quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Lobo em pele de ovelha
Assim
ofuscados pelo cetro, pelas insígnias reais, por seu cortejo, títulos
fulgurantes de sereníssimo, clementíssimo, alto e poderoso senhor,
reverenciamos num príncipe uma espécie de divindade terrestre, de natureza mais
que humana. Mas abre esse anti-sileno e não encontrarás mais que um tirano,
quer dizer, um inimigo mortal dos cidadãos, que detesta a paz interior e está
disposto a suscitar a discórdia e perseguir as pessoas de bem, flagelo das
leis, destruidor das cidades e devastados da Igreja, ladrão sacrílego,
incestuoso, em suma, como diz o provérbio grego, um amontoado de todos os
vícios
Erasmo de
Roterdã
Lição para o Brasil de hoje
“Era uma bela manhã de agosto. O vento era suave. Uma
tripulação contente e satisfeita levantava a vela, disparava uma saudação, e
navegava para fora do local onde hoje fica Slussen (nota: a área da eclusa que
separa o lago Mälaren do Mar Báltico, no centro de Estocolmo).
Milhares de moradores contemplavam o orgulho da
superpotência, um dos maiores e mais fortemente armados navios de guerra, o que
faria a guerra contra os católicos no continente.
Em vez disso, eles viram o Vasa dar uma violenta guinada
assim que saiu do abrigo. O navio se endireitou, mas foi logo empurrado
para baixo por uma rajada. Desta vez tão fortemente que a água começou a jorrar
para dentro das aberturas dos canhões.
O maior navio da frota adernou rapidamente, virou e afundou
em 10 de agosto de 1628, após uma viagem de 1300 metros.
Neste domingo, faz 50 anos que o Vasa foi resgatado pelo
engenheiro naval Anders Franzén, depois de uma longa luta contra aqueles que
queriam explodir os destroços e com eles fazer móveis de madeira.
Isso deu à Suécia seu mais impressionante museu, com os mais
bem conservados restos de um naufrágio dos anos 1600 que o mundo já viu.
Como bônus, nós também temos um permanente lembrete sobre o
perigo do autoritarismo e do pensamento de grupo - partidos, organizações e
empresas deveriam fazer visitas regulares ao Museu Vasa, para sempre lembrar-se
dos riscos que correm.
Para os responsáveis, o naufrágio do Vasa não foi uma surpresa.
Os interrogatórios revelaram mais tarde que eles provavelmente suspeitavam de
que as coisas não iam bem, mas cada um culpava o outro.
Ninguém se atreveu a informar o rei de que seus planos
forçados não eram factíveis. O Almirante de Esquadra alegou que o Capitão
deveria ter protestado, e o Capitão disse que era o Almirante Clas Fleming quem
deveria ter feito isso.
O Rei Gustav II Adolf havia exigido um navio poderoso e o
queria imediatamente. O projeto não foi testado e o barco tinha não apenas mais
canhões na parte superior, como também menos peso na parte inferior, do que o
habitual. Já no porto o defeito era óbvio.
Na primavera de 1628, a estabilidade do Vasa foi testada por
30 marinheiros correndo para trás e para frente no convés. O Vasa começou a
balançar violentamente.
O Almirante Fleming reagiu imediatamente, interrompendo o
teste e fingindo que tudo estava em ordem. Ele era um dos homens mais
talentosos da frota, mas ele também queria agradar, ele não queria criar
problemas e decepcionar o chefe.
Soa um pouco como algum local de trabalho perto de você? Em
400 anos, a construção de navios conseguiu se transformar, mas o ser
humano continua o mesmo”.
***
O texto acima é de Johan Norberg, publicado originalmente em
sueco no jornal Metro de Estocolmo, em 20 de abril de 2011, sobre o fim do
Vasa, único navio de guerra do século XVII existente no mundo. Com 95% do casco
original do barco preservado é um tesouro artístico único e uma das maiores
atrações turísticas do mundo. Afundou no dia do lançamento ao mar, após
percorrer apenas 1 milha náutica (menos de 2 km). Graças às condições
especiais das águas do Báltico, foi recuperado mais de 330 anos depois,
praticamente intacto. O navio encontra-se exposto num museu especialmente
edificado para acolher o navio, em Estocolmo.
O texto foi traduzido por Sandra Paulsen no artigo O Vasa -Lições para o Brasil de hoje
'Aos que vierem depois de nós'
I
Realmente, vivemos tempos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes,
em que é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
II
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
III
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
Realmente, vivemos tempos muito sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes,
em que é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?
É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"
Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.
Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.
II
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.
III
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.
E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
Bertolt Brecht
Desperdício em sala de aula 'drena' investimentos
Na América Latina e no Brasil, perde-se 1 dia de aula por semana por conta do desperdício de tempo, diz Banco Mundial
Alunos brasileiros perdem em média um dia de aula por semana
por conta de desperdício de tempo em sala de aula, gasto com atrasos, excesso
de tarefas burocráticas (fazer chamada, limpar a lousa e distribuir trabalhos)
e em aulas mal preparadas pelo professor - tempo este que deixa de ser gasto
com o ensino de conteúdo.
Essa foi uma das principais conclusões de um estudo recém-lançado
pelo Banco Mundial que analisou o trabalho de professores na América Latina e
seu impacto sobre a qualidade do aprendizado, a formação dos alunos e o
desempenho desses países em rankings internacionais de educação.
A pesquisadora Barbara Bruns, uma das autoras do estudo,
lembra que o tempo de interação entre aluno e professor é o momento para qual
se destinam, em última instância, todos os investimentos em educação.
"Nada desse investimento terá impacto na melhoria do aprendizado, a não
ser que impacte sobre o que ocorre na sala de aula", diz ela.
O Banco Mundial avaliou 15,6 mil salas de aula, mais da
metade delas no Brasil (classes dos ensinos fundamental e médio em MG, PE e
RJ), e calcula que, em média, apenas 64% do tempo da classe seja usado para
transmissão de conteúdo, 20 pontos percentuais abaixo de padrões
internacionais.
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
'Não há uma cidade, um estado no Brasil, sem obra superfaturada'
Para promotor especialista em carteis, algumas empresas atuam como a máfia
Mudam os esquemas, mas os protagonistas continuam os mesmos.
Ano após ano, grandes empresas – em especial, construtoras – são apontadas como
pivôs de escândalos suspeitos de desviar uma fortuna dos cofres públicos no
Brasil. O mais atual, que atinge a empresa estatal mais importante do país, a
Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pode ter
causado um rombo de até 10 bilhões de reais. Para o promotor de Justiça de São
Paulo, Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros
e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de
casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.
“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos
superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor
pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na
Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao El País, na sede do Gedec,
órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de
ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa
natureza à máfia italiana.
O promotor é autor da denúncia, de 2012, um grupo de
empreiteiras suspeitas de fraudar uma concorrência pública para obras do metrô
paulista. Embora sejam casos completamente distintos – um afeta o Governo
Federal, comandado pelo PT, e o outro o Governo paulista, a cargo do PSDB –,
chama a atenção a repetição dos “personagens” da esfera privada. Dentre as
denunciadas pela Promotoria de São Paulo há dois anos, seis estão agora sob a
mira da Operação Lava Jato da PF: as construtoras Camargo Corrêa, Mendes
Júnior, OAS, Queiroz Galvão, Iesa e Odebrecht – todas negam irregularidades. Na
semana passada, 36 investigados, entre eles executivos de oito construtoras,
foram detidos pela Polícia Federal.
Leia a entrevista do promotor Marcelo Mendroni
Somos cúmplices
A corrupção se converteu no ambiente da sociedade. É tão velha como a prostituição encontra terreno fértil numa sociedade que premia o cinismo e o êxito rápido. E parte da cultura globalizante que tira do rumo os códigos morais como consequência das exigências sociais. Somos corresponsáveis pela corrupção
Jorge Zepeda Patterson
A calçada dos milhões
Propaganda de supermercado? Oferta de televisão em programa
popular? Promoção de loja de eletrodomésticos? Nova comédia de sucesso no
cinema? Quem dera.
O título é mesmo de mais um rombo em nome do progresso
“revolucionário” (como se esse precisasse de adjetivo) das Organizações Quaquá,
monopólio petista dos rombos nos cofres públicos de Maricá.
Sempre disposto a desenvolver o município com as velhas
receitas rançosas e conservadoras, colorizadas de bolivarianismo, o
multifuncional prefeito Quaquá protagonizou outro escandaloso roubo no Erário:
mais de R$ 8 milhões para a recuperação “ecológica” das calçadas de 1,5 m de
largura em alguns trechos do Centro. Obra digna de um Nabucodonossor de
esquina, insuperável até mesmo pela Calçada da Fama em Hollywood, nem tão cara
assim.
O calçamento passa incólume (será que nada viram?) pela
mídia local e é recebido pelos basbaques de sempre com o estrondo de aplausos,
quiçá com reverências carnavalescas do comissariado e daqueles sempre afeitos a
aplaudir pouca bosta e se calar diante dos desmandos, falcatruas e desgoverno.
Faz parte da pirotecnia da empulhação.
Eleito e reeleito como um símbolo da revolução no município,
ficou no meio-fio como um pierrô pré-revolução russa. Se tornou verdadeiramente
um “coroné” da Velha República dando esmolas em troca de votos de cabresto,
levando o desenvolvimento com obras de barrigada.
A caricata postura de político de meia tigela tem propiciado
ao município as maravilhas de obras, com verbas estaduais e federais, de que se
apropria indevidamente para justificar a permanência no trono, em troca dos
favores da bica comissariada e das esmolas de bolsas. Ambas também
escandalosas.
O número de apadrinhados dentro da administração supera os 3
mil, logicamente para não fazer nada, a ponto de o governo sair alugando
casarões para abrigar parte da gentalha da boquinha, que a outra está em casa
na sombra e água fresca de só aparecer para receber na boca do caixa.
A farra se completa com a distribuição, além do Bolsa
Família, da modalidade Bolsa Mumbuca, atendendo mais de 14 mil famílias
beneficiadas com R$ 85 num universo populacional de 120 mil habitantes. É sinal
de que muita gente está no nível de pobreza e o indigno prefeito nada faz para
desenvolver o município e melhorar a vida da população mais necessitada. O
interesse é sustentar esses eleitores de cabresto com suas bolsas e calçadas
para “beneficiar deficientes físicos e visuais” para continuar mamando com a
gente do seu curral. Mesmo que para isso o município sem afunde na maracutaia e
ignorância dos basbaques.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Brasil tem 155 mil em regime de escravidão
Quase 36 milhões de homens, mulheres e crianças - 0,5% da
população global - vivem em situação de escravidão moderna no mundo, segundo
levantamento divulgado nesta segunda-feira pela organização de direitos humanos
Walk Free Foundation.
O Brasil, apesar de ter um dos menores índices de escravidão
do continente americano (atrás de Canadá, EUA e Cuba), ainda abriga 155,3 mil
pessoas nessa situação, que abrange desde trabalho forçado ou por dívidas,
tráfico humano ou sexual até casamentos forçados, em que uma das partes é
subserviente.
"Depois da Europa, o continente americano é a região
com a menor prevalência de escravatura moderna no mundo. Ainda assim, cerca de
1,28 milhão de pessoas (no continente) são vítimas de escravatura, na sua
maioria por meio do tráfico sexual e exploração laboral, (sobretudo)
trabalhadores agrícolas com baixas qualificações e elevada mobilidade",
diz o relatório.
"Um dos principais fatores na região são as fortes
tendências migratórias transnacionais, que levam pessoas vulneráveis a
abandonar seus lares em busca de trabalho. As condições de trabalho são muitas
vezes deploráveis e podem incluir servidão por dívida, confinamento físico,
ausência de dias de descanso, falta de água potável, retenção de salários e
horas extras ilegais, muitas vezes sob ameaça de deportação."
Não surpreende, portanto, que o empobrecido Haiti lidere o
ranking da região: 2,3% de sua população vive em condições de escravatura
moderna, segundo o Índice Global de Escravatura.
O relatório destaca que o Brasil está entre os países com
"respostas governamentais mais firmes" contra o problema, ao
encorajar as empresas a pressionarem pelo fim do trabalho escravo nas diversas
etapas de sua cadeia produtiva.
Número de multimilionários dobrou depois da crise
Segundo a ONG, taxa de 1,5% sobre a riqueza da parcela da população mais abastada levaria educação a todas as crianças do mundo e serviços de saúde aos países mais pobres.
Além disso, o relatório afirma que uma pequena taxa anual de
1,5% sobre o patrimônio dos multimilionários seria o suficiente para assegurar
que cada criança do mundo tenha acesso à educação e para levar serviços de
saúde aos países mais pobres.
"Hoje a riqueza está aumentando, e vai continuar sendo
assim a não ser que os governos ajam", disse a diretora executiva da Oxfam
International, Winnie Byanyima. "Não devemos permitir que doutrinas
econômicas de visão estreita e o interesse próprio dos ricos e poderosos nos
deixem cegos para esses fatos."
Segundo o relatório, 70% das pessoas vivem em países onde a
distância entre ricos e pobres aumentou nos últimos 30 anos. O documento
reconhece que a desigualdade entre os países diminuiu nos últimos 14 anos, mas
afirma que o mais importante é a desigualdade entre a população de um país.
A Oxfam calcula que a riqueza somada das 85 pessoas mais
ricas do mundo cresce 668 milhões de dólares por dia. Essas pessoas têm um
patrimônio equivalente ao da metade mais pobre do planeta, afirma.
O pré-sal da corrupção
Não adianta querer lutar contra a corrupção se não houver governança e planejamento
Ministro
Augusto Nardes, presidente do Tribunal de Contas da União
Fizemos uma análise das contas, nos padrões internacionais,
do governo da presidente Dilma. Descobrimos 2,3 trilhões de reais que não
estavam contabilizados em relação ao passivo dos funcionários da Previdência. É
um cálculo que deveria estar no balanço da União. O valor está relacionado às
previsões do déficit da Previdência para os próximos 50 anos. Isso deu para
mostrar que o Brasil não tem transparência na auditoria financeira. Ilustração
tubo
A arrogância da doutora
A 'reforma política' da PF pode acabar com o PT
A Operação Lava Jato, agora na apropriadamente apelidada
etapa do Juízo Final, pode fazer aquilo que todo governo em crise promete: uma
reforma política. Ao atacar de frente os corruptores, a Polícia Federal tem a
oportunidade de expor o elo que costuma escapar nos escândalos do gênero.
A confirmar as suspeitas, ao fim poderá estar claro que
empresas fornecedoras da Petrobras roubaram da estatal por meio de propinas e
superfaturamentos, e usaram parte deste mesmo recurso para molhar a mão de
políticos e operadores que permitiram a instalação do esquema.
É quase um círculo perfeito, no que tange o financiamento
dos políticos. Em campanhas, dinheiro desviado pode ser reinvestido legalmente
em quem abriu a porta do cofre.
Depois do mensalão e das duras condenações aplicadas
particularmente aos atores não-políticos do esquema, o pagamento aos políticos
precisava de novos e menos arriscados mecanismos.
A reforma política proposta pelo governo não resolve os
problemas e ainda cria outros. Mas involuntariamente a PF fará avançar essa
agenda, se conseguir ir até o fim. Resta saber o que sairá disso, visto que
agentes que irão debater as novas regras poderão fazê-lo do banco dos réus.
O escândalo da Petrobras ameaça a todos, mas só um partido
corre risco existencial com ele: o PT.
Em seus governos, o partido colocou a estatal no topo da
agenda; fez controle inflacionário ao represar reajustes de combustível,
enquanto Lula embebia as mãos com petróleo, à Getúlio. Para cada descoberta no
pré-sal, contudo, parece ter havido uma contrapartida obscura.
PMDB, PP e outros estão citados, mas o PT tinha o leme.
Depois de sobreviver ao mensalão e sofrer derrotas apesar de reeleger Dilma, o
que sobrará do partido se o que se insinua na Lava Jato for comprovado?
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
A inocência do poder
Considerando-se todas as circunstâncias apontadas há anos por quem acompanha o assunto, é de surpreender que tenha demorado tanto tempo para o "petrolão" vir à luz
Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da
Transparência Brasil
O domingo acordou o Brasil com a primeira fala presidencial
direto de Brisbane. Sem qualquer sinal de repúdio aos atos, que nunca tiveram a
sua indignação. Dilma usou e abusou dos chavões de campanha e do PT. E fez
questão de afirmar que é a primeira investigação efetiva sobre corrupção no
Brasil. “A primeira. E que vai fundo”.
A presidente mais parece um ET, ou mandatária teleguiada,
vivendo em outro mundo. Num rompante de quem dá pouco caso ao que ela mesma
considera o maior escândalo da história brasileira, garante que “o Brasil não
se abalará”. Dilma, talvez em jogo de cena, não se dá conta de que o abalo é
catastrófico, o país se revolta. E não vê outra coisa que a repetição de velhas
afirmações, gastas e surradas.
Nada mais se deve
esperar de Dilma, quando voltar da Austrália, sobre o Petrolão. No exterior,
também confirmou que “nada disso é estranho para nós”. Uma passagem bem
paradoxal para um governo que se afirma o mais investigador de todos os tempos.
Se não era “estranho”, por que precisou-se de um juiz federal do Paraná para
levantar o caso quando estava tudo correndo em Brasília, na boca do caixa?
Também nunca vão explicar como deixaram correr solta a maior corrupção, e
bilionária, dentro da estatal que é o xodó presidencial. Ninguém sabia, mas os
envolvidos são do alto escalão tanto das empresas como da estatal. Não há raia
miúda no caso. É tudo tubarão de primeira inclusive no Congresso.
Dilma continua em campanha, como todo o PT, para amenizar,
ou tentar ao menos, os golpes seguidos que recebe desde que reeleita. É a
primeira vez num país em que o mandatário parece não ter nada o que comemorar
tantos são os desastres políticos, econômicos e sociais espoucando como
foguetório pela vitória eleitoral.
Embora um dia antes, Cardosão, o ministro fiel da Justiça
brasileira (lembrando que está de olho em vaga no STF), tenha anunciado que não
se vai admitir a “politização” do escândalo – outro chavão de campanha, Dilma
admitiu que o caso vai interferir em todos os segmentos. “(O caso) mudará para
sempre a relação entre a sociedade, o Estado e a empresa privada”.
Profetiza mas não explica o porquê de um rombo bilionário,
envolvendo empresas, “operadores” de partido, senadores e deputados, gente do
Executivo, continuou por anos convivendo com a miséria, a violência, a falta de
assistência médica, o sofrimento do povo, e todos os problemas nacionais de
importância para o povo, sem que ninguém soubesse de nada. Em tantos anos de
silêncio, não houve uma voz, mesmo que pequeníssima não clamasse sobre a
roubalheira. E Lula e Dilma, claro, não sabiam de nada.
Os soldados do Parque dos Búfalos
Em meio à crise hídrica, São Paulo usará parque com ao menos sete nascentes para construir casas populares. Comunidade organiza movimento de resistência
Uma área de mais de 994.000 metros quadrados situada na zona
sul de São Paulo foi anunciada pelo prefeito Fernando Haddad, no final do mês de outubro, como
o terreno para a construção de mais de 3.800 unidades de moradia popular. “Aqui
nasce uma cidade com quase 15.000 pessoas”, disse o prefeito no dia do
lançamento do projeto habitacional que será feito em parceria com os governos
estadual e federal, com previsão de entrega em 2016.
A "nova" cidade, porém, nasceu muito antes desse dia. A área
em questão é chamada de Parque dos Búfalos, por causa dos animais que chegaram
a habitar o local há alguns anos. É um local margeado pela Represa Billings e
que corta no meio os bairros do Jardim Apura e o Santa Amélia, no distrito de
Cidade Ademar que abriga 430.000 pessoas. Não fosse esse, o parque mais próximo
da região seria o Ibirapuera, que fica a uma distância de 20 quilômetros, quase
duas horas de ônibus. Por ser o único local da região destinado ao lazer, o
Parque dos Búfalos atrai um público formado pelos moradores dos bairros
vizinhos, que praticam corrida, caminhada, parapente e ciclismo diariamente.
O parque mais próximo da região é o
Ibirapuera, que fica a uma distância de 20 quilômetros, quase duas horas de
ônibus
Além da represa Billings, que em parte abastece São Paulo,
Diadema, São Bernardo e Santo André, o Parque dos Búfalos tem ao menos sete
nascentes espalhadas por seu terreno. Por essas questões, tanto de cunho
ambiental, quanto social, a população se organizou para reivindicar que
o local seja mantido como um parque e que ganhe toda a infraestrutura para isso
– não há banheiros, tampouco quadras ou equipamentos.
O terreno do Parque dos Búfalos foi declarado de utilidade
pública em 2012, pelo ex-prefeito Gilberto Kassab. No final de 2013, Fernando
Haddad revogou essa lei. O terreno o ajudaria a cumprir a meta de entregar
55.000 casas populares prometidas durante a campanha. Com a notícia de que o
parque viraria terreno para parte dessa promessa, os moradores começaram a se
organizar. Por meio da ONG Minha Sampa, há um movimento de pressão
online que pede a manutenção do parque.
Crescem as doações anuais feitas ao PT
É fácil seguir a rota da
corrupção. Desde o escândalo do mensalão, as empreiteiras e grupos empresariais
que fazem negócios com o PT passaram a fazer generosas doações anuais ao
partido, independentemente de se tratar de ano eleitoral. Como as doações estão
registradas na Justiça Eleitoral, as evidências de corrupção são claríssimas.
Em 2011, por exemplo, o PT
arrecadou R$ 50,7 milhões, e a metade desses recursos foi doada por
empreiteiras que têm contratos com o governo. Somente a Andrade Gutierrez doou
R$ 4,6 milhões. Houve doações também de pessoas físicas, 33 no total, mas,
curiosamente, apenas duas em cheques. Todas as demais foram em dinheiro.
Para se ter uma ideia da
generosidade dos empresários, o PT obteve 89,5% das doações a partidos em 2011.
Seu adversário PSDB, apenas R$ 2,3 milhões (4,3% do total), e o aliado PMDB, R$
2,8 milhões.
Em 2013, que também não foi ano
eleitoral, as doações ao PT tiveram aumento espantoso, de 70%, e dos R$ 79,8
milhões recebidos, quase R$ 60 milhões – o equivalente a 75% do total – vieram
de empresas construtoras.
Assinar:
Postagens (Atom)























