terça-feira, 10 de junho de 2014

Protesto das ruas






"Não importa o quão bem-sucedido seja o evento, e quão mágica será a atmosfera entre 12 de junho e 13 de julho, duas crenças básicas provavelmente não serão abaladas: uma significante parcela da população brasileira seguirá com a opinião de que a Copa do Mundo custou demais, e deu muito pouco retorno."
 Tim Vickery em O 'clima' de Copa está chegando, mas e os protestos?

Países sem excelências e mordomias



A série de reportagens para a televisão feitas por Cláudia Wallin agora se torna livro. "Um país sem excelências e mordomias" foi lançado pela Geração Editorial


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Cobrança

"Depois da Copa, a gente volta a cobrar os políticos"
Daniel Alves, lateral direito da Seleção Brasileira

Governo nega projeto 'marxista'

Um projeto de pesquisa envolvendo três universidades públicas foi negado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação (MEC), por utilizar o marxismo “cuja contribuição à ciência brasileira parece duvidosa” como metodologia, segundo parecer da instituição.
O projeto intitulado “Crise do Capital e Fundo Público: Implicações para o Trabalho, os Direitos e as Políticas Sociais” foi apresentado para um edital da Capes por 19 professores universitários, 9 doutorandos, 15 mestrandos e 27 graduados da Universidade de Brasília (Unb), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
 "As ciências humanas vêm perdendo espaços nas agências de fomento em função da predominância da técnica em detrimento da crítica. O problema é ideológico. Ao negar o marxismo, estão negando pesquisadores como Florestan Fernandes, Octavio Ianni e Marilena Chauí"
  Elaine Behring, uma das coordenadoras

Leia mais Governo nega projeto por ser marxista e revolta pesquisadores da UnB, Uerj e UFRN

sábado, 7 de junho de 2014

O mito caiu







"Quando Lula trouxe a Copa para o Brasil, seria o coroamento de um ciclo dourado do governo Lula, mas o eleitor está percebendo agora que foi o fim de um mito, que o mito ruiu."



Dilma perde pontos


Vamos de valsa



Valsa-choro #1 (1950) de Francisco Mignone (1897/1986)

Austeridade, orgulho dos políticos uruguaios

O presidente Mujica sai de casa para mais um dia de trabalho

Com a substituição de José Mujica no comando da presidência do Uruguai, haverá, sem dúvidas, uma mudança em um estilo único de governar. Mas todos os candidatos eleitos no último domingo deverão manter a austeridade que tanto chamou a atenção do mundo. Sem dúvida alguma, o ex-guerrilheiro tupamaro levou até a última instância o perfil discreto característico da política uruguaia. Mas passando em revista os presidenciáveis, da esquerda à direita, nenhum se projeta fora do campo da igualdade social, tão apreciada pelos uruguaios.
“Ninguém é melhor do que ninguém” é um dito popular que os uruguaios levam gravado em seu DNA e que Mujica colocou novamente na moda.Políticos e eleitores se projetam como parte de uma democracia social.

Nesse contexto, as declarações de bens dos candidatos, publicadas recentemente pelo jornal El Observador, indicam a modéstia com que os políticos enfrentam o acesso à liderança de seus partidos ou a chegada às instâncias máximas do poder. O líder da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, principal favorito para as eleições presidenciais de 26 de outubro, tem uma das melhores situações financeiras no grupo de presidenciáveis. Médico especialista em oncologia, recebe uma pensão como ex-presidente (cargo que ocupou de 2005 a 2010) que não passa dos 1.900 euros mensais (cerca de R$ 5.875), além de continuar exercendo a medicina, com uma renda média de 1.800 euros. Seu patrimônio total não chega a meio milhão de euros.





"Eu não sou pobre, pobres são os que crêem que eu sou pobre. Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas só para poder ser rico. Quero ter tempo para dedicá-lo às coisas que me motivam. Pois se temos tempo para o que realmente nos entusiasma, não somos pobres"
José Mujica, presidente do Uruguai

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Transposição só em 2016


Um representante do Ministério da Integração Nacional admitiu à BBC Brasil que existe a possibilidade que a obra de transposição do rio São Francisco, cuja previsão de conclusão é de até 2015, só termine em 2016.
Frederico Meira, Coordenador Geral de Acompanhamento e Fiscalização de Obras do Ministério da Integração Nacional, fez a afirmação em Salgueiro, cidade no sertão pernambucano, durante a realização de uma série de reportagens sobre a obra.
Meira disse que o prazo de conclusão para dezembro de 2015 é "factível e real", mas admite que pode haver mais atrasos.
"Vamos dizer que a gente tenha um nível de chuva, como que a gente teve neste ano, no próximo ano. Se a gente mantiver, certamente compromete o ritmo da obra", disse.
Questionado se as obras poderiam então se arrastar para 2016, reconheceu o risco.
"Pode acontecer, mas num intervalo pequeno de um, dois ou três meses, não mais do que isso. Mas infelizmente pode acontecer", afirmou.

Oitava maravilha

'O consumo não é um "remédio" universal'

Aos 88 anos, Zygmunt Bauman viu alguns dos maiores horrores da história recente. Como polonês de origem judaica, sofreu com o nazismo. Depois, sob o regime comunista, suportou a repressão da Primavera de 1968 e, de novo, o antissemitismo soviético. E, já instalado na Inglaterra, suas lúcidas reflexões sobre a “modernidade líquida” chocaram o thatcherismo e outras manifestações da realidade contemporânea. O pensador, Prêmio Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades em 2010, todavia não pensa em calar a voz e acaba de publicar um ensaio intitulado com uma pergunta retórica( "A riqueza de uns poucos beneficia a todos?”) em que tenta desvendar as chaves de por que essa ideia se instalou na sociedade moderna.

“Cada vez que há uma crise econômica, sempre há um político que sai a dizer que os consumidores mostrarão o caminho para sair da depressão, que quando as pessoas voltam às lojas, tudo retomará a normalidade. É uma questão difícil, porque cada vez somos mais conscientes de que as assertivas em que se baseia essa afirmação são incorretas” 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

TSE evita novos testes em urnas


O Tribunal Superior Eleitoral não vai realizar novos testes públicos na urna eletrônica nesta véspera de eleições, como vinha sendo uma tradição desde o pleito de 2010. Por uma incrível coincidência, a decisão vem depois que uma equipe da UnB quebrou o sigilo da urna nos últimos testes, há dois anos.
Segundo o tribunal, “o objetivo do TSE é a realização periódica destes testes, porém não há um calendário fixado para tanto”. Além disso, “considerando tratar-se de um ano eleitoral, não haverá teste de segurança neste ano” – curiosamente isso não impediu a realização de testes em 2012.
No lugar dos testes públicos, o TSE decidiu criar um grupo de trabalho sobre a segurança da urna eletrônica. O grupo é constituído essencialmente por integrantes da Justiça Eleitoral, além do professor Mamede Lima Marques, da Universidade de Brasília.
Marques, no entanto, não fez parte do grupo da UnB que teve sucesso em violar o sigilo dos votos nos últimos testes – ele integrava o grupo responsável pela avaliação dos testes e entende que a urna brasileira é suficientemente segura, sendo desnecessária, inclusive, a reintrodução da impressão do voto.

Por que eu não quero a Copa no Brasil


Excelentíssima Presidenta Dilma. Em julho de 2011 eu lhe enviei uma carta onde pedia para cancelar a Copa do Mundo e passasse para a História como uma estadista e heroína do nosso povo. A diferença entre um estadista e um político comum é que o estadista se preocupa com a próxima geração e um político só se preocupa com a próxima eleição.
A senhora deveria ter utilizado todo dinheiro dessa Copa para a saúde, a segurança, a educação, estradas e outras centenas de obras que fazem falta para o nosso povo. Infelizmente, a senhora preferiu esbanjar o dinheiro de nossos impostos em estádios e obras superfaturadas e entregar o nosso país para a FIFA.
Eu gosto de futebol, mas eu não quero essa Copa da FIFA, por esse preço. Ela está custando vidas, pois o povo continua morrendo nos hospitais por falta de médicos, leitos, remédios, mas os estádios estão aí, como uma afronta ao bom senso. Na verdade, o nosso dinheiro foi para o ralo e nós continuamos sem o essencial. Pior, também estamos perdendo a dignidade, no meio de tanta corrupção.
Curiosamente, no auge dessa discussão, vimos o ex-presidente Lula, um dos autores desta infame Copa do Mundo, falar que é “babaquice” de brasileiro querer chegar de metrô até os estádios, uma vez que as linhas não ficaram prontas. Disse ainda que nós nunca tivemos problemas de andar a pé. Que o brasileiro vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa.
Já no próprio Portal da Copa, órgão do Governo Federal, o discurso é diferente e o governo ressalta as obras de Mobilidade Urbana, entre elas os metrôs nas cidades-sedes.Voltando ao tema principal, eu não quero a Copa, assim como milhares de manifestantes nas ruas também não a querem, pelo simples fato de constatarem que faltam coisas muito mais importantes.
Perguntem para quem está morrendo numa fila de espera aguardando uma cirurgia que nunca chega, se ele prefere a Copa. Perguntem para um pai que vê seu filho sem escolas se ele prefere a Copa. Essa Copa seria bem vinda se não faltasse nada para o povo, se estivesse tudo funcionando muito bem, desde um hospital decente até uma linha de metrô que vai até os estádios, e não precisássemos de jumentos como solução de transporte público.
No passado víamos o povo decorar as ruas com as cores da nossa bandeira, nos dias de jogos; agora, vemos passeatas plenamente justificáveis, querendo mais brasilidade e menos circo com nosso dinheiro.
 Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Nova Terra - Recomeço 

Notas sobre a Copa do Mundo


Aumentou consideravelmente o fluxo de prostitutas para a cidade de São Paulo. De garotas de programa que estipulam seu preço em até 800 reais por encontro até as que cobram 50 reais por cliente, muitas estudaram inglês ou espanhol para melhor desempenhar seu papel. O turismo sexual, que contou sempre com o aval oficial nas propagandas do Brasil no exterior, por meio da venda da imagem do país relacionada a mulheres seminuas, deve se constituir no principal legado desta Copa do Mundo. Triste legado.
Mais de um mês antes do inicio dos jogos, inúmeros sites já estavam colocando à venda, com descontos de até 70%, camisas e bonés da seleção brasileira. Em outros tempos, essa seria uma noticia inimaginável. Estampar o orgulho exibindo a bandeira nacional nas janelas ou pintando-a no chão de asfalto ou colando-a no vidro dos carros era quase uma obrigação. Torcer pelo uniforme canarinho, um privilégio. Já existem, no entanto, muitas pessoas que questionam nas ruas, em conversas privadas, ou publicamente, em entrevistas, se vale a pena toda essa dedicação. O que ganhamos com isso, perguntam?

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Produto pirata


Reescrevendo a história

Não sei se vocês lembram, ou que fim levou, aquela história de censurarem, expurgarem ou proibirem um livro infantil de Monteiro Lobato, por aspectos considerados racistas. De vez em quando, fico um pouco impaciente e pergunto por que não proíbem logo Os Sertões, com tanto racismo contido na parte que todo mundo diz que leu, mas não leu, a referente ao homem. Deve ser porque, de fato, não leram, senão a grita ia poder começar até mesmo por Itaparica, onde somos todos, de acordo com a visão dele, mestiços neurastênicos do litoral. A antropologia da época tinha convicções que pode hoje ser qualificadas de racistas, mas era a ciência de então e no mesmo barco estão outros cuja obra haverá de merecer ser reescrita ou banida, como Oliveira Vianna ou Sílvio Romero. Imagino que devemos até nos surpreender por ainda não terem começado uma reavaliação da figura de Machado de Assis, sob a acusação de ele ter sido um mulato alienado metido a branco, ou uma condenação da crítica, por não o haver qualificado de maior escritor negro do Brasil.

"...Continuamos a ser um dos poucos povos do mundo que acreditam na existência de alguma coisa gratuita. E talvez o único em que o governo chancela, com dinheiro do cidadão, o aviltamento de marcos essenciais ao autorrespeito cultural e à identidade da nação, ao tempo em que incentiva o empobrecimento                                    da língua e a manutenção do atraso e do privilégio"
Mas, no caso de Machado, dizem as novidades, não se trata de racismo, trata-se da elaboração, com a chancela e o apoio do estado, de versões populares, ou acessíveis à maioria de obras dele. Segundo o que saiu nos jornais, concluíram que os jovens e pessoas menos cultas não leem Machado porque não entendem as palavras e não percebem o que querem dizer certos arranjos sintáticos. Ou seja, o problema é com Machado, cujos textos obsoletos são preservados supersticiosamente e já não têm serventia para as gerações presentes. Urge, portanto, que nos livremos dessa tralha inútil e elitista, corrigindo o muito que clama por atualização.

O pequeno negócio

"Fabricai, pois, uma estátua qualquer; uma vez que a estátua se fez ídolo, uma vez que o pedestal se fez altar, dai o exemplo, prosternai-vos. Não vos resta mais do que um trabalho a executar, e um progresso a efetuar, é o de persuadir esta honesta massa de homens que esta pedra ou este bronze é o Eterno ou o Infinito. Pequeno negócio. Para persuadir a massa, basta amedrontá-la; um milagre ou dois cumprem o mister"
Victor Hugo, em "Pós-escrito de minha vida"

Estátua de Lula ficará exposta nos EUA por três meses com apoio do governo chinês 
que celebra 12 líderes das Américas, entre eles, Abrahan Lincoln e Gabriel García Márques

Queda na satisfação

Pesquisa do instituto americano Pew Research Center, um dos maiores dos Estados Unidos, mostra que problemas na economia e frustração com políticos derrubam humor da população em níveis comparáveis ao do Egito e de nações que passaram por crises institucionais.

"O nível de frustração expressado pelos brasileiros em relação à direção de seu país, sua economia e seus líderes não tem paralelo em anos recentes", diz o texto de apresentação da pesquisa que tem como responsável a brasileira Juliana Horowitz, que analisou 82 países desde 2010.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Vermelho da mentira


O filósofo esloveno Slavoj Zizek, em um banco de praça em Nova Iorque, certa vez contou uma historinha: Um tipo da Alemanha do Leste foi enviado para trabalhos forçados na Sibéria. Sabia que os censores leriam sua correspondência e assim combinou com os amigos: “Se a carta que enviar estiver escrita em tinta azul, o que disser nela será certo; se estiver em vermelho, será mentira”. Um mês depois chegou a primeira carta. Estava escrita em azul e dizia: “Tudo é maravilhoso aqui. Os bares estão repletos de boa comida. Os cinemas passam bons filmes ocidentais. Os apartamentos são grandes e luxuosos. A única coisa que não se pode comprar é tinta vermelha.”      
                                                              ***
No Brasil de hoje a situação é bem diferente. O país, em particular Maricá, está pintado de vermelho e o que falta é tinta azul.

Disse tudo sem falar


“Não é que eu não queira, eu não posso falar”
Graça Foster, presidente da Petrobras

Transparência zero no Rio de Janeiro


Nenhum dos 91 municípios fluminenses fiscalizados pelo Tribunal de Contas do Estado-RJ cumpre integralmente as normas de transparência. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo assessor da Coordenadoria de Auditoria e Desenvolvimento do tribunal, Sergio Lino de Carvalho, durante o seminário A transparência na gestão dos recursos públicos municipais, realizado no auditório do TCE-RJ. “Mais de 60% das prefeituras estão no nível inicial de implementação dessas leis e apenas 5,6% figuram no nível avançado”, afirmou Sergio Lino, lembrando que a capital do Rio é fiscalizada pelo Tribunal de Contas do Município.
 Segundo ele, em 2013, o TCE-RJ analisou, por meio de auditorias, os portais de transparência dos governos municipais, considerando planejamento estratégico de Tecnologia da Informação (TI); números de profissionais capacitados e requisitos tecnológicos disponíveis. Segundo ele, esses processos serão votados, em breve, no plenário e vai exigir uma série de providências das cidades fiscalizadas.
 Coordenador do Núcleo de Prevenção da CGU-Regional/RJ, Marcelo Paluma Ambrózio, ressaltou que apesar dos dois anos de vigência da Lei de Acesso à Informação, muitos municípios brasileiros não estão obedecendo às normas de acesso à informação. “Precisamos sair do discurso para a prática. Não tem como fazer uma gestão transparente sem portal de transparência, sem a regulamentação da lei e sua plena execução”, disse Ambrózio diante de prefeitos, assessores, servidores municipais e gestores de diversos setores.
Segundo ele, o programa Brasil Transparente, da CGU, desenvolvido em parceria com a Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ, tem apoiado os municípios fluminenses no processo de regulamentação e implementação da Lei de Acesso à Informação (LAI). Conforme explicou Marcelo Ambrózio, basta o município ou o estado assinar um termo de adesão para ter acesso à capacitação presencial e virtual oferecida pelo programa.  “Também fazemos a cessão do código fonte do e-SIC, além de fornecer um rol de material técnico, check list e manual sobre portal e sobre a lei de acesso”, resumiu.
Ainda segundo o coordenador da CGU, em janeiro de 2014, a CGU elaborou um mapa e verificou que 73% dos estados regulamentaram a lei. Do total de capitais, 65% também adotaram essa medida. Já com relação aos municípios com mais de cem mil habitantes, o número verificado foi de apenas 24%. “Não tem como falar em transparência sem disseminar para estados e municípios, tem que ser para todo o país”, concluiu.
Em palestra sobre o tema Atuação do MPRJ para o controle do atendimento da Legislação, a promotora Patrícia do Couto Villela, do Centro de Apoio à Promotoria de Justiça e Tutela Coletiva da Cidadania, destacou a importância do Termo de Ajustamento de Conduta na Administração Pública (TAC) como instrumento efetivo de negociação de título executivo extrajudicial. “O objetivo da TAC é criar obrigação adequada para afastar ou reduzir o risco do dano ou sua reparação, ou promover políticas públicas”, ensinou.
 Além de garantir segurança jurídica para o gestor, a TAC é também fator de economia para os gestores, que muitas vezes se veem às voltas com inúmeros processos judiciais individuais, como em casos de desapropriações, por exemplo. “O Termo traz benefícios para o administrador público na concretização do interesse público”, pontuou Patrícia.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Não deu na mídia



Dilma foi xingada por aproximadamente 40 mil pessoas no final da apresentação da banda Rappa, no sábado, em Ribeirão
Preto
(SP), durante a 13ª edição do Festival João Rock,
considerado o maior festival de música pop e rock do interior. A sessão de
xingamento se deu quando da fala de protesto do vocalista e líder da banda,
Marcelo Falcão.
 

Basta de fingir


O Brasil comemora sua posição de sétimo maior PIB do mundo, mas o PIB per capita rebaixa o país para a 54ª posição no cenário mundial; no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ficamos em 85º lugar. Fingimos ser ricos, apesar da pobreza.
Nos últimos 20 anos, passamos de 1,66 milhão para 7,04 milhões de matrículas nos cursos superiores, mas quase 40% de nossos universitários sabem ler e escrever mediocremente, poucos sabem a matemática necessária para um bom curso nas áreas de ciências ou engenharia, raros são capazes de ler e falar outro idioma além do português. Fingimos ser possível dar um salto à universidade sem passar pela educação de base.
Comemoramos ter passado de 36 milhões, em 1994, para 50 milhões de matriculados na educação básica, em 2014, sem dar atenção ao fato de termos 13 milhões de adultos prisioneiros do analfabetismo; 54,5 milhões de brasileiros com mais de 25 anos não terminaram o Ensino Fundamental e 70 milhões não terminaram o Ensino Médio. Fingimos que os matriculados estão estudando, quando sabemos que passam meses sem aulas por causa de paralisações ou falta de professores.

Do golpe à Comissão da Verdade


A Editora Instituto Vladimir Herzog está lançando o livro “50 Anos Construindo a Democracia – Do Golpe à Comissão da Verdade”, de Mário Sérgio Moraes, professor e doutor da Faculdade de Comunicação da FAAP e Universidade Mogi das Cruzes. A obra é uma análise da democracia durante o último meio século e da influência da ditadura militar ainda nos dias de hoje.
Por meio de entrevistas com presos e líderes políticos, operários, jornalistas da imprensa alternativa e membros da classe artística, a obra registra o cenário político do período, assim como os resquícios da ditadura, sob a ótica dos Direitos Humanos. Para o professor Mário Sérgio, ainda há uso de tortura e grande fragilidade nos direitos civis. “Nosso objetivo é trazer informações de politização para ajudar os jovens a desenvolverem a consciência política focando nos direitos humanos.”
A ideia para o desenvolvimento do livro foi impulsionada pelas manifestações que ocorreram em diversas capitais brasileiras em junho e julho de 2013 e pelo anseio de maior consciência política e maior respeito aos direitos humanos. Outro fator que motivou a produção da obra foi o interesse do Instituto Vladimir Herzog em disponibilizar às escolas brasileiras conteúdos que abordem o período mais repressivo da ditadura no Brasil. 

sábado, 31 de maio de 2014

Uma perda injusta para o Brasil


As razões pessoais às vezes podem ser muito injustas com a sociedade, e quando envolvem ameaças pessoais, preocupante. A saída de Joaquim Barbosa da presidência do Supremo Tribunal Federal é um exemplo. Quem acompanhou o trabalho dele, no caso do mensalão, sabia que a cada julgamento os bandidos iriam encontrar pela frente um rochedo, que não se punha em dúvida sobre ser colarinho branco bandido como outro qualquer. Nunca vacilou em recusar dádiva judicial para os corruptos. Foi inflexível ao máximo para não tornar o tribunal um reles palco para momices petistas. Afinal, juiz não nunca pode bancar palhaço de picadeiro.
Fez jus com sobras ao adjetivo de durão com a Justiça ao lado, como devia, ao tratar com criminosos que sempre se fizeram acima da lei e imunes ao rasgar constituições. Brigou muito para defender seu ponto de vista de cidadão que não compactua com a criminalidade imperante dos petistas.
Sua saída do STJ deixa o país mais órfão de caráter em postos chaves da sociedade. É menos um nesta tão pequena companhia que ainda insiste em defender ética e moral no país contra batalhões de “soldados” a defender o aparelhamento do Estado e mesmo da Justiça para melhor trabalho dos “companheiros”.

"O grande problema nosso, como organização social, é não saber escolher prioridades. Investe-se muito em benefício de poucos. Joga-se o foco numa coisa e deixa-se outras ao deus-dará. E isso se repete agora na Copa do Mundo"Joaquim Barbosa



O único temor, e bem grande, é o esvaziamento do tribunal de uma justiça plena com sua saída. Teme-se, e com razão, que o STJ fique entregue a juízes flexíveis que se enganem nas decisões mais importantes contra os colarinhos brancos, os políticos safados, os correligionários bandidos, os comissionados corruptos. Juízes que deixem fora da prisão a marginalidade instituída, decretem, nos casos petistas e de aliados, sigilo de justiça para suas investigações e outras atitudes vexatórias de um tribunal que deve ser o maior defensor da ética no país. É por temer que os tribunais também se aparelhem que se lamenta a saída de Joaquim Barbosa.
Torcemos todos para que outro paladino, ou quem sabe muitos, contra a politicalha se apresente neste país tão carente de gente que cumpra a justiça, a lei e a ética. E o governo não mais deixe expostos os juízes às ameaças, que blinde a esses como blinda aos companheiros, no mínimo.   

Prefeituras descumprem Lei de Acesso à Informação

Grande parte das prefeituras fluminenses está descumprindo as regras da Lei de Acesso à Informação quanto à divulgação de dados sobre a gestão municipal. A conclusão é de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro que avaliou o grau de transparência das prefeituras estaduais. O assunto será um dos temas do programa TCE-RJ Notícia que vai ao ar na TV Alerj (canal 22 da Net) neste fim de semana (hoje, às 12 horas, e amanhã, às 21 horas). O programa ainda vai divulgar as principais atrações do seminário "A transparência na gestão dos recursos públicos municipais" a ser realizado na segunda-feira no auditório do TCE, no Centro do Rio. Os entrevistados são a diretora-geral da Escola de Contas e Gestão do TCE-RJ, Paula Nazareth, e o assessor da Coordenadoria de Auditoria e Desenvolvimento (CAD/TCE-RJ), Sergio Lino de Carvalho. 

Somos todos coniventes

Dia desses, um taxista do ponto da minha rua comentou, entediado, Este ano tem eleição... Aí os políticos vêm com aquela conversa mole, querendo nosso voto... Eles só lembram da gente de quatro em quatro anos... E eu respondi, Mas você também só se lembra deles de quatro em quatro anos... O Poder Público reside tão distante da realidade da maioria dos brasileiros que perdemos completamente a noção não só de para que servem os mandatos que delegamos a vereadores, prefeitos, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente da República, como também esquecemos que somos nós os responsáveis pela qualidade dos políticos que elegemos. A composição dos poderes legislativo e executivo de alguma maneira é um espelho fiel no qual nos recusamos a nos ver refletidos.
A corrupção da qual acusamos os políticos é um câncer que corrói toda a sociedade brasileira, sem distinção, por mais que teimemos em, individualmente, rechaçar essa acusação. É sempre mais fácil lidarmos com algo que encontra-se no horizonte, como possibilidade, que admitirmos nossa participação efetiva em algo que condenamos. Por isso, aceitamos que existe uma grossa corrupção “lá” em Brasília, mas nos ofendemos quando alguém ilumina-a em nosso cotidiano.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Lição da espera

Retificação

Saber esperar, sabendo
ao mesmo tempo,
forçar as horas daquela urgência

que não permite esperar...

d. Pedro Casaldáliga (1928) é bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia

Padrão de excelência


Alguma diferença hoje?

"Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"
Eça de Queiroz (1845-1900), em O Distrito de Évora em 1867

Greves devem continuar durante e após Copa




Nos últimos meses, milhares de trabalhadores aderiram a greves no Brasil, alterando a rotina de diversas cidades. As paralisações mobilizaram diversas categorias, como professores, garis, motoristas e policiais. A aproximação da Copa do Mundo tem sido usada como elemento de pressão pelos grevistas, avaliam especialistas. No entanto, eles são unânimes em afirmar que o Mundial pouco vai impactar as paralisações, que vieram para ficar.
Segundo Ruy Braga, professor da USP e especialista em sociologia do trabalho, as greves têm aumentado desde 2008. Somente em 2012, foram 873 paralisações, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
"A Copa do Mundo pode estar presente no horizonte tático e estratégico desses trabalhadores e sindicatos. Entretanto, isso não é decisivo, porque os dados mostram que a cada ano a atividade grevista aumenta 35% em relação ao ano anterior", afirma Braga. Ele acredita que o número de greves em 2013 e 2014 será muito superior ao de 2012.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Nossos tempos

Ilustração Francisco Goya (1746/1828) 
"Vivemos num tempo de chantagem universal,
Que toma duas formas complementares de escárnio:
Há a chantagem da violência e a chantagem do entretenimento.
Uma e outra servem sempre para a mesma coisa:
Manter o homem simples longe do centro dos acontecimentos"
José Ortega y Gasset (1883/1955), filósofo espanhol.


Sonata ao luar

Gandhi


Brasil está mais maduro e menos entusiasmado com Copa


O jornal britânico Financial Times publicou uma análise nesta segunda-feira atribuindo o suposto pouco entusiasmo dos brasileiros com a Copa do Mundo a um amadurecimento da população, que está mais velha e escolarizada do que no passado.
O artigo - assinado pelo diretor do escritório do jornal em São Paulo, Joe Leahy - diz que as decorações de ruas para a Copa "não estão muito em evidência neste ano" e que o "país do futebol talvez agora esteja um pouco mais maduro, com mais coisas na cabeça do que apenas o jogo bonito".
O jornalista sustenta sua tese citando dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): a população jovem, de 15 a 24 anos, passou de 21% da população em 1980 para 17% agora, enquanto a faixa etária de 25 a 59 anos subiu de 35% para 48% no mesmo período.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Esbórnia da cretinice em Maricá

Ônibus de uma MaricaTrans, nem instituída, mas 
com veículos participando de desfile cívico

O município promoveu uma gastança populista para lembrar os 200 anos de emancipação. De cara, como os petistas instituíram na cidade, nunca em dois séculos se aplicou tanto dinheiro público em festas como nos seis anos de esculhambação petista. Pode-se incluir nos cálculos inclusive as antigas quermesses e festas de igreja, que ainda o atual governo dá banho em número de bundalelê ou show gospel, que isso tem de agradar a gregos e troianos, o sagrado e o profano. Faz com um pé nas costas esse jogo de dar aqui e acolá, pois vale tudo em troca do voto e do continuísmo.
Fez chover todo tipo de agradinho para os incautos festejarem na praça principal sabe-se lá o quê. Inclusive restituiu o desfile cívico dos estudantes, que considerava desde 2009 uma palhaçada. Encheu todos os espaços possíveis com barracas para vender uma administração incapaz de qualquer gesto verdadeiramente cidadão como numa feira de promessas. Afinal, o que oferece mesmo são migalhas como os antecessores, que agora são enfeitadas pelo marketing – outra esbórnia com o erário. Foi assim que investiu uma dinheirama de milhões em escola de samba de município vizinho para desfilar no Sambódromo, e agora, como tornaram tradição, foi-se mais outro dinheirão para pagar suplemento em jornal do Rio com as “belezas” maquiadas dos petistas.
Governo de incapacidade atroz de administrar que não sejam os rendimentos para bolsos próprios e de comissionados tem ao mesmo tempo uma imensa dose de irrealidade. Se em outras gestões não havia dinheiro e ainda faltava ânimo de realização, agora se esbanja em royalties para se implantar o município da fantasia tresloucada de um inconseqüente, que vive de promessas de olho sempre na próxima eleição, como acontece agora.
Que importa se o hospital, o único do município, está entregue aos ratos e baratas, a educação vai de cambulhada para o ralo, as ruas recebem maquiagem eleitoreira, o crime impera na cidade, nenhuma obra de efetiva necessidade foi feita? A festa cívica de emancipação, que deveria ser mais uma exibição de obras realizadas, no mínimo, virou um desfile auto elogioso da canalha petista. A preço de ouro como é costume dos ex-pobres, barraqueiros. A festa, que teria custado a bagatela de R$ 4 milhões, incluídos aí a propaganda em grande jornal, DVDs sobre as grandes realizações distribuídos gratuitamente, CDs de música de escola de samba cantando as glórias da cidade e mais um montão de babilaques. 
A cretinice foi esbanjada com o desfile de ônibus que estão há meses estacionados no aeroporto para serem colocados nas ruas, quando agosto chegar. Tudo para demonstrar uma realização que só fez mesmo gastar dinheiro público para engrandecimento político de uns e outros.  O desfile foi o exemplo máximo de que qualquer crime pode ser cometido pela administração petista, imune às leis e impune aos crimes.

Bilhete de prefeito em Maricá

Através da página na internet, prefeito de Maricá mostrou mais uma vez o alto nível de suas mensagens petistas com uma convocação para comparecimento em festa cívica vestindo vermelho e para se assinar documento cretino pedindo fim do monopólio de empresa de ônibus, descaso pelo abastecimento de água e violência. Ou seja, temas que deveriam ser administrados por quem foi eleito.


O abaixo-assinado calhorda é o mesmo que vem colocando nas ruas desde 2011. Em vez de agir junto aos governos e instituições, prefere bancar o revolucionário e usa o povo para fazer número em reivindicações que deveria liderar. 

Taxar mais os ricos não é essencial para reduzir desigualdade hoje


O combate à desigualdade social e à pobreza nos últimos vinte anos foi marcado pela melhoria dos gastos públicos, mas, no mesmo período, se avançou muito pouco na construção de um sistema tributário mais justo, afirma Ricardo Paes de Barros, um dos idealizadores do programa Bolsa Família e atual secretário de Ações Estratégicas do governo federal.
Ou seja, o país continua taxando proporcionalmente mais a população de menor renda do que a parcela mais rica.
Apesar de reconhecer que seria importante mudar essa realidade, Paes de Barros diz que é possível continuar diminuindo a concentração de renda mesmo sem um sistema tributário mais distributivo.
Em entrevista à BBC Brasil, ele afirma que "ninguém estaria contra fazer mais" pela redução da desigualdade, mas ressalta que é difícil politicamente realizar uma reforma tributária de grande porte no país.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Faz sentido

"Se começássemos a dizer claramente que a democracia é uma piada, um engano, uma fachada, uma falácia e uma mentira, talvez pudéssemos nos entender melhor."  José Saramago 

A corrupção causa desigualdade?


De quem é a culpa de que a desigualdade econômica tenha aumentado tanto nos últimos tempos? Dos banqueiros, é a resposta óbvia para muitos. Segundo esta visão, o setor financeiro é o principal responsável pela crise econômica mundial que começou em 2008 e cujas consequências ainda são sofridas por milhões de desempregados e pela classe média que empobreceu, especialmente na Europa e nos EUA. Os que pensam assim também enfatizam que os banqueiros e especuladores financeiros que causaram a crise não pagaram preço nenhum e, pelo contrário, muitos deles agora estão mais ricos. Para outros, o aumento da desigualdade tem a ver com os míseros salários dos trabalhadores em países como China e Índia, cujas rendas empurram para baixo o rendimento dos trabalhadores no resto do mundo e geram desemprego, já que as empresas “exportam” postos de trabalho do Ocidente ao Oriente. Não; a tecnologia é a principal fonte de desigualdade, dizem outros. São os robôs, os computadores, a Internet e, em geral, todas as máquinas que substituem os trabalhadores que causam desemprego e desigualdade.
É mais complicado e profundo que tudo isso, argumenta Thomas Piketty, o economista cujo substancial livro O Capital no Século 21 (em tradução livre para o português) transformou-se num surpreendente êxito mundial.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

"Se os tubarões fossem homens"



Bertold Brecht na voz de Antonio Abujamra, no programa "Provocações".




Só dá pobre na cadeia

Cadeia é só para pobre, negro e viciado. Enfim, para quem não tem costas quentes nem uma graninha para soltar de gorjeta. É um costume brasileiro que até se estava desacostumando. Gente achava que isso era coisa do passado. O mensalão fez pensar que o país enfim estava para acabar com a desigualdade judicial. O pobre e negro passaria a dividir a cela com o colarinho branco, o ficha-suja, o mensaleiro. Falácia pura injetada na veia.
O país não mudou nada. Foi só jogo de cena. Os bandidos que mereciam estar no xilindró estão soltos na maior desfaçatez. Juiz de Supremo banca a soltura do colarinho branco da Petrobras e mantém os doleiros na prisão. Se enganou, sua excelência? Mas que engano monstruoso deixando o presumido chefão da máfia na Petrobras fora das grades! Ainda por cima, por garantia, decretou investigação sob sigilo judicial. Assim, nas sombras, sem transparência, pode ocorrer um inquérito até o fim dos tempos sem que um reles mortal saiba o que aconteceu. É o jogar para debaixo do tapete a sujeira que pode atrapalhar uma reeleição petista. Não será mera coincidência.
Outro juiz, também que já foi do partido da situação, agora solta um deputado com um prontuário de mais de 100 processos como ficha-suja. Mais um caso varrido para o espaço do silêncio. Será devido ao envolvimento maior de gente aliada?

O Brasil assiste, com a devida revolta, o poder passando a mão na cabeça dos companheiros sem a mínima vergonha. É momento de livrar a cara dos aliados comparsas, apanhados com a mão na massa, para que não se aumente ainda mais a bola de neve que possa derrubar, como em boliche, a nobre candidata. Mais uma vergonhosa posição de quem não dá a mínima para a igualdade social, que só existe mesmo da boca pra fora.

Os perigos estão à vista com este novo jeito de governar, aspirando a própria porcariada para não sujar companheiros e companheiras. Aparentar um governo de mãos limpas, com as mesmas manchadas de sangue do crime amigo, pode ser um risco à formação de um país de instabilidade. Exemplos não faltam na América Latina. A corrupção crescente com a conivência dos poderes é uma bomba relógio que um dia vai explodir e implodir todo um partido que se dizia honesto, levando de cambulhada o próprio país. 

Casario

Joaquim Albuquerque Tenreiro foi marceneiro,
projetista de mobiliário, pintor e escultor (1906/1992)

Análise de guru

“Eu colocaria a presidente Dilma no mesmo pé em que coloco o presidente da Bolívia [Evo Morales] e o governo do Equador. Eles, de alguma maneira, fazem muito do que sempre fez a direita: têm o mesmo modelo de acumulação, o mesmo modelo capitalista, o mesmo neoliberalismo, aproveitaram a mesma onda de extrativismo, com a reprimarização da economia”.
Referência de militantes de esquerda em todo o mundo, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos diz que há retrocessos em segmentos dos direitos humanos no Brasil e critica a presidente Dilma por demonstrar "insensibilidade social".

sábado, 24 de maio de 2014

Como se faz uma onda



O filme alemão “A Onda” (“Die Welle”), de 2008 dirigido por Dennis Gansel, mostra didaticamente como se fazer um regime totalitário seja ele sob uma onda, uma suástica ou uma estrela. É inspirado no livro homônimo de
1981 do autor americano Todd Strasser e no experimento social da Terceira Onda. Obteve sucesso nas bilheterias alemãs e depois de dez semanas, 2,3 milhões de pessoas haviam assistido ao filme.

Brasil do entrudo na cara


Cada manhã, o brasileiro já não tem mais a tranquilidade de outros tempos, quando abria o jornal e lá encontrava políticos em debate das grandes questões nacionais.  Hoje o tapa na cara vem num direto da internet que explode em jorros os crimes e a roubalheira política. É uma verdadeira chuva de limões de cheiro, bisnagas de água suja, baldes de dejetos politiqueiros jorrando dos computadores.
Onde o debate das questões? Onde se apresentam as possíveis soluções? Onde aparecem os governantes administrando? O que se vê são todos, de todos os partidos, numa brigalhada para quem vai ficar com o osso do poder, danando-se o povo.
Em vez de administrar um país, a presidente sai em caravana para inaugurações fajutas, armando palanque em qualquer brejo de famintos para destilar sua campanha. Os outros não ficam atrás discutindo o sexo dos anjos, promovendo briguinhas para angariar simpatizantes. Os políticos, então, saem aos tapas e socos para uma boquinha a mais, um naco de poder, quando não estão se dizendo inocentes de crimes descarados que cometem.       
O momento, então, é de se livrar de qualquer sujeira praticada no passado recente ou por companheiros nada honestos. Vale tudo, mesmo apelar para uma Justiça lá não muito justa, mantendo prisão para doleiro e deixando companheiro livre, leve e solto para não explodir como mina de efeito retardado.

Também vale fazer sumir na poeira do noticiário qualquer informação que possa vincular poder à roubalheira, ou sugerir ligações perigosas de aliados com bandidos, ou de participação de encontros suspeitos de partidários com a bandidagem da pesada. Enfim, essas sujeiras que todo o dia o noticiário espirra na cara, como deboche, do internauta, que no fim paga as contas para todo o dia ficar enlameado pela sujeira de quem, por dever, obrigação e voto, deveria ser o mais interessado em não sujar a barra. Mas todo o dia emporcalham o poleiro e, não satisfeitos, ainda querem mais.  

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Dá o que pensar


O Brasil, em propagandas governamentais, faz parecer que é o paraíso na Terra. Ledo engano. Os governos têm pouco dado atenção a problemas sociais urgentes segundo se vê dos dados. Se a infecção hospitalar mata 100 mil pessoas, em média, no Brasil por ano, o programa Mais Médicos, menina dos olhos petistas na saúde, não passa de mais um engodo, porque não adianta se encher de médicos se não há condições de tratamento aos doentes mais necessitados. A saúde continua a ser uma caixa-preta, intocável, só exibida durante as campanhas para angariar votos.
Outro setor que não merece nenhum olhar é o trânsito, cada vez mais caótico e assassino. Nos conflitos do Vietnã, durante 20 anos, morreram 58.193 soldados norte-americanos. No Brasil, o trânsito matará este ano 50.241 pessoas levando-se em conta o crescimento da taxa em 4% ao ano. As estatísticas mostram que o trânsito brasileiro é 90% mais perigoso do que nos Estados Unidos. Não há efetiva campanha nem sequer medidas judiciais severas que façam reduzir essas taxas.
E a violência que descambada cada vez mais para níveis alarmantes não fica atrás em dados. Um em cada dez homicídios mundiais registrados em 2012 aconteceu no Brasil, segundo relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime. De acordo com o Estudo Global sobre o Homicídio 2013, que traz dados relativos ao ano de 2012, o Brasil teve 50.108 homicídios, o que representa a pouco mais de 11% de todos os 437 mil assassinatos cometidos no mundo.
Na Copa das Copas, o Brasil leva com vantagem o caneco de campeão dos piores em três estilos: saúde, trânsito e violência. De quebra ainda ganha mais outras medalhas nos demais setores sociais como o pior do mundo.  

Premiada a 'filósofa'

A sempre “filósofa” Mafalda deu um prêmio ao seu criador Joaquín Salvador Lavado, de 81 anos, o cartunista Quino, que foi receber o Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades, o mais importante da Espanha.

Sem ideias, novas manifestações continuam

O projeto neoliberal é privatizar e "commoditizar" tudo. No seu fracasso em realizar promessas de eficiência estão as raízes dos protestos que eclodem pelo mundo e no Brasil. Partidos políticos convencionais, reféns do capital internacional, não conseguem canalizar a raiva que emerge das ruas. Não há ideias novas, e as manifestações vão continuar. Esta é a síntese da análise do geógrafo marxista britânico David Harvey, de 78 anos, em matéria publicada no final do ano passado. Professor da Universidade da Cidade de Nova York, ele ataca os "oligarcas globais" e afirma que os bilionários foram os que mais ganharam com a crise.
Crítico da realização de megaeventos como Copa e Olimpíada, ele avalia que os governos são muito influenciados pelo capital financeiro. E aponta: "Esses eventos são sobre a acumulação de capital através de desenvolvimento de infraestrutura. Os pobres tendem a sofrer, e os ricos tendem a ficar mais ricos".

quinta-feira, 22 de maio de 2014

E a viúva consente!

A esquerda não sonha mais?

Há pouco acompanhei, aturdido, a polêmica em torno de uma proposta, que, por ser tão absurda, custei a levar a sério: de “traduzir” clássicos da literatura brasileira para torná-los mais acessíveis aos leitores. “Quero livros nas casas dos mais simples”, argumentou a autora do projeto, que, com dinheiro captado por meio de renúncia fiscal, em junho distribuirá gratuitamente 600 mil exemplares, em linguagem facilitada, de “O alienista”, de Machado de Assis, e de “A pata da gazela”, de José de Alencar. Aguardei a poeira baixar um pouco para fugir da armadilha de criticar a ideia de Patrícia Secco sob o argumento corrente de que não se pode mexer no texto dos autores porque isso é por demais óbvio.
O que me preocupa, na verdade, é a visão distópica que alicerça a convicção de Patrícia Secco e de seus apoiadores, e que alimenta o discurso da esquerda brasileira (aqui incluo petistas e tucanos e todos os assemelhados). Ela afirma que, por causa do vocabulário, considerado difícil, os jovens não gostam de Machado de Assis, o que é fato. Então, ao invés de sugerir mudanças no sistema educacional, visando à melhoria do nível dos alunos, Patrícia e seus apoiadores propõem “descomplicar” o texto do autor. Ou seja, o problema não está no nosso péssimo sistema de ensino, que historicamente vem sendo o instrumento mais eficaz de manutenção das desigualdades sociais, mas no escritor que utiliza palavras por demais sofisticadas.

De porta em porta contra abandono escolar


O governo socialista da província de Santa Fé, na Argentina, criou um programa em que profissionais que batem à porta dos adolescentes que abandonaram os estudos.
O objetivo do "Vuelva a estudiar" é detectar por que eles desistiram da sala de aula e convencê-los de que vale a pena voltar à sala de aula, como contou à BBC Brasil a secretária de Educação, Claudia Balagué.
"É uma tarefa artesanal, árdua e de equipe, com os profissionais treinados batendo, de surpresa, na casa de cada aluno que deixou os estudos. Desenvolvemos uma estratégia personalizada para cada um que deixou a escola", contou Balagué.
A província de Santa Fé tem 850 mil alunos. O abandono ocorre principalmente entre os alunos mais velhos, assim como no restante da Argentina, onde quase 16% dos alunos do nível secundário, que têm entre 12 e 18 anos, deixam os estudos.
Em Santa fé, o índice de abandono chega a 18% no nível secundário, bem acima do 1% registrado entre alunos do primário, que têm até 12 anos.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Não se silencia

"Na primeira noite colhem uma flor de nosso jardim, e não dizemos nada. Na segunda, matam nosso cão, e não dizemos nada. Até que, conhecendo nosso medo, arrancam-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada" 
Vladimir Mayakovsky (1893/1930), conhecido como "o poeta da Revolução", foi poeta, dramaturgo e teórico russo