sexta-feira, 29 de maio de 2026

Foto com três radicais é o inverso da moderação pretendida por Flávio Bolsonaro

A construção da imagem de moderado de Flávio Bolsonaro (PL) acaba de levar um desmentido. A foto ao lado do presidente Donald Trump, do irmão Eduardo e do neto do último ditador do regime militar apaga o verniz de sensatez no figurino que o senador andou querendo vestir para se apresentar ao eleitorado.

Trump é um radical orgulhoso do próprio extremismo. O deputado cassado e filho 03 do clã já defendeu punições ao Brasil e, lá atrás, em devaneio autoritário, considerou suficiente a força de um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. O herdeiro de João Figueiredo foi dos incitadores mais ativos ao golpe militar em 2022, detrator dos generais legalistas.


Não são companhias que se possa chamar de moderadas, mas foi com elas que o pretendente a presidente posou no salão oval da Casa Branca, apostando com isso dar por encerrado o assunto dos rolos com Daniel Vorcaro. No relato lido na tela do celular após o encontro, pôs o tema da segurança na pauta, defendendo a inclusão de facções criminosas na categoria de terroristas. Apresentou-se como defensor da libertação dos moradores de áreas controladas pelo crime. Territórios de traficantes e de milicianos aos quais o hoje senador prestou homenagens quando deputado estadual.

São muitas as pontas soltas nessa trajetória eleitoral abalada pelas mentiras e versões desencontradas na história mal contada das relações do candidato com o ex-banqueiro preso. Na mais recente, pediu um mês para que se apresentassem as contas do filme "Dark Horse". Tanto tempo sugere que os comprovantes de despesas não existem e precisam ser fabricados.

Não se sabe qual foi o assunto que fez o senador ir ao encontro do "irmão" atado a uma tornozeleira. Falta explicar também a razão de o dinheiro da filmagem ter passeado por fundo no exterior para pagar a produtora brasileira.

São muitas as dúvidas permeadas pela certeza de que quem gerencia mal uma crise de campanha não dá conta de presidir um país. Isso uma foto na parede não resolve.

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