sexta-feira, 17 de abril de 2026

A queda do império americano

Nunca imaginei que um dia veria, em tempo real, a queda do império americano. Em pouco mais de um ano de Trump no poder, os Estados Unidos se tornaram a nação mais odiada, e temida, do mundo. Perderam o respeito, a confiança e a admiração da comunidade internacional. Embora uma boa parte do povo americano seja de gente competente, trabalhadora, empreendedora e pacífica, vanguarda acadêmica e científica, produção artística e cultural, e até políticos como o prefeito muçulmano de Nova York, Zohran Mamdani, um democrata socialista que está cumprindo suas promessas de campanha, com creches para todos, mercados públicos baratos e taxação de bilionários. Assim como o Brasil, os Estados Unidos estão radicalmente divididos, e esta é sua maior fraqueza, apesar de seu imenso poder militar.


Desde 1945, os Estados Unidos entraram em cinco guerras longas e sangrentas, quando não estavam ameaçados, que custaram trilhões de dólares e a vida de milhares de americanos. E, apesar de seu poder de fogo, perderam todas, não ganharam nada com elas, só destruíram cidades e mataram milhões de pessoas. De lá para cá os Estados Unidos mantêm 800 bases militares espalhadas pelo mundo. Para quê? A maioria não tem importância para conter ameaças diretas aos Estados Unidos, serve só para controle dos seus interesses na região e para seu vício de ser polícia do mundo. Mas esse mundo está mudando rapidamente. Trump apoiou e mandou o vice, J. D. Vance, à Hungria para fazer campanha para o ultradireitista Viktor Orbán, mas acabou queimando seu filme e dando vitória estrondosa ao adversário.

No mesmo período, a China não entrou em nenhuma guerra, investiu essa dinheirama em educação e tecnologia, inventou um comuno-capitalismo de sucesso e se tornou uma das três grandes potências econômicas e militares. E muito mais moderna que Estados Unidos e Rússia. As tarifas, os insultos e as grosserias de Trump com aliados e parceiros comerciais os levaram para os braços da China. Enquanto Trump esbraveja e ameaça, os chineses fazem negócios no mundo inteiro, crescem geometricamente, ganham prestígio e popularidade com suas cidades futuristas e sua vanguarda tecnológica e científica, têm as melhores universidades do mundo. O número de turistas nos Estados Unidos desabou dramaticamente, o custo de vida subiu, o governo tem 60% de desaprovação, 70% estão contra a guerra.

Não se sabe se o novo mundo que está se desenhando vai ser melhor ou pior que o velho, com um novo mapa do poder econômico e tecnológico, em que o império americano perdeu dinheiro, prestígio e parceiros comerciais — mas tudo pode mudar se Trump for deposto pelo Congresso depois de derrotado nas eleições de novembro, que vai tentar cancelar, alegar fraude, insuflar a revolta popular e até provocar uma nova guerra civil.

Enquanto isso, a China olha tudo de longe com os olhos bem abertos e espalha pelo mundo o seu progresso com obras monumentais, modernas e futuristas, trens ultravelozes, serviços de saúde pública de qualidade e educação de alto nível.

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