sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Hasta la vista


A turbulência provocada pelo tsunami Marina Silva está deixando baratinados muitos analistas. Sem falar no PT com um exército de “soldados’ nas redes sociais, a máquina pública a todo vapor, ministros se convertendo em cabo eleitoral de pracinha do interior e uma milionária indústria de marketing produzindo em linha de montagem as mais mirabolantes “armas” contra a candidata do PSB. É um gasto astronômico para ao menos manter a candidata governamental cabeça a cabeça com a ex-senadora, e ainda lucrando uma derrota no segundo turno.

A gerentona Dilma, que vende hoje a alma ao diabo pela reeleição, apela para qualquer santo a fim de garantir sua permanência no troninho. Retomou agora a bandeira do medo no futuro, do “salvador da pátria” que frustrou o país, pecha com que quer cimentar a imagem da adversária. Esquece que o “seu” PT se tornou amiguinho do ex-presidente afastado do poder e sua própria carreira política a aproxima mais da de Collor. O esquemão está segurando a queda, mas não assegura ainda a vitória.

O medo não está surgindo o efeito esperado e pode transformar uma presidente em uma candidata caricata, como vem se demonstrando nos debates. Em meio às caretices, fala o que quer e não responde diretamente às perguntas; despeja o que fez em borbotões, mas não explica o que deixou de fazer. Tudo fica para depois, para quando continuar, e aí fará mudanças. E isso o eleitor está acenando que não deseja.   

O eleitor ainda indica que quer apostar e ver pra crer. Não confia mais em “marquetadas” de encomenda,  sinal de que a “nova política” pode vir mesmo de um “novo eleitor” menos crédulo das palavras politiqueiras, com ojeriza de mentirosos e safados.

O noticiário dá conta que o próprio PT, diante de uma derrocada eminente, vem demonstrando que conta o tempo para a pá de cal das eleições. Se tudo correr como manda o figurino, também sabem que não haverá mais jeito e restará ao governo atual e aliados ouvirem a frase imortalizada no filme “O exterminador do futuro” pelo ator Arnold Schwarzenegger: “Hasta la vista, baby”. Eis o que esperam muitos para assistir ao final feliz de um pesadelo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Responda rápido


Entendeu?


Na boca de o eleitor ir às urnas, surge uma campanha do Tribunal Superior Eleitoral que faz bem pensar. Como quem muito explica deve ter algo a esconder, é sintomático que o nobre tribunal lance uma campanha sobre a excelência das eleições brasileiras, sua segurança, seu modelo exemplar, sua invulnerabilidade.

Como o Brasil é um dos raros países, e entre os grandes democráticos o único, a utilizar a urna eletrônica, o TSE acaba por colocar uma pulga atrás da orelha. Sem querer, é claro. 

Aparelhando a juventude


A cretinice não tem mesmo limites quando se trata de Quaquá, prefeito de Maricá, presidente regional do PT, coordenador de campanha de Lindbergh Lindinho a governador e articulador da campanha da própria companheira à Assembléia Legislativa e do seu presidente da Câmara a deputado federal. Se não bastasse o currículo político, o prefeitinho ainda acumula um prontuário judicial de fazer inveja aos grandes bandidos brasileiros.

Com tanto “sucesso” na carreira, ainda desperdiça dinheiro público em propagandas como essa em que alia gesto do mensaleiro-chefe aos estudantes sob a administração petista.


Depois Lula, que apadrinhou esses canalhas, fica sem saber por que estão rejeitando o PT. Não é por nada, Lula, é porque o país já está cansado de tanta bandidagem petista e aliada.       

Eleição

No fundo, todo radical quer o retorno da imobilidade aristocrática, escondida nas nomenclaturas

Sou fascinado pelo “período eleitoral”. Mudar é complicado em qualquer lugar, mas é um drama nas sociedades que combinaram escravidão africana com uma aristocracia branca eurocentrada e católica no campo da política e dos hábitos sociais. No Brasil, a hierarquia das boas maneiras impediu o civismo e derivou num esquerdismo salvacionista, curiosamente cristão.

Esse cenário talvez explique a ideia de que a política é o lugar do vale-tudo — exceto perder ou “cair”. Como se o poder fosse uma montanha onde sobem os eleitos, quando o que precisamos é de um estado a serviço da sociedade. É poder demandar mais responsabilidade e transparência do que arrogância e a familiar má-fé, cuja santidade não conhece erros.

Como instituir uma sociedade igualitária tendo como ponto de partida o legado desumano de uma escravidão abençoada? Dessa matriz vem a confusão entre o ator-candidato e o cargo público. A confusão entre pessoa e papel é o mecanismo fundamental tanto da dominação patrimonialista-familística (a lei é relativa aos amigos) quando da carismática (X ou Y é santo e talhado para o cargo), dificultando a dominação burocrática (a regra da lei para todos) porque, sem regras fixas, as instituições não funcionam e estados-nacionais não conseguem prover educação, saúde e segurança aos seus cidadãos.

Não é apenas uma questão de programa, mas de como administrar. De como passar de “governo” (que pode esbanjar e roubar) a gerenciamento público (que tem o dever de ser eficiente). Mas sem honrar as demandas éticas dos cargos públicos que não pertencem nem ao ator nem ao seu partido, jamais iremos controlar os aparelhamentos e as impunidades com as quais estamos entalados.

O jogo entre pessoas e papéis é a base da eleição como o ritual político mais importante nas democracias liberais e competitivas — esses sistemas abertos até mesmo a candidatos cuja proposta é liquidá-los. No fundo, todo radical quer o retorno da imobilidade aristocrática, escondida nas nomenclaturas. Esse é o paradoxo político do radicalismo moderno. Ele inventou a liberdade individual que empreende, mas rejeita a sua criatividade sem controle. E odeia discipliná-la por meio de consenso.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Arrogância de cara de pau



"Acho que o caminho da nova política passa pela nossa candidatura"
Lindbergh Farias, senador candidato ao governo do Rio

Você viu o Lula pelaí?


Em plena efervescência eleitoral, há uma figurinha que sumiu da mídia. Dizem até que estaria “doente”. Com certas dores que sempre o atormentaram quando a situação do partido está feia ou negra, como agora. Chá de sumiço é a receita caseira que mais usa, quando não as frases de efeitos para não dizer nada, parecendo que diz tudo.

Lula está fora de cena, com raras aparições para “vender” a imagem da sua eleita, e cada vez mais se torna um fantasma assombrado. Como aqueles ditadores que com o tempo são atacados por alucinações. Vagueia pelos corredores, em verdade, maquinando uma saída para si próprio quando o cataclismo estourar. Não terá nenhum escrúpulo em detonar mesmo os companheiros, sejam quais forem.

O importante é não ser atingida sua imagem de grande presidente como assim sonharam outros, tiranos e imbecis. Treme de ouvir uma revisão histórica dos seus mandatos para não passar no futuro a ser a sombra de FHC, em seu primeiro mandato. Porque a partir daí mostrou de vez que a única coisa que o diferenciava de ditadores de republiquetas era o fato de ter nascido no Brasil.

Um futuro de trevas para o partido pode colocar o ex-presidente, que se acha ainda o maior da República, mais assombrado por alucinações. Principalmente a de ser apenas pó como muitos outros, misturados numa vala comum de nomes comuns, quase como um ex-operário.

O pelego de ontem não se conforma com a História. E silencia para não ser envolvido e engolido pelo esquecimento de ter sido apenas mais um. Está convencido de que só ele poderia fazer um país, esquecido de que outros, menos cafajestes, cretinos e megalomaníacos, fariam muito mais do que fez e a custo bem menor.


Doente deve estar mesmo desde que mordido pela mosca azul, ainda no Planalto. Agora se agravou, porque não tem mais aquele poder de tudo mudar custando o que custasse, criando até a governança para reeleição, lançada em 2012, quando o governo se tornou máquina eleitoral com vistas a administrar a vitória em outubro. E o sonho agora fica cada vez mais distante e o pavor das assombrações aumenta.

Dilma foge de entrevista

A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, apesar de passar o dia em São Paulo, sem qualquer explicação, não participou da série de entrevistas do Jornal da Globo com os principais candidatos à  Presidência. É a primeira vez que um candidato à Presidência não comparece à entrevista desde o início da série, em 2002.

Sem Dilma, os jornalistas William Waack e Christiane Pelajo leram no ar as perguntas que ficaram sem resposta da candidata.

1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?

2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

4. A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?


6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

O bicho vai pegar em quem?


Marina pode ser o olho de um furacão que, claro, jamais conseguirá renovar a velha política sólida; mas ela pode criar um 'caos' na vida politica

O Brasil se move por acaso. Os rumos da História, se é que tem rumos, tendem a se enrolar em si mesmos e só fatos, traumas inesperados disparam a mutação. Que quer dizer essa frase? Que não são apenas as “relações de produção” que explicam nossa marcha, mas os detalhes, as ínfimas causas, as bobagens casuais e tragédias intempestivas fazem o Brasil andar.

Getúlio deu um tiro no peito e adiou a ditadura por dez anos. Jânio tomou um porre e pediu o boné, um micróbio entrou na barriga do Tancredo e mudou nossa vida, encarando o Sarney por cinco anos, o Collor foi eleito por sua pinta de galã renovador e acabou “impichado” por suas maracutaias. Roberto Jefferson mostrou sua carteirinha de corrupto, se denunciou junto com os mensaleiros e mudou a paisagem política. E agora Marina Silva pode ser presidente, em vez da Presidenta.

Com a população mal-informada em sua maioria (não falo dos miseráveis e analfabetos, mas de gente de terno e gravata) sobre as complexas questões da política e da economia, a emoção e a catarse movem o país.

Agora, estamos na expectativa; somos o país do eterno suspense: Marina vai ser eleita ou não? Será que o efeito “tragédia” vai se evaporar? A grande mudança seria, claro, a social-democracia apta a desfazer as boquinhas e os pavorosos erros com que o PT nos brindou. Aécio, se eleito, pode trazer a agenda correta. Mas, se Marina ganhar, teremos um outro tipo de mudança, uma virada para um “novo” desconhecido, uma virada psicológica e cultural inesperada. Não adianta analisar Marina com os instrumentos de análise costumeiros.

Agora em vez dos óbvios vexames do PT, estamos diante do mistério Marina.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Surpresa!


Alternativas

A única alternativa para a velhice é a morte. Já as alternativas para a democracia são várias, uma pior do que a outra. É bom lembrá-las sempre
Luis Fernando Verissimo

Não houve Copa


Segundo o ministro da Economia, Guido Mantega, foi por culpa dessa Copa do Mundo que o país deixou de crescer

O ministro da Economia, Guido Mantega, revelou aos brasileiros um segredo: não houve Copa. Não é brincadeira. Nem se trata do fato de que o Brasil perder de 7 a 1 da Alemanha foi pior do que não ter havido Copa. É algo mais sério.

Segundo Mantega foi por culpa dessa Copa do Mundo que o país entrou em recessão técnica, ou seja, deixou de crescer. Se isso é verdade, quer dizer que não houve Copa. Ganharam os que saíram às ruas para impedir sua realização.

Por que não houve? Muito simples: a Copa do Mundo que o Brasil conseguiu realizar em seu território deveria ter servido, segundo o Governo, para "fazer a economia crescer". Costuma ser assim em todos os lugares onde acontece. A Copa movimenta uma série de engrenagens industriais, comerciais e de infraestrutura que estimula a economia do país.

Se o Brasil, pouco mais de um mês depois do evento, parou e não cresce é porque "não houve Copa". Não como tinha sido concebida.

Os Silva são diferentes

Lula e Marina, os dois fenômenos políticos mais fascinantes da história recente, são filhos de Brasis que se desconhecem
Há uma ideia no Brasil de que os pobres são todos iguais. É uma visão de senso comum, mas que assinala a análise também de intelectuais. Ela explica a afirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva e Marina Silva têm biografias parecidas – e a de que Marina teria sido a sucessora mais natural de Lula, não fossem as divergências que a levaram a deixar o Ministério do Meio Ambiente e depois o PT. Para chegar ao poder num país desigual como o Brasil, Lula e Marina fizeram uma travessia impressionante, uma espécie de jornada de herói. Mas as semelhanças acabam aí. Há enormes diferenças entre a trajetória de um filho de sertanejo que fez o caminho de São Paulo e se tornou operário e depois líder sindical, na região mais industrializada do país, e a trajetória de uma filha de seringueiro, seringueira ela também, na floresta amazônica, que iniciou sua carreira política em um estado como o Acre. Para alcançar a riqueza desse momento histórico do Brasil é preciso compreender que os Silva são diferentes.

Lula e Marina são ambos filhos do Brasil, mas de Brasis bem diversos. E é exatamente por causa de diferenças fundamentais de visões de mundo que, a certa altura, Marina não encontrou mais lugar no projeto do “lulismo”, usando a expressão do cientista político André Singer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Velha prática de tiranos


Nem o melhor marqueteiro do mundo poderia imaginar que houvesse algo acima dele. Mas há, e com força para silenciar qualquer canto de vitória antes do jogo acabar, até destronar quem já estava quase se sentando de novo no trono.

Há pouco mais de duas semanas, a morte de Eduardo Campos, o terceiro nome na lista da corrida presidencial, embaralhou todas as jogadas de marketing, acabou com as estratégicas políticas de 20 anos no país. Em seu lugar, a ex-ministra e ex-senadora, Marina Silva, passou a ocupar mais até as páginas da mídia, suplantando e muitas vezes apagando a super Dilma, que de trem bala da corrida eleitoral se transformou em um bonde sem jeito para andar nos trilhos, com sério risco de descarrilar de vez.

Uma política de arranjos por mais tempos de exposição no horário eleitoral, valendo alianças as mais descabíveis; trombetas anunciando maravilhas de realizações que nem saíram do papel; alianças que mostram o vale tudo pelo continuísmo; as mais mirabolantes jogadas de marketing. Nada conteve a alta inesperada.

A exposição da candidata não para e se acelera, porque os adversários, pegos de surpresa, põem mais lenha nas turbinas da ex-ministra do Meio Ambiente, defenestrada no governo Lula com a força de Dilma.

Ninguém mais desconhece Marina, que vem fazendo escola até entre os petistas, apropriando-se da sua terceira via, de uma “nova política” que não se sabe bem o que é, mas parece colocar tudo nos eixos. Todos querem se igualar ao meteoro que caiu nas eleições brasileiras, tirar uma casquinha dessa subida vertiginosa.

Para evitar mais estrago, os marqueteiros acertam os canhões. Está decretada a caça à Marina custe o que custar. Falam em “arrocho”, “desastre econômico”, “anti-política” para definir a ascensão. Especialistas e alguns jornalistas destacam as falhas da candidata. O cenário se confunde. Todos dando como favas contadas a vitória do PSB, se não pisarem na bola, claro.       

Marina não é um cataclisma como apontam os adversários, em especial os dilmistas loucos para tirar a candidata de cena. Alguns chegam a chamá-la "autoritária", mas será mais do que a atual presidente, gerentona, mandona, que aparelhou o Estado em prol do partido?

Também ameaçam e profetizam semelhanças da candidata do PSB com Jânio e Collor. São os magos da política viciada e corrupta dispostos a comparações às mais estapafúrdias sem base no tempo e realidade nacional. Trocam os pés pelas mãos.

Marina pode ser tudo, muito mais uma incógnita, mas nunca será o que os adversários apontam. Defeitos, ela os tem, mas bem menos do que o corolário de Dilma, sentada no poderio da máquina pública. E perde apenas em "virtudes" para Aécio, que estava preparado para outra corrida eleitoral que, no momento, ficou pelo caminho. 

Marina também não é nenhum bicho-papão que levaria o país ao fundo do poço por não saber administrar. Ainda mais porque no fundo já se está chegando agora com quem era maquiada como a magnífica administradora. E a saída, certamente, não é ficar como está para ver como é que fica.

O eleitor deve respeitar sua candidatura sem colocar penduricalhos onde não há. E mesmo que não seja lá o governo dos sonhos, é da democracia deixar livre a escolha. Assim foi com os fracassos do lulismo, impostos com a troca de cargos por votos. E “eles” não reclamaram, só falam no pé do ouvido agora do poste no Planalto, porque com o de São Paulo até jogaram a toalha.

Usar o medo e a insegurança de um próximo mandato sem o PT no comando é privilégio de ditaduras, que governos corruptos adotam, para fugir das explicações no futuro. Até mesmo mostrar uma ficha limpa na História, reescrevendo-a quando possível. Nada mais é o que se vem fazendo. Profetizar um cenário de catástrofe, de autoritarismo, contra Marina, no momento, é coisa de cafajeste, quando não de bandido. Foi o mesmo discurso que derrotou o PT na campanha de Collor. É uma cacetada na democracia de que tanto se gabam, quando os favorece.


Se jogarem sem ataques, como são contumazes, ganhará a eleição, mas estarão propensos a se arriscar a amargar um terceiro posto. É que se esqueceram do que é mudança, e só os adversários Marina e Aécio estão propondo o fim do jogo sujo, cada um a seu jeito. Bom ficar com as barbas de molho, de promessas o inferno está cheio e o país, esgotado. O eleitor está querendo propostas.

Frase ou farsa?

“Dilma consegue dialogar com todos os setores. Quem consegue fazer isso é a presidente Dilma, uma estadista. (…) Dilma continuará construindo o Brasil.”
Michel Temer

Manhattan




202,8 milhões: e agora?

"Manifestação", do argentino Antonio Berni
Alcançamos no Brasil a respeitável cifra de 202,8 milhões de habitantes. Quantos deles são cidadãos plenos com os direitos garantidos e cumpridores das obrigações cívicas e sociais?

Há 44 anos, em 1970, os míticos 90 milhões de brasileiros eram convocados por uma sanguinária ditadura militar para grandes empreitadas. Na geração seguinte, multiplicados por pouco mais do que dois, desfeito o milagre, alcançamos a respeitável cifra de 202,8 milhões de habitantes – quantos deles são cidadãos plenos com os direitos garantidos e cumpridores das obrigações cívicas e sociais?
Os censos começaram precariamente no Brasil-colônia, no século XVIII, a primeira contagem científica data de 1940, dois anos depois da criação do IBGE graças à presença no Brasil do eminente demógrafo italiano, Giorgio Mortara, um refugiado do fascismo. Éramos então cerca de 41 milhões de súditos de outra implacável ditadura, dita “modernizadora” – o Estado Novo.
Estamos sendo continuamente batidos pela demografia, não obstante a excelência do IBGE ao longo dos seus 74 anos de existência. Os saltos qualitativos acabam sempre neutralizados pela invencível parceria entre o crescimento populacional e a frouxidão com que as políticas públicas são implementadas e administradas. E continuam assim, mesmo com uma razoável taxa de crescimento populacional (0,86%).

domingo, 31 de agosto de 2014

Pintura brasileira

O lago, de Antonio Parreiras (1860-1937) 

Lula e o segundo mandato de Dilma


O que se viu no primeiro governo do ex-presidente foi a manutenção da política macroeconômica que vinha sendo adotada.

No primeiro programa de propaganda eleitoral do PT, há uma parte em que Lula reconhece tacitamente que Dilma tem pouco a mostrar. E tenta convencer o eleitor a lhe dar outra chance: “...Eu quero falar especialmente para você, que está em dúvida se deve votar ou não na Dilma. Eu lhe peço, vote sem nenhum receio. Fique certo de que você não vai se arrepender.”

O que desperta interesse é a argumentação utilizada. Lula começa por alegar: “O meu segundo mandato foi melhor do que o primeiro. Com Dilma, tenho certeza de que vai ser assim também. No meu segundo mandato, eu tive mais segurança, mais experiência e mais apoio para acelerar projetos que estavam em andamento e para lançar muita coisa nova.”. E, em seguida, pergunta: “Já imaginou o prejuízo que o país teria sofrido se eu não tivesse um segundo mandato? Se outro qualquer tivesse chegado querendo inventar a roda e parado quase tudo?”

Chama a atenção que, a essa altura dos acontecimentos, Lula ainda queira fazer crer que seu segundo mandato foi melhor do que o primeiro. Do ponto de vista do desempenho da política econômica, o primeiro mandato de Lula foi muito melhor do que o segundo.
Lula pode até ter preferido seu segundo mandato, mas foi exatamente nesse período que a política econômica petista começou a descarrilar. O que o país tem presenciado, desde então, é o inexorável desenrolar do desastre, como num grande acidente ferroviário filmado em câmara lenta. E Lula ainda acha que Dilma merece outra chance.

Na bucha

Se pudesse recomendar um livro à presidente Dilma, qual seria?
-“Como fazer amigos e influenciar pessoas”, de Dale Carnegie

(escritor José Roberto Torero, na seção Inquérito do jornal Rascunho)

sábado, 30 de agosto de 2014

Em estado de graça


As dicas de Lincoln


A reeleição de Dilma está nas mãos de Lula

 
O desafio do ex-presidente seria desconstruir a imagem de Marina, vista pelo brasileiro como sua reencarnação
Há apenas dois meses, analistas políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) tinham certeza de que nem os maus resultados da economia seriam um obstáculo para uma nova vitória da candidata Dilma Rousseff. O motivo de tal esperança era a força outorgada ao apoio com que contava o carismático ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Existia a convicção de que em plena campanha a presença do ex-sindicalista, que continua sendo o motor do PT e seu líder mais ouvido, poderia ser definitiva para convencer sobretudo o eleitorado de renda mais baixa, mas até mesmo empresários e banqueiros, de que um segundo mandato de sua pupila seria melhor do que o primeiro. Mais ainda: que em tal segundo Governo sua presença seria mais forte e decisiva.

Tudo isso acabou sofrendo uma reviravolta e até posto em dúvida depois da chegada do furacão Marina Silva, nas asas do avião-fantasma da tragédia que acabou com a vida do líder socialista, Eduardo Campos.

As últimas notícias negativas sobre o estado de saúde da economia brasileira, como a entrada em recessão técnica e as previsões de um PIB que poderia beirar o zero, estão convencendo os últimos otimistas do PT, e alguns de seus aliados de Governo mais fiéis, de que a esperança agora de uma vitória de Dilma no segundo turno dependeria exclusivamente da capacidade de Lula, de sua força real para conseguir para ela os votos suficientes para não chegar à segunda tragédia destas eleições, desta vez não sangrenta, mas, sim, com gosto amargo de catástrofe, a de uma derrota histórica do PT.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em alta


Analfabeto político e faminto


Petista roxo de hoje, assim como foi peemedebista ontem e sempre esteve com os governos, mesmo autoritários, está à solta. Analfabeto funcional, ouve cantar o galo nem sabe onde, quem, como, quando e por que. Enfim, um perfeito cidadão adequado a qualquer situação. Desde que possa tirar sua casquinha, ter algum privilégio.

Para esses cidadãos e cidadãs, todos são criminosos, mas só os seus eleitos são menos bandidos. Iguais aos outros, com a diferença de poder oferecer uma dádiva qualquer. Da dentadura, do saco de cimento, ou ao máximo de um carguinho para familiares.


Essa cretinice é de um país ainda marcado pelo coronelismo, do qual muitos falam que saímos, mas não deixemos de lá ter raízes. A maior parte dos eleitores são satélites de um nome político, de uma sigla, de uma ideia sem pé nem cabeça, mero esboço do que nem se sabe o que é. Não importa, qualquer farelo, no caso, serve para contentar. Engolem com satisfação as migalhas, lambem os beiços, levam a vida satisfeitos na acomodação da miserabilidade moral e ética. Como não têm nem uma nem outra, qualquer governo serve para seus instintos, porque não passam de animais querendo tirar proveito mesmo da porcaria.      

Sebastianismo brasileiro


Marina Silva, a herdeira da candidatura de Campos, é a figura mais perigosa com a qual o PT se poderia chocar
Em 4 de agosto de 1578, Sebastião I, de Portugal, morreu na batalha de Alcácer-Quibir. Assim nasceu o sebastianismo, um movimento que profetizava o retorno do monarca morto para conduzir a nação. O mito se arraigou no Nordeste brasileiro e adquiriu com os séculos diversas modulações. A confiança em que a morte possa prover a política de uma redenção messiânica parece visitar de novo o Brasil nestes dias. As emoções desatadas pelo trágico desaparecimento de Eduardo Campos, o candidato presidencial do Partido Socialista Brasileiro (PSB), revolucionaram a campanha. Campos é, post mortem, o representante de muitos cidadãos que mal o conheciam quando estava vivo. Essa canonização agiganta a sua vice, Marina Silva, que ocupou o seu lugar. Dilma Rousseff nunca suspeitou que sua reeleição enfrentaria um desafio tão arriscado, tão inesperado.

A fórmula inicial do PSB tinha a extravagância de que Marina era muito mais conhecida do que Campos. Em 2010, ela havia conseguido 20 milhões de votos como candidata a presidente. E em meados de 2013 superava Dilma nas pesquisas. Com a morte de Campos o risco para Dilma se multiplicou. Segundo o Datafolha, Marina deslocou Aécio Neves, do PSDB, para o terceiro lugar. O PSB passou de 8% para 21%. Em um eventual segundo turno contra Dilma, Marina triunfaria.

A herdeira de Campos é a figura mais perigosa com que o PT se poderia chocar. Não é, como Aécio, um antibiótico. É uma vacina. É composta de uma substância parecida com a de seu rival.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Sonho hoje, pesadelo amanhã


Sem sonhos, a vida seria ensaio para a morte

O Brasil pode estar na véspera de alçar sem medo o voo para novos caminhos de esperança
O Brasil é um país que dificilmente saberia viver sem sonhos, talvez porque durante muito tempo os teve frustrados. E são os jovens os que estão resgatando mais os sonhos perdidos, incluindo na política. Eles gostariam das palavras do cantor catalão, Manuel Serrat: “Sem sonhos, a vida seria somente um ensaio para a morte”. E os brasileiros preferem ensaiar para a vida.

A neurociência está demonstrando o que já nos ensinavam na Faculdade de Psicologia da Universidade da Sapienza de Roma: se não sonhássemos várias vezes a cada noite, ficaríamos loucos.

Mas se é certo que o organismo humano precisa sonhar a cada noite para sobreviver, não precisamos também sonhar de olhos abertos para ser felizes?

Sacudidos pela morte trágica do candidato socialista, Eduardo Campos, voltou a ecoar nas eleições brasileiras a possibilidade de sonhar também na política.

Na República Velha...

Alguma semelhança?

A fábula dos que sobem


O general americano Colin Powell, ex-secretário de Estado, era filho de imigrantes jamaicanos, fazia questão de dizer que na medida em que ascendia em posições de relevo sua origem cada vez era mais humilde e o Bronx, bairro de classe média baixa de Nova Iorque, mais miserável.

A história se repete no Brasil aos milhares, ainda mais em tempos eleitorais. Os políticos, preparados por marqueteiros, apresentam biografias as mais bizarras. Querem mostrar ao eleitor, como se todos fossem pobres e miseráveis, que se fizeram vindo do nada, do limbo, do lixo. São iguais e pelos seus iguais irão lutar nas câmaras e governos. História da carochinha que ainda a muitos embala.

A maioria passou longe da pobreza e agora só a frequenta por motivo de votos. O mais é fantasia de propaganda como aquela do suposto pobre, miserável que catava rã e barrigudinho no rio para comer. Salvo por batráquios e peixes, subiu na vida e pôde se mostrar o mais canalha aproveitador dos pobres. Seu fiel companheiro, e padrinho, não pode fazer o mesmo agora como candidato. Filho de usineiro veio pra “capitá” se tornar um estudante profissional até conseguir mostrar a cara pintada na política.

Biografia sempre foi um prato onde cabem quaisquer fantasias. Fica a critério do freguês. E deve-se ter o cuidado de temperar na medida ou acaba por lá na frente dar a maior indigestão. Como aconteceu com aquela candidata que era doutora da Unicamp sem nunca ter sido ou daquela catadora de latinhas, numa época que nem existia latinha. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Política dá dinheiro


Um dos melhores negócios do mercado brasileiro é ser dono de partido político. Convive-se com 32 deles, dos quais duas dezenas têm bancadas no Congresso. Na essência, diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, se transformaram num “agregado de pessoas que querem um pedacinho do orçamento”.

Partido político no Brasil se tornou ativo financeiro de alto retorno, sem risco e com recursos públicos garantidos por lei, elaborada e votada pelos próprios interessados.

Em ano de eleição, as doações de empresas representam cerca de 60% das receitas declaradas, mas é do orçamento federal que sai o financiamento das despesas regulares da estrutura e da propaganda partidária (o horário eleitoral gratuito só é gratuito para partidos e candidatos, quem paga a conta é o público, telespectador ou não, via isenção fiscal).

Nunca os partidos brasileiros receberam tanto dinheiro público como neste ano: R$ 313,4 milhões, dos quais 57% já repassados.

O Fundo de Assistência Financeira, que sustenta as máquinas partidárias, aumentou 184,5% nos últimos dez anos. Seu valor nesse período subiu em ritmo muito acima da inflação, da correção da poupança e do salário mínimo, da valorização da Bolsa de Valores (Ibovespa) e do Certificado de Depósito Bancário (CDB).

Os contribuintes vão pagar, além disso, mais R$ 600 milhões como compensação fiscal às emissoras de rádio e televisão pelo horário de propaganda eleitoral.

Cuidado com a fúria


A ministra Carmem Lúcia, vice-presidente do STF, fez um alerta contundente durante o foro da Associação dos Advogados de São Paulo, quando disse que parece que se está “maquiando cadáver” com o problema da fúria que toma as ruas. “Este estado como está estruturado há 25 anos não mais atende mais a sociedade. O que era esperança na década de 1980 se transformou em frustração. O risco social é de se transformar em fúria. E quando a fúria ganha as ruas nenhuma justiça prevalece”

Duas esquerdas disputam o poder


As eleições presidenciais de outubro no Brasil perfilam-se como um previsível duelo entre duas mulheres e já se fala das candidatas em “branco e preto”, não somente pela raça, mas por suas trajetórias, uma o contrário da outra.

As personalidades da presidenta, Dilma Rousseff, e da candidata socialista, Marina Silva, são uma espécie de assíntota de hipérbole, duas linhas que se aproximam sem nunca se encontrar. São de esquerda, mas de tonalidades diferentes. A primeira, mais da esquerda estatal, e a segunda, da esquerda verde.

Rousseff, branca, de origem europeia, queimou sua juventude na luta violenta contra a ditadura militar brasileira. Foi torturada e acabou abraçando os valores democráticos. Silva, negra, com sangue de escravos africanos e imigrantes portugueses, se forjou na luta política e social desde muito jovem ao lado do líder sindicalista e ecologista Chico Mendes, assassinado por sua defesa da Amazônia.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Promessas requentadas para galinheiro

'Inimigos', um usa o que o outro deixou de fazer
Candidato ao governo do Rio conhecido pela alcunha de “Lindinho”, cercado por uma malta de asseclas do pior que já o PT obrou, inclusive a “princesinha” Lurian, esteve na última semana em carreata em Maricá. Era de se esperar que um candidato a governador levasse propostas. Como não tem qualquer criatividade para administrar o que seja público, defeito comum nos políticos brasileiros, mas perito em colecionar processos, aproveitou o feijão com arroz com que o prefeito Quaquá conquistou seus dois mandatos.

Certo de que migalhas servem para angariar votos, não precisa se esmerar em ser alguma coisa a mais do que nunca será. E aí despejou com a máxima magnificência o que pretende, no cargo, dar como dádivas aos seus súditos daquela municipalidade. Espantados todos os cidadãos, com mera inteligência e nenhum bolso comprado. A oferta do nobre senador e candidato é acabar com o dito monopólio da empresa de ônibus, insistir com a Cedae para enfim abastecer o município e, por último, melhorar a educação.

Os três temas, como foram propostos, são mais uma dessas mascaradas que os políticos nem ligam se são surradas, mas creem piamente que são suficientes para fisgar votos dos imbecis como ordinariamente acontece. Importa pouco se parecem espalhar apenas milho para atrair as galinhas em seu galinheiro.

As propostas são o mesmo tipo de escracho que o próprio prefeito faz desde a campanha de 2008 com o anunciado fim do monopólio de transporte. Nada conseguiu em seis anos e tem acenado nos últimos meses com uma mirabolante empresa chapa branca de ônibus, comprados com dinheiro público, que fornecerão transporte gratuito (sic) em dois anos, às custas do próprio Erário. Os lucros e dividendos eleitorais logicamente serão computados em campanhas como a de agora. Afinal está em jogo a vaga da própria mulher, ou consorte, à Câmara estadual.

A tal empresa, também encampada como proposta, será controlada por uma outra empresa criada por um secretário comissionado. E o candidato a governador não tem qualquer vergonha em achar natural a maracutaia, desde que renda os votos.

Os ônibus estão comprados e apodrecendo num aeroporto interditado sem que a empresa sequer possua garagem ou funcionários. É essa muvuca, aprovada de cara pelo candidato petista, que virou proposta. Ou seja, apropriação de uma ideia cretina. Bom começo para um candidato, que talvez até concorde em avalizar a empresa dos companheiros.

A outra proposta é outra indecência. A educação municipal é um escândalo com a secretaria do setor funcionando como reduto familiar do vice-prefeito, que já foi secretário de Educação e passou o cargo para a mulher. Um fato que já demonstra claramente como se cuida bem dos serviços públicos entre os do PT.

A revolução do setor, anunciada pelos “fessores”, não passou de uma maquiagem com reforma de pintura de algumas escolas, criação de outras em casa alugadas e a farta distribuição de laptops – 17 mil para uma população escolar de 13 mil alunos e professores, numa região que não tem internet gratuita.

Mas ainda falta a questão da água, que tanto serviu de plataforma em 2008 e 2012. “Lindinho” se apropria de um problema que o próprio Quaquá teria resolvido com Cabral e Pezão, quando estiveram na cidade sem água para inaugurar uma elevatória (seca) e propalar a chegada da água para 2014 em todo o município. Tudo sob aplausos do prefeito que agora passa a bola como uma realização do seu candidato, mas que em momento algum defendeu o município junto à Cedae, atitude e dever de quem é prefeito. Mas preferiu se acomodar com acusações que agora transforma em proposta de Lindinho.

Assim caminha o PT, sempre camuflado, enredado em tramas, repetindo ações criminosas que deveria colocar seus integrantes há muito no xilindró.

Explique!

A política é a arte de pedir votos aos pobres, pedir recursos aos ricos e mentir para ambos depois
Antônio Ermírio (1928-2014)

O furacão Marina


Ventania não é. Ciclone? Tampouco.
Está mais para furacão a recém-lançada candidatura de Marina Silva a presidente da República no lugar da candidatura de Eduardo Campos, do PSB. O que precisa ser confirmado é se estamos diante um furacão de nível 1, 2, 3, 4 ou 5.

Por ora, ele parece ter força suficiente para fazer de Aécio Neves, candidato do PSDB, sua primeira grande vítima. E assustar Dilma.

Há duas semanas que Marina ocupa sozinha a boca do palco da sucessão. Os holofotes convergem para ela. Aécio e Dilma viraram meros coadjuvantes.
Na primeira semana, Marina se impôs como candidata natural do PSB e dos partidos nanicos que Eduardo conseguira atrair para seu lado. Na segunda, dedicou-se a sossegar os espíritos mais inquietos com o risco de uma eventual vitória sua sobre Dilma.

Amiga de Marina e porta-voz dela junto ao mercado financeiro, a herdeira do Banco Itaú, Neca Setúbal, garantiu que a candidata, se eleita, respeitará os fundamentos da política econômica herdada por Lula de Fernando Henrique.
Marina preferiu falar ao mundo político. Disse que governará só por quatro anos. E prometeu fazê-lo com as melhores cabeças do país. Citou José Serra, candidato ao PSDB ao Senado, como uma delas. Acenou com um governo de união nacional.

A força do furacão chamado Marina há uma semana pelo Instituto Datafolha. Na pesquisa de intenção de voto, ela empatou com Aécio. Na simulação de segundo turno, derrotou Dilma.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Canalha a menos


Legenda


No princípio
Houve treva bastante para o espírito
Mover-se livremente à flor do sol
Oculto em pleno dia
No princípio
Houve silêncio até para escutar-se
O germinar atroz de uma desgraça
Maquinada no horror do meio-dia.
E havia, no princípio,
Tão vegetal quietude, tão severa
Que se entendia a queda de uma lágrima
Das frondes dos heróis de cada dia.
Havia então mais sombra em nossa via.
Menos fragor na farsa da agonia,
Mais êxtase no mito da alegria.
Agora o bandoleiro brada e atira
Jorros de luz na fuga de meu dia -
E mudo sou para cantar-te, amigo,
O reino, a lenda, a glória desse dia.

Mário Faustino dos Santos e Silva (1930 - 1962) 

domingo, 24 de agosto de 2014

O grande medo


Paradoxo

Se Dilma entende que não deve comentar decisões de outro poder por que acha natural que seu ministro da Justiça não apenas comente, mas tente influenciar decisões de outro poder?



Música com jeito de domingo

Dilermando Reis toca "Sons de carrilhão", de João Pernambuco

Cidades mortas


Há cidades que se suicidam pelo esquecimento dos próprios habitantes. Há outras, à margem das estradas modorrentas, que não têm onde oferecer uma água ao viajante. As portas se fecham com o calor do verão e se trancam com as chuvas do inverno. Sorte é passar ali na época certa, quando no amanhecer, sem chuva, há frutas para vender estendidas em varais. Há ainda aquelas que foram esquecidas à beira dos grandes caminhos. Passam muitos, olham e seguem o caminho. Só os olhos de quem lá vive são parados como relógios a quem o tempo deixou de dar corda.

]Viver em beira de estrada, para as cidades, é uma eterna esperança. Todos esperam. O comércio espera um freguês; o político espera a promessa do governo capital; o jovem sonha com o dia da partida; o velho treme com a data do descanso.

Se o viajante parar um pouco em cada uma, descobrirá, entre um trago de outro, os motivos do desânimo. Para os de fora, tanta calma significa paz, que está bem longe de acontecer. Cidades pequenas, quase esquecidas, vivem em eterna guerra. Em todas queima dia-a-dia o combustível político. 

Em vez das mudanças, que carros e carretas buzinam pelas estradas, preferem o ranger das nobres carroças do passado, o estrilar dos filhos da terra na rinha das Câmaras, o chicote do disse-me-disse, a mentira, o nepotismo, o concubinato com o poder.

Cidades assim proliferam. No ar, se respira apenas os últimos perdigotos políticos. Entre uma e outra eleição, não há uma aragem que leve para longe a fumaça política. São senhores de sangue podre, vomitando artimanhas contra adversários, que bem podem ser os correligionários de amanhã. A ética é determinada pela melhor aliança mesmo que seja com o inimigo de ontem.

São cidades de naturezas encantadoras, um tantinho só virginais, mas com a vida poluída pela discussão dos escândalos e descalabros. Os cabos eleitorais proliferam; os políticos não se contentam em descansar depois das eleições. 

Estão sempre aprontando o próximo movimento eleitoral. Os sinos das igrejas dobram todas as tardes, inúteis. As mulheres se cobrem de véus negros e os homens se descobrem nessas horas. Rezam o “Venha a nós” sob a benção paroquial. E saem na escuridão das ruas que acoberta novas maquinações.

Cidades viciadas em voto eterno, picadas pela inércia, apodrecendo no ranço de uma política envelhecida, ulcerosa, purulenta, que empesteia. Imunes, os diferentes, que pensam em como mudar. Salvos estão os agostinianos, que rezam na doutrina da iniciativa e da criatividade, fermentos da esperança. Alquimistas do tempo, dosam a revolta contra a situação com a raiva para mudá-la. 

sábado, 23 de agosto de 2014

Pizza Brasil

Político corrupto é o comensal do crime bem sucedido

Brasil não está pronto


Mais de 60% dos brasileiros são contra a obrigação de votar. Mas analistas avaliam que corrupção eleitoral e despreparo da população ainda são obstáculos no país, um dos 31 do mundo que sustentam a imposição.
 Nas eleições do próximo dia 5 de outubro, 142,8 milhões de brasileiros deverão comparecer às urnas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pesquisas de opinião, no entanto, mostram um elevado índice de rejeição ao voto obrigatório. Um levantamento do Instituto Datafolha divulgado em maio deste ano aponta que 61% dos eleitores são contra a imposição.

Para analistas, permitir que o eleitor decida se quer ou não votar é um risco para o sistema eleitoral brasileiro. A obrigatoriedade, argumentam, ainda é necessária devido ao cenário crítico de compra e venda de votos e à formação política deficiente de boa parte da população.

"Nossa democracia é extremamente jovem e foi pouco testada. O voto facultativo seria o ideal, porque o eleitor poderia expressar sua real vontade, mas ainda não é hora de ele ser implantado", diz Danilo Barboza, membro do Movimento Voto Consciente.

O voto compulsório é previsto na Constituição Federal – a participação é facultativa para analfabetos, idosos com mais de 70 anos de idade e jovens com 16 e 17 anos.

Falta vergonha


 Os ricos tendem a ter vergonha de ser ricos. Mas os políticos nunca se envergonham de si mesmos, embora não lhe falte motivo
Woodrow Wyat 

Os índios

Na ilha de Vancouver, conta Ruth Benedict, os índios celebravam torneios para medir a grandeza dos príncipes. Os rivais competiam destruindo seus bens. Atiravam ao fogo suas canoas, seu azeite de peixe e suas ovas de salmão; e do alto de um promontório jogavam no mar suas mantas e vasilhas.
Vencia o que se despojava de tudo

Eduardo Galeano