a conversão de Dilma em ex-presidente ainda no exercício da Presidência. Só falta decidir o que o partido fará com o vácuo que herdará de si mesmo.

Lula passará o final de semana refletindo sobre a conveniência de assumir um ministério sob Dilma, informou Rui Falcão, presidente do PT, ao discursar na noite desta quinta-feira para uma plateia de cerca de 300 militantes de movimentos sociais. Lula não está interessado no escudo do foro privilegiado, assegurou Falcão. Não, não. Absolutamente. A ideia é que ele vá à Esplanada para “salvar o nosso projeto.” Bom, muito bom. Pode criar algo inteiramente novo. Caos não falta.


Na saída do evento, Falcão afirmou que a decisão de Lula pode sair no próprio final de semana ou demorar mais alguns dias. “Essa é uma decisão dele. Lula está tranquilo e sereno.” Noutros tempos, a escolha de ministros era decisão exclusiva de presidentes. Mas Dilma não se importará se Lula decidir se autonomear. Ela o deixou à vontade para escolher a pasta. O PT quer vê-lo na Casa Civil. Funciona no 4º andar do Planalto, em sala que fica imediatamente acima do gabinete presidencial, situado no 3º piso.

Não é difícil imaginar a cena: na antessala do neo-ministro, congressistas e empresários se acotovelando por uma audiência. Na sala de espera da pseudo-presidente, o silêncio do vazio. No interior do gabinete, o nada. Inútil tentar alcançar Dilma com os olhos. O olhar atravessa o nada e vai bater no couro do espaldar da poltrona. Lula queria um sucessor invisível, que não lhe fizesse sombra. Exagerou!

Impeachment depende da rua

O PT chamou a população para defender Lula nas ruas e agora corre o risco de ouvir como resposta no próximo domingo o mesmo "não" que derrubou Fernando Collor em 1992.

Acusado naquela época de ter contas pagas por terceiros, Collor fez um discurso exaltado no dia 13 de agosto daquele ano. Dizendo-se presidente dos descamisados, falou em "golpe", reclamou que a "central única dos conspiradores" pretendia promover o "terceiro turno das eleições" e conclamou a população a vestir as cores da bandeira nacional.

O efeito foi o de um bumerangue. Três dias depois, enquanto Collor reunia cerca de 300 apoiadores em frente à Casa da Dinda, o país presenciou uma onda de manifestações em favor do impeachment na qual o preto foi adotado como símbolo e as gargantas pediam "cadeia". Collor durou só mais 44 dias no cargo.

Lula não é um outsider como era o seu adversário de 1989. Tem na retaguarda um partido estruturado, ainda que combalido, uma central sindical e alguns movimentos sociais. Mas o fato de não conseguir formular uma resposta minimamente convincente para os presentes que recebeu de empreiteiras torna sua posição muito frágil. Como convencer alguém a defender o direito do Lula de ser paparicado pela Odebrecht?

Tanto assim que, na própria sexta, a despeito de o PT ter tentado mobilizar sua militância contra a condução coercitiva de Lula, pouca gente foi para rua. Houve alguns protestos, uma ou outra confusão, um ex-deputado mostrando a cueca, mas o máximo que o partido conseguiu foi lotar a quadra de um sindicato. É pouco para o Lula que já foi considerado o presidente mais popular da história.

A manifestação de domingo, dependendo da sua amplitude e vigor, pode significar o respaldo que a Câmara aguarda para o pedido de impedimento de Dilma. Como disse Michel Temer a aliados meses atrás, não é o Congresso quem aprova o impeachment. "É a rua."

Justiça já derrubou dois


Dilma perdeu esta semana dois ministros nos tribunais. Wellington Correa, o WC, foi sem nunca ter sido na pasta da Justiça. E o ex Lula caiu antes de aceitar a Casa Civil.

Está difícil arrumar gente de reputação ilibada, pois há pelo menos cinco ministros na mira do judiciário. E para piorar, a reserva é volume morto
.

Lula poderia ser tão importante quanto Mandela, mas a ambição...


Foi a primeira vez que um país realmente importante colocou um operário no poder, um líder metalúrgico de pouca instrução, que reconhecera jamais ter lido um livro, mas possuía um carisma arrebatador, uma intuição política invejável e uma sorte de ganhador de loteria. Não importa que tenha sido aliado do regime militar, que o apadrinhou e lançou para a glória, como massa de manobra para enfraquecer Leonel Brizola, que era um político de expressão, considerado pelos militares como a maior ameaça ao “Sistema” – denominação que designava o esquema detentor do poder no país, que aceitou devolver o governo aos os civis, desde que mantivessem a situação herdada dos militares. Era a abertura lenta e gradual, no rumo da democracia plena, mas bem devagar.

No caso de Lula, o mais importante é que ele depois conseguiu chegar sozinho ao poder e se deixou monitorar pelo economista conservador Henrique Meirelles , para fazer um governo consagrador, que colocaria o Brasil como a sexta economia mundial, com crescimento de 7,5% no PIB em 2010, último ano de sua segunda gestão. Um desempenho realmente notável, não há como desconhecer esta realidade.

Seu prestígio internacional era impressionante. Roubava a cena nas reuniões de cúpula, o Brasil passou a ser um dos líderes do G-20 e do BRICS, o grupo dos chamados países emergentes.

As universidades estrangeiras o homenageavam, uma atrás da outra, Lula tornou-se um dos políticos mais conhecidos do mundo. Se tivesse se comportado como o líder sul-africano Nelson Mandela, teria seu nome inscrito para sempre como um dos maiores políticos da História Contemporânea, vejam a que ponto estava chegando a trajetória do ex-metalúrgico brasileiro.

Mas acontece que Lula é um herói de pés de barro, como se dizia antigamente. Ao invés de se mirar no exemplo de Mandela, que nem reeleição aceitou, Lula se deixou levar pela embriaguez do poder. Não quis voltar à vida simples de antes, passou a se comportar como as elites que ele tanto criticava. De repente, não era mais o Lula. Havia se transformado em mais um novo rico, cercado de luxo, orgulho e arrogância, andando de jatinho para cima e para baixo, num comportamento deletério que contaminou toda a família e levou os filhos pelo mesmo caminho.

O orgulho e a arrogância – como sempre – deram em nada. Não adianta mais Lula dizer que foi o maior governante deste país nem se classificar como a alma viva mais honesta, isso apenas mostra que a soberba continua instalada em sua personalidade.

Lula era rico e não percebia, tinha conquistado tudo o que podia, mas ainda continuava insatisfeito. Tinha de viver como milionário. Mas sua declaração de renda não o permitia. Como explicar a compra simultânea do triplex, do sítio e da cobertura ao lado em São Bernardo? Quanto os federais entraram na residência de Lula, se surpreenderam porque uma parede tinha sido derrubada e as duas coberturas se comunicam internamente.

E a família Lula ainda ocupa um terceiro apartamento no mesmo prédio, onde fica instalada a equipe federal de segurança que acompanha permanentemente a família, e os jornais ainda não se interessaram em saber quem é o dono de mais este imóvel. Será o primo do Bumlai? Ou o advogado e compadre Roberto Teixeira, sempre pronto a ajudar o amigo?

O grande político brasileiro Lula não existe mais. A força-tarefa da Lava Jato reuniu tantas provas sobre o enriquecimento ilícito da família Lula da Silva que não há advogado que dê jeito. Já foram contratados três escritórios – em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Curitiba. Mas contra fatos concretos não há argumentos jurídicos que consigam reverter a condenação.

Dilma Rousseff segue o mesmo caminho. A delação premiada da Andrade Gutierrez apresenta provas materiais de utilização de recursos ilegais na campanha de 2014, e a cassação da chapa com Michel Temer tornou-se inexorável, apenas questão de tempo. Dilma finge que governa e a gente finge que acredita. E la nave va, cada vez mais fellinianamente.

Companheiros envolvidos em trapalhadas

A operação Lava Jato continua produzindo notícias, senão informações. O Ministério Público Federal, em documento de 89 páginas, acaba de requerer do juiz Sérgio Moro as medidas cautelares dos pedidos de busca, apreensão e condução coercitiva do Lula, indicando que os procuradores encarregados do caso estão convencidos da culpabilidade do ex-presidente no caso. A referência supõe que o primeiro companheiro está implicado na ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, no caso do triplex do Guarujá. O imóvel teria sido oferecido ao Lula pela empreiteira OAS, com obras suplementares, inclusive um elevador privativo e móveis de luxo, a preço de banana podre, dada a situação de ficar encarregada do trabalho, pela falência da empresa antecessora, da qual ele era sócio.

Em função dessa versão, da qual o MPF não duvida, divulgou-se que para escapar de ver seu criador tornar-se réu junto ao Supremo Tribunal Federal, e provavelmente ser condenado, a presidente Dilma Rousseff chegou a cogitar nomeá-lo ministro, coisa que garantiria sua blindagem perante a mais alta corte nacional de Justiça. O Lula rejeitou a proposta, que envolveria quatro ministérios: Relações Exteriores, Justiça, Defesa e Comunicações.

Nada mais absurdo do que uma dessas nomeações, não apenas porque misturaria favores de dois governos,de Dilma e Lula, mas porque humilharia o ex-presidente, beneficiando-se de um expediente nada ético para escapar de responder pelos seus atos quando chefe do governo.

Olhando-se de fora a monumental crise que assola o país, tem-se a impressão de valer muito pouco a presença do PT na arte de administrar o país. Companheiros envolvem-se em trapalhadas sem fim, a ponto de uma presidente da República oferecer ao sucessor mecanismos capazes de livrá-lo de condenações.E de o Lula não poder explicar a aquisição de um triplex em desacordo com suas posses. Isso sem entrar na novela de um sítio que não foi comprado mas vem sendo usado por ele e sua família sem contrato de aluguel.

Junte-se à lambança encenada por ministros, aliados, empresários e parlamentares integrantes do time do governo e se terá a receita de uma quadrilha agindo faz tempo à sombra do PT. Por certo existirá gente séria à sombra do palácio do Planalto, mas quem garantirá a ausência de vigaristas?

O fim de semana promete embates, acusações e manifestações em torno do poder. Não seria o caso de preparar sua substituições?

Um cardápío de medos para as novas gerações

Com exceção de tempos em guerra, as gerações costumam deixar futuro melhor para seus jovens; sobretudo, um futuro alentador. Mas, de todas as dificuldades que os adultos de hoje estão deixando para os jovens brasileiros, nenhuma é mais imperdoável do que o medo. Nosso legado é um cardápio de medos.

Não estamos sendo capazes de oferecer as ferramentas necessárias para os jovens enfrentarem as incertezas criadas pelas mudanças no mundo, e ainda estamos criando novos medos brasileiros. Por força das transformações no mercado de trabalho, devido ao avanço técnico, os jovens estão com medo de desemprego, sem um sistema educacional capaz de enfrentar os desafios criados pelo avanço tecnológico; e ainda estamos provocando desemprego conjuntural, devido à recessão econômica criada pela incompetência e pela irresponsabilidade do governo atual.

Os jovens têm medo de andar nas ruas, usar tênis da moda ou um relógio que o pai deu. Todos estão com medo de epidemias, especialmente dengue, ainda mais as mulheres jovens, assustadas com o risco de seus filhos sofrerem microcefalia. E a imensa maioria, que depende do sistema de saúde pública, teme pela falta do necessário atendimento médico.

Estão com medo de que não terão um sistema sólido de aposentadoria, porque começam a perceber que a vantagem de uma vida mais longa vai exigir reformas que os obrigarão a trabalhar por mais tempo; e temem que a falta da reforma ameace a solidez do sistema.

Como todos os brasileiros, os jovens estão assustados com a inflação. Eles cresceram acostumados à estabilidade monetária e agora temem, com razão, o que vai acontecer no país se não conseguirmos recuperar a estabilidade monetária. E temem também as consequências que o enfrentamento desse problema provocará, devido aos cortes de verbas na educação, na saúde, na infraestrutura.

Sofrem com o medo da recessão econômica, que reduzirá a renda per capita que lhes caberá, diminuirá a posição do Brasil no mundo, degradará nossa infraestrutura econômica e social, reduzirá o nível de consumo e o bem-estar.

Estamos deixando aos jovens o medo do desequilíbrio ambiental, do aquecimento global – num dia, enchentes, noutro, falta de água –; os recursos naturais ficando escassos. Não fomos capazes de acenar para eles um futuro no qual o progresso não signifique degradação ambiental, concentração de renda, violência e desigualdade social.

Medo do trânsito que ameaça a vida com acidentes, especialmente envolvendo motos e bicicletas, e rouba a vida, silenciosamente, pelas perdas de tempo no dia a dia dos engarrafamentos.

Também têm medo da corrupção e de suas consequências, inclusive de nós, dirigentes, que hoje estamos construindo o futuro em que eles viverão com medo. Medo de que, em 2018, nenhum candidato a presidente prometa e ofereça, transmitindo confiança, credibilidade e competência, os caminhos para assegurar aos jovens que eles terão um país sem medo. Pelo menos isso: um Brasil sem medo.

Cristovam Buarque

Um governo jeca

O governo da Dilma é jeca. E os auxiliares que a cercam mais jecas ainda. Só em um país sem comando, à deriva, desacreditado e apodrecido moralmente nomea-se um ministro da Justiça sub judicie. Isso mesmo, o baiano Wellington César Lima e Silva está ameaçado de não permanecer no ministério porque o STF entendeu que ele, por ser integrante do Ministério Público, não pode exercer a função para qual foi nomeado pela Dilma.

Meu Deus!, viramos uma republiqueta das bananas, nanicas. Parece que estamos vivendo em outra galáxia, a galáxia que hospeda um monte de débeis mentais na Praça dos Três Poderes. Que país avacalhado é esse que nomeia um ministro (da Justiça!) sem uma análise criteriosa, cuidadosa. Chegamos ao mais baixo nível da desmoralização da administração pública. Aquela em que, pasmem, os ministros são feitos nas coxas.
Até o mais idiota dos assessores do Planalto sabia que é inconstitucional um integrante do Ministério Público (caso do Wellington) exercer um cargo no Executivo sem renunciar à carreira, ou se aposentar. Agora, com o impasse, veja que coisa, o país está acéfalo na sua principal área de vulnerabilidade, a segurança. Sem comando, um ministério que tem sob o seu guarda-chuva a segurança pública, as garantias constitucionais e a administração das penitenciárias, entre outros setores relevantes, de uma hora para outra, está vazio. E com a decisão do STF, Wellington tem vinte dias para se afastar da Pasta ou se aposentar do Ministério Público.

Tudo isso aconteceu porque o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, responsável pela articulação política e pela escolha de ministros junto com a presidente, impôs a sua vontade. Foi buscar na Bahia um amigo para assumir o ministério antes que o pessoal do Lula indicasse um nome. Atropelou todo mundo e agora deixa o abacaxi nas mãos da Dilma. Para não retroceder, a presidente orientou José Eduardo Cardozo, antigo titular da Pasta, para defender a permanência de Wellington no cargo junto ao STF. Levou uma surra na votação do tribunal que julgou inconstitucional a presença do amigo dele no seu antigo ministério.

A petezada avacalhou o país. Do dia pra noite, o Brasil saiu de país emergente para descambar para uma nação desacreditada, apodrecida, comandada por uma presidente que não tem a menor noção da importância do cargo que exerce. Uma marionete nas mãos de um bando de sindicalistas corruptos e incompetentes que zombam da paciência do povo brasileiro.

Nem bem se recompôs da gafe, a Dilma agora quer transformar a Esplanada dos Ministérios em um presídio a céu aberto. Cogita entregar um ministério ao ex-presidente Lula para evitar que ele saia de São Bernardo algemado dentro de um camburão para formar um time de futebol no presídio de segurança máxima do Paraná. Ao seu lado, a Dilma já protege Edinho Silva, ministro da Comunicação Social, envolvido na Lava Jato. Delatores contam que foram achacados e intimidados por ele quando exerceu a função de tesoureiro da campanha dela. Para resguardar o ex-tesoureiro a Dilma o acolheu dentro do Planalto a pedido do Lula que agora também quer se alojar lá dentro sob o manto da imunidade. Não adianta fugir, se esconder, procurar refúgio porque, como dizem os internautas na internet, que se preparam para invadir as ruas pelo impeachment da Dilma: “O Moro vai te pegar!”

Cretinice sem medida


Operação Lava-Jato se tornou um instrumento político inquisitório, que opera à margem da legalidade 
Tarso Genro, ex-ministro e ex governador do Rio Grande do Sul

Governo quer empresas fazendo o 'autolicenciamento' ambiental

Depois de um desastre como o de Mariana, em Minas Gerais - considerado por muitos como a pior tragédia ambiental do Brasil -, nós poderíamos supor que os esforços das autoridades seriam em melhorar os mecanismos ambientais no Brasil, como licenciamento e fiscalização. Em vez disso, está acontecendo o contrário. Está tramitando com grande rapidez no Conama, o Conselho Nacional do Meio Ambiente, uma proposta que flexibiliza completamente o processo de licenciamento de uma obra com potencial poluidor no Brasil. Para ambientalistas, a proposta faz com que as empresas possam, na prática, fazer um "autolicenciamento" de suas obras.

Atualmente, o licenciamento ambiental é feito em três fases. A empresa que quer fazer uma usina, indústria ou extração de minérios, por exemplo, precisa primeiro mostrar que o projeto é viável do ponto de vista socioambiental, recebendo uma Licença Prévia. Depois, analisar os danos concretos que a obra pode causar, quando recebe uma Licença de Instalação. E por fim, atender às exigências impostas pelo órgão ambiental, como o Ibama, quando só então recebe a Licença de Operação e pode funcionar normalmente. Esse processo continua existindo na proposta, mas outras três modalidades de licenciamento são criadas.

Uma das modalidades, o Licenciamento Unificado, permite que a empresa possa operar com apenas uma licença ambiental. Ela vale mesmo para empreendimentos de alto potencial poluidor. Para os empreendimentos de médio ou baixo potencial poluidor, são dois processos possíveis. O licenciamento por adesão e compromisso e o licenciamento por registro. Nos dois casos, a empresa que quer fazer o empreendimento apresenta uma declaração ou registro e envia os documentos necessários por email. Isso já é o suficiente para receber a licença. Ao governo cabe apenas fiscalizar. Na prática, o processo de licenciamento fica todo a cargo da empresa que fará a obra potencialmente poluidora.
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De um corte só, R$ 10 bilhões

Em plena crise econômica, os governos federal, estadual e municipal gastam um montante bilionário com pagamentos de servidores que recebem acima do teto constitucional. Estimativas de fontes do Ministério da Fazenda e do Congresso apontam que, caso a lei fosse cumprida, a economia aos cofres públicos chegaria a quase R$ 10 bilhões por ano, considerando todas as esferas de governo. A cifra é similar à que o governo pretende conseguir em 2016 com a recriação da CPMF.

Cálculos do governo federal, que consideram apenas o total que a União economizaria, são bem menores, de R$ 1 bilhão anual. Ignorando a Constituição, alguns servidores ganham acima dos R$ 33,7 mil, salário do presidente do Supremo Tribunal Federal, que serve de referência para a definição do teto. Somente no Superior Tribunal de Justiça, o setor responsável pelos pagamentos confirma que ao menos cinco servidores aposentados receberam, entre janeiro e dezembro de 2015, valores líquidos superiores a R$ 100 mil.Leia mais  

Ódio petista à imprensa

O PT no poder perdeu a batalha das ideias. Atolado em denúncias de corrupção — algumas já comprovadas —, sem saber para onde correr, criou uma bandeira de ódio contra a imprensa que vem estimulando agressões a jornalistas.

Para tentar fugir da responsabilidade de explicar uma avalanche de indícios e dados sobre esquemas de corrupção deslavada, a cúpula petista repete o mantra de que o governo é perseguido por uma imprensa burguesa e golpista.

O PT não entendeu que o buraco é mais embaixo. A imprensa não é feita apenas de donos, mas de jornalistas, repórteres, editores, trabalhadores de classe média que, em sua maioria, apoiavam o PT — ou, pelo menos, acreditavam que, no poder, o partido faria diferente do que sempre se fez no Brasil. Mas, para desilusão geral, o PT não fez diferente.

Nos anos 1980, com o ocaso da ditadura militar e o fortalecimento do Ministério Público e do PT, quando nós, repórteres, apurávamos denúncias contra algum poderoso de plantão, quase sempre recorríamos a promotores, militantes e parlamentares do PT. Conseguimos apurar grandes escândalos, do governo Sarney ao governo FH, em boa parte, devido a informações daqueles que considerávamos como pessoas do bem.
Alguns têm memória curta, mas a imprensa — alimentada pela veia investigativa dos repórteres — batia no governo Collor como bate no de Dilma. E só bate mais forte hoje porque tem a alimentá-la uma torrente de delitos que mais parece noticiário policial.

A imprensa nada mais faz do que refletir os anseios do pensamento hegemônico no Brasil, de pessoas que se sentiram traídas, em suas esperanças, pelos governos Lula e Dilma. E faz o que é seu dever fazer: fiscalizar o poder — às vezes, é bem verdade, com certo radicalismo pueril, que só enxerga o mal no lado do PT. Mas a culpa desse estado de coisas é, antes de tudo, dos métodos do PT no poder, não da imprensa.

Em 2009, testemunhei uma cena que simboliza esse desencanto dos jornalistas em relação ao PT, numa concorrida audiência pública na Câmara Federal. O então deputado José Genoino se aproximou, circulando entre os jornalistas. Todos fizeram questão de ignorá-lo. Uma repórter chegou a virar-lhe as costas! Meio sem jeito, Genoino se afastou. Logo ele que, antes do mensalão, era uma das fontes preferidas e mais paparicadas do jornalismo brasiliense e paulista.

Esse sentimento de decepção, que tomou conta de boa parte da imprensa, representa, na verdade, o desencanto de parcelas expressivas da sociedade brasileira. Afinal, não somos astronautas, fazemos parte da mesma massa de decepcionados com o PT no poder.

Não tem jeito. O PT matou nossos sonhos de construção de um sistema político melhor, mais arejado, menos corrupto.

Ser de “esquerda”, no Brasil, representou, na fase de redemocratização do país, integrar correntes democráticas de pessoas, socialistas ou não, unidas pelo ideal de um país mais justo, menos desigual, com um Estado aperfeiçoado, um capitalismo menos selvagem. Mas o sonho dessa esquerda já era. Lula matou a esquerda brasileira. Zé Dirceu foi o coveiro.

Ronie Lima 

Sociedade corrupta estimula desonestidade

O nível de corrupção de uma sociedade influência a honestidade de seus cidadãos, concluiu um estudo publicado pela revista científica Nature nesta quinta-feira. Os pesquisadores afirmam que, quanto mais propenso for o ambiente para violação das normas, menos honestos tendem a ser os indivíduos.

Os pesquisadores Simon Gäechter, da Universidade de Nottingham, e Jonathan Schulz, da Universidade Yale, analisaram como a violação de normas no contexto social, como no caso da corrupção, evasão fiscal ou fraude política, pode influenciar a honestidade intrínseca do indivíduo.

"Pessoas que vivem em sociedades mais corruptas têm mais probabilidades de ser desonestas que as que habitam em sociedades onde se desaprova a violação das normas", diz o estudo.

Para mostrar essa relação, os pesquisadores elaboraram uma lista de 159 países e classificaram a saúde de suas instituições com bases nas categorias corrupção, evasão fiscal e fraude política, a partir de dados de 2003.

Em seguida, realizaram uma experiência com 2.568 jovens de 23 países, como China, Alemanha e Colômbia. No experimento, eles tiveram a possibilidade de mentir em benefício próprio sem que ninguém soubesse disso.

Os voluntários, cada um em uma cabine, tinham que jogar um dado duas vezes e dizer qual o primeiro número que havia saído. Eles recebiam mais dinheiro quanto maior o número (a exceção era o "seis", pelo qual não ganhavam nada).

Se todos fossem honestos, todos os números teriam a mesma probabilidade de sair. Se não o fossem, os pesquisadores poderiam descobrir ao calcularem a distorção.

"Não podemos dizer, a nível individual, se os voluntários foram ou não honestos, mas, num determinado grupo de pessoas, podemos tirar conclusões por meio das leis da estatística", explicou Gäechter, professor de Psicologia da Tomada de Decisões.

O experimento mostrou que cidadãos de países com níveis de corrupção mais elevado tendiam a dizer que tinham tirado número mais altos, recebendo assim mais dinheiro, ou seja, eram mais desonestos do que os de sociedades menos corruptas.
As pessoas limitam o seu nível de honestidade de acordo com o que é percebido como aceitável na sociedade ao seu redor
Simon Gäechter 
Os pesquisadores constataram também que em todo o mundo as pessoas tendem a tirar um pouco de vantagem a seu favor. O experimento revelou que muitos, em vez de dizer o primeiro número, diziam o maior número das duas jogadas.

Segundo Gäechter, o estudo confirma a teoria psicológica de que indivíduos que vivem numa sociedade onde todas as regras são quebras são mais propensos de pensar que está tudo bem ser um pouco desonesto.

Os pesquisadores garantem ainda que as instituições frágeis, que permitem a corrupção e outras violações, não só têm efeitos econômicos negativos para as sociedades, mas também na honestidade intrínseca dos cidadãos.

Deutsche Welle

quinta-feira, 10 de março de 2016

Um cidadão acima de qualquer suspeita. É como Lula se vê

Um comentário de Lula durante reunião, ontem, em Brasília, com 20 senadores do PMDB e de outros partidos, ficará como exemplo notável da sua real incompreensão dos deveres de um ex-presidente da República devolvido à condição de cidadão comum.

Depois de se apresentar como “vítima” de uma perseguição implacável que lhe seria movida pelo juiz Sérgio Moro, e de falar sobre o sofrimento de sua família, Lula observou que, quando tudo no país estava bem politicamente, ninguém questionava nada a respeito de seus atos.

Agora, queixou-se amargo, “tudo tem que ser explicado. Estão querendo me incluir de todo o jeito [na Lava-Jato]. Estão forçando a barra”. A maioria dos senadores concordou com ele. Mas dois ou três argumentaram que um homem público é obrigado a se explicar.
Poucas foram as explicações dadas por Lula quando era presidente para sua papel nos escândalos que pontuaram os seus dois governos. No caso do mensalão, quando o marqueteiro Duda Mendonça confessou que havia sido pago com dinheiro de caixa dois no exterior, Lula pediu desculpas.

Foi um pedido de desculpas canhestro, pobre, falso como uma nota de três dólares. Lula se disse traído, mas se recusou a apontar os traidores. Tentou reduzir a compra de voto de deputados a um reles crime de caixa dois, que significa o uso de dinheiro sujo para financiar campanhas.

Desde então, e apesar da condenação dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal, repete que o mensalão jamais existiu. E porque não existiu, a roubalheira na Petrobras não poderia ser uma extensão dele. Lula não concede que tenha ocorrido nem mesmo o saque à Petrobras.

O presidente que se valeu da força e dos privilégios do cargo para não explicar satisfatoriamente os seus atos só poderia desaguar no cidadão que imaginou desfrutar de força e de iguais privilégios para bordar e pintar a seu talante. Quebrou a cara. E parece não entender por que quebrou.

A rebater de maneira convincente as acusações que atingem sua reputação, prefere exibir-se como vítima de desafetos que, desde já, pretendem subtrair-lhe o direito de ser candidato outra vez a presidente da República. Fatura como vítima. Dribla as explicações.

No passado, já foi melhor nisso. Está fora de forma. E a conjuntura, para sua desgraça, mudou em seu desfavor. Reclame à Dilma.

Nem tudo pode Lula

O clima já não está bom. Fica ainda mais incendiado quando os petistas apostam em vencer no grito do quandto pior melhor.

Foi o que aconteceu nesta quarta-feira quando ofereceram a Lula quarto ou cinco ministérios (a sugestão da pasta da Justiça foi piada) para aquele que o ministro Ricardo Berzoini considera o Pelé corintiano da política. Seria um genial jogador capaz de atuar em qualquer posição?

O oferecimento tinha sob a complacência de Dilma, que está inscrevendo-se na história brasileira, de longe, como a pior administração desde a chegada de Cabral. O que não é pouco, porque supera mesmo os governos coloniais que nunca foram santos.
Alvo

As vagas abertas para Lula não seriam por sua extrema capacidade de administrar qualquer área. Descaradamente era oferta de uma saída para dar foro privilegiado a um ex-presidente como em qualquer outra republiqueta, dando uma banana para a Justiça. "Aqui cês não me pegam!"

Lula parece ter rejeitado aceitar cargo e explicitamente admitir culpa no cartório. Preferiu congregar peemedebistas em massa na casa do presidente do Senado para articular a segurança de Dilma.

No caldeirão entulhos da desgovernança brasileira, o que se alimenta é apenas a falta de caráter. E todos se prontificaram a ouvir Lula, dando mais um espetáculo midiático.

Foi a Quarta de Lula, na qual chafurdou cono pinto no lixo. Voltou forte aos noticiários para animar as massas da bolsa mortadela para nenhum petista reclamar de que não se dá voz ao guru.

Mas os fados parecem estar implacáveis com o ex. Crente de voltar por cima da carne seca, todo pimpão e saracoteando as baboseiras de sempre, levou à noite uma chamada do Ministério Público paulista. Ao lado da mulher e de um dos filhos, foi denunciado por ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro.

Os petistas esqueceram que podem oferecer, todo poderosos, imunidade ao grande cacique, mas nem pensar proteger a família dele. Lula foi dormir com mais essa e o Brasil deitou sonhando que a Justiça ainda pode finalmente bater o martelo contra o poder dos blindados.

Viver com medo, que há de?

Aqui e ali se aponta como erro tático do juiz Sérgio Moro a decisão de autorizar a condução coercitiva de Luiz Inácio da Silva para prestar depoimento aos procuradores da Operação Lava Jato. Teria, com isso, dado ao ex-presidente o discurso de vítima do arbítrio e o pretexto de que ele precisava para mobilizar a militância petista em sua defesa.

É uma das conclusões possíveis na análise das consequências políticas daquela marcante sexta-feira. Juízo muito parecido com o que fez o PSDB lá pelos idos de 2005/2006, quando decidiu que era melhor não radicalizar para cima do então presidente quando o marqueteiro Duda Mendonça confessou ter recebido "por fora" o pagamento de seus serviços à campanha eleitoral de 2002.


Na avaliação dos oposicionistas, era melhor deixar Lula "sangrar" sob os efeitos do escândalo que fornecer a ele a saída da intimidação por meio de um chamamento "às ruas". Note-se que à época o presidente sofrera um baque, mas ainda tinha um capital político e social bastante substantivo. Devido à recuperação e à reeleição, os tucanos pagaram o preço daquilo que se considerou excessiva e equivocada complacência.

Talvez estivessem errados mesmo, mas hoje se vê que o raciocínio fazia sentido. Optaram pelo passo atrás na expectativa de dar dois à frente. Movimento comum na política. Não se sabe o que teria dado se tivessem pagado para ver na ocasião. Foi uma escolha.

Já o juiz Sérgio Moro não pode nem deve se pautar pelos mesmos critérios dos partidos. Nesses dois anos de Operação Lava Jato já havia, antes de Lula, autorizado a expedição de 116 mandados de condução coercitiva e a ninguém - a não ser aos advogados de defesa - ocorreu contestá-lo. Quando os fatos chegaram a Lula, o juiz nada mais fez do que aplicar a regra que vinha adotando como geral.

Queriam o quê? Decisão diferente equivaleria a dar tratamento, senão privilegiado, ao menos diferenciado ao ex-presidente. Estaria igualmente exposto a críticas. Preferiu seguir o padrão. Pode não ter sido a intenção do juiz, mas com isso evitou que o PT criasse um carnaval maior ainda com a convocação do depoimento para data posterior. Lula posaria de vítima da mesma forma. Só que durante mais tempo.

Liquidada essa parte da questão, veremos como a vida há de seguir e quem é mais forte: a intimidação petista ou a serena, porém firme, convicção da maioria de que o crime não pode compensar. A conferir domingo próximo.

De quem é o Brasil?

Siga o pedalinho

“Esta pergunta não está à altura da Polícia Federal”, reagiu um arrogante Lula ao ser indagado, na fatídica sexta-feira, sobre os pedalinhos mantidos no sítio de Atibaia. Mas a lógica da pergunta decorre da regra “siga o dinheiro”. No rastro dos pedalinhos, há muito mais que a propriedade do próprio sítio. Eles indicam o caminho da Internacional lulista – uma articulação que, ao contrário das Internacionais operária, socialista, comunista e trotskista, rege-se por um misto de política e negócios.

Do Casco Antiguo da Cidade do Panamá, não se avista mais a península. “O horizonte do Golfo se perdeu”, lamenta a presidente de uma organização consagrada à proteção do patrimônio histórico do país ístmico. De fato, em 20 de maio de 2011 foi inaugurado o viaduto de seis pistas e 2,8 quilômetros que rasga o mar à frente do centro histórico, uma obra da Odebrecht contratada por US$ 780 milhões. Lula participou da inauguração, a convite do presidente panamenho Ricardo Martinelli, com quem participaria de um jantar oferecido pela Odebrecht. O evento contou com a presença do ministro José Domingo Arias, candidato do presidente a sucedê-lo, que acabou derrotado em 2014, apesar dos esforços do marqueteiro João Santana.

Lula, Odebrecht, Santana. Na Internacional lulista, o quarto componente é o BNDES, responsável pelo financiamento do metrô da capital panamenha e da Autopista Madden-Colón, obras tocadas pela mesma Odebrecht, que venceu todas as grandes licitações no governo Martinelli. O Panamá não é um caso singular: o esquema quadripartite repetiu-se na Argentina (ferrovia Sarmiento), no Peru (hidrelétrica de Chaglla), na Venezuela (ponte sobre o Orenoco e metrô de Caracas), na República Dominicana (termelétrica de Punta Catalina e 16 outras obras) e em Angola (hidrelétrica de Lauca e dezenas de outras obras). Sem Santana, mas com a Odebrecht e o BNDES, a Internacional operou em Moçambique (BRT de Maputo e aeroporto de Nacala), no Equador (hidrelétricas de San Francisco e Manduriacu) e em Cuba (Porto de Mariel). Finalmente, com a Odebrecht e Santana, mas sem o BNDES (ufa!), seus tentáculos alcançaram El Salvador.


“Lula é uma fonte de inspiração para a América Latina”, proclamou Danilo Medina, presidente da República Dominicana, em janeiro de 2013, durante uma visita de Lula patrocinada pela Odebrecht e seguida pela concessão de vultosa linha de financiamento do BNDES. A Internacional dos negócios expandiu-se em países sob governos “progressistas”, um adjetivo com dúbios significados políticos. Na América Latina, apoiou-se nos ombros do chavismo, do kirchnerismo e do castrismo, mas estabeleceu laços com líderes populistas como Ollanta Humala, do Peru; Mauricio Funes, de El Salvador; e o próprio Medina. Na África, ligou-se ao ditador angolano José Eduardo dos Santos, do MPLA, presidente desde 1979, que converteu os processos eleitorais em farsas macabras e comanda um dos regimes mais corruptos do mundo.

Tudo começou durante os mandatos de Lula, mas prosseguiu sob Dilma Rousseff. Bombado por multibilionárias transferências de recursos oriundos da emissão de dívida pública, o BNDES lançou-se numa escalada de financiamentos no exterior. A Odebrecht, a maior beneficiária deles, obteve cerca de US$ 8 bilhões. Dias atrás, na esteira do depoimento de Lula, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, disse que será preciso “dialogar com o povo brasileiro” para “explicar como são feitas as palestras, em que países aconteceram”. Há muito a explicar, mas inexiste mistério sobre os países selecionados: em geral, coincidem com empreendimentos da Odebrecht subsidiados pelo BNDES.

Lula deixou a Presidência, mas não o poder, o que pode ser verificado pelas quedas sucessivas dos ministros Aloizio Mercadante, Joaquim Levy e José Eduardo Cardozo. O Instituto Lula e a empresa que agencia as palestras do ex-presidente receberam R$ 56 milhões em quatro anos. Lula tornou-se, ao lado de Bill Clinton, o palestrante mais caro do planeta. Sem o BNDES, tais feitos seriam impossíveis. Luciano Coutinho, presidente do banco público, deveria “explicar” ao “povo brasileiro” os critérios de seleção dos países e empreiteiras agraciados por empréstimos subsidiados. Até hoje, ele proferiu platitudes sobre o estímulo a negócios de empresas brasileiras no exterior, mas nunca enfrentou a questão do custo de oportunidade desses financiamentos. Num país tão carente em infraestruturas e saneamento básico como o Brasil, falta uma justificativa plausível para o direcionamento de capitais escassos ao metrô de Caracas, ao viaduto monumental do Panamá, ao Porto de Mariel ou às múltiplas obras do regime cleptocrático angolano.

A ciranda financeira no duto que interliga o BNDES, a Odebrecht e o Instituto Lula seria suficiente, num país sério, para destruir a carreira política de Lula e ensejar processos judiciais devastadores. Tudo se complica com as evidências de que, muitas vezes, o triângulo transforma-se em retângulo pela adição dos serviços de João Santana, proprietário de uma empresa de marketing político que já confessou operar caixa dois nas suas aventuras internacionais. As excessivas coincidências sugerem que a Internacional lulista, como sua predecessora comunista, organiza-se sob a égide do “centralismo democrático”.

Num país sério, os pedalinhos, esses singelos presentes aos netinhos de Lula, poderiam ser ignorados por policiais, procuradores e juízes. Mas, no Brasil, onde o “governo popular” dedicou-se à modernização das mais tradicionais práticas patrimonialistas, a Polícia Federal tinha o dever de formular as perguntas que provocaram a indignação de Lula. Os pedalinhos não são patrimônios, mas indícios. Seguindo as delicadas ondulações causadas pelo movimento deles, chegamos a um projeto internacional que associa poder e dinheiro: a geopolítica do lulismo.

Demétrio Magnoli

Única saída para Lula é tentar ganhar no peito e na raça

O segundo mandato de Dilma Rousseff acabou antes de começar. A máquina administrativa está paralisada e a economia entrou em fase terminal, com a dívida pública se elevando a cada dia, sem que o governo procure adotar qualquer providência para reverter a maior crise das últimas décadas. Ao invés de atuar com firmeza e fazer logo um ajuste fiscal, a presidente dedica-se exclusivamente a garantir que seu mandato vá até o final, sob a patética argumentação de que o governo, o PT e seu antecessor Lula estão sendo vítimas de perseguição do Judiciário, da Polícia Federal, do Ministério Público e da grande mídia.

Esta é a fantasiosa versão “oficial”, mas o fato concreto é que as evidências e provas se acumulam, em meio ao tsunami das delações premiadas. O ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos da Operação Lava Jato no Supremo, tem razão em afirmar que o pior está para vir.

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A cada dia a situação se agrava para o ex-presidente Lula, para sua sucessora Dilma Rousseff e também para o PT, e tudo isso ocorre em dose dupla, porque há també os processos de cassação na Justiça Federal, que estão sendo abastecidos com a farta documentação já obtida pela força-tarefa da Lava Jato. A derrocada está em curso, é apenas uma questão de tempo.

Não há dúvida de que a investigação do processo de enriquecimento ilícito da família Lula vai avançar inexoravelmente, envolvendo não só o ex-presidente, mas também a própria mulher, os filhos, uma das noras e os amigos mais próximos, incluindo os que aceitaram fazer o papel de “laranjas” e acabarão sendo também incriminados por cumplicidade.

No desespero, Lula procurou um dos maiores criminalistas do país, Nilo Batista, que recorreu simultaneamente a todas as instâncias jurídicas imagináveis, incluindo o Conselho Nacional do Ministério Público, para evitar que o ex-presidente prestasse depoimento, e acabou derrotado em todas as petições.

Já prevendo o pior, Lula acaba de contratar mais um advogado em Curitiba, Juarez Cirino dos Santos, para acompanhar mais de perto a evolução dos inquéritos da Lava Jato. Acontece que nenhum advogado, por mais competente e ardiloso, consegue fazer milagres numa situação desse tipo, em que provas testemunhais e materiais se avolumam progressivamente. Sabe-se que as autoridades policiais e judiciais costumam ser bastante compreensivas com processos envolvendo celebridades e milionários, mas tudo tem limite, porque não existem argumentos que possam suplantar fatos concretos.

Portanto, as perspectivas para Lula, Dilma e o PT são sinistras, especialmente em função de novas delações premiadas – Delcídio do Amaral, Alexandre Romano, OAS, Odebrecht e até a mulher do marqueteiro Santana já se interessa, é um nunca-acabar. E cada depoimento representa mais munição à força-tarefa da Lava Jato.

Não há alternativa para Lula, que está para se tornar réu no inquérito do triplex. Pleitear um cargo e ministro é impossível, porque significaria crime de responsabilidade da presidente Dilma Rousseff. Só resta esperar que produza efeitos a conclamação do PT à militância, para tumultuar a situação política, implantando o caos nas ruas, com objetivo de melar o jogo, como se dizia antigamente. Mas não há clima para isso.

Na verdade, os ativistas do PT e os movimentos sociais, incluindo o “exército de Stédile” estão de mãos atadas. Não podem enfrentar a manifestação pelo impeachment de Dilma neste domingo, porque a Polícia Militar vai agir com rigor em todas as grandes cidades e as tropas de choque das Forças Armadas estarão de prontidão.

Lula está acuado e sem alternativa de escape. Na segunda-feira terá de prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro, acerca de seu relacionamento de amizade com o empresário José Carlos Bumlai, preso em Curitiba. Lula terá de ir até a sede da Polícia Federal, no centro de São Paulo, para depor em videoconferência. Com toda a certeza, haverá grande concentração de militantes petistas diante do prédio, para evitar o depoimento. É justamente aí que mora o perigo, como se diz hoje em dia.

A iniciativa da coragem

A postura decente é vir a público, reconhecer que fizeram coisa errada, afastar os executivos comprometidos, indenizar o poder público e se comprometer com políticas novas de alteração desse padrão de conduta. Não precisa governo para isso, não precisa político, não precisa nada. Precisa iniciativa privada corajosa
Sérgio Moro em palestra para empresários em Curitiba nesta quarta-feira

O que há de comum entre China e Brasil

Frequentemente apontada como aquilo que o Brasil gostaria de ser, já ha muito mais de comum entre a crise chinesa e a brasileira do que sonham os nossos filósofos de botequim. Mais, desgraçadamente, do lado ruim que do lado bom que aquela quinta parte da humanidade tem para exibir.

O regime comunista chinês começou a “privatizar” as primeiras residências para seus súditos já com a década de 90 do século 20 caminhando para o fim. Os primeiros contemplados com as autorizações para comprar casa própria foram os trabalhadores de “colarinho branco” com salários mais altos das cidades mais ricas. Eles tiveram, primeiro, acesso a crédito para comprar suas casas e, na sequência, programas do governo para ajudá-los a reformar, mobiliar e equipar essas casas e, até, comprar uma segunda casa como investimento.

A China rural e também os 270 milhões (hoje) de trabalhadores migrantes de salários mais baixos ficaram fora da festa. A razão é bem objetiva. Pelas médias de hoje esses trabalhadores ganham o equivalente a US$ 573 por mes, o que representa 70% do metro quadrado de apartamentos novos nas cidades menores do país e uma fração desse mesmo metro em cidades como Pequim e Shangai. Não dava mesmo para eles entrarem e até hoje isso é um problema sem solução.


Acontece que, como sempre em regimes com déficit agudo de democracia – o único antídoto eficiente contra a corrupção conhecido – os quadros do Partido Comunista Chinês logo descobriram que a criação de uma indústria imobiliária a partir do nada era a sua grande chance de saltar para o mundo dos ricos acariciado nos seus sonhos secretos. Lá, toda terra pertence ao estado e, como o estado pertence ao Partido Comunista Chinês, o partido único, e o partido único são pessoas, toda terra pertence na verdade a quem, dentro da hierarquia do partido, está em posição de ter o controle sobre esse bem, no caso, as células municipais do Partido Comunista Chinês.

Tudo se deu, portanto, entre amigos e correligionários (“companheiros” como se diz por aqui). O “construtor/incorporador”, o segundo elo dessa corrente da felicidade depois do pessoal do partido (um Odebrecht da vida), tinha de conseguir dele a autorização do partido para se tornar construtor, o financiamento do banco do partido para “comprar” a terra “pertencente” à célula municipal do partido, as máquinas do fabricante de máquinas do partido e os materiais de construção dos importadores e/ou das manufaturas do partido e, assim, tocar as obras e incorporar os imóveis a serem vendidos, com financiamento do partido, aos súditos escolhidos pelo partido.

Deu pra imaginar a festa? Uma vasta cadeia de petrobrases (ainda que tenham sido ordenhadas com competência aparentemente maior do que foi a nossa)…

Um estudo calculou em 4,5 trilhões de yuans ou 1/3 do PIB da China, já em 2003, o valor que foi “privatizado” por esse expediente para os “colarinhos brancos” e seus patrocinadores na primeira onda do processo. Mas ele estava apenas começando. A crise financeira internacional de 2007 expandiu a coisa para proporções gigantescas sob o pretexto bem conhecido dos brasileiros de “criar uma força anticíclica” para “impedir a entrada da crise no país” ou, dito em linguagem mais popular, transformar tsunamis em “marolinhas“. O PCC atirou-se a um frenesi de construção de estradas, ferrovias e gigantescos projetos imobiliários, tanto ligando coisa com coisa quanto o nada a lugar nenhum; tanto onde havia quanto onde não havia gente ou dinheiro para comprá-los e usá-los ou outra forma racional qualquer de justificativa ou expectativa de sustentabilidade.

Resultado: ha hoje na China imóveis novos desocupados suficientes para abrigar 90 milhões de pessoas, o equivalente à população da Alemanha inteira, e 90% deles estão em cidades de terceira ou quarta categoria, ou em verdadeiras cidades-fantasma, como Tianducheng, esta com cara de Paris que aparece na foto que abre esta postagem, onde nem ha ninguém morando, nem ha, nas vizinhanças, qualquer atividade que permita sustentar quem venha, um dia, a fazê-lo.

Dos 270 milhões de trabalhadores migrantes chineses, só 1% tem casa própria nas cidades onde trabalha mas o salário é insuficiente para comprar casas construídas segundo um raciocínio “político”, se é que pode-se chamar assim o que ocorreu, e não segundo uma lógica de mercado. Foi essa imensa bolha que acelerou artificialmente todas as economias do mundo, especialmente as fornecedoras de commodities (tipo ferro para citar só uma) como a nossa. Foi essa imensa bolha que, furada, vem esvaziando de fato as economias do mundo, especialmente as fornecedoras de commodities como a nossa.

Agora, com a ponta de cima dos assalariados chineses saturada de imóveis o PCC, à beira do pânico, tenta de todo jeito colocar os trabalhadores migrantes comprando imóveis faclitando-lhes o crédito e a burocracia envolvida. Só que é tarde demais. A indústria imobiliária tocava a cadeia mais importante da economia nacional e ocupava um grande numero desses trabalhadores migrantes, a produção doméstica de aço, outra de mão de obra intensiva, caiu pela primeira vez em 2015 depois de cortadas todas as importações (nós) e, com ela, foi andando para trás o resto da cadeia. Mesmo com todos os incentivos para as cidades pequenas e mais o congelamento das autorizações para compra de imóveis nas grandes, os empregos estão cada vez mais incertos. As construções novas caíram 15% em 2015 e prometem despencar mais em 2016 e isto ameaça toda a economia nacional inclusive com expectativa de crise bancária sistêmica.

Na cava da onda chinesa, afundam todas as economias do resto do mundo que tomaram por certo a permanência para sempre na crista dela.

Tudo isso vem demonstrar, mais uma vez, que por menos que se goste dela, a alternativa para a famigerada “mão invisivel do mercado” fiscalizada por um estado profilaticamente “desmisturado” dela ditando o rumo e o ritmo da economia é a mão do ladrão livre para agir em função do casamento do poder político com o poder econômico pisando em tudo e em todos, roendo por baixo a riqueza nacional e cobrando, por cada ano de “avanço” pelo caminho “fácil” vendido aos trouxas pela esperteza pretensamente iluminada, 5 ou 6 de marcha a ré na hora que a ficha cai.

Até prova em contrário, Lula, agora, quer incendiar o país

Vi e ouvi o discurso do ex-presidente Lula pelo 36º aniversário do PT. Depois de dizer que está de “saco cheio”, o petista insinuou que será candidato em 2018: “Em 2018”, disse, “estarei com 72 anos e ‘tesão’ de 30 para ser candidato a presidente da República”.

Lula sempre gostou de expressões chulas. Foi assim que aprendeu a fazer discursos, desde as portas de fábricas em São Bernardo do Campo. Só que o público de que antes dispunha foi se afastando aos poucos. Muitos dos que o ouviram ontem, hoje, são mais exigentes. Dispensam essa linguagem que, na realidade, é a principal característica do seu capital político. Extremamente pobre, aliás.

Logo depois que ouvi o seu pretensioso falatório, meu computador se encheu de mensagens contendo detalhes do que teria dito o senador petista Delcídio do Amaral, em delação que teria sido feita no dia 19 de fevereiro, na qual mira não só o PT, mas outros partidos.

É terrível o perfil psicológico que o senador traça de si mesmo. Mas, se o que foi divulgado tiver um mínimo de verdade, a presidente Dilma e o velho parlapatão dificilmente se salvarão. No caso da presidente, a coisa é pior: cai por terra a aura que muitos brasileiros ainda atribuem a ela: “Ela tem muitos defeitos”, dizem, “mas desonesta não é”. (Atenção, leitor: o que Delcídio disse precisa ser confirmado).

Em seguida, a operação Lava Jato atingiu o seu ponto crucial. Por decisão do juiz Sérgio Moro, o petista foi coercitivamente conduzido para depor na Polícia Federal e, de quebra, teve quebrados os sigilos bancário e fiscal. Depois de prestar depoimento, aproveitou para fazer comício na sede do PT de São Paulo. Bastante irritado, cuspiu marimbondos. Acha-se definitivamente acima de tudo e de todos. Sua condução coercitiva, que nada teve de anormal (ou não somos todos iguais perante a lei?), serviu para acordar a jararaca. Disse o diabo contra a imprensa, a Justiça e a elite (à qual pertence hoje), mas não deu explicações substantivas às acusações que se avolumam contra ele.
Ao lado do súdito Rui Falcão e de uma galera adrede escolhida, deitou e rolou, exibindo, em sinal de fraqueza, uma arrogância que, ao que me pareceu, piorou e cresceu com o tempo. Encerrado o comício, desliguei o televisor e concluí que Lula, não por algum ideário, mas por vaidade e, agora, vingança, quer mesmo botar fogo no país.

No dia seguinte, recebi o vídeo feito por Jandira Feghali apoiando o companheiro. Nele, enquanto a deputada (PCB-RJ) dizia que o ex-presidente estava muito calmo, ouvia-se, ao fundo, o próprio Lula dizer à presidente Dilma, por telefone, a seguinte frase: “Eles que enfiem no c. todo o processo”. Ao se defender tão grosseiramente, postou-se no canto do ringue que ele mesmo construiu. Aguentará, afinal, quantos rounds?

A verdade é que Lula não consegue se livrar do poder que lhe subiu à cabeça. Considera-se o maior presidente da história do país e o que mais recebeu homenagens no mundo, mas não percebe (ou finge não perceber) que, no mínimo, como presidente, ganhou presentes milionários de empreiteiras provadamente comprometidas com desvios criminosos de dinheiro público. Embora saibamos, leitor, que tal prática é antiga no país, essa verdade não o absolve nem justifica o que fez.

Mas a grande falha de Lula está mesmo na escolha de sua sucessora. A presidente Dilma demonstra, pela segunda vez, que é um mal para o país, agravado, claramente, pela atuação do seu criador.

Só as ruas salvarão a democracia!

Circo renascido no fogo

Se os movimentos esquerdistas estão ligados com os Direitos Humanos, não estão para promover algo harmônico, cauteloso, prudente ou gradual. Querem que o circo pegue fogo, pois acreditam que do fogo nascerá… um circo maior ainda.
Hiago Rebello

Lula ministro é berçário dado ao rei Herodes

Dilma Rousseff aceitou oferecer um de seus ministérios para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para evitar que ele seja preso na Lava Jato por uma decisão do juiz Sergio Moro. A informação é do jornal Folha de S.Paulo . Ministros próximos de Dilma e de Lula tentaram convencer o ex-presidente a aceitar a oferta.

O plano agora é nomear Lula no ministério para mudar a lei e atrofiar a lava jato.

Não tem solução via policia ou judiciário.

Sobra o legislativo.

Seria na pratica os corrompidos legislarem para tornar ineficaz a operação que persegue a corrupção.

Imaginação para isso não falta no Congresso e menos nos empreiteiros que financiaram a eleição desse no Congresso.

O foco é regulamentar matando a delação.

Lembrem-se: dos 32 partidos registrados no Brasil, 28 receberam dinheiro das empreiteiras investigadas na Lava Jato nas duas últimas eleições gerais.

As empreiteiras investigadas na Lava Jato canalizaram 70% das doações que declararam à Justiça eleitoral em 2010 e 2014 a candidaturas do PT, do PSDB e do PMDB. Dos R$ 930 milhões (em valores atualizados pelo IPCA/IBGE) repassados por essas empresas, R$ 660 milhões bancaram candidatos dessas três legendas. O PT ficou com R$ 308 milhões (33%), o PSDB com R$ 189 milhões (20%) e o PMDB com R$ 162 milhões (17%).

Essas construtoras financiaram, ainda, outras 25 legendas com R$ 270 milhões. Ou seja, dos 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, 28 (87%) foram financiados nas duas últimas eleições gerais por empreiteiras acusadas pelo Ministério Público Federal de integrar um cartel para desviar recursos da Petrobras, o chamado “clube do bilhão”.Apenas o Psol, o PCB, o PSTU e o PCO – legendas de esquerda e extrema-esquerda, não foram beneficiadas pelo grupo.

Só no ano passado, PT, PSDB e PMDB tiveram um auxílio de R$ 306 milhões dos grupos Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, Toyo Setal e UTC Engenharia. Dessas, só a Toyo não doou a esses três partidos em 2010.

Esse é o golpe: Lula blindado pelo legislativo que também come das empreiteiras…

E o país na ...


Ela sairá do poder – ou será saída – numa boa. Com direito a uma confortável aposentadoria, ajudantes de ordem, seguranças, etc...
Deixará para trás um país afundado na ... Pois é.
Ricardo Noblat, "Governo de merda" 

O governo perante a lei

O mineiro Artur Bernardes entrou para a História como um presidente autoritário, que governou em grande parte de seu mandato sob estado de sítio. A ele é atribuída uma sentença que não deixa dúvidas quanto a isso: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, o rigor da lei”. O gaúcho Getúlio Vargas, que derrubou a República Velha, adotou-a e empregou-a como palavra de ordem de comandante da Revolução de 1930, presidente provisório, escolhido de forma indireta em 1934, ditador do Estado Novo e eleito pelo povo, em 1950. Esse lema poderia até substituir o dístico da Bandeira Nacional, inspirado no positivismo de Augusto Comte: “Ordem e progresso”.

Neste instante em que o retrocesso traz, como “nunca antes na História deste país”, a perspectiva assustadora do caos, pois a presidente da República se mantém no poder, mas não governa, e a economia desaba no buraco do passado, a garantia da prosperidade pela ordem parece mais uma anedota de humor negro. E à sociedade desamparada, aflita pela queda de produção e consumo, que gera o desemprego crescente, resta apegar-se à recente conquista de um Estado Democrático de Direito de verdade, cujo objetivo é a igualdade de todos perante a lei, agora ameaçada por quem comanda a máquina pública federal por delegação da maioria dos cidadãos, consultados em eleição.

Uma nesga de esperança raiou no céu da Pátria quando recentemente o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a Ação Penal (AP) n.º 470, conhecida vulgarmente como mensalão, esquema de corrupção assim definido pelo delator Roberto Jefferson. Nele o governo corrompia o Poder Legislativo para garantir apoio a suas decisões. Sob a presidência de Carlos Ayres Britto e, depois, de Joaquim Barbosa, a mais elevada Corte de Justiça processou e condenou altos dirigentes do governo e do partido de Luiz Inácio Lula da Silva. E atingiu pioneiramente maganões da República corrompida, negando o axioma ancestral de que cadeia é exclusividade de pretos, pobres e prostitutas.

Mas a força-tarefa da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), sob a égide do juiz federal Sergio Moro, em Curitiba, dissipou essa ilusão otimista ao investigar como funcionava o propinoduto da Petrobrás e também de outras empresas e autarquias federais para enriquecer companheiros e beneficiar aliados. Uma série de coincidências afortunadas, iniciada com a devassa de lavagem de dinheiro de burocratas e políticos corrompidos pelas maiores empreiteiras do País, revelou evidências de que não eram descabidas as denúncias de malversação de dinheiro do povo na contratação de obras públicas. O caixa 2 de um posto de gasolina em Brasília virou uma cornucópia inimaginável.

Isso só foi possível por uma série de eventos inesperados. O primeiro deles foi a volta do juiz que mais conhece lavagem de dinheiro no País à primeira instância no Estado onde nasceu, viveu e prosperou o doleiro reincidente Alberto Youssef. A repetição da impunidade garantida na Operação Castelo de Areia tornou-se mais difícil depois da morte do mago das causas vitoriosas em tribunais de terceira instância para cima, Márcio Thomaz Bastos. E a devassa ficou mais consistente e ágil por causa da competência e da lisura dos agentes e procuradores federais e da obediência ao acordo internacional que incorporou o Brasil ao Primeiro Mundo no combate à corrupção. Isso se completa com o aprimoramento da contribuição de réus confessos à Justiça, erroneamente definida de forma pejorativa como delação premiada, que dá aos investigadores o caminho das pedras para obterem provas.

A pusilanimidade da oposição foi compensada pela labuta diligente e corajosa dos meios de comunicação, que têm informado à sociedade fatos relevantes revelados em delação. E também pela histórica decisão do STF de autorizar ordens de prisão contra condenados em segunda instância.
O assassínio do autor do programa de governo na primeira vitória de Lula à Presidência, Celso Daniel, a rapina na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), o mensalão, o petrolão, a compra de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e a concessão de privilégios a “compadritos” pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não são casos estanques. Mas constituem um escândalo só.

Delitos comprovados e passeios de burocratas e dirigentes de partidos do governo, em especial o PT, pelo Código Penal e entre vários processos mostram que o assalto a estatais foi planejado, organizado e cometido após a ocupação de altos cargos na máquina e nas empresas públicas. Do noticiário pode-se concluir que os gestores da União nestes 13 anos, ao contrário do que imaginavam seus adversários, não seguiram as diretrizes do marxismo-leninismo, do stalinismo, do foquismo cubano, do socialismo, peronismo, bolivarianismo, sandinismo ou qualquer ideologia de esquerda.

A ruína econômica de Cuba e Venezuela foi construída pelos tiranetes de esquerda Fidel e Raúl Castro, Hugo Chávez e Nicolás Maduro. E estes inspiram seus asseclas brasileiros por saberem tirar proveito do acesso sem fiscalização a orçamentos públicos. É o caso do comunista angolano José Eduardo dos Santos, pai de Isabel, a mulher mais rica da África. Mas seus reais inspiradores são, de fato, assaltantes comuns, como Tião Medonho e Fernandinho Beira-Mar. A retórica populista é só pretexto.

A visita de Dilma ao antecessor em solidariedade por sua condução coercitiva pela força-tarefa da Lava Jato não deixa dúvidas de que a chefe do governo apoia o líder dos investigados na operação policial. E não os investigadores. Seu desgoverno presta serviço à impunidade e ao privilégio e fica contra agentes do Estado que tentam garantir a igualdade de todos diante da lei e devassar o maior escândalo de corrupção da História, para puni-los.
José Nêumanne

Nos escaninhos da Justiça, a jararaca é fujona

Na última sexta-feira, abespinhado por ter sido conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento em inquérito da Lava Jato, Lula pintou-se para a guerra: “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo, porque a jararaca está viva.” Fez pose de valente: “Não devo e não temo.”

Decorridos quatro dias, Lula bateu novamente na porta do STF. Pede que o plenário da Suprema Corte analise seu pedido para suspender as investigações sobre a propriedade de dois imóveis: o tríplex no Guarujá, que Lula diz ter desistido de comprar depois que virou escândalo, e o sítio de Atibaia, que virou escândalo porque ele utiliza mesmo sem comprar.

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A ministra Rosa Weber havia indeferido na semana passada liminar sobre o mesmo pedido. Mas a defesa de Lula não se conforma com a investigação. O objetivo explícito é retirar o caso das mãos do juiz Sérgio Moro. A meta oculta é empurrar com a barriga o encontro de Lula com suas fragilidades.

Ao criticar o juiz da Lava Jato por ter emitido contra ele uma ordem de “condução coercitiva” até o local do depoimento, Lula tachou a medida de desnecessária. Disse que, como “melhor presidente que esse país já teve”, merecia “mais respeito”. “Bastava o Moro me convidar, que eu iria a Curitiba. Eu adoro Curitiba.”

Num comício de desagravo realizado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, a Jararaca rosnou: “Cutucaram o cão com vara curta. Eu quero oferecer a vocês esse jovem de 70 anos de idade, com tesão de 30, corpo de atleta de 20 anos. […] A partir de hoje, a única resposta à insolência e ofensa que fizeram a mim é ir pra rua e dizer: ‘Eu tô vivo e sou mais honesto que vocês’.”

Com sua nova petição ao STF, a Jararaca revela-se capaz de tudo, menos de dar explicações. No escurinho dos escaninhos da Justiça, a valentia é substituída pela fuga. A cobra criada do PT não tem nada a temer, salvo o próprio medo. Sofre de Morofobia.