segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cenário para 2016

O déficit público é a mais perfeita armadilha para caçar raposas. Este animal é tido por ser muito esperto e atilado e cheio de manhas e artimanhas para alcançar seus objetivos. Não trabalha em linha reta e é imprevisível, quando menos se espera dá o bote. Por isso os espertos da política são apelidados de “raposas”, expressão que é mesmo elogiosa vista do ponto de vista da finalidade da política, mas não da ética. Em geral, os “raposas” são seres sem escrúpulos.

A esperteza da raposa, todavia, é relativa, visto que ela cai frequentemente em armadilhas. As armadilhas para pegar raposas são as que contam com a sua esperteza, pois ela entra no buraco sem saída para pegar a isca sem ao menos se dar conta e se torna vítima fatal dos caçadores. Sempre foi assim. As raposas do PT acharam que poderia dar um “pelé” na lei da escassez e fabricar uma prosperidade artificial praticando déficits. Durou o período pré-eleitoral, quando ninguém ainda tinha se dado conta da esperteza posta em prática. Ao se revelar a verdade, o que se viu foi a raposice inteira presa à armadilha. O déficit público é a corda que está enforcando os espertalhões que praticaram o estelionato eleitoral.

As leis econômicas são conhecidas até mesmo pelos economistas desenvolvimentistas, que insistem na esperteza de desconsidera-las. A raposice do PT morrerá vítima de dois tiros fatais: a disparada da inflação e a depreciação do câmbio. Esse momento que vivemos de escalada da inflação é particularmente doloroso, já temos duas gerações que se habituaram a taxas de inflação civilizadas. Os jovens não sabem o que é o desconforto de ter que gastar todo o dinheiro antes, para que ele não se deprecie. Melhor dizendo, para escapar à depreciação. A inflação empobrece violentamente os mais pobres, pois é altamente regressiva do ponto de vista da distribuição de renda. Na prática, a inflação é um imposto sobre os mais pobres, pois os mais ricos, e quanto mais rico isso é verdadeiro, têm como se proteger da moléstia.

Parcialmente, é verdade, pois nessa fase de aceleração normalmente verifica-se queda do PIB (está acontecendo agora), desorganizando os mercados e retraindo a demanda. Aqueles que têm atividade econômica, mesmo de grande porte, sofrem, perdem. Com a desordem que se instalou em 2015, quantos alugueres deixaram de ser pagos? Quantas vendas foram assassinadas? Quantos empréstimos deixaram de ser liquidados? Quantas empresas fecharam as portas? Estou vendo aqui da ótica dos patrões, não a dos desempregados, que ficaram à mercê da sorte. O drama dos mais pobres é exponencialmente agravado pelo desemprego. É o afundar na miséria atroz.

Os oligopólios, que tentam dolarizar os preços dos seus produtos, estão vendo suas participações de mercado despencarem. As marcas mais baratas estão sendo as preferidas pelos consumidores. O down tranding é a dura realidade que se encontra no mercado, que está sofrendo perda de renda. É bastante divertido, mas tétrico, ver esse teatro em ação. Os que inicialmente se locupletaram com a expansão artificial do consumo agora estão sofrendo a ressaca e dela não há como escapar.

Um tipo de gente está acima da crise e mesmo lucra com ela. São os rentistas, os portadores de capital aplicados em títulos do governo. Este paga os maiores juros do mundo, que se tornaram a rubrica orçamentária mais expressiva. Parte considerável da arrecadação está destinada a manter esses juros nas alturas, regiamente pagos. Por isso mesmo banqueiros e rentistas pleiteiam a estabilidade da relação dívida/PIB e, para tanto, não hesitam em propor coisas absurdas como a volta da CPMF. Os rentistas querem resolver o problema do déficit público sem que se olhe o lado da despesa, pois assim não colocam o eleitorado conta si. Eles também são raposas à sua moda, eles também caem em armadilhas. Vamos ver quais tiros lhes estão destinados pelo agravamento da crise. O caso grego foi bastante emblemático.

Os rentistas, junto com os funcionários públicos, são a classe mais conservadora do Brasil, pois detestam mudanças que possam ameaçar suas rendas e seu status quo. É uma espécie de conservadorismo revolucionário, que não hesita em pregar a igualdade econômica e social e praticar as maiores iniquidades em sentido contrário. Junto com os rentistas, os funcionários públicos são os maiores usufrutuários do iníquo arranjo social brasileiro, muito bem espelhado na peça orçamentária anual. Basta ver o que se gasta com ambos.

E o que esperar de 2016? Mais do mesmo. Mais inflação, mais desemprego, mais desvalorização do câmbio. Não se deve acreditar nos cenários dos economistas oficialistas, que sempre veem o cenário do futuro imediato melhor do que o atual. Nenhuma economia pode sair da crise sozinha, ou só o pode mediante uma catástrofe social. Como Dilma Rousseff nada está fazendo para enfrentar a crise, o que veremos é seu agravamento. Para meu uso particular estou trabalhando com queda de PIB de 3%, inflação de 12% e câmbio médio a 4,50. Certo, é meu otimismo particular, mas fazer o que? A realidade poderá se revelar bem pior.

Quem viver verá.

Quase Nação

O passado nos pertence, mas não nos prende. Futuro é coisa maleável. É coleção de possibilidades e probabilidades onde tudo, ou quase tudo é possível. Nele, o passado pode repetir-se e reproduzir-se. Mas também pode ser melhor. Diferente. Mais justo.
Basta que, na sequência finita de coincidências que caracteriza a existência, exista o desejo e a energia para se criar uma nação. E isto se faz com sonhos. Não com frustrações.
Elton Simões

Monumentos à empáfia e ao faturamento


Além de monumentos à própria empáfia e vaidade, os institutos criados por ex-presidentes da República constituem-se em arapucas destinadas ao seu enriquecimento. Prestam-se a amealhar dinheiro para o personagem empenhado em permanecer na mídia como se estivesse no poder.

Tome-se o nebuloso Instituto Fernando Henrique Cardoso, funcionando em São Paulo em luxuosas acomodações comerciais, apresentadas como colaboração à história e à memória nacional. Acobertado pelo sigilo bancário, ignora-se o total verdadeiro dos gastos e despesas dessa entidade, assim como seus lucros. Uma ponta do tapete levantou-se recentemente pela denúncia de que, entre 2011 e 2012, apenas uma empreiteira doou 975 mil reais à entidade que leva o nome do sociólogo. E as outras? Teria sido em pagamento por palestras relativas ao seu passado governo? Ou por consultorias a respeito dos rumos da social-democracia? Quem sabe por opiniões sobre como gerir a economia nacional?

Sempre existirá a hipótese de remuneração por intermediação junto a obras contratadas por governos estrangeiros amigos, mas essa é característica muito maior do Instituto Lula, acasalado com a empresa responsável por agenciar palestras do primeiro companheiro.

Porque a empresa que leva o nome do antecessor e mentor da Dilma dá a impressão de funcionar na caverna do Ali Babá. De 2010 a 2014, conforme levantamento feito nas proximidades da Operação Lava Jato, entraram em seus cofres 27 milhões de reais. Pagamento por palestras internacionais sugerindo as excelências de se investir no Brasil? Ou retribuição a favores concedidos por governantes africanos e latino-americanos que contrataram obras a cargo de empreiteiras brasileiras, com financiamento do BNDES, certamente por influência do ex-presidente?

Em português claro, essas operações de tráfico de influência e de enriquecimento ilícito denominam-se corrupção e suborno, que em boa hora a Polícia Federal e o Ministério Público investigam. Por isso encontram-se na cadeia alguns barões das empreiteiras e acólitos do serviço público, com ramificações no Congresso e nos partidos políticos.

Não se tem notícia de que, de Getúlio Vargas aos generais-presidentes e até a Itamar Franco, existiram institutos destinados gerar rendas para ex-presidentes. Não devem ser levados em conta pequenos museus que guardam a correspondência e as imagens dos antigos titulares, aliás, sempre inaugurados depois da morte de cada um deles. Não germinou a experiência tentada por José Sarney, ao adquirir o Convento das Mercês, em São Luís, como seu futuro mausoléu. Deu prejuízo, teve de ser vendido.

Foi com Fernando Henrique e Lula que surgiram essas empresas comerciais lideradas por eles, não apenas para inflar-lhes o ego, mas para ampliar suas contas bancárias. Tomara que Madame não esteja pensando nisso…

O Brasil e os 7x1

João Saldanha costumava dizer que o futebol é um reflexo da sociedade. Sendo assim, vamos analisar a assombração dos 7 x 1.

Segundo estudo da consultoria Tendências, dos 3,3 milhões de famílias que ascenderam à classe C entre 2006 e 2012, 3,1 milhões retrocederão durante os anos de crise. A política social fundada quase exclusivamente sobre transferências de renda, algo muito estranho em um governo com pretensões a ser de esquerda, pouco transformou na desigual e hierárquica sociedade brasileira. 1 x 0.

Desde 1991, as despesas dos governos crescem mais do que o PIB. Quando foi proposta a sugestão que José havia interpretado no sonho do faraó, no Antigo Testamento, ou seja, economizar nos períodos de vacas gordas para o período de vacas magras, a atual titular da Presidência da República matou a proposta, tachando-a de rudimentar. 2 x 0.

Com a grande recessão de 2008 ainda em curso, o governo reagiu, com intenções inegavelmente eleitorais, como se ainda vivêssemos na Crise de 1929, 86 anos atrás, com políticas “keynesianas” extremamente equivocadas sob dois aspectos: primeiro, focadas no consumo.
Segundo, desconsiderando que, diferentemente da década de 30 do século passado, a economia global não se desintegrou, de modo que qualquer tentativa nacional de escapar à disciplina fiscal dos mercados mundiais seria sempre penalizada para não abrir um precedente perigoso. Tivemos uma tragédia grega contemporânea para deixar esse ponto bem claro. 3 x 0.

O Brasil, que já foi admirado por sua política externa profissional, se envolveu em transações estranhas com ditadores mundo afora, isolou-se das principais negociações comerciais globais e, negando sua vocação de diversidade e pluralidade, acovardou-se frente às questões relativas aos direitos humanos. Submeteu a política externa ao personalismo do presidente Lula e paga hoje um preço elevado em reputação e posição comercial por isso. 4 x 0.

Meritocracia, aumento de produtividade, competitividade, redução do custo Brasil viraram “neoliberalismo”. Consequências: um mexicano vale por dois brasileiros em produtividade e o país se desindustrializou severamente. 5 x 0.

Em um mundo cuja agenda de médio prazo é definida pela transição para economias de baixo carbono, o Brasil, embora excepcionalmente posicionado para maximizar fontes renováveis de energia, deixou-se embriagar pelo pré sal. 6 x 0.

O presidencialismo de coalizão tornou-se de cooptação e, na crise, ficou disfuncional. Com a péssima “aula” dada pelos políticos no palco, os padrões éticos da sociedade decaíram. A permanência do atual presidente da Câmara no cargo, mesmo sem culpabilidade provada, é uma demonstração do fato. 7 x 0.

As instituições ainda funcionam. 7 x 1. Se bem que dizem que, se sacudirem os cabelos do David Luiz ou da Lava-Jato, tem mais gol contra nós escondido. 

Pastagem nas nuvens

Cavalos vivem a maior parte do ano nas águas rasas das zonas úmidas do parque
Durante 20 anos o fotógrafo espanhol Héctor Garrido registrou o Parque de Doñana no sul da Espanha em tomadas aéreas. O trabalho agora é exposto no Palácio de Moncloa, em Madri. 

A cultura do crime

O que há em comum entre a campanha racista, via rede social, contra Taís Araújo e o trabalho escravo no país, denunciado por Wagner Moura? E entre a violência que chega ao canibalismo em presídios brasileiros e o projeto de nossos deputados para dificultar e impedir o aborto das mulheres? Ou entre as mortes de PMs e crianças nas favelas, vítimas de tiros vindos dos dois lados, e a trapalhada aparentemente inocente do Simples Doméstico? E assim por diante.

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Não é só a necessidade que gera o crime. O Brasil e o Rio de Janeiro já foram muito mais pobres do que são agora, e nossas taxas de violência sempre foram relativamente humanas. Nem sempre o motivo do assaltante é a fome. Se fosse assim, a incidência de crimes seria dominante em outras áreas, longe das cidades afluentes do Sul e do Sudeste. Não sei se esta é a mesma reação das novas gerações, mas eu, que conheci de perto um pouco desse passado, tenho a nítida impressão de que o Brasil, em termos de convivência humana, muda de cara. Para muito pior.

O que comparamos no primeiro parágrafo deste texto são descasos, ilícitos, delitos, contravenções e crimes, malfeitos frutos de uma nova cultura que alimenta um comportamento sem generosidade, sem confiança no outro, sem projeto comum. Essa cultura é fundada num suposto direito individual de satisfazer o desejo sem restrições, produzindo prazer, lucro e poder às custas dos outros. Através dela, o capitalismo financeiro e consumista sequestra a nossa vontade atendendo a nossos desejos.

É impossível proibir o sentimento de um desejo por mais sórdido e repulsivo que ele seja, do estupro à pedofilia, passando por todas as formas imagináveis de violência. Os mistérios do inconsciente humano prevalecem, ninguém é conscientemente responsável por seu próprio desejo. A responsabilidade de cada um é pelo controle da prática do desejo segundo uma ética pessoal, o direito dos outros e princípios acordados em cada sociedade. A vontade consciente existe para impedir o desejo indesejável.

A criação do Estado é um momento importante na história da humanidade. Ele se responsabiliza pelo controle dos desejos criminosos, nem que para isso seja necessário usar a força da qual possui o monopólio. O Estado é o agente da sociedade em defesa da civilização. Quando ele perde o controle disso, quando seus representantes incentivam o mau comportamento pelos exemplos de violência que dão, o caos vence a justiça, a arma se torna mais poderosa que a fala, a civilização desfalece. Como deve agir o cidadão de um país onde, no Congresso Nacional, um grupo de eminentes parlamentares é conhecido e se reconhece como a “bancada da bala”?

Nossos homens públicos, em seus diferentes planos e poderes, estão viciados na cultura do pensamento mágico, criando argumentos e teses mirabolantes (às vezes simplesmente cínicas) que tentam justificar seus malfeitos provocados por desejos materiais. O deputado Luiz Sérgio, relator da CPI da Petrobras, jurou de mãos postas que nenhum homem público havia praticado qualquer ilícito contra a empresa estatal. E ainda aproveitou para atacar a colaboração premiada, a mais civilizada atenuação de pena para quem cometeu um crime. O deputado põe o pensamento mágico a seu serviço e, de tanto repeti-lo aos outros, acaba convencendo-se do que diz e vai dormir em paz. O juiz Sérgio Moro e seus companheiros são uns inventores de moda.

É esse pensamento mágico a serviço do crime que, em diversas dimensões (ele existe à direita e à esquerda), nos ajuda a esclarecer o que Kenneth Maxwell, brasilianista inglês, afirma sobre nós: a elite brasileira se comporta como se nada se passou e tudo é passado. Ou seja, a elite brasileira se nega a pensar que é culpada de alguma coisa, ela não se dá conta do real porque é incapaz de pensar no outro. Se tudo é passado, não há nada a fazer no presente.

Cacá Diegues 

Trabalhar pela democracia

A maioria das pessoas acredita que a democracia é a melhor forma de se escolher um governante. A maioria está errada, posto que alguns facínoras, como Hitler, foram eleitos democraticamente. A democracia não se justifica como um processo de escolha, mas sim como uma forma pacífica de se promover alternâncias no poder.

Como observou o filósofo Karl Popper, onde não há democracia os maus governantes ficam no trono até serem afastados de forma violenta, a um enorme custo social. Assim, a democracia é fundamental.

Além disso, a democracia incorpora a metodologia da ciência à atividade política. Nos países com partidos de ideologias claras, a população pode avaliar os resultados práticos das políticas públicas e votar ou não pela permanência desta ou daquela ideologia no poder. A repetição desse processo tende a selecionar a forma de governo mais adequada para determinada sociedade.

Em suma, a democracia confere vantagens competitivas significativas para quem sabe aplicá-la, e não é à toa que as sociedades mais desenvolvidas têm aparatos legais destinados a preservar seu bom funcionamento. Monopólios, oligopólios e leis inadequadas para o financiamento de campanhas desvirtuam o processo democrático. Concentração de mídia e riqueza promove distorções nas campanhas eleitorais.

A corrupção é especialmente danosa. Nos países em que grupos políticos hegemônicos a praticam de forma sistêmica, cria-se um círculo vicioso. O sucesso eleitoral garante o vilipêndio dos recursos públicos e o vilipêndio dos recursos públicos garante o sucesso eleitoral.

Nesses países ocorrem dois fenômenos. Em primeiro lugar, há pouca alternância de poder. Em segundo, as alternâncias acontecem depois de crises econômicas agudas, quando o estrago da corrupção chega a tal ponto que nem as vantagens conferidas por ela garantem mais as próximas eleições.

O custo social e institucional desse processo é elevado. Político que rouba para financiar campanha comete crime ainda mais grave do que o político que embolsa "pixuleco". Fraude à democracia não é atenuante, é agravante.

Existem ainda formas indiretas de fraudar a democracia. Um governante que frauda a Lei de Responsabilidade Fiscal de um país, seja pela emissão descontrolada de moeda ou por artifícios contábeis, para ganhar eleições imputa o custo de sua campanha a toda a população.

Além de viciar o processo eleitoral e de gerar crises econômicas agudas, a impede que a democracia promova a correta avaliação das políticas públicas.

Por exemplo: ao votar no PT, os brasileiros escolheram manter a estatização da exploração do petróleo. Hoje, apesar de monopolista, a Petrobras tem uma dívida de R$ 500 bilhões e suas ações se desvalorizaram incrivelmente. Isso significa que o petróleo não pode ser estatizado? Não necessariamente, posto que o PT promoveu um tal nível de corrupção na Petrobras que é difícil separar os efeitos da estatização dos efeitos negativos da corrupção.

Quando uma democracia se torna extremamente corrupta, como aconteceu no Brasil, o melhor que os agentes sociais podem fazer é colocar suas divergências ideológicas temporariamente de lado e unir forças para punir exemplarmente quem corrompeu o país e o processo eleitoral.

Defender políticos sabidamente corruptos por questões ideológicas, – ou para não dar o braço a torcer – é trabalhar contra a democracia. Aqueles que não têm a grandeza de espírito para colocar a lisura do jogo democrático à frente das preferências ideológicas lutam pela escravidão pensando estar lutando pela liberdade.

José Padilha

Os filhos do futuro


Como serão os seres humanos do século 21 ? Nas maternidades globalizadas de hoje, não há ultra-som ou pesquisa que nos ofereça resposta exata. Apesar disso, podemos concluir que os filhos do futuro terão traços de desencanto e pragmatismo. Recusarão, sem dúvida, o leite das ideologias, serão amamentados pelas mães, nunca pelos Estados. Exigirão comida saudável - de preferência, natural. Ainda assim, não serão capazes de resistir a uma Coca-Cola ou a um Big Mac.

Os habitantes do século 21 terão um discurso mais próximo da televisão do que do livro. Substituirão algumas formas de raciocínio e alguns sistemas de associação de idéias. Receberão da tecnologia presentes irrecusáveis. Não serão saudosistas nem preconceituosos, porque já não pensarão como as gerações atuais. Isso não será bom, nem mau. Será inevitável.

Os filhos do amanhã abandonarão de vez o maniqueísmo da finada Guerra Fria, a divisão do mundo entre anjos e demônios. Saberão que as ditaduras têm sua própria história e sua própria geografia. Não serão pessoas inocentes, porque a miséria e a informação instantânea terão acabado com a inocência. Mas talvez não percam a sensibilidade e a vontade de reagir diante da banalização da violência e da morte.

Na relação entre as nações, os habitantes do século que se inicia compreenderão que a destruição do meio ambiente não é fruto da riqueza, nem é resultado da pobreza. Ela nasce essencialmente da ignorância e da desinformação. Os filhos do futuro saberão, portanto, que o único caminho para a sobrevivência será substituir a retórica da confrontação pela busca da parceria, da cooperação e do entendimento entre os povos. 
Rodolfo Konder (1938-2014)

domingo, 8 de novembro de 2015

Dima Cunha parabola dos burros Impeachment x cassacao brasileiro pendurado

Segue o jogo (infelizmente)

Um país refém de si mesmo, começando a entender a enrascada em que se meteu, enquanto, atônito, observa o descortinar do maior e mais viciado esquema de corrupção já engendrado em sua história. De resto, impeachment, alternativas no cenário político, ritos e pedaladas encerram melancolicamente a agenda do brasileiro em 2015.

É verdade, pelo menos emergiu um cenário até então desconhecido, dando origem a um senso crítico que certamente ecoará até 2018. Entretanto, ao passarmos para o âmbito político propriamente dito, constatamos que ficou ainda mais explícito o instinto de sobrevivência típico da nossa classe política.

Peguemos, por exemplo, a ópera-bufa envolvendo Cunha, PT, PSDB e STF, em que se transformou o cada vez mais etéreo pedido de impedimento da presidente. A rigor, o que pode ser depreendido?

Nada de muito relevante, apenas que foi, está, e ainda continuará, por algum tempo, a ser instrumentalizado como argumento de barganha para manter o atual estado de coisas, jamais para modificá-las. E que o desejo de Cunha, Lula, Dilma, mesmo o dos tucanos, até ensaiou variar, mas acabou pendendo mesmo para a continuação do carteado, e não para um terremoto que reembaralhe as cartas.

No fundo, diga-se, pelo menos até este momento, a ideia do impeachment não chegou a pegar na esfera política, e mesmo a opinião pública não fez a pressão que deveria para ver Dilma pelas costas. Sobre este aspecto, aliás, peço encarecidamente, não me venham com fotos de passeatas épicas, nem falar sobre os milhares que em todo o Brasil tomaram as avenidas para vociferar contra nossa paquidérmica mandatária.

Digo, claro que as inúmeras manifestações organizadas via internet, com carros de som, bonecos, e toda uma estrutura capaz de atrair multidões de brasileiros, não podem ser subestimadas. Ainda assim, o “Fora Dilma” não ganhou o País como, por exemplo, aconteceu com o “Fora Collor”. Conseguiu institucionalizar um clima de Fla-Flu político, o que já foi um enorme passo e produzirá dividendos para a oposição nos próximos pleitos, mas não extrapolou o antipetismo.

De resto, não seria mesmo fácil tirar Dilma do poder. Infelizmente, o discurso de esquerda ainda é capaz de seduzir jovens e estudantes via retórica ideológica, e de atrair o povão já acostumado a ser domesticado pelo populismo barato. Isto, sem falar no histórico apoio de grande parte da mídia e também da classe artística.

Muito embora, após as reprovações das contas no TCU, eu tenha passado a defender que o impedimento é justo e mesmo desejável, opinião esta que não mudou, jamais encarei a queda da presidente como uma questão de vida ou morte, e portanto não entro em desespero ao constatar que ainda restam três longos anos com uma mentecapta no papel de Chefe de Estado.

Difícil, duro mesmo, é constatar que continuamos e continuaremos sendo cozinhados por um sistema desgraçadamente invencível.

No atual ritmo da caravana, mesmo que o voto deixe de ser obrigatório, a maneira de fazer política por aqui, o sistema partidário, toda a engrenagem, enfim, não permitirão muitas esperanças.

Se pode piorar? Em se tratando de Brasil, sempre pode, mas, com o presente do jeito que está, só sendo muito otimista para temer pelo futuro.

Simpatia pelo diabo

A 6ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, encerrada sexta-feira, na Rússia, aprovou uma resolução proposta pelo Brasil que prevê a troca de provas e informações entre os países nos âmbitos civil e administrativo. Acordo essencial para o combate à corrupção. O que a ONU e os outros 176 países signatários talvez não saibam é que por aqui se anda no caminho inverso.

Por maiores que sejam os esforços da Justiça, de setores do Ministério Público e da polícia, em vez de facilitar os procedimentos para investigar e punir corruptos, o governo Dilma Rousseff e aliados no Congresso Nacional dificultam ao máximo.

Em setembro, Dilma propôs, e o Congresso está prestes a aprovar, a repatriação de recursos não declarados depositados por brasileiros no exterior, algo que oficializa a lavagem de dinheiro. O projeto que já era ruim foi piorado pelo Parlamento, que introduziu anistia ampla, geral e irrestrita para todo tipo de trambiqueiro ao descartar a confissão da origem dos recursos a quem quiser trazer o dimdim – ainda que roubado - de volta.

Com interpretações menos rigorosas dos acordos de leniência, o governo pretende ainda abrandar a lei anticorrupção, sancionada pela presidente há menos de um ano. A ideia é sustar a punição das empresas que participaram de transações ilícitas. Um entendimento torto, pelo qual a culpa recai sobre pessoas e não sobre as empresas, como se elas não auferissem qualquer benefício com a roubalheira.

Dilma, que iniciou seu primeiro mandato fantasiada de faxineira, adora dizer que é uma combatente incansável contra a corrupção. Mas não perde a chance de criticar a delação premiada – instrumento precioso para descobrir a ladroagem e os caminhos dela. Na mesma linha, seu padrinho Lula chama os depoimentos, que agora constrangem a ele e seus familiares, de “mentira premiada”.

O mesmo país aplaudido na ONU pela resolução anticorrupção continua a ostentar números pornográficos de roubalheira.

Não existe um cálculo exato quanto aos prejuízos causados pela ação dos larápios públicos. Em 2011, o deputado Mendes Thame (PSDB-SP) divulgou um estudo apontando que a corrupção custava ao ano nada menos do que R$ 82 bilhões. Um ano antes, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) estimara perdas de R$ 69 bilhões, cifra que, na atualização do estudo, saltou para R$ 102 bilhões em 2012. Absurdos 2,25% do PIB daquele ano.

Os números da época não incluíam o Mensalão, cujo desvio comprovado de R$ 55 milhões virou troco perto dos R$ 7,2 bilhões apurados pela Operação Lava-Jato, R$ 2,4 bilhões já recuperados para os cofres públicos.

Protagonistas no combate à corrupção, PF, MP e Justiça são achincalhados por Lula, PT e aliados. Lula exige a PF sob controle, reclama da ingratidão de ministros do Supremo nomeados por ele e por Dilma. Vai a público denunciar perseguição das elites contra ele e, entre quatro paredes, negocia no Congresso proteção para o filho encrencado com serviços prestados a lobistas que nada têm a ver com esportes, atividade fim declarada pelo rebento. Muito menos explica ao distinto público como amealhou tantos milhões em tão pouco tempo.

O Brasil aplaudido na ONU é roubado todos os dias. Pior: é complacente e permissivo. Trata a corrupção e a roubalheira desenfreada como crimes banais. Frequenta o inferno.

Convive com presidentes da República que chamam de aloprados gente flagrada em delito, que dão nome de malfeito ao roubo deslavado dos cofres. Engole Caixa 2 como recursos não contabilizados e chama os ladrões que compraram votos de mensaleiros. Dá o simpático apelido de pedaladas aos graves crimes de responsabilidade fiscal cometidos por Dilma.

Está longe de fazer jus aos aplausos.

Atraso ideológico

A maneira mais fácil e também mais desonesta de contestar opiniões que divergem das nossas é tentar desacreditá-las. Tal procedimento, além de torpe, é prejudicial à elucidação de questões que muitas vezes envolvem interesses fundamentais. Isso ocorre frequentemente quando estão em jogo problemas políticos e ideológicos, o que dificulta o entendimento de problemas vitais para o país.

Faço essas considerações porque acredito que uma das funções do jornalismo é informar e contribuir para o esclarecimento das questões de interesse público.

Eu, que militei no Partido Comunista Brasileiro, convencido de que o marxismo era o caminho para a construção de uma sociedade fraterna e justa, deixei de acreditar nisso em consequência das experiências que vivi e do próprio fracasso daquele projeto revolucionário em nível nacional e internacional.


Já tive oportunidade de manifestar minha opinião sobre esse fato, mas, qualquer que seja o diagnóstico, a verdade é que o grande sonho da sociedade proletária se desfez definitivamente. Há, porém, os que não desistem de suas convicções e há também os que se aproveitam da boa-fé das pessoas para substituir o sonho socialista pelo que intitulo de "populismo de esquerda", que se constata hoje em alguns países da América Latina, como Venezuela, Bolívia, Argentina, Equador e Brasil.

Em cada um desses países, o tal populismo assume uma forma específica, mas em todos eles o discurso ideológico substitui a luta da classe operária contra a burguesia pela luta dos pobres contra os ricos, que Lula apelidou de "elite branca".

Esse populismo se caracteriza, de um lado, por programas assistencialistas e, de outro, por um discurso anticapitalista que, como no caso do Brasil, é só para inglês ver, uma vez que seus principais sócios são grandes empresas. A operação Lava Jato revelou à opinião pública brasileira a extensão do "conluio" montado pelo governo populista, em aliança com empresários, para saquear a Petrobras e outras empresas estatais.

A ação desse populismo de esquerda no governo do país é a causa principal da situação caótica a que o Brasil foi arrastado nestes quase 13 anos de gestão petista. O Programa Bolsa Família, montado com objetivo eleitoral, se atenuou a carência de famílias miseráveis, em vez de resolver o problema da pobreza, estimula uma grande massa de trabalhadores a não mais trabalhar.

Por outro lado, o programa Minha Casa, Minha Vida constrói conjuntos residenciais muitas vezes em lugares inacessíveis e de péssima qualidade (muitos deles já estão caindo aos pedaços). Também, neste caso, a troca de interesses deixa as construtoras à vontade para usarem o material mais barato e construírem de qualquer forma, já que o governo não as fiscaliza, pois são todos amigos.

O aumento das famílias atendidas pelo Bolsa Família –calculado em mais de 30 milhões– e os gastos com o programa Minha Casa, Minha Vida podem ser a razão que levou Dilma a violar a lei de responsabilidade fiscal, tomando empréstimo de bancos públicos sem condições de ressarci-los.

Quando Aécio Neves, na campanha eleitoral, denunciou o estado crítico das finanças do país, ela o chamou de mentiroso e garantiu que a situação das contas era ótima. Ganhou as eleições e logo começou a fazer o contrário do que afirmara. Mas o desastre dos governos petistas não se limita aos gastos demagógicos e à corrupção. Atinge a estrutura econômica do país, anulando-lhe o crescimento e provocando desemprego e inflação.

Aliando demagogia e incompetência, os petistas deram pouca atenção aos Estados Unidos e à Europa – parceiros comerciais importantes do Brasil– e voltaram-se para o mercado sul-americano –o Mercosul. Para agravar nossa situação econômica daqui para diante, os Estados Unidos e o Japão montaram uma aliança comercial que representa 40% do comércio mundial e da qual estamos fora. E fora também estaremos de outra aliança, que incluirá os norte-americanos e os europeus.

Nisso é que dá atraso ideológico somado a incompetência.

Enfaixado como múmia

O debate mais acalorado, neste momento, se dá sobre as formas de se reativar a economia nacional. Seria desnecessário escrever, mas, com os despropósitos que circulam, precisa-se lembrar que são as atividades “primárias” e de “transformação” que movimentam a roda.

Parcela preponderante da elite nacional não é vocacionada ao produtivismo, continua convencida do patrimonialismo, e as coisas assim desandam.

A brusca freada das atividades produtivas vêm deixando para trás empregos, oportunidades de progresso, competitividade e até arrecadação pública. Somem por muita gente as formas de enfrentar decorosamente a vida. Os mais fracos são os tais que mais caro pagam as consequências.

A produção desencadeia relações econômicas em todas as direções, vertical e transversalmente.

Para quem tem dificuldade de visualizar um fenômeno a que me refiro, basta imaginar um mercadinho cheio de bancas e sem produtos para vender. O comerciante, se é que vive da venda de algo que foi produzido, não ganhará com nada a vender. A multiplicação de valores, a distribuição de renda, se dá pelos salários e pelos reinvestimentos.

Desculpo-me com a maioria dos leitores por tratar do elementar. Infelizmente, muitos se esqueceram da dinâmica da roda e acreditam em Papai Noel. Deliram com aumento de impostos sobre uma produção menor, e não pelo aumento dessa produção. Com maior renda diminui a fila do SUS, que migra para os planos de saúde, encurta-se da fila dos planos assistenciais, e aumenta-se nos supermercados.

Sobrecarregar o que já não suporta (mundo que produz), a carga vigente apenas faz com que os fracos morram, e quem tem pernas pra andar migre para longe procurando um país de economia estável, inteligente e estruturada. Exatamente o que falta aqui.

Tudo aquilo que a sociedade organizada pode fazer bem tem que ser deixado a esta fazer. Até o social-comunismo chinês mostrou que, para distribuir progresso e prosperidade, precisa crescer em tamanho econômico. Por isso o Estado chinês protege e fomenta atividades. A China ficou como segunda potência econômica, se contentando com apenas 23% de carga tributária. Saiu assim do gueto, deixando as empresas reinvestirem e aplicarem em crescimento. Nos últimos 20 anos deu uma arrancada portentosa. Já o Brasil, aumentando gradativamente o confisco, que chegou a 35%, cairá neste ano 3%, e o próximo, nas previsões, não será diferente.

Pegando os últimos cinco anos, o Brasil não avançou, a China cresceu seu PIB em 50%.
Uma viaja na velocidade de um avião, e outro se arrastando pelas trilhas mais absurdas.

Se a carga tributária é a maior vilã, o Estado poderia passar a se abster de atrapalhar, modernizar-se ou ao menos desburocratizar. Ficar quieto já seria já uma excelente ação. Precisa voltar a ser Estado, e não empecilho anacrônico e perverso gargalo das atividades econômicas, mantendo o potencial de desenvolvimento engavetado e esperando nas mesas de quem não entendeu seu papel cívico e social; depende ainda de quem não dispõe de preparo.

Apenas em Minas, cerca de 15 mil empreendimentos aguardam autorização para se transformarem em atividade produtivas. Mais de três anos é o prazo que aguardam pela inadequação de leis. Muitos projetos se “desanimam”, a velocidade do Estado é inadequada à modernidade.

O Brasil é o país mais complicado do mundo, ilhado no seu anacronismo, convencido de ser grande apesar da pequenez das ideias que o atrofiam.

O Estado se transformou em monstro, esqueceu-se até de que ele é o maior perdedor de sua lerdeza e complicação. Não sabe mais que sobre tudo que se produz cobra 35%, com ou sem lucro do empreendimento. O ganho é dele, e o risco é do empreendedor, que, se tudo der certo, fica nos 5% líquidos (média nacional).

A burocracia não simplifica, esgota a capacidade, perde de vista a função principal de fomento das atividades que lhe geram, a ele, Estado, o sustento.

Aquilo que falta para crescer neste momento é resolver essa absurda equação, que chegou a inviabilizar por inteiro a economia e seu crescimento.

Os 15 mil projetos que precisam de carimbos, certidões, relatórios “arqueológicos”, entre outras firulas, dariam a Minas 450 mil empregos e uma arrecadação anual de alguns bilhões. Equivale a cerca de seis empresas automobilísticas do tamanho da Fiat de Betim.

O mais grave é que não existe a consciência da justa via para solucionar a lerdeza da “máquina pantagruélica”. Existe o lamentável desnorteamento, e o país está sendo enfaixado como múmia (pela sua “burocracia”).

Reflexões sobre o estado psíquico de Lula


Embora não seja uma prática usual um psiquiatra apresentar uma prática diagnóstica de um sujeito que não examinou pessoalmente nem a ele pediu exame, vou apresentar aqui o que penso ser a personalidade de Lula por se tratar de figura pública e que tem afetado os brasileiros por suas vigarices.

A antiga denominação do que tem o ex-presidente era Personalidade Psicopática. A classificação diagnóstica mudou. Hoje, na ONU, a CID-10 é chamado de Transtorno da Personalidade Anti-Social. A Associação Psiquiátrica Americana qualifica a DSM-IV-TR de Transtorno da Personalidade Dissocial.

O quadro clínico para esse tipo de psicopata é assim descrito:

“Os pacientes podem mostrar-se altivos e dignos de credibilidade ao entrevistador. Entretanto, sob a aparência (máscara de sanidade) existe tensão, hostilidade, irritabilidade e cólera. Entrevistas provocadoras de estresse, nas quais os pacientes são vigorosamente confrontados com inconsistências em suas histórias, podem ser necessárias para a revelação da patologia. Até mesmo os profissionais mais experientes já foram enganados por tais pacientes”.

Uma investigação diagnóstica completa deve incluir um exame neurológico minucioso, uma vez que esses pacientes costumam exibir eletroencefalogramas anormais e leves sinais neurológicos sugestivos de um dano cerebral mínimo na infância.

Os portadores da disfunção frequentemente apresentam um exterior normal e até mesmo agradável e cativante. Suas histórias, entretanto, revelam muitas áreas de funcionamento vital desordenado. Mentiras, faltas à escola, fugas de casa, furtos, brigas, promiscuidade com amantes e atividades ilegais são experiências típicas que, conforme relatos dos pacientes, começaram durante a infância. As personalidades anti-sociais frequentemente impressionam o clínico do sexo oposto com suas características exuberantes e sedutoras, mas os clínicos do mesmo sexo podem considerá-las manipuladoras e exigentes.

Os indivíduos com personalidade anti-social demonstram uma ausência de ansiedade ou depressão, o que pode aparecer incongruente com suas situações, e suas próprias explicações do comportamento anti-social fazem-no parecer algo impensado. Ameaças de suicídio e preocupações somáticas podem ser comuns. Ainda assim, o conteúdo mental do paciente revela uma completa ausência de delírios e outros sinais de comportamento irracional. De fato, eles frequentemente demonstram um senso de teste de realidade aumentado e impressionam os observadores por terem uma boa inteligência verbal.

Os pacientes com personalidade anti-social são altamente representados pelos chamados “vigaristas”. São exímios manipuladores e frequentemente capazes de convencer outros indivíduos a participar de esquemas que envolvam modos fáceis de obter dinheiro ou de adquirir fama e notoriedade, o que eventualmente pode levar os incautos à ruína financeira, embaraço social ou ambos.

Não falam a verdade e não se pode confiar neles para levar adiante qualquer projeto, ou aderir a qualquer padrão convencional de moralidade. Promiscuidade, abuso do cônjuge, abuso infantil e condução de veículos sob os efeitos do álcool são eventos comuns. Há ausência de remorso por tais ações, ou seja, tais pacientes parecem desprovidos de consciência.

As perspectivas de tratamento são sombrias. Os portadores desse transtorno são praticamente intratáveis. E a ressocialização penitenciária, quando presos, é nula.

Toffoli vai lavar as mãos e deixar Dilma se arrebentar no TSE

Diz o velho ditado que as aparências enganam. Na política, com facilidade pode-se confirmar que muitas coisas parecem ser, mas não são. Por isso, é preciso passar sempre um filtro nas informações, se não dá tudo errado. Veja-se o caso do ministro Dias Toffoli, que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Sabe-se que ele jamais teve notório saber jurídico nem reputação ilibada. Pelo contrário, responde a dois processos no Amapá, já condenado em primeira instância, e foi reprovado duas vezes em concurso para juiz.


Assim, pode-se dizer, sem medo de errar, que nunca antes na história deste país um advogado chegou ao Supremo Tribunal Federal tão desqualificado. Amigo de Lula e de José Dirceu, Toffoli foi representante do PT nas campanhas de 1998 e 2002. Com a eleição de Lula, foi nomeado Subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, então comandada por José Dirceu. No segundo mandato, voltou ao governo como chefe da Advocacia-Geral da União. Em 2009, foi indicado por Lula para o Supremo e facilmente aceito pelo Senado, com sabatina e tudo o mais.

Portanto, Toffoli deve sua vitoriosa carreira exclusivamente a Dirceu e a Lula, nesta ordem.

Na canalhice que caracteriza os três Poderes da República, poder-se-ia até esperar que ele agisse no Supremo e na Justiça Eleitoral como um serviçal do governo do PT, e isso realmente aconteceu em seus primeiros anos, com votos esquisitos e suspeitos (logo de início, foi o único ministro a favor do habeas corpus pedido pelo entaõ governador Jose Roberto Arruda). No mensalão também se comportou de modo reprovável, chegou a ser ironizado pelo ministro Luiz Fux, considerado um dos maiores conhecedores de Processo Civil.

Toffoli assumiu a presidência do TSE antes da eleição de 2014 e tomou decisões altamente suspeitas, como a apuração secreta, numa sala fechada onde nem mesmo os outros ministros do TSE podiam entrar, e a manutenção em sigilo da apuração em Minas Gerais, cujo resultado foi fundamental para eleger Dilma Rousseff.

Tudo indicava que ele continuaria se comportando como um serviçal do PT, porque foi nomeado exatamente com este objetivo, da mesma forma como aconteceu no primeiro governo Dilma com as nomeações das inexpressivas e desconhecidas advogadas Maria Thereza de Assis Moura, para o Superior Tribunal de Justiça, e Luciana Lóssio, para o Tribunal Superior Eleitoral.

Tofolli é muito jovem. Ainda nem chegou aos 50 anos. Sabe que Dirceu, Lula e o PT não têm mais futuro e não quer deixar sua carreira ser destruída por eles. Por isso, seus votos mais recentes já revelam uma independência que ele jamais demonstrara, ficando o trabalho sujo no TSE a cargo apenas das ministras Maria Thereza e Luciana.

O fato é que a presidente Dilma, Lula e o PT têm perdido todas as votações e Toffoli inclusive votou a favor da continuidade dos processos que podem cassar a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer.

Na última sexta-feira, Toffoli decidiu que a ministra Maria Thereza vai continuar como relatora da ação de investigação eleitoral movida pelo PSDB. Fica parecendo que o ministro está prestando mais um serviço ao PT e ao governo. Mas as aparências enganam.

Maria Thereza pediu para ser substituída por ter ficado vencida na decisão do TSE que reabriu a ação contra Dilma, em que foi até humilhada pelo ministro Gilmar Mendes. Mas a mudança de relator, conforme solicitado pela ministra, não está prevista nas normas do TSE. Toffoli consultou as partes interessadas, não houve consenso, ele então confirmou a ministra Maria Thereza.

Com essa decisão, Toffoli deixa a babata quente nas mãos das petistas Maria Thereza e Luciana Lóssio, que são absolutamente inexperientes e não terão como inocentar Dilma.

No processo, o PT sustenta que todas as doações que o partido recebeu foram feitas legalmente e declaradas à Justiça Eleitoral. Acontece que na Lava Jato já surgiram diversos testemunhos indicando o contrário, e só precisam ser reforçados por provas materiais, que também já existem. Assim, o PT, Dilma e Lula vão se arrebentar, é só uma questão de tempo. Mas o esperto Toffoli vai escapar de fininho, como se dizia antigamente.

Vai demorar para avaliarmos os danos da má gestão no Brasil

Há um prejuízo não contabilizado até agora na falência econômica múltipla produzida no Brasil pelo conjunto da obra Dilma-Lula-PT; é difícil fazer as contas dessa perda no momento, e continuará sendo difícil mesmo depois que o país, em algum dia do futuro, sair da recuperação extrajudicial onde está atolado após cinco anos de desgoverno contínuo, com a assinatura da atual presidente, somados a mais oito de “esquenta”, com a assinatura do seu “ex“ no cargo. O prejuízo em questão é o atraso que o Brasil está contratando hoje para o seu desenvolvimento de amanhã.

A dificuldade em identificar um número capaz de medir com precisão quanto isso vai custar está no nevoeiro que necessariamente envolve cálculos a respeito do que poderia ter acontecido e não aconteceu ─ no caso, aliás, tudo o que não aconteceu de bom e o muitíssimo que aconteceu de ruim em quase treze anos corridos de aposta do governo no lado que perde. Mas todo mundo já pode contar que a recuperação da economia, quando vier, sofrerá com uma quantidade de espinhos muito maior do que seria razoável. É a proverbial “bomba de efeito retardado”.

O nome do problema, em termos simples, é: perda de tempo. Ela vai se traduzir, na prática, em perda de oportunidades, de energia, de mercados, de musculatura para competir, de competência tecnológica, de lugar na fila. O Brasil voltará a funcionar, mais cedo ou mais tarde ─ mas verá, com frustração, que seu motor não estará rendendo o suficiente para girar na velocidade necessária. Verá na sua frente competidores que ainda há pouco tempo estavam lá para trás e, pior que isso, descobrirá que ficou difícil emparelhar com eles.

Vai constatar que outros estarão ocupando os espaços que vem perdendo agora, e aqueles em que precisaria entrar. Vai verificar que perdeu escala, carrega custos excessivos em tudo o que faz, trabalha com produtividade baixa. Vai se surpreender com a descoberta de que é um país pura e simplesmente atrasado, que produz pouco, mal e caro. O Brasil não faz hoje o seu dever; não vai entregar amanhã o resultado. Num mundo que avança cada vez mais rápido, se arrasta como um carro de boi.

O México acaba de superar o Brasil como o maior produtor de carros da América Latina. A Africa dos sonhos da politica externa de Dilma, de Lula e do PT, em cima da qual o Itamaraty imagina construir a supremacia mundial do Brasil, é cada vez mais um competidor agressivo no mercado de matérias primas e na produção agrícola, a única área em que as coisas vão bem por aqui; o seu grande parceiro e aliado na vida real de hoje é a China. Enquanto dezenas de países pelo mundo afora assinam tratados de livre comércio entre si, e com isso aumentam de imediato suas exportações, empregos, renda, arrecadação pública e a produção geral de suas economias, o Brasil fica olhando sem fazer nada; acha que procurar este tipo de acordo é executar uma diplomacia de direita, e precisamos de uma diplomacia de esquerda.

Nossas prioridades externas são os maiores perdedores econômicos existentes hoje na face da Terra – Venezuela, Argentina, o Babaquistão do Oeste e por aí afora. Não existe, nesta corrida internacional, uma questão de “espírito olímpico”, onde o importante não é ganhar vantagens meramente comerciais, e sim pregar o evangelho dos povos desfavorecidos. Ao contrário, a única coisa que importa é ganhar, pois quem ganha é o bem estar, a prosperidade e o futuro dos cidadãos beneficiados pelo aumento do comércio e da produção. Na mesma estrada, em sentido inverso, quem perde não é o “país” – são os brasileiros, que em 2015, até o dia 30 de setembro, já perderam mais de 650.000 empregos (mais de 1,2 milhão, nos últimos doze meses) e que precisam desesperadamente do trabalho que estariam tendo se o governo entendesse que o comércio externo é uma das chaves do progresso interno – e um motor do avanço social.

Na hora de correr atrás do que foi perdido vai se ver como ficou cara essa conta. 

A tropa vencedora


O prêmio CBRE - "Urban Photographer Of The Year" (Fotógrafo Urbano do Ano) deste ano contou com mais de 21 mil inscritos de 113 países. Entre os vencedores está Pedro Guimarães Lins Machado, na categoria Cities at work, com a foto da tropa de choque da PM contra manifestantes no Rio.

A nau dos insensatos em planeta exaurido

Sebastian Brant publicou, em 1494, “A Nau dos Insensatos”, uma história de 112 loucos que iam para Narragônia, um reino da loucura. Muitas outras obras receberam depois esse título. Um filme de Stanley Kramer, por exemplo, mostrou, em 1965, um grupo com atitudes insanas durante uma viagem entre o México e a Alemanha antes do nazismo. É possível usar agora o mesmo rótulo para analisar a relação entre economia capitalista, grande população compelida ao consumo desenfreado e os recursos naturais do planeta, porque essa equação não será sustentável por muito tempo se não houver revisão do tratamento conferido ao ambiente.

A acumulação patrimonial integra a Revolução Agrícola, que ocorreu entre 10 mil e 12 mil anos atrás, determinando sedentarismo e criando o conceito de propriedade privada. Ela mobilizou homens vigorosos para a estocagem de víveres e delimitação de territórios, oprimindo outros homens e povos. Isso atingiu um ponto extraordinário, no século XVIII, com a Revolução Industrial, que implicava a produção em grande escala de muitos itens para a população que se fixou nas cidades. Todos foram compelidos à adoção de novos padrões culturais, fomentando o novo sistema produtivo, enquanto trabalhadores e consumidores de bens além de suas necessidades básicas.

Criou-se, assim, o binômio mercado insaciável x produção em grande escala, sem considerar a finitude dos recursos naturais. Ou seja, não se questionou, até o fim do século XX, a sustentabilidade desse procedimento no planeta. Buscou-se, pelo contrário, explorar todas as fontes de matéria-prima com drástica intervenção em inúmeros ecossistemas.

Surgiram novos conceitos sobre conforto, beleza e felicidade mediante adoção de automóveis, asfalto, plástico e outros produtos alheios à simples subsistência, com intensa substituição de objetos obsoletos por outros mais modernos. Não importavam a geração de lixo e a inutilidade do produto, principalmente quando ele se tornava símbolo de poder, riqueza e prestígio.

A conscientização de que a devastação ambiental pode comprometer nossa sobrevivência ocorreu há poucos anos e ficou restrita a algumas pessoas; poucas ações foram implementadas, justamente para não bloquear o dinamismo econômico nem rever os conceitos sobre desenvolvimento e modernidade. Ficamos, pelo contrário, dependentes da comunicação em tempo real e aplaudimos o uso egoísta de qualquer instrumento.

Os desastres climáticos, a redução de água potável, a contaminação do solo, a extinção de muitas espécies vegetais e animais e as novas enfermidades indicam que haverá brevemente esgotamento da natureza. Estamos, portanto, pavimentando o caminho para a tragédia, pois não haverá uma tecnologia que possa deter essa fúria contra a exploração desenfreada. A Terra não terá complacência por quem acredita que o banquete nunca terá fim, e seremos todos engolidos pelo mesmo processo destruidor decorrente dessa orgia.

Deus e a sarjeta

Depois de ter feito o Sol e a Lua, os mares, os céus, as aves e o homem, o Senhor achou que tinha obrado muito, e obrado bem. Daí se deu (quem mais poderia dar a Ele?) um dia de repouso.

Não estou em concorrência com ninguém, muito menos com Deus, mas, levando em conta minhas potencialidades, sinto que trabalhei mais do que ele. Bem verdade que não cometi a façanha e o exagero de criar Sol e estrelas. E jamais teria criado o homem. Dentro das minhas limitações, o duro que venho dando pela vida afora é desproporcional a minhas forças.

Para não morrer de fome nas sarjetas (profecia de uma cigana que me anunciou péssimo destino), tenho feito o diabo para sobreviver. A profissão é mais complexa do que a do Criador. Sempre pinta algum trabalho. Deus pode descansar realmente. Pensando bem, não havia mais nada a fazer, a não ser deixar que o mundo e suas leis (feitas também por Ele) trabalhassem sozinhos e para nossa desgraça.

No caso do jornalismo, a tarefa nunca está cumprida. No tempo da criação, Deus fez o que quis. Não havia pesquisas de opinião, o que o senhor acha do Sol, dos mares, dos pássaros? Já o jornalista está sempre na corda bamba: qualquer comentário pode dar bode. E sua tarefa nunca acaba. Quando morreu John Kennedy, fiz uma edição extra no jornal em que trabalhava. Foram horas de faina rude.

Quando saíram os primeiros exemplares, ouvi no rádio que tudo estava superado. O assassino fora preso, isso exigiria uma nova edição, e por que mais uma apenas? A notícia quando é verdadeiramente notícia parece que nunca acaba.

Dólar alto, inflação, economia estagnada, Dilma, Eduardo Cunha. Não importam. Assumo nossas desgraças sem ser, eu próprio, um desgraçado: afinal, ainda não morri de fome na sarjeta
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O bom samaritano é ateu


Se alguma vez – Deus queira que não – apanhar de assaltantes enquanto vai de Jerusalém a Jericó, é melhor que depois passe por ali um samaritano pouco religioso. Porque ser religioso ou ateu não deixa as pessoas melhores, mas parece condicionar a forma de entender a generosidade e o altruísmo com desconhecidos. E as pessoas menos religiosas têm uma tendência mais espontânea a ajudar o próximo, segundo os últimos estudos.

O último trabalho surpreendeu ao mostrar que as crianças criadas em ambientes religiosos são menos propensas a ser generosas, que existe uma correlação inversa entre o altruísmo e a educação em valores identificados com a fé. Por meio de um experimento realizado com menores de 5 a 12 anos em seis países culturalmente muito diferentes (Canadá, EUA, Jordânia, Turquia, África do Sul e China), os pesquisadores descobriram que os estudantes que não recebem valores religiosos em suas famílias são notavelmente mais generosos quando se trata de compartilhar seus tesouros com outras crianças anônimas.

“É importante destacar que as crianças mais altruístas vêm de famílias ateias e não religiosas”, destaca o chefe do estudo, Jean Decety, neurocientista e psicólogo da Universidade de Chicago. “Espero que as pessoas comecem a entender que a religião não é uma garantia para a moralidade, e que religião e moralidade são duas coisas diferentes”, acrescenta ao ser questionado da importância desse estudo.

Além disso, na pesquisa perguntava-se aos pais se seus filhos eram mais ou menos generosos e, curiosamente, os pais e mães mais religiosos acreditam que estão criando uma prole mais solidária: os religiosos dão como certo que seus filhos são mais altruístas, mesmo que na hora da verdade compartilhem menos. Outra descoberta importante é que a religiosidade faz com que as crianças sejam mais severas na hora de condenar danos interpessoais, como por exemplo os empurrões. “Essa última descoberta encaixa bem com pesquisas anteriores com adultos: a religiosidade está diretamente relacionada com o aumento da intolerância e das atitudes punitivas contra delitos interpessoais, incluindo a probabilidade de apoiar penas mais duras”. Em resumo, os menores criados em ambientes religiosos seriam um pouco menos generosos, mas mais propensos a castigar quem se comporta mal.