Devido à idade (80 anos) e à lei que impede o exercício de três mandatos consecutivos, esta será a última eleição da vida de Lula. A não ser que, se reeleito, ele renuncie à Presidência em abril de 2030 para se candidatar ao Senado, talvez por Pernambuco, seu estado natal. Nesse cenário, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiria o cargo.
Ao redor de Lula, mas longe dos seus ouvidos, há quem já comece a falar sobre essa possibilidade. Se acontecer, não será nenhuma novidade. Depois de presidir o Brasil de 1985 a 1989, o maranhense José Sarney foi senador pelo Amapá durante 24 anos, o equivalente a três mandatos. Sarney segue vivo e em boa forma física e mental aos 96 anos de idade.
Lula considera-se pronto para derrotar o filho daquele a quem venceu em 2022. Flávio foi educado pelo pai para comportar-se como se fosse um boneco de ventríloquo. Por isso, pouco aprendeu por conta própria. Em compensação, nada esqueceu do que lhe foi incutido, vagando por aí sem saber direito o que fazer, confiando apenas na força política de quem o escolheu.
Os irmãos parecem mais espertos do que ele. O do meio pode acabar se elegendo senador por um estado onde não nasceu, mas que se tornou o reduto eleitoral da família (Santa Catarina). O terceiro autoexilou-se nos Estados Unidos, país onde gostaria de ter nascido. O quarto irmão é candidato a deputado federal por estrita imposição do pai.
Se a inveja matasse, Flávio estaria morto. Ele compareceu à convenção do Republicanos que lançou Tarcísio de Freitas candidato a governar São Paulo por mais quatro anos. Enquanto Tarcísio conta com o apoio de uma ampla coligação de 12 partidos (Avante, MDB, Podemos, PP, União Brasil, PL, PSD, Novo, PRD, Mobiliza, PSDB e Cidadania), Flávio vê seu arco de alianças restrito basicamente ao PL.
O mar de bandeiras que inundou o local da convenção estampava o nome de Tarcísio e dos candidatos aos demais cargos em disputa. O nome de Flávio, contudo, não apareceu em nenhuma delas. Tarcísio só o mencionou em seu discurso para declarar lealdade ao pai dele, afirmando: “Ele tinha genialidade e carisma. Nós amamos Jair Messias Bolsonaro”.
Por último, nada chamou mais atenção na convenção que aclamou Tarcísio do que a fragilidade da candidatura do filho do ex-presidente enfermo e condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
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