sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O filho adotivo?

Pouco antes das eleições municipais de 2012, Sigmaringa Seixas, ex-vice-governador do Distrito Federal pelo PT, foi despachado por Lula ao Recife com uma tarefa que o ex-presidente considerava difícil, mas não impossível: convencer Eduardo Campos, então governador de Pernambuco pela segunda vez, a desistir da ideia de se lançar candidato à sucessão de Dilma dali a dois anos.

Até então ainda não se falava de público na candidatura de Eduardo pelo partido que ele presidia – o PSB. Eduardo recebeu Sigmaringa no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Conversaram sozinhos durante mais de duas horas. Sigmaringa retornou a Brasília no mesmo dia. Orientado por Lula, acenara para Eduardo com a hipótese de ele compor como vice a chapa de Dilma à reeleição.

Eduardo recusou a proposta. Alegou que não deixaria o governo para ser vice. Os pernambucanos não entenderiam seu gesto. Então Sigmaringa jogou na mesa o que imaginou que fosse um trunfo: Lula estava disposto a apoiar Eduardo para presidente em 2018. Em troca, Eduardo fecharia com a reeleição de Dilma.
- Obrigado, mas não topo – descartou Eduardo.
- Mas por quê? – insistiu Sigmaringa.
- Confio na palavra de Lula, mas não confio na palavra do PT – respondeu.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um drible do destino

O destino driblou as eleições brasileiras e a esperanças de muitos, mais do que se imagina. A morte do candidato Eduardo Campos enlutou politicamente uma região inteira – só em Pernambuco tinha uma aprovação recorde superior a 90%. Não era pouca coisa a que se destinava em sua corrida presidencial. 

Articulador nato e perito em compor aliados, Campos foi o diferencial na campanha, que agora volta ao cotidiano exaustivo do dilema entre PT e PSDB. O brasileiro perdeu uma grande chance, por culpa de um acidente aéreo, de contar com uma grande influência, mesmo perdendo as eleições, para agitar uma renovação política indispensável, quando é grande o desinteresse popular pelos rumos políticos.

Resta-nos retomar a bandalha politiqueira, que já era grande, monstruosa, com a incógnita da performance de Marina Silva. A saída de cena de Campos deixou o cenário eleitoral mais pobre do que parecia. Infelizmente o país ainda terá de conviver com essa miserabilidade política por mais tempo. Miserabilidade que já se vê com canalhas costumeiros se aproveitando do momento para crescer diante da morte do candidato. Um sinal de quanto há de podridão, crescida nos últimos anos, na política brasileira. 

Agora o eleitor vai tentar acertar, quase às cegas, em meio ao analfabetismo eleitoral e a sujeira politiqueira, os caminhos de renovação. Que o destino, desta vez, ajude.       

Imagem de pelaí


O crime é o mesmo

Aqueles que corrompem a opinião pública são tão funestos como aqueles que roubam as finanças públicas
Adlai Stevenson (1835–1914) foi vice-presidente dos Estados Unidos entre 1893 e 1897 

A Opinião em Palácio


O Rei fartou-se de reinar sozinho e decidiu partilhar o poder com a Opinião Pública.

― Chamem a Opinião Pública ― ordenou aos serviçais.

Eles percorreram as praças da cidade e não a encontraram. Havia muito que a Opinião Pública deixara de frequentar lugares públicos. Recolhera-se ao Beco sem Saída, onde, furtivamente, abria só um olho, isso mesmo lá de vez em quando. Descoberta, afinal, depois de muitas buscas, ela consentiu em comparecer ao Palácio Real, onde Sua Majestade, acariciando-lhe docemente o queixo, lhe disse:

― Preciso de ti.

A Opinião, muda como entrara, muda se conservou. Perdera o uso da palavra ou preferia não exercitá-lo. O Rei insistia, oferecendo-lhe sequilhos e perguntando o que ela pensava disso e daquilo, se acreditava em discos voadores, horóscopos, correção monetária, essas coisas. E outras. A Opinião Pública abanava a cabeça: não tinha opinião.

― Vou te obrigar a ter opinião ― disse o Rei, zangado. ― Meus especialistas te dirão o que deves pensar e manifestar. Não posso mais reinar sem o teu concurso. Instruída devidamente sobre todas as matérias, e tendo assimilado o que é preciso achar sobre cada uma em particular e sobre a problemática geral, tu me serás indispensável.

E virando-se para os serviçais:

― Levem esta senhora para o Curso Intensivo de Conceitos Oficiais. E que ela só volte aqui depois de decorar bem as apostilas.
Carlos Drummond de Andrade, "Contos plausíveis" 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Socorro!


A força de muitos

Charge do Amarildo
Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores. Vamos votar, está combinado?
Eles são 24%, quase um quarto do eleitorado brasileiro. Tenho simpatia por esse exército de deserdados, órfãos, ou qualquer nome que se queira dar aos 34 milhões de brasileiros aptos a votar, mas dispostos a abrir mão de escolher o próximo presidente. Os dados são da última pesquisa do Ibope, divulgada na quinta-feira.

Tenho simpatia, mas, diante da encruzilhada em que se encontra o Brasil, sinto vontade de dizer: escolham um candidato, mesmo que não estejam totalmente convictos, mesmo que tenham de cobrar depois. Sou contra o voto obrigatório, por considerar o voto um direito e não um dever. Mas, se assim é a lei em nosso país, vamos votar em alguém, está combinado?

Não cruzem os braços, não sejam meros espectadores, não se apoiem na falsa comodidade de pensar que nada têm a ver com isso que está aí. Numa democracia, somos todos responsáveis, em algum grau, pelos rumos da cidade, do Estado e do país.

São vários os sentimentos por trás da vontade de anular ou deixar branco o voto, cara a cara com a urna. Desencanto, revolta, indiferença, impotência, desinformação, desconfiança. Vontade de não se misturar à corja de políticos que só sabem aumentar os impostos e roubar a educação, a saúde, a habitação, o transporte, a segurança. Mentem com desfaçatez. E roubam até dos pobres.

Assim é...


“O partido é a loucura de muitos em proveito de poucos”
Alexander Pope (1688-1744)

Uma ferida na esperança


O Brasil deveria estar alarmado com uma notícia do Tribunal Superior Eleitoral: só um de cada quatro jovens entre 16 e 17 anos com direito a voto nas próximas eleições se preocupou este ano em tirar o título eleitoral, o que pressupõe um desinteresse que beira o desprezo pela política.

O fato é duplamente grave, porque esses jovens não sofreram as garras da ditadura, da falta de liberdade, da miséria e da ausência de oportunidades, nem conheceram o horror das guerras. Seria demasiado fácil, no entanto, criticar esses meninos por sua falta de “sensibilidade política”, como escreveu um deputado federal. A crítica deve ser feita ao atual sistema político, que toda manhã espalha por todo o país montanhas de notícias sobre corrupção, violações à liberdade, feios exemplos éticos de quem deveria ser guia e mestre dos jovens em uma sociedade que se vangloria de ser democrática e liberal.

Uma das primeiras coisas que leio todo dia nos jornais são as cartas dos leitores, geralmente sérias, agudas, sóbrias, atuais e bem escritas. Na manhã de 10 de agosto, domingo, interrompi a redação desta coluna para dar uma olhada no jornal O Globo, que chega à minha porta às cinco e meia da manhã.


Entre as cartas dos leitores, impressionou-me a de Paulo Henrique Coimbra de Oliveira, do Rio. Não o conheço, mas sua carta intitulada “Desesperança” me confirmou o que tinha começado a escrever aqui. Diz Coimbra que, nos últimos dez anos, ele colecionou em um armário de quatro metros quadrados recortes de jornais que ilustravam escândalos políticos distribuídos pelos três poderes do Estado. Fez alguns cálculos: cinco escândalos por dia e uma corrupção que, segundo ele, é “superior ao PIB da maioria dos países do G-7”. Sua última frase é dura e obriga a refletir: “Depois não sabem (os políticos)”, escreve, “porque a sociedade não acredita neles. Dias atrás resolvi queimar tudo, inclusive o armário. E minha esperança de dias melhores foi queimada junto com ele”.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Silêncio de governo

Nani Humor

Não se meta, Dilma!


O que essa gente do governo Dilma Rousseff, ela incluída, imagina mesmo que somos? Um bando de idiotas? Ou de ignorantes? Incapazes de distinguir entre o falso e o verdadeiro?

Vai ver parecemos dispostos a ser enganados desde que não nos apertem os bolsos. Nem revoguem direitos e benefícios obtidos a duras penas. Ou que nos foram concedidos em troca de votos.
Pois é...

Os aloprados estão de volta!

Perdão. Os aloprados não estão de volta. Estão de volta aqueles que a cada eleição tentam por meios escusos influenciar seus resultados.
Lula chamou de aloprados os membros de sua campanha à reeleição que montaram um falso dossiê para enlamear a imagem dos candidatos do PSDB a presidente da República (Geraldo Alckmin) e ao governo de São Paulo (José Serra).

Aloprado é um tipo inquieto. Ou amalucado. Sem juízo. Apenas isso.
Na época, ninguém contestou o uso impróprio do inocente adjetivo para identificar, de fato, manipuladores da vontade popular. Sinto muito, mas era disso que se tratava.

Agora será diferente?

Falou, senador!


Mal feitores e aloprados


Diferentes jornais colocam entre aspas frase da presidenta Dilma que diz: "Eu repudio integralmente esse tipo de ação ( manipular biografias na Wikipédia ), como fiz diante de todos os vazamentos. Nesse caso específico, é algo que quem quiser fazer individualmente que faça, mas não coloque o governo no meio."

Com essá frase, vinda do alto do máximo cargo do país, vem a idéia de que não há problema em cometer-se crime, desde que não se deixe impressão digital envolvendo outras pessoas.

A presidenta está errada, porque ao dizer isso deseduca a população, especialmente os jovens, e ainda incentiva ou mesmo insufla militantes a continuarem fazendo manipulações de biografias, desde que não usem computadores vinculados ao Planalto, nem outros órgãos públicos. Que sejam mal feitores, mas não aloprados.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A reciclagem política


A grande mídia custou a descobrir a mascarada que os políticos brasileiros vem aplicando para cima dos eleitores.  Apesar de ser uma velha estratégia, principalmente utilizada pelo petismo, quando está em jogo a reeleição, os jornais deram novo nome para a prática de propaganda enganosa depois que o PT reabilitou e deu nova formatação a velhos projetos, praticamente arquivados.

Quem vive fora dos grandes centros e sob o jugo petista, conhece há tempos a palhaçada de apresentar “novidades” que nada mais são que a ressurreição de antigas promessas que nunca saíram do papel. Essas nem foram postas em prática porque eram e ainda são apenas um recheio de campanha, uma cobertura adoçada, para regalar os incautos, sempre dispostos a ficar de joelho e de mãos postas a qualquer anúncio dos meliantes partidários.

Ninguém que se engane que vale tudo na política para se manterem cargos e poderes. Então não é de se espantar que apareçam agora, na boquinha da urna, uma enxurrada de promessas, sempre elas, para cima do eleitor desavisado ou, digamos, “encantado” pela varinha mágica de um troquinho à frente.

Em meio a tal reciclagem política, continua a proliferar a propaganda factóide, que agrada demais aos correligionários, sempre dispostos a divulgar a boa nova. Não importam os dados, as cifras, tempo de conclusão ou viabilidade das obras e projetos. Para esses pobres coitados, que estão ajudando na manutenção de um caos político, nada importa que não seja manter seus santos do pau-oco nos altares de câmaras e prefeituras.


De tanto rezarem para obter uma dádiva, esperam que sejam atendidos um dia para infelicidade geral. É que o egoísmo da pilantragem tem repercutido mais no bolso do honesto, que não tem onde se socorrer em bolsas de caridade duvidosa ou comissões que secam o Erário. 

Saneamento perde de goleada

Nani Humor

Testes para saídas no ensino


De um lado, adolescentes pouco estimulados pelos estudos, muitas vezes cursando séries atrasadas. Do outro, um currículo escolar extenso porém desconectado da realidade, em aulas excessivamente teóricas e incapazes de suprir deficiências anteriores dos alunos.

Esses são, segundo especialistas, alguns dos ingredientes que levam a altos índices de evasão no ensino médio brasileiro, ciclo que é considerado hoje o principal gargalo da educação no país.

O tema voltou a entrar em evidência neste mês com um relatório do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) apontando que, entre os jovens mais pobres, menos de um terço conclui o ensino médio no Brasil.

"É no ensino médio que desembocam todos os problemas anteriores da formação", explica à BBC Brasil Andrea Bergamaschi, gerente de projetos da ONG Todos Pela Educação.

Números do ensino médio brasileiro

*O número de matrículas no ciclo aumentou 120% em 21 anos, para 8,37 milhões de matrículas em 2012, segundo o Ministério da Educação

*Apenas 51,8% dos jovens de 19 anos haviam concluído o ensino médio em 2012, segundo o Anuário da Educação (da ONG Todos Pela Educação, com informações do IBGE)

*31,1% dos alunos do ensino médio estavam cursando série não ideal para sua idade em 2012


domingo, 10 de agosto de 2014

Sonhos


O filme “Sonhos”(Yume), de 1990, um dos últimos do japonês Akira Horosawa (1910-1998) é baseado em sonhos do cineasta em momentos diferentes. Com base em imagens mais do que no diálogo, divide-se em oito histórias distintas de sonho. Na história “O vilarejo dos moinhos”, jovem mochileiro chega a um pacato vilarejo cercado por correntezas. O viajante encontra um velho ancião da vila, muito sábio, que está consertando a roda quebrada de um moinho. O ancião explica que as pessoas do seu vilarejo decidiram há muito tempo atrás abrir mão da influência poluidora da tecnologia moderna e retornar para uma sociedade mais feliz e limpa. Escolheram a saúde espiritual a despeito da conveniência, e o mochileiro fica surpreso e intrigado com esta noção. No final da sequência que é também o final do filme, a procissão de um funeral de uma mulher ocorre no vilarejo, que ao invés de estar de luto, celebra contente o fim de uma boa vida. O ancião, que até então conversava com o jovem viajante, resolve acompanhar a procissão, não sem antes contar-lhe sobre algo que o jovem presenciou ao entrar na vila - crianças colhendo flores e colocando-as sobre uma pedra ao lado da trilha. O ancião diz que há muito tempo um homem havia morrido ali depois de muito sofrer, e desde então o ato de colocar flores sobre a pedra debaixo da qual foi sepultado se faz uma tradição do vilarejo. O viajante se despede do lugar repetindo o gesto das crianças.

Tem quem pague

Gasto do Planalto com comunicação cresceu 30% no primeiro semestre. A Secom teve uma despesa de R$ 109,3 milhões com propaganda no semestre passado 29,7% do que o mesmo período de 2013 que foi de R$ 84,3 millhões

Nossa Casa da Mãe Joana


  
“A falta de honradez no governo é problema de todos os cidadãos. Não é suficiente para fazer seu próprio trabalho. Não há nenhuma virtude nela. A democracia não é um prazer. É uma responsabilidade"
Dalton Trumbo (1905-1976)

Não é de hoje que o Planalto vem revelando que deixou de ser uma das representações máximas da República para se tornar a central sindicalista do PT, que gere a pelegada instalada por todo canto do país.

O escândalo das alterações nas informações de jornalistas dentro do Wikipédia, feitas de dentro do palácio governamental, são tão escandalosas como os casos do tiro no pé de Carlos Lacerda, quando de dentro do Catete, saiu a ordem para o atentado, ou aquele do edifício Watergate, com a invasão de escritório democrata. Parece exagero, mas em todos a ordem foi de dentro do governo, independente de quem fez ou quem ordenou. E os casos citados geraram enormes consequências para os governos envolvidos. 

A denúncia de que agora nova alteração foi feita através de um computador do Serpro, órgão governamental, só vem enfatizar que estamos sob o comando de uma ditadura de fachada “democrática”, que promove a perseguição política e desrespeita direitos civis.

A alteração mostra que o PT, no governo, está disposto a fazer de tudo, e isso inclui qualquer ilegalidade, para assegurar o comando do país, não bastando a famigerada “regulamentação da mídia”. Embora possa parecer um excesso de algum funcionário “mais dedicado”, ou conhecidos aloprados, não passa de um crime contra a individualidade. E em qualquer nível, por menor que seja – mesmo uma calúnia ou difamação, como qualificam o ocorrido -, contra o indivíduo por um agente do governo, é crime de ditadura.

Espanta é que o atual caso não mereça a mesma revolta de outros tempos. Uma atrocidade dessas, que pode acometer qualquer cidadão em qualquer canto do país, só merece repúdio que não se está vendo, na devida medida. Estaremos já silenciosos ante as atrocidades petistas, acostumados ao crime como os que vemos diariamente no noticiário, que nem já reclamamos mais? Uma atitude perigosa é o silêncio conivente ou complacente diante da injustiça. Quem cala pode estar tornando mais negro o próprio futuro e dos seus, prostituindo seus direitos, em favor de uma gentalha autoritária, fascista, com nítidas intenções de manobrar dados que favoreçam companheiros e achincalhem adversários como é costume dos governos ditatoriais.    


Ao longo dos três anos e meio do governo Dilma, o IP da Presidência foi usado para realizar cerca de 170 alterações na Wikipédia. Muitas modificaram verbetes relativos a órgãos ligados à Presidência e de ministros e ex-ministros como Moreira Franco, Antonio Palocci, Thomas Traumann, Ideli Salvatti e Alexandre Padilha, além do assessor especial da presidente, Marco Aurélio Garcia, e do vice-presidente, Michel Temer". Leia mais sobre o assunto 

sábado, 9 de agosto de 2014

Vote certo


Semelhanças há

Que fim pode esperar um reino que premia delatores, alimenta quadrilhas de ladrões, desterra vassalos, destrói bens, exalta libelos, não ouve as partes, cala as testemunhas, paralisa a população, ama arbítrios, rouba os povoados, vende nobrezas, condena inocentes, alenta gabelas (*tributo pago ao senhor feudal) e arruína o direito de muitas pessoas?”
Juan Eslava Galán

Congresso de ouro

Nani Humor

O Brasil, com sua imensidão continental, também dá show na estatística dos super-ricos. Eles hoje são 172 mil. Entraram para a categoria, no último ano, 7 mil abençoados. Para ocupar a categoria, é necessária uma carteira mínima de R$ 1 milhão apenas para aplicação, independente de patrimônio. E isso acontece num país em que o governo se vangloria de enfim ter reduzido, com certas maquiagens, que não admite, as desigualdades sociais. Esse é mais um queijo furado que oferecem de bandeja seus ratos de sempre. Famintos por uma lasquinha do suíço, o melhor do mercado. 

Assim, neste país em que os miseráveis já não existem, para o governo, esses super-ricos proliferam assustadoramente, ainda mais na chocadeira que se tornou a política. Tanto que os suplentes de candidatos ao Senado são os mais ricos desta eleição. Quase todos estão na categoria super-rico de lambuja. Na média, os primeiros-suplentes declararam ter fortuna de R$ 7,3 milhões - mais de 15 vezes o patrimônio médio de todos os 25 mil candidatos registrados para concorrer neste ano. São esses super-ricos, a elite milionária, que vão discutir as leis para reger o país já solapado por tanto interesse monetário. 

Ah, os tempos em que, como na época de Machado de Assis, os senadores tinham no máximo um tílburi ou pegavam o bonde puxado a burro para ir ao Senado, na praça da República.      

O golpe municipal dos condomínios


Enquanto áreas verdes são desmatadas para os condomínios, projeto Minha Casa Minha Vida, saudado pelo governo petista, é construído em solo inadequado para edificações, sem sistema de esgoto, pois não há na região, em meio ao mato e isolado de qualquer serviço
Município que deveria investir em educação, saneamento, atração de indústrias, empregos, prefere reforço de caixa eterno com os impostos prediais através de condomínios. Quando não sabe encontrar saída para desenvolver o município, governos adotam a jogatina do “Banco Imobiliário”. Uma solução prática para angariar impostos ad eternum, gerar umas divisas extras quando da implantação e mostrar à população o “desenvolvimento” com a vinda de novos moradores. É uma varinha mágica que atende perfeitamente os desonestos governos incapazes, pois dá dinheiro e visibilidade. De quebra, ainda pode render uma “doação” para campanha bem adequada.

O PT não criou a fórmula, mas se tornou um usuário contumaz quando os seus governos não têm qualidade administrativa. E a jogatina começa mesmo antes das eleições, quando os maiores patrocinadores de campanha são imobiliárias. Como aconteceu em 2008, em Maricá. A invasão dos condomínios foi inclusive anunciada pela revista oficiosa do próprio prefeito como um grande passo no progresso municipal. De lá para cá, emergiram condomínios por todo canto num município que não tem rede de esgoto – apenas uns 4% com o in natura jogado nas lagoas – e sem abastecimento de água na maior parte da região.

Os problemas não foram empecilho para o surgimento de condomínios, a maior parte de médio para alto luxo, num município ainda mais com sérios problemas na saúde, na educação, na geração de empregos, no comércio. E com grave problema de, no futuro, contar com um aumento assustador da população de baixa renda, criando bolsões de favelização. 

O gestor municipal tão bem se saiu em capitalizar as imobiliárias que até trouxe investidores estrangeiros também enganados pelo desenvolvimento da região (?). Gastou fortunas, que poderiam ser aproveitadas em melhorias municipais, nas feiras imobiliárias na Itália e na França para conquistar os estrangeiros através de vídeos promocionais do “grande avanço” municipal. E saiu no lucro, das doações e de uma falsa média de renda no município dormitório, pois a maioria dos novos habitantes trabalha fora daqui.

Enfim, uma jogada de mestre da esculhambação que se acha magnânimo ao lotear até áreas naturais, que logicamente estão fora da seu espaço verde, ao troco de um dinheirinho como contrapartida para a administração, a fim de criar novos ilusionismos. Assim forma a base de uma futura cidade com massa populacional acima de suas posses, de seus serviços básicos, de seu atendimento social, sem educação e geração de empregos. A Nova Maricá cresce como um monstrengo para glória de comissionados e os eternos come-e-dorme correligionários. PT, saudações.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Político nunca decepciona

Nani Humor

Limites de presidente-candidata


Se a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff gastar tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara campanha da história: R$ 298 milhões. O montante previsto para as despesas, estabelecido como teto – portanto, não necessariamente precisa ser gasto em sua totalidade –, não é uma exclusividade da campanha do PT, mas, transcorrido o primeiro mês da corrida eleitoral, chama a atenção justamente por se tratar de uma candidata que faz uso do aparato público em todas as suas agendas políticas.

O futuro com aumento de desigualdades

“Se as elites políticas não reagirem, as coisas ficarão muito feias”
Nancy Fraser é esse tipo de mulher que parece avançar na idade sem mudar, acumulando sabedoria. Ao mesmo tempo entre a serenidade reflexiva e a paixão intelectual, analisa a crise do presente, sua complexidade, com um foco de grande alcance. Seus trabalhos no campo da filosofia política se centraram nos problemas da justiça social. Em seu livro “Escalas da Justiça” (Herder, 2008) ela aborda as três dimensões que considera essenciais, todas elas definidas por palavras que começam pela letra 'r': os problemas de redistribuição da riqueza no plano econômico; os de reconhecimento no âmbito dos direitos individuais e coletivos; e os problemas de representação, na esfera política.

A americana de 67 anos viveu e analisou o avanço do capitalismo de Estado organizado, a partir do qual surgiu o modelo social europeu que propiciou as maiores cotas de justiça social, e capitalismo neoliberal, que minou o Estado de bem-estar e nos levou à grave crise de 2008..

Nancy Fraser alerta sobre as consequências do aumento das desigualdades e sobre a obsolescência das formas atuais de participação política. Ela considera urgente encontrar novos mecanismos para a tomada democrática de decisões, também, em escala transnacional.

Leia mais sobre alerta das consequências doaumento das desigualdades

Mentir ou enganar? Tanto faz

Governo reforma prédio escolar para ser a sede de reserva ecológica 
O príncipe europeu tinha uma só questão. Era ser ou não ser. O consorte da nobreza petista, em Maricá, sempre está apenas com uma dúvida: Mentir ou enganar? Qualquer que seja a opção, estará felicíssimo com seu ego. Ambas são o único caminho para não mais voltar à miséria física, pois da miserabilidade moral nunca saiu.

É dessa maneira que saem os projetos mirabolantes da ratatuia, que sempre vêm embrulhados em grandeza social. Como da criação da área de reserva ambiental, da qual excluiu um costão em Ponta Negra por interesse na criação de um estaleiro. Um agrado comum para os poderosos endinheirados que possam contribuir para campanhas eleitoreiras. As mesmas que entronizam e eternizam o partidão aqui e em outras terras.

Em outra compensação de um condomínio fechado, em distrito sem escola, se destrói parte da área nativa e paga-se o contributo de R$120 mil para o educador transformar a escola antiga e abandonada pelos poderes numa sede de parque mais prestigiosa e de maior visibilidade. Uma merreca em termos de criminalidade ambiental, mas está em jogo a campanha da própria mulher ao legislativo estadual e um reforço no imposto predial. É mais um dinheiro que entra para a poupança eleitoreira do casal. E por um desses paradoxos, a candidata aparece como defensora da educação, mas vê com alegria o sepultamento de uma escola.

Assim vai para o espaço o atendimento escolar em detrimento de ambições políticas e interesses econômicos privados. Em troca, o município ganha mais um, o enésimo, factoide com que o governo municipal possa espalhar nas redes e jornais associados ou comparsas bem pagos.

Essa mesma escola, a qual prometeu, em 2009, revitalizar e inclusive doaria “uma estante velha”, que tinha em casa, para formação de biblioteca, será reformada enfim para sede de uma reserva municipal. O que deveria atender à educação será agora um prédio com quiosques, videoteca e biblioteca com até 5 mil volumes (!!) bem mais do que a própria biblioteca municipal entregue hoje às baratas e que sequer sonha com videoteca. É muita cretinice esbanjada em uma só propaganda enganosa.

Troca-se assim área nativa e escola para a população próxima por um projeto para encher páginas de jornais com publicidade de um governo que sempre fará mais, muito mais do que se imagina, para si do que para o contribuinte.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Os invisíveis

O crime: Diante da foto, silêncio
Exércitos de silêncio
Sob frio e sol
Sem protesto
Agitam as bandeiras
De quem lhe mata a fome
E quem mais poderia ser senão políticos?

Campanha ou champanha


Segundo a Advocacia Geral da União, os gastos da campanha são arcados pelo Partido dos Trabalhadores ou pela coligação. No caso do uso do avião presidencial, caberá à Secretaria de Controle Interno da Presidência da República calcular o valor a ser ressarcido. (Que mal se pergunte: Alguém jura de mãos postas que o PT, partido do governo, vai ressarcir a dinheirama pública, quando acha que todo o cofre é dele e inclusive a presidente em campanha? Nasceu morto o crédulo.)

Se a campanha da presidente-candidata Dilma gastar tudo o que informou à Justiça Eleitoral, o Brasil registrará neste ano sua mais cara campanha da história: R$ 298 milhões. Dá para fazer uma farra, e farra haverá, porque dinheiro vai ter de sobra.

Olha quem fala


Quem aponta para uma próxima recessão é nada menos do que o conselheiro de Lula e agora de Dilma, Luiz Gonzaga Belluzo. Acredita que os próximos dois anos serão difíceis para quem for eleito, sendo difícil impedir uma recessão. “A ideia de que vai colocar a inflação a todo o custo na meta, à custa do desemprego, não vai encontrar acolhida, sobretudo entre aqueles que ascenderam na escola social nos últimos anos”.

É preciso educar os políticos


Os políticos brasileiros, antes mesmo de se candidatarem, deveriam ser cidadãos. E não são. O pecado capital que levam para as tribunas é a mentira. Negam desavergonhadamente suas diatribes. Não têm sequer conhecimento do que é cidadania. Para eles, é qualquer coisa como ter uma carteira de identidade, e chega. Muito longe disso, é respeitar deveres e direitos do outro. Algo para o que se lixam com escárnio.

Não são nem serão dignos de serem chamados cidadãos. Fazem ainda mais para nunca merecerem tal título, pois suas ações mais parecem de bandidos.

Podem fazer as campanhas que forem para incentivar o uso do voto, ressaltar a sua importância na construção de uma democracia. Os próprios políticos não ajudam nem assim querem. É uma falta de educação generalizada entre eles. São os mais deseducados. Não só por falha domiciliar, mas porque nunca se educaram para os cargos que almejam ou dizem merecer.

Acreditam que saber ler e escrever – coisa que muito sabem bem mal – é o suficiente. Não é, nem será. É preciso educação que negam também às futuras gerações, que acharão ser a política o caminho mais fácil para a fama e o dinheiro. Uma perda lamentável de consciências jogadas ao lixo para satisfação de meros meliantes.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mulher ao luar

 Ismael Nery (1900-1934) 

Por que aqui é obrigatório?

Se o Brasil, sétima potência econômica do mundo, com uma democracia reconhecida por todos, onde existe a separação dos três poderes, continua entre os 24 países que ainda obrigam a votar, significa, no mínimo, uma clara anomalia democrática
Nos países mais desenvolvidos do mundo, nos mais modernos e nas democracias mais sólidas, o voto político é facultativo.

Entre os 10 países mais ricos do planeta, em todos, menos no Brasil, ir às urnas deixou de se obrigatório ou nunca foi.

Hoje o voto facultativo está vigente em 205 países do mundo e só em 24 deles (13 na América Latina) continua sendo obrigatório.

Seria preciso deduzir disso que esses países, começando pelo Brasil, não são nem modernos nem contam ainda com uma democracia consolidada? Talvez não, mas segundo vários analistas políticos, se fosse realizada a tão anunciada e nunca realizada reforma política, deveria começar por admitir o voto facultativo, já que uma das características de uma democracia real e não apenas virtual é a proteção dos maiores espaços de liberdade dos cidadãos.

É possível que um direito se converta em um dever? Que alguém possa ser castigado com sanções em uma democracia por não querer exercer um direito?

Leia mais o artigo de Juan Arias, "Por que no Brasil é obrigatório votar?"

A loucura é preferível


Retrato de autoridade

O que tem a ver o caso da analista do banco Santander demitida na semana passada por exercer direito o seu ofício, com o caso do correspondente do The New York Times ameaçado de expulsão do Brasil em maio de 2004?

Os dois aconteceram no começo e no que poderá ser o fim do período de 12 anos de governos do PT. Foram protagonizados por Lula. E são casos exemplares da prepotência dele e de sua turma.

De volta ao futuro... Na época, pensei: o cara pirou. Só pode ser. Ou está de porre. Compreensível que tenha se sentido ofendido pela reportagem do The New York Times sobre seu gosto por bebidas alcoólicas.

Mas daí a determinar a expulsão do país de Larry Rother, correspondente do jornal mais importante do mundo? Sinto muito, era um flagrante exagero. Uma escandalosa arbitrariedade.

Foi isso o que Lula ouviu dos poucos assessores com coragem para confrontá-lo.

Um deles, durante reunião no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do Planalto, sacara de um exemplar da Constituição e apontara o artigo que garantia ao jornalista o direito de permanecer no Brasil.
Então Lula cometeu a frase que postei em meu blog às 15h16 do dia 12 de maio de 2004, poucas horas depois de ela ter sido pronunciada.


Ele disse: “Fod.... a Constituição”.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sai uma, entra outra

No Brasil, substituiu-se a ditadura militar por uma ditadura midiática
Bernardo Kucinski, ex-militante da Aliança Libertadora Nacional

A cada dia, os "passarinhos"


O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, recentemente revelou que o passarinho, em que se transformou o defunto Hugo Chavez, voltou a falar com ele por ocasião dos 60 anos do ex-presidente. A avezinha teria dito que "estava feliz e cheia de amor". Logicamente que brasileiro sabe bem que essa história não passa de invencionice de tiranete. Aqui se ri a bandeiras despregadas da canalhice do venezuelano, ridicularizado até mesmo em seu próprio país, que vive uma situação lamentável por causa do destrambelhado “bolivarianismo” algo similar ao lulopetismo brasileiro.

O brasileiro ri de Maduro, mas continua a acreditar em “passarinhos” noticiados a cada manhã pelos jornais. Estamos rindo do sujo quando somos mal lavados, e nossas aves nem estão cheias de amor, mas estão mais para urubu do que aves do paraíso. Querem mais é se livrar de vez das teias ou grades em que se envolveram.

Um desses “passarinhos” é a redução de pena em 34 dias para Genoíno Mensalão. Se alguém debocha de Maduro como pode engolir o jaburu daqui? Para alguém que estava em risco de morte se ficasse na cadeia, ainda encontrar forças para trabalhar e fazer cursos na penitenciária não é um passarinho, mas um enxame de gozação.

E quando daquela história de que se morresse o culpado seria o presidente do Supremo e relator do caso? Pois é, não morreu, trabalhou (?) até muito para um cardiopata, fez cursos com fôlego de um doente crônico, e agora está com redução da pena de 6 anos e 11 meses, que parece ser apenas para privilegiados e não para os outros meros mortais enfurnados nas condições medievais das cadeias brasileiras.

Conseguiu com esforço sobre-humano reduzir em mais de um mês o tempo prisional, inimaginável para quem estava à beira da morte se ficasse preso. Meta também incrível para quem passou apenas quatro meses no xilindró. Se todos os presidiários assim pudessem ter a mesma disposição gigantesca, estariam soltinhos há muito.

Então não ria do passarinho venezuelano, quando você tem um jaburu por dia, no barato, em noticiário brasileiro, que passa batido. 

Falta sentimento democrático

 


Ainda é cedo, mas há fortes indícios de que o PT perderá as próximas eleições. Em que Estado com muitos eleitores seus candidatos a governador se mostram competitivos? Talvez em um. No total os petistas aparecem bem situados apenas em quatro Estados, se tanto, três deles com não muitos eleitores. Quanto aos aliados, especialmente o principal, o PMDB, parece que andam em franca debandada em vários Estados. Também, pudera, como pedir fidelidade no apoio à reeleição quando, além do pouco embalo da chapa presidencial, os candidatos da oposição e do próprio PMDB aos governos estaduais aparecem bem à frente dos candidatos do PT?

As taxas de rejeição da presidenta estão nas nuvens, não só em São Paulo, onde nem o céu é o limite. Também crescem nos pequenos municípios do Norte e do Nordeste para onde, nas asas das bolsas-família, migraram os apoios do partido que nasceu com os trabalhadores urbanos. As raízes deste quadro se abeberam em vários mananciais: o das dificuldades econômicas, da tragédia das políticas energéticas (vale prêmio Nobel derrubar ao mesmo tempo o valor de bolsa da Petrobras e as chances do etanol e ainda encalacrar as empresas de energia elétrica), da confusão administrativa, do pântano das corrupções e assim por diante. Culpa da presidenta? Não necessariamente.

A democracia entre nós, já disseram melhor outros personagens, é como uma planta tenra que tem que ser cuidada e regada com exemplos, pensamentos, palavras e ações todos os dias. Cuidemos dela, pois.


Leia mais o artigo de Fernando Henrique Cardoso

domingo, 3 de agosto de 2014

Censura à vista


Nada disso é gratuito. O que se quer é inibir o debate de ideias e rumos para o país, fora da agenda socialista. Mas não parece suficiente. Tanto assim que o PT persiste na ideia de “regulamentar” a mídia e tê-la sob “controle social”.


Em 1985, primeiro ano da redemocratização, o então ministro da Justiça do governo Sarney, Fernando Lyra, anunciava, em tom triunfal, a cerca de 700 artistas e intelectuais, reunidos no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, o fim da censura.

Ela vigorara oficialmente ao longo do regime militar, exercida de forma prévia, por meio de censores nas redações, e a posteriori, pelo recolhimento de publicações que escapavam à sagacidade (sempre escassa) daqueles.

A censura prévia fora derrubada ainda no governo Geisel, mas a censura a posteriori prosseguiu até o fim do regime. Sua abolição total se deu apenas com o anúncio de Fernando Lyra, na sequência da proibição e posterior liberação de um filme medíocre de Jean-Luc Godard, “Je Vos Salue Marie”, a que os censores deram visibilidade e cujo imbróglio marcou o fim oficial da censura.

A Constituição de 1988 foi enfática em condená-la, em nada menos que seis incisos ao artigo 5º (do nono ao décimo-quarto). Mesmo assim, seu fantasma jamais deixou de pairar sobre a vida jornalística e intelectual brasileira. Adquiriu outras formas, sofisticadas, sub-reptícias, tão ou mais eficazes, dando origem ao termo, ainda vigente, de “patrulhas ideológicas”.
Leia mais o artigo de Ruy Fabiano, Censura à vista

Tá feia a coisa

A campanha não está correndo às mil maravilhas para a candidata Dilma, ao menos, em Maricá, reduto petista comandado pelo prefeito e presidente regional da legenda. Nos cartazes fincados em casas de correligionários, e são muitos esses companheiros solícito$, sequer o nome da presidente é citado. Nenhum dos três - “Lindinho” para governador, a companheira do prefeito para a Alerj, e o presidente da Câmara para o Legislativo estadual -, tá botando fé na presidente como puxadora de votos ou merecedora dos mesmos. É que, nesses cartazes, os três se apresentam como os “candidatos do Lula”. Que mal se pergunte: Esse sujeito está concorrendo a quê? 

Um clássico de todos os tempos



O filme “Sete homens e um destino” (“The Magnificent Seven”), de John Sturges, se tornou um clássico em seu lançamento em 1960 com música de Elmer Berstein. No elenco, as interpretações de Yul Brynner, Steve McQueen, Brad Dexter, Charles Bronson, Robert Vaughn, Horst Buchholz,James Coburn e Eli Wallach

sábado, 2 de agosto de 2014

Maricá ajuda campanha de 'Lindinho'


Doadora da campanha de Lindbergh venceu licitações de R$ 3 milhões em prefeitura do PT
O candidato ao governo do Rio pelo PT, senador Lindbergh Farias, vai declarar à Justiça Eleitoral neste sábado que arrecadou até o momento R$ 525 mil para a sua campanha eleitoral. Deste total, R$ 475 mil foram repassados pelo diretório nacional do PT. Apenas duas empresas aparecem na lista de doadores: a AVM Digital Comércio de Aparelhos Telegônicos Ltda e a E Digital Comércio de Aparelhos Telefônicos Ltda, com doações de R$ 25 mil cada uma. As duas têm sede em Niterói.

Pelo menos uma das empresas, a AVM Digital, já ganhou licitações quase R$ 3 milhões para prestar serviços à prefeitura de Maricá, cidade da Região Metropolitana. O município tem como prefeito Washington Quaquá (PT), um dos coordenadores de campanha de Lindbergh.

Segundo o Diário Oficial, a AVM Digital venceu uma licitação, em 2011, de R$ 1.194.619,61, para "fornecimento de equipamento de telefonia com manutenção, afim de permitir a integração da rede de internet à rede de telefonia da prefeitura de Maricá e suas secretarias". A outra concorrência ganha pela empresa ocorreu em 2012, de R$ 1.495.540,50, para "locação de plotters e scanners, incluindo assistência técnica, manutenção preventiva e corretiva, para atender a prefeitura Municipal de Maricá e todas as suas secretarias".

No dia 19 de junho de 2013, a prefeitura de Maricá também publicou no Diário Oficial um extrato de contrato com a AVM Digital de R$ 450,5 mil para "aquisição e instalação de material para criação de infraestrutura da rede lógica". À época, o prazo para prestar o serviço era de um ano e 22 dias.

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Silêncio dos bons


O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons

Martin Luther King

Que parece, parece

“O nazismo não é realmente uma filosofia política, mas uma atitude mental - a expressão, na vida política, de um certo temperamento muito desagradável – do homem que odeia a Democracia, os argumentos sensatos, a tolerância, a paciência e a igualdade bem-humorada - o homem que ama a fanfarronada e a insolência, uniformes e capangas e carros velozes, a conspiração nas salas dos fundos, gritos e violência, que quer espoliar aqueles que o fizeram sentir-se inferior” 
J. B. Priestley

***
Descrição de um inglês adaptável a qualquer “ismo” por aí. Para quem observar bem, não faltarão indicações de que é um pouco a cara de alguns.

Governar


Os garotos da rua resolveram brincar de Governo, escolheram o Presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.

- Pois não - aceitou Martim. - Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança. Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.

- Com que dinheiro? - atalhou Januário.

- Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do Governo.

- E que é que nós lucramos com isso? - perguntaram em coro.

- Lucram a certeza de que têm um bom Presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.

- Assim não vale. O Presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.

- Eu sou o Presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser Presidente é moleza? Já estou sentindo como este cargo é cheio de espinhos.

Foi deposto, e dissolvida a República.
Carlos Drummond de Andrade, em "Contos Plausíveis" 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Auxílio mútuo


A funda de Davi

Era uma vez um menino chamado Davi N., cuja pontaria e habilidade no manejo da atiradeira despertavam tanta inveja e admiração entre seus amigos da vizinhança e da escola, que viam nele — e assim comentavam entre si quando os pais não podiam escutar — um novo Davi.

O tempo passou.

Cansado do tedioso tiro ao alvo que praticava disparando pedrouços contra latas vazias e pedaços de garrafa, Davi descobriu um dia que era muito mais divertido exercer contra os pássaros a habilidade com que Deus o tinha dotado, de modo que dali em diante a exercitou contra todos os que se punham ao seu alcance, em especial contra Pardais, Cotovias, Rouxinóis e Pintassilgos, cujos corpinhos sangrentos caíam suavemente sobre a grama, com o coração ainda agitado pelo susto e a violência da pedrada.

Davi corria alegre até eles e os enterrava cristãmente.

Quando os pais de Davi se aperceberam desse costume do seu bom filho se alarmaram muito, lhe perguntaram o que é que era aquilo, e denegriram a sua conduta com termos tão ásperos e convincentes que, com lágrimas nos olhos, ele reconheceu sua culpa, se arrependeu sincero, e durante muito tempo se aplicou em disparar apenas sobre os outros meninos.

Dedicado anos depois às Forças Armadas, na Segunda Guerra Mundial Davi foi promovido até general e condecorado com as cruzes mais altas por matar sozinho trinta e seis homens, e mais tarde degradado e fuzilado por deixar escapar com vida um Pombo mensageiro do inimigo.
 Augusto Monterroso



Tempos modernos


Trecho de dança do filme "Tempos modernos" (1935), de Charlie Chaplin