quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Até tu?


Nem sob os anos da ditadura a direita conseguiu desmoralizar a esquerda como esse núcleo petista fez em tão pouco tempo. Na ditadura, apesar de todo sofrimento, perseguições, prisões, assassinatos, saímos de cabeça erguida e certos de que tínhamos contribuído para a redemocratização do país. Agora, não. Esses dirigentes desmoralizaram o partido e respingaram lama por toda a esquerda brasileira
Frei Betto, fiel escudeiro do lulismo

A política errada e a ameaça das superbactérias


Quando alguém se declara “apolítico”, ou diz que “odeia a política”, nos lembramos de que a palavra política deriva de Politeía, vocábulo relativo a tudo que acontecia nas antigas Polis, cidades-estado gregas, e da velha constatação aristotélica de que “o homem é um animal político”.

Querendo ou não, todo ser humano participa, no convívio, no aprendizado e no debate com outros seres humanos, da atividade política, mesmo quando não exerce nenhum cargo público, se assume “apolítico” e declara o seu “ódio” à política.

A política, como ocorre com Deus, para a maioria das religiões, está em todas as coisas, das maiores às que são aparentemente mais ínfimas.

Um estudo que acaba de ser divulgado pelo governo britânico, alerta que as superbactérias matarão, em poucos anos, mais que o câncer, e que o custo de seu tratamento chegará a 100 trilhões de dólares nas próximas décadas.

Foi a economia no combate à infecção hospitalar e a ausência de fiscalização rigorosa em hospitais públicos e privados, assim como o incentivo, durante anos, do uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos em diversos países do mundo, incluído o Brasil, que deu origem à transformação destes organismos.

E é a mesma ausência de fiscalização e controle que está fazendo com que novas gerações de bactérias resistentes mesmo aos mais modernos medicamentos estejam ultrapassando os limites dos hospitais e postos de saúde, ameaçando transformar-se em uma pandemia, atingindo diretamente a população.

A Fiocruz, que já havia detectado, antes, por duas ocasiões, superbactérias no esgoto lançado clandestinamente, no Rio Carioca, no Rio de Janeiro, acaba de anunciar que detectou sua presença também na água do mar, nas praias do Flamengo e de Botafogo, com possibilidade de que se multipliquem e acabem chegando ao Leblon, Copacabana e Ipanema.

Que turistas e banhistas deixem de frequentar o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, que as crianças não possam mais se sentar na areia, ali ou no vizinho bairro de Botafogo, que a Cidade Maravilhosa possa transformar-se, de chamariz, em ameaça para milhões de turistas que a visitam, é um absurdo.

A poluição de nossos rios e lagos, com a diminuição da oferta de água potável à população, e agora da orla marítima da segunda cidade do país, é uma questão ambiental, mas, como muitas outras mazelas de nosso país, também uma questão política, e tem que ser enfrentada com determinação e rapidez.

A população carioca deve mobilizar-se e exigir que os responsáveis sejam punidos e que o esgoto hospitalar seja tratado totalmente nos próprios locais em que é produzido.

Não se trata apenas de uma questão de saúde. Se houver uma epidemia, milhares de empregos e empresas estarão em risco, assim como as Olimpíadas de 2016.

Mauro Santayana

O convento, a madre superiora e as freirinhas

Dos 39 ministros que formam a atual equipe do governo Dilma, com uma parte prestes a ser substituída, quem será capaz de citar todos, com os respectivos ministérios? E quanto aos novos, dos já anunciados para assumir no primeiro dia de janeiro?

Fenômeno invulgar acontece na administração federal: tanto pelo número inflacionado de ministros que continuam ou que vão embora, é possível que nem a presidente da República consiga recitá-los de bate-pronto. Do total dos ainda titulares, quantos só conheceram o gabinete da chefe do governo no dia da posse ou, bissextamente, passaram pelos corredores do terceiro andar do palácio do Planalto?

Houve tempo, quando a equipe se limitava entre dez e doze ministros, que todos despachavam quinzenalmente com o presidente. No longínquo período em que eram no máximo sete ou oito, toda semana marcavam presença, sendo levados a expor planos e programas dos quais eram cobrados em salutar rotina. Hoje, ficou impossível, acrescendo o fato de existirem ministros de primeira e de segunda classe. Uns poucos, que pela importância das decisões tomadas ou a tomar, pessoalmente ou pelo telefone, prestam contas quase diárias. Os palacianos, em especial, com gabinete a poucos metros da presidente. Outros, aliás, a maioria, indicados pelos partidos e que antes de nomeados eram simples desconhecidos da presidente. Alguns, até, que Dilma nem quer ver.

Vai continuar assim, no segundo mandato. Quer dizer, fora algumas exceções, ser ministro vale muito pouco. O parcelamento das atividades de cada um esvaziou a importância do conjunto, vale repetir, fora as exceções de sempre. Some-se ao precário conhecimento da maioria dos velhos e dos novos ministros a respeito de suas funções e se terá a receita de um grupo insosso, amorfo e inodoro. Funciona mesmo um governo dentro do governo, com a presidente presidindo cada vez mais isolada. Junte-se seu temperamento irascível, severo e até ríspido, pouco afeto a atenções e generalidades e a conclusão será pela transformação do palácio do Planalto num grande convento onde a Madre Superiora intimida as freirinhas e faz tremer as noviças espalhadas pela Esplanada dos Ministérios.

Deu certo no primeiro período? Dará certo no segundo? Há dúvidas. Sem poder supervisionar 39 atividades e mais outro tanto na administração secundária, é natural que Dilma desconheça aspectos fundamentais do seu próprio governo e da vida nacional.

Carlos Chagas

A desculpa do PT para cair no colo da direita


Argumentação rasteira, tola e absurda está sendo usada pelos blogueiros chapa branca de sempre, além de porta-vozes formais e informais do governo, para justificar a montagem até aqui do segundo ministério da presidente Dilma Rousseff. Se não dá raiva, dá pena. Ou as duas coisas juntas.

O ministério está saindo mais à direita do que todos desejavam, eles reconhecem. Para, em seguida, encaixar a desculpa de que isso se deve à falta de amparo do resto da esquerda. Sim, do resto, porque ainda consideram o PT um partido de esquerda. O resto da esquerda seriam o PSOL, PCB, PCO, etc...

Outro motivo para o governo se inclinar à direita: o Congresso. O novo Congresso seria tão ou mais conservador do que esse que ainda temos. Mais conservador na opinião dos defensores do governo. Desse modo, ao governo só restaria cair com desconforto no colo dele. É o jeito!

Vê-se desde logo que o raciocínio não se sustenta por frágil, na melhor das hipóteses. Ou mentiroso, na pior. O PT deixou de ser de esquerda há muito tempo. Desde que chegou ao poder com a primeira eleição de Lula. Ganhou a eleição pela esquerda. Governou pela direita.

Leia mais o artigo de Ricardo Noblat

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal


Você é o Natal


O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você quando consegue levar alguém ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.

A música de Natal é você quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.
Papa Francisco

Cartão presidencial

Dilma e o PT enviam sua mensagem natalina ao povo brasileiro

Natal e natais



Há Natais tristes; há Natais de desesperança como o de agora. Há Natal para se comemorar, se é que se pode comemorar, com 7 milhões com fome e mais de 50 milhões que comerão a ceia de sempre, se conseguirem alimento.

Resta o consolo dos inocentes, a alegria em meio ao lodaçal. Herdarão eles o céu ou o inferno, dependendo do que escolhermos para eles como futuro.

O Papai Noel do comércio até está meio emburrado com poucas vendas previstas. O verdadeiro, que vem do Polo Norte, nem pode se aproximar dos céus brasileiros devido à tempestade de miasmas sobre todo o território. É o temporal vermelho que fechou os céus, deixou uma terra assolada pela peste da mediocridade, da roubalheira, da falta de caráter.

Festa pra valer, haverá entre aqueles mesmos que comemorarão em triplex com champanha, peru, importados de todo o tipo, árvores enfeitadas de presentes milionários, pois há fartura de dinheiro roubado ao povo. Farão a gastança natalina sem um remorso sequer pelo o que fizeram. Acreditam piamente que suas bolsas são recheadas de dinheiro pelas dádivas divinas e merecidas, abençoadas, como as suas falcatruas.

Vamos à ceia dos enganados que fomos, somos e seremos no Ano Novo pela cambada de sem vergonhas. Os mesmos que fizeram do país um quase continental território da corrupção para abastecer essa ganância de inqualificáveis assim na terra como no céu.

'Roubar é uma arte'

'Mas não roubo mais só por necessidade; é tesão, prazer mesmo'
“O Natal está aí. E quero vos dar um presente de Papai Noel, contando traços de minha vida às margens do Poder, para que entendam que a finalidade do roubo da coisa pública não é apenas a fome de grana, o amor ao tutu, ao vil metal. Não; roubar é uma aventura épica, é uma corredeira de sustos e vitórias, a delícia do risco assumido. Com essas descobertas dos chamados escândalos da Petrobras, comecei a ficar preocupado — mas meu nome ainda não foi citado. Talvez nem seja, porque o que levei foi uma mixaria diante dos milhões de dólares de gorjeta. Levei pouco, pois sou da época dos ‘dez por cento’, que durou até que o falecido Orestes Quércia lançou a máxima eterna: ‘dez por cento é para garçom’.

“Aí começou a inflação da corrupção. Sou gatuno, mas cheguei a ver com espanto propinas de US$ 40 milhões. Isso nunca houve na face da Terra; fico até humilhado com minhas modestas mãos na cumbuca — eu, que sempre assumi minha condição de corrupto ativo e passivo... (sem veadagem... claro). Não sou um ladrão de galinhas, mas já roubei galinhas do vizinho e até hoje sinto o cheiro das penosas que eu agarrava. Ha ha ha...

“Mas não roubo mais só por necessidade; é tesão, prazer mesmo. Tenho sete fazendas imaginárias, mando em cidades do Nordeste, tenho tudo, mas confesso que sou viciado na adrenalina que me arde no sangue na hora em que a mala de dólares voa em minha direção; vibro, vendo os olhos covardes do empresário, suas mãos trêmulas me passando a propina; delicio-me quando o juiz me dá ganho de causa, ostentando honestidade e finge não perceber minha piscadela marota na hora da liminar comprada (está entre US$ 50 mil e US$ 100 mil hoje). Sinto-me ‘superior’ assim. Roubar me liberta. Eu explico: roubar me tira do mundo dos ‘obedientes’ e me faz ‘excepcional’. Gosto da doce volúpia em salões de caretas — me xingam pelas costas, mas me invejam pela liberdade cínica que imaginam que tenho. Suas mulheres me olham excitadas, pensando nos brilhantes que poderiam ganhar de mim. Adoro sentir o espanto de uma prostituta quando eu lhe arrojo US$ 1 mil sobre o corpo, fazendo-a caprichar em carícias. É uma delícia rolar, nu, em cima de notas de US$ 100 na cama, sozinho, comendo chocolates do frigobar de um hotel vagabundo da cidade onde descolei a propina de um canal de esgoto superfaturado. Tenho orgulho de mim como profissional insensível até quando roubo verbas de remédios para criancinhas; domino a vergonha e transformo-a na bela frieza que constrói o grande homem. Sei muito bem os gestos rituais da malandragem brasileira: sei fazer imposturas, perfídias, sei usar falsas virtudes, ostentar dignidade em CPIs, dou beijos de Judas, levo desaforo para casa sim, sei dar abraços de tamanduá e chorar lágrimas de crocodilo...

“Eu já declarei de testa alta na Câmara: ‘Não sei nem imagino como esses milhões apareceram em minha conta na Suíça. Como? Que conta? Apesar desses extratos todos, não tenho nem nunca tive conta no exterior!’. Esse grau de mentira é tão sólido que deixa de ser mentira e vira uma arte. Vejam o exemplo do grande mestre Paulo Maluf — conseguiu desmoralizar nosso Código Penal e vai ser deputado de novo!

“Aliás, saibam que isso vai acontecer também com os ‘petrolões’ — são tantos processos que tudo vai se congestionar e, com o tempo, nada será feito.

Leia mais o artigo de Arnaldo Jabor

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Entronação presidencial


Em viés de baixa


A presidente Dilma Rousseff está fechando o ano de 2014 numa situação curiosa: no momento em que se prepara para começar sua segunda e última temporada no Palácio do Planalto, está em viés de baixa, como se diz – um caso raro de governo que ficou mais fraco, depois de ganhar uma reeleição, do que estava antes da vitória. Esse início de segundo tempo, normalmente, marca o ponto mais alto a que um governo pode chegar. No caso de Dilma, não está sendo assim: a presidente entrou em declínio antes de chegar ao auge, e parece destinada a passar direto da decepção que foi seu primeiro mandato à desesperança que existe em relação ao segundo.

Ao longo dos seus primeiros quatro anos, o governo Dilma nunca chegou realmente a engrenar. Nesse período, o crescimento da economia, uma necessidade absolutamente crítica para o Brasil, ficou em média na casa dos 2% ao ano, o segundo pior resultado desde a proclamação da República, em 1889. Passou do saldo para o déficit nas exportações. A indústria, que alterna períodos de marcha lenta com períodos de marcha a ré, é menor hoje do que era quando Dilma assumiu a Presidênca. Não há praticamente nada que esteja melhor agora do que estava no começo de 2011. Em suma: o desempenho do governo começou a ratear antes de ganhar velocidade, e disso não saiu mais. Hoje o Brasil roda a uma velocidade entre 0% e 1% de crescimento – seu resultado de 2014 e provavelmente de 2015.

A presidente não tem nada de bom a anunciar para o ano que começa – ao contrário, tem muita notícia ruim para dar, ou para esconder, e terá de tomar aquelas medidas amargas que, como dizia há pouco, seu adversário iria adotar se ganhasse. Mais que tudo, Dilma não sabe, simplesmente, o que fazer a partir de 1° de janeiro para sair do atoleiro onde seu governo foi se meter – se soubesse, por que raios não fez até agora o que deveria ter sido feito? A única iniciativa que tomou depois da eleição foi armar uma fraude política para falsificar a realidade numérica do orçamento de 2014; obteve do Congresso, em troca do compromisso por escrito de dar dinheiro público aos parlamentares, uma licença para desrespeitar a lei. Em matéria de mudança para o segundo mandato, teve apenas uma ideia, jamais mencionada durante a campanha: voltar a cobrar a CPMF, o imposto do cheque criado no governo Itamar Franco e extinto definitivamente pelo Senado sete anos atrás. Fora isso, nada mais lhe ocorreu de útil.
Leia mais o artigo de J. R. Guzzo

MP não é assessoria

Que degradação institucional! Nossa presidenta vai consultar órgão de persecução criminal antes de nomear um membro do seu governo! Há sinais claros de que a chefe do Estado brasileiro não dispõe de pessoas minimamente lúcidas para aconselhá-la em situações de crise. Onde estão os áulicos tidos como candidatos a uma vaga no STF, que poderiam esclarecer: Ministério Público não é órgão de assessoria!
Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF

Graça Foster e Dilma: ou crime ou incompetência


É clara a tentativa conjunta da presidente Dilma Rousseff e de Graça Foster para deixar tudo como está na Petrobras.

Deixar tudo como está significa manter Graça – ou Graciosa como prefere Dilma – na presidência da Petrobras. E mais os diretores que ela queira manter.

Dilma e Graça não são apenas queridas amigas. Não seria o bastante. São aliadas. Cúmplices em tudo que a Graça faça com o aval de Dilma.

Daí o empenho de Dilma em proteger Graça do mar de lama que ameaça afogar a Petrobras e subir a rampa do Palácio do Planalto.

De sua parte, Graça tudo tem feito para se proteger – e proteger Dilma. Nada disse até aqui que comprometa a amiga.

E outro dia, para preservar a si mesma, transferiu bens para os nomes de parentes, uma maneira de escapar de um eventual bloqueio deles.

Se Dilma mandasse Graça embora não estaria apenas pondo em risco a biografia da amiga, mas também a sua.

Afinal, o que teria havido? Dilma falhara na escolha da principal executiva da mais importante empresa do país? Ou fora traída por ela?

Num caso como no outro, errara fortemente. E logo numa área na qual se considera especialista.

Despachar Graça seria também por em risco a própria biografia de Dilma.

De resto, Graça à frente da Petrobras serve de escudo a Dilma. É uma cabeça que Dilma preserva para entregar em caso de extrema necessidade.

Paisagens Brasileiras

Augustin Salinas, São Paulo (1910)

Atos e fatos



Explicações rasas para a corrupção são tentadoras, mas têm prazo de validade limitado
Há de se convir que o clima para festas de fim do ano não é de euforia. Diante da exposição das entranhas de grandes “modelos” de negócios vazados pela corrupção, uma imensa perplexidade. Se não faltam, nem ao governo nem às empresas privadas, governança, selo de qualidade, transparência e vigilância dos órgãos internos e externos de auditorias, como evitar que os apetites mal resolvidos das classes empresariais e políticas tenham como estuário a malversação de recursos públicos?

Nas últimas décadas, o Brasil substituiu parcela considerável dos quadros burocráticos do Estado e aderiu com entusiasmo aos preceitos do gerencialismo.
Manteve, porém, apesar de alguns avanços, imensas desigualdades sociais, entre as quais, as de exposição a riscos e de acesso e utilização de serviços de saúde.

Explicações rasas para a corrupção são tentadoras, mas têm prazo de validade limitado. O “sempre foi assim” ou “isso é coisa desse governo” ou ainda as palavras dos profetas que jamais se surpreendem não dão para o gasto.

Mais saúde e a elevação das taxas de retorno para investidores são antagonismos políticos e não picuinhas pessoais ou contábeis. Não existe uma poção mágica para curar quem está borocoxô ou arrebatado por certezas, o que vem pela frente é um novo ano, no qual os adjetivos e a ilusão de tomar procedimentos administrativos por fatos concretos podem ser deslocados em favor do debate e da participação

A modernização dos métodos de governo e o rebaixamento da política ao cálculo eleitoral e aos pequenos interesses produzem efeitos contraditórios.
Recentemente, dirigentes da Secretaria estadual de Saúde de Tocantins, que recebeu um prêmio de inovação, foram acusados e presos por desvio de recursos.

Pode parecer estranho, mas é provável que ambos os processos, melhoria das formas de gerir determinados recursos e corrupção, tenham ocorrido simultaneamente. Ações enunciadas não são necessariamente coerentes com os fatos previstos.

A história da saúde é repleta de gestos e iniciativas sem finalidades de qualquer recompensa que alteraram os rumos do processo saúde-doença e inovações terapêuticas. Algumas delas são bem conhecidas e originaram biografias, estudos científicos e filmes.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os ocultos


Frases de dezembro


Dezembro é o mês de uma infinidade de frases, que se repetem em todos os anos, sempre as mesmas. Vamos lembrar algumas, que estão sendo ditas, desde o dia 1º.:

"O ano passou num abrir e fechar de olhos"

"Você reparou quanta gente conhecida morreu este ano?"

"E todas quando a gente menos esperava"

"Eu espero que o ano que vem seja um pouquinho melhor"

"Pois eu, minha filha, não tenho nada que me queixar. Luís Mário passou de ano"

"Nunca houve um ano tão ruim para negócios"

"Vocês já viram quanto está custando um quilo de castanhas?"

"Minha filha, com a vida pelo preço que está, nós não vamos fazer nada. Mas, se você quiser aparecer lá em casa, com as crianças, só nos dará prazer"

"Eu tenho horror a datas... se não fossem as crianças..."

"Natal de pobre é no dia 26"

"Se o Dagoberto não estivesse tão atropelado,eu ia pedir para ir, com as crianças, passar Natal nos Estados Unidos"

"Olhe, Daniel, como eu sei que os seus negócios não vão bem, vou deixar os brincos de e esmeraldas para o ano que vem"

"Mamãe, o Luís Otávio falou que Papai Noel é o pai da gente"

"Olhe, se você não comer o ovinho todo, Papai Noel vai ficar tão triste que é capaz de não vir"

"Deixa passar esse negócio de Natal e Ano-Bom, que eu vou estudar uma maneira de ir pagando devagarzinho"

"Bom, o regime eu só vou começar depois do ano"

"Você não vai encontrar banco nenhum que desconte este título, a não ser depois do dia 1º."

"Eu quero ver se, de janeiro em diante, paro de fumar e de beber"

"Este ano só quem mandou presente foi o armazém e, assim mesmo, uma garrafinha de vinho do Porto"

"Eu já avisei a todo mundo, que não quero nada, porque não tenho para dar a ninguém"

"Logo que as crianças terminarem os exames, eu boto tudo num automóvel e levo lá para um sitiozinho que eu tenho em Thiago de Melo"

"Vocês sabiam que, no Norte, eles chamam rabanadas de fatias paridas?"

"O que é que você mais desejaria que o Ano Novo lhe trouxesse?"

"Minha filha, eu e as crianças estando com saúde, não preciso de mais nada"

"Minha mulher é uma santa. Ela falou que tudo o que eu tivesse de dar de Natal, desse às crianças"

"Falaram tanto dessas cestas! Você viu o que veio dentro?"

"Pois olhe, lá em Portugal, um quilo de castanhas custa três escudos"

"Mas, hoje em dia, qual é a diferença que existe entre o champanha nacional e o francês?"

"Com este, faz não sei quantos natais que eu não como uma fatia de peru"

"Você acha que, com as coisas como estão, este Governo aguenta até o fim do ano?"
Crônica de Antonio Maria publicada em 14/12/59

E aquela diretoria que fura poço?


Nada de mais exato foi dito até aqui para definir a pretensão dos partidos políticos na hora de lotearem o governo em nome da governabilidade.

"Aquela diretoria que fura poço” é uma expressão cunhada por Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara dos Deputados, que renunciou ao mandato para escapar de ser cassado. Havia recebido um “mensalinho” de concessionário de restaurantes da Câmara.

Severino não queria um cargo qualquer para alguém do seu partido – de preferência, um nome escolhido por ele.

Queria algo equivalente a uma diretoria da Petrobras responsável por “furar poço”.

Um emprego desses mexe com muito dinheiro. E por mexer, permitiria a transferência de uma fatia dele para financiar campanhas eleitorais e enriquecer os mais destacados membros do PP.

Por que o espanto? Guarde seu espanto para o que lhe passo a contar.

Você já deve ter ouvido falar do ex-deputado Valdemar Costa Neto, ex-presidente do Partido da República (PR).

Sim, é aquele mesmo do processo do mensalão, condenado a sete anos e 10 meses de prisão em regime semiaberto por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ficou preso 11 meses.

Cumpre o resto da pena em casa, em Brasília. Pode ser encontrado com frequência na sede do PR, uma sala alugada no Bloco D, Torre A do edifício Liberty Mall.

O presidente de direito do PR é Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes, demitido por Dilma em 2011 sob suspeita de corrupção.

O presidente de fato é Valdemar. Nada se faz dentro no PR sem a aprovação dele.

O PR é um partido de porte médio. Saiu da eleição deste ano com 34 deputados federais – tinha 32. E com quatro senadores, o mesmo número que tinha.

Seu apoio na eleição para presidente da República foi intensamente disputado por Dilma e Aécio Neves.

Tudo porque ele dispunha de um minuto e poucos segundos de propaganda eleitoral. Mercadoria que valia ouro.

Dilma venceu a disputa. Para tal foi obrigada por Valdemar a chafurdar na lama.

Leia mais artigo de Ricardo Noblat

Canal estatal


Fenômeno na Espanha inspira descontentes no Brasil


As jornadas de junho de 2013 evidenciaram descontentamento da população brasileira com as instituições e os partidos políticos. Na Espanha, movimento semelhante, o do 15-M ou dos Indignados de 2011, culminou três anos depois com a criação do Podemos, partido fenômeno que, com apenas dois meses de vida, conquistou cinco cadeiras no Parlamento Europeu e obteve 1.245.948 milhão de votos. Ao identificar a insatisfação com a corrupção, com a polarização partidária e com os efeitos devastadores da crise econômica, o Podemos se consolidou como a terceira maior força política no país e já inspira grupos e movimentos sociais que enxergam no Brasil os mesmos elementos para tentar emplacar uma nova forma de fazer política.

É o caso do Avante, nome provisório do projeto de partido, ainda em tubo de ensaio, que ativistas de vários movimentos sociais pretendem criar em 2015. Bastante inspirado no exemplo espanhol, o Avante reúne também um grupo de dissidentes da Rede Sustentabilidade, que abandonou o partido que Marina Silva (hoje no PSB) tenta criar desde 2013 ao se desiludir com os rumos tomados pela campanha presidencial, sobretudo com o apoio da ex-senadora, no segundo turno, ao candidato do PSDB, Aécio Neves.

“As pessoas buscam uma alternativa, os reflexos dos movimentos de junho de 2013 ainda estão aí. (…) A Rede seria essa alternativa. Ela se antecipou à isso, teve essa visão. Mas ao apoiar um dos lados na eleição, ao fazer uma campanha tradicional, ela perdeu a possibilidade de atrair esse sentimento, de realmente ser uma outra forma de fazer política”, avalia o historiador e escritor Célio Turino, que foi porta-voz da Rede em São Paulo e que foi um dos 7 dos 12 membros da Executiva paulista a deixar o sigla depois das eleições. “Estamos estudando muito a experiência espanhola, principalmente esse modelo cidadanista, horizontal, baseado no tripé do bem viver, do bem comum e do ecossocialismo. O Brasil precisa de uma reaproximação das pessoas com o poder, existe um vazio a ser ocupado”, disse.

Ainda em fase embrionária, o Avante reúne pessoas de vários Estados do Brasil, sendo um “bom tanto” de ex-militantes da Rede, além de dissidentes de partidos como o próprio PT, o PSOL e o PCdoB, e ativistas ligados aos movimentos de defesa dos indígenas, da luta dos garis do Rio de Janeiro, de movimentos culturais, de direitos humanos, entre outros. A ideia é conseguir obter o registro do partido no primeiro semestre de 2015.

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