segunda-feira, 27 de julho de 2026

Um bom motivo para se orgulhar: e não é o futebol

Mais uma vez o SUS nos dá motivo para comemorar. Os avanços trazidos pela vacinação no Brasil são muito significativos. O mais impressionante deles é a redução, em 2026, de 52% nos casos de síndrome respiratória aguda grave pelo Vírus Sincicial Respiratório, o VSR, principal causa da bronquiolite — uma queda de mais da metade das internações de bebês pela doença. Isso significa a redução de mortes, sequelas e sofrimento para inúmeras famílias.


Essa grande conquista é atribuída à vacinação das gestantes contra o VSR, indicada a partir da 28ª semana de gravidez. A vacina estimula a produção de anticorpos pela mãe, que são transferidos ao bebê durante a gestação, promovendo sua proteção nos primeiros 5 a 6 meses de vida, quando o risco de casos graves pelo VSR é mais elevado.

A adesão das gestantes foi maciça, algo extraordinário nesses tempos de negacionismo vacinal. Com mais de um milhão de doses aplicadas, a cobertura ficou próxima dos 90%. O resultado: no primeiro semestre de 2026 foram registrados 6.674 casos graves em bebês menores de seis meses (dados do Ministério da Saúde), contra 14.061 no mesmo período de 2025.

É bom lembrar que o SUS também oferece outra arma eficaz contra esse perigoso vírus: o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal muito eficaz para evitar casos graves, para prematuros de até 37 semanas e crianças de até 23 meses com comorbidades.

Outro dado que representa uma excelente notícia é a redução progressiva do número de crianças com zero dose de vacina, isto é, que não receberam nenhuma dose da vacina Pentavalente. O número caiu de 360 mil em 2023 para 250 mil em 2024 e apenas 50 mil em 2025 (dados do Unicef – OMS), numa progressão fantástica.

Estamos recuperando nossas altas coberturas vacinais, que sempre nos orgulharam e protegeram nossa população, depois de uma década de queda. A gestão do Ministério da Saúde no governo Lula, a competência das equipes, o combate à desinformação pelo governo, influenciadores e grande mídia, o esforço de secretarias municipais de saúde, entre as quais o Rio se destaca, são fatores que levaram a esse avanço significativo.

O SUS é talvez a maior conquista civilizatória do Brasil. Nenhum país com mais de 200 milhões de habitantes ousou construir um sistema de saúde universal, integral e gratuito — e nós o fizemos. Ele está na vigilância sanitária que protege nossas fronteiras, regulamenta e fiscaliza nossos remédios e alimentos. Está na prevenção e no saneamento, na vacinação que erradicou doenças graves. Vai das equipes de Saúde da Família, que conhecem cada morador e prestam cuidado integral nas comunidades, ao maior sistema público de transplantes do mundo. Vai da unidade básica ao hospital de alta complexidade, do consultório dentário à ambulância UTI do SAMU, do pré-natal à cirurgia mais sofisticada, da farmácia popular à quimioterapia de última geração. Tudo isso sem que o dinheiro se interponha na relação entre quem cuida e quem é cuidado. Muito diferente de países como os EUA, onde uma internação pode significar a falência familiar. O SUS tem problemas: filas, carências, desafios de gestão e subfinanciamento crônico — mas ainda assim é o que garante que a saúde seja direito de todos, e não mercadoria.

Se a seleção brasileira não nos deu motivo de orgulho, é bom lembrar que temos o SUS: uma política pública que cuida, protege, distribui renda, trata e previne doenças, atuando do nascimento aos cuidados paliativos, do individual ao coletivo, à qual têm direito todos os mais de 200 milhões de brasileiros. Apesar das suas falhas, que não poderiam deixar de existir num sistema tão complexo e ambicioso, ele representa uma conquista gigantesca e um motivo de tremendo orgulho para todos nós.

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