segunda-feira, 16 de março de 2015

Lições do dia em que o PT perdeu nas ruas

Milhares de manifestantes participam de ato contra o governo em frente ao Congresso Nacional, em Brasília Foto: Eraldo Peres / AP

Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.

domingo, 15 de março de 2015

Fora Dilma

Hoje, repúdio à corrupção é sinônimo de “fora Dilma”, “fora PT”
Apoiar a presidente Dilma Rousseff e atacar o ajuste fiscal que ela precisa fazer. Defender a Petrobras e condenar os corruptos, como se eles nada tivessem a ver com o governo de plantão. Frente a tarefas tão antagônicas, esquizofrênicas, pode-se dizer que as centrais sindicais até colheram êxito na última sexta-feira. Pelo menos, para os seus propósitos.

Ainda que percam em número de gente nas ruas para as manifestações deste domingo, conseguiram bater e rebater na tecla de que qualquer protesto contra Dilma é golpe, coisa da direita, da elite, da mídia mancomunada com os donos do dinheiro.

Danem-se os fatos, que diariamente escancaram os sofisticados esquemas do PT e de seus parceiros para garfar bilhões. Da Petrobras e de outras instâncias do Estado. Até o mensalão virou troco perto do que a Lava Jato apurou até agora.

É essa corrupção institucionalizada, como bem definiu o delator Pedro Barusco em depoimento na CPI da Petrobras, o ponto de união entre os diferentes motes dos que ocupam as ruas neste domingo. Até da bestial meia-dúzia que prega intervenção militar.

Hoje, repúdio à corrupção é sinônimo de “fora Dilma”, “fora PT”.

É também, sem ferir preceitos legais, pedir o impedimento da presidente, algo previsto na Constituição. Cassar mandatos, aliás, tem ocorrido com frequência para afastar chefes do Executivo que surrupiam o Estado, que abusam do poder político e malversam o dinheiro público.

Dados da Confederação Nacional dos Municípios apontam que 107 prefeitos foram cassados em 2013, outros 210 entre 2009 e 2012, a maior parte por atos lesivos à administração. Em bom português, roubalheira. Foram cassados em ritos legalíssimos solicitados pelas câmaras municipais e depois de vencidos todos os trâmites judiciais.

O governador eleito do Maranhão Jackson Lago (PDT) também foi cassado. Perdeu um processo por compra de votos, iniciado por Roseana Sarney (PMDB), segunda colocada no pleito de 2008, que assumiu o mandato no lugar do vitorioso. E um presidente da República, Fernando Collor de Mello, renunciou pouco antes de ter o seu impeachment aprovado.

Definida a legalidade, tem-se a oportunidade.

Dilma Rousseff está iniciando o seu segundo mandato, que lhe foi renovado pela maioria, ainda que com pequena margem. Como a lei brasileira não contempla o instrumento do recall, que permite reavaliar o eleito, o fato de a presidente ser alguém incapaz de conduzir o país não é suficiente para impedi-la de governar.

Mas o caso de Dilma é de outra ordem: ela mente, com plena ciência da mentira. Ao fazê-lo, enquadra-se no Inciso 7 – “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” - do Capítulo V da lei que define os crimes de responsabilidade e regula o processo de julgamento de impedimentos.

Diante de uma crise econômica seriíssima, debilitada politicamente, com a popularidade no chão, vaiada, Dilma teria de se reinventar. Ou sucumbir. Parte significativa dos petistas parece preferir a segunda hipótese. Lula e o exército de Stédile à frente.

Além dos que estão nas ruas hoje, há muitos que torcem pela imolação de Dilma - e não o fazem por querer um país melhor.

Mary Zaidan

Sermão dos Peixes

Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção?
Sermão de Santo Antônio (1654) do padre Antônio Vieira (1608-1697)

A igrejinha vermelha


Um teólogo de esquerda disse que o movimento de 15 de março é coisa das elites que não ouviram a mensagem de Jesus. Pelo visto, o céu também já é deles. Nesse ritmo, seus branquelos, para vocês só vai sobrar mesmo a rua. Corram para lá — antes que seja tarde

Por que sair às ruas

Quem quer derrubar Dilma no grito não respeita o voto. Quem a apoia sem crítica não pensa no país nem no povo

Um bom motivo para participar de manifestações – a favor ou contra Dilma Rousseff – chega a ser pueril. Podemos sair às ruas porque ainda é possível protestar pacificamente no país sem ser preso. O Brasil ainda não virou uma Venezuela; o regime democrático ainda não caiu de “maduro” e algumas instituições não estão podres. Melhor aproveitar e exercer o direito à livre expressão – ou será que não?

Um bom motivo para ficar em casa é não acreditar em nenhuma grande bandeira das manifestações pró e contra. Os grupos se confundem. Se existe algo que não identifica a grande massa de manifestantes e não manifestantes, é a ideologia. A maior burrice é rotular de “direita” ou “esquerda” quem vai numa ou na outra manifestação. Ou quem decide não sair às ruas. Quem são os fascistas? Em qual categoria ideológica se situam os que querem detonar, “com botas e chuteiras”, a política econômica atual de Dilma? Leia-se aí o MST de Stédile.

Pergunte se são de esquerda ou de direita os garis em greve contra o reajuste anual ridículo de 3%, os caminhoneiros que bloqueiam as estradas, os favelados sem-casa-esgoto-creche-hospital, os policiais, os professores, os médicos, os comerciantes, os estudantes em fila por senha para estudar. Pergunte se são de esquerda ou de direita os desempregados pela incompetência oficial, ou todos nós que pagamos contas de luz e gasolina estratosféricas pela má gestão do governo.

A resposta será: ah, vem para a vida real, sem esse papo de direita ou esquerda, somos a maioria sem voz, queremos um país que funcione, um governo que não assalte os cofres públicos, uma economia que favoreça o emprego e os empreendedores, sem descontrole da inflação, uma educação de qualidade para todos, uma saúde digna, uma aplicação honesta dos altos impostos que pagamos, uma infraestrutura que nos tire do Terceiro Mundo, uma política de segurança que não deixe as famílias à mercê de criminosos. Queremos bons exemplos de cima e fim da corrupção institucionalizada. É pedir muito?

Se você é a favor da Petrobras e contra o roubo sistemático do PT à Petrobras, a qual manifestação deve aderir? Se você abomina o cinismo dos últimos pronunciamentos de Dilma Rousseff mas é contra o impeachment, deve sair às ruas em protesto ou ir à praia e ao futebol? Se você é contra Eduardo Cunha e Renan Calheiros – e, consequentemente, contra o domínio do pior PMDB –, qual manifestação deve escolher? Ou vai ficar no sofá, um direito seu?

Se você acredita na lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se você continua estarrecido com o depoimento frio do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, relatando a distribuição sistemática de propinas milionárias ao PT desde a era Lula até a campanha de Dilma em 2010, como deve se comportar? Sai ou não sai às ruas? Leva suas panelas para o fogo ou para a janela?

Se você se preocupa com a desigualdade social, deve se aliar ao MST e ir contra o ajuste fiscal de Dilma e Joaquim Levy? Mas aí você estará conspirando contra a presidente. Como ela disse na quinta-feira no Rio de Janeiro, o Brasil “esgotou todos os recursos para combater a crise”. Se empresários e sindicalistas se unem em São Paulo contra o ajuste, quem é burguês, quem é coxinha, mãozinha, perninha?

Você acredita que o Brasil está nesse buraco por causa da “crise internacional” e porque Dilma fez tudo pelos pobres – na educação e na saúde? Você acredita na presidente quando ela diz que o governo do PT cortou gastos da máquina? Está faltando pau de selfie no Planalto – a presidente precisa se enxergar sem distorções de foco. Sobra cara de pau. Até o ex-tesoureiro da campanha presidencial de Dilma fez mea-culpa, disse que o PT errou. Quando Dilma assumirá alguma responsabilidade e pedirá desculpas à nação? A presidente nos pede “paciência”. A população deveria pedir à presidente “sinceridade”. Mas é pedir muito.

Quem quer derrubar Dilma no grito esqueceu o que é uma ditadura, não respeita o voto democrático, não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo. Está claro que manifestações por impeachment não são oportunas e não darão em nada.

Quem apoia incondicionalmente uma presidente que fez desandar a economia e as alianças políticas, que resistiu durante meses a afastar a presidente da Petrobras e que mentiu e continua a mentir sobre índices e análises de seu desempenho com uma desfaçatez nunca antes vista não pensa no país nem no povo e ainda por cima é ingênuo.

Pedir impeachment de Dilma não é golpismo, é tolice de desmemoriados. Acreditar em Dilma não é idealismo, é tolice de desmemoriados. Vamos tentar o caminho do meio. Saindo às ruas ou ficando em casa. 

Emendar-se o governo não vai

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Nada seria mais danoso às carreiras ligadas ao Direito e à Justiça do que a unanimidade das opiniões jurídicas. Vale o mesmo para a imprensa. Nas sociedades livres, a divergência integra o ser social. Não existe ponto sem contraponto. E é por aí que muitos trabalham. As sociedades submetidas ao totalitarismo funcionam ao contrário: dissentir, pensar diferente do rebanho ou de seus pastores, gera consequências que vão dos adjetivos pejorativos às sentenças de morte. Por isso, a afirmação de que o impeachment da presidente Dilma constitui demanda ridícula, golpista, sem fundamento jurídico, não é uma sentença final, irrefutável. É apenas uma das posições possíveis perante o assunto.

Com apenas 7% da opinião pública a seu favor, a permanência de Dilma no poder nada tem a ver com democracia, mas com Estado de Direito. É este que a sustenta contra aquela. Para resolver tais casos, a Constituição disponibiliza o processo de impeachment. Que tem lei própria. Que é um instituto de natureza eminentemente política, nem surdo nem mudo, com motivações éticas e regras claras. Golpe, só não percebe quem não quer, foi dado ao país antes, durante e depois da eleição. Antes, com governança irresponsável, com franquias à corrupção, com esbanjamento dos recursos públicos para fins eleitorais, com negligência no controle dos gastos, com a ruína da aritmética. Durante, com repetição de despudoradas mistificações, com ocultação da realidade nacional, com a estratégia serial killer de reputações e a imputação aos adversários das maldades que o governo viria a cometer. Depois, no agir como se o dia 27 de outubro nada tivesse a ver com o dia 26. E transcorresse noutro país, sob outra realidade, perante outro povo. Mas o que é isso, companheira?

A presidente, por tudo que fez e deixou de fazer, precipitou a nação no descrédito e nos afundou numa crise em que não deveríamos estar. A improbidade se instalou no governo como quem reclina a poltrona e põe os pés sobre a mesa. É um seriado de infinitos episódios. Milhões de brasileiros que não perceberam isso antes compreenderam agora, em dois meses. Emendar-se o governo não vai! Então, a mobilização em favor do impeachment é ato de respeito próprio. É questão de decoro nacional. Expiação ante o mundo civilizado. Contrapor que isso causaria faniquitos em Stédile e outros como ele, não é argumento. É afofar a cama dos brutamontes! Para isentar-se de qualquer culpa por toda improbidade praticada em sua gestão, seria necessário que a presidente estivesse muito longe daqui, comandando, quem sabe, outro país e outro governo. No Brasil, não vejo como.

Única desculpa do PT é inventar terceiro turno

Quem critica ou questiona é porque está querendo terceiro turno. Mas Dilma Rousseff, eleita nas urnas, tem o direito de fazer e dizer o que bem quiser. Vamos deixar claro: quem inventou a história de terceiro turno foram os espertos marqueteiros do PT. Os idiotas petistas só tiveram a missão de repetir a bobagem.

Os que questionaram as urnas o resultado do segundo turno não aceitam as mentiras de Dilma, que enganaram parcela da sociedade. Muitos parlamentares a ajudaram nesta missão. Lembrem-se da deputada Maria do Rosário, em cujos comitês dizia-se que “Aécio acabaria com o Bolsa Família”.

A própria atuação de Tofolli, como presidente do TSE, deixou transparecer que as desconfianças eram fundadas. O ministro passou a mão por cima de tudo. Tinham razão os que denunciaram o processo eleitoral. Se nada foi errado, por que esconderam tudo?
Com o estouro da operação Lava Jato, a casa caiu e o mundo petista, agora, está desmoronando. Dilma e suas promessas de combate a corrupção não passaram de devaneios. Como combater a corrupção, se isso atingiria seus próprios companheiros, aliados e serviçais?

A oposição, frágil, débil e sem inspiração, não fez nem precisou fazer nada. Tal qual acontece com as quadrilhas (lutas internas e/ou externas), iniciou-se a matança entre os próprios comparsas. Apanhados em flagrante, os irmãos metralhas abriram o bico e começaram a contar como esquema foi montado.

Agora, a defesa do PT é a mesma de sempre. Com discursos estudados e decorados, os petistas mais uma vez tentam ludibriar parcela do povo brasileiro. Reparem o que dizem: 1) a oposição está atacando a democracia; 2) querem terceiro turno; 3 ) tentam destruir, inviabilizar, enfraquecer e depois vender a Petrobras.

No caso da Petrobras, surgem perguntas. Afinal, quem está administrando a empresa? Quem deixou de responsabilizar FHC pelo “desmonte” que realizou? Quem permitiu que saqueassem a estatal, no período entre 2003 a 2015?

Antes de cobrar os governos anteriores, os petistas têm de prestar contas de sua gestão. Não adianta organizar atos públicos em defesa da Petrobras e denunciar que ela está sendo destruída. Mas destruída por quem?

Sindicatos e centrais financiadas com recursos públicos, cabides de emprego para pelegos e serviçais petistas, estudantes profissionais, movimentos sociais financiados por partidos e com recursos públicos, é este o povo que vai às ruas defender um governo que jogou o país no caos.

O PT, nascido para servir como exemplo de ética, está atirando 25 anos de democracia no lixo. Com total certeza, é o partido mais corrupto da história de nosso país. A estrela apagou-se. Vive os últimos suspiros e respiros de um sonho construído e destruído por tresloucados.

O Brasil é grande, rico. Seu povo, um dia, poderá ser feliz. No entanto, é triste dizer que este dia ainda está distante.

O PT apodreceu o Brasil


Manifestação de rua em troca de dinheiro. Votos em troca de dinheiro. Apoio parlamentar em troca de dinheiro. Apoio sindical em troca de dinheiro. Obras públicas em troca de dinheiro. Jornalistas em troca de dinheiro. Estudantes em troca de dinheiro. Artistas em troca de dinheiro. Intelectuais em troca de dinheiro.
O PT não corrompeu o Brasil. O PT apodreceu o Brasil.

O Antagonista            

Por que protesto de domingo é mais grave que o de 2013

As manifestações preocupam mais desta vez porque o país, em vez de ter melhorado, está pior do que então.

As manifestações de protesto convocadas para domingo no país todo, chamadas de 15/15, não serão as de 2013, quando os brasileiros foram às ruas para exigir um país melhor. Naquela ocasião este jornal se perguntou: “Por que o Brasil e por que agora?”. A resposta foi que diferentemente, por exemplo, do movimento dos indignados da Espanha, que protestavam pelo que as pessoas estavam perdendo com a crise econômica de 2008, os brasileiros exigiam o que ainda não tinham.

O de 2013 não foi um protesto para exigir uma mudança de governo, nem de regime político. Não ressoou nele o “Fora Dilma”. Exigiam-se dos governantes melhores serviços públicos, melhor qualidade de vida, melhor transporte, melhor saúde e melhores escolas. E menos corrupção política.

“Éramos infelizes e não sabíamos”, dizia uma dos milhares de cartazes criativos daquelas manifestações. Significava que os brasileiros se sentiam conformados com o já conseguido e não tinham tomado total consciência de que, por exemplo, seus serviços públicos ainda eram de terceiro ou quarto mundo, enquanto pagavam impostos de primeiro mundo.

A manifestação de 15/15 (ainda sem saber qual poderá ser sua força) será diferente. Não se pede apenas que as coisas melhorem; rejeita-se o Governo da recessão, da inflação que corrói os salários, de serviços cada dia mais caros, de uma carga tributária que sufoca a cada ano que passa. Não se aguenta mais a corrupção, cada vez maior e mais espalhada. E os participantes vão gritar que saia do comando do Titanic que faz água a equipe atual: o PT e sua comandante, a presidenta Dilma Rousseff.

O protesto de 15/15 é mais grave que o anterior porque o Brasil, em vez de ter melhorado desde então, impulsionado pelas promessas feitas e não cumpridas, piorou.

É possível alegar que nas últimas eleições a maioria dos votos foi para Rousseff, e que é apenas a minoria que protesta hoje, inconformada com o resultado das urnas. Na verdade, quem toma o pulso da opinião pública pode notar, como revelou a última pesquisa do Datafolha, que essa maioria mudou. Hoje, nem Rousseff nem o PT, com muita probabilidade, venceriam as eleições.

De fato, uma dos motivos que mais irritam a sociedade é ter visto que a então candidata presidencial Dilma Rousseff não contou a verdade. Mostrou um Brasil feliz, pujante e sem crise. Jurou que não haveria cortes nem sacrifícios, menos ainda para os mais necessitados, e acusou seus concorrentes Aécio Neves e Marina Silva de quererem entregar o país aos banqueiros, que acabariam roubando a comida do prato dos pobres.

Leia mais o artigo de Juan Arias

O domingo é de protesto

Hoje é mais um domingo no calendário. Na história já está como o dia em que o Brasil reconquistou a democracia, mas se quer mais: o democrático direito de protestar quando e quanto quiser contra os desgovernos, pois ninguém protesta contra governo sem motivo. Portanto, deve-se marcar este como o Dia do Protesto.

Sejam 300, mil ou 300 mil, não importa. Quem for às ruas representará mil daqueles que por qualquer razão não podem comparecer, mas estarão em prece pelo sucesso, ou na internet manifestando sua insatisfação com a situação do país (serão os net blocks?).

Nas ruas ou fora delas, no entanto, uma certeza há: a manifestação de hoje larga vitoriosa. O crescimento das adesões, o movimento através das redes sociais já puseram o governo de cabelo em pé. Fizeram até manifestação chapa branca, gastando dinheiro público, para esvaziar o tsunami que viam pelas telinhas do computador.

O sucesso se confirma antecipadamente, porque não há financiamento público nestas manifestações, nem bolsa passeata, kit protesto, boca livre ou happy hour. É o povo com a cara e a coragem na rua, berrando que tem voz, porque o país é dele e não de um partido ou de um governo.

Brasil tem 'democracia imperfeita'

País tem processo eleitoral confiável, mas população tem poder limitado para monitorar e influenciar decisões do governo
O Brasil completa neste domingo 30 anos de democracia. Os avanços acumulados nesse período são evidentes: o processo eleitoral é confiável, a liberdade de expressão e manifestação aumentou, a economia hoje tem mais estabilidade do que no passado e a pobreza vem recuando.

No entanto, cientistas políticos apontam diferentes fatores que reduzem a qualidade do regime democrático brasileiro, como o poder limitado da população de monitorar e influenciar as decisões do governo, a corrupção elevada e a desigualdade social ainda alta, que limita os direitos de parte da população.

"A nossa democracia ainda é muito pouco democrática", afirma Marcos Nobre, professor de filosofia da Unicamp.

"Uma coisa é você falar de instituições formais da democracia. Há um Judiciário relativamente independente, todos têm direito ao voto, etc. Mas democracia não é só isso. Não são só instituições democráticas em funcionamento formal", ressalta.

A consutoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) produz um índice que classifica os países de acordo com a qualidade da sua democracia. O ranking coloca o Brasil como o 44º país mais democrático entre 167 nações analisadas. Noruega, a mais democrática, e Coreia do Norte, a menos, ocupam as pontas do ranking.

Com essa posição, o Brasil está no grupo das "democracias imperfeitas". Segundo a EIU, nos países que recebem essa classificação há eleições livres e justas e as liberdades civis básicas são respeitadas (como liberdade de expressão e religiosa). Por outro lado, costuma haver problemas de governança (como corrupção e pouca transparência em órgãos públicos) e baixos níveis de participação política.

Há 24 democracias com notas superior a 8 e por isso consideradas "completas" pela consultoria. Vale notar que os países que ocupam as melhores posições geralmente têm uma história mais longa de democracia continuada do que o Brasil, como Dinamarca, Austrália, Reino Unido e Estados Unidos.

Mas há também casos como o do Uruguai (17º lugar), cuja ditadura também acabou em 1985, e da África do Sul (30º), onde o regime de segregação racial (apartheid) terminou em 1994.

Ao subir uma posição em 2014, o Brasil foi o único país da América Latina a melhorar sua classificação no ranking. A nota brasileira - que desde 2010 estava estagnada em 7,12 - subiu no ano passado para 7,38 (a avaliação vai de zero a dez).

No caso do Brasil, o país tem melhor performance nos critérios eleitorais (9,58) e de liberdades civis (9,12), e vai pior em participação política (4,44). Já o funcionamento do governo recebeu 7,5.

O que puxou a melhora em 2014 foi o aumento da nota em cultura política (de 5,63 para 6,25), quesito que mede, por exemplo, qual apoio da população ao sistema democrático ou militar, a tolerância com a impunidade e a separação entre Estado e religião.

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sábado, 14 de março de 2015

Torpedo para presidente

Vou mandar um recado para a Dilma: ‘Não vamos aceitar controle fiscal no lombo trabalhador!. Dilma: saia do palácio e venha pras ruas para ouvir o povo!'
“General” João Pedro Stédile, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

Projeto de poder do PT atingiu limite da tolerância popular

Nos regimes democráticos, manifestações populares são formas de exteriorização de desagrado que têm por objetivo provocar mudanças em favor do interesse dos manifestantes.

O atual governo brasileiro, em início de mandato, o quarto do que chamo de "era pós-moral" – como consequência de si próprio e dos que o antecederam –, todos sob a égide do Partido dos Trabalhadores, amarga uma onda crescente de manifestações. Até agora, a mais importante delas foi a dos caminhoneiros que, pela abrangência e importância estratégica, pôs em xeque a utilização do sistema viário nacional, o abastecimento e o próprio desempenho de certas atividades e regiões econômicas.

No mesmo embalo, não com as mesmas consequências mas com abrangência e significado político muito maior, organiza-se pelas redes sociais outro movimento popular de protesto e de contraposição ao governo, a realizar-se em 15 de março próximo.

O projeto de poder petista, nos moldes bolivarianos estipulados pelo Foro de São Paulo, colhe os frutos do seu desprezo a regras mínimas de respeito à inteligência e à paciência da sociedade.

Ambição, desonestidade, corrupção, incompetência, demagogia, malversação, mentira, propina, desvio, estelionato, apropriação, dilapidação, impunidade, destruição e outros, sem restrições à imaginação e à criatividade delituosa, são os substantivos que definem a forma escolhida para gerenciar a coisa pública e que, aparentemente, atingiu o ponto limite da tolerância popular!

Os fins populistas, falsamente conquistados, não justificam os conchavos e as negociatas que levaram o Brasil, como um todo, às portas da bancarrota e sua mais importante empresa à quase insolvência no mercado mundial.

O tempo do Partido dos Trabalhadores esgotou-se junto com a transigência da sociedade brasileira, sua grande vítima. O entusiasmo com que os brasileiros finalmente esclarecidos se preparam para o Movimento Cívico de 15 de Março atesta esta afirmação.

Se as manifestações populares, por definição, visam e reivindicam mudanças, estas, para legitimar-se, devem escudar-se na viabilidade e na processualística estabelecidas na Lei Maior.

A importância do movimento de 15 de março será medida pelos efetivos que conseguir mobilizar, pelo comportamento ordeiro dos participantes e pela veemência da demonstração de repúdio ao engodo de que têm sido vítimas.

Deve servir de base e motivo para que os representantes do povo – eleitos para fazer valer a sua vontade, no exercício de seus mandatos e dentro dos limites da legalidade – assumam o bastão da demanda e deem efetividade às mudanças exigidas pelas ruas!

O processo judicial em curso da Operação Lava Jato, pela exemplar seriedade com que está sendo conduzido, pela abrangência e pela gravidade dos crimes financeiros que está a elucidar, certamente trará à luz verdades e evidências que abraçarão o sentimento nacional e que darão respaldo às decisões e às atitudes legislativas que, finalmente, responderão à vontade popular.

Que assim seja!

A vida tem uma faca na mão

 Louis-Jean Fran Lagren
Vamos parar de ler. Paremos de escrever.
Olhos e mãos circulam no papel
ao serviço da dor e da desgraça,
mas as palavras são frias e sem fel
para exprimir o desespero dessa taça.
Ninguém sabe escrever. E ninguém pode ler
o que fica, depois de tanta luta fútil,
a escuridão desvirginada do teu ser
na indiferença de uma folha de papel.
Hoje, ontem, amanhã — amanhã sobretudo —
a vida sempre tem uma faca na mão,
vai sob as unhas, vai direto ao coração,
dói nos olhos, nos pés, dói na alma, dói em tudo,
torna toda a poesia um jogo raso e inútil.

Abgar Renault (1901-1995) 

Terceiro turno, ideia petista

Após frustrar irremediavelmente a generosa expectativa da nação, resta a Fernando Henrique uma única atitude: reconhecer o estado de ingovernabilidade do país e propor ao Congresso uma emenda constitucional convocando eleições presidenciais para outubro, dando um desfecho racional ao seu segundo e melancólico mandato, que terminou antes mesmo de começar
Tarso Genro, em 25 de janeiro de 1999, exigiu que FHC,empossado 24 dias antes, convocasse novas eleições

O recado das ruas

O PT, na oposição, se dizia diferente dos demais partidos. No governo, mostrou não era: era igual no que eles tinham de pior

Lula, entre outras façanhas, recolocou as Forças Armadas na agenda política do país. Ao convocar o “exército do Stédile”, o MST, para ir às ruas e derrotar os que se opõem ao PT – 93% da população, segundo pesquisa em mãos do Planalto -, deu a senha para que se justifique a presença militar na cena pública.

Felizmente, tal não ocorreu. Os militares sabem distinguir bravata de realidade. O “exército do Stédile” paga R$ 35 por soldado, fornece transporte em ônibus alugados com verba do imposto sindical e mais um farnel de sanduíche de mortadela.

Não foi suficiente para reunir mais que sete ou dez mil “soldados” na avenida Paulista. Mas Stédile avisa: “Engraxem as chuteiras, pois o jogo apenas começou”. Que jogo? Com esse time, não se chega nem à quinta divisão.

O PT, na verdade, está apavorado. Se apenas 7% do país apoiam o governo Dilma, estamos diante de uma de duas hipóteses: ou a burguesia aumentou o seu tamanho – e é a maior do planeta – ou o partido perdeu sua massa de manobra.

O que restou ao PT foi a militância paga, o “povo profissional”, que se manifesta em dias de semana porque não trabalha. A conivência do governo federal é óbvia. Quando os caminhoneiros fecharam as estradas, mandou a Guarda Nacional reprimi-los; quando o MST fez o mesmo, não mandou ninguém.

Enquanto os caminhoneiros protestavam contra o aumento do diesel – que é vendido mais barato no Paraguai, que o importa de nós -, o MST protestava contra a burguesia e o imperialismo. Aos caminhoneiros, foi aplicada a multa de R$ 10 mil por dia de paralisação; ao MST, foi fornecida a remuneração acima.

O roubo não é um componente ideológico. Não é de esquerda, nem de direita: é simplesmente um crime, capitulado nos códigos penais de países “de esquerda” e “de direita”. A população, em sua esmagadora maioria, nem sabe o que são esses conceitos. Mas sabe muito bem o que é embromação, malandragem – e sabe distinguir bem a retórica do mentiroso.

Sabe constatar gestos de cara de pau, quando, por exemplo, os predadores da Petrobras convocam um ato em defesa da empresa que eles mesmos liquidaram. Quando Lula, no ato da ABI, em que convocou o “exército do Stédile”, diz que “a Petrobras é nossa”, está sendo sincero pelo avesso. Comete um ato falho, sem o perceber. A frase embute uma confissão, que explica o que a CPI está apurando na Câmara dos Deputados.

O PT, na oposição, se dizia diferente dos demais partidos. No governo, mostrou não era: era igual no que eles tinham de pior. É hoje aliado dos que, no passado, classificava de ladrões. Hoje, diante do Petrolão, um escândalo sem precedentes, se esforça para mostrar que é igual a todos, que apenas deu sequência a uma prática já instalada. Com isso, piora o que já é ruim.

Quando alguém se defende de um ilícito com o argumento de que outros também o praticaram, não está propriamente se proclamando inocente. Quando esse alguém é governo, acrescenta ao delito de que é acusado outro: o de prevaricação.

Se seu predecessor, de fato, delinquiu, e ele, 13 anos depois, o revela, sem ter tomado qualquer providência punitiva, é, no mínimo, cúmplice por omissão.

São contradições como essas, que o desespero produz, que, por acúmulo, levaram à insatisfação popular expressa na última pesquisa. A manifestação de amanhã, aguardada com imensa expectativa, não pertence a nenhum dos partidos de oposição, embora seja legítimo que estes a ela se associem.

Mas, entre seus recados explícitos, está a decretação não apenas da falência moral do PT e do governo, mas de todo o sistema político que os viabilizou. A oposição tem que olhar com humildade e autocrítica este momento, se pretende a ele sobreviver. E o PT deve começar a providenciar a operação-retirada, ainda que permaneça figurativamente no governo.

Não se governa com 7%. Nesses termos, é preciso baixar a crista e buscar socorro político enquanto é tempo. E o socorro político hoje não está na Praça dos Três Poderes, mas na sociedade, que exige novos rumos (e novos governantes) para o país. Esse o recado das ruas, que assistiremos neste domingo.

Quem paga...

A crise é de quem a criou, a conta é nossa

A chapa branca do vermelho

Dilma passou a sexta-feira 13 roendo as unhas e esbravejando mais do que costuma. Era o fantasma do comício da Central do Brasil, na mesma data, há 51 anos, quando o então presidente João Goulart e a mulher Maria Teresa estiveram diante de uma multidão no Rio.


O evento, organizado pelo Comando Geral dos Trabalhadores, tomava uma área bem ao lado do prédio do Ministério do Exército. Como o último baile do Império, na ilha Fiscal, decretara a queda do imperador dom Pedro II, o comício da Central, encarado então como afronta às Forças Armadas ali pertinho, foi um marco para a queda dois anos depois de Jango.

A data, como se vê, não era mais propícia aos fantasmas de Dilma, que subiu nas paredes quando viu as manifestações vermelhas da CUT, oficialmente chapa branca, não mostrar multidões. A Central não reuniu o que se esperava nem motivou a população. Em São Paulo, até teve o reforço de outros manifestantes, dos professores locais, que tinham outros motivos para ir às ruas. Assim cresceu um pouco mais. Dos exércitos de Stédile, nada.

Como o comício da Central, há décadas, (quem viu não esquece) reuniu bem mais gente que antes não eram militantes como agora, Dilma tremeu mais ainda. O que poderia ser uma demonstração de força da presidente junto ao poder sindical mostrou-se um fiasco. Ainda mais que o próprio governo pediu para não serem mais críticos aos planos governamentais. O pedido foi apenas mascarado e demonstra que por mais que se veja gente até a CUT está com Dilma pela garganta.

Os manifestantes, ou digamos comprados colaboradores, exibiram o incrível paradoxo de estar a favor de Dilma e contra Levy. Ou uma coisa, ou outra, levar gente às ruas para mostrar a contradição é burrice. Um paradoxo com que o PT trabalha como uma vitória. Mas nessa, novamente, perdeu. Por sinal, derrotas é que não faltam a Dilma neste início de segundo mandato. Como nunca na história brasileira, um presidente reeleito recomeça o mandato como um derrotado.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Olhar presidencial

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Exército do MST é a ameaça desta sexta-feira 13

Graças ao atabalhoado e desastrado Lula, Stédile frequenta as manchetes dos jornais diariamente. Não importa se pelo aspecto absolutamente negativo, mas o dono de um exército particular está na mídia, e tem sido a estrela do momento.

Dando a entender que é o dono da festa, manifestou que irá participar do apoio à presidente Dilma nesta sexta-feira 13, levando consigo seus soldados, que estiveram em manobras esta semana, invadindo prédios públicos e bloqueando estradas, treinando o modo de se fazerem presentes neste ato.

Evidente que a intenção do comandante Stédile não é somente apoiar a Dilma, mas enfrentar quem discorda do governo e clama pelo seu impedimento, pois conforme suas declarações na Venezuela, ele foi claro em bradar que a “burguesia e o imperialismo” estavam à frente desse “golpe”, e que a luta seria inevitável!

Ouvi o líder do MST bradando também que o povo brasileiro estava com Maduro! Stédile, um vagabundo profissional, falastrão, deveria estar na cadeia por se dizer representante do povo brasileiro no exterior e possuir exército particular.

Porém, como íntimo do poder central, goza de privilégios e põe sua milícia à disposição do governo para enfrentar os descontentes com esta administração corrupta e desonesta. E a justificativa é a tão sonhada luta de classes, que inclui a futura tomada do poder pelo pobres, pelos injustiçados.

O MST, que se movimentou em vários Estados da Federação esta semana, avisa que está a postos, disposto para o combate, animado para a luta. Centenas de ônibus despejarão gente do movimento nas grandes cidades, e não há dúvida a respeito de quem patrocina este pessoal, que não trabalha, não produz, não faz nada de útil, salvo atrapalhar o cidadão e impedi-lo de ir e vir.

Acredito, no entanto, que o mesmo ímpeto da Polícia Rodoviária Federal em desimpedir as estradas por conta da paralisação dos caminhoneiros que protestavam contra o preço do óleo diesel e pedágios, poderá haver nesta sexta-feira 23. Nada de corpo mole e condescendência com este grupelho de baderneiros, e o mesmo se espera das polícias militares nas ruas das cidades, quando a milícia do Stédile partir para o quebra-quebra, agressões e violências contra os que protestarem contra o governo.

Lula, o canalha e agitador, deu o pontapé inicial neste jogo, e Stédile traz o seu time para as cidades, em uma partida sem regras, sem juiz, valendo tudo. Este é o jogo final de um torneio mata-mata!
Francisco Bendl

Verdades


Lava Jato


Há lugares-comuns que a originalidade invade com fascinante reiteração. Já sabemos, por exemplo, de mil maneiras, que o Brasil não é precisamente a nação do bonsai, mas daquilo que em terras mais modestas se consideraria uma rotineira desmedida.

Quando se vê o dramático mural narrativo traçado pelas evidências e as confissões dos delatores qualificados e quando o crescente e já numeroso elenco de corruptos é composto pelos atores do poder político e empresarial da nação, o inédito alcance desse caso histórico é não apenas assombroso, mas torna também inevitável perguntar como o Brasil vai se virar para enfrentar as consequências funcionais da verdade.

A ação do caso Lava Jato é dirigida até agora por um grupo seleto de juízes, promotores e policiais que investiga, acusa e julga uma parte crucial da liderança empresarial e política da nação.

Enquanto vários gerentes e diretores investigados trocaram a suíte executiva pelo cárcere, algumas de suas empresas, que representam boa parte da face industrial do Brasil, já se encontram sacudidas por diversos graus de crise.

De fato, o que pode estar a ponto de afundar é toda uma forma de fazer negócios, corrupta e de promíscua amálgama entre o público e o privado, mas audaz e conquistadora ao mesmo tempo.

O que pode estar a ponto de afundar é toda uma forma de fazer negócios
Foi (é difícil pensar isso no futuro, mas nunca se sabe) um dos principais modelos nacionais de fazer negócios, dentro e fora das fronteiras do Brasil. Simultaneamente corrupto e bem-sucedido, cuja vantagem comparativa foi em muitos casos precisamente a corrupção — a desinibida destreza no seu manejo —, mas cujo sucesso não se explica apenas por ela.

Há apenas alguns meses, em outubro do ano passado, uma das reportagens premiadas no principal concurso latino-americano de jornalismo investigativo (o do IPYS/TILAC, no qual, caveat emptor, sou um dos jurados) foi dos jornalistas Fernando Mello e Flavia Foreque, da Folha de S.Paulo. A reportagem revelou que o ex-presidente Lula realizou ao menos 13 viagens para fora do Brasil patrocinadas e pagas por empreiteiras brasileiras. Lula, demonstrou a investigação, fez gestões a favor de empresas como Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS, tanto na América Latina como na África. Na África, o lobby de Lula incluiu ditadores como Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial; na América Latina, presidentes acusados de corrupção em grande escala — como o ex-presidente Martinelli, no Panamá.

Tanto Lula como sua Fundação afirmaram que a atuação do ex-presidente foi em benefício dos interesses nacionais do Brasil.
Leia mais o artigo de Gustavo Gorriti 

As panelas de dona Dilma

Presidente Dilma Rousseff em seu programa eleitoral na TV  (Foto: Reprodução / YouTube)

Jonathan Swift, pensador irlandês que viveu de 1667 a 1745, diz que a maioria das pessoas é como alfinetes: suas cabeças não são o mais importante

Mentir é das artes mais difíceis e trabalhosas. Não é para qualquer alfinete, não. Quem quer ser um mestre na arte de enganar, tem que ter, em primeiro lugar, uma memória fabulosa e, em segundo lugar, respeitar o infeliz a quem mente. Acima de tudo, tem que ser diligente, estar sempre atento e não saber o que é preguiça, já que a mentira obriga o mentiroso a estar sempre fiando outras mentiras para sustentar a primeira que engendrou.

O grande erro dos políticos brasileiros é não ler, não estudar, não se aventurar entre os clássicos da literatura e querer, com sua rala cultura, fazer aquilo que Lincoln já advertia ser impossível e é: enganar a todos o tempo todo.

Vejam o PT e sua mentira mais usada: a vida que deu aos pobres. Quem nasceu, por exemplo, no último quartel do século 20 com certeza acredita que antes do PT aqui era o nada. Que os brasileiros nem sorrir sorriam, eram uns infelizes de pai e mãe. Antes do PT, era o breu!

Talvez nem acreditem que antes do PT o MDB, que pariu o PMDB, foi o partido no qual os brasileiros apaixonados pela liberdade e ansiosos pelo fim da ditadura mais confiaram.

Não os culpo. O PMDB, inerte, aquele que entra calado e sai mudo, não inspira que se acredite que já foi o berço de políticos que amavam mais o Brasil do que o Poder. De alguns que até abriram mão do Poder para preservar um país mais decente e com um futuro mais digno.

Leem Juca Kfouri, o jornalista do futebol, e acreditam quando ele garante que o repúdio demonstrado em várias cidades e bairros deste enorme Brasil ao engodo que foi a campanha e a consequente eleição de dona Dilma à Presidência da República foi “contra o incômodo que a elite branca sente ao disputar espaço com esta gente diferenciada que anda frequentando aeroportos, congestionando o trânsito e disputando vaga na universidade”.

Gente diferenciada como dona Dilma, a filha de imigrante que deu certo. Ficam em êxtase diante da foto da presidente em sua modesta cozinha familiar, onde se vê, numa prateleira ao fundo, o xodó das cozinhas de todo o Brasil, o radinho.

Vestidinha com um simples blazer, a presidente da República tem nas mãos uma frigideira de onde despeja numa travessa o macarrão na manteiga que preparou para os seus.

Não sei o que a minha nonna diria de um macarrão que saiu da panela para uma frigideira, mas sei o que eu digo das panelas de dona Dilma: um luxo, um sonho dourado, são panelas Le Creuset!

Mas, acreditem, é uma típica cozinha pós-PT. Até no detalhe das orquídeas em vez da tradicional comigo-ninguém-pode.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

A não isenção da isenção

Sistema atua por meio de múltiplas éticas e cada cargo ou pessoa as invoca em momentos e circunstâncias diferenciadas

Você violaria a lei mesmo ocupando um cargo com um salário de 500 mil por mês, como gerente da maior companhia de esterco do mundo? Pergunta o diabo.


Se olharmos o fato racionalmente, pelas lentes do neodarwinismo e da neurociência, a resposta é “não!”. Prevalece, diz o interrogado, a minha isenção em relação às propinas e ofertas fora da curva. Fico preso ao meu cargo. E, tal como um ator de novela, eu seria devotado ao meu papel.

Mas, continua o diabo, e se o diretor da peça por ambição, ideologia, incompetência e mediocridade entender que o drama, digamos, uma comédia tivesse que virar uma tragédia e, para tanto, embaralhasse o texto da peça?

Nesse caso, insiste o demo, você toparia deixar de lado a isenção devida ao papel e ao enredo, embolsando, além do seu maravilhoso salário, imensas fortunas recebidas “por fora”, recursos adicionados a, por exemplo, uma refinaria de esterco em construção?

Ou seja, você diria um “não” ao seu compromisso moral com a empresa e toparia ter uma invejável conta bancária, uma cobertura em Ipanema e uma offshore num paraíso fiscal socialista? Além de garantir uma vida de nobre para seus filhinhos?

Bem, nesse caso — pondera o interrogado pigarreando —, sabedor do objetivo de sabotar a peça e compreendendo que o esterco é matéria valiosa e procurada, eu começaria a duvidar.

Como assim?

Eis um dado crítico. No nosso país, a isenção não é apenas uma questão de seguir uma lei e honrar um cargo. Ela varia de acordo com quem você se enturma. Se o aval para abandonar a isenção ética vem de um adversário, surge a letra da lei; mas se ele vem de um companheiro — eu, como a grande maioria, faço de tudo! A regra legal será dispensada e englobada por um outro tipo de ética. Pois, neste caso, a dominação patrimonial ou carismática, fundada na ética da tradição familiar e do dar e receber, neutralizaria a esfera burocrática, justificando a tentação da falcatrua. A lei se curva diante dos amigos. Ademais, ela é, por natureza, desigual, pois protege quem ocupa certos cargos.

Então — insiste satanás, que está na lista dos 50 a serem investigados — nessas circunstâncias, a não isenção da isenção é uma norma?

Sim, porque o sistema atua por meio de múltiplas éticas e cada cargo ou pessoa as invoca em momentos e circunstâncias diferenciadas.

Então, ficar isento é impossível? Conclui o demônio.

Não, mas é recomendável. Como aquele famoso personagem da “Montanha Mágica”, de Thomas Mann, o campo chamado de “político” no Brasil, se caracteriza pelo hábito da falta de hábito. Deste modo, o bom político, como o bom malandro, tem como referência o velho Pedro Malasartes: ele não é isento porque ele segue a ética de jamais ser isento. O malandro, você conhece isso muito bem, só é honesto por malandragem!

Leia mais o artigo de Roberto DaMatta

Subtração

Eu sou a Subtração.
É diminuir o meu fim.
Saibam que essa operação
Não tem segredos para mim.

Dez menos sete são três;
Seis menos dois, quatro são.
E, de quatro tirar seis.
Pode ser? Não pode, não!

Mas infeliz de quem ousa
Cometer o crime feio
De subtrair uma cousa
Que pertence ao bolso alheio.
Bastos Tigre (1882-1957)

O maior problema de uma crise é não ser vista

É como o câncer invisível, que não apresenta sintomas e quando é descoberto já é muito tarde para qualquer tratamento. Isso parece estar acontecendo. Os mais importantes personagens para enfrentar a crise que atravessamos, a presidente Dilma Rousseff e sua base de apoio, parecem não perceber o tamanho da crise. Na oposição muitos parecem não ver também a gravidade e que a culpa é do governo, mas o problema é de todos nos.

Políticos apoiados e apoiadores do governo que tiveram seus nomes na lista do Ministério Público para inquérito não percebem o clima que a denúncia está provocando na credibilidade de todos os políticos,inclusive os que não estão na lista.

O discurso da presidente, no domingo passado, não passou sentimento da dimensão da crise, não reconheceu sua responsabilidade, nem acenou para uma forma de enfrentar o problema. Há pessoas que denunciam todos os descontentes como se fossem golpistas egoístas descontentes com a ascensão de classes pobres (ascensão, diga-se, absolutamente insatisfatória, pequena e insuficiente para qualquer pessoa com um mínimo de sentimento progressista e desejo de emancipar o povo, dar acesso igual à educação, saúde, justiça, melhorar a vida e não apenas, na lógica neoliberal, aumentar o consumo).

O grande jornalista Juca Kfoury disse que todos os manifestantes que bateram panelas na hora do discurso da Dilma são reacionários com ódio de classes contra os pobres. Esta é uma falta de visão que agrava a crise. Há um profundo descontentamento no ar, com as promessas descumpridas poucas semanas depois de feitas nas vésperas da eleição, com a inflação, com o descrédito dos políticos, todos, especialmente na base de apoio ao governo.

No DF, o bairro com maior manifestação contra o governo no domingo, Águas Claras, tem tradição de votar no PT, apoiar Lula e mesmo a Dilma até pouco tempo atrás. Não ver isso é agravar a crise.

Valdirene Aparecida

Os jornalistas, às vezes, chamam a atenção para os nomes estranhos que surgem nos escândalos políticos. Surgiu agora o de Valdirene Aparecida, que, apesar de inadimplente, teria recebido um empréstimo do Banco do Brasil, com dinheiro do BNDES. Os nomes parecem estranhos no noticiário, porque são nomes de batismo, de modo geral, como é comum na Bahia, uma fusão dos nomes do pai e da mãe.

Valdirene, por exemplo, muito provavelmente, é filha de Valdir com Irene. Tornou-se Val Marchiori, participou de um reality show, “Mulheres ricas”, e é apresentada como socialite. Vi alguns fragmentos do reality show. Valdirene não parecia apenas uma mulher rica, mas alguém fugindo intensamente dos hábitos da população mais humilde, marcados inclusive no seu nome composto: Valdirene, de Valdir e Irene, e Aparecida, talvez em homenagem à padroeira do Brasil.

Suas matérias de viagem eram custeadas por ela, que viaja em jatinho próprio. Val ofuscou Valdirene e conseguiu um espaço como apresentadora, repórter, blogueira e celebridade. Além disso, tinha grana para produzir as próprias matérias. Dizem os jornais que Valdirene e Aldemir eram amigos, viajavam juntos, e, juntos, decidiram pelo empréstimo no BB, onde Aldemir era presidente.

Ele é um dos executivos ligados ao PT. Chegou ao máximo da carreira ao ser indicado para a presidência de uma Petrobras em transe. E teve esse caso na vida, uma loira como cliente bancária.

A senadora Marta Suplicy já registrou o problema da cor do cabelo no PT, ao afirmar que havia três candidatas mulheres à presidência, Dilma, Marina e ela. Mas observou que não tinha nenhuma chance, pois era a única loira.

No auge da crise internacional, Lula acusou os loiros de olhos azuis de terem arruinado a economia mundial. Se falou isso é porque, em alguma camada de seu inconsciente, acredita na maldade intrínseca dessa gente branca.

Valdirene também é loira. Sua trajetória de fuga da pobreza e a adoção entusiástica de um consumo de luxo aparentemente são sinais de afastamento da galáxia petista. No entanto, no fundo, têm tanto ela como o PT o mesmo deslumbramento com a riqueza. A passagem de Lula pelo Copacabana Palace, no período eleitoral, mostra que ele tem os mesmos e talvez mais caros hábitos que a própria socialite.

A sensação que tenho é de que Lula gostaria de ter a mesma trajetória de Val Marchiori. Sua fúria contra os ricos e os loiros de olhos azuis esconde um grande desejo de imitá-los.

No Brasil, há quem ganhe Bolsa Família, há quem ganhe bolsa Louis Vuitton do BNDES. A diferença, como tenho acentuado, é o sigilo do BNDES.

Sinceramente, espero que ela não se ofenda, mas a bolsa de Val Marchiori é uma mixaria perto do que os outros ricos empresários estão levando. E revela algo característico da burguesia brasileira, sobretudo aquela que o PT considera a elite do B porque o apoia, incondicionalmente. Eles esbanjam dinheiro.

Val tem dinheiro para viajar no próprio jatinho e financiar suas aventuras jornalísticas. Mas, quando precisa de uma graninha extra, vai ao Banco do Brasil, que, por sua vez, aciona o crédito do BNDES. Os donos da Friboi buscam dinheiro no BNDES e, ao mesmo tempo, destinam R$ 250 milhões à campanha do PT.

A trajetória de Aldemir e Valdirene passaria em branco para mim. Não me importo com a vida dos outros nem me disponho a patrulhar gastos alheios quando não se originam em dinheiro público.

No entanto, há uma trajetória comum dos ricos que orbitam em torno dos governos petistas e bolivarianos. Prosperam num discurso de amor à pobreza, mas, no fundo, querem apenas mais dinheiro.

Valdirene é uma exceção. Nunca a vi elogiar a pobreza, nos poucos minutos em que a ouvi, jamais manifestou amor pelos pobres, algo que é muito comum nos nossos salvadores populistas.

Ao contrário, encarna apenas um espírito elitista, que quer se diferenciar através do consumo de luxo e escolhas sofisticadas.

O PT ama os pobres, tão falsamente como é possível amar os pobres, a Humanidade e outras grandes abstrações.

Mas Valdirene e Lula navegam no mesmo transatlântico de luxo que está se afundando e não nos deixam outra saída, exceto seguir tocando nosso piano, humildemente, enquanto a farsa não se revela em toda a sua amplitude.

O ideal seria tocar a sirene enquanto o drama se precipita sem as máscaras do carnaval. Mas isso é uma tarefa para se pensar na Quarta-feira de Cinzas.

As últimas pesquisas sobre Dilma confirmam minhas intuições de repórter de rua. A confiança está desabando, e o edifício pode cair. Só nos resta repetir em escala nacional o conselho do prefeito do Rio aos moradores de área de risco: acreditem na sirene quando ela tocar. 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Já está fedendo

Justiça se acerta novamente com governo

Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deve julgar processo de doação ilegal na campanha de Dilma, em 2010, agora dá mais um passo para envergonhar a justiça brasileira. O ex-advogado do PT solicitou sua transferência para a presidência da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgará as eventuais ações penais decorrentes da Operação Lava Jato contra deputados e senadores.

E para assinalar o maior escândalo judicial no país, um dia após o pedido de transferência se reuniu com Dilma no Palácio do Planalto, junto com o trapalhão Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e o aloprado Aloísio Mercadante, chefe da Casa Civil, em um encontro fora da agenda.

Depois da justiça armada, o Brasil está lançando a justiça articulada. Mas só para poderosos. À ralé, a Lei e o medieval xilindró.

Lula foi aluno de Eremildo, o idiota

Virou moda. Lula falou e a bem remunerada elite chapa-branca do jornalismo nacional passou a repetir: a zelite não quer que os pobres prosperem.


Qual o motivo de essa frase estar sendo reproduzida por tantos membros da mídia, como porta-vozes do alto comando petista? Nada que o PT repete à exaustão deixa de ter objetivo bem determinado. É o caso. Os petistas, naufragados na indecência de seu governo, numa sucessão de escândalos que envergonham o país e ruborizam a espécie humana em todas as latitudes, altitudes e longitudes, precisam atribuir motivação maldosa a seus adversários. E qual pode ser pior do que o sujeito ter raiva de quem alegadamente faz bem aos pobres? Poucos, muito poucos sentimentos humanos colocariam alguém tão às portas de uma condenação eterna do que desejar o mal do pobre, sentir-se incomodado quando ele prospera e ter raiva de quem supostamente o faça prosperar. Isso é tão inominável, tão fora da normalidade, que deixa de ser um impulso humano para ser o que de fato é: uma acusação maligna, concepção de mente enferma, que faz da política campo de provas de sua sordidez.

Essa injúria, proferida por Lula no ato da ABI, e repetida pelos papagaios do eldorado petista, não tem pé nem cabeça. É fruto de perversão moral. Está na linha de tudo mais que vêm fazendo. Como conceito, só pode ser produto de uma aula de sociologia do professor Eremildo, o idiota (personagem criado pelo jornalista Élio Gaspari). Repito o que escrevi há poucos dias: os países com melhor qualidade de vida são aqueles em que praticamente não existem pobres e a totalidade da população consegue viver com dignidade. A fome era endêmica na Europa Ocidental até meados do século passado. No entanto, com trabalho e uso judicioso dos recursos públicos, hoje, você atravessa o continente, entra e sai das cidades europeias e raramente se depara com habitações miseráveis. Nelas você se percebe infinitamente mais seguro do que no Brasil.

Só os alunos do professor Eremildo, o idiota, são capazes de crer em tamanha estupidez, contraditória com o racional interesse de todos os seres humanos, porque convém a todos, sem exceção, que todos tenham um padrão de vida melhor. Eremildo, o idiota, ensinaria essa besteira que Lula diz, por crença. Os jornalistas, os políticos, os marqueteiros e os militantes que repetem tamanho disparate, precisam dele como folhas de parreira para esconder as próprias vergonhas.  

Ameaça de várias faces

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A corrupção impõe hoje ao Brasil uma ameaça com várias faces: difusa, estrutural, cultural. Embora sempre presente na nossa história, a ameaça da corrupção talvez jamais tenha assumido uma dimensão tão extensa e profunda. Não conseguimos superá-la no passado. Talvez porque jamais tivemos as condições de que dispomos hoje. Não podemos de modo algum desperdiçar esta oportunidade.
Pensemos não tanto nas rixas políticas, nas divisões ideológicas, neste ou naquele partido, neste ou naquele líder político. Mas sim no país, na possibilidade única em nossa história de extirpar essa ameaça fatal a nossas instituições democráticas.
Não podemos justificar os erros do presente com as faltas do passado. Se agirmos agora poderemos assegurar nossa democracia e finalmente consolidá-la. Se não, voltaremos atrás e estaremos condenados como Sísifo a empurrar a pedra da corrupção até o alto da montanha, só para vê-la despencar a cada vez que estivermos perto de atingi-lo.
Luis Felipe de Seixas Corrêa

O alvo não foi a classe média

imageO pronunciamento da presidente Dilma Rousseff foi uma tentativa de sair do “corner político” em que o governo se encontra. Foi construído para dialogar com os segmentos sociais que continuam aprovando o governo e evitar uma perda ainda maior de densidade. O alvo não foi a classe média revoltada e que votou no Aécio, mas certamente foram os setores mais pobres.

A presidente, entretanto, perdeu uma bela oportunidade de anunciar mudanças de rumo em seu segundo mandato, que breve em termos de dias, parece um governo bastante envelhecido e sem rumo. O eixo foi a explicação do inexplicável, ou seja, justificar que defendeu um rumo no segundo turno da campanha e está fazendo outra coisa após a vitória apertada que teve.

Em primeiro lugar, não é verdade que não era possível prever que a crise iria durar tanto tempo. A presidenta disse que “não havia como prever que a crise internacional duraria tanto”. Não é verdade e o governo disse várias vezes que havíamos passado incólumes pela crise mundial, fato vendido como grande mérito do segundo mandato de Lula e primeiro de Dilma. É verdade que temos algo sazonal (crise climática), mas essa também poderia ter sido evitada ou pelo menos minimizada nos seus efeitos. E mesmo admitindo a gravidade da crise, a presidenta continuou querendo enrolar o povo, dizendo que “passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos”.

Em segundo lugar, não é verdade que os efeitos da crise estão sendo divididos igualitariamente, quando fala de “sacrifícios temporários para todos”. Os ajustes fiscais atingem de forma mais violenta os mais pobres, justamente os que não possuem meios para proteger seus recursos dos ataques governamentais. Os grandes empresários sempre conseguem se defender, mas aqueles que vivem do trabalho possuem poucos meios para isso. E existem setores diretamente beneficiados pelo ajuste, basta ver a situação dos bancos e dos credores de nossa dívida pública.

Em terceiro lugar, Dilma afirmou que “nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família”. É óbvio que isso também não é verdade. O aumento das tarifas públicas e dos serviços impacta os preços dos produtos e aumenta os gastos mensais das famílias brasileiras. A paralisia na economia torna mais difícil a correção dos salários dos trabalhadores e os cortes orçamentários afetam a expansão e a qualidade dos serviços públicos. Soa falso afirmar que fazendo os pacotes de austeridade o governo está “protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis”.

Em quarto lugar, em um dos pontos mais sensíveis das críticas ao seu governo, que é o escândalo da Petrobras, a presidente foi genérica, como se nada tivesse a ver com a forma de se governar, com as alianças, com o acobertamento do toma-lá-dá-cá vigente na política brasileira.
Ednei Freitas 

O governo, os políticos e o trem da agonia

A fase 1 do petrolão chegou ao Supremo Tribunal Federal, e, com ela, 47 políticos serão investigados. A divulgação oficial dos nomes dos envolvidos com a corrupção na Petrobras não gerou grandes surpresas no mundo político, e sim um imenso desconforto. Todos os apontados já estão politicamente afetados, e tal sombra os acompanhará até o resultado final da apuração.

Os efeitos da liberação dos nomes já são sentidos. Incluídos na lista, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, atacam a Procuradoria Geral da República e o governo. Os demais reclamam e protestam inocência, uma vez que o espernear ainda é permitido.

Em consequência, não apenas a CPI da Petrobras, mas também o andamento de matérias de interesse do ajuste fiscal, entre outras, podem ser afetados pelos humores da liderança da Câmara e do Senado. O agravamento do conflito entre o Executivo e o Congresso pode favorecer uma avaliação da crise de forma dicotômica (Palácio x Congresso): quem ganha e quem perde?


Na atual etapa do petrolão, nenhum dos lados está aliviado. Todos perdem. Do lado do Executivo, não existe a garantia de que o governo será poupado nas fases subsequentes à investigação. Nem de que o Congresso dará uma trégua na demonstração de independência e autonomia em outras questões em debate, desistindo de atrapalhar os planos do Executivo.

Haverá forte pressão por parte de outros parlamentares, da imprensa e da sociedade para que os que integram a lista deixem os cargos que ocupam na estrutura interna do Congresso ou se licenciem.

Para piorar, estão a caminho novas etapas do petrolão. Nesta semana, prosseguem as delações e, com elas, o adensamento de indícios e de provas de corrupção e o provável surgimento de mais nomes de políticos. O que, evidentemente, provoca mais tensão sobre o mundo político.


Alguns comentaristas avaliam que a extensão do problema poderia favorecer a formação de uma “pizza” generalizada. Mesmo que alguns nomes venham a ser poupados por falta de evidências, é difícil crer num “acordão” destinado a salvar a cara de todos.

Governo e políticos são passageiros do mesmo trem da agonia em que estão metidos. E nenhum deles controla o maquinista nem o trajeto. Tanto a mídia quanto os atores judiciais do petrolão tratarão de manter a fornalha bem acesa e quente. Com vazamentos cirúrgicos de informações aqui e ali.

No caso do governo, a situação é ainda mais desconfortável, pois, além do constrangimento com o escândalo, precisa convencer aliados a apoiarem um duro ajuste fiscal. Não é fácil, considerando o time que toca a coordenação política.

O Brasil de 2015 tende a andar de lado até que os efeitos desse ajuste sejam sentidos e os limites do petrolão estejam demarcados. Nenhum deles parece que vai acontecer no curtíssimo prazo.


O ambiente na CPI da Petrobras deve ficar ainda mais tenso. Deputados e senadores podem ser convocados a depor, e as investigações podem atingir diversos partidos, causando uma batalha pelo controle sobre o rumo das investigações.

Para o PSDB, um grande constrangimento. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) não só consta da lista, como o pedido de inquérito contra ele já foi autorizado. Ainda que não haja nenhuma ligação jurídica do processo que ele enfrenta com o senador tucano Aécio Neves, é impossível desconhecer a ligação política entre ambos.

Vamos dar um passeio?

Não é brincadeira

A crise provocada pelas denúncias de corrupção na Petrobras se estendem e agravam a situação de instabilidade política no país. Com suspeição sobre lideranças importantes, como os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, o impasse político ganha mais força e amplia a indignação da população.


À medida que os nomes que constam no relatório do procurador geral do Estado, Rodrigo Janot, vão aparecendo na mídia, é possível perceber que o esquema não estava restrito a um gueto político, como o governo federal tentou fazer parecer. A amplitude das irregularidades é grande, os partidos da base do governo e suas lideranças estão muito envolvidos.

A presidente Dilma Rousseff, que somente fica a repetir que os malfeitos serão investigados e seus responsáveis serão punidos, ainda não se deu conta de que não se trata de uma peraltice, uma travessura. A crise da Petrobras parou o país, está, a cada dia, derrubando a economia, destruindo uma imagem externa de confiança e credibilidade. E, como se tudo isso não bastasse, o patrimônio da empresa se esvai em uma velocidade que praticamente inviabiliza sua recuperação, pelo menos, em médio prazo.

A pergunta que fica diante desse quadro é: “E ninguém vai fazer nada?”. Certamente, os políticos não estão fazendo nada além de cuidar de sua proteção. Quem não tem essa preocupação tem o desejo de ver o adversário em situação embaraçosa. Em resumo, quem tem telhado de vidro procura uma cobertura rápida, e quem não, quer é usar o estilingue o mais rápido possível.

Em meio a essa disputa insana, estão o Ministério Público, a Polícia Federal e o Poder Judiciário. Não são elementos políticos – não do ponto de vista partidário –, mas também têm suas posições ideológicas e interesses particulares. Onde é que fica, então, a isenção para uma apuração justa? Ao contrário do que anda circulando nas redes sociais, são essas instituições as únicas capazes de enfrentar o desafio de realmente passar a Petrobras a limpo. Elas têm a competência legal, a capacidade e os instrumentos necessários.

É preciso confiar e cobrar dessas instituições, que são as ferramentas que a democracia oferece. Qualquer tentativa diferente disso é golpe. Entretanto, a população tem o direito e até a obrigação de fazer um acompanhamento rigoroso. Assim, manifestações de rua são legítimos instrumentos de pressão e cobrança. Comissões parlamentares de inquérito também são legítimas. O governo federal e quem mais for alvo dessas investigações e cobranças precisam suportar a situação dentro, também, da legitimidade. Qualquer atitude diferente é contragolpe.

O teste é para valer. O Brasil tem a chance de fazer tudo pelas vias democráticas ou derrubar o pouco que construiu.

Carla Kreefft