sábado, 1 de agosto de 2026

Religião ajuda ou atrasa um país?

Sou um homem de fé, sempre fui. Gosto de acreditar no divino, no mistério, na transcendência, no candomblé, no budismo. Educado por padres jesuítas, aprendi muita coisa, mas também a detestar toda aquela arquitetura do medo, da culpa, do desamparo, que os padres incutiam nos adolescentes. Depois, a duras penas, você se liberta, ou quase. A verdade é que você pode sair dos jesuítas, mas eles não saem de você. Na origem, é uma ordem religiosa militarizada, fundada por Santo Inácio de Loyola como Companhia de Jesus, em que os fiéis são “soldados de Cristo”, guerreiros da fé, que deve ser levada aos infiéis a qualquer preço, pela catequese ou pelas armas.


Durante muito tempo, o Brasil foi o maior país católico do mundo, mas não é mais, com o crescimento dos evangélicos a quase 30% da população, enquanto os católicos caíram para 55%. Nos Estados Unidos, eles são só 20%, enquanto os protestantes de diversas denominações são quase 45%.

Enquanto isso, China e Japão exibem um progresso espetacular e estão entre os países mais prósperos do mundo, com menos de 1% de cristãos na população. Na China, mais da metade do povo é de ateus, e, entre os crentes, a maioria é budista e confucionista. No Japão, mais de 80% são budistas e xintoístas, que não são propriamente religiões, mas um conjunto de filosofias e regras de conduta.

Quando a religião se mistura cada vez mais com a política e se transforma em instrumento de poder no Brasil, é inevitável pensar em que medida a religião pode atrasar o progresso social e econômico de um país. Vejam a China e o Japão, em contraste com os países em que a religião tem grande poder e exerce o culto do medo, da obediência, da exclusão, da intolerância, da irracionalidade, da ignorância, da ânsia de pertencimento, de transcendência, onde a religião se mistura com partidos e políticos de direita têm atrasado o progresso social e a liberdade individual com preconceitos e discriminações de origem supostamente religiosa.

Certamente na China e no Japão as pessoas dispõem de um imenso espaço livre no seu pensamento para tudo o que lhes interessa de verdade, sem a opressão e os limites da religião. Imagino quanto espaço a religião ocupa na vida das pessoas no Brasil e nos países católicos. O poder que desfrutam os pastores sobre seus rebanhos, como representantes de Deus na Terra. Sejam evangélicos ou católicos, muçulmanos ou judeus. O problema é o rebanho e suas crenças. A mistura de política e religião deu na teocracia iraniana que criou um estado policial que exige obediência absoluta a regras religiosas, e deu todo o poder aos aiatolás há 47 anos. No Afeganistão, o Talibã se consolidou no poder na base de princípios religiosos que destroem a liberdade individual e o crescimento social.

Na China e no Japão não há manadas de crentes. A religião não influi nas políticas de Estado. Não dá votos nem para síndico do prédio. Não dá dinheiro para seus pastores, cardeais ou mulás. Não é o “ópio do povo” de Marx. O ópio do povo são as bets.

Nenhum comentário:

Postar um comentário