Todas as eleições presidenciais desde o fim da ditadura militar de 64 se deram à sombra do pernambucano nascido em 1945, registrado com o nome de Luiz Inácio da Silva e filho de Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Melo, que depois se tornaria conhecida como Dona Lindu. Ambos trabalhavam na agricultura de subsistência, cultivando a terra para o sustento da própria família. Como líder sindical na região do ABC paulista, Luiz Inácio virou Lula; e em 1982, para disputar o governo de São Paulo, adotou oficialmente o nome Luiz Inácio Lula da Silva.
Foi candidato a presidente da República pela primeira vez em 1989, sendo derrotado por Fernando Collor de Mello. Perdeu as eleições de 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso. Elegeu-se presidente em 2002, reelegeu-se em 2006 e venceu novamente em 2022. É o único presidente desde 1930 que elegeu e reelegeu sua sucessora, Dilma Rousseff. Ganhe ou perca a eleição deste ano, passará à História como o brasileiro que pelo voto popular governou o Brasil por mais tempo. Getúlio Vargas governou 15 anos como ditador e apenas quatro como presidente eleito.
Por sua origem e suas ideias, Lula jamais foi aceito pelas elites que construíram um dos países mais desiguais do mundo – o último do Ocidente a acabar oficialmente com o sistema escravocrata. Quando o Brasil criou sua primeira universidade, já existiam 76 universidades na América do Norte e 26 na América do Sul. Embora figure entre as maiores economias do mundo, o Brasil ocupa a 79ª posição no ranking global de PIB nominal per capita, e a 87ª posição quando o cálculo considera a Paridade do Poder de Compra (PPC).
Daí a alta rejeição de Lula, que conseguiu incluir os mais pobres na agenda nacional. Na época da ditadura, dizia-se que era preciso deixar crescer o bolo das riquezas para depois reparti-lo. Um logro. A concentração de renda continua rígida no topo da pirâmide. Dados da PNAD Contínua do IBGE mostram que a divisão atual do bolo penaliza os mais necessitados. O grupo dos 10% mais ricos detém mais de 40% de toda a renda gerada no país. Essa única fatia é maior do que toda a renda somada dos 70% mais pobres da população
Respondam com sinceridade: será Flávio Bolsonaro, se eleito presidente, que se empenhará em mudar essa situação, ou pelo menos atenuá-la? Se a resposta for sim, por que ele é contra a redução da jornada de trabalho de 6×1? Por que se esforça tanto para que ela não seja votada no Senado?
Ricardo Noblat
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