terça-feira, 25 de agosto de 2015

Coisas essenciais

É sempre bom lembrar que não tenho causa alguma, nem estou preocupado em agradar você, nem ninguém. Aliás, querer agradar na profissão de intelectual público é signo de mau-caratismo. Isso não significa que não tenha com você, caro leitor, uma relação de parceria sincera e atenta. Apenas considero essa "fúria do bem" um tédio, além de tornar grande parte do pensamento público um "marasmo de amor".

Vejo-a, refiro-me a essa "fúria do bem", como uma forma de puritanismo. Os puritanos clássicos eram obcecados pela saúde da alma, mas pelo menos tinham perto de seus corações a agonia do pecado. Os novos puritanos têm apenas a certeza da própria pureza. São imperdoáveis por isso.


Percebe-se o puritanismo na medida em que hoje se busca de modo obsessivo a vida limpa e saudável. Imagino que em breve o sexo, como conhecemos, acabará, porque descobrirão, por exemplo, que mulheres que gostam de fazer sexo oral terão tantos por cento a mais de câncer bucal. Bons tempos aqueles em que se misturava sexo com trabalho, dando à vida profissional cotidiana uma certa leveza.

Mas, dito isso, vamos ao que interessa hoje. Recentemente, o mundo inteligentinho ficou estarrecido porque a maior parte dos egípcios está feliz com a ditadura do presidente Sissi. Esse comportamento da maioria dos egípcios parece uma heresia para muitos de nós, quando devia, na verdade, soar como a coisa mais normal do mundo.

Onde estão os "especialistas" que em 2011 afirmavam existir uma Primavera Árabe em curso? Foram acometidos pelo mesmo tipo de cegueira que acomete os religiosos fanáticos em geral: negam a realidade para afirmar um mundo que só existe nas suas cabeças e nos livros escritos em meio a queijos e vinhos.

E quando tudo que falaram não aconteceu, com a cara mais limpa do mundo, fingem que não disseram besteiras. Os profissionais da utopia de hoje são como gente que vende crack para os desgraçados.

As pessoas querem casa, comida e lazer. E dane-se o resto. A soberania popular, na sua intimidade invisível aos olhos de quem é cego, é exatamente essa. Se as pessoas conseguem andar na rua sem serem mortas (como estava acontecendo no Egito), elas fazem qualquer negócio. Minha tese é que aqueles que escreveram sobre "a utopia da Primavera Árabe" têm poucos compromissos com a vida real.

Na maioria dos casos, têm poucos ou nenhum filho, não têm casamentos longos e comprometidos com as famílias dos cônjuges (por isso jovens, normalmente, são aqueles que mais engrossam as fileiras das ideias descoladas da realidade); enfim, trata-se de uma moçada que raramente teme ficar sem salário ou sem grana para o supermercado ou para a escola das crianças.

O Oriente Médio é um inferno. Volátil, instável e com baixíssima institucionalidade. Quando ocorreu uma eleição após a dita Primavera Árabe no Egito, subiu ao poder a Irmandade Muçulmana. Proponho que todo mundo que acha que fundamentalistas islâmicos são aliados da plataforma do PSOL (amor, liberdade e revolta contra o capitalismo), esse partido de semi-celebridades libertárias, vão passar um tempo com eles.


Para grande parte da população que vive no Oriente Médio, se não matarem seu filho ou violentarem sua filha na rua, quando ela volta da escola, é um ganho civilizador. Se para isso eles precisam de alguém que cerceie as liberdades, que nós ocidentais tanto amamos (menos a moçada que admira Cuba e o bolivarianismo), eles topam sorrindo.

Porque a liberdade de pensamento é uma coisa tão cara quanto uma bolsa Chanel, e, na maioria da vezes, ninguém esta nem aí para ela, mesmo.
Também gosto da democracia (sem entrar nos problemas que ela tem), mas pensar que a democracia seja um regime universal é a mesma coisa que pensar que o cristianismo pode servir para gregos e troianos. O filósofo Montesquieu, que viveu entre os séculos 17 e 18, dizia que grandes regiões povoadas por muita gente, sem uma ordem institucional mínima, precisavam de regimes autocráticos.

Uma pergunta que me ocorre é: as mulheres de lá gostarão mais de fazer sexo oral do que as nossas?

Mais uma tragédia anunciada

Professores e alunos da Unifesp (Foto: Nelson Antoine / Fotoarena)
As universidades federais têm contribuído de forma inequívoca para o crescimento do país. Sua participação começa com a formação de profissionais extremamente qualificados que se transformam em protagonistas no incremento da competitividade das empresas, atuam no magistério e são preparados para a realização de projetos de pesquisa que colocam o Brasil entre os dez países que mais rapidamente aumentam a sua produção científica. Aliás, nosso país representa mais de 60% da produção em ciência e tecnologia de toda a América Latina, desde o México até a Argentina.

Nas universidades federais surgiram as incubadoras e os parques tecnológicos, responsáveis pela instalação de inúmeras empresas inovadoras. A parceria das universidades com as empresas estatais vem contribuindo fortemente para a maior participação destas no cenário econômico mundial.

Julgo interessante mencionar que a estreita colaboração com a Petrobras possibilitou a formação de centenas de mestres e doutores e a geração de tecnologias que promoveram um aumento significativo da nossa produção de óleo e gás.

A contribuição das universidades têm sido determinante para a melhoria das condições ambientais, para o planejamento das cidades, para a oferta de soluções mais econômicas na habitação e, ainda, para o desenvolvimento social. Das suas faculdades de educação surgem propostas para a educação fundamental e o ensino médio e de educação continuada para professores das redes estaduais, contribuindo para o aperfeiçoamento do processo ensino-aprendizagem.

No que concerne às ciências da vida, a presença das universidades federais não é menos significativa. O trabalho desenvolvido nos Institutos da área de saúde vem permitindo grandes avanços em setores relevantes da medicina, como células-tronco, biologia molecular e neurociências.

Erra quem pensa que a realização de projetos em parceria com empresas será a grande "panaceia" para solucionar a crise econômica das universidades.

É importante e salutar transferir conhecimentos para as empresas, mas os professores não podem e não devem dedicar mais de 20% do seu tempo a tais projetos (limite adotado nas boas universidades do mundo) para não sacrificar suas pesquisas e seus cursos, missões de qualquer universidade.

As indústrias também procuram as universidades pela capacidade laboratorial nelas existente.

Vocês já imaginaram se uma pequena empresa inovadora tivesse que adquirir um difratômetro ou um espectrógrafo, equipamentos frequentemente necessários e que chegam a custar centenas de milhares de dólares? Este é um investimento que deve ser parte do orçamento de custeio das universidades.

Errou o governo, quando, há cerca de dez anos, decidiu expandir a rede de instituições federais de ensino superior, estratégia louvável, mas que exigiria um comprometimento com a sustentabilidade de todos os participantes da rede.

Não houve o planejamento adequado e os resultados estão aí: obras paralisadas, laboratórios sucateados, quadro de pessoal insuficiente nos hospitais, cortes de luz por falta de pagamento, bolsas canceladas.

Entendo que, neste caso, a greve não é uma das responsáveis pela tragédia anunciada, porque, mesmo sem ela, as universidades estariam paralisadas pela completa falta de recursos. É preciso que este governo, que criou o lema "Pátria Educadora", tenha o discernimento de identificar adequadamente as prioridades.

A luz no fim do túnel

Cavernas de Miao Keng, em Tian Xing, na China,
com  519 metros de profundidade; Foto:Robert Shone
Pouco importa se a mula claudica. Se a vaca tosse. Se a porca torce o rabo. O bovino continua a marchar a passos largos em direção ao lamaçal. Parece ser esse o destino a que nos autocondenamos.

Entre um suspiro ou outro, a gente vai aceitando o inaceitável. E duvidando que no fim do túnel exista qualquer luz. Ou pior, acreditando que o túnel é infinito. Abraça-se o horror com a paixão dos desinteressados. Como se não fosse conosco. Como se não tivéssemos qualquer coisa ao ver com isso. Como se não fosse culpa (quase exclusivamente) nossa.

O triste, é que, se chegarmos ao fim do túnel, provavelmente não saberíamos o que fazer. Nestes tempos confusos, a gente tem se ocupado somente dos sintomas. I horizonte das soluções, cada vez mais curtos. A miopia vem travestida de pragmatismo. Parece não existir mais preocupação com o futuro. Ou melhor, parece não haver crença que futuro haverá.

Faz tempo que a gente lê sobre a (s) crise (s). Rios de tinta. Quilômetros de papel. Quantidades incontáveis de bites. Mas faz tempo também que a gente não lê qualquer coisa sobre o futuro. Ou melhor, sobre o que fazer para melhorar o futuro. Projetos parecem ter saído de moda.

Depois de arremessar pela janela as oportunidades vindas de anos de bonança, assiste-se quase que passivamente a falência generalizada dos modelos e crenças carcomidos, ultrapassados.

Seria boa hora para rever conceitos, aperfeiçoar modelos, prevenir problemas futuros. Seria. Mas prevenir não parece ser uma de nossas prioridades. Correr atrás do prejuízo é vicio e mania nacional. Coisa nossa.

Nesta mistura de desinteresse, improviso e desespero, mora uma das raízes das crises cíclicas. Foi assim que o país do futebol virou a terra do voo de galinha. Condenado a reviver pesadelos passados.

Talvez não exista mesmo nada de novo embaixo do Sol. Mas a gente não precisa escolher o atraso.

Que mentira, quer lorota boa..

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O governo federal divulga propaganda em todo o Pais na qual trombeteia que em dois anos o “Mais Médicos” atendeu a mais de 63 milhões de brasileiros. Se esse número espantoso, equivalente a quase um terço da população, for dividido pelo número de médicos do programa (14 mil) e pelos dias e horas trabalhadas no período, cada profissional “atendeu” 9.375 pacientes por dia. Um a cada 9 segundos.

O “Mais Médicos” tem sido bem mais vantajoso para a ditadura cubana. Cuba faturou do Brasil, em dois anos, até julho, mais de R$ 4,3 bilhões.
Leia mais na coluna Cláudio Humberto

A crise que não quer calar


Em momentos de crise, dias valem semanas. A montanha russa da história reveza altos e baixos. As especulações crescem, o horizonte fica nebuloso, as posições se radicalizam, a conspiração ganha corpo, temores afloram, enfim, cada dia é carregado de adrenalina.

Há 21 dias, a semana se iniciava com a nova prisão de José Dirceu. No mesmo dia, Dilma tentou acertar os ponteiros com os líderes de sua base e mostrar que retomara o leme. Na terça e na quarta seguintes, a base derrota o governo no plenário. Um jantar de senadores prenunciava um desfecho rápido para a crise, com o possível afastamento da presidente. O vice-presidente solta uma frase ambígua: “o Brasil precisa de alguém que una o país”. Nas entrelinhas, Dilma não une. As notícias da economia, crescentemente ruins, temperam o ambiente conturbado.

Há 15 dias, a semana começa com a reversão de expectativas. O presidente do Senado dá um passo atrás, joga seu próprio jogo, deixa parte do PMDB a ver navios e se transforma no grande fiador de Dilma, propagandeando uma suposta agenda Brasil – uma coleção de projetos dispersos, reunidos de afogadilho, para preencher o vácuo de liderança do governo. As mulheres do campo, organizadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e patrocinadas pela Caixa, pelo BNDES e por Itaipu, realizam uma mobilização “espontânea” de apoio a Dilma. O presidente da CUT faz bravata em pleno Palácio do Planalto ao convocar as massas a irem às ruas com armas defender Dilma. Teve que se retratar. Setores empresariais e parcela da grande imprensa, com medo da turbulência excessiva, pedem a união de todos.


Vem o 16 de agosto. Um milhão e meio de brasileiros vão às ruas dizer basta, chega de tanta mentira e corrupção, confirmando os dados das pesquisas que registram uma rejeição recorde de Dilma, maior, inclusive, que a de Collor. Os líderes oposicionistas vão às ruas. O sereno e experiente ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pede um gesto de grandeza com a renúncia de Dilma. A Procuradoria-Geral da República prepara denúncia ao Supremo, a partir da Lava Jato, que, dizem as más línguas, envolverá como réus quase 100 congressistas, inclusive os dois presidentes das duas Casas legislativas. Mas o epicentro da crise não é o Congresso, é o governo e a corrupção institucionalizada em escala nunca vista. O ajuste fiscal é finalizado e sai muito aquém do necessário e no rumo errado. O dólar dispara, as agências de classificação de risco rebaixam o Brasil, a taxa de juros sobe e as projeções de crescimento para 2015 e 2016 caem.

Fato é que o governo Dilma não tem mais condições de liderar o país, de soluço em soluço, de crise em crise, por mais três anos e meio. A mudança é necessária. A população a quer. Mas o leito e a bússola são a Constituição. Seja por renúncia, cassação ou impeachment, precisamos de um novo governo, forte, com iniciativa e capacidade de ação. Como disse Deng Xiaoping: “Não interessa a cor do gato, se matar o rato”. Com a palavra, as instituições.

Politicamente, analfabetos disfuncionais

Reconhecidamente, o sistema de ensino brasileiro não é menos do que péssimo. Em diversos momentos forma bons profissionais. Mas, praticamente, nunca forma bons cidadãos
Um brasileiro, em fins do século XIX, competente para ler e escrever, seria um nobre ou até um coronel da Guarda Nacional. Na virada do século, éramos 35% de alfabetizados e, em 1950, apenas 49%. O Brasil somente não foi mais paupérrimo na manipulação das letras e dos números quando a população deixou os campos e chegou às cidades: em 1960, os brasileiros alfabetizados já somavam 60%. Agora, nos nossos tempos, teremos apenas 8% de analfabetos nacionais? Motivo de orgulho? Não. Esse número, apontado e avalizado pelo IBGE, é uma lastimável balela.


A iniciativa de criar um Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional no Brasil, medindo diretamente as habilidades da população por meio de testes, foi tomada por duas organizações não-governamentais: a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. As pesquisas que passaram a ser feitas, utilizado o conceito de alfabetismo funcional mostram qual é o quadro real: atinge cerca de 68% da população; somados aos 8% da totalmente analfabeta, resultando em 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado.

Agora sim, fica viável entender as manifestações lastimáveis promovidas nos protestos, aqueles que querem a deposição do governo democrático, a volta da ditadura militar e mais:a morte dos que consideram como seus grandes inimigos. O survey (sondagem de opinião, sem rigorismos estatísticos) realizado por um professor da USP permite o desenho do perfil desse povo, o que é razoavelmente evidente. Trata-se de uma maioria absoluta de indivíduos brancos, com a exclusão de negros e de pobres, gente de faixa etária mais alta, vários tendo chegado à senilidade, muitas mulheres, voyeurs sedentos de corpos nus, vendedores ambulantes em trabalho, diversos interessados na carteira e no celular alheios.

Os depoimentos colhidos dessa gente são inacreditáveis, decretando a obsolescência definitiva do Festival da Besteira que Assola o País (Febeapa), obra muito interessante e que retrata as cabeças de generais, coroneis, almirantes e brigadeiros, mentores da ditadura (golpe de 64), mas que se reveste de candura infantil diante da produção que se faz e mostra, na avenida Paulista dos dias atuais. As faixas transportadas pelos “mulas” contratados trazem dizeres sem sentido, escritos em língua que identifica o analfabetismo funcional predominante. Mas não estamos tratando de um segmento social e economicamente privilegiado? Sim, estamos. E as pesquisas também mostram que 38% dos nossos universitários gozam dessa condição: são analfabetos funcionais.

O projeto de massificação do ensino foi parido pela ditadura, sob orientação do Coronel Jarbas Passarinho, com o malfadado MOBRAL, enquanto o ensino de História e outras ciências sociais era substituído por aulas de “educação moral e cívica”. Tempos de “Brasil – ame-o ou deixe-o”, recitado nas aulas obrigatórias de educação física. A ditadura formou milhares e milhares de jovens alienados, coerentes, e que hoje são fascistas. Uma geração de intelectuais que estudava o Brasil foi levada ao ostracismo: Caio Prado Junior, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Antônio Cândido, Florestan Fernandes.

O cinema nacional ficou reduzido à produção de pornochanchadas, o teatro foi transformado em forma de lazer que antecede a pizza do sábado à noite, em que pesem os esforços magníficos de Gianfracesco Guarnieri, Zé Celso, Vianinha, Ruth Escobar e outros. A música foi proposta na forma alienadora da “jovem guarda”, perdida nas curvas das estradas de Santos, embora, e exatamente aí, tenha havido a contestação mais séria à violência: Chico Buarque foi o maior exemplo de como a sensibilidade artística e a inteligência cultivada podem ridicularizar a violência dos torturadores assassinos.

O segundo momento de aviltamento do ensino no Brasil veio com os oito anos FHC.

Da mesma forma que privatizaram as empresas do Estado, privatizou-se o ensino. A universidade federal foi empobrecida em quantidade e qualidade; o MEC orientou para que as escolas públicas falissem, sendo substituídas pelas empresas do comércio do ensino. Mais do que nunca, elitizaram-se o ensino e a cultura: os filhos das elites que estudassem nos ótimos colégios particulares, habilitando-se ao doutoramento das universidades públicas ou nas universidades norte-americanas.

Há uma reversão de tendência a partir do primeiro governo Lula, quando o MEC começou a atuar para o fortalecimento da Universidade Federal, incentivando a pesquisa, remunerando de forma digna os professores, criando universidades. O ensino obrigatório de Ciências Sociais, Filosofia e Sociologia volta a ser obrigatório no Ensino Médio. Contemplam-se a Música e as Artes.

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos desfuncionais, no Brasil


E cometem equívocos e omissões muito sérios. Os chamados “sistemas de ensino”, produzidos por empresas comerciais que negociam suas ações em Bolsa de Valores, bestificam jovens brasileiros com material didático de péssima qualidade e onde o professor fica reduzido à condição humilhante de “repetidor de aula”. A tentativa política de deputados hoje, na era Eduardo Cunha, no sentido de esvaziar o conteúdo do ensino nas escolas, já é uma realidade rotineira. Em meados da década passada, o Sistema de Ensino da Abril Cultural utilizava a revista Veja para caluniar escolas que se preocupavam em transmitir a realidade brasileira aos seus alunos, identificando e acusando professores “comunistas”. A mesma Abril inaugurou o mecanismo de corrupção, junto a prefeituras e prefeitos, facilitando a venda do seu material para consumo nas escolas municipais. Corruptores e corrompidos.

Eis aqui um desafio aos que não entenderam ainda a necessidade de uma Constituição de olhos voltados para o século XXI. O pacto federativo precisa ser revisto radicalmente!

Sobre Educação, a maioria dos Estados e a quase totalidade das prefeituras carecem de condições mínimas para cumprimento das atribuições que lhes são delegadas. A Carta de 1988 adotou uma descentralização irreal e que vai provocando disfunções seriíssimas. Entre as diretrizes elaboradas pelo MEC e a ação política de governadores e prefeitos há um abismo intransponível.

Tanto a incompetência interesseira de políticos regionais como o utilitarismo dos comerciantes do ensino, ambos tornaram absolutamente impossível a modernização do ensino básico. Como resultado dessa paralisia no tempo, as paredes das salas de aula formatam hoje um espaço que sufoca os jovens, expostos às dimensões quase infinitas da Internet que se abrem através do computador. Os adolescentes, aprisionados na escola convencional, ainda encontram liberdade nos espaços dos shopping centers. O que está sendo afirmado aqui fica evidente quando se lembra que as últimas experiências inovadoras significativas no Brasil foram a Universidade de Brasília, com Darcy Ribeiro, e os CIEPS, com Brizola e o mesmo Darcy Ribeiro.

O Direito à Educação é assegurado pela Constituição Federal como um direito fundamental, tendo sido contemplado pela Constituição no artigo 6 º, localizado no capitulo intitulado “Direitos Sociais”. O Ensino Básico (Fundamental + Médio) impõe-se como direito assegurado a todo cidadão brasileiro. Tanto quanto a reforma agrária, ou a limitação do direito de propriedade pelo interesse social … Letras, letras mortas. É bem verdade que os governos de Lula e Dilma se fixaram no ideal do “ensino para todos”. A partir disso, desenvolveu-se e desenvolve-se um esforço orientado por critérios de quantidade, mas não de qualidade.

No afã de formar gente de nível universitário, os governos do PT quase que atingiram o exagero de uma antiga piada: “brasileiro, ao nascer, ganha o título de doutor, aos 18 anos devendo fazer uma opção”. A universalização universitária não será uma utopia desastrada? De novo a mesma preocupação: quantidade; e o que fazem com a qualidade: É baixa, pouca e insuficiente?

Um dos equívocos mais grosseiros foi cometido com a criação do FIES. O Ministro da Educação acaba de corrigir as distorções gritantes de um programa demagógico. Até recentemente, alguns vários bilhões de reais foram destinados ao financiamento de estudantes, em universidades reconhecidas pelo próprio MEC como sendo de qualidade inferior, concentrados nos Estados mais ricos, com financiamento concedido a filhos de famílias de classe-média, para matrícula em cursos de Direito, Administração e similares. O Ministro Renato Janine Ribeiro limitou o uso do benefício a famílias pobres, nas regiões mais pobres do país, para cursos de Engenharia, Medicina e similares, ministrados em escolas que venham merecendo boa conceituação.

Alvíssaras. As coisas vão tomando forma digna,pois tivemos alguns anos de descalabro descompromissado.


Reconhecidamente, o sistema de ensino brasileiro não é menos do que péssimo. Em diversos momentos forma bons profissionais. Mas, praticamente, nunca forma bons cidadãos. Os brasileiros não sabem o que é o Brasil, não conhecem a sua História, recebem informações rudimentares sobre a sua geografia e são ignorantes completos quanto à sua economia, problemas atuais e potencial. Não estão sendo ensinados a pensar, não sabem ler, não leem, carregam uma lastimável preguiça mental.

A pobreza é tal que, mesmo à esquerda, frequentemente se vê o dogmatismo tolo, simplificador de tudo: ‘os que não pensam exatamente como eu penso são fascistas’. Perderam alguns a capacidade de pensar e, de pensar indagativamente. Não há espírito crítico, o que o ensino puramente técnico e de má qualidade não contempla.

O que tudo isso tem a ver com o 16 de agosto? Serve para que se entenda toda aquela gente como o lixo social que as nossas escolas estão deformando. Para pedir a ditadura militar e a morte de políticos desagradáveis, as pessoas precisam passar por um apurado processo de animalização, aquele que o nosso sistema de ensino tem oferecido. O marketing transformando tudo em produto de consumo não durável, consumidores consumíveis, produz o restolho obsoleto do que teria sido um ser, e humano; hoje na avenida são zumbis alucinados.

Enfim, o esforço dos governos Lula e Dilma tem revertido tendências perversas, mas incorpora equívocos. Quem, não apenas os dois, mas pensados todos os que habitam hoje o nosso mundo político, possui competência para distinguir o que é humano daquilo que é simples charlatanismo?

Maria Fernanda Arruda 

Anúncio amador mostra a desorganização do governo

Após anos de cobrança pelo inchaço da máquina federal, o governo resolve cortar 10 dos 39 ministérios. Baita notícia, condizente com a necessidade de sinalizar sintonia com o momento difícil do país –ainda que, na prática, a tosa acabe sendo mais cosmética do que efetiva, dado que não se faz muita economia meramente cortando pastas.

O que um governo faria? Convocaria uma entrevista com antecedência, visando atrair a atenção da mídia, e apresentaria planos claros. Poderia até tentar associar a austeridade com o previsível recrudescimento da crise econômica devido às novas más notícias vindas da China.

Bom, houvesse governo em Brasília, isso teria ocorrido. Como se trata da gestão agônica de Dilma Rousseff, o que se vê é um ministro anunciando timidamente, “no susto”, que a medida bombástica irá acontecer, só não sabe bem dizer como.

O amadorismo do anúncio desta segunda é um reflexo cristalino da desorganização que impera na Esplanada dos Ministérios, dado que a piloto sumiu da cabine de comando.

Há também a grande probabilidade de o corte ter o mesmo fim da tal Agenda Brasil, que sumiu dos discursos oficiais com a velocidade com que surgiu: criar fumaça para tentar esconder a origem do incêndio.

Quando a periferia será o lugar certo, na hora certa?


As fotos do 13 de agosto mostram mulheres lavando o sangue dos mortos com rodo, como nos filmes B de terror. Se o rio vermelho escorre pelos degraus, as palavras ecoam para além da extensa fila de cadáveres. Elas matam lentamente, como balas em câmera lenta, que perfuram os corpos, se espatifam por dentro e vão corroendo os órgãos. Dia após dia, dia após dia, dia após dia. Mata-se e morre-se também na linguagem. As palavras silenciam os mortos para além da morte. E calam os vivos, mesmo quando eles pensam gritar.

1) “Estava no lugar errado, na hora errada”

“Ele nunca teve nada a ver com crime. Era pacato, de família.Estava no lugar errado na hora errada. O nome Deivison foi porque meu pai gostava das motos Harley-Davidson.”
(Jorge Henrique Lopes Ferreira, 31, técnico de celulares, sobre o irmão, Deivison Lopes Ferreira, 26, assassinado em 13 de agosto. O pai de ambos foi assassinado há 18 anos, no mesmo bairro, da mesma maneira, num crime jamais esclarecido.)
“O Thiago estava desempregado havia um mês, mas era uma pessoa excelente e infelizmente estava na hora errada, no lugar errado.”
(Alessandra de Lima, 37, dona de casa, sobre o irmão Thiago Marcos Damas, 32, assassinado.)
“Eu vou ter de voltar à normalidade, seguir a minha vida. Perdi um companheiro e um amigo. Por mais que eu queira, infelizmente não posso mudar de casa. Foi o caso de estar no lugar errado e na hora errada.”
(Jean Fábio Lopes, 34, ajudante em lanchonete, sobre o companheiro, Eduardo Oliveira dos Santos, 41, artesão, assassinado)
“Foi muito rápido e muito trágico. Estava no lugar errado e na hora errada.”
(Alberto Martins, sobre o irmão, Fernando Luiz de Paula, 34, pintor, assassinado)
“Estava no lugar errado e na hora errada” foi o comentário mais frequente dos familiares dos 18 mortos, seis feridos, na periferia de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, na maior chacina de 2015. A expressão dá conta de uma máxima: “na periferia há preto ladrão, branco ladrão e aquele que está no lugar errado e na hora errada”. A frase também culpa, ainda que indiretamente, aquele que morre.

Por que, afinal, ele estava aonde não deveria de estar, do lado de fora, na rua? Não tinha nada de estar ali. Para não estar na hora errada, no lugar errado, é preciso ficar trancado dentro de casa. Se estivesse trancado dentro de casa, estaria vivo. Comentários como estes são escutados o tempo todo nas periferias, tanto que se tornaram um clichê. Cada vez mais acuados, aqueles que não querem morrer se resignam a desistir do espaço público.

É a vida dos escravos, sonhada por seus senhores: de casa pro ônibus lotado, do ônibus lotado pro trabalho, do trabalho pro ônibus lotado, do ônibus lotado pra casa. Gente pobre não precisa de lazer ou o lazer é ver TV em casa, preferencialmente programas em que apresentadores, alguns deles com ambições eleitorais, criminalizam pobres e ofertam a imagem de seus corpos no altar midiático. Quem frequenta bar, sabe que pode morrer, é este o recado. Como na noite de 13 de agosto, como em tantas outras noites.

Ser encurralado por homens encapuzados e executado a tiros nunca é a possibilidade no lugar certo e na hora certa

Como pode ser lugar errado e hora errada estar num bar perto de casa antes da meia-noite? Mas assim é. Se há um lugar errado e uma hora errada, supõe-se que existiria então um lugar certo e uma hora certa. Mas a periferia nunca é o lugar certo. Na periferia nunca há hora certa. Já nos bairros nobres de São Paulo, no centro expandido, todo bar é um lugar certo, toda hora é certa. Também na noite de 13 de agosto.

Nenhum dos homens e mulheres de classe média e alta que lotaram os bares da Vila Madalena ou do Itaim Bibi, na mesma noite e hora, jamais precisou pensar sobre a possibilidade de que encapuzados pudessem entrar e executá-los. Nem que as faxineiras no dia seguinte, elas que vêm do outro lado do rio, tivessem de limpar seu sangue com rodo. Não é preciso pensar nisso, nem faz qualquer sentido. Ser encurralado por encapuzados e executado a tiros nunca é a possibilidade no lugar certo e na hora certa.

Ao se depararem com o corpo de filhos, pais, maridos, irmãos, o que os pobres dizem? Ao se confrontarem com o cadáver de quem amam estirado no asfalto, à espera de ser recolhido, ou estendido numa maca no pátio aberto do Instituto Médico Legal, porque faltou geladeira para todos, o que eles afirmam? “Estava no lugar errado, na hora errada”. É a frase com que a mãe espera convencer a sociedade, pela derradeira vez, de que seu filho era inocente e não merecia ser morto a balas. Em seguida, o absurdo se naturaliza na matéria de jornal e vira normalidade: “A maioria dos familiares disse que as vítimas trabalhavam e não viu motivo para execuções”. Isso é quase tão desesperador quanto a morte, porque também é um tipo de morte. E também mata.

Leia mais o artigo de Eliane Brum

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Construindo uma nação

Os países são expressões geográficas, os Estados são formas de equilíbrio político e uma Pátria, mais que isso, é um sincronismo de espíritos e de corações, uma comunhão de esperanças. Esta magistral definição, de José Ingenieros, em seu belo ensaio moral sobre a mediocridade humana, nos faz pensar sobre o estágio civilizatório do Brasil, neste momento em que Dilma Rousseff tenta se segurar na cadeira do Planalto, Eduardo Cunha promete se agarrar à cadeira da presidência da Câmara Federal e Ricardo Lewandovski espera, sentado em sua cadeira de presidente da alta mais Corte do país, a denúncia envolvendo políticos.

A rigor, podemos dizer que as instituições estão funcionando. Mas isso basta para nos transformar em uma Nação? Ou continuamos sendo ainda uma terra bárbara? O Brasil está longe de ascender ao estágio civilizatório de uma Pátria, expressa pelos valores da solidariedade, da igualdade, da unidade em torno da utopia coletiva voltada para a realização de grandes coisas. Um olhar para qualquer espaço da vida política e institucional, flagra a torpeza de atitudes, a retórica dos interesses pessoais, os espaços públicos climatizados com os vapores do servilismo, as filas do fisiologismo e a administração pública povoada de proxenetas, que usam os desvãos do poder para engrossar um gigantesco PIB informal.

Democracia Brasil (Foto: Arquivo Google)

Não é a toa que nas terras de Curitiba, um juiz, todo vestido de preto, rodeado de jovens procuradores atolados numa montanha de pastas, dá-se ao trabalho cirúrgico de descobrir cancros e tumores que ameaçam, como metástase, se espalhar pelo corpo nacional. A legião de Sérgio Moro mais parece uma legião imbuída de “uma missão divina”, inteiramente voltada para desvendar o estado invisível escondido no território nacional.

E o que faz, nesse momento, o Congresso Nacional? De um lado, o Senado procura acenar a bandeira de seu presidente, chamada de Agenda Brasil, cujo lema é este: salvemos o Brasil enquanto há tempo. De outro, a Câmara, comandada por Eduardo Cunha, vota matérias polêmicas – como diminuição da idade penal, correção do FGTS, vinculação de salários de diversas carreiras do Estado ao salário dos funcionários do STF - sem considerar a gravidade do momento nacional e a extrema necessidade de o país abrir rígido ciclo de contenção de despesas. Os dois presidentes, ambos do mesmo partido, o PMDB, parecem puxadores de um cabo de guerra, cada qual se esforçando bravamente para trazer o cabo para o seu lado.

E onde está o tão proclamado projeto de reforma política? Aprovado na Câmara, tramita pelo Senado. Mas, é bem provável que esbarremos, no fim da linha, com o famoso dito: a montanha pariu um rato. O que veremos? Pouco: financiamento misto de campanha nos moldes atuais, com pequenas restrições; fim das coligações proporcionais; custo limitado de campanhas e regras de organização partidárias. Não serão suficientes para mudar, em profundidade, os costumes políticos. Continuaremos a ver a política sob as mazelas históricas: o grupismo, o familismo, o mandonismo dos caciques regionais, a retaliação dos espaços da ad­ministração pública. A cláusula de barreira, proibindo a formação de partidos minúsculos, poderia efetivamente conferir densidade dou­trinária aos cinco, seis ou oito grandes partidos que restariam? Sim. Mas deverá ser deixada de lado.

Tomemos o caso da representação política. Diz-se que o Congres­so Nacional é o retrato apurado da comunidade nacional. Se os par­lamentares tomam decisões erradas ou não dignificam o mandato, a culpa acaba sendo atribuída ao povo, que não sabe votar. Não é bem assim. O que tem ocorrido é um deslizamento da democracia dire­ta, a que é exercida pelo povo quando elege os representantes, pela democracia mediada por interesses nem sempre consoantes com a vontade do eleitor. Os governos acabam sendo produto de acordos, barganhas e intermediações, deixando de refletir os resultados das urnas.

Não é sem razão, pois, que se acusa a democracia brasileira de es­tar esvaziada de conteúdo social. Os melhores quadros do Congresso Nacional acabam sendo reféns do mandonismo do governo. Imagi­nem-se os quadros menos qualificados, os chamados parlamentares do baixo clero. Acabam aguardando a vez na porta da esperança, onde mendigam verbas para sustentar o prestígio regional.

Uma verdadeira reforma política deveria abarcar todos esses aspectos. Restrita, a reforma será inconse­quente. Pois não adiantará reformar aspectos pontuais do sistema, sem alterações de fundo no sistema econômico com o objetivo de diminuir as desigualdades sociais. Reformar a cultura política significa, pois, refor­mar o cidadão. Cidadãos exigentes, cultos e preparados produzem o oxigênio para a gestão racional da democracia.

Felizmente esse novo cidadão começa a adensar as ruas. As mobilizações sociais dos últimos tempos constituem a tão ansiada luz no fim do túnel. Essa é a boa novidade que se pinça do monturo de coisas podres, deterioradas, estragadas que alimentam os urubus da política.

O que faz a grandeza de uma Nação? O historiador Edward Gibbon, em Declínio e Queda do Império Romano, sintetiza: a imaginação dos pensadores; os benefícios das leis, da política, do comércio, das manufaturas, das artes e das ciências; e a capacidade operativa de homens comuns, famílias, e cidades dedicadas aos ofícios mecânicos, ao cultivo da terra, ao uso do fogo e dos metais, enfim, à prática dos mais variados e utilitários serviços cotidianos.

Arrematemos a resposta. A grandeza de uma Nação é resultado direto da cidadania. Quanto mais se eleva a auto-estima dos cidadãos, pela via da educação política e consciência cívica, mais forte será a Nação. O Brasil está sendo passado a limpo. Com o apoio das ruas. É assim que se constrói uma Nação.

Todas as crises ao mesmo tempo

Durou pouco o alívio de Dilma Rousseff, como o que ocorreu na semana passada quando foi presenteada pela denúncia do ainda presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de seu envolvimento no festival de propinas da Petrobrás. Denunciado pelo MPF de haver recebido sucessivas contribuições em dinheiro como suspeita de suborno para facilitar negociações ocorridas na estatal, precisamente investigadas pela PF e pelo MPF, o presidente da Câmara foi alvejado com um tiro que o fez sair da trincheira por ele construída para desestabilizar o governo Dilma. Pelo menos momentaneamente. Eduardo Cunha, que tem fôlego de sete gatos (sem trocadilhos), reagiu como todos os envolvidos sempre reagem, negando conhecer os demais acusados e eventuais delatores. Nesse teatro, ele ainda recebeu a solidariedade de seus pares no PMDB e no Legislativo. Em São Paulo, foi homenageado pelo grupo liderado pelo presidente da Força Sindical, o deputado Paulinho da Força, em bem organizada manifestação popular que entoou o grito já gasto de “Eduardo Cunha, herói do povo brasileiro”. Meu Deus, onde chegamos.


Poucos acreditam em Eduardo Cunha, mas ninguém duvida de como é trabalhoso tê-lo como inimigo, no comando de uma Câmara que é um ajuntamento e de uma oposição errante, sem projetos para mudar o país.

Ainda que por pouco tempo, como se prevê e desejam, ele pode remontar um cenário indesejado pelo PT, que é a inclusão na agenda da Câmara do processo de impeachment da presidente. É quase o clamor das ruas, motivado pelo desemprego, pela inflação, pela notória redução da atividade econômica e o agravamento desse conjunto de tropeços. A desidratação do poder político do Palácio do Planalto retira da presidente ferramentas importantes com cujo auxílio poderia resistir ao turbilhão de dificuldades que sua equipe econômica e seus ainda parceiros políticos tentam ajudá-la a contornar. Em suma, os estoques de resistência e de reação estão no nível morto. Salva a presidente, ainda, a estabilidade institucional que lhe dá a Constituição e que marca o impeachment como uma afronta a lei.

As ruas acusam o governo de ser incompetente, incapaz de produzir soluções, de não oferecer alternativas para a recessão que se alastra e nos pune, mas também não geram, com os protestos que empreendem, agendas transformadoras. Fora Dilma para milhares. Fica Dilma para outros milhares, em menor dimensão, mas fora o ajuste fiscal. Mais escolas, mais saúde, mais segurança, mais mobilidade, mas menos impostos, menos tarifas, menos juros, menos inflação. A conta não fecha. De tanto prometer e não entregar, de tanto propor e não realizar, o governo está no cume do desgaste possível. E infelizmente não sinaliza com melhoras. E quando sinaliza, não convence.

Alguma semelhança?

Onde quer que o Estado assuma o controle detalhado das atividades econômicas de seus cidadãos, ou seja, onde quer que reine o planejamento econômico central detalhado, lá os cidadãos comuns estão com algemas políticas, têm um baixo padrão de vida e pouco poder para controlar o seu próprio destino
Rose e Milton Friedman
 

A ideia do jeitinho

Os assaltantes dos cofres públicos nacionais vão se movimentando intensamente, utilizando discurso conhecido como “peneira no Sol”. O discurso é apenas para constar. Todos eles sabem que a maioria da população tem consciência de que são bandidos, e que a formalidade por eles empregada é digna de baixo meretrício de beira de estrada. É só olhar a cara de José Sarney, Edison Lobão, Lula da Silva, o Lularápio e outros.


Mas ainda existe quem acredite que o país tem jeito (fazer o quê?). Mesmo ouvindo discursos da presidAnta, que garante existir “um animal oculto por trás de cada criança” (o qual, invariavelmente, é um cachorro), e que numa situação onde não existe meta é possível atingir a meta e dobrá-la.

Foi esta retardada quem esteve na Europa, em 2009, oferecendo conselhos a chanceler Angela Merkel para melhorar a economia alemã. Ela deveria isso sim ter levado um volume da obra de Palmério Dória (“Honoráveis Bandidos”), traduzido para o alemão, mostrando que entre os seus conselheiros está o ex-presidente José Sarney, “Ratão do Banhado”, magnificamente retratado, ali, como ladrão desmoralizado.

Mas o PT, através de sua liderança maior, o cachaceiro desqualificado, já está tomando providências: numa reunião recente no valhacouto que lhes serve de abrigo, as ratazanas petistas discutiram com profundidade quem irá se arriscar a colocar um guizo no pescoço de Zé Dirceu. A notícia foi dada no jornal O Globo.

Lularápio quer que seu ex-braço direito, o ex-“capitão do time”, se desligue da legenda. O calhorda mor acredita que, com tal gesto, o PT voltará a enganar como antes. Como se não tivesse passado pelo mensalão, petrolão e roubalheiras que ainda serão apuradas. Sem contar os 11 caminhões de mudança que levou ao deixar a Presidência e os dois caminhões frigoríficos com as bebidas que roubou do Palácio da Alvorada.

O ex-presidente, que age de forma canalha desde a mais tenra idade (quem quiser saber mais, leia o livro de José Nêumanne Pinto, “O Que Sei de Lula”), não economiza em patifaria, pois sabe que na vida o que mais importa são as aparências. O problema é que seu partido, apesar de muito tentar, não conseguiu censurar a internet, através do tal “marco regulatório da mídia”.


Hoje, graça à rede mundial de computadores, sabe-se bem quem é este mistificador e saqueador do patrimônio público. A nossa esperança é o juiz Sérgio Moro. Quando estiver bem documentado e respaldado, o juiz federal paranaense irá, sem nenhuma dúvida, colocar este pilantra no xilindró.

O grande problema é que somos grande massa de analfabetos, manipulados pelas emissoras de televisão (capitaneadas pela Rede Globo), sem qualquer noção de cidadania ou de direitos. A única coisa que se cumpre à risca aqui são as imposições, os deveres, porque existem mecanismos bem azeitados na cobrança de impostos dos quais o desprotegido assalariado não consegue fugir.

Não temos escolas, saúde, transporte público, sistema de segurança, a cantilena é enorme e sempre repetida. Mas temos ladrões em pencas, carregando todo o dinheiro que deveria prover tais benefícios. O Brasil precisa mudar sua legislação penal e construir presídios. A elaboração de novas leis se mostra como fator impositivo, nos menores detalhes. Por que um gatuno como Paulo Maluf, por exemplo, não é preso?

Vejam só como o discurso “peneira no Sol” é vergonhoso: Lularápio quer afastar seu ex-cúmplice, tão somente porque pretende se salvar. Mas não sabe ainda o que virá pela frente, com telefonemas seus interceptados, delações premiadas e outros instrumentos que lhe porão a nu. O Brasil é essa tristeza, apesar de todo o seu potencial econômico. Quando será que irão colocar o safardana Lularápio na prisão?

Pesadelo

Estava sentado ouvindo o pronunciamento dela no ato de posse perante o parlamento: “Um dos grandes debates do nosso tempo é sobre quanto do seu dinheiro deve ser gasto pelo Estado e com quanto você deve ficar para gastar com sua família. Não nos esqueçamos nunca desta verdade fundamental: o Estado não tem outra fonte de recursos além do dinheiro que as pessoas ganham por si próprias. Se o Estado deseja gastar mais ele só pode fazê-lo tomando emprestado sua poupança ou lhe cobrando mais tributos. E não adianta pensar que outro alguém irá pagar. Esse ‘alguém’ é você! Não existe essa coisa de ‘dinheiro público’. Existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos.”

“A prosperidade não virá por inventarmos mais e mais programas generosos de gastos públicos. Você não enriquece por pedir outro talão de cheques ao banco. E nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar. Nós temos o dever de garantir que cada centavo arrecadado com a tributação seja gasto bem e sabiamente, pois nosso partido é dedicado à boa economia doméstica. Proteger a carteira dos cidadãos, proteger os serviços públicos, essas são as nossas duas tarefas básicas e ambas devem ser conciliadas. Como seria prazeroso e popular dizer ‘gaste mais nisso, gaste mais naquilo’. Todos nós temos causas favoritas. Eu pelo menos tenho. Mas alguém tem que fazer cuidadosamente as contas. Toda empresa tem que fazê-lo, toda dona de casa tem que fazê-lo, todo governo deve fazê-lo. O meu irá fazê-lo”.

Dei um salto e, entusiasmado, pus-me a aplaudi-la. Estávamos perante uma governante firme e sábia. Mas, aí, acordei e me dei conta que estivera no parlamento britânico ouvindo o discurso de Margaret Thatcher... Reza a história que a famosa ex-primeira-ministra inglesa salvou as finanças e a economia do Reino Unido, além de dado uma tunda histórica nos movimentos sociais e sindicatos trabalhistas.

Ela foi o reverso da nossa presidente, com décadas de antecedência e, por isso, estamos nessa miserável situação, numa crise de confiança arrastada e irremediável, perdidos no imprudente presidencialismo de coalizão, em que a base de sustentação do governo o desestabiliza progressivamente, base essa construída com espeque na corrupção.

Em termos populares, a situação do governo é a seguinte: “Se correr, o bicho pega; se ficar o bicho come”. Noutros termos, elegantemente gregos, vivemos um dilema, ainda sem saída, que se arrasta há 10 meses. As crises — a etimologia é também grega — exigem soluções efetivas e ágeis. Não vale aqui choramingar e dizer que devíamos ter adotado o parlamentarismo, em que basta derrubar o gabinete para resolver o dilema do governante inepto.

Sequer da renúncia podemos cogitar. Ela é tão prepotente e de poucas luzes, que só pensa em si: “Aguento pressões!”; “Sou forte!”; “Tenho legitimidade!”. Antes não tivesse, estaríamos livres das pragas que ela semeou pelos brasis afora. O vice-presidente, em ato de autocrítica, reconheceu a gravidade da situação e apelou para que alguém apareça e nos una, ou seja, una as forças políticas da nação para resolver a grave crise criada pelo governo do PT. O pior, é que ela acha ser essa pessoa. Ela é justamente quem a todos desune.

Quem é essa pessoa? É a pergunta que todos nós nos fazemos. Um governo de salvação nacional exige a saída de Dilma, que nunca teve estofo para governar a nação. Se não há um salvador da pátria, que pelo menos se tire do governo quem a está levando para o buraco.

A crise continua e continuará enquanto Dilma insistir em governar. Se foi ela, com suas políticas malucas, na Petrobras, segurando preços; na Eletrobrás, desmanchando o sistema de distribuição; e na economia, gastando mundos e fundos para incentivar o consumismo e aumentar a dívida pública, como é que pode ser a pessoa indicada para unir todos e desfazer os malfeitos?

Ao cabo, a agenda proposta por Renan é retórica, cortina de fumaça, aparente pacto de governabilidade e improvável retomada da economia. É um erro brutal tentar salvar o que não deve ser salvo, como disse FHC. O Brasil precisa de um choque de liberalismo. Ora, com Dilma e o PT, inexistem condições objetivas e confiança para retomar o crescimento.

Dois ciclos estão encerrados: o do recente crescimento mundial, de capitais fartos e vendas maciças de commodities, que catapultou os últimos 12 anos de lulopetismo e ele próprio, primário e populista. Estamos vendo passar o enterro. Falta fazer a cova e providenciar o sepultamento da era Lula.

A ditadura de Vargas (15 anos) e a militar (21 anos) colapsaram rapidamente. O lulopetismo não deve, não pode, perdurar por mais 3 anos e meio, sob pena de destruir a nação, a menos que ela se torne uma rainha da Inglaterra (reina, mas não governa), panorama impensável, levando-se em conta a personalidade da nossa presidente.

E na festa do peão em Barretos...

O governo petista acabou

O governo petista acabou! Como um doente terminal, pode durar meses ou anos, com todos os sofrimentos daí resultantes. Impeachment ou renúncia teriam a imensa vantagem de dar um basta a essa situação, com a segunda alternativa sendo muito melhor que a primeira, por ser mais rápida e menos traumática. Aguardar as eleições de 2018 pode significar que o novo governo que assumir terá de reestruturar totalmente um País exaurido.

Charge O Tempo 24/08

O discurso petista de que qualquer abreviamento do mandato da atual presidente seria um golpe nada mais é que um mero instrumento demagógico. Impeachment é um instrumento previsto constitucionalmente e utilizado quando do governo Collor, forçando-o à renúncia. A transição não foi traumática, o então vice-presidente Itamar Franco fez um governo exemplar, de união nacional, e foi o responsável pelo Plano Real. O mesmo pode repetir-se agora com o vice-presidente Michel Temer, a quem não faltam condições para tal mudança.

Aliás, o PT parece não ter memória, pois chegou a apregoar o impeachment do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Não era golpe! No que diz respeito às convicções democráticas, o PT e seu governo têm dado sinais indeléveis de seu pouco apreço pelas instituições republicanas, defendendo os governos bolivarianos e o socialismo do século 21 em nossos países vizinhos. A democracia desmorona a golpes de facões chavistas na Venezuela e nosso governo não cessa de defender sua “democracia”.

Mais recentemente, o presidente da CUT, Vagner Freitas, declarou, dentro do Palácio do Planalto, que ele e seus comparsas pegariam em armas para defender o atual governo. Como assim, pregando a violência no palácio e chamando isso de defesa da democracia? A situação não deixa de ser hilária. O PT não defende o Estatuto do Desarmamento? Terão os sindicalistas da CUT armas? Onde as obtiveram?

O ex-presidente Lula tentou logo depois fazer um remendo, dizendo que a verdadeira arma seria a “educação”. Conversa fiada. Repete o comportamento que o caracterizou no governo: atiça o fogo e logo diz atuar como bombeiro.
Acontece, porém, que o País mudou. Nas manifestações nacionais do dia 16 um boneco inflável de Lula como presidiário virou meme nas redes sociais e apareceu nos jornais e na mídia em geral. Um símbolo, nesse dia, ruiu. É toda uma época que chega ao seu término.

O boneco estampava o número do PT e um artigo do Código Penal, em clara demonstração de que seu nome já está associado à corrupção, à Lava Jato e à prisão. Perdeu o efeito teflon, ou talvez tenhamos agora um outro tipo de teflon, o negativo, tudo passando a colar nele e na sua sucessora. Os acordos negociados com o presidente do Senado não tiveram nenhum efeito popular senão o de colar o senador Renan Calheiros às figuras de Dilma e Lula. O acordão não funcionou para esse importante setor da opinião pública.

As manifestações, ao contrário das anteriores, focaram no afastamento da presidente, insistindo no impeachment ou em eventual renúncia. Sua imagem não apresenta nenhuma melhora. Ao contrário, piora. Os protestos estão apontando para o fim do ciclo petista, procurando abreviá-lo.

Note-se que essas manifestações foram maiores e mais importantes do que se previa – supostamente uma baixa adesão. Foram maiores que as de abril reuniram acima de 1 milhão de pessoas, apesar de jornalistas e “analistas” simpáticos ao PT procurarem camuflar esse fato. Globo e G1 fizeram um cálculo, segundo as Polícias Miliares (PMs), de 879 mil participantes, não contando os manifestantes do Rio e do Recife, sem estimativas das respectivas PMs.

Ora, o Rio congregou pelo menos 100 mil pessoas e o Recife, 50 mil, o que dá um total superior a 1 milhão. Esses números só perdem para as manifestações de março. As imagens cariocas foram impressionantes.

Ademais, trata-se de um processo que começou em março, seguiu em abril e chegou a agosto com novas manifestações já sendo previstas. Tivemos três enormes manifestações em cinco meses, algo inédito na História do nosso país. Por último, esta última manifestação teve foco, centrado nas figuras de Dilma e Lula, com a bandeira explícita do impeachment.

Exemplo público a ser seguido concretizou-se no aparecimento de camisas e faixas em apoio ao juiz Sergio Moro. Ele representa atualmente um ideal de Justiça, algo digno de ser imitado. A Nação não mais tolera metamorfoses ambulantes, quer correção na vida pública e esperança de um País justo, no qual um novo futuro possa ser vislumbrado.

Do ponto de vista político, essas manifestações de apoio a Moro significam uma forte sustentação à Operação Lava Jato contra qualquer tipo de pizza. A sociedade está atenta aos seus desdobramentos e, certamente, não aceitará nada que possa prejudicá-la. Os culpados deverão ser punidos, tanto no setor empresarial quanto no político. Se isso não ocorrer, as manifestações poderão ganhar ainda mais fôlego. Um recado foi enviado!

Apostar numa melhora da situação econômica significa voltar a ouvir os cantos de sereias que nos guiaram desde a saída de Antônio Palocci do Ministério da Fazenda. Os “mágicos” economistas petistas levaram o País a esse buraco, os ditos desenvolvimentistas incrustados no governo e no partido. A inflação deve alcançar dois dígitos (ou perto disso) no final do ano, o desemprego está aumentando, o PIB é estimado em 2% negativo neste ano e deve permanecer negativo no próximo, o poder de compra da classe média e dos trabalhadores em geral está caindo, e assim por diante.

O Natal e o ano-novo não serão de festa do ponto de vista social. A quebra de expectativas e a desesperança só tendem a piorar. E será nesse cenário que o clima de insatisfação política se vai expandir.

Prazo de validade do governo Dilma já se esgotou

A manipulação e a deformação de termos e definições têm sido uma prática adotada por intelectualóides que ainda apóiam o governo. O termo “golpe”, cuja definição clara não oferece cores políticas, vem sendo utilizado aos “baldes” por aqueles que, dizendo-se democratas, tentam colar a expressão aos que classificam da “direita”, sempre formada por antidemocratas, militaristas, revanchistas e que não sabem assimilar derrotas.

Distorcendo aqui e pedalando ali, lá vão eles “pichando” os outros de golpistas.

Vencer uma eleição prometendo e depois não cumprindo, fazer campanha com recursos oriundos de “assaltos” aos cofres públicos, não oferecer a possibilidade de verificar-se a seriedade das urnas e seus resultados, negociar a máquina pública para manter base de apoio, tudo isso não é golpe? Afinal, quem está dando o golpe no país?

Os golpes aplicados em governos anteriores hoje servem de justificativas e “direitos adquiridos” para que o PT também possa praticá-los.

As passeatas pagas, financiadas e organizadas pelos pelegos petistas, utilizando-se de brasileiros miseráveis, sob todos os aspectos, são o “gran finale” da farsa, da ópera do malandro, do ladrão, do pilantra e do cafajeste. Na rua defendendo a democracia? Nem sabem o que é isso. São contra as propostas de do governo e contra Levy, mas a favor de Dilma.

Com uma rejeição jamais vista e com um apoio insignificante, se essa caricatura de governante acabar seu mandato, terminará também com o país! Dilma foi eleita com votos, sim. Mas o prazo de validade de sua eleição já terminou, com votos ou não. O resto é patifaria, molecagem e coisa de bandido. E lugar de bandido é na cadei
a.

La nave va

O governo disse, após as manifestações, que o grande problema do Brasil é a intolerância. Discordo: acho que é a corrupção. Milhares de pessoas que foram às ruas acham o mesmo. A resposta do governo não me surpreende. É tão previsível que poderia reduzi-la a um programa de computador, quem sabe uma fórmula matemática. Sempre acusa, nunca erra, nunca se desculpa. Prefere o papel de vítima da intolerância do que assumir suas responsabilidades no buraco em que meteu o Brasil.

De fato, a tolerância, essa que o governo usa como cortina de fumaça, é uma qualidade vital. Bertrand Russel dizia que, além de respeito aos fatos, é preciso aprender a ouvir coisas que não gostamos de ouvir.

A memória me ajuda a exercitar a tolerância. Quando o presidente da CUT disse que resistiria com armas na mão ao impeachment de Dilma, consegui sorrir.

Lembrei-me de um episódio em 1964. Éramos cinco jornalistas morando num conjugado do 200 da Barata Ribeiro. Um de nós foi buscar as armas que o Almirante Aragão distribuiria para resistir ao que, na época, era um verdadeiro golpe.

Aragão comandava os fuzileiros navais, tinha armas verdadeiras. Quando lançou a ordem de entregar as armas, ela foi se deformando e chegou lá na porta como um aponte as armas. Pessoinha, José Pessoa, esse era o seu nome, voltou com olhos arregalados e de mãos vazias.

Dos cinco daquela época, morreram três, sobramos Moacir Japiassu e eu. Vivo, Pessoinha também riria das armas do presidente da CUT. E muito mais do desfecho: em vez de armas, o presidente da CUT ofereceu churrasco e cerveja.

As crises trazem muita ansiedade, sobretudo em nossa época. Toda hora ir ao computador à espera de algo que você não sabe bem o que é, algo que impulsione uma saída.

Com as memórias de muitos anos de manifestação de rua, fui ver de perto, depois assisti com tranquilidade às análises, coberturas de tevê, enfim todas as possíveis interpretações. Uma das coisas que me pareceram meio cômicas foi a obsessão com os números. Era uma manifestação oceânica, grande para qualquer democracia ocidental e mesmo para a Índia. Mas era preciso esquadrinhar a Avenida Paulista em busca de um número.

Como disse Bertrand Russel, é preciso respeitar os fatos. Os números devem ser levados em conta, mas não são a única variável. As manifestações revelaram um foco: o impeachment. E marcaram uma aliança entre os manifestantes e a Operação Lava-Jato. E se fixaram na rejeição de Dilma, Lula e o PT.

As coisas ficaram mais claras. E manifestações nunca se esgotam nelas mesmas. Elas são transmitidas para milhões de pessoas que não foram às ruas. Por causa disso, independentemente de pequenas diferenças numéricas, as manifestações produzem um enorme efeito num índice que não para de crescer: o da rejeição a Dilma.

Agarrados a números como um contador atarefado, muitos não sentiram a dimensão do protesto, a proeza de unir um movimento nacional em torno de uma só aspiração. Se isso não tem foco, recomendo levar a lente para um especialista. Ao contrário das manifestações do século passado, nas de agora agora são famílias inteiras que vão para as ruas. Não houve ocorrências policiais ao longo de todo o país. Não havia comícios, mas microfones abertos.

Outro dia, num encontro do PT, um dos oradores pediu a volta dos black blocks. Onde estão eles que não nos ajudam? Nas vésperas da manifestação, o presidente da CUT vem com essa história de armas, transfiguradas em chope e churrasco.

É verdade que surgiram ao longo do Brasil algumas faixas pedindo intervenção militar. Mas quem acredita mesmo que situação histórica se resolve num conflito das Forças Armadas com os sindicalistas armados de Vagner Freitas? É preciso muito chope para considerar esta hipótese.

Manifestações nem sempre têm o condão de resolver sozinhas as crises. Elas as dramatizam e empurram os atores para assumirem seu papel em cena. Na verdade, embora a palavra de ordem fosse impeachment, vi mais esperança no curso da Operação Lava-Jato do que no processo político.

O que ficou claro no domingo é que as multidões não aceitam sabotagens à Operação Lava-Jato. Esperam que se desdobre, pois veem nela o elemento mais dinâmico nessa pasmaceira. De um lado um governo que não governa, apenas tenta sobreviver; de outro a necessidade de abrir uma brecha no impasse político, premissa para se recuperar a economia.

Impossível não perceber o movimento da multidão: seus clamores não foram ouvidos pelos políticos, ela se volta para a polícia. E está funcionando. É algo que funciona, e a própria oposição decidiu se opor. Sei que esta frase pode parecer arriscada mas é a conclusão que tirei nas ruas: la nave va.
Fernando Gabeira

'A praça pública é maior que as urnas'

Na atualidade a palavra impeachment tornou-se o veredito das multidões que encheram as ruas do Brasil no histórico dia 16 de agosto. Foi o maior julgamento popular de um presidente da República, no caso, da presidente Dilma Rousseff.

O movimento, como os dois anteriores foi espontâneo, consciente, apartidário, ordeiro, pacífico, com objetivo claro e definido: Fora Dilma. Fora Lula. Fora PT. Grandes faixas com a palavra impeachment exibiram a tônica do “plebiscito”, pedindo a saída da governante que quebrou o País e jogou a conta nas costas do povo depois de tê-lo enganado nas eleições com mentiras.

Emblematicamente, em Brasília, o gigantesco balão com a cara de Lula da Silva, vestido de presidiário e com o número dos Irmãos Metralha no peito, indicava que o presidente de fato já não passa de um Pixuleco das falcatruas.

Neste cenário soou falso o discurso do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, que do alto do seu pomposo e inútil cargo acusou o povo de intolerante e pediu otimismo. O ministro esqueceu que as pessoas costumam ir aos supermercados onde a realidade da inflação e da queda de renda é inequívoca.

Edinho Silva também mandou recado para a oposição, que nunca existiu, declarando numa linguagem lulesca: “Só esperamos que, quando os interesses são do País, que, em vez de ficarmos cultivando questões partidárias, a gente possa enxergar aquilo que é do interesse nacional”.

Portanto, o ministro pede aos outros o que nunca foi feito por seu partido, o PT e, ao mesmo tempo, não tem noção de um fato básico: Não tem governo que resiste quando a economia vai mal. Tampouco, Edinho Silva leu “O Príncipe”, de Nicolau Maquiavel, onde está escrito: “Os homens esquecem mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio”. Mas ler, ainda mais “O Príncipe”, seria pedir demais ao ministro.

Sobre a oposição, que na linguagem petista significa PSDB, o PT pode ficar sossegado. O ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, sempre foi o maior defensor de Lula e do PT, no que foi seguido por seus correligionários. Aguentou oito anos ouvindo “Fora FHC” e, depois de ter entregado ao recém-eleito presidente Lula um governo sem inflação, seus melhores quadros e políticas sociais que o PT imitou, ouviu por mais 12 anos indo para 13 que sua herança era maldita. E tem mais: em agosto de 1999, Lula da Silva disse: “Renúncia é um gesto de grandeza e FHC não tem essa grandeza”. O pedido de renúncia depois pareceu pouco e o PT passou também a encampar uma campanha pelo impeachment de Fernando Henrique Cardoso. Naquela ocasião não era golpe.

Agora foi dito que FHC unificou o PSDB em torno do pedido de renúncia da Presidente. Um mimo dado a Rousseff, que jamais irá renunciar. E assim, entre impeachment, novas eleições ou cassação de Rousseff, o PSDB aceitou, por enquanto, que pedir a impossível renúncia da presidente é melhor. E se Eduardo Cunha, a única oposição real pedir o impeachment, os tucanos aprovam. Pelo menos é o que é dito agora. Se bem que os tucanos já estão com a bandeja pronta para entregar a cabeça de Cunha depois que o Procurador-geral, Rodrigo Janot, o denunciou.
Enquanto isso, a classe dirigente petista conta com Renan Calheiros para salvar a pele da presidente e, é claro, a sua própria, no tapetão institucional. Também aumentam as performances da presidente diante de públicos selecionados que a aplaudem. E não poderia faltar um contra-ataque dos ditos movimentos sociais sustentados pelo governo e que foram realizados dia 20 deste a favor de Rousseff e, paradoxalmente, contra o ajuste fiscal e a Agenda Brasil.

Os “exércitos” de Stédile, Boulos e da CUT, com exceção de São Paulo onde houve mais gente, nas demais capitais não passaram de grupelhos do pixuleco. Mesmo porque, os manifestantes chapa-branca fazem parte dos 8% que apoiam Rousseff contra os 70,1% da população, uma quantidade descomunal de coxinhas, de conservadores da classe média de direita e, como disse Lula da Silva, de nazistas.

O PT, que também participou do impeachment do ex-presidente Collor, hoje chama de golpistas os que querem se ver livre do pior governo presidencial de nossa história. Isso lembra uma entrevista de Ulysses Guimarães antes da queda de Collor.


Disse o deputado, que a praça pública era maior que as ruas e que Collor não era mais presidente. Teria este se tornado um fantasma, mas um fantasma que provocava inflação, desemprego, queda da bolsa e que devia ser exorcizado. O cidadão havia votado em Collor, mas acordara e estava nas ruas. Na Câmara, se não votassem o impeachment seriam considerados cúmplices.

Agora não temos governo, mas um fantasma que provoca um cortejo de desgraças para o País. Os cidadãos acordaram. É hora do Congresso relembrar que a praça pública é maior que as urnas. Caso contrário, os parlamentares serão cúmplices.

Janot e o diabo

Entre comemorações e temores diante da denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a já esfacelada base governista será colocada novamente à prova. E falhará.
Na mira da próxima leva de processos que tem que chegar ao Supremo até o dia 31 estão 12 senadores e 21 deputados da chamada base – se é que isso ainda existe -, além de 13 ex-deputados. Com eles, Dilma Rousseff poderá ser arrastada para mais uma temporada no inferno em que ela reside desde que invocou o diabo para se reeleger.

Depois de quase dez dias de alívio, graças ao neoadesismo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a dívida de Dilma com Belzebu só cresceu.

Conseguiu estender o prazo no TCU para explicar pedaladas e outros atletismos nas contas de 2014. Beneficiou-se de bondades no TSE e até acendeu cachimbo da paz com empresários, o que custará ao país uma nova rodada de crédito seletivo para os mesmos de sempre.

Aconselhada a baixar o tom e tentar esconder sua indisfarçável soberba, Dilma escalou interlocutores para propor bandeira branca frente à avalanche de bandeiras verde-amarelas que pediam impedimento ou renúncia dela. E fingiu que acreditou no êxito das bandeiras vermelhas da última quinta-feira.
Mas até Dilma deve saber que é um respiro breve. Para ela e para o padrinho Lula.

Cada político denunciado – e é bom lembrar que a maioria deles será do PP, partido que não tem qualquer compromisso ideológico com o projeto petista – vai cobrar caríssimo pelo silêncio. Ainda assim, eles só ficarão mudos diante de garantias que vão muito além de um cargo aqui, outro acolá, como é de praxe. Exigências que do auge de sua impopularidade a presidente não tem como viabilizar.

A Lava-Jato é um trator que o país acredita que não será freado por um ou outro acordo. Nos processos de primeira instância, a operação deteve gente graúda que se julgava intocável. Investigou, julgou e condenou.

Os números do núcleo Paraná são impressionantes: 716 procedimentos instaurados, 356 buscas e apreensões e 105 mandados de prisão cumpridos. Mais de 140 pessoas arroladas em 31 acusações penais, apuração de propinas de mais de R$ 6 bilhões, já tendo bloqueado R$ 2,4 bilhões e recuperado R$ 870 milhões. No site criado para dar transparência às ações do MP, informa-se que as condenações já somam mais de 225 anos de prisão.

Agora é a vez daqueles que têm foro privilegiado. É aqui que a desconfiança aumenta. Não é baixo o zum-zum de que a PGR faria parte de um acordão. Em troca da garantia de recondução ao cargo, Rodrigo Janot aliviaria Renan e outros fiéis.

O procurador-geral da República pode – e deveria fazê-lo - enterrar esse tipo de intriga na quarta-feira, 26, ao ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, casa que tem 13 dos seus 81 integrantes na mira da PGR, um deles, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), já denunciado.

Terá a chance de provar que nem todos se submetem ao tridente de Lula, Dilma, Renan e Cia. Do contrário, o diabo vencerá. Mais uma vez.
Mary Zaidan

domingo, 23 de agosto de 2015

O governo Dilma e a síndrome de Estocolmo

Há alguns meses, uma dupla de vagabundos me encostou uma pistola na barriga e exigiu a chave do carro. Ainda sob o impacto do acontecido, fomos, minha mulher e eu, à delegacia mais próxima relatar a ocorrência. Era o que se impunha fazer naquele momento e esperávamos, ademais, que a notificação urgente possibilitasse - quem sabe? - recuperar o que nos haviam roubado. Mas isso não aconteceu.

Estou convicto de que tivemos um comportamento normal. É o que se faz em tais circunstâncias. Reage-se indo à polícia. Espera-se que os criminosos sejam apanhados. Exige-se que as quadrilhas sejam trancafiadas.

Basico

Diante do que acabo de descrever, impõem-se inquietante questão: por que, diabos, quando na condição de cidadãos que veem o país ir à gaita, tantos se recusam a admitir que estão sendo roubados? Por que, após serem ludibriados com mentiras, muitos se mantêm defendendo os mentirosos? Que síndrome de Estocolmo (1) social e economicamente sinistra é essa que ainda sai às ruas, assina colunas de jornais, esgrima comentários no rádio e na tevê e se entrincheira nas redes sociais para defender o governo? Agem como vítimas que, após o dano sofrido, saem conversando amavelmente, abraçadas com quem as prejudicou - "Bye, bye, voltem sempre!". (1) Essa síndrome designa o vínculo emocional com os sequestradores, desenvolvida pelos sequestrados durante um roubo a banco na capital da Suécia em 1973.

Recebi, ontem um levantamento segundo o qual, somando-se os filiados ao Partido dos Trabalhadores com os militantes do MST, Via Campesina, MTST, UNE e ONGs financiadas pelo governo federal, acrescidos dos blogueiros, MAVs pagos pelo partido e titulares de cargos de confiança, chega-se a umas 15 milhões de pessoas, ou seja a 7% do eleitorado. E esse seria, portanto, o piso da aprovação ao governo.

No entanto, os números parecem um pouco inflados. Há gente que não se enquadra em qualquer dessas categorias e se conta entre os tais 7%. Quando milhões saem às ruas em centenas de cidades do país, expressando a natural indignação de quem se percebe roubado, ludibriado e vítima de estelionato eleitoral, os protetores do governo tratam de desqualificar suas admiráveis manifestações. Afirmam que são mobilizações exclusivas da classe média, como se um governo que fez mais da metade dos votos e em poucos meses cai para 7% de aprovação, não tivesse perdido apoio de todas as classes sociais.

Nestes dias, o petismo busca salvação no andar mais elevado dos poderes de Estado, reunindo homens da estirpe de Lula, Sarney, Renan, Jucá, Barbalho. Janta com ministros do STF! Encontra-se secreta e casualmente com Lewandowsky na cidade do Porto. Usa e abusa dos nossos recursos, aumentando os gastos com a publicidade oficial para domar a mídia e distribuindo favores aos currais eleitorais do Norte e do Nordeste.

E tem buscado, inutilmente, arregimentar apoios, também, no andar térreo, convocando os "exércitos" de Stédile (MST) e de Vagner Freitas (CUT). Que fiasco! Para cada cem manifestantes do dia 16, o governo conseguiu, no dia 20, transportar e colocar nas ruas uns 4 ou 5 gatos pingados, que se moviam em visível constrangimento e com a animação de velório de monge budista. Não é humano, não é natural, não é normal, aplaudir corrupção, inflação, desemprego, carestia, recessão e incompetência. Quando isso acontece, ou há interesses em jogo, ou é síndrome de Estocolmo.

Percival Puggina

Final à vista

 Às vezes, me perguntam se vivo de literatura. A resposta é sim -se, durante o mês, eu for chamado a dar palestras, ministrar um curso de biografia, coordenar um ciclo de debates ou ganhar um prêmio literário. Enfim, se conseguir me virar fora da página impressa. Já quando me perguntam se vivo de direitos autorais, a resposta é não, e vale para 90% dos escritores nacionais, exceto uma meia dúzia e alguns autores de livros para jovens e de autoajuda. Claro que todas essas atividades -palestras, cursos, debates, prêmios- exigem que o sujeito pratique ou tenha praticado alguma literatura.

O ex-presidente Lula não pratica literatura. Praticou a presidência de um país. E, desde que passou o cargo, o mundo tem se atropelado para saber como ele fez, qual o seu segredo e com que fórmulas mágicas pegou um país quebrado, segundo diz, e o tornou essa potência em que vivemos. Faz isso em palestras de 50 minutos em países da África, do Oriente Médio e da América do Norte, e não chega para os convites.

Sua empresa de palestras, sabe-se agora, arrecadou R$ 27 milhões nos últimos quatro anos. São R$ 6,75 milhões por ano. Quantas palestras serão necessárias para render esse cachê? E haverá assunto para tanta palestra? R$ 10 milhões desse dinheiro vieram dos empreiteiros que estão sendo investigadas pelos assaltos à Petrobras. De tanto ouvi-las, já não deviam saber as palestras de cor?

Sorte de Lula não ser escritor. E olhe que sua vida é uma fabulosa obra de ficção -uma saga com a qual nem as de Jorge Amado, Erico Verissimo e Guimarães Rosa se comparam. Contém intrigas, mentiras, traições, morte, dinheiro, lances de chanchada, reviravoltas -o protagonista aparenta ser uma coisa e se revela outra. E, como toda ficção, boa parte dela é verdade.

Nem toda ficção tem final feliz. Aliás, a melhor é a que não tem.
Ruy Castro

A denúncia de Gabrilli no plenário


A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), estava no bar do hotel onde Angela Merkel foi tomar uma saideira depois de jantar com Dilma.
“Ela chegou de repente e, muito simples, cumprimentou a todos do pub. Contei para ela que eu era a primeira deputada tetraplégica do país. Ela ficou interessada e, num gesto bonitinho, estendeu a mão para me cumprimentar”, contou a deputada.

Joaquim Silvério dos Reis perdeu o posto

Depois de reinar incólume por por mais de 200 anos como o maior traidor do país, apesar de controvérsias, enfim Silvério dos Reis pode descansar em paz e definitivamente será esquecida a pecha sobre o seu cadáver.

O posto, e parece definitivo, de grande traidor na História do Brasil agora será ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido há muito como Flagelo de Garanhuns. Para quem quis ser o Pai da Pátria, entrar nas páginas como herói, libertador do povo, um deus, é o rebaixamento definitivo para o que sempre foi: traíra.

Nunca antes neste país um gesto de traição foi tão explícito.

Depois de enganar boa parte do país com suas consecutivas mentiras, inventar-se como um Criador, Lula vai aos poucos assumindo sua verdadeira personalidade de fariseu.

— Se o Zé gosta tanto do PT, por que não ajuda e se desfilia? A frase foi de um petista, mas leva a assinatura do chefe.

Tentar convencer o ex-ministro José Dirceu, preso na Operação Lava-Jato, a se desfiliar do PT, para reduzir o desgaste do partido e do governo por eventual condenação no Petrolão, mostra o caráter de quem por oito anos governou o país.

Não é surpresa que quem vendeu a alma ao diabo e aos empresários e banqueiros agora peça a morte do companheiro para poder sobreviver a mais uma aventura eleitoreira.

Pior do que Silvério dos Reis, Lula chuta como cachorro morto quem com ele batalhou na fundação do PT, foi o poderoso chefe da Casa Civil e articulador do aparelhamento governamental para que pudesse reinar incólume sobre os súditos. Nem aos míseros tesoureiros petistas ou outros políticos, como Zé Genoíno, outro nome histórico do partido, se pediu tanto como o suicídio histórico, para que ele, o Grande Lula, possa escapar das grades e voltar vitorioso e heroico em 2018.

Pode-se condenar e criticar Zé Dirceu, mas nunca se poderá chutar pra rua como um meliante aquele que foi para o partido o Guerreiro do Povo Brasileiro. Que seja condenado por crimes, mas não execrado dentro do partido como joguete para salvar a pele de Lula Traíra.  


O recado de Lula decreta sua própria condenação como o grande traidor e, pior ainda, o mais covarde dos brasileiros. Hoje desfrutando das regalias do poder econômico e político, se caga de voltar à prisão. É uma figura patética de um ex-líder se borrando, pedindo mortos para atapetar sua liberdade.

Partido ou profissão?

Amparados por ônibus, lanches e quem sabe um mísero jabá, os companheiros foram às ruas, quinta-feira. Entregaram-se às mesmas práticas de sempre: muito barulho, gestos de ginastas aposentados e cartazes ousados. A gente fica pensando se o PT é um partido ou é uma profissão…
Carlos Chagas

Desmando legalizados


Consta que, na reunião com aliados, logo depois de a manifestação popular tomar conta das ruas, a presidAnta Dilma Roussef (PT) afirmou:

“O Brasil tem alguma coisa em torno de 200 milhões de habitantes. Portanto, vamos considerar que dois milhões estavam ontem nas ruas. Isso significa que os cerca de 198 milhões que ficaram em casa estão me apoiando.” O pensamento de sua excelência é completamente enviesado.

A mulher mais despreparada de que se tem notícia nesta República de picaretas e calhordas só sairá da cadeira presidencial se o Palácio for invadido e ela se vir arrancada do assento. É inacreditável o descaso de nossas figuras públicas com o povo que os sustentam. Despreparada, inculta, semialfabetizada, e seriamente suspeita de ter o cérebro danificado, Dilma Roussef é a mesma que deu conselhos à chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a melhor maneira de conduzir a economia de sua nação.

Enquanto isso, o ex-presidente FHC, amavelmente chamado “Boca de Tuba”, aquele que quando era senador pavão transformou seu gabinete numa espécie de motel, já descobriu que o seu partido de salafrários deve pegar carona definitiva na onda popular e tentar se instalar novamente no poder para que a roubalheira continue a mesma. Boca de Tuba é aquele que comprou a reeleição presidencial, lembram?

A literatura existente sobre os assaltos praticados pelo PSDB no governo FHC faria sua ex-excelência meter a viola no saco e a língua no baú, não fosse também um desqualificado moral que não se preza e age como canalha. Quem começou a maior parte da bandalheira que hoje presenciamos foi Boca de Tuba com o seu PSDB. Basta pensar no tal “Foro Especial” e nos cartões corporativos, para início de conversa.

As quadrilhas que nos governam não enxergam um palmo adiante do nariz e só ouvem o tilintar de moedas. O país se encontra inteiramente desmontado e basta apenas ouvir parte do noticiário do dia, com os programas anunciando o fim do mundo e mostrando que o mais recomendado é não abrir a porta nem colocar o pé na rua. O desespero que faz parte do cotidiano das pessoas é relegado a segundo plano. Ele não é percebido nos tapetes macios por onde transitam assaltantes dos cofres públicos.

Mesmo na Rede Globo de Televisão, que transformou o Brasil num bordel de quinta categoria, já se abre espaço para denunciar misérias e absurdos inacreditáveis, nos intervalos de programação pornográfica que forjou gerações de párias desacreditados. A banalização de desmandos e maus costumes vêm sendo solidificados há anos pela Rede Globo de Televisão e as emissoras que a copiam.

Mas isso, os que detêm o poder de mando na emissora não se preocupam em considerar, porque têm certeza de que mais adiante é só pedir desculpas a um monte de anestesiados, como fizeram no episódio referente ao regime ditatorial (1964-85) que alegremente estimularam e apoiaram.
Regime que certamente terá de voltar, mais cedo ou mais tarde, porque ninguém vai conseguir colocar este país novamente nos eixos sem disciplina e sem uma tropa bem organizada.

A questão é saber se vai dar certo, porque, da última vez, não deu! O Brasil precisa, antes de tudo, de educação, e a primeira providência é mudar a grade de programação das emissoras de televisão, pois ninguém conseguirá governar com tanta pornografia e infâmia.

Ah, e é preciso, também, construir presídios e tratar de modificar a legislação penal, porque gatunos como Paulo Maluf, Lula da Silva, FHC e assemelhados não têm como ficar solto, oferecendo os piores exemplos às novas gerações, principalmente no que diz respeito à impunidade. Eles são a causa e princípio de nossa derrocada.