sábado, 24 de janeiro de 2015

Os brasileiros e o complexo de vira-latas


É antológica a crônica do grande Nelson Rodrigues a propósito do futebol e do complexo de vira-latas dos brasileiros: quando a seleção de 1958 partiu para a Suécia, ele escreveu sobre o efeito trágico da trágica derrota da seleção de 1950 para o Uruguai, em pleno Maracanã, quando bastava um mero empate. Tinha sido a primeira Copa do Mundo realizada no Brasil. Aliás, não damos sorte quando somos os anfitriões: basta lembrar o vexaminoso 7 a 1 para a Alemanha no ano passado, no Mineirão.

Vou usar a famosa frase noutro sentido: estou me sentindo uma vira-lata com o silêncio que se abateu sobre o país, vindo de toda parte, dos economistas, dos analistas, do governo, do povão – e todos nós – sobre a saída de fininho do ex-ministro Guido Mantega, sem passar o cargo e sem nos dar nenhuma explicação acerca da crise que se abateu sobre o país. Em minha memória ainda vive o momento, no governo Lula, em que Dilma praticamente ganhou a disputa para ser a sucessora, classificando de “rudimentar” a proposta de condução da economia apresentada em conjunto por Paulo Bernardo, na época no Planejamento, e Antonio Palocci em reunião do ministério com o presidente. Não sei por que e o que ela chamou de “rudimentar”. Só sei que, sob sua batuta, cresceu a proposta já apresentada por Mantega, sob a forma de PPA, Plano Plurianual, logo no início do primeiro governo Lula, em 2003, e que, na época, me pareceu totalmente estapafúrdia, vis-à-vis o domínio do modelo de macroeconomia capitaneado por Palocci e sua turma. Na turma, já estava Joaquim Levy, guindado agora a capitão do time de Dilma em seu segundo governo.

Nem ela, nem ninguém – ao que eu saiba – deu uma palavra para explicar o que estava errado no propósito de criar um “amplo mercado de massas”, via crédito e subsídios, para os que não tinham como ter acesso às mercadorias de ponta fabricadas no Brasil (automóveis, motos, linha branca, computadores, televisões etc.) pelos chamados “campeões nacionais”, grupos empresariais, escolhidos sabe-se lá por quais critérios e financiados pelo BNDES, como se esse banco de fomento fosse um mecenas a patrocinar grandes artistas... Não deu certo. Os salários dos “de baixo” subiram, a classe média tem agora outros segmentos, média-baixa e média-média, mas a desigualdade continua, com os muito ricos mais ricos ainda e os que vivem do salário disputando feito loucos o direito de comprar o que se vende nos shoppings da vida. E a consequência são black blocs, rolezinhos, quebra-quebras nas grandes cidades. E a presidente, que anunciou o novo lema de seu governo, “Brasil, pátria educadora”, não dá uma palavra acerca do fato de que o primeiro contingenciamento anunciado pela nova equipe econômica incide preferencialmente sobre o Ministério da Educação, além da Defesa e das Cidades (onde fica, também, a promessa de melhor mobilidade urbana, supostamente afeta a essa pasta)?

Ficam aí a pergunta e o sentimento de ser uma vira-lata para quem quiser compartilhar comigo
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'Crise de água não é problema técnico, mas de gestão'

Especialista da Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia diz que Brasil tem todo o conhecimento técnico para gerir o abastecimento, mas intervenção política afeta execução do planejamento no setor.
"A falha está na gestão. O problema não é de ordem técnica, mas político-administrativa". Jackson Roehrig, professor de gestão de recursos hídricos da Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, na Alemanha, resume a crise hídrica no Sudeste do país a falhas de gestão.

O especialista, que já atuou como pesquisador na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), afirma que a influência política na administração dos recursos hídricos abre brechas para o não cumprimento de planos estabelecidos para o setor, como a construção de novos reservatórios.

Em entrevista à DW Brasil, Roehrig explica como funciona o modelo alemão de gestão de recursos hídricos, que se baseia em associações de bacias compostas por diversos setores, como a indústria, o ramo agrícola e ONGs.

No estado da Renânia do Norte-Vestfália, que abriga o maior sistema integrado de abastecimento de água da Alemanha, essas bacias são uma espécie de "parlamentos da água". Os governos estaduais ficam de fora do processo administrativo, mas atuam como fiscalizadores do sistema.

"O problema do Brasil é que o Estado é fiscalizador dele mesmo", observa.
Leia mais a entrevista

Silêncio para tentar conter a revolta


Nem se passou um mês do "novo" governo de Dilma, ou da colcha de fuxico ministerial, para o país descobrir que a presidente armou uma pegadinha durante as eleições. Tudo que prometeu, e muito do que passou quatro anos se vangloriando, está indo pelo ralo. O ministério pisou tanto na bola neste primeiro mês que é de se espantar ou ficar assustado com o restante do mandato.

O ajuste de contas proposto para colocar as finanças nos eixos nada mais é do que um arranjo para que a população pague os gastos destrambelhados do governo em quatro anos. Dilma pintou o diabo como administradora e agora vem com a conta do seu desmazelo para o povo pagar, como a contenção nos preços da gasolina, as taxa elétricas mais baratas e inclusive a corrupção, que virou um flagelo sob a benção presidencial.

Há um mês sem fazer qualquer declaração, meditando como seu sábio guru, em silêncio conventual, espera apenas uma onda boa para sair pregando para todo mundo as novas do seu evangelho. Messiânica, em seus saltinhos, jogando ao povo suas bondades! Enquanto não surge no horizonte qualquer situação favorável, vai deixando os ministros como responsáveis pelas jamantas de maldades que vêm desferindo na cara da população.

O presidencialismo brasileiro, mais uma vez, mostra, mesmo se dizendo esquerdista, que não passa de demagogia populista. Quer mais que o povo se dane, arrume dinheiro, pague as contas de todo mundo, principalmente as de governo, porque a função deles é gastar inconsequentemente e muitas vezes na forma de roubo ao Erário. Sustentamos essa cambada do mesmo jeito que em outros tempos os dilapidários reis e nobres extorquiam em impostos para sua própria satisfação. Os governos brasileiros, em particular os petistas, ainda não se deram conta que tributos são para beneficiar o povo, não para encher a burra da bandidagem política.

Nunca antes houve um partido como o PT


Acompanhei, à distância, o nascimento do PT e de outros partidos. Afinal, quem já viveu mais de 65 anos e nunca foi alienado tem de conhecer um pouco da História Política brasileira. Com proposta nova e com uma maneira de agir diferente, nasceu e foi assumindo seu espaço e granjeando adesões. As minorias, representando os mais diversos segmentos sociais, encontraram (foram acolhidas, absorvidas) no PT razão para suas lutas.

No poder, o PT transformou-se, esqueceu suas ideias libertárias e rasgou as bandeiras que dizia defender. Algumas delas hoje servem para limpar banheiros de rodoviárias. Suas principais lideranças enriqueceram, da noite para o dia. Se a Receita Federal trabalhasse direito, muitos estariam presos.

Na História Republicana, nenhuma agremiação política brasileira deu guinada tão violenta, tão drástica, tão vergonhosa como fez o PT. Reconheço a existência de erros, usurpações, safadezas e ilegalidades nos demais partidos. Todos já participaram de negociatas, de maracutaias e de armações, mesmo os pequenos partidos, de todas as tendências, aqui e ali, praticaram deslizes.

Mas o PT superou a todos. Desafio a desmentir estes fatos aqueles militantes que, por teimosia ideológica ou por necessidades fisiológicas, continuam defendendo o PT. Só não enxerga quem é cego mentalmente ou está se beneficiando, aboletado no poder.

Estamos na democracia, qualquer um de nós pode escolher partido, facção ou o que seja. Mas os petistas têm a mania de patrulhamento. Antes de assumir o poder, quando eram apontados erros ou safadezas deste ou daquele partido, os petistas tripudiavam, porque entendiam estar por cima de todos, em termos éticos e morais.

A partir do governo Lula, porém, perderam inteiramente o direito de cobrar qualquer irregularidade cometida por outro partido. Aliás, muitas legendas que eram então acusadas de fazerem maracutaias estão coligadas ao PT o tempo todo.

Assim, na minha opinião, devemos mandá-los procurar a turma deles. Nunca antes, na História deste país, houve governo tão corrupto e fétido como o PT. Nós sabemos e eles, também. O resto é conversa de bêbado. E até neste ponto eles estão bem representados.

O PT apodreceu e, como todo fruto podre, cairá e se arrebentará no chão. E, finalmente, para o bem dos brasileiros ainda conscientes, irá para o lugar que é dele, por direito: a lata de lixo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Fé cega, faca amolada


A derrocada de Dilma, o PT e a volta de Lula


Acho que precisamos ler o que está contido nas entrelinhas desses aparentes choques entre petistas. Dilma Rousseff tem pela frente um mandato inteiro e jamais o PT pegou o Brasil para governar numa situação econômica e social tão difícil, que a própria presidente deixou para si mesma, portanto, do PT para o PT. A nomeação de seus ministros foi um fracasso total, muitos deles com problemas na Justiça. Soma-se a essas dificuldades a corrupção institucionalizada. Acrescente-se a esse quadro dantesco o escândalo da Petrobrás, que ainda terá muitos desdobramentos e ramificações, de acordo com a pressão que se está exercendo pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça.
O fato é que a insatisfação com o governo Dilma aumenta entre a população mais esclarecida. Integrantes do seu próprio partido a estão criticando publicamente. E pessoas ligadas a Lula, como Marta Suplicy, declaram que ele já desistiu de Dilma, culpando-a pelo atual estágio da economia brasileira.

Outro fato é que o mundo vive uma nova crise – de identidade, recrudescimento da violência, xenofobia, preconceito religioso – que certamente influenciará a economia global. O preço do petróleo desaba e a Rússia está tendo sua moeda em queda, a ponto de a China se oferecer para ajudá-la. Os países que fazem parte do Mercosul (ainda existe?) estão com sérios e graves problemas, dificultando nossas exportações, e a Argentina se apressa em fazer acordo com a China.


Em meio a essa situação, no Brasil o Congresso aumenta as exigências para negociar com o Executivo, com os partidos querendo mais regalias, mais ministérios, mais secretarias, mais poder. Enfraquecida, Dilma pode nem concluir seu governo, se o escândalo da corrupção aumentar e a presidente for atingida por um pacote de acusações que determine a votação do impeachment de seu mandato.

Diante dessas circunstâncias, penso que o PT está fazendo um belo teatro, uma pantomima para nos fazer crer que Dilma traiu o partido, quando, na verdade, a presidente está sendo abandonada por desertores, por covardes petistas que visam a candidatura de Lula em 2018 para resgatar o partido e oferecer ao povo o crescimento econômico que não houve nas duas administrações de Dilma!

O PT é sórdido, mal intencionado, sua paixão é pelo poder e pelos cargos. Se Dilma continuar nesta sua gestão com os mesmos fracassos que a anterior, e tudo indica que é irreversível esta situação, o PT perde prestígio e eleitores com a estagnação econômica, agravando os problemas crônicos do país. E o PT então pode ser alijado do poder, mesmo com Lula se candidatando.

A chance do ex-presidente voltar é se dizer desvinculado de Dilma, alegar que ela não fez o que o partido lhe determinara, que não seguiu os conselhos que ele, Lula, lhe sugerira.

O séquito de Lula, de Marta (relaxa e goza!) e de outras figurinhas carimbadas já começou a puxar o tapete de Dilma justamente no início de seu segundo mandato. Ora, por que deixá-la prejudicar o País por mais quatro anos? Por que Lula não se candidatou? Por um simples motivo: não tem quem possa evitar a crise que se aproxima.

Que então se espalhe que a presidente desobedeceu as ordens do partido, tendo como consequência o fracasso de sua administração. Que a oferenda à fogueira das vaidades seja apenas Dilma, que desceu de paraquedas no PT, e não o próprio Lula, que ainda engana incultos e incautos e tem chances de manter o controle do partido até 2018.

Lula é o Judas. Os beijos e abraços em Dilma na campanha à reeleição diziam claramente: Eis a mulher que deverá ser sacrificada em nome do PT. 

Francisco Bendl 

Casa da mãe Joana

A expressão foi cunhada na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Proença, liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “Que tenha uma porta por onde todos poderão entrar”. No Brasil ficou então como “casa de mãe Joana”. Antigamente, a expressão era como se chamava tudo que era confusão, aliás, como o mundo está agora, tendo o Brasil como destaque. 
Até há pouco tempo, pensou-se que jamais haveria qualquer coisa mais imoral do que o mensalão, remuneração mensal criada para parlamentares e membros proeminentes do governo que, em troca dessa benesse, aprovavam no Congresso qualquer porcaria que o governo quisesse. Poucos foram os punidos e muitos os beneficiados e até consagrados, outros, os mafiosos mesmo, arranjaram doenças que não matam nem aleijam, mas libertam. Com nomes de gringos, juízes importantes entenderam que tudo não passou de sacanagem das oposições fascistas... Quem sabe um dia poderão ser canonizados santos?

E nem chegaram a um terço das penas a que foram “condenados”, foram jubilados e estão soltos e fagueiros. Ainda com a estupefação pública pelo mensalão, eis que começa o petrolão... Este pode quebrar o Brasil. Como estará aquele empréstimo que a Petrobras fez ao pré-sal comprando à vista para receber a prazo não sei quantos milhões ou bilhões de barris de petróleo? E, por falar em pré-sal, não tem ninguém preso, não? E como será que está esse caso? Garanto que certinho como “boca de bode” não está...

E de todos os lados pipocam escândalos e absurdos: Na Argentina, “suicidaram” um promotor federal – Augustino Alberto Nisman, de 51 anos, que foi encontrado morto em seu apartamento. Ele era o responsável pela investigação do atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina – Amia –, quando da explosão que deixou 85 mortos. Falam em coincidência... Torcedor do Galo, eu acredito. Em São Paulo, o novo secretário de Justiça, Aloisio de Toledo César, usou uma rede social para criticar os cartunistas do jornal “Charlie Hebdo”, avaliando que eles fizeram mau uso da liberdade de expressão e que está solidário com os muçulmanos porque eles condenam a violência. E concluiu: posso dizer que eu também sou Maomé. 

Eu tenho a mesma opinião do papa Chico. Neste mundo, tudo tem um limite, e, nesse caso, “não se pode insultar a fé das outras pessoas, não se pode tirar sarro de fé”. Disse mais: “Se ofender a minha mãe, pode esperar um murro, é normal”. Legal o Chico... Não concordei foi com Mateus 5:39 – “Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal, mas, se qualquer te bater na face direita, ofereça-lhe também a outra. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo”. Não sei por quê, lembrei-me do Cerveró...

A coisa tá feia!


Desagregação energética


Se o ano de 2014 foi de estiagem, escassez d’água e de energia, podemos esperar que em 2015 as dificuldades serão ainda piores. Racionamento e desorientação dos setores produtivos, gerando-se falências em cadeia e desemprego. Ruas e praças cheias de revoltosos inconformados e famélicos.
As medidas ensaiadas por Joaquim Levy são encomendas de banqueiros, passam longe do cerne da sustentabilidade e do desenvolvimento. A ortodoxia vesga das medidas propostas penaliza a sustentabilidade dos setores primários e estruturantes, aqueles que pagam impostos.

Aumento de tributos, de tarifas reguladas, arrocho de financiamentos. Cortar na pele da administração pública está proibido, os altos escalões se decretaram aumento salarial de 50%, e os gastos fixos nesse patamar secarão ainda mais a capacidade de investimento.

Vida boa está garantida apenas para parlamentares com salário de R$ 34 mil, em cascata todo o serviço público virá atrás. Levy, que vem do Bradesco, vai fazer contrariar todos os interesses, menos os dos banqueiros, um setor sanguessuga, longe de ser o puxador do desenvolvimento.

Em algumas regiões de Minas a chuva de janeiro é zero, não se lembram os mais idosos de um caso tão desesperador. As lavouras estão se perdendo, e a vegetação do campo já está seca como no inverno. Safra zero para alguns produtos em regiões tradicionais. Escassez e aumento do preço da comida.

O índice de saturação dos reservatórios está em apenas 22%, no ano passado nessa época era de 44%, rios secando, reservatórios vazios. Mesmo que fevereiro e março registrassem boas precipitações, das quais não se tem notícia, a realidade continuará arrasadora para o abastecimento e para a geração de energia. Racionamento, que é necessário e já passou da hora, está descartado para não contrariar a soberba presidencial. Cair atirando é a previsão de Dilma.

A situação é crítica desde 2012 e vem gradativamente se esgarçando. Dilma parece o faraó do livro do Êxodo, aquele que mereceu sete castigos divinos pela sua teimosia até se emendar e tomar a medida prometida.

O alicerce do setor elétrico foi rachado, na contramão da história, da lógica e da regra universal, em plena campanha das eleições municipais de 2012, anunciando uma diminuição de 26% das tarifas. Um tiro no pé, uma bomba no setor que originou outras medidas em cadeia para tapar da vista do eleitor o desastre e a conta dele.

Em 2015 deverá se recuperar o que se perdeu escondendo a verdade e adiando medidas.

Agora a conta se abaterá sobre o consumidor com 36% imediatos de reajuste e outros muitos que pipocarão em breve, pois o custo para as geradoras aumentou muito mais, e, de R$ 135 por MWh em 2012, as indústrias encontram-se a contratar por R$ 450, mas com baixíssima oferta.

Para se ter preços baixos, só tem a hipótese de a energia ficar abundante. Dilma fez o contrário: inibiu por decreto a possibilidade de investimento das geradoras, quebrou seus contratados, as quebrou, e ainda o desconto de 26% durou apenas três meses em 2013, seguindo-se aumentos que nunca se viram antes na história deste país.

Ainda se embaralhou, tirou referências no setor, afugentando os investimentos e condenando o país a ser carente de energias por muitos anos ainda. Quer dizer, tarifas altas.

Sempre na contramão, a CCEE rebaixou o PLD máximo (valor de liquidação da excedência de energia) de R$ 822 por MWh para R$ 388. Quer dizer, inviabilizou a produção independente e eventual, que custa cerca de R$ 680 por MWh, como é o caso da termoelétrica a petróleo de Igarapé-MG operada pela Cemig.

Em Pernambuco a termoelétrica de Suape (20% da Petrobras), com capacidade de 389 MWh, uma das maiores do país, sofreu uma quebra na última semana, paralisando 16 dos seus 17 termogeradores. Estouram por ter puxado a corda, sem descanso e manutenção adequada, chegando à fatiga inusual dos materiais.

Isso vem acontecendo de forma generalizada, e já 40% da capacidade nominal de geração está parada por sucateamento, e sem valores definidos que compensem o conserto com a remuneração de R$ 388 por MWh.

O despreparo de quem conduz as medidas de enfrentamento da crise a agrava. Parece que querem arrasar o setor? Seria uma teoria da conspiração para estatizar os falidos?

O caos está aí e parece que veio para ficar

Vittorio Medioli

Sobre o riso e a gargalhada


Como negociar com o terror, cuja força vem exatamente da recusa ao diálogo?
No livro “A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais", Mikhail Bakhtin observa que, a partir do Renascimento e do Iluminismo, a gargalhada espontânea e rude das formas festivas populares — próximas da carne, dos processos fisiológicos e da terra — começa e ser transformada e reprimida. O riso contido diz adeus ao seu estilo escandaloso e “grotesco”, ligado à imagem de um corpo imperfeito, aberto, mutável e sujeito à decomposição. Surge um Equador cósmico entre o que fica acima (mãos, cabeça e juízo) e o que está vergonhosamente abaixo da cintura: o traseiro, os órgãos genitais e excretores, e os seus orifícios e funções. O grotesco tem nessa divisão sua origem, pois o interior do corpo e as suas passagens remetem ao obscuro das grutas. A mesa se divorcia da cama...

Na estética do Renascimento, que modelou a arte iluminista e “moderna”, o corpo perde os orifícios, abandona seus produtos mais humildes: suas protuberâncias e sua capacidade de confundir-se concretamente (como no parto e no amor carnal) com outro corpo. Ele se individualiza. Para Bakhtin, as grosserias e obscenidades seriam “sobrevivências petrificadas e puramente negativas dessa concepção aberta do corpo". A podridão, os órgãos sexuais e a nudez desabrida caracterizavam as festividades populares, as quais baniam o pecado e o tabu, assim como a separação entre o humano e outros mundos.

A partir do século 18, surge um universo fundado na racionalidade que separa a gargalhada (que vem da garganta) do riso superficial educado. O gargalhar é lapidado e “toma a forma de humor, ironia ou sarcasmo. Deixa de ser jocoso e alegre. O aspecto regenerador e positivo do riso reduz-se ao mínimo".

Agora temos o risinho mascarado superior, inaugurado por Voltaire e citado pelos estudiosos entendidos em França que comentaram o recente atentado de Paris. Essa seria a tradição do “Charlie Hebdo" quando, de fato, o terrorismo tem a volúpia dos mártires e — é óbvio — de alguns artistas imbuídos de profetismo, reproduzindo um grotesco rabelaisiano cuja onipotência encara a morte como uma diversão, e não como algo a ser suportado.

O riso irônico dos filósofos franceses separa a luta politica das opções religiosas. Naquela, matava-se com método (usando a guilhotina — uma maquina de matar moderna — igualitária e mecânica); no caso da religião, contudo, tudo se justifica em nome de Deus e do Profeta. A liberdade de dizer o que se quer é deste mundo; matar quem blasfema contra o nosso sagrado é uma guerra e uma vingança porque fala deste mundo e do outro.

A modernidade domesticou o riso que, supomos, pode ser dirigido contra ou a favor de alguma coisa ou alguém. “Certamente, continua Bakhtin, o riso subsiste mas ele se atenua e toma a forma de humor, ironia ou sarcasmo. Deixa de ser jocoso e alegre. O aspecto regenerador e positivo do riso reduz-se ao mínimo". Eu humildemente diria que, se o riso for além da ironia, ele readquire sua antiga volúpia utópica (e carnavalesca) que regenera e pode levar à morte. Morte física ou morte pela transformadora aceitação do gargalhar.
Leia mais o artigo de Roberto DaMatta

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Estagnolândia


O PT sem propostas


Para criar convicções sólidas e estáveis na mente dos trabalhadores, geralmente desconfiados e prejudicados pela permanente falta de oportunidades, deveria o PT promover um objetivo direto capaz de falar à vida e mesmo ao bolso de cada um. Uma forma de melhorar salários e condições de trabalho, como mecanismo para sensibilizá-los. Pode ser cruel a conclusão, mas uma adesão baseada exclusivamente em palavras será sempre débil e vacilante. A autoridade partidária precisa estar materialmente exposta através da formulação de metas a alcançar que atinjam e ampliem diretamente o futuro de cada um.

Até agora, e desde o início do governo Lula, qual a proposta concreta levada pelo PT aos trabalhadores em matéria de direitos e prerrogativas? Estabilidade no emprego? Participação no lucro das empresas? Multiplicação do salário-família? Transporte público gratuito? Cogestão ou extinção dos empecilhos ao salário-desemprego? Aposentadorias compatíveis com as exigências familiares? Reforma agrária efetiva pela distribuição e ocupação das terras improdutivas?

Nada foi apresentado como motivação para o aumento do número de companheiros e por isso o PT diminui ano a ano em número de filiados. Basta atentar também para a influência cada vez menor da CUT nas relações de trabalho, blindada a organização pela necessidade de não criar dificuldades ao governo. Do jeito que as coisas vão, decresce a militância e fica menor a influência do partido no processo político e eleitoral. A reeleição, para Dilma, foi mais difícil do que a eleição. Chegou-se a duvidar dela. Passados quase três meses da vitória sofrida e suada, qual a iniciativa adotada pelos caciques petistas para recuperar o tempo quase perdido e mobilizar a massa operária e camponesa?

A impressão é de que na cúpula do PT, depois das urnas, chegou a hora de cada um pensar em si, reivindicando as tradicionais facilidades de nomeações e acomodações na máquina administrativa. O trabalhador que permaneça à margem, perplexo e desiludido pela falta de propostas em condições de atraí-lo. Pelo contrário, recebe de longe apelos para mais sacrifícios e até supressão de seus direitos.

Perdendo espaços e apoio, desvinculado sempre mais dos ideais de sua fundação, arrisca-se o PT a grandes e negativas surpresas. Perceberá, num dia não muito distante, haver perdido as bases por ausência da capacidade de motivá-las. Como em política inexistem vazios, é bom meditar sobre que forças estranhas irão ocupá-los.

Carlos Chagas

Culpados somos nós?


Brasil vai mal e na educação dá vexame


Criado em 1998, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, o mais recente resultado do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) demonstra que andamos cada vez mais para trás no que diz respeito à educação.

Na sua última campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff tinha um mote exclusivamente demagógico e alardeava a promessa de que, em um segundo mandato à frente do Executivo nacional, levaria esta mal tratada nação ao patamar de uma “Pátria Educadora”. Ledo engano.

Esta Pátria foi literalmente deseducada no governo Lula e também no governo Dilma. Basta observar que o problema não se resume na impossibilidade de se fazer uma simples redação, que levou 529.374 estudantes a tirarem nota zero. Eram 6.193.565 participantes e somente 250 deles conseguiram a nota máxima. Isto é uma vergonha, não há dúvida, mas em matemática, esta matéria tão importante para o desenvolvimento dos jovens, também ocorreu outro vexame sem precedentes, já que em 2013, a média conquistada pelos estudantes fora de 514,1 pontos, enquanto agora caiu para apenas 476,8 pontos. Isso significa que pioramos.

Fica, assim, mais do que evidente que esse delírio de marketing de quinta categoria que idealiza transformar o país numa “Pátria Educadora” jamais será alcançado no governo Dilma, que acaba de cortar as verbas do Ministério da Educação. Na verdade, a presidente comanda um governo que, em 12 anos no poder, nada de concreto fez para melhorar o nível educacional das crianças cujos pais não têm condições de matriculá-las em escolas particulares.

Editar em tempos de cólera

Hildebranda tinha uma concepção universal do amor, e achava que qualquer coisa que acontecesse com uma pessoa afetava todos os amores do mundo inteiro
Gabriel Gárcia Márquez

Os muitos séculos que existem entre a primeira vez que um indivíduo morreu arbitrariamente por ter opinião e os nossos dias consolidaram a consciência de que a opinião é inata ao ser humano e, portanto, um direito não somente de tê-la, como também expressá-la, especialmente considerando sua natureza de viver em comunidade.



Por se tratar de uma conquista histórica, um valor quase folclórico que passamos de geração em geração, a liberdade de expressão tem algo da concepção universal do amor de Hildebranda Sanchez, na obra de Gabriel García Márquez: toda vez que acontece algo, é como se afetasse todas as liberdades de expressão no mundo inteiro. E é por isso que os editores, jornalistas e formadores de opinião de todo o mundo se manifestaram energicamente – suscitando, inclusive, inconformismo de muitos por não ter sido noticiado, com a mesma energia, o massacre de aproximadamente duas mil pessoas na Nigéria na mesma semana, ou por não se noticiar mensalmente o alto índice de homicídios de jovens brasileiros nas periferias.

Sim, a mídia de massa retratou o atentado a Charlie Hebdo com a dor de quem via o seu próprio editorial sendo atacado, potencializando o movimento Je suis Charlie, bem como o Je ne suis pas Charlie.

Basicamente, o movimento “ne suis pas” acrescenta o “mas” após a afirmação: “É um absurdo o atentado, mas os cartunistas pegaram pesado”; “É uma tragédia, mas eles sabiam que caçoar os muçulmanos daria nisso” etc.

Essa estrutura de raciocínio atribuindo parte da responsabilidade pela ocorrência do crime à vítima é a mesma que aquela máxima machista que atribui o estupro à roupa da vítima. Acrescentar qualquer “mas” ao atentado terrorista ao Charlie é dizer que eles pediram para morrer tanto quanto uma mulher estuprada estava querendo por causa de sua minissaia – não se pode culpar a vítima pela loucura alheia.²

Sei que muitos leitores tiveram acesso às polêmicas charges e ficaram chocados com seu teor – e elas foram feitas para isso mesmo: polemizar – e passaram a repensar sobre a tal liberdade de expressão. Talvez, pensando melhor, a liberdade de expressão teria limites, não?

Pois sim, a liberdade de expressão tem limites, como qualquer direito o tem. E, considerando que se trata de um direito fundamental, os limites não podem ser arbitrados pelo medo, pela moral, pelo “mimimi”, pela mediocridade, pelos religiosos (dos fundamentalistas aos não praticantes), pela conveniência ou ainda pela sogra. Direitos fundamentais devem ser limitados pelo próprio Direito: se a liberdade de expressão de alguém for ofensiva/excessiva a outrem, esse pode exigir judicialmente muita coisa – a reparação moral ou material, a retratação, o direito de resposta, a retirada de circulação etc. Pode exigir um tanto de coisas, mas não pode explodir o coleguinha, nem na França, nem na Nigéria, tampouco no Brasil.

Aliás, esse mesmo Estado de Direito também deve assegurar proteção às minorias, como no caso da minoria muçulmana que vive na França e passou a sofrer retaliações das mais diversas formas pelo reforço do preconceito que o ataque terrorista promoveu. Da mesma forma, também deve restringir atos da minoria muçulmana radical que vive na Nigéria e que quis impor novo ordenamento jurídico baseado em sua religião, resultando no lamentável massacre de dois mil cidadãos.

Por conta disso, não se pode incluir qualquer “mas” a direitos fundamentais, seja da minoria, da maioria, de bom ou mau gosto. Não se pode conceder liberdade de expressão apenas às expressões Don Juan que buscam agradar e conquistar a todos. E, se a expressão de alguém for excessiva, que o próprio Direito corrija, não a AK-47 mais próxima.

Tendo lembrado que temos um Estado de Direito na França e na Nigéria, gostaria de lembrar que, muito embora também tenhamos um Estado de Direito no Brasil, ter opinião por aqui é algo bem arriscado. Sem manter opiniões tão contundentes quanto os cartunistas e editores de Charlie, muitos autores e editores brasileiros recebem ameaças e violências das mais diversas formas.

No ano passado, a sede da Editora Abril foi depredada por vândalos, em retaliação à capa da revista Veja daquela semana. Gostem ou não da revista, ela assume uma postura editorial e, provavelmente por causa disso, sua editora foi atacada – apesar de ter sido numa sexta-feira de outubro, não se pode alegar que foi por causa do Halloween e dos “doces ou travessuras”...

Não raramente, o colunista da UOL Leonardo Sakamoto relata nas redes sociais as ofensas e ameaças que recebe por conta de sua coluna naquele portal de notícias. O Blog do Sakamoto não publica charges polêmicas como Charlie, mas igualmente possui opinião (goste você da opinião dele ou não) e se expressa.

Até mesmo Carlos Ruas, autor dos quadrinhos Um sábado qualquer, que utiliza humor leve para falar de religião, recebe ameaças e ofensas. E fico imaginando os diversos jornais, jornalistas, colunistas e autores que temos pelo Brasil afora expressando suas opiniões, o que já não receberam de ameaças ou violências. Muitos editores e autores já me confessaram não expor publicamente sua opinião para não correr riscos, e tampouco adotam linha editorial ou teórica clara para evitar qualquer conflito.

O que isso demonstra? Que se você tem uma opinião e não quer ter problemas, mantenha-a para si. Não a expresse. Opinar é insalubre. E quem vive de ideias, deve pleitear na Justiça do Trabalho o adicional por periculosidade. Imagine o que é ser editor e autor em tempos de cólera? Deveria haver um seguro para isso: Seguro-opinião contra terceiros.

Leia mais o artigo de Henderson Fürst

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A tirania pior

A cidadania democrática permite a cada um ser como quiser, mas sempre a partir da aceitação da lei civil comum, contra a qual não valem direitos religiosos, nacionais ou de qualquer outro cunho. Santayana (George Santayana, 1863 -1952) nos avisou de que “não há tirania pior que a de uma consciência retrógrada ou fanática que oprime um mundo que não entende o nome de outro mundo que é inexistente"

'Pátria Educadora' durou menos de duas semanas


A medida já foi explicada pelo ministro da Educação, Cid Gomes. Segundo ele a atividade fim permanece assegurada. No entanto, convenhamos, é difícil justificar que sob a égide do lema “Brasil, Pátria Educadora”, o governo promova um corte de R$ 7 bilhões no orçamento da pasta da Educação para o ano de 2015.

A aplicação de cortes no orçamento da União é medida de racionalidade administrativa. Nada a obstar quanto a isso. Contudo, não parece oportuno que esses cortes afetem logo o ministério sobre o qual recaem as maiores responsabilidades financeiras para o custeio da educação nacional.

Por outro lado, é uma pena que a centralização de recursos fiscais em Brasília prossiga sem sequer uma pausa para reflexão: isso serve ao país? não seria preferível ampliar a autonomia dos Estados e municípios?

Percival Puggina

Riqueza de 1% deve ultrapassar a dos outros 99%


Renda anual individual de parcela mais rica da sociedade pode chegar a R$ 7 milhões
A partir do ano que vem, os recursos acumulados pelo 1% mais rico do planeta ultrapassarão a riqueza do resto da população, segundo um estudo da organização não-governamental britânica Oxfam.

A riqueza desse 1% da população subiu de 44% do total de recursos mundiais em 2009 para 48% no ano passado, segundo o grupo. Em 2016, esse patamar pode superar 50% se o ritmo atual de crescimento for mantido.

Leia mais: Fortuna de super-ricos é 'incontrolável', diz pesquisador

O relatório, divulgado às vésperas da edição de 2015 do Forum Econômico Mundial de Davos, sustenta que a "explosão da desigualdade" está dificultando a luta contra a pobreza global.

"A escala da desigualdade global é chocante", disse a diretora executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima.

"Apesar de o assunto ser tratado de forma cada vez mais frequente na agenda mundial, a lacuna entre os mais ricos e o resto da população continua crescendo a ritmo acelerado."

A concentração de riqueza também se observa entre os 99% restantes da população mundial, disse a Oxfam. Essa parcela detém hoje 52% dos recursos mundiais.

Porém, destes, 46% estão nas mãos de cerca de um quinto da população.

Isso significa que a maior parte da população é dona de apenas 5,5% das riquezas mundiais. Em média, os membros desse segmento tinham um patrimônio individual de US$ 3.851 (cerca de R$ 10.000) em 2014.

Já entre aqueles que integram o segmento 1% mais rico, o patrimônio era de US$ 2,7 milhões (R$ 7 milhões).

Leia mais em BBC Brasil

Dilma usa Indonésia para desviar atenção

É difícil, mesmo sendo espiritualista, defender traficantes. Sei que não temos o direito de tirar a vida de um semelhante, mas esses “semelhantes” que facilitam drogas em porta de escolas para jovens de 15 anos, com o intuito de viciá-los, torná-los clientes e até empregados, merecem alguma consideração? Esses “semelhantes”, que matam com a maior frieza, rindo, merecem alguma consideração?

Por que não “retorná-los” para o lugar de onde vieram, no baixo astral, para ver se lá os ensinam? Aqui, no mundo físico, os que arrecadam impostos e nos governam têm outras “prioridades” administrativas, sobejamente conhecidas, expostas diariamente nos sites e blogs e que não incluem educação e saúde.

E então, como e onde traficantes deverão ser redimidos? Aqui no Brasil, como todos sabem, se forem soltos, podem acabar sendo ministros, nem que seja para Assuntos Aleatórios.

Tiraram até do armário o assessor “tok tok” Marco Aurélio Garcia para armar outro imbróglio tipo Honduras. Pelo jeito, o governo Dilma precisa de uma muleta para desviar a opinião pública do desastre do seu péssimo governo. E há os que se prestam a servir de muleta.

Quem sabe propomos a invasão da Indonésia para acabar com esses “malfeitores” e mudarmos suas leis (como quisemos fazer com Honduras), uma vez que tiveram a ousadia de fuzilar um traficante (coitadinho) brasileiro? Ainda bem que Fidel Castro nunca fuzilou ninguém, pois se o tivesse feito, teria a veemente crítica do atual governo brasileiro.

Nossos navios de guerra, para levarem novos pracinhas, precisam apenas que os EUA nos emprestem alguns rebocadores que os arrastem até lá, pois as embarcações foram criteriosamente sucateadas.

Por isso, até agora estou na dúvida se as condolências enviadas pela nossa diplomacia no caso Charlie Hebdo (França) foram destinadas às famílias dos jornalistas assassinados ou para as famílias dos terroristas também assassinados.

É hora de corte