Enquanto isso, China e Japão exibem um progresso espetacular e estão entre os países mais prósperos do mundo, com menos de 1% de cristãos na população. Na China, mais da metade do povo é de ateus, e, entre os crentes, a maioria é budista e confucionista. No Japão, mais de 80% são budistas e xintoístas, que não são propriamente religiões, mas um conjunto de filosofias e regras de conduta.
Quando a religião se mistura cada vez mais com a política e se transforma em instrumento de poder no Brasil, é inevitável pensar em que medida a religião pode atrasar o progresso social e econômico de um país. Vejam a China e o Japão, em contraste com os países em que a religião tem grande poder e exerce o culto do medo, da obediência, da exclusão, da intolerância, da irracionalidade, da ignorância, da ânsia de pertencimento, de transcendência, onde a religião se mistura com partidos e políticos de direita têm atrasado o progresso social e a liberdade individual com preconceitos e discriminações de origem supostamente religiosa.
Certamente na China e no Japão as pessoas dispõem de um imenso espaço livre no seu pensamento para tudo o que lhes interessa de verdade, sem a opressão e os limites da religião. Imagino quanto espaço a religião ocupa na vida das pessoas no Brasil e nos países católicos. O poder que desfrutam os pastores sobre seus rebanhos, como representantes de Deus na Terra. Sejam evangélicos ou católicos, muçulmanos ou judeus. O problema é o rebanho e suas crenças. A mistura de política e religião deu na teocracia iraniana que criou um estado policial que exige obediência absoluta a regras religiosas, e deu todo o poder aos aiatolás há 47 anos. No Afeganistão, o Talibã se consolidou no poder na base de princípios religiosos que destroem a liberdade individual e o crescimento social.
Na China e no Japão não há manadas de crentes. A religião não influi nas políticas de Estado. Não dá votos nem para síndico do prédio. Não dá dinheiro para seus pastores, cardeais ou mulás. Não é o “ópio do povo” de Marx. O ópio do povo são as bets.
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