quinta-feira, 14 de maio de 2015

Truques do discurso político

Parecemos estupefatos ao ver a multidão ser conduzida por meros sons, mas devemos lembrar-nos que, se os sons operam milagres, é sempre graças à ignorância. A influência dos nomes está na proporção exata da falta de conhecimento. De facto, até onde tenho observado, na política, mais que em qualquer outra área, quando os homens carecem de alguns princípios fundamentais e científicos aos quais recorrer, eles tornam-se aptos a ter o seu entendimento manipulado por frases hipócritas e termos desprovidos de sentido, dos quais todos os partidos em qualquer nação têm um vocabulário. 
William Paley (1743 - 1805), in 'The Principles of Moral and Political Philosophy' 

Lula, carcaça envilecida

Lula continua a afrontar o país com a mesma petulância de quem, na Presidência, se achou o Rei do Brasil. As novas declarações do doleiro Alberto Yousef e a divulgação de uma pesquisa, que aponta a queda vertiginosa de seu nome caso houve campanha eleitoral hoje, deixam o ex enraivecido, literalmente espumando.

"É inacreditável que um bandido tenha palco para atacar e caluniar, sem nenhuma prova, algumas das principais lideranças políticas do país, legitimadas democraticamente pelo voto popular".


É um velho discurso petista de se vitimizar, escudado no voto do eleitor eternamente ludibriado, e ao mesmo tempo exaltar suas qualidades. O crime sempre é dos outros, pois estão imunes, o que é a qualidade adquirida.

Lula esquece que admitiu para o ex-presidente uruguaio José Mujica ter lidado "com muitas coisas imorais, chantagens". Segundo Mujica, Lula via assim "a única forma de governar o Brasil". Não seria uma confissão de crime? Ou apenas um bate-papo confessional de alguém arrasado por malfeitos na presidência? Nos dois casos, há delito. Mandante ou cúmplice, ou conivente, o ex Lula foi, isso não se tem mais dúvidas.

Mas continua a se defender cada vez mais envelhecido e envilecido. Sabe muito bem, como disse o ex-deputado Pedro Corrêa, que "ninguém tem coragem de prender Lula". E não seria apenas por declarações de presos na Lava Jato mas por exemplo no caso do "jumbo" Rosemary.

Lula confia em que falta coragem ao Brasil para condená-lo como não faltou na condenação e execração de Collor. Por essa e outras, piamente desafia o país e instituições a provarem o mínimo deslize. Os cretinos proliferam e não acham conveniente antecipar o destino. Preferem tocar o barco com a barriga do povo.

Esperam apenas o enterro da carcaça envilecida, sob muita salva de canhão e discurso, para a História contar a verdadeira história de um pelego que se achou o Rei do Brasil, ungido pela canalha, abençoado pela corrupção e ungido por gente igualmente cretina.

'Se você pretende morrer, o Brasil não é um lugar legal'

Em 2010 foi feito um estudo pela Economist sobre a qualidade da morte no mundo, que está relacionado a conversas nesse processo, número de leitos, de hospitais de cuidados paliativos no país, a formação dos profissionais em relação a isso, e aí se estabeleceu um ranking com 40 países. O Brasil ficou em 38º lugar. Então se você pretende morrer, aqui não é um lugar legal.
Ana Claudia Quintana com a paciente Terezinha

A médica Ana Claudia Quintana Arantes olha nos olhos enquanto fala. Não envia mensagens pelo Whatsapp nem olha o Facebook no celular enquanto conversa com alguém. Especialista em medicina paliativa, seu trabalho é estar presente e essa é a postura dela mesmo quando não está exercendo o ofício.

Formada em medicina pela USP, fez um curso do Instituto Palio após a faculdade e fundou a Casa do Cuidar, o primeiro curso aqui no Brasil de cuidados paliativos, de acordo com ela. Trabalha em São Paulo, no setor de geriatria do Hospital Israelita Albert Einstein e noRecanto São Camilo, onde cuida de pacientes em estado terminal, que chegam encaminhados pelo Hospital das Clínicas. É lá que ela pratica os cuidados paliativos. “Trato ali de pacientes que já foram avaliados pelas equipes médicas e já foi dito a eles que não há nada que a medicina possa fazer para modificar o curso da doença. Não há cura e não há controle”, explica ela. Todos são financiados pelo Sistema Único de Saúde.

O Recanto São Camilo fica no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, em frente a uma escola pública. A área de cuidados paliativos recebe pacientes em estágio avançado de diversas doenças, não só de câncer. E, embora sejam maioria, os idosos não são os únicos a receber os cuidados que, nas palavras de Ana Claudia, “agem sobre o sofrimento” dos pacientes. Adolescentes a partir dos 16 anos também chegam, embora em uma frequência menor. “A morte chega para qualquer idade”, diz ela. Ali, eles não são entubados, não passam por cirurgias invasivas, não recebem nenhuma medicação para tentar curar a doença que têm. Apenas para atenuar a dor. Chegam, muitas vezes, sem andar e sem falar. E não são raros os casos de pacientes que voltam a falar, a comer e até mesmo a andar.

O Brasil cansa


Os EUA são a potência que são graças ao livre mercado, à mentalidade que enaltece o lucro e o individualismo dentro de certos limites éticos

“Mais importante que as riquezas naturais são as riquezas artificiais da educação e tecnologia”, disse Roberto Campos. Estava certo, como em quase tudo mais. O Brasil é um país rico em recursos naturais, mas isso não se reverte em riqueza efetiva para a população, em boa parte porque muitos acham que basta delegar ao governo a gestão desses recursos que tudo será uma maravilha. O petróleo é nosso! Ledo engano.

Estou morando na Flórida por um tempo, em Weston, uma cidade mais afastada criada do nada, bem ao lado de Everglades. Ou seja, vivo agora no pântano, sem recursos naturais, perto dos crocodilos. Não obstante, há muita riqueza aqui, as coisas funcionam extremamente bem, a ponto de eu me sentir no Truman Show às vezes. Como pode?

Os antiamericanos de plantão repetirão as falácias de sempre: que a riqueza deles veio das guerras, ou da exploração de outros povos, ou de seu governo. Tudo falso. Os Estados Unidos são a potência que são graças ao livre mercado, à mentalidade que enaltece o lucro e o individualismo dentro de certos limites éticos, sem “malandragem” ou “jeitinho”, e sim com amplo respeito ao império das leis. Os empreendedores fizeram esta nação, em um ambiente amigável a eles, e não hostil como no Brasil, que trata o sucesso individual como pecado e adora a vitimização.

Com Obama, as coisas mudaram para pior aqui, mas a cultura capitalista sobrevive. Os americanos nunca olharam para o governo, historicamente falando, como solução para tudo. Na maior parte das vezes, ele era o problema. Liberdade com responsabilidade individual e punição severa para quem descumpre as regras do jogo: eis o modelo que funciona. É por isso que posso deixar meu carro na rua e minha porta de casa destrancada, ou voltar de um jantar às 23h com o vidro do carro aberto sem preocupação.

“Segundo Marx, para acabar com os males do mundo, bastava distribuir; foi fatal; os socialistas nunca mais entenderam a escassez”. Cito Campos novamente, pois o grande mal do Brasil é crer na riqueza como um jogo de soma zero, onde João é pobre porque Paulo é rico. É essa crença estúpida que leva a tanto intervencionismo estatal, a tanto imposto “distributivo”, que acaba punindo quem cria riqueza e, com isso, todo o país, especialmente os mais pobres.

A faxineira diarista chegou aqui em casa dirigindo um carro que é considerado de luxo no Brasil. Ela não precisa do Estado-babá para protegê-la dos patrões “exploradores”. Ela tem sua própria agenda de clientes, e fatura mais no mês do que muito médico no Brasil. Mas em nosso país ainda achamos que é o Estado que vai cuidar de todos, e que os sindicatos, esses antros de oportunistas, realmente se preocupam com os trabalhadores.

“No meu dicionário, ‘socialista’ é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros...”. Mais Roberto Campos, pois ele estava certo. Em nome desse igualitarismo, o que construímos no Brasil? Um dos países mais desiguais do mundo, e não porque alguns têm mais mérito, e sim porque a casta no poder distribui privilégios de forma totalmente arbitrária.

Trabalhamos quase até a metade do ano só para pagar impostos e sustentar uma classe em boa parte parasitária. O que temos em troca? Absolutamente nada! Ou, por outra: temos um dos maiores índices de violência do mundo, uma infraestrutura capenga, péssima “educação” pública (doutrinação marxista) e falta de saúde básica para os mais necessitados. E o que pregam as esquerdas, que nunca aprendem com os fatos? Mais Estado! Mais impostos!

Por isso digo que o Brasil cansa. Esse texto é um desabafo sim, mas não deve ser confundido com um fatalismo pessimista. Ao contrário: ao esfregar essas verdades incômodas na cara dos brasileiros, meu objetivo é mostrar que podemos mudar, que temos sido negligentes, pacatos, acomodados ao deixarmos essa esquerda destruir nosso país e inverter nossos valores. Vamos todos morar nos Estados Unidos agora? Ou vamos lutar para transformar o Brasil num país melhor, de primeiro mundo?

Se é isso que desejamos, então teremos que mudar a mentalidade vigente, combater o excesso de “malandragem”, o culto do coitadinho, esse ranço marxista que nos assola. E claro, apear essa quadrilha disfarçada de partido do poder, pois o PT pode não ser a causa de todos os problemas, mas é, sem dúvida, o maior sintoma desse câncer estatizante e populista que tomou conta do Brasil e parece em estágio de metástase.

PT ensaia 'descolamento' do governo

As últimas mensagens do ex-presidente e do partido indicam que o objetivo é tentar resgatar o passado do PT, a fim de amenizar o prejuízo para a imagem da legenda

Os recentes discursos de Lula e o tom adotado pelo programa do PT na semana passada mostram um certo “descolamento” do ex-presidente e do partido em relação ao governo. Não é uma boa opção. O sucesso de Dilma é essencial para dar competitividade ao partido no ano que vem e em 2018.

A mudança retórica de Lula já havia sido constatada no discurso realizado pelo ex-presidente durante as festividades do Dia do Trabalhador. Diferentemente do “Lulinha paz e amor”, imagem construída pelo marqueteiro Duda Mendonça na campanha presidencial de 2002, o ex-presidente optou por uma postura de conflito, sobretudo com parte da imprensa e das “elites”.

Na avaliação do ex-secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República nos dois primeiros anos do governo Lula (2003 e 2004), Ricardo Kotscho, estamos assistindo a um “descompasso entre a CUT, o PT e o governo Dilma”.

Kotscho também ressaltou em seu blog que a fala de Lula não apresentou mensagens que sinalizassem para o futuro, sendo muito “repetitivo, raivoso, retroativo, sem dar argumentos para os eleitores defendê-lo”. Em que pesem críticas como essa, a linha adotada pelo ex-presidente parece ser a mesma do PT. Basta ver as mensagens que o partido emite a partir das teses de seu 5o Congresso que vai acontecer em junho na Bahia.

Não por acaso, no programa da semana passada a legenda enfatizou, além das conquistas sociais dos 12 anos de governo petista, temas como “o combate à impunidade e à corrupção”, a oposição à redução da maioridade penal, a terceirização e a defesa da igualdade de gênero, pautas que vêm sendo defendidas pela esquerda.

No programa, o discurso de Lula seguiu o tom da manifestação realizada por ele no Dia do Trabalhador. Lembrou a história de luta da classe trabalhadora, o apoio dado pelo PT a essas bandeiras e atacou a terceirização, definindo o projeto aprovado pela Câmara como sinônimo de redução de direitos trabalhistas.

Outro exemplo da tentativa de descolamento de Lula e do PT em relação a Dilma Rousseff foi a decisão de não convidar a presidente para participar do programa de TV do partido. Aliás, Dilma nem mesmo foi defendida pela sigla.

Lula e o PT não deixarão de apoiar Dilma. Porém, as últimas mensagens do ex-presidente e do partido indicam que o objetivo é tentar resgatar o passado do PT, a fim de amenizar ao máximo o prejuízo para a imagem da legenda.

Não por acaso Lula tenta retomar atributos de sua liderança característicos dos anos 80 e 90, afastando-se um pouco do perfil de fiador do governo Dilma. Pelo que podemos observar, a partir de agora teremos um Lula falando mais diretamente com as bases do PT do que um Lula dedicado às articulações da coalizão que governa o Brasil.

No entanto, a estratégia de se “descolar” do governo Dilma, dando ao PT um papel mais de partido e menos de governo, não será uma tarefa fácil. Prova disso foi o “panelaço” realizado em diversas capitais do país durante o programa. Mesmo sem a presença de Dilma na TV, o chamado antipetismo militante está muito ativo e não demonstra disposição nem mesmo para ouvir os argumentos que o PT tem a apresentar. A sorte do PT é que ainda tem muito chão até 2018.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

As confissões de Mujica


E segue a procissão... Todo mundo sabe que, sem botar a mão no ex-Luiz e, posteriormente, em Dona Dilma, essa procissão vai andar em círculos, até entrar em órbita...

Chamado de lobista ou ladrão, qualquer indivíduo que tenha um mínimo de dignidade e vergonha na cara deve procurar imediatamente a Justiça para exigir provas das acusações e processar, nos termos da lei, o descarado mentiroso. E, se o cidadão tem vida pública, aí tem a obrigação, mais que qualquer outra pessoa, de buscar a verdade. Pois bem: o que tem saído ultimamente na imprensa de todo o mundo – já não é notícia só no país – é que o ex-Luiz é rico lobista das empreiteiras.

Dona Dilma também é culpada, se não por incompetência ou burrice, pela Teoria do Domínio do Fato, pois, como presidente do Conselho Deliberativo da Petrobras, era responsável pela compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que deu um prejuízo de mais de US$ 1 bilhão à empresa, e por “otras cositas mas”.

Eu, particularmente, não acho que é só isso. É isso e mais mensalão e petrolão, duas desgraças cujo desfecho minha geração e a deles não terão vida para ver. Não consigo sequer imaginar quando nosso país sairá dessa enrascada, quando penso que ainda virão as CPIs dos fundos de pensão e o tsunami do BNDES.

A propósito, uma revista importante, a “Veja”, fez uma comparação interessante entre duas empresas do mesmo porte e de potencial idêntico, ambas mundiais, que tiveram o ano de 2007 como definidor de seu futuro: “enquanto a Petrobras anunciava a descoberta do campo Tupi na Bacia de Santos, uma fronteira promissora de exploração sob a camada de sal, a quilômetros de distância da nossa costa, a Apple do presidente Steve Jobs apresentava o iPhone, o primeiro celular a explorar verdadeiramente as potencialidades da internet móvel e sua integração ao dia a dia das pessoas”. Pois bem, há poucos dias, as duas empresas voltaram a dar notícias extraordinárias: enquanto a Apple anunciava um lucro de 13,6 bilhões de dólares no primeiro trimestre do ano, a Petrobras divulgava um prejuízo de mais de 40 bilhões no exercício fiscal passado. Enquanto a Apple pagará dividendos a seus acionistas, a Petrobras nada poderá pagar por consequência da corrupção havida.

Se não basta o que acabo de dizer, todos os que se interessam pelo drama por que passa nosso país devem ler o livro “Una Oveja Negra al Poder”, que deve estar chegando às livrarias, de autoria de André Danza e Ernesto Tulbovitz, dois jornalistas uruguaios. O livro relata os cinco anos do governo de Pepe Mujica do Uruguai e apresenta uma interessante declaração do homem do fusca velho: a de que o inocente ex-Luiz lhe revelou numa visita em 2010 que “neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens. Essa era a única forma de governar o Brasil”.

Pois é. Essa forma de governo do PT, tal qual cupins, roeu as entranhas do país, que crime vergonhoso...

Sylo Costa

Dilma, Lula e o regabofe do Dr. Kalil

Dilma e Lula foram no sábado ao casamento do médico Roberto Kalil. Ambos eram padrinhos do noivo. Ao chegar a presidenta teve de enfrentar um manifestação de meia dúzia de paneleiros com cara de mal-amados que moram ali nas imediações do Itaim, bairro do buffet Leopoldo, um dos mais chiques da cidade.

Nada de mais. Nada de menos. Presidentes da República e ex-presidentes têm o direito de ser padrinhos e madrinhas de casamentos. E necessariamente esses amigos não têm de ser pobres.

Podem ser muito ricos, como o médico em questão parece ser.

Mas neste caso há uma outra questão em jogo. O momento do país não é nem dos melhores e nem sequer razoável. Vive-se uma crise política de grandes proporções abatendo o governo e o partido de Lula e Dilma.

Num momento como esse não se deve agir apenas de maneira racional. E tampouco deve-se fazer as coisas que parecem não ser erradas.

Nessas horas é preciso estar atento aos significados e símbolos.

O casamento de Roberto Kalil foi um evento típico das cortes. Lá estavam presentes representantes de toda a elite econômica e política do país.

Mais do que isso, foi um evento realizado com pompas de uma produção hollywodiana.

E num momento onde o discurso do governo é de ajustes e a prática é de corte de direitos, não é hora para a presidenta do país ir numa badalação dessas. Muito menos para o ex-presidente Lula, que é o principal patrimônio popular do PT.

Era hora de dizer ao “companheiro” Kalil que infelizmente seria um erro ir na sua festa porque neste momento é preciso estar mais próximo dos companheiros de sempre: os acampados do MST, os sindicalistas, os catadores, as mães trabalhadoras, os professores em luta, os petistas que estão sendo perseguidos, os jovens que são massacrados pela polícia nas periferias etc.

Era hora de mais seriedade.

Não se trata de sectarismo barato. Nem de moralismo babaca. A questão é que ao serem fotografados numa festa que é um acinte para maior parte dos brasileiros, Lula e Dilma acabam sendo entendidos como parte desta elite.

E perdem muito mais do que ganham.

E não só eles.

Aqueles que acham que eles são diferentes dessa elite também perdem muito. 


Lula esvaziou as redações e abarrotou o governo de jornalistas militantes

Noaldo Dantas, de saudosa memória, não cansava de repetir, para deleite da plateia, quando via um colega com o rei na barriga: “O jornalista é um miserável importante”. Frasista dos bons, não sei se posso atribuir-lhe a autoria dessa pérola mas que é verdade não há dúvida. Lula, quando fala que “se juntar todos os jornalistas da Veja e da Época não dão 10% da minha honestidade”, não quer atingir apenas os profissionais dessas duas revistas, mas também os jornalistas que usaram seus veículos de comunicação para levá-lo ao poder. Fala de cadeira porque muitos ele cooptou para o seu governo. Portanto, conhece a vulnerabilidade de cada um dos seus seguidores.


Na verdade, dois candidatos à presidência da república contaram com os teclados submissos e generosos de muitos jornalistas no Brasil: Collor e Lula. O primeiro atraiu muitos colegas de redação com a guerra contra os marajás. Convidava-os em lote para visitar Alagoas, onde uma estrutura de comunicação se encarregava de encantá-los com os projetos de moralização do seu governo garantindo a mídia favorável nos jornais e revistas. O Lula apareceu como líder dos trabalhadores do ABC e logo virou atração de modernidade para a esquerda festiva e burguesa e dos jornalistas deslumbrados que viram no PT a marca da contestação ao regime militar e o rompimento ideológico com antigos partidos, como o PCB, por exemplo.

Veja que o vermelho não é diferente do colorido. A prova disso é que ambos estão juntos hoje em dia. E partiu de Lula a iniciativa de se aproximar de Collor para que ele ajudasse o PT a se estabilizar no poder, postura tão diferente daquela quando incentivou o Zé Dirceu e seus militantes caninos a provocar a CPI do PC Farias que terminou com o impeachment do seu atual amigo. Lula não se conformava ter perdido a eleição para Collor em um debate desastroso em que gaguejou durante todo o tempo, mesmo acostumado aos grandes confrontos.

Pois bem, Lula fala de cadeira quando direciona seus mísseis para os jornalistas. O único equívoco é quando generaliza. Nem todos os profissionais comem ou comeram no seu cocho de mandioca. Mas uma boa parte sim, diga-se. Com a sua chegada ao governo, muitos dos seus adeptos largaram as redações e seguiram o mestre na sua escalada ao poder. Foram coerentes: defenderam as ideias de Lula nas redações às custas dos patrões que os remuneravam e depois foram se aboletar nas repartições a soldo do erário público.

Lula aparelhou o estado distribuindo estrategicamente os jornalistas que lhes prestavam obediência nos órgãos estatais. Aos colunistas políticos mais conhecidos, ele deu posição de destaque no seu governo. Entregou a alguns, inclusive, os cargos de comando nas empresas de comunicação do governo. Usou e abusou de todos eles e depois descartou-os como rolete chupado. Muitos, desiludidos e frustrados, hoje estão na oposição. Coisa feia. Cospem no prato que comeram. Uma indelicadeza com o chefe. Agora, doze anos depois, surge uma nova geração de jornalistas independentes nas redações que só conhece de Lula e do PT os atos de corrupção. É para esses jornalistas novos, apartidários, que Lula se lança ao ataque com seu contingente de guerrilheiros vermelhos da comunicação na rede dos blogs chapas-brancas financiados pelos órgãos públicos.

Na trincheira de Lula, tentando erguer envergonhadamente a bandeira da moralidade, estão muitos jornalistas medíocres que foram se abastecer nas tetas do governo. São dessas tetas que provêm seus sustentos. Nada seria demais se o trabalho desses profissionais visassem apenas a divulgação isenta da notícia dos órgãos estatais. O que se vê, porém, é a utilização da máquina do governo para difamar e ameaçar autoridades constituídas que investigam a corrupção ou pessoas de bem que divergem do caminho desastroso que os petistas levam o país.

É assim, diante dessa submissão e do servilismos doentio de alguns profissionais de imprensa, que vivem à sombra das benesses petistas, que o jornalista brasileiro deixa de ser um miserável importante, para se transformar, infelizmente, apenas em miserável.

De ed.kennedy@edu para todo mundo

Meu nome é Edward Kennedy, nada a ver com o xará irmão do presidente americano, que foi senador e veio para cá em 2009. Falou-se dos 70 anos do fim da Segunda Guerra e novamente fiquei esquecido. Todo jornalista que lida com notícia deve se lembrar que fritaram Ed Kennedy.

Em maio de 1945 eu era o chefe do escritório da agência de notícias Associated Press na frente ocidental da Segunda Guerra. Estava baseado em Paris, era um gato e bebia tudo com Ernest Hemingway. Na manhã do dia 6, um domingo, fui chamado pelo comando militar americano para embarcar num avião militar. Éramos dezessete. Não sabíamos para onde íamos, nem para fazer o quê. Ao desembarcar na cidade de Reims, onde estava do QG do general Dwight Eisenhower, entendemos tudo. O mundo já sabia que Hitler estava morto, que os russos já haviam entrado em Berlim. Era a rendição do Reich.


Fomos informados de que o que acontecesse ali deveria ser mantido em segredo. Logo depois chegou o general Gustav Jodl, chefe do Estado Maior alemão. O almirante que veio com ele pediu uísque, pareceu descontraído e matou-se dias depois. 

Às 2h41 do dia 7, segunda-feira, a turma do avião viu quando assinaram a rendição. Para espanto geral, fomos informados de que a notícia só poderia ser anunciada às 15h do dia seguinte, quando os alemães já tivessem capitulado cerimonialmente na frente russa. Voltamos para o avião e chegamos de manhã a Paris.


Eu dei umas voltas. Tinham-se passado mais de 12 horas, a guerra tinha acabado, mas isso não podia ser contado. Pior: uma rádio alemã já havia transmitido a rendição de Reims. Os censores mantiveram o embargo. Às 14h24 liguei para o escritório da AP em Londres e passei a noticia: "A Alemanha rendeu-se incondicionalmente". Pode ter sido a notícia do século.

Na primeira hora, fui festejado. Em seguida o comando aliado cassou minha credencial e o que era festa tornou-se recriminação. Colegas meus, reunidos em Paris, condenaram-me por 52 votos contra quatro. Meu comportamento teria sido "aético". Meus patrões pediram desculpas ao governo, chamaram-me de volta a Nova York e suspenderam-me. Não me davam serviço e um dia depositaram US$ 4 mil na minha conta, sem uma palavra. Era o sinal para que eu sumisse dali. Arrumei um emprego na Califórnia e morri num acidente de carro em 1963, aos 58 anos. Só quem me defendeu foi o A. J. Liebling, com um artigo intitulado "A Capitulação da AP".

Meu chefe chegou aqui pouco depois de mim e se esconde quando me vê. O general Eisenhower já me pediu desculpas. Outro dia conversamos sobre o comportamento da imprensa americana durante a invasão do Iraque e ele disse um palavrão, coisa que raramente faz. Já o general Patton continua xingando a minha mãe, mas isso não tem importância porque ele vive falando das mães dos outros. A Associated Press levou 67 anos para se desculpar.


Até hoje tem gente que propõe o meu nome para um Prêmio Pulitzer póstumo. Não sei se é boa ideia. Ficarei satisfeito se for lembrado por qualquer repórter que corre atrás da notícia em vez de prestar atenção no que lhe dizem os poderes da hora. No entanto, como ninguém mais se lembra de mim, cuidado, notícia é coisa perigosa.Elio Gaspari

Quando réu fala verdade, incomoda

OLIVEIRA 120515 Face

O Brasil é movido a corrupção. Uma corrupção cobre a outra corrupção. É o que chamamos no meu mercado de bike. Um santo cobrindo o outro. Quebrou o vício, o círculo, aí o País entrou em crise. O País entrou em uma recessão
Nelma Penasso Kodama, condenada a 18 anos de prisão nos processos da Operação Lava Jato

O problema é que o governo atrapalha quem produz

Charge O Tempo 12/05

Liberalismo puro não há, pois ninguém vive sem regras. O liberalismo puro seria autofágico, porque se exprime na voracidade do lucro sem limites, começa por eliminar a concorrência, depois o consumidor e, por fim, a si próprio.

Todo país necessita ter regras, que são aplicadas pela própria figura do Estado. Mas é preciso que essas regras sejam funcionais e, principalmente, coloquem freio na própria ação estatal, sob pena de o governo se tornar intervencionista demais e acabar por destruir o próprio mercado, ao manipular suas políticas macroeconômicas em prejuízo da geração de riquezas e da consequente distribuição de renda.

O Estado tem de entrar para controlar e limitar o processo de acumulação de riquezas, tomando-a de volta no círculo de rendas mediante a aplicação de tributos que respeitem a capacidade contributiva, para redistribuir à sociedade a riqueza que ela própria gerou. É como se houvesse uma participação do lucro total, para que toda a sociedade possa usufruir de bens e serviços públicos de qualidade, prestados pelo governo ou por concessionárias, dependendo da situação.

Ou seja, o sistema precisa combinar a liberdade da iniciativa privada e a intervenção estatal na estruturação social, para que ocorra o esperado equilíbrio material. Um exemplo da ação esperada do Estado é a repressão à formação de cartéis, oligopólios, monopólios e monopsônios (mercado com apenas um comprador), por exemplo.

Para essa importantíssima função temos o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE, que sabidamente não funciona. Querem um exemplo? Por acaso o CADE evitou a formação de um oligopólio do nosso setor bancário? Olhem que coisa absurda! Demonstra que o Estado brasileiro não dá conta nem do mínimo que se espera dele.

Na verdade, nosso Estado não funciona a contento nem com o básico, com ações mínimas em áreas como educação e saúde, quanto mais agir corrigindo o mercado… Estamos sentindo isso agora mesmo em nossa pele. A ação tresloucada de Dilma Rousseff e Guido Mantega no relaxamento da política fiscal, na transferência de recursos para empresas eleitas pelo governo como beneficiárias, as desonerações tributárias a setores específicos, também desequilibrando a livre concorrência, e por aí vai, no caso da energia barata, do preço dos combustíveis…

Examinando a lista dos países mais desenvolvidos e com melhor qualidade de vida e distribuição de renda, podemos ver que levam vantagem clara aquelas nações que preservam a liberdade econômica, mas sabem usar a força do Estado para corrigir as distorções. Enquanto isso, aqui no Brasil…

O que é melhor: um ministério ou diretorias de agências reguladoras?

Dependendo da agência e do setor às vezes cinco diretorias de agências valem mais do que um ministério

Hoje, estão vagos três cargos da Agência Nacional de Aviação Civil. Um, na Agência Nacional de Telecomunicações, um na Agência Nacional da Saúde Suplementar, três na Agência Nacional de Transportes Terrestres, um na Agência Nacional de Águas. Algumas agências hoje vivem de interinos.

O que é melhor para um partido político da base aliada, neste presidencialismo de coalizão? Pleitear um ministério ou algumas diretorias nestas agências?
Agências reguladoras  (Foto: Arquivo Google)
Muitos acham que as diretorias, é claro. Por motivo simples. Os diretores de agências em geral têm mandatos fixos. O Ministro pode cair, ser substituído de uma hora para outra. Os diretores, não. A presidenta ou o ministro passam e os diretores ficam.

Acresça-se ainda que se a agência for de uma área de maior impacto nacional, como telecomunicações ou saúde, as diretorias estarão inseridas num network empresarial e de influências muito grande. Seu poder se estende além dos muros, e dos orçamentos e dos cargos da própria agência.

Na verdade, hoje o principal poder do governo não são os recursos financeiros através dos orçamentos, e os recursos humanos através dos cargos públicos. O poder mais precioso que o governo tem para distribuir são as normas, as regras, as resoluções, as portarias. Em suma, a regulação do mercado.

O exercício do poder regulamentar numa sociedade cada vez mais regulada como a nossa é o principal instrumento de exercício do ius imperium. O alvo mais duradouro da cobiça.

Este poder regulador, por exemplo pode decidir a vida e morte de empresas. Pode criar ou levantar barreiras de entrada de novas empresas no setor regulado. Barreiras que acabam por constituir ou destruir monopólios ou oligopólios.

Não são poucos os que apontam que as agências hoje, e suas alianças com determinados grupos privados, são sobretudo instrumentos de consolidação legal de oligopólios em atividades setoriais sobretudo as de monopólio natural.

Dependendo da agência e do setor às vezes cinco diretorias de agências valem mais do que um ministério. Sobretudo porque depois de ser diretor da agência pública, as portas estão abertas para que o político, ou seu indicado, passe de lado. E vá ser diretor de empresas que foram reguladas. Por ele.

Este é um subproduto imprevisto do famoso presidencialismo de coalizão, que tanto tem feito sofrer nossa democracia e nossa ética pública. Ou se repensa presidencialismo de coalizão e o sistema de agências reguladas, ou eles acabam coma democracia e com o capitalismo.

O governo no telhado

Sete meses depois da eleição, Dilma ainda não conseguiu formular um plano. Na escuridão gerencial, proliferam ‘ideias’, como a de limitar o uso da internet nos ministérios

Depois de dez horas de reunião, no sábado 25 de abril, Dilma Rousseff constatou que andava em círculos, sem saber por onde começar o corte de investimentos em obras e a redução dos serviços de manutenção da infraestrutura. Era noite quando despediu-se de ministros e presidentes de bancos federais.

Nos dias seguintes o Ministério da Fazenda começou a negociação dos cortes. O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, contou a senadores como foi:

— Aconteceu uma coisa engraçada. Eu estava lá na Fazenda e me falaram: “Faça um corte linear de 25%.” Então, eu disse: “Ah, tudo bem. E na hora em que eu chegar a uma ponte, eu construo só 75% e ponho uma balsa para eles atravessarem?”

O governo parou, antes de recomeçar. Sete meses depois de reeleita, Dilma ainda não conseguiu formular um plano administrativo consistente. Sequer definiu o tamanho dos cortes em despesas e investimentos que se vê obrigada a realizar, por incúria no primeiro mandato.

Na escuridão gerencial, começaram a proliferar na Esplanada dos Ministérios ideias avulsas — algumas inócuas, outras malucas —, entre elas a imposição de limites ao tempo de uso da internet.

Ontem, passados 130 dias da posse, não havia ministro que soubesse qual será o seu orçamento nos próximos sete meses. Quase todos renegociavam débitos de 2014 pendentes com fornecedores. Poucos devem chegar ao fim do mês com as dívidas de janeiro resolvidas.

A escassez não é só de dinheiro.

Na Saúde, caso exemplar é o projeto do Hospital do Câncer de Sergipe. Aliados locais de Dilma protestam porque, depois de cinco anos com “dinheiro na conta”, esse empreendimento não recebeu um único tijolo. Talvez continue no papel até a próxima eleição presidencial.

Em Transportes, simbólica é a duplicação da BR-101 entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. Lula “inaugurou” a obra três vezes nos últimos 12 anos, e Dilma renovou a promessa no ano passado. Até hoje não tem projeto definitivo e nem aparece na listas de prioridades governamentais.

Na Educação, a confusão gerencial que redundou em agonia para milhares de estudantes foi produzida da seguinte forma, conforme relato feito no Congresso por Amábile Pacios, da Federação Nacional das Escolas Particulares:

— No dia 9 de dezembro, nós tivemos uma audiência com o então ministro Henrique Paim (da Educação) e eu perguntei: “Ministro, vai haver mudanças no Fies?” Ele disse: “De forma nenhuma. A presidente prometeu, na campanha, não mexeremos no Fies.” No 26 de dezembro, recebemos um e-mail do MEC: “O gato subiu no telhado.” No dia 29, a gente soube da notícia. As regras foram mudadas exatamente nas férias escolares.

No centro do poder há mais de uma década, Dilma permanece um enigma, prisioneira de uma nuvem de generalidades e posições óbvias, em geral a favor da luz elétrica, da água encanada, da erradicação da miséria e do analfabetismo. Atravessou quatro anos repetindo formulações rudimentares como “meu olhar principal não é para os números do PIB nem para a taxa de juros, é para as pessoas”.

É compreensível seu estupor diante do desastre gerencial que construiu, mas precisa agir rápido para resgatar o governo que subiu no telhado e lá permanece, catatônico.

José Casado

terça-feira, 12 de maio de 2015

É preciso punir os generais do exército em retirada


Uma das manobras mais difíceis de se executar, por parte de um grande exército, é a retirada. Ceder território é desmoralizante e passa o sentimento psicológico de que a derrota se aproxima. Mas, independentemente dessa situação ser constrangedora, um bom general precisa garantir que seus exércitos consigam se reagrupar, ganhando condições operacionais para enfrentar as próximas batalhas.

Ao realizar a manobra de retirada, é costumeiro que o exército em recuo deixe, no caminho, uma parcela de suas tropas com a função de obrigar o inimigo a perder algum tempo enfrentando-as. Assim, quem se retira troca espaço por tempo, conseguindo as condições para se reorganizar e melhor poder defender suas posições, a seguir.

Observe-se o que aconteceu com Graça Foster, presidente da Petrobras: ela foi submetida a um desgaste desumano, nesse último ano. Enquanto ficava evidente que a Petrobras teve seus recursos dilapidados e foi literalmente implodida em nome dos interesses do partido que se apoderou da máquina de governo, Graça Foster atraiu o fogo da bateria do exército da oposição, enquanto o ex-presidente da empresa, o ex-presidente da República e a liderança partidária do PT ganharam um tempo precioso que lhes permitiu vencer a eleição presidencial e se organizarem para o grande embate judicial que se aproxima.

Como “tropa retardadora”, Graça Foster (além de um grupo de diretores da Petrobras), deu o melhor de si, sacrificando-se com ardor missionário – sabe-se lá por quê– em benefício de Lula da Silva e de Dilma Rousseff.

Diante desses fatos, observa-se que o exército da oposição não pode esquecer que é necessário levar à rendição quem assinou o contrato que levou a Petrobras a perder mais de um bilhão de reais com a Refinaria de Pasadena. E quem assinou esse contrato foi o Conselho da empresa, dirigido – na época – por Dilma Rousseff.

Deve ser levado ao tribunal de crimes de guerra o camarada que fez o acordo com a Venezuela para se construir a Refinaria Abreu e Lima, o que levou a um prejuízo de aproximadamente 20 bilhões de dólares. E quem realizou esse acordo foi Lula da Silva.

Deve ser levado à rendição quem doou petróleo para a Venezuela (no período da crise que quase derrubou Hugo Chávez. E quem fez isso foi Lula da Silva.

Precisa ser derrotado quem alterou o contrato de exploração das jazidas de petróleo, criando o sistema de partilha que exaure os recursos da Petrobras. É necessário levar à rendição quem resolveu combater a inflação mantendo congelado os preços dos combustíveis fósseis, destruindo o equilíbrio financeiro da Petrobras.

E, para não perder a viagem, a oposição deve levar às barras dos tribunais, quem destruiu o equilíbrio das empresas que produzem energia elétrica. E também quem entregou os recursos do BNDES – com juros subsidiados – para algumas empresas que, posteriormente, faliram.

A oposição também precisa punir (sempre dentro da lei) quem doou dinheiro para se construir um porto, em Cuba, e uma linha de metrô, na Venezuela, com os recursos do contribuinte brasileiro, enquanto há tantas deficiências de infraestrutura em nosso próprio país.

Graça Foster é desimportante: o que interessa é penalizar os mandantes. Trata-se de capturar os generais desse exército em retirada.

Marx e Engels serão reconhecidos como benfeitores da humanidade

É impressionante como o mundo evolui tecnologicamente numa velocidade assustadora, mas politicamente se mantém estagnado. As discussões sobre capitalismo e comunismo já deveriam estar totalmente sepultadas, mas continuam despertando emoções, como se ainda estivéssemos em meados do século XX, em plena guerra fria. Chega a ser patético.

A evolução da humanidade atingiu tal ponto que hoje a discussão política precisa ser travada em outros moldes, mais consentâneos com a realidade da vida, sem essa conversa fiada de direita e esquerda, porque está mais do que provado que capitalismo e comunismo, em suas concepções originais, já estão completamente superados.

A teoria de Karl Marx e Friedrich Engels, concebida em 1848, provocou uma revolução intelectual e se transformou num marco na História da Humanidade. Quase dois séculos depois, é preciso entender que a principal consequência do Manifesto do Partido Comunista não foi a difusão da possibilidade de haver um regime político-administrativo mais humano, justo e igualitário. O resultado mais notável da genialidade de Marx e Engels seria outro, que eles jamais haviam imaginado — a evolução do capitalismo rumo ao Estado de Bem-Estar Social (Welfare State).

Na prática, depois da Revolução Russa, foi a ameaça do comunismo se espalhar pelo mundo que obrigou o capitalismo a ir progressivamente se reciclando, com abrandamento da exploração do homem pelo homem que Marx e Engels tanto denunciaram. Pouco a pouco, os países ocidentais mais desenvolvidos foram aperfeiçoando os direitos trabalhistas e as regras de amparo social, com adoção de salário mínimo, férias, assistência médica aos carentes, educação pública, aposentadoria e pensão.

Embora muitas nações continuem vivendo em condições medievais e a metade dos 7 bilhões de habitantes do planeta ainda esteja em situação de abandono, com dificuldades de sobrevivência, não há dúvida de que o capitalismo já teve uma evolução verdadeiramente extraordinária e a Humanidade conseguiu esboçar um regime político-administrativo que no momento pode ser considerado ideal, adotado na Escandinávia e que tende a ser aceito universalmente.

Portanto, o que se deve debater hoje, no Brasil, é a forma de evoluirmos para atingir o estágio político-administrativo dos países nórdicos, que estão no ápice das estatísticas em termos de qualidade de vida (IDH – Índice de Desenvolvimento Humano), estabilidade econômica, educação pública, assistência médica e justiça social.

Este é o grande desafio, porque o Brasil ainda está muito longe do patamar alcançado pelos escandinavos, que conseguiram um fabuloso progresso econômico e social,apesar de viverem sob condições climáticas adversas. Nos países nórdicos, as instituições públicas e privadas convivem em harmonia, a livre iniciativa é respeitada, os três poderes funcionam, a ninguém é dado o direito de enriquecer na política ou na administração pública, não existe abismo entre o menor e o maior salário, essas nações não estão dominadas pelo sistema financeiro.

É claro que os escandinavos não atingiram a perfeição. Uma das falhas ainda existentes, por exemplo, é a assistência médica de qualidade inferior para quem não possui plano de saúde. Outro problema é a necessidade de aprimorar a educação pública. Mas isso é fácil de resolver, e fica evidente que os próximos passos serão a universalização do atendimento médico-hospitalar e a garantia de um ensino gratuito de qualidade para todas as crianças e jovens.

Marx e Engels jamais poderiam imaginar que houvesse esta maravilhosa evolução do sistema capitalista, assim como nem desconfiavam que a adaptação de suas ideias acabaria provocando esses importantes avanços, que um dia o Brasil haverá de alcançar, para felicidade de nossos filhos, netos e bisnetos.

Agora, discutir capitalismo e comunismo nos dias de hoje, francamente, é uma tremenda perda de tempo.

Que Estado é esse de justiça?

Tá tudo dominado. Perdeu, cidadão. Fachin ou não Fachin é a questão do momento. O Brasil fica de repente envolvido pela campanha, descaradamente é uma campanha, de candidatura de Luiz Fachin para o Supremo Tribunal Federal. Nunca antes neste país se viu esse descaramento de se apelar para as redes sociais, com página criada pelo PT, a fim de se conseguir a aprovação de um nome para a corte mais importante do país.

Assiste-se verdadeiramente a uma corrida partidária em defesa de um nome indicado pela presidente Dilma com a maior naturalidade.

Como não importam os meios, o PT é o grande patrocinador da página nas redes para pressionar os senadores a fim de Fachin se tornar mais um juiz petista no STF.

Aparelhamento descarado da Justiça que não causa, pasme-se, nenhum rubor nas faces do meritíssimo. Para o futuro juiz do STF, sua página de apoio contar com o líder de criação do PT/Dilma e da Agência PT de Notícias é de uma exemplar naturalidade.

Estamos à beira de contar com um membro no STF que trata com naturalidade ser o juiz partidário, depois de nomeados os simpatizantes.

É um escracho com a justiça num país que tem mais de 200 juízes ameaçados de morte não apenas por marginais e organizações criminosas, mas também por grupos de políticos corruptos. Quando o judiciário vive sob ameaça da bandidagem, se assiste de arquibancada um juiz recorrer a redes sociais para passar na sabatina do Senado.

Perdeu Brasil. A justiça aqui se escreve como o PT quer. Um perigo para o Estado de Direito à beira de se tornar um Estado Partidário.

Conselho

O PCdoB celebra um genocida

Com a desculpa de celebrar um capítulo da vitória dos Aliados contra a Alemanha nazista, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) fez uma verdadeira homenagem ao genocida Josef Stálin, responsável pela morte de mais de 60 milhões de seres humanos.

O PCdoB publicou em seu site o editorial “Em 9 de maio, os 70 anos da gloriosa vitória de um ideal”, no qual confunde propositalmente a derrota dos nazistas com “a vitória do ideal comunista”, uma falsificação da História que lembra as profecias de Orwell:

“O 9 de maio representa a derrocada da ideologia mais reacionária, terrorista e criminosa que o capitalismo produziu, o nazi-fascismo[…] Marca também uma retumbante vitória dos povos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e do movimento comunista internacional, indubitavelmente os principais protagonistas da luta antifascista.”
Stalin_and_Hitler

Os falsificadores da História que escreveram a frase mentirosa acima certamente querem nos fazer esquecer o pacto Nazi-Soviético, assinado agosto de 1939 pelo camarada Stálin e Adolf Hitler, dois adoradores do Estado forte, intervencionista e autoritário.

O pacto celebrado entre Stálin e Hitler proibia agressões mútuas, vetava alianças com inimigos dos signatários e determinava que possíveis discordâncias fossem resolvidas com uma “amigável troca de opiniões”. Ou seja, nazistas e comunistas estiveram no mesmo barco.

Com a eminente deflagração da guerra, Stálin e Hitler queriam partilhar as conquistas entre eles, criando duas grandes esferas de influência, uma alemã, outra soviética. A Polônia, rasgada em duas na altura do rio Bug, seria apenas o primeiro prêmio a ser dividido.

Mas esta bonita história de amor entre nazistas e comunistas terminou abruptamente em junho de 1941, quando a Alemanha, sem prévio aviso, invadiu o território soviético. Foi então que Stálin decidiu se travestir de antifascista e lutar ao lado dos capitalistas burgueses.

O editorial do PCdoB é tão mentiroso que vende um passado surreal no qual a verdadeira guerra foi travada entre comunistas e anticomunistas, ignorando o fato de que Hitler, Mussolini e Stálin se admiravam mutuamente e odiavam a democracia liberal.

Os falsificadores do PCdoB apresentam um Stálin bondoso e libertador que seria exatamente o oposto do malvado e tirano Hitler:

Na arena internacional, Stálin tentou incansavelmente estabelecer alianças militares contra o nazismo, especialmente com a Inglaterra e a França, sempre recusadas, pois havia o desejo secreto de que Hitler derrotasse os comunistas soviéticos.

O historiador Timothy Snyder lembra que havia mais semelhanças do que diferenças entre nazistas e comunistas. Na verdade, eram dois impérios totalitários da Europa mantidos pela escravização de povos inteiros, coletivizações e, é claro, genocídio:

“Hitler e Stálin dividiam certa estratégia de tirania: eles causavam catástrofes, culpavam o inimigo de ocasião e depois usavam as mortes de milhões para alegar que seus atos eram necessários. Os dois tinham utopias transformadoras, um grupo para culpar quando suas realizações se provavam impossíveis e uma estratégia de assassinato em massa que podia ser proclamada como uma vitória ersatz (falsa)”

Os nazistas mataram milhões de judeus; os comunistas mataram de fome milhões de ucranianos. Calcula-se que 3,3 milhões morreram de inanição na Ucrânia dominada pelos soviéticos, na fome de 1993 que se seguiu à coletivização destrutiva de Stálin.

Snyder ainda lembra os cerca de 250 mil cidadãos soviéticos, predominantemente poloneses, mortos devido à sua origem étnica entre 1937 e 1938. Às vezes, a polícia pegava nomes poloneses de guias telefônicos, ou fazia prisões em massa em igrejas polonesas.

O camarada Stálin foi também responsável pela morte de cerca de 700 mil bolcheviques e militares nos chamados Processos de Moscou, no qual a maioria das “confissões” era obtida por meio de tortura. Matou, torturou e fez desaparecer seus adversários no partido.

Stálin é celebrado pelo partido de Jandira Feghali, que recentemente literalmente tentou calar o senador Roberto Freire e, com a reação dele, fez um escândalo como se fosse uma vítima de stanilistas.

Stálin é herói do partido de Manuela D’ávila, a patricinha comunista que adora passear em Nova Iorque, o coração do imperialismo ianque.

Stálin, enfim, é a figura de louvor do PCdoB, o mais fiel e antigo aliado do PT, aquele partido que quer "humanizar as redes" e "democratizar a mídia".

Thiago Cortês
ATUALIZAÇÃO: Após centenas de mensagens negativas em sua fanpage, o PCdoB retirou a postagem com o texto do editorial supracitado e a foto de Josef Stálin. Mas o texto continua no site do partido.

Escudos sem sentido

Lenda antiga, citada por autor latino do século 13 a.C., cujo nome segundo alguns historiadores era Panfilus, segundo outros era pseudônimo de um cara chamado Porfirus, nascido em Siracusa. A lenda garante que em Creta fora criado o primeiro sinal de trânsito do mundo.

Um preboste riquíssimo mandou fazer um escudo com as cores auriverdes e um símbolo que parecia o pênis ereto de um anão apontando o caminho do único lupanar daquela ilha no Mediterrâneo.

O falo era uma indicação. Marinheiros de todas as cidades costeiras ao Mediterrâneo faziam fila diante do tal lupanar, e para evitar que batessem em sua porta, o preboste mandou fazer o escudo para indicar o caminho da casa onde os visitantes pudessem saciar o desejo daqueles que passaram meses no mar.
Em Pompeia, sepultada pelas cinzas e fogo vomitadas do Vesúvio, havia também a sinalização mais simples, sem escudo mesmo, apenas com o falo monumental de um gigante.

Este início erudito de crônica tem um sentido. No escudo oficial do Brasil há uma folha de café e outra de tabaco, que hoje sofre bem nutrida campanha contra o câncer. Pior é o escudo do Rio de Janeiro, onde aparecem dois golfinhos que eram abundantes na baía de Guanabara. A medonha poluição de suas águas chega a ameaçar a realização das Olimpíadas no próximo ano.

Pompeia não existe mais, foi sepultada pelo Vesúvio em 79 d.C., restam apenas os corpos calcinados de seus habitantes surpreendidos em suas tarefas comuns. Há até um casal transando, não há registro confiável se antes, durante ou depois do orgasmo. Mas Pompeia resiste, ao contrário do tabaco proibido e dos golfinhos que deram no pé, deixando a cidade com seu escudo sem sentido.

O urubu



A José Alcides Pinto

Plana pleno sobre a praia
deserta.
Dunas aparam nas costas
a sombra vigilante de seu voo.

Heráldico
espia do alto as horas tombando
sobre a eternidade dos
elementos.

Negro
parceiro do sol recolhe na
areia
(qual poeta de asas pensas)
o podre
do tempo.
Adriano Espínola

A intervenção de Dilma na queda de Lugo

O livro dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz revela que a presidente Dilma Rousseff interveio diretamente para punir o Paraguai depois que o congresso do país votou pelo impeachment do presidente Fernando Lugo, em 22 de junho de 2012. "Uma Ovelha Negra no Poder", sobre o ex-presidente do Uruguai José Mujica, é a mesma obra que revelou confidências do presidente Lula sobre o mensalão.

O trecho do livro foi publicado no semanário Busqueda, do qual Danza, um dos autores da obra, é diretor de redação:
Quando Lugo foi destituído pelo Senado paraguaio e antes que se celebrasse a cúpula do Mercosul para resolver as sanções, uma das pessoas de maior confiança de Mujica recebeu uma chamada de Marco Aurelio García, mão direita de Dilma.
"Dilma quer transmitir uma mensagem muito importante para o presidente Mujica", disse o funcionário brasileiro em uma mistura de português e espanhol.
"Não tem problema, vamos estabelecer uma comunicação entre os dois presidentes", foi a resposta do uruguaio.
"Não, não pode haver comunicação nem por telefone, nem por email. É pessoalmente", argumentou o brasileiro.
Um encontro tão fugaz e repentino entre presidentes levantaria suspeitas, motivo pelo qual o governo brasileiro resolveu enviar um avião a Montevidéu para transportar o emissário de Mujica à residência de Dilma, em Brasília.
 Assim foi feito, e quando uruguaio chegou, Dilma estava lhe esperando em seu escritório. A conversa formal sobre questões gerais durou apenas poucos minutos porque não havia muito tempo.
"Vamos ao que interessa", interrompeu Dilma e o emissário tomou uma caderneta e começou a anotar o que a presidente brasileira informava. "Sem anotações", disse ela e fez com que ele rasgasse o papel. "Esta reunião nunca existiu".
Durante a conversa, Dilma mostrou a ele fotos, gravações e informes dos serviços de inteligência brasileiros, venezuelanos e cubanos, que registravam como foi gestado um "golpe de estado" contra Lugo por um grupo de "mafiosos" que, a partir da queda do presidente, assumiram o poder. "O Brasil necessita que o Paraguai fique de fora do Mercosul para, dessa forma, acelerar as eleições no país", concluiu Dilma.
Na semana seguinte, no início do julho de 2012, todos os presidentes do Mercosul votavam, em uma cúpula na cidade argentina de Mendoza, a suspensão do Paraguai.
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O Chile de Bachelet, uma lição para Dilma Rousseff?

Até quando a presidenta do Brasil vai resistir a tomar uma decisão, pelo menos simbólica, mostrando que aceita com humildade que o país está em crise e irritado?
Chile e Brasil se pareciam muito dentro do continente latino-americano. Ambos os países manifestavam orgulho em se sentir moralmente superiores aos outros e de ter criado um milagre econômico, como destacou neste jornal John Carlin.

Os dois países estão governados por duas mulheres de valor, ambas de esquerda. O pai de Michelle Bachelet foi assassinado pela ditadura do general Pinochet e Dilma Rousseff foi torturada durante outra ditadura militar. Hoje, ambos os países e Governos e suas duas mandatárias vivem momentos de baixa, fustigados por uma grave crise política, econômica e ética. Já não podem se apresentar no continente como líderes da mudança. A popularidade das duas presidentas despencou do céu ao inferno. A de Rousseff, muito mais do que a de Bachelet.

Acusadas de não reagir diante da queda da confiança de seus respectivos eleitores, ambas tentando minimizar uma crise que as pesquisas revelavam com evidência, Bachelet acabou tomando uma decisão drástica como resposta aos protestos populares: substituir todo o Governo e anunciar que o Chile terá um novo ministério em um prazo de 74 horas.

E Dilma? Os últimos eventos mostram um Congresso no qual sua maioria se desgasta a cada hora, ao mesmo tempo em que a presidenta se vê obrigada a isolar-se e a proteger-se da rua por medo de ser criticada. Tudo isso somado a um partido que põe obstáculos às suas medidas de ajuste e a uma opinião pública que continua gritando “Fora Dilma” e “Fora PT”, um partido que é recebido com panelaços em vários Estados durante seu programa transmitido em cadeia nacional na TV, apesar de ter sido protagonizado pelo carismático ex-presidente Lula, diante da ausência da presidenta.

Se as crises nunca são iguais, não resta dúvida que as vividas pelo Chile e pelo Brasil, protagonizadas por dois Governos de esquerda e progressistas, parecem reflexos uma da outra. Assim como Bachelet tentou fazer em vão —acusada de ser lenta em suas reações frente à crise—, Dilma continua na ilusão de negar a crise, classificando-a de “passageira”, sem entender o sentimento das ruas, cada vez mais crítico contra ela e seu partido.

A mandatária chilena rendeu-se e passou uma rasteira em seu Governo para começar de novo. Talvez isso não seja suficiente, mas é um gesto com o qual tenta dizer à opinião pública que entendeu o motivo pelo qual perdeu a confiança dos eleitores. Até quando Dilma vai resistir a tomar uma decisão, pelo menos simbólica, mostrando que aceita com humildade que o país está em crise e irritado, à espera de algo que resgate sua confiança?

Em entrevista recente ao jornalista Roberto D'Ávila na Globo News, o senador do PSDB José Serra afirmou que o problema do Brasil não é apenas a corrupção ou a economia, mas sobretudo a fragilidade do Governo Dilma. “É um Governo fraco”, afirmou. Tão fraco que, como demonstra diariamente, açoitado e humilhado pelo Congresso Nacional, perdeu sua iniciativa diante da crise.

Dilma, em um gesto de Pilatos, lavou as mãos frente à crise terceirizando suas duas maiores responsabilidades: a econômica, nas mãos de Joaquim Levy, mais próximo da visão liberal da oposição do que da sua; e a política, ao aliado PMDB, na figura de seu vice-presidente Michel Temer, do partido que hoje já é de clara oposição no Parlamento.

Será suficiente para Dilma lavar as mãos para recuperar a confiança perdida dos 54 milhões de brasileiros que a reelegeram nas urnas? Ou necessitaria fazer, como no caso chileno, um gesto de ruptura? Um reconhecimento de que a gestão econômica de seu primeiro mandato foi equivocada e que provocou uma crise que a obriga a fazer ajustes que afetarão os trabalhadores e os mais pobres. Reconhecerá que a crise da Petrobras, uma empresa que esteve tantos anos sob seus cuidados, não foi apenas ética, mas também de má gestão e de falcatruas de políticos e de executivos sem escrúpulos, seus aliados, que transformaram a companhia no quintal de sua própria casa?

Quando os brasileiros gritam nas ruas “Fora Dilma”, talvez estejam esperando, pelo menos, um gesto inequívoco dizendo que a presidenta entendeu a crise e está disposta a enfrentá-la. Não enterrando a cabeça, nem terceirizando, mas oferecendo uma medida radical como a de Bachelet.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

A virtude pura não existe nos dias de hoje


Numa época tão doente como esta, quem se ufana de aplicar ao serviço da sociedade uma virtude genuína e pura, ou não sabe o que ela é, já que as opiniões se corrompem com os costumes (de facto, ouvi-os retratarem-na, ouvi a maior parte glorificar-se do seu comportamento e formular as suas regras: em vez de retratarem a virtude, retratam a pura injustiça e o vício, e apresentam-na assim falsificada para educação dos príncipes), ou, se o sabe, ufana-se erradamente e, diga o que disser, faz mil coisas que a sua consciência reprova.
(...) Em tal aperto, a mais honrosa marca de bondade consiste em reconhecer o erro próprio e o alheio, empregar todas as forças a resistir e a obstar à inclinação para o mal, seguir contra a corrente dessa tendência, esperar e desejar que as coisas melhorem.
Michel Eyquem de Montaigne (1533 - 1592)

Em defesa da democracia


Hoje fui à missa, na igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, a mais tradicional de Brasília, na SQS 308. Tradicional, sim, mas simples, bela e singela. Não quero falar de religião e sim da ética e da convivência social. A Igreja exalta o perdão, mas nós temos a difícil tarefa de perdoar sem des-culpar, sem tolerar e deixar impune a ação malévola.

O padre nos dizia: Como podemos reclamar da sociedade, dizendo-a corrupta e violenta, e não julgarmos a nossa própria conduta, como se não fôssemos parte dessa mesma sociedade? Em suma: Qual é a nossa responsabilidade social?

Como perdoar e punir ao mesmo tempo? Como purificar o próprio coração, perdoando, e manter a boa convivência social, punindo o intrafor, reprimindo o delinquente e desprezando o excessivamente egoísta? Em suma: Como fazer Justiça e manter o coração limpo e feliz?

Qual deve ser a nossa atitude com relação aos que roeram a Petrobrás por dentro, prejudicando moral e financeiramente a maior empresa do nosso país, a ponto de colocar em risco sua própria sobrevivência e, mais ainda, o respeito ao interesse coletivo?

Como não sentir desprezo por tamanha desproporção entre o favorecimento ilegítimo do interesse pessoal e o respeito ao interesse de todos. Nesse caso, a punição é indispensável, tendo em vista, inclusive, que as teias da corrupção se estendem também a tantas outras empresas e que a cobrança e o pagamento de propinas vai se tornando prática usual em todos os cantos.

Como ficar indiferente à destruição da confiança entre as pessoas? E como, dentro da nossa impotência, não ficar objetivamente indiferente? É preciso apoiar a Justiça? Sim. Como? Mostrando propósito firme e real de que a Justiça seja feita de forma igualmente firme e real. Mostrando confiança nas nossas instituições, em nossos juízes, em nossos tribunais e mostrando também indignação quando eles não cumprirem o seu papel.

Como não importar-nos com o claro aumento da violência nas ruas, da violência policial, da violência contra a mulher em sua própria casa, em uma deplorável erosão do respeito aos direitos humanos no seio da nossa sociedade?

A nossa atitude, a atitude da sociedade civil, é a que, em última análise, determinará o resultado desta batalha entre a ordem e a desordem, entre a paz e o conflito, entre a concórdia e a discórdia, entre o direito dos trabalhadores e a ganância dos que os exploram, entre o bem comum e a desmesura do interesse individual.

É a defesa da democracia e da lei que nos livrará da violência dos inescrupulosos, dos inimigos da democracia, da fúria dos ultraconservadores e dos que querem sobrepor-se à legalidade.

Serviços públicos à deriva

O dinheiro que desaparece no ralo da delinquência é uma tremenda injustiça, uma bofetada na cidadania, um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República

Dengue bate recorde em São Paulo: 400.000 casos. Equipe da TV Tribuna assaltada ao vivo, no Guarujá. Obras paralizadas, ou em ritmo de Quarto Mundo, infernizam o cotidiano de quem vive na maior cidade do País. São informações selecionadas num rol infindável de más notícias patrocinadas pelos governos. Os serviços públicos estão à deriva. Não são suposições. São constações.

Autoridades de saúde não conhecem, ou fingem desconhecer, as causas do avanço da dengue. Não tratam o assunto como problema de saúde pública. Terceirizam responsabilidades. A culpa é nossa. O foco está no descuido dos moradores. Fantástico! E os terrenos públicos abandonados? E o lixo acumulado nas ruas das cidades? E o fumacê, alguém viu? O eficiente procedimento de combate ao mosquito da dengue desapareceu. Razões? Falta dinheiro? Falta planejamento? Sei lá. Trata-se, agora, de esperar a chegada do frio. Com menos chuvas e temperaturas mais baixas, as condições de proliferação do mosquito devem minguar. O inverno, e não as ações do governo, pode minimizar a epidemia.

E a segurança pública? Basta uma notícia, amigo leitor. Uma equipe de reportagem da TV Tribuna, afialada da Rede Globo na Baixada Santista, foi assaltada enquanto fazia uma entrevista ao vivo sobre dengue, na frente da prefeitura do Guarujá, no litoral paulista. A repórter entrevistava do diretor de Vigilância em Saúde da cidade, quando a equipe e o entrevistado foram abordados por um ladrão armado. Toda a cena foi transmitida ao vivo no jornal local do meio-dia. Enquanto sociólogos e comunicadores esgrimam argumentos a favor e contra a diminuição da maioridade penal, a bandidagem faz a festa.

O Brasil, um país continental, sem conflitos externos, com um povo bom e trabalhador, está na banguela. O custo humano e social da incompetência e da corrupção brasileira é assustador. O dinheiro que desaparece no ralo da delinquência é uma tremenda injustiça, uma bofetada na cidadania, um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República. As instituições perdem credibilidade numa velocidade assustadora. Os protestos que tomam conta das cidades precisam ser interpretados à luz da corrupção epidêmica, da impunidade cínica e da incompetência absoluta da gestão pública. Há uma clara percepção de que o Estado está na contramão da sociedade

Nós jornalistas somos (ou deveríamos ser) o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de rasgar a embalagem e desnudar os políticos. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação.

Imagem, cada um faz à sua semelhança

"Resguardar" foi a palavra da mídia na semana. Enclausurada no Planalto, cada vez mais afastada de qualquer maior contato com a população - a não ser em eventos bem protegidos e de pouca gente devidamente inofensiva, Dilma precisa ter sua imagem resguardada, segundo o governo. E a mídia insiste na farsa do "resguardo" da imagem presidencial?

Cara pálida, nossa matrioska de cristal foi feita por um artesão imemorial para um soberano de lenda? Estamos em um país ou num paraíso de lendas da carochinha?

Vai-se resguardar que imagem se a própria proprietária jogou fora, deixando que passasse de guerreira, a poste, a gerente, a faxineira e hoje sequer sabe que imagem vestir?

O endeusamento, hipócrita, de quem investe um cargo, no Brasil, é das atitudes mais absurdas no século XXI, mais próprio dos tempos coloniais. O endeusamento que permite usar e abusar do avião presidencial só para comparecer ao casamento de Roberto Kalill Filho, o cardiologista dos poderosos, como se fosse um direito de se apropriar do avião como condução particular para eventos de somenos importância para o país. Um escracho como as maldades que apronta para que o povo pague. Mal e porcamente, é um passeio de carruagem de Maria Antonieta para um baile em Versalhes com a pompa que merece o cargo reinante e a adulação dos menos qualificados.  

Quem ocupe a Presidência deve se preocupar em resguardar a própria imagem em atitudes constitucionais em proveito da população, com atitudes dignas a quem foi escolhido (a) pelo voto. Se não tem esse próprio merecimento não há mais o que resguardar.

Será que alguma vez resguardou a imagem do Brasil quando ocupou ministério, Casa Civil e Presidência, no caso Petrobras, que hoje marca o país? Resguardou a imagem do país quando se é quase o lanterninha em tudo que é pesquisa? Resguardou a imagem do Brasil quando se enxovalha a educação, se implode a saúde, se desmorona o emprego e o slário?

Dilma, cada vez mais, se recolhe à proteção dos muros palaciais, mas que bem podem lhe servir de prisão. Presa, não é presidente, mas refém de uma situação governamental ainda indefinida que criou com suas próprias atitudes e comandos. Não há imagem a se resguardar, mas Dilma deveria cuidar de resguardar, enfim, de qualquer jeito, a imagem dos brasileiros que com seus cúmplices jogou na sarjeta. Infelizmente não tem a capacidade humilde de se renovar para governar como o país merece e pede.

País, em crise, não se envergonha de presidente bancar estrela de "Caras"

Surdez da falta de ética

Lula-Dilma-e-o-Brasil 
Na nossa pedestre vida política, a surdez do PT é a tentativa de se manter em cena, sem assumir os desvios éticos nem responder por sua gestão calamitosa. O PT é apenas uma pedra no caminho. Os contornos desse caminho é que precisam ser discutidos. Não importa se essa é a maior e mais complexa das crises. É a que nós temos. E dela, espero, haveremos de sair.
Fernando Gabeira

Impeachment fático

A esta altura do campeonato não há muito mais a acrescentar: temos um governo infeliz que, em tudo o que faz, vem gerando, ao contrário do que promete, mais infelicidade. Os pífios resultados econômicos somados à inflação e à recessão, a precariedade dos serviços públicos e de infraestrutura, a insegurança social e as denúncias de corrupção desenfreada agridem o cotidiano dos cidadãos, causando apreensões e temores crescentes.

No plano político, trata-se de um governo que, numa atitude esquizofrênica, abandona a si mesmo, isto é, abandona o que havia sido no primeiro mandato e o que se propunha a ser na campanha eleitoral vitoriosa, e ao mesmo tempo resiste a desvelar as razões reais desse movimento. Não dá o que dava nem o que prometeu porque tem de dar conta da sangria que provocou nos gastos públicos, sem ter lastro para isso. Essa é a razão do chamado “estelionato eleitoral”.


O programa econômico do primeiro governo Dilma, que tinha como vetor o desenvolvimentismo à base de um capitalismo de Estado, é agora deixado de lado ao se adotar no segundo mandato uma estratégia inversa, pautada pela recuperação e pelo controle das contas públicas, o que implica cortes na área social, e pela diminuição da intervenção do Estado na atividade econômica. Tudo isso afeta negativamente a vida dos trabalhadores e das empresas. Seus efeitos colaterais são conhecidos e já são sentidos pela maioria: inflação, recessão e desemprego. Na prática, como é sobejamente reconhecido, o governo mudou radicalmente, mas se recusa a admitir a essência dessa mudança ao adotar um discurso inverossímil e cheio de subterfúgios para justificá-la. Pior do que isso, não se revela capaz de construir um discurso convincente para validar o que diz querer realizar no segundo mandato. O problema não é, portanto, de comunicação ou marketing, e sim de política.

Por se recusar a deixar para trás o governo que realizou e assumir a mudança com clareza e determinação, Dilma foi rapidamente perdendo prestígio e credibilidade, não apenas na chamada classe política, mas perante o eleitorado em seu conjunto, o de oposição e aquele que a consagrou nas urnas. Além do acentuado declínio nas pesquisas de opinião, o resultado pode ser contabilizado negativamente em duas situações que primam pela evidência. No 1.º de Maio deste ano a presidente não participou pessoalmente de nenhum ato comemorativo do Dia do Trabalho nem sequer pôde ir à televisão falar com os brasileiros, especialmente os trabalhadores, e fazer um balanço das iniciativas governamentais em seu benefício. Temeu os apupos e as vaias, mas também os já recorrentes “panelaços”. Teve de se contentar com as redes sociais. Tal escolha foi criticada por líderes do seu próprio partido e desqualificada como “ridícula” pela presidência de um dos Poderes da República.

Mas antes disso, por não assumir a mudança empreendida em seu segundo governo, suas causas e implicações, a presidente assumiu como estratégia pessoal um afastamento quase que integral do centro da cena política, no que ela tem de mais sensível: a economia e a política. A imagem que fica é a de que a política econômica não a representa, delegada que foi a um prócer das finanças nacionais declaradamente crítico da condução da economia no primeiro mandato.

No plano político, depois de intenso bate-cabeças, a coordenação do governo deslocou-se, como última tábua de salvação, para o vice-presidente da República, homem de outro partido, que nem sequer participava do núcleo dirigente no mandato anterior, ocupante do mesmo posto institucional de agora. Dilma é, assim, uma presidente que não tem nem a política econômica nem a articulação política sob seu inteiro controle.

Até cumprir os cem dias do segundo mandato, Dilma foi uma presidente ziguezagueante que ora atuava de acordo com a base de apoio sobrevivente, ora se afastava dela, sem conquistar com isso novos aliados, nem mesmo ocasionais. Uma situação insustentável, que não poderia continuar em nenhuma hipótese, daí a transferência da articulação política para a Vice-Presidência.

Nas ruas, uma população cada vez mais bem informada rompeu a barreira da inércia e passou a manifestar sua indignação com foco bastante definido: a consigna “Fora Dilma” pedia, enfim, o impeachment da presidente. Manifestações massivas irromperam pelo País e coincidiram com a crescente fragilização política do governo. Como em política não há espaço vazio e o governo que acabava de se instalar mostrava não poucos sinais de desorientação, deu-se uma incisiva retomada da iniciativa parlamentar, deslocando a iniciativa política para o Congresso Nacional. Por conta desse movimento, houve quem falasse no estabelecimento de um “parlamentarismo branco”.

Mas não foi precisamente isso o que veio a ocorrer. Ao arrefecer a campanha de massas pelo impeachment, fica-se com a impressão de que o País passa por uma espécie de impeachment fático, inaugurando uma situação insólita em que a presidente, voluntariamente, mas a contragosto, “se retira” (uma espécie de aceitação a meias do seu impedimento), ainda que normativamente continue a exercer seu mandato. Ao mesmo tempo, porém, admite (porque não é mais capaz de dirigir) que o fiel do governo seja o Congresso, sob a articulação do vice-presidente. A presidente Dilma, de fato, afastou-se do comando do País!

Nessa configuração esdrúxula, de incompletude e suspensão, instala-se a incerteza e um jogo em que o controle do tempo é determinante para todos os atores, já que não se forma de imediato uma nova coalizão governante. Tal arranjo garante, contudo, condições de sobrevida ao governo Dilma, na expectativa de que possa desempenhar algum papel na sua sucessão, se conseguir retomar o controle do centro da cena política.

A revolução através das togas

Só não vê quem não quer: um STF onde não existam liberais nem conservadores, onde todos, num grau ou noutro, sejam "progressistas" ou marxistas, selecionados a dedo pelo mesmo partido, é uma revolução através das togas. Dispensa luta armada ou desarmada, dispensa Gramsci, movimentos sociais, patrulhamento. Bastam onze homens e seus votos. E tudo fica parecendo Estado de direito.

A bússola das decisões normativas sobre a vida nacional, sobre os grandes temas, está saindo do Congresso, onde opera a representação proporcional da opinião pública. Aquela história dos três poderes, este faz a lei, aquele executa e aquele outro julga - lembra-se disso? - vai para as brumas do passado. Há mais de três décadas estão sendo transferidas para o Judiciário deliberações que vão do acessório ao essencial, do mais trivial ao mais relevante. Já escrevi muito sobre tal anomalia e percebo que a migração prossegue, através dos anos, com determinação e constância. 


A judicialização da política, braços dados com o ativismo judicial, causa imensas preocupações cívicas. Opera uma revolução silenciosa. Não usa barracas de campanha, não cava trincheiras e não precisa de arsenais. Ataca a partir de luxuosos gabinetes. Reúne-se em associações e congressos de magistrados militantes. Seu material bélico está contido em meia dúzia de princípios constitucionais que disparam para onde a ideologia aponta.

O QG dessa conspiração sofreu uma derrota, terça-feira, com a aprovação da PEC que postergou para os 75 anos a aposentadoria compulsória dos magistrados. Mas isso não resolve o problema diante do mal que atacou o caráter republicano da nossa democracia - o instituto da reeleição - cortando o movimento pendular do poder. Se o Congresso, e especialmente o Senado, não reagir, se for aprovada a inacreditável indicação do Dr. Fachin (que até o Lula teria achado "basista" demais), se aprofundará o abismo entre o pluralismo como inequívoco princípio constitucional e a composição do STF.
É algo de que, aparentemente, ninguém se deu conta. Pluralismo é pluralismo. Dispensa interpretação. É um severo princípio impresso no preâmbulo da Constituição. Como pode ele ser desconsiderado quando se trata de indicar membros para a mais alta corte do Poder Judiciário (isso para não falar nos demais tribunais superiores)? É admissível que os membros desse elevado poder expressem o ideário e os interesses de uma mesma corrente política? O que a presidência da República vem fazendo e o Senado aprovando é uma revolução branca, via totalitarismo judiciário. Toleraremos, aqui, o que já aconteceu na Venezuela?