terça-feira, 29 de setembro de 2015

À espera da reforma medíocre e limitada de um governo ruim

De volta de Nova Iorque, depois de abrir mais uma Assembleia Geral da ONU, a presidente Dilma Rousseff deverá conferir prioridade ao desfecho da reforma do seu ministério.

Trata-se de uma tarefa que ela mesma se impôs e que se arrasta há mais de 30 dias. No momento em que mais precisa de apoio político, ela pretende cortar 10 dos atuais 39 ministérios.


Não é uma ideia inteligente. Mas Dilma é useira e vezeira em adotar ideias pouco inteligentes. Ou burras mesmo. Age assim devido à sua inexperiência política e à má qualidade dos seus conselheiros.

Do ponto de vista econômico, o corte de 10 ministérios nada significa. É só para que ela possa dizer: “Cortei”. E talvez não corte 10. De alguns deles, se limitará a tirar o status de ministério.

Com o corte e a entrega de seis ministérios ao PMDB, um deles o da Saúde, Dilma imagina reunir votos o bastante para barrar na Câmara dos Deputados qualquer pedido de impeachment contra ela.

O PMDB não lhe assegura votos com tal objetivo. Nem mesmo com o objetivo limitado de recriar a CPMF. Alguns nomes do partido podem particularmente lhe assegurar seus votos.Mas é só.

Dilma procede como em 1992 também procedeu o então presidente Fernando Collor, ameaçado pelo impeachment. Collor reformou seu ministério. E mesmo assim acabou no chão.

Marcas da reforma feita por Collor: a atração de nomes de peso da política e de fora dela; e sua amplidão. Os nomes dos novos ministros de Dilma são medíocres. E a reforma, limitada.

Quem é golpista?

O ministro Edinho Silva afirmou que o governo não tem um “plano B” para a proposta de ajuste encaminhada ao Congresso, e que não há alternativas viáveis, fora das já apresentadas pelo Executivo, para equilibrar o orçamento do governo, passando ao distinto público a falsa ideia de que a única maneira de cobrir o déficit das contas públicas é através da criação ou aumento de impostos, inclusive a malfadada CPMF, além de cortes ridículos nas despesas. Mais uma vez, o governo mente!

O leitor talvez não saiba, mas o Tesouro Nacional, ao longo dos últimos anos, principalmente durante o primeiro mandato da presidente Dilma, transferiu perto de R$ 520 bilhões para o caixa do BNDES. Para se ter uma ideia da grandeza desse número, ele representa cerca de 10% do PIB (2014). Pelos recursos, o governo cobra do BNDES juros de 6% ao ano (TLJP), enquanto, para captá-los no mercado, paga, em média, 13%. Em outras palavras, o custo de carregamento desses “empréstimos”, que fazem a alegria dos grandes empresários tupiniquins, é de aproximadamente R$ 35 bilhões, valor superior ao orçamento anual do Bolsa Família (R$ 27,5 bilhões). Agora, eu pergunto: o leitor viu, em algum lugar, menção de que o governo pretenda pegar esse dinheiro de volta? Nem eu.

Outra possibilidade de arranjar recursos extras para cobrir o déficit seria através de privatizações de empresas estatais, mas, além da proposta de vender 25% da BR Distribuidora (o que está bem longe de significar privatização, já que o controle permaneceria com o Estado), nem uma linha da proposta recentemente encaminhada ao Congresso toca nesse ponto. Eles preferem recriar a CPMF, tungando um pouco mais o bolso do contribuinte. Por quê?

A ideologia petista não admite perder o imenso poder econômico que hoje detém o Estado brasileiro, seja para fazer afagos aos amigos do rei (e financiadores do partido), seja para estender seus imensos tentáculos sobre o mercado.

Não por acaso, no mesmo dia da entrevista de Edinho Silva, sua chefe, a presidente Dilma Rousseff, voltou a dizer — não exatamente com essas palavras, pois seu idioma, embora semelhante, não é o meu — que estão tramando um golpe contra ela, aproveitando-se da crise econômica para propor seu impeachment. Não esclarece como é que um processo previsto na Constituição e regulamentado em lei pode ser considerado golpe.

No meu dicionário, golpe é eleger-se mentindo descaradamente ao eleitorado, mostrando um mundo cor de rosa quando já pairavam nuvens negras no horizonte, avisando que uma tempestade de grandes proporções estava a caminho. Golpe é acusar os adversários de tramar a redução de investimentos em programas sociais, sabendo melhor do que ninguém que, qualquer que fosse o eleito, inclusive ela própria, teria de fazer cortes e congelar benefícios. Golpe é divulgar, por anos a fio, demonstrações financeiras falsas, mostrando superávits onde havia déficits, escondendo resultados negativos através de contabilidade fajuta e “pedaladas fiscais”. Golpe é utilizar bilhões em recursos desviados da Petrobras para abastecer os partidos da base aliada. Finalmente, golpe é emprestar R$ 520 bilhões do Tesouro (leia-se: contribuinte brasileiro), cobrando menos da metade dos juros praticados pelo mercado, aos seus financiadores de campanha e a governos estrangeiros ideologicamente vinculados a seu partido
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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Politicos derrubam a arvore para apanhar o fruto

Precisamos falar sobre capitalismo

No Brasil, pouca gente sabe definir o que é, mas muitos odeiam o capitalismo. O Instituto Millenium (ONG dedicada a promover os valores da liberdade, democracia e economia de mercado), um dia desses, colocou uma pessoa na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro, perguntando aos transeuntes o que pensavam sobre o assunto. Três de cada quatro entrevistados ficaram nervosos com a pergunta, recuavam temerosos do microfone, ou resmungavam desconfortos variados como “aqui no Brasil não tem isso não”, “sei não senhora” e que tais.

O restante das respostas, inclusive de uma professora do ensino médio, refletiu o que se esperaria obter de uma região outrora conhecida como a “Brizolândia”.

Em um belo livro recentemente lançado (“Capitalismo: modo de usar”), Fábio Giambiagi concentra esta mesma mensagem na sua epígrafe, uma fala de Fernando Henrique Cardoso dirigida a Arminio Fraga antes de sua sabatina no Senado como parte de sua nomeação para a presidência do Banco Central. Sem pretender precedência, registro apenas que ouvi este conselho igualzinho nas duas ocasiões em que fui sabatinado. Eis a sabedoria: “o Brasil não gosta do sistema capitalista. Os congressistas não gostam do capitalismo, os jornalistas não gostam do capitalismo, os universitários não gostam do capitalismo”

Como explicar essa estranha hostilidade ao sistema econômico que prevalece em todo o planeta, excetuadas algumas comunidades primitivas isoladas no Caribe e na Ásia, e cujo indiscutível e extraordinário sucesso aniquilou qualquer concorrência?

Afinal, o capitalismo é o sistema econômico baseado na propriedade privada, na liberdade de empreender, na letra da lei, e na centralidade do mercado para estabelecer os preços. Que há de tão errado com isso?

O fato é que são reveladoras as respostas ouvidas na Brizolândia.

Em primeiro lugar, destaque-se a apatia, muito provavelmente incentivada por valores nossos, mal cultivados. Hierarquias e privilégios parecem mais naturais no Brasil que a igualdade diante da lei e a impessoalidade. Valores “maiores” parecem prevalecer sobre os da contabilidade ou da sustentabilidade: os balanços fecham no Palácio, os patrimônios “não têm preço”, prejuízos “não importam”, e a criatividade permeia partidas dobradas. E por fim, o mercado, a meritocracia e a competição, são coisas para nossos inimigos, pois é o que se passa na “rua” e não na “casa”, como ensina Roberto DaMatta.

Em segundo lugar, trata-se do sucesso do capitalismo como se houvesse dúvida sobre isso. O próprio Marx, em seu famoso manifesto, em 1848, as eliminou ao afirmar que “a burguesia, em seu reinado de apenas um século, gerou um poder de produção mais massivo e colossal do que todas as gerações anteriores reunidas”. O erro estava em prever o colapso do sistema, ou exagerar nos efeitos colaterais.

Sobre desigualdade, é preciso cuidado com um sofisma muito comum. O progresso material não é igual em diferentes regiões do planeta, ou mesmo dentro de um país. Muitas regiões do continente africano vivem hoje do mesmo jeito que viviam há 500 anos, e nessa ocasião os nativos da região hoje conhecida como a Califórnia estavam nesta mesma faixa de renda. Em nossos dias, diante da brutal diferença de bem-estar entre essas regiões pode-se distinguir ao menos dois tipos de reações: de um lado, os que se encantam com o desenvolvimento californiano e procuram emular seus valores, e, de outro, os que afirmam que esses 500 anos de capitalismo aprofundaram a desigualdade (fato estatístico indiscutível, eis que uma das regiões simplesmente ficou estacionada) ou que, um tanto mais canhestramente, os californianos ficaram ricos explorando os africanos, ou os mexicanos. Ou seja, o vilão é quem deu certo, e o sucesso é sempre pecaminoso, segundo a Brizolândia.

O fato é que, contrariamente aos países onde as virtudes burguesas — empreendedorismo, parcimônia, iniciativa e integridade — são louvadas, nosso capitalismo meio patrimonialista sempre foi visto como um jogo de cartas marcadas, onde os valores a cultivar eram outros: conexões com o governo, imprevidência, reservas de mercado e malandragem.

Um “capitalismo pela metade” pode produzir um sucesso pela metade (ou um “meio fracasso”, um país eternamente do futuro), com distorções imensas, como ocorreu no Brasil dos anos 1980, e mesmo um retrocesso, como na Argentina. As nações podem simplesmente fracassar.

Em um famoso discurso no Senado em junho de 1989, o senador Mário Covas, um homem de centro-esquerda e inatacáveis credenciais nacionalistas, proclamou que o Brasil precisava de um “choque de capitalismo”. Era um desabafo a propósito da democracia que ele tanto lutara para reconstruir, e que vivia, naquele mês, uma inflação de 28,6%. A democracia não deveria levar o país à insensatez econômica. Covas disputava a presidência, e no primeiro turno obteve apenas 11,5% dos votos, ficando em quarto lugar. Em dezembro, quando ocorreu o segundo turno, a inflação rompeu oficialmente a barreira da hiperinflação: 51,5% naquele mês.

Covas estava correto em que havia algo de muito errado nesse nosso “anticapitalismo” patológico e fora de época, mas o paciente não estava convencido do tratamento. Ainda era forte a demanda por mágica.

Diversos choques se seguiram, mas o de capitalismo só avançou mesmo com o “não choque” representado pelo Plano Real e suas reformas: privatização, responsabilidade fiscal, abertura e as outras que, em seu conjunto, trouxeram a inflação brasileira para níveis de primeiro mundo. Quem poderia imaginar que o sucesso do Plano Real seria o resultado de reformas com o intuito declarado de fazer do Brasil uma economia de mercado por inteiro?

Não obstante, as reformas enfrentaram enorme resistência, esta é a maldição da Brizolândia: uma minoria de perdedores do processo de modernização é sempre capaz de bloquear o que é novo, pois a maioria beneficiada permanece mergulhada na apatia. Os ganhos são dispersos, e os custos concentrados em minorias despojadas de seus privilégios, o velho problema das reformas, e a razão pela qual elas são implementadas por estadistas e não por “gerentonas” ou líderes populistas.

É caprichosa a História, que organiza uma volta ao passado pela ascensão de um líder operário, a quem coube interromper o avanço do capitalismo no Brasil antes que começasse a modernizar demais as coisas. O Brasil mergulha num conservadorismo metido a progressista, cuidadoso e inercial no início, mas que adquire uma feição mais concreta já mais perto de 2008, quando entramos para valer num capitalismo companheiro, ou de quadrilhas e boquinhas.

Não é a inflação que explode, mas a corrupção, uma outra expressão para o fracasso desse capitalismo “pela metade” sobre o qual não vale a pena gastar nem dois tostões de sociologia. Que o digam Joaquim Barbosa e Sergio Moro. Bobos fomos nós em levar a sério a “nova matriz” e outras ridículas vestimentas heterodoxas de que se serviu o cronismo caudilhesco que aqui se implantou. Não era keynesianismo, nem estruturalismo, mas apenas desonestidade, inclusive intelectual.

Um abraço de urso


Li em alguma parte que Lula aconselhou Dilma a abraçar o urso. Era no contexto da relação com o PMDB, portanto abraçar o amigo urso. Mas a imagem do urso me trouxe lembranças da adolescência, quando esperava, na banca da Rua Halfeld, a chegada da revista “Senhor”. Um banquete literário e visual, porque a revista era diagramada por um dos gênios das artes gráficas brasileiras: Bea Feitler.

Foi através da revista que travei contato com “O urso”, de William Faulkner. Era um animal formidável, com um ferimento na pata, provocado por uma armadilha. Todos o temiam, mas desejavam encontrá-lo. Lembro-me de que um dos índios que ajudavam os caçadores dizia que até os cachorros se preparavam para um dia encontrar o urso. Sabiam, como os humanos, da importância do acontecimento.

O urso que Dilma precisa encarar é a realidade sombria que seu governo trouxe ao país e sua incapacidade pessoal de achar o caminho. Esse urso não creio que ela abrace. Mas continuará rondando seu acampamento.

No princípio da semana passada, conversava com um grupo de amigos em Niterói sobre a crise política e econômica. Quando saí, o motorista me esperava nervoso: dois homens armados o sequestraram e roubaram tudo que havia no carro. No caminho de volta ao Rio dei aquele soco na testa: tinha falado muito das duas crises e apenas mencionado a que mais me preocupa — a crise social.

O fim de semana tinha sido marcado por arrastões na Zona Sul do Rio e os debates que sempre surgem nesses períodos. Queria lembrar que assim como as coisas mudam dependendo da luz que as banha, esses fatos têm de ser examinados no contexto mais amplo de um país em recessão, com queda no PIB e a perda de R$ 1 trilhão no valor de mercado das empresas nacionais.

Tanto o desemprego como o aumento da violência urbana são indicadores bastante evidentes. No cotidiano da estrada, vejo alguns mais sutis: aumenta o número de andarilhos e, agora, os encontro mesmo em rodovias secundárias.

Embora Dilma não queira abraçar o urso, as pessoas que trabalham estão tendo de encarar a crise, nas ruas ou diante da televisão, com o fluxo das notícias negativas. Muitos de nós enfrentam duras realidades cotidianas, buscando proteger os entes queridos. Mas ainda não decidíamos encarar o urso ombro a ombro e despachar um governo que se impôs pela delinquência. Um governo assim não cai de maduro. Haverá tensão, violência verbal, grandes transtornos.

Mao Tse Tung dizia que a revolução não é um piquenique. No caso do comunismo, foi mais uma sucessão de massacres. A derrubada do governo petista é algo muito mais suave do que uma revolução. Mas também não é um simples clique no computador. Será preciso fazer mais, ou então nos conformamos apenas com os ritmos e os prazos da Operação Lava-Jato.

Desdobrada logicamente, a Lava-Jato vai derrubá-los. Um tesoureiro do partido do governo foi condenado a 15 anos de prisão. Recebeu milhões em propina. Será que guardou tudo na sua mochila? Ou destinou a um partido que financiou a campanha de Dilma? É impossível uma investigação séria parar no tesoureiro. Mesmo se o Supremo derrotar a Operação Lava-Jato, como parece ser sua intenção, ele não devolverá credibilidade aos bandidos que governam o país.

A fórmula brasileira é mais sutil que a da Venezuela. Os ministros não se identificam tanto com o governo. São medíocres o bastante para saber que, sem o PT, jamais estariam sentados ali. Mas por quanto tempo essa obviedade dos crimes do petismo deixará de ser o ponto central dos cálculos políticos no Brasil? Não há futuro com o PT.

O tempo em que permanece no poder é um tempo de “no future”, como diziam os punks em Berlim. A palavra punk ganhou uma nova dimensão na nossa linguagem cotidiana; é algo bizarro e desagradável. E, no momento, a cena nacional é punk.

Na praia de Niterói, antes tão pacata, percebi os limites de apenas falar da cúpula, quando a crise, a 20 metros da minha cadeira, surpreendia com um revólver na cabeça. É preciso fazer mais. Mas é arriscado empregar mal a energia. Neste momento, as tarefas são garantir a sobrevivência cotidiana e combater um sistema criminoso.

Os políticos profissionais que podem fundir essas duas tarefas têm sido muito ausentes. Verdade é que já apresentaram o pedido de impeachment. Mas ainda não discutem que país será o Brasil, após a queda do lulopetismo.

A rejeição maciça a um governo talvez seja suficiente para derrubá-lo. Mas, se surgirem algumas ideias claras sobre o futuro, o processo fica mais rápido.

Vivi muitas crises no Brasil, em quase todas com a certeza, às vezes ilusória, de que as influenciava com minha ação. Esta é mais tentacular, pantanosa. Estou vendo a morte de um projeto que há pouco mais de uma década parecia o novo. Os prazos se encurtaram dramaticamente. Ou nós nos atrasamos muito. De qualquer forma, é preciso correr. Se ficar, o bicho pega.

Fernando Gabeira

Muitas metas e poucos planos para um futuro sustentável

Dar fim à pobreza, reduzir a desigualdade, garantir educação de boa qualidade, proteger os ecossistemas: esses são apenas algumas das 17 metas e 169 subitens estabelecidos na Conferência das Nações Unidas para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, em Nova York. Seus antecessores, os Objetivos do Milênio, se referiam apenas aos países em desenvolvimento e emergentes. Agora é a vez das nações industriais.

Exatamente agora, o escândalo dos testes de emissão de gases poluentes da Volkswagen prova como a parcela mais próspera do planeta leva a sério o desenvolvimento sustentável. E a política olha para o outro lado.

Porém todos asseguram, incansáveis, que, óbvio, consciência ambiental e sustentabilidade lhes são importantes. Então seria o caso de argumentar que o próprio fato de o caso da Volks levantar tamanhas ondas de indignação por todo o mundo mostra, afinal, que estamos no caminho certo. Mas esse argumento não vai muito longe.


O cerne e verdadeiro ponto crucial da lista é a meta número oito: fomentar o crescimento econômico duradouro e sustentável. "Crescimento econômico sustentável": esse predicado é atualmente empregado de forma inflacionária. Mas o que é isso, na verdade? Ele não significa que deixamos de crescer continuamente, nos contentando com "menos", e que precisamos gerir os recursos de forma diferente?

Em vez disso, um clamor logo atravessa o globo no momento em que a economia chinesa apresenta taxas de crescimento abaixo do esperado. Porque na China precisa, sim, haver cada vez mais automóveis na rua e cada vez mais bens serem consumidos. Para que, do ponto de vista global, os lucros cresçam e os empregos estejam assegurados. Para isso, produz-se onde padrões e salário são especialmente baixos. É assim que gerimos em nível mundial.

Do ponto de vista atual, uma plantação de óleo de dendê tem valor econômico superior ao que uma mata tropical, da qual apenas algumas comunidades extraem café, látex e frutas, e os vendem localmente. Mesmo que hordas de ONGs se empenhem em transformar as florestas em fontes de renda, no fim das contas quem vence é sempre o óleo vegetal ou o petróleo.

Esse é o caso do Parque Nacional Yasuní, no Equador. Fracassou a tentativa de proteger a região da prospecção petrolífera, fazendo a comunidade internacional pagar um ressarcimento para esse fim. E não foi culpa apenas do estilo de negociação, em parte pouco confiável, do governo equatoriano.

Por que investir em algo que não gera lucro? Segundo as regras em vigor, um investimento precisa sempre ter um valor econômico. Então, no próximo ano começa a extração de petróleo em Yasuní.

É claro que não podemos manter natureza, matas e ecossistemas sob uma redoma. Essa abordagem está ultrapassada. Contudo, de uma perspectiva sustentável, é preciso colocar a questão: o que vai beneficiar mais as gerações futuras?

Nosso crescimento econômico se baseia em metas de prazo demasiado breve e na pura maximização dos lucros. E as boas propostas políticas são tão diluídas no longo caminho até a implementação, que não têm força para impedir tais práticas.

Crescimento econômico sustentável: aqui há uma enorme lacuna entre a meta e a realidade. E até o momento não dá para reconhecer qualquer tipo de vontade séria para fechar essa lacuna até 2030.

PT é verde... de dólar

Porto, em área proibida, regularizado por Dilma um mês após a inauguração, em julho de 2013
Quando Dilma fala na Assembleia Geral da ONU sobre as metas ambientais brasileiras, coisa para inglês ver, aqui  favorece crimes contra o meio ambiente. A Odebrecht pintou e bordou na era PT nessa questão. Para construir seu terminal de contêineres em Santos, comprou área onde não era permitido fazer porto, mas o fez mesmo assim, aterrando parte do canal para ampliar o terreno, e removendo áreas de mangue, vitais para vida marinha, sem as formalidades burocráticas do meio ambiente. E ainda abiscoitou, só para esse projeto, 18% da verba do BNDES para portos de todo o País. O Embraport, terminal de contêineres da Odebrecht, obteve R$ 663,3 milhões do BNDES, via Caixa, a juros de 3% ao ano.
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Traição ao Brasil

Na História do Brasil nunca ocorreu, como na escala atual, tamanho descalabro, ausência de amor à Pátria, chegando ao limite do crime de traição, falta de preparo dos supremos mandatários do país, autênticos representantes do emprego da máxima “pão e circo” para iludir a massa de eleitores ingênuos e ignorantes daquilo que ocorre em Pindorama.

A corrupção sempre houve e haverá, em todos os países do mundo. Porém, o que está havendo no Brasil, atualmente em caráter de pandemia, é inimaginável, chegando ao ponto de contagiar outros países, através da atuação de grandes empreiteiras financiadas com recursos públicos, realizando obras faraônicas naqueles territórios, com intermediação de lideranças políticas brasileiras expressivas. Não existem recursos suficientes para investimento na infra-estrutura econômico-social brasileira, segundo nossas “autoridades”. Porém, eles existem em abundância para aplicação de bilhões de reais a dezenas de países, em especial vizinhos e companheiros de ideologia.


Outra das tragédias nacionais identificadas refere-se aos vergonhosos episódios da denominada demarcação de “terras indígenas”, das quais as mais escandalosas são a Ianomâmi e a Raposa/Serra do Sol. O que está por detrás destas demarcações? Como já explicado neste espaço em vários artigos, a fatal armadilha, capaz de permitir a perda da nossa Amazônia, foi aberto com a inclusão feita em 2004, pela Emenda Constitucional nº 45, que em seu artigo 5º, parágrafo 3º, determina que “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais”.

Já tinha havido o precedente, ocorrido com a aprovação pelo Congresso de um ato da OIT (Organização Internacional do Trabalho), denominado “Convenção Relativa aos Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes”, cujo texto extrapola as relações de trabalho e entra nos assuntos “terras” e “recursos minerais”, criando as condições para subtrair do território brasileiro mais de metade de sua área, através de demarcação de “terras indígenas”. Para agravar, em 13 de setembro de 2007, a Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas foi aprovada pela ONU, com o voto favorável da representação brasileira. A partir daí, a demarcação de terras indígenas assume o estágio de reservas indígenas (Ianomâmi e Raposa /Serra do Sol), representando a última posição para transformação em nações indígenas.

A demarcação, por pressão externa, da vastíssima "Reserva Ianomâmi", destinada a uma suposta preservação da referida tribo, foi feita pelo ex-presidente e hoje senador Collor, através de portaria. Tal reserva, além de chamar à atenção pela enorme área em relação à pequena população indígena lá existente, ainda tem uma parte que se encontra situada na faixa de fronteira de 150 km, o que desrespeita o parágrafo 2º, inciso XI, do Art. 20 da nossa Constituição. E é contígua a uma área semelhante demarcada na Venezuela. O estudo “A Questão Minerária na Amazônia: a Coincidência das Áreas Indígenas”, do ex-vice-governador de Roraima, Salomão Cruz, e do economista Haroldo Amoras, aponta a relação entre as áreas demarcadas pela FUNAI com os minérios.

Os autores citam como exemplo o ocorrido na Gleba Noroeste na área Ianomâmi; “É visível o caminho percorrido buscando a sinuosidade apresentada pelos veios minerais, sendo notória a área pretendida Raposa/Serra do Sol e as curvas sofridas pela ampliação da área Ianomâmi - Gleba Noroeste (37). Parte desta gleba estava fora da área pretendida pela FUNAI e após a descoberta de fosfato pela CPRM, a reserva foi ampliada, excluindo 27 propriedades rurais, a maioria detentoras de título definitivo ou posse”. A reserva Ianomâmi é uma das mais ricas reservas minerais do planeta. É nela que se encontram as maiores jazidas conhecidas de nióbio do mundo, metal considerado de alto valor estratégico.
A jornalista Rebecca Santoro ainda esclarece sobre a farsa dessa tribo Ianomâmi que nunca existiu, defendida pelas ONGs estrangeiras que infestam a nossa Amazônia, abençoada pelos "verdes", que endossam esse crime que está sendo praticado contra o nosso país. Esta tese é corroborada pelo falecido Almirante Gama e Silva, que, em 2008, publicou o artigo ‘Ianomâmi! Quem?’, no qual falava sobre o livro “A FARSA IANOMÂMI”, escrito pelo Coronel Carlos Alberto Lima Menna Barreto, homem que conheceu Roraima muito bem, pois, comandou o 2º Batalhão Especial de Fronteira naquele Estado, de 1969 a 1971, e, 14 anos depois, veio a ser seu Secretário de Segurança, o qual prova que os “Ianomâmis” haviam sido criados por estrangeiros (jornalista/fotógrafa suíça, Claudia Andujar, a qual menciona, pela primeira vez, em 1973, a existência do grupo indígena por ela denominado “Ianomâmi”).

No caso da reserva Raposa/ Serra do Sol são 1.743.089 hectares para abrigar um punhado de índios, grande parte dos quais fala idioma estrangeiro, também, por “coincidência”, área rica em minerais raros e valiosos. O fato é que maus brasileiros, verdadeiros traidores da Pátria, estão entregando nosso Patrimônio a potências estrangeiras, sem que haja reação das autoridades constituídas brasileiras.

Doença nacional


O quadro é caótico de irresponsabilidade da presidente da República. Essa ideia de que ela era honesta ficou meio diluída. Ela surgiu um pouco porque Lula é evidentemente tão mais corrupto que ela. Corrupção no governo está aí. Essa é a suprema desmoralização do Brasil
Roberto Freire

Onde estão os petistas éticos que iam mudar o país?

O ex-presidente Lula aconselhou a presidente Dilma Rousseff a atender a todos os pedidos do PMDB, mesmo que para isso tenha de desidratar o PT na reforma ministerial. “É melhor perder ministérios do que a Presidência”, disse Lula. A portas fechadas, o ex-presidente avaliou que a estratégia montada para atrair os aliados rebeldes deu fôlego para Dilma barrar pedidos de impeachment no Congresso. Além disso, para não contrariar nenhuma ala do PMDB, Dilma cogita deixar de lado a fusão das Secretarias de Portos e Aviação Civil. Com isso, o partido poderá ficar com seis ministérios, e não mais cinco, como previsto inicialmente.


Quando lemos declarações deste tipo, fico pensando onde estão os petistas éticos. Onde estão os defensores da mudança na prática política? Onde andam os deputados/senadores do PT que acusavam todos os antecessores de corruptos, entreguistas e políticos sem caráter?

Algum brasileiro honrado, honesto, sério e ético ainda pode dizer que o país não está entregue a uma quadrilha? Continuarão a defender Lulla, Dillma e os petistas corruptos?

Se Dillma tiver, ainda, um pouquinho de sanidade, reconhecimento pelas oportunidades que parcela do povo lhe concedeu e desejar o bem do país, renunciará, imediatamente.

Da minha parte, ao completar 66 anos, espero justiça. Dillma e todos aqueles que assaltaram consciências, usaram a ignorância de parte da sociedade e usufruíram, ilegalmente, do patrimônio público terão de ser julgados, condenados e pagarem suas penas.

Chegada de coitadismo e de esquecismo. O bom exemplo precisa ser resgatado e reforçado para servir às futuras gerações. Sem isto, nosso sacrifício terá sido em vão.Vamos conhecer, nos próximos dias, o tamanho da loucura e da irresponsabilidade desta senhora.

O que empesteia o ar

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, ensinou Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa.

Ou como ensinou Lula em reunião com correligionários, a propósito da conjugação de crises que ameaça derrubar a sua sucessora: vale a pena perder ministérios, mesmo os mais importantes, desde que não se perca a presidência e não se vá preso. Para ele, o mais seria diletantismo ou poesia.

Na esteira da demonstração de pragmatismo de Lula, merece ser lembrado o que disse Jorge Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado, ao comentar para a revista Carta Capital, na semana passada, a situação vivida pela presidente Dilma Rousseff.

Disse Viana: “Para salvar o governo, a única solução é piorar o governo. Seria melhor ter perdido a eleição”. Bingo!

É difícil apontar quem expressa melhor o sentimento que contamina o PT desde janeiro último – se Lula, capaz de tudo para não perder o controle sobre a presidência, ou se Viana, que inveja a posição confortável dos eleitores do PSDB de Aécio Neves.

O ideal para Viana teria sido a eleição de Aécio, o infeliz a quem caberia administrar a herança maldita de doze anos do PT.

Na dúvida, premiem-se os cartões de Lula e de Viana. Até aqui, o partido navega dividido entre os que pensam como um e como o outro. O próprio Lula, até outro dia, pensava como Viana. Queria ver Dilma pelas costas.

Os empregados no governo ou que desfrutam de sinecuras, esses entregariam a alma ao diabo em troca da permanência de Dilma no poder até 2018.

Pois vai que contrariando as expectativas, o país começa a crescer a partir de 2017... Vai que a população reconhece o empenho de Dilma para que tudo melhorasse...

Ou vai que a Operação Lava Jato, uma vez enfraquecida pela decisão do Supremo Tribunal Federal de fatiá-la, provoca menos danos ao PT do que hoje se imagina... Pronto: Lulalá de novo, e pelo bem do povo!

O PT de Viana é mais pessimista. Não vê saída para Dilma. Reconhece que os erros cometidos por ela na condução da política econômica no seu primeiro governo cobrarão um preço alto para ser corrigidos.

Entende, assim, que o partido lucraria com a piora do governo, a sua ruína, e, finalmente, a passagem para a oposição, seja a Temer ou a Aécio. Oposição rima com recuperação.

O estado de decomposição do governo Dilma empesteia o ar, particularmente o de Brasília. E esse é o problema do cadáver insepulto: incomoda todo mundo.

Por que tantos petistas, de olho nas próximas eleições, começam a deixar o partido? O que Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, haveria de preferir? Concorrer à reeleição com Dilma na presidência ou com ela aposentada?

Ocorre que Dilma, aconselhada por Lula, acha que descobriu o caminho para adiar o seu fim: terceirizar o governo ao PMDB.

Disposta a cortar 10 dos atuais 39 ministérios, ela ofereceu seis ao baixo clero do PMDB – inclusive o cobiçado Ministério da Saúde, com um orçamento de R$ 10 bilhões. Esse irá para um “laranja” de Eduardo Cunha, presidente da Câmara.

“A renúncia é a libertação. Não querer é poder”, escreveu Pessoa. Que como político seria um ótimo poeta.

Querer é poder. Por ele, vale a pena mentir para vencer, governar à base de mentiras, abandonar a esquerda pela direita, e engrossar o coro contra a roubalheira, enquanto se recriam as condições para que ela nunca desapareça. Afinal, de conivência com a corrupção, Dilma entende.

PT vai virar privada de bandido

Estou rezando ao Papa Francisco para que saia mais gente. O PT tem que encolher com qualidade, com gente qualificada e compromisso com as causas populares
Washington Quaquá, presidente do PT- do Rio e prefeito de Maricá

O esvaziamento do Partido dos Trabalhadores se acelera. Nem todos seus integrantes querem ser taxados de bandidos mesmo porque entraram de gaiato no navio da bandidagem. Quiseram até remar contra a maré de bosta, mas não vão cometer suicídio abraçados a pilantras.

A fuga de companheiros se dá em todos os níveis. O outrora grande partido agitador das massas não reuniu 500 pessoas numa manifestação na Praça da Sé. O motivo era uma "Primavera democrática" que incluía a defesa do ex-tesoureiro João Vaccari, condenado 
(o segundo do partido) a 15 anos até agora. Ninguém em sã consciência vai à rua para defender bandido. Seria exigir demais dos companheiros.

O que vai ficando no chiqueiro é mesmo a ralé dos chinelinhos que só com o PT conseguiram deixar o lixo sem trabalhar. A higienização dos comprometidos pregada por Quaquá só vai deixar quem vive à tripa forra comendo e bebendo do melhor com dinheiro no bolso para sustentar a fartura, que a miséria ninguém atura.

Essa esquerda de brejo, carreirista e idólatra da moeda tem como um dos seus pontífices o prefeito de Maricá e presidente fluminense do PT, capaz da cretinice da frase de abertura.

O cacatu caiçara é um falastrão que usa e abusa das causas sociais como fachada única ao tal compromisso que só tem com o poderio partidário.

Como o supremo Lula, mais fala bombasticamente. De trabalho, já era conhecida bem antes da eleição sua alergia.

Não se curou do mal. Se achando qualificado, demonstra à exaustão que é um demagogo de deixar a demagogia envergonhada. O que para seus comparsas é uma qualidade. Quem vai contrariar os imbecis? Estão sempre à mão, bem molhada, para apoiar qualquer besteira e ainda mais abençoar o crime de liquidar um município para continuar com o cetro de reizinho da lama.

A varredura dos descompromissados com a pilantragem vai tornar o partido, se não acabar ou mudar, uma escola de corrupção agenciada por uma cambada que é a escória petista. O baixo clero do crime mostra que não vai deixar facilmente o osso. Está disposto a fazer o diabo para implantar o que puder de demônios para infernizar ainda mais a politicalha infernal do país.

Onde está o futuro?

Resultado de imagem para onde está o futuro? chargeFoi adiada para essa semana a apreciação dos vetos da presidente Dilma às medidas aprovadas pela Câmara, cuja entrada em vigor poderá significar uma trombada de R$ 64 bilhões no já débil orçamento nacional. Ao lado da crise de recursos públicos, de autoridade e de ideias – essa talvez a mais grave das crises –, o governo Dilma discute a entrega de quatro ministérios de primeira classe ao PMDB, moeda básica para que o partido se veja estimulado a votar a manutenção dos vetos. Os ajustes políticos que governo e sua base de apoio constroem parecem dizer respeito a um outro país, a uma outra época, com circunstâncias opostas ao momento que hoje vivemos. Mas que se dane o Brasil, devem pensar. Farinha pouca, meu pirão primeiro. Perdemos, até esse mês do ano, quase 1 milhão de empregos com carteira assinada; pagamos uma taxa básica de juros de quase 15% ao ano; o dólar sanfona-se entre R$ 3,80 e R$ 4,50. A inflação não dorme e cresce desordenadamente; não há investimentos públicos destinados a pavimentar caminhos para que o Brasil encontre saídas de uma crise que se agrava a cada dia, e uma dezena de iluminados, os líderes, para vetar propostas que levarão o orçamento ao nocaute, querem ministérios, querem cargos para abrigar seus apaniguados, querem festa.

O PSDB, hoje o principal partido de oposição ao governo, simplesmente lavou as mãos e, em peso, votou pela derrubada dos vetos. Votou contra convicções que sempre nortearam o partido, como a fixação de regras mais rigorosas para concessão de aposentadorias, bandeira valorizada no governo FHC como essencial à saúde do sistema previdenciário. Aliás, o ex-presidente Fernando Henrique convocou sem êxito deputados e senadores de seu partido à reflexão de que “nós temos que pensar no futuro do país. Há outras matérias que você pode votar contra”, buscando alertar seus pares para a irresponsabilidade de se tratar como uma posição meramente política os problemas que agravarão sem medidas o já debilitado caixa com o qual o país hoje conta. O Brasil estará irrecuperavelmente falido se os vetos caírem, e, mesmo assim, recebeu do presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, a resposta de que “quem foi eleito para governar e para dar solução a essa crise foi o governo do PT”. Esse assunto não é comigo, deve pensar o senador e seu partido. É com o Brasil.

Essa é a nota tônica do pensamento do Congresso brasileiro, que parece enxergar-se na ilha da fantasia, onde não estão o desemprego, a alta de preços, o enxugamento da atividade econômica, a burocracia burra e onerosa que dificulta e inibe o desenvolvimento. Lá também não está uma carga tributária que esfola todos os brasileiros pela sua exorbitância, corroendo a produção e levando significativa parcela de seu conjunto para os cofres do governo, que gasta sem controle e sem respeito pelo trabalho de seus cidadãos. Não há salvação nem futuro, seja qual for o partido que venha a ocupar os próximos governos, se os gastos públicos não forem administrados, se não promovermos a redução do tamanho do Estado, para que a desordenada majoração das tarifas públicas não siga sendo instrumento para engordar caixas e estimular a inflação. Não há futuro se não tivermos produção com produtividade, com eficiência e competitividade. Não há futuro sem grandeza e responsabilidade.

domingo, 27 de setembro de 2015

DIlma Levy sofa Vendendo lama da lava jato rock in rio

Fim de feira

Tudo que começa mal acaba mal, mas o governo da presidente Dilma Rousseff conseguiu trazer uma novidade para esse antigo ensinamento da sabedoria popular ─ está sendo capaz de acabar mal o que nunca chegou a começar. Um dia, mais cedo ou mais tarde, a presidente vai atravessar pela última vez a porta do Palácio do Planalto; é possível, até mesmo, que só acabe indo embora no fim do seu período oficial no emprego, em 1º de janeiro de 2019, data que cada vez menos gente ainda acha que é para valer. Mas, seja lá qual for o dia da saída, Dilma já está acabando. Deixa atrás de si, apenas, algo que Vinicius de Moraes descreveria como uma casa muito engraçada, que não tinha teto, não tinha nada; nela ninguém podia entrar não, porque a casa não tinha chão. É claro que muita gente acha bem pouca graça, ou não acha graça nenhuma, na conta que a presidente está assinando para largar em cima da mesa. Trata-se de um caso raro, sem dúvida: ao contrário do que em geral acontece com as casas, seu governo foi demolido, por ela própria, antes de ser construído. Mas é certo que será isso, precisamente, que vai sobrar após os “X” anos e “Y” meses, dias e horas que Dilma terá passado na Presidência da República: um sombrio trabalho de remoção de entulho, com preço exorbitante, sem previsão de entrega e com resultado final incerto. Seu destino, para quem acredita em destino, era ser derrotada ao fim da linha. Para quem não acredita, ela está acabando mal simplesmente porque nunca fez o mínimo necessário para acabar de outro jeito.


A presidente tem três anos e pouco (ou muito) pela frente até a hora prevista para o desembarque, e diante desse prazo a sensação majoritária (de sete entre dez brasileiros, talvez, pelo ronco das pesquisas de opinião) tem sido a seguinte: “Tudo isso, ainda? Não dá para aguentar até lá”. É compreensível, diante da misteriosa obsessão do Palácio do Planalto em dizer “não” quando deve dizer “sim”, e dizer “sim” quando deve dizer “não” ─ o que resulta nas calamidades de tamanhos diversos produzidas em tempo integral pela linha de montagem operada na alta gerência do Brasil para Todos. Mas poderia ser aceitável um raciocínio diferente: três anos, embora demorem a passar, também seriam tempo suficiente para consertar pelo menos uma parte da babilônia de desatinos que arrumaram em volta de si e contra todos nós. Na teoria, de fato, até que poderia ser assim. Na prática é opção inválida, pois o instinto automático da chefe e seus agentes, como mostram os fatos de cada dia, é usar todo o tempo disponível para repetir erros velhos, que já cometeram, e executar erros novos, que ainda não testaram. O último “pacote” de medidas para lidar com a falência em que meteram o Tesouro Nacional é exatamente mais do mesmo ─ uns rabiscos achados no fim de semana, com promessas que valem tanto quanto outras que Dilma fez e nunca respeitou, ordens que não serão cumpridas e aumento de impostos. Disso não sai.

A concordância mais ou menos geral é que o governo Dilma acabou antes de começar este segundo mandato; o mais provável é que não tenha começado nem o primeiro. Até hoje, nove meses depois de ter nomeado seu atual ministro da Fazenda, a presidente ainda não resolveu se é a favor ou contra ele, porque não consegue resolver se quer ou se não quer fazer o que o homem propõe. Mas já no começo do primeiro mandato deixou claro que seu principal talento era não se entender com ninguém, ordenar a execução de desejos em vez de projetos coerentes, e querer ao mesmo tempo coisas contrárias entre si. Há outro problema complicado ─ Dilma não gosta de ideias diferentes das suas. Mais: não tem interesse, nem sequer curiosidade, em saber que ideias poderiam ser essas. Após quase cinco anos na Presidência, continua irritada, ou indignada, ou estarrecida. Dá ordens que não são obedecidas, ou às quais os subordinados fingem obedecer ─ muitas vezes porque simplesmente não entendem o que ela está mandando fazer. Passa meses sem falar com a maioria dos seus 39 ministros e suas multidões de “homens-chave”, embora considere todos indispensáveis. Assina decretos que depois precisa anular, quando lhe avisam que não sabia o que estava assinando; sua obra-prima até agora, nesse quesito, foi a recente bula que pretendia reduzir prerrogativas dos comandantes das Forças Armadas, criação de uma militante do PT, enfermeira de formação e casada com um cacique do MST, que parece mandar no Ministério da Defesa.

Nada disso vai melhorar ─ em três ou em trinta anos. É o fim da feira.

Fatiamento? O nome certo é trapaça


Sempre que craques da Justiça ameaçam golear campeões da bandidagem, juízes do Supremo Tribunal Federal arranjam algum pretexto para atrapalhar atacantes cujo esquema tático é tão singelo quanto eficaz: aplicar a lei. Foi assim no julgamento do mensalão: os delinquentes estavam a um passo da prisão em regime fechado quando o STF exumou um certo “embargo infringente”.

O palavrão em juridiquês reduziu crime hediondo a contravenção de aprendiz, transformou culpado em inocente e acabou parindo duas brasileirices obscenas: a quadrilha sem chefe e o bando formado por bandidos que agem individualmente, nunca em grupo. Agora incomodado com o desempenho exemplar do juiz Sérgio Moro, dos procuradores federais e dos policiais engajados na Operação Lava Jato, o Supremo inventou o que a imprensa anda chamando de “fatiamento” do escândalo.

Fatiamento coisa nenhuma. O nome certo é trapaça.

A fala imoral de um petista graúdo

A má consciência petista é certamente inédita na política brasileira e é algo único no mundo. Uma declaração dada pelo senador Jorge Viana (PT-AC) à revista petista-governista “Carta Capital” é, por si, um escândalo moral. Leiam:

 “Para salvar o governo, a única solução é piorar o governo. Seria melhor ter perdido a eleição”
O homem é vice-presidente do Senado e tido como um moderado, um conciliador.

Ora, vamos pensar. O que se esconde nesse frase? Certamente Viana se refere, imediatamente, ao fato de que Dilma tenta fazer uma reforma ministerial que impeça que 257 deputados decidam pela formação da comissão especial que pode começar a analisar a denúncia contra a presidente. Impedindo-se a instalação da dita-cuja, não há processo de impeachment possível.

Mas esperem! Por que Dilma está nessa situação desalentadora? As dificuldades não se devem ao fato de que está tendo de arcar com as consequências das escolhas econômicas que fez no primeiro mandato?

Viana sabe muito bem que, por mais escabrosas que sejam as acusações contra o petismo e o governo, se a economia estivesse indo bem, outra seria a situação de Dilma. E não ignora que o segundo mandato foi conquistado à custa do estelionato e, de fato, da traição ao que foi prometido às próprias bases.

Ocorre que todos, também no PT, sabiam que seria assim. É por isso que empresários ligados a Lula, que defendiam a sua volta em 2018, lhe recomendaram vivamente que não entrasse na campanha de Dilma no segundo turno. É por isso que petistas próximos aconselharam Lula “a deixar Dilma perder”.

A “Carta Capital” reproduz, sem aspas, um pensamento que parece ser da revista, mas que é atribuído a petistas:

“Não seria melhor, então, estar na oposição a uma gestão Aécio Neves (PSDB-MG), a atacar o ajuste fiscal que ele certamente faria e a ver o tucano enrolar-se com parlamentares metidos na Operação Lava Jato e hoje aliados ao PT mas que, governistas por vocação, estariam na base de apoio do PSDB? Ao menos, haveria perspectiva de futuro para o partido, algo inexistente hoje, pensam vários petistas.”

Entendi. Essa lógica, que também foi apresentada a Lula no ano passado, quer dizer mais ou menos o seguinte:
“A gente deveria ter deixado para Aécio acertar todas as burradas que fizemos. Depois que ele arrumasse a casa, para o país não quebrar, a gente voltava para bagunçar tudo de novo”.

É asqueroso!

Viana, Carta Capital e aqueles que aconselharam Lula no ano passado não estavam fazendo a defesa da alternância de poder. A seu modo, isso é a defesa da não alternância. A oposição, na cabeça deles, serve apenas co
mo instrumento de satanização da política e serve apenas como elo entre um desastre petista e outro.
Reinaldo Azevedo

Brasília virou as costas para o Brasil

Governos fracos se desconectam da realidade. A desconexão da realidade enfraquece ainda mais os governos. Essa lei de ferro das crises políticas está em franca vigência no Brasil.

A presidente Dilma Rousseff, sequestrada pelo ex-presidente Lula, dedica-se à tarefa errada. Desperdiça o seu precioso tempo em costuras quixotescas com a raia miúda da política nacional, obcecada com a ideia de contar votos na Câmara para evitar o impeachment.

Enquanto isso, na planície, a economia e as finanças entraram em espiral demoníaca. Os juros para cidadãos e empresas comuns estão explodindo a um ritmo que, se for mantido, vai causar estragos gigantescos em pouquíssimo tempo. Em dias. Muitos negócios vão simplesmente parar por falta de oxigênio em suas artérias. Vamos nos deparar com esqueletos que nem sabemos que existem. Vamos criar outros que não precisariam ser fabricados.

Os agentes econômicos necessitam de uma resposta política imediata para essa ameaça iminente. Não para frear o impeachment.

Os políticos não entenderam o tamanho do problema diante dos olhos. As finanças públicas estão quebradas. O que acontece no Rio Grande do Sul, falta de dinheiro para pagar salários de servidores, vai se alastrar para outros Estados e municípios se nada for feito rapidamente.

Uma presidente dedicada obsessivamente a salvar a própria pele neste momento prediz muita desgraça logo à frente, e não apenas para ela. Deputados e senadores tranquilos, que deveriam estar reunidos em sessões emergenciais extenuantes para produzir resposta rápida à ameaça de descalabro, completam a cena de um grupo dirigente que virou as costas para a população. Ai de nós.

Brasil, siga o dinheiro (da campanha de Dilma)

Está tudo bem com as contas de campanha de Dilma Rousseff, decretou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot – que acaba de ter seu mandato renovado pela própria Dilma. Claro que Janot não arquivou o pedido de investigação da campanha da presidente em troca de sua manutenção no cargo. O Brasil é um país de instituições independentes. O que o procurador-geral argumentou é que os pedidos de investigação não devem atrapalhar “o esforço constitucional de pacificação social”. Está fundada a paz dos pixulecos.

A Operação Lava Jato levantou uma série de indícios – claros – de pagamento de propinas em forma de doações legais à campanha de Dilma. O esquema do petrolão, em que negócios com a Petrobras seriam aprovados mediante pedágios milionários ao PT, levou à prisão, entre outros, o ex-tesoureiro do partido, João Vaccari. Ele é um dos acusados de fazer as propinas – apelidadas pelo próprio de pixulecos – chegarem limpas ao caixa de campanha da presidente. Nada disso é passível de investigação, decidiu Janot, em nome da paz social.

Mahatma Gandhi, Martin Luther King, John Lennon e Nelson Mandela nunca imaginaram que o pacifismo iria tão longe. O pedido feito pelo ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, focava inicialmente o caso da gráfica VTPB, que recebeu da campanha petista R$ 23 milhões em pouco mais de três meses. Dadas as suspeitas de se tratar de empresa fantasma, sem estrutura capaz de oferecer serviços nesse valor, Gilmar Mendes viu aí uma das possibilidades de escoamento das propinas do petrolão – a lavagem do dinheiro que, segundo a Lava Jato, vinha da corrupção na Petrobras para a campanha de Dilma. Mas o procurador-geral arquivou o pedido, indicando, basicamente, que o passado passou:

“Não interessa à sociedade que as controvérsias sobre a eleição se perpetuem: os eleitos devem poder usufruir das prerrogativas de seus cargos e do ônus que lhes sobrevêm. Os derrotados devem conhecer sua situação e se preparar para o próximo pleito”, disse Rodrigo Janot em seu despacho.

Um militante petista movido a sanduíche de mortadela não usaria argumentação diferente: o pedido de investigação das contas de campanha é choro de perdedor; conformem-se e esperem sentados por 2018. O discurso é também perfeitamente harmônico com o brado de Dilma contra os que supostamente querem roubar-lhe a legitimidade do voto. Todos querem roubar o PT, e o partido da inocência nem sequer oferece 100 anos de perdão. Perdoa­dos, só mesmo os que roubam com estrelinha na lapela. Esses podem ir e voltar à Papuda quantas vezes quiserem, que continuarão no altar da revolução.

O comentário do ministro Gilmar Mendes sobre o despacho do santo padroeiro das gráficas petistas foi o seguinte: “Ridículo”. Duvida? Então leia um pouco mais de Janot, justificando o arquivamento: “A inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas – exagerados – do espetáculo da democracia, para o qual a Constituição trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores”. Entendido? Investigar pixuleco atrapalha o espetáculo da democracia – esse que produziu um rombo espetacular de R$ 30 bilhões no Orçamento da União, segundo os organizadores, e R$ 100 bilhões, segundo as vítimas.

O reconhecimento do deficit proverbial na proposta orçamentária do governo para 2016 indica que os companheiros, ao menos, desistiram de continuar escondendo o rombo. Ou parte dele. Não é mais uma bondade do governo bonzinho: é uma tática para tentar justificar o aumento de impostos – incluindo a recriação da CPMF, que num primeiro momento foi fuzilada de todos os lados. O desastre administrativo do PT forjou um Brasil onde não dá mais para identificar onde termina o espetáculo da democracia e onde começa o espetáculo da cleptocracia. O único quadro claro, sem nenhuma nebulosidade, é a recessão grave em que o bando atirou o país.

Há um outro quadro claro, que o Brasil tem dificuldade de enxergar: a investigação da campanha de Dilma Rousseff é o caminho evidente para revelar que o governo do PT é, essencialmente, uma operação de pilhagem. Cabe aos lesados remover do caminho os pacifistas de aluguel.

Guilherme Fiuza 

Insustentável

Duas semanas depois do anúncio de cortes de cargos e de ministérios para tentar sinalizar que o governo estaria levando a crise do país a sério, a presidente Dilma Rousseff, como de costume, zanzou para lá e para cá e nada avançou. Ao contrário. Só os impostos avançaram.

Rebatizada de CPPrev, a CPMF chegou ao Congresso em edição extra do Diário Oficial acompanhada por uma Medida Provisória que aumenta o Imposto de Renda sobre ganhos de capital. Para dizer que algum corte houve, formalizou-se a polêmica proposta do fim do adicional para servidores aposentados que trabalham - uma economia de mentirinha - e dos pagamentos acima do teto. Essa última, uma determinação constitucional que deveria ser regra desde sempre.

Quanto aos cargos, nada. A promessa era cortar irrisórios mil dos mais de 100 mil comissionados, sete mil deles pendurados na Presidência da República. Mas nem isso.

A União mantém hoje nada menos do que indecentes 22.619 cargos de livre nomeação, com salários que chegam a R$ 18 mil. Segundo o Contas Abertas, os cargos de confiança representam 86,1% do efetivo do Ministério do Esporte, 85,6% do da Pesca e 74% do de Desenvolvimento Social, e de 53% nos ministérios das Cidades e do Turismo.

Sem meias palavras, institucionalizou-se o compadrio.

A tal reforma ministerial, que já era tímida, deverá ser menor ainda. E dificilmente se poupará um único centavo. Muito menos servirá à eficiência da administração.

Só está sendo feita para preservar o mandato da presidente. Algo que pouquíssima gente quer, nem mesmo aqueles que devem alguma fidelidade a ela, por compromisso ou simples resposta ao toma lá.

Dilma passou a semana oferecendo mundos e fundos de um governo que não tem nem uma coisa nem outra. Até colheu algum êxito junto ao sempre negociável PMDB. Quando imaginou ter resolvido a pendenga, encalacrou-se. Desagradou peemedebistas poderosos e petistas estrelados.

O PT, que perdeu nacos grandes de seu capital para a corrupção - Mensalão e investigações da Lava-Jato -, já não consegue disfarçar a angústia. Parte expressiva do partido não tem mais disposição para defender Dilma. Oscila entre o melhor momento e a melhor forma de ela sair. Se agora ou daqui a pouco, por impedimento ou renúncia.

O PMDB, o mesmo que acaba de negociar a ocupação de seis ministérios, se apresenta ao público em programa eleitoral em franca oposição a Dilma. O partido se posicionou contra o aumento de impostos e pisou forte no calo mais dolorido da presidente – a mentira -, defendendo a “prestação de contas com a verdade”.

Temer abriu e encerrou o programa como presidente. E sem panelaço.

Em Nova York, Dilma apresentará ao mundo os planos e compromissos do Brasil quanto às questões climáticas e o desenvolvimento sustentável. Garantiu que serão arrojados. Por aqui, ela só tem conseguido andar para trás. Além de competência, falta-lhe clima e sustentação para o exercício do cargo.

Mary Zaidan

Data venia para discordar


Em meio a tanta coisa errada, se há uma iniciativa que está dando certo no país é a Operação Lava-Jato. A não ser os acusados e os advogados deles, não conheço quem coloque em suspeição a independência e a correção do juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações que nos têm propiciado cenas até então inéditas de poderosos executivos e empresários sendo presos por envolvimento em redes de corrupção — sendo presos e tendo que devolver o fruto do roubo.

Quando foram vistas antes novidades como esta: “MP suíço informa que bloqueou R$ 1,3 bi em investigações sobre Petrobras”? Ou esta, entre outras: “Ex-gerente Fernando Barusco devolveu 97 milhões de dólares de propina”. Que outro homem público brasileiro, além desse juiz de 43 anos, consegue hoje ser aplaudido por onde passa?

Daí, a surpresa diante da decisão do Supremo Tribunal Federal que, na prática, promoveu o chamado “fatiamento” da Lava-Jato, retirando de Moro o poder de apuração sobre os casos que não envolvam diretamente a Petrobras. Advogados de defesa festejaram o precedente e vários já estão preparando recursos para levar inquéritos para longe da 13ª Vara de Justiça Federal de Curitiba, a de Moro, o que é muito significativo.

Mas quem sou eu, um leigo ignorante das filigranas do Judiciário, para questionar uma decisão da mais alta corte do país? O problema é que nesse coro dos descontentes estão importantes personagens do cenário jurídico, como o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para quem se trata de investigar uma mesma “organização criminosa que se espraiou em diversos órgãos públicos e que opera de maneira uniforme, com modus operandi idêntico, quase com os mesmos atores".

Em outras palavras, há muitos corruptos que não são exclusivos do petrolão. O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, fala em “derrota do Ministério Público” ao admitir que os trabalhos desenvolvidos por eles até agora vão “sofrer” com a divisão. Seria o começo do fim da Lava-Jato? Será que o país é mesmo masoquista, só gosta das más notícias? Parece que não.

Um criminalista levantou para Merval até a hipótese do surgimento de um movimento de solidariedade de juízes tipo “somos todos Moro”, mas que o colunista acha improvável. Possível é que os procuradores da operação forneçam know-how e apoio a seus colegas de outros estados que tiverem de cumprir a nova tarefa. O próprio Dallagnol promete: “Vamos lutar e trabalhar arduamente para que não haja grandes perdas”. O ideal é que não haja perda nenhuma.

Da rua não sair

O mal dos povos, o mal de nós todos, é só aparecermos à luz do dia no carnaval, seja o propriamente dito, seja a revolução. Talvez a solução se encontrasse numa boa e irremovível palavra-de-ordem: povo que desceu à rua, da rua não sai mais. Porque a luta foi sempre entre duas paciências: a do povo e a do poder. A paciência do povo é infinita, e negativa por não ser mais do que isso, ao passo que a paciência do poder, sendo igualmente infinita, apresenta a «positividade» de saber esperar e preparar os regressos quando o poder, acidentalmente, foi derrotado
José Saramago

Partido matreiro

Cheio de querrequequé:
Se deita, mas fica em pé;
Devagar, porém ligeiro.
Finge detestar dinheiro,
Franze a testa, fica sério;
Leva até o cemitério,
Chora mas fica contente;
Quer tirar a presidente,
Mas não larga o Ministério.

II

Quando a banda militar
Soltou o último suspiro,
Ulisses, que eu admiro,
Pensou que ia governar,
Mas Sarney saiu de lá
Das bandas do Maranhão,
Deixou a situação,
Virou PMDB,
Continuou no poder
E Tancredo no caixão.

 III

No governo colorido,
O partido se achegou:
Foi devagar, mas entrou
Sem fazer muito alarido
(Mulher que trai o marido,
Trai sem arrastar tamanco).
Collor não aguentou o tranco,
Retornou para Alagoas
E o tal partido “de boa”
No Governo Itamar Franco.

IV

Aí veio FHC,
Todo intelectual,
Lançou o plano real
E arrochou pra valer.
De novo o MDB,
Com gente da ditadura,
Montou sua estrutura
Na Esplanada em Brasília,
Ficou até com a mobília,
Não largou a rapadura.

V

E saiu se pendurando
No Governo do PT:
Dava e mandava vender,
Comia, saía mastigando,
Lula só autorizando
Canal e transposição.
PMDB dá pão,
Mas fica com a padaria,
No final ninguém sabia
Quem foi que passou a mão.

VI

Veio Dilma e os bestinhas
Chafurdaram no petróleo,
Lambuzaram a mão de óleo
A que chamam de graxinha.
Cada um fez uma caixinha,
Mas foi a fonte secar
Começaram a reclamar,
Dizer que estavam com o povo:
- Ou roda a roda de novo
Ou vamos te empichar!

VII

Michel combinou com Cunha
Para espalhar o boato
Que o Brasil tinha carrapato
E a febre xincungunha.
Fez munganga, fez mumunha,
Misturou-se com os tucanos,
Traçou um monte de planos,
Juntou um monte de gente
Pra tirar a presidente
Até o final do ano.

VIII

Foi aí que a presidente
Parou com os coices de mula,
Se aconselhou com Lula,
Que é mais experiente,
Traquinoso e saliente,
Esperto e muito afamado,
Direto, sem rodeado:
- Dê a eles o filé,
Pra comer como quiser,
Que eu já tô empanzinado!

IX

Nesse instante a rebeldia
De súbito se transformou
Em muita paz e amor,
Entendimento e harmonia.
PMDB queria
Era fazer um acerto:
O longe ficou mais perto,
Cachorro não larga osso,
Botou o Brasil no bolso,
Nunca mais passou aperto.
Miguezim de Princesa

O programa do PMDB

Se hoje fosse colocado em votação o impeachment, a presidente Dilma estaria em apuros. O momento de mutação entre o improvável e o provável ocorreu na semana passada. Nem a oferta de ministérios, cargos e mimos ao PMDB mudou o clima.

A prova, que pode ser algo próximo de se realizar, foi o programa partidário do PMDB exibido na última quinta-feira. Num discurso único e concatenado, recitado desde a abertura por Michel Temer, passando pelas figuras de proa do partido e finalizando com ele numa pose em que lhe faltava apenas a faixa verde-amarela.

“Mudar” e a maturidade do partido para conduzir o país a novos rumos se repetiram, deixando o projeto de tomada da Presidência da República como um passo natural. Mais ainda facilitados pela onda de descontentamento de setores políticos, econômicos e sociais, referendados na overdose de impopularidade da presidente Dilma Rousseff. É isso em que acreditam e que querem os peemedebistas.

Michel Temer já percorreu as principais lideranças políticas do país e encontrou sinal verde para promover o complô, apenas com a recomendação de usar luvas de pelica.

O programa partidário serviu para mostrar a coesão do PMDB e contar quem está na empreitada. Quem deu a cara assinou o projeto, como os conjurados romanos que apunhalaram ao mesmo tempo Júlio César à luz do dia, mostrando que não era um o culpado, mas muitos os responsáveis. Depois sobrou para Brutus, filho adotivo, imortalizando o “Até tu, filho meu?”.

O sonho peemedebista de ocupar o Planalto nunca esteve tão perto de se realizar, sem usar lâminas. Nem tanto por méritos do partido, mas pelas falhas da presidente, que vem escorregando em decisões desastradas. Faltaram-lhe diretrizes e planos, acenos a metas que Lula ditou e ela não conseguiu renovar.

O PMDB unido se mostrou para o “terceiro turno”, que se vence no tapetão. Nenhuma citação aos 13 anos de convivência com o poder, como se já não fizesse parte de suas responsabilidades a situação à qual se chegou. Fim de festa e de casamento.
Um pano de fundo preto mostrou, durante todo o programa, as cores do apagão de poder, nada a mostrar e tudo a esquecer. Os holofotes mostrando as “caras lavadas” dos peemedebistas recitando um pacto de união. Nenhum ministro com cargo, ou figura alinhada com o governo Dilma apareceu na moldura. Apenas a numerosa tropa de elite pronta para a missão mais dura.

A falta de remédio para a crise política vivida por Dilma estaria na aparente omissão em segurar a Lava Jato, que devastou adversários de alguns ministros petistas, mas acabou invadindo o quintal do PMDB e de outros partidos.

Mesmo inconfessada, a razão do racha é essa, na dificuldade e no medo. Os ministros Aloizio Mercadante e Eduardo Cardozo seriam os responsáveis. As circunstâncias acabaram por gerar a união espontânea de diferentes interessados em salvar a pele. E já que Dilma não conseguiu se livrar dos ministros e das escolhas equivocadas, para o PMDB passou a ser melhor se livrar dela e, por tabela, de todos, e escalar a cadeira mais alta. Conta com um forte apoio e com a insatisfação gerada pelas medidas “levyanas”, a inflação, os juros altos e o desemprego, sem um aceno de luz no final do túnel.

Dilma se encontra vulnerável como nunca, e a conspiração segue um rito que não pareça um golpe, mas um chamamento das ruas. Precisa prestar atenção como quem passou pela ponte que caiu, e se encontra isolada.

Crise econômica alimenta rejeição a políticos


Os motores das economias latino-americanas estão perdendo força.O maná das matérias-primas a preços elevados desapareceu, e a tração da locomotiva chinesa, o primeiro importador de mercadorias no mundo, está ficando mais fraca, pressionada pela crise interna do gigante asiático. O crescimento econômico na região entrou em fase de hibernação —as previsões de organizações internacionais estão em cerca de 1% para o médio prazo— após mais de cinco anos de expansão acelerada. E, com a economia desaquecida, chegam também os ventos da preocupação política. Apenas 37% dos latino-americanos estão satisfeitos com a qualidade da democracia em seus respectivos países, segundo um amplo estudo da consultoria chilena Latinobarómetro, com base em pesquisas realizadas em 17 Estados.

As relações entre o estado de saúde da economia e o grau de aprovação das instituições políticas são desenhadas como duas linhas paralelas no relatório, que vem sendo realizado há duas décadas. De mãos dadas com o declínio do PIB na região, o ano de 2015 registrou o menor nível de interesse político dos últimos 10 anos. Confirmando a mesma lógica, o desânimo em relação à política despencou em 2001, coincidindo com a última grande crise econômica na América Latina.

"O crescimento, as reformas, a expansão de direitos e a expansão do acesso aos serviços chegaram, sem dúvida, a um segmento da população que nunca havia podido dispor deles antes. É a nova classe média. A América Latina nunca havia experimentado um período prolongado de tanta prosperidade, podendo tirar da pobreza cerca de 100 milhões de habitantes", observa o relatório.

A conclusão da Latinobarómetro, depois de duas décadas medindo o clima político na região, é a de que o copo está meio cheio. "Mas esse copo meio cheio traz impaciência, a incerteza e a angústia de não retroceder quando acontece uma pausa no ciclo de prosperidade, como a desaceleração atual, produzindo o protesto contra as ameaças iminentes sobre o que foi alcançado", acrescenta.


Dada a incerteza econômica, o dedo aponta para a classe política. O nível de aprovação dos governos caiu para 47% este ano, de 60% em 2009, quando o motor econômico da região avançava a todo vapor. Somente em quatro países mais da metade da população está satisfeita com a democracia: Uruguai, Equador, Argentina e República Dominicana, Estados que apresentam uma desigualdade social mais baixa. No outro lado da balança estão o México (21%), que continua sofrendo com o peso da insegurança e da violência, e o Brasil (19%), imerso em uma recessão econômica e atingido pelo grave escândalo de corrupção na petrolífera estatal Petrobras.

"A desigualdade é o que marca a região", diz o estudo. Mais de 100 milhões de trabalhadores —quase a metade da força de trabalho da região— estão na sombra da informalidade e a grande maioria tem renda abaixo da linha de pobreza. Equador, Bolívia e Nicarágua são os três países onde há mais cidadãos que acreditam que a distribuição da riqueza é justa. No Chile, por outro lado, apenas 5% disseram que a distribuição da riqueza é justa. A sensação de justiça social na Venezuela está acima da média, mas caiu pela metade ao longo dos últimos dois anos.

Patrimônio de água

O Médio Paraíba, que hoje conhecemos como o Vale do Café e abrange vários municípios do Estado do Rio, era originalmente dominado por densa floresta de Mata Atlântica e habitada por índios, até ser cortada por caminhos que levaram à extração do ouro das Minas Gerais e, mais tarde, já no encontro dos séculos XVIII e XIX, quedar-se à monocultura do café.

Do apogeu que transformou o local no maior produtor mundial da rubiácea até o declínio provocado pela evasão da mão de obra escravizada, restaram casarões colossais, as carecas de suas montanhas, agora dominadas por rebanhos, e a urgente necessidade de uma política capaz de reflorestar e de proteger nascentes e olhos d’água.


O Código Florestal Brasileiro (lei 4771/1965, aprovada em substituição ao decreto 23.793 — este da década de 1930 — e revogada pela lei nº 12.651/2012) diz que toda vez que uma nascente é descoberta, o local imediatamente passa a ser uma Área de Proteção Permanente (APP). Incrível que, passados 50 anos de sua aprovação, não tenhamos ainda números que apontem aproximadamente a quantidade de nascentes no país.

Outra resolução tão importante quanto a da proteção das nascentes é a que aponta para a recuperação das matas ciliares, que ficam às margens dos rios. Temos um exemplo no Vale do Café, com o Paraíba do Sul. A crise hídrica de 2014 mostrou o esgotamento daquela fonte, que baixou quase um metro, deixando à vista ilhas de areia.

A partir dos anos 90, representantes de todos os setores firmaram o compromisso de trabalhar para resgatar a autoestima da região, pela restauração de sua memória imaterial e com iniciativas que visam a preservar o seu patrimônio.

Hoje é fundamental que se evolua das ações isoladas para uma parceria que envolva governos, ONGs e empresas interessadas. As nascentes e olhos d’água localizados em área rural devem ser protegidos, através do replantio, diz, ainda, o Código Florestal.

O ideal é que os governos federal, estadual e municipais incentivem campanhas para conscientização da importância do mapeamento das nascentes em todo o Vale do Café para que a natureza ali seja protegida através do plantio de mudas de Mata Atlântica. O replantio — o trabalho de semear, plantar, produzir — é uma grande contribuição para o meio ambiente.

Devido ao grande crescimento econômico, no século retrasado, os cafeicultores construíram ali casarões grandiosos, que agora são abertos à visitação para programações turísticas, desde que a região foi redescoberta por comerciantes, pesquisadores e amigos da ecologia do futuro. Em 2016, o Rio abrigará as Olimpíadas. Atrair visitantes para o Vale do Café é importante para que todos conheçam o trabalho de preservação dos rios. A água é para todos, democrática. E a tarefa de fazer com que ela seja abundante é coletiva.

Preservar a área verde é dever de todos; e a troca de experiências e conhecimentos sobre a educação ambiental, fundamental.

Nestor Rocha, presidente do Instituto Preservale

Quero sentar na janelinha

stormwindow
Adoro janelas, janelas abertas, vidros por onde se possa ver as coisas e pessoas passarem, a luz do sol, o vento entrar para renovar o ar. Antes de tudo estar atenta, vigilante. O mês de outubro me lembra disso; mas antes de mais nada nos faz desejar que dela, da janelinha, possamos mesmo é avistar mudanças que já não aguentamos mais esperar tanto. Iguais aos apaixonados como quedam esperando seus amores, que disso entendo bem

De onde vivo tenho poucos horizontes para esticar os olhos, sobram só umas nesguinhas abertas entre um prédio e outro de São Paulo em sua área central. Mas eu me estico como posso, já que não tem dado para sair volitando por aí, tendo os prazeres de olhar mares infinitos. O binóculo, contudo, fica guardado, desnecessário, já que tudo aparece muito perto, que vem vindo, visível a olho nu, mas tal qual o país, continua inalcançável. Muita coisa a gente vê se aproximando, parece que há uma luz, mas esta nunca chega. Preciso providenciar uma luneta, para pontos mais longínquos; e mais paciência.

Assim está o nosso dia a dia. Literalmente dia após dia, semana após semana, mês após mês vivendo e sobrevivendo nessa reatividade, na dependência de que outros façam movimentos que destravem os nossos próprios passos. É horrível depender. Vendem as almas deles e as nossas nas bacias, desavergonhadamente.

O nervoso e a ansiedade que isso dá levam à janelinha. Vontade de avistar perspectivas. Normalmente símbolo de poder - quem senta nela pode mais, e é mais importante - mas até essa premissa já era. Agora na verdade temos é de ficar esperando de camarote, pro bem e pro mal, que os senhores do Poder, dos Poderes, se entendam pelo menos um pouco, em prol de um projeto comum. Depois, que se engalfinhem de novo!

Não é um balde de água fria, mas lembro que muitas vezes costumamos falar quando alguém acha que a solução vai cair do céu: "Puxa a cadeira aí e senta pra não se cansar". Pelo menos é melhor fazer isso da janelinha, observando os movimentos que diariamente descrevemos em nossos textos, artigos, colunas e crônicas. Com o calor desregulado do planeta talvez ajude, fique mais fresquinho.

Mais uma vez queria poder estar vendo, falando e escrevendo sobre comportamento, sobre as questões femininas, sobre a liberdade que no meio de tudo isso vem sendo gatunada em decisões desses parlamentares de quinta categoria que infelizmente foram parar lá por conta do voto. Mas conhecemos como esse voto foi obtido. Com a mentira. Com a promessa do osso para roer.

É muito difícil saber das coisas, ter vivido para ver, ter até condição de prever o que acontecerá sem nem ser vidente. A gente sofre, porque também muitas vezes precisa se calar quando a turba toda corre numa mesma direção. Não poder, da porta para fora, falar o que se pensa mesmo, tudo, de verdade, dá uma gastura e tanto, mas é preciso e estamos num momento assim. Brigar no meio da multidão que está se voltando ou de joelhos para alguma Meca é tragédia anunciada, e nós podemos ser pisoteados.

Por enquanto, meus olhos grandes e atentos vão se distraindo, olhando para o céu, contando passarinhos - qualquer hora um deles pode pousar na minha janela com boas novas.

Se souber de algo antes, aviso vocês.